| Na entrada do Museu do Holocausto, em Curitiba, a voz de uma de suas vítimas. (Foto: divulgação) |
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
Desta vez sóbrio, Monark vai passear no Museu do Holocausto: "F... demais"
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
Há algo de novo sob o sol: o PSOL condenando o ato de uma ditadura
| Daniel Ortega: um ditador nefasto, nefando e cruel. Mas, para muitos, um ditador do bem. |
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Josué Bengtson, a própria rainha da Inglaterra, tenta arrastar o PTB para uma aliança com Helder. É tempo de fazer apostas!
| Bengtson e Elizabeth II: ambos são rainhas. Mas há uma diferença fundamental entre ele e ela. |
| O estadista Roberto Jefferson, maior liderança do PTB e imagem vívida da temperança, da sabedoria e higidez moral: ele admitiria uma aliança com Helder, que os bolsonaristas odeiam? |
sábado, 19 de fevereiro de 2022
Na muvuca petebista, o presidente do partido, o condenado Josué Bengtson, é vaiado pelos próprios filiados
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
"Numa guerra, a primeira vítima é a verdade." Não sei quem disse. Mas, quem o disse, não fez mais do que dizer a verdade.
| Imagens divulgadas por Estados Unidos e Otan mostram tropas russas que estariam estacionadas na área fronteiriça com a Ucrânia. A Rússia diz que é mentira. Quem diz a verdade? |
Numa guerra, a primeira vítima é a verdade.
Essa máxima foi dita há uns 100 anos. Todo mundo, eu acho, conhece-a.
Sei lá quem a disse. Muitos a atribuem ao senador americano Hiram Johnson (1866-1945).
Mas, se não foi ele, quem a disse não fez mais do que cunhar uma verdade.
Há mais de dois meses, acompanho atentamente as informações sobre essas tensões - perigosíssimas, vamos admitir - entre Rússia e Ucrânia.
Há dois meses, todo dia, o dia inteiro, deparo-me com afirmações que, de tão contraditórias, implausíveis e inadmissíveis (algumas vezes, até risíveis), têm toda a aparência de ser mentiras; ou por outra, são informações que esmagam a verdade e a tornam a grande vítima nesse estado belicoso.
Agora mesmo, no Jornal Hoje, temos a informação de que separatistas russos estão saindo em massa de Donetsk, que se autoproclama uma república pró-Rússia, porque garantem que uma invasão da Ucrânia é iminente.
O que diz a Ucrânia? Que não tem a intenção de invadir Donetsk.
Nas últimas três semanas, países ocidentais, sob as vozes dos Estados Unidos e da Otan, a aliança militar pró-Ocidente, têm anunciado como iminente uma invasão de tropas russas à Ucrânia. Algumas informações chegam a marcar dia e hora.
O que diz a Rússia? Que não pretende invadir a Ucrânia.
Há mais de uma semana, com base em imagens de satélite, EUA e Otan acusam a Rússia de aumentar suas tropas e seus contingentes às próximidades da fronteira com a Ucrânia.
O que faz a Rússia? Exibe imagens de seus comboios militares voltando para casa.
Há umas três semanas, a Rússia acusa a Otan de estar fazendo justamente aquilo que a Otan acusa os russos de fazer: estaria aumentando contingentes nos países fronteiriços à Rússia.
O que dizem os EUA e a Otan? Que é mentira.
Há umas quatro semanas, EUA e Otan sustentam que a Rússia está à procura de um pretexto, nem que seja falso, para invadir a Ucrânia.
E os russos, o que dizem? Que essa acusação não se sustenta. E contra-ataca: os EUA e a Otan, eles sim, é que estariam criando um clima de histeria para estimular a guerra.
Nesta quinta-feira (17), autoridades ucranianas informaram que um grupo de separatistas pró-Rússia, apoiados pelas forças armadas de Vladimir Putin, atacaram uma escola infantil em Luhansk, localizada no leste ucraniano e dominada por rebeldes separatistas.
Quem atirou primeiro? Para os rebeldes, foram os ucranianos; para os ucranianos, foram os rebeldes.
Numa guerra, a primeira vítima é a verdade.
Sei lá quem disse isso.
Mas, quem o disse, não fez mais do que dizer a mais pura verdade.
A história é uma farsa. E aos olhos da pós-verdade, cada um constrói sua própria versão da história.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
Miséria, abandono, pobreza menstrual. É o Pará nas manchetes.
O Pará está nas manchetes.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022
Bolsonaro, apontam fortes indícios, prepara armação para seguir como vítima e culpar adversários por atentado que sofreu
- Não me lembrava de ter falado após acordar da 1a. cirurgia na Santa Casa de Juiz de Fora/MG, e nem sabia que esse vídeo existia. Noite do dia 06 ou já madrugada de 07 de setembro de 2018.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) February 14, 2022
- "Todos nós temos uma missão aqui na terra..." pic.twitter.com/5hljrx3Klj
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
"Isso aqui, querendo ou não, você sendo formado ou não, isso aqui é um programa jornalístico, porra!" Monark, sóbrio, não seguiu essa advertência.
Há um ano o Rogério Skylab alertava para a falta de compromisso de Monark ao microfone. "Aqui não é um botequim, tem uma multidão vendo". Flow viria a ser um dos mais endinheirados do Brasil, e dos mais problemáticos também. pic.twitter.com/HJYssStbRD
— Felipe Azevedo (@felipecoazz) February 8, 2022
Bruno Aiub, o Monark, podcaster que assustou e causou justas e virulentas indignações ao defender a existência de um partido nazista no Brasil, reclama em suas redes virtuais que está sendo vítima de um "linchamento desumano", após ter feito o que fez. E insiste: equivocou-se, excedeu-se, exacerbou-se nos comentários porque estava bêbado; mas não é defensor do nazismo, conforme sustenta.
Devo confessar que nunca assisti a um podcast desse rapaz. Nunca.
Mas leio por aí, nas nossas redes sociais sempre sensatas, ponderadas e fontes de notáveis saberes, testemunhos indicando que não essa não foi a primeira vez que Monark, bêbado, comandou um podcast pelo Flow.
A ser verdade essa versão, ele já é reincidente em exibir-se embrigado para manifestar-se num meio virtual que atinge milhões de pessoas, considerando que o Flow tem quase 3,7 milhões de inscritos no YouTube.
O certo é que, especificamente sobre a alegação de ter falado as barbaridades que falou por estar bêbado, temos dois aspectos singelíssimos a considerar.
A embriaguez e o crime - O primeiro é que o Código Penal Brasileiro é objetivo quando estipula, no inciso I do artigo 28, que a emoção e a paixão não excluem o crime, bem como a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos não excluem a imputabilidade penal.
E o inciso II, do mesmo artigo 28, afirma que a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos, não excluem a imputabilidade penal.
O segundo aspecto é o seguinte.
Advertência - Logo após a repercusão das baboseiras externadas por Monark, circulou nas redes sociais o trecho de uma entrevista (vejam acima) que ele fez, há cerca de um ano, com o cantor e compositor Rogério Skylab.
Na ocasião, Skylab advertiu: "Isso aqui, querendo ou não, você sendo formado ou não, isso aqui é um programa jornalístico, porra. [...] Tem uma multidão vendo", disse o cantor, chamando atenção para o fato de que os entrevistadores, Monark e um outro, não poderiam se permitir falar o que quisessem, da forma como bem achassem conveniente.
E qual o detalhe? Aparentemente, Monark, naquela ocasião, estava sóbrio. Bem sóbrio. Portanto, ouviu perfeitamente as ponderações de Skylab. Se não as seguiu, agora não pode reclamar das consequências de seu ato - idiota, imbecil, criminoso e injustificável.
E não pode, sobretudo, alegar que foi idiota, imbecil, criminoso e inconveniente porque estava bêbado.
Não mesmo.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022
STF forma maioria para arquivar inquérito de Belo Monte contra Jader e Renan, senadores do MDB
| Renan Calheiros e Jader Barbalho: indícios de crime apresentados pelo MP reduziram-se a gráficos e diagramas, segundo o ministro Edson Fachin |
Emedebistas próximos a Elcione Barbalho temem pela cassação do mandato dela. Mas depositam suas esperança em Alexandre de Moraes.
TRE cassa o mandato do vereador Zeca do Barreiro. João Coelho, do PTB, conserva o mandato.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) manteve, nesta quinta-feira (10), o mandato do vereador de Belém João Paulo Albuquerque Coelho, do PTB, ao julgar recurso em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pedia a cassação do mandato do parlamentar, sob a alegação de que ele teria sido beneficiado ilegalmente, como candidato, de recursos do percentual de gênero previsto na lei eleitoral.
Na mesma sessão, ao julgar um outro recurso com pedido semelhante, o TRE cassou o diploma do vereador de Belém José Luiz Pantoja Moraes, o Zeca do Barreiro (ao lado), do Avante. Os votos computados em favor dele serão redistribuídos aos partidos que tenham atingido o quociente partidário, conforme dispõe o art. 109 do Código Eleitoral.
Das duas decisões, ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outros quatro processos tratando do mesmo tema ainda serão julgados, envolvendo Túlio Neves e Roni Gás, ambos do Pros; Pastora Salete e Josias Higino, ambos do Patriota; e Dona Neves (PSD).
As batalha judiciais que estão sendo travadas poderão favorecer a Bancada Mulheres Amazônidas, candidatura coletiva do PSOL, formada por Gizelle Freitas (Assistência Social), Kamilla Sastre (Luta contra o Capacitismo), Jane Patrícia (Terreiros/LGBTQIA+) e Fafá Guilherme (Movimento Popular da TF). Além delas, podem assumir um mandato na Câmara Municipal Wellington Magalhães (MDB), Eduarda Bonanza (PL), Simone Kahwage (Cidadania), Toré Lima (DEM), Wilson Neto (PV) e Claudia Vinagre (PSDB).
MP recorre de sentença e pede também a condenação de ex-prefeito de Salinópolis
| Paulo Henrique Gomes: para o Ministério Público Eleitoral, ele também deve ser punido por crimes cometidos durante a campanha de 2020, no município de Salinópolis |
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
Mereço um troféu da Jovem Pan News: "Ave Bozo, morituri te salutant"
| Mathias (o apresentador) e os debatedores bolsonaristas Constantino, Serrão e Costa contra o antibolsonarista Piperno: na Bozo News, três contra um é o fino da imparcialidade |
A Jovem Pan News é um traço de audiência.
Nossa Bozo News, versão nacional-bolsonarista caricata da Fox News trumpista, está mais bolsonarista do que nunca. Por isso mesmo, é um traço.
Neste exato momento, eu devo ser um dos dois ou três, em todo o País - além de Antônio Augusto Amaral Carvalho Filho, para os íntimos Tutinha, CEO da empresa - que estamos assistindo a um programa da tarde, o Três Em Um.
Com todo o respeito à cabotinice, mas eu mereço um prêmio, mereço um troféu da Jovem Pan News. Justamente por ser um dos três brasileiros que, neste momento, tentam levantar a audiência da emissora.
Mas programas como o Três Em Um apresentam um formato que não contribui para esse, digamos assim, esforço de alavancamento de audiência.
A Bozo News bate na tecla de que é o único canal imparcial do País, senão do mundo.
Pois vejam na imagem acima.
O programa de agora, tirante o apresentador Paulo Mathias (primeiro à esquerda), tem quatro debatedores: Rodrigo Constantino, Jorge Serrão, Marco Antônio Moreira da Costa e Fábio Piperno (o último, à direita, na parte de baixo).
Dos quatro, apenas Piperno faz intervenções contrárias ao governo Bolsonaro. Os outros três estão muito próximos de suspender uma plaquinha com os dizeres: Ave Bozo, morituri te salutant - "Ave Bozo, os que estão prestes a morrer te saúdam", nossa versão triunfante da saudação romana para César, o Imperadoe (Ave Caesar, morituri te salutant).
Em vez de Três Em Um, o nome apropriado não seria Três Contra Um?
Talvez não. Porque, na conta imparcial da Jovem Pan News, três contra um representa um equilíbrio perfeito.
Assim, meus caros, não há como alavancar essa audiência.
Mas não desisto.
Continuarei assistindo.
Para fazer jus ao troféu que, acho, mereço plenamente.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
Se beber, tenha cuidado. Porque você pode virar um nazista. Ou por outra: se beber, não vá para o Flow.
Tem golpe novo na praça. Em nome de uma suposta "Central Antifraude" do INSS.
Leitor aqui do Espaço Aberto, aposentado do INSS, passou quatro horas desta terça-feira (8) trançando de um lado para o outro, para desenrolar os nós decorrentes de um golpe de que foi vítima na última sexta-feira, 4 de fevereiro.
Naquele dia, por volta das 11h, o aposentado recebeu ligação de uma mulher, que se identificou como "Letícia" e disse que ligava de uma certa "Central Antifraude" do INSS. O número de telefone que aparecia no visor do celular mostrava o código 91, indicando que poderia ser de Belém.
A bandida perguntou se o aposentado autorizara um banco digital a emitir um cartão de crédito consignado, no limite de R$ 43 mil. Ele respondeu que não. E que nunca, sequer tinha ouvido falado no tal banco.
A mulher informou, então, que o interlocutor estava sendo vítima de uma fraude, já que o limite do cartão já fora usado e, por isso, o banco estava descontando o valor de R$ 1.080,00 de seus proventos. Ao mesmo tempo, a fraudadora perguntava se o aposentado autorizava a suposta "Central Antifraude" a cancelar o cartão, bloquear o pagamento das parcelas e depositar na conta bancária dele, em até 48 horas, os R$ 43 mil correspondentes ao limite do cartão.
Diante do oferecimento desse prestimoso serviço, o aposentado, é claro, concordou. Mas, para isso, era necessário confirmar endereço, número do CPF e número da conta bancária e da agência onde o dinheiro seria depositado, dados, aliás, que já estavam de posse da tal "Central Antifraude". Também precisou mandar pelo WhatsApp (número de São Paulo) a foto da carteira de identidade (frente e verso). E olhem só: também fez prova de vida, baixando um aplicativo que capta a imagem do rosto da pessoa.
Pronto. Com tudo isso, a "Central Antifraude" estava com todos os dados suficientes para providenciar o cancelamento do cartão consignado, o bloqueio dos descontos e o depósito dos R$ 43 mil na conta bancária.
Encerrado o atendimento, o aposentado desconfiou e foi consultar seu contracheque do INSS. E viu que os proventos estavam sendo pagos integralmente, sem qualquer desconto, contrariando informação da fraudadora.
Pelo WhatsApp, o aposentado voltou a contactar com "Letícia", a bandida, e explicou esse detalhe. Ouviu como resposta a informação de que, realmente, o desconto não aparecia no contracheque, mas no RMC (Registo de Margem Consignável), documento emitido pelo INSS.
Quando solicitou, então, que a "Central Antifraude" lhe mandasse o RMC, não obteve mais resposta.
Nesta terça-feira, o aposentado entrou em contato com o INSS, pelo número 135, obteve a confirmação de que nenhum desconto fora feito e recebeu a recomendação para jamais atender qualquer ligação de alguém dizendo falar em nome do INSS, porque a Previdência dificilmente se comunica com os inativos por telefone e, quando o faz, é somente pelo 135. Além disso, a atendente orientou o alvo do golpe a lavrar um boletim de ocorrência, o que já foi feito.
Agora, é ficar atento pra saber se os documentos fornecidos aos fraudadores serão usados para algum golpe que exigirá descontos nas contas bancárias do aposentado.
Então, já sabem.
Assim como bancos, a Receita Federal e outros órgãos, o INSS também nunca liga pra você.
Se ligarem em nome do INSS, é golpe.
Ou meio golpe.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
Prefeito e vice de Salinópolis têm os mandatos cassados e ficam inelegíveis por oito anos, mas seguirão nos cargos até julgamento de recurso
| Kaká Sena: abusos na campanha eleitoral |
A sentença condenatória foi prolatada no âmbito de ações de investigação judicial eleitoral propostas propostas pelo MP e pela Coligação Majoritária "Salinas Pode Mais" (MDB/Solidariedade/PSD/PROS/PT/PV/PTB /Cidadania/Podemos).
A autora alegou que os investigados praticaram condutas vedadas em razão do uso eleitoral/promocional de programa social de distribuição gratuita de bens e benefícios de caráter social custeado pelo Poder Público municipal durante o ano eleitoral de 2020. Também incorreram em abuso de autoridade por promoção pessoal em publicidade institucional em período vedado.
O abuso teria se configurado na compra de votos, inclusive com distribuição de cestas básicas, eletrodomésticos, além de peixes à população durante a campanha. Quanto ao à época prefeito Paulo Henrique Gomes, também denunciado, o juiz argumentou que, embora ele “negue qualquer irregularidade de sua parte, atribuindo as falhas na distribuição ao seu secretariado, é certo que “não foi provada sua presença física, ao contrário das cestas básicas, na distribuição do peixe”.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Pesquisa boa é a minha. Ou melhor: é a pesquisa que torcedores eleitorais querem que seja boa.
A melhor pesquisa de intenção de votos, com todo o respeito, é a minha.
Pesquisa boa é aquela que eu quero que seja boa. E ponto final.
Essa conclusão sobressai claramente da reação de petistas, bolsonaristas, moristas (ou seria morosistas?) e ciristas a cada pesquisa de intenção de votos que é publicada por aí.
Vejam as redes sociais.
Sintonizem veículos mais, digamos assim, engajados, como essa direitista Jovem Pan News, a nossa Bozo News, versão tupiniquim da Fox News, cidadela do trumpismo nos Estados Unidos.
Tanto nas redes sociais como nos veículos engajados, as pesquisas são tidas como verazes, reais, precisas e definitivas pelos petistas. Para os demais, os números colhidos não passam de invencionices.
E mais: quando os próprios pré-candidatos que estão na rabeira das aferições se pronunciam, normalmente dizem, quando confrontados com as pesquisas que lhes são desfavoráveis: "Não são o que dizem os números que eu tenho". Ou então: "Não é aquilo que eu sinto nas ruas".
Ainda há pouco, expondo a sua abalizada, ponderada e serena avaliação de uma pesquisa na Bozo News, o fanático bolsonarista Rodrigo Constantino, ao comentar números de aferição recente que confirma a liderança de Lula sobre os demais concorrentes, disse que não acreditava na pesquisa. Mas, então, por que não apresenta uma qualquer, encomendada por ele mesmo?
Sinceramente, acho as pesquisas - aquelas feitas, obviamente, por institutos sérios - um ótimo instrumento de referência sobre o andamento de uma campanha eleitoral.
Não me miro nelas como se fossem infalíveis. Até mesmo porque não pode ser infalível uma aferição incapaz de prever as imprevisibilidades decorrentes das emoções e dos juízos humanos. Mas pesquisas sérias, repito, podem nos propiciar bons elementos para avaliar a performance de candidatos a cargos eletivos.
No geral, no entanto, é como se disse no início: pesquisa boa é aquela que os torcedores eleitorais querem que seja boa.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
Bandido bom é bandido impune. Combine com Bolsonaro pra saber como um criminoso pode ser protegido.
Começamos a segunda-feira com uma pérola jurídica assinada por ninguém menos que o digníssimo doutor William Tito Schuman Marinho, delegado da Polícia Federal que presidiu o inquérito para apurar se o puro, o ínclito e imaculado Jair Bolsonaro prevaricou no caso da negociação para compra da vacina indiana Covaxin.
A Polícia Federal concluiu que não, que Bolsonaro não praticou o crime de prevaricação.
Para começo de conversa, prevaricação, anotem bem, é um crime contra a administração pública e ocorre quando um funcionário público, tomando conhecimento de supostas irregularidades, deixa de comunicar a suspeita às autoridades - à Polícia Federal e ao Ministério Público, por exemplo.
Pois bem.
Nesta segunda (31), a PF mandou ao Supremo um relatório apontando que não identificou conduta criminosa de Bolsonaro. Simples assim.
O raciocínio do doutor-delegado é espantoso.
Escreve o digno investigador: "Ainda que não tenha agido, ao presidente da República Jair Messias Bolsonaro não pode ser imputado o crime de prevaricação. Juridicamente, não é dever funcional (leia-se: legal), decorrente de regra de competência do cargo, a prática de ato de ofício de comunicação de irregularidades pelo Presidente da República".
O delegado reconhece que há elementos que apontam que Bolsonaro soube das supostas irregularidades, e citou como exemplo os depoimentos do ex-ministro Eduardo Pazuello e do deputado Luís Miranda. Porém, de acordo com Marinho, um presidente só pode ser enquadrado no crime de prevaricação quando envolver uma conduta inerente ao cargo e que esteja prevista na Constituição. Não era esse o caso, segundo ele. “Não está presente o ato de ofício, elemento constitutivo objetivo impresindível para caracterizar o tipo penal incriminador", completou.
Diante dessa interpretação do delegado, imaginemos o seguinte cenário.
Bolsonaro recebe, em mãos, documentos autênticos indicando que ministro seu, seja quem for, está metendo as mãos nas burras do Tesouro, aliviando-o em milhões e milhões de reais.
De posse dos documentos, de posse das provas desse crime estupendo e monumental contra a Administração Pública, Bolsonaro, simplesmente, diz assim para o interlocutor que lhe levou a papelada em mãos: "Chá comigo que eu vou mandar apurar. Vou só acabar de mentir um pouquinho aqui nas redes sociais e já vou mandar apurar." Mas não apura absolutamente nada.
Aí, algumas semanas depois, o interlocutor do presidente apresenta à Nação um vídeo ou uma imagem qualquer, para demonstrar que levou os documentos ao Puro, que o Puro viu tudo, prometeu mandar apurar e esqueceu de fazê-lo.
Pronto. Eis a prevaricação.
Então, nesse caso, não houve prevaricação porque o prevaricador é o presidente da República.
É isso mesmo?
E enquanto o prevaricador nada fez, o ministro ladrão continuou roubando à vontade, porque seu chefe, o presidente da República, que deveria agir de ofício para apurar as falcatruas, nada fez. Em vez de agir, preferiu ficar na labuta, grudado nas redes sociais todo dia, o dia inteiro, sem fazer nada.
É isso mesmo?
Se é isso, vamos combinar: bandido bom é bandido impune. Combine com Bolsonaro pra saber como um criminoso pode ser protegido.
domingo, 30 de janeiro de 2022
Conquista histórica, em jogo épico, inscreve na história do esporte um fenômeno como atleta e um exemplo como cidadão
Acordei, neste domingo (30), às 6 da matina. Com o despertador berrrando ao meu lado.
Acordei no berro especialmente para ver a final do Australian Open. Ou melhor, pra ver o espanhol Rafael Nadal disputar a última partida do torneio contra o russo Daniil Medvedev.
Eu não faria tanta questão de assistir à final se o adversário de Medvedev fosse outro; mas, sendo Nadal, fiz questão. E ganhei o domingo. Eu, o domingo; Nadal, o título do AO.
Rafael Nadal provou que, mesmo já entrando no cartel dos velhinhos do Grand Slam, ele é um dos maiores da história do tênis. Com uma virada espetácular sobre Daniil Medvedev, em 5h24 de jogo, e parciais de 2/6, (5)6/7, 6/4, 6/4 e 7/5, o espanhol sagrou-se bicampeão do Australian Open e se tornou o maior vencedor de Grand Slams no masculino. Agora são 21 troféus de Majors.
Foi a final mais emocionante que já vi. Sobretudo por premiar um atleta como Nadal, que já superou várias e incômodas lesões durante sua carreira e precisou remover muitos obstáculos para chegar ao AO.
A conquista de Nadal premia, além do mais, um cidadão exemplar. Atualmente, ele é o quinto do mundo no ranking, mas, seguramente, é o primeiro, ou um dos primeiros, quando se levam em conta as qualidades morais que o distinguem como um grande cidadão.
Em tudo e por tudo, Nadal é o contrário do primeiro no ranking, Novak Djokovic - sem dúvida um atleta magistral, mas um cidadão pleno e prenhe de exemplos de negacionismo, de imbecilidade, de idiotice e mentiras, como demonstrado recentemente, quando foi deportado da Austrália por não ter se vacinado e, pior, por ficar demonstrado que fraudou documentos para tentar participar do AO.
O próprio Nadal disse há pouco, no pronunciamento durante a cerimônia de premiação, que nem ele acreditava fosse possível participar desse Austrália Open. Pois participou.
Por isso, foi marcante a imagem de Rafael Nadal logo após cravar o match point: largou a raquete, mante-se estático, de pé, com as duas mãos encobrindo o rosto, como se pensasse: Não acredito! (Vejam acima, na imagen que capturei).
Realmente, inacreditável a superação de Rafael Nadal, que agora consolida sua condição de um dos gigantes da história do tênis. E do esporte em geral.
sábado, 29 de janeiro de 2022
Capacidade de ocupação dos leitos clínicos para Covid, em Belém, está muito perto do esgotamento
Vão vendo como está caminhando a terceira onda de Covid em Belém.
Vão vendo a velocidade avassaladora - simplesmente avassaladora - com que está aumentando o número de infectados.
Espiem a imagem acima.
Os dados da última atualização divulgada pela Prefeitura de Belém, que fazem parte do Sistema de registro da Sesma, do Painel Monitora Pará e do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM), mostram que a taxa de ocupação de leitos clínicos está em 93% (27 ocupados, considerando o total de 29 leitos de Enfermaria) em retaguarda no Hospital Dom Vicente Zico. Ou seja: a capacidade de ocupação está muito, mas muito próxima do esgotamento.
Já a ocupação de leitos de UTI é de 80% (Ocupados: 4 considerando o total de 5 leitos de UTI) na rede de retaguarda.
Seria interessante que a Prefeitura informasse quantos, dentre os 27 ocupantes dos leitos clínicos, estão imunizados com todas as doses e quantos não se vacinaram. Mas estes últimos, seguramente, devem estar entre a grande maioria, eis que a variante ômicron, como se sabe, se manifesta com sintomas bem leves entre os que já foram imunizados, mas pode atacar severamente os que recusam a vacina.
Independemente disso, no entanto, registrem-se como essenciais as recomendações das autoridades sanitárias, para que todos continuem observando todas as cautelas de praxe para evitar a contaminação, como uso de máscaras, distanciamento físico e a higienização das mãos.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
Moro confirma em live que ganhou R$ 3,537 milhões como consultor. E lança desafio a Bolsonaro e Lula.
| Kataguiri e Moro durante live: prestação de contas e desafios a adversários (quase inimigos) |
O ex-ministro da Justiça e pré-candidato a presidente pelo Podemos Sergio Moro confirmou há pouco, numa live em seu canal no Facebook, o que o jornalista de O Globo Lauro Jardim adiantara um pouco antes: que recebeu um total de US$ 656 mil nos doze meses em que trabalhou na Alvarez & Marsal, num contrato firmado em 23 de novembro de 2020 e extinto em 26 de novembro do ano passado. Em reais, esse valor equivale a são ganhos de R$ 3,537 milhões.
Ao revelar o valor dos salários que recebeu, Moro aproveitou para fazer um duplo desafio. Primeiro, a Bolsonaro, para que revele quanto ele e seus filhos ganharam com o esquema de rachadinhas. Segundo, a Lula, para que revele, entre outras coisas, quanto recebeu de empresas envolvidas na Lava Jato pelas palestras que proferiu.
Ao lado do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), apoiador de Moro, o ex-ministro disse que está prestando contas de seus ganhos "em respeito à transparência", e não porque poderia ser alvo de uma CPI para apurar o assunto, como a que o PT estava tentando instalar no Congresso.
Moro garantiu que nunca trabalhou para a Odebechet, envolvida em corrupção milionária na Lava Jato. "Em verdade, eu desmantelei o império de corrupção da Odebrechet", disse Morro. Afirmou que seu trabalho na Alvarez & Marsal não era defender empresas envolvidas em corrupção, mas para prevenir a corrupção. "Não prestei nenhum serviço à Odebrecht, reforçou o ex-juiz, que mostrou os recibos de todos os seus ganhos, inclusive com o desconto de impostos nos Estados Unidos e no Brasil.
Moro embolsou R$ 3,537 milhões em consultoria para empresa que atuou para empresa da Lava Jato, adianta jornalista
O ex-ministro da Justiça e pré-candidato a presidente pelo Podemos Sergio Moro recebeu um total de US$ 656 mil nos doze meses em que trabalhou na Alvarez & Marsal, num contrato firmado em 23 de novembro de 2020 e extinto em 26 de novembro do ano passado. Em reais, são ganhos de R$ 3,537 milhões.
É o que informa o jornalista Lauro Jardim, em postagem feita há menos de meia hora em seu blog, hospedado no site do jornal O Globo.
"Este é o valor que Moro vai divulgar logo mais numa live nas redes sociais e também que a Alvarez & Marsal vai apresentar ao TCU ainda hoje. O objetivo da live é pôr fim a um mistério que cresceu de intensidade a partir de uma investigação aberta em dezembro no TCU por determinação do ministro Bruno Dantas", informa Jardim.
Mentiroso compulsivo, Bolsonaro se escuda na condição de presidente para não ser preso
| Bolsonaro: ele não vai à PF para depor porque não tem como provar suas mentiras |
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
Em 2018, Helder acolheu de braços abertos seu agora adversário Zequinha "Rachid" Marinho. A política, realmente, é uma nuvem.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
Números da Sespa sobre a Covid são completamente irreais. E estão pelo menos 17 vezes defasados em relação apenas a Belém.
É absurda e inacreditável, para dizer o mínimo, a inconsistência dos números de casos da Covid divulgados pela Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) e disponíveis nas redes sociais do governo do estado.
Vejam a imagem do alto.
Os dados mais recentes, divulgados pela Sespa na noite desta terça (25), apontavam o registro de 398 novos casos nos últimos sete dias.
Agora, vejam a imagem acima.
Ali estão os dados divulgados pela Prefeitura de Belém também ontem à noite . Nos últimos sete dias, tivemos nada mais, nada menos do que 6.717 positivos para a Covid. E apenas em Belém, vale dizer. Vocês imaginem, então, em todo o território paraense.
Na comparação dos dois dados, apenas Belém teria quase 17 vezes mais casos de Covid em relação a todo o Pará.
É um disparate total.
Um disparate que se mostra mais assustador quando nos voltamos para a declaração estapafúrdia do secretário de Saúde do Pará, Romulo Rodovalho, que na última sexta-feira afirmou, durante entrevista coletiva (aquele ambiente onde jornalistas normalmente fazem perguntas burocráticas e ouvem também respostas burocráticas), que o estado não registrara, até aquela altura, nem um caso da variante ômicron.
Conviria que a Sespa explicasse a razão dessa abissal defasagem de dados que se observa até o presente momento. A explicação mais provável pode ser a de que ainda estão ocorrendo instabilidades nos sistema de alimentação de dados na plataforma do Ministério da Saúde.
Mas então que essa explicação seja dada.
Enquanto ninguém souber o que está acontecendo, mais sensato seria a Sespa suspender temporariamente a divulgação de seus números sobre a pandemia no estado. Como fez, aliás, a Prefeitura de Belém, durante cerca de duas semanas, período em que houve problemas na alimentação de dados.