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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Números da Sespa sobre a Covid são completamente irreais. E estão pelo menos 17 vezes defasados em relação apenas a Belém.


É absurda e inacreditável, para dizer o mínimo, a inconsistência dos números de casos da Covid divulgados pela Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) e disponíveis nas redes sociais do governo do estado.

Vejam a imagem do alto.

Os dados mais recentes, divulgados pela Sespa na noite desta terça (25), apontavam o registro de 398 novos casos nos últimos sete dias.

Agora, vejam a imagem acima.

Ali estão os dados divulgados pela Prefeitura de Belém também ontem à noite . Nos últimos sete dias, tivemos nada mais, nada menos do que 6.717 positivos para a Covid. E apenas em Belém, vale dizer. Vocês imaginem, então, em todo o território paraense.

Na comparação dos dois dados, apenas Belém teria quase 17 vezes mais casos de Covid em relação a todo o Pará.

É um disparate total.

Um disparate que se mostra mais assustador quando nos voltamos para a declaração estapafúrdia do secretário de Saúde do Pará, Romulo Rodovalho, que na última sexta-feira afirmou, durante entrevista coletiva (aquele ambiente onde jornalistas normalmente fazem perguntas burocráticas e ouvem também respostas burocráticas), que o estado não registrara, até aquela altura, nem um caso da variante ômicron.

Conviria que a Sespa explicasse a razão dessa abissal defasagem de dados que se observa até o presente momento. A explicação mais provável pode ser a de que ainda estão ocorrendo instabilidades nos sistema de alimentação de dados na plataforma do Ministério da Saúde.

Mas então que essa explicação seja dada.

Enquanto ninguém souber o que está acontecendo, mais sensato seria a Sespa suspender temporariamente a divulgação de seus números sobre a pandemia no estado. Como fez, aliás, a Prefeitura de Belém, durante cerca de duas semanas, período em que houve problemas na alimentação de dados.

sábado, 22 de janeiro de 2022

O Pará sem ômicron: esse é um fenômeno que a Ciência ainda precisa desvendar


Jornalistas, com e sem diploma, aprendem pelo senso comum que o conceito de notícia (às vezes meio discutível, admitamos) é aquele ilustrado pela velha máxima: notícia é quando a pessoa morde o cachorro; se o cachorro morde a pessoa, aí já não é notícia.
Jornais, blogs, portais, enfim, as mídias sociais paraenses (mas nem todas, vale registrar) destacaram, em suas manchetes, a declaração do governo do estado de que o Pará vive a terceira onda de Covid.
Com todo o respeito, mas isso aí é o cachorro mordendo a pessoa. É aquela novidade que, a esta altura do campeonato, não é mais novidade alguma, porque é visível, é patente, indiscutível e escandaloso o fato de que a terceira onda se instalou no Pará há duas ou três semanas.
A declaração do governo do estado, nesse sentido, é aquilo que a gente também pode chamar de segredo de polichinelo, um segredo que todo mundo já sabe.
Mas a declaração do governo do estado trouxe consigo a verdadeira novidade para a qual ninguém deu a menor bola: em meio à terceira onda - reconhecida, admitida e declarada, não esqueçam, pelo próprio governo do estado -, no território paraense ainda não foi registrado, até o presente momento, nenhum caso da variante ômicron da Covid.
Eis aí a pessoa mordendo o cachorro. Essa é a notícia, meus caros.
Quem apresentou ao público essa novidade, ou melhor, esse fenômeno? Ninguém menos que o secretário de Saúde do estado, Romulo Rodovalho, conforme notícia veiculada na página 2 (veja na imagem acima) do Diário do Pará deste sábado (22).
"Toda semana a gente encaminha 200 coletas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e até agora nenhum caso foi confirmado", diz Rodovalho, segundo se pode ver (e ler) na matéria.
A revelação do secretário faz do Pará a única coletividade, em todo o mundo, ainda imune à ômicron. No mínimo, esse fenômeno precisa ser urgentemente apurado e depurado pelas mais abalizadas instâncias científicas, aqui mesmo do Brasil e d'além-mar.
Nem a propósito, na última quinta-feira (20), a CNN Brasil disponibilizou em seu site a informação de que a variante ômicron já responde por 97% dos casos de Covid-19 no Brasil e alcança um percentual superior a 90% em 13 estados, incluindo os três mais populosos do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Além deles, o Pará está na lista.
Os dados são de um estudo conjunto das redes Vírus e Corona-ômica BR, vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e leva em conta casos confirmados até a primeira semana de janeiro.
A matéria é acompanhada de uma tabela (veja ao lado) em que o Pará aparece com 68,2% de casos positivos para a Covid. E isso, observem bem, é até a primeira semana de janeiro, que já está entrando praticamente em sua quarta semana.
Pelo sim, pelo não, e enquanto a ciência não desvendar as particularidades genéticas que fazem dos paraenses os únicos a não terem contraído a ômicron, conforme revela a Sespa, convém manter as etiquetas, como uso de máscara e distanciamento físico. Ah, sim: e vacinar-se, para os que ainda não estão vacinados ou ainda não completaram as doses.
Porque a terceira onda está aí mesmo, diz o governo do estado.
Mas sem ômicron, também diz o governo do estado.
Hehe.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Em uma semana, "sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil"

Pelo ritmo que estamos vendo, em uma semana os sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil. O número de infecções aumentará mais ainda nos ambulatórios e provavelmente faltarão mais profissionais da saúde no combate. A maioria dos médicos e enfermeiros foi imunizada com duas doses da CoronaVac e reforço da Pfizer. A CoronaVac foi importantíssima no início, frente à inexistência de outras. Mas ela não protege como as outras em relação a novas variantes. Muitos de nós seremos infectados. De uma forma mais branda em relação ao que se viu há um ano, quando não havia imunizantes no Brasil. Mesmo assim, seremos afastados. Só na minha área do Hospital das Clínicas, de São Paulo, por exemplo, temos 56 profissionais afastados.

Essa aí, ipsis literis, é uma opinião pavorosa, tenebrosa, amedrontadora.

Sua autora não é qualquer uma. Não é uma qualquer.

Trata-se da intensivista e cardiologista Ludhmila Hajjar uma das médicas mais experientes no tratamento da doença no país.

Intensivista e professora de cardiologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e médica da Rede D'Or, atendeu mais de mil infectados em todos os estágios da doença, entre eles nomes como Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, Dias Toffoli, ministro do STF e Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, cargo para o qual foi chamada por Jair Bolsonaro em março de 2021 e recusou.

As projeções - tenebrosas, vale repetir - da dra. Ludhimila estão em entrevista publicada na edição de O Globo desta quarta-feira (12).

Como ela, outros profissionais, sobretudo infectologistas e virologistas, vêm alertando há mais de duas semanas que as medidas adotadas até agora no Brasil, para pelo menos minimizar os efeitos da altamente transmissível cepa ômicron, ainda são muito tímidas.

E são tímidas porque o número de infectados, a cada dia, bate recorde sobre recorde. A questão central é que, como a eficácia da vacinação tem se mostrado decisiva - uma vez que reduz substancialmente a ocorrência de casos graves e tem evitado o avanço das mortes -, poucos estão encarando a nova fase da pandemia como perigosa.

Mas é perigosa, sim. E muito perigosa.

Projeções como a de Ludhimila Hajjar que o digam.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Bolsonaro é a prevaricação. É o charlatanismo. É a falsificação, a epidemia mortal e a corrupção. Bolsonaro é o crime.

Bolsonaro é a prevaricação.

Bolsonaro é o charlatanismo.

É a epidemia com resultado morte.

É a infração a medidas sanitárias preventivas.

Bolsonaro também é emprego irregular de verba pública - portanto um corrupto.

É a incitação ao crime.

É a falsificação personificada de documentos particulares.

É uma compilação de crimes de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo).

Bolsonaro, enfim, é o próprio crime contra a humanidade (nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos.

São esses nove crimes, todo devidamente tipificados, configurados, documentados e fundamentados tecnicamente, que constam do relatório da CPI da Covid, apresentado há pouco, no Senado, pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL).

O relatório ainda vai ser objeto de discussão e merecerá, certamente, vários votos em separado. Mas, quando vier a ser efetivamente votado, dificilmente apresentará mudanças substanciais. E se for condenado por esses crimes, Bolsonaro pegará mais de 70 anos de cana.

É muito?

Não é. É pouco.

É muito pouco para um cidadão que desmerece o cargo que ocupa, que debocha do povo brasileiro, que envileceu e vilipendiou cruelmente, selvagemente as mais de 600 mil vítimas que já pereceram de Covid-19, uma doença que ele jamais reconheceu, por estar contaminado, infectado pelo mais nocivo, mais deletério, pernicioso e letal negacionismo.

Na sessão da CPI, Renan leu apenas uma pequena parte das 1.179 páginas do documento, que agora ficará disponível por uma semana aos demais integrantes do colegiado. A votação do texto - que será nominal e ostensiva - está marcada para a próxima terça-feira (26). Na mesma data, também serão apresentados votos em separados de outros parlamentares. 

O relator identificou 29 tipos penais e sugeriu o indiciamento de 66 pessoas, incluindo deputados, empresários, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Foram apontados ainda crimes cometidos por duas empresas: a Precisa Medicamentos e a VTCLog.

Um vez votado e aprovado, o relatório, devidamente instruído como os documentos que o ampararam, será remetido à Procuradoria-Geral da Republica, que então poderá prosseguir com as investigações e apresentar as eventuais denúncias.

Para ver a relação completa dos indiciados, clique aqui.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Livro expõe bastidores de reportagens que cobrem o período da ditadura até a pandemia


Os bastidores de reportagens que cobrem um amplo período - da ditadura inaugurada com o golpe militar de 1964 até os dias de hoje, em que o mundo ainda sente os duros efeitos da pandemia do coronavírus Covid-19 - são traçados num livro que acaba de ser lançado.
Organizado em vinte capítulos, “Reportagem - da ditadura à pandemia”, da jornalista Márcia Turcato, estampa histórias que expõem fatos nem sempre mostrados para o público. No meio disso tudo, surgem histórias até engraçadas e inesperadas que mostram como os repórteres precisam improvisar em benefício da informação.
Jornalista com larga experiência, radicada em Brasília, Turcato revela em sua obra alguns fatos singulares da capital da República, como a queda do governador José Roberto Arruda - aquele que foi flagrado em um vídeo recebendo um pacote de dinheiro provindo de corrupção - e a riqueza do turismo de aventura do Distrito Federal, além de fatos marcantes da história política do Brasil, como o retorno ao país do ex-governador Brizola, e alguns capítulos sobre epidemias que desafiaram o sistema público de saúde, como a cólera, influenza e covid-19.
A publicação revela ainda reportagens de aventura, como um pedal no Amapá e duas viagens para a Antártica. Há ainda alguns capítulos dedicados à região Norte do Brasil que falam sobre Fordlândia, no extremo oeste do Pará, na região do Alto Tapajós, o surto de cólera que entrou pela fronteira com a Colômbia e o Peru, na década de 1990, e sobre ameaças sofridas por lideranças rurais na região conhecida como Bico do Papagaio.
Márcia Turcato vive em Brasília desde 1988, quando chegou à cidade para trabalhar na cobertura da Constituinte e passou por várias redações e assessorias de Imprensa, principalmente na área da saúde. Natural de Porto Alegre, também trabalhou na mídia gaúcha e catarinense.
Turcato conta que o livro foi escrito como uma homenagem aos jornalistas profissionais que diariamente enfrentam o desafio de informar com ética e compromisso social em um cenário de pós-verdade. Diz ainda que ficou muito feliz que o lançamento da publicação coincidiu com a entrega do Prêmio Nobel da Paz para dois jornalistas, a filipina Maria Ressa e o russo Dmitry Muratov, que combatem diariamente as fakes news, essa praga que constrói mentiras e coloca em risco a democracia em todo o mundo.

Serviço:
Reportagem - da ditadura à pandemia
Editora Telha https://editoratelha.com.br/
112 páginas, 20 capítulos, cinco ilustrações
Lançamento
R$ 35,00

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

As lágrimas de um repórter contrastam com a selvageria dos debochados


É tocante, para dizer o mínimo, essa imagem (veja no vídeo) que viraliza aí pelas redes sociais, mostrando o repórter Kléber Teixeira, da Globo de Natal (RN), chorando numa entrada ao vivo para informar que nenhuma morte por Covid-19 fora registrada num hospital da capital potiguar nos últimos 30 dias.
Repórteres, por mais incrível, inacreditável e estranho que possa parecer, são seres humanos.
E choram, portanto.
Simplesmente choram, ao vivo e em cores, quando se emocionam em certas circunstâncias.
Têm motivos bastantes pra chorar sobretudo os repórteres que, como Teixeira, ainda estão na linha de frente por quase dois anos, na cobertura dessa pandemia que já matou quase 600 mil pessoas em todo o País, entre elas mais de 270 jornalistas.
Kléber Teixeira foi traído, ou melhor, foi dominado pela mesma emoção - incontida, irreprimível e assoladora - que dominou tantos outros colegas tragados, por força de seu ofício, para o olho do furacão na cobertura de tragédias.
Foi o caso de Ari Peixoto, também da Globo, quando praticamente não teve condições de prosseguir numa reportagem ao citar colega jornalista que morreu na tragédia com o avião da Chapecoense, em que 71 pessoas perderam a vida, em novembro de 2016.
Também foi o caso do jornalista da SporTV Guido Nunes, que se rendeu às lágrimas ao receber um abraço de Ilaídes Padilha mãe do goleiro Danilo, outra vítima do voo da Chape.
E sobre o choro de Kléber Teixeira, registre-se, a bem da verdade e da história: ele, como milhões de brasileiros (amigos e familiares dos quase 600 mil mortos de Covid), choram porque são humanos, porque têm empatia, porque têm apego à vida, porque têm um mínimo e natural senso de humanidade.
Já os cruéis, os negacionistas, os desumanos, aqueles que, na sua função de líderes, deveriam demonstrar suficiente empatia para amenizar a dor dos brasileiros, todos esses, ao contrário, debocham, acham que ter medo da Covid é coisa de maricas e submeter-se à vacina é expor-se ao risco de virar jacaré.
Nesse sentido, as lágrimas de Kléber Teixeira são um bálsamo, porque, sendo essencialmente humanas, contrastam com a selvageria dos debochados.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Mas até tu, Michelle?


Mas isso é que é, gente!
A primeira-dama Michelle Bolsonaro, como aqui já se disse algumas vezes, tem primado pelo recato, pela reserva e pela discrição desde que o sociopata, seu marido, assumiu o governo, em 1º de janeiro de 2019.
Raríssimas vezes ela aparece em cerimônias oficiais, ao lado do dito cujo.
E mais raro ainda é vê-la em viagens, se bem que na mais recente, para Nova York, ao lado do consorte, foi alvo de uma indiscrição que a expôs como protagonista de uma grande polêmica.
Pois é.
Mas a Michelle reservada, recatada e discreta é a mesma, vejam só, que age - e ativamente, parece - nas sombras.
É o que mostra reportagem de capa da Crusoé, que está disponível para assinantes desde a manhã desta sexta-feira (1).
A revista digital obteve documentos exclusivos mostrando que dona Michelle, na moita, interferiu pessoalmente para favorecer empresas adeptas do bolsonarismo durante a pandemia do coronavírus Covid-19.
A reportagem revela que empréstimo foram liberados pela Caixa depois que a primeira-dama falou com o presidente do banco, Pedro Guimarães, e enviou e-mais com uma lista de indicados.
E pensar que o discurso - hipócrita, mentiroso e inconsistente - desse governo e de seus apoiadores é de que todos os atos do bolsonarismo são marcados pela transparência, pela limpidez ética, pela preocupação com a Pátria amada e pelo apego ao mais elevado interesse público.
Então, tá!
E essa patranha toda é proclamada em meio a denúncias de rachadinhas, envolvendo o Zero Um, o Zero Dois e o próprio sociopata; o envolvimento - concreto, evidente, clamoroso - da família Bolsonaro com milicianos; o escândalo da compra da Covaxin, que só não se concretizou por causa da CPI da Pandemia; a rendição do governo Bolsonaro ao Centrão, o maior grupo fisiológico abrigado sob o guarda-chuva do Congresso; e por último, mas não menos importante, o agora revelado empenho da recatada primeira-dama em favor de empresários amigos do rei.
Eis a nova política!
Avante, Brasil!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Um fanático bolsonarista com surtos de homofobia e seu show - assustador - de hipocrisia

Otávio Fakhoury: ele acha que a liberdade de opinião lhe permite disseminar mentiras
e mensagens homofóbicas, como fez contra o senador Fabiano Contarato

Otávio Fakhoury, um milionário que integra a horda de fanáticos bolsonaristas, está depondo na CPI da Pandemia.

Está sendo ouvido porque é suspeito de financiar a disseminação de informações falsas sobre a pandemia. Daí ser alvo de investigações no Supremo.

Além de disseminador de mentiras criminosas, Fakhoury também tem surtos de homofobia.

Há pouco, antes mesmo de o relator da CPI, Renan Calheiros (MD-AL), iniciar suas inquirições, o senador Fabiano Contarato (Rede) fez, cara a cara com o depoente, um desabafo comovente (vejam aqui).

Contarato, que é homossexual, casado e tem dois filhos, exibiu uma postagem odiosa, nojenta, cruel e de natureza homofóbica que Fakhoury fez contra ele.

Como era de se esperar, Fakhoury desculpou-se. Mas é uma desculpa, digamos assim, protocolar, forçada, hipócrita e mentirosa.

Uma desculpa esfarrapada, como se diz usualmente.

Porque eu, pelo menos, jamais vou acreditar que, depois de pedir desculpas, de proclamar que errou e que tudo não passou de uma, vejam só, "brincadeira", esse cidadão vai sair do plenário da CPI e virar uma espécie de ativista pela liberdade sexual.

Se você aí quiser acreditar nisso, acredite; mas eu, não.

O depoimento prossegue. E Fakhoury, o que tem surtos homofóbicos, já expôs, de forma assustadora, qual é o seu conceito de liberdade de expressão ou de opinião.

Para o depoente, essa liberdade implica dizer tudo o que lhe der na veneta, inclusive chamar uma vacina de lixo, como chamou a Coronavac, mesmo não sendo ele médico e não tendo, portanto, o menor conhecimento científico para disseminar um juízo como esse.

Fakhoury reconheceu que disse isso e justificou que o fez porque, simplesmente, tem o direito de emitir uma opinião. Qualquer opinião.

Está entendido.

Por isso é que Fakhoury fez um comentário homofóbico.

E agora vem pedir desculpas?

Quem acredita num elemento como esse?

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Luciano Hang, com as algemas brilhando, está pronto para desmoralizar a CPI. E só Renan Calheiros não vê.

Luciano Hang mostra as algemas que oferecerá à CPI para que o prendam. Só Renan
Calheiros é que insiste em dar palco para fanáticos bolsonaristas se fazerem de vítimas.

Diga-se tudo do senador Renan Calheiros (MDB-AL), o relator da CPI da Pandemia, mas não que ele seja inexperiente.
Nesta CPI, Renan Calheiros, como talvez nunca antes em sua vida pública, está sendo beneficiário de comentários, expectativas e avaliações bastante positivas.
Coleguinhas jornalistas, até então muito críticos de Renan em decorrência de sua trajetória política, recheada de denúncias que já foram parar em vários âmbitos do Poder Judiciário, agora o ouvem com um respeito quase reverencial.
Por quê?
Porque Renan, raposa que é, está sabendo capitalizar muito bem sua condição de relator de uma CPI que, admitamos, está desvendando podridões nunca antes imaginadas, que exalam dos porões desse governo genocida.
Mas Renan, essa raposa, está agindo como um colegial, como um iniciante.
Ele vai acabar abrindo espaço para que fanáticos bolsonaristas comecem a se fazer de vítimas e usem a CPI para desacreditá-la e bagunçá-la.
É o que acontecerá, fatal e inevitavelmente, se houver mesmo o depoimento, previsto para esta quarta-feira (29), do fanático bolsonarista Luciano Hang, investigado no inquérito das fake news do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
Renan, ao que informam nesta segunda-feira (27) todos os portais de notícias de credibilidade, é o único oposicionista da comissão que insiste em ouvir Hang, de quem pretende arrancar evidências sobre crimes que teriam sido cometido na Prevent Senior.
E Hang?
Ele não vai contar uma verdade sequer.
Porque é um mentiroso - fanático, empedernido, compulsivo, descontrolado.
Hang, nesse sentido, está pronto para criar um fato.
Está pronto para fazer-se de vítima, desacreditar a CPI e bagunçá-la. Tudo isso nas ventas de Renan Calheiros.
O empresário já gravou um vídeo (veja aqui) avisando que está disposto a falar. Mas, se não quiserem aceitar suas mentiras, ele entregará aos membros da comissão algemas para que o prendam.
É fácil imaginarmos como será sessão.
Será uma zona, meus caros; com todo o perdão das melhores zonas.
A tropa de choque bolsonarista vai, certamente, usar de todas as armas para criar confusão.
E ninguém poderá garantir que haverá condições para que esse depoimento aconteça.
Mas Renan Calheiros não se rende: só ele insiste nessa aventura.
Mas ainda está em tempo de o senador voltar atrás.
Uma reunião está marcada para hoje à noite na casa do presidente da comissão, Omar Aziz.
Tomara que Renan tome juízo e desista desse depoimento.
Pelo bem da credibilidade da CPI.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Na CPI da Pandemia, Pará é citado como "campeão" da malversação de recursos federais durante a pandemia

Wagner Rosário na CPI: contradições e menção a vários crimes - ainda sob investigação - que
teriam sido cometidos pelo governo do Pará na aplicação de recursos federais durante a pandemia

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE)) mencionou o Pará como o "campeão" no montante de recursos envolvidos em operações suspeitas - e ainda sob investigação - relacionadas à compra de equipamentos e insumos para o combate à Covid-19. No total, segundo o parlamentar, a lesão aos cofres públicos na aplicação de recursos federais chegou a um total de R$ 1,6 bilhão.

A menção a esse volume de recursos foi feita há pouco, na CPI da Pandemia, pelo senador cearense, que se autointitula independente, mas que predominantemente vem se alinhando entre os que fazem a defesa do governo Bolsonaro.

A estimativa feita por Girão foi feita em meio à oitiva do ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário. Ele foi chamado à CPI através de um requerimento do próprio Girão, para falar sobre a malversação de recursos públicos transferidos pelo governo federal para estados e municípios desenvolverem ações contra a pandemia.

Rosário, no entanto, foi duramente inquirido - e se contradisse várias vezes - sobre supostas omissões da CGU em relação às operações em que o governo federal chegou muito perto de adquirir a vacina Covaxin por meio da Precisa Medicamentos. A conclusão da negociata só não foi consumada porque descoberta pela própria CPI.

Ao confirmar as suspeitas de ilicitudes cometidas pelo governo do Pará, Wagner Rosário disse que não poderia entrar em detalhes porque as investigações ainda correm sob sigilo. Mas disse que os crimes "potencialmente cometidos" incluem direcionamento de licitação, acerto prévio, sobrepreço e superfaturamento, empresas fantasmas, inexecução contratual, empresa sem capacidade técnica para realização de serviços contratados e adulteração de documentos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

STJ aceita denúncia contra Wilson Lima. O sinal de alerta está aceso para o governador Helder Barbalho.

Wilson Lima agora vira réu perante o Superior Tribunal de Justiça: ele será Helder amanhã?

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, nesta segunda-feira, a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), acusado de peculato e organização criminosa na compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19. O julgamento foi iniciado às 9h, suspenso durante o horário do almoço e retomado às 14h30.

O placar foi unânime: todos os ministros se posicionaram para colocar Wilson Lima no banco dos réus. Além do governador, foram denunciados o vice-governador, Carlos Almeida, o secretário-chefe da Casa Civil do Estado, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e outras 14 pessoas.

Esta é uma notícia, digamos assim, desalentadora para o governador Helder Barbalho e vários ex-integrantes de seu governo, entre eles o primeiro secretário de Saúde da atual gestão, Alberto Beltrame. Todos estão sendo investigados também por suspeitas de irregularidades durante a pandemia (inclusive a compra de respiradores), do que resultaram três operações da Polícia Federal ocorridas no ano passado, duas delas, a Para Bellum e a SOS, ordenadas pelo STJ, através do ministro Francisco Falcão, o mesmo relator do processo que envolve o governador do Amazonas.

No julgamento de hoje, Falcão afirmou que a denúncia apresentada pela PGR é apta e demonstra que Lima atuou como “partícipe” nos crimes de dispensa de licitação e fraude na compra de 28 respiradores superfaturados, além de atuar como líder de suposta organização criminosa instalada no governo amazonense.

Falcão citou documentos apreendidos no gabinete de Lima durante as buscas da PF (Polícia Federal) que apontavam uma lista de empresas, preços e entregas de respiradores, o que demonstraria que o governador acompanhava de perto o trâmite da aquisição dos equipamentos. O relator foi acompanhado pelos ministros João Otávio de Noronha, Herman Benjamin, Jorge Mussi, Luis Felipe Salomão, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, Maria Thereza de Assis Moura e Isabel Gallotti, que votaram para colocar Wilson Lima no banco dos réus. Os ministros Mauro Campbell e Og Fernandes não participaram do julgamento. O presidente, Humberto Martins, só votaria em caso de empate.

Wilson Lima foi denunciado em abril deste ano por peculato, organização criminosa, crimes contra a licitação e embaraço de investigações. A PGR afirma que o governador atuou como líder do grupo responsável por desviar recursos para o combate à pandemia de covid-19 por meio da compra de respiradores superfaturados. Lima também foi acusado de obstruir as investigações, a PGR, no entanto, não pediu seu afastamento do cargo ao oferecer a denúncia.

Para mais informações, clique aqui.

O genocida em Nova York: uma vergonha para o Brasil

Bolsonaro e negacionistas comem pizza Nova York: é uma vergonha ver essa turma
representando o Brasil na Assembleia Geral das Nações. Uma vergonha!

Bolsonaro é uma vergonha.

Bolsonaro me envergonha.

Bolsonaro envergonha o Brasil.

Por força do meu ofício de jornalista, e mais ainda, porque gosto de política internacional, sempre acompanhei os pronunciamentos de presidentes brasileiros na abertura da Assembleia Geral da ONU.

Faço isso desde os anos 1980.

Parei de assistir nos últimos três anos, desde que esse cidadão começou a desgovernar o Brasil.

Bolsonaro é tosco.

Não sabe ler.

Visivelmente, percebemos que não entende o que lê.

O conteúdo de seu discurso é trágico (aliás, onde você já viu um bom discurso negacionista?).

Agora, em Nova York, causa-nos vergonha vê-lo cavalgando (pelas próprias pernas) pelas ruas de Nova York sem estar vacinado.

Causa-nos vergonha vê-lo rodeado de negacionistas, comendo uma pizza do lado de fora porque não está vacinado, daí não poder frequentar a parte interna de restaurantes.

Causa-nos vergonha vê-lo sendo admoestado publicamente pelo prefeito de NY, Bill de Blasio, porque não está vacinado.

Causa-nos vergonha que Bolsonaro se encontre com um líder, como o britânico Boris Johnson, e vê-lo respondendo que não foi vacinado porque sua imunidade está alta.

Aliás, na conversa com Johnson, Bolsonaro deveria ter deixado sua covardia de lado e sido sincero completamente.

Em vez de responder apenas que não foi vacinado, deveria ir adiante em suas confissões escabrosas.

Deveria dizer:

"Também não uso máscara; também debocho da ciência; também causo aglomerações no meu país; também me atrasei de propósito na compra de vacinas; também jamais entrei num hospital para apertar a mão de um doente de Covid; também meu governo tentou comprar uma vacina indiana, em operação que envolveu oferecimento de propinas; também eu não fiz absolutamente nada, portanto prevariquei, quando fui informado que havia corrupção correndo solta no Ministério da Saúde; e querem saber mais? Eu sou mesmo um genocida. E daí?"

É assim que Bolsonaro deveria ter respondido.

Sem vergonha das consequências.

Até porque, Bolsonaro, repita-se, é uma vergonha para o Brasil.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

PTB de ultradireitista condenado no Mensalão quer ingressar em ação de governadores


O PTB, do ultradireitista Roberto Jefferson, condenado no processo do mensalão, quer meter o bedelho no processo em que governadores de estado e do Distrito Federal, entre eles o do Pará, Helder Barbalho, pedem para ser dispensados de comparecer à CPI da Pandemia.
Meter o bedelho é a tradução, para o português de Portugal, do termo ingressar no processo na condição de amicus curiae, ou seja, de amigo da Corte, assim chamada a pessoa física ou jurídica que pede a um tribunal para admiti-la num processo como terceiro interessado, que pretende fornecer subsídios ao julgamento da causa.
Na petição endereçada à ministra relatora da ADPF (ação de descumprimento de preceito fundamental) 848, Rosa Weber, o PTB alega que "salta aos olhos a gigantesca relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda, a repercussão política e social da controvérsia", daí porque pretende ingressar no feito com a "finalidade de prover informações relevantes e apresentar argumentos úteis à causa".
É evidente que os tais argumentos úteis a serem apresentados pelo PTB devem reforçar os da tropa bolsonarista, interessada em ouvir Helder e outros governadores que receberam verbas federais para combater a pandemia e, por suspeitas de irregularidades, tiveram suas gestões como alvos de operações da Polícia Federal.
Por enquanto, a relatora da ADPF aguarda informações da CPI da Pandemia, para que possa decidir se concede ou não a liminar impedindo que a Comissão ouça governadores.
Jefferson, como se sabe, transformou-se num fanático celerado. Em vários oportunidades, nos últimos meses, expeliu ofensas e incitou ataques contra ministros do Supremo, chamando-os de "lobistas" e "malandros" que devem ser julgados "na bala". Em outra ocasião, divulgou uma foto na qual segura uma arma e ameaça “combater os comunistas”.

domingo, 6 de junho de 2021

O bolsonarista brilhante é aquele idiota que atrapalha o bolsonarismo até quando pretende ajudá-lo

Vejam a que ponto pode chegar a inteligência, a habilidade política e a perspicácia de um bolsonarista que não entende de nada, a não ser de rachadinha.

Vejam esse cidadão aí.

Até mesmo quando tenta defender o desgoverno do pai, que debocha da vida e não está nem aí para essa pandemia trágica, o cidadão Flávio Bolsonaro acaba engatando um discurso que serve, na medida, aos propósitos dos adversários.

No vídeo, o cidadão, com ampla expertise em rachadinha, detona Tite. Ao detoná-lo, acaba fortalecendo ainda mais os vínculos que unem os jogadores da Seleção Brasileira ao técnico.

No mais, comparar a realização de competições esportivas em países como França e Itália - que praticamente já estão superando a pandemia - com um torneio no Brasil, onde a Covid-19 está entrando na terceira onda, não passa de uma formulação mental feita por um completo e desnorteado idiota.

Com todo o respeito.

sábado, 5 de junho de 2021

No futebol, só 2 a 0. No posicionamento político, uma goleada da Seleção Brasileira.

Casemiro: a voz do capitão é pela vida. E vida, todos sabemos, é algo que o governo do Capitão
parece não prezar nem um pouco. Estão aí quase 500 mil brasileiros mortos pela Covid.

No futebol, nenhuma surpresa.

No posicionamento político, uma grata, gratíssima surpresa.

No futebol, a Seleção Brasileira, que há pouco confirmou sua supremacia ao vencer o Equador por 2 a 0, no Beira-Rio, não mostrou um futebol exuberante. Mas fartamente, folgadamente, inequivocamente consolidou sua posição de melhor equipe do continente e uma das melhores do mundo, praticamente definindo sua participação na Copa do Mundo a se realizar no Qatar.

No aspecto político, a grata, gratíssima surpresa está sendo assistirmos ao pacto entre jogadores e comissão técnica, todos unidos e unânimes na rejeição a essa maluquice, a essa afronta criminosa que será a realização da Copa América no Brasil, com o apoio enfático do governo Bolsonaro.

Esse posicionamento, que já fora fortemente sinalizado na entrevista em que o técnico Tite confirmou haver uma deliberação harmônica do grupo sobre o assunto - a ser revelada apenas depois do jogo contra o Paraguai, na próxima terça-feira -, ficou claro, claríssimo na entrevista do capitão Casemiro, logo após a partida em Porto Alegre.

"Nosso posicionamento, todo mundo sabe. Acho que mais claro, impossível", disse Casemiro, mesmo sem dizer ainda qual é, uma vez que, por determinação da CBF, todos estão proibidos de falar em público sobre a questão Copa América.

"O Tite deixou claro para todo mundo qual é o nosso posicionamento e o que nós pensamos da Copa América. Existe respeito, existe hierarquia que temos que respeitar. Claro que queremos dar a opinião nossa", disse Casemiro, reforçando que os jogadores fazem questão de falar depois do jogo contra o Paraguai.

Com essa nível de consciência - humanitária e política - demonstrada pelos jogadores, pelo técnico Tite e toda a comissão técnica, uma vitória por 2 a 0 transforma-se, isso sim, numa goleada. E eleva o conceito dos que verdadeiramente fazem o futebol, apesar de dirigentes ignóbeis como os da CBF, em tabelinha com governantes igualmente repulsivos.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Ao tentar fugir do panelaço, o governo Bolsonaro fica surdo, ouvindo panelaços de hora em hora

O desgoverno Bolsonaro está, convenhamos, definitivamente atolado no lodaçal em que se meteu desde o dia 1º de janeiro de 2019.

Um lodaçal que também afogou o País num tsunami de crueldades, de ódios, descontrole, maluquices diárias e mortandade avassaladora, como a que se vê diante de omissões e negligências deliberadas na gestão da pandemia.

Atolado no lodaçal, o desgoverno Bolsonaro não sabe mais o que fazer para escapar aos protestos.

Ontem, o cidadão exibiu-se, em rede nacional de rádio e TV, num pronunciamento para comemorar (sic) o bom desempenho do PIB no primeiro trimestre deste ano e proclamar a patranha, a mentira de que suas teses contrárias ao isolamento social e outras teses francamente negacionistas é que teriam conduzido o País ao início da recuperação da economia.

Bolsonaro preferiu não fazer o pronunciamento por volta das 20h30, antes de começar o Jornal Nacional, programa jornalístico de maior audiência no País. Preferiu pronunciar-se depois do JN.

Por que fez isso?

Para evitar que, no final do jornalístico da Globo, fossem mostradas imagens do panelaço.

Mas não adiantou.

Porque as imagens do maior panelaço já ocorrido até agora, durante o desgoverno Bolsonaro, foram veiculadas no Jornal da Globo de ontem e no Bom Dia Brasil, hoje de manhã. E ainda serão veiculadas, fartamente e tonitruantemente (hehe), no Jornal Hoje e no Jornal Nacional desta quinta (3).

Quer dizer: até mesmo para tentar fugir de um panelaço, o desgoverno Bolsonaro é completamente descontrolado, idiota, destrambelhado e inconsequente.

Fiel ao seu estilo de sempre.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Cartaz do Círio 2021 lembra a paz, profissionais da saúde e acometidos pela pandemia da Covid-19




O cartaz do Círio 2021, apresentado há pouco na Basílica Santuário de Nazaré, após missa presidida pelo arcebispo metropolitano de Belém, dom Alberto Taveira, é dominado por um fundo branco, que ao mesmo tempo representa apelos de paz, remete à cor usada pelos profissionais  de saúde e lembra ainda as ramificações de um pulmão humano, referência a milhares e milhões de pessoas acometidas, no mundo inteiro, pela pandemia do coronavírus Covid-19.

Com foto produzida pela fotógrafa Walda Marques, o cartaz é uma criação da Mendes Publicidade e vai ter uma tiragem de 800 mil exemplares, que estarão disponíveis para venda na Basílica e em outros pontos em Belém, inclusive em supermercados.

A missa de apresentação do cartaz do Círio 2021 também serviu para a coroação da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré e sua volta ao Glória, de onde desceu no último domingo, para as comemorações dos 15 anos de consagração da Basílica como Santuário Mariano.

Acima desta postagem, algumas imagens da coroação da Imagem e da apresentação do cartaz, capturadas pelo Espaço Aberto a partir da transmissão da solenidade pelas mídias virtuais da Basílica.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Helder e outros 17 governadores buscam a proteção do STF contra a CPI. A fundamentação é jurídica, mas a motivação é política.

Helder Barbalho: risco de enorme desgaste político é a razão para que ele e outros 17
governadores tentem escapar de depoimentos perante a CPI da Pandemia

Já era esperado.

Amplamente esperado.

O governador do Pará, Helder Barbalho, e governadores de outros 16 estados e do Distrito Federal ingressaram conjuntamente, nesta sexta-feira (28), perante o Supremo, com ação para que sejam poupados de comparecer à CPI da Pandemia.

Além de Helder, figuram como autores da ação sete outros governadores que já tiveram a convocação aprovada à unanimidade para que deponham na CPI, uma vez que suas gestões receberam repasses federais para o combate a pandemia e foram alvos de operações da Polícia Federal, no ano passado.

Apenas o governador de Roraima, Antônio Denarium, também convocado, não assina o documento. Os demais dez governadores que não foram chamados a comparecer perante a Comissão, mas assim mesmo, preventivamente, tentam abrigar-se sob o guarda-chuva do Supremo.

O grupo apresentou ao STF uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que aponta a violação do artigo 50 da Constituição, que não prevê a convocação do presidente da República para prestar depoimento na CPI. O entendimento de procuradores-gerais dos Estados, que elaboraram e também assinam a peça, é que essa prerrogativa se entende aos governadores.

Razões políticas - Mas a verdadeira motivação da ADPF é, evidentemente, política. A exposição pública dos convocados, compelidos a prestar contas do que fizeram - ou deixaram de fazer - com uma dinheirama considerável para o combate à pandemia, em iniciativas que envolveram a compra de insumos, medicamentos e equipamentos, tem um potencial de causar-lhes um enorme desgaste político.

O desgaste político, acrescente-se, ocorre num ano pré-eleitoral. E mais: alguns dos convocados estão na expectativa do posicionamento da Procuradoria-Geral da República, que poderá ou não oferecer ao Superior Tribunal de Justiça denúncia em decorrências das operações da PF realizadas em 2020.

Esse é o caso de Wilson Lima, do Amazonas, recentemente denunciado ao STJ, que ainda precisa decidir se aceita ou não a denúncia. E também é o caso de Helder Barbalho, que ainda se submete, juntamente com vários outros integrantes de seu governo, a investigações que poderão resultar - ou não - em denúncias da PGR ao STJ.

Os criminosos das fake news: quem haverá de detê-los?

Já recebi de várias fontes uma mensagem com o selo Encaminhada com frequência.

Isso significa, vocês sabem, que a zapeada atingiu níveis alarmantes - e incontroláveis.

A mensagem é um áudio.

O teor é abjeto, absurdo, irresponsável, inverossímil, inverídico e, por último mas não menos importante, criminoso.

Flagrantemente criminoso.

No áudio, um suposto médico, com a voz empostada, fala absurdos inacreditáveis para tentar convencer as pessoas a não se vacinarem.

Antes de passar o áudio em frente, várias pessoas consultaram o blog para verificar sua autenticidade.

Para fazer essa aferição, é simples: basta escrever no Google o nome do suposto médico, sua especialidade (virologista ou urologista) e o nome do hospital onde trabalharia.

Resultado dessa pesquisa? Zero.

Zero vezes zero multiplicado por milhões de zeros. Que é igual a nada.

Nada aparece.

Mesmo assim, repito, o áudio, que agências de checagem já confirmaram ser uma escandalosa e criminosa fake news, está zanzando por aí, em escala estratosférica, nas redes sociais.

Pergunta-se: como é que criminosos, como os que produziram esse tipo de crime, não são acossados pelos órgãos que têm entre suas atribuições reprimir ilícitos cibernéticos?

Porque uma coisa é você disseminar numa rede social uma fofoca que, mesmo mentirosa, serve mais para virar meme, divertir e ser distribuída nos grupos da família.

Outra coisa é nos depararmos com áudio que está sendo difundido em proporções inimaginavelmente altas e pode, por isso, ter gravíssimos impactos em área tão sensível como a de saúde pública, sobretudo neste momento em que enfrentamos essa pandemia trágica.

É preciso que criminosos desse quilate, que produziram esse áudio, sejam investigados, identificados e punidos.

É preciso que milhares, milhões de pessoas que recebem excrementos como esse tenham um pingo de consciência, maturidade, bom senso e inteligência e chequem - ou peçam para outros fazê-lo - sua veracidade, para que possam decidir se devem mandá-los adiante.

Só assim conseguiríamos reduzir as dimensões tsunâmicas que as fake news atingiram, principalmente as negacionistas, como as que tentam negar a eficácia de vacinas.

Que horror!

quarta-feira, 26 de maio de 2021

CPI da Pandemia convoca Helder Barbalho e mais oito governadores que foram alvos de operações da Polícia Federal

Helder Barbalho: comparecimento à CPI para falar sobre supostas fraudes na
utilização de verbas federais para o combate à pandemia

A CPI da Pandemia aprovou há pouco, por unanimidade, a convocação do governador Helder Barbalho (MDB). O requerimento de convocação foi apresentado pelos senadores Marcos Rogério (DE-RO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Além dele, deverão comparecer à CPI os governadores Wilson Lima (PSC), do Amazonas; Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal; Mauro Carlesse (PSL), do Tocantins; Carlos Moisés (SC), de Santa Catarina; Antonio Denarium (PSL), de Roraima; Waldez Góes (PDT), do Amapá; e Coronel Marcos Rocha (PSL), de Rondônia; e do Wellington Dias (PT), do Piauí.

A motivação comum para a convocação dos governadores é a de que suas gestões tenham sido alvo de operações da Polícia Federal para desvendar suspeitas de irregularidades na utilização de verbas federais para o combate à pandemia do coronavírus.

No caso do Pará, houve duas operações no ano passado, a primeira a Para Bellum e a outra a SOS, ambas autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, a pedido da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo.

Ainda não está definida a data em que os governadores serão chamados a depor perante a CPI.