Durante palestra no auditório da Justiça Federal, promovida nesta quarta-feira (17) pelo Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 1), Rubens Oliveira citou caso recente, registrado pelo Cenipa, em que uma aeronave decolou de Belém, colidiu com uma ave, retornou ao aeroporto e chocou-se novamente com outra, logo após decolar pela segunda vez.
Somente nos últimos anos, de acordo com dados apresentados pelo assessor do Cenipa, pelo menos 450 pessoas morreram em todo o mundo em decorrência de desastres em que aviões colidiram com aves. No Brasil, foram três as vítimas fatais. Mas a quantidade de acidentes em que não se registram vítimas fatais é muito alta. O tenente-coronel disse que apenas nos Estados Unidos, durante o ano passado, houve 11,3 mil colisões de aeronaves com animais. No Brasil, no mesmo período, foram 1.739, 48 delas no Aeroporto de Belém.
Como exemplo dos riscos enfrentados pelo tráfego aéreo em áreas onde é maior a concentração de aves, Rubens Oliveira mencionou o acidente ocorrido nos Estados Unidos, em fevereiro de 2009, quando o piloto do voo 1549 da US Airways pousou no rio Hudson, em Nova York, com 155 pessoas a bordo, sem nenhuma vítima fatal. O Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB, sigla em inglês) confirmou posteriormente que havia restos de aves nos dois motores da aeronave. “Mas isso foi um milagre. Porque é muito difícil um avião como aquele pousar num rio sem espatifar-se”, alertou o assessor do Cenipa.
Rubens Oliveira destacou que a presença de aterros sanitários, lixões, matadouros ou frigoríficos no entorno dos aeroportos estimulam a concentração de aves e outros animais. Por isso, acrescentou o tenente-coronel, é indispensável que sejam removidas desses ambientes as condições que normalmente atraem as aves a procurar alimentos, tomar água ou procurar abrigo.
Motos em aeródromos - O comandante do I Comando Aéreo Regional, major brigadeiro do ar Paulo Borba, considerou que palestras como essa, além de terem um sentido educativo para a sociedade, revelam a responsabilidade dos municípios como operadores de aeródromos, sobretudo no interior da Amazônia.
O brigadeiro relatou que recentemente esteve no município de Porto de Moz, na região do Baixo Amazonas, e constatou pessoalmente que crianças brincavam e motos trafegavam livremente no aeródromo local, que funciona perto de lixões. “Há algumas máximas para a Aeronáutica. Uma delas ensina que, ‘se você acha que prevenir [acidentes aéreos] custa muito dinheiro, imagine um acidente com vítimas’. E mais: sempre dizemos que não existem novos acidentes. Existem apenas novos atores”, afirmou o brigadeiro.
O diretor da Seção Judiciária do Pará, juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, considerou que é “muito relevante aprofundar o entendimento relativo ao risco de fauna na segurança de vôo e em relação a temas correlatos, como o da limitação ao uso de solo urbano nas imediações de aeroportos e sobre as atribuições dos órgãos envolvidos, inclusive para que não haja distorção na cobrança de fiscalização e de resultados em ações judiciais concernentes ao tema.” Acrescentou ainda que assuntos como o abordado pelo tenente-coronel Rubens Oliveira oferecem “contribuição importante para o aprimoramento da função jurisdicional, porque muito ligado ao trabalho da Justiça Federal”.
A palestra contou com a presença de servidores e magistrados da Justiça Federal, de oficiais da Aeronáutica, advogados membros do Ministérios Públicos Estadual e Federal, da Prefeitura de Belém, da Agência Nacional de Avião Civil (Anac), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e de companhias aéreas.
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