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quarta-feira, 26 de maio de 2021

CPI da Pandemia convoca Helder Barbalho e mais oito governadores que foram alvos de operações da Polícia Federal

Helder Barbalho: comparecimento à CPI para falar sobre supostas fraudes na
utilização de verbas federais para o combate à pandemia

A CPI da Pandemia aprovou há pouco, por unanimidade, a convocação do governador Helder Barbalho (MDB). O requerimento de convocação foi apresentado pelos senadores Marcos Rogério (DE-RO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Além dele, deverão comparecer à CPI os governadores Wilson Lima (PSC), do Amazonas; Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal; Mauro Carlesse (PSL), do Tocantins; Carlos Moisés (SC), de Santa Catarina; Antonio Denarium (PSL), de Roraima; Waldez Góes (PDT), do Amapá; e Coronel Marcos Rocha (PSL), de Rondônia; e do Wellington Dias (PT), do Piauí.

A motivação comum para a convocação dos governadores é a de que suas gestões tenham sido alvo de operações da Polícia Federal para desvendar suspeitas de irregularidades na utilização de verbas federais para o combate à pandemia do coronavírus.

No caso do Pará, houve duas operações no ano passado, a primeira a Para Bellum e a outra a SOS, ambas autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, a pedido da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo.

Ainda não está definida a data em que os governadores serão chamados a depor perante a CPI.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Decisão de Turma do TJ do Pará concluiu pela legalidade de acordo, e não pela legalidade da compra de respiradores



Veículos de imprensa e meios de informação virtuais do Pará e de alguns estados do País divulgaram, na manhã desta terça-feira (09), que uma decisão tomada pela Segunda Turma de Direito Público do Tribunal de Justiça do Pará concluiu que não teria havido irregularidades na compra de 400 respiradores pelo governo do estado. Essa operação ensejou um pedido de autorização da Polícia Federal para indiciar o governador Helder Barbalho.

O entendimento externado nas matérias não guarda a menor correspondência à verdade, de acordo com o que se extrai de fatos expostos em ações sobre o assunto, no momento em tramitação tanto em primeira como em segunda instância na Justiça do Pará.

A decisão dos desembargadores, adotada à unanimidade nesta segunda-feira (08), refere-se especificamente ao acordo firmado entre o governo do Pará e a empresa SKN do Brasil Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda., para minimizar os prejuízos sofridos pelo estado ao receber respiradores imprestáveis. O colegiado, de fato, entendeu que foi regular o acordo homologado pelo juiz da 5ª Vara, Raimundo Santana, garantido ao estado ressarcir-se dos danos financeiros.

Essa deliberação - o reconhecimento da legalidade apenas e tão somente do acordo, vale repetir - não adentrou, todavia, no mérito da infinidade de procedimentos, da miríade de documentos e da extensa varidade de condutas que levaram o Ministério Público a ingressar com uma ação de improbidade contra o governador Helder Barbalho e outras autoridades, por supostas irregularidades ocorrida no extenso processo de compra dos citados equipamentos.

Para melhor compreensão, é preciso discriminar que estamos diante de três processos distintos sobre esse assunto.

Um deles é o Processo 0831898-06.2020.8.14.0301 (veja na imagem do alto). Trata-se de uma apelação cível, ou seja, de recurso que foi apreciado ontem, pela Segunda Turma. O Ministério Público recorreu da sentença de homologação de acordo realizado entre o estado do Pará e a empresa SKN. Decidiram os magistrados da Turma que o acordo é legal.

Outro processo é o de nº 0866555-71.2020.8.14.0301 (veja na imagem do meio). Trata-se de ação civil pública de improbidade administrativa ajuizada pelo MP contra o governador Helder Barbalho, os ex-secretários Parsifal de Jesus Pontes, Alberto Beltrame, o ex-secretário-adjunto da Sespa Peter Cassol Silveira e outras pessoas (incluindo empresários e funcionários públicos), em decorrência de "graves atos de improbidade administrativa" que teriam ocorrido no processo de compra dos respiradores.

Quanto a esse processo, não se sabe ainda nem qual vara vai apreciá-lo. É que os autos foram distribuídos, originalmente, para a 1ª Vara, que os remeteu à 5ª Vara. A alegação da 1ª Vara é de que a 5ª seria a competente porque já havia, justamente, julgado o acordo ontem apreciado pela 2ª Turma. Mas a 5ª Vara entende que não: quem deverá julgar o processo é a 1ª, porque a causa de pedir das duas ações é distinta uma da outra. Resultado: suscitou-se aquilo que, tecnicamente, chama-se de conflito de competência. Com isso, foi autuado um terceiro processo, o de nº 0811416-67.2020.8.14.0000 (veja a imagem acima), no qual será decido, afinal, se a ação ficará sob a jurisdição da 1ª ou da 5ª Vara.

Esses são os fatos, que podem, é claro, ensejar interpretações e juízos de toda ordem. Inclusive para conduzir a entendimentos enviesados de que uma coisa e outra coisa são a mesmíssima coisa.

Mas não são.

Como se sabe, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

PF pede autorização para indiciar Helder e indicia sete no caso da compra de respiradores


A Polícia Federal pediu autorização ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para indicar o governador Helder Barbalho pelos delitos de associação criminosa, peculato e crimes licitatórios, no caso da compra de compra de 400 respiradores pulmonares realizada pelo governo do estado do Pará junto à empresa SKN do Brasil Ltda., no primeiro semestre do ano passado, durante a primeira onda da pandemia do novo coronavírus Covid-19.

O relatório do inquérito, exposto em 30 laudas e revelado neste sábado, dia 6, pela revista Época, foi assinado no dia 27 de janeiro pelo delegado José Eloísio dos Santos Neto, que indiciou sete pessoas: o ex-secretário de Saúde Alberto Beltrame e seu secretário-adjunto Peter Cassol Silveira; o assessor especial do governador Leonardo Nascimento Maia; o secretário da Fazenda, René de Oliveira e Sousa Júnior; a ex-diretora do Departamento de Administração e Serviços da Sespa Cíntia de Santana Andrade Teixeira e os empresários André Felipe de Oliveira da Silva e Felipe Nabuco dos Santos, sócios da empresa SKN (veja trechos do despacho ao longo desta postagem).

As investigações começaram depois que a Polícia Federal, com autorização do ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, deflagrou em junho de 2020 a Operação Para Bellum, que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o governador e outras 14 pessoas.

A compra dos respiradores custou ao Estado do Pará o valor de R$ 50.400.000,00. Desse total, metade do pagamento foi feito à empresa vendedora do equipamento de forma antecipada, sendo que os respiradores sofreram grande atraso na entrega, além de serem diferentes do modelo comprado e inservíveis no tratamento da Covid-19, razão pela qual foram devolvidos, deixando parte da população paraense desassistida do adequado tratamento durante a pandemia.

Durante a operação, agentes da Polícia Federal descobriram R$ 750 mil, guardados em espécie dentro de um cooler (isopor térmico) na residência de Peter Cassol Silveira, secretário-adjunto de Gestão Administrativa da Secretaria de Saúde.

Conluio - "Compulsando os elementos de informação e as provas coligidas aos autos deste inquérito, resta facilmente identificável, na visão desta autoridade policial, a existência de esquema criminoso associativo e um nítido conluio no âmbito do Governo do Estado do Pará, objetivando fraudar procedimentos licitatórios com a finalidade, dentre outras, de desviar dinheiro público, causando, em contrapartida, vultosos prejuízos à saúde pública em pleno regime de calamidade pública decorrente da pandemia do Covid-19", diz um trecho do despacho de indiciamento assinado pelo delegado José Eloísio Neto.

Ele acrescenta que, no que se refere especificamente à compra dos respiradores pulmonares, "percebe-se a existência de diversas práticas delitivas perpetradas por agentes políticos, agentes públicos e empresários; condutas estas que foram praticadas antes, durante e após o contrato de compra e venda celebrado entre o govderno do estado do Pará e a empresa SKN Indústria e Comércio Ltda."

O delegado da PF ressalta que as decisões foram tomadas pelo próprio governador Helder Barbalho "de maneira absolutamente informal, sem observar qualquer parâmetro exigido pelo interesse público e contrariando, frontalmente, os imperativos que regem todo procedimento licitatório, como os princípios da isonomia, impessoalidade, moralidade, probidade e a seleção da proposta mais vantajosa".

Mas não é só isso, acrescenta José Eloísio Neto. Ele destaca que as investigações apontaram "fortes indícios de que o governador Helder Barbalho editou, ao menos, dois decretos com o propósito de beneficiar diretamente a empresa SKN, sendo um deles para permitir o pagamento antecipado (Decreto Estadual n° 619/2020) e o outro para eximir a empresa SKN do pagamento de ICMS (Decreto Estadual nº 718/2020)."

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Thiago começa a bater - duro - em Priante e Helder, que acusam os golpes. E agora, quais serão os próximos rounds?

Na campanha do MDB, Priante é Helder, Helder é Priante. Priante-Helder, Helder-Priante
são um só (imagem extraída de um das inserções do programa de Priante no horário gratuito).

Antes mesmo de 16 de setembro, prazo fatal para os partidos definirem seus candidatos, estrategistas políticos (alguns ainda na arena política, outros observando-a atentamente do lado de fora) ouvidos pelo Espaço Aberto eram unânimes - repetindo-se, unânimes - num ponto: se indicasse o deputado emedebista José Priante como candidato a prefeito de Belém, o governador Helder Barbalho (MDB) ficaria à margem da campanha, para não expor sua imagem e a de seu governo a ataques de adversários no horário da propaganda eleitoral gratuita.

Àquela altura, já tínhamos a Operação Para Bellum, deflagrada em 10 junho, por determinação do STJ, para apurar supostas irregularidades na compra de respiradores pelo governo do estado, e a Operação Solércia, no dia 18 do mesmo mês, para investigar fraudes em contratos celebrados pela Seduc.

Nota indica que Helder acusa o golpe dos ataques
do Cidadania. Vai ficar por isso mesmo?
Duas semanas após a convenção do MDB aprovar Priante como candidato do partido a prefeito de Belém, o mesmo STJ autorizou a Operação SOS, realizada no dia 29 de setembro, para apurar um suposto esquema criminoso na construção de hospitais de campanha.

Iniciada a propaganda no rádio e na TV, comprovou-se que todos os estrategistas - todos, sem exceção - estavam equivocados em suas projeções.

Desde o primeiro dia de campanha até agora, Priante é Helder, Helder é Priante. Priante-Helder, Helder-Priante são um só.

O governador é o garoto-propaganda da campanha de Priante.

Não há uma inserção sequer, em suas peças, que a campanha de Priante não se vincule direta, explícita e enfaticamente a Helder - seja mostrando imagens do governador, seja mencionando ações do estado no combate à pandemia, seja ressaltando que, em todas as áreas, o candidato emedebista, se eleito, vai governar Belém de braços dados com Helder. Se quiserem conferir, clique aqui.

Os efeitos da estratégia do governador, de expor-se de alma e corpo inteiros na campanha de Priante, não se fizeram esperar.

Arsenal desovado - Há dois ou três dias, a campanha de Thiago começa a desovar, digamos assim, seu arsenal e apontá-lo em direção a Priante.

O arsenal, como era previsível, exibe reportagens sobre fatos descobertos pelas operações da Polícia Federal e volta a colocar em evidência contra Priante, relacionadas a supostas fraudes relacionadas ao DNPM.

Para veicular sua artilharia na TV, com ataques mais pesados a Priante-Helder, a campanha de Thiago limita-se a obedecer estritamente ao que determina a legislação: veicula as peças com letras em caixa alta que aparecem verticalmente, no lado esquerdo da telinha, informando que a propaganda é de responsabilidade da Coligação Renova Belém, que apoia o candidato do Cidadania.

Com esse recurso, telespectadores menos atentos - que são a maioria, para não dizer a esmagadora maioria - chegam a imaginar, em certos momentos, que as matérias (pinçadas de telejornais) não fazem parte da propaganda de um candidato. Mas fazem, é claro.

Helder-Priante já acusaram o golpe.

Nesta sexta-feira (30), nota publicada no Repórter Diário, a coluna mais importante do jornal da família do governador, considera que os ataques de Thiago Araújo estariam "quebrando o clima de cordialidade e respeito entre os candidatos".

Priante-Helder ou Helder-Priante vão reagir?

Os próximos dias, ou melhor, os próximos rounds dirão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Governo do estado diz que MP e Judiciário sabiam da compra de equipamento para investigação policial

Ualame Machado, secretário de Segurança, durante a coletiva: aparelho
não intercepta ligações telefônicas (foto da Agência Pará)

Da Agência Pará

Após polêmicas sobre a utilização do equipamento de inteligência policial utilizado pelos órgãos de segurança do Pará, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) apresentou, nesta quinta-feira (01), documentos que comprovam a utilização técnica dos equipamentos e que essa aquisição e seus critérios para uso foram comunicados e apresentados oficialmente para representantes do Ministério Público do Pará (MP-PA).

Os documentos comprovam que a comunicação oficial foi realizada no ofício de número 457, datado em 25 de junho e enviado pelo então delegado geral da Polícia Civil do Pará, delegado Alberto Henrique Teixeira de Barros, para o procurador-geral de Justiça do Pará, Gilberto Martins. 

O documento detalha os termos de contrato para aquisição do equipamento e afirma que o aparelho não possui capacidade técnica para realização de interceptação e de comunicações de aparelhos telefônicos móveis ou fixos. Além do ofício, também foi realizada, no último dia 11 de agosto, na sede do Ministério Público, uma apresentação técnica dos equipamentos e suas funcionalidades. A apresentação foi realizada para um grupo de promotores.

“Nosso objetivo, neste momento, é esclarecer que órgãos de controle, incluindo o Ministério Público e o Poder Judiciário, tinham conhecimento que a Polícia Civil comprou esse equipamento. A empresa [fornecedora] nos garante que é auditável quando necessário. Reafirmamos que não é capaz de interceptar telefone e também não é capaz de fazer escuta ambiental”, afirmou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), Ualame Machado.

Já o delegado-geral da Polícia Civil, Walter Resende, detalhou que as aquisições de equipamentos tecnológicos fazem parte de uma política de reestruturação e modernização da instituição. “A aquisição deste aparelho é uma necessidade real. Outros estados do país também fazem uso desta importante ferramenta que auxilia no combate à criminalidade. A Polícia Civil é uma instituição transparente. Embora não seja uma obrigação legal, fizemos uma apresentação no Ministério Público para demonstrar a forma que utilizamos o aparelho”, destacou.

Além do Ministério Público, também foram comunicados, oficialmente, o Tribunal de Contas do Estado (TCE),  Procuradoria Geral do Estado (PGE), Tribunal de Justiça (TJPA) e Auditoria Geral do Estado (AGE). Em anexo aos ofícios também foi enviado uma declaração da empresa fornecedora, afirmando que o equipamento é auditável.

Confira os documentos:

Declaração empresa fornecedora

Ofício 449 TJPA

Ofício 450 PGE

Ofício 451 TCE

Ofício 452 AGE

Ofício 511

Ofício 512 PCAF

Ofício 512 MP

Ofício 512 PJ

terça-feira, 29 de setembro de 2020

"Quanto a SKN depositou para você passe para o Beltrame também". É Cassol falando.



A representação da Polícia Federal à Procuradoria Geral da República incluiu o ex-secretário de Saúde do Pará Alberto Beltrame entre os suspeitos que deveriam ser presos no âmbito da Operação SOS, que nesta terça-feira (29) foi deflagrada para apurar fraudes em 12 contratos firmados pelo governo do Pará com organizações sociais para gerir hospitais de campanha durante a pandemia do coronavírus Covid-19.
A prisão de Beltrame, no entanto, foi considerada desnecessária pela subprocuradora Lindôra Araújo. Mas Peter Cassol Silveira - flagrado pela Para Bellum, em junho passado, com cerca de R$ 750 mil congelados num cooler - não escapou da prisão, agora decretada pelo ministro Francisco Falcão.
Mesmo que Beltrame não tenha sido preso, é possível aferir-se num trecho da decisão do ministro, no entanto, a extensão e a natureza das ligações entre o então secretário de Saúde e seu secretário-adjunto.
Com base em conversas extraídas do celular de Cassol e de outros alvos alcançados pela Para Bellum, Francisco Falcão referiu-se especialmente a uma conversa entre Cassol e Paula Martins, apontada como assessora da Secretaria de Saúde.
"Quanto a SKN depositou para você passe para o Beltrame também", orienta Cassol, referindo-se à SKN Importação e Exportação, a empresa que vendeu 152 respiradores imprestáveis ao governo do Pará.
Para o ministro do STJ, a orientação de Cassol à assessora da Sespa configura "forte indicativo do pagamento de propina por parte da empresa", investigada no âmbito de inquérito ainda em curso no Superior Tribunal de Justiça.
Vejam as imagens de trechos da decisão de Falcão.
Está tudo lá.

Tsontakis é descrito como dono de fortuna de R$ 600 milhões e intermediário do pagamento de propina a secretário




Nicolas André Tsontakis Morais.
Esse é o nome mais citado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça Francisco Falcão, na decisão que autorizou a Polícia Federal, com o auxílio da Controladoria Geral da União, a deflagrar a Operação SOS, nesta terça-feira (29).
Nicolas, que também usava o nome falso de Nicholas André Silva Freire, é o mais mencionado nas 35 páginas da decisão do ministro. A impressão que se tem, lendo os fundamentos da exposição de Falcão, é de que não haveria a SOS se não houvesse um Tsontakis Morais para viabilizá-la.
Nicolas é tratado como o principal articulador do esquema criminoso que envolveu contratos com organizações sociais selecionadas para gerir hospitais que atenderam preferencialmente ou exclusivamente os infectados pelo coronavírus durante o pico da pandemia, ocorrido no segundo trimestre deste ano.
O mais impressionante é o patrimônio amealhado por Tsontakis Morais: estima-se que o valor chegue a nada menos de R$ 600 milhões, incluindo um veículo no valor de R$ 450 mil. Com um detalhe, registra Falcão: o levantamento patrimonial é "não exaustivo", ou seja, se cavucarem mais, vão achar mais tesouros agregados à fortuna de Tsontakis.
Tem mais: há indícios veementes, segundo escreve o ministro do STJ, de que pelas mãos de operador Tsontakis escorreram cerca de R$ 331 mil em propina para o secretário de Transpores, Antônio de Pádua Andrade.
Vejam imagens pinçadas da decisão do ministro do STJ.
Está tudo lá.

PF efetua prisões em operação que investiga fraudes superiores a R$ 600 milhões na construção de hospitais de campanha no Pará





A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União estão cumprindo, na manhã desta terça-feira (29), 12 mandados de prisão temporária e  41 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para investigar supostas fraudes na construção de hospitais de companha e desvio de recursos públicos para o combate à pandemia do coronavírus Covid-19.

Além de Belém, a polícia está em diligências em Capanema, Salinópolis, Peixe-Boi e Benevides. O volume de recursos empregados no procedimentos fraudulentos superam os R$ 600 milhões. Segundo a PF, os investigados são empresários, o operador financeiro do grupo e integrantes da cúpula do governo do Pará, além do próprio governador Helder Barbalho (MDB).

Os crimes investigados são fraude em licitações, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas previstas superior a 60 anos de reclusão. Entre os mandados de busca e apreensão, um deles foi cumprido no gabinete do governador Helder Barbalho, conforme mostra uma das fotos acima, distribuídas pela Polícia Federal.

A Operação SOS, como a PF a denomina é um desdobramento da Para Bellum, ocorrida em junho, que desvendou irregularidades na compra de respiradores imprestáveis pelo governo do Pará. De acordo com informações da Polícia Federal, participam das diligências 218 agentes, 14 auditores da CGU e 520 policiais civis.

Até agora, já estão confirmadas as prisões do secretário de Desenvolvimento Econômico,  Mineração e Energia, Parsifal Pontes, que anteriormente ocupava o cargo de chefe da Casa Civil do governo Helder Barbalho, e de Antônio de Pádua Andrade, secretário de Transportes, além de Leonardo Maia Nascimento, assessor especial do governador.

O ministro Francisco Falcão também mandou prender Peter Cassol de Oliveira (na casa de quem a Para Bellum encontrou R$ 750 mil em espécie dentro de um cooler), Nicolas Andre Tsontakis Morais (que também usava o nome falso de Nicholas André Silva Freire), Cleudson Garcia Montali, Regis Soares Pauletti, Adriano Fraga Troian, Gilberto Torres Alves Júnior, Raphael Valle Coca Moralis, Edson Araújo Rodrigues e Valdecir Lutz.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

“Burocracia custa vidas”, diz Helder, rebatendo críticas de que teria havido pressa na compra de respiradores imprestáveis

O governador Helder Barbalho respondeu na tarde desta quinta-feira (02), em entrevista exclusiva à CNN (assista ao vídeo), às críticas de que a aquisição de 152 respiradores imprestáveis teria sido resultado, em boa parte, da precipitação na formalização dos procedimentos de compra junto à empresa SKN.

Helder disse que todos os procedimentos ocorreram no pico da pandemia no estado e, sobretudo, na Região Metropolitana de Belém, onde se registraram cenas de pessoas morrendo e centenas se desesperando às portas de unidades de saúde, àquela altura lotadas de pacientes. Ele disse que tinha duas opções: agir ou continuar assistindo às mortes.

“Nós agimos. Nós buscamos, dentro do que a lei permite no processo de agilidade contratual, fazer as aquisições necessárias. Lamentavelmente, o que se percebe é uma avaliação distorcida, primeiro, de se criminalizar o processo de agilidade de compra. Nós temos de levar em consideração de que, quando se está numa pandemia, a burocracia custa vidas, o tempo perdido custa vidas.

Helder disse que outros governadores estão “temerosos” diante de um clima que classificou de “denuncismo” e se referiu ao ex-secretário Alberto Beltrame como “um homem experiente e com um currículo de serviços prestados ao SUS e à saúde pública. “Neste momento, [ele] necessita estar focado no esclarecimento das informações que neste momento a Justiça solicita. [...] Meu desejo é que o Beltrame possa ter condição de esclarecer, e tenho certeza de que ele é capaz de esclarecer, e que o governo possa ser capaz de entregar para a população os serviços fundamentais no enfrentamento da pandemia e de tantos outros desafios em saúde pública aos paraenses”, afirmou Helder, referindo-se às investigações deflagradas pela Operação Para Bellum, autorizada no dia 10 de junho passado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Servidora "envasa-se" de álcool gel pensando que fosse água gelada. Teremos delegado da PF na Seduc para apurar isso?

Em amarelo, a nota sobre ocorrência na Seduc: quantas garrafas pet nas mesmas
condições estão guardadas nas geladeiras de órgãos públicos do estado?

Já temos um delegado da Polícia Federal na Sespa, em substituição ao médico Alberto Beltrame.
Vamos ter um delegado da Polícia Federal também na Seduc?
Como a Sespa na Para Bellum, a Seduc também já foi alvo de uma operação policial, para apurar indícios de fraudes num contrato de R$ 73,9 milhões.
Agora, descobre-se o relatado na nota em destaque acima, publicada nesta quinta-feira (02) no Em Poucas Linhas, da coluna Repórter 70, a mais importante de O LIBERAL.
Vejam só que coisa pavorosa.
Uma servidora, coitada, envasou-se a si mesma de álcool gel que estava acondicionado numa garrafa pet.
A nota não diz, mas o repórter apurou que a garrafa pet é do lote de 1,140 milhão de recipientes vazios, adquiridos pela Sespa por R$ 1,710 milhão e que já levou a Justiça a quebrar os sigilos bancários e fiscal de Beltrame e outros.
A servidora, como diz a nota, passou mal.
E nem poderia ser diferente.
E agora?
A Seduc já abriu sindicância para apurar isso? Não havia nenhum rótulo na garrafa, dizendo que ali tinha gel. É admissível que isso ocorra? Como é possível ter acontecido uma coisa dessas, que põe em risco a vida de seres humanos?
E mais: há outras trocentas mil garrafas pet como essa, cheias de gel e sem rótulo, rondando nas geladeiras de outros órgãos estaduais? Se há, elas serão pelo menos rotuladas, para se saber que ali tem gel, e não água geladíssima pra matar a sede de servidores, nestes tempos de calor e de pandemia?
Como é que é isso?
Vai ser aberta - ou já foi - aberta alguma sindicância?
Será necessário, enfim, envasarem um delegado da PF na Seduc? Ou a próprio Seduc vai exercer suas atribuições e abrir uma sindicância para apurar essa ocorrência?
O blog tenta entrar em contato com a Seduc, mas não está conseguindo.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Helder tira o médico Beltrame e põe delegado da Polícia Federal para comandar a Sespa


O governador Helder Barbalho acaba de anunciar, em suas redes sociais, que o secretário de Saúde, Alberto Beltrame, deixou o cargo. O novo titular da Sespa é o delegado da Polícia Federal Rômulo Rodovalho.
Num vídeo de poucos mais de dois minutos, o governador disse que Beltrame está se licenciando da Secretaria. Pode até estar se licenciando. Mas é quase certo que a licença será sem volta. Ele também deixou a presidência do Conselho Nacional de Secretário de Saúde (Conass).
Ao anunciar o nome de Rodovalho para comandar a Sespa, o governador ressaltou que ele assume "com a tarefa de restabelecer a confiança do governo e de toda a sociedade paraense na gestão de algo tão fundamental para a gente, que é a saúde".
Beltrame é um dos investigados no caso da compra de 152 respiradores imprestáveis, fato que motivou a Operação Para Bellum, no dia 10 de junho. As buscas e apreensões efetuadas pela PF descobriram R$ 750 mil guardados dentro de um cooler na casa de Peter Cassol, então secretário-adjunto de Gestão Administrativa da Sespa.
Cerca de duas semanas depois da Para Bellum, a segunda fase da operação, denominada Matinta Perera, apreendeu em imóveis de Beltrame, no Rio Grande do Sul, dezenas de obras de arte, incluindo peças de Iberê Camargo, Burle Marx e Di Cavalcanti.
No dia 26 de junho, o então titular da Sespa foi alvo de mais uma investida investigatória: o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Belém, Magno Guedes Chagas, decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Beltrame, Cassol e mais cinco pessoas, além de duas empresas, todos acusados da prática de irregularidades na compra de 1,140 milhão de garrafas pet vazias por R$ 1,710 milhão. O MP do Pará, que ajuizou a ação, afirma que houve superfaturamento e que sequer houve contrato para amparar a compra dos produtos.
Beltrame, até mesmo antes de todos esses episódios - e portanto antes d
o período da pandemia - teve um relacionamento bem distante da Assembleia Legislativa, fato que motivou fortes críticas até mesmo de aliados do governo Helder Barbalho na Alepa. Depois da Para Bellum, parlamentares cobraram o afastamento do secretário.


"Nada fiz de errado. Não cometi nenhum desvio de conduta", diz Beltrame em nota

Informo que no dia de hoje pedi licença do cargo de Secretário de Estado de Saúde do Pará  e, por consequência, renuncio à presidência do CONASS.

Tomei esta decisão para poder cuidar de minha saúde e me dedicar à defesa do meu maior patrimônio: a minha honra e dignidade.

Durante a pandemia, em nome do CONASS,  apelei diversas vezes ao Ministério da Saúde para que assumisse sua função de centralizar, comprar  e distribuir equipamentos, insumos e medicamentos para salvar vidas durante a pandemia.

Recebemos  promessas de que leitos de UTI, equipamentos de proteção individual e medicamentos seriam comprados pelo Ministério e entregues ao estados e municípios.

Estes compromissos não foram cumpridos e ficamos sós.

Secretários, governadores e prefeitos, sem alternativa, diante de hospitais lotados e de mortes diárias, foram jogados num cassino internacional, com mercado aviltado, preços exorbitantes, num verdadeiro leilão de bens para a saúde. 

Assim, o Ministério da Saúde deixou de cumprir seu papel essencial numa emergência em saúde pública: coordenar as ações, orientar o isolamento social e também o de utilizar seu poder de compra para gerar economia de escala aos cofres públicos e normalizar e regular preços.

Diante de uma pandemia, tantas vezes negada ou minimizada, fomos colocados frente à frente com uma uma dura realidade: a vida ou a morte.

Não nos omitimos. Levantamos a voz diante de tanta indiferença, falta de empatia, solidariedade e compaixão.

Corremos riscos para salvar vidas e avançamos muito.

Implantamos leitos de UTI em tempo recorde e assistimos nossa comunidade. Agora vemos todos nossos esforços serem criminalizados.

A omissão, nos parece ser, em contrapartida, premiada.

Enfrentei pessoalmente a própria COVID-19. Muitos colaboradores adoeceram, vários colegas de trabalho, inclusive meu diretor financeiro, morreram neste embate. Mesmo diante de tantas adversidades, segui dando o melhor de mim para que o enfrentamento à pandemia não sofresse solução de continuidade.

Nada fiz de errado. Não cometi nenhum desvio de conduta, neste momento ou em toda a minha vida pregressa.

Antes de me licenciar do cargo criei Comissão com o fim de apurar eventuais irregularidades nos procedimentos administrativos e contratos com despesas relacionadas à pandemia. Além disso oficiei a Procuradoria Geral do Estado solicitando providências quanto a possibilidade desta Secretaria assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com o MP/PA e MPF com o intuito de atuar com transparência e colaboração diante de qualquer investigação de possíveis irregularidades.

Nada tenho a esconder ou temer. Ressalto que todo o meu patrimônio é fruto de 35 anos de trabalho e está todo declarado em meu imposto de renda, o qual, disponibilizarei a qualquer autoridade investigativa se necessário.

Espero que a justiça seja feita e que possa reparar a dor, o sofrimento e adoecimento que me são infligidos neste momento tão difícil.

Seguirei lutando pela saúde de todos e na defesa incondicional do SUS, onde estiver. Este é o meu compromisso de vida,  que não abandonarei.

Agradeço a solidariedade e apoio de meus colegas e lhes desejo sorte e sucesso.

Estou pagando um preço alto por lutar e acreditar que a vida é nosso bem maior. Fiz o que deveria fazer, cumpri meu papel de médico, cidadão e gestor público 

Desejo a todos os irmãos brasileiros força e coragem. Venceremos esta pandemia.

 

Alberto Beltrame

domingo, 28 de junho de 2020

Juiz decreta a quebra dos sigilos bancários e fiscal do secretário de Saúde, Alberto Beltrame, e outros oito envolvidos na compra de garrafas pet vazias


O juiz de Direito da 1ª Vara de Fazenda Pública de Belém, Magno Guedes Chagas,  decretou, na última sexta-feira (26), a quebra dos sigilos bancários e fiscal do secretrário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame, ao mesmo tempo em que determinou à Receita Federal do Brasil e ao Banco Central do Brasil o envio, sob sigilo, de toda a documentação concernente à evolução patrimonial dos réus.

A decisão do magistrado também alcança Peter Cassol Silveira, ex-secretário-adjunto de Gestão Administrativa da Secretária e outras cinco pessoas – Cintia de Santana Teixeira, Ana Lucia Alves, Luzia Rosane Pontes, Marcos Castro da Silva e Marilene Castro da Silva -, além de duas pessoas físicas - Marcoplas Comércio de Móveis e Marilene C. da Silva EPP.

Beltrame e Cassol também estão envolvidos na compra de respiradores, que resultou na Operação Para Bellum, ocorrida no dia 10 de junho, em Belém e São Paulo. Na casa de Cassol, a PF encontrou R$ 750 mil dentro de um recipiente térmico. Beltrame também foi alvo de uma segunda operação, que encontrou dezenas de valiosas obras de arte dentro de imóveis seus, no Rio Grande do Sul.

O decreto de quebra dos sigilos bancários e fiscal dos requerido é a primeira movimentação do magistrado numa ação civil de improbidade administrativa que o Ministério Público do Pará ajuizou no dia 23 deste mês.

Na ação, o MP aponta provas de um superfaturamento em uma compra, com dispensa de licitação, de R$ 2 milhões em garrafas pet vazias na empresa Marcoplas Comércio de Móveis Ltda., localizada em Ananindeua.

O Ministério Público também pediu o afastamento de Alberto Beltrame por improbidade administrativa, além da concessão de liminar de indisponibilidade dos bens dos requeridos para garantir o ressarcimento integral do dano, estimado em R$ 1.710.000,00.

“Entendo, todavia, que a medida pleiteada se reveste de extrema gravidade para ser adotada sem oportunizar aos Requerentes o exercício regular do contraditório substancial, a fim de apresentar as alegações e documentos que pertinentes à exata compreensão da controvérsia que se coloca nos autos”, escreve o magistrado.

Na ação, o promotor de justiça Daniel Azevedo explica no documento que já havia sido pedido, no dia 6 de junho, uma cópia integral do procedimento de contratação da empresa que forneceu as garrafas pet, mas a Sespa não respondeu no prazo fixado de dez dias.

Montagem clara - "Diversos aspectos chamam a atenção nesta contratação, pois as ilegalidades estão estampadas em qualquer direção que se olhe, quer nos aspectos formais dessa dispensa licitatória, que indicam montagem clara e direcionamento, ao que se somou a inexistência mínima de justificativas que subsidiassem urgência ou mesmo sustentassem a absurda escolha do objeto da aquisição e, principalmente, o superfaturamento dos valores pagos à empresa Marcoplas Comércio de Móveis Ltda., beneficiada pelo esquema criminoso, a qual nem mesmo poderia celebrar contratação desta natureza, de modo que não passa de pessoa jurídica vocacionada para desvios de verbas públicas", afirma o promotor.

Ele instrui a inicial com uma tabela em que se visual a montagem do procedimento, uma vez que, segundo o promotor, foram realizadas 11 movimentações processuais no mesmo dia, o que seria impossível de ocorrer, pela multiplicidade de atos praticados e complexidade de alguns deles, como a pesquisa de preços.

Superfaturamento - O MPPA sustenta que o superfaturamento ocorrido na operação seria óbvio até para um leigo, pois garrafas pet (polietileno com tampa rasa e rotuladas), contendo 300 ml de água, custam centavos no mercado de consumo, o que, por si só, chama a atenção para o fato de que o valor de R$ 1,50 por garrafa pet menor, de 240 ml, e sem estar com qualquer produto envasado, jamais poderia ser adequado.

A ação de improbidade demonstra, inclusive, pesquisas de preço, mostrando aquisições realizadas no período, até mesmo pelos próprios órgãos e secretarias do Pará, bem como por prefeituras, também localizadas nesta unidade no estado, tais como, Belém e Santarém (logística de entrega mais difícil), nas quais verificou-se que caixas com 24 unidades (produtos entregues em caixas de papelão) de garrafas pet, de 300 ml (maiores que as contratadas), envasadas com água mineral (valor de um produto agregado), custariam uma média de R$ 0,59, ou seja, a Sespa, por meio de dispensa de licitação, pagou cerca de 125% mais caro, gerando um prejuízo de mais de R$ 1 milhão ao erário estadual.

Diz ainda o MPPA que a empresa jamais contratou com o poder público estadual, mas foi a única consultada na pesquisa de preços realizada durante a dispensa de licitação, sem que se saiba como se deu tal consulta. Ao final, acrescenta a ação, essa empresa acabou sendo a escolhida para a contratação, sem juntar qualquer documento de habilitação ou até mesmo sua proposta de preços, contendo a descrição do produto que iria fornecer e seu prazo de entrega.

Ânimos em brasa na Lava Jato. Subprocuradora da Para Bellum tem linha direta com Flávio Bolsonaro, diz jornalista.

Os ânimos entre as forças-tarefas da Lava Jato estão em brasa.
Ou em fogo alto, se quiserem.
As disputas, dissensões, desconfianças, divergências e tentativas de reafirmação de autoridade ou autonomia entre segmentos do MPF estão ficando cada vez mais expostas e evidentes, a partir do momento em que se revelou uma tentativa da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, muito próxima ao procurador-geral, Augusto Aras, de buscar informações sigilosas nos bancos de dados da Lava Jato em Curitiba. Um procedimento sem qualquer justificativa e portanto inusual, segundo objetam procuradores que atuam no Paraná.
Lindôra Araújo, como se sabe, assinou o pedido encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça, e acolhido pelo ministro Francisco Falcão, para a Operação Para Bellum, que a Polícia Federal deflagrou em Belém e São Paulo, em 10 de junho, no âmbito das investigações sobre a compra de 152 respiradores imprestáveis pelo governo do Pará.
Neste domingo (28), o jornal O Globo traz a nota ao lado, publicada na coluna de Lauro Jardim, que revela uma suposta proximidade - e que proximidade - de Lindôra Araújo com Flávio Bolsonaro, o senador Zero Um enrolado até o último fio de cabelo no caso da rachadinha, cujo capítulo mais recente foi a prisão em Atibaia, no interior de São Paulo, de Fabrício Queiroz, o arquivo vivo de todo o escândalo.
Jardim é um dos jornalistas de maior credibilidade do País. Ele ostenta o feito, por exemplo, de ter dado o furo nacional sobre a conversa do Tem que manter isso daí, viu? entre Michel Temer e Joesley Batista, no recesso do Palácio do Jaburu, em maio de 2017.
Se a proximidade da subprocuradora com Flávio Bolsonaro está sendo revelada agora, supõe-se que o seja por fonte segura. Mas não será demais supor que a informação deve ter origem em fontes da Lava Jato com os ânimos em brasa - ou em fogo alto - e ávidas para demonstrar que o procurador-geral Augusto Aras e os que lhe são mais próximos, como Lindôra, estariam de certa forma minando a independência do MPF em decorrência de supostas interferências do governo Bolsonaro.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Subprocuradora que investiga o caso da compra de respiradores no Pará está no olho do furacão e causa debandada na Lava Jato

Lindôra Araújo: acusada de copiar dados sigilosos sem justificativa

A subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, a mesma que assinou o pedido de investigações para a compra de respiradores pelo governo do Pará e resultou na Operação Para Bellum, está no olho de um furacão.

Há pouco, o site O Antagonista informou, com exclusividade, que o grupo da Lava Jato na PGR acabou de pedir demissão coletiva por discordar da gestão de Augusto Aras.

“A gota d’água foi a manobra de sua auxiliar, Lindôra Araújo, que copiou bancos de dados sigilosos das investigações da Lava Jato, informalmente e sem apresentar documentos ou justificativa”, informa o site.

“Ele atua como advogado, não como procurador”, diz um dos integrantes do grupo. Segundo ele, Aras vem atuando para desmoralizar a Lava Jato e enterrar investigações.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Coleção de Beltrame, apreendida pela PF, inclui obras de Iberê Camargo, Burle Marx, Di Cavalcanti e Siron Franco

Parte do acervo de Alberto Beltrame, apreendido hoje de manhã (foto da Polícia Federal)

As obras apreendidas na manhã desta terça-feira (23), em imóvel pertencente ao secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, incluem-se quadros de Vicente do Rego Monteiro, Iberê Camargo, Burle Marx, Di Cavalcanti, Djanira, Siron Franco, dentre outros, além de pinturas e esculturas de arte sacra e decorativa que compõem conjunto significativo que ilustra as artes plásticas do Século XX no Brasil.

As informações foram atualizadas no início da noite de hoje, pela Polícia Federal, que mobilizou 25 policiais na Operação Matinta Pereira, em Porto Alegre e Xangrilá, ambas as cidades no Rio Grande do Sul. A operação é a segunda fase da Para Bellum, deflagrada em Belém e São Paulo, no dia 10 de junho, para investigar indícios de irregularidades na aquisição de respiradores imprestáveis pelo governo do Pará. As diligências também foram ordenadas pelo ministro do STJ Francisco Falcão, o mesmo que autorizou a operação realizada em Belém e São Paulo.

“Nesta fase preliminar, ainda não se pode atestar a autenticidade das obras. Contudo, está sendo feito contato com instituições de arte (museus) que possam custodiar e avaliar tal acervo, bem como fazer a manutenção e conservação das peças artísticas”, informou a Polícia Federal.

Beltrame se manifesta – Em nota distribuída à Imprensa, o secretário de Saúde, Alberto Beltrame disse o seguinte:

Esclareço que as obras de arte que estão no meu apto em Porto Alegre são fruto de 35 anos de trabalho.

Todas elas foram adquiridas antes de minha gestão como Secretário de Saúde no Pará.

Algumas obras são cópias e as que têm valor foram declaradas no meu imposto de renda.

Foram pagas com transferências bancárias e tenho suas notas fiscais.

Todo o meu patrimônio é absolutamente compatível com a renda que auferi com meu trabalho ao longo deste tempo.

Por fim, informo que os valores pagos pelos respiradores no estado do Pará foram integralmente devolvidos aos cofres do estado.

Alberto Beltrame

PF deflagra a 2ª fase da Para Bellum e apreende dezenas de obras de arte no Rio Grande do Sul



Operação Matinta Perera, realizada em Porto Alegre e Xangrilá, ambas no Rio Grande do Sul.
As obras de arte foram apreendidas em imóveis de um dos investigados na Para Bellum ou
de alguém ligado a esse investigado (as fotos foram distribuídas pela Polícia Federal).

Matéria atualizada às 18h15

A Polícia Federal apreendeu, na manhã desta terça-feira (23), em Porto Alegre e Xangrilá, ambas no Rio Grande do Sul, dezenas de obras de arte na residência de um dos investigados na Operação Para Bellum, deflagrada em Belém e São Paulo, no dia 10 de junho, para investigar supostas irregularidades na compra de 152 respiradores pelo governo do Pará.

“Esta segunda fase tem por objetivo colher mais elementos sobre a participação de um dos investigados dentro dos fatos sob apuração, bem como verificar se há compatibilidade entre seu patrimônio e rendimentos”, informou a PF.

As diligências, que a Polícia Federal denominou de Matinta Perera, são a segunda fase da Para Bellum e também foram ordenadas pelo ministro do STJ Francisco Falcão, o mesmo que autorizou a operação realizada em Belém e São Paulo. Participaram 25 policiais.

A Polícia Federal informou que as obras devem ser apreendidas e deixadas com fiel depositário até o final da avaliação. A PF não informou o tipo de imóvel em que o material foi apreendido (se um apartamento ou uma casa), mas garantiu que o imóvel é de pessoa investigada na Para Bellum ou de alguém ligado a essa pessoa investigada.

O site O Antagonista informou que o alvo da Matinta Perera foi o apartamento, em Porto Alegre, do secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame. O imóvel, segundo o site, é um triplex repleto de obras de arte (telas, esculturas barrocas, vasos, além de relógios e joias). A Polícia Federal precisou chamar um museólogo para avaliá-las e catalogá-las.

Durante a Para Bellum, em Belém, a FP apreendeu cerca de R$ 750 mil num cooler que estava na casa de Peter Cassol Silveira, então secretário-adjunto de Gestão Administrativo da Sespa. Em sua página no Facebook, ele se intitular de “Paraúcho do Coração”. Cassol foi exonerado pelo governador Helder Barbalho no mesmo dia da operação.

Beltrame se manifesta – Em nota distribuída à Imprensa, o secretário de Saúde disse o seguinte:

Esclareço que as obras de arte que estão no meu apto em Porto Alegre são fruto de 35 anos de trabalho.

Todas elas foram adquiridas antes de minha gestão como Secretário de Saúde no Pará.

Algumas obras são cópias e as que têm valor foram declaradas no meu imposto de renda.

Foram pagas com transferências bancárias e tenho suas notas fiscais.

Todo o meu patrimônio é absolutamente compatível com a renda que auferi com meu trabalho ao longo deste tempo.

Por fim, informo que os valores pagos pelos respiradores no estado do Pará foram integralmente devolvidos aos cofres do estado.

Alberto Beltrame

domingo, 14 de junho de 2020

Nota do governo do estado omite esclarecimentos sobre os principais vícios que a Para Bellum revelou sobre a compra de respiradores

O governo do Pará fez publicar na primeira página dos dois jornais de Belém – o
Diário do Pará e O LIBERAL – uma nota de esclarecimento sobre a compra de 152 respiradores imprestáveis, consumada sob a suspeita de vícios tão graves que acabou resultando na deflagração, na última quarta-feira (10), da Operação Para Bellum, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, a pedido da Procuradoria Geral da República.

A nota não traz sequer uma informação a mais, além daquelas que o governo do estado já vinha apresentando antes mesmo da Para Bellum e que foram reforçadas exaustivamente depois da operação da PF.

Em sua maratona para enfatizar sua versõe, o governo do estado contou com a voz de ninguém do que a do próprio governador Helder Barbalho, que no mesmo dia da Para Bellum, no final da tarde, deu uma entrevista coletiva on-line de 44 minutos, que pode ser vista no perfil do governo do Pará no Instagram.

Posteriormente a isso, no entanto, o governador, tendo-lhe sido oferecido um precioso espaço – e gratuito, vale dizer, ao contrário da nota paga que foi publicada nos jornais – para esclarecer dúvidas essenciais, desistiu em cima da hora da entrevista que prometera dar à CNN, por isso merecendo uma dura reação da emissora.

Mas já que a nota foi publicada, o Espaço Aberto conversou na manhã deste domingo (14) com advogados que atuam com assiduidade sobretudo no âmbito do Direito Administrativo. Eles foram contundentes em afirmar que a nota do governo do estado mais desesclarece do que propriamente esclarece, porque contorna, evade-se da abordagem de pontos essenciais sobre a operação de compra dos respiradores.

“Em trinta anos advogando na área pública, não tenho conhecimento de uma ação tão desastrada. Regras mais elementares do processo licitatório foram suplantadas”, disse um dos advogados ouvidos pelo blog.

"Sou advogado administrativista, além de consultor ambiental e depois de anos de exercício da minha profissão, incluindo meu tempo de servidor do Tribunal de Contas dos Municípios, nunca tinha vista tamanha ilegalidade de uma administrador público estadual", diz ao Espaço Aberto José Carlos Lima, editor do blog Zé Carlos do PV.

Ele ressalta que que a SKN, importadora dos respiradores, não tinha autorização da Anvisa para comercializar equipamentos hospitalares e que o governo Helder Barbalho adquiriu outro produto desta mesma empresa, além do respiradores.

"Mesmo a dispensa de licitação deve obedecer a lei, e a lei diz os passos que devem ser seguidos pela administração pública, para atender o princípio da legalidade, segundo o qual o administrador público só pode fazer o que a lei determina, mesmo a liberdade de agir de forma discricionária deve ser segundo parâmetros legais", acrescenta Zé Carlos.

Os advogados apresentaram ao Espaço Aberto uma espécie de roteiro da tragédia legal que acabou desaguando na Operação Para Bellum.

  • 01. No final de abril, o MP ajuizou ação civil pública contra o auditor geral do Estado Giuseppe Mendes, para que fossem apresentados os documentos das compras relacionadas ao Covid-19.
  • 02. No dia 05 de maio (segundo consta da decisão do próprio ministro do STJ Francisco Falcão, que autorizou a Operação Para Bellum), a Auditoria apresentou todos os documentos exigidos pelo MP.
  • 03. Para o MP ter ajuizado a ação, a relação do governo do Estado com o Órgão Ministerial devia estar bastante arranhada.
  • 04. Será, questionam os advogados, que não teve uma única mente minimamente lúcida que fizesse uma checagem nos documentos? A dispensa dos respiradouros não se sustentava em função da quantidade de vícios. A empresa não poderia, sob hipótese alguma, vender para ente público, eis que é devedora de quase R$ 4 milhões para o fisco carioca. A ausência de certidão vedava a contratação da empresa.
  • 05. Os respiradouros chegaram e, conforme constatou-se de imediato, eram imprestáveis não funcionaram. A própria Sespa acabou, supõe-se que sem querer, disseminando uma fake news, que foi logo apagada, mas deixou seus rastros (imagem abaixo).

 

  • 06. O governo teve mais de trinta dias para montar com mais, digamos, inteligência um processo de dispensa de licitação, observando a mínima coerência entre as fases do certame. Mas nem isso foi feito, como já detectou a PGR na informação prestada ao STJ e acolhida pelo STJ, ao autorizar a Operação Para Bellum. “Emitir a nota fiscal antes mesmo de o processo de dispensa de licitação ter sido iniciado é muita burrice”, complementa um dos advogados ouvidos pelo Espaço Aberto.
  • 07. Para fechar com chave de ouro toda essa tragédia legal, advogados apontam ainda o fato de terem sido encontrados, dentro de um recipiente térmico, R$ 750 mil em poder do ex-secretário-adjunto de Gestão Administrativa da Sespa, Peter Cassol Silveira, e R$ 60 mil na casa de Leonardo Maia Nascimento, assessor de gabinete do governador Helder Barbalho. Como o Espaço Aberto já mostrou, até agora apenas Cassol e outras duas servidores da Sespa foram exonerados, ao contrário de Leonardo e dos secretários Alberto Beltrame, Parsifal Pontes e René Júnior, que continuam firmes em seus postos, apesar de nominalmente investigados no inquérito que ainda segue no STJ.

Basicamente, são esses os pontos que ficaram de fora de todas as explicações apresentadas à sociedade, até agora, pelo governo do estado.

E continuaram de fora da nota de esclarecimento publicada na primeira página dos jornais deste domingo.

Há mais: até agora, ninguém, nem mesmo o MP, questionou concretamente o número de mortes causadas pela a ausência dos respiradouros.

Mas ainda há tempo de aprofundarem-se essas investigações.