sexta-feira, 1 de julho de 2022

O estupro e o estupro de uma mulher. Com "jornalismo" pelo meio.

Há quase dez dias que viraliza nas redes sociais, em dimensões tsunâmicas, a revelação da história da atriz Klara Castanho, que foi estuprada, decidiu levar a gravidez até o fim e depois entregou o bebê legalmente para adoção.

Às vezes, ou melhor, muitas vezes quase não chego a acreditar no que leio, tantos são os horrores expelidos por selvagens de todos os matizes, que não têm o menor pudor, o menor escrúpulo de usar um drama pessoal para externar seus recalques e, ora vejam só, suas propensões políticas e ideológicas.

Nestes quase dez diz de escabrosidades brotando nas discussões sobre um drama pessoal dos mais pesados, chega-se facilmente à conclusão de Klara Castanho fo vítima de dois estupros.

O primeiro, literal, produziu-lhe uma gravidez indesejada.

O segundo estupro foi gestado por um tipo de jornalismo dos mais despudorados, porque invasivo, sensacionalista, irresponsável, cruel, criminoso e ignorante, por não saber distinguir os limites - às vezes tênues, é verdade - entre o privado e o público.

O estupro praticado pelo mau jornalismo começou com uma enfermeira que vazou, criminosamente, a história da atriz para um jornalista, no caso Leo Dias - atualmente no site Metrópoles -, que se encarregou abordar o caso em entrevista a um programa de TV, mesmo sem mencionar o estupro e sem citar o nome da atriz.

Depois disso, também entra na história, criminosamente, a apresentadora Antônia Fontenelle, fazendo acusações tenebrosas a uma mulher que, já estuprada pela primeira vez, agora era julgada da maneira mais cruel por vozes que se julgam acima do bem e do mal.

Nas redes sociais, ainda proliferam os horrores.

E os nossos heróis que dizem fazer jornalismo?

Um pediu desculpas.

A outra pôs a culpa no primeiro, que lhe contou a história.

Isso é brincar de fazer jornalismo.

E quando se brinca de jornalismo, o jornalismo pode estuprar você.

Como estuprou Klara Castanho.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Na Benjamin e imediações, é hora de pedir "puliça". Mas só temos galos "grunhindo" de ódio no coração.

Pedro Maluco, uma excelência num governo de malucos



Pedro é maluco.
Por ser maluco, sempre foi conhecido como Pedro Maluco.
Assim o conhecem amplamente no mercado financeiro.
Na Caixa de Bolsonaro, no entanto, Pedro Maluco era incensado como uma excelência na gestão de negócios.
Eis, então, que Pedro Maluco virou o respeitado Pedro Guimarães, o arroz de festa das lives amalucadas de Bolsonaro, que o chamava de Pedrão e teve o maluco por mais vezes ao seu lado (veja na imagem ao lado).
Pedro Maluco, o maluco, não tem uma trajetória apenas ligada a negócios, finanças e gestão.
Assédios - sexuais e morais - também já fazem parte do seu currículo.
Em 2004, quando trabalhava no Santander, teria tentado beijar à força uma funcionária. Depois, foi demitido não por esse motivo, mas por déficit de desempenho, digamos assim.
Ao chegar à Caixa, foi uma espécie de disseminador das mais odiosas bolsonarices (que você pode entender como condutas bizarras e típicas de fascistas, machistas e misóginos).
Seu legado inclui, por exemplo, ter proibido empregados da Caixa de vestirem vermelho, porque isso faria alusão ao PT.
Depois, descobriram que, durante um evento, Maluco obrigou gerentes a fazerem flexões, talvez uma homenagem a Bolsonaro (vejam na imagem acima).
Em áudios que o site Metrópolis revelou nesta quinta-feira (30), Maluco desfia palavrões de A até Z para distribuir assédios no atacado e no varejo, de forma petulante e fascista, exatamente no estilo Bolsonaro.
Agora, Maluco está fora da presidência da Caixa, depois que mulheres - mais de sete, até agora - denunciaram formalmente ter sido assediadas moralmente e sexualmente por ele.
A Caixa, que opera com um corpo de trabalhadores dos mais qualificados, não merecia, aliás, nunca mereceu ter sua imagem tisnada de forma tão degradante por gente como Pedro Maluco.
E as mulheres que atuam na Caixa, muito menos elas, jamais mereceram virar objeto de consumo barato para satisfazer os apetites selvagens de Pedro Maluco.
Mas, apesar de tudo, viva elas, que não se intimidaram e foram para a frente da sede da Caixa, em Brasília, protestar contra gente como Pedro Maluco (imagem do alto).
E Bolsonaro?
Até agora, nem um pio, nem um ai para externar solidariedade às mulheres agredidas por Pedro Maluco.
Mas, ainda que externasse algum sentimento de desaprovação às condutas de Maluco, ninguém acreditaria na sinceridade de Bolsonaro, né? Ninguém.
Melhor, então, deixar quieto.
Mas quem não está deixando quieto é o Ministério Público - tanto o Federal como o do Trabalho, que já estão investigando Maluco e suas bolsonarices.
Avante, Pátria Amada Brasil!

sexta-feira, 24 de junho de 2022

"Ele acha que vão fazer uma busca e apreensão em casa". Essa pode ter sido a senha para o início do fim de um dos governos mais corruptos da história do Brasil.


Analistas de todos os matizes - inclusive, vale destacar, os antibolsonaristas - têm insistido na tese de que Bolsonaro tem um enorme poder de resiliência.
Traduza-se: acham que, se ele não fosse ele, Bolsonaro já teria derretido há muito tempo, senão mesmo já teria até sofrido um impechment, tal o potencial destrutivo, deletério, devastador, pernicioso e assolador de seu (des)governo, o pior dos últimos 4.500 anos de história do Brasil.
Essa avaliação não é de todo desprovida de fundamento, considerando-se que, muito embora seja o que é - o pior governante do Brasil em 400 milênios -, Bolsonaro ainda consegue manter aquele eleitorado cativo, em torno de 30% de fanáticos que o apoiam incondicionalmente.
Mas toda resiliência tem limites.
E o limite da resiliência do Incorruptível pode ser o escândalo tsunâmico que vai se desenhando, após revelar-se que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, preso na última quarta-feira (22) por suspeita de corrupção no MEC, disse no dia 9 de junho, em conversa com uma filha, que recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro(PL) em que o presidente dizia temer ser atingido pela investigação da Polícia Federal contra Ribeiro.
"A única coisa meio... hoje o presidente me ligou... ele tá com um pressentimento, novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?", disse Ribeiro para a filha. O trecho está em investigação da Polícia Federal.
"Ele quer que você pare de mandar mensagens?", pergunta a filha.
"Não! Não é isso... ele acha que vão fazer uma busca e apreensão... em casa... sabe... é... é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né?", afirmou o ministro.
Isso é um escândalo.
É um crime sem tamanho.
É a prova - indesmentível, insofismável, irretorquível, robusta e sólida - de que o governo corrupto de Bolsonaro sempre interferiu e interfere na Polícia Federal, conforme já acusara, aliás, seu então ministro Sergio Moro, ao desligar-se da Pasta da Justiça.
É urgente, inadiável, inapelável e imprescindível a abertura de uma CPI, se possível mista, para apurar as responsabilidades do presidente da República por violação de sigilo e obstrução da Justiça.
É urgente.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Dona Onete, chamegosa como nunca, entra no clima do "fora, Bolsonaro" em seu show: "Já é automático!" Viva ela!


Foi um arraso, simplesmente um arraso, o show desta quarta (22), no Theatro da Paz, em que Dona Onete teve múltiplos motivos de satisfação.
Foi a primeira vez que ela se apresentou num dos munumentos mais icônicos e representativos da cultura paraense.
No show, ela comemorou seus 83 anos, completados, em verdade, no dia 18 de junho, mas compartilhados, naquele momento, com um Theatro da Paz lotado.
E o momento também foi de premiação, porque a União Brasileira de Computadores homenageou-a especialmente.
E mais: Dona Onete foi tietada não apenas pelos fãs que lotavam o teatro, mas por vários artistas paraenses que foram dividir com ela aquele momento tão especial - como Fafá, Luiz Padral, Felix Robatto, Jaloo e Mestre Damasceno, entre outros.
Foi um show tão perfeito que não faltou, ora vejam só, nem o prazeroso, catártico, revigorante "fora, Bolsonaro", gritado em coro público pela esmagadora maioria dos presentes e complementado por um comentário da dona da festa: "Oi, gente. A gente fica tão empolgado que a gente... Sai assim. Nem se pediu. Saiu. É automático". Vejam um pouco no vídeo acima.
Bolsonaristas houve que ficaram amuados, é claro.
Mas vê-los amuados também é ótimo. Para não dizer que é maravilhoso!
E viva Dona Onete!
Que venham mais 83 anos pra ela.
No mínimo, mais 83.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Não corra não, Bolsonaro. Queremos ver sua cara no fogo! A cara toda!

Bolsonaro e Ribeiro: até março deste ano, risos, risos e risos. Agora, investigações
sobre suspeitas de corrupção num governo, vocês sabem, integrado por incorruptíveis.

No final de março passado, aqui se escreveu, na postagem sob o título Bolsonaro tenta enganar todo mundo. Ele até engana, mas não todo mundo ao mesmo tempo

Milton Ribeiro, nessa história toda, é o subalterno, é o peixe pequeno, é o bagrinho que seguiu a orientação do chefe, dando poderes a pastores para atuarem como lobistas, sendo que um deles, como já amplamente demonstrado, aceitava como agrado nem que fosse, ora vejam só, um quilo de ouro.

Milton Ribeiro, até então, era o ministro da Educação.

Na manhã desta quarta-feira (22), ele foi preso em São Paulo, pela Polícia Federal, suspeito do envolvimento em um esquema para liberação de verbas do MEC. Ribeiro pode ter cometido os crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. A PF ainda faz buscas e apreensões na sede do MEC, em Brasília.

E Bolsonaro, o Incorruptível?

Na época em que estourou o escândalo, disse assim: "O Milton, coisa rara de eu falar aqui. Eu boto minha cara no fogo pelo Milton, minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia com ele", declarou Bolsonaro na ocasião.

Há pouco, tirou o corpo fora: "Ele que responda pelos atos dele", sentenciou.

Não corra não, Bolsonaro.

Queremos ver sua cara no fogo!

A cara toda. Todinha!

terça-feira, 21 de junho de 2022

Dona Onete, nossa diva, não merece isso! E muito menos nós, seus admiradores.

Veja na cercadura: aí se diz que são aceitas várias formas de pagamento.
Sóquinão. Não aceitam nem Pix, nem Pax, nem Pex. Só dinheiro. E olhe lá!

Um show programado para esta quarta-feira (22), no Theatro da Paz, marcará a entrega à cantora e compositora Dona Onete do Troféu Tradições da União Brasileira dos Compositores (UBC).

Fui há pouco garantir meu ingresso - o meu e de mais duas acompanhantes -, porque não poderia perder a oportunidade de ver essa diva da música popular paraense brilhar numa apresentação especial, ao lado de vários outros artistas de renome.

Quando digo fui há pouco, é que tive de me deslocar pessoalmente até a bilheteria do teatro, porque adquirir os bilhetes pela internet está simplesmente proibitivo. Só o valor da taxa de conveniência cobrada pela Ticket Fácil não está fácil. Quem compra uma inteira na plateia precisa desembolsar R$ 37,50 apenas como taxa de conveniência.

Mas ir ao Theatro da Paz, debaixo de um solão, para garantir o direito de ver Dona Onete cantar, é o de menos.

O de mais, o inadmissível é que a bilheteria não aceita, como meio de pagamento, nem cartão de crédito, nem cartão de débito, nem meio quilo de açaí, nem 1 quilo de arroz integral... Enfim, não é aceito nem Pix, que hoje é utilizado por qualquer trabalhador ambulante que a vida ganha honestamente.

E o que aceitam? Para surpresa geral - aceitam dinheiro, meus caros. Dinheiro em espécie. Somente e apenas dinheiro vivo. E olhe lá!

Mas tem um detalhe. O fato de aceitaram apenas dinheiro também é o de menos.

O de mais é que isso não está informado pelo Theatro da Paz. No site, não existe nenhuma informação de que só é aceito dinheiro. Ao contrário, ali está está dito que aceitam várias forma de pagamento (vejam na imagem acima, destacada na cercadura em vermelho)

Quer dizer: você aí, que mora em Icoaraci, vai até o Theatro da Paz para comprar seu ingresso. Chega à bilheteria como 350 cartões, com Pix, com Pax e com Pex, mas é avisado que, se não tiver 500 contos no bolso, em espécie, terá de voltar pra casa de mãos vazias.

Quem é o responsável por esse desrespeito ao consumidor de uma programação cultural que deve ser prestigiada?

É do Theatro da Paz?

É da produção do show?

É de ambos?

De quem é, afinal?

Uma coisa é certa: seja lá de quem for, Dona Onete, nossa diva, não merece isso. E muito menos nós, seus fãs e admiradores, que prezamos tanto seu talento.

Não mesmo!

segunda-feira, 20 de junho de 2022

"Respeito o resultado", proclama lucidamente um direitista derrotado. Bolsonaro diria o mesmo?

Petro e Hernández: respeito, antes e acima de tudo, à alternância democrática no poder

Há direitistas e direitistas.

Há aqueles raivosos, odientos e odiosos, que flertam sempre com o golpismo e estimulam a violência, muito embora arrotem todos os dias que são democratas e amantes das liberdades.

Mas também há os direitistas que, muito embora o sejam, conservam um pingo de lucidez que os estimula a respeitar as rotinas e os princípios democráticos, sem tugir nem mugir.

Vejam o caso da Colômbia.

Lá, num dos pleitos mais polarizados, senão o mais polarizado da história do País, um ex-guerrilheiro, Gustavo Petro, ganhou as eleições e levou a esquerda, pela primeira vez, ao topo do poder no País.

Petro venceu por 700 mil votos de diferença, ou 50,44% dos votos válidos, contra 47,31% de seu adversário, o direitista Rodolfo Hernández, um populista e machista.

Mas o fato de ser direitista, populista e machista não impediu Hernández de observar a elogiável postura de reconhecer a derrota - democraticamente.

“Respeito o resultado. Espero que essa decisão seja a melhor para todos. Desejo que Gustavo Petro saiba dirigir o país e seja fiel ao seu discurso de combate à corrupção”, disse ele.

Hernández não foi como o odioso e odiento Donald Trump, por exemplo, que incentivou a invasão do Capitólio porque alegou que teria havido fraudes na vitória de Joe Biden.

E também não fez como o odioso e odiento Jair Bolsonaro está fazendo desde logo, ao tentar desacreditar o sistema eletrônico de votação, ao mesmo tempo em que açula os fanáticos que o seguem contra a Justiça Eleitoral e o Supremo.

Aliás, a colunista da Folha Mônica Bergamo informa que Bolsonaro encaminhou por mensagem a um grupo restrito reportagem da BBC News Brasil que tinha o título "Ex-guerrilheiro vence eleição na Colômbia e será primeiro presidente de esquerda do país".

Abaixo da foto, Bolsonaro escreveu: "Cuba... Venezuela... Argentina... Chile ... Colômbia... Brasil???", numa referência ao fato de a esquerda, com Lula, ter chance de voltar ao poder no país.

Pois é.

E se Lula ganhar, Bolsonaro terá a lucidez de agir como Hernández agiu?

Sabe-se lá.

Nada indica que sim.

Mas convém acompanharmos os fatos.

Acompanhemos, pois.

domingo, 19 de junho de 2022

Na Colômbia quase em chamas, um esquerdista desconfia de sistema eletrônico de contagem de votos. E um direitista covarde se credencia como consultor de Bolsonaro.

Gustavo Petro e Rodolfo Hernández: tons apocalípticos na reta final da disputa

Na Colômbia, que neste domingo (19) está votando em segundo turno para eleger seu presidente, os humores estão em chamas. Ou quase chegando a isso.

Os eleitores têm que escolher entre um ex-guerrilheiro, Gustavo Petro, que desconfia de um sistema eletrônico de contagem de votos, e um direitista milionário, Rodolfo Hernández, que também é, sem constrangimentos, um covardão machista.

Os discursos, mais do que polarizados, assumiram um tom apocalíptico.

A esquerda avisa que, se Petro não vencer, o país imergirá numa convulsão social.

A direita alerta que, vencendo os esquerdistas, a Colômbia se tornará uma nova Venezuela.

Em cinco pesquisas divulgadas nos últimos dias, três apontam a vitória apertada de Hernández e duas, a do ex-guerrilheiro, também por margem apertadíssima.

Tudo será decidido no voto, diriam os otimistas.

Sóquinão!

Gustavo Petro já declarou o seguinte: "Tenho muita apreensão, desconfiança sobre o software que se usa para a contagem dos votos... Eles querem que eu diga que vou aceitar [o resultado]. Não, eu vou observar."

Não é à toa a desconfiança do candidato. Nas eleições legislativas de março, a Colômbia teve 15 mil mesários investigados por fraude, num pleito em que o campo progressista cresceu e a direita encolheu. Das 110 mil urnas utilizadas para colher votos em todo o país, em 35 mil não havia um voto sequer atribuído a candidatos do campo progressista.

Quanto a Hernández, ele defende, conforme já disse, que "o ideal seria que as mulheres se dedicassem à criação dos filhos em casa". Também acha que "as pessoas não gostam de mulheres metidas no governo".

Na reta final de campanha, esse campeão da covardia fugiu covardemente de debates, mesmo que Gustavo Petro tenha aceitado praticamente todas as condições de Hernández, inclusive a de escolher, ele próprio, os mediadores dos debates, pinçados dos veículos de comunicação alinhados com os direitistas.

Ganhando ou não o pleito de hoje, Hernández já poderá se credenciar como consultor de Bolsonaro, um fujão em potencial, conforme se prenuncia.

Nesse clima, aguardemos que as eleições colombianas tenham um desfecho, digamos assim, democrático.

A conjuntura não nos oferece muita certeza de que tal aconteça.

Mas torçamos, mesmo assim, para que isso aconteça.

sábado, 18 de junho de 2022

Delegado da PF volta a desafiar bolsonaristas. E, desta vez, também cita dois órgãos do governo do Pará e acusa um deles.


O delegado da PF Alexandre Saraiva, odiado por bolsonaristas de todos os perfis e de todas as terras (sobretudo as planas), continua pisando fundo no acelerador.

Depois de acusar na GloboNews, terça-feira (14), Sua Excelência o senador Zequinha Marinho (PL-PA) - essa figura cândida, representativa dos mais nobres valores que elevam e dignificam a nossa Pátria Amada - de integrar o que classificou de bancada do crime, Saraiva voltou à carga neste sábado (18).

Vejam esses tuítes aí - acima e ao lado.

Dirigindo-se especificamente à deputada bolsonarista Carla Zambelli (que ele também incluiu entre os "financiados" por organizações criminosas), o delegado volta a desafiá-la para que o processe, mas desta vez acrescenta uma informação: a de que vai arrolar como testemunhas todos os "amiguinhos" dela que teriam grilado terras no Pará. Além deles, também deverá arrolar "o pessoal da Sema/PA e do Iterpa (que faz contrato de permuta sem assinatura do dono do imóvel)".

O Iterpa, sabemos, é o Instituto de Terras do Pará. E a "Sema" a que se refere Saraiva deve ser, em verdade, a Semas (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade).

O delegado não adiciona maiores detalhes sobre os tais contratos de "permuta sem assinatura do dono do imóvel". Mas isso tudo, espera-se, será mostrado no âmbito das ações contra Saraiva, que Zambelli, Marinho e outros que sentiram atingidos pelo delegado prometem ajuizar.

Mas vão mesmo ajuizar?

Ajuíza, Zambelli, ajuíza!

Ajuíza, Zequinha, ajuíza!

Queremos conhecer tudo o que o delegado diz ter para mostrar.

Absolutamente tudo.

"Eu te dou um tiro, filho da p..." Mas faltou o tiro. Porque, felizmente, não tinha arma.


Como faço todos os sábados, hoje eu estava na corrida das madrugadas.
Por volta das 15 para as 6, corria na Avenida Nazaré, bem ao lado da Basílica, entre 14 de Março e Generalíssimo, onde deparei-me com dois homens numa discussão.
Ambos ao berros - mas aos berros mesmo, desses de acordar quarteirão, que àquela altura ainda dormia.
Um dos caras dirigia um táxi. O outro estava numa bicicleta.
A briga, presumo, era porque o ciclista quase teria sido atropelado pelo táxi.
Não sei quem tinha razão. E nem fiz questão de saber. Porque isso é o que menos importa.
Importam mesmo o estilo e o desfecho da edificante contenda verbal.
Eu, que já sei palavrões de A até Z, aprendi mais uns 50, em apenas 15 segundos, tempo em que presenciei a discussão, já que passava bem perto dos dois homens.
- Tu é que avançaste, filho da p... - berrava o ciclista.
- Vai te f..., cara... - respondia o taxista.
- A tua mãe, filho da p... Eu te dou é um tiro - avisou o da bicicleta.
O do táxi, ouvindo isso, acelerou e foi embora.
Não houve tiro. E por que não?
Pelo motivo óbvio de que o homem disposto a atirar em meio a uma discussão boba não dispunha de uma arma na ocasião.
Mesmo correndo, e procurando me afastar daquela briga, fiquei pensando que a arma, para os nossos fanáticos da Pátria Amada, é sinal de liberdade, libertação, de garantia da própria segurança.
Quem prega essa tese libertadora é o Herói que já foi assaltado. Mesmo estando armado.
Por conta disso, o jornal O Globo de sexta-feira (17) mostrou, em reportagem de página inteira (vejam acima), que desde setembro do ano passado até agora nada menos de 270 mil armas de fogo foram adquiridas por brasileiros. De acordo com levantamento do Instituto Sou da Paz, são quase 30 mil novas peças compradas diariamente por civis, no período mencionado.
Isso é resultado dos decretos do governo Bolsonaro que facilitam o porte e a posse de armas pela população civil. Decretos, ressalte-se, contestados no Supremo em 12 ações - isso mesmo, 12 - até aqui mofando nas gavetas luzidias do gabinete de Sua Excelencia o ministro Nunes Marques.
Se o ciclista da briga a que eu assisti tivesse uma arma, teria atirado no taxista que passava bem ao lado dele e praticamente ao meu lado.
E poderia tê-lo matado não porque estava sob ameaça, mas simplesmente porque sua raiva saiu do controle.
Eis uma situação emblemática de que uma arma é, para muitos, um salvo-conduto para extravasarem violências reprimidas e matarem desnecessariamente, mesmo que não estejam sob ameaça alguma.
Fanáticos são capazes de se convencer disso?
Claro que não.
É por isso que o Brasil está como está: refém do fanatismo e da imbecilidade travestida de heroísmo.
Ou de heroísimo travestido de imbecilidade.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Cocô e xixi são aspergidos por drone sobre petistas. É a campanha, estúpidos!

Lula e Kalil no mesmo palanque, em Minas: um pouco antes, um drone perfumou os ares

Anotem, vão começando a anotar aí, com muita calma, essas pequenas ocorrências.

Na última quarta-feira (15), em Uberlândia, Lula e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil subiram no mesmo palco - ou palanque, se quiserem - para celebrar oficialmente a formação de uma aliança para as eleições, em que o mineiro concorrerá ao governo do estado.

Aí, um pouco antes de o evento começar, eis que um drone de pulverização agrícola foi avistado borrifando urina e fezes sobre os presentes.

A Polícia apreendeu o equipamento, que não tinha autorização para operar, e três homens foram detidos.

Um deles, singelamente, disse que a substância aspergida era para atrair moscas (atrair, vejam bem, e não dispersar).

O que terá sido isso? É a pré-campanha?

Não. É a campanha mesmo, que já começou ser ter começado.

Se quiserem, podem parodiar James Carville, o estrategista da campanha eleitoral de Bill Clinton, em 1992: é a campanha, estúpidos!

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Bruno e André, dois brasileiros mortos em guerras diferentes

GLAUCO ALEXANDER LIMA
Jornalista, publicitário e caboclo da Amazônia

Recentemente o noticiário do Brasil está ocupado pelas informações sobre as mortes de dois brasileiros abatidos em guerras. O brasileiro André Hack Bahi e o brasileiro Bruno Araújo Pereira. André se ofereceu para lutar no exército Ucraniano contra a Rússia. Bruno Pereira lutava pelo Brasil contra um Brasil que não tolera o Brasil.
As motivações de André não são muito conhecidas. Talvez, na sua leitura de mundo, André se achasse um defensor dos mais fracos, um lutador contra injustiças e abusos. Bruno era uns dos maiores especialistas em povos indígenas que vivem em isolamento ou de recente contato com a chamada civilização. Bruno era do nordeste brasileiro, mas se apaixonou por tudo  que a Amazônia tem de mágico e decidiu defender com as armas do amor as nações que são as verdadeiras donas do território brasileiro e indispensáveis para a sobrevivência humana na Terra. Bruno lutava cantando pela vida dos humanos, todos humanos, inclusive os que querem o extermínio dos povos indígenas.
Pelo pouco que se sabe de André, era um homem fascinado pela guerra em si. A guerra pela guerra. André era ex-militar, chegou a se alistar para atuar na Legião Estrangeira Francesa. Bruno se alistou na Funai, a Fundação Nacional do Índio, o órgão indigenista oficial do Brasil, cuja missão é a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas.
A ação da Funai tinha que ser orientada por princípios que asseguram as tradições indígenas, contribuindo, portanto, para o respeito à diversidade e consolidando o sistema constitucional, que reconhece o Estado brasileiro como pluriétnico.
Bruno fez dessa missão um propósito de vida. Uma decisão que o fez perder a vida e entrar para uma lista de assassinados pelo crime de amar a humanidade. André gostava e mostrar fotos com armas pesadas, trajes bélicos. A legião de André é formada por pessoas que topam ir para qualquer conflito no mundo, independente das causas e motivações. É o gostar da guerra pela guerra.
A história de André lembra um trecho daquela famosa canção: “... há soldados armados, amados ou não, quase todos perdidos de armas na mão, nos quarteis lhes ensinam, antigas lições, de morrer pela pátria e viver sem razão...”.
André está morto. A família e os amigos de André choram. É preciso respeitar a morte de André, mesmo sem entender direito o que leva uma pessoa a se oferecer para morrer numa guerra que tem conexões muitos distantes ou até inexistentes com o voluntário.
A família de Bruno chora, os amigos e colegas de Bruno choram, os índios choram, os povos da floresta choram, o mundo humano que entende a missão de Bruno chora, todos se desesperam. Há no Brasil de hoje um líder nacional que, com suas falas, atos, sinais, omissões  e gestos truculentos, estimula um clima que empodera os que sentem vontade de bater em mulher, em derrubar ilegalmente árvores, que querem fazer garimpo nocivo e ilegal, que querem fazer pesca predatória, que acham indígena um estorvo, que  atacam gays, xingam gente preta, cultuam revolveres e fuzis, que querem espalhar mentiras sobre vacina, sobre a ciência. Bruno morreu na guerra.
A guerra de Bruno é nossa, uma guerra brasileira, sul-americana. Nossa legião é pequena diante dos interesses gigantes e mercenários que mataram Bruno. A gente espera que André descanse em paz. Nós que entendemos a tarefa de Bruno não podemos descansar.

Dom Phillips não era e nunca foi malvisto. Malvisto, ele sim, é Jair Bolsonaro.


Justiça.

Isso é o mínimo que se quer, é o mínimo que se pede após a confirmação de que o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Philips foram assassinados - brutalmente, selvagemente cruelmente, barbaramente - na região do Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas.

Eles foram mortos e esquartejados, conforme confessou um dos dois homens que estão presos. Tanto é assim que a PF informou que "remanescentes de corpos" foram encontrados e já estão em Brasília, onde serão periciados.

Essa barbárie é o retrato do Brasil.

Como também é o retrato da Amazônia - vilipendiada, agredida, saqueada e devastada em escala crescente há décadas, mas, sobretudo, nos últimos quatro anos, com o desmonte criminoso dos órgãos de fiscalização, entre eles o Ibama.

Que horror!

Mas tão horrível quanto essas mortes é assistirmos a outras mortes. Como a morte da empatia, da tolerância, da sensatez e do mais remoto resquício de humanidade.

Essas outras mortes estão aí, na vitrine do ódio destilado em dimensões tsunâmicas nas redes sociais, inundadas por milhares de assassinos de reputações, que não hesitam, por um segundo sequer, de escabujar seus recalques e a insanidade que os domina, a ponto - vejam só! - de culparem as próprias vítimas por terem sido assassinadas.

Tão escabroso e inaceitável como são essas mortes é o país, ou melhor, o mundo assistir a um elemento como Jair Bolsonaro dizer que Dom Phillips era um jornalista "malvisto" na região, porque fazia "muita matéria contra garimpeiro".

Esperem aí: malvisto, isso sim, é Jair Bolsonaro.

Malvisto é o governo Bolsonaro.

Malvisto é o saque que o governo Bolsonaro acabou por estimular na Amazônia, quando desmontou criminosamente os órgãos de fiscalização e escancarou-a a hordas de predadores.

Malvista é a política escancarada do governo Bolsonaro, favorável a devassar áreas indígenas a garimpeiros predadores e, no caso do Vale do Javari, também a pescadores que exerciam suas atividades ilegalmente em reservas indígenas, como é o caso dos dois assassinos confessos do indigenista e do jornalista.

Malvisto é um desgoverno que está relegando o Brasil à condição de pária no concerto das Nações.

Malvisto é um cidadão sem qualquer empatia como Bolsonaro, que filtra suas simpatias conforme pendores ideológicos alimentados por preconceitos odiosos.

Servidores públicos como Bruno Pereira e jornalistas como Dom Phillips engrandecem o Brasil.

Personagens como Jair Bolsonaro o degradam.

Dom e Bruno serão outros mártires à toa?


ISMAEL MORAES
Advogado socioambiental

Conheci o jornalista Dom Phillips em 2018, quando procurou entrevistar-me acerca da história de contaminações e de mais um despejo de efluentes industriais que a Hydro Alunorte fez sobre comunidades de Barcarena, fato acerca do qual o presidente mundial da multinacional norueguesa Norsk Hydro, proprietária daquela indústria, pediu desculpas, assumindo a autoria, após a Cainquiama, associação popular de Barcarena, acusa-la incansavelmente, ao liderar as manifestações que chegaram ao conhecimento do mundo.
Além do painel contextual da poluição em Barcarena, Dom queria saber mais detalhes acerca do assassinato do diretor da Cainquiama Paulo Nascimento, um dos mais atuantes nas manifestações de rua em Barcarena. Paulo hoje é um mártir esquecido. Paulo foi assassinado, tudo indica, a mando de pessoa ligada a uma das dezenas de pequenas empresas terceirizadas que prestam serviços para a Hydro Alunorte, e que ficaram em risco de fechar com a paralisação das atividades industriais.

"Devemos mostrar aos nossos filhos os propósitos pelos quais Dom e Bruno deram a vida, e fazer com que não sejam mártires à toa"


Em agosto do ano passado, Dom veio ao Pará (Belém e Barcarena) e, mais uma vez, falamos sobre as agressões à Amazônia. Escrevia um livro em que pretendia denunciar o que apurava ao mundo.
Dom, um britânico, não poderia supor que, quatro anos após, seria mais um mártir amazônico, assassinado também por alguém da ponta dos tentáculos dos centros de poder e da intrincada teia de interesses sobre o subsolo amazônico, que levou à política de desmonte da fiscalização ambiental e de proteção aos índios. Os irmãos que assassinaram ele e Bruno também servem a “terceirizados” ligados às estruturas do próprio governo, a narcotraficantes, a diversos interesses na ocupação da superfície e na exploração do subsolo de reservas. 
Dom morreu pelo que queria: chamar a atenção do mundo para a destruição da Amazônia. Bruno morreu pelo que queria: chamar a atenção do mundo para o genocídio dos indígenas.
Mas que Dom e Bruno não sejam apenas mártires instantâneos, assim como Paulo Nascimento foi em 2018. 
Devemos discernir sobre isso e mostrar aos nossos filhos os propósitos pelos quais deram a vida, e fazer com que não sejam mártires à toa.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Uma tragédia desenhada com as tintas do desgoverno e da crueldade, ambição e omissão

O desaparecimento, até aqui completando 11 dias, do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na região do Vale do Javari, no extremo-oeste do Amazonas, é uma tragédia que, a cada dia que passa e os dois não são encontrados, vai sendo desenhada com as tintas da crueldade, da ambição e da omissão criminosa do estado brasileiro.

A crueldade é operada pelos protagonistas da devastação da Amazônia - invasores de terras indígenas, madeireiros, garimpeiros e, no caso específico do Vale do Javari, de pescadores -, todos decididos a usar uma arma qualquer (mas arma letal, não se enganem) para tirar a vida de quem ouse antepor-se à sanha predatória que os domina.

A ambição - desmedida, desenfreada, incontrolável - é alimentada por esses mesmos personagens nefastos.

A omissão estatal se configura há décadas, mas nunca foi tão descarada, escandalosa, escancarada, criminosa e, por último mas não menos importante, planejada como a omissão que se inaugurou em 1º de janeiro de 2019, quando o desgoverno (também ele predatório e devastador) de Jair Bolsonaro passou a destruir o Brasil.

Os traços dessa tragédia vão ficando mais nítidos, terrivelmente nítidos, a cada dia que passa.

Primeiro, encontraram objetos que, conforme já se constatou, pertenciam ao jornalista e ao indigenista.

Depois, marcas de sangue em local por onde eles possivelmente passaram.

Em seguida, a informação de ninguém menos que a esposa de Dom Phillips, dando conta de que os corpos de ambos teriam sido encontrados. A Polícia Federal já desmentiu essa informação - e tomara que seja mesmo mentira. Mas é difícil acreditar que familiar de um dos desparecidos incorreria numa iresponsabilidade tamanha, se não tivesse absoluta certeza na credibilidade da informação que recebeu.

Agora, revela-se que num áudio, provavelmente gravado no mês de maio, Bruno Perereira cita uma reunião que ocorreria em 3 de junho na Comunidade São Rafael, local onde ele e o jornalista britânico estiveram no dia em que desapareceram. O encontro tinha o objetivo de barrar o avanço da pesca ilegal de pirarucu na terra indígena.

"A gente está preparando uma reunião, uma articulação para a Câmara de Vereadores e a Prefeitura [de Atalaia do Norte] na Comunidade São Rafael. [...] Os maiores e grandes invasores da terra indígena aí. Eles vão perder o manejo do pirarucu que demorou dez anos para eles tirarem", disse Bruno, no áudio.

De acordo com o indigenista, os pescadores que atuam ilegalmente atiraram contra equipes de fiscalização. "São esses caras que estão atirando na equipe, esses caras que atiraram na base. Não só do São Rafael, [do] São Gabriel, os carinhas de Benjamin [Constant] e outros de Atalaia [do Norte]".

Continuamos torcendo para que Dom Phillips e Bruno Pereira sejam encontrados com vida.

Mas, ainda que sejam, eles já terão entrado no rol das ocorrências que revelam, nua e cruamente, o abandono a que a Amazônia - sua diversidade, seus povos e suas gentes - está relegada principalmente nos últimos quatros anos, por um (des)governo que usa o discurso hipócrita e patriótico de que "a Amazônia é nossa", ao mesmo tempo em que deixa passar a boiada e vai escancarando a região para os criminosos que agem à vontade - individualmente ou em bandos organizados.

Câmara de Belém apoia paridade na formação da lista sêxtupla da OAB para o quinto constitucional


A Câmara Municipal de Belém aprovou, na sessão de terça-feira (14), moção de apoio ao movimento nacional pela paridade no quinto constitucional no âmbito da OAB, ou seja, que as listas sêxtuplas para o desembargo sejam compostas, paritariamente, por três homens e três mulheres.

A moção de apoio, proposta pela vereadora Bia Caminha, inclui ainda um pedido para que a OAB-PA deflagre o processo de escolha da lista sêxtupla, até aqui travada porque, transcorridos mais de seis meses da aposentadora do desembargador Milton Nobre, o edital contendo as regras da escolha ainda não foi publicado. Essa omissão já resultou em representação protocolada por dois advogados no Conselho Federal da OAB, para que assuma o processo à revelia do Conselho Seccional.

Desigualdades - Em sua proposição, a vereadora justifica que, "historicamente, as listas sêxtuplas para as vagas do quinto constitucional revelam desigualdades nas proporções de gênero, com um baixo percentual de mulheres indicadas e a ausência da diversidade racial, com baixo percentual de pessoas negras indicadas."

Caminha cita ainda dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, mostrando que 56% da população brasileira se autodeclaram negra, mas, na magistratura, a participação de negros e negras é apenas de 18,1% de todos os cargos. E desse total, somente 6% são mulheres.

"Somos maioria da população, mas não estamos nos espaços de deliberação e poder. A pesquisa sobre Negros e Negras no Poder Judiciário, elaborada pelo Departamento de Pesquisa do CNJ escancara a projeção alarmante de que no cenário atual levaria mais de 30 anos para que negros consigam ocupar 20% dos cargos no judiciario brasileiro", acrescenta a vereadora.

Requerimento - No final de abril, a advogada Kelly Garcia, que é pré-candidata à vaga aberta no TJPA, protocolou um requerimento pedindo que a OAB-PA adote o critério da paridade na lista sêxtupla a ser imediatamente aplicada à vaga aberta no Tribunal de Justiça do estado do Pará pertencente ao quinto constitucional.

Com a medida, a advogada pretende ver garantida a participação de três mulheres na lista, o que ela considera a "maneira justa e democrática, para que o Judiciário de fato se torne um espaço mais plural e representativo", bem como que as advogadas paraenses sejam, finalmente, contempladas em suas pretensões de concorrer à vaga do quinto constitucional pela OAB do Pará.

Assista, no vídeos acima, à intervenção dos vereadores Allan Pombo e Bia Caminha sobre a moção de apoio à paridade no quinto constitucional.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Grupo Líder tem até 15 dias para adotar medidas que garantam segurança na comercialização de produtos


Liminar concedida pela 5ª Vara da Fazenda Pública e Tutelas Coletivas determina que as lojas do Grupo de Supermercados Líder, situadas em Belém e na Região Metropolitana, adotem várias medidas relacionadas à higenização de produtos que comercializa, além da limpeza de ambientes e equipamentos. Para o caso de descumprimento, foi fixada a pena de multa de R$ 5 mil por dia, limitada a R$ 100 mil para cada item.

De acordo com a decisão, assinada eletronicamente nesta terça-feira (13) pelo juiz Raimundo Rodrigues Santana, em até 10 dias deverão ser adotadas as seguintes medidas: proibição do uso de bancadas, equipamentos, móveis e utensílios de madeira; b) Comercialização somente produtos de origem animal e bebidas (polpa, sucos, água de coco etc.) com registro do Mapa ou Adepará; c) Identificação dos fracionados com seus devidos registros; d) Higienização e organização criteriora das áreas (depósito seco e frio); e) pia exclusiva para higienização das mãos nas áreas de manipulação (todas); f) Manutenção da temperatura de conservação dos produtos perecíveis, separando os congelados dos resfriados; g) A identificação dos produtos e alimentos normatizados pela NBCAL conforme Lei Federal 11.265/2011.

Em 15 dias, o Grupo Líder deverá providenciar: Carteira de saúde ou ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) de todos os colaboradores; Certificado de Controle de Pragas Urbanas e Ordem de Serviço; empresa Licenciada junto à Devisa/Sesma/PMB); PMOC – Plano de Manutenção Operação e Controle, e Análise de Qualidade do Ar + A.R.T.; Certificado de limpeza e higienização do (s) aparelho (s) de ar condicionado (credenciada pela DEVISA); Laudo de Análise físico-química e bacteriológica da água utilizada no local (coleta da torneira local); Certificado de Limpeza e higienização do (s) reservatório(s) de água (empresa com L. F. do Devisa); Manual de Boas Práticas e Fabricação e os POP'S; Certificado de Treinamento para manipulador de alimentos de todos os colaboradores.

A liminar atende a uma ação proposta pelo Ministério Público do Estado do Pará, que se baseou em constatações colhidas por ocasião de um procedimento administrativo que apurou a adequada inspeção dos produtos de origem animal, especificamente nos supermercados do Grupo Líder situados em Belém e Região Metropolitana.

Irregularidades - Uma vistoria conjunta da Vigilância Sanitária com os Técnicos do Centro de Apoio Operacional do Ministério Público do Estado do Pará constatou a comercialização de mexilhão, farinha de peixe, filé de peixe congelado e camarão descascado sem registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e no Serviço de Inspeção Estadual (SIE) da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará).

Contatou ainda que a câmara de estocagem para armazenamento de pescados necessita de limpeza e organização, tendo em vista que as embalagens estavam armazenadas próximo as paredes, condensadores e evaporadores, o que prejudica a condição higiênico-sanitária do alimento.

No dia da vistoria, de acordo com o MPPA, não foi apresentada a Anotação de Responsabilidade Técnica do profissional com o registro no Conselho de Classe, o Manual de Boas Práticas de Fabricação e os Procedimentos Operacionais Padrão (POP), o exame da potabilidade da água e registro de limpeza da caixa d’água e a procedência do gelo, bem como o certificado da realização do controle integrado de pragas e vetores realizado por uma empresa credenciada nos órgãos de vigilância sanitária.

O Ministério Público ressalta que ajuizou a ação porque, mesmo diante das irregularidades constatadas, o Grupo Líder negou-se a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta proposto.

Ação pede que sejam anuladas as eleições realizadas pela OAB-PA em novembro do ano passado


Uma ação protocolada nesta segunda-feira (13), na Justiça Federal, pede a anulação das eleições realizadas em 19 de novembro do ano passado, que apontaram a chapa situacionista OAB Sempre à Frente como vencedora para dirigir a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará de 2022 a 2024.

O autor da ação, autuada sob o número 1021438-68.2022.4.01.3900, é o advogado Sávio Barreto Lacerda Lima, que encabeçou a chapa Vamos Mudar a OAB, de oposição, e perdeu o pleito para o atual presidente, Eduardo Imbiriba, por 4.355 a 4.091 votos. Brenda Braga foi a vice na chapa oposicionista.

Na petição inicial, assinada pelo próprio Barreto, além de Brenda Braga e Leonardo Nascimento Rodrigues, é solicitada a concessão de liminar determinando o indeferimento do registro da chapa ré e a posse da chapa autora (já que não havia outra chapa concorrendo, além das duas). Caso a liminar não seja acolhida, pedem a a anulação das eleições e a realização de novo pleito, a ser conduzido por Comissão Eleitoral nomeada pelo próprio Juízo.

Várias irregularidades - Na ação, o autor junta documentos para sustentar o que considera uma série de irregularidades que teriam ocorrido durante todo o processo eleitoral, fatos que violariam dispositivos legais e regimentais e, portanto, retirariam a legalidade e legitimidade do pleito.

"A prova mais contundente de que as eleições da OAB/PA caminharam sem transparência, de forma irregular e tortuosa veio no dia 30/11/2021, com a publicação da Ata de Proclamação dos Eleitos no Diário Oficial. Isso mesmo, passados quase duas semanas das eleições, o resultado definitivo, que deveria ter sido objeto de nova sessão de apuração em continuidade à sessão do dia 18/11/2021, foi publicado com data retroativa ao dia 18/11/2021, sendo que, repita-se, na referida sessão, a apuração não foi finalizada, fato que pode ser confirmado por mais de 10 testemunhas presentes e que conversaram diretamente com os membros da comissão eleitoral a respeito do assunto", diz um dos trechos da ação.

Relata o autor que a Comissão Eleitoral "foi designada pela própria gestão na época, da OAB/PA, cujos membros, repita-se, estavam concorrendo pela chapa ré. Os integrantes da Comissão Eleitoral são, portanto, pessoas que possuem relação de confiança com os membros da chapa ré". Acrescentam que a chapa situacionista "abusou do 'privilégio' de disputar uma eleição com a Comissão Eleitoral atuando a seu favor, ou seja, de forma parcial", fato que deu ensejo a várias representações eleitorais.

Lista na véspera - O proponente da ação diz ainda que a Comissão Eleitoral, no dia 17 de novembro, véspera do dia da eleição, encaminhou por e-mail para a chapa autora uma nova lista, contendo o telefone e o e-mail de mais 187 advogados aptos a votar. Esses advogados receberem carteira da OAB quando o pleito eleitoral já estava em andamento.

"Obviamente, tendo sido informada somente na véspera das eleições que existiam quase duas centenas de novos eleitores, a chapa autora não teve como fazer nenhum contato com os mesmos, conferindo manifesta vantagem eleitoral para a chapa ré, que teve contato presencial com todos eles na entrega de suas carteiras. Esse número de pessoas é decisivo diante da diferença de apenas 260 votos anunciada no resultado que está em vigor até o momento", destaca a ação.

Às 22h do dia das eleições, conforme relatado pelo autor, algumas das subseccionais do interior "que atrasaram misteriosamente o envio das informações começaram a dar retorno. Nesse momento, os representantes da chapa autora começam a perceber graves irregularidades na documentação."

Entre as irregularidades, foram constatadas o que a ação classifica de "algumas situações suspeitas por serem bastante inusitadas, como por exemplo, o resultado das eleições em Canãa dos Carajás. Nessa Subseção, havia 37 advogados aptos a votar e votaram todos - isso mesmo, todos - os advogados aptos. Justamente em uma Subseção do interior, onde a abstenção tende a ser bem maior que na capital, o comparecimento foi de 100%. Observe-se, agora, o resultado da votação nessa Subseção: 3 votos para a chapa autora, 32 votos para a chapa ré e 2 votos em branco", reforça a inicial.

Conexão - Sávio Barreto pede ainda que seja reconhecida a conexão entre a ação que propuseram e uma outra, que tramita na 5ª Vara, sob o nº 1043649-35.2021.4.01.3900. Nesse feito, a Justiça Federal já determinou à OAB-Pará que apresente vários documentos referentes ao processo eleitoral ocorrido na Subseção de Marabá, em novembro do ano passado, que apontou a vitória do advogado Rodrigo Botelho da Costa para dirigir a Ordem no município. Ele ganhou por 222 votos contra 219 atribuídos a seu adversário, o advogado Ismael Gaia, que então concorria à reeleição.

A determinação teve o objetivo de julgar pedido apresentado em ação ajuizada (Processo 1043649-35.2021.4.01.3900) pelos advogados Ismael Gaia, Haroldo Gaia e Sávio Barreto Lacerda de Lima, para que as eleições na Subseção de Marabá sejam anuladas em decorrência de supostas fraudes.

"Extrema gravidade" - "Percebe-se que são relatos de extrema gravidade e que podem culminar com a alteração do processo eleitoral na própria Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Pará", diz a decisão. A 5ª Vara, no entanto, avaliou que não é razoável, liminarmente, anular o processo eleitoral, determinar a realização de novas eleições ou a totalização de votos, sem que as partes adversas sejam ouvidas e sem a produção de provas.

domingo, 12 de junho de 2022

De volta às ruas após dois anos, Pavulagem arrasta multidão (toda pávula e cantante)


Belém estava toda pávula, na manhã deste domingo.
Tudo era só pavulagem.
Tudo era só Pavulagem.
Após dois anos de hibernação, por causa da pandemia, o Arrastão do Pavulagem voltou às ruas hoje. E voltou triunfalmente.
Não tenho certeza se foi a maior multidão que o grupo já arrastou. Mas, se não foi a maior, seguramente foi das maiores.
Uma multidão compacta tomou conta de toda a extensão da Avenida Presidente Vargas, do Theatro da Paz até o Boulevard, na Praça dos Estivadores.
E milhares de pessoas atalharam pelas ruas do entorno, como Assis de Vasconcelos e 1ª de Março, todas confluindo para o Boulevard.
Foi muito bom, foi muito bacana ver uma das mais vivas e vibrantes expressões da cultura paraense arrastando multidões por onde passa.
Acima algumas imagens do Espaço Aberto registram um pouco, apenas um pouquinho, do que foi a volta do Pavulagem.
E abaixo, algumas fotos.







quarta-feira, 8 de junho de 2022

Moro tinha tudo. E pode ficar sem nada.

Sergio Moro: de herói nacional a quase nada. Mas ainda tem a vaga de síndico de prédio
Vejam como é esse mundo - pantanoso, instável, incerto e indefinido (ou indefinível) - da política.
Como juiz, portanto ainda fora da política, Sergio Moro tornou-se praticamente um semideus. Talvez tenha sido, até agora, o único magistrado na história do Brasil que dava autógrafos em shopppings. Virou, enfim, uma celebridade nacional.
Aí, largou a magistratura para virar ministro de Bolsonaro. Entrou, portanto, no mundo da política (ainda que não na política partidária).
Como ministro, e ainda turbinado pela fama do juiz semideus, primeiro era a referência-mor do governo Bolsonaro em termos de moralidade e da luta contra corrupção.
Mas a Terra (a plana, não se esqueçam) girou, girou e girou.
Moro se queimou, pediu exoneração do cargo e passou a ser visto como traidor por boa parte dos bolsonarista.
Aí, depois de um curso período sabático em que atuou apenas como consultor, entrou na política partidária.
Nessa condição, primeiro queria ser candidato a presidente.
Não conseguiu.
Cogitaram oferecer-lhe o lugar de vice numa chapa qualquer.
Ele recusou.
Recusando, renunciou às pretensões de concorrer à Presidência.
Em seguida, recomendaram-lhe que melhor seria ele concorrer a um mandato de deputado federal.
Moro não quis.
O que quis mesmo foi ser candidato a senador por São Paulo.
Mas teria que transferir o seu domicílio eleitoral, que originalmente era no Paraná.
Mais eis que, agora, o TRE paulista decide que Moro não pode se eleger por São Paulo, porque houve irregularidade na transferência do título.
Resultado dessa epopeia?
Moro, que tinha tudo, pode ficar sem nada.
Pode não concorrer nem a síndico do prédio onde ele mora em Curitiba.
É a política, meus caros.
Se vocês querem fazer rapel, nem precisa ficarem pendurados numa corda.
Basta que vocês entrem na política.

Bolsonaro é esperado mais uma vez em Belém


Bolsonaro, mais uma vez, virá a Belém.

Está sendo esperado no dia 18 de junho, para participar das comemorações do 111º aniversário de fundação da Assembleia de Deus no Pará. Delegações de evangélicos de todo o Brasil também devem participar do evento.

Na manhã do dia 18, será reconstituída a chegada dos fundadores da igreja em Belém, os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, com expectativa de 40 mil pessoas na Escadinha do Cais do Porto.

As comemorações dos 111 anos tiveram início no dia 5 de maio e vão até 20 de junho. A programação inclui casamento comunitário com 511 casais, uma visita ao município de Melgaço, na ilha do Marajó e realizações de ações sociais para a comunidade.

domingo, 5 de junho de 2022

O Brasil começou com Bolsonaro. E Bolsonaro acabou com o Brasil.


Bolsonaro acordou, neste domingo (05), com vontade de trabalhar; ou melhor, de tuitar, coisa que ele faz, compulsivamente, nos dias úteis, aos domingos e nos feriados.
Quanto a trabalhar, vocês sabem, isso é para os fortes. E Bolsonaro, nesse quesito, não tem, como diríamos, muita disposição.
O certo é que, em dia de doce ócio (como em todos os demais), enfileirou esses tuítes que aparecem acima.
Tudo para dizer o que seu (des)governo estaria fazendo para superar o que ele chama de "desafios ambientais", diante de um quadro desolador em que, até 2019, 100 milhões de brasileiros não tinham esgoto tratado e 35 milhões não dispunham de água potável.
Mas o que o (des)governo Bolsonaro tem feito?
Nada, conforme o próprio Incorruptível reconhece.
O que ficamos sabendo, segundo o tuiteiro, é que, desde 2019, seu (des)governo "trabalha em diversas frentes para sanar os problemas ambientais que os centros urbanos geram para a natureza e para os próprios cidadãos".
E aí enfileira planos e mais planos. Se tudo der certo, num período de dois a 10 anos, o Brasil será uma espécie de Suíça melhor que a Suíça.
Ler essa balela toda deixa-nos com a forte impressão de que Bolsonaro refundou o Brasil. Deixa-nos a impressão de que o Brasil começou com Bolsonaro.
Soquinão!
Em verdade, o Brasil terminou com Bolsonaro.
Ou por outra: Bolsonaro acabou com o Brasil.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Associação dos Advogados Evangélicos vai lançar nome para concorrer à vaga do quinto no TJ do Pará

Mário Freitas, presidente da Aaepa: entidade pretende apoiar nome para vaga ao quinto

A Associação dos Advogados Evangélicos do Pará (Aaepa) deverá lançar candidato ao desembargo na vaga do quinto constitucional, aberta desde que o desembargador Milton Nobre se aposentou, em outubro do ano passado.

O presidente da Associação, Mário Freitas, confirmou há pouco, ao Espaço Aberto, que a intenção é "lançar, apoiar e trabalhar" o nome de Almir Favacho, advogado militante que é professor da UFPA e tem especialização em Direito Eleitoral, Direito Processual Civil e Políticas Sociais e Movimentos Sociais.

Favacho também foi membro da Comissão Especial de Estudo do Anteprojeto do Novo Código de Processo Civil da OAB Conselho Federal, ex-presidente da Comissão de Ensino Jurídico da OAB/PA e conselheiro da Ordem nos mandatos: 2001 a 2006; 2007 a 2009 e 2010 a 2013.

Além de Favacho, a advogada Kelly Garcia também já lançou publicamente sua pré-candidatura à lista sêxtupla. A expectativa é de que outros advogados, como César Ramos, Diogo Conduru e Alex Centeno - este último primo do governador Helder Barbalho -, venham a se habilitar para concorrer ao quinto.

No momento, o processo de escolha dos seis nomes ainda nem foi deflagrado, uma vez que a OAB-PA, decorridos mais de seis meses da aposentadoria de Milton Nobre, ainda não divulgou o edital e nem dá demonstrações de que venha a fazê-la em breve.

Par sanar essa omissão, dois advogados, Sávio Barreto e Edilson Santiago, ingressaram com representação junto ao Conselho Federal da OAB, pedindo providências contra o atraso na publicação do edital, uma vez que o Tribunal de Justiça do Estado informou sobre a vacância do cargo em novembro do ano passado, em ofício enviado ao então presidente Alberto Campos.

A representação foi protocolada com amparo no Provimento nº 102/2004, que em seu parágrafo 2º diz o seguinte: "§ 2º Sendo competente para a escolha o Conselho Seccional, se este, por qualquer motivo, não publicar o edital referido até 30 (trinta) dias após a expressa comunicação da abertura da vaga, qualquer dos inscritos na OAB poderá representar ao Conselho Federal, que, por intermédio da sua Diretoria, adotará as providências necessárias para sanar a omissão, podendo assumir a execução do processo seletivo."

quinta-feira, 2 de junho de 2022

O espanto, o horror: o autor de um crime, sancionado por tribunal superior, fica de novo livre para cometer outros crimes

Fernando Francischini: mentiroso uma vez, mentiroso mil vezes. Agora, com
a chancela de um ministro do Supremo Tribunal Federal

É um espanto, para dizer o mínimo, a liminar do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao suspender nesta quinta-feira (2) a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o deputado estadual do Paraná Fernando Francischini, do União Brasil, por ter propagado "fake news" contra o sistema eleitoral.

Em outubro, o TSE decidiu, por 6 votos a 1, cassar o mandato de Francischini por propagação de informações falsas sobre o sistema de votação. Esta foi a primeira vez que o tribunal tomou decisão relacionada a político que fez ataque às urnas eletrônicas.

Há pouco, Francischini, esse mentiroso, exibiu-se na emissora bolsonarista Jovem Pan News para dizer que a liberdade de expressão foi restaurada e que o TSE jamais poderia ter cassado o seu mandato, porque, dizendo ele, não é crime emitir opinião.

Sim. Não é crime emitir opinião.

O crime é divulgar - afrontosamente, ousadamente, escandalosamente - mentiras como as que ele propagou, tentando desacreditar o sistema eleitoral, no caso as urnas eletrônicas.

As mesmas eletrônicas que já registraram votos para Francischini renovar mandatos políticos.

E assim caminhamos.

Caminhamos no atoleiro em que transitam, serenos e altaneiros, fanáticos bolsonaristas de todos os matizes, divulgando mentiras e desacreditando a democracia que eles dizem defender.

Pra frente, Pátria amada, Brasil!

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Advogados representam à OAB Federal, para que assuma o processo de escolha de lista sêxtupla ao quinto constitucional no Pará


O advogado Sávio Barreto e a advogada Brenda Araújo protocolaram nesta quarta (01/06), em Brasília, representação junto ao Conselho Federal da OAB, pedindo providências contra o atraso na publicação, pela OAB do Pará, do edital necessário para deflagrar o processo de escolha da lista sêxtupla de pretendentes ao quinto constitucional do TJPA, na vaga aberta com a aposentadoria, em outubro do ano passado, do desembargador Milton Nobre. Além de Barreto, o advogado Edilson Santiago também assinou a representação.
A iniciativa dos dois advogados pretende levar o Conselho Federal a assumir o processo seletivo, diante da omissão do Conselho Seccional do Pará. Tal procedimento é previsto expressamente no Provimento nº 102/2004, que em seu parágrafo 2º diz o seguinte: "§ 2º Sendo competente para a escolha o Conselho Seccional, se este, por qualquer motivo, não publicar o edital referido até 30 (trinta) dias após a expressa comunicação da abertura da vaga, qualquer dos inscritos na OAB poderá representar ao Conselho Federal, que, por intermédio da sua Diretoria, adotará as providências necessárias para sanar a omissão, podendo assumir a execução do processo seletivo."
A expressa comunicação da abertura da vaga, conforme indicado no dispositivo, foi feita no dia 10 de novembro do ano passado pelo TJPA ao então presidente da OAB-PA, Alberto Campos. Naquela mesma data, o Pleno da Corte declarou a vacância do cargo ocupado por Milton Nobre, que se aposentou no final do mês anterior. No mesmo ofício, o TJ comunica que a aposentadoria do magistrado foi consubstanciada na Portaria nº 3650/2021-GP, publicada no Diário da Justiça Eletrônico em 28 de outubro.
Ao protocolarem a representação, Sávio Barreto e Brenda Araújo criticaram a demora da Conselho Seccional da Ordem em divulgar o edital. "O atual presidente da OAB [Eduardo Imbiriba] não se pronuncia, não fala absolutamente nada a respeito desse assunto, e fica uma dúvida imensa a respeito do que está acontecendo, do que está por trás dessa procrastinação absurda do edital do quinto constitucional. E eu convoco toda a classe, para que a gente cobre insistentemente a publicação desse edital, para o preenchimento desse espaço que é tão importante para a advocacia", diz Sávio no vídeo (veja acima) publicado no Instagram.
Paridade - Além de não lançar o edital, a OAB do Pará ainda precisa se manifestar sobre outra questão diretamente relacionada à lista sêxtupla. No final de abril, a advogada Kelly Garcia protocolou requerimento pedindo que a OAB-PA adote o critério da paridade na escolha dos seis nomes.
Com a medida, a advogada pretende ver garantida a participação de três mulheres na lista, o que ela considera a "maneira justa e democrática, para que o Judiciário de fato se torne um espaço mais plural e representativo", bem como que as advogadas paraenses sejam, finalmente, contempladas em suas pretensões de concorrer à vaga do quinto constitucional pela OAB do Pará. Advogada militante com 21 anos de carreira, Kelly também lançou sua pré-candidatura ao desembargo pelo quinto constitucional.