segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Metrô de superfície no lugar do BRT
sábado, 5 de setembro de 2020
Vejam a NBA. E tenham certeza de que meio segundo é uma eternidade.
Não tenho certeza, mas acho que foi de Armando Nogueira - o velho mestre, que escrevia sobre quaquer esporte com a leveza e o requinte dos melhores poetas - um texto que li certa vez.
Ele dizia que, no futebol, um craque precisava de apenas uma nesga de campo, de 1 metro quadrado que fosse, para exibir sua genialidade e seu talento.
É verdade.
Lembrem-se, por exemplo, de Pelé chapelando dentro da área um desconjuntado zagueiro sueco e vocês haverão de concordar que Armando Nogueira tinha razão.
Lembrei-me dessa verdade enquanto assisto, madrugadas a dentro, aos jogos da fase final da NBA que estão em andamento.
Se no futebol um craque precisa de 1 metro de quadrado para mostrar sua genialidade, no melhor basquete do mundo, o da NBA, meio segundo - isso mesmo, apenas e tão somente meio segundo - representa uma eternidade.
Veja o lance no vídeo.
Aconteceu na última quinta-feira (3).
Faltava meio segundo pra terminar o jogo.
O Toronto Raptors perdia para o Boston Celtics por 103 a 101.
Kyle Lowry, do Raptors, pegou um bola e passou-a para OG Anunoby, que arremessou.
Quando a bola viajava para a cesta, o cronômetro zerou.
Mas valeu a cesta. De três pontos.
O Raptors ganhou por 104 a 103.
Vejam a NBA.
E tenham certeza de que meio segundo é uma eternidade.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Rachas na Júlio César horrorizam moradores. E a polícia, "cadê"?
Leitores do Espaço Aberto que residem na área da Avenida Júlio César contam, horrorizados, sobre os horrores protagonizados por criminosos - sim, criminosos - que se entregam aos rachas durante as madrugadas.
Afirmam que as concentrações dos adeptos dessa transgressão odiosa agem no estilo dos integrantes das melhores quadrilhas: operam com um olho no feito dos comparsas, que aceleram seus veículos a limites extremos, e outro olho nas áreas por onde a polícia poderia aparecer.
"Mas a polícia nunca aparece na hora", afirmam os relatos que chegam ao blog. "Quando aparece, é sempre depois."
Alertam os eleitores que a ausência do aparelho policial acaba disseminando, entre os criminosos, a certeza de que não apenas continuarão impunes como poderão avançar, mais e mais, nos crimes que cometem.
A KGB de Putin matava antes e perguntava depois. Mas quem sabe a vacina de Putin não sensibiliza Bolsonaro?
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| Putin, mesmo a contragosto, adere à ciência. E Bolsonaro? |
Vladimir Putin já foi da KGB.
Como todo bom serviço secreto, a KGB matava antes e perguntava depois, sobretudo nos tempos sombrios da Guerra Fria.
Opositores de Putin acusam-no de continuar o mesmo daqueles tempos. E apontam como exemplo opositores dele que estão sendo envenenados, como Alexei Navalny, no momento internado na Alemanha.
Sabe-se lá se Putin é inocente ou não.
Mas, convenhamos, no caso da vacina russa, a Sputnik, Putin faz o mesmo que a KGB fazia naqueles tempos terríveis: ele aplica antes e depois submete-se a protocolos internacionais, como a publicação, somente agora, dos resultados preliminares na revista científica "The Lancet".
Não se sabe bem quais as afinidades entre Bolsonaro e Putin.
Mas, vocês sabem, um autocrata normalmente estima o outro; um ditador incubado normalmente comunga dos mesmos sentimentos do outro.
Quem sabe, vendo a Putin aderir (mesmo a contragosto) a alternativas científicas, Bolsonaro não recuará em seu negacionismo insano, como fez ao dizer, inclusive, que ninguém é obrigado a tomar vacina?
Quem sabe?
Beto Faro surfa na onda da lentidão. Inquérito contra ele se arrasta há 17 anos.
A denúncia de um mesmo crime, dois caminhos distintos. Enquanto sete denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação em esquema de grilagem (apropriação ilegal de terras públicas) no oeste do Pará foram condenados pela Justiça Federal nesta quinta-feira, 3, um importante personagem no esquema, o deputado federal pelo PT do Pará, Beto Faro, tem conseguido se esquivar da justiça e parece apostar na prescrição.
Faro assumiu a superintendência do Incra em Belém em 2003. Segundo a investigação da PF, ele era responsável --dentro do esquema de grilagem-- pela regularização de terras com 2.000 a 2.500 hectares, já que a superintendência de Santarém só podia autorizar até 100 hectares. Segundo a polícia, Faro autorizou de forma ilegal a regularização fundiária de 500 mil hectares de glebas em Santarém, Prainha, Trairão, Oriximiná e Placa, beneficiando plantadores de soja e madeireiros. As terras eram da União. Ele chegou a ser preso em 2004.
O suposto pagamento de propina a Faro foi descoberto durante a perícia da PF em um computador, apreendido em abril no escritório de um advogado preso por envolvimento no suposto esquema de corrupção. "No computador constava um documento de novembro de 2003, no qual o advogado dizia ao superintendente [Faro] que estava encaminhando a quantia de R$ 300 mil referente a um acordo", informou à Folha de São Paulo o delegado Ualame Machado, atual secretário de segurança pública do Pará, no dia da prisão do ex-superintendente do Incra, ocorrida em em Manaus, dia 12 de dezembro de 2004.
Beto Faro tem investigações contra si praticamente na estaca zero. Com direito à prerrogativa de foro com sua posse na Câmara dos Deputados, em 2007, o inquérito só chegou ao Supremo o Tribunal Federal em 2014. E de lá para cá se arrastou até o dia 9 de agosto de 2020, quando o despacho da ministra Rosa Weber determinou a remessa do inquérito de volta à Justiça Federal do Pará. A ministra entende que os crimes que Beto Faro é suspeito de ter cometido ocorreram antes da posse dele como deputado federal e não guardam relação ao atual mandato. O Portal apurou com a Justiça Federal e, até agora, não há confirmação se os autos do inquérito foram recebidos, seja em Belém, seja em Santarém.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Dos quatro bravos, ardorosos, destemidos e fiéis tucanos, pelo menos dois traíram Jatene. Pelo menos.
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| Ana Cunha, Cilene Couto, Luth Rebelo e Victor Dias, os quatro bravos, intimoratos e destemidos oposicionistas tucanos na Alepa. Dois traíram. Pelo menos dois. Quem? |
Vocês querem conhecer a traição?
Passem no PSDB, batam na porta, entrem e tomem uma tigela de açaí com os traidores, brindando à traição.
Na sessão encerrada há pouco, na Alepa, o ex-governador Simão Jatene, que teve suas contas rejeitadas por 34 votos a seis, foi traído por pelo menos - leiam bem esta expressão: pelo menos - dois dos quatro parlamentares de seu próprio partido, o PSDB, com assento na Casa.
A matemática é simples.
Estavam presentes 40 dos 41 deputados, coisa que só aconteceu, nesta legislatura, talvez na sessão de posse, segundo apurou o blog. Apenas Fábio Figueiras (PSB) faltou.
Dos seis parlamentares contrários ao parecer do relator do MDB, Wanderlan Quaresma, que se manifestou pela rejeição das contas de Jatene, quatro foram à tribuna para revelar publicamente seu voto: Toni Cunha (PTB), Eliel Faustino (DEM), Thiago Araújo (Cidadania) e Delegado Caveira (PP).
De quem foram os outros dois votos contrários ao parecer do relator emedebista e, portanto, favoráveis a Jatene?
Apenas por mero exercício de imaginação, imaginemos que os outros dois votos pró-Jatene provieram do PSDB, representado na Alepa por Ana Cunha, Luth Rebelo, Cilene Couto e Victor Dias.
Entenderam?
Desses quatro, apenas dois votaram com o governador, que foi traído por outros dois.
Aliás, votaram não é bem o termo preciso. Imagina-se que votaram.
Mas há quem apite para o Espaço Aberto (e umas quatro ou cinco fontes estão apitando) que, em verdade, Jatene foi traído pelos quatro de uma vez só. Já poderiam, então, até pedir música no Fantástico. E de sobra.
Sabe-se lá.
É difícil saber.
Porque a votação foi secreta, não é?
E como todos aqui no Espaço Aberto acreditam, sinceramente e incondicionalmente, que a bancada do PSDB na Assembleia é ferrenhamente e bravamente oposicionista, ou seja, que faz oposição ao governo Helder Barbalho com a melhor de suas forças, de suas inteligências e de seu senso ético, então acreditamos que apenas dois desse quatro bravos lutadores é que traíram Jatene.
Alepa rejeita contas de Jatene, que o TCE aprovou por unanimidade. "Julgamento político não é vale-tudo", diz ex-governador.
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| O ex-governador Simão Jatene mostra da tribuna fotos de reformas no Hospital Abelardo Santos, que o governador Helder Barbalho inaugurou: "Onde foi que eu errei?" |
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) rejeitou por 34 votos a seis, nesta terça-feira (01), as contas do ex-governador Simão Jatene relativas ao exercício de 2018, apesar de terem sido aprovadas por unanimidade pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A sessão, que começou às 9h, encerrou-se há pouco. A menos que essa decisão seja revertida pela Justiça, Jatene está inelegível.
O plenário, em votação secreta, acolheu parecer da Comissão de Fiscalização Finaneira e Orçamentária (CFFO), sob a relatoria do deputado Wanderlan Quaresma (MDB), que apontou sete irregularidades anteriormente detectadas pelo Ministério Público de Contas, mas desconsideradas no julgamento do TCE.
"Não temos do que nos envergonhar. Jamais envergohamos este estado, enquanto gestor", disse Simão Jatene. Ele citou argumentos apresentados pela própria Procuradoria Geral do Estado (PGE), na atual gestão Helder Barbalho, confirmando a regularidade das contas do exercício de 2018 do governo anterior, em desacordo, portanto, com pontos acolhidos em seu parecer pelo relator do MDB, partido do governador.
O ex-governador tucano considerou "sem nexo" compararem-se procedimentos feitos no exercício de 2018 com as pedaladas fiscais, invocadas como justificativa para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.
"Eu queria saber onde foi que eu errei", indagou Simão Jatene durante sua defesa feita de improviso, durante cerca de 1 hora de 40 minutos. Ele mostrou, da tribuna, fotos de várias obras de sua gestão, como as reformas no Hospital Abelardo Santos, em Icoraci, e a construção do Hospital Regional do Tapajos, para demonstrar a capacidade fiscal e orçamentária de seu governo, que deixou tais obras praticamente prontas para seu sucessor, o governador Helder Barbalho, inaugurar.
Extrapolação - Em seu voto, o relator, Wanderlan Quaresma, manifesta-se pela rejeição das contas, por entender que houve "descumprimento do resultado primário e a extrapolação dos limites com pessoal sem autorização legislativa". Registra ainda seu entendimento de que a aprovação das contas pelo TCE, com as ressalvas de três de seus sete conselheiros, "denota certa tolerância às irregularidades encontradas".
"É uma invenção que estão tentando fazer", disse Simão Jatene, ao contestar argumentos do relator, baseados em parecer do MP de Contas para apontar irregularidades. Como demonstrou o ex-governador, a Constituição prevê que o órgão auxiliar da Alepa, na questão do julgamento de contas, é o TCE, e não o MP. E o Tribunal, reforçou o tucano, aprovou suas contas por unanimidade.
Jatene reconheceu que o Legislativo tem a atribuição constitucional de fazer julgamentos políticos, mas é necessário que tal julgamento se ampare em elementos que configurem "substância técnica, razoabilidade, consistência, princípios lógicos". E isso não ocorreu na Alepa, conforme o entendimento de Jatene.
"Julgamento político não é um vale-tudo", disse o ex-governador, acrescentando sua convicção de que "o Legislativo pode fazer o que quiser, mas deve estar submetido às regras que a lei impõe". Jatene deteve-se em tópicos do relatório do TCE que considerou fundamentais para o que ele classificou de "desmonte" do parecer aprovado pela CFFO da Alepa.
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Marcelo Crivella e sua quadrilha atacam não a Globo, mas os cidadãos. Essas malfeitorias vão continuar?
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| Marcelo Crivella: ele é o chefe de uma quadrilha que constrange jornalistas. Mas o verdadeiro punido, o verdadeiro castigado é o cidadão que reside na capital fluminense. |
O Jornal Nacional, programa jornalístico de maior audiência no País, acaba de revelar um esquema criminoso, escandaloso, repulsivo e fascista de cerceamento da liberdade de Imprensa.
O esquema é operado por uma verdadeira quadrilha.
A quadrilha não é como as de antigamente, que se metiam em porões para deliberar sobre os crimes que iriam cometer.
A quadrilha, ao contrário, opera em bases mudernas: sua plataforma de operação é uma das maiores redes sociais do mundo, o WhatsApp.
Os operadores não são indivíduos que se acobertam sob anonimatos ou que agem sob o abrigo de disfarces.
Não.
Os operadores são servidores públicos, com nomes e salários devidamente expressos (até nos centavos) em documentos oficiais.
Os operadores desse esquema criminoso batem ponto registrando suas ações em grupos de WhatsApp nos quais são delineadas as ações da quadrilha.
Essa gangue, conforme mostrou comprovadamente o Jornal Nacional, vem funcionando, e não é de hoje, com o objetivo de constranger jornalistas - sobretudo os da Globo -, atrapalhando entrevistas com cidadãos que se dispõem a denunciar o péssimo, e não menos criminoso, atendimento que recebem em hospitais da rede pública do Rio.
Essa gangue de criminosos, que age às portas de hospitais públicos e fica de olho em equipes de reportagem que se aproximam para apurar denúncias de cidadãos, tem o aval direto, é evidente, do governo do município do Rio, cujo prefeito, Marcelo Crivella, até já fez parte de um dos grupos de Zap usados pela quadrilha.
Essa gangue - tanto seus operadores, como seus mentores e os que autorizam esse procedimento, à frente o prefeito da segunda capital mais populosa de todo o País - engana-se redondamente se pensa que está constrangendo a Globo, quando manda seus integrantes gritarem Globolixo e imbecilidades do gênero durante entradas ao vivo de repórteres da emissora.
Essa gangue, estejam certos Marcelo Crivella e seus comparsas, castigam, punem, maltratam, desrespeitam, desprezam e agridem a população fluminense.
E nada se faz contra esses criminosos, gente?
Nada será feito contra eles, para responsabilizá-los criminalmente pelo que estão fazendo?
Você quer saber como se faz para defender a vida, o amor, o perdão e a Pátria? Pergunte para um corrupto.
Pois é, meus caros.
E pensar que essa gente defende a vida.
E pensar que esse tipo de gente bate dia e noite no próprio peito, dizendo que o amor sempre haverá de triunfar.
E pensar que esse tipo de gente bate no peito com ares de palmatória do mundo.
E pensar que esse tipo de gente bate no peito e se derrete em lágimas, proclamando que valores universalmente consagrados - de paz, concórdia, tolerância e perdão - devem prevalecer sempre.
E pensar que esse tipo de gente costuma associar liberais e esquerdistas a facínoras, genocidas e selvagens, que não alimentam os mais rudimentares sentimentos humanos.
Pois é.
E pensar que essa mesma gente, que diz tudo isso, batendo no peito e com lágrimas nos olhos, é a negação personificada, corrompida e facinorosa do que diz.
Essa mesma gente é capaz de financiar matadores.
Essa mesma gente é capaz de matar.
Essa mesma gente não consegue desvencilhar-se de ódios atrozes.
Essa mesma gente mente, dissimula, disfarça, encena.
Essa mesma gente é a cara e a voz da hipocrisia, da mais imunda e reprovável desfaçatez.
É um tipo de gente corrompida - inclusive quando se avaliam os sentimentos mais identificados com qualquer ser humano.
Esse tipo de gente é uma gente corrupta. Ou não?
Um corrupto, como essa gente, vai lhe dizer direitinho como ser patriota, como ser defensor da vida, como cultivar a paz, o amor, o perdão e outros tantos - e edificantes - valores.
Vai lhe provar, por A + B, que comprar uma arma, isso sim, é garantir que a paz, o amor e o perdão poderão ser disseminados no mundo inteiro.
Um corrupto hipócrita, como esse tio de gente, vai lhe indicar a cartilha que ensina homofobia, misoginia e preconceitos das piores espécies.
Vocês querem uma dica?
Liguem para Flordelis, essa bolsonarista patriota, defensora da vida, pregadora do amor, da paz e do perdão.
Ela vai dizer a vocês como alcançar esse grau de pureza d'alma.
Os tagarelas do Supremo. Eles devem saber o que fazem. Mas estarão fazendo bem?
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| Marco Aurélio: e se o ministro Benedito Gonçalves, do STJ, criticasse publicamente uma decisão dele, como é que ficaria? |
O Supremo, vamos e convenhamos, tem alguns tagarelas eméritos.
Ocupam o topo da lista Gimar Mendes e Marco Aurélio Mello.
Há outros, como se sabe; mas esses dois, repita-se, estão na categoria do top dos tops.
Mendes e Mello falam pelos cotovelos.
Nos autos e fora dos autos.
Eles, melhor do que ninguém, sabem o que fazem.
São maiores de idade, vacinados e ostentam notável saber jurídico. Se assim não fosse, não estariam no STF.
Mas estarão fazendo bem quando tagarelam sem parar?
É razoável que um ministro permita-se publicamente criticar decisões de outras instâncias do Judiciário, quando não do próprio Supremo?
É razoável imaginar que eles consideram essa postura judiciosa, ponderada e adequada?
Marco Aurélio, por exemplo.
Ele acaba de dizer que "houve uma precipitação" na decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, que afastou Wilson Witzel do cargo de governador do Rio.
E como será se esse caso chegar ao Supremo?
Como se portará Marco Aurélio, que já expôs publicamente seu juízo?
Mazola Jr. é treinador? Sabe-se lá. Mas quer dar lições de jornalismo. Pode?
Segundo o DOL, um repórter o questionou sobre a postura da equipe remista e quis saber se o conjunto não seria mais produtivo com a entrada de jogadores com características mais ofensivas.
Uma pergunta eminentemente jornalística, não é?
E pertinente, além de tudo.
Pois é.
Mazola respondeu assim: “Então, um time que está na sequência que está, de resultados positivos de vitória. Você vai mexer no time? Quem faz uma pergunta dessa está explicado por que é jornalista e não é treinador”.
Boa!
E quem dá uma resposta dessa, está provado por que motivo é treinador, e não jornalista.
Aliás, o jornalista - que não é treinador - saiu-se bem justamente porque é jornalista.
A torcida do Remo espera que Mazola, que não e jornalista, saia-se bem como treinador.
Ou, no mínimo, saia-se menos pior do que tem se saído até agora.
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
Vidas negras importam. E a NBA importa para que o obscurantismo no esporte ceda às legítimas expressões políticas.
Quem não é apaixonado pela NBA?
Na último domingo (23), quando vi essa cesta de Luka Doncic, no estouro do cronômetro, selando a vitória de seu time, o Dallas Mavericks, contra o favorito Los Angeles Clippers por apenas dois pontos (135x133), pensei por alguns segundos que fosse uma montagem.
Não.
Era apenas a supremacia, o triunfo do talento. Era a assinatura de uma obra de arte.
Olhem agora, as fotos abaixo.
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| LeBron e seus companheiros do Lakers ajoelham-se antes de uma partida (como tem sido rotineiro em jogos da NBA), em apoio à luta contra o racismo |
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| Jogadores do Milwaukee Bucks leem comunicado informando o histórico boicote à NBA, em protesto contra tiros desferidos pela polícia contra jovem negro em Kenosha, no Winsconsin |
Quando vejo essas imagens a cada início de partida pelos playoffs da NBA, quando vejo essas imagens que expressam o protesto, a indignação, a revolta, a repulsa às atrocidades raciais cometidas pela polícia contra negros no Estados Unidos, às vezes penso que são idealizadas.
Mas não.
Essas imagens são reais. Representam a supremacia, o triunfo da consciência política no mundo do esporte, coisa rara, para não dizer raríssima de acontecer mesmo em pleno Século XXI.
Em pleno Século XXI, o obscurantismo embota inclusive coleguinhas jornalisatas e amplos segmentos da Imprensa - e não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro - que insistem em difundir essa falácia, essa balela, essa imbecilidade de que jogadores de futebol e atletas de qualquer modalidade não podem, nem devem expressar-se politicamente quando estão competindo.
Podem, sim.
Podem e devem.
Por que não poderiam?
Por que não deveriam?
Por que um astro do futebol não pode, por exemplo, na hora de comemorar um gol, levantar a camisa para revelar, por baixo dela, algo como Não sou bolsominion, Não sou gado, Vidas Negras Importam, Sou antifa, Fora, Bolsonaro e outras do gênero?
Por que não poderiam expressar frases em apoio a Bolsonaro, ao bolsonarismo, aos conservadores, ao direitismo, ao boca porca Olavo de Carvalho (inclusive o dito esclarecido) e até mesmo em apoio ao terraplanismo?
A democracia presume a livre manifestação de opiniões, meus caros.
Não se tolera, claro, é que um boca porca ameace "encher de porrada" a boca de seus críticos, como também é intolerável que uma celerada ameace espancar autoridades, porque aí não temos o exercício da liberdade de expressão, mas crime de ameaça ou crimes contra a honra, puníveis por lei.
Mas expressar convicções políticas, sobretudo num momento como este, em que vemos todos os dias atrocidades sendo cometidas contra negros nos Estados Unidos e em outros cantos do planeta, isso é plenamente recomendável. E mais do que recomendável, é necessário e elogiável.
A NBA, com seus astros multimilionários - negros (em sua grande maioria) e brancos -, oferece à humanidade, e sobretudo ao esporte de um modo geral, um notável exemplo que precisa ser seguido.
Porque o talento de um LeBron, de um Doncic, de um Messi, de um Cristiano Ronaldo, de um Neymar jamais deveriam servir de abrigo para esconder a covardia dos que não querem pôr sua popularidade e sua influência a serviço da liberdade, da democracia e da diversidade.
A NBA alimenta nosso espírito dos melhores tônicos de otimismo.
Porque é farta em talento.
E porque está sendo um ponto de inflexão - para melhores dias - no obscurantismo político que, infelizmente, ainda domina de forma esmagadora o mundo do esporte.
O Pará já teve mais de 1,3 milhão de infectados pela Covid, mas volta às aulas. Viva o nosso "novo normal".
O novo normal, que nunca foi tão velho, é apavorante, excruciante, aflitivo.
Mas quem, num momento como este, haverá de incomodar-se, de afligir-se com mortes, com pessoas infectadas e com milhões de pessoas expostas a este vírus mortal?
Poucos, muito poucos estão aflitos em decorrência da tragédia que passa ao lado, que está na venta de todos, que está à vista mesmo dos que, podendo enxergar, não querem enxergar nada. Nem a tragédia.
No Pará, até agora, já morreram 6 mil pessoas vítimas da Covid-19 E 197 mil foram infectadas. São números oficiais.
O Estado, no entanto, tem mantido, de maio para cá, uma redução expressiva no número de mortes e de infectados. É o que apresentam os números coligidos e divulgados pela Sespa diariamente.
No real, no real mesmo, temos uma outra realidade: pelo menos 1,3 milhão de pessoas já tiveram Covid no Pará.
De onde brota essa estatística tenebrosa? Brota de pesquisa encomendada pelo governo e realizada, com amaparo em metodologias confiáveis, pela Uepa.
E aí?
E aí que o governo do estado está autorizando, a partir do dia 1º de setembro, a retomada das aulas presenciais nas escolas de ensino públicas e privadas, nos ensinos Infantil, Fundamental, Médio e Superior. em municípios que estejam em bandeira amarela, verde e azul.
Deverão ser respeitadas medidas de distanciamento e os protocolos de segurança apresentados pelo Comitê Técnico Assessor de Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referentes ao Novo Coronavírus (Ncov), da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
O decreto não é impositivo. É autorizativo, ou seja, fica a critério de cada escola voltar ou não às aulas. Mas todas, é claro, vão voltar.
A obrigatoriedade da observância de regramentos para o retorno às aulas é suficiente para evitar a expansão da doença?
Não é.
Porque, vejam bem, não temos 197 mil de pessoas que já tiveram Covid. Temos 1,3 milhão - isso em apenas 52 municípios dos 144 municípios do estado. Se ampliado esse espectro estatístico, teremos muito mais.
Este número - o da pesquisa epidemiológica da Uepa - é que deveria orientar condutas e ações para se avaliar a pertinência da reabertura gradual de vários setores.
Mas não.
É impressionante, é trágico que nem a tragédia do vizinho nos comove. Nem a tragédia de quem está ao lado nos toca.
Vejam o caso do vizinho Amazonas.
No Amazonas, foram registradas cenas horrorosas - muito mais que as vistas em Belém, diga-se - durante o pico do pandemia.
Mesmo assim, o Amazonas foi o primeiro estado do País a reabrir as escolas públicas, no dia 10 de agosto. Após protestos e casos confirmados de Covid nas unidades, o governo anunciou a testagem em massa de 30 mil profissionais da educação, tanto da capital quanto do estado, que começou a ser realizada no dia 18 de agosto.
E o que aconteceu?
Aconteceu isso aí, estampado na imagem que ilustra esta postagem,
Depois do retorno às aulas, detectou-se que o
número de profissionais
da Educação no Amazonas que testaram positivo para Covid-19 subiu para 342,
segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).
No dia 21 de agosto, a
Secretaria de Estado de Desporto e Educação (Seduc) divulgou que, nos três
primeiros dias de testagem, 162 profissionais testaram positivo para a doença. Durante a
audiência pública, nesta terça-feira (24), a FVS informou que com mais dois
dias de testagem, o número
total de infectados subiu para 342.
O
Pará deveria olhar para exemplos assim e retardar, o quanto fosse possível, o retorno
às aulas.
O novo normal, todavia, exerce notável poder de sedução sobre todos - tanto sobre a galera que entope as praias como sobre outros segmentos, como o educacional, que se presumia mais fértil à racionalidade e ponderação.
Mas
que nada.
Racionalidade
e ponderação, nestes tempos malucos, são qualidades que tipificam um perfeito
idiota.
Basicamente é isso.
terça-feira, 25 de agosto de 2020
E se você, jornalista, dissesse a Bolsonaro: "vontade de encher a tua boca de porrada, seu boca porca", o que lhe aconteceria?
Como já se disse aqui - e muitos estão dizendo -, ninguém se engane com essa dita fase paz e amor de Bolsonaro, porque o novo Bolsonaro é um fake. E como fake, não existe.
Não.
Bolsonaro, calmo, é capaz de vomitar 29 palavrões numa "reunião de trabalho".
Higiênico, é capaz de passar a mão no próprio catarro e cumprimentar correligionário.
Democrata, é capaz de cair na tentação de chamar os tanques para intimidar o Supremo.
Educado e cortês, tem arrepios de excitação só de pensar em "encher tua boca de porrada", referindo-se a jornalista que lhe faz pergunta das mais pertinentes, lógicas e obrigatórias - porque de interesse público.
A pergunta é essa aí que está no título de editorial publicado na edição desta terça-feira (25), do jornal O Globo.
Bolsonaro - calmo, higiênico, democrata, educado e cortês - será o mesmo Bolsonaro que sempre foi: um cidadão com manias de persecutórias; um governante incapaz de governar o país com um mínimo de inteligência e bom senso; um autocrata que, sai dia, entra dia, tem sonhos orgásmicos com ditaduras que esfolaram e mataram, como a inaugurada em 1964, no Brasil; um intolerante que vê na Imprensa independente não uma instância legítima e necessária de fiscalização dos atos do Poder Público, mas uma inimiga a ser confrontada - se possível "na porrada".
Esse é Bolsonaro.
Como registrado no editorial do Globo, sua agressão a uma pergunta pertinente não foi uma resposta.
Foi uma reação - despudorada, violenta, ignóbil, imbecil e injustificada - de quem, nada tendo a dizer, a argumentar, explicar ou justificar, elege a "porrada" como argumento.
E pensar que tantos jornalistas, cuja missão exponencial é acionar suas lupas e seu senso crítico contra governantes que destoam de condutas éticas aceitáveis, não têm o menor pudor em considerar condutas como a de Bolsonaro simplesmente como "o exercício da liberdade de expressão".
É?
Se eu, um jornalista, dissesse a Bolsonaro: "vontade de encher a tua boca de porrada, seu boca boca porca", provavelmente seria preso na hora, por ameaça à mais alta autoridade da Nação. Ou por injúria. Ou por qualquer outro motivo.
Mas Bolsonaro pode arrotar suas pretensões de me agredir porque eu, na condição de jornalista, no exercício do meu mister profissional, fiz-lhe uma pergunta de interesse público É isso?
Perfeito.
Se for assim, vou me me mudar pra Terra plana, porque nesta Terra redonda, todos os conceitos universalmente consagrados - de jornalismo, de liberdade de expressão e de democracia - já foram para os cafundós.
Há muito tempo.
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
"Vou buscar a unidade", promete Thiago Araújo. Mas um racha à vista assombra lideranças de partidos que tentam formar aliança.
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| Thiago Araújo e Cássio Andrade: o consenso esperado não veio até agora. Ainda virá? |
Lideranças de um grupo de partidos - entre eles o PSDB, PSB, DEM e Cidadania - que pretendem formar uma aliança para disputar a Prefeitura de Belém, nas eleições de novembro, amanheceram nesta segunda-feira (24) atarantadas diante de uma missão imprevista e imediata: desarmar os indícios de que a aliança pretendida implodiu antes mesmo de começar.
Essa impressão está sendo fortalecida por dois fatos que se confirmaram hoje.
O primeiro: a escolha do deputado estadual Thiago Araújo (Cidadania) como o nome supostamente de consenso para disputar a Prefeitura de Belém, representando uma composição que pretende reunir dez legendas.
O segundo: a confirmação de que o deputado federal Cássio Andrade (PSB), outro nome cogitado para ser consensual, ficou insatisfeito por ter sido preterido e resolveu anunciar-se como pré-candidato a prefeito, decisão que no momento configura claramente um racha, uma divisão, um dissenso - o termo fica a critério dos leitores - entre o leque de agremiações partidárias até aqui empenhadas em seguir unida.
"Sou pré-candidato, sim. Mas continuo buscando a construção da unidade", confirmou há pouco ao Espaço Aberto, por telefone, o deputado Thiago Araújo. "Acho que neste momento nada é definitivo. O Cássio é meu amigo. Nós vamos conversar. Vamos buscar a unidade, a convergência. Até as convenções, tentaremos buscar o consenso", reforçou o parlamentar.
O otimismo de Araújo contrasta com uma adjetivação curta e grossa, que o Espaço Aberto ouviu ao pedir a uma fonte para avaliar se, pelo menos neste momento, o racha está configurado: "Um problemão", resumiu a fonte, sem acrescentar mais informações, muito embora deixasse clara sua percepção concreta sobre as dimensões políticas que a escolha de Thiago Araújo e uma possível debandada de Cássio Andrade podem significar.
Outra liderança partidária, que preferiu não se identificar, admitiu sua surpresa com a decisão do deputado do PSB. Até porque, segundo informou, na segunda-feira passada, durante uma reunião, Cássio teria dito, em alto e bom som, que apoiaria o escolhido pelo grupo. Mas isso acabou não acontecendo, diante do anúncio de que também é pré-candidato.
Para tornar o quadro ainda mais nebuloso e imprevisível, temos a situação do deputado federal Celso Sabino (PSDB). Como o blog informou no início da tarde de hoje, o parlamentar, muito embora tenha formalizado junto à própria legenda sua condição de pré-candidato, não foi e nem será consultado pelos demais partidos, que o consideram linha auxiliar do governo Helder Barbalho.
Sabino também está sendo alvo de um processo de expulsão que tramita no Conselho de Ética do PSDB Nacional, por ter aceitado o posto da líder da Maioria na Câmara, contrariando orientações da Executiva Nacional, que entrevê na função sinais claros de adesismo ao governo Bolsonaro. Se for expulso, Sabino poderia concorrer pelo Solidariedade, mas ele, conforme também já disse ao blog, acredita que permanecerá no PSDB. E se permanecer, vai disputar na convenção o direito de ser candidato a prefeito de Belém.
PSDB e partidos aliados descartam conversa com Sabino. Mas ele garante: "Pretendo ir à convenção".
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| Celso Sabino: sob desconfiança de partido aliados do PSDB, ele garante que tem apoio de "centenas de correligionários". Inclusive de outros partidos. |
Lideranças de um grupo de dez partidos, que pretendem formar aliança em torno de um nome para disputar a Prefeitura de Belém, confirmaram no último final de semana, em conversa com o Espaço Aberto, que não pretendem procurar o deputado Celso Sabino (PSDB), que já formalizou, perante o Diretório Municipal tucano, sua condição de pré-candidato à sucessão de Zenaldo Coutinho. Entre os partidos que buscam um nome de consenso está o próprio PSDB, além do DEM, PSB, Cidadania e Partido Verde.
"Não vamos procurar o deputado Celso Sabino, porque acreditamos que ele seria mais uma candidatura auxiliar do governador Helder Barbalho e, portanto, do MDB. O Celso, na última eleição para o governo do estado, simplesmente sumiu durante o segundo turno e não ajudou o Márcio Miranda. Depois, quando o Helder assumiu, uma irmã dele foi nomeada para cargo de direção no estado", disse uma das lideranças do grupo de apoio a Zenaldo. A nomeação em referência é de Cilene Sabino Bittencourt, presidente da Junta Comercial do Estado do Pará (Jucepa).
Ouvido há pouco pelo Espaço Aberto, Sabino disse que, no momento, nem sequer considera a possibilidade de transferir-se para o Solidariedade e disputar a prefeitura por essa legenda, caso venha a ser expulso pelo PSDB, cuja Comissão de Ética analisa pedido formal de exclusão do deputado, encaminhado pela própria direção nacional tucana.
"Sou ficha limpa. Não há previsão no estatuto do PDDB para expulsar filiado que tenha sido indicado para ser líder da Maioria. Então, esse processo [de expulsão] não deve prosperar", disse Celso Sabino ao blog, reiterando sua convicção de que continuará no ninho tucano.
Quanto ao fato de não estar sendo considerado como um dos nomes de consenso do grupo de partidos, que até agora trabalha apenas com as possíveis candidaturas de Cássio Andrade (PSB) ou Thiago Araújo (Cidadania), Sabino também é taxativo.
"Continuo cadastrado no PSDB como pré-candidato a prefeito de Belém. Então, pretendo ir à convenção do partido e fazer essa disputa legítima. Tenho sido procurado por centenas de correligionários do PSDB e dirigentes de outros partidos - deputados estaduais, vereadores e dirigentes de outros partidos. Acredito que nosso grupo tem um projeto pra Belém, estudou a cidade, tem programas para serem apresentados no sentido de melhorar o orçamento, melhorar a receita própria, resolver o problema do saneamento básico e trazer dignidade aos moradores de Belém", disse o deputado.
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
Vice-prefeito de Ananindeua pede proteção ao MP e avisa: "Não vão fazer comigo o que fizeram com o Gordo do Aurá"
A pré-campanha eleitoral no Pará começa, digamos assim, em clima de faroeste.
Pré-candidato a prefeito de Ananindeua pelo PSD, o vice-prefeito do município, Carlito Begot, foi pessoalmente ao Ministério Público, nesta sexta-feira (21), para pedir proteção, depois que um primo dele foi sequestrado e teve o carro incendiado.
"Não vão fazer comigo o que fizeram com o Gordo do Aurá. Eu quero que me respeitem, respeitem a minha família e o povo de Ananindeua", diz Begot, avisando que, apesar das ameaças, não vai desistir da candidatura a prefeito do município.
Gordo do Aurá, lembrem-se, era o vereador Deivite Wener Araújo Galvão, executado com mais de 14 tiros em fevereiro do ano passado no bairro da Pedreira, em Belém.
Assista ao vídeo que Begot está difundindo nas redes sociais.
Priante articula coligação de 10 partidos para disputar Prefeitura de Belém
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| Priante: articulações para ampliar o arco de alianças em apoio ao MDB |
O deputado federal José Priante deve disputar as eleições para a Prefeitura de Belém, em novembro, com o apoio de, pelo menos, 9 partidos politicos que se coligariam ao MDB, partido do parlamentar.
O nome do candidato a vice-prefeito está indefinido. Se não sair dos partidos já acertados para compor a coligação, poderá ser escolhido de uma legenda que já lançou candidatura própria, mas que poderia desistir para compor a chapa, que passaria, então, a ter o apoio de 10 partidos.
O Portal OESTADONET apurou que a decisão do MDB lançar candidato próprio foi resultado de uma avaliação de que os índices de aprovação do governo do estado em Belém daria cacife para que o partido do governador Helder Barbalho concorresse à prefeitura de Belém e até disputar o segundo turno.
Na quinta-feira (20), Priante recebeu o apoio de 15 vereadores de Belém para sua camapnha, em ato realizado em um hotel da capital. O evento desagradou o vice-prefeito Orlando Reis, que também pretendia se lançar candidato com o apoio do MDB.
Outra estratégia de Priante é atrair o apoio da parcela do eleitorado ligada ao bolsonarismo e aos evangélicos. Esse último segmento poderia até ofecer o candidato a vice, se as negociações com o partido que já lancou candidato não prosperarem. Quanto aos bolsonaristas do PSL, a estratégia é agregar tempo de propaganda no rádio e na televisão.
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Priante deve ser mesmo o candidato do MDB. Silêncio de Helder começa a ser quebrado pela voz de Iran Lima.
Bannon, o boca porca, está na cadeia. Bolsonaristas devem estar achando que é conspiração.
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| Steve Bannon - com Bolsonaro, Carluxo e Eduardo: na política, quase sempre, os semelhantes se atraem. Mas isso é uma outra história. |
Desde que Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, já li uns quatro ou cinco livros sobre ele e seu desgoverno.
Das obras que já li até agora, três impactaram-me.
Um deles é "Fogo e Fúria". Outro, "Trump - O cerco sob fogo cruzado". O terceiro, "Medo - Trump na Casa Branca", que Bob Woodward escreveu e traz a marca plena do jornalista que destampou os porões de Wattergate e derrubou o governo Nixon.
Essas obras falam de perversões sexuais, incluindo relatos de estupro - um, pelo menos - que teria sido cometido por Trump contra uma assessora dentro de um avião.
Falam de imundícies - homofobia, misoginia, preconceitos, racismo, discriminação e baixezas morais de toda espécie.
Falam de desonestidades atrozes.
Falam de inapetências intelectuais.
Falam da absoluta incapacidade de um governante de gerir um país das dimensões dos Estados Unidos.
Donald Trump, evidentemente, é o personagem emblemático, digamos assim, dessas qualidades que degradam qualquer senso de humanidade.
Mas livros sobre ele, inescapavelmente, também se referem fartamente a Steve Bannon.
Trumpistas, fascistas direitistas, extremistas e outros istas - inclusive bolsonaristas, não esqueçamos - consideram-no um mago, uma espécie de entidade que baixou à Terra (plana?) para fazê-la mais feliz, mais liberal, mais fraterna e democrática, livre de esquerdistas, comunistas e maconheiros (os bolsonaristas incluiriam petistas, é claro).
Consideram-no o maior estrategista de campanha que o mundo político já produziu em todos os tempos.
Pois é.
Já outros istas - antitrumpistas, antifascistas, antidireitistas, anti-extremistas e antibolsonaristas poderão classificar Bannon, de acordo com os elementos apresentados por esses livros, como um porco - literalmente um porco, um sujeito malcheiroso, repulsivo, fedorento, que prima pela falta de higiene.
Temos ainda o Bannon boca porca, aquele que expele palavrões, xingamentos e conceitos desairosos a mulheres e homossexuais, entre outros.
Livros como esses também mostram Steve Bannon como o inescrupuloso, o oportunista, o aproveitador, o sujeito que procura todas as formas de perverter conceitos - legais, inclusive -, tudo em nome da causa maior de disseminar pelo mundo a ideia de que o conservadorismo deve triunfar a qualquer preço, para livrar a Terra de uma hecatombe.
Nesta quinta-feira (20), Steve Bannon foi indiciado e preso sob a acusação de desviar dinheiro de uma campanha de apoio à construção de um muro entre os Estados Unidos e o México - uma das promessas da campanha de Trump em 2016.
A campanha "We Built That Wall" (nós
construímos o muro, em tradução literal) arrecadou US$ 25 milhões (cerca de R$
142 milhões, na cotação atual) que foram doados de centenas de milhares de
pessoas.
Segundo
o Departamento de Justiça, ao menos US$ 1 milhão (R$ 5,64 milhões, na cotação
atual) teria ido para o próprio Bannon, que usou o dinheiro em outras de suas
organizações ou para ele mesmo.
Ao menos uma parte desse montante "foi usado por Bannon para cobrir centenas de milhares de dólares em despesas pessoais dele", disseram os promotores.
Esse é o Bannon que eu conheço.
Esse é a versão Steve Bannon que os livros que já li confirmam amplamente.
Esse é o Bannon moralista. Mas sua moral não veda, claro, aproveitar-se do dinheiro alheio.
Resta saber se, saindo da cadeia, Bolsonaro vai importá-lo.
Uma dobradinha entre Olavo de Carvalho e Steve Bannon seria, acredito, o sonho dentro dos melhores sonhos de bolsonaristas.
Aliás, da última vez que Bolsonaro esteve nos Estados Unidos, ele e os filhos Carluxo e Eduardo não dispensaram uma foto com seu guru.
Os opostos se atraem, diz a velha máxima.
Mas nem sempre.
Na política, vocês sabem, quase sempre os semelhantes é que se atraem.
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
"Caso Sabino" é adiado para quinta-feira. Pedido de expulsão não foi tratado em reunião extraordinária, mas constou de ata.
A reunião da Executiva Nacional do PSDB, que decidirá se encaminha ou não ao Conselho de Ética o pedido de expulsão do deputado federal Celso Sabino (PA) foi adiada de hoje para a próxima quinta-feira (20). A informação foi dada ao Espaço Aberto pelo próprio parlamentar, em conversa há pouco, por telefone.
"Continuo convicto de que esse caso não passa de perseguição política pelo pessoal de São Paulo. Não sei nem se há um certo bairrismo, mas é uma perseguição política contra mim. Não há razões para expulsar-me. Tenho estudado o Estatuto do partido, e o fato de ter sido indicado para Líder da Maioria não se esquadra em nem um dos quatro motivos previstos no estatuo que ensejariam minha expulsão", reforçou Sabino.Ele encaminhou ao blog a pauta de reunião extraordinária da Executiva Nacional (imagem ao lado), realizada na última quinta-feira, que teve apenas um assunto em pauta: a Resolução do TSE nº 23.605/2019, que trata sobre gestão e distribuição de recursos de campanha.
Mesmo assim, a ata da reunião, que o deputado também encaminhou ao blog (imagem acima), foi consignado que a Comissão Executiva Nacional julgou admissível a representação que pede sua expulsão para encaminhá-la ao Conselho Nacional de Ética e Disciplina, nos termos do estatuto partidário.
"Resolveu a Comissão Executiva Nacional admitir e encaminhar a representação, nos termos do estatuto, para que o parlamentar seja ouvido e possa exercer o direito a ampla defesa e contraditório", diz a ata.
Sabino, no entanto, aponta esse episódio como um flagrante atentado ao direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que até agora ainda não teve acesso aos termos do pedido de expulsão.
Lembra o parlamentar que a ampla defesa e o contraditório devem ser respeitados em qualquer fase do processo, e não apenas no âmbito do Conselho de Ética, se a representação vier a ser encaminhada ao colegiado.
PSDB põe "caso Sabino" em pauta e deve aprovar hoje o encaminhamento do pedido de expulsão do deputado ao Conselho de Ética
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| Celso Sabino: expulsão do PSDB, a pedido da direção nacional, torna-se cada vez mais iminente se a Executiva encaminhar o caso ao Conselho de Ética, o que deve ocorrer hoje |
Caminham rapidamente, para não dizer a jato, os procedimentos da Executiva Nacional do PSDB para expulsar o deputado federal Celso Sabino (PA), como punição por ter sido indicado pelo Centrão para ocupar o posto de líder da Maioria na Câmara dos Deputados.
O site Poder 360, em matéria divulgada no início da manhã desta segunda-feira, dá como certo que a Executiva dos tucanos encaminhará ainda hoje o pedido de expulsão ao Conselho de Ética. Ele explicou que convocou nova reunião executiva para esta segunda, para “não deixar nenhum questionamento”. O pedido de expulsão de Sabino é o único assunto em pauta.
Segundo o Estado de S. Paulo, o deputado conta apenas com o apoio do grupo ligado a Aécio Neves (PSDB-MG), 1 de seus principais aliados. Aécio teria sido responsável por articular junto ao Centrão a indicação de Sabino ao cargo governista.
Sabino, segundo informa o Poder 360, disse ao Estadão que o tema de sua possível expulsão não entrou na pauta da última reunião executiva, em 13 de agosto, e que o processo estava se movendo “rápido demais”. “Não podem marcar uma reunião com uma pauta e na última hora votar outra. Essa correria compromete os princípios do contraditório e amplo direito de defesa”, afirmou Sabino.
A expulsão de Sabino, caso venha ser consumada, será um golpe em suas pretensões em ter sua pré-candidatura a prefeito de Belém considerada pela agremiação, conforme pedido que ele próprio formalizou no final de julho.
No momento, o PSDB de Belém e outras nove agremiações avaliam apenas duas alternativas de candidato a prefeito de Belém: dos deputados Cássio Andrade (PSB) e Thiago Araújo (Cidadania).
sábado, 15 de agosto de 2020
É o auxílio emergencial, estúpidos!
Bolsonaristas estão em festa.
Nas redes sociais, além de estourarem foguetes, marcam churrascada. Só entra quem não estiver com máscara. E quem comparecer ao regabofe (inclusive os robôs, é claro) terá direito a uma copada de cloroquina.
Por que essa festa toda?Por causa da nova pesquisa Datafolha mostrando que Bolsonaro cresceu assustadoramente na aprovação popular em curtíssimo espaço de tempo.
Justifica-se a exaltação dos bolsonaristas? Sem dúvida que sim.
O crescimento seria algo assim fenomenal e fora da curva, algo digno apenas de mitos como o Mito? Sem dúvida que não.
Não é preciso ser um pesquiseiro e nem analista especializado em nada e em coisa nenhum para se concluir facilmente que a subida de Bolsonaro é lógica por dois motivos.
Primeiro, porque a aferição já detectar o impacto positivo do alívio - justificado, natural e providencial, vale dizer - do pagamento do auxílio emergial de R$ 600 nas classes menos favorecidas, nas quais o índice de desemprego está sendo mais violento em decorrência da pandemia.
Segundo, porque a classe média, e sobretudo esta, reagiu favoravelmente à mudança de postura de Bolsonaro, transformado de produtor de crises diárias num governante mais comedido, inclusive em suas alocuções - antes excrementosas e agora formuladas com menos, um pouco menos, de inadequações (mas ainda excrementosas, registre-se).
Isso tudo, no entanto, pode se resumir à famosa fase do economista James Carville.
Estrategista eleitoral de Bill Clinton em 1992, ele escreveu num cartaz, que mandou pendurar na sede da campanha: "É a economia, estúpido!", indicando que esse deveria ser o foco do discurso democrata para derrotar o republicano Geroge H. Bush.
É o auxílio emergencial, estúpidos.
Basicamente, é isso que os bolsonaristas devem compreender, neste momento em que festejam a subida de Bolsonaro nas pesquisas.
Mas, como já se disse aqui, fiquem certos que o "novo" Bolsonaro não existe. Ele é um fake. É o próprio escorpião da fábula.

























