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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Metrô de superfície no lugar do BRT


Por
FRANCISCO SIDOU, jornalista (por e-mail)

A população de Belém parece cansada com a mesmice das últimas eleições municipais, em que elegeu dois prefeitos que se reelegeram prometendo coisas e loisas. mas sem atacar nos últimos 16 anos os principais problemas e carências da cidade, que só fizeram crescer. Obras cosméticas foram realizadas e o asfalto e tapa buracos parece ser o principal investimento às vésperas do pleito municipal.
Os marqueteiros também precisam reciclar os slogans de suas campanhas. A população também parece cansada de escolher o prefeito pelo "jingles" ou pelos slogans e outdoors. A campanha será curta e atípica também. Muitos serão os candidatos a vereador, por exemplo, que sequer terão tempo de dizer alguma coisa no Horário Eleitoral Gratuito. Só os afilhados ou filhotes dos caciques e donos dos partidos terão espaço na TV.
São muitas as necessidades e problemas nas áreas de Saúde, de Saneamento , na Educação e na Mobilidade Urbana.
O próximo prefeito terá muitos desafios e precisará de muita energia, de apoio político para conseguir recursos e até de sorte para conseguir realizar seus projetos.
O conceituado Blog Ver-o-Fato, editado pelo competente colega jornalista Carlos Mendes, iniciou uma série de entrevistas com os pré-candidatos já conhecidos a prefeito de Belém. O primeiro entrevistado foi o deputado federal e ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.
Provocado pelos jornalistas Carlos Mendes, Francisco Sidou e Val André Mutran, Edmilson admitiu que hoje, com mais experiência, terá humildade suficiente para corrigir possíveis erros de sua gestão anterior, além de ânimo e coragem pára ousar no enfrentamento dos novos desafios e problemas decorrentes das muitas carências da cidade.
Abordou então várias questões das áreas de Saneamento, Saúde e Mobilidade Urbana, que, na sua avaliação, se agravaram nos últimos 16 anos de gestão tucana na capital paraense.
Saneamento
Falou da prioridade de solução para a questão do Lixo em Belém, que só tem se agravado ao longo dos anos, por falta de medidas saneadoras e não apenas cosméticas como os lixões ou aterros ditos sanitários. Destacou que em cidades menores que Belém, esse problema virou solução com o processamento do lixo, transformado em energia e adubo , gerando emprego e renda. Garantiu que irá acabar com essa "farra do lixo" em Belém, onde empresas de fora encontram aqui verdadeiras minas de enriquecimento na coleta do lixo da cidade, sem qualquer processamento. Problema que, avalia, o atual prefeito vem empurrando com a barriga para seu sucessor.,
Quanto ao interminável Saneamento do Tucunduba, garantiu que irá buscar novos recursos junto ao BNDES ou Banco Mundial para terminar as obras paradas..
Saúde
Confrontado com as muitas reclamações da população belenense quanto a precariedade dos serviços e o péssimo atendimento nos Pronto Socorro e nas UPAs, Edmilson acatou uma sugestão de pauta do jornalista Francisco Sidou no sentido de ´promover uma parceria com a Santa Casa e com o governo do Estado para ampliação das instalações do PS da 14 com o aproveitamento e aparelhamento dos 10 galpões da Santa Casa que ficaram abandonados e ociosos com a mudança para o novo prédio.
Com essa ampliação , pretende acabar com o triste cenário de pessoas em macas jogadas nos corredores aguardando atendimento, que são o retrato acabado da má gestão na saúde pública. A Prefeitura reclama que nas suas unidades de Saúde são atendidas pessoas de outros municípios do Estado sem a contrapartida deste em termos de recursos. Ora, todos são paraenses e carentes de uma atendimento mais humano e mais digno.Então, a solução seria ampliar a área de assistência à saúde dos paraenses. Essa parceria seria um exemplo de co-gestão responsável da Saúde Pública e quem sabe até exemplo para o Brasil.
Mobilidade Urbana
Indagado se é verdade que "os rios são nossas ruas" - como já nos ensinavam os índios Tupinambás o poeta Ruy Barata, por que não aproveitar a vocação natural da cidade - a metrópole das Águas -com linhas fluviais urbanas interligando as 39 comunidades ribeirinhas com indiscutíveis reflexos na Cultura, no Lazer e na Economia da Cidade, ele garantiu que sua equipe técnica já está estudando a viabilidade econômica de linhas fluviais urbanas com o bilhete único e o mesmo preço dos ônibus.
Perguntado se terá coragem para enfrentar o cartel dos barões donos de ônibus , coronéis da Cultura do Atraso, que não querem mudar nada no cenário de transportes em Belém , garantiu que as Licitações serão abertas a toda e qualquer empresa do Pará, do Brasil e até do exterior que se proponha a explorar as linhas fluviais urbanas sob a supervisão do poder público e com o mesmo preço dos ônibus.
Garantiu ainda que a população de Belém , em sua gestão, vai ter direito a optar por andar em ônibus com ar condicionado, como já acontece em quase todas as outras capitais e até em cidades menores.
BRT saudações
Confrontado sobre o que fará com o fracassado projeto do BRT/Belém, que já "devorou" 500 milhões de reais e se tornou em vez de solução uma via-sacra em 14 estações , garantiu -, atendendo a uma sugestão do jornalista Francisco Sidou - que irá reunir uma equipe técnica do maior gabarito para avaliar com o mestre Nagib Charone, caso aceite seu convite, a transformação das pistas de concreto em trilhos para possibilitar a implementação de uma linha de metrô de superfície, com vagões modernos e bem mais amplos que os ônibus do BRT. Aliás, essa possibilidade já foi anunciada pelo próprio Charone, em entrevista ao programa "Linha de Tiro", entrevistado pelos jornalistas Carlos Mendes e Francisco Sidou.
Cultura & Lazer
Arborização das praças recém-inauguradas e replantio de novas mangueiras também será um projeto permanente de seu governo, caso eleito prefeito, Belém, na sua visão, não pode ser uma cidade sem árvores cercada de florestas por todos os lados. A especulação imobiliária acabou com os quintais e a cidade está se transformando em uma Ilha de Calor, avaliou.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A grande e tardia sacada




Ao elogiar a iniciativa do prefeito Zenaldo Coutinho (e de sua secretária da Semob, doutora em "mobilidade urbana") em promover inauguração festiva de uma linha fluvial urbana Icoaraci/Belém de um barco só (vejam na foto de Adriano Magalhães, da Agência Belém), e ao salgado preço de R$ 10, renomado colunista "por dentro" dos fatos festeja o alcaide dizendo que ele descobriu um verdadeiro "Ovo de Colombo" . Como é que ninguém pensou nisso antes? - deveria também ter perguntado o ilustre jornalista.
Ovo de Colombo é uma expressão popular que significa que algo muito difícil de se realizar, embora pareça muito fácil depois de concretizado. É também uma metáfora usada para se afirmar que qualquer um poderia realizar o feito.
Na verdade, vimos pregando no deserto a ideia do transporte fluvial urbano, como melhor saída para o sufocante tráfego de Belém, há mais de 20 anos. Não reivindicamos qualquer título ou medalha, muito menos o epíteto de "pai da criança". Sempre defendemos ideias de melhorias para Belém , como uma espécie de cronista não oficial da cidade, apontando problemas, mas, também, indicando sugestões e ações prospectivas de gestão.
Na década de 80, como jovem repórter de "A Província do Pará", cobrimos uma coletiva com os então também jovens técnicos japoneses da Consultoria Internacional Jica , quando apresentaram seu Projeto de Desenvolvimento do Tráfego Urbano (PDTU) para Belém, após dois anos de pesquisas e estudos criteriosos, com aquele rigor e seriedade que são marcas características da cultura japonesa.
Com base em premissas técnicas, alertavam então que Belém poderia "travar " por volta do ano (então longínquo) de 2010, caso não fossem adotadas as medidas, obras e serviços listados em seu bem elaborado Plano.
Lembramos claramente que, dentre as obras programadas para desafogar os principais corredores de tráfego da cidade (os mesmos de hoje), constavam dois anéis viários, um no Complexo do Entroncamento e outro no Largo de São Brás, ambos com elevados que permitiam o fluxo contínuo do tráfego, sem sinais de três/quatro tempos, de nenhum tempo. Elevados nos principais cruzamentos da Av. Almirante Barroso - Lomas e Humaitá.
Na Bandeira Branca previa um túnel com duas pistas para facilitar o acesso à Ceasa dos veículos pesados e evitando novos sinais na Almirante Barroso. Outra recomendação: construção de Terminais de Integração , um em São Brás e outro na atual Praça "Waldemar Henrique". Também indicavam a adoção do metrô de superfície então já existente em várias cidades com mais de 1 milhão de habitantes.
Quantos gestores tivemos desde então? Seis ou sete? Nenhum deles procurou dar continuidade ao Plano da Jica, preferindo marcar sua "passagem" com alguma obra que pudesse chamar de sua.
O prolongamento da João Paulo II (outra obra planejada pelo PDTU dos japoneses) também ficou pela metade e não ajuda (ao contrário, até complica) em desafogar o gargalo infernal do Complexo do Caos, que virou o Entroncamento. A única obra positiva foi construída com verba federal pelo governo do Estado, que é a Nova Independência, facilitando o acesso à BR-316, sem passar pelo Entroncamento de cerca de 20 mil veículos, diariamente. As demais iniciativas como pretensas soluções para os problemas de mobilidade urbana, apenas os tem agravado, como intervenções do tipo de inversão de mão em algumas vias, cocadas baianas e tartarugas do asfalto , como balizadores do trânsito, entre outras ações típicas da improvisação e da falta de continuidade no planejamento e na gestão do tráfego da cidade.
Em Belém circulam hoje cerca de 500 mil veículos (na época do PDTU dos japoneses da Jica eram apenas 100 mil ) e a cada mês mais dois mil veículos são liberados para rodar praticamente pelas mesmas e já congestionadas ruas. As vias de uma cidade são como as veias do corpo humano: quando entopem provocam o colapso do organismo. Todos sabem, menos as "autoridades competentes", que a solução para os graves problemas de mobilidade urbana de Belém não virá com o sistema BRT, cuja execução atabalhoada só tem contribuído para ampliar os problemas enfrentados diariamente pela população. Além disso, já foram consumidos mais de R$-200 milhões e a obra continua emperrada, atrapalhando o tráfego ao invés de desafogá-lo.
A solução natural e menos onerosa sempre foi a criação de linhas fluviais urbanas interligando Belém a Mosqueiro/Icoaraci/Outeiro/Combu e ilhas, utilizando-se o enorme potencial das abundantes águas que rodeiam a cidade como vias naturais. Mas isso, os "coronéis do atraso" sempre teimaram em não admitir. Há dois meses foi aberta uma licitação para a primeira linha fluvial Icoaraci/Belém. Sabe-se apenas que os donos de ônibus não gostaram da ideia e fizeram chegar seu descontentamento a quem de direito. Então, a Semob informou apenas que a licitação foi considerada "deserta", por falta de interessados...
Agora, ao 'inaugurar" a linha fluvial de elite Icoaraci/Belém, ao preço de R$-10 a passagem, o prefeito, com assistência técnica de sua assessora doutora em mobilidade urbana, anuncia nova licitação, a ser aberta nesta segunda-feira, 18 de janeiro, para uma linha fluvial urbana com "preços populares"(sic) ...
Perguntar não ofende. Então:
1) - Por que só um dia depois dos festejos dos 400 anos de Belém ocorreu essa descoberta do "Ovo de Colombo" de que o transporte fluvial urbano seria uma "grande sacada" ?
2) - Por que não houve planejamento e estudos de viabilidade econômica a tempo de se inaugurar efetivamente o transporte fluvial urbano interligando Belém a Mosqueiro/Outeiro/Icoaraci/Belém como presente e como parte dos festejos comemorativos aos 400 anos de Belém ?
A improvisação e a falta de planejamento adequado podem acabar matando no nascedouro mais uma boa ideia, como é o caso da "saída" pelas águas para os problemas graves de mobilidade urbana de Belém. Passagem a R$-10 reais é para turista, não para s trabalhadores, estudantes, aposentados e donas de casa que usam transporte coletivo para se deslocar para o trabalho ou estudo em Belém. Transporte coletivo fluvial urbano requer no mínimo passagens com valores aproximados dos ônibus, algo em torno de três a quatro reais. E também que seja operado de modo contínuo, com saídas de 30 em 30 minutos, no máximo.
Como anunciado, apenas com um barco operando, a preços para turistas, o "Ovo de Colombo" pode acabar se transformando em "Ovo da Serpente", no sentido da frustração que pode gerar na população, após o "bombardeio" da propaganda e dos elogios da mídia camarada em trombetear a "grande sacada" tardiamente anunciada aos quatro ventos.

FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

400 anos: Os presentes para Belém



Belém, na sua essência maior, tem o seu lado poético, que se revela na chuva que lava as ruas e a alma. Só quem já saboreou uma manga madura caída do pé tomando banho de chuva numa tarde de Belém pode sentir a verdadeira magia da cidade.
Falar mal de Belém não é a melhor maneira de se comemorar seus 400 anos. São tantas as demandas da cidade que, se cada gestor, nos últimos 100 anos pós-Antônio Lemos - talvez o único estadista que governou a cidade - tivesse pelo menos realizado uma única obra relevante em seu mandato, Belém hoje seria uma das metrópoles mais modernas e bonitas do país.
Na área do saneamento , por exemplo, existem demandas reprimidas como a da Bacia do Tucunduba, que estão provocando alagamentos e sofrimentos a mais de 200 mil de pessoas que residem na sua área de confluência. São outros tantos que sofrem nas áreas da Estrada Nova, do Barreiro e do Tapanã, por falta de saneamento básico e de água encanada. As obras não conseguem andar, apesar do otimismo e das promessas de todos os candidatos a prefeito nos últimos 50 anos, em suas campanhas e visitas antes da eleição...
Os transtornos diários no trânsito da cidade provocados pelo estrangulamento de seus principais corredores de tráfego são cada vez mais estressantes e onerosos. Os custos não só econômicos, mas também sociais e na saúde, por deteriorar cada vez mais a qualidade de vida da população. Planos, planilhas e projetos se acumulam nas estantes e gavetas da Codem e da Semob. Na década de 80, os consultores da Jica , ao concluírem um dos muitos Planos Diretores de Tráfego Urbano (PDTU) encomendados e abandonados por vários prefeitos, já alertavam, com base em premissas técnicas, que Belém poderia "travar " por volta do ano (então longínquo) de 2010, caso não fossem adotadas as medidas, obras e serviços listados em seu bem elaborado Plano. Só para lembrar: entre as obras planejadas constavam anéis viários no Entroncamento e em São Brás, elevados nos principais cruzamentos da Almirante Barroso( Humaitá e Lomas),além de Terminais de Integração em São Brás e na atual Praça "Waldemar Henrique". Também recomendavam a adoção do metrô de superfície então já existente em várias cidades com mais de 1 milhão de habitantes.
Quantos gestores tivemos desde então? Seis ou sete? Nenhum deles procurou dar continuidade ao Plano da Jica, preferindo marcar sua "passagem" com alguma obra que pudesse chamar de sua. Um deles chegou a se comparar ao grande "Antônio Lemos", que deve ter-se retorcido todo em sua tumba, tal a lambança herética do Dudu...
Sinais de três e quatro tempos, medidas improvisadas e obras cosméticas realizadas nos últimos 30 anos, por falta de continuidade e de planejamento, não foram suficientes para acompanhar o ritmo de crescimento desordenado do sistema de tráfego da cidade. Em Belém circulam hoje cerca de 500 mil veículos e a cada mês mais de três mil veículos são liberados para rodar praticamente pelas mesmas e já congestionadas ruas. As vias de uma cidade são como as veias do corpo humano: quando entopem provocam o colapso do organismo. Todos sabem, menos as "autoridades competentes", que a solução para os graves problemas de mobilidade urbana de Belém não virá com o sistema BRT, cuja execução atabalhoada só tem contribuído para ampliar os problemas enfrentados diariamente pela população. Além disso, já foram consumidos mais de R$-200 milhões e a obra continua emperrada, atrapalhando o tráfego ao invés de desafogá-lo. A solução natural e menos onerosa seria a criação de linhas fluviais urbanas interligando Belém a Mosqueiro/Icoaraci/Outeiro/Combu e ilhas, utilizando-se o enorme potencial das abundantes águas que rodeiam a cidade como vias naturais. Mas isso, os "coronéis do atraso" não permitem. Há dois meses foi aberta uma licitação para a primeira linha fluvial Icoaraci/Belém. Mas ninguém mais teve notícias sobre o seu "fechamento". Sabe-se apenas que os donos de ônibus não gostaram da ideia e fizeram chegar seu descontentamento a quem de direito. Então, a Semob informou apenas que a licitação foi considerada "deserta", por falta de interessados...
Por que, então, não se faz outra licitação, agora com abrangência nacional e até internacional?
Pregamos no deserto pela solução fluvial urbana há mais de 20 anos. Pelo visto, os donatários da cidade continuam fazendo ouvidos moucos e dando as costas para o futuro de Belém.
Em Santarém já operam modernas lanchas tipo catamarã (foto) desafogando o tráfego na cidade e proporcionando uma viagem agradável e desestressante. Enquanto isso, em Belém, as ruas não cabem mais carros, os passageiros andam cada vez mais estressados e não se vislumbra outra solução de mobilidade urbana que não seja o ultrapassado BRT, cujas obras intermináveis só tem contribuído para aumentar mais ainda o congestionamento dos principais corredores de tráfego já saturados.
São muitas também outras demandas que a cidade reclama, como a correção das calçadas irregulares e precárias, obrigando os pedestres a caminhar pelo meio fio e até na pista, expondo-se a sérios riscos de ser atropelados.

Mas vamos celebrar Belém falando das coisas boas da cidade que todos amamos e desejando como presente que ela em breve possa ter também um novo prefeito-estadista. No fundo, todos gostaríamos de ter, pelo menos, 400 motivos para festejar os 400 anos de nossa cidade. Cidade que, apesar dos descasos na sua gestão e de maus tratos promovidos por alguns filhos insensatos, continua linda e singular na variedade de seus encantos e na magia de seus sons, cheiros, sabores e cores.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O que vamos comemorar nos 400 anos de Belém




A previsão técnica, com precisão cirúrgica, feita pelos consultores da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) , na década de 80, quando da elaboração de mais um Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU ), de que Belém iria "travar por volta de 2010", caso nada fosse feito em obras viárias para melhorar a mobilidade urbana , já é uma realidade vivenciada no cotidiano de mais de 1,7 milhões de pessoas que trabalham, estudam ou residem na Grande Belém. Como todo grande núcleo urbano, a capital paraense enfrenta o inchaço que aumenta vertiginosamente. A frota de veículos na região metropolitana de Belém vem crescendo a uma taxa de 10% ao ano. Já circulam hoje na cidade mais de 600 mil veículos automotores e a expectativa é que essa frota triplique nos próximos dez anos.
Nesse cenário cada vez mais conturbado, por falta de planejamento urbano e de obras viárias indispensáveis, os motoristas continuam disputando espaço praticamente nas mesmas vias de 30 anos atrás. Apesar da gravidade do problema, que atinge não só os condutores, mas a quantos precisam se deslocar em transporte coletivo para trabalhar ou estudar, as soluções até agora apresentadas são cosméticas e inversamente proporcionais à velocidade com que o pesado tráfego e estressante trânsito caminham para o estrangulamento quase total do sistema viário de Belém. Os problemas do trânsito em transe tem provocado, além dos congestionamentos colossais, abalos na saúde e na qualidade de vida da população. Buzinaços que nada resolvem, mas estressam; filas duplas e triplas na frente de colégios particulares; o "jeitinho" de parar o carro em qualquer lugar "porque não vai demorar, é rapidinho" ; ocupação de vagas de idosos e pessoas com deficiências na maior cara de pau"; o desrespeito às normas de trânsito (dirigir sem cinto de segurança e falando ao celular, dirigir sem capacetes nas motos, carregando mais de 2 pessoas e até crianças sem proteção , bicicletas e carroças na contramão), além de total ausência de regras mínimas de civilidade formam um "caldo de cultura" que está deixando todo mundo estressado junto com o trânsito engessado e sem lei.
Saídas? Elas existem e estão bem ali na nossa frente. São as abundantes águas que banham Belém, que continua de costas para sua vocação natural. Não por culpa sua, claro, mas dos interesses escusos e difusos da perdulária  elite econômica que domina a gestão da cidade. Transporte Fluvial Urbano é a solução economicamente mais viável que ainda pode ser adotada para livrar Belém do inevitável colapso de seu falido sistema de transporte viário, que padece dos efeitos perversos da falta de planejamento e do descaso de décadas e de gestões pífias, amadoras e temerárias.
A Semob anunciou, há seis meses, com pompa e circunstância abertura de licitação para uma linha fluvial urbana incluindo no trajeto Mosqueiro/Belém, Outeiro/Icoaraci/Belém, com modernas lanchas fluviais. Depois disso, a Semob se fechou numa cortina de silêncio.Aguardávamos todos que esse seria um presente para comemorar os 400 anos de Belém. Ledo SSS engano!
Certamente os donos de ônibus, que também se acham os donos da cidade, não gostaram da"novidade" e trataram de dizer isso com todas as letras ao pessoal da Semob. Os donos de ônibus estão satisfeitos com o caos hoje instalado no trânsito de Belém e não querem mudanças. O problema é que eles não foram eleitos pelo povo. Apenas deram uma "ajuda" na eleição do atual e de todos os ex-prefeitos de Belém nos últimos 50 anos... Com isso se acham no direito de barrar todo e qualquer projeto que represente uma saída moderna para o sistema de transporte de Belém, com medo de perder seus privilégios sustentados pela "cultura do atraso" e pelo descaso de gestão de nossa maltratada cidade. Bela, morena,brejeira e faceira, apesar da indiferença de alguns filhos ingratos (incluindo alguns políticos) que insistem em maltratá-la.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Por que não se criar a CPMJ?


FRANCISCO SIDOU

A presidente Dilma ameaça criar novos impostos, após o fracasso na tentativa aloprada de se "exumar" a CPMF, projeto abatido na "incubadeira" do sinistro Levy, por falta de apoio político e popular. Tudo esse esforço concentrado para cobrir o rombo nas contas públicas, criado pelo próprio governo na sua longa maratona de gastança irresponsável, como se os cofres públicos fossem uma fonte inesgotável, blindada contra saques e assaltos.
Dilma precisaria aprender com qualquer dona de casa que quando se gasta mais do que se ganha ou arrecada, a crise se instala, exigindo sabedoria e economia nos gastos não essenciais. As donas de casa conseguem equilibrar as finanças domésticas. Por que o governo não consegue cortar gastos não essenciais, como, por exemplo, os cartões corporativos (R$ 30 milhões, em média, por mês) , pelo menos 19 dos 39 ministérios e as mordomias de ministros, parlamentares e juízes, os 22 mil cargos comissionados de servidores não concursados, as viagens de ministros e servidores para o exterior , entre outros?
O perigo de se taxar o consumo com novos impostos e aumentar as alíquotas dos já existentes, como ICMS e Confins, é provocar uma quebradeira geral no comércio e na indústria, com a retração dos compradores, provocando demissões em massa, em perverso efeito dominó da crise instalada. Por que ninguém se lembra de taxar uma atividade "ilegal", mas que se pratica abertamente em todo o Brasil, que são os "jogos de azar"?
Os bingos eletrônicos, por exemplo, proibidos por Lei, estão "bombando" diariamente promovidos pela Caixa Econômica Federal, órgão do governo federal. Outros bingos existem em funcionamento clandestino, aqui e alhures, enquanto o "jogo do Bicho" campeia solto em bancas instaladas em todas as esquinas do Brasil. Só os jogos patrocinados pela Caixa movimentam em média valores de R$-50 milhões por dia. Desse total, apenas 30% são destinados a premiações. Os restantes 70% têm uma destinação meio difusa/confusa, sabendo-se apenas que 20% ficam na própria CEF, a título de Encargos e Taxas de Administração e 13% de Imposto de Renda. O restante de toda essa dinheirama se dilui em várias destinações em percentuais de zero alguma coisa.
Taxar bebidas, fumo e jogos é uma alternativa para arrecadar mais dinheiro, penalizando apenas os que bebem, fumam e jogam e não toda a população brasileira, como ocorre com a CPMF, que estão querendo ressuscitar.
As restrições à legalização de jogos no Brasil são de variada ordem, em nome da moral e dos bons costumes. Ocorre que manter a jogatina na clandestinidade em nome de tais valores só tem servido para favorecer o enriquecimento de "bicheiros" e a corrupção do aparelho policial, que costuma fazer "vista grossa" em troca de gordos "pixulecos".
Os jogos de azar estão proibidos oficialmente no Brasil desde 1946, através de Lei sancionada pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, lei que continua valendo até hoje. Na época, a proibição ocorreu, principalmente, por influência e pressão da igreja. Desde então, casas de jogos que passam pelo bingo às máquinas de caça níqueis, são fechadas, mas logo depois reabertas, clandestinamente. No entanto, o gosto popular pelos jogos só tem feito aumentar.
Os menos abastados jogam no bicho, e os mais privilegiados viajam em jatinhos para jogar em cidades como Punta Del Leste, Las Vegas ou em cruzeiros pela Europa, levando para o exterior recursos que poderiam ficar por aqui e ajudar na recuperação dos hospitais públicos e na melhoria do atendimento à saúde da população nas UPAS e nos postos do SUS.
Estima-se que os jogos clandestinos, como bingo e jogo do bicho, movimentem cerca de R$-50 milhões por dia em todo o Brasil. Não estão aí computados as movimentações financeiras dos jogos eletrônicos promovidos pela Caixa Econômica Federal, também em torno de R$ 50 milhões diários.
Sílvio Santos também acumula riquezas com sua tele-sena, que nada mais é que um bingo eletrônico. Então, já se faz a hora de acabar com essa hipocrisia e se legalizar os jogos no Brasil, com taxação mínima de 30% sobre todas as movimentações financeiras , incluindo os bingos eletrônicos já praticados em larga escala pela CEF, além do secular jogo do bicho, que tem notórias ligações com o submundo do carnaval e do futebol.
Por que não se criar, então, a Contribuição Provisória sobre as Movimentações Financeiras em Jogos (CPMJ) no Brasil ?

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Presentes que Belém merece em seus 400 anos


Em sua página no Facebook, o jornalista Francisco Sidou iniciou uma série com o título de "Presentes que Belém merece", numa alusão aos festejos dos 400 anos da cidade ou numa tentativa de motivar o prefeito Zenaldo Coutinho a fazer alguma ação que seja possível comemorar, na ausência de sugestões da "Comissão de Notáveis" nomeada pelo próprio gestor justamente com essa missão.
Vejam abaixo.

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Que tal, prefeito Zenaldo, transformar o belo prédio do mercado de São Brás (na foto) em um centro cultural e de lazer ? Em um dos points turísticos da cidade? Com feira de exposição do artesanato do Pará, espaços para exibições e shows de artistas paraenses ou de fora, praça de alimentação com quiosques para venda de produtos da rica culinária paraense, hoje mais valorizada no sul do país do que por aqui mesmo. Vamos resgatar a autoestima do povo belenense, senhor prefeito?
O Mercado de São Brás é uma construção histórica, erguido durante época áurea do ciclo da borracha amazônica, a sua construção foi iniciada no dia 1º de Maio de 1910 e concluída em 21 de Maio de 1911.
O mercado foi construído em função da grande movimentação comercial gerada pela ferrovia Belém/Bragança. Como o ponto final do trem era em São Brás, com muitas pessoas embarcando e desembarcando ali, a área se tornou atrativa para a comercialização de produtos. O mercado foi projetado também para ampliar o abastecimento da cidade, que até então ficava concentrado apenas no mercado do Ver-o-Peso. Criado pelo arquiteto italiano Filinto Santoro, o mercado possui sua estrutura construída em ferro e mescla elementos do art nouveau e neoclássico, com detalhes artísticos em ferro e azulejos decorativos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Os presentes que Belém merece

Olhem só.
Francisco Sidou já assinou esta mesma crônica em tempos d'antanho, também para marcar o transcurso do aniversário de Belém (leiam aqui e aqui).
E pede que para se publique mais uma vez, porque os cenários de ontem são iguais os de hoje.
Leiam abaixo.

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Nas comemorações oficiais pelos 399 anos de fundação de Belém, a prefeitura programou alguns shows e fogos, distribuiu algumas medalhas de Honra ao Mérito, mas a população da cidade mesmo tem muito pouco a festejar.
Apesar do descaso e dos maus tratos dos últimos governos municipais, de péssima memória e nenhuma saudade, Belém continua brejeira na sua morenice e imbatível na variedade de seus sabores,cheiros e cores. A melhor maneira de comemorar esse aniversário seria com um belo banho de cheiro nas feiras e praças da cidade para lavar a "alma" da cidade e também afastar tudo aquilo que agride a beleza natural de Belém. Os códigos não observados, as posturas inadequadas e as imposturas persistentes.
Que tal também presentear a cidade com um livro contando sua história, através dos relatos de seus cronistas maiores, desde os mais antigos, que descreveram a gostosa Belém de outrora, aos mais modernos, que se reportam ao viver contemporâneo? Uma coletânea com o melhor do que relataram sobre Belém (em prosa, verso ou música) apaixonados namorados da cidade, como, dentre outros, De Campos Ribeiro, Augusto Meira Filho, Nilo Franco, Edgard e Edyr Proença, Adalcinda Camarão, Ernesto Cruz, Edwaldo Martins, Carlos Rocque, grandes figuras humanas dotadas de sensibilidade e talento, que, infelizmente, já se foram, deixando mais pobre e vazia de poesia e arte a paisagem humana/urbana de Belém. Que tal reeditar o livro "Crônicas da Cidade", editado pela Imprensa Oficial, salvo engano, na década de 70, com saborosas crônicas publicadas pela "Província do Pará", de autoria do cronista maior da cidade, jornalista Nilo Franco ?
Outro presente para a cidade seria a criação de um Conselho Municipal de Cultura, composto de cidadãos belenenses que se destacam no mundo das artes e da cultura, tendo como principal requisito uma declaração sincera de amor à Belém. A esse conselho caberia zelar pela memória da cidade, oferecendo sugestões ao prefeito, sem cobrar cachê nem DAS. Nem ameaçar o emprego dos vereadores e de seus dedicados assessores...
E o trânsito caótico/neurótico, que continua fazendo vítimas, diariamente, além de se transformar numa das faces mais cruéis do caos urbano, com seus congestionamentos irritantes e colossais?
As artérias de uma cidade são como as veias no corpo humano: quando entopem, o organismo todo entra em colapso e morre. Belém está parando, a cada ano um pouco mais, como aliás previram os técnicos japoneses da JICA, na década de 80, caso nada fosse feito até 2010,em termos de planejamento e obras viárias já então consideradas inadiáveis...
Decorridos mais de 25 anos de omissões desde a apresentação do PDTU dos japoneses da JICA , o ex-prefeito Duciomar , bem a seu estilo de pequeno títere, resolveu implementar "na marra" o projeto do BRT como solução mágica para todos os males do congestionado trânsito e pesado tráfego da cidade travada. Obra iniciada atabalhoadamente , sem planejamento adequado (não por falta de tempo, diga-se) e atropelando dispositivos legais na sua licitação, o BRT em Belém virou sinônimo de bagunça, malversação e desperdício do dinheiro público. Única via de entrada e saída da cidade, a Av. Almirante Barroso jamais poderia sofrer qualquer intervenção viária antes de serem construídos os elevados do Entroncamento.
O prefeito Zenaldo Coutinho recebeu essa verdadeira "herança grega" e teve o mérito de dar um "pit stop" no Projeto e submetê-lo a uma reavaliação técnica para que fosse continuado, priorizando a construção dos elevados do Complexo Viário do Entroncamento, como recomendavam não só os técnicos mas também o bom senso de toda a população de Belém, que sofre horrores diariamente no corredor BR-316/Almirante Barroso. Quanto aos prejuízos ao erário municipal, o Ministério Público e a Justiça devem cuidar com o zelo que o assunto merece. Aliás, já vem cuidando como se evidencia da sentença da íntegra juíza Hind Kayath, que condenou o ex-prefeito e uma de suas fiéis assessoras a devolverem cerca de R$-80 milhões aos cofres públicos. É essa, aliás, a maior punição que se pode dar a um mau gestor público. Melhor do que a cadeia, certamente.
Com as obras de prolongamento da Av. João Paulo II, da Av. Independência e de duplicação da Av. Perimetral, além da extensão do BRT até Marituba, realizadas pelo Governo do Estado, a cidade ganhará certamente um belo presente para seus 400 anos, destravando aquele infernal gargalo do Entroncamento, além de possibilitar maior mobilidade urbana e qualidade de vida em todos os municípios que integram a Região Metropolitana de Belém.
Priorizar o transporte público deveria ser a principal meta do planejamento de tráfego, a cargo da Semob, abrindo a concessão de novas linhas com ônibus especiais,com ar condicionado, higiene (lixeiras) e conforto,mesmo com tarifa diferenciada,como já existem em outras capitais brasileiras,como a maneira mais inteligente e eficaz de estimular a retirada dos veículos particulares das vias entupidas de carros e de estresse.
Outro presente para Belém seria o resgate da cidadania e o direito de ir e vir de sua população ameaçada pela violência urbana.
Há no ar, nas ruas, nos lares e nos bares, uma sensação de impotência e desamparo dos cidadãos belenenses em relação à violência e barbárie que tem tomado de assalto as ruas da cidade.
A sociedade belenense está ficando refém da insegurança e do medo. Ninguém mais tem certeza de que voltará vivo para sua casa, após um dia de trabalho. Pais e mães temem pela segurança de seus filhos que precisam ir à escola, ao trabalho ou a um simples lazer.
Os governantes precisam assegurar proteção ao cidadão , uma de suas obrigações e deveres com a sociedade, nos termos do artigo 144 da Constituição Federal, que inclui a "segurança como dever do Estado e direito do cidadão."
Belém também precisa da recuperação e do nivelamento de suas calçadas para que seus habitantes possam ter maior comodidade e segurança. Em bairros como Canudos, cada casa tem uma calçada diferente, obrigando os transeuntes a andar no meio fio, disputando perigosamente espaço com os veículos. E, por favor, senhor prefeito, as "pedras portuguesas" são inadequadas para nosso clima, deslocam-se e ainda provocam quedas desastradas e perigosas. Que tal colocar os engenheiros da PMB para pesquisarem novos materiais resistentes ao nosso clima e mais adequados para o revestimento das calçadas da cidade ? "A fadiga dos materiais " das pedras portuguesas é óbvia e ululante, como dizia o grande Nelson Rodrigues.
Belém também clama por mais arborização diante da insana "saga" predatória da corrida para o alto de torres cada vez mais tórridas, que se erguem deixando rastros de destruição das poucas áreas verdes que ainda restam na cidade. Não por acaso, o último quintal de Belém, na Almirante Barroso (Palacete Faciola) - cujo rèquien anotei em crônica neste Blog - abriga hoje, além de três torres, uma casa para doentes mentais...Ali também deveriam ter sido internados os autores daquele verdadeiro crime contra a cidade...
Enquanto o BRT não vem, a população de Belém também clama por um transporte coletivo mais limpo e decente. Uma pergunta que não quer calar: por que os donos de ônibus não colocam em algumas linhas coletivos com ar-condicionado ? Na maioria das capitais brasileiras eles existem e representam uma opção para os motoristas deixarem seus carros na garagem, assim contribuindo efetivamente para desafogar o pesado tráfego nas metrópoles. Por que a ex-Ctbel, ex-Amub, atual Semob não estimula essa alternativa ? Por que não mudar os paradigmas de uma política de transporte urbano defasada e corporativa ?
Belém também clama por novas janelas para o Rio. A cidade precisa respirar melhor diante das muralhas de concreto, aço e vidro que se erguem imponentes, mas destruindo as "pontes" da cidade com a natureza exuberante que a cerca.
Belém precisa sobretudo dos afagos de seus filhos, rogando que não joguem lixo nas ruas e canais; que não urinem nos muros e nos postes; que não tirem as mangas ainda verdes para deixar que elas possam cair de maduras. Só quem já saboreou uma manga tomando banho de chuva numa tarde de Belém pode entender o sentido poético dessa relação de amor com a cidade morena, brejeira e faceira. Belém merece o melhor. Não só de seus governantes, mas, também ,de seu povo cordial e hospitaleiro.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Réquiem para o último quintal de Belém

FRANCISCO SIDOU

Atendendo a vários amigos que me cobraram a falta do texto na postagem anterior, estou colando abaixo. Acabei esquecendo de fazê-lo diante da brilhante ilustração do grande J.Bosco, que quase dispensa palavras adicionais. Mas vamos ao texto:
"Li, certa feita, em alguma biblioteca pública, quando estudante, um livrinho delicioso intitulado "A cultura dos quintais". Já procurei na internet e não consegui localizar nem o título do livro, nem seu autor. O Alfredo Garcia, poeta e escritor paraense (dos bons), tem uma obra nesse gênero, salvo engano. Talvez ele possa ajudar os leitores do Espaço Aberto dando uma "canja", pois não ?
Pois bem. A leitura daquele livrinho me foi de grande valia na juventude. Aprendi, por exemplo, que as crianças que brincam (brincavam...) no quintal são mais alegres e saudáveis. O contato com a natureza lhes faz tão bem que elas se tornam adultos mais cordiais, inteligentes e sensíveis. Tive essa valiosa experiência na infância. Nossa casa no interior (Eirunepé-AM) tinha um quintal que era um verdadeiro pomar e ainda dava para o belo Rio Juruá , onde havia um porto de pequeno porte com um trampolim, no estilo "toboagua" de hoje, onde a garotada se divertia a valer, pulando e saltando naquela imensa piscina natural. Era uma festa no interior.
Meu pai (Luiz Sidou) era um ecologista nato, numa época em que ainda não se falava em ecologia. Não tinha instrução acadêmica, mas possuía grande sensibilidade e respeito no trato com a natureza, pois havia tirado o sustento da família trabalhando, como seringueiro, nas brenhas do Rio Tarauacá, durante os verdes anos de sua juventude. Ele costumava dizer que o homem insensato é aquele que destrói a fonte de seu próprio sustento. Alguém tem alguma dúvida disso nos "tempos modernos", em que o desmatamento feroz ameaça transformar a Amazônia em imenso deserto?
Essas recordações me veem à mente depois de ler na coluna "Tutti Qui", em O LIBERAL de domingo passado, que o último quintal de Belém brevemente vai virar mais uma "torre de marfim", aliás, desculpem, de tijolo, cimento, ferro, vidro e aço... O Palacete Faciola, na Almirante Barroso, é o "último dos moicanos". O imóvel ocupava imensa área verde, incluindo o enorme quintal, um verdadeiro sítio dentro da cidade. Foi desapropriado pela Prefeitura de Belém, na gestão do Edmilson, que ali pretendia construir um asilo para doentes mentais... Quem sabe não seria o caso de "internar" ali os autores dessa insana transação imobiliária!
Derrubaram toda a imensa área verde para erguerem mais três torres tórridas. De torre em torre, a cidade vai crescendo verticalmente, em ritmo frenético, com a construção desvairada de novas muralhas de cimento e aço, que estão "matando" os pulmões da cidade.
Até quando iremos assistir, impassíveis, à destruição da vida na cidade, que vai se transformando em imensa ilha de calor? Um dos últimos "sítios" de Belém, também destruído sem dó nem piedade, foi o da casa que pertenceu à professora Anunciada Chaves, que se orgulhava de receber os amigos e alunos em seu belo quintal, na Rui Barbosa com Boaventura, em memoráveis tertúlias literárias, onde se respirava oxigênio, inteligência e cultura. Sabem o que surgiu em seu lugar ? Um prédio de seis andares que abriga hoje a sede da Associação dos Defensores Públicos Federais. Pasmem, os defensores federais não conseguiram evitar aquele crime ambiental e até desfrutam hoje de uma sede construída sobre os destroços daquele que foi um dos mais belos quintais de Belém... Pobre Belém !
Outro "sítio" dentro da cidade, também destruído pelas picaretas da insensibilidade, foi o antigo Palacete Chermont, na Governador José Malcher com Almirante Wandenkok.
Também tinha um belo quintal, cheio de árvores frutíferas. Lembro que escrevi, na época, um artigo inflamado em O LIBERAL, clamando ao Ministério Público do Meio Ambiente (?) que fizesse "alguma coisa" para evitar mais esse crime ambiental contra Belém. Não houve retorno. Também pudera... Era julho em Belém. A cidade estava vazia. Clima favorável à prática de delitos com a tranquilidade dos que têm certeza de que ficarão impunes. Os "fiscais da Lei" também vão à praia, em merecidas e dobradas férias...
No caso do Palacete Chermont, o crime foi anunciado. Nas caladas da noite, alguns "agentes", empunhando picaretas, derrubavam as paredes do velho prédio para evitar que ele fosse "tombado". Na verdade, acabou tombando, levando não só mais um pedaço do verde, mas também as esperanças daqueles que ainda acreditavam em alguma providência das "autoridades ditas competentes"...
E assim a cidade vai "crescendo". De torre em torre, Belém vai ficando totalmente "asfixiada", porque o vento que vem da natureza exuberante que a rodeia vai sendo aos poucos impedido de entrar na cidade pelas "muralhas" erguidas pela ambição desvairada e pela insensibilidade abissal dos empreiteiros, incorporadores e vendedores de sonhos consumistas, que acabam destruindo as "pontes" com a natureza e a vida.
Parodiando o livro famoso "Por quem os sinos dobram", de Ernest Hemingway, diria que os sinos também dobram pelos insensatos filhos de Belém que, em nome de um falso progresso, estão destruindo, junto com as áreas verdes, a bela cidade em que vivemos e amamos.
Ai de ti, Belém, se não reagires a tempo de evitar o pior, ou seja, que todos os teus filhos acabem sendo devorados pelo calor insuportável e pela omissão dos que podem fazer alguma coisa para evitar essa tragédia anunciada e se refugiam em suas ilusórias "ilhas de conforto"... Até quando ?

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FRANCISCO SIDOU – que o Espaço Aberto acolhe com satisfação – é jornalista e estará por aqui regularmente, às sextas-feiras, com um amplo espaço à disposição para brindar os leitores com artigos como esse.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A esperança não tem idade nem partido

Do jornalista Francisco Sidou, por e-mail, sob o título acima:

Desenvolvimento, harmonia e paz social não se conseguem com ordem unida, mas com o respeito à diversidade de opiniões, de culto e culturas, de raças e classes, de sabores e cores.
O povo brasileiro, notadamente depois da Copa do Mundo/2014, passou a ser mais conhecido no mundo inteiro justamente por sua hospitalidade, alegria e rica cultura popular.
Não vamos deixar que a política e algumas de suas tenebrosas transações contaminem a "alma" do povo, dividindo a Nação entre esquerda e direita, bons e maus, brancos e negros, amarelos e pardos, petistas e tucanos, índios e caras-pálidas...
Os rótulos caem em desuso pela "fadiga dos materiais", pela renovação das ideias e dos ideais e pela dinâmica da vida. A esperança não tem idade, nem partido, nem cor.
Ordem unida só mesmo no quartel, onde antiguidade ainda é posto.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Carta aberta a Charles Alcântara

Sob esse título o jornalista Carlos Mendes postou, em seu perfil no Facebook, uma carta em que, muito embora respeitando a decisão de Charles Alcântara, de romper com a candidatura de Marina Silva a presidente da República, faz várias ponderações para concluir que é "inoportuna" a opção do ex-coordenador da Rede no Pará.
"O que quero dizer, Charles, é que Marina Silva pode, sim, ser o grande canal dessas mudanças. Se ela chegar à presidência, com o desapego à reeleição, já por ela proclamado, poderá conduzir o País a esse caminho almejado por todos. Terá, para isso, a força das urnas e das ruas. Mas, para que ela faça isso, terá de contar com pessoas que reúnam ética, inteligência e coragem", diz Carlos Mendes.
Leiam a sua carta aberta

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Charles Alcântara nunca foi um oportunista. Nem arrogante ou dono da verdade. Quando chefiou a Casa Civil do governo petista de Ana Júlia Carepa, poderia ter feito como muitos ao seu redor: calar-se para os erros do PT na relação com os partidos aliados, fingir que nada tinha a ver com as disputas autofágicas que minavam a governabilidade e usufruir do cobiçado cargo estratégico que ocupava no governo, embora soubesse que equilibrava-se sobre um fio de navalha.
Ao perceber que havia entrado em rota de colisão com o chamado “núcleo duro” do PT no governo, que tinha entre seus cardeais o atual deputado federal e candidato à reeleição Cláudio Puty, não restou outra alternativa para Charles que afastar-se do governo. Ana Júlia, que fazia um governo “da DS e dos amigos”, como bem definiu Charles, forçou a saída dele da Casa Civil. Enfim, Charles foi atropelado pelo pragmatismo do tal “núcleo duro”, que manteve a governadora refém da fogueira de vaidades que consumia a DS, a Democracia Socialista do PT, até que o governo definitivamente fosse para o buraco, perdendo a batalha pela reeleição.
Charles foi digno até na queda, recusando-se a pedir demissão, como queria Ana Júlia, sem outra alternativa que não a de demiti-lo ela própria. Recebeu propostas de sinecuras para ficar, mas não vendeu a alma ao diabo. Saiu abalado, mas de cabeça erguida. Postura típica de um homem de caráter, que não se dobrou à fisiologia do poder.
Conheci Charles Alcântara, pessoalmente, na adversidade. Já tinha ouvido falar muito bem dele. Passei a admirá-lo, de longe. No final de maio de 2009, ele aceitou um convite meu e compareceu aos estúdios da Rádio Tabajara FM, uma rádio alternativa que foi perseguida, atacada, invadida e fechada pelos intolerantes no poder. Ele foi a estrela do programa “Jogo Aberto”, entrevistado por mim e meu dileto companheiro, o também jornalista Francisco Sidou. Fez revelações sobre a verdadeira causa de sua saída do governo, contou fatos que eram desconhecidos do grande público, e causou excelente impressão, tanto a mim como ao Sidou. Charles revelou-se um homem de ideias novas, argúcia incomum e qualidade ética de quem preocupa-se com o bem estar coletivo. Ou seja, um cidadão com credencial para compor um novo quadro político no País, sem os vícios e as ambições pessoais tão comuns naqueles que já gravitaram em torno do poder.
Fora da política partidária – saiu do PT, após mais de 20 anos de dedicação, justificando que o PT havia “abdicado do petismo” -, retornou à Secretaria da Fazenda, da qual é originário, sendo eleito para comandar o Sindifisco, uma entidade a quem deu visibilidade à altura da importância que merece. Cumpriu sua missão local na entidade e galgou relevância no País em favor dos trabalhadores do fisco e, indiretamente, dos contribuintes.
Por compartilhar das ideias de Marina Silva, assumiu a missão de montar no Pará a Rede de Sustentabilidade, um nome meio esquisito para um partido político, mas de filosofia definida pelo progresso social sem degradação dos recursos naturais. Marina assume a condição de candidata a presidente da República depois de uma fatalidade que tirou Eduardo Campos da disputa. Começam os debates na TV e no rádio. O crescimento de Marina empolga amplos setores nacionais e ela começa a despontar como favorita à sucessão de Dilma Rousseff.
No combate de ideias, Marina revela-se firme em pontos cruciais, muito à frente dos demais candidatos, mas vacilante em temas delicados, como economia e política de alianças, uma área que Charles domina como poucos. O inevitável acontece: a divergência substitui a convergência. Charles decide não seguir Marina e joga a toalha. Para não me alongar, a síntese de sua divergência é a seguinte: "Não posso acompanhá-la, porque o faria por mera crença nos seus bons propósitos e no seu carisma pessoal e porque isto é absolutamente insuficiente para considerá-la a melhor alternativa para o Brasil, principalmente depois do caminho que escolheste trilhar”.
E mais: “Não vou acompanhá-la porque considero uma fraude a pregação de que todos os interesses e todas as forças políticas podem ser conciliados sem conflitos e sem escolhas que desatendam e contrariem os que sempre se beneficiaram da desigualdade em favor dos que sempre foram as vítimas dessa mesma desigualdade”.
Entendo as motivações de Charles e concordo em parte com elas. Mas chamo sua atenção para alguns fatos umbelicalmente ligados ao momento político conturbado no qual vivemos, sobretudo quanto à representatividade das agremiações políticas que temos junto às massas marginalizadas que clamam por benefícios mínimos de satisfação coletiva para quem almeja um País decente.
Sem uma reforma política que acabe com esse toma-lá-dá-cá, esse jogo fisiológico sujo que só enriquece a grupos que se comportam como autênticas máfias no poder ou em volta dele, nenhum partido novo que surja, nem a Rede de Sustentabilidade, conseguirá fazer a mudança que tanto Marina prega. A “nova política” não passará da velha política de roupa nova. É como induzir alguém que acabou de receber o diagnóstico de um câncer incurável a ir para o shopping, dar um trato no visual, pintar os cabelos e comprar a roupa mais moderna. Por fora, será alguém com outra cara, até remoçada. Por dentro, porém, está morrendo.
Não podemos, meu caríssimo Charles, mudar a velha política com dezenas de siglas de aluguel sem ideias, sem propostas e que só se reúnem às vésperas de eleições para demarcar seus territórios no terreno do poder. São tais siglas que regem a chamada governabilidade. O PT caiu nessa quando foi obrigado a conviver com Sarney, Maluf e outros por aí afora. Partido minoritário que chega ao poder, sem acordos ou alianças, por mais espúrias que sejam, não governa, é boicotado e não se sustenta por muito tempo.
Não quero dizer, com isso, que essas alianças abjetas sejam necessárias. Elas são o grande câncer político nacional, mas isso não é o fim do mundo. Essas alianças podem ser extirpadas pela reforma política que contemple o voto distrital e o fim do voto obrigatório, além de um debate sério sobre o financiamento de campanhas. Não quero aqui nem falar na candidatura avulsa, aquela em que o cidadão poderia concorrer sem filiar-se a um partido político. Seria um golpe mortal no fisiologismo partidário. Há outras alternativas, mas, como já disse, não pretendo me alongar em expô-las e mostrar que são viáveis.
O que quero dizer, Charles, é que Marina Silva pode, sim, ser o grande canal dessas mudanças. Se ela chegar à presidência, com o desapego à reeleição, já por ela proclamado, poderá conduzir o País a esse caminho almejado por todos. Terá, para isso, a força das urnas e das ruas. Mas, para que ela faça isso, terá de contar com pessoas que reúnam ética, inteligência e coragem. Se ela ficar ou se sentir sozinha, abandonada por aqueles com quem compartilhou essas afinidades, não sei se terá forças para resistir à voracidade dos donos do Brasil. Aqueles que nada têm a ver com nosso povo e que sempre só se preocuparam com seus próprios interesses, pessoais e de grupos.
Peço ao amigo que reflita sobre o que digo aqui. Não estou pedindo que reconsidere sua decisão de abandonar o barco de Marina Silva, que singra águas tempestuosas, mas com possibilidade e probabilidade de bons ventos e tempo estável no final de sua jornada. Respeito sua decisão. Apenas a considero inoportuna. O Pará, com suas carências e grandezas de dimensões amazônicas, não pode abrir mão de Charles Alcântara e Marina Silva juntos. Não merece e nem é justo.

Do seu amigo, Carlos Mendes

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Marina : a onda que virou tsunami


FRANCISCO SIDOU 

Quando Obama apresentou-se como candidato às prévias nas eleições americanas, em 2006, enfrentou sérias resistências dos caciques que então colocavam em dúvida sua viabilidade eleitoral dentro do próprio Partido Democrata. Poucos o levaram a sério, achando-o um jovem audacioso e sem experiência, imaginem, com a pretensão de governar a nação mais poderosa do mundo. Com ousadia e determinação, ele foi vencendo as barreiras e as primárias realizadas para escolha do candidato oficial do Partido Democrata,superando com folga os demais aspirantes. Algo novo estava acontecendo no cenário da política americana, dominado por monótona alternância no poder de dois partidos , onde despontavam figurinhas carimbadas como candidatos naturais, ungidos pelos caciques e aprovados "pela máquina partidária", coisa para "profissionais". Por sua ousadia, capacidade de articulação, juventude e apelo pela mudança, Obama acabou empolgando a grande maioria do eleitorado americano, com uma mensagem de grande apelo motivacional: "Sim, nós podemos "...
Diante do avassalador crescimento de Obama nas pesquisas e ante o pânico causado nas hostes republicanas pelo fracasso de todas as estratégias adotadas para barrar sua vitória iminente, o general Collin Powel, herói militar americano e poderoso Secretário de Estado do governo imperial de W. Bush II , decretou o velório nos arraiais republicanos com a seguinte declaração: " Não vamos conseguir derrubar um movimento nascido de um sonho... E ele representa isso nessas eleições. Vamos respeitar a vontade soberana do povo americano, porque assim está determinado pela Constituição do País. " Nada mais disse nem também lhe foi perguntado. Um mês depois Obama vencia o pleito, tornando-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, concretizando o sonho de várias gerações que lutaram contra a segregação racial, sob a liderança de Martin Luther King, uma legenda dessa luta, assassinado justamente porque pregava a paz e igualdade entre os irmãos de todas as raças e classes. Obama surfou nas ondas desse grandioso movimento surgido de um sonho.
O "furação" Marina nas eleições presidenciais no Brasil de 2014 lembra a saga de Obama. Ela também está surfando nas ondas de um sonho. Enquanto sua "plataforma sonhática", como vice de Eduardo Campos, não oferecia real perigo de conquistar o poder , ela era vista pelos cardeais da política nacional, pela elite econômica e pela grande imprensa até com certa condescendência como "boa moça" diante da leveza de seu discurso defendendo o desenvolvimento sustentável , a floresta, os índios, os rios e os animais.
A morte trágica de Eduardo Campos - que despontava como promissora liderança nacional, mas para disputar mesmo com reais chances de vitória só em 2018 - introduziu um forte componente dramático na sucessão presidencial, que então caminhava para uma monótona disputa entre Dilma e Aécio, representantes da elite de dois partidos que se revezam no poder há mais de 20 anos. Marina herdou a comoção nacional pela perda de Eduardo e ainda um bordão -"Não vamos desistir do Brasil" - que se tem revelado de grande apelo junto ao eleitorado até então descrente de mudanças efetivas no atual cenário político nacional.
Ainda é cedo para afirmar que Marina Silva vencerá as eleições se tornando a segunda mulher a governar o Brasil, mas é inegável que a sua candidatura é neste momento da campanha aquela que possui os pontos mais positivos. Ela é a candidata que tem o menor índice de rejeição (10%), consolidou o seu nome naquela parte do eleitorado descrente (70% desejam mudanças), conseguindo captar todo aquele sentimento de protestos que transformou as ruas do Brasil em rios de gente e em pororoca de esperanças por um novo modelo de gestão pública, sem as mazelas da corrupção, do compadrio, do nepotismo, do afilhadismo das nomeações sem concurso público; da compra de votos no Congresso Nacional em troca de aprovação de projetos do executivo; do uso imoral de cartões corporativos por burocratas e assessores dos três poderes até para saques em dinheiro vivo; da gestão mastodôntica com 39 ministérios e mais de 22 mil cargos comissionados regiamente remunerados, compondo uma aparelhagem do Estado "como nunca antes vista na história deste País" (by Lula).
Diante de um quadro instável que ameaça o "status quo" do partido no poder, em que pretendia se manter pelo menos por mais 30 anos, com o Volta Lula em 2018, os estrategistas da candidatura oficial entraram em pânico e já começaram a "temporada de caça" na busca ansiosa de algum defeito ou malfeito de Marina , numa tentativa meio desesperada de desconstruir sua imagem junto ao eleitorado. Aécio Neves, o candidato ideal para ser batido pelo PT, também já emite sinais de desconforto diante do fenômeno Marina , que não para de crescer , ultrapassando-o já pela larga margem de mais de 10 pontos nas últimas pesquisas. Enquanto a "tropa de choque" de Lula e Dilma tentam descobrir algo grave contra Marina, numa espécie de "jogo bruto" pelo poder, Aécio, com pinta de bom moço, repete à exaustão que o Brasil não é para amadores, o que apenas o descredencia ainda mais junto a um eleitorado atingido pela "fadiga dos materiais" dessa polarização entre PT & PSDB , justamente por causa das artimanhas e espertezas dos "profissionais" da política e que passaram a enxergar em Marina a possibilidade, agora tornada real pelas pesquisas, de uma renovação de métodos e paradigmas na política nacional.
No vale tudo eleitoral foram buscar até a filha de Chico Mendes para declarar apoio à "companheira Dilma" e tentar "passar" ao Brasil que "Marina é um enorme ponto de interrogação". Algo parecido com a artilharia pesada usada por Collor de Melo , com arma de baixo calibre , ao revelar à Nação um depoimento comprado de uma enfermeira que afirmava ter tido uma filha com Lula e que ele a havia abandonado. Tiro certeiro que levou Lula a nocaute no ringue do último debate eleitoral ao vivo pela TV Globo, que também apoiava "discretamente" o histriônico "Caçador de Marajás"nas eleições presidenciais de 1989....
Diz Angela Mendes, em declaração no estilo "morde e assopra": " Respeito Mariana pela sua rica trajetória de vida, enfrentando e vencendo todas as dificuldades impostas a ela como o analfabetismo, doenças e toda espécie de discriminação, até pelo modo com que consegue envolver a todos com o seu discurso ecologicamente correto e bem acabado. Mas penso que só isso não basta para governar um Brasil como o de hoje. Tenho dúvidas: Terá ela realmente liberdade para governar ? Não sei, como será esse mandato em rede, apenas com os melhores? Quem são esses melhores e quais critérios serão utilizados pra escolha desses “melhores”? Só faltou mesmo a inefável Angela repetir aquela dramática frase da atriz Regina Duarte na propaganda eleitoral ás vésperas da vitória de Lula, então também visto pelas "elites" como uma ameaça para o Brasil : "Tenho medo"....
O efeito desse tipo de "expediente" de baixo calibre parece de pouca valia para virar o jogo eleitoral no Brasil de hoje, que conhece Marina, mas não sabe nada da vida de Angela Mendes, por exemplo.
No desespero , alguns "companheiros aloprados" também voltaram a defender até o "Volta Lula"para deter a trajetória de Marina. Todavia, alguns próceres do PT encomendaram pesquisas qualitativas para consumo interno e ficaram chocados com os números que demonstram que o próprio Lula perderia para Marina num confronto direto em segundo turno. Logo, o próprio Lula já avisou que isso seria uma atitude "sonhática", desautorizando os inventores dessa última cartada. Lula, como Aécio, ainda tem esperanças de que a candidatura Marina possa sofrer algum processo de desidratação. Tarde demais, pois Marina surfa nas ondas de um movmento que virou sonho de mudança para milhões de brasileiros que se tornaram passageiros da esperança. Que pode vencer o medo. No estágio atual, quando mais baterem nela os "guerrilheiros virtuais" petistas e tucanos mais ela vai crescer, a exemplo da massa fermentada de fazer o pão.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

sexta-feira, 18 de julho de 2014

ONG Amigos do Sal lança campanha

Do jornalista Francisco Sidou, por e-mail:

A ONG Amigos do Sal lançará neste sábado, 19, uma campanha de adesões em Salinas, visando agregar moradores, comerciantes e veranistas. A ONG foi fundada com a missão principal de contribuir para a preservação ambiental de Salinas e elaborar propostas e projetos visando a melhoria dos serviços e incentivos ao turismo.
Dentre outras ações, consta a proposta de se convocar uma audiência pública pelo Ministério Público, para rediscutir o Projeto Orla do Atalaia, concebido na década de 90, mas que precisa de adaptações à nova realidade de Salinas e da Praia do Atalaia. A criação de uma Cooperativa de Catadores de Lixo é um dos projetos , além de estimular a parceria entre a Prefeitura Municipal com empresas privadas para implementação de outras melhorias , entre as quais um moderno sistema de transporte coletivo com ônibus jardineiras, que já circulam em várias cidades turísticas, beneficiando moradores e visitantes.
Embora tenha apoiado a regulamentação do tráfego de veículos automotores na Praia do Atalaia, a ONG entende que essa medida é emergencial e por si só não irá resolver o problema da degradação ambiental , tendo outras causas que poderão ser amenizadas com a urbanização da orla, padronização das barracas, delimitação de áreas de estacionamentos e coleta seletiva do lixo, através da Cooperativa de Catadores.
A ONG tem uma equipe técnica que irá elaborar seus projetos , que serão discutidos com as associações de moradores, barraqueiros, além de veranistas e agentes públicos.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A nova geração política do Pará precisa aparecer mais

Do jornalista Francisco Sidou, sobre a postagem Sindifisco ressalta nomeação de 151 auditores fiscais:

O Charles é um dos melhores quadros da nova geração política do Pará. Pena que ele não tenha sido candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições/2014.
Na verdade, o governo Ana Júlia começou a "degringolar" com sua saída da Casa Civil. O PT também só fez perder com sua saída do governo e do partido. Dignidade, coerência e honradez são suas marcas registradas.
Parabéns, amigo Charles pela sua postura profissional e ética. O Pará precisa de representantes de seu nível no Congresso Nacional.

terça-feira, 10 de junho de 2014

S.O.S Salinas - Para evitar o pior


Por FRANCISCO SIDOU

As medidas sugeridas pelo Ministério Público - através do promotor Amarildo Guerra, quebrando a cadeia de omissões dos agentes públicos "competentes" em relação ao teor explosivo do tresloucado trânsito na bela Praia do Atalaia - tem despertado verdadeiras batalhas verbais nas redes sociais, até com insultos a quem, exercendo o sagrado direito da livre expressão, tem apoiado a louvável iniciativa do MP.
É evidente que sua implementação requer ainda o esclarecimento de alguns pontos com a comunidade, notadamente com as entidades representativas das categorias de trabalhadores da praia. A sinalização de duas vias de mão única - entrada e saída da praia - é absolutamente necessária.
A proibição de quadriciclos , motos, cavalos e alguns jumentos motorizados de circularem na praia, em meio aos banhistas, também. Afinal, a vida humana deve ser mais valorizada do que a vaidade ou veleidade de alguns que fazem de seu carro não somente um meio de transporte , mas também um ícone de pseudo status social. Falta esclarecer, por exemplo, a ordenação das áreas de estacionamento entre as barracas. É evidente que deve ser coibida a "venda casada" de vagas com a abusiva e ilegal "consumação mínima", o que fatalmente irá ocorrer, caso não sejam adotadas ações preventivas.
Essa medida do MP na verdade é emergencial, pois a solução efetiva para o problema será a construção do Projeto Nova Orla do Atalaia, que foi concebido ainda no primeiro governo Almir Gabriel. Pelo projeto, as barracas seriam padronizadas, com terraces panorâmicos, áreas de estacionamentos, chuveiros públicos, além de passeio e orla urbanizada.
O precário sistema de transporte coletivo em Salinas também não colabora com o apelo de que os veranistas deixem seu carro em casa para ir à praia, como tem sido preconizado por algumas internautas sonhadoras. Essa solução só é possível para quem tem casa literalmente na praia...E ainda são poucos os que podem dispor dessa regalia.
Mas o certo é que alguma coisa precisava ser feita , pois a cadeia de omissões certamente iria acabar muito mal, em tragédia já anunciada por algumas ocorrências, como atropelamentos e acidentes não revelados pela mídia, pois só viram notícia de ampla repercussão quando resultam em mortes ou mutilações. O Ministério Público está de parabéns, portanto, pela iniciativa de dar o ponta pé inicial no debate mais aprofundado das soluções possíveis, sem agressão às pessoas e ao meio ambiente. O MP poderia aproveitar o "embalo" e convocar uma audiência pública com a população, engenheiros, arquitetos, técnicos e ONG Ambientais para o debate amplo sobre o Projeto Nova Orla do Atalaia e suas necessárias adaptações à realidade atual da Praia do Atalaia.
Afinal, a medida provisória do MP tem prazo de validade só para o mês de julho.
É a minha opinião, smj de quantos dela queiram discordar, incluindo os meus pares da ONG Amigos do Sal., que, por sinal, precisa tomar posição sobre o relevante tema, pois não?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Trânsito na praia



FRANCISCO SIDOU

Tem tudo para provocar muita polêmica a ação que o promotor Amarildo Guerra pretende ingressar na Justiça determinando a proibição do acesso de veículos à praia do Atalaia já a partir do veraneio de julho deste ano.
A medida será discutida em audiência pública nesta terça-feira, 27, na Câmara Municipal de Salinópolis, e visa coibir os abusos praticados por alguns condutores de veículos, que por ação, omissão ou direção temerária, têm provocado graves acidentes, ameaçando a integridade física de todos que ali vão buscar momentos de lazer e acabam envolvidos em situações de estresse e até de perdas e mutilações físicas.
Os danos ambientais provocados pela circulação de automotores na praia também já são visíveis a olho nu, comprometendo a vegetação e ameaçando as dunas. Os argumentos contra e a favor certamente serão debatidos na audiência pública. Os donos de barracas ,em sua maioria, têm posição firmada contra a medida, por razões de ordem econômica. Ocorre, que as razões de ordem ambiental e do interesse coletivo não podem ser simplesmente desprezados por causa do lucro ou prejuízo de algum tipo de comércio.
A tradição de usos e costumes também costuma ser invocada pelos mais "descolados", alegando que o acesso à praia em veículos já é um hábito arraigado na cultura do paraense. Mas há aí também um componente de comodismo e até de exibicionismo de alguns "novos ricos" (são minoria, felizmente) que querem mostrar que estão "bem de vida" , não necessariamente de bem com a vida, já se vê, pois quem está "resolvido" não precisa anunciar na vitrine do Atalaia que "está podendo"...
A questão não é nova e remonta à década de 80, levantada pela antiga Associação dos Amigos de Salinas, da qual participamos, então como jovem cheio de sonhos e de projetos, como éramos então todos os seus integrantes, alguns também movidos por algum componente poético e etílico... O certo é que já naquela época o tema já era debatido, com as preocupações voltadas mais para o aspecto ambiental, já que não se tinha registro de acidentes na praia, a não ser ou outro veículo "afogado" pela maré alta por conta do descuido de algum motorista desavisado ou não "iniciado" no movimento e no capricho das marés.
Era então insignificante a quantidade de veículos que tinham acesso à praia diante da grandiosidade de suas areias e dunas. Em meados da década de 90, no primeiro governo de Almir Gabriel , foi elaborado um projeto denominado "Orla do Atalaia", que previa a construção de um calçadão semelhante ao da Orla do Maçarico, com barracas padronizadas e funcionais, áreas de estacionamento para veículos, banheiros e chuveiros públicos para tirar a areia, além de quiosques também padronizados, com churrasqueiras, que seriam alugados mediante uma taxa de manutenção para famílias que desejassem fazer alguma comemoração festiva ou "pic-nic" à beira mar.
Por onde anda esse maravilhoso projeto?
O dr. Adenauer Góes, atual secretário de Turismo , que também é um grande amigo de Salinas, certamente conhece esse projeto. Não seria a hora de se fazer um ajuste em sua concepção original para atender às demandas atuais da praia do Atalaia, quem sabe ampliando as áreas de estacionamento e disciplinando a circulação dos veículos especiais, como ambulâncias, bombeiros, polícia etc?
A questão também suscita polêmicas entre os juristas e especialistas em trânsito. Há os que entendem que o trânsito na praia está sujeito aos mesmos procedimentos normatizados pelo Código Nacional de Trânsito, multas e punições, inclusive. Mas os agentes do Detran (pelo menos os que abordei) entendem que na praia o território é livre , seria da União ou de "ninguém", tanto que não fiscalizam o trânsito na areia. Os agentes municipais também dizem que o tema não é de sua "área de competência". O que está faltando , na verdade, é uma decisão no sentido de regulamentar aquela "Casa de Noca" em que se transforma a praia do Atalaia em dias de feriadão ou de verão. Ali todo mundo manda, ninguém obedece e ninguém tem razão.
Quem sabe o governador Simão Jatene ( que participou como músico do memorável Festival "Uma Canção para Salinas", na década de 80, coordenado pelo nosso companheiro da ONG Amigos do Sal, Araran Lucena) e que também é grande amigo de Salinas não possa se interessar em mandar desencavar esse projeto "Orla do Atalaia" da gaveta estadual onde ele dorme ? Recursos do Ministério do Turismo existem para projetos similares. Vamos debater o trânsito na praia , mas também vamos sonhar mais alto ? É esse o convite que faço às autoridades competentes e aos amigos de Salinas, em nome dos companheiros da ONG Amigos do Sal.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Velhas novas ilações


FRANCISCO SIDOU

Parece jogada ensaiada. E é. Os sindicalistas rodoviários pleiteiam justamente, claro, reajustes salariais. Afinal, a inflação corrói lenta, mas progressivamente, o poder aquisitivo dos assalariados.Os patrões, compreensivos, aceitam dar o reajuste, mas desde que os rodoviários façam primeiro uma greve barulhenta para chamar a atenção da imprensa e causar mais incômodos à população. De preferência, que façam uma "pedida" de reajuste bem acima daquilo que vai ser dado. Tudo combinado. Então os notáveis do Conselho Municipal de Transportes se reúnem para analisar a planilha de custos e definir o índice de reajuste das passagens. Chega-se então a essa brilhante proposta de se elevar o custo da passagem de R$ 2,20 para R$ 2,43.
Parece até que esses 0,3 centavos embutidos nesse "estudo técnico", no qual se embasa a tal planilha, são fruto de uma mente perversa, com o propósito de proporcionar mais atropelos aos passageiros e mais lucros para os insaciáveis donos do negócio. Alguém, por acaso, ainda porta centavos em suas carteiras? Logo, a passagem acaba sendo arredondada para R$ 2,45. O transporte coletivo em Belém é precário e os ônibus verdadeiras carroças. Mas em nenhum momento das negociações com os empresários desse negócio se coloca na mesa a renovação da frota ou uma repaginada no planejamento do tráfego com a redefinição de algumas linhas que demandam quase sempre o Ver-o-Peso e a avenida Presidente Vargas, causando verdadeiro caos em horas de picos.
Na bagunça do trânsito sem ordem todo mundo buzina e ninguém tem razão. Agressões e ameaças são apenas o pano de fundo de um trânsito caótico/neurótico de uma cidade congestionada e travada. Em meio a esse cenário nada saudável para a qualidade de vida da população, vem aí novos capítulos de uma novela já conhecida, mas nada edificante. Novas licitações para novas linhas de ônibus. Fala-se tanto em novas linhas e os ônibus que circulam em Belém estão em petição de miséria, sucateados, sujos e fedorentos.. Quando são mandados do Rio para Belém já circularam na Cidade Maravilhosa pelo menos por 10 anos.
O cartel do Rio tem muitos tentáculos, um deles sufoca a população de Belém que usa transporte coletivo... Por que não se exige dos empresários de ônibus (tão sacrificados, coitadinhos...) a renovação de pelo menos 50% da frota que circula na cidade, alguns coletivos caindo aos pedaços, outros com goteiras, que se transformam em sucursal do inferno em dias de chuva?
As pessoas espremidas e estressadas parecem ser conduzidas como gado. Por que não se cria uma linha alternativa, com ônibus climatizados, mesmo com preço diferenciado? Seu público-alvo seriam os donos de veículos que também estão estressados por que não mais encontram lugar para estacionamento na cidade estrangulada, sem falar no assédio agressivo dos flanelinhas que se dão ao desplante de "guardar" (com cones) os lugares nas ruas para usufruto de seus "clientes especiais".
São muitos os veículos que deixariam de circular, diariamente, melhorando assim o fluxo do tráfego na cidade travada. Linhas circulares nos bairros com ônibus menores também seria uma opção para desafogar os principais e congestionados corredores de tráfego. Não se pode apostar apenas em uma solução do tipo BRT, que já chega com um atraso colossal em relação a outras alternativas de tráfego mais adequadas para metrópoles com mais de 1,5 milhão de habitantes, como os Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) e o Monotrilho, também conhecido como Aerotrem.
No caso de Belém, caberia uma integração entre os dois sistemas , o BRT - obra já em andamento, mesmo aos trancos e barrancos - viria até São Brás, onde precisaria ser construída uma estação de integração, com o deslocamento da atual Rodoviária para a Nova Avenida Independência, outro importante corredor de entrada e saída da cidade, que o governo do Estado pretende inaugurar até julho. De Icoaraci até o Entroncamento e de São Brás até o Ver-o-Peso, não vislumbro outra solução melhor que o sistema monotrilho aéreo.
Vamos ousar, senhor prefeito Zenaldo?
Do contrário, não teremos muita coisa para comemorar nos 400 anos de Belém. Nem a sua Comissão de Notáveis, que elabora a programação, vai ter algo a fazer, mesmo com o brilhante currículo e as melhores intenções de seus ilustres membros.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Crônica de uma tragédia anunciada

O jornalista Francisco Sidou mandou pra cá por e-mail, sob o título acima, questionamentos dos mais lógicos e pertinentes, em decorrência de acidente pavoroso no último feriadão em Salinas, onde uma moça teve parte da perna amputada depois de acidente com um quadricicilo.
Abaixo, o texto do Sidou:

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O acidente com um quadriciclo na praia do Atalaia, no último feriadão, que causou a sofrida perda para uma jovem de uma perna amputada, escancara a total falta de fiscalização do trânsito na praia, onde todo mundo faz manobras tresloucadas, colocando em risco a vida de centenas de pessoas.
Perguntei a um inspetor do Detran por que não havia nenhum controle na praia. Ele me disse, com a maior cara pálida: "Amigo, não há normas no CNT para fiscalização do trânsito na praia.
Então perguntei novamente: "Quer dizer, então, que o motorista na praia tem licença para dirigir embriagado e até para matar? Crianças também estão liberadas para dirigir motos e triciclos sem habilitação?"
Nada mais disse nem também lhe foi perguntado, por absoluta falta de objeto. Mas perguntar é a minha praia: "Senhores promotores do Ministério Público, não há nada que os senhores possam fazer, como fiscais da lei e em defesa da sociedade, para evitar novas tragédias na praia do Atalaia?"
Desculpem, mas perguntar não ofende. Incomoda quase sempre os que dormem o sono solto da omissão.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O novo gargalo na Doutor Freitas

Do jornalista Francisco Sidou, sobre a postagem Semob explica o congestionamento na Doutor Freitas:

Os gargalos do trânsito de Belém são herança da cultura do atraso.
Há mais de 25 anos que temos um projeto da Jica que previa, entre outras obras, elevados nos principais cruzamentos da avenida Almirante Barroso, como Lomas e Humaitá, além de anéis viários no Entroncamento e na Praça do Operário, em São Brás. E havia ainda uma previsão profética dos japoneses da Jica, já confirmada: tais obras seriam indispensáveis para evitar que a cidade parasse, "por volta de 2010".
De lá até hoje, quais as obras feitas? Um túnel no Entroncamento (que alaga quando chove) e um viaduto meia-sola na Bandeira Branca, onde ele não se fazia necessário, nem estava planejado, pois apenas veio contribuir para conturbar ainda mais os congestionamentos naquele corredor de tráfego.
Então, caro PB, esse novo gargalo é apenas mais um para atazanar a vida de motoristas e pedestres em nosso sofrido ir e vir. Na verdade, o que deve ser feito ali é convocar a equipe de Seu Motoki para uma demolição de parte daquele monstrengo e assim permitir que ele atravessasse a Almirante Barroso, por cima, cumprindo então o verdadeiro papel de um viaduto, que nunca foi.
Prejuízo? Quantos milhões não foram gastos naquelas muretas de concreto do BRT jogadas fora pela janela da insensibilidade e do desperdício?

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Metrô é a solução para o caos do transporte em Belém

Do leitor Kenneth Fleming, sobre a postagem BRT nas alturas, artigo do jornalista Francisco Sidou:

Interessante a ideia do aerotrem proposta pelo caro jornalista. Entendo muito pouco de projetos de mobilidade urbana. Entretanto, ainda que o aerotrem possa ser solução melhor que o BRT, acredito que a única solução viável - e bem mais cara - será o metrô. Enquanto um ônibus do sistema BRT leva uns 200 passageiros, uma composição do metrô levará 2.000 passageiros.
Creio que seria preferível iniciar-se a construção de uma linha de menor quilometragem e depois ir avançando gradativamente às comunidades mais densas. Para mim, o BRT já nasce saturado, defasado.
Belém é uma grande metrópole que já pede um sistema moderno de transporte.
Quem sabe se após a alvissareira notícia trazida acima, de que a Policia Federal anda abrindo bem menos inquéritos sobre corrupção( apesar de que estou em dúvida se os corruptos estão com medo das pesadas "penas" aplicadas por nossos tribunais aos corruptos, ou se é a PF que anda fazendo corpo mole) poderá sobrar um bom dindin em caixa para começar as obras do metrô.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

BRT nas alturas


FRANCISCO SIDOU

"Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado" (Albert Einstein)

Lembrei-me dessa frase de um gênio da humanidade ao rever algumas cifras do milionário projeto do BRT de Belém, hoje já orçado em torno de R$-500 milhões, depois de uma fase inicial conturbada, por falta de planejamento e abundância de erros de gestão, suspeitas de licitação manipulada, desvios de rota e de verbas públicas, que já contabilizam um prejuízo de cerca de R$ 84 milhões jogados fora pela janela da imprevidência e da irresponsabilidade administrativa.
São enormes os problemas ainda previstos até que se viabilize esse mega-projeto, que corre o risco de causar ainda muitos atropelos à população belenense no seu dia-a-dia e na sua qualidade de vida, já bastante ameaçada pelos congestionamentos colossais e pelo precário sistema de transporte coletivo, com ônibus sucateados que circulam pela cidade travada pelo excesso de carros e escassez de novas vias. Não seria o caso, senhor prefeito Zenaldo, de fazer um up grade nesse milionário projeto do BRT para uma reavaliação de seus custos e prováveis benefícios? As ruas de uma cidade são como as veias do corpo humano: quando entopem o organismo entra em colapso. É o está acontecendo com Belém, por acúmulo de pelo menos 30 anos de omissões e de falta de obras viárias para desafogar o trânsito e o tráfego da cidade.
Muitos projetos e planos foram abandonados nas estantes e prateleiras empoeiradas da Codem, entre os quais o PDTU dos técnicos japoneses da JICA, que previram, em 1985, que Belém poderia parar "por volta de 2010", caso não fossem realizadas obras já então consideradas inadiáveis, como viadutos nos principais corredores de tráfego(além de anéis viários no Entroncamento e em São Brás) e abertura de novas vias. Desde então, foram apenas realizadas obras isoladas e cosméticas, como os túneis do Entroncamento, que custaram a bagatela de 80 milhões de reais e que alagam quando chove. Outra obra sem noção foi aquele viaduto da Bandeira Branca. Que, por sinal, precisa ser demolido em parte para possibilitar sua ligação direta com a avenida João Paulo II , cruzando a Almirante Barroso, para liberar o tráfego reprimido da avenida Doutor Freitas, em direção à própria a avenida João Paulo II e Ceasa. Hoje ele apenas serve para engrossar o "caldo" do colossal congestionamento da Almirante Barroso.
Então, o que defendemos ?
Que se convoquem os técnicos japoneses da Jica para que realizem com a competência e profissionalismo que são sua marca registrada, um verdadeiro choque de planejamento e de gestão no Projeto BRT-Belém, adaptando-o para o sistema de monotrilho aéreo, já existente em cidades bem menores que Belém, como Alegrete (RS) e está sendo implantado em Manaus. Não consigo imaginar alguma intervenção viária sem traumas, muita confusão e elevados custos na Rodovia Augusto Montenegro e na Governador José Malcher, por exemplo. São vias totalmente entupidas pelo tráfego intenso e estressante. Temo que o projeto BRT-Belém, com tantos problemas e custos adicionais de aditivos inevitáveis, acabe saindo mais bem caro do que o sistema aerotrem, uma solução muito mais moderna e eficaz. Os especialistas defendem esse sistema como o mais adequado para cidades com mais de 1 milhão de habitantes e com vias que não mais permitem intervenções viárias no solo degradado. É o nosso caso. Ainda no caso de Belém, poderiam ser construídos terminais de integração do novo sistema: 1) - em Icoaraci; 2) no Entroncamento; 3) em São Brás; 4) na UFPA e 5) - na Praça Pedro Teixeira.
Nesta última, ali em frente à Estação das Docas, seria feita uma conexão com ônibus circulares para o Ver-o-Peso e Cidade Velha, fechando-se as demais vias do comércio para o tráfego de veículos, a exemplo do que acontece hoje em todos os grandes núcleos urbanos, cujos centros estão sendo urbanizados e revitalizados. Seria também uma maneira de se evitar o tráfego intenso de veículos pesados no entorno do Ver-o-Peso, que, a exemplo do que aconteceu com a orla de Abaetetuba, poderá também ser tragado pelas águas, caso nada seja feito para evitar essa tragédia, como já alertou o emérito engenheiro Nagib Charone, grande estudioso dos problemas de Belém. Infelizmente, também pouco ouvido e consultado.
A estação Rodoviária de São Brás - única no mundo que fica no centro de uma grande cidade - também seria deslocada para a nova avenida Independência, importante corredor de tráfego que a cidade vai ganhar ainda em 2014, construída pela Secretaria de Integração Regional, Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Seidurb), do Governo do Estado.
São essas apenas sugestões de um jornalista-cidadão, que não é técnico em planejamento nem de trânsito, mas que ama a cidade e que conhece bem as suas belezas, mas também seus problemas, notadamente de mobilidade urbana, porque anda de ônibus e também frequenta suas feiras, mercados e praças, onde o povo está. Povo cordial e hospitaleiro que também ama sua cidade e deseja que ela fique cada vez mais bonita e brejeira na sua morenice da cor do açaí. Coragem para ousar - é o lema que poderia ser adotado pelo prefeito Zenaldo Coutinho no planejamento dos festejos dos 400 anos de Belém.

Em tempo: os escudos de Remo e Paysandu no protótipo do aerotrem simbolizam que esse projeto também é um anseio das torcidas dos dois ícones da cultura paraense, que juntas representam algo em torno de 90% da população e do PIB paraense.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com