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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

"É possível, sim, fazer merda e fazer grandes maravilhas"

Chico Buarque: ele deixa de ser um gênio da música brasileira por ser, ideologicamente, um troglodita?
Matérias das mais interessantes, atuais e polêmicas abriu o Segundo Caderno de "O Globo" de sábado (13).
Assinada pelos repórteres Emiliano Urbim e Eduardo Graça, a matéria discute, essencialmente, o seguinte: como lidar com a obra de artistas cuja postura condenamos? Podemos separar criador e criação? Devemos? 
Essas questões sãos mais relevantes diante dessa onda - de dimensões tsunâmicas - em que casos de assédio sexual, muitos deles ocorridos há vários anos, estão sendo revelados agora e depõem contra a integridade moral de produtores, atores, escritores, apresentadores de TV e outras celebridades.
A matéria cita, de forma emblemática, Woody Allen.
Nos anos 1990, quando era casado com Mia Farrow, ele trocou a mulher pela jovem Soon-Yi Previn, filha adotiva da atriz. Anos depois, Dylan Farrow, filha adotiva de Mia e do próprio Allen, acusou o pai de ter abusado sexualmente dela quando tinha 7 anos. O diretor negou. No ano passado, Ronan Farrow, outro filho de Mia, publicou na revista “New Yorker” a reportagem que que confirmou as acusações da irmã, levando o caso Allen ao tribunal das redes sociais.
Outro caso, que a matéria não cita, mas que o Espaço Aberto destaca por envolver o posicionamento político de certas pessoas: Chico Buarque de Holanda.
Chico faz versos de arrepiar - corações, mentes e sentidos -, ora pelo lirismo, ora pela sutileza com que é capaz de sugerir que o país vive numa ditadura, das brabas, sem dizê-lo escancaradamente, como ocorreu com suas composições durante a ditadura militar, nos anos 1960-1970.
Mas esse Chico Buarque é o mesmo, por exemplo, que se apresenta como o primeiro a apor sua assinatura em abaixo-assinados em favor de regimes odiosos, sanguinários e assassinos, como o de Cuba, que matou centenas de milhares de pessoas e manteve sob a mesma selvagem censura toda a intelectualidade cubana. A mesma censura que Chico censurou por aqui, quando se opôs à ditadura militar direita, também odiosa, sanguinária e censória.
Apresentados esses dois casos, indaguemos: temos - ou devemos - desconhecer e passar a odiar as obras de Woody Allen e Chico Buarque, porque eles, em suas condutas pessoas, fizeram ou fazem, a nosso juízo, coisas detestáveis?
O repórter particularmente, já disse aqui, que vêm em Chico Buarque um imbecil político. A propósito, leia a postagem Chico: o artista admirável e sua imbecilidade ideológica, postada aqui em janeiro de 2016.
Mesmo assim, não tenho como deixar de considerar Chico Buarque um dos mais geniais compositores brasileiros em todos os tempos. E já estou até pensando em que encontrar um espaço na agenda pra assistir algum show da turnê dele, neste ano.
E Allen? Já vi todos os seus filmes. E quero ver outros tantos. O que não me impede que ter feito o que fez - e ainda que ele negue - seja odioso.
E Gary Oldman. Sua atuação em O Destino de uma Nação , é simplesmente fantástica, soberba. Mesmo que ele já tenha enfrentado acusações - não comprovadas - de assédio sexual.
Não é assim que tem de funcionar?
Ou nós, quando entramos numa livraria e escolhemos um livro, devemos primeiro pesquisar o nível de pureza d'alma do autor ou autora?
Quando queremos ir assistir a um filme, precisamos antes saber se atores, produtores e diretor já estão no panteão dos heróis imaculados ou se cometeram deslizes há um ano ou há 30 anos?
Putz!
"Um artista sem defeitos deve ser chatíssimo na vida real e só por acaso poderá produzir algo relevante. É possível citar cem grandes nomes com graves defeitos de caráter ou comportamento. Talvez, sem esses defeitos, eles não fossem quem eram. Donde, com todo respeito, é possível, sim, fazer merda e fazer grandes maravilhas", diz, na matéria de "O Globo", o jornalista e escritor Ruy Castro, que discorda frontalmente sobre a necessidade de cobrar-se “certificado de bons antecedentes” de um autor.
Ruy tem razão: "É possível, sim, fazer merda e fazer grandes maravilhas"
É mesmo.

O destino de um líder. O destino de uma nação.



Estupendo.
Magistral.
Soberbo.
Inacreditavelmente perfeito.
É o mínimo que se pode dizer de Garry Oldman interpretando o primeiro-ministro inglês Winston Churchill em O Destino de uma Nação.
Por momentos, ninguém acredita que Oldman é Oldman, tão impressionante é sua interpretação.
Ele está para esse filme como Marion Cotillard para Piaf - Um Hino ao Amor, sobre a vida de Edith Piaf, ou Meryl Streep para A Dama de Ferro, retratando Margareth Thatcher, primeira-ministra britânica.
As duas atrizes ganharam o Oscar por suas interpretações.
A menos que o sertão vire mar e o mar vire sertão, Garry Oldman já pode ir preparando o discurso para quando conquistar a estatueta.
O filme, acredito, poderia ter mostrado Churchill como uma liderança estelar em outros momentos da II Grande Guerra.
Mas o perfil do primeiro-ministro, como rabugento, irritadiço, teimoso, mordaz quase sempre, outras vezes quase debochado, astucioso politicamente e destemido, esse perfil, enfim, é construído até o momento em que Churchill entra para a história como um líder singular e brilhante a partir dos primeiros momentos da conflagração mundial, quando a retirada de Dunquerque mostrou-se fundamental para a Grã-Bretanha retomar o fôlego e apostar que seria possível reverter o que parecia estrategicamente consumado: a invasão da ilha pelas forças de Hitler, que então já começavam a fazer estragos com a fortíssima aviação alemã.
Na ascensão de Churchill à condição de condutor, rumo à vitória, de uma Nação cujo destino parecia ser a rendição covarde e humilhante, é marcante sua percepção de que, em momentos capitais, os líderes precisam ter, exatamente, a noção sobre o pulsar do sentimento da própria Nação.
Um sentimento que pode ser oferecido por cidadãos anônimos, como a garotinha, o pedreiro e outras pessoas que ele encontra num vagão de metrô.
Assistam, o quanto antes, a O Destino de uma Nação.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O que ela disse


"Os homens têm sido punidos sumariamente, forçados a sair de seus empregos, quando tudo o que eles fizeram foi tocar o joelho de alguém ou tentar roubar um beijo"
[...]
"Estupro é crime, mas tentar seduzir alguém, mesmo de forma insistente ou desajeitada, não é - Tampouco o cavalheirismo é uma agressão machista."
[...]
"Como mulheres, não nos reconhecemos neste feminismo que, além de denunciar o abuso de poder, incentiva um ódio aos homens e à sexualidade."

Trecho de carta foi assinada por 100 intelectuais, artistas e acadêmicas francesas, incluindo a escritora Catherine Millet, a cineasta Brigitte Sy e a atriz atriz francesa Catherine Deneuve (na foto), 74 anos, depois que atrizes presentes ao Globo de ouro se vestiram de preto para denunciar casos de assédio sexual.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O que é arte? O que é liberdade de expressão? Veja “The Square”.


Vocês sabem a liberdade de expressão, esse valor fundamental, alicerçante, incontrastável que os regimes democráticos prezam tanto?
Pois é.
A liberdade de expressão é mesmo ótima. Mas é sempre melhor quando é só pra gente, né?
E outra coisa: monturos de areia espalhados como se fossem pequeníssimos castelos, espalhados simetricamente na ampla sala de um museu. Isso é arte?
Um personagem que simula – ou seria incorpora? – um macaco em meio a jantar com a presença de ricaços exaltados como mecenas da arte. É arte? Até mesmo quando ele, o personagem, acaba avançando além de todos os limites previsíveis?
Promover a arte, num ambiente político em que a liberdade de expressão é valor maior, quase intocável, autoriza a veiculação de mensagens carregadas de odiosos preconceitos, que podem dar ensejo ao extravasamento de violências brutais contra minorias?
Essas questões são abordadas de forma magistral em The Square – A arte da discórdia, grande vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes de 2017, que propõe um debate dos mais interessantes sobre o alcance da arte enquanto promotora de mudanças e reflexões sociais.
Assisti ao filme no último sábado, no Cine Líbero Luxardo, na sessão das 17h30, tendo que tolerar, atrás de mim, uma mulher que riu o tempo todo – do início ao fim. Era um risinho nervoso, que não parou nem mesmo durante uma tórrida cena de sexo. Sei lá se a espectadora foi tomada, digamos assim, de um certo encabulamento, mas continuou rindo. Do início ao fim – da cena e do filme.
De fato, o diretor sueco Ruben Östlund (“Força Maior”) reveste de uma boa dose de bizarrice certas situações delicadas. Mas o faz, certamente, para estimular reflexões sobre os ridículos a que conduz o politicamente correto, neste mundo cada vez mais infestado por exibicionismos e hipocrisias, como as que invadem as redes sociais em proporções tsunâmicas.
Aliás, as redes sociais, como canais para a veiculação de mensagens que dão mais relevância ao impacto que poderão causar do que propriamente ao conteúdo, também estão presentes em The Square.
O melhor filme a que assisti do ano passado até agora.
Vejam logo.
E se você ouvir, atrás de você, um risinho nervoso, esqueça. Faz parte.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O melhor de "Cinquenta Tons" são os gemidos ao seu lado


Com todo o respeito - todo mesmo.
Mas vocês sabem o que é mais bacana, o que é mais reconfortante, relaxante, e delirantemente sedutor para quem assiste ao filme Cinquenta Tons de Cinza, que está sendo exibido em 1 bilhão e 500 milhões de salas?
O mais reconfortante são os comentários que a gente ouve nas poltronas – da frente, dos lados, de trás, de todo lugar.
Sim, porque, convenhamos, é muito difícil haver, no mundo inteirinho, espectadores que falem mais em salas de cinema do que em Belém. Sem brincadeira.
Não param de falar nem quando comem pipoca. Durante a exibição, vale ressaltar.
Pois é.
O poster foi assistir a Cinquenta Tons de Cinza há poucos dias. Lá pelas tantas, um casal ao lado se manifestou:
- Acho que essa cena da gravata nós podemos fazer – diz o nosso Christian Grey aos sussurros, com aquele risinho meio safado, enquanto se entupia de pipoca.
- bom. Mas tu não és o Christian Grey – responde a madame.
Vish!
Tive vontade em subir naquela bancada em frente à tela e convocar uma marcha de solidariedade, em apoio àquele homem, que se encolheu todinho, coitado, diante da resposta – a mais brochante que já escutei – da mulher dele.
Para levantar o astral, uma mocinha, sentada atrás, bem atrás de mim começou a externar as suas, digamos, sensações.
- Aiiiiiiii, lindooooooooo – ela reagiu, à primeira aparição do herói das chicotadas no telão.
O cara nem tinha aparecido direito e a mulher estava, acreditem, se derreando na cadeira, conforme eu pude ver, pelo rabo do lho, e ao mesmo já preparado para a possibilidade de que ele caísse. Sério mesmo!
Depois, chegou aquela cena da banheira, em que o cara se aconchega à popa (hehehe) da chicoteada (ah!, coitada) Anastasia Steele (Dakota Johnson).
- Aiiiiiiii, eu queria tanto ser eelaaaaaaaa – gemeu a mocinha, perdendo o fôlego. Ou se entalando com a pipoca, sei lá.
Acreditem: por momento, pensei que a garota estivesse mal, mas me tranquilizei, certo de que não, quando várias pessoas que estavam no entorno não se contiveram e começaram a rir daquela palhaçada.
- Se o povo está rindo, então essa moça haverá de resistir até o final – eu pensei.
Ela resistiu mesmo - gemendo às vezes, sussurrando outras, ensaiando alguns uivos nas demais. E falando, falando, falando, falando sem parar.
Mas resistiu.
Com um detalhe: aquela moça só não atingiu, ali mesmo no cinema, os limites das suas fantasias porque fazia muito barulho pra ela mesma, irritando todo mundo.
Sim, mas e o filme?
Querem saber? É um dos piores que os críticos do Espaço Aberto já viram? Um dos piores.
E querem saber mais? Nenhum dos críticos leu sequer um dos livros de Cinquenta Tons, o que torna suas apreciações ainda mais interessantes, eis que entraram no sala de exibição sem ter ideia, a menor ideia, do que veriam.
Qual era a expectativa do poster, que não leu – e nem faz questão de ler – os livros, diante do filme a que ia assistir?
Considerando o interesse, eu tinha a impressão de que veria alguma coisa diferente.
Esperava ver, por exemplo, uma cena épica, em que uma extravagância qualquer fizesse Anastasia ficar levitando – literalmente – no topo do edifício do namorado, enquanto era quase consumida por múltiplos, senão incontáveis orgasmos, enquanto o herói das chicotadas alimentava aqueles delírios eróticos abandonando o chicote e preferindo o tamanco para sapecar-lhe tamancadas pelo corpo inteiro.
Era mais ou menos isso que eu esperava encontrar.
Mas não.
O que os críticos aqui do blog viram foi um clichezão, com um enredo de fazer dormir e com as práticas sadomasoquistas reduzidas a palmadelas e chicotadinhas que, é claro, eram previstas no contrato (hehe) que ambos assinaram, com direito à chicoteada dizer que não gostaria mais de continuar com a brincadeira.
E por que não dormimos?
Por que a mocinha de trás, uivando, gemendo e falando sempre, não deixava.
E por que o poster se dispôs a assistir ao filme, hein?
É porque, meus caros, caiu ali naquela sala de paraquedas.
Sua intenção era assistir a O Jogo da Imitação, que seria exibido no mesmo horário. Mas não havia mais ingressos.
- E agora? Por que não aproveitamos para ver ver Cinquenta Tons – ouviu o poster o convite de uma das críticas do Espaço Aberto que o acompanhava.
- É... Pode ser! – respondeu o postor.
Deu no que deu.
Para compensar a irritação, tão logo saí de Cinquenta Tons fui direto para ver Bob Esponja – um herói fora d’água.
Mas também não tinha mais ingressos.
Que peninha!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"Birdman" desnuda as consciências e a verdade. Cruamente.



Sabem de uma coisa?
Birdman, que no início desta madrugada conquistou merecidamente o Oscar de melhor filme, começa parecendo que vai ser uma chatice sem fim.
Mas logo, logo engata. E se revela um filme simplesmente espetacular.
Birdman acaba sendo uma espécie de confessionário, em que se exprimem, nua e cruamente, as consciências e as verdades de gente do mundo encantado - mas nem tanto - do teatro, do cinema e indústria do entretenimento em geral.
Há duas passagens, há dois momentos do filme que são emblemáticos e elucidativos.
Na primeira, Riggar Thomson (Michael Keaton), o ator que vive o ocaso depois de ter estrelado um super-herói bastante popular, chama às falas, cara a cara, frente a frente, lata na lata, olhos nos olhos, uma crítica de cinema.
- Você não arrisca nada, nada, nada. Eu sou uma droga de ator. Esta peça me custou tudo. Vou te dizer uma coisa. Pega essa droga de crítica maldosa, covarde, mal escrita e enfie bem no fundo da droga do seu traseiro enrugado - afirma Thomson.
- Você não é ator. É uma celebridade. Vamos ser claros sobre isso. Eu vou matar a sua peça - rebate a jornalista.
Digam aí vocês, atores. Digam aí vocês, que desenvolvem qualquer atividade humana perscrutada permanentemente pela crítica e pelos críticos que se arrogam a pretensão de desmontar, em quatro ou cinco parágrafos, trabalhos que custaram muito sacrifício.
Pega essa droga de crítica maldosa, covarde, mal escrita e enfie bem no fundo da droga do seu traseiro enrugado.
Digam aí: quem de vocês já não sonhou com a oportunidade de chamar seus críticos às falas e dizer-lhes exatamente isso cara a cara, frente a frente, lata na lata, olhos nos olhos?
Digam aí, espectadores: quando vocês veem certos filmes, certas novelas, certas peças de teatro, vocês, muitas vezes, não ficam meio confusos, meio sem saber se ali estão atores ou se estão celebridades?
Você não é ator. É uma celebridade.
Quem, dentre nós, espectadores, já não teve a tentação de dizer isso, exatamente isso, a um trabalhador da indústria do entretenimento, quando o vemos em performances que condizem muito mais com celebridades do que com atores?
O outro momento magistral do filme se apresenta quando Riggar Thomson tem atrás de si, em carne e osso, a figura do Birdman, que até então só se manifestava em sons.
"Olhe pra esse povo, olhe os olhos. Eles estão todos animados, eles estão todos animados. Eles adoram essa merda. Adoram sangue, adoram ação, não essa merda de falatório deprimente, filosófico. E da próxima vez que você grasnar, vai explodir em milhões de tímpanos, você vai brilhar em milhares de telas em todo mundo", diz a consciência crítica de Riggar Thomson.
"Sabe, eu tenho uma voz que fala comigo às vezes e me diz a verdade. É reconfortante. Meio assustador, mas reconfortante", confessa um pouco depois o próprio Thomson.
Sabem de outra coisa? Birdman deveria pagar também direitos autorais ao programa "A Consciência do Braguinha", aquela famosa, deliciosa atração que a Rádio Marajoara nos proporcionava nos anos 1970 e 1980, bem na hora do almoço, em que o locutor Oséias Silva fazia o personagem de um mentiroso compulsivo, mas sempre acossado pela voz cavernosa da Consciência, interpretada por Astrogildo Corrêa.
Birdman não é um filme para se ver apenas uma vez, mas várias.
Egocentrismo, estrelismo, a busca permanente pela aprovação geral - sem unânime -, as fragilidades na relacionamento pessoal interferindo no desempenho profissional, as frustrações, a mescla entre realidade e arte, entre vida e ficção, a cupidez pelo lucro a qualquer preço, a mesquinharia de quem usa o exercício da crítica para promover acertos de contas pessoais.
Tudo isso é Birdman.
Um grande filme.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"A teoria de tudo". Corram para ver.



Como o blog já observou, bons filmes, aqui em Belém, vão embora antes de chegar.
São exibidos no máximo dois ou três dias.
Por isso, corram para ver A teoria de tudo, a cinebiografia de Stephen Hawking.
O filme é muito bom.
Mas espetacular, incomparável, única, perfeita é mesmo a atuação de Eddie Redmayne, que interpreta o genial astrofísico britânico.
Em vários momentos, a gente olha para a tela e não acredita que aquele ali é um ator fazendo o papel Stephen Hawking.
Por momentos, imaginamos que o próprio Stephen Hawking está ali, em carne e osso, interpretando a si mesmo.
Se Eddie Redmayne não ganhar o Oscar de melhor ator, quem haverá de ganhá-lo?
Ah, sim: tem crítico por aí dizendo que o filme não passaria de um dramalhão.
Hehehe.
Mas olhem, esse povo queria mesmo o quê? Que transpusessem para a tela uma vida dramática como a de Stephen Hawking em forma de comédia - de preferência a pastelão?
E olhem que o roteiro não mostra um Stephen Hawking coitadinho.
Ao contrário, ali aparece um homem que foi condenado a viver somente por mais dois anos, desde que foi descoberta, no início dos anos 1960, a esclerose lateral amiotrófica, uma doença rara que o levaria a perder todos os movimentos e algumas funções, como a fala, mas permanecer com o cérebro intacto.
Hawking não só superou  essas limitações, chegando à idade que tem hoje, 73 anos, como ainda foi capaz de fazer o mundo admirá-lo pela genialidade com que construiu suas teses sobre os buracos negros. E conseguiu isso sem perder o fino humor britânico.
A teoria de tudo é um ótimo filme.
Mas repita-se a recomendação: vão logo ver, porque está para ir embora.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

"Leviatã", a liberdade e a corrupção. Muita corrupção.



Nestes tempos em que o obscurantismo e a liberdade plena - para não dizer ilimitada de expressão - podem ser tão contrastantes como a vida e a morte, não deixa de ser curioso quando a palavra, o verbo, a linguagem são amplamente utilizados para camuflar posicionamentos políticos que podem ser comprometedores e, digamos assim, meio perigosos.
Olhem o caso de Andrei Zvyagintsev, que dirigiu Leviatã, apontado como o favorito para ganhar o título de melhor filme estrangeiro na festa do Oscar, em 22 de fevereiro.
O filme - que provavelmente não chegará a Belém, esta terra terra em que bons filmes nunca chegam ou, quando chegam, só são exibidos durante dois ou três dias - é ótimo. E tem tudo a ver com este Brasil de petrolões, mensalões e corrupções desbragadas, com dinheiro enfiado cuecas adentro.
Leviatã conta a história da roubalheira que dominou o sistema político na Rússia pós-comunista, sobretudo e principalmente na era desta autocracia implantada por aquilo a que se convencionou chamar de era Putin.
Corrupção na era Putin?
Digam isso para Zvyagintsev e vocês vão ver um homem jogando com suas próprias palavras e com as circunstância que o cercam.
“Você acha? Por quê?”, tem perguntado Zvyagintsev, quando confrontado com a pergunta sobre se o filme que ele dirigiu é uma contestação ao poder.
Mas as cenas que mostram burocratas corruptos sempre exibem ao fundo o retrato do czar Vladimir Putin. Espiem só no trailer acima e assistam a alguns minutos de um filme que a crítica tem classificado como o maior ataque ao regime já feito na Rússia.
“Ah, isso? Mas se a história é contemporânea e ele é o governante, o retrato de quem você queria que eu colocasse? Ainda não mostrei o filme para ele, mas duvido que Putin pense que o estou confrontando. Além do quê seria absurdo.”
Hehehe.
Nestes tempos em que o obscurantismo e a liberdade plena - para não dizer ilimitada de expressão - podem ser tão contrastantes como a vida e a morte... Vocês já sabem.
Ah, sim.
Neste final de semana, está estreando em Belém A teoria de tudo, também concorrente ao Oscar e baseado na biografia de Stephen Hawkin.
Espiem só: no Cinépolis, do Boulevard Shopping, na Doca, estão programadas apenas e tão somente duas sessões hoje, amanhã e domingo, uma às 17h15, outras às 22h30. Outros filmes estão sendo exibidos em 350.525 sessões.
Hehehe.
Em Belém, bons filmes nunca chegam ou, quando chegam... Vocês já sabem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Os indicados ao Oscar

A lista saiu há pouco.
Birdman e O grande Hotel Budapet foram os destaques.
Cada um levou nove indicações.
Confiram a lista abaixo.





Melhor filme
"Sniper americano"
"Birdman" (trailer no vídeo)
"Boyhood: Da infância à juventude"
"O grande hotel Budapeste" (trailer no vídeo)
"O jogo da imitação"
"Selma"
"A teoria de tudo"
"Whiplash"
Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu ("Birdman")
Richard Linklater ("Boyhood")
Bennett Miller ("Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo")
Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste")
Morten Tyldum ("O jogo da imitação")

Melhor ator
Steve Carell ("Foxcatcher")
Bradley Cooper ("Sniper americano")
Benedict Cumbertatch ("O jogo da imitação")
Michael Keaton ("Birdman")
Eddie Redmayne ("A teoria de tudo")
Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall ("O juiz")
Ethan Hawke ("Boyhood")
Edward Norton ("Birdman")
Mark Ruffalo ("Foxcatcher")
JK Simons ("Whiplash")
Melhor atriz
Marion Cotillard ("Dois dias, uma noite")
Felicity Jones ("A teoria de tudo")
Julianne Moore ("Para sempre Alice")
Rosamund Pike ("Garota exemplar")
Reese Whiterspoon ("Livre")
Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette ("Boyhood")
Laura Dern ("Livre")
Keira Knightley ("O jogo da imitação")
Emma Stone ("Birdman")
Meryl Streep ("Caminhos da floresta")
Melhor documentário
"O sal da terra"
"CitizenFour"
"Finding Vivian Maier"
"Last days"
"Virunga"

Melhor documentário em curta-metragem 
"Crisis Hotline: Veterans Press 1"
"Joanna"
"Our curse"
“The reaper (La Parka)"
"White earth"

Melhor animação
"Operação Big Hero"
"Como treinar o seu dragão 2"
"Os Boxtrolls"
"Song of the sea"
"The Tale of the Princess Kaguya”

Melhor fotografia
Emmanuel Lubezki ("Birdman")
Robert Yeoman ("O grande hotel Budapeste")
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski ("Ida")
Dick Pope ("Sr. Turner")
Roger Deakins ("Invencível")
Melhor figurino
Milena Canonero ("O grande hotel Budapeste")
Mark Bridges ("Vício inerente")
Colleen Atwood ("Caminhos da floresta")
Anna B. Sheppard e Jane Clive ("Malévola")
Jacqueline Durran ("Sr. Turner")

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Serra Pelada ontem e hoje. As cavas são as mesmas.


Está rolando aí nas telonas o excelente Serra Pelada, dirigido por Heitor Dhalia.
Vejam aí o trailer.
É show.
Show garantido.
O poster foi ver ontem à tarde.
No início dos anos 80, uma semana sim, outra quase também, jornais de Belém deslocavam equipes para Serra Pelada.
Porque uma semana sim, outra quase também, incidentes de toda ordem e tragédias provocadas, sobretudo, pelo desmoronamento de barrancos tragavam vidas com a mesma sofreguidão com que o garimpo, a corrida pelo ouro, o sonho de transformar a miséria em riqueza do dia para a noite tragavam, soterravam as ilusões de milhares de formigas - - 60 mil no pico -, como era conhecidos os garimpeiros que emprestavam vida a um cenário de dimensões babilônicas.
Assistir a Serra Pelada é muito oportuno não apenas para as novas gerações conhecerem um momento da história do Pará e do país que refletiu as distorções de um modelo perverso de um pedaço das riquezas da Amazônia como para contrastá-lo com estes tempos, em que distorções se revelam de forma igualmente brutal.
Naquela época, os formigas era a ponta, o rebotalho, o rejeito, a escória de um sistema de exploração que, não demorou muito, produziu os capitalistas de Serra Pelada, donos de vários barrancos que logo passaram a estender seus tentáculos em outros "ramos" negócios, com drogas e contrabando.
Hoje, temos aí esse escândalo envolvendo a Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), sócia da mineradora Colossus na exploração de ouro no garimpo da região.
Há denúncias de que o escritório que representa interesses da família do ministro de Minas e Energia Edison Lobão, no Maranhão, constou em uma planilha de pagamentos da Cooperativa.
Cerca de R$ 200 mil teriam sido repassados ao escritório de José Antonio Almeida no período em que o ministério analisava pedido para liberar a extração mineral na região, conforme revelou, em 2010, o Jornal "Estado de S.Paulo."
Almeida ou “Almeidinha”, como é conhecido, teria trabalhado na campanha do então candidato ao Senado Edison Lobão. O advogado também teria prestado serviços jurídicos ao filho do ministro, Lobão Filho, que hoje é senador.
No início deste mês, o juiz Danilo Alves Fernandes, da Comarca de Curionópolis , decretou intervenção na Coomigasp, diante de fortes indícios de fraudes na formação de dívida da Cooperativa, além de má gestão e desmandos administrativos por parte das diretorias.
O Ministério Público investiga indícios de que mais de R$ 50 milhões que deveriam ter sido distribuídos para os garimpeiros foram para os bolsos e cofres de ex-dirigentes da cooperativa.
É assim.
Os formigas de ontem, você pode vê-los no filme de Dhalia.
Os formigas de hoje são aqueles como o garimpeiro José Castro.
“De tanto que a gente trabalhou pra arrumar alguma coisa na vida, a oferecer a família da gente e até essa data ninguém recebeu nada'', disse ele, sentado numa rede, ao Jornal Nacional de ontem.
Serra Pelada ontem.
Serra Pelada hoje.
Da cava de ontem brotavam os veios que faziam a riqueza e a miséria.
As cavas de hoje estão nos cofres sem fundo, nas contas ocultas, nas transações tenebrosas cujas dimensões ninguém sabe ainda quais são.
Assistam a Serra Pelada, o filme, para compreenderem a Serra Pelada de hoje.
Ah, sim.
O poster assistiu ao filme na sala 5, sessão das 13h15.
Havia

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Bafafá em cinema revela falha na segurança de shopping

Leitores do blog - vários - assistiram ao bafafá numa sala de cinema do Shopping Boulevard, no último domingo.
O bafafá estourou quando um professor, por livre e espontânea pressão, foi convidado a retirar-se do recinto porque estava usando ostensivamente um cinto feito de balas, acessório intimidatório a dezenas de pessoas que se encontravam no cinema, daí a segurança ter sido acionada para tomar as, como se diz, devidas providências.
Pois é.
O que assustou os leitores do Espaço Aberto que assistiram ao bafafá não foi nem tanto o fato de o professor entrar na sala de cinema, mas entrar no shopping com um cinto com balas.
Porque é certo que a simples exibição ostensiva de um acessório daquele já seria suficiente, mais do que suficiente, para que o portador fosse parado pelos seguranças do shopping e convidado a se retirar.
O professor está revoltado. Fala até em processar o shopping por danos morais.
Alega que o cinto era de brincadeirinha. Que as balas eram falsas. Que tudo não passava, enfim, de um mero adorno.
Ah, é?
Então, se essa alegação fosse acolhível pelo bom senso, seria admissível que uma pessoa entrasse no mesmo shopping com um cinto daqueles e empunhando uma arma, mas se comprovasse depois que tudo era de brincadeirinha?
O problema é que não estava escrito no cinto do professor: "É só de brincadeirinha". "É só para fazer estilo".
Não estava escrito assim.
Se não estava, era natural que o dito cujo, da forma como estava trajado - exoticamente trajado, vale dizer, sem entrar no mérito do estilo pelo qual ele optou -, fosse impedido até mesmo de entrar no shopping; e se fosse flagrado lá por dentro, nada mais natural que fosse retirado.
Será que um personagem vestido dessa maneira andaria pelas ruas ou entraria num recinto público em qualquer cidade dos Estados Unidos, por exemplo?
Certamente que não.
Ninguém duvida que o professor tenha índole pacífica.
Ninguém descarta que jamais, nunca antes, em tempo algum tenha lhe passado pela cabeça fazer mal a alguém.
Ninguém duvida de que seu intento, ao usar um cinto exótico, poderia ser apenas o de demonstrar sua preferência por um adereço e nada mais.
Mas é induvidoso e inequívoco que há limites para algumas preferências, quando a pessoa tem que dividir o mesmo espaço com muitas outras que não a conhecem.
Esse era o caso.
Se o professor costuma apresentar-se daquele maneira em seu círculo de familiares e amigos, tudo bem. Todos já estão acostumados com ele e ele já está acostumado com todo mundo.
Mas, naquela sala, provavelmente nem um espectador jamais visualizara anteriormente alguém trajado daquela forma, exibindo balas que pareciam ser verdadeiras.
Falhou, sim, a segurança do cinema, por tê-lo deixado entrar na sala com um badulaque intimidatório.
Mas falhou, muitíssimo mais, a segurança do shopping, por não tê-lo barrado à entrada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tarantino, o cara que dá dignidade aos nossos piores instintos


Olhem só.
Com a licença da máxima de Roberto Jefferson, e já parafraseando-o, Quentin Tarantino, com seus filmes, desperta em nós os nossos piores instintos.
Falando sério: quem aí já não tomou conhecimento de situações de selvageria e sentiu uns arrupios de vingança, tipo assim olho por olho, dente por dente?
Falem sério: quem aí, diante de situações escabrosas, como a de selvagens que estupram filhas na frente dos pais durante um assalto, por exemplo, já não pensou que o melhor castigo seria cortar os órgãos genitais do estuprador e jogá-los aos porcos ou enfiar na boca do próprio estuprador?
Sim, a vingança é um sentimento repulsivo.
Fazer justiça com as próprias, idem.
Uma coisa, no entanto, é a racionalização como fator que contribui para inibir a eclosão dos nossos piores instintos.
Outra coisa, bem diferente, é dizer-se que, diante de situações-limite de selvageria, o agredido, caso sobreviva, fique imune de vir-lhe à cabeça, ao espírito, à alma a gana de fazer com o agressor a mesma coisa que o agressor, selvagemente, lhe impôs.
Pois é.
Nos filmes de Tarantino, como Django Livre, não há conversa fiada.
Não há papo furado.
Nem rodeios.
E muito menos lero-lero.
Não há.
Em Django Livre, o selvagem é tratado como selvagem.
O cara que põe a sua vítima de cabeça pra baixo e se reserva o prazer de, mais tarde, voltar para decepar-lhes os órgãos genitais é aquele que, implacavelmente, sem papo furado, sem discursos, sem rodeios, sem justificativas, vai morrer com uma bala entre as pernas.
Tarantino, em sua linguagem em que a mordacidade é capaz de tornar a maior das selvagerias plenamente palatável, a ponto de despertar o riso - para não dizer gargalhadas - entre os espectadores, não avisa quando vai matar.
Ele já matou.
Em Django Livre, as imposições morais de uma época em que facínoras eram procurados "vivos ou mortos" prevalecem diante das particularidades de um sistema judiciário que tornava legal a execução dos procurados, desde que tivesse amparo em pronunciamentos judiciais expressos em cartazes, em panfletos que circulavam entre os "caçadores de recompensas".
Em Django Livre, os espectadores não estão muito preocupados se o Dr. King Schultz (numa interpretação magistral, soberba de Christoph Waltz) está munido de um mandado judicial que o autoriza a capturar os senhores selvagens da escravidão vivos ou mortos.
Eles, nós, que assistimos àquelas cenas, queremos mais é que o dr. Schultz meta logo uma bala na cabeça, no joelho, seja onde for, mas meta uma bala de preferência na cara do cara que praticava atrocidades sem fim. É a imposição moral que o recomenda.
Em Django Livre, ninguém está preocupado se Django (também numa interpretação antológica de Jamie Foxx) tem um transitório poder legal de acabar com a vida de bárbaros que barbarizavam os negros.
Nós, que o assistimos, queremos logo que faça com os bárbaros o mesmo que os bárbaros faziam. É a imposição que, digamos assim, dá uma certo suporte ético aos nossos piores instintos.
É emblemática, neste sentido, uma cena em que Django está mirando o alvo, mas refuga, se retrai, parece que se recusa a atirar.
Dr. Schultz pede que ele baixe a arma e oferece a, como diríamos, ficha corrida do alvo a ser eliminado. Descreve os seus crimes. Relata as barbaridades que praticou. Feito isso isso, Django, como se expurgado de seus melhores instintos, deixa aflorar os seus piores e atira.
Atira e mata.
Pummm!
Mais um selvagem morto.
É isso.
Meus caros, não façamos nunca, jamais, em tempo algum como o Dr. King Schultz e Django  fazem no filme de Tarantino.
Mas, meus caros, não sejamos hipócritas de dizer que, por dentro, não nos regalamos, quase nos extasiamos com a linguagem direta, sem rodeios, sem rebuscamentos como a que se vê em filmes como Django Livre.
Um filmaço.
Em tudo e por tudo, a cara de Tarantino, que é o cara.
Vão logo assistir Django Livre.
Antes que vá embora de Belém.
Porque em Belém, vocês sabem, os bons filmes vão embora antes de chegar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vejam "Gonzaga", antes que vá embora


Meus caros.
Gonzaga, de Pai pra Filho.
Um filmaço.
Muito, mas muito bacana.
Comovente, sem ser apelativo.
Verdadeiro, mas sem espetacularizar as verdades que aborda.
A direção de Breno Silveira é magistral.
Chambinho do Acordeon está fantástico no papel de Gonzagão.
Idem, Alison Santos no de Gonzaguinha.
Um elenco afinadíssimo.
Vale a pena ver.
E vejam logo, porque filmes bons em Belém, vocês sabem, só ficam por aqui umas duas semanas.
O poster assistiu na última quinta-feira.
Pena que, bem atrás, sentaram-se quatro pessoas.
As quatros - todinhas - ficaram as duas horas do filme falando.
Falavam sem parar.
Chegavam até a completar o roteiro.
Tipo assim: numa dos momentos do filme, Gonzagão volta pra casa, em Exu. Chega à porta, e começa a bater.
- Oi de casa - começou a tartamudear um dos quatro falantes, atrás do poster.
E não é que o personagem disse Oi de casa mesmo?
Parecia até que os quatro falantes escreveram o roteiro.
Mas apenas parecia.