Sem brincadeira, uma foto é uma foto.
Quando a sensibilidade e o timing jornalístico do fotógrafo aliam-se à leitura correta do editor, temos o que pode ser visto nas duas fotos que temos aí.
Fiz questão de manter as legendas e os créditos.
Ambas traduzem um mesmíssimo momento, captado no exato segundo - ou segundos - pelos fótógrafos presentes no cenário do fato jornalístico.
A foto do alto está na primeira página de O Globo desta sexta (01), com um corte mais horizontal.
A de cima, igualmente, está numa primeira da página, mas da Folha de hoje, com um corte um pouco mais vertical.
As duas são o que há de melhor para expressar a conjuntura política que exibiu, nesta quinta (30/04), um Congresso escandalosamente desavergonhado, ao derrubar veto presidencial e, em consequência, aprovar alterações nas penas dos golpistas, fascistas e bolsonaristas que participaram do 8 de Janeiro, favorecendo-os despudoradamente sob a justificativa de que as punições que receberam teriam sido desproporcionais aos atos infames e criminosamente hediondos que praticaram.
Nas fotos, David Alcolumbre, presidente do Senado, parece mergulhar no colo de Flávio Bolsonaro, relaxando-se, aliviando-se, extasiando-se e aspirando - haurindo, diram os poestastros românticos -, como se fosse uma seiva de alfazema, os odores pútridos da extrema-direita e do Centrão, ambos mancomunados para livrar não a Débora do Batom et Caterva - ou Débora do Batom & Corja -, mas Jair Bolsonaro, um excremento humano que cumpre pena de prisão, justamente, por ter comandando a tentativa de golpe.
Se vocês prestarem bem atenção, na foto da Folha Alcolumbre parece estar com o olho direito um pouco, um pouquinho mais fechado em relação ao momento captado na foto de O Globo.
Não é demais imaginarmos que, se o aconchego demorasse poucos segundos a mais, o presidente do Senado dormiria, anestesiado pelas podridões malcheirosas exaladas por uma casa que, dizemos todos nós, é a casa da democracia.
É?


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