quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tucanos revêem filme. Com Almir como artista principal.

Os tucanos já viram esse filme antes.
Na eleição de 2006 aconteceu algo semelhante ao que se vê hoje no ninho tucano, que está em polvorosa, quase em pé de guerra, depois da ida de sete deputados ao gabinete do presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), para cobrar definições a candidatura para 2010 e sobre o próximo presidente regional da agremiação.
Claro, a semelhança mencionada deve respeitar cenários, atores e circunstâncias políticas. Mas os barracos também foram inevitáveis.
Em 2006, Almir bateu na mesa e disse que era candidato e pronto.
Jatene, então governador, “amarelou” e preferiu não bater de frente com o condestável – licença aí, dr. Puty - tucano. Até porque Jatene não tem esse perfil, jamais entra em bola dividida. E Almir tinha a obsessão de governar, pela terceira vez, o Pará.
Enfim, Jatene botou panos quentes, chamou os companheiros, Almir se candidata, perde a eleição, abandona os amigos, os correligionários, o PSDB e escafedeu-se para Bertioga.
Não disse adeus, nem até logo.
Ou disse. Para alguns poucos que ele mesmo selecionou.
Não teve a delicadeza de desejar um bom governo para Ana Júlia Carepa.
Não teve a gentileza de agradecer os votos recebidos do povo do Pará, ao longo do reinado tucano.
Poucas vezes se viu algo parecido.
Almir se fechou em copas.
Os soldados tucanos ficaram feridos nos campos de batalha e ele virou as costas, sem sequer oferecer um copo d’água.
Depois do nocaute e do que parecia impossível - Almir perder a eleição para Ana Júlia -, os tucanos passaram o ano de 2007 arrancando todas as penas, sem saber pra onde voar.
E, enfim, perceberam que era possível sim, reorganizar o ninho, e que juntos eram mais fortes.
Tiraram o Jatene da rede e da pesca – precisavam de um comando – e chegaram a 2008 mais confiantes e seguros.
Trabalharam dia e noite pra isso. Quando o partido está respirando novamente, eis que chega o Almir, que abandonou sua Ilha de Elba para desarrumar tudo, desagregar e sentar a pua em Jatene.
Estranho que isso tenha acontecido.
Porque líder que é líder não desagrega.
Líder que é líder não deixa seus soldados feridos no meio do caminho.
Almir, que teve uma carreira brilhante - foi senador constituinte, foi candidato a vice na chapa de Mário Covas para presidente - e sua eleição em 1994 deu início a um longo reinado do tucanato -, acabou cultivando um ódio assustador – e injusto, segundo muito tucanos - por Simão Jatene, com quem conviveu por quase 40 anos.
Cultivou, além disso, um ódio enorme por Ana Júlia Carepa, a quem trata de “mulher despreparada”.
Tucanos – muitos – deploram que o doutor Almir tenha perdido a capacidade de enxergar o conjunto, o coletivo, o Pará do futuro. Logo ele.
E estão convictos de que sua meta não é governar o Pará.
É aniquilar Jatene e dar o troco pra Ana Júlia.
Bobagem.
Jader sorri.
Petistas não acreditam que os emplumados quebraram o barraco. E esse imenso país chamado Pará vai continuar sendo o almoxarifado do Brasil.
Ou tem tudo para continuar como o almoxarifado do Brasil.

4 comentários:

Anônimo disse...

Prezado PB,

É bom o "Napoleão de Bertioga" não esquecer o que aconteceu com Bonaparte: saiu da ilha de Elba, governou a França por 100 dias e, ao ser derrotado em Waterloo, terminou seus dias em Santa Helena, no meio do Atlântico.

Quanto tempo dura uma campanha eleitoral? Cerca de 100 dias?
Pois é...

Anônimo disse...

Almir não sabe o que é delicadeza, tampouco humildade.
Achava-se e ainda acha-se rei.
Mas seu tempo já passou e seus bajuladores não querem nem tem coragem de avisá-lo.
Teve seus méritos sim, reconheça-se,que foram muitos, mas seu final foi lamentável.
Deveria, em respeito ao que fez de bom e útil, afastar-se para não correr o risco de ser novamente sovado de maneira humilhante como foi.
Mas sua soberba fala mais alto, infelizmente. E com isso, o pouco que resta de união no PSDB local corre sério risco de escorrer pelo ralo.
E perder pra si mesmo é o fim.

Anônimo disse...

Caro Poster

Eu gostaria muito que algum repórter perguntasse com todas as letras para o Simão Jatene o seguinte:
- no término do seu mandato o que o senhor falou para o Almir Gabriel sobre a reeleição?
- Para reforçar, o senhor concordava em disputar a reeleição? Ou na época o senhor era contra isso?
- Afinal, o Almir Gabriel impôs mesmo a sua candidatura ao governo?

Acho que essas 3 perguntinhas seriam suficientes para esclarecer muita coisa sobre o que aconteceu nas eleições passadas; isso, é claro, se o Jatene não enrolar com todo aquele ar de intelectual, de bom moço e de vítima do Almir.

abç

Anônimo disse...

Sua análise foi a mais lúcida de todo esse episódio. Almir Gabriel mandou avisar a todos que iria cuidar de suas flores. Política never more. Agora, depois de largar os tucanos do interior à própria sorte, na corrida eleitoral de 2008, volta para bagunçar de vez o processo. Tenha paciência. Só faltou uma coisa, Paulo: gostaria que o Almir dissesse em alto e bom som: O Jatene não usou a máquina do Estado a meu favor como eu gostaria. Por favor, Dr. Almir! Não manche ainda mais a sua já arranhada biografia.