sábado, 23 de março de 2019

Maia aponta sua "arminha" verbal contra Bolsonaro

Está aí.
Se fosse a mídia quem dissesse isso, é porque estaria dominada - para não dizer inebriada - por um espírito golpista.
Mas não é a mídia.
É Rodrigo Maia.
E o que dirá, sobre os ditos de Maia, o Capitão?


sexta-feira, 22 de março de 2019

Maia joga a toalha. E joga a reforma da Previdência nos peitos do Capitão.


Vish!
Parece que a coisa vai, digamos assim, de mau a piau.
Mas, é claro, torcemos para não degringolar.
Perfilados, estamos sempre bradando: Avante, Brasil.
Já foi dito aqui no blog, várias vezes, que o governo do Capitão não tem articulação política.
Não é, vejam bem, que a articulação política do governo do Capitão esteja ruim.
Não.
Inexiste, pura e simplesmente inexiste, articulação política.
Pois é.
Quem vinha fazendo as vezes de articulador político (ad hoc, digamos) era o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Mas os últimos acontecimentos – as declarações despirocadas do Capitão sobre a velha política, o confronto com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e agora a prisão de Moreira Franco, casado com a sogra do deputado – levaram o presidente da Câmara a dizer mais ou menos assim: “Explodam-se” (mas cada leitor fique à vontade, por favor, para manejar sua criatividade verbal e escolher outro verb
o que se afeiçoe de forma mais contundente às circunstâncias).
Maia, tudo indica, mandou o governo do Capitão pras cucuias (também vocês podem usar termo popular mais adequado, se quiserem).
A “Folha” está informando, em matéria da jornalista Mônica Bergamo, que nesta quinta-feira (21), em telefonema ao ministro Paulo Guedes, da Economia, Maia avisou-lhe que a responsabilidade por conquistar votos para a reforma da Previdência, a partir de agora, será do presidente Jair Bolsonaro. E não mais dele.
Maia negou à jornalista que tivesse feito afirmações no tom relatado. Mas disse que, sim, a responsabilidade de buscar votos para a aprovação da reforma é de Bolsonaro. "O papel de articulação do executivo com o parlamento nunca foi e nunca será do presidente da Câmara", afirma.
"Eu continuo ajudando. Sei que a reforma da Previdência é fundamental e não abro mão dela", diz. "E concordo com o presidente [Bolsonaro]: é preciso construir uma maioria de uma nova forma. Essa responsabilidade é dele", segue.
"Quando ele [Bolsonaro] tiver a maioria e achar que é a hora de votar a reforma, ele me avisa e eu pauto para votação. E digo com quantos votos posso colaborar", diz Maia.
Ou não? 

Um medo difuso - e pertinente - empestando o ar

A nota foi postada nesta sexta-feira (22) no site O Antagonista.
Pois é.
Esse medo não deixa de ser difuso.
E não deixa de ser pertinente, justificável, procedente.
Realmente, é de meter medo.


Preso ou em liberdade, o desafio de Temer será o de desqualificar as provas contra ele


Temer preso?
Deveria ser um espanto.
Mas não é.
No minuto seguinte ao que o Capitão foi empossado presidente da República, em 1º de janeiro, a prisão de Michel Temer, a partir de então ex-presidente, e portanto já sem o guarda-chuva do foro privilegiado, era tão certa quanto ao sol que, a cada manhã, se alevanta no nascente.
A prisão era, portanto, uma questão de tempo.
E o tempo foi o necessário para o Ministério Público proceder a investigações que, fartamente, sobejamente, robustamente, colheram elementos probatórios indicativos de ilícitos clamorosos cometidos pelo ex-presidente da República.
Temer continuará preso por muito tempo?
Sabe-se lá.
Ninguém é capaz de apostar.
É possível até mesmo que na manhã desta sexta-feira (22) ele seja libertado, porque ainda ontem à noite sua defesa ingressou no TRF2 com um pedido de relaxamento da prisão.
Mas, preso ou em liberdade, a defesa do ex-presidente terá muito, mas muito trabalho para desqualificar as provas coletadas pelo MPF para juntá-las ao processo que tramita na Justiça Federal do Rio.
A conferir.

Preparem-se para ver corruptos saindo às ruas para confessar crimes de caixa 2


Fora de brincadeira, mas este país é estranho.
Muito estranho.
Pelo que percebi na noite desta quinta-feira (21), nas declarações de um procurador da República envolvido nas investigações que levaram o ex-presidente Michel Temer à cadeia, está para chegar, muito em breve, o dia em que veremos corruptos nas ruas, todos unidos, confessando em altos brados que, sim, cometeram crimes de caixa 2.
Tudo para que seus processos desviem-se da Lava Jato e passem a abrigar-se nos braços da Justiça Eleitoral, a instância recentemente indicada pelo Supremo como a competente para apreciar casos de caixa 2 e crimes conexos.
É que o procurador da República Eduardo El Hage disse claramente à Imprensa que o crime imputado a Temer nada, mas nada mesmo, tem a ver com caixa 2.
Por que essa ênfase do procurador?
Porque é do interesse do MPF, e também da sociedade, que o processo siga sob a jurisdição da Justiça Federal Comum, e não da Justiça Especializada.
Com isso, e pelo rigor que tem demonstrado no processamento de crimes sob a alçada da Lava Jato, a Justiça Federal teria melhores condições de instruir e julgar o caso envolvendo Temer, Moreira Franco e outros suspeitos.
Do que se depreende que, contrariamente, veremos já, já acusados de crimes passíveis de julgamento pela Lava Jato saindo às ruas para confessar ardorosamente que cometeram crimes, sim.
Mas de caixa 2, é óbvio.
Não é estranho este País?

Sentença obriga o município de Belém a transportar regularmente pacientes em ambulanchas


A Justiça Federal condenou o município de Belém a prestar regularmente o serviço público de transporte de pacientes em estado de urgência por meio de ambulanchas. A prestação do serviço deverá ser comprovada, a partir de 2020, em relatórios que deverão ser enviados ao MPF sempre nos meses de março e setembro.
Na sentença (íntegra neste link), assinada nesta quinta-feira (21), o juiz federal Henrique Jorge Dantas da Cruz, da 1ª Vara, determina ainda que cópias dos contratos de manutenção, prevenção e de seguro firmados em benefício das ambulanchas sejam enviadas pela Prefeitura de Belém à Procuradoria da República do Estado do Pará.
Em ação ajuizada em 2014, o Ministério Público Federal (MPF), com base em informação colhidas em inquérito civil público, informou que duas ambulanchas do Serviço Móvel de Urgência (SAMU), que deveriam estar sendo utilizadas para transportar pacientes residentes às margens dos rios do município de Belém, estariam “paradas”, uma delas na Base Naval de Val-de-Cans, por problemas mecânicos, devido à ausência de manutenção, e a outra estaria desaparecida.
Diligências feitas pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) apontaram que apenas uma das lanchas registrou 116 ocorrências nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro do ano 2012 e 18 ocorrências em janeiro 2013.
A fiscalização do Denasus também constatou que um dos fatores principais para a não operacionalização das ambulanchas é a falta de contrato de manutenção preventiva/corretiva. A Secretaria Municipal de Saúde justificou que uma das ambulanchas é uma reserva técnica para a outra. Ou seja, na falta de uma recorre-se à outra, mas as duas apresentaram falha mecânica e teria ocorrido a falta de peças de reposição no mercado de Belém
“O transporte fluvial é uma realidade desta região e, em nenhum momento, o município de Belém provou – na verdade, nem sequer alegou – problemas orçamentários ou financeiros para deixar de cumprir o serviço que lhe compete. Logo, é deve seu prestar com correção o serviço de atendimento móvel às urgências – SAMU 192 por meio das ambulanchas”, afirma a sentença.
Sem danos - O juiz diz ainda que “o cumprimento imediato desta sentença não gera danos ao município. Apenas, como inclusive já comprovadamente fez o município de Belém entre 2014 e 2015, impõe a correta aplicação da verba pública por ele recebida sem gerar novos gastos (relembro que não há nos autos discussão sobre questões orçamentárias nem financeiras) e o dever de preservação das ambulanchas, tutela o direito à saúde de quem necessita dos serviços do SAMU, e cria medida de fiscalização eficiente com ônus irrelevante para quem esteja à frente da Secretaria Municipal de Saúde”.
Ao considerar o relatório do Denasus como “ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade”, o juiz Henrique Dantas da Cruz manifestou-se convencido de que o município de Belém prestou de forma deficiente o transporte de pacientes em estado de urgência por meio das ambulanchas.
Alguns contratos de manutenção e de seguro para a frota de veículos foram firmados após a fiscalização do Denasus, acrescenta o magistrado, mas não foram apresentadas provas de que os referidos contratos estão atualmente em vigor ou que outros foram firmados.
“Além disso, restou provado que o período de alguma regularidade encerrou-se. Antes da auditoria de 2013, não houve prestação regular dos serviços nem contratação de manutenção e de seguro das ambulanchas. Até 2015, certa regularidade foi provada. Mas, a partir de 2016, o estado de coisas apresentado quando do ajuizamento dessa ação voltou”, reforça a decisão.
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Processo nº 0010620-55.2014.4.01.3900 – 1ª Vara (Belém)

quinta-feira, 21 de março de 2019

Ibope revela uma assustadora corrosão do apoio popular a Bolsonaro


Aí está.
A imagem acima e as duas abaixo expressam, em síntese, os números da pesquisa do Ibope, divulgada na noite desta quarta-feira (20).
Ainda nem se completaram 100 dias (os míticos 100 dias) do governo do Capitão.
Aliás, ainda não se completaram nem 90 dias, e já temos, mensurada, medida, quantificada e valorada, uma espantosa, estrondosa e reveladora corrosão do apoio popular ao governo que tomou posse no dia 1º de janeiro de 2019.
Tomou posse, sim, amparado na legitimidade popular, alcançada em votação democrática.
Tomou posse, sim, surfando na onda de enorme expectativa de que, ora bolas, teríamos a partir de então dois Brasis - um antes, outro depois do governo Bolsonaro.
Tomou posse, sim, escorado na presunção de que muitas, senão todas, as promessas de campanha seriam facilmente operadas através de um decreto, que cumpre ao Executivo editar, é claro.
Acreditou-se, por exemplo, que o diktat de um ministro desparafusado qualquer seria capaz de fazer todas as criancinhas acordarem de manhã, dirigirem-se à escola e, em lá chegando, automaticamente perfilarem-se para cantar o Hino Nacional, com direito a ser filmadas, para que o filminho, logo depois, fosse remetido ao ministro que emitiu a ordem esdrúxula.
Acreditou-se, por exemplo, que o fisiologismo - escancarado e desbragado - seria coisa do passado, seria obra de dinossauros da velha política.
Acreditou-se, piamente, que teríamos um presidente sereno, moderado, equilibrado e consciente de que, encerrada a campanha eleitoral, deveria ser o primeiro a pôr um freio no passionalismo ideológico, sobretudo o que tem potencial de atirar no ralo o decoro presidencial e a imagem no País.
Acreditou-se que o presidente seria capaz de acionar as rédeas de sua autoridade para controlar filhos dominados incontrolavelmente por recalques, ódios e ressentimentos que beiram ora o rídículo, ora a irresponsabilidade, ora as duas coisas de uma só vez.
Acreditou-se que haveria um mínimo de concatenação, articulação e definição de rumos na base aliada do governo.
Acreditou-se que fake news seriam produzidas - ou chanceladas - apenas por militantes entretidos em guerrilhas virtuais, e não pela própria Presidência da República.
Acreditou-se piamente que laranjal fosse apenas, ora bolas, o cultivo de laranjas, sem agressões a leis e sem estímulo a suspeitas de condutas criminosas.
Se vocês clicaram - ou clicarem - em todos esses links, que remetem a postagens feitas aqui no Espaço Aberto, verão que essas expectativas estão esboroando-se, derretendo-se, deteriorando-se, esvaindo-se rápida e progressivamente pelo ralos das mais ardentes ilusões.
Agora, com todo o respeito às preferências de cada um, mas todos os que votaram em outubro já são bem grandinhos para não se deixarem inebriar tanto por ilusões, né?
Com todo o respeito.
Avante, Brasil!



O maior inimigo do governo Bolsonaro é o governo Bolsonaro!



Quando bolsonaristas – de primeira, segunda, terceira ou quarta hora – choramingam ou bradam irresignados contra supostas conspirações, é sinal de que precisam parar uns dois ou três segundos para olhar no entorno.
Se olharem no entorno e despirem-se, também por dois ou três segundos que sejam, de suas desvairadas paixões, vão descobrir que, ora pois, o maior inimigo do governo do Capitão é, sim, o governo do Capitão.
Espiem agora.
O maior, senão o único, articulador político do governo tem sido o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
À ausência e à falta de operatividade das ditas lideranças governistas no Congresso, é Maia quem vendo sugerindo caminhos, advertindo sobre desacertos e amenizando os efeitos corrosivos que a desarticulação progressiva da base alidada está causando ao governo.
Pois qual é a retribuição do governo Bolsonaro? É sentar a pua no Congresso. Simplesmente isso.
"Vocês sabem que as pressões são enormes porque a velha política parece que quer nos puxar para fazer o que eles faziam antes. Nós não pretendemos fazer isso", disse o Capitão há uma semana.
E a reação de Maia?
"Eu acho engraçado. Quando dizem que o Parlamento quer indicar alguém no governo é toma lá da cá. Quando eles querem indicar relator aqui e interferir no processo legislativo não é toma la da cá?", afirmou, nesta quarta-feira (20), o presidente da Câmara.
Entenderam?
O maior inimigo do governo Bolsonaro não são comunistas de foice e martelo, não é a mídia golpista (hehe), não é a velha política (credo!).
Não.
O maior inimigo do governo Bolsonaro é o governo Bolsonaro!
Avante!

Ribeirinhos e índios acampam para exigir cumprimento de sentença

Alcino Bemuyal, ribeirinho de origem judaico-marroquina, o advogado Ismael Moraes e
o presidente da Apovo, Ademar, neto de escravos
Centenas de integrantes da Associação das Populações Organizadas Vítimas das Obras nos Rios Tocantins e Adjacências (Apovo) já estão acampados, desde a última terça-feira (19), entre os municípios de Tucuruí e Breu Branco.
Conforme informo o Espaço Aberto, a manifestação pretende chamar a atenção para sentença da Justiça Federal que condenou a Camargo Corrêa a indenizar comunidades ribeirinhas estabelecidas a jusante da hidrelétrica, por ter destruído uma praia chamada Gaviões da Montanha, local da desova de quelônios e reprodução de peixes, além de ter destruído a mata ciliar.
Além de comunidades ribeirinhas, parte de algumas tribos da região também aderiram à manifestação.
A sentença foi assinada em outubro de 2018 (clique neste link para ver a íntegra em Inteiro Teor), atendendo a uma ação civil pública proposta pela Apovo. A entidade sustentou em juízo que houve retirada irregular de areia do local licenciado, do que resultou um auto de infração ambiental pelo Ibama à Construtora. A areia da praia Gaviões da Montanha foi retirada durante a construção das eclusas da hidrelétrica.




Ciro cospe balas contra Bolsonaro e o PT


"Bolsonaro é produto do lado bandido do PT. E eu continuo achando que quem está mandando ali (no PT) é esse lado bandido. Eles estão completamente perdidos. Por isso, só resta agora a esse lado bandido do PT bater em mim."
Ciro Gomes, ex-ministro e candidato derrotado do PDT à Presidência da República, acionando a sua metralhadora giratória.
Metralhadora verbal, seja bem dito.

terça-feira, 19 de março de 2019

Comunidades ribeirinhas e indígenas montam acampamento perto da hidrelétrica de Tucuruí


Integrantes da Associação das Populações Organizadas Vítimas das Obras nos Rios Tocantins e Adjacências (Apovo) montaram um grande acampamento entre os municípios de Tucuruí e Breu Branco, nesta terça-feira (19), iniciando uma série de eventos que pretendem chamar a atenção para sentença da Justiça Federal que condenou a Camargo Corrêa a indenizar comunidades ribeirinhas estabelecidas a jusante da hidrelétrica, por ter destruído uma praia chamada Gaviões da Montanha, local da desova de quelônios e reprodução de peixes, além de ter destruído a mata ciliar.
O Espaço Aberto recebeu informações de que o acampamento deve ficará no local por um bom tempo. Além de comunidades ribeirinhas, parte de algumas tribos da região também aderiram à manifestação.
A sentença foi assinada em outubro de 2018 (clique neste link para ver a íntegra em Inteiro Teor), atendendo a uma ação civil pública proposta pela Apovo. A entidade sustentou em juízo que houve retirada irregular de areia do local licenciado, do que resultou um auto de infração ambiental pelo Ibama à Construtora. A areia da praia Gaviões da Montanha foi retirada durante a construção das eclusas da hidrelétrica.
O juiz federal Hugo Leonardo Frazão, que assina a sentença, reconheceu que a área da qual foi extraída a areia é de Preservação Permanente (APP). Destacou ainda que o Código Florestal, desde 1965 inclui as matas ciliares na categoria de áreas de preservação permanente, daí porque toda a vegetação natural presente ao longo das margens dos rios e ao redor de nascentes e de reservatórios deve ser preservada.
“Constatou-se, todavia, que o Ibama não exerceu a devida fiscalização no decorrer das obras como deveria. Com seu ato omissivo, e por vezes comissivo, permitiu que a empresa Camargo Correa aumentasse, bem como perpetuasse os danos ambientais que estava causando com a sua atividade, o que demonstra não estar agindo em conformidade com as diretrizes legais que obrigam a autarquia ambiental a zelar pelo meio ambiente”, diz a sentença.
O magistrado condenou a Camargo Corrêa a pagar indenização por dano material derivado da atividade ambiental danosa no valor de R$ 10 milhões. A construtora também foi condenada a pagar R$ 5 milhões a título de compensação pelos danos
morais coletivos, obrigando-se ainda a recompor a vegetação ciliar e a Praia dos Índios
Gaviões da Montanha, da forma como era antes da retirada indiscriminada de areia.

O Paysandu e seu presidente fazem história


Mas que coisa pavorosa, hein, gente?
Pavorosa e despropositada, para dizer o mínimo.
Coleguinhas que atuam na área de Esporte podem dizer melhor.
Mas acho que o Paysandu, por sua presidência, talvez seja o único clube do Brasil, nos últimos anos - ou décadas -, que demite um treinador com retrospecto de invencibilidade.
E o Paysandu, justiça seja feita, também seja o único clube do Brasil, nos últimos anos - ou décadas -, em que seu presidente assume inteiramente um decisão ditatorial, pavorosa e despropositada.
Só por isso, o presidente bicolor já merece uma estátua, a ser erigida em qualquer lugar.
Vish!

Mais comovente não seria evitar a morte de 206 pessoas até agora?

Grandes jornais desta segunda-feira (18) trazem este anúncio que vocês veem aí embaixo.
Comovente, né?
Arrepiantemente comovedor!
Mas o comovente mesmo não seria evitar que 206 pessoas perdessem a vida tragicamente, em decorrência de negligências e omissões verdadeiramente criminosas?
O comovente não seria a Vale gastar 10, 20, 500 vezes mais do que está gastando com indenizações, para com isso evitar que 206 vidas (cuja valoração em dinheiro é imensurável) fossem ceifadas?


segunda-feira, 18 de março de 2019

Médicos se revoltam contra o que consideram “farra” de gastos nos CRMs


Grupos de WhatsApp que reúnem centenas de médicos de Belém está vivendo, nos últimos dias, momentos que misturam espanto e irresignação, diante da dinheirama que será movimentada, durante este ano de 2019, no Conselho Federal de Medicina e nos Conselhos Regionais de Medicina, incluindo o do Pará.
Os orçamentos aprovados, em todo o País, somam a fábula de quase R$ 800 milhões, como se vê na tabela acima, mandada para o Espaço Aberto. No caso do CRM do Pará, os recursos disponíveis serão da ordem de R$ 12,7 milhões, o maior em toda a Região Norte, quase o dobro do Amazonas, que vem logo em seguida, com R$ 6,3 milhões.
Os orçamentos foram aprovados em dezembro do ano passado, através da Resolução 2.225/2018, do Conselho Federal de Medicina, e estão disponíveis na própria página do CFM. Numa conta rápida, se considerado o valor orçamentário global, de R$ 799,295 milhões, o sistema torra durante um ano nada menos do que R$ 2,220 milhões diariamente.
Três médicos com os quais o blog conversou se mostram indignados porque, segundo argumentam, não há justificativas para que se exijam dos profissionais uma anuidade tão alta, no valor de R$ 750,00 para pessoas físicas e de R$ 1.600,00 para as pessoas jurídicas. Atualmente, estão cadastrados no CRM do Pará cerca de 15 mil médicos em todo o estado.
A indignação aumentou depois que passou a circular, também em grupos de WhatsApp, uma relação com gastos de passagens aéreas emitidas em favor de dezenas de conselheiros federais e de vários estados, além dos parentes de vários deles.
“É uma farra grande. Você imagina os grandes estados. A grana é muito alta, é absurda. Por isso tem essa farra toda com passagens. Isso não serve pra nada. Eu, pelo menos, sou lembrado apenas a cada início de ano, porque tenho que pagar um boleto de pessoa física e jurídica. Eu, como vários colegas do Pará, apoiaríamos hoje se fosse instaurada uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] para investigar a administração desses recursos pelos CRMs de todo o País. Porque os CRMs estão sendo, a meu ver, uma espécie de sindicato especializado”, desabafou um dos médicos ouvidos pelo Espaço Aberto e que prefere não se identificar.
Entre boa parte da classe médica, as altas anuidades e a revelação de gastos astronômicos nos CRMs dão gás a uma proposta apresentada em janeiro deste ano para simplesmente extinguir o pagamento de anuidade de todos os conselhos de classe profissionais, como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e muitos outros.
De acordo com o projeto, o pagamento anual é similar à forma de como o imposto sindical era cobrado, e que acabou sendo extinta na última reforma trabalhista.

Regina Duarte tinha medo. Agora, nós é que temos medo dela.



“Tenho medo”, confessou-se Regina Duarte em 2002, referindo-se a provável vitória de Lula nas eleições daquele ano.
Há 17 anos, a atriz que até o final dos anos 1980 fora a “Namoradinha do Brasil” e enternecia corações nas glamurosas novelas das 9, assustava meio País por se posicionar politicamente.
Ao susto que Regina Duarte causou, pela contundência de sua declaração política, juntou-se a ira inclusive e sobretudo da classe artística, até então esmagadoramente favorável à candidatura de Lula, expressão maior das esquerdas.
Agora, Regina Duarte nos assusta outra vez. E não por externar uma preferência, uma opção por este ou aquele candidato, de tal ou qual ideologia política.
Ela nos assusta por expressar um deplorável desconhecimento sobre o papel das instituições num regime democrático.
Regina Duarte, como milhões de brasileiros, ficou indignada com julgamento do Supremo que definiu a Justiça Eleitoral como a instância competente para julgar os crimes relacionados a caixa 1, decisão que, inegavelmente, poderá fragilizar as investigações da Lava Jato.
Até aí, nada demais.
Mas advogar o fechamento do Supremo, como ela fez numa série de postagens no Instagram, convocando para manifestação – fracassada, diga-se – em favor da Lava Jato, é um espanto.
Um espanto de assustar.
Porque Regina Duarte, como uma mulher, supõe-se, bem-informada, não demonstra o menor discernimento, o menor aprumo e a menor moderação em embarcar nesse tipo de fanatismo, ainda que se reconheça o seu mais legítimo direito de expressar suas opiniões, preferências e convicções.
Ela quer mesmo o fechamento de um órgão do Poder Judiciário?
Ela acha que a conformação institucional de um Estado Democrático de Direito daria lugar a quê, no lugar do Supremo? A uma banca de secos e molhados?
Regina Duarte acha, por exemplo, que é mais fácil, mais prático e rápido escalar “um soldado e um cabo” para fechar o STF, como pregou o olavete Eduardo Bolsonaro, que assumiu as rédeas das Relações Internacionais do governo de papai?
Sério: Regina Duarte nos assusta.
E nos assusta muito.

domingo, 17 de março de 2019

Morre aos 79 anos o ex-prefeito de Belém Fernando Coutinho Jorge


O ex-prefeito de Belém Fernando Coutinho Jorge morreu na manhã deste domingo (17), em Brasília, aos 79 anos. Ele sofria do Mal de Alzheimer, doença agravada por outros problemas de saúde que o vinham debilitando seriamente ao longo dos últimos anos.
Coutinho Jorge, que se projetou na vida pública ao tempo em que já havia despontado Jader Barbalho - eleito governador do Pará em 1982, antes tendo exercido mandados na Câmara de Belém, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados -, foi responsável por uma das maiores revitalizações do Ver-o-Peso e da Praça Batista Campos, entre outros logradouros relevantes da cidade.
“Coutinho foi um dos valores políticos de maior expressão na política paraense que eu conheci. Tenho a honra de dizer que trabalhei com ele por três anos, em sua primeira gestão, na Coordenação da Comunicação Social, de onde só saí para apresentar um programa, o ‘Bom Dia, Pará’, na TV Liberal”, relembrou há pouco ao Espaço Aberto o jornalista Linomar Bahia.
Coutinho Jorge, lembra Bahia, descentralizou a administração, desmembramento as secretarias para atuar pontualmente em todas as áreas. Também promoveu as audiências nos bairros para estabelecer as prioridades ansiadas pelas comunidades, inaugurando assim uma administração participativa.
A Prefeitura de Belém decretou luto oficial de três dias. O corpo de Fernando Coutinho será sepultado na Capital, após velório que deverá ser realizado no Palácio Antônio Lemos, sede do Executivo Municipal.
O ex-prefeito governou Belém no período 1986 a 2000. Exerceu ainda os mandatos de deputado federal e senador pelo então PMDB do Pará. Também foi ministro do Meio Ambiente entre os anos de 1992 e 1993, durante o governo Itamar Franco.
Após os mandatos eletivos, assumiu a função de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão do qual foi presidente e pelo qual se aposentou, em 2009, não retornando mais à vida pública.

sábado, 16 de março de 2019

Investigue alguma "sacanagem" do adversário e destrua-o. Essa é a lição de Olavo de Carvalho.


A edição mais recente da revista Época desta semana nos presenteia com jornalismo puro. E a reportagem de capa, de 30 páginas, assinada pelo repórter Denis Russo Burgierman, é a expressão perfeita desse jornalismo.
Por três meses, ele foi aluno do COF, assim chamado o Curso On-Line de Filosofia, que tem como estrela e protagonista o cidadão Olavo de Carvalho, para muitos professor, para outros filósofo, para alguns mais pensador e para o resto, nada. Nesse nada, inclua-se o papel de guru do governo Bolsonaro, o de um guru que não se alimenta apenas de pretensões de ser a referência, o esteio ideológico de um governo, mas que se nutre, tudo indica, do desejo de governar de fato, senão por ele, pelo menos através dos fanáticos que indicou para ocupar cargo na Esplanada dos Ministérios.
É o caso dos ministros Ricardo Vélez Rodríguez, o desparafusado da Educação, e Ernesto Araújo, que sonha (mamããããeeeeee!) em alijar a China (maior parceiro comercial do Brasil) do espectro de relações prioritárias que o País deve preservar, independentemente dos governos da hora.
Há algum tempo, eu já não lia uma reportagem que se vale da ironia, de fatos, da exposição de ideias do entrevistado com outras que lhe são contrárias, tudo isso como instrumento para aproximar o leitor de um mundo complexo, como o que Olavo de Carvalho construiu – ou pretende construir.
Burgierman não escondeu sua identidade. Não se fez de infiltrado. Ou por outra: foi um infiltrado transparente. Chegou, inclusive, a insistir com Olavo – em contatos feitos através de uma filha do dito professor – para que lhe desse uma entrevista. Mas a condição imposta pelo cidadão foi que a matéria, antes de ser publicada, fosse submetida ao próprio entrevistado, que teria então a faculdade de modificar o texto a seu talante. Uma proposta imoral, né? E, por imoral, plenamente recusada.
“Procurei me comportar como acho que um aluno deve se comportar: me abri para aprender, tomei notas, li vários livros, fiz um monte de perguntas. Convivi com outros alunos pelas redes sociais, por vezes fui tomar café com eles. Como regra, não identifico os alunos no texto pelo nome, para não causar problemas para ninguém. Não me escondi: usei meu nome verdadeiro, respondi a verdade para quem me fez perguntas (por exemplo, que pago minhas contas fazendo programa como jornalista)”, conta Burgierman.
O repórter transformou sua matéria como se fosse um diário, indicando as datas mais relevantes em que Olavo, em suas aulas, expões teses amalucadas e delirantes, ao mesmo tempo em que comenta vários temas, geralmente relacionados a seus críticos, ao governo Bolsonaro, às esquerdas de um modo geral, à intelectualidade e à mídia, que ele odeia com um vigor comovente.
O retrato que a reportagem transmite, pelo menos na minha percepção é a seguinte: que a história da humanidade se divide entre antes e depois de Olavo Carvalho.
As aulas a que o repórter esteve presente, por meio de um chat, ofereceram-lhe a oportunidade de colher um perfil muito mais assustador de Olavo de Carvalho do que aquele que nos é revelado através de suas intervenções no Facebook ou no Twitter.
Ali, na reportagem, está o Olavo de Carvalho refém das redes sociais, das quais se serve às vezes durante madrugadas inteiras, entretido em fazer postagens porcas.
Ali está o Olavo de Carvalho boca porca, que desfia palavrões de A até Z, de Z até A.
Ali está o Olavo de Carvalho com manias persecutórias.
Ali está o Olavo de Carvalho que externa ojeriza a todos os intelectuais – à exceção dele, é claro.
Ali está o Olavo de Carvalho confessadamente, escancaradamente possuído por um fanatismo de direita tenebroso, a ponto de acreditar, vejam só, que a ditadura militar inaugurada em 1964 foi uma decepção completa, em termos de repressão, de censura e seja mais ou que for. “A esquerda governou este país durante 50 anos e fez um estrago monumental”, disse o cara em uma de suas aulas. Façam as contas: 50 anos inclui todo o regime militar.
Ali está o Olavo de Carvalho cheio de mimimi, que clama, suplica, implora, choraminga a seus alunos que o defendam dos críticos.
Ali está o Olavo de Carvalho que se alimenta da briga, da ofensa, da desqualificação moral de opositores para se manter, ele mesmo, em evidência, sob os holofotes.
Ali está o Olavo de Carvalho que, quando reconhece a sua pequenez, acaba confessando que se acha o maior filósofo que a humanidade já produziu.
Em uma de suas aulas, ao dizer que já era atacado desde os tempos do Orkut, bradou em alto e bom som no chat: “Foi a maior campanha de assassinato de reputação voltada para um cidadão privado ao longo de toda a história humana. A Polícia Federal se interessou? Não!”
Leram o que ele disse? “A maior campanha de assassinato de reputação voltada para um cidadão privado ao longo de toda a história humana”.
Em outra oportunidade, ensinou a seus alunos: “Não puxem discussão de ideias. Investigue alguma sacanagem do sujeito e destrua-o. Essa é a norma de Lênin: nós não discutimos para provar que o adversário está errado”.
Entenderam?
Não se sabe se a norma de Lênin repugna ao dito professor. Talvez não. Porque ele a segue fielmente em práticas e rotinas que observa em sua cátedra (hehe), seja nas aulas, seja nos dejetos verbais que faz escoar pelas redes sociais.
Esse é Olavo de Carvalho.
O guru do governo Bolsonaro.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Caluniar e ameaçar não são direitos democráticos. São crimes.



Vamos e convenhamos.
Uma coisa é o exercício da crítica num Estado Democrático de Direito.
Outra coisa é ameaçar.
Outra coisa é caluniar, injuriar e difamar.
Temos, milhões e milhões de brasileiros, sérias críticas ao Supremo e ao Poder Judiciário em geral.
Como também temos críticas a outras instituições e segmentos. Como a Imprensa, comumente apontada, por exemplo, de agir muitas vezes como delegado, promotor e juiz ao mesmo tempo.
Temos, milhões e milhões de brasileiros, o direito de dissentir inclusive de decisões judiciais. Qualquer pessoa, aliás, tem esse direito.
Afinal, o que é o recurso senão um instrumento em que se externa o descontentamento, a irresignação, o desacordo em relação a uma decisão ou sentença?
Pois é.
Tudo isso para dizer que, sendo inadmissíveis a ameaça, a calúnia, injúria e difamação, é intolerável que se ameace, calunie, injurie e difame ministros do STF, quaisquer que sejam, por seus posicionamentos – externados no âmbito da Corte ou em alocuções externas ao Supremo.
É nesse sentido que deve ser alcançado o sentido da decisão do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, que nesta quinta-feira (14) anunciou a instauração de inquérito para investigar ameaças e crimes contra a honra supostamente cometidos contra integrantes do STF e seus familiares.
Neste momento político tumultuado e radicalizado que o País enfrenta, convém que as leis sejam um dos freios para deter os excessos.
Do contrário, será o caos.

Bolsonaro é uma espécie de Íbis querendo ser o Barcelona dos trópicos



Grande!
O Capitão anunciou que vai trocar 15 embaixadores.
O motivo?
Ele acha que sua imagem como presidente do Brasil não está sendo veiculada de maneira correta. Ressente-se de estar sendo chamado de ditador, racista e homofóbico. E entende que caberia aos embaixadores reverter tal imagem.
Deve ser trocado o comando de 15 importantes embaixadas brasileiras, entre as quais as de Estados Unidos, Portugal, Itália e França.
Como já se disse aqui, não há um dia que o Capitão não nos divirta – ainda que também nos assuste.
Porque é risível, vamos admitir, que Bolsonaro pretenda ser pintado com cores, estilos, costumes e condutas que, todos sabemos, ele não tem.
É mais ou menos como se Landu, o inesquecível atacante remista, ficasse furioso porque não faziam dele uma imagem como a de um Messi, por exemplo (ainda que ambos não tenham sido contemporâneos no futebol).
O mimimi do Capitão também pode ser comparado a uma situação em que o Íbis, pior time do mundo, pretendesse ter sua imagem no exterior como se fosse uma espécie de Barcelona dos trópicos.
Ao que parece, Bolsonaro não está à procura de novos embaixadores, capazes de projetar uma imagem presidencial mais, digamos assim, positiva.
Bolsonaro está  mesmo é à procura de alguém que o torne um transformer.
Mais ou menos isso.

quinta-feira, 14 de março de 2019

O inimigo letal. Ao lado do Capitão.


É uma chamada de primeira página.
Está na "Folha de S.Paulo" desta quinta-feira (14).
Pois o bravo Capitão, que tem pesadelos com teorias conspiratórias dia e noite, noite e dia, nem sabe que se verdadeiro - e letal - inimigo dorme a seu lado.

“Esse blog tem muita raiva do Presidente”, diz bolsonarista. Impressão dele. O Capitão nos diverte.




Leitor anônimo, mas certamente bolsonarista, deixou o seguinte comentário na postagem Prisões, fotos, presidente abraçado com assassino. É tudo? Não. Estamos só no começo:

Esse blog tem muita raiva do Presidente. O Estadão revelou que a foto é de outro PM, que preside associação em SP.
Torço por um país melhor e não pela cartilha do quanto pior, melhor.
A cartilha da esquerda vem decorada de ódio e rancor, certamente pelas inúmeras injunções da Lava-Jato.

Aos pontos – um por um – e resumidissimamente:

1. Esse blog tem muita raiva do Presidente.
Não, meu caro. Não tem. Por quê? Porque é impossível não se divertir, todo dia, o dia todo, com um governo errático, que produz bizarrices a rodo. É impossível não se divertir com um presidente que tem tanto senso de humor. Sem brinca.

2. O Estadão revelou que a foto é de outro PM, que preside associação em SP.
Meu caro, régua e compasso nas mãos, pra ninguém se confundir. Você está enganado. Tão ou mais enganado que seu Capitão, quando embarca em fake news.
Você está completamente confuso.
São duas fotos, meu caro.
A que aparece na postagem que você comenta é a que está lá em cima, onde aparecem, ambos de branco, Élcio Queiroz, um dos assassinos de Marielle Franco, e o Capitão. Essa foto não é montagem. Ela é real. É verdadeira. Faz parte até do material colhido pela polícia em suas investigações. E o próprio Capitão admitiu ter tirado essa foto.
A outra foto, em que Bolsonaro aparece, essa sim, mostra uma pessoa (indicada pela seta em vermelho) que seria Élcio Queiroz. Mas não é. Realmente, o cidadão é Wladimir Menezes, presidente da Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP).
Portanto, meu caro, uma foto (a de cima, postada pelo blog) é uma foto. Outra foto (a de baixo, que o blog nem utilizou) é outro foto.
Entendido?
Espero que sim.
O Capitão, perfilado, agradece.

3. Torço por um país melhor e não pela cartilha do quanto pior, melhor.
Eu também. Por isso, torço por um país sem laranjas, sem fisiologismos, sem fake news, sem interferências nocivas de pitbulls, sem ministro com 300 parafusos a menos e, por último mas não menos importante, sem presidente que escandalizou o mundo inteiro ao difundir golden shower.

4. A cartilha da esquerda vem decorada de ódio e rancor, certamente pelas inúmeras injunções da Lava-Jato.
Bem, aí a esquerda é que deve responder. Vou mandar um e-mail. Junto, mandarei anexada cartilha em vigor no Ministério Vélez, que sonha filmar crianças cantando o Hino Nacional, e a cartilha de Damares Alves, que ensina como fazer meninos vestirem azul e meninas vestirem rosa.

Quando é preferível ser odiado que amado


A nota está em O Globo desta quarta-feira (13), na coluna de Ancelmo Gois.
Dos ódios aos amores, dos amores aos ódios, aos poucos vai se descobrindo, afinal de contas, quais as expectativas e, digamos assim, as predisposições dessa turma - que já é imensa, diga-se - responsável por roubalheiras monumentais.
E às vezes, vale ressaltar, os odiados têm como galardão a certeza de que estão, sim, cumprindo muitíssimo bem o nobilíssimo ofício de proteger a sociedade da rapinagem.
Ao contrário, os que são amados deveriam se preocupar bastante. Porque podem estar sendo confundidos por corruptos contumazes como referências para a impunidade.

Assassinos frios não delatam. Nunca. Ou quase nunca.


Wilson Witzel, governador do Rio, embalou os sonhos de todos quantos esperavam o esclarecimento completo da morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ao especular - repita-se, especular - que os dois suspeitos presos poderiam fazer uma delação premiada.
Não apostem nisso.
Não apostemos nessa hipótese.
Ronnie Lessa e seu comparsa Élcio Queiroz são assassinos profissionais.
São frios.
Ao que tudo indica, integram quadrilhas.
Ou milícias.
São desses que, mesmo se fossem vistos pelo mundo inteiro matando alguém, negariam a autoria do crime.
E jamais diriam, como jamais dirão, quem os mandou matar.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Se Bolsonaro e seus milicianos estão irresignados, é sinal que a Imprensa cumpre seu papel



O jornal O Estado de S.Paulo publicou, em sua edição de terça-feira (12), editorial que simboliza, emblematicamente, o papel da Imprensa livre numa sociedade democrático e que, presumivelmente, deve preservar a liberdade de opinião.
O editorial aborda a fake news, difundida com o vigor dos fanáticos, por ninguém menos que o presidente da República, Jair Bolsonaro, atribuindo a uma repórter declaração que supostamente demonstraria a intenção de derrubar o governo.
"O comportamento do presidente da República, sr. Jair Bolsonaro, que não se vexa de usar até mesmo informações falsas para atacar jornalistas que considera inimigos, mostra o quão frágil é o regime democrático e reforça a necessidade da vigilância redobrada contra a sedução do arbítrio. É nessa difícil conjuntura, em que a hostilidade à imprensa profissional é estimulada pelo próprio presidente da República, que o trabalho dos jornalistas do Estado torna-se ainda mais relevante. Tendo como norte a objetividade e atenção exclusiva aos fatos, os repórteres desta casa sabem muito bem como enfrentar a ferocidade dos que se consideram inatacáveis", diz o editorial, intitulado "A missão do 'Estado'".
Leia, abaixo, a íntegra.

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Os jornalistas do Estado se pautam pelo compromisso inarredável com os valores democráticos e com o regime da lei, que estão na essência da identidade do jornal desde sua fundação, em 1875. A defesa da liberdade contra todo tipo de tirania, a começar por aquelas que se creem chanceladas pelas urnas, marca a atuação desta publicação e de seus profissionais ao longo de 144 anos de história.
Esse compromisso se encontra mais vivo do que nunca, em especial diante de ameaças que partem do próprio presidente da República, o sr. Jair Bolsonaro. Esses arreganhos só fazem confirmar a relevância do exercício do jornalismo livre, que tem no Estado um centenário patrono.
Este jornal se comprometeu, desde seu primeiro número, a ser totalmente apartidário e independente, infenso às injunções do poder. A imparcialidade necessária para o exercício dessa liberdade não significa, contudo, que o jornal silencie ou deixe de defender o que acredita ser o certo diante do malfeito e do arbítrio. É papel desta publicação funcionar como a consciência crítica de seu tempo.
Foi com esse espírito que o Estado defendeu o fim da escravidão e o advento da República, que consagra a liberdade - e a responsabilidade - do indivíduo. Essa é a razão pela qual este jornal se tornou atuante tribuna dos defensores da democracia, quando esta palavra expressava apenas um desejo da sociedade. É assim há tanto tempo que tal característica se tornou a própria natureza do Estado perante seus leitores e a sociedade.
Em respeito a essa missão, o Estado posiciona-se radicalmente contra qualquer forma de populismo e extremismo. Governantes que pretendem consolidar seu poder por meio do desprezo pelas instituições democráticas e republicanas e pelo apelo direto às ruas em geral sentem-se desconfortáveis com a atuação deste jornal na defesa do exercício responsável do governo.
Essa é provavelmente a razão de fundo do inaceitável ataque do presidente da República, sr. Jair Bolsonaro, a este jornal e a uma de suas jornalistas, a repórter Constança Rezende. O sr. Jair Bolsonaro decerto não se conforma que haja quem dele discorde ou, então, que ouse investigar os malfeitos a ele relacionados. Julga-se imune a críticas e a dúvidas sobre seus atos por ter sido eleito por dezenas de milhões de eleitores, como se o voto na urna o colocasse acima do bem e do mal.
Mas este jornal não se deixa intimidar por quem quer que seja o inquilino na Presidência, a começar por aqueles que se julgam em missão messiânica de salvação do País. O Estadoesteve ao lado dos democratas nas principais lutas políticas brasileiras desde a Proclamação da República, servindo-lhes de porta-voz. Foi assim, por exemplo, que o Estado enfrentou a truculência de Getúlio Vargas, ao reivindicar o regime da lei que aquele caudilho prometeu e afinal não respeitou. Foi assim, também que este jornal se insurgiu contra a ditadura militar, sofrendo, em razão disso, uma feroz censura. Nem isso fez o Estado vergar-se: no lugar das muitas notícias censuradas, o jornal publicou poemas de Camões com sugestivas estrofes para comunicar aos leitores a violência a que estava sendo submetido. Assim, o Estado foi protagonista da luta que por fim restabeleceu a democracia no País.
O comportamento do presidente da República, sr. Jair Bolsonaro, que não se vexa de usar até mesmo informações falsas para atacar jornalistas que considera inimigos, mostra o quão frágil é o regime democrático e reforça a necessidade da vigilância redobrada contra a sedução do arbítrio. É nessa difícil conjuntura, em que a hostilidade à imprensa profissional é estimulada pelo próprio presidente da República, que o trabalho dos jornalistas do Estado torna-se ainda mais relevante. Tendo como norte a objetividade e atenção exclusiva aos fatos, os repórteres desta casa sabem muito bem como enfrentar a ferocidade dos que se consideram inatacáveis.
As ameaças do sr. Jair Bolsonaro e de suas hostes de milicianos virtuais indicam que o Estado e seus jornalistas estão cumprindo seu dever, zelando pela tradição deste jornal de defender a liberdade e a democracia em qualquer circunstância.