quinta-feira, 14 de maio de 2026

Nunca diga que somente o outro é que se vendeu a Vorcaro. O próximo pode ser você.

Flávio Bolsonaro enverga camisa que exibe suspeita sobre Lula no caso Master: agora,
ele próprio, Flávio, é o novo centro do furacão do escândalo

No dia 7 de maio, exatamente há uma semana, a Polícia Federal bateu na porta - ou em portas - do senador bolsonarista Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressitas, que passou a figurar no monstruoso elenco de suspeitos de corrupção no Escândalo Vorcaro. O parlamentar, entre outras coisas, teria recebido repasses de R$ 300 mil mensais do banqueiro, para ser o homem, ou um dos homens, do Master no Congresso, segundo investigações da PF.

Nesta quarta-feira (13), o Escândalo Vorcaro, talvez o maior na área financeira, na história deste Brasil de corrupções, trouxe à superfície do lamaçal o puro e imaculado Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL a presidente.

Nesta quinta (14), Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, foi preso pela PF sob a acusação de comandar, dentro do escândalo, um master esquema de intimidações de adversários do filho banqueiro.

Também hoje, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), reagindo a críticas de Romeu Zema a Flávio, disse que Henrique Vorcaro fez uma doação de R$ 1 milhão ao Novo, partido do ex-governador de Minas Gerais, outro pré-candidato ao Planalto.

Com a velocidade com que essa carrruagem do Escândalo Vorcardo está andando, a impressão que se tem é que não sobrará pedra sobre pedra entre os maiorais da classe política.

Independentemente do partido a que pertençam.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Bolsonaristas podem até ser golpistas e negacionistas, mas sempre nos divertem

Bolsonarista mamando no Ypê: por enquanto, é apenas simulação, segundo dizem

Bolsonaristas, contritos, empertigados e solenes, já cantaram o Hino Nacional batendo continência para um pneu de caminhão. Foi em Irati (PR), em novembro de 2022. Tudo para, como disseram, afastar perseguições.

Em dezembro de 2025, ficaram à beira de um ataque de nervos e denunciaram ao mundo, para variar, que estavam sendo perseguidos pela Havaianas, que acabara de iniciar uma campanha publicitária em que a atriz Fernanda Torres dizia que, em vez de entrar em 2026 com o "pé direito", as pessoas deveriam entrar com os "dois pés na porta".

Em protesto, começaram um boicote. Por muito, mas muito pouco sandálias havaianas por pouco não foram queimadas por patriotas bolsonaristas em praça pública, no que seria uma versão pindorâmica, digamos assim, dos mais de 25.000 livros queimados em fogueiras em cerca de 34 cidades da Alemanha por nazistas.

Agora, dizem os bolsonaristas, a nova perseguição em curso atende pelo nome de Ypê. Sim, o próprio Ypê, aquele conhecido detergente. A comercialização de apenas um lote, produzido no município de Amparo (SP), chegou a ser temporariamente suspensa pela Anvisa, após ser detectada a presença de uma bactéria tóxica e perigosa, sobretudo para imunodepressivos.

Bolsonaristas, vocês não acreditam, estão dizendo algo inédito: que a campanha negativa contra o Ypê não passa de perseguição - olha ela aqui, outra vez -, porque o dono da empresa foi um dos doadores da campanha de Bolsonaro, o golpista corrupto, atualmente preso em regime domiciliar por ter comandado um golpe.

Do mimimi à prática e para mostrar que, sim, negacionismo é com eles mesmos, bolsonaristas simulam (por enquanto, apenas simulam), tomar detergente Ypê de guti-guti, para provar que o produto é saudável - e não apenas para louças, mas para o organismo. 

Não há dúvida: bolsonaristas podem até ser golpistas e negacionistas, mas sempre nos divertem.

Sem eles, o mundo seria bem mais triste. Ainda que muito menos ridículo.

domingo, 10 de maio de 2026

Sinalização na Avenida Liberdade é ameaça à segurança. Além de capivaras, seres humanos estão em risco.



As placas na cabeça das pontes da Avenida Liberdade: em vez de proteção, insegurança
a condutores de veículos (fotos: Espaço Aberto)

Há cerca de uma semana, duas capivaras foram mortas por atropelamento na Avenida Liberdade, a recém-inaugurada via expressa de 14 quilômetros, que liga a Avenida Perimentral, às proximidades da Ufra, à Alça Viária.

Se medidas urgentes não forem adotadas pela autoridade de trânsito - seja ela qual for -, para ajustar  a sinalização da via a mínimos padrões que garantam segurança aos usuários, é iminente o sério risco da ocorrência de graves acidentes que poderão custar a vida de seres humanos.

Em qualquer rodovia do mundo, seja ela uma via expressa ou não, a sinalização vertical consiste em placas fixadas, no mínimo, a 100 metros uma da outra, para permitir que o condutor possa ler o que está escrito e reagir a tempo de obedecer à orientação indicada. É o caso, por exemplo, das nossas lombadas, que abundam em rodovias aqui no Pará. Em muitas situações, o condutor é avisado pela placa de que encontrará uma lombada 300 metros adiante. Tudo certo!

Na Avenida Liberdade, não.

Ponte + elevado + placas = insegurança

No sentido Perimetral-Alça Viária, há uma ponte e um elevado, que, talvez por execução malfeita durante as obras, ficaram com as cabeças com um aclive muito agudo, ou muito arrebitado - digamos logo no popular. Uma é a ponte sobre o igarapé Ufra. O elevado é o da Ceasa. Em ambos, o condutor deve ter extremo cuidado. Se passar à velocidade de 80 km/h, o limite estabelecido para a via, o veículo, inevitavelmente, vai sofrer um grande tranco, com risco de o motorista perder o controle da direção.

O que fez a autoridade de trânsito para garantir a segurança dos usuários? Fixou no acesso à ponte e ao elevado sinalização que, ora vejam, causa mais insegurança ainda. É que, primeiro, as placas têm dimensões minúscula, sendo visualizadas plenamente apenas quando já estamos perto delas; e segundo, o que é mais grave, estão a alguns metros uma da outra e já se encontram em cima, literalmente bem no início das estruturas, não dando tempo ao motorista de seguir as orientações indicadas.

Vejam nas imagens acima, feitas pelo Espaço Aberto na manhã deste domingo (08). Uma placa avisa: "Atenção: diminua a velocidade". A pouquíssimos metros adiante, outra placa informa: "Trecho velocidade reduzida - 50km". Esta placa, reforce-se, encontra-se já no aclive, em cima da ponte e do elevado. Não existe, portanto, a menor possibilidade de um condutor, trafegando a 80km/h, reduzir a velocidade quando visualizar a informação das placas, em uma cima da outra, e ambas, em cima das estruturas.

Afronta ao manual de sinalização

Não se acredita - mas, como estamos no Pará, deve-se, sim, acreditar - que a autoridade de trânsito não se dê conta da flagrante inadequação entre a sinalização fixada e os parâmetros estabelecidos por regramentos claros. Qual regramento? Este aqui, presente no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito.

Ali está escrito o seguinte:


Observe-se que a recomendação é de uma distância mínima de 100 metros, do que se depreende que, dependendo da situação de insegurança para a qual se pretende alertar , o espaçamento pode ser ainda maior.

Quanto à dimensão das placas, não se acredita - mas, repita-se, como estamos no Pará, deve-se, sim, acreditar - que, para construir uma estrada que custou meio bilhão de reais - ou precisamente R$ 489.506.965,14, de acordo com dados da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Governo do Pará -, o Estado não consiga despender R$ 500 para produzir placas maiores e mais visíveis, condizentes com a intenção de amenizar os riscos para os motoristas.

Até agora, vale ressaltar, a Avenida Liberdade tem atendido a contento ao objetivo primordial que justificou sua construção - em meio a muita polêmica, não esqueçamos: reduzir os gargalos no trânsito na entrada/saída da Região Metropolitana de Belém, oferecendo nova alternativa de deslocamento para os que precisam acessar a BR para entrar ou sair da cidade.

Convém, no entanto, agir a tempo para dotar a vida expressa de sinalização condizente com a intensidade do tráfego, que, aliás, se mostra crescente, à medida que mais usuários vão se dando conta das vantagens de utilizar a nova avenida.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Moraes e Alcolumbre podem até ser conspiradores, mas não são burros

Alcolumbre e Moraes: conspiração contra Lula em jantares com a presença de lulistas?

Jornalismo bom é o jornalismo que especula, meus caros.

Especulações jornalísticas não são um pecado. Muito pelo contrário, muitas vezes são até necessárias para contextualizar fatos.

Mas é preciso que uma especulação, quando publicada, deixe evidente para o leitor que ali está uma análise, uma interpretação, e não propriamente uma notícia, que, segundo as lições que nós, jornalistas, aprendemos, deve primar pela objetividade.

Depois da derrota histórica sofrida pelo governo Lula, com a rejetição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o Supremo, pipocam por aí matérias dando como certo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conspirou contra o governo em tabelinha com ninguém menos que o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Apontam-se, como se fossem indicios - e índicio é elemento de especulação, e não de notícia, né? -, dois fatos.

O primeiro, um jantar no dia 23 de abril, na residência oficial do presidente do Senado, entre Alcolumbre e Moraes.

O segundo, outro jantar, ocorrido na terça (28), véspera da rejeição do nome de Messias. Desta vez, Moraes é que teria recebido, em sua casa, Alcolumbre e outros convidados.

Os dois jantares são fatos - ambos incontestáveis.

Mas, no primeiro, o do dia 23, também esteve presente o ministro do Supremo Cristiano Zanin, indicado por Lula.

Quer dizer, então, que nesse jantar com a presença de três pessoas, apenas duas, Alcolumbre e Moraes, teriam discutido a conspirata justamente ao lado de Zanin, lulista leal com assento no Supremo?

Tenham paciência!

O outro jantar, o do dia 28, segundo informa Mônica Bergamo, na Folha desta sexta (01),  contou com as presenças de várias pessoas e já havia sido marcado antecipadamente por Moraes para homenagear um amigo procurador. E Zanin, novamente, encontrava-se entre os presentes.

Quer dizer, então, que a conspirata foi atualizada, digamos assim, durante um jantar com a presença de lulistas, inclusive Zanin, mas apenas Moraes era o conspirador, em sintonia com Alcolumbre?

Tenham paciência!

Olhem, não duvido que Moraes e Alcolumbre - principalmente e sobretudo este - possam ter conspirado para a rejeição do nome de Messias. Mas teriam conjuminado as articulações nesses dois jantares?

Contem outra.

Conspiradores que não são burros conversam em piscinas, sem celular nos bolsos. Ou conversam no recôndito dos porões.

E Moraes e Alcolumbre podem até ser conspiradores, mas não são burros.

Se o fosssem, um não estaria no Supremo e outro, na presidência do Senado.

Em duas fotos, Alcolumbre é o retrato da podridão aspirada como se fosse seiva de alfazema


Sem brincadeira, uma foto é uma foto.

Quando a sensibilidade e o timing jornalístico do fotógrafo aliam-se à leitura correta do editor, temos o que pode ser visto nas duas fotos que temos aí.

Fiz questão de manter as legendas e os créditos.

Ambas traduzem um mesmíssimo momento, captado no exato segundo - ou segundos - pelos fótógrafos presentes no cenário do fato jornalístico.

A foto do alto está na primeira página de O Globo desta sexta (01), com um corte mais horizontal.

A de cima, igualmente, está numa primeira da página, mas da Folha de hoje, com um corte um pouco mais vertical.

As duas são o que há de melhor para expressar a conjuntura política que exibiu, nesta quinta (30/04), um Congresso escandalosamente desavergonhado, ao derrubar veto presidencial e, em consequência, aprovar alterações nas penas dos golpistas, fascistas e bolsonaristas que participaram do 8 de Janeiro, favorecendo-os despudoradamente sob a justificativa de que as punições que receberam teriam sido desproporcionais aos atos infames e criminosamente hediondos que praticaram.

Nas fotos, David Alcolumbre, presidente do Senado, parece mergulhar no colo de Flávio Bolsonaro, relaxando-se, aliviando-se, extasiando-se e aspirando - haurindo, diram os poestastros românticos -, como se fosse uma seiva de alfazema, os odores pútridos da extrema-direita e do Centrão, ambos mancomunados para livrar não a Débora do Batom et Caterva - ou Débora do Batom & Corja -, mas Jair Bolsonaro, um excremento humano que cumpre pena de prisão, justamente, por ter comandando a tentativa de golpe.

Se vocês prestarem bem atenção, na foto da Folha Alcolumbre parece estar com o olho direito um pouco, um pouquinho mais fechado em relação ao momento captado na foto de O Globo.

Não é demais imaginarmos que, se o aconchego demorasse poucos segundos a mais, o presidente do Senado dormiria, anestesiado pelas podridões malcheirosas exaladas por uma casa que, dizemos todos nós, é a casa da democracia.

É?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Pelo que disse em apenas oito segundos, Wagner Moura deveria ganhar um Globo de Ouro extra!

Wagner Moura: o cinema e a arte como frentes de resistência a fascitas e negacionistas em geral

Sabem aquele juízo popular - "discurso bom é discurso curto"?

Pois é.

Wagner Moura falou por 1m20s após conquistar o Globo de Ouro.

Durante o discurso, disse o seguinte: "Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem."

Para dizer isso, gastou exatamente oito segundos. Apenas oito.

No meu entender, Wagner deveria levar um Globo de Ouro extra apenas por esses oito segundos.

Porque é fato: se um trauma pode ser transmitido de geração a geração, valores também podem.

Filmes como "O Agente Secreto" podem fucionar como propulsor de valores que estimulem o ódio e o nojo que todos nós, como o Velho Ulysses, devemos ter às ditaduras.

Devem disseminar valores que nos ensinem a ter horror à ditaduras - que matam, torturam e oprimem.

Devem nos conscientizar de que são abomináveis e desprezíveis os apologistas da ditadura e os que confessam publicamente suas simpatias a torturadores.

Devem disseminar valores que promovam a liberdade e a diversidade.

Nestes tempos sombrios - em que crianças ouvem de seus pais ser mentira que a última ditadura brasileira matou e torturou -, filmes como "O Agente Secreto" são fundamentais para que o País olhe para si mesmo e para o seu passado, evitando com isso cometer, no presente, erros que serão traumáticos no futuro.

Viva Wagner Moura!

Viva Kleber Mendonça Filho!

Viva a cultura brasileira!