quinta-feira, 28 de maio de 2015

Respeitem Marin. Respeitemos suas habilidades e apetites.


“Mesmo que você trabalhe honestamente, com transparência e dignidade, como sempre foi feito aqui, eles falam. Uma meia dúzia de jornalistas esportivos. Acho que é mais inveja e rancor, porque, no fundo, eles querem profissionalização e sabem que trabalhamos bem.”
Vocês leram aí?
Sabem quem é o autor da frase?
J. Hawilla.
Disse-o em 2010, em reportagem do jornal O Globo, intitulada O dono do nosso futebol.
Mas quem é o dono do nosso futebol?
Melhor dizer quem ele foi e em quê se transformou.
J. Hawilla foi vendedor de cachorro quente. E se transformou no dono da maior empresa de marketing esportivo da América Latina, a Traffic, a ponta visível de um conglomerado de negócios que alcançou, nos últimos anos, lucros superiores a US$ 500 milhões. Isso mesmo: mais de R$ 1,5 bilhão em valores atuais.
Por que aqui se põe em evidência J. Hawilla?
Porque foi ele quem, digamos assim, deu o serviço para que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos identificasse o que autoridades americanas estão chamando de corrupção sistêmica no futebol mundial, inclusive, obviamente, o futebol brasileiro.
Réu confesso, Hawilla dedurou meio mundo através do instituto da delação premiada. Para tanto, concordou com o confisco de US$ 151 milhões (pouco mais de R$ 475 milhões, na cotação atual) de seu patrimônio –US$ 25 milhões (R$ 78 milhões) deste total já teriam sido pagos no momento da confissão.
Leram, meus caros?
Pois é isto: J. Hawilla, aquele que em 2010 disse trabalhar “honestamente, com transparência e dignidade”, devolveu quase meio bilhão de reais do seu patrimônio e ficou livre da prisão e de penas mais duras.
Mas o que ele contou valeu a pena.
Como valeu a prisão de sete cartolas de projeção mundial, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF, acusado de ter recebido R$ 2 milhões anualmente.
"Entre 1990 e 2009, a Traffic acertou uma série de contratos com a CBF, a federação brasileira de futebol, para adquirir direitos comerciais da Copa do Brasil, um torneio anual com clubes brasileiros", diz o documento da investigação da Justiça dos Estados Unidos.
"Durante esse período, Marin recebeu propina na negociação da venda de direitos econômicos da Copa do Brasil. Como resultado de um acordo alcançado entre CBF e Traffic em 22 janeiro de 2009, a Traffic detinha os direitos de cada edição da Copa do Brasil para ser jogado a partir de 2009 até 2014."
Algum de vocês aí está espantado com essa performance de Marin?
Pois tratem, meus caros, de se desespantar.
Porque um cara que foi flagrado num vídeo embolsando – literalmente, enfiando bolso abaixo – uma medalha, como não poderia receber um mimo de R$ 2 milhões por ano?
Respeitem Marin, cidadãos. Respeitem as suas habilidades. Respeitemos os seus apetites.
As habilidades de Marin e os seus apetites vão além, muito além do que embolsar medalhas, né?
Quem pensou que as aspirações de José Maria Marin se esgotariam naquela medalhinha cometeu uma grave ofensa ao ex-presidente da CBF, agora preso e em vias de ser extraditado para os EUA.
Meter no bolso uma medalhinha é coisa de aprendiz.
Marin precisava mostrar como, onde e quando meter a mão.
Ele sempre se escusou a revelar isso. Mas as investigações que se processam nos EUA haverão de mostrar isso.
Ah, e vocês querem saber de mais uma coisa?
A corrupção, a sujeira, a imundície, a patifaria, os desvios morais de toda ordem inundam e contaminam essas entidades que dirigem o futebol - todas elas, todinhas, com as exceções que confirmam a regra.
As prisões de ontem, em Zurique, na Suíça, começam a revelar a extensão dessas sujeiras e patifarias que remontam há décadas.

Pôr mais policiais nas ruas não acaba com a violência


De um leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Mais policiais nas ruas e operações de segurança intensificadas:

E se cai no mesmo erro: resolver problema social com mais polícia nas ruas.
Esse erro vem sendo cometido pelas autoridades por décadas. Não é a toa que a criminalidade urbana só aumenta.
A violência não aumentou de uma semana para cá, ela apenas atingiu as "pessoas de bem" (classe média branca). Enquanto ela fica restrita a periferia e interior, ok.
Mais polícia nas ruas - com essa polícia que temos hoje, com seus vícios e limites - significa aumento brutal da truculência contra cidadãos de periferia (sobretudo pobres, mestiços e negros) e máxima agressividade sobre os criminosos mais fáceis de serem pegos, ou seja, não se estará combatendo a violência, mas sim aumentando-a.
Enquanto não forem garantidos direitos mínimos a moradores de periferia, dando oportunidades econômicas com diminuição de desigualdade, continuará prendendo dois bandidos hoje e se criando quatro amanhã.

P.S.: Algumas afirmações foram retiradas de postagem do professor André Coelho.

Um aviso aos porcalhões que estão em qualquer lugar


Eis aí, meus caros.
Eis um apelo vazado em português claro, claríssimo.
Eis um apelo escrito em português de Portugal - e do Brasil - de forma objetiva, direta, sem rodeios, sem pruridos, digamos assim, estilísticos.
O recado foi colocado num muro de Santos, no litoral paulista.
Mas cabe em qualquer cidade brasileira. Qualquer uma. Belém - of corse - entre elas.
Porque é assim mesmo: os imbecis que emporcalham as cidades têm exatamente o status descrito no apelo que vocês leem acima.
E certamente os imbecis não se mostrarão sensibilizados porque estão sendo qualificados dessa forma. Não se tornaro, só por causa de avisos como esse, um exemplo de assepsia.
Mas é bom dizer-lhes o que são.
É prazeroso desabafar sobre o mal que fazem a uma cidade.
É bom qualificá-los em português - diretamente, objetivamente, sem rodeios.
A rua mencionada no aviso pode ser a sua - more você num bairro central de Belém, more você na periferia da cidade.
Porcalhões, te-mo-los, ou melhor, nós os temos em qualquer lugar.
Unamo-nos contra eles.

Semob abre licitação para linha fluvial Icoaraci-Belém

Será a falência do BRT?
A propósito,o jornalista Francisco Sidou vem insistindo na adoção do modelo fluvial desde o início da gestão do prefeito Zenaldo Coutinho. Será que sopra algum vento de oxigênio e bom senso lá pelos lados da Semob e do Palácio Antônio Lemos? A conferir.
É de Sidou, aliás, a seguinte postagem em sua página no Facebook:

Só para lembrar: reproduzo abaixo matéria veiculada em nossa página no Facebook, que foi reproduzida, por geração espontânea, no site Mobilie.com, de Brasília e com abrangência nacional, embora solenemente ignorada pela imprensa local (com exceção do Blog "Espaço Aberto", onde também escrevo e que tem como editor um jornalista dos bons, o Paulo Bemerguy), tendo alguns colunistas até torcido o nariz para não repercuti-la. É isso, nunca reivindiquei título de "pai" de qualquer ideia de alcance social ou coletivo. O importante é que seja adotada sem oportunismo eleitoral, vírus que atingiu e feriu de morte o Projeto BRT - Saudações.
Aleluia, finalmente algum sopro de renovação e de esperança de mudança em nosso defasado e sucateado sistema de transporte coletivo. Há muito venho pregando no deserto de que melhor seria a criação de uma linha fluvial urbana ligando Mosqueiro/Outeiro/Icoaraci/Belém do que insistir nesse mal planejado e pior acabado projeto do BRT. Resta saber se os donos de ônibus (que também se julgam os donos da cidade, por trem contribuído financeiramente com a campanha do prefeito eleito) não irão se rebelar contra essa medida.

O que ele disse




"Corruptos e ladrões que fazem mal ao futebol foram presos, inclusive José Maria Marin. Ladrão tem de ir para cadeia. Parabéns ao FBI. Infelizmente não foi a polícia brasileira quem prendeu".

Romário, senador (PSB-RJ) e ex-jogador de futebol, festejando a prisão do ex-presidente da CBF e de outros 10 cartolas em Zurique, na Suíça, por determinação da Justiça dos Estados Unidos. A foto é de Pedro Ladeira/Folhapress.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Charge - Aroeira


Charge para O Dia.

“Por que a morte da feirante não gera protestos?”

Deputado Coronel Neil:
O deputado Coronel Neil (PSD) é policial militar.
Sobre violência, não fala por teses e teorias, portanto.
Não fala com base em especulações.
Sobre o tem violência, o deputado fala com a experiência de quem já esteve, digamos, no teatro de operações, se assim podemos definir esse cenário de guerra civil que engolfa Belém, um cenário que, a rigor, está muito mais para uma carnificina que se repete todos os dias, o dia todo, de forma horrenda, horrorosa, trágica, assustadora.
Neil disparou por e-mail para muitos, inclusive para o Espaço Aberto, o que ele denominou de Carta Aberta às Pessoas de Bem do Pará.
O texto, em verdade, é um convite para a audiência pública sobre a violência, marcada para 2 de junho, na Assembleia Legislativa.
Mas a carta se oferece como uma oportunidade para que o parlamentar faça reflexões pertinentes, inclusive sobre a banalização com que a sociedade reage diante de crimes que vitimam, diariamente, os pobres, os moradores dos bairros da periferia de Belém e de outras cidades do Pará.
Leia, a seguir, a íntegra da carta.

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CARTA ABERTA ÀS PESSOAS DE BEM DO PARÁ

Amigos, vivemos tempos de temor. Temos medo de ficar em frente a nossas casas, de parar no sinal vermelho, de sair em determinados horários, tememos até levar nossos filhos para festas infantis. Eu, Neil Duarte de Souza, estou deputado estadual, mas sou pai, sou filho, sou esposo, sou cidadão e também temo pela segurança dos que amo.
 Eu não poderia vir aqui hoje e não lamentar a morte dos jovens universitários, Lucas Costa e Lucas Menezes, mortos sábado e ontem. Assim como não poderia deixar de lamentar a morte da Isabel, feirante da Cidade Nova; a morte do Gabriel, morador da Sacramenta, ambos assassinados durante o final de semana e tantas outras vidas perdidas. Lamento ainda mais esta lógica perversa que faz com que a dor do pobre seja ignorada pela sociedade. 
Eu lamento muito. E tenho uma dúvida que gostaria que meus amigos da imprensa me ajudassem a responder: Por que só a dor da classe média comove a sociedade? Por que o velório do rico é destaque no jornal? Por que a morte da feirante não gera protestos e indignação nas redes sociais?
Dediquei 25 anos de minha vida a ser policial militar. Acompanhei de perto momentos de luto de famílias que moram no centro e nos bairros mais afastados. Presenciei a dor do rico e do pobre. Do preto e do branco. E digo pra vocês, senhores, a dor do luto não faz distinção social. Então, não vamos fazer.
Assim como também não faz distinção, a violência. Estamos todos sujeitos a ser vítimas da violência. E é para debater as causas desta violência e buscar medidas para a conter que eu propus uma audiência pública que vai ser realizada no próximo dia 2.

Nas ruas, eu sempre montei a estratégia de policiamento com base nas estatísticas da Segup e no clamor popular. Agora, como representante do povo, eleito para ser sua voz dentro da Casa de Leis, não poderia ser diferente. Por isto, aproveito a oportunidade para convidar a todos a participar da audiência pública sobre a criminalidade na Região Metropolitana de Belém, no próximo dia 2, às 14h30. No auditório João Batista. 

Mais policiais nas ruas e operações de segurança intensificadas



Da Agência Pará

A partir desta terça-feira (26), os órgãos de Segurança Pública do Estado unem forças para intensificar operações já em andamento e iniciar outras planejadas nos meses anteriores. A intenção é dar à sociedade respostas à altura dos fatos atípicos que, durante o fim de semana, provocaram a inquietude de quem mora na Região Metropolitana de Belém (RMB), tanto pela quantidade de mortes registradas quanto pela brutalidade dos crimes cometidos. O anúncio foi feito durante entrevista coletiva concedida, à tarde, por integrantes da cúpula de segurança pública do Estado. A Prefeitura de Belém participou do evento com representantes da Guarda Municipal e da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob).

Entre as principais ações anunciadas está a realocação de policiais militares do setor administrativo para as ruas. O aumento do efetivo vai possibilitar, entre outras coisas, que rondas extensivas sejam feitas em maior quantidade e em vários pontos simultâneos da RMB, sobretudo em corredores de tráfego intenso e nas áreas definidas como “zonas vermelhas” pelas forças de segurança. “Esses pontos são identificados a partir dos números levantados pelo serviço de inteligência, mas permanecerão sob sigilo até que as operações sejam deflagradas”, explicou o titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Jeannot Jansen. Por questões estratégicas, os horários das ações também não foram revelados.

As blitzen feitas por agentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na operação “Duas Rodas” contarão com o reforço da Polícia Civil e homens da Polícia Militar para, além de identificar e apreender motocicletas roubadas ou com documentação irregular, autuar o condutor, para que os responsáveis por esse tipo de delito também sejam responsabilizados. “É preciso entender uma coisa: alguém só rouba um telefone celular porque existe outrem para comprar o produto do roubo”, taxou o secretário Jansen.

Reforço – O comandante geral da Polícia Militar, coronel Roberto Campos, anunciou o retorno da operação “Cadê seu Filho”, que tem como principal objetivo coibir a presença de adolescentes nas ruas e em festas onde a permanência do público jovem é proibida. “A indignação sentida pela sociedade é compartilhada por nós, militares. Recentemente perdemos um colega, capitão da PM, que foi atropelado por um cidadão alcoolizado durante uma barreira feita para coibir a violência. Ou seja, o crime atinge a todos. Estamos agindo por toda a sociedade. Fazemos parte dessa sociedade”, desabafou Campos.

O conjunto de ações foi anunciado depois que 21 mortes foram registradas na RMB e outras 20 no interior, no último fim de semana, considerado “atípico” pelos órgãos de segurança. Entre os casos que mais chocaram estão a morte de uma criança, no conjunto Júlia Sefer, em Ananindeua, e o assassinato de dois estudantes universitários, um no sábado e outro na segunda-feira, ambos em Belém. Destes casos, o último, envolvendo a morte de um estudante na Avenida Centenário, segue com várias linhas de investigação. Os demais já contam com prisões, investigações adiantadas e inquéritos instaurados. Outra medida parte do setor de inteligência da Superintendência do Sistema Penal (Susipe), que vai fazer um levantamento minucioso para recapturar presos foragidos em todo o Estado.

Estatísticas – A cúpula da Segurança Pública do Estado deixou claro que, apesar da inquietude provocada pelo fim de semana atípico, os números relacionados a delitos e crimes registraram queda no primeiro quadrimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. A redução no número de homicídios em todo o Pará foi de 5,51%. Quando trazido para Belém, o percentual registra diminuição de 15%, no mesmo período e para o mesmo tipo de infração. “É importante registrar que, mesmo nos casos em que o delito acontece, a resposta da Polícia (Militar) tem sido rápida e eficiente. Nossos homens estão sempre apostos e a impunidade é algo raro de se ver em todos os casos registrados”, complementou o coronel Campos.

No mesmo período, a Polícia Militar informou que as ações executadas em conjunto com os demais órgãos de Segurança Pública resultaram na apreensão de 896 armas, 670 presos recapturados, 789 mandados de prisão cumpridos e 1,7 mil veículos recuperados (média de 14 carros por dia). O comandante geral da PM também fez referência à amplitude nacional pela qual passa o setor de segurança pública, no país. “Entre 1980 e 2012, o número de mortos por armas de fogo cresceu 380%, no Brasil. Quando a análise leva em conta apenas jovens, o aumento é de 465%. Em 1980, foram 4,4 mil jovens mortos. Em 2012, a quantidade de vítimas passou de 25 mil”, revelou.

Uso de moto deveria ser proibido a partir das 18h, defende leitor


De leitor do Espaço Aberto sobre a postagem Uma carnificina nos assola. Como escaparmos dela?:

Tá demais. Que horror!
Só soluções radicais para baixar a criminalidade.
Primeiro, como o problema social mostra suas consequências na violência, fazer imediata contratação de policiais militares com salários mais dignos. Descuidaram da educação e agora estamos sentindo seus efeitos...
Sugiro que a prefeitura/governo do Estado proíbam, em conjunto, o uso de motos nas cidades mais violentas, a partir das 18h, ou a utilização do carona na moto durante todo o dia, criando multa de R$ 1.000,00 pela infração e apreensão da moto. Deixar ao Judiciário resolver se a medida é contrária à ausência de legislação federal sobre o caso.
Mas o problema não está só no Executivo, onde se tem notícias de muitas fugas das cadeias durante o ano todo e que, para evitá-las, deveríamos imediatamente aumentar a segurança nas cadeias e penitenciárias.
O Judiciário também precisa fazer a parte dele, mantendo preso o infrator até a prolação da sentença. Se for absolutória, solta; caso contrário o sujeito permanece preso. Deixar que o STJ e o STF resolvam eventuais situações contrárias a sua jurisprudência. Inclusive, defendo Direitos Penal e Processual Penal desvinculados da competência da União para legislar, porque melhor refletiria a realidade de cada local. Os índices de violência daqui não são os mesmos que de Santa Catarina, por exemplo.

Patrocinador não entende mesmo nada de futebol

Olhem só.
O pessoal da editoria de Esporte daqui do Espaço Aberto não tolera o Luxemburgo. E a maioria do pessoal que acompanha futebol também.
Mas Luxemburgo é arrogante demais. Acha-se um dos suprassumos da humanidade. Fora as negociações suspeitas envolvendo jogadores.
É um bom treinador? É. Mas tem esses senões apontados acima.
Faça-se, todavia, justiça a Luxemburgo: ele deu um show na entrevista coletiva que concedeu ontem, para explicar sua demissão.
Não deixou pedra sobre pedra sobre esses patrocinadores que, mesmo não entendendo nada sobre futebol, se acham no direito de intervir em tudo no clube que patrocinam. Até na pasta de dente que os atletas vão usar.
É preciso dosar essa parada. É preciso equilibrá-la.
Patrocinador, só porque patrocina, sabe tudo? Pode tudo? Deve dar a última palavra em tudo?
É claro que não.
Os contratos de patrocínio configuram uma parceria.
O clube é remunerado por sua marca. A marca que o patrocina também se beneficia.
Ambos devem ganhar, e não apenas o patrocinador. Aliás, e a rigor, o clube é que deve ganhar. Do contrário, perdem o clube e o patrocinador. Simples assim. Muito simples.
Sobre isso, Luxemburgo disse o seguinte na entrevista:

A diretoria tem pessoas sérias, mas na relação de propostas ela é complicada. O Flamengo trabalha com grupo de gestor. Nós, eu e o Rodrigo Caetano, contratados, não somos ouvidos. O grupo resolve as coisas e não sabe nada de futebol. Podem ser competentes nas suas empresas. O Caetano fica de pés e mãos atados. Esse grupo veta tudo. Que experiência (os dirigentes) têm em futebol? Eles ganham prêmio, saem no NY Times, mas têm que ganhar prêmio no futebol, e o Flamengo é futebol.

E também isso:

O Flamengo tem melhor CT do Rio, mas acanhado demais para quem quer tocar futebol. O CT é o mesmo desde a Patricia. Vamos todos os dias lá, e o Conselho Gestor deveria ir lá e ver como funciona. Os jogadores se uniram agora para comprar uma borracha e colocar no vestiário. E o Conselho Gestor? O clube fez agora um convênio com o Nova Iguaçu, que tem CT melhor que o dos grandes. Convênio de um ano. Não participamos do contrato, nem eu e nem o Rodrigo. Foi o Fred Luz.

Quem aí discorda de Luxemburgo?

Flávio Oliveira ganha Prêmio Fox de Literatura


Olhem aí.
O juiz aposentado Flávio Oliveira (na foto, de boné, com o escritor Salomão Larêdo), leitor assíduo aqui do Espaço Aberto, comemora um prêmio.
Em verdade, festeja um prêmio e um feito: o de ter sido o único vencedor do Prêmio Fox de Literatura, concorrendo com outros 20 autores.
É a primeira vez que a Fox institui esse concurso literário.
O livro de Flávio é um romance ficcional, com título ainda provisório Não quero brigar com o tempo.
A obra já está em fase de editoração, em São Paulo, pela editora Empíreo.
O prêmio do vencedor são 500 exemplares impressos. Lançamento programado para a segunda quinzena de outubro, na Fox.
Tão logo a obra saia do prelo, o blog vai divulgar pra vocês.

O que ele disse


"Não existe democracia sem partido político, e o distritão acaba com os partidos. Apenas o Afeganistão e mais outros dois países pequenos adotam esse sistema. Vamos pegar o Afeganistão como modelo?"
Deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), defendendo a rejeição do distritão, que acabou mesmo rejeitado pelo plenário da Câmara.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Chicago - You're The Inspiration

Empregado pode usar o banheiro a qualquer momento

Empresas devem permitir que os empregados usem o banheiro a qualquer momento da jornada, sem repercussões sobre suas avaliações e remunerações. Assim determina o item 5.7 do Anexo II da NR-17 do Ministério do Trabalho e Emprego.
A norma foi citada pela juíza Laura Balbuena Valente Gabriel, da 19ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, ao julgar o caso de uma empresa que limitava o acesso ao banheiro para os funcionários. Segundo a decisão, se o acesso lhes for negado, a empresa pagará R$ 1 mil de multa para cada caso relatado. 
As denúncias contra a empresa paulista Interadapt Solution, que presta serviços de governança em Tecnologia da Informação (TI), partiram dos próprios funcionários que trabalham no Help-Desk (serviço de apoio de informática) implantado no Foro Central de Porto Alegre. Conforme os relatos que chegaram ao Ministério Público do Trabalho, os funcionários só têm acesso ao banheiro três vezes ao dia, coincidentemente nos períodos de intervalos, que duram 10 minutos. E, numa das vezes, com horário pré-estabelecido.
Segundo a Ação Civil Pública, assinada pelo procurador do trabalho Ivo Eugênio Marques, a situação piorou quando um dos coordenadores da equipe repreendeu publicamente dois colegas por se exceder alguns minutos no tempo de intervalo. Um deles, que ainda estava no banheiro, foi repreendido ao sair do local.
‘‘Decorrido o prazo que lhe foi concedido, a ré não se manifestou. Daí a necessidade de promoção da presente Ação Civil Pública, a fim de reprimir a prática ilegal e garantir ao conjunto dos atuais e futuros funcionários da ré que possam usufruir do benefício previsto no item 5.7 do Anexo II da NR-17 do MTE, benefício esse que se traduz em uma das muitas faces do direito social garantido constitucionalmente à saúde (artigo 6º da Constituição Federal)’’, escreveu na peça o procurador Marques.
Focada em ergonomia, a NR-17 estabelece parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
Em caráter definitivo, o MPT gaúcho requereu a confirmação da liminar e a publicidade da decisão a todos os empregados, mediante recibo, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Clique aqui para ler a liminar.
Clique aqui para ler a inicial da ACP.

Charge - Mariosan


Charge para O Popular.

Uma carnificina nos assola. Como escaparmos dela?



Treze, meus caros. Um, dois, três, quatro... até 13. Isso tudo na Grande Belém.
É uma guerra civil?
Não pensem que é.
Não pensemos que é.
Porque não é.
A guerra – seja civil ou militar – consiste em dois lados se enfrentando. Se há desigualdade, se há desproporção de forças, não importa. O que importa é que são dois lados se confrontando.
Não é o que acontece nesta selva de violência que nos cerca, nos engolfa e nos assusta.
Estamos, de um lado, todos nós, cidadãos indefesos, desarmados, amedrontados, apavorados.
Do outro lado, facínoras armados, cada vez mais ousados, bárbaros e cruéis.
Se não temos guerra civil, temos o quê, então?
Uma carnificina, é evidente.
Uma carnificina - sem tirar nem pôr.
Não é chacina porque não existe uma ação concertada (com “c” mesmo, não esqueçam), combinada, articulada, como a que ocorreu em novembro do ano passado, quando 11 pessoas foram mortas em vários bairros de Belém.
Não é chacina porque a criminalidade é dispersa, disseminada, não poupa ninguém – nem a classe média, que vive nas áreas mais centrais da cidade ou em condomínios horizontais em locais mais afastados, nem os mais humildes de bairros da periferia, que não podem sequer reunir-se com seus filhos numa casa de recepções, sem que corram o risco de sair dali para cemitério.
Entre as mortes do final de semana, registre-se um traço comum em duas delas.
A primeira, do universitário Lucas Silva da Costa, 19 anos, morto na madrugada do último domingo, no Marco.
Olhem aqui o relator do professor Rafael Boulhosa, que viajaria com os estudantes – entre eles Luca – no ônibus que foi invadido pelos assaltantes: "Os jovens entregaram os celulares e seus pertences. Os assaltantes já iam saindo, quando um deles voltou e baleou um jovem que ia prestar esse tipo de atendimento à comunidade. Todos nós estamos muito abalados por vermos pessoas que só querem fazer o bem para os outros em uma situação negativa como essa”.
O outro caso chocante foi o de uma criança de oito anos, apenas oito anos de idade, assassinada quando brincava com outra numa festa infantil, em casa de recepções no conjunto Júlia Seffer.
O que sobressai num caso e noutro? O jovem e a garota foram mortos cruelmente, sem esboçar reação, sem demonstrarem qualquer intenção de enfrentar o bandido que empunhava a arma.
Sabem aquela primeira, básica e essencial da lição dos manuais de sobrevivência que todos devemos seguir, na selva de brutalidade em que nos encontramos?
A primeira, básica e essencial regra de conduta prescreve o seguinte: não reaja, não esboce reação alguma.
Lucas não esboçou reação alguma.
A menina de oito anos estava brincando.
Eles foram mortos mesmo assim.
Foram cruelmente assassinados.
Como eles, tantos inocentes que não sabem o que fazer para escapar da carnificina que nos assola.
Ah, sim.
E ontem à noite, mais um universitário foi assassinado. Também ele Lucas.
Lucas Batulevicios Pereira Menezes, 23 anos, estava a caminho de uma faculdade no centro de Belém quando foi baleado e morto dentro de seu próprio carro, na avenida Centenário, sentido avenida Júlio César.
O horror! O horror!

Olhem Floripa. Depois, olhem Belém.




 Espiem bem.
As fotos acima foram mandadas para o Espaço Aberto, pelo fotógrafo Luiz Braga.
O texto abaixo também foi remetido pelo Luiz, uma das excelências culturais desta terra, apaixonado por sua cidade e sempre inquieto com o desprezo, com o abandono e com a violência aterradora.
Texto e fotos, fotos e texto dizem tudo. Leiam a seguir:

Que Florianópolis é uma das melhores cidades desse sofrido Brasil a gente já sabia.
Mas sair da nossa torturada e esfolada Belém para cá é um choque agora maior ainda, pois quando estive aqui, em 1998, Floripa era um lugar ótimo e quieto. Belém ainda tinha uma razoável qualidade de vida.
Basta veres hoje o estado da Praça da República e comparar com essa praça aqui em Floripa, onde estou, para se sentir engasgado.
Solar da Beira caindo aos pedaços também, assassinos agindo à vontade, enfim terra arrasada.

Conexão Brasil desconectado da rádio de deputado em Oriximiná

Max Hamoy: críticas à presidente Dilma custou a desconexão do
Conexão Brasil da rádio de Júnior Ferrari, em Oriximiná
No que depender do radialista Max Hamoy, o deputado Júnior Ferrari (PSD), que tem sua base eleitoral no município de Oriximiná, na região oeste do Pará, não se elegerá mais nem síndico de prédio - com o máximo respeito que merecem, é claro, os síndicos de prédio.
Radialista com larga experiência, Hamoy comanda atualmente o programa Conexão Brasil, transmitido pela internet diretamente de Danbury, cidade do Estado de Connecticut (EUA), e reproduzido por vários emissoras do país, inclusive a Liberal AM 900, de Belém.
Pois foi pela Liberal AM, no início da madrugada de hoje, que o poster ouviu Max Hamoy sentar a pua baixar o sarrafo em Júnior Ferrari. É que a Rádio Sucesso FM 96,3, de propriedade do parlamentar, teria deixado de retransmitir o Conexão Brasil porque o radialista estaria carregando muito no tom das críticas que tem feito à presidente Dilma Rousseff e, por extensão, aos petistas.
"Eu não sabia que o deputado estava de conchavo com o PT", disse Hamoy, que ainda completou avisando que tem 45 mil seguidores no Facebook e poderá mobilizá-los para não votarem em Ferrari nas próximas eleições. "Com essa, o deputado Júnior Ferrari acabou de assinar um atestado para não se eleger a mais nada", reforço Nélio Pena, que apresenta o programa de Belém, coadjuvando Hamoy.
O curioso é que, no site da Sucesso FM, pelo menos até o início da madrugada desta terça-feira, o Conexão Brasil ainda constava da grade de programação, no horário de 1h às 4h da madrugada. Mas tudo indica que o site precisa ser atualizado, porque a rádio só estava tocando músicas - uma atrás da outra, de enfiada.
E nada de Conexão Brasil na parada.
E tudo por causa das críticas à presidente Dilma e ao PT.

MPF lança campanha internacional de combate à corrupção



Vinte e um países unidos no combate à corrupção. Esse é o objetivo da campanha “Corrupção, Não!”, realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em parceria com a Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos (Aiamp). A ação visa ampliar o debate sobre o combate à corrupção, além de conscientizar as pessoas sobre o papel do Ministério Público no enfrentamento a este tipo de crime.
A campanha “Corrupção Não!” tem foco na internet e visa atingir, principalmente, jovens de 16 a 33 anos. A ideia é explorar as redes sociais com o uso das hashtags #CorrupçãoNão e #CorrupciónNo. A escolha do público-alvo levou em conta o potencial mobilizador da rede e da indignação dos jovens em torno do assunto.
Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pesquisas recentes da Transparência Internacional apontam que os jovens são os mais incomodados com a corrupção. “Eles também são os mais dispostos a encarar as mudanças culturais necessárias ao enfrentamento da corrupção”, explicou. Ele ressaltou, ainda, que esta é uma oportunidade para reforçar o papel do Ministério Público brasileiro no combate à corrupção nas esferas cível, criminal e, ainda, na recuperação de ativos.
O lançamento da campanha, que terá versões em português e espanhol, será feito em todos os países participantes. Para o sucesso e o alcance do público durante os dois meses de duração, foram criadas diferentes estratégias de engajamento. "Nosso objetivo é atrair o público para, junto ao MPF, dizer 'não' à corrupção”, reforçou a procuradora da República Anna Carolina Resende, do Centro de Comunicação Integrada (CCI).
Os Ministérios Públicos dos países que integram a Aiamp têm forte atuação no combate à corrupção. A campanha foi um compromisso de Rodrigo Janot na gestão como presidente da associação. Durante a 22ª Assembleia-Geral da Aiamp, em novembro do ano passado, no Uruguai, ele apresentou três propostas de campanha publicitária. Por unanimidade, foi escolhida a opção de declarar "não à corrupção", considerada a mais adequada em função da visibilidade e clareza da mensagem.
Engajamento – A campanha, que tem como foco a comunicação digital, contará com um hotsite, uma fanpage no Facebook, conta no Twitter e banners web. Entretanto, o suporte das mídias tradicionais é fundamental para fortalecer a mensagem da campanha. Para isso, foram produzidos vídeos e spots de rádio com duração de um minuto e de 30 segundos, mobiliários urbanos, cartazes e adesivos de veículos.
Desvio de verbas  – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirma que a corrupção é o maior obstáculo ao desenvolvimento econômico e social no mundo. A entidade estima que, a cada ano, pelo menos US$1 trilhão são gastos em subornos, enquanto cerca de US$ 2,6 trilhões são desviados. A soma é equivalente a mais de 5% do PIB mundial.
A campanha reforça que é preciso dizer 'não' à corrupção, por menor que ela seja, em todos os lugares: em família, nas ruas, nas conversas informais. Anna Carolina reforça que o sucesso do movimento “Corrupção, Não!” depende da participação de todos. “É importante destacar que comportamentos simples como furar fila, falsificar carteirinhas de estudante, ou subornar um agente de trânsito, por exemplo, também são atos de corrupção. Nosso objetivo maior é mostrar que a mudança ética em favor da sociedade começa nas atitudes de cada um”, explica.

Para mais informações, visite o hotsite da campanha: www.corrupcaonao.mpf.mp.br.

Fonte: Assessoria de Imprensa do MPF no Pará

O que ela disse


Angélica, sobre o acidente que ela, o marido, Luciano Huck, os filhos, as duas babás, piloto e copiloto sofreram no último domingo, no interior do Mato Grosso do Sul.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Paul McCartney - All My Loving

Pesquisa do Google mostra que perguntas de segurança são inseguras

No Comunique-se

A equipe de segurança do Google divulgou na quinta-feira, 21, um estudo sobre as perguntas de segurança, necessárias para recuperar o acesso de usuários a contas online. "Qual o nome do seu primeiro animal de estimação?", "Qual sua comida favorita?", "Qual o nome do meio de sua mãe?" são alguns dos exemplos mais comuns. De acordo com a empresa, o mecanismo não é tão confiável quanto se imagina. 

secretquestionClique na foto para acessar o infográfico produzido pelo Google (Imagem: Reprodução)Os engenheiros Elie Bursztein e Illan Caron, que conduziram a pesquisa, analisaram centenas de milhões de perguntas de segurança e concluíram que as respostas são, na maioria dos casos, inseguras ou difíceis de lembrar, o que dá pouca garantia aos usuários. A escolha preferida é “Em que cidade você nasceu?". Em 10 tentativas, a chance de acerto foi de 6,9%.

Os hackers têm quase 20% de chance de acertar, no primeiro palpite, a comida favorita quando feita em inglês. Isso porque esse percentual escolhe “pizza” como resposta. Outra questão agravante é que ao menos 37% dos internautas fornecem combinações falsas, na expectativa de dificultar a entrada de um invasor ou facilitar a própria vida. 

A recomendação é que os sites passem a adotar outros métodos para garantir a segurança das contas, como autenticação feita por SMS por meio de envio de códigos de desbloqueio e adição de e-mails secundários como mecanismo para redefinição de senhas.

Charge - Mariano


Trabalho para a Charge Online.

A benemerência humilha o Remo e seus benemerentes



Sabem de uma coisa, meus caros?
No Remo, que se transformou numa casa da mãe joana - com o perdão das mães e das joanas -, seria necessário que se proibissem, entre outros tantas coisas, a benemerência, a filantropia. É imperioso que se proíba a generosidade, digamos assim, despreocupada e desinteressada.
No Remo, benemerentes, filantropos, solidários e generosos acabam - é duro dizer isso, mas que se diga - se expondo a humilhações. E acabam expondo o clube a humilhações extremas.
Querem uma uma prova provada disso?
Lembrem-se da reunião do Conselho Deliberativo da semana passada, que decidiu pelo afastamento de Pedro Minowa da presidência do clube.
O poster acompanhou parte da reunião por emissoras de rádio.
Coleguinhas, quase aos prantos, quase às lágrimas - ou em lágrimas - deploravam eles próprios o fato de terem sido impedidos de votar os conselheiros inadimplentes. Entre eles, Albany Pontes, que confessou naquele momento ser credor de R$ 280 mil do Remo, conforme documento atestado em cartório.
Quase aos prantos, quase à beira da lágrimas, coleguinhas - quase todos - abriam seus microfones para que entrevistados sentassem a pua em Ribeiro, tachando-o, entre coisas, de dono do Remo, apenas porque respeitou o estatuto do clube, em acolhimento à deliberação da maioria presente à reunião.
Ressaltem-se dois pontos.
O primeiro: não se desconhece o remismo de remistas como Albany Pontes e de outros que abriram os bolsos e despenderam recursos próprios para ajudar o Remo.
Mas deviam, esses conselheiros benemerentes, fazer mesmo isso?
Quando deixaram prevalecer seus acendrados amores pelo clube, os benemerentes se tornaram também inocentes? Voltaram à inocência perdida?
Não sabiam que, pela situação em que o Remo se encontra, jamais receberiam - como não receberão - o dinheiro de volta?
Não avaliaram que corriam o risco de passar por humilhações, aplicando dinheiro a fundo perdido no Remo?
Em algum momento, quando o conselheiro Albany Pontes despendeu R$ 280 mil para ajudar o Remo, ele não se deu conta de aquele ato benemerente, generoso, solidário e filantrópico reforçava a condição do Remo, de estar praticamente na mendicância, eis que precisava da benemerência, da filantropia, da solidariedade e da generosidade de seus ardorosos conselheiros para sobreviver?
Esse é o primeiro ponto.
O segundo é o seguinte: o estatuto do Remo prevê que, em casos de benemerências e filantropias comprovadas - inclusive em cartório -, devam ser abertas exceções no caso de inadimplências?
E dizer, como muitos estão dizendo - inclusive e sobretudo o afastado presidente Minowa -, que o presidente do Condel virou o dono do Remo não configura uma imbecilidade tamanha, não reflete uma incongruência do tamanho do caos que o Remo enfrenta?
Não é imbecil e incongruente atribuir ao presidente do Conselho Deliberativo do Remo, seja lá quem for - Manoel, Pedro, Paulo, qualquer um -, poderes excessivos, ditatoriais, de exceção, uma vez que o dirigente do Condel não pode tomar uma só decisão monocrática, individual, solitária, pois precisa sempre render-se, primeiramente, ao que consta do estatuto e depois ao que decidir o colegiado, ou seja, os conselheiros?
Apliquemos, portanto, o estatuto ao caso concreto.
O conselheiro Albany Pontes é credor do Remo? É.
Despendeu R$ 280 mil porque gosta do Remo? Sim.
Porque fez esse gesto benemerente, deveria participar da reunião do Condel na condição de inadimplente, mesmo que o estatuto vede essa possibilidade?
É claro que não.
É natural a mágoa, são admissíveis o constrangimento e a humilhação que os conselheiros benemerentes do Remo experimentaram, quando lhes foi negado o direito de participar das deliberações daquele dia? Sim.
Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é o remista benemerente dar R$ 1 milhão para o clube por vontade própria, por deliberação pessoal.
Outra coisa é o remista pretender exceções estatutárias porque agiu com o coração pelo bem do Remo.
Hehehe. Contem outra, meus caros.
E repita-se o que foi dito no início: no Remo, benemerentes, filantropos, solidários e generosos acabam - é duro dizer isso, mas que se diga - se expondo a humilhações. E acabam expondo o clube a humilhações extremas.
Ah, como o Espaço Aberto já escreveu recentemente, amores extremos ao Remo são muito bacanas. Mas o repeito ao Remo, cadê?

Point do Açaí. Não é tão imperdível, mas é bom.


É isso, meus caros.
Espiem só!
Leitores do blog - vários - há muito indicam o Point do Açaí como um dos pontos imperdíveis para se visitar em Belém. Até que o pessoal da editoria de gastronomia (rsss) do Espaço Aberto foi lá no último sábado.
O lugar não tão imperdível assim como pintaram. Mas é bom.
A entrada, essa porção de macaxeiras empanadas que vocês veem ao lado, não estava muito boa, não.
As macaxeiras estavam meio molengós e insossas.
Mas o filhote ao tucupi, acompanhado de arroz de jambu e camarão, que o editor pediu, aquele sim, estava imperdível.
Era pra se comer cantando o hino nacional - sem brincadeira.
Tudo no ponto!
E os preços? Meio salgados. Considerando que os pratos não são feitos com maiores produções, o preço é meio alto.
Uma tigela de açaí, por exemplo, se você tomar individualmente, sai por volta de R$ 20. E se tiver meio litro de açaí será muito.
Pois no mesmo sábado à noite, o editor tomou em casa mesmo 1 litro - sim, podem acreditar, 1 litro de açaí dilicioso, apenas como açúcar e leite Ninho (isso mesmo, podem experimentar, com leite Ninho). Preço da degustação doméstica (hehehe): R$ 20. Produto de qualidade, comprado no Açaí Sensação, aquela loja que fica ali na Conselheiro Furtado, quase chegando à Serzedelo.
E o atendimento no Point do Açaí?
Razoável. Os garçons são bem solícitos, mas a solicitude, vocês sabem, nem sempre garante, sozinha, um atendimento de boa qualidade.
Mas olhem: vale a pena conhecer o lugar. E vale a pena voltar lá, sim. Vale a pena ir várias vezes, para experimentar outras coisas.
O Point do Açaí visitado foi o da Veiga Cabral, bem na esquina com a Bom Jardim (na imagem abaixo, do Google Maps).
Mas há aquele outro, no Boulevard Castilho França, próximo aos Mercedários, perto da Estação das Docas.
Ah, sim. Há um problema sério no Point do Açaí da Veiga Cabral: o acesso de cadeirantes e pessoas da terceira idade.
Pelo menos no almoço de sábado, a parte de restaurante que funcionava era a superior, onde há espaço para 120 pessoas.
E para acessar o espaço só mesmo por uma escada de dois lances - e bastante íngremes.
Clientes com locomoção restrita terão muita dificuldade para subir.
Muitíssima.

Olhem Belém. Apesar de tudo, resplandecente!


Olhem só que maravilha.
Olhem só que lindeza.
É Belém.
Apesar do desprezo de tantos por ela, a cidade resplandece. E resiste.
A foto foi tirada pelo leitor diário do Espaço Aberto, Jorge Bastos, a partir do 12º andar do Edifício Chamié, no centro da cidade.
O centro que, aliás, está estiolada, devastado, barbarizado pela bagunça, pela desordem, pela sujeira e pela degradação.
Mesmo assim, olhemos Belém.
Olhemos por Belém.

MPF volta a acusar empresas por danos em rodovias no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Justiça ação em que acusa a transportadora Floresta do Araguaia, a mineradora Floresta do Araguaia e a Siderúrgica do Pará (Sidepar) por danos provocados pelo transporte de carga com excesso de peso em rodovias federais no Estado em 2014 e 2015.

O MPF pede decisão urgente que impeça os veículos da transportadora de trafegarem com excesso de carga, com a aplicação de multa de R$ 40 mil para cada veículo flagrado com a irregularidade. O MPF também pede que as empresas sejam condenadas a pagamento de R$ 350 mil por danos materiais e de R$ 300 mil por danos morais provocados.

Pela mesma irregularidade, cometida em 2011, a mineradora e a siderúrgica já haviam sido acusadas pelo MPF e condenadas pela Justiça Federal a pagamento de R$ 130 mil. A sentença foi publicada em agosto do ano passado. Ao solicitar à Polícia Rodoviária Federal informações sobre autuações contra as empresas desde então, o MPF foi informado que, de setembro de 2014 a janeiro de 2015, a mineradora e a transportadora Floresta do Araguaia, integrantes do mesmo grupo econômico, foram autuadas sete vezes.

“Notável que a condenação pretérita das requeridas Siderúrgica do Pará – Sidepar e Mineradora Floresta do Araguaia S/A não as inibiu de novamente realizar a circulação de seus veículos com peso superior ao permitido, o que é lamentável”, critica na ação a procuradora da República Lilian Miranda Machado.

O MPF lembra na ação que o transporte de minério em sobrepeso coloca em risco direto não só a vida do motorista do caminhão mas também a integridade dos demais usuários do sistema rodoviário. O excesso de peso danifica o pavimento e provoca maior desgaste dos pneus, afetando a eficiência da suspensão e freios dos veículos, o que também tem consequências para a economia e para o meio ambiente.

“Inegavelmente os efeitos advindos do excesso de peso são ameaça à perfeita segurança dos usuários das rodovias e, consequentemente, à vida destes, sendo premente a necessidade de obstrução deste ciclo vicioso que se formou ao longo dos anos”, alerta a ação.

Para ler a íntegra da ação, clique aqui.

Fonte: Assessoria de Imprensa do MPF no Pará

O dividido Reino Unido


No Reino Unido, na iminência das eleições legislativas, estava em xeque a mais antiga tradição dos governos estáveis. A outrora estável monarquia constitucional e parlamentar britânica parecia ir mal. A crise, não somente política, ficou transparente diante de espinhosos temas e divisões na sociedade, a raiar durante a campanha para as legislativas que se realizaram em 7 de maio de 2015. Mais interessante ainda é que as eleições no Reino dividido costumam ser tão emocionantes quanto a troca da guarda da Rainha. Mas desta vez a monotonia deu lugar a um dos pleitos mais agitados dos últimos anos.
De acordo com o Instituto de Pesquisas YouGov, o atual premiê David Cameron (na foto), do Partido Conservador, tinha a preferência de 34% dos eleitores, enquanto seu maior adversário, Ed Miliband, do Partido Trabalhista, emparelha com 33%. Diante de margens tão apertadas, os dois se utilizaram da mesma estratégia: aumentaram o corpo a corpo com o eleitorado e, ao contrário do que sempre recomenda a velha fleuma britânica, partiram para o ataque. Cameron, no poder desde 2010, dizia que os trabalhadores vão aumentar impostos e engessar a economia. Para Miliband, o corte de gastos do governo já foi longe demais ao empurrar milhares de britânicos para a pobreza.
De saída, as pesquisas de intenção de voto não previam um partido com maioria absoluta, ou 326 cadeiras na Câmara dos Comuns. Trocando em miúdos, seria o fim do bipartidarismo entre conservadores e trabalhistas. Se nos anos 1950, as duas legendas recolhiam soviéticos resultados de até 97% dos votos, desta feita levariam, juntas, apenas 67%. Além de Cameron e Miliband, outros cinco candidatos disputaram as eleições, mas sem chances de assumir o governo. Conservadores e trabalhistas alternam o poder desde 1922.
A diferença é que, agora, novas correntes vêm fazendo algum barulho. A principal delas é liderada pela escocesa Nicola Sturgeon do esquerdista Partido Nacionalista Escocês (SNP, em inglês). Nicola é considerada a mulher mais temida do Reino Unido. É também chamada de “mulher mais perigosa” pelo “Daily Mail”. Nicola liderou a campanha, em 2014, pela separação da Escócia do Reino Unido. Não foi bem sucedida por um triz no plebiscito que discutiu a questão. E ela não escondia sua intenção de criar elos com Miliband.
Outros percalços têm impacto no próprio reinado de Elizabeth II, a ameaça dos outros grupos separatistas além do escocês, e aqueles da Irlanda do Norte e do Principado de Gales. A emergência daquelas siglas demonstra um quadro jamais visto no sistema bipartidário. Qual o motivo? O Reino Unido não é mais aquele país onde a distinção nítida entre as classes sociais se manteve até ontem. Fronteiras claras entre aristocracia, classes média e operária. Se ainda há quem sinta nostalgia do passado, como aquele que se manifesta contra a imigração, outros estão fartos de fazer parte de um sistema em que predomina a desigualdade.
A ascensão social, de fato, começa nas escolas primárias privadas, caríssimas. Ali aprende-se a falar o inglês dos aristocratas. A desigualdade talvez explique Cameron não ter explorado, durante a campanha, o fato de ter governado um dos países com a economia menos fragilizada pela crise de 2008 na Europa. A nítida separação entre classes sociais, típica do Reino, começa ficar abalada.
O vitorioso governo conservador de Cameron relançou o crescimento, reduziu o déficit público, manteve o nível de desemprego em patamares aceitáveis, enquanto a Bolsa de valores vai de vento em popa. No entanto, as elites econômicas ainda levaram a maior fatia do bolo e o cidadão comum não ganhou melhor nível de vida. Mas quem mora ou conhece bem o Reino Unido, sabe que existe uma diferença evidente em termos de riqueza entre Londres e o resto do país, chamado de Pequena Inglaterra. Ah! Poucos foram às urnas. Ademais, para muitos britânicos, política não é assunto que mereça tanta atenção.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ele disse


"Parecia como um videogame: conforme você enfrenta o 'chefão', a energia dele vai caindo. Eu pensei, 'Você só vai gastar toda sua energia'. Eu estou acostumado a treinar com caras usando luvas de 16 onças (de boxe), então estou acostumado a deixar os caras baterem e se cansarem. Aí, ele acertou um uppercut e eu pensei, 'Tenho que me mover e sair daqui'. Mas aí, comecei a ver seus golpes saindo cada vez mais lentos, e percebi que ele estava cansando e eu estava bem".
Chris Weidman, que manteve o cinturão dos pesos-médios ao nocautear Vitor Belfort em apenas 2m53s de luta, no último sábado, em Las Vegas (EUA), pelo UFC 187.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Um olhar pela lente


O Círio de Nossa Senhora de Nazaré subindo a avenida Presidente Vargas, então avenida 15 de Agosto, em Belém, no início do Século XX.
A foto está no perfil de Odilson Sá, no Panoramio.
A fonte ali apontada é este endereço.