domingo, 5 de julho de 2015

Walmir Botelho D'Oliveira



Walmir Botelho D'Oliveira.
Walmir Botelho.
Meu amigo Walmir.
Tomar conhecimento de seu falecimento, na noite deste sábado, aos 67 anos de idade, foi mais do que renovar a certeza de que nos abalamos com esses eventos porque nascemos para viver, e não para morrer - muito embora a morte seja a coisa mais certa nesta vida.
Foi muito mais do que isso.
A partida de Walmir é mais um evento que extirpa, do jornalismo do Pará, uma de suas mais qualificadas expressões profissionais, que se fez notória e respeitada não em decorrência de celebrizações midiáticas de hoje, mas porque cultivou a noção, básica e elementar, de que jornalistas não devem ser a notícia, mas simplesmente transmiti-la da maneiras mais fiel e objetiva possível.
Nestes tempos em que jornalistas, eles próprios, adoram celebrizar-se, alçando-se aos panteões das redes sociais com uma autoestima que faria qualquer Narciso corar de vergonha e sentir-se o mais humilde e recatado dos seres, Walmir Botelho era um peixe fora d'água.
A foto dele que você vê nesta postagem e foi divulgada pelo jornal Amazônia, registrada pelo repórter e velho amigo Raimundo Dias, o Zero, é certamente uma das pouquíssimas - senão a única - que devem estar disponíveis nos arquivos de O LIBERAL.
Walmir odiava os holofotes. Odiava expor-se. Em vez da sala das redações, preferia a cozinha, preferia trabalhar o seu ofício sob o quase anonimato, certo de que o leitor, esse sim, deve ser privilegiado e tratado como o grande e único destinatário do que nós, jornalistas, fazemos.
"A gente só dá importância ao que acontece na nossa porta", dizia-me várias vezes, Foi esse princípio que ele implementou em O LIBERAL, ao aumentar a visibilidade e conferir um melhor tratamento ao noticiário local, ou de cidades, como costumamos dizer.
Responsável por aquela que talvez tenha sido a maior reforma gráfica implementada no jornal, emprestando a O LIBERAL a cara que tem hoje, Walmir aliou sua experiência de diagramador (hoje pomposamente chamado de designer gráfico), função que primeiramente exerceu no jornalismo, à do editor que deve conferir à notícia a relevância adequada e sempre sintonizada com a linha editorial do veículo.
Com Walmir, convivi diariamente, e muito, mas muito proximamente, durante cerca de 20 anos. Jamais conversamos em outro ambiente - literalmente nenhum outro - que não a redação. Mas foi lá, nas noites e madrugadas, que travamos um relacionamento que ultrapassou o sentido profissional e firmou-se, verdadeiramente, como uma relação de amizade, confiança e lealdade.
Avesso, conforme já mencionado, a badalações, exposições e celebrizações, Walmir era, com a maioria de seus interlocutores, quase monossilábico. E quanto mais monossilábico, mais ele rabiscava a folha de papel - qualquer uma - que estivesse à sua frente, enquanto ouvia o outro falar.
Por várias vezes, eu me divertia, quando estava em sua sala, ao vê-lo falar ao telefone.
- Hum! - era apenas o que se ouvida Walmir dizer repetidamente e de forma esparsa, durante os momentos, às vezes 10, 15 minutos em que duravam as ligações.
Era uma sucessão de 400 mil hums, até que vinha o arremate:
- Tá bom. Depois a gente conversa - era a expressão usada para encerrar aquele diálogo, digamos assim, tão palpitante.
Monossilábico por natureza, Walmir era divertidíssimo, todavia, com alguns que tiveram mais o privilégio de sua consideração, entre os quais o repórter aqui se inclui.
Aprendi com ele a "ver com bons óculos", conforme me dizia sempre, situações delicadas que precisavam ser conduzidas com habilidade redobrada. "Vê lá como administras isso", era só o que me dizia, Mas a tradução dessa ordem era a seguinte: o bicho tá pegando!
Walmir tinha um humor rascante, cortante, ferino quando se referia, em nossas conversas privadas, a personalidades e personagens - sobretudo da política paraense - que se acham o suprassumo dos suprassumos.
Demos muitas e boas gargalhadas, ele relembrando causos que enfrentou, sobretudo quando trabalhou por muitos anos em Brasília, no Correio Braziliense, sua última etapa profissional antes de retornar a Belém para trabalhar inicialmente na Folha do Norte e posteriormente em O LIBERAL.
Comecei a associá-lo como se fosse o imperador do carimbó de Maracanã, sua terra natal, e passei a chamá-lo de Verequete, referência a Mestre Verequete, um dos ícones da cultura musical paraense. Em resposta, passou a chamar-me de Marabaixo, referência ao ritmo amapaense que, insistia ele, eu teria disseminado em Santarém, onde nasci.
Por mais de 15 anos nos tratamos assim. E na redação, muitos até entraram na onda:
- Mano, o Verequete está te chamando - diziam-me colegas muitas vezes.
Era ele, Walmir, quem me chamava.
- Vai lá com o Marabaixo e entrega isso pra ele - recomendava.
Pois o cara chegava até mim e me entregava.
Walmir vai fazer falta. Muita falta.
Já está fazendo.
Mas essa é uma daquelas contingências - inescapáveis e inesgotáveis - da vida.
À Nara, sua companheira, e a seus filhos Adriano, Bruno, Flávio e Fernando, um forte abraço. E a certeza de que temos de continuar.
Ou para usar a expressão do Walmir, temos que administrar isso.
Temos mesmo!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Cartaz pede que todos se levantem para receber juiz

Do site Migalhas
O juízo da 4ª vara Cível de Taguatinga/DF fixou um cartaz recentemente em suas dependências que repercutiu negativamente e gerou polêmica entre os frequentadores do local.
"Em estrito respeito ao juízo", o informe pedia que partes e advogados se levantassem quando o juiz de Direito José Roberto Moraes Marques entrasse na sala de audiências.
A OAB/DF enviou pedido de providências à Corregedoria do TJ/DF em desfavor do procedimento adotado. Um novo cartaz foi fixado, solicitando apenas a manutenção de "condutas desejáveis".
Solenidade
A medida, segundo a diretora da vara, Emília Carolina Ribeiro Lima, foi uma tentativa de resgatar a cordialidade e respeito durante o ato judicial, mas foi mal interpretada.
"O que tem acontecido reiteradamente, infelizmente, aqui e em outros lugares, em função talvez até das redes sociais e da facilidade da comunicação social, é que as pessoas não têm mais o respeito que tinham com relação ao ato judicial. Normas de boa condutada e educação não são observadas."
A diretora afirma que a intenção do pedido não foi "humilhar ou ferir a dignidade" de partes e advogados e que, em verdade, "não seria necessário fazer esse tipo de cartaz".
"Talvez tenha sido uma tentativa do magistrado, fazendo parte da liturgia, do ato processual em si, de trazer uma solenidade pra que as pessoas sentissem a seriedade."

Charge - Sinfrônio


Charge para o Diário do Nordeste.

Vamos fazer um mundo diferente?



"Vamos fazer um mundo diferente, um mundo melhor para os nossos descendentes".
A exortação é do promotor Raimundo Moraes, da área do Meio Ambiente do Ministério Público do Pará.
O apelo é dos mais oportunos.
A maioria de nós, que moramos em Belém, fazemos pouco caso sobre o tratamento do lixo que produzimos diariamente. Atualmente o MP estadual, à frente o promotor, e uma equipe que inclui o pessoal da Prefeitura de Belém e de outras prefeituras, está quase só numa cruzada contra interesses escusos para desativar o Lixão do Aurá e implementar a Lei de Resíduos Sólidos com usinas de compostagem.
Pois olhem esse vídeo e vejam o que o promotor diz.
Olhem como nós também temos responsabilidade sobre essa questão que não atine apenas ao Poder Público, mas diz respeito a todos nós.
A cada um de nós.

Força, Antonio José!



Olhem só, amigos.
O apelo é para todos, mas principalmente para jornalistas. E, dentes estes, sobretudo os que conhecem Antônio José Soares, que passou pelas redações dos principais jornais do Pará e agora enfrenta um momento muito difícil.
Força pra ele.
E quem puder - e quiser, é claro - ajudar, os dados estão aí em cima.

"Ninguém é obrigado a debater com ninguém"



De leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Jean Wyllys, esse preconceituoso político:

Ninguém é obrigado a debater com ninguém, especialmente quando um dos lados sabidamente nunca respeitou o debate democrático, vive de ataques raivosos e mentirosos -, já defendeu até que um partido a que se opões deveria levar um tiro na cabeça, além de ser ardoroso apoiador da ditadura militar.
Aceitar debater com isso é na verdade dar ao facismo o status que perdeu no século XX: o de ideologia aceitável para uma sociedade civilizada - não é, muito pelo contrário, o facismo defendido por este rapaz é o fim da democracia e de qualquer possibilidade de debate.

MPE investiga contratação feita pela Codem

O Ministério Público do Estado do Pará, por meio da promotora de Justiça Elaine Castelo Branco, titular da 5ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa assinou portaria instaurando Procedimento Preparatório objetivando apurar possíveis irregularidades na contratação realizada pela Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem).
De acordo com promotora de Justiça Elaine Castelo Branco, chegou ao seu conhecimento a ocorrência de possíveis irregularidades no processo de contratação mediante inexigibilidade de licitação n. 001/2015- Codem, para a contratação direta do Instituto Casa da Opera (ICO), com o objetivo de prestação de serviço técnico de consultoria e coordenação geral das atividades necessárias a programação dos festejos dos 400 anos de Belém.
O procedimento preparatório visa promover a coleta de informações para a posterior instauração de Ação Civil Pública, Ação de Responsabilidade por Improbidade Administrativa ou arquivamento das peças de informação que motivaram a abertura do procedimento pela Promotoria de Justiça.

Fonte: Ministério Público do Estado

AMB considera inconstitucional emenda que reduz maioridade

A entidade divulgou, nesta quinta-feira, a seguinte nota sobre a decisão do plenário da Câmara que aprovou a redução da maioridade penal:

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) considera grave o procedimento adotado pela Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (2), ao levar para nova votação emenda aglutinativa idêntica à proposta reprovada pelo Plenário da Casa na noite de terça-feira.
Além da constitucionalidade material da PEC 171/1993 ser alvo de questionamento junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a medida adotada pela Câmara fere o regimento legislativo e representa inconstitucionalidade formal à proposta.
Para a entidade, não se pode alterar o que está estabelecido pelo artigo 228 da Constituição Federal; e o artigo 60, que trata de emenda à Constituição, veda a deliberação sobre matéria que tente abolir direito ou garantia individual.
Esse é mais um retrocesso para a democracia brasileira. O sentimento de todos os operadores do sistema de infância e juventude hoje é de indignação. Buscar a redução da maioridade penal como solução para diminuição da violência juvenil, sem o profundo e importante debate, trará intangíveis danos à sociedade.

O que ele disse


"Vossa Excelência pode decidir não ouvir, pode decidir virar de costas para mim. Pode decidir conversar com qualquer colega parlamentar que preste a esse papel. Mas o problema é que Vossa Excelência passa por cima da democracia, passa por cima da Constituição, passa por cima do regimento desta Casa até que vença posição de Vossa Excelência".
Alessandro Molon (PT-RJ) - na foto -, dirigindo-se a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, que parece ter rasgado, atropelado, estuprado o regimento interno da Casa para aprovar a redução da maioridade penal.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Inglaterra pretende aumentar a maioridade penal

Fixar a idade a partir da qual uma pessoa pode ter de enfrentar a Justiça criminal não é tarefa fácil nem no Brasil e nem em nenhum outro lugar do mundo. Na Inglaterra, por exemplo, o assunto está sempre voltando às mesas de debates da comunidade jurídica e parlamentar. Mas, se a proposta no Brasil é reduzir a maioridade penal, na Inglaterra, o plano é elevar.
No país europeu, a partir dos 10 anos, uma criança já responde pelos seus atos como adulto. Isso cria uma incoerência tremenda no sistema judicial. Aos 10 anos, a criança não vota, não dirige, não pode beber e nem fumar. Mas, se pegar o carro do pai e atropelar alguém, terá de encarar a Justiça criminal.
Um projeto em tramitação no Parlamento britânico aumenta para os 12 anos a maioridade penal. O texto foi apresentado na House of Lords, que seria o Senado britânico, mas lá os senadores são nomeados pela rainha, e não eleitos pelo povo. Ainda não há data prevista para o primeiro debate sobre a proposta.
A expectativa de aumentar a idade da responsabilidade criminal, no entanto, é baixa. Histórica e culturalmente, o país entende que praticamente todo mundo que comete um crime tem de pagar por ele. Ainda que isso seja um peso maior no bolso dos contribuintes, como revelou estudo recente que mostrou que custa mais caro manter uma criança na cadeia do que na escola.

Charge - Jarbas


Charge para o Diário de Pernambuco.

A Celpa, essa porcaria


E a Celpa, hein, meus caros?
Você gosta dela? Leve-a pra sua casa e experimente.
Você acha que essa empresa ainda pode melhorar?
Pois embrulhe-a e fique com ela pra você. E deguste-a à vontade.
A Celpa, fora de brincadeira, continua a mesma, a mesmíssima porcaria.
Ontem de manhã, aqui pelo bairro de Nazaré, a energia ficou oscilando durante mais de 1 hora.
Às vezes, apagava de vez.
Outras vezes, a "energia firme" (hehehe) da Celpa continuava fraquíssima.
Isso é muito, muito pior para os nossos equipamentos, para os nossos utensílios eletrodomésticos, que a Celpa, saibam, não nos dá.
Ao contrário, ela os destrói, quando nos presta péssimos serviços.
Quem nos defenderá da Celpa?
Quem?

A zorra total. Em plena Brás de Aguiar.





Olhem só como é a zorra.
A zorra total - com o perdão do empréstimo que se faz do nome do programa global.
A zorra é na Brás de Aguiar, em pleno horário das 17h, 17h30, quando as madames, justamente, resolvem acordar de suas ociosidades sem fim e vão pra lá se fartar naquelas lojas, indiferentes às contribuições honrosas que eventualmente podem oferecer para agravar a desordem que toma conta da cidade.
Pois é em horários como esses que há carros em filas - duplas, triplas e quádruplas -, há caminhões descarregando tralhas, há vans a serviços de escolas, enfim, uma bagunça.
Uma bagunça todo dia, o dia todo.
Isso, repita-se, na Brás de Aguiar, uma das ruas mais centrais da cidade e que, presume-se, deveria ter o trânsito mais ordenado. Ou menos desordenado, digamos assim.
Mas que nada.
A bagunça, no trânsito de Belém, não escolhe hora, nem lugar.
É democrática.
Isso é fato.
E isso é trágico.
Também é trágico.

O que ele disse


"Ladrões da CBF têm que cair. Marin, eu empurro."
Romário, senador e ex-craque, sobre a corrupção na CBF.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Jean Wyllys, esse preconceituoso político


Jean Wyllys é um preconceituoso político. Se não for, ele também, um analfabeto político.
Você entendeu?
Pois é.
Repita-se para fixar o que você acabou de ler: Jean Wyllys é um preconceituoso político. No mínimo, ele é isso.
Quem é Jean Wyllys?
Ele se fez conhecido num desses BBBs da vida.
Conhecido, tratou de qualificar-se. Virou Excelência. Elegeu-se deputado federal.
Deputado federal, notabilizou-se por pugnar por todas as causas capazes de combater o preconceito - social, religioso, sexual e tudo o mais.
Como homem público, Jean Wyllys poderia ser tudo - tudo mesmo. Menos preconceituoso.
Porque ele próprio sentiu na pele e viu mais de perto do que muita gente os horrores do preconceito.
Sentiu na própria pele os efeitos da imbecilidade, da burridade, da ignomínia que é estigmatizar os outros por serem diferentes de nós.
Pois Jean Wyllys comete contra Kim Kataguiri a mesma ignomínia que ele, Sua Excelência, já sofreu: a ignomínia do preconceito.
Quem é Kim Kataguiri?
É um rapaz de apenas 19 anos. É líder do Movimento Brasil Livre, que defende concepções às quais se Jean Wyllys se opõe, inclusive o Estado mínimo.
O que faz Jean Wyllys?
Chama Kim Kataguiri de analfabeto político.
Não.
Kim Katguiri não é analfabeto político.
Ele foi um dia desses ao programa Pânico, da Rádio Jovem Pan.
O repórter que vos escreve, o facebuqueiro que vos fala teve oportunidade de assistir a íntegra da entrevista, que, para quem quiser, pode ser acessada aqui: https://goo.gl/rpog3w
Durante cerca de 1 hora, Kataguiri falou de teses de Milton Friedman, que talvez Jean Wyllys nem saiba quem é.
Expôs suas opiniões sobre a livre competição do mercado, sobre os conceitos éticos que devem prevalecer na política, sobre a instituição do parlamento como canal que representa a coletividade, sobre a contradição dos que defendem as liberdades, mas adoram regimes totalitários.
Kataguiri é polêmico, instigante, provocador. É inteligentíssimo.
E não é um analfabeto político.
Ele apenas pensa diferentemente de Jean Wyllys, que não tem o direito, portanto, de estigmatizá-lo como analfabeto político.
E, afinal de contas, por que Jean Wyllys não aceita e nunca aceitou debater com aquele a quem acusa de analfabeto político?
Por quê?
Uma tristeza, uma decepção vermos uma vítima do preconceito, como Jean Wyllys, tratar um opositor com um preconceito acintoso, indecoroso, imbecil e, por tudo isso, inaceitável.
Jeans Wyllys, este sim, é um preconceituoso político.
É um analfabeto político.
É um covarde político, porque se recusa ao debate e ao confronto de ideias.

A favor e contra a redução da maioridade penal

Confiram algumas intervenções durante os debates que se travaram ontem à noite, no plenário da Camara, na sessão em que rejeitou a PEC não passou na Câmara:

“A reincidência entre os que cumprem pena no sistema prisional é de 70%, enquanto a reincidência entre os que cumprem medida socioeducativa é de apenas 36%” (Arnaldo Jordy - PPS-PA) - na foto ao lado.

"Não posso deixar aqui de pedir o apoio dos que ainda estão em dúvida sobre esse tema tão importante. Senhoras e senhores, não vamos ignorar a voz das ruas. Quase 90% da população do nosso país é declaradamente favorável à redução da maioridade penal." (Keiko Ota - PSB-SP), que perdeu um filho assassinado em 1997.

“O povo está pedindo a redução, [os brasileiros] querem isso, e eu tenho absoluta certeza de que alguma coisa precisa ser feita” (Delegado Edson Moreira - PTN-MG)

“Nós somos legisladores, não vingadores. É uma medida ineficaz e atinge a população pobre, negra e excluída.” (Ivan Valente - PSOL-SP)

“Criança brinca, criança não mata” (Alberto Fraga - DEM-DF)

"A solução é a escola de tempo integral" (José Guimarães - PT-CE)

“Votar a favor da redução é atender aos interesses da população e não deste governo, que não faz nada pela criança” (Vinicius Carvalho - PRB-SP)

“O ECA é fraco, não pune, tanto é que, após atingir a maioridade penal, esse marginal sai com ficha limpa independentemente dos crimes bárbaros que tenha praticado” (Capitão Augusto - PR-SP)

“Vamos votar PEC para redução de maioridade penal para crimes contra a vida. Não estamos dando carteira de motorista para ninguém nem autorizando venda de bebidas alcoólicas porque não somos irresponsáveis.” (Andre Moura - PSC-SE)

“Quero perguntar aos que me ouvem se essas pessoas que cometeram esses crimes merecem conviver na sociedade como menores inimputáveis? Na realidade de hoje, é impossível fazer essa defesa.” (Jutahy Junior - PSDB-BA)

“Essa proposta não pode ser aprovada Essa proposta poderá colocar os mais jovens no caminho dos crimes, das drogas e da pedofilia.” Sibá Machado - PT-AC)

O "pixuleco". Mas que nome fofo esse!


Olhem só.
Está em "Veja" desta semana.
"Pixuleco".
Era assim que João Vaccari Neto, esse cândido, chamava as propinas que recebia.
Não é, como se diz agora, um fofo?
Hehehe.

Arautos atuais da pior crise



Há que se ter muita paciência com o frágil gerenciamento que esse governo nos propõe. É necessária muita cautela na avaliação de situações ruins. Apesar de estarmos diante de uma supercrise, de dimensionamento muito maior do que nos foi antecipada, não podemos ter ainda a informação da capacidade devastadora que esse impacto terá no nosso futuro. Estamos sendo arrastados para o interior de um tornado e essas avaliações não podem ser analisadas de chofre. Nosso futuro está na dependência das lentes históricas que utilizamos.
Nosso futuro, no momento, sem perspectiva, é um retrocesso inegável. Esse governo que aí está tinha tudo para sequenciar um tempo mais longo de crescimento econômico e, por uma combinação de erros primários e uma ganância política desmedida, pôs tudo a perder. Mas se pensarmos, porém, no horizonte das décadas e séculos, é preciso pensar e reconhecer que, apesar do partido do governo, o país está crescendo institucionalmente. O que nos deixa atônitos é que, como vivemos e pensamos na escala dos anos e não no tempo histórico, os avanços mal são percebidos.
A que ponto chegou quando, internamente, governos passado e atual não mais se entendem, acabou mesmo a “lua de mel” interminável, hoje totalmente deteriorada, a ponto de aliados do ex-presidente atribuírem às críticas e reclamações dirigidas à presidente da República como sinal de indignação com a tentativa do governo de se descolar das acusações de corrupção que resvalam no ex-presidente na Operação Lava Jato. Para os seguidores do ex-presidente, o Planalto tenta restringir a responsabilidade pelos desvios ao governo anterior para evitar a contaminação e seus interlocutores dizem que ele está “órfão” e que sua sucessora não protege quem a colocou lá.
A crise instalada traz ao governo sinais de instabilidade. O ministro Joaquim Levy parece não saber mais o que fazer: a seu respeito, tudo se passa em sussurros. As áreas que esperavam regozijar-se com a nova política econômica do governo, aumentam muito os sinais confiáveis de uma inquietação já vista em ocasiões um tanto distantes, quase esquecidas, mas de fins conhecidos. A coisa não está só um tantinho braba e distante de percepções públicas, dissemina-se entre empresários importantes a desconfiança se não mais de que Levy não é o homem certo no lugar certo. Quando foi escolhido para a Fazenda, perceberam que exalava ausência de efusividade empresarial. Os indicadores negativos estão acelerados, há inquietação, sim. Falta a Levy o controle sobre o fundamental. Há o temor de uma quebradeira, que se insinua nas demissões em massa, diminuição dos turnos de trabalho, desemprego e inflação crescentes etc.
Para acabar de melar de vez o governo, desde o avançar do galope inexorável das investigações da Lava Jato, surge a ameaça de derrubar a República. Na operação que terminou com a prisão do empresário Marcelo Odebrecht, seu pai, Emílio Odebrecht, manda um recado ao governo: “Terão de arrumar mais três celas: uma para mim, outra para o Lula e outra ainda para Dilma”. Esta operação estava preparada meticulosamente, há meses, pelos procuradores e delegados do Paraná, em parceria com a PGR. Essa operação, ainda quando era um plano, chamava-se “Operação Apocalipse”. Para não assustar tanto, optou-se por batizá-la de Erga Omnes, expressão em latim, um jargão jurídico usado para expressar que uma regra vale para todos - ou seja, que ninguém, nem mesmo um dos donos da quinta maior empresa do Brasil, está acima da lei.
Não há como determinar com certeza se o patriarca dos Odebrechts ou seu filho levarão a cabo as ameaças contra Lula e Dilma. Mas eles metem medo nos petistas por uma razão simples: a Odebrecht se transformou numa empresa de R$ 100 bilhões graças, em parte, às boas relações que criou com ambos. Se os executivos cometeram atos de corrupção na Petrobras, é de supor que tenham o que contar contra Lula e Dilma.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ela disse


"Eu não respeito um delator, até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora, a ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês: eu resisti bravamente e até em alguns momentos fui mal interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem de resistir porque, senão, você entrega. Não respeito nenhum, nenhuma fala."
Presidente Dilma Rousseff, desqualificando o conteúdo das informações prestadas por Ricardo Pessoa, da UTC, no âmbito de colaboração premiada sobre o escândalo do petrolão.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Pausa

O Espaço Aberto passa por manutenção.
Agradecemos a compreensão dos leitores.
Mas passagem no perfil do blog no Facebook. Lá tem sempre postagens.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Segup diz que laudo sobre morte de servidora federal ainda não está concluído

A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou que não têm a menor procedência informações que circulam em mensagens trocadas por celular entre policiais militares, de que um laudo do Centro de Perícias Técnicas Renato Chaves, já concluído, teria apontado que os tiros que mataram a servidora pública federal Dayse do Socorro de Almeida e Cunha (ao lado) partiram das armas dos bandidos que a tomaram como refém, e não dos armamentos de PMs que perseguiam os assaltantes.
"A Divisão de Homicídios da Polícia Civil deve concluir o inquérito em dez dias e para isso aguarda o laudo do local de crime. Somente após esse prazo, a Polícia Civil poderá se manifestar quanto sobre as responsabilidades relacionadas ao fato em questão", informou nota enviada ao Espaço Aberto pela Segup, após ser questionada pelo blog se as informações tinham procedência.
As conversas, conforme aqui se informou na postagem Tiros que mataram servidora teriam partido de arma de bandido, se disseminaram na noite desta quinta-feira, entre PMs que participam de grupo pelo aplicativo WhatsApp.
"Ei galera, os tiros que mataram a irmã daquele cel [coronel] não saiu da arma dos polícia (sic), e sim do vagabundo. Saiu hoje (ontem, quarta-feira) o laudo da perícia", informou um dos participantes do grupo. O coronel mencionado é André Cunha, titular da Superintendência do Sistema Penal do Estado (Susipe).
Deyse Cunha, 54 anos, foi morta na madrugada do dia 30 de abril no bairro da Terra Firme - considerado uma das zonas vermelhas de Belém -, no curso de um sequestro que começou na Pedreira. Servidora da Receita Federal lotada na alfândega do Aeroporto Internacional de Belém, ela foi abordada em seu carro por quatro homens armados, que começaram a circular por vários bairros de Belém. PMs perceberam o sequestro e começaram a perseguir o carro em que estavam os bandidos e a sequestrada.
A perseguição terminou na passagem Nossa Senhora das Graças, no bairro da Terra Firme, quando o carro colidiu com um poste. Três suspeitos conseguiram fugir, um foi preso e encaminhado para a Seccional de São Brás. Posteriormente, todos os bandidos foram capturados.
A vítima foi encontrada morta no banco de trás do veículo. Avaliação preliminar de peritos indicam que Dayse foi baleada duas vezes e que os tiros vieram de fora para dentro do carro, que passou por perícia, assim como as armas dos policiais e dos bandidos.

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Sabem Belém? Diante de São Luís, está uma Paris.


Vocês aí – e nós aqui, hehehe –, que reclamam de Belém, façam o favor de dar um pulinho na terra do Sarney para verem como é que está por lá.
Vão à capital da terra do Sarney pra ver como Belém está um brinco, uma lindeza, uma fofura. Quase uma Paris.
Capital da terra do Sarney, vocês sabem, é a agradável São Luís.
Pois é.
Leitora aqui do Espaço Aberto esteve lá, na semana passada.
Ficou hospedada durante um final de semana nesse recanto paradisíaco, a Ponta do Farol, bairro dos, digamos assim, bem postos na vida, dos endinheirados que residem na capital maranhense.
Hóspede do Hotel Luzeiros, que aparece acima, na imagem do Google Maps, a leitora conclui sem meias palavras, comprovando o que tantos ludovicenses (sim, que nasce lá é ludovicence) já haviam dito a ela: São Luís está abandonada, desprezada, esburacada, imunda, desfigurada pela incúria administrativa.
As ruas estão todas esburacadas. E tanto é assim que os próprios moradores da capital já apelidaram o asfalto de “Sonrisal”, aquele que se desfaz com a primeira chuvinha.
Há lixo em toda parte.
A sujeira impera.
Não fosse o conforto do Hotel Luzeiros e a visão deslumbrante que se descortina para os horizontes, a leitora, que já esteve muitas outras vezes na capital do Maranhão, teria voltado correndo pra Belém.
Então, é assim: você quer falar mal de Belém?
Pois vá para a capital da terra do Sarney que logo, logo você vai achar que Belém está uma Paris.
Com todo o respeito, é claro.

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Peticionamento eletrônico em autos físicos será suspenso a partir de hoje


A Justiça Federal em toda a 1ª Região, que abrange o Pará e demais Estados da Região Norte, além de Mato Grosso, Maranhão, Piauí, Goiás, Bahia, Minas Gerais e Distrito federal, não mais aceitará que advogados encaminhem petições eletrônicas relativas a processos que estejam tramitando em autos físicos tanto no Tribunal Regional Federal, com sede em Brasília (DF), como nas seções e subseções judiciárias, em funcionamento nas capitais e em municípios do interior, respectivamente.
A suspensão do peticionamento eletrônico em autos físicos, ou seja, aqueles formados por papéis e outros dados materiais, começaria inicialmente a partir de segunda-feira 15 de junho, conforme a Resolução Presi 20 (veja a íntegra), assinada no dia 2 de junho passado pelo presidente do TRF da 1ª Região, desembargador federal Cândido Ribeiro. Mas uma nova Resolução, a Presi 22, prorrogou o prazo para o dia 19 de junho. No caso do Pará, a medida vale para a Seção Judiciária, em Belém, e para as Subseções de Santarém, Marabá, Altamira, Castanhal, Paragominas, Tucuruí, Redenção e Itaituba.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região adotou a medida em decorrência do aumento considerável de despesas com materiais como papel e toner para impressoras instaladas em dependências da Justiça Federal, além dos gastos crescentes com manutenção de equipamentos, utilizados intensamente para a impressão de petições e anexos protocolados eletronicamente direcionados a autos físicos.
A resolução assinada pela Presidência do Tribunal justifica ainda que “o peticionamento eletrônico em relação aos processos físicos também causa prejuízo aos jurisdicionados, em face do acúmulo de petições para digitalização, que reduz a celeridade do processamento e julgamento dos feitos”.
“O processo de materialização de documentos eletrônicos inibe, inclusive, a adoção de procedimentos ambientalmente corretos – redução de impressões e consumo de energia elétrica –, comprometendo o posicionamento da Justiça Federal da 1ª Região no cumprimento da responsabilidade socioambiental determinada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)”, reforça a resolução assinada pelo desembargador federal Cândido Ribeiro.

A lama em campo

Por Por Walter de Mattos Junior, no Observatório da Imprensa
Felizmente chegou a hora. São muitos anos, na verdade são décadas de um processo de corrupção no futebol, anos nos quais, principalmente aqui no Brasil, a CBF foi dominada por gente que, além de tudo, nem gostava de futebol e montou um esquema que parece muito com os escândalos do Brasil. Tem um operador do sistema, que era o J. Hawilla. Ele intermediou vários contratos e essa intermediação, no caso da CBF e da Conmebol, sempre tinha padrinhos que precisavam ser presenteados quando ele fazia os acertos. Isso já se sabia, mas não se tinha provas. Felizmente apareceu o Departamento de Justiça americano através do seu braço investigativo, o FBI, que se interessou pelo assunto.
É óbvio que ninguém faz nada desinteressadamente. Os Estados Unidos ficaram muito incomodados, assim como a Inglaterra, com o processo eleitoral que levou à decisão da Copa de 2018 e 2022 para a Rússia e para o Catar, e usaram o que a territorialidade deles dava direito: várias dessas transações corruptoras foram feitas com bancos americanos, nos Estados Unidos, e envolvendo, por exemplo, no caso da Nike, uma empresa americana.
É de muito animar, no caso do Lance!, que há quase 20 anos vem brigando e se opondo a essa quadrilha que tomou conta do futebol brasileiro, que, enfim, a justiça seja feita. Há que se lamentar, como muita gente já se lamentou, que não tenha sido a nossa Polícia Federal, que agora diz que está investigando há muitos anos, [ou] que não tenha sido nosso Judiciário, que teve oportunidades e […] encobriu muitas ações judiciais [contra] Ricardo Teixeira. Aqui, por exemplo, nós tivemos 16 ações judiciais do Teixeira contra nossa empresa ou contra jornalistas [do Lance!], até ações pessoais contra mim. E o Ricardo Teixeira levava desembargadores em viagens, uma total indecência se você pensar na isenção que o Judiciário deve ter. Mas chegou a hora e a gente espera que não pare por aí.
Contrato suspeito
Eu não tenho dúvidas em apontar que, por exemplo, a Folha de S.PauloO Estado de S.Paulo mais recentemente, o jornal O Globo e este Lance! entre os veículos que mais se opuseram a este estado de coisas e foram os mais críticos. Nós aqui, por exemplo, além das ações judiciais, durante anos fomos prejudicados na cobertura, não sendo chamados para exclusivas pelo assessor de imprensa e comunicação [da CBF] Rodrigo Paiva, que discriminava claramente a mando de seu chefe, a quem ele servia, nas viagens [e nas] coletivas. Fora uma perseguição no site e tudo o que eles faziam contra o Lance!.
Há veículos menores que se aliam, infelizmente, [e] fazem o jogo do poder. As Organizações Globo, no seu braço televisivo, durante muitos anos, na minha avaliação, foram muito condescendentes com o poder da CBF, foram muito flácidos no sentido de não perseguir – com a qualidade que o jornalismo da TV Globo tem – as possibilidades de fazer pautas investigativas e coisas que eles fazem tão bem na política, por exemplo.
Eu vejo, felizmente, de um tempo pra cá, na nova direção de jornalismo da Globo uma mudança de postura, mas durante muitos anos foi um jornalismo muito amigável a esses corruptos do futebol que eles, sem dúvida, sabiam que não estavam fazendo as coisas corretamente. Mas prevaleceu o espírito do espetáculo e o jornalismo investigativo, que eles são tão competentes para fazer quando se trata de outros campos da sociedade, no esporte parece que isso ficou relegado a um segundo plano.
Vou contar um caso que é bem revelador. A CBF fez o que pôde para asfixiar o Lance! com relação aos seus patrocinadores e com relação a outros ambientes do futebol. Quem se aproximava da gente virava automaticamente persona non grata na CBF. Eu me lembro de dois casos que são ilustrativos, e não um só.
O ex-presidente Juvenal Juvêncio uma vez me conta que o Ricardo Teixeira ligou para ele, num sábado de manhã, porque tinha lido uma nota [informando] que Juvêncio tinha se recusado a falar com o Lance! porque estava aborrecido com alguma coisa. E ele ligou para manifestar o seu apoio, dizendo que realmente ele não devia falar com o Lance!. Então, era desse tema mais insignificante, tentando mandar o sinal para os presidentes de clubes, que não deveriam se aproximar da gente, até, por exemplo, a Nike, que durante anos, mais de uma década, ficou proibida de ter qualquer relacionamento comercial com o Lance!. Felizmente, de dois anos para cá isso foi relaxado, desde que o Ricardo saiu, mas teve uma reunião que chegou a ser marcada e um emissário do Ricardo Teixeira, meu conhecido, ligou e falou: “Olha, o Ricardo pode desfazer o veto, basta que vocês se sentem à mesa com ele e com o presidente da Nike”. E eu disse que isso não poderia de modo algum ser vinculado, e continuamos assim. Eu me surpreendi muito que uma empresa do tamanho da Nike, com [esse] poderio, tivesse se curvado – o que mostra como o futebol e a Seleção Brasileira tiveram força.
O Brasil, na realidade, foi o primeiro ativo importante que a Nike conquistou no mundo do futebol. A Adidas já tinha a FIFA e a Nike fez de tudo para entrar na Seleção Brasileira. O que agora parece [estar] comprovado foi que [por intermédio] do J. Hawilla é que se fez um processo com altas comissões para que [a Nike] pegasse esse contrato depois da Copa de 1994.
Agarrado ao poder
Esse caso da retransmissora, das afiliadas que o J. Hawilla tem, acho que virou um grande problema para a Rede Globo resolver – além de tudo, o Ministério das Comunicações. Mas isso acaba de acontecer, e eu não imagino que possa permanecer dessa maneira. Eu imagino que alguma solução terá que ser dada para que essa concessão [troque] de mãos. Imagino que dentro da Globo isso tenha virado um tema prioritário e que eles estejam buscando uma solução o mais rápido possível.
Nós já temos os elementos para que isso se torne intolerável. Segundo o relatório do FBI, você tem dois co-conspiradores, o número 11 e o número 12, e todos os indícios são de que seriam o Ricardo Teixeira e o [Marco Polo] Del Nero. E eu não sei por que, não sou conhecedor dos trâmites, mas não entendo por que o Del Nero não foi detido na Suíça. Suponho que o FBI não tinha ainda reunido o conjunto de provas que julga necessário para fazer uma extradição. O Ricardo Teixeira hoje é um foragido no seu próprio país. Ele voltou rapidamente para o Brasil, porque julga que aqui ele estará mais protegido. A sociedade brasileira tem se mostrado muito benevolente com esse tipo de coisa. Parece que nós vivemos uma época em que se aceita quase tudo na política e o futebol é um reflexo da forma como a nossa sociedade se comporta.
Há uma revolta muito grande, há agora um escancaramento dos fatos. Eu torço [pela] comprovação do envolvimento do Del Nero. Não pode ninguém acreditar no que ele está dizendo, que não sabia de nada, que em 11 anos de futebol nunca viu nada suspeito, nada de errado, que só entrava nas reuniões com o [José Maria] Marin para ser uma testemunha, mas que nunca presenciou nada de errado. Isso tudo não é crível, mas a gente vai precisar que apareça alguma prova, alguma evidência para que ele seja retirado do posto.
Sob o ponto de vista da suspeição, não há dúvida. Ele, se tivesse uma dignidade maior, deveria se afastar do cargo, porque agora a própria presidência dele é uma presidência desmoralizada. Mas essa gente luta até quando pode para se agarrar ao poder. A minha aposta é que a gente vai ter mudanças, mas isso não é uma certeza, é mais uma expectativa do que confiar que essas mudanças vão vir pelo menos na rapidez que a gente quer. Tomara que o Tio Sam acelere as coisas.
***
Walter de Mattos Jr é diretor do Grupo Lance!, que edita o diário esportivo Lance!

O que ele disse


"Muita gente fuma no aeroporto e joga as bitucas no chão. Nunca vi ninguém sendo multado por lá. Acho que me usaram para divulgar a lei. Mas fiquei bem quietinho, porque estava mesmo errado. Às vezes, a gente não se liga para essas coisas".
Celso Kamura, cabeleireiro que cuida das madeixas de algumas das mais brasileiras mais famosas, entre elas a presidente Dilma Rousseff, após ser multado por jogar bituca de cigarro no chão do aeroporto Santos Dumont, no Rio.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Tiros que mataram servidora teriam partido da arma de bandido

A conferir.
Policiais militares que participam de grupos pelo aplicativo WhatsApp começaram a espalhar intensamente, na noite desta quinta-feira, a informação de que os tiros que mataram a servidora pública federal Dayse do Socorro de Almeida e Cunha (ao lado), na madrugada do dia 30 de abril deste ano, não teriam sido disparados por PMs, como inicialmente se suspeitou, mas de um dos bandidos que sequestraram a vítima no bairro da Pedreira.
"Ei galera, os tiros que mataram a irmã daquele cel [coronel] não saiu da arma dos polícia (sic), e sim do vagabundo. Saiu hoje (ontem, quarta-feira) o laudo da perícia", informou um dos participantes do grupo. O coronel mencionado é André Cunha, titular da Superintendência do Sistema Penal do Estado (Susipe).
Deyse Cunha, 54 anos, foi morta no bairro da Terra Firme - considerado uma das zonas vermelhas de Belém -, no curso de um sequestro que começou na Pedreira. Servidora da Receita Federal lotada na alfândega do Aeroporto Internacional de Belém, ela foi abordada em seu carro por quatro homens armados, que começaram a circular por vários bairros de Belém. PMs perceberam o sequestro e começaram a perseguir o carro em que estavam os bandidos e a sequestrada.
A perseguição terminou na passagem Nossa Senhora das Graças, no bairro da Terra Firme, quando o carro colidiu com um poste. Três suspeitos conseguiram fugir, um foi preso e encaminhado para a Seccional de São Brás. Posteriormente, todos os bandidos foram capturados.
A vítima foi encontrada morta no banco de trás do veículo. Avaliação preliminar de peritos indicam que Dayse foi baleada duas vezes e que os tiros vieram de fora para dentro do carro. O carro da servidora assassinada ficou de passar por perícia.
Mas, segundo os PMs sustentam pelo WhatsApp, os tiros teriam partido mesmo do revólver de um dos bandidos.
A conferir.

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Favoritismo de Éder Mauro ainda não desperta atenção


Lideranças partidárias - algumas - garantem que não merece a mínima atenção, neste momento, aferições como a feita pelo Doxa, que coloca o deputado federal Delegado Éder Mauro em primeiro lugar na corrida para prefeito de Belém.
A percepção geral é de que não há sequer pré-candidaturas lançadas, a não ser a do prefeito Zenaldo Coutinho, que é candidato natural de seu partido, o PSDB, nas eleições de outubro do ano que vem.
Mas até mesmo os céticos admitem o seguinte: se passar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, o que fatalmente deve acontecer, e com o aumento dos clamores pelo combate à violência, é possível que Éder Mauro (na foto), integrante da chamada bancada da bala no Congresso, ganhe maior visibilidade.
Isso não o credenciaria a ganhar a cara de imbatível nas eleições do próximo ano, mas certamente permitiria ao parlamentar aspirar mais concretamente a uma eventual candidatura a prefeito de Belém.
Na pesquisa Doxa, a primeira sobre sobre a disputa eleitoral de 2016, o deputado federal Edmilson Rodrigues também aparecer bem colocado, em segundo lugar. No levantamento espontâneo, em que não se apresenta nenhum nome ao eleitor entrevistado, Eder Mauro tem 20,3% das intenções de voto, seguido por Edmilson (14,4%) e do radialista Jefferson Lima. Em quarto, aparece o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS). O tucano Zenaldo Coutinhoé o quinto e Duciomar Costa (PTB), que governou a Capital por dois mandatos, aparece em sexto.
Na aferição estimulada, em que os entrevistados têm acesso aos nomes dos pré-candidatos, Eder Mauro permanece em primeiro, com 26,5%, e Edmilson em segundo, com 16,7%. Jordy salta para terceiro, com 7,9%. Em quarto, Jefferson Lima, com 7,6%. Zenaldo Coutinho e Duciomar estão empatados em quinto lugar, respectivamente com 47% e 4,6%.
Quanto ao índice de rejeição geral dos pré-candidatos, Duciomar aparece em primeiro lugar com 29,9%, seguido de Jefferson Lima, 13,1%, e Edmilson Rodrigues, 12,4%. Zenaldo Coutinho é o quarto com maior índice de rejeição, aparecendo com 9,6%. Eder Mauro é o quinto colocado em rejeição, 3,2%. Sexto aparece Bordalo e sétimo Arnaldo Jordy.

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Comissão aprova redução da maioridade penal em crimes hediondos

Bessa, que já foi delegado de polícia, defendeu a
redução mais abrangente da maioridade penal
Por 21 votos a 6, foi aprovado nesta quarta-feira  (17) o relatório do deputado Laerte Bessa (PR-DF) na comissão especialque analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.
A votação ocorreu quatro horas e meia após o início da reunião. Foi aprovado também, em votação simbólica, umdestaque do deputado Wewerton Rocha (PDT-MA) que aperfeiçoa a estrutura do sistema socioeducativo.
Penas
Bessa alterou o texto para prever que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos ocorra apenas nos casos de crimes hediondos (como estupro, latrocínio e homicídio qualificado), lesão corporal grave, lesão corporal seguida de morte e roubo agravado (quando há sequestro ou participação de dois ou mais criminosos, entre outras circunstâncias). O relator ressaltou que esses são os crimes que geram maior "clamor" na sociedade.
De acordo com o texto, a pena dos adolescentes será cumprida em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos e dos menores inimputáveis.
O relator, que já foi delegado de polícia, disse ser favorável a uma redução mais abrangente da maioridade penal e explicou ter cedido apenas para atender acordos políticos. "Minha convicção não é só baixar de 18 para 16. Eu queria pegar mais um pouco, uma lasca, desses menores bandidos, criminosos, que estão agindo impunes hoje, no país. Posso dizer de cadeira porque enfrentei bandidos perigosos por 30 anos e grande parte era menor de idade. Ressalvando a minha posição pessoal, fui convencido da necessidade de realizar alguns ajustes a fim de que se obtenha um texto que contemple as diversas posições políticas presentes nesta Casa, sem, com isso, deixar de atender os anseios da sociedade brasileira pela justa punição criminal dos adolescentes em conflito com a lei".
Votação
Orientaram favoravelmente à redução da maioridade penal partidos como PMDB, PSDB, DEM, PR, PP e PTB, e foram contra PT, PSB, PPS, PDT e PCdoB.
Durante a discussão da proposta, os deputados apresentaram uma série de argumentos contra e a favor da redução da maioridade penal. Para o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), a comissão tomou uma "decisão emocional e de populismo penal", influenciada apenas pelas pesquisas que apontam apoio majoritário da população à punição aos adolescentes que cometem crimes.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) reclamou ainda da pressa da comissão em votar a matéria, quando ainda restavam 14 sessões para a conclusão dos trabalhos. "Essa PEC representa a criminalização da juventude e é uma falsa promessa de fim de violência", afirmou.
Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Deputados comemoram a aprovação da PEC 171/93 da Maioridade Penal
O resultado foi muito comemorado pelos integrantes da Frente Parlamentar da Segurança Pública.
Por outro lado, o deputado Delegado Edson Moreira (PTN-MG) disse ter colocado terno novo para comemorar a aprovação da PEC e o "direito à vida", já que prefere ver "jovens no fundo das cadeias do que os cemitérios cheios de pessoas honestas e pagadoras de impostos".
O resultado foi muito comemorado pelos integrantes da Frente Parlamentar da Segurança Pública. Por outro lado, imediatamente após o anúncio da aprovação, manifestantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), contrários à proposta, voltaram a gritar palavras de ordem e reiniciaram um apitaço no corredor das comissões.
Os deputados favoráveis à PEC saíram da reunião em direção ao Salão Verde e ao Plenário da Câmara cantando “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, e o Departamento de Polícia Legislativa teve muito trabalho para evitar um confronto com os estudantes, que responderam gritando “fascistas, racistas, não passarão”.
O primeiro turno de votação da proposta  no Plenário da Câmara está marcado para o dia 30 de junho.

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Charge - Duke


O que ele disse


"Não era um debate. Era uma entrevista. Não cabia a mim rebater a presidente a cada momento. Eu fiz as perguntas que precisavam ser feitas. Agora, se as respostas não agradaram, o problema é de quem ouviu. Como escreveu o [ator] Otavio Martins no Facebook, esse pessoal é capaz de querer a recontagem dos gols da Alemanha [risos]. O que começou a me irritar foi essa conversa de 'Fora Dilma'. Como? Ela é a presidente da República. Ela foi eleita. Ela não é um técnico de futebol. O país está dividido, mas não é por isso que vou deixar de entrevistar a presidente."
Jô Soares, humorista, escritor e apresentador, se defendendo das acusações de que a entrevista com a presidente Dilma Rousseff teria sido chapa branca.