domingo, 24 de janeiro de 2021

Bolsonaro é louco?

Admitamos: essa é a pergunta que todos nós, ou melhor, que muitos de nós fazemos a cada dia, o dia todo, seja para os outros, seja para nós mesmos.
E esse não é, não, um questionamento desarrazoado, desajuizado, impertinente, exagerado ou impregnado por preconceitos ideológicos, sejam quais forem.
Os fatos - e contra os fatos, não esqueçam, ninguém deve brigar, a menos que o ninguém seja um louco - ensejam nossas perplexidades, nossas dúvidas, exasperações, indignações e repulsas, quando vemos um homem como Bolsonaro sequer demonstrar um pingo, uma réstia de compaixão por mais de 200 mil pessoas que já morreram no País vítimas de uma pandemia horrorosa.
Por isso, vale a pena ler o artigo abaixo, do sempre polêmico, instigante e fundamentado - ainda que dele se possa discordar, é claro - Hélio Schwartsman, disponível na edição deste domingo (24) da Folha de S.Paulo.
Vale a pena refletirmos e buscarmos, de alguma forma, uma explicação que nos permita entender, minimamente que seja, o caráter e a personalidade desse cidadão.
Um cidadão que pode até não ser louco, conforme critérios científicos da psiquiatria.
Mas, quase sempre, parece que é.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Jacaré evita a vacina para não virar Waldir Ferraz

Espiem só.

A nota está na coluna Radar, da nova edição de Veja que começou a circular nesta sexta (22).

Pelo visto, Jacaré não vai tomar vacina porque tem medo de virar Waldir Ferraz.

É o que parece!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Com Biden, voltamos à normalidade. Mas parece que até a normalidade já virou meio anormal.



Vejam vocês o que estes tempos anormais fazem com a gente.
Hoje vivemos um momento histórico: a posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, sucedendo a um maluco que agora começa a mofar nos porões da história.
Com Biden, que tem como vice Kamala Harris - a primeira mulher, e negra, a exercer esse cargo -, voltamos à normalidade.
Mas, sério mesmo, pra mim essa normalidade, que se reinaugura com Biden presidindo a maior potência do planeta, já é muito esquisita.
É uma normalidade meio que anormal.
Depois de quatro anos de tanta maluquice, de tanto fanatismo, deboche e negacionismo, como foram os anos Trump, voltarmos à normalidade agora é uma bênção.
Mas precisamos ainda deixar a ficha cair para nos conscientizarmos que voltamos a viver tempos normais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Aprenda com o Butão, Pazuello. Aprenda com o Afeganistão, Bolsonaro.

Olhem só uma imagem do Butão. Se você quer vacina indiana, vá pra lá. Porque, por aqui,
tudo dependerá de Bolsonaro, Pazuello e Ernesto Araújo aprenderem como se negocia.

Vejam só como são as coisas.

O Antagonista informa, citando como fonte a Chancelaria indiana, que amanhã, quarta-feira (20), a Índia mandará vacinas para Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Myanmar e Seychelles. Na sequência, em data a ser definida, serão abastecidos Sri Lanka, Afeganistão e Ilhas Maurício.

E o Brasil?

Nadica de nada.

O Brasil, de acordo com o site, integra uma lista de 69 países que aguardam receber vacinas da Índia, mas deixou de ser prioridade. Fontes diplomáticas indianas afirmam que a atuação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, é comparável a “um elefante numa loja de cristais”.

Araújo, não esqueçam, é um dos fanáticos de maior destaque do governo Bolsonaro.

Entre outros feitos, ele já chegou a dizer que o nazismo é de esquerda e permitiu-se o desplante de passar um pito na China, depois que o regime chinês mostrou-se exasperado com postagens debochadas de Eduardo Bolsonaro.

Pois é.

Enquanto ficamos chupando os dedos à espera da vacina indiana, em meio a uma tragédia que se agrava a cada dia, outros países já têm data para receber o imunizante fabricado na Índia.

Aprenda com o Butão, Pazuello.

Aprenda com o Afeganistão, Bolsonaro.

Aprenda com as Maldivas, Ernesto Araújo!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Pazuello já encontrou seu novo marqueteiro: João Doria

Doria com a enfermeira Mônica Calazans: o tucano dirigiu seu próprio show de marketing

Pazuello: sentado, duro, tenso, teso, empaletozado. E o marketing? Procure o Doria, Pazuello.

O governo Bolsonaro procura, urgentemente, um marqueteiro para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
O ministro Pazuello, mais urgentemente ainda, está à procura de um marqueteiro para si mesmo.
Até agora, só um nome de marqueteiro acode à lembrança de Bolsonaro e Pazuello: João Doria, governador de São Paulo.
Doria, goste-se dele ou não, empregou - a seu favor, é claro - todas as boas lições do marketing político.
Fez tão bem que, se bobearem, acabaremos acreditando que ele, Doria, pesquisou, organizou os testes, testou-se, produziu, aprovou, importou, está fabricando e ainda vai aplicar a vacina contra a Covid em todos os brasileiros. Tudo isso sozinho, ressalte-se.
No evento que marcou o início da vacinação em São Paulo, neste domingo (17), Doria esteve impecável como marqueteiro de si mesmo.
Não deixou que ninguém dirigisse seu show: ele próprio o dirigiu.
Escalou - oportunamente, acertadamente e merecidamente - uma enfermeira, negra, atuando na linha de frente no combate à Covid, para ser a primeira pessoa a receber a vacina.
Doria funcionou como mestre de cerimônias.
Tinha ao lado cientistas e técnicos - quase todos da área de Saúde.
O proprio Doria anunciava os jornalistas e indicava quem iria responder às perguntas.
Estavam - ele e os participantes da efeméride - trajados informalmente, com leveza. E todos envergando a mesma blusa, com menção explícita ao Butantan e, portanto, dando prevalência à instituição científica envolvida com a vacina.
Doria deixou a cargo de auxiliares testemunharem, de viva voz, as mentiras do governo Bolsonaro sobre a vacina. Mentiras disseminadas por Pazuello, é claro.
O governador esteve tão à vontade que, no dia D, na hora H, não hesitou em dizer claramente que Pazuello mentiu sobre a vacina. Por extensão, chamou o próprio governo Bolsonaro de mentiroso.

O marketing da tragédia

E Pazuello, como se portou?
Estava duro.
Estava tenso.
Tenso e teso.
Estava visivelmente nervoso.
Sentado.
Empaletozado.
Claramente irritado.
Em meio a tudo isso, ainda se permitiu disseminar mentiras (como a de dizer que o governo federal investiu R$ 80 milhões para a produção da vachina que seu chefe, Jair Bolsonaro, sempre desprezou e da qual tanto tem debochado).
Tem mais: sem saber o que dizer, Pazuello foi cair na besteira de criticar o que classificou de "jogada de marketing" do governador paulista.
Com isso, o ministro matou a bola no peito, arriou-a no gramado e fez um passe açucarado para Doria marcar o gol. E o gol foi Doria dizer que o governo Bolsonaro, em vez de golpe de marketing, tem promovido "golpe de mortes".
Hehe.
Depois dessa tragédia toda, protagonizada por Pazuello, o que estará fazendo o marketing político do ministro da Saúde?
Provavelmente deve estar, a esta altura, procurando João Doria para ser o marqueteiro - de Pazuello e do governo Bolsonaro.
Se vocês encontrarem João Doria antes, indiquem-no ao marketing político de Pazuello, que, por sua vez, poderá encaminhá-lo ao ministro. Urgentemente.

Por que os bons morrem? Por que os bons como Cláudio-Epaminondas têm que morrer?



Por que os bons têm que morrer.
Por que é preciso fenecer a vida dos que são bons?
Por que morre uma pessoa como Cláudio Rendeiro?
Eu soube de sua morte por volta das 7h30 desta segunda-feira através de uma amiga, que me pediu para não divulgar de imediato essa perda horrível. Mais uma perda decorrente da Covid-19.
Era preciso esperar um pouco.
Cláudio Rendeiro com os filhos: legado de cidadania,
de bons exemplos e de muito humor
Estou divulgando apenas agora, quase cinco horas depois.
Nessas ocasiões, esse é o lapso  mínimo de tempo necessário para que possamos refletir sobre a finitude da vida e, afinal, sobre por que os bons têm que morrer.
Não conheci Cláudio Rendeiro pessoalmente. Mas aprendi a admirá-lo no personagem que ele passou a encarnar, Epaminondas Gustavo, o caboclo paraense, com seu linguajar próprio, marcante e único, com seu jeito de ser hospitaleiro, verdadeiro, despachado e de muita sabedoria.
A mesma amiga que me informou sobre a partida de Cláudio-Epaminondas mandava-me, com frequência, seus áudios matinais, disseminado entre grupos de fãs que ele tinha no WhatsApp.
Eram áudios com bons dias temperados com muito bom humor e otimismo. Impossível não compartilhá-los com amigos.
Pessoalmente, tive a ventura de vê-lo pessoalmente em duas oportunidades.
A primeira, em maio de 2018, na Justiça Federal, num stand up de Epaminondas no encerramento de evento que reuniu oficiais de Justiça.
A segunda foi em outubro, também em 2018, quando assisti, no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur, ao show Confrenti com Epaminondas, dirigido por meu amigo Ailson Braga.
"Égua, mano. Eu perdi um amigo. E o mundo, o Pará, o Brasil perderam um humorista maravilhoso, um cara sempre feliz, inteligente. E dentro de sua própria área, a magistratura, era um cara muito safo. Estou arrasado. A ficha ainda não caiu direito. Eu jurava que ele ia escapar", disse-me há pouco Ailson, entre lágrimas.
Pois é.
Todos estamos arrasados.
Para todos nós, a ficha ainda não caiu direito.
Todos esperávamos que ele fosse escapar.
Mas não deu.
Não deu para mantermos a companhia física de Cláudio-Epaminondas, de Epaminondas-Cláudio.
Mas temos muitos, incontáveis exemplos que ele nos legou. E assim poderemos cultivar ótimas, positivas e edificantes lembranças suas.
Não temos como deixar de tornar imorredouro  o exemplo de um cidadão que, em mais de 25 anos na magistratura, coordenou o “Começar de Novo”, projeto do Tribunal de Justiça do Pará, promovendo a reinserção social de presos, a fim de prevenir a reincidência da prática de crimes. Também trabalhou na interiorização da Vara de Execução Penal de Penas e Medidas Alternativas em 12 comarcas.
E o artista?
Na pele de Epaminondas Gustavo, Cláudio Rendeiro reuniu elementos da cultura paraense para divertir o público e ajudar a destrinchar, a traduzir o “juridiquês” a qualquer pessoa (assistam ao vídeo acima). Ele chegou a protagonizar campanhas, shows de stand-up, eventos e peças publicitárias, destinando 100% de seu cachê a instituições de caridade.
Por essas e outras lembranças, o tempo é de chorar, sim.
Mas, chorando, devemos festejar o fato de que Cláudio-Epaminondas, chegando ao fim da vida, deixa a todos os paraenses que tiveram a ventura de conhecê-lo um legado precioso que inclui ações de cidadania, gargalhadas e ótimos e divertidíssimos momentos que todos tivemos com ele.
Mas, sinceramente, fica aquela pergunta: por que os bons têm que morrer?

domingo, 17 de janeiro de 2021

Anvisa aprova a "vachina". Já estou reformando meu guarda-roupa. Estou me preparando para virar jacaré!

E por que não um jacaré como mascote da campanha de vacinação do Ministério da Saúde? Mas
convém esperar. Tudo vai depender do marketing político revolucionário que orienta Pazuello.

Enfim, gente!
A área técnica da Anvisa acaba de aprovar o uso emergencial da Coronavac, a vacina do Doria, segundo os doristas, ou a vachina que faz a gente virar jacaré, segundo excelências do conhecimeno que inspiram o cientista Jair Bolsonaro.
Diante dessa notícia alvissareira, quero avisar pra todo mundo que já estou reformando meu guarda-roupa: vou trocar tudo pra me vestir de jacaré.
Porque, como já disse por aqui em postagem anterior, em quero qualquer vacina: a do Doria, a do jacaré, a dos chineses, enfim, quaquer uma. Quero, acreditem, até a vacina do Bolsonaro, desde que aprovada pela Anvisa, é claro, e desde que me assegurem que a gente não vira um idiota depois de receber o imunizante. Porque jacaré, eu até aceito virar. Mas virar idiota, aí não.
O certo é que agora estou aguardando, ansiosamente, pra saber como será o lançamento dessa campanha de vacinação pelo Ministério da Saúde, que há umas três ou quatro semanas orienta-se a partir de novas, criativas e revolucionárias estratégias de marketing.
Como Bolsonaro já rejeitou publicamente a vacina chinesa e depois, por força das circunstâncias, voltou atrás, não duvido que seja ele próprio, o presidente da República, o primeiro a ser vacinado com a vacina do Doria.
E também não me assustarei se, após ser vacinado, Bolsonaro proclame ao mundo algo como: Façam como eu: vacinem-se, porque a gente não vira jacaré e ainda fica imunizado. Eu garanto.
Mas outros me dizem que Bolsonaro pode vacinar-se escondido, para não dar o braço a torcer. Também é possível isso.
Porque de uma sumidade intelectual e moral como Bolsonaro, pode-se esperar tudo, né? Pode-se esperar tudo, inclusive nada.
Pelo sim, pelo não, é melhor aguardarmos a campanha de vacinação a ser engendrada pelo marketing do Ministério da Saúde.
Será, suponho, uma campanha revolucionária.
E quem sabe o mascote da campanha não será um jacaré, gente?
Fica a dica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Reitor da Ufopa acusa críticos de compra de imunizante contra Covid-19 de serem "antivacina"

Do Portal OESTADONET

O reitor da Universidade Federa Oeste do Pará (Ufopa), Hugo Diniz, após mostrar interesse pela comprar junto ao Instituto Butantan de cerca de 10 mil vacinas contra a Covid-19, subiu o tom nas redes sociais nesta sexta(15) para acusar os críticos de sua  polêmica iniciativa de fazerem parte de um movimento antivacina. Leia AQUI

O Portal OESTADONET foi o único veículo da imprensa profissional de Santarém a criticar a compra de vacina para imunização da comunidade acadêmica em desacordo com o calendário do SUS. Leia AQUI e AQUI

 

Na quinta-feira (14), por meio de redes sociais o SINDUFOPA publicou uma nota em que professores da instituição criticam a reitoria da UFOPA e defendem a imunização contra Covid exclusivamente de acordo com o plano nacional de vacinação. (LEIA a nota no final do texto)

 

Hugo Diniz  informou, por meio de postagem nas redes sociais, que “todo movimento anti-vacina é contra as vidas”. 

 

O jornalista Miguel Oliveira, editor do Portal OESTADONET rebate Hugo.

 

"Ao acusar os que honestamente lhe fazem criticas por medida desarrazoada, como é no caso dos advogados Paulo Bemerguy (Leia AQUI) e Mary Cohen,  serem antivacina é apostar na desinformação, tal qual faz Bolsonaro, o que contribui ainda mais para o caos que se instalou na saúde pública nesta pandemia. Ninguém em sã consciência é contrário à vacina, o que se combate são pretensos privilégios", observou o jornalista.

 

0 reitor destacou ainda que alguns trabalham para que o processo de vacinação continue ainda mais atrasado, apenas para trazer munição política para este tempo já tão conturbado.

 

“Nenhum movimento desses vai impedir que tenhamos um posto de vacinação dentro da UFOPA, com vacina comprada por nós ou não. E vamos continuar a serviço do SUS para levar vacinação, o mais rápido possível, para o maior número possível de pessoas, o mais longe que conseguirmos”, finalizou o reitor.

 

Segundo Miguel Oliveira, já sabendo da repercussão negativa, o reitor da UFOPA já trabalha com o plano B, ao mencionar em sua nota no Facebook a alternativa de montar postos de vacinação dentro da universidade, o que não seria novidades porque providências dessa natureza são tomadas por diversos órgãos e entidades em período de campanha de vacinação.

 

Nesta sexta-feira, também, o Instituto Butantan anunciou que não vai fornecer vacina contra Covid a cliente que não seja o Ministério da Saúde.

 

Alguns diretores de institutos vão levar ainda o caso ao Conselho Superior Universitário (Consun). 

 

Confira a nota do Sindufopa na íntegra: 

 

A sociedade santarena e a comunidade academia da Ufopa forma surpreendidas com a notícia de que a “Ufopa negocia compra de vacina para a Covid-19”
A notícia ocorre em tempos de confusão e paralisia do Governo Federal a respeito da vaticinação da população contribuindo para que a comunidade fique ainda mais confusa, distante e indiferente a universidade pública, porque atitudes assim a cola em cima e privilegiada em relação à sociedade. 
O que o Brasil precisa é de uma plano nacional de imunização que contemple a todos os brasileiros gratuitamente e indistintamente, seguindo critérios técnicos e humanitários de priorização. A sociedade brasileira não deve aceitar qualquer privilégio para ao acesso imunizante nem tolerar uso policio da vacina (Andifes, 2021). 

A diretoria da SindUfopa (2019-2020) vem ao público defender veementemente que a vacinação contra Covid-19 ocorra exclusivamente pelo Sus, reafirmando e fortalecendo seus princípios de equidade e universalidade e manifestar repúdio à negociação bem como esclarecer, que ela foi tomada unilateralmente pela administração superior da universidade sem qualquer consulta às instâncias decisórias internas e não representa, portanto, a posição do coletivo da comunidade acadêmica.

Vozes cavernosas do governo Bolsonaro apresentam sua narrativa sobre o caos em Manaus. E acabam traçando o perfil do governo Bolsonaro.

Bolsonaro limpa o catarro e depois vai cumprimentar fanáticos, em plena pandemia.
Para bolsonaristas, isso é apenas uma narrativa e nada tem a ver com governança.
Trata-se mesmo só de falta de higiene. É?

Adoro certos termos que vêm e vão, como ondas e marés.

Narrativa é um deles.

Não sei bem o que significa, mas adoro sua sonoridade e seus múltiplos sentidos.

Então, é o seguinte: vozes cavernosas que integram o governo Bolsonaro estão saindo das cavernas em que se encontram para ecoar, com alarido, suas narrativas.

As narrativas são as mais amalucadas, como amalucado é o governo Bolsonaro. Mas, de qualquer forma, são narrativas. E convém que a consideremos assim.

Pois uma narrativa que ganha corpo, entre as vozes cavernosas do governo Bolsonaro e do Ministério da Saúde, é de que a tragédia em Manaus - onde pacientes estão morrendo de Covid sem oxigênio - é resultado, digamos assim, de uma maluquice intramuros, ou seja, de doidices que os amazonenses estariam disseminando apenas entre eles.

Por essa narrativa de bolsonaristas cavernosos, o que se passa em Manaus não deve ser atribuído ao governo Bolsonaro, mas a brigas, a maluquices, à bagunça e à corrupção que grassam entre o governo do estado e prefeituras do Amazonas, todos entretidos numa luta política encarniçada.

Pois é.

Vozes cavernosas do governo Bolsonaro têm a mais completa autoridade - moral e intelectual - para apresentar essa narrativa. Porque conhecem, porque convivem, porque têm intimidade com brigas, com bagunças, com o caos, com maluquices que representam a cara e a alma do governo Bolsonaro.

Ah, sim: sem falar que vozes cavernosas do governo Bolsonaro têm a máxima razão quando atribuem a tragédia em Manaus também à corrupção. Porque sabem que o governo Bolsonaro igualmente tem se notabilizado pela corrupção, não é?

Porque corrupção, como já disse aqui no Espaço Aberto, não é apenas meter a mão no cofre, puxar a dinheirama de lá e enfiá-la nos próprios bolsos e cuecas. Corrupção é corromper.

Quando se corrompem valores universalmente consagrados, como o do respeito à vida humana, isso também é corrupção da grossa.

Eis um fato incontornável.

As vozes cavernosas do governo Bolsonaro podem até não admitir ideologicamente esse fato, mas é preciso, pelo menos, admiti-lo racionalmente.

Menções negativas a Bolsonaro nas redes sociais chegam a 64%. Esses números traduzem parte da crueldade de um governo cruel.

Bolsonaro e Carluxo, num momento de duro trabalho: tal pai, tal filho; tal filho, tal pai.

Bolsonaro, teu nome é crueldade.
Bolsonaro, teu nome é vergonha para o País.
Bolsonaro, teu nome é incompetência e inapetência para exercer o cargo que exerces.
Bolsonaro, teu nome representa o ridículo.
Bolsonaro, teu nome é negacionismo - burro, imbecil, irracional, carregado de um fanatismo patológico.
A crueldade, a vergonha, incompetência e irracionalidade que Bolsonaro expressa estão traduzidas em números.
O Antagonista está divulgando que Jair Bolsonaro segue em queda livre nas redes sociais. Menções negativas ao presidente bateram nesta quarta-feira (14) no patamar dos 64%, contra apenas 36% de citações positivas.
Os números, segundo o Antagonista, são da AP Exata, cuja análise contempla dados geolocalizados, em 145 cidades, de todos os estados. Segundo o levantamento diário, a imagem do governo ainda é ruim ou péssima para 37%, bom ou ótima para 35,1%. - e 27,9% consideram regular.
Se você não está acreditando nesses números, está com toda a razão.
Porque, sinceramente, eles devem ser muito maiores.
E se juntarmos os números de Bolsonaro com de Eduardo Pazuello, o nosso biruta de aroporto, aí mesmo é que a tragédia será maior.
Mas, certamente, não será maior que a tragédia que tem sido o governo Bolsonaro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Trump, hoje, será o Bolsonaro de amanhã?

Bolsonaro, parece, está batendo em retirada com sua tropa das redes sociais mais frequentadas.
Não deixa de ser alentador que esse personagem se mostre propenso a não mais exibir suas maluquices para a grande maioria das pessoas testemunharem a degradação de um governo que é a própria cara, o próprio perfil, a própria alma, o próprio caráter e a própria personalidade do presidente da República.
Em verdade, não se descarta que uma lufada de medo esteja assustando Bolsonaro.
Depois que Twitter e Facebook, duas das redes sociais com maior número de adesões em todo o Planeta, baniram Donaldo Trump - o Bolsonaro dos Estados Unidos -, é muito provável que Bolsonaro - o Trump do Brasil - ponha as barbas de molho.

E por aqui, quando mesmo?

 

Aí está, gente.
Também no Vaticano já está começando.
E por aqui, nada.
Mas já temos dia e hora, como vocês sabem.
Pazuello é quem disse.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Pazuello já tem tradutor. Agora sim, eu haverei de compreendê-lo. "Sóquinão".


O ministro-general - ou seria general-ministro - Eduardo Pazuello já insculpiu (para os mortais comuns, seria inscreveu) seu nome num monumento erigido para marcá-lo como o pior ocupante do Ministério da Saúde em cinco séculos de história no Brasil.
Mas o general-ministro parece que foi mesmo talhado para quebrar parâmetros, para quebrar limites.
Agora, já pode ser considerado o único ministro na história do País que precisa de um tradutor para que possamos compreender o que ele quer dizer.
O general, como sabe, já anunciou que a vacinação começará "no dia D, na hora H".
Entenderam?
Nem eu.
Aliás, ninguém entendeu.
À exceção de Alexandre Garcia, agora alçado à condição de tradutor emérito de Pazuello.
Agora, depois da explicação do tradutor, eu continuei a não entender.
Mas vocês, é certo, entenderão.

A Ufopa e a Ufra pretendem "furar a fila" da vacinação. Se a lei lhes permite fazer isso, será legítimo que assim o façam?

No apagar das luzes do ano passado, a Fiocruz lavou a alma nacional ao negar pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) e do  Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reservas de vacinas contra a Covid-19.

A instituição informou em nota que a produção é destinada "integralmente" ao Ministério da Saúde. E destacou que a estratégia visa atender à demanda do Programa Nacional de Imunização (PNI).

"A produção dessas vacinas será, portanto, integralmente destinada ao Ministério da Saúde, não cabendo à Fundação atender a qualquer demanda específica por vacinas", argumentou a Fiocruz, justificando sua decisão de negar o pedido dos dois tribunais.

Por que a Fiocruz lavou a alma nacional?

Porque privilégios são inaceitáveis.

E neste momento, em que o País enfrenta uma tragédia sanitária em que mais de 200 mil pessoas já morreram de Covid-19, a simples intenção - ou pretensão - de garantir privilégios para certos segmentos soa como ofensiva e indecorosa.

Mas, ao que parece, a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) não conseguiram desvencilhar-se do animus de valer-se de privilégios discutíveis, para não dizermos inaceitáveis, nestes tempos de pandemia.

As duas universidades registraram, junto ao Instituto Butantan, a intenção de comprar doses de vacina contra a Covid para imunizar, segundo dizem, parte de suas comunidades acadêmicas. A Ufra pretende comprar 12 mil doses e a Ufopa, 10 mil.

Trecho de notícia divulgada no site da Ufopa diz o seguinte: "De acordo com o reitor da Ufopa, Hugo Alex Diniz, a compra está ancorada na Medida Provisória nº 1.026, de 06/01/2021, que permite a instituições da administração pública realizar a compra direta da vacina para combater a Covid-19. "Assim que foi publicada a medida provisória, que permite que possamos comprar diretamente a vacina, tomamos a iniciativa”, afirmou Diniz.

Nem tudo que é legal é legítimo. A intenção da Ufopa e da Ufra de adquirirem vacinas, sob a alegação de que o fazem escorando-se em permissivo legal, deve ser submetida a outros crivos, a outros critérios a que devem subordinar-se os administradores, sobretudo os que atuam no setor público.

No caso, é indispensável que a Ufopa sopese a permissão legal que lhe faculta adquirir a vacina com outros critérios, como a da coveniência, do tratamento equânime que deverá ser garantido à população que se encontra fora do ambiente acadêmico e da parcimônia com que devem ser geridos os recursos públicos.

Se a ideia é que o plano de imunização interno da Ufopa "esteja alinhado com o plano estadual e o nacional", conforme dito na notícia disponível no portal da Universidade, por que não comprar as vacinas e doá-las ao SUS, para que as secretarias de saúde dos municípios encarreguem-se de aplicar o imunizante de acordo com o calendário nacional de imunização?

Tem mais um detalhe, que é tão relevante quanto objetivo: a pretensão das universidades, se consumada, vai ignorar as faixas etárias que serão consideradas na aplicação da vacina em todo o País - primeiro as populações vulneráveis e profissionais de saúde, depois os idosos, em seguida os portadores de comorbidades etc.

Em resumo: o intento das universidades, em reservar vacinas para imunizar primeiro os seus, inevitavelmente vai criar uma situação em que teremos cidadãos de segunda classe (todos os que vão para a fila, esperar a vacina do SUS) olhando, desalentados, os de primeira (integrantes das comunidades acadêmicas) sendo vacinados antecipadamente. É como se os privilegiados estivessem furando a fila.

Está certo isso? Privilégios como esses serão toleráveis? Serão aceitáveis? Serão convenientes? Serão legítimos, muito embora as universidades invoquem a legalidade de seus procedimentos?

E a questão do dinheiro público? Tanto a Ufopa como a Ufra dispõem de orçamento próprio. O dinheiro que as sustenta é da União, proveniente de impostos de contribuintes - eu, tu, ele, nós, vós, eles. Todos nós, portanto, deveríamos ser iguais. Por que, então, uns deverão ser mais iguais que os outros?

Ainda está na hora de tanto a Ufopa como a Ufra ponderarem sobre questões como essas.

Se não revirem suas intenções, resta ao Butantan negar a reserva das vacinas pretendidas pelas duas universidades, da mesma forma que a Fiocruz negou ao STJ e ao Supremo.

Assim deve ser, para que os privilégios não preponderem nesta hora tão tormentosa que todos enfrentamos.

Linda. E no frescor de seus 405 anos!

Os afagos que Belém merece A posse de um novo prefeito é, sempre, momento especial de renovo das esperanças de um...

Publicado por Francisco Sidou em Segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

O Remo será sempre grande, até mesmo nos momentos em que muitos o imaginam pequeno. Por isso, sempre será glorioso.


O Remo está de volta à Série B.

Aí está uma frase de apenas 23 letras, com sujeito, verbo e predicado.

Mas nós, remistas, esperamos 13 anos para proclamarmos isso, de forma altissonante, com muito orgulho.

Esperamos 4.745 dias para lavrarmos esta sentença gloriosa - O Remo está de volta à Série B - de apenas 23 letras.

Esperamos, sim.

Mas não esperamos inertes.

Nem tampouco passivos.

Nunca esperamos rendidos à crença de que o acaso, apenas o acaso, tiraria o Remo do ocaso para alçá-lo de volta à Série B.

Não.

A torcida remista esperou lutando, a cada dia, com o próprio time.

Esperou brigando - muitas vezes de forma exagerada - com o próprio time.

Esperou sabendo renovar suas energias, mesmo após cada revés.

Esperou ajudando o clube a superar-se financeiramente.

Esperou mobilizando-se por várias causas que se mostraram necessárias para manter o Remo grande e vivo, apesar de constrangido por participar de divisões inferiores, inclusive a Série D.

Esperou sendo a grande responsável pela reforma do Baenão, que neste ano deve estar completamente apto a sediar partidas, inclusive pela Série B.

Enfim, a torcida remista esperou com a certeza de que este dia - o dia de o Remo voltar à Série B - chegaria.

E chegou neste domingo (10), com a vitória sobre o rival por 1 a 0 (a terceira vitória remista nos quatro últimos jogos entre os dois, não esqueçam), no Mangueirão. Com o empate do Londrina-PR com o Ypiranga-RS, o Leão subiu com uma rodada de antecipação.

E aí?

E aí que despeitados, seja por despeito, seja por ignorância, seja pela simples obsessão de não reconhecer méritos dos adversários, permitem-se o despeito de debochar desse momento glorioso do Remo, atribundo a explosão de alegria dos remistas a um jejum de 13 anos de Série B.

Mas é claro, meus caros.

É justamente a espera - não uma espera passiva, devo repetir - que apimenta, que tempera, que dá mais sabor a este momento tão prazeroso.

Agora, é olhar para um futuro que está logo ali, bem à porta.

E o futuro exige, de imediato, que se faça um planejamento realista, responsável e inteligente, com base nas receitas que o Remo passará a auferir ao disputar a Série B. Pelo que já demonstrou, a gestão do presidente Fábio Bentes dispõe de todas as condições para seguir administrando o clube com responsabilidade.

O futuro exige, de imediato, que o Remo monte uma equipe competitiva, mas de padrões salariais compatíveis com o novo perfil financeiro que o clube passará a assumir.

O futuro exige, de imediato, que se comece a pensar num centro de treinamento.

No mais, é continuar acreditando num fato que nem os despeitados conseguirão negar, ainda que tentem: o Remo será sempre grande, até mesmo nos momentos em que muitos o imaginam pequeno, quase desaparecido, praticamente imperceptível.

Por isso, o Remo é glorioso.

Sempre será glorioso.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Afinal, ele está ou não está?


Essa é a capa da mais nova edição da revista Crusoé.
E então, ele está ou não está?
Eis uma pergunta que não quer calar.
Uma pergunta que há muito, mas há muito tempo permeia o debate sobre o caráter, a personalidade e o temperamento desse personagem.
Um pergunta que, para ser respondida, exigiria necessariamente um diagnóstico psiquiátrico.
Enquanto o diagnóstico não chega, convenhamos que o mais trágico de tudo é o seguinte: independentemente das respostas a essa pergunta, é inquestionável que o personagem segue fazendo e falando loucuras. Todo dia, o dia todo.
Segue com uma insensibilidade à flor da pele.
Segue ignorando o comedimento, a moderação, o apreço e o aprumo ético que se exigem do exercente do cargo de presidente da República.
Isso não é uma loucura?

Pazuello, o bom aluno do marketing político, está inspirador. Então, vamos "interpretar" o general-ministro Pazuello.

Bolsonaro e Pazuello: o primeiro não sabe o que faz e nem o que diz; o segundo não sabe
nem o que diz e muito menos o que faz. Para ambos, nem o marketing político salva.

Com todo o respeito aos que discordarem, mas acho que devemos, nós brasileiros, ter orgulho de viver num País que tem como ministro da Saúde um general como Eduardo Pazuello.

Aqui no blog, já chamamos Pazuello de biruta de aeroporto, pela frequência com que muda de opinião e posturas conforme os surtos de seu chefe, o digno e mítico presidente Jair Bolsonaro.

Mas, pensando bem, até mesmo a ciclotimia das opiniões de Pazuello deve obedecer - sabe-se lá - a algumas técnicas experimentais de marketing político que, conforme a Imprensa tem divulgado, vêm sendo empregadas ultimamente no Ministério da Saúde como uma tentativa heroica de minimizar a tragédia que tem sido a gestão do general.

Mas por que devemos nos orgulhar de ter Pazuello gerindo a Saúde, uma pasta estratégica, fundamental e essencial para coordenar e executar ações vitais, como a vacinação contra a Covid-19, pandemia que já matou mais de 200 mil brasileiros?

Por quê?

Porque Pazuello, como bom aluno do marketing político inovador, criativo, verdadeiro, sensitivo e prospectivo (hehe), está nos inspirando a interpretar - exatamente isto que vocês leram, interpretar - o general Pazuello.

Em coletiva nesta quinta-feira (07), Pazuello abriu o coração. Alguns interpretam sua reação como um surto. Mas quero crer que o general cumpriu alguma orientação de seu marketing político. Quero crer nisso. É tudo uma questão de interpretação.

Durante a entrevista, o ministro caiu de pau na Imprensa. E disse o seguinte, em português de Portugal - e do Brasil: “Quero assistir à notícia e ver o fato que aconteceu, deixem a interpretação para o povo brasileiro, para cada um de nós. O senhores [jornalistas] não têm essa delegação”, completou.

Viram?

Pazuello acha que jornalismo é reportar fatos. Apenas e tão somente fatos. Acha que jornalismo não embute a interpretação do fato, ou seja, explicá-lo, esmiuçá-lo, contextualizá-lo, aproximá-lo de realidades que devem ser mais facilmente compreendidas por cidadãos nem sempre abastecidos de informações suficientes para formar seus juízos.

Interpretar, conforme a interpretação de Pazuello, é com o povo brasileiro.

Então, se é com o povo, e somos povo, vamos interpretar o general e sua gestão à frente do Ministério da Saúde.

Interpretemos objetivamente, como a seguir.

Pazuello é o pior ministro da Saúde que o Brasil já teve em cinco séculos.

Nos próximos cinco séculos, talvez não surja um ministro tão incompetente como Eduardo Pazuello.

Sua gestão tem pegado no tranco. É preciso que a Imprensa (aquela mesma que não deve interpretar fatos) dissemine fatos clamorosos para que o ministério de Saúde sinta-se compelido a agir.

A gestão de Pazuello não demonstra a menor capacidade de planejamento. Por isso é que estamos atrasados nos procedimentos para o início da vacinação contra a Covid.

Precisamos interpretar com uma certa elasticidade, digamos assim, as ações de Pazuello para não concluirmos que sua gestão sequer conseguiu, a tempo e hora, conduzir um processo licitatório para a compra de seringas, obrigando o governo a requisitar esse instrumento junto aos fabricantes.

Com sua gestão catastrófica, Pazuello nos oferece amplos - amplíssimos - elementos para concluirmos, interpretativamente, que a tragédia causada por essa pandemia seria muito, mas muito menos pior se ele não tivesse assumido o Ministério da Saúde.

Pronto.

Eis as nossas interpretações sobre a gestão de Pazuello.

Interpretações expostas, ninguém esqueça, com o estímulo e com a licença do general Pazuello.

Viva ele!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Por que, afinal de contas, Bolsonaro não consegue fazer nada?

Enfim, uma confissão expelida, expurgada das entranhas - sabe-se lá quais - de Bolsonaro.

Mas, afinal de contas, por que esse cidadão não consegue fazer nada?

Porque, em tese, é um líder; mas não lidera nada.

Porque, desde o primeiro dia em que assumiu o mandato, atirou o Brasil no rídiculo, condenando-o ao risco de afundar-se no isolacionismo, o que já está acontecendo.

Porque tem envergonhado, todo dia, o dia todo, o Brasil e os brasileiros.

Porque sequer compreende o que precisa, de fato, fazer.

Porque é um imoderado - inclusive quando protagoniza alocuções irresponsáveis diante de fanáticos que o aplaudem sem sequer saber por que o estão aplaudindo.

Porque é incompetente para governar.

Porque, na prática, não governa (é um fantoche de outros que o fazem por ele, inclusive quando o mandam calar a boca para evitar a eclosão de crises e mais crises).

Porque é um fanático - negacionista - travestido de presidente da República.

Porque não consegue intuir que é o presidente do Brasil, e não de facções que o cercam.

Porque não consegue alcançar as dimensões - políticas, inclusive - do cargo que ocupa.

Porque transformou o exercício da presidência num desonroso esporte em que se compraz em debochar de tudo.

Porque debocha da realidade.

Porque debocha do País.

Porque debocha das pessoas.

Porque apartou-se de sentimentos construtivos e internaliza, a cada dia, posturas e sentimentos de crueldade, como o de não conseguir demonstrar compaixão por quase 200 mil pessoas que já morreram de Covid-19 no Brasil.

Enfim, Bolsonaro não consegue fazer nada porque, convenhamos, nunca, jamais, em tempo algum, conseguiu fazer nada como homem público, a não ser escabujar verbalmente os mais tenebrosos horrores.

É por tudo isso - ou também por tudo isso - que Bolsonaro nada consegue fazer.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Agência Belém apaga matérias sobre inaugurações da gestão anterior, diz jornalista

Da jornalista Dedé Mesquita, por e-mail:

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Neste sábado, 2, eu precisei de informações sobre uma inauguração feita pelo ex-prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), nas duas últimas semanas de dezembro de 2020. Evidente que recorri à Agência Belém.

Para minha surpresa, todas as reportagens publicadas na Agência Belém sobre essas muitas inaugurações foram APAGADAS do site www.agenciabelem.com.br. Coincidentemente, no segundo dia de governo do novo prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL).
O que o prefeito ED 50 talvez ainda não saiba é que a Agência Belém é uma agência pública de notícias, que tem a missão de informar a todos, imprensa, inclusa, sobre o trabalho realizado pela Prefeitura de Belém. A Agência Belém NÃO é uma agência de divulgação do PREFEITO Edmilson Rodrigues, e sim, da Prefeitura de Belém.
Antes de ser um ato antidemocrático, o trabalho (mesquinho) de apagar as postagens sobre as inaugurações do prefeito anterior é um completo desrespeito com os profissionais que trabalhavam na Comus/ Agência Belém.
Eu esperava mais do novo prefeito. Sinceramente. Não esse ato que emula os atos ditatoriais da antiga União Soviética que, ao subir mais um déspota ao poder, os mandatários de antes eram apagados de fotos e documentos. Quem estudou um pouco de História sabe disso.
Ou que o novo prefeito não fizesse cover da ex-governadora Ana Júlia Carepa, cujo TODO arquivo de fotos da gestão dela foi apagado ANTES que o ex-governador Simão Jatene assumisse o governo do Pará, novamente, em 2011. A Agência Pará, agência [pública] do Governo do Estado, NÃO tem uma única fotografia do governo de Ana Júlia Carepa. Nenhuma.
Enfim, fica aqui a minha solidariedade aos meus ex-colegas de Comus/ Agência Belém, cujo trabalho foi dizimado apenas por uma vaidade do "prefeito cabano".

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

O aborto de Jair Bolsonaro

Em setembro de 2020, Bolsonaro segura um cachorro, no momento em que sancionava lei
aumentando a pena para quem comete maus-tratos contra animais. Cuidado você aí: desconfie
sempre de atos de extrema benemerência como esse. Desconfie mesmo!

Como já dito aqui, quando vocês virem Bolsonaro engatando um discurso de paz e amor, podem contar que ele tomou calmantes em excesso.

Por isso é que, quando vejo Bolsonaro fazendo algum ato de altruísmo em favor de cachorros e animais em geral, fico logo desconfiado.

E quando vejo Bolsonaro elevar sua voz cheia de ternuras e complacências em favor da preservação da vida de inocentes, chego a temer pelos inocentes. Sinceramente que eu chego a temer.

"Lamento profundamente pelas vidas das crianças argentinas, agora sujeitas a serem ceifadas no ventre de suas mães com anuência do Estado. No que depender de mim e do meu governo, o aborto jamais será aprovado em nosso solo. Lutaremos sempre para proteger a vida dos inocentes!", disse Bolsonaro há uns dois dias, ao se pronunciar sobre a legalização do aborto na Argentina.

Essa declaração edificante, construtiva, altruísta e benemerente desse heroico defensor da vida e paladino dos bons costumes, Jair Bolsonaro, contrasta flagrantemente com o Bolsonaro que até hoje, 1º de janeiro de 2021, não expressou um monossílabo sequer que expresse sua mais remota compaixão pelos quase 195 mil brasileiros inocentes que já morreram de Covid-19.

Entre os 195 mil estão jovens, idosos, ricos, pobres, bolsonaristas e não bolsonaristas. Ah, sim, e também estão crianças (ainda que em ínfima quantidade, porque elas, como se sabe, estão menos sujeitas a contrair essa doença).

Para cada um dos mortos, vamos calcular, por baixo - mas muito por baixo mesmo -, que dez pessoas muito próximas a cada um ficaram muito abaladas (parentes e amigos, por exemplo).

Então, pode-se estimar que cerca de 2 milhões de brasileiros encontram-se neste momento bem abalados, impactados fortemente, com suas esperanças destroçadas por eventos causados por essa pandemia mortal.

E Bolsonaro? Nem tchum, como se diz.

Continua o mesmo Bolsonaro - insensível, debochado, cruel, negacionista, achando que Covid-19 é gripezinha, que todo mundo vai morrer um dia e que tomar vacina pode fazer a gente virar jacaré.

Então, meus caros, quando vocês virem esse homem fazendo um discurso em favor da preservação da vida de "inocentes", podem contar que ali está um Bolsonaro abortando mais uma de suas incoerências e de suas mentiras.

Um aborto pela boca, é certo.

Mas aborto, de qualquer forma.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A genialidade está a um passo da imbecilidade. Neymar é o exemplo.

A genialidade está a um passo da imbecilidade.

Sempre estive convencido disso.

Como também sempre estive convencido de que a genialidade sempre pode ser uma fonte de grandes - grandíssimas - imbecilidades.

Se vocês não estão convencidos dessas verdades, vejam a última do Neymar.

Ele é um gênio com a bola.

Mas, quando pisa um - apenas um - centímetro fora dos gramados, pode fazer imbecilidades sem tamanho. Imbecilidades de um gênio como ele, que produz maravilhas dentro daquilo que alguns coleguinhas da área esportiva chamam de as quatro linhas, ou seja, um gramado onde se bate uma bolinha.

Neymar voltou às manchetes nos último dias, desde que o jornalista Ancelmo Gois, de O Globo, revelou a festança de final de ano que o gênio da bola do Paris Saint-Germain programou para Mangaratiba.

Sabem quantos parças estão convidados?

Quinhentos.

Quinhenhos parças estarão fungando um no cangote do outro, neste momento em que mais de 190 mil pessoas já morreram de Covid-19 no Brasil.

Até boate com proteção acústica vai ter. Porque Neymar, esse gênio, tem um notável senso de risco e sabe que isso não é proveitoso para a saúde auditiva de seus vizinhos.

Quanto aos riscos representados pela Covid-19 que esse ajuntamento criminoso vai causar, disso Neymar não quer nem saber.

O que ele quer é festa.

Viva Neymar, esse gênio da bola.

Viva Neymar, esse exemplo vivo, saltitante e festivo da tese de que a genialidade sempre está a um passo da imbecilidade.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Na camisa de um feminicida cruel, a inscrição estampada: "Belém - Cidade das Mangueiras". Por quê?

Paulo José, o feminicida, é preso em flagrante logo após ter trucidado a facadas a ex-mulher

Nesta foto (em data provavelmente anterior à do dia do crime), a inscrição "Belém - Cidade
das Mangueiras" aparece visivelmente na camisa do assassino

Feminicida preso em flagrante, após ter matado a ex-mulher com várias facadas na frente das três filhas crianças, o engenheiro civil Paulo José Arronenzi tinha em seu guarda-roupa uma camisa com a inscrição "Belém - Cidade das Mangueiras".
Essa inscrição é visível em uma das imagens do assassino veiculadas pela TV Globo, mostrando Paulo José, em foto provavelmente anterior ao dia do crime, ocorrido na quinta-feira (24) à noite, véspera de Natal, quando ele trucidou sua ex-mulher, a juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi.
Ao que se sabe, ainda não foi divulgada a naturalidade do assassino.
Por que ele tinha essa camisa?
Porque era paraense?
Porque conheceu Belém e gostou da cidade?
Porque a ganhou de um amigo?
Sabe-se lá.
Talvez essa informação, no contexto da ocorrência criminosa, seja até mesmo desprezível para elucidá-la por completo - até porque, a rigor, tudo já esteja elucidado, eis que o assassino foi preso em flagrante por guardas municipais e sua ficha corrida aponta várias ocorrências de violências contra mulheres, inclusive Viviane.
Registra-se o fato apenas para deplorar que a associação com Belém encontre-se estampada numa das peças do vestuário de um facínora que agiu por motivos fúteis e de maneira torpe, cruel, apavorante e animalesca.
Agora, e independentemente da naturalidade e das preferências do feminicida por esta ou aquela cidade, espera-se que ele pague a justa pena pelo crime que cometeu.
E espera-se, além disso, que o País abra os olhos para uma estatística igualmente cruel: em 2020, segundo o Atlas da Violência, uma mulher foi assassinada no Brasil a cada duas horas, totalizando 4.519 casos, dos quais 30% teriam sido de feminicídio.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Senadores da bancada paraense exibem baixo nível de transparência no exercício do mandato

Zequinha Marinho, Jader Barbalho e Paulo Rocha: no Nível 1 de transparência,
segundo levantamento atualizado do Radar do Congresso

Os senadores Jader Barbalho (MDB), Zequinha Marinho (PSC) e Paulo Rocha (PT), que compõem a bancada paraense no Senado, apresentam baixo nível de transparência no exercício do mandato, segundo levantamento mais recente do Radar do Congresso.

De acordo com a base de dados atualizada em 21 de dezembro (clique aqui), o senador Oriovisto Guimarães (PODE/PR) é o único que ostenta a marca máxima de transparência (Nível 5). Ele é seguido por cinco parlamentares, entre os quais apenas um da Região Norte, Randolfe Rodrigues (Rede), do Amapá. No nível 3 estão quatro senadores, enquanto dois foram classificados no Nível 2. A esmagadora maioria dos senadores, entre eles Jader, Marinho e Paulo Rocha, está na lista do Nível 1. No Nível Zero incluem-se três parlamentares. 

O nível de transparência de deputados federais e senadores é um levantamento exclusivo do Congresso em Foco. O trabalho leva em conta 11 indicadores de transparência digital e a primeira rodada de coleta de informações foi feita entre os meses de julho e agosto de 2020.

Os indicadores de transparência levam em conta, entre outros, as respostas a um questionário enviado pelo Congresso em Focoa publicação de justificativas para os gastos cobertos pela cota parlamentar com consultorias, a publicação das justificativas para os gastos cobertos pela cota parlamentar com divulgação do mandato e a publicação dos nomes dos servidores lotados no gabinete e a remuneração de cada um deles.

MPF ajuíza ação contra dois radialistas por veiculação de discurso de ódio

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra a emissora de rádio Marajoara, responsável pela rádio Mix FM, em Belém (PA), e contra os radialistas Raimundo Nonato da Silva Pereira e Hailton Pantoja Ferreira pela veiculação de discurso de ódio, preconceito, discriminação e xenofobia contra os indígenas da etnia Warao, originários de onde hoje é a Venezuela.

O programa citado na ação foi ao ar em agosto de 2018. Em alguns minutos de conversa entre o locutor Nonato Pereira e o repórter Hailton Ferreira, o Jimmy Night, diversas vezes os indígenas foram chamados de "vagabundos", entre outros preconceitos e ofensas.

O MPF pediu à Justiça que seja determinada a veiculação pela rádio, por pelo menos um ano, de conteúdos propostos pelos próprios Warao, além do pagamento, pela empresa e pelos radialistas, de R$ 300 mil em indenização por danos morais coletivos aos indígenas.

O procurador da República Felipe de Moura Palha pede, na ação, que os comunicados de rádio – os chamados spots – sejam financiados pelos acusados, e que sejam exibidos no mesmo programa em que o discurso de ódio foi proferido e em todos os horários de maior audiência da emissora.

spots devem contar material que apresente e valorize a cultura e a história do povo indígena Warao, e informações verdadeiras sobre sua condição migratória e de vida no Brasil e na Venezuela.

A indenização por danos morais coletivos aos Warao, de acordo com o pedido do MPF, deverá ser revertida em projetos de acolhimento humanitário na capital paraense, elaborados com a participação direta dos próprios indígenas, mediante consulta prévia livre e informada.

Violência que gera violência – Para o MPF, o discurso dos radialistas extrapolou o direito à liberdade de expressão e recaiu no discurso de ódio, discriminatório e xenofóbico, sendo uma verdadeira incitação ao ódio e à violência contra o grupo indígena, com o agravante de ter sido proferido por meio de uma emissora de rádio, concessão pública que deveria ser um instrumento de disseminação e respeito às especificidades da cultura indígena.

“Esse tipo de discurso não se restringe apenas nas palavras proferidas contra os indígenas, mas avança para o plano concreto podendo produzir efeitos nas atitudes da própria população quando tem contato com os indígenas nas ruas”, alerta o MPF. “Se a pessoa (que absorveu tal discurso) já vai com o pensamento de que aquele migrante/refugiado é ‘vagabundo’ (como afirmado pelo radialista Nonato Pereira), isso se torna um potencial vetor para a prática de violência física e moral contra o referido povo”, exemplifica o procurador da República na ação.

O conteúdo da mensagem veiculada pela rádio Mix FM violou uma série de normas internacionais das quais o Brasil é signatário, e Constituição, e normas internas de defesa de direitos dos migrantes e dos povos indígenas, aponta o MPF, que citou o artigo 5º da Constituição, o Estatuto da Igualdade Racial, a Convenção Internacional para a Erradicação de Todas as Formas de Discriminação Racial, entre outras normas, e jurisprudência sobre o tema.

“A discriminação racial viola o princípio da dignidade da pessoa humana, bem como os direitos à vida, à liberdade e à igualdade”, frisou o procurador da República Felipe de Moura Palha. “A naturalização de ideias preconceituosas ou atos discriminatórios constitui terreno fértil para sua reprodução simbólica, levando à disseminação e/ou perpetuação destes mesmos atos e ideias em nosso meio social”, voltou a alertar.

Processo nº 1033257-70.2020.4.01.3900 – 1ª Vara da Justiça Federal em Belém (PA)

Íntegra da ação   

Consulta processual

Fonte: Ascom do MPF do Pará

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Contra o Covid-19, Bolsonaro pode ser a nossa única salvação

Crivella (agora preso) com Bolsonaro, que o apoiou. Você quer ter sorte na sua vida?
Então peça para Bolsonaro ser contra você. Ele é o nosso Midas às avessas.

Bolsonaro, como já dito e redito aqui no blog, é o nosso Midas às avessas.

Ele esfarela qualquer coisa.

Bolsonaro apoiou Celso Russomano para prefeito do Rio.

Russomano levou o farelo.

Apoio Eguchi em Belém.

Eguchi levou o farelo.

Em Macapá, apoiou Josiel Alcolumbre, irmão de ninguém menos que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Quem ganhou foi Dr. Furlan.

No Rio, fez campanha em favor de Marcelo Crivella.

Quem ganhou foi Eduardo Paes. E Crivella acaba de ser preso.

Apoiou trocentos candidatos país afora.

Os trocentos perderam - com desonrosas exceções que confirmam a regra.

Vamos torcer para que Bolsonaro continue em sua cruzada maluca que favorece a proliferação do Covid-19.

Se for assim, logo, logo o Covid-19 vai levar o farelo. Tomara!

Vamos torcer para que continue disseminando por aí a maluquice de que tomar vacina pode fazer com que viremos jacaré.

Se for assim, vamos continuar lindos e maravilhosos depois de vacinados.

Ah, sim.

Você quer ter sorte na vida?

Fale com Bolsonaro e peça para ele ser contra você.

"Eduardo, você vai ser preso", Crivella repetiu à exaustão em novembro. Agora, é Crivella quem está preso.


Nos debates que antecederam a última campanha eleitoral do Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que concorria à reeleição, repetiu à exaustão que Eduardo Paes, seu adversário que viria a ser eleito, seria preso.
"Eduardo, você vai ser preso", dizia Crivella, dedo em riste, com aquela voz melíflua, típica dos espertalhões.
Pois é.
Se Eduardo Paes, como predisse Crivella, ainda vai ser preso, Crivella já está preso.
Ele foi preso na manhã desta terça-feira (22), no Rio, acusado de envolvimento no QG da Propina.
Vocês querem saber sobre previsões?
Consultem Marcelo Crivella.
Batam na porta da cadeia, peçam pra entrar e conversem com ele lá dentro.

Crivella, o combatente da pureza ética, está preso. É preciso que alguém acredite em Crivella.

Marcelo Crivella chega preso à Polícia do Rio: ele diz que não é corrupto.
Também acho que não. Acreditemos em Marcello Crivella, gente!

Todo corrupto carrega no seu DNA uma fortíssima dose, um fortíssimo componente de cinismo.
Mas há corruptos que são mais cínicos que outros.
Marcelo Crivella não é corrupto, claro.
Ele é o prefeito mais honesto do Rio de Janeiro.
Mas é cínico.
Muito cínico.
Cínico acima da média.
Crivella foi preso na manhã desta terça (22), acusado de envolvimento em corrupção das grossas.
Pois é.
Eis uma declaração que está em sintonia com o cinismo de Crivella.
Que não é um corrupto, como vocês sabem.
Ele mesmo o disse.
Eu acredito em Marcella Crivella.
Você também precisa acreditar.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Habeas corpus revoga restrições impostas a ex-secretário adjunto da Sespa, inclusive o uso de tornozeleira eletrônica



A desembargadora Nazaré Gouveia, do Tribunal de Justiça do Pará, expediu no início da tarde deste domingo (20), na condição de plantonista, um habeas corpus revogando as medidas cautelares impostas ao ex-secretário adjunto da Sespa, Peter Cassol Silveira. Ele foi um dos alvos da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada na última sexta-feira (18), para investigar indícios de fraude na compra de álcool em gel pelo governo do estado.

"O paciente não exerce mais o cargo de Secretário Adjunto de Gestão Administrativa da Secretária de Saúde, já que após a busca e apreensão realizada em sua residência, no dia 10/06/2020, foi exonerado, não tendo demonstrado a autoridade coatora, na decisão vergastada, a existência de fatos novos que denotassem a contemporaneidade das medidas restritivas impostas somente em 14/12/2020 ou ocorrida qualquer situação nova ou fundamento idôneo, amparado em dados concretos e recentes, que evidenciassem a necessidade da aplicação das referidas medidas cautelares", escreve a magistrada na decisão (veja outros trechos nas imagens acima).

Entre outras medidas cautelas diversas da prisão, ele estava proibido de ausentar-se da Comarca onde reside, era obrigado a ficar em casa no período noturno, entre 20h, e 6h do dia seguinte nos dias de folga, como sábado, domingo e feriados, e deveria ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Denominada de "Álcool 70%”", nesta fase o Ministério Público investiga fraude na dispensa de licitação nº 2020/229598, especificamente quanto à aquisição de 159.400 frascos de 500ml de álcool gel, pela absurda quantia de R$ 2.869.200,00 (dois milhões, oitocentos e sessenta e nove mil e duzentos reais), da empresa Dispará Hospitalar Comercial E Serviços Ltda, que jamais produziu ou comercializou a substância.

Segundo as provas já colhidas na investigação, uma organização criminosa chefiada pelo ex-Secretário de Saúde Alberto Beltrame e formada ainda por Peter Cassol Silveira, Cíntia de Santana Andrade Teixeira, Daniel Jackson Pinheiro Costa, Luiz Felipe Fernandes, Francisco Leandro Rodrigues Rocha, Débora Pinheiro Mesquita, Carlos Eduardo de Sousa Lima e Cláudia Cristina Silva Machado transformou a Sespa em um balcão de negócios, deixando a população paraense à mercê do vírus covid-19.

A investigação foi reforçada pela colaboração premiada dos proprietários da Dispará Hospitalar Comercial e Serviços Ltda, que confirmaram que a empresa foi contratada, por intermediação de Daniel Jackson, apenas apara emitir nota fiscal, enquanto a mercadoria foi adquirida de terceiros, por valores muito inferiores.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão, prisão preventiva expedidos pela Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado para serem executados em endereços localizados em Belém, São Paulo e Porto Alegre, que foram cumpridos com apoio dos Gaecos dos Ministério Públicos de São Paulo e do Rio Grande do Sul, e também das polícias civis e militares dos referidos Estados.

O empresário e Presidente do Conselho Regional de Farmácia, Daniel Jackson Pinheiro Costa, foi preso preventivamente em sua residência.