sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ibama multa consórcio de Belo Monte em R$ 7 milhões

Da Folha.com

O Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) multou em R$ 7 milhões o Consórcio Norte Energia S.A., responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), por atraso na implementação do Projeto Básico Ambiental da obra.
Além da multa, o Ibama determinou ao consórcio que apresente um plano de ação para regularizar o cronograma dos programas ambientais. A avaliação do Ibama refere-se ao período de junho a outubro de 2011 e foi feita com base no primeiro relatório de andamento do PBA, apresentado pela empresa em novembro.
Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento e, quando estiver pronta, será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW) e geração média de 4.000 MW.

OUTRO LADO
A Norte Energia S.A. informa que recebeu no último dia 15 uma notificação do Ibama contra a empresa, que "adotará os procedimentos administrativos cabíveis, inclusive interpondo recurso".
O consórcio disse ainda, por meio de nota, que "a referida notificação não implica em qualquer suspensão da Licença de Instalação, que continua válida, e que as obras e demais atividades do empreendimento seguem seu curso normal". "Vale ressaltar que o próprio Ibama, na notificação, ressalvou que as desconformidades apontadas não implicam ´reflexos ambientais negativos´", completa o comunicado.

Um olhar pela lente

Borboletas no lugar de beija-flores.
Na hora do rango.
A foto é de Emir Bemerguy Filho.

Mulher mostra as nádegas a militares e torna-se ré

Do Consultor Jurídico

O Superior Tribunal Militar rejeitou pedido de Habeas Corpus para trancar ação penal contra mulher acusada de ofender militares da Força de Pacificação do Exército no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. De acordo com os autos, ela abaixou as calças e mostrou as nádegas depois de receber ordem para diminuir o volume do aparelho de som, durante uma festa em sua casa.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar, a civil L.P.S e seus familiares foram abordados, por volta de duas horas da manhã, por soldados do Exército integrantes da tropa federal encarregada da operação no morro carioca.
A família fazia uma festa e o volume do aparelho de som perturbava a ordem pública e o sono da vizinhança, de acordo com a denúncia. Após acatar a ordem para baixar o som, a ré ameaçou abaixar as calçar se os militares continuassem filmando a ação — todas as operações no Morro do Alemão são filmadas. 
Conforme narra a denúncia, após a patrulha do Exército voltar para a sede, o volume do aparelho de som novamente foi aumentado e parte da família se dirigiu à base do Exército informando que não iria mais abaixar o volume e que os soldados deveriam usar "fones de ouvidos para dormir". De acordo com a promotoria, foi nesse momento também que o grupo proferiu vários xingamentos à tropa, "com o intuito de ridicularizar e menosprezar a tropa", e a ré mostrou as partes íntimas para os soldados.
A acusada foi presa em flagrante por infringir o artigo 299 do Código Penal Militar (CPM) — desacato a militar no exercício de função de natureza militar ou em razão dela. A ação penal corre na 2ª Auditoria Militar do estado do Rio de Janeiro.
Conflito de competência
A advogada da acusada argumentou que a Justiça Militar não teria competência para julgar o fato, pois as ações de segurança pública realizadas pelas Forças Armadas na capital fluminense são inconstitucionais. Argumenta ainda que, sendo uma atividade ligada à segurança pública, os fatos originados do emprego da tropa teriam que ser julgados na vara de Justiça comum, com a aplicação da Lei 9.099/95, que criou os Juizados Especiais Criminais.
A defesa pediu a anulação do processo e solicitou que o Ministério Público Militar fizesse a transação penal e a suspensão condicional do processo. Pela transação penal, nos crimes considerados de menor potencial ofensivo (pena menor de dois anos), pode o Ministério Público negociar com o acusado a sua pena. Trata-se de um ajuste entre a acusação e a defesa para evitar que o processo corra, poupando o réu e o Estado da tramitação de uma ação penal.
Ao analisar o processo, o ministro relator Luis Carlos Gomes Mattos disse que o emprego das Forças Armadas no estado do Rio de Janeiro é constitucional, pois está amparado na própria Carta Magna e na Lei Complementar 97, de 1999. O ministro afirmou também que, em remédio constitucional de HC, não se discute matéria de índole constitucional, como já bem asseverou o Supremo Tribunal Federal.
O ministro também rejeitou o pedido de transação penal pelo o crime ter sido praticado em operação puramente militar, o que obriga a aplicação específica do Código Penal Militar. Ele não aceitou o HC por falta de amparo legal e manteve o trâmite normal da ação penal. Os ministros da corte acataram o voto do relator por unanimidade.

Charge - Sinfrônio

Um escândalo sobre as calçadas. Na Arthur Bernardes.



Olhem só o vídeo acima.
É mais um flagrante imperdível do imperdível Belém das Incivilidades.
Mostra caminhões-tanque das empresas transportadoras de combustíveis estacionados na calçada, na ciclovia, em frente aos grandes depósitos de combustíveis na avenida Arthur Bernardes, em Miramar.
Eo guincho?
Vai ficar só na área da Doca e arredores?
Ou vai passar por lá?
Se passar, vai reforçar-se para rebocar os caminhões para o curral?
"Agora, o que aposto é se estas empresas, nas cidades onde estão suas sedes, fazem isso por lá?! Duvido! Mas, como aqui é Belém, Pará, Norte, "só tem índio" e autoridades e políticos fracos mesmo, estão nem aí!", diz o Belém das Incivilidades.
Que completa: "Belém das incivilidades perenes!"
É mesmo.

Charge - J. Bosco

MPF defende rejeição de mandado de segurança de Jarbas

Jarbas Vasconcelos: mandado de segurança tem
oposição do Ministério Público Federal
Parecer do Ministério Público Federal, assinado pelo procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho, manifesta-se pela rejeição de mandado de segurança impetrado pelo presidente afastado da OAB-PA, Jarbas Vasconcelos, pedindo que os autos do processo disciplinar a que responde perante o Conselho Federal da Ordem, em Brasília, fosse remetido ao Conselho Seccional da entidade no Pará. A ação tramita na 16ª Vara da Justiça Federal - Seção Judiciária do Distrito Federal. Jarbas Vasconcelos, afastado do cargo a partir de intervenção decretada pelo Conselho Federal, que detectou irregularidades na venda de um terreno, em Altamira, para o advogado Robério D'Oliveira, alega no mandato de segurança que todos os fatos ocorreram no território jurisdicionado pelo Conselho Seccional do Pará, daí entender que lhe assiste o direito líquido e certo de ver seu processo disciplinar julgado pelo referido Conselho e não pelo Conselho Federal da OAB.
Em dezembro do ano passado, a 16ª Vara chegou a conceder a liminar para suspender o processo disciplinar instaurado pelo Conselho Federal da OAB contra o impetrante até posterior pronunciamento judicial. A liminar, no entanto, teve seus efeitos temporariamente suspensos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao acolher agravo de instrumento interposto pelo vice-presidente nacional da OAB, Alberto de Paula Machado.

Leia aqui a íntegra do parecer do MPF

"Não merece prosperar a alegação de que deveria ser atendido o critério territorial para definição da competência do órgão julgador. Embora o art. 70 da Lei 8906/94 (Estatuto da OAB) seja expresso ao definir a competência exclusiva dos Conselhos Seccionais para a apuração de infrações disciplinares, deve-se recordar que tal disposição tem por escopo principal disciplinar o julgamento de infrações praticadas no exercício da advocacia. Ocorre que a situação dos autos é diversa, pois se trata de ato administrativo cometido na função de Presidente do Conselho Seccional (alienação de imóvel da entidade), e não propriamente ato de advocacia", escreve o procurador Paulo Roberto Carvalho, em parecer datado do dia 13, segunda-feira última.
Para o membro do MPF, inexiste qualquer impedimento do Conselho Federal por já ter julgado processo de intervenção na Seccional paraense, porque também inexiste previsão legal de impedimento ou suspeição para o julgador que tenha apreciado processo conexo relacionado ao mesmo fato. "Aliás, essa circunstância revela, na realidade, a necessidade de atração dos processos para o mesmo foro, por força de conexão, conforme regras processuais aplicáveis aos processos disciplinares da OAB por força do art. 68 de seu Estatuto", diz o procurador da República.

A balbúrdia. Com placas que até confundem.

Olhem só.
Já não bastasse a balbúrdia do trânsito em Belém, ainda temos as placas, que às vezes confundem.
Vejam a foto acima.
Foi mandada por Almir Alves, leitor do blog.
Leiam abaixo o que ele diz.

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Todo dia passo na Doca pela manhã (9h) e pela tarde (18h).
Sempre vejo as pessoas estacionadas onde é proibido. Sempre que posso, aviso-as para observarem o que está escrito na placa, com as letras pequenas.
Sempre notei algo de diferente naquela placa. Não sei dizer se ela está errada, ou se ela é daquela maneira de propósito. Mas que ela é diferente das outras da cidade, ela é.
Uma pessoa com pressa, olhando de longe e rápido, se engana facilmente com uma placa de "estacionamento regulamentado", ainda mais com um flanelinha ajudando.
Acima, a placa da Doca (do lado esquerdo) e da esquina da Tiradentes com a Rui Barbosa (do lado direito).

O jato da morte. No Furlani's, quase ex-Furlani's Bar.

Sabem o Paulo Silber?
Pois é.
Paulo Silber Gama Alves.
Uma testemunha ocular do duelo do século.
Ou de todos os séculos.
Paulo Silber.
Testemunha ocular do confronto, da saga que reuniu Saroquinha x Maciste (clique aqui, aqui e aqui).
Pois é.
O Furlani's Bar, ali da avenida João Paulo II, vai fechar.
Silber, em sua página no Facebook, convocou a galera para contar poucas e boas, boas e poucas ocorridas no Furlani'.
Ele próprio começou a contar.
E contou uma que é impagável.
Intitula-se O jato da morte.
Os personagens são reais, muito embora a história seja quase inacreditável.
O poster já sabia dessa história, real, há muito tempo.
E há muito tempo que a vem contando a várias pessoas.
Quase ninguém acredita.
Mas é verdade.
Silber o confirma.
Leiam.

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A mesa da diretoria estava lotada. O Furlani’s Bar, na hora neutra da madrugada, lembrava um ninho de formigas de fogo. O próprio Furlani, sempre sereno, era o mais aceso, o carisma elevado à máxima potência. Dona Emilce, aplicada em distribuir gentilezas, flutuava entre os clientes com a suavidade de sempre.
Apolo parecia vigilante, mas nem tanto. Acho que ele aprendera a deixar as orelhas em pé, como se estivesse alerta, o safadinho, enquanto dormia embaixo da mesa, alheio ao burburinho, sonhando com o Paraíso dos Cachorros, onde hoje repousa.
Na cozinha, Dona Antônia suava mais que menino no fim da febre, para dar conta de tantos quibes, sopas e tiragostos diversos. Quase pusera farofa na tábua de frios e cubos de gelo no caldo de feijão, mas percebera a tempo.
No salão, Raimundinho irritava uns e divertia outros, mas no final agradava a todos com palhaçadas nonsense e a cara de anjo sacana imprópria aos garçons.
- Fazer amor de madrugadaaaaaa...
Uma morena de boca carnuda, até jeitosinha mas sem a menor vocação para o microfone (não aquele!), berrava feito ambulância no engarrafamento, pervertendo a letra, assassinando a melodia e arrependendo Paula Toller de ter nascido.
- Em cima da pia, debaixo da escadaaaaaaa...
Na mesa da diretoria, ninguém prestava atenção à gralha do karaoquê. Ríamos, mas ríamos muito. Saborosas risadas. Essa era a nossa música: solos e coros de gargalhadas. Sonoras vibrações de humor, temperadas por dezenas de cervejas geladíssimas, conservadas “no cu da foca”, como se dizia.
L., com seu jeito afobado, acelerado e inquieto, era uma espécie de maestro nesses encontros. Regia as explosões de risos como ninguém, contando histórias verídicas, mas implausíveis, como aquela em que cansou da aparência desleixada e recebeu o espírito de Vanusa. “Hoje, eu vou mudar”, decidiu. Vestiu a beca domingueira, passou uma camada de Trim nos cabelos e enforcou-se numa gravata para impressionar os amigos no trabalho e sentir-se mais bonito. Mas foi fulminado pela própria mãe, ao pedir-lhe a bênção antes de sair de casa:
- Meu filho, você está ridículo...
A gargalhada explodia em alto e bom som. A gente perdia o fôlego de tanto rir, mas L. ainda completava, quase cruel, com voz de resignado:
- Mamãe não sabe mentir...
A gente se dobrava, sufocava, engasgava, havia até quem caísse, dominado por aquelas histórias que enchiam o Furlani’s de alegria.
Naquela noite, porém, L. estava diferente. Chegou discretamente, não jogou o crachá na mesa, cumprimentou-nos sem o estardalhaço de sempre e juntou-se ao grupo sem cutucar ninguém, como se fôssemos um coral de Igreja e não os tresloucados colegas de bar.
Eu já contara duas mentiras. F. relatara os tropeços da infância. Dr V. recitara as piadas infames de sempre. G. avacalhara-se com picardia. AC desfiara seu rosário de ironias. Até o Furlani já fizera um chiste – e L. apenas sorria, quase forçado, como se a felicidade doesse.
Foi quando chegou JB, com a sexta dose na cabeça, vestiu a roupa do cinismo e nos serviu o hilariante Tratado da Feiúra, que tinha nele o início, o fim e o meio.
- Eu não nasci feio, é sério! – começou JB, já arrancando as primeiras risadas. – Fui piorando com o passar dos anos. Com o passar dos anos por cima de mim. Por cima da minha cara... – completava.
A essa altura, metade do bar já prestava atenção na história dele e nas nossas gargalhadas. JB se animava com a platéia e prosseguia:
– Quando a mamãe me teve, eu era apenas um bebê esquisito. Mas muito esquisito. Tão esquisito, que o médico, quando me deu a palmada, em vez de acertar a bunda, achatou o meu nariz. Aí, sim, eu comecei a ficar feio.
E prosseguia, zombando de si mesmo, para a alegria de todos:
- Até virar esse monstro que vos fala, a reencarnação de Quasímodo, a Peste em forma de gente, o cochilo de Deus – ele delirava, enquanto a gente se contorcia de tanto rir, com todos os efeitos sonoros das boas gargalhadas.
- Huaaaaa huahuahua!
- Eeeehuehuehuehueee!
- Blearuuuurgh!
- Queeeeee cacacacacaaaaaaa!
Epa! Peralá! “Blearuuuurgh”?! Aquela onomatopeia esquisita, gutural, rouca, vindo de alguma profundeza, quase passou despercebida. Que diabo é “blearuuuurgh”?, eu me perguntava.
A explicação veio a jato, abrupta como a lava de um vulcão.
- Bleeeeaaarrrrruuuuaaauuurrrrghhhh!
Durou cinco segundos o intervalo entre o primeiro aviso e a inevitável consequência. Apenas o tempo suficiente para que o estômago indômito assumisse o comando do corpo de L., impondo aos músculos do tórax e do abdômen um esforço supremo que quase rompe o esôfago.
Tempo bastante para a materialização do mal-estar do meu amigo, jorrado sobre a mesa da diretoria, transformado naquele mar de incômodos viscerais que agora emergiam junto a substâncias fecaloides de odor insuportável, tisnadas por ácidos intestinais e corrompidas por uma pasta amarelo-esverdeada. Uma pororoca de secreções que o revoltado estômago cuspiu na forma de um mingau de saliva, bile e sucos gástricos.
Estava explicado, com estrondo, o silencioso sofrimento de L. O vômito jorrou de uma só vez, mas era tanto, mas tanto, que não parou de fluir enquanto L., em agonia, girava a cabeça da esquerda para a direita, quase em 360 graus, distribuindo o produto do seu sofrimento na direção de todos que estávamos sentados à mesa-redonda da diretoria.
Dr. V. recebera a maior porção, com direito a fragmentos não mastigados de comida que grudaram no seu pescoço. Foi dele a única reação enérgica ao terrível acidente. Levantou-se indignado, cuspiu alguns impropérios e foi embora. Nós, os demais, mesmo incomodados e nauseados, perdoamos L. porque sabíamos, por experiências passadas (não tão furiosas como aquela), dos seus problemas agudos de refluxo gastroesofágico que o obrigavam a manter antieméticos sempre ao alcance da mão.
Naquela noite, porém, não deu tempo de impedir, e o vômito jorrou farto, maculando as roupas dos amigos e magoando Dr. V., de tal maneira que, uma semana depois, ele não voltara ao Furlani’s. Na verdade, jamais voltaria. Dr. V. morreu, fulminado por um derrame, três dias depois do episódio.
Por causa disso, durante muito tempo, passamos a tomar mais cuidado ao desfrutarmos da companhia de L., guardando dele alguns centímetros a mais de distância. Qual soluço era motivo de perplexidade. Um engulho poderia causar pânico.
Para nós, com assento na mesa-redonda da diretoria do Furlani’s, era quase certo, praticamente indubitável, embora ninguém ousasse dizer, que a morte de Dr. V. não fora provocada por um Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.) como se supunha. E sim por um V.A.C. (Vômito Abundante e Certeiro), o jato letal vertido pelo rebelde estômago do nosso bom e hilariante amigo L.

O que ele disse

"Quando há esquema político na área da Saúde, não se resolvem os problemas e as pessoas morrem. [...] Não é possível alguém morrer de asma dentro de uma UTI, Agnelo. Esse hospital [de Brasília] matou meu filho. Por que não me mataram? Eu preferia mil vezes estar naquele caixão no lugar dele."
Flávio Dino (foto), ex-deputado federal, juiz federal por 12 anos e atual presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), no sepultamento de seu filho, em desabafo diante de autoridades, inclusive e principalmente o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que a tudo ouviu mudo e quedo, quedo e mudo.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Um olhar pela lente

A calmaria no cais.
Vista do Açaí Biruta, na Cidade Velha.
A foto é de Rodrigo Bastos.

"Quando há esquema político na Saúde, as pessoas morrem"

Do Blog do Noblat

 

- Quando há esquema político na área da Saúde não se resolve os problemas e as pessoas morrem - advertiu em voz alta Flávio Dino (PCdoB), ex-deputado federal, juiz federal por 12 anos e atual presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), durante o sepultamento do corpo do seu filho Marcelo, de 13 anos, ontem, em Brasília.

Ao lado de Dino, em uma das salas de velórios do Cemitério Campo da Esperança, estava Agnelo Queiroz, ex-PC do B, governador do Distrito Federal eleito pelo PT. E pelo menos mais 200 pessoas, entre elas algumas das cabeças coroadas da República, como o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado José Sarney e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Dino escolheu Agnelo para despejar sobre ele todo o seu desespero.

- Não é possível alguém morrer de asma dentro de uma UTI, Agnelo. Esse hospital [de Brasília] matou meu filho. Por que não me mataram? Eu preferia mil vezes estar naquele caixão no lugar dele.

Agnelo tentou consolar Dino - em vão. Um dos políticos mais promissores do Maranhão, candidato a prefeito da capital em 2008 e a governador do Estado em 2010, Dino segurou Agnelo pelo braço e continuou:

- Vou enterrar meu filho sem saber direito por que ele morreu. Você sabia que a necrópsia do corpo não foi completa por que tem equipamentos quebrados no Instituto Médico Legal? - perguntou Dino a Agnelo. Que calado estava, calado continuou,

-  Quando meu filho parou de respirar na UTI do hospital, tentaram reanimá-lo, mas o equipamento usado para isso estava quebrado. Providenciaram outro, mas quando ele chegou já era tarde.

Àquela altura, assessores de Agnelo haviam sugerido que ele se despedisse de Dino e saísse rapidamente. Agnelo ouviu o último conselho de Dino:

- Faça pelo menos uma coisa no seu governo: interdite os hospitais de Brasília. Interdite. Vou te ligar diariamente cobrando isso.

Marcelo Dino Fonseca de Castro e Costa morreu no início da manhã da última terça-feira na UTI do Hospital Santa Lúcia – um dos maiores de Brasília. Ali havia sido internado pouco depois do meio-dia da segunda-feira. Fora vítima de uma crise de asma quando praticava esportes no Colégio Marista,onde cursava o 9º ano do Ensino Fundamental.

A suspeita de negligência e de erro médico está sendo investigada pela polícia, o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal.

O PT e as privatizações

Por AÉCIO NEVES

Toda mudança para melhor deve ser saudada. Por isso, devemos reconhecer como positiva, ainda que com o atraso de uma década, a privatização dos aeroportos.
Porém, uma pergunta é inevitável: por que, afinal, esperamos tanto? O governo, por inércia, permitiu que se instalasse o caos nos aeroportos e só reagiu diante da aproximação da Copa, alimentando a ideia de que só age sob pressão e tem na improvisação uma de suas marcas.
Talvez isso explique terem privatizado sem exigir garantias mínimas compatíveis com operações desse porte. Pouco parece importar se há entre os vencedores crônicos inadimplentes em outros mercados ou mesmo quem não tivesse condições de conseguir financiamento junto ao mesmo BNDES, em operação de muito menor porte.
Privatizaram fingindo não privatizar e ignoraram a oportunidade de buscar contrapartidas óbvias que pudessem garantir, em um mesmo lote, a modernização de aeroportos mais e menos rentáveis. Prevaleceu a lógica do maior ágio e do interesse comercial dos grupos privados em detrimento das populações de regiões onde os investimentos serão menos atrativos.
Por tudo isso, é desleal o ataque histriônico do PT às privatizações do governo FHC. Desleal porque em nenhum momento o programa de concessões ou privatizações foi interrompido. São as leis brasileiras que obrigam o uso de concessões em determinados serviços e não a ideologia petista, como tentam fazer crer, em risível contorcionismo verbal, alguns líderes do partido.
No governo FHC também foram feitas concessões como na área de energia elétrica. Da mesma forma que nos aeroportos, ao final do prazo de outorga os ativos retornarão à União. Aliás, é exatamente o que se discute agora -a renovação ou não de outorgas concedidas naquele período.
O episódio da privatização dos aeroportos, no qual serão usados recursos públicos do BNDES e dos fundos de pensão, prática demonizada pelo PT, que neles via um mero instrumento de financiamento do lucro privado, traz à tona uma outra indagação cada vez mais comum entre os brasileiros: afinal, o que pensa e qual é o PT de verdade? O do discurso ou o da realidade? O que lutou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Proer e o Plano Real ou o que os elogia hoje?
O PT dos paladinos da ética ou o do recorde de ministros derrubados por desvios? O que ataca as privatizações ou o que as realiza? O que, na oposição, defende de forma indiscriminada todo tipo de greve ou o que, no governo, reage a elas?
No mais, vale registrar: a insistência do PT em comparar modelos de privatização é bem vinda. Até porque não deixa de ser divertido ouvir o PT discutir quem privatiza melhor.

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AÉCIO NEVES é senador (PSDB-MG).
O artigo foi publicado na Folha de S.Paulo de segunda-feira (13)

Charge - Duke

Saindo um Teixeira, entrará outro. E tudo ficará como dantes.


Parece mentira, mas é verdade.
Parece uma miragem, mas não é.
Ricardo Teixeira, uma espécie de Duciomar Costa do futebol brasileiro, está de saída.
Aguarda-se para qualquer momento sua renúncia da presidência da CBF.
Está há trocentos anos na direção da entidade.
trocentos anos, conta não propriamente com o apoio, mas com a cumplicidade dos dirigentes de federações, inclusive o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antônio Carlos Nunes.
Teixeira não resistiu às últimas denúncias que o envolvem em todos os tipos de caneladas na ética.
A mais recente, denunciada pela Folha, refere-se ao superfaturamento do jogo amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção de Portugal, em Brasília, no ano de 2008.
Pois é.
Esse povo já ganhou - e ganha - muito dinheiro com o futebol.
Muitíssimo dinheiro.
E não se iludam: a saída de Teixeira não vai mudar em nada a mentalidade de gestão no futebol brasileiro.
Saindo um Teixeira, entrará outro Teixeira.
Com a mesma mentalidade que ele.
Podem apostar.

Seleção de agências pela Vale revolta mercado publicitário

O mercado publicitário do Pará, ou parte dele, está em pé de guerra com a Vale, esse colosso que, no ano passado, apresentou um lucro recorde de US$ 22,885 bilhões, valor 32,55% superior ao de 2010. Pois esse mesmo colosso de US$ 22,885 bilhões está desencadeando a revolta em boa parte do mercado publicitário.
O motivo da revolta é singelo: a Vale, esse colosso de US$ 22,885 bilhões, está pretendendo contratar, a preço de banana, duas empresas paraenses - apenas e somente duas - que cuidarão das contas da mineradora nas regiões sul/sudeste do Pará. Em verdade, a acusação é de que o preço não é de banana: em certo sentido, chega a ser quase de graça.
Quem acompanha o Espaço Aberto através do Twitter ficou sabendo desse fato superficialmente. Agora, o blog teve acesso a uma carta encaminhada, na última sexta-feira, à direção da Vale em Belém.

Leia aqui a íntegra da carta encaminhada à Vale

Assinam a carta os publicitários Pedro Galvão, Carlos Henrique Carvalho e Osvaldo Freitas, representando, respectivamente, as diretorias da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap-PA), Associações Brasileira de Agências de Comunicação (Abracom) e Sindicato das Agências de Propaganda do Pará, que fazem reparos severos aos termos do edital que determina as regras para a solicitação de cotação que vai selecionar as empresas para prestar serviços à mineradora de bilionários lucros.
"As condições oferecidas pela empresa para um contrato de fornecimento de 36 meses às empresas de comunicação é que são insustentáveis, e colidem inclusive com preceitos de sustentabilidade da própria Vale", dizem os três signatários.
Galvão, Carvalho e Freitas afirmam que "o bônus de veiculação, percentual pago às agências pelos veículos, calculado sobre o valor dos anúncios publicados, tornou-se mais importante que a atividade principal da agência, a criação, que, por sua vez, foi rebaixada à condição de brinde, 'isenta de cobrança'".
No caso do interior do Pará, prossegue a carta, emissoras de rádio e TV, jornais impressos, revistas e sites não têm preço regulamentado. "Em geral, os valores praticados não garantem rentabilidade mínima às agências. Para se chegar a esses veículos, as agências de comunicação investem em contatos telefônicos, pessoal especializado, apoio no faturamento (muitas dessas empresas no interior têm dificuldade em organizar uma estrutura mínima administrativa e as agências cumprem o papel de apoiá-las), fiscalização dos serviços, de condições mínimas de saúde e segurança, entre tantos outros aspectos", diz o documento.
O edital, acrescenta a carta, determina que os ganhadores da solicitação de cotação da Vale devem, com recursos próprios, a partir de base operacional a ser montada em Parauapebas ou Belém, atender a seis regiões do Estado, que juntas representam cerca de 80 municípios, separados por distâncias de até 1.200 quilômetros, e uma logística complexa.
"Como boa parte do portfólio de negócios da Vale está localizada no interior do Pará, os profissionais da empresa, sobretudo da área de suprimentos, sabem que os custos de atuação nessa região são acrescidos de pelo menos 25% em relação à atuação na capital, seja em razão das distâncias, da infraestrutura, pela dificuldade de captar profissionais interessados em viver no interior, pela saturação da  bandas de telecomunicações e por tantos outros fatores. Além disso, outro fator de alta relevância na formação de preços é o investimento fundamental em segurança e saúde ocupacional", dizem os signatário.

Vale não muda o edital
Mesmo diante das ponderações apresentadas, a Vale não recuou um milímetro e, portanto, manteve inalterados os termos do edital.
Numa mensagem remetida na última segunda-feira, a mineradora de colossos bilionários, por dois de seus dirigentes no Pará, diz que, após analisar as ponderações expostas na carta, "optamos, neste momento, em manter inalterado o edital anteriormente divulgado, por estar o mesmo de acordo com o padrão usualmente adotado nas concorrências sobre esta matéria nas demais regiões onde atuamos, e cujos resultados têm sido positivos."
A direção da Vale ratificar ainda que "iremos cumprir  o cronograma pactuado com as agências que permanecem no processo, para garantirmos a conclusão desta concorrência dentro das premissas adotadas e aceitas pelos concorrentes, bem como o atendimento do prazo inicialmente planejado. No futuro, ao reavaliarmos nossos processos e padrões, levaremos em conta seus questionamentos e, se oportuno, faremos as modificações necessárias."
Eis a Vale, esse colosso de lucros bilionários.

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Negada liminar a secretário-geral afastado da OAB do Pará




A juíza federal Raquel Soares Chiarelli, da 21ª Vara, na titularidade de 17ª da Seção Judiciária do Distrito Federal, indeferiu liminar em mandado de segurança ajuizado pelo advogado Alberto Campos, que pretendia ver anulada a decisão do Conselho Federal da OAB que, em outubro do ano passado, decretou intervenção na Seccional Pará, em decorrência de irregularidades na venda de um terreno, em Altamira, para o advogado Robério D'Oliveira.
Afastado do cargo de secretário-geral da OAB do Pará, Alberto Campos pretendia, ao pleitear a concessão de liminar, retornar às suas funções. Por enquanto, ele continua a responder a processo ético-disciplinar, juntamente com o presidente afastado, Jarbas Vasconcelos, e do próprio Robério, além da ex-assessora jurídica da OAB, Cynthia Portilho, indiciada em inquérito na Polícia Federal por ter falsificado a assinatura do vice-presidente da Ordem, Evaldo Pinto.

Clique aqui para ler a íntegra da decisão

A juíza federal da 17ª Vara não apenas rejeitou a liminar pleiteada por Alberto Campos como ainda remeteu os autos para julgamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, considerada preventa, eis que conheceu da primeira ação, um mandado de segurança de segurança que teve despacho em outubro do ano passado.
"Por outro lado, tendo em vista a urgência alegada na inicial, é conveniente a apreciação imediata do pedido de liminar, cuja análise, todavia, é desfavorável ao impetrante, visto que a questão sub judice já foi apreciada pelo seu Juízo natural, que decidiu pela manutenção da intervenção decretada pelo Conselho Federal da OAB", diz a magistrada.

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Ronaldo: "Ninguém pode me tirar a condição de remista"

Vejam só uma coisa.
O Espaço Aberto já disse que o Remo, ao perder, apanhar e bater em Marbá, no último domingo, acabou protagonizando dois péssimos exemplos.
Pois é.
Agora, cliquem aqui.
Vocês vão ler uma postagem intitulada Na lata.
Está no blog Tudão e Tudinho, do jornalista José Maria Trindade.
A postagem transcreve intervenção do ex-presidente e Grande Benemérito do Remo, Ronaldo Passarinho, durante reunião do Conselho Deliberativo do Remo (Condel), na última segunda-feira, portanto um dia depois do vexame remista em Marabá.
O desabafo de Ronaldo Passarinho, segundo informa Jose Maria Trindade, deixou boquiabertos os circunstantes, entre eles o presidente do clube, Sérgio Cabeça Brás.
Aliás, os demais conselheiros que ouviram Ronaldo não ficaram apenas boquiabertos.
Ficaram mudos.
Mudos e quedos.
Leiam abaixo:

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Ronaldo Passarinho:

1 - Percebo que no Remo há uma tentativa de me desmoralizar. Um dos maiores absurdos que já vi na minha vida foi o contrato do Sinomar com o Remo. Ele, pessoa física, assinou contrato com o Remo (pessoa jurídica), com este dando plenos poderes para que o treinador contratasse quem ele quisesse para o clube. Sinomar ganhava salário de R$ 20.000 e em dezembro, mês difícil financeiramente para o clube, ele passa a perceber R$ 30.000 sem que o departamento jurídico do clube fosse ouvido.
2 - Fábio Oliveira foi contratado, e eu fiquei sabendo por que o Hamilton [Gualberto] disse num programa de rádio que a contratação do jogador era de responsabilidade do presidente Cabeça. O presidente sabe que o jogador tinha R$ 30.000 prá receber, dividido em duas parcelas de R$ 15.000. E eu mais uma vez não fui consultado pelo meu amigo presidente Sérgio Cabeça.
3 - Aldivan, eu vi pela TV, sozinho na delegacia sem nenhum representante do Remo ao lado do jogador. O que vi foi o Galvão passando a mão na cabeça do nosso jogador. E o Aldivan não poderia ter a atitude que teve de perdoar. Quando ele foi agredido ele vestia a camisa do CR. Não foi só o Aldivan o agredido, foi o Remo, a instituição.
4 - O senhor Sinomar contratou jogadores do interior de Goiás. É melhor o Remo fechar às portas.
5 - Faço essas acusações de frente, senhor presidente, agora se quiser o cargo de vice-jurídico, pode me demitir. Se quiser o de Grande Benemérito pode me tirar. O único que nem o senhor e nem ninguém podem me tirar é a condição de ser remista. Obrigado!(silêncio total).

Caramba! É Duciomar e seu BRT.

Da professora Marise Morbach, sobre a postagem É preciso pressa para conter Duciomar Costa e seu BRT:

Dormimos e acordamos em Belém mais ou menos nos anos 1969. Até quando?
Eu estou passada com o nível de cooptação que esse cidadão é capaz de exercer. A situação de Belém com as chuvas. Como no final de uma gestão tão desastrosa como essa, o cara quer implantar um projeto dessa magnitude? Caramba!

O que ele disse

"A rigor, muitas vezes a Corte pode decidir contra a opinião popular. Porque, se não, faríamos plebiscito toda hora e alteraríamos a Constituição. A pena de morte seria aprovada. O modelo contramajoritário pretende defender o indivíduo de si mesmo."
Gilmar Mendes, ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Lei da Ficha Limpa.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um olhar pela lente

O barco e o pôr do sol.
Vistos a partir da Estação das Docas, em Belém.
A foto é de Bruno Pantoja.

Enfim, alguém para tentar segurar o "indigesto prefeito"

Do jornalista Francisco Sidou, sobre a postagem OAB recomenda que Estado interdite o BRT de Duciomar:

Aleluia! Finalmente apareceu uma réstia de esperança de que alguém possa segurar esse indigesto prefeito e sua incrível capacidade de desafiar todas as normas e práticas de uma gestão pública focada no interesse coletivo.
Blindado pelo Judiciário, não será surpresa se Duciomar ainda tentar " eleger" seu sucessor de qualquer maneira, nem que para isso seja preciso "aplicar" parte da dinheirama que pretende arrecadar com o projeto do BRT, com que pretende enganar mais uma vez a população de Belém, com projetos virtuais de animação computadorizada, mas sem qualquer planejamento ou consistência técnica.
Ele quer apenas atropelar o projeto Ação Metrópole, do governo do Estado, com a mera intenção de deixar seu nome na história de Belém. Mas isso ele já conseguiu com o título de o pior prefeito de todos os tempos... Merecidamente, aliás.
Parabéns à OAB-Pará pela louvável iniciativa. Trata-se, em verdade, caro doutor Ismael Moraes, de uma medida profilática para o meio ambiente de nossa cidade "barrar" as pretensões alucinantes e alucinógenas do desprefeito Duciomar.
A ação da OAB mostra também que nem toda intervenção é sintoma de autoritarismo. Algumas podem ser também profiláticas, desde que não se deixem seduzir pela tentação autoritária, como parece ser o caso presente na OAB-Pará.
A OAB precisa mostrar à sociedade que não perdeu a antiga chama de lutar pelos ideais democráticos e pela cidadania plena.

Charge - Aroeira

O PT é Lula. E se lixe Marta. E se lixem os petistas.

Marta Suplicy, a senhora de suas vontades: ela encara Kassab como se fosse um pesadelo. E Lula com isso?
Hehehe.
Olhem só.
A parada é a seguinte.
Não há meias-palavras.
Sem meias-palavras, diga-se o seguinte: o PT é Lula. Lula é o PT.
Lula quer, o PT quer.
Lula manda, o PT obedece.
Lula quer e manda porque pode.
Podendo, o PT que se vire para explicar suas alianças.
Vejam o caso de São Paulo.
O PT inteiro não quer nem ouvir falar em Kassab como aliado.
Inclusive e principalmente Marta Suplicy, aquela mesma, aquela mulher revolucionária, madura, visionária, dona de suas vontades, a primeira, vejam só, a falar em sexo abertamente na televisão brasileira, no início, bem no início dos anos 80.
Pois esta senhora é aquela mesma que, hoje, é relatora de projeto que criminaliza a homofobia, mas já levantou dúvidas, numa insinuação nojenta, sobre a sexualidade de Kassab só porque ele não é casado.
Pois é.
Esta mesma dona Marta, arrogante que nem ela, já disse que conviver com Kassab como aliado em São Paulo será como um pesadelo.
E daí?
E daí que se lixem dona Marta e suas arrogâncias.
E daí que se lixem dona Marta e suas hipocrisias.
E daí que se lixe o querer do PT.
E daí que se lixe a aversão do PT a Kassab.
Porque Lula quer, o PT terá que engolir Kassab.
Porque Lula manda, o PT terá que ensinar a seus militantes como aplaudir Kassab em São Paulo.
Porque Lula pode, o PT terá que virar as costas para seus princípios e ficar de frente para suas conveniências.
É isso.
O PT é Lula. Lula é o PT.

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

É preciso pressa para conter Duciomar Costa e seu BRT


Duciomar e sua encenação no Entroncamento: ele
vai continuar, impunemente, encenando? E com a
encenação, continuará destruindo Belém?
A empresa Andrade Gutierrez, que ganhou esse brinco, digamos assim, de R$ 430 milhões, o tal BRT (Bus Rapid Transport) que Duciomar Costa pretende cometer em Belém, é muito bem informada.
Muitíssimo, para dizer melhor.
Na semana passsada, antes mesmo de a OAB do Pará protocolar recomendação para que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) interdite ou embargue imediatamente as obras do tal BRT, a empresa já sabia da intenção da entidade.
O vazamento da informação, é claro, não impediu que o advogado Ismael Moraes, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem, protocolasse a recomendação, assinada por ele mesmo e pelo presidente-interventor, Roberto Busato.
Mas é certo que isso demonstra o nível a que estão chegando os interesses para que que Duciomar Costa, livre, leve e solto como sempre esteve, possa impingir à cidade um projeto despropositado, ridículo, inconsequente, incompatível com o Ação Metrópole e que já começou viciado e sob suspeitas, como se depreende de liminar concedida, mas logo depois casssada, mandando suspender a licitação que apontou a Andrade Gutierrez como a vencedora.
O Espaço Aberto apurou que, por enquanto, a recomendação da OAB está sob o crivo da análise técnica da Sema, que já comprovou inexistir licença ou quaisquer outros procedimentos que sejam pré-requisitos para o início das obras do tal BRT.
E o município, muito provavelmente, poderá alegar que há desnecessidade disso. Se lançar mão desse argumento, será mais uma desculpa de Duciomar Costa, o huno - o pior prefeito de Belém em seus quase 400 anos de história -, para driblar as leis ou amoldá-las a seus propósitos.
Aliás, é preciso pressa nessa análise.
Bastante pressa.
Isso porque, se houver demora, estejam certos que Duciomar vai cometer nova encenação.
A primeira, vocês sabem, foi enfiar-se um capacete na cabeça e na de operários, passar a mão numas máquinas e rasgar rumo ao Entrocamento, com a intenção premeditada de rasgar aquele pedaço da cidade, no que seria o início das obras do BRT.
O quebra-quebra, como se sabe foi pura cascata. Pura encenação. Pura tentativa de protagonizar um fato consumado.
Mas é preciso, repita-se, que algum poder se alevante para conter Duciomar.
Não é porque só faltam 10 meses para Duciomar rasgar da prefeitura de Belém que vamos deixá-lo livremente concluindo a sua obra.
E qual a obra de Duciomar?
Destruir Belém, ora pois.

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Jatene no olho do furacão separatista. Pela primeira vez.

Dois meses depois do plebiscito que apontou vitória do "Não", o governador Simão Jatene chega ao oeste do Pará.
Dois meses da vitória do "Não", Jatene poderá mensurar, pessoalmente, o nível dos ressentimentos.
Pela primeira vez, depois de ter endossado a campanha do "Não", muito embora de início tivesse procurado adotar uma postura de magistrado, Jatene colocará os pés numa região que maciçamente - um maciçamente bem perto da unanimidade - votou pelo "Sim" para se separar do Estado do Pará e dar origem ao Estado do Tapajós.
Jatene inicia nesta quarta-feira, por Alenquer, uma viagem que se estenderá a Santarém e Itaituba.
O Palácio dos Despachos só divulgou a viagem ontem à noite.
Por muito pouco, a divulgação não ocorreu quase ao mesmo tempo em que o governador saía de Belém rumo a seus destinos.
A matéria sobre viagem de Jatene só foi divulgada no site da Agência Pará precisamente às 21h32 de ontem. Cliquem aqui para conferir.
Uma explicação para isso, segundo apurado pelo Espaço Aberto, foi a de que ainda havia pendências na definição da agenda de Jatene nas três cidades, daí a demora em tornar pública a informação.

Obras
Em Alenquer, o governador deve assinar ordem de serviço para construção de uma ponte. Antes, visitará uma escola, o estádio municipal, as obras de uma outra escola e o trapiche da cidade.
Depois do almoço, Jatene rasga rumo a Santarém, onde se reunirá com a prefeita Maria do Carmo Martins (PT), integrantes da Associação Comercial de Santarém e empresários locais e de municípios próximos. Após as reuniões, lançará a maquete do novo estádio municipal de Santarém, chamado de Colosso do Tapajós.
O governador dorme na Pérola do Tapajós e, amanhã, entregará novas viaturas para as polícias Civil e Militar para o Centro de Perícias Científicas. Depois, participará de debate na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), sobre planos de desenvolvimento econômico para a região.
A parada seguinte será Itaituba.
Lá, por enquanto, ainda não se sabe o que o governador irá fazer.
Ou pelo menos não se sabia ao certo até ontem à noite, quando a notícia foi divulgada pela Agência Pará.

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Remo perde, apanha, bate e oferece dois péssimos exemplos

O Remo, em Marabá, perdeu o jogo, apanhou em campo, bateu em campo e, no final das contas, acabou sendo protagonista de um péssimo exemplo.
O Remo perdeu para o Águia por 2 a 0.
Apanhou em campo - literalmente - na pessoa de Aldivan, seu jogador agredido covardemente por Alexandre Carioca, do Águia, num ato criminoso que repercutiu no país inteiro.
O Remo bateu em campo - literalmente - na pessoa de Magnum, que levou a nocaute um adversário, na confusão que se formou.
E qual o péssimo exemplo do Remo e dos remistas?
São dois.
Primeiro, a impunidade com que Magnum está sendo brindado.
O Águia já decidiu multar Alexandre Carioca com 50% de seu salário. Pelo menos isso.
E o Remo? Fez o quê com Magnum?
Até agora, nada.
Absolutamente nada.
O segundo péssimo exemplo é pior do que o primeiro.
Muito pior.
Aldivan, que levou uma pancada nas costas, foi levado a um hospital, sob o acompanhamento de um enfermeiro do Remo.
Lá, tiraram uma radiografia das costas dele.
Constatou-se que sofreu lesão leve.
Ou por outra: constatou-se que não houve fratura, como muitos temiam.
Do hospital, Aldivan foi à polícia.
Diante do delegado, ouviu o seguinte: se fosse do interesse da vítima registrar uma ocorrência contra Alexandre Carioca, Aldivan teria que se submeter a um exame de corpo de delito e o delegado, de imediato, meteria Alexandre Carioca no xadrez temporariamente, eis que ainda estava dentro do flagrante.
Eis que Aldivan se encheu, digamos assim, de compadecimentos.
Ali mesmo, e após ter visto mulher e filhos de Alexandre Carioca chorando na polícia, tomou-se de compaixão e preferiu deixar o dito pelo não dito; ou deixou por menos a pancada que levou.
Mas que coisa!
Por que Aldivan fez isso?
E por que o departamento jurídico tolera que o faça?
Aldivan deveria ser convidado, por algum cardeal, cartola, colaborador ou seja lá o que for, do Remo, a considerar que esse seu gesto é contributo dos maiores para que a violência prepondere.
O Remo deveria fazer lembrar Aldivan lembrar-se que o próprio Remo foi agredido, na pessoa de seu jogador.
E aí?
E aí que doutores do jurídico do Remo deveriam explicar que, mesmo diante da expressa renúncia do jogador em registrar a ocorrência polícia contra o colega, mesmo assim ainda caberia a apresentação, diretamente ao juiz, de uma queixa-crime.
A queixa-crime poderia ser amparada por provas materiais insofismáveis, como a radiografia da lesão e as imagens - fartamente veiculadas por emissoras de TV de todo o Brasil e disponíveis na internet -, de que houve um crime passível de reparação judicial.
Se o Remo se eximir de adotar tais providências, tanto com relação a Magnum como relação à pancada que atingiu Aldivan, não terá condições morais de pedir punição ao Águia, inclusive com a interdição do estádio Zinho Oliveira.
Ou terá?

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Quem fiscaliza a OAB?



Por ANTONIO SBANO

A novel democracia brasileira, construída após a revolução, está se aperfeiçoando a cada dia.
Assuntos até então guardados a sete chaves, são debatidos e colocados à público, como forma de transparência e do interagir da população, depurando sistemas e em busca de uma gestão pública moralmente correta.
Estamos às vésperas do julgamento do “mensalão”; ministros do Executivo são demitidos, ou se demitem, diante de escândalos (infelizmente após deixarem os cargos nada mais se apura); Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores são avaliados a cada quatro anos e, muitos, recebem cartão vermelho do eleitor.
Em meio a acirrados debates, não quanto à sua existência, mas acerca dos limites de seus poderes, o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público vêm dando sua contribuição à construção dessa nova sociedade. Instituições novas e que ainda dependem de encontrar seu próprio rumo e que, não raro, diante dos novos desafios, cometem alguns erros, de pronto, corrigidos pelo STF (esse, a salvo do controle do CNJ!).
Juízes e Promotores são fiscalizados diuturnamente pelas partes e seus laboriosos advogados. Das decisões sempre cabe recurso para instâncias superiores e, ainda assim, criou-se um órgão de controle externo e destinado, sobretudo, a buscar o aperfeiçoamento da máquina judiciária.
A Constituição cidadã em seu art. 133, diz ser o advogado essencial à Justiça e, lei ordinária, a eles conferem poderes especiais para o exercício de seus múnus, privado, mas de relevante cunho público. Não é demasiado dizer que aos advogados privados se somam aqueles que exercem atividades públicas.
A OAB é entidade privada, mas com status de autarquia e foro especial.
Em data recente, o Presidente do seu Conselho Federal foi, e é, alvo de sérias e graves denúncias – e quem as apura senão seus próprios pares. Interessante que esse mesmo Presidente levanta sua voz para dar poderes ilimitados ao CNJ, sob argumento de que juiz não julga juiz – a máxima vale para os juízes, não para os advogados!?
Os julgamentos no Poder Judiciário são públicos, até por força de norma constitucional a não admitir julgamento secreto. Mas, o Estatuto da Advocacia, em seu art. 72, prevê que os advogados sejam julgados em sessões secretas. Por que o Procurador-Geral da República não argüi a inconstitucionalidade de tal dispositivo?
Detentores de um múnus público, figuras essenciais à Justiça, estão a salvo de qualquer fiscalização da sociedade, somente sendo julgados por seus próprios pares e, repita-se, em sessões secretas.
Não se pode compreender e admitir que, nos dias atuais, quando os Conselhos estão prestando relevantes serviços à Nação – e a própria OAB os defende com unhas e dentes, não se tenha, ainda, um Conselho Nnacional da Advocacia Públia e Privada.
Tal Conselho, a ser formado nos mesmos moldes do CNMP e do CNJ, deve ser integrado por advogados, magistrados, promotores e pessoas da sociedade indicadas pelas Casas Legislativas.
O remédio que é salutar para os outros, deve servir, na mesma medida e dose terapêutica para aprimorar a advocacia, pública e privada, além de abrir um canal permanente para que o povo possa reclamar contra os desvios de conduta profissional, e não são poucos.

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ANTONIO SBANO é magistrado, professor universitário e Presidente da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais
Artigo disponível no site da Anamages

Edmilson critica a violência na Região Metropolitana

O deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) apontou o contraste entre o discurso do governo do Estado e a realidade revelada em pesquisas de institutos respeitados e notícias de jornais, no que se refere à violência.
“Me entristeceu a manchete (O LIBERAL de domingo, 12) dando conta de que pelo menos oito são mortos por dia, na Região Metropolitana de Belém. As crianças e os adolescentes pobres, especialmente negros e indígenas, são as principais vítimas. Cadê o governo para dizer que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), O LIBERAL e os institutos de pesquisa estão errados?”, questionou, da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado, nesta terça-feira, 14.
“A sensação de violência na população é grande e generalizada. Todo mundo anda nas ruas ou de carro, com medo. Aqui e ali um vizinho foi assassinado ou marido que matou a mulher. Quando a violência atinge apenas os pobres, a gente diz tudo bem. Acontece até as autoridades de Estado são vítimas de sequestros curtos. Os dados das últimas pesquisas sobre a violência e as mortes nas cidades, mostram que Belém está entre as cidades líderes de mortandade no país”, observou.

Fonte: Assessoria de Imprensa