sexta-feira, 22 de junho de 2018

Neymar ainda está mal. Mas pode logo fazer a diferença.


Neymar está mal.
Ainda se recupera da cirurgia.
Em dois lances, se já tivesse voltado a ser totalmente Neymar, teria resolvido a parada.
Convém, no entanto, trabalhar o psicológico do Neymar.
Ele é um craque. Desequilibra um jogo. É o melhor jogador da seleção brasileira. Mas não está, ainda, no melhor de suas condições físicas. E está nervoso com as cobranças, o que é natural em se tratando de um atleta diferenciado como ele.
Hoje, se esse jogo demora mais um pouco e o Brasil não conseguisse fazer o gol, Neymar seria expulso.
E já tem um cartão amarelo, ninguém esqueça.
Na Copa, dois amarelos significam suspensão para o próximo jogo.
Os amarelos serão zerados apenas para as semifinais.
É preciso, por isso, ter cuidado.
Ah, sim.
E na simulação do pênalti?
Mais uma vez, Neymar foi deplorável, quase patético.
Ainda não disseram pra ele que há 1.500 câmeras filmando tudo.
Não adianta, portanto, continuar com essas encenações vergonhosas.
Neymar está jogando 50% do que pode.
Se jogar 70%, já fará uma grande, uma enorme diferença.

Nesta Copa, a melhor defesa é a defesa mesmo


Mas que Copa horrível, né?
A Copa da Rússia está contrariando aquela velha máxima de que a melhor defesa é o ataque (foi Neném Prancha quem disse? - sei lá). Nesta Copa, a melhor defesa é a defesa mesmo.
Porque o Brasil ganhou por 2 a 0 da Costa Rica, ainda há pouco, enfrentando um paredão que durou, acreditem, 91 minutos.
A Islândia, contra a Argentina, também botou 950 atrás, fez três ataques, empatou o jogo e está sendo saudada pelos coleguinhas como um exemplo de disciplina tática (mamãããããeeeeeeeeeee).
É uma pena que times fechados estejam sendo exaltados por isso.
Não que defender bem seja uma demérito.
Não.
O Brasil, um time muito ofensivo, tem um sistema defensivo dos mais eficientes.
Agora, elevar à condição de um dogma essa parada de que times menores, que armam uma retranca quase intransponível, como Costa Rica, Islândia e outros, devem ganhar uma estátua por sua alegada disciplina tática já é demais.
Sinceramente, é demais.
Enfim, que venha a Sérvia.
Que joga bola, vale dizer.
A Sérvia não se defende apenas.
Ela joga bola.
A seleção de Tite precisa manter-se ligada.
Ligadíssima.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Ciro Gomes, quando está destemperado, está "normal"


Ciro Gomes, o candidato do PDT a presidente, está, digamos assim, atingindo um nível de excelência incomparável em termos de destempero verbal e instabilidade emocional.
Em todo debate de que participa, ele é questionado sobre sua instabilidade emocional. O que é natural, em se tratando de quem postula ser o presidente de um país.
Assim foi na manhã desta segunda-feira (18), quando foi entrevistado na Jovem Pan.
E o que aconteceu?
Ciro saiu de lá com mais um processo nas costas: por injúria racial.
É que ele se referiu ao vereador do DEM-SP Fernando Holiday (na imagem), ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre), de "capitãozinho do mato".
Hehe.
Ciro Gomes, quando está destemperado, em verdade ele está "normal", está calmo.
Calmíssimo.
É porque nós não conseguimos alcançar a amplitude dessa calmaria, dessa placidez interior de Ciro Gomes.
Putz!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Nunes, o coronel, é mesmo um cara de sorte. Mas ele acha isso?


Vejam só como o coronel Nunes, o paraense que preside a CBF, é mesmo um cara de sorte.
Na Rússia, ele tem divertido a patuleia (como diria Elio Gaspari) em suas confusões geográficas e por ter, acreditem, votado - por engano, diz-se - no Marrocos para ser a sede da Copa de 2026, e nã nos Canadá, Estados Unidos e México, que afinal vão sediar o evento conjuntamente.
Por quebrar esse pacto, Nunes está sendo isolado, escanteado pela cúpula do futebol mundial.
Ficar isolado da cúpula do futebol deveria ser a glória - moral, pelo menos - para qualquer cartola.
Agora, se Nunes, o coronel, pensa assim, isso ninguém sabe.

Neymar, Bruna Marquezine só existe fora de campo. Dentro, é outra coisa.


Sério: o melhor da Copa - desta Copa - são os memes.
Sobretudo os que estão fazendo sobre Neymar.
Divirtamo-nos com eles, os memes, e fechemos os ouvidos para essa discussão boba, ridícula, sem sentido sobre até que ponto o cabelo do craque brasileiro teria influenciado a sua péssima atuação no empate frustrante do Brasil com a Suíça, no sábado.
Ora, Neymar jogou mal não porque o cabelo dele está amarelo, roxo, azul, branco ou lilás.
Jogou mal porque, acreditem, jogou mal.
Pronto.
E ponto.
Agora, é fato que Neymar, não é de hoje, precisa ser trabalhado na sua personalidade dentro de campo. Fora, deixemos que ele faça o que bem entender. Inclusive namorar com Bruna Marquezine, ora bolas.
Mas, dentro de campo - aí, meus caros, não haverá nem abraços, nem beijinhos, nem carinhos sem ter fim. Não mesmo.
É preciso que alguém encoste no Neymar e diga pra ele, singelamente e em português, mais ou menos assim:
- Olha, garoto, você é um dos melhores jogadores do mundo. É um craque. Tem talentos raros. E você foi feito pra apanhar mesmo. E muito. Foi feito pra ser caçado. Foi feito pra levar bordoadas, cair e se levantar.
Porque é assim.
Fora dos braços de Marquezine, é assim mesmo. Não tem outra alternativa.
Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, também é caçado.
Messi, que já foi o melhor do mundo e sempre está perto de ser de novo, também.
Quando levam bordoadas, não os vemos gargalhando, é certo. Mas nota-se que encaram a situação como parte do jogo. Uma parte chata, vá lá. Mas parte do jogo, de qualquer forma.
Neymar, não.
Quando leva um tranco um pouco mais forte, ele faz aquela cara de por que só eu? Por que ninguém gosta de mim? Por que eu sou o único na face da Terra a ser visado? Por que não têm piedade de mim?
Outra vezes, a cara, normalmente voltada para o árbitro, é de completo deboche, tipo como quem estivesse cobrando que o adversário fosse deportado para os confins do mundo.
É isso que chateia a galera e que contribui para esses memes deliciosos, que normalmente passam de Neymar a aparência de ser exótico, de mimado, de cheio de mimimis e chororôs. Uma aparência de quem quer aparecer (hehehe).
O cara é um craque.
É bem, bem, bem acima da média.
Tem tudo para ser o melhor do mundo.
Seu incrível talento realmente é fator de desequilíbrio.
Mas a forma como Neymar se porta e se conduz dentro de campo precisa ser trabalhada por especialistas talhados pra isso.
No mais, e depois de ser caçado em campo, é só relaxar fora de campo, aí sim, com abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.
Porque ninguém é de ferro, né?

domingo, 17 de junho de 2018

Flávio Rocha aposta em ser “outsider”. Deu! Deu mesmo!




Flávio Rocha, o pré-candidato do PRB ao Planalto, está emplacando 1% das intenções de voto.
Mas não desiste.
Matéria da Folha diz que ele “apresenta como trunfo pesquisa qualitativa que contratou e que aponta seu perfil como o ideal: de fora da política, com experiência de gestão”.
Com todo o respeito – todo mesmo.
Mas essa história de que outsiders (vide Trump e Dória) da política credenciam candidatos a voos maiores está cansando.
Como diria aquela garotinha desse meme memorável: Deu!

Ouçamos Tostão. Leiamos Tostão. E controlemos nossa soberba.

Eu também.
Assino embaixo, com todas letras - sem faltar nem uma -, o que diz Tostão.
E o mais preocupante do que o clima de perfeição que envolve o Brasil é  ver coleguinhas da Imprensa mostrarem-se próximos, muito próximos, de ingressar de pés e cabeça nessa onda de já ganhou.
Isso é o que preocupa mais, porque retira o senso crítico.
Quero, claro, que o Brasil ganhe de 7 a 1 da Suíça.
Mas convém controlarmos a nossa soberba.


sábado, 16 de junho de 2018

Um futebol horroroso, o da Islândia. Mas esse foi o seu prêmio.


Horrível.
Horroroso.
Primário.
Sem qualquer recurso técnico.
Esse time da Islândia é tudo isso.
Ou pelo menos foi tudo isso neste jogo com a Argentina.
Mas a Islândia empatou este que foi o jogo de sua vida, em sua primeira Copa.
E ainda perdeu duas oportunidades certas de fazer gols.
E a Argentina?
Passou quase os 90 minutos jogando no campo adversário.
E perdeu até pênalti, não convertido por Messi (na imagem da Reuters), um dos melhores jogadores do mundo. E pra mim, o melhor do mundo.
O futebol é bom por isto: por suas imprevisões.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A condução coercitiva já deveria ter sido proibida há mais tempo


Com todo o respeito, todo mesmo, às opiniões divergentes, mas andou bem, muito bem o Supremo ao proibir as conduções coercitivas.
Até que o bom senso e a racionalidade digam o contrário, não há a menor lógica em compelir, obrigar um cidadão a dirigir-se a uma delegacia de polícia para prestar depoimento, se esse ato, a condução coercitiva, poderá mostrar-se absolutamente inútil para o objetivo almejado.
Sim.
Porque, em regra, como seria a consumação completa, perfeita, plena do ato de coerção?
Que o investigado fale, obviamente.
Mas a Constituição garante ao investigado chegar na frente do delegado e dizer simplesmente: “Falarei apenas em juízo”.
Pronto.
E acabou-se o que era doce.
Aliás, a Constituição também garante que até mesmo diante de qualquer juiz, o réu se mantenha em silêncio, desde que a juízo dele, o réu, seu depoimento possa produzir provas contra ele próprio.
Então, por que não preferir-se a intimação, em vez da condução coercitiva, que normalmente é feita sob o espetáculo dos holofotes, deixando exposta a constrangimentos uma pessoa que é apenas investigada e em favor da qual, obviamente, deve prevalecer a presunção da inocência?

CR7 não é o melhor do mundo. Mas hoje foi.


O que eu já disse aqui, mantenho integralmente: Cristiano Ronaldo é o cara. Mas não é o melhor do mundo.
Diga-se, todavia, por justiça, em homenagem aos fatos (contra os quais ninguém deve brigar) e em respeito à lógica clamorosa: Cristiano Ronaldo (na imagem do G1), hoje, fez jus ao título de melhor do mundo.
Com os três gols que marcou contra a Espanha, convém considerar que a seleção de Portugal é CR7 e mais dez.
Simples assim.
Incontestavelmente.

MPF e MPPA investigam denúncia de novos vazamentos



O Ministério Público recebeu por volta das 14 horas desta quinta-feira (14) uma denúncia de que estavam ocorrendo novos vazamentos na área do Depósito de Rejeitos Sólidos n° 2 (DRS-2) da refinaria de alumina Hydro Alunorte, em Barcarena (PA), e de que inclusive estaria ocorrendo uma movimentação de maquinário no local.
A partir disso o Ministério Público requisitou à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semas), à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), ao Centro de Perícias Renato Chaves, ao Instituto Evandro Chagas (IEC) e aos técnicos do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (Gati) que fossem ao local constatar a situação.
Os técnicos foram imediatamente ao local e, ao chegarem à área, constataram que estava realmente ocorrendo uma intervenção da empresa com maquinário na área de intervenção do DRS-2.
Foram coletadas pelo IEC amostras de água para análise, pois existia uma área bastante inundada. A situação será verificada e, se confirmado atentado à decisão judicial em vigor, levada ao Judiciário.
Os integrantes da força-tarefa notificaram a empresa Hydro para que preste esclarecimentos em até 48 horas.

Fonte: Assessoria de Imprensa do MPF

terça-feira, 12 de junho de 2018

Sonho meu: entalar Kim de açaí e maniçoba e, depois, ganhar o Nobel da Paz



Mamããããããeeeeeee!
Já tem jornalista por aí, dos mais respeitáveis, diga-se, defendendo que Trump e King Jong-un devem receber o Nobel da Paz pelo encontro histórico que resultou na assinatura de um acordo, também histórico, nesta terça-feira (12), em Singapura.
Vou confessar uma coisa.
Não tenho medo de líderes instáveis, imprevisíveis e desequilibrados como Trump.
Também não me atemorizam muito líderes desmiolados e cruéis - no caso, esse carniceiro selvagem que comanda a ditadura da Coreia do Norte.
Tenho medo mesmo de quem acha que uma atitude, apenas e tão somente uma (ainda que edificante, sem dúvida), de líderes instáveis, imprevisíveis, desequilibrados e cruéis é capaz de apagar todas as crueldades que já cometeram e evitar os riscos que seus desequilíbrios e instabilidades ainda são capazes de disseminar no mundo inteiro.
Aliás, registre-se uma avaliação – ou, se quiserem, um diagnóstico – de Trump sobre Kim: "Aprendi que ele é um homem muito talentoso que ama muito seu país. É um negociador de valor, que negocia em benefício de seu povo."
Putz!
Eu quero ir pra Coreia, gente.
Não a do Sul, mas a do Norte.
Já estou encomendando o isopor para adubá-lo com 5 litros de açaí, 4 quilos de maniçoba e 6 quilos de camapu.
Quero entalar Kim Jong-un com tudo isso e ver o que acontece.
Quem sabe, depois, que não ganho o Nobel da Paz, né?

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Almirante diz que o Brasil “navega em mar encapelado”. Vish!

Almirante Leal Ferreira: um país navegando em mar encapelado. Eu, hein!

Ninguém deu nada por ela.
Pelo menos não vi registros, digamos assim, mais enfáticos.
Mas a ordem do dia do comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, pelo transcurso da Batalha Naval do Riachuelo, data magna da força transcorrida nesta segunda-feira (11), tem uma passagem no mínimo instigante, se é que se pode chamá-la assim.
“Nesses tempos incertos e nebulosos, a Pátria navega em mar encapelado, hesitando na busca de um rumo que nos traga maior estabilidade interna e um mínimo de coesão em torno dos grandes objetivos de desenvolvimento econômico e social”, diz o almirante na ordem do dia.
Mar encapelado.
Busca de rumo que nos traga maior estabilidade interna.
Vish!
Para quem quiser ler na íntegra, clique aqui.

Coleguinhas precisam ser mais jornalistas e menos "tietes" do Tite


Impressionante nossos coleguinhas jornalistas, aqueles da crônica esportiva, como se dizia há 150 anos.
Em cada 10, em média oito e meio viraram tietes do Tite e, em consequência, transformaram-se em efusivos áugures (ui!) do Brasil grande, hexacampeão e excelência do futebol mundial.
Hehehe.
Esses os coleguinhas, podem estar secando o Brasil, mesmo sem querer, é claro.
Esses coleguinhas podem estar sendo que nem um amigão aqui do repórter - amigão do peito: ele é um remista convicto, mas uma vez, revoltadíssimo, resolveu fechar o caixão do Remo, torcendo contra o seu próprio time. E olhem só o Remo onde está.
E tem mais: a panemice do cara é tão, como se diz, aguda que ele, só de pensar no Leão durante uma partida, a derrota será certa. Mesmo se estiver ganhando, o Remo perde de virada. Impressionante!
Mas, deixando os panemas de lado (hehehe) e voltando ao Tite, o comandante da seleção, sem dúvida, é o mais competente técnico brasileiro da atualidade e um dos maiores do continente.
Sua competência amoldou a seleção para seguir não um esquema tático determinado, estanque, fechado, imutável.
Ao contrário, o esquema que Tite é capaz de mudar conforme exige a partida, ao mesmo tempo em que os atletas não precisam ficar reféns de uma determinada forma de jogar.
Por isso é que no jogo amistoso contra a Áustria, por exemplo, foram feitas seis substituições, sem que a equipe tenha sido desfigurada. Muito pelo contrário: continuou ofensiva e com seu sistema defensivo bastante sólido.
Pronto.
Aí estão, delineados, os méritos de Tite e de sua seleção.
O que não aprecio muito no treinador é a sua performance que tende, muitas vezes, a ser bem parecida com a desses palestrantes de auto-ajuda, que são capazes de dar um bom dia sorrindo, muito embora, em certas ocasiões, estejam doidinhos pra mandar o mundo às favas - com todas as adjetivações correspondentes.
Tite é aquele que, se você der um simples "bom dia", ele vai lhe responder falando sobre a importância do coletivo.
Isso fica chato.
Fica meio antinatural.
Fica meio forçado.
E daí a gente tem a impressão de que, se o Tite tocar num BRT, por exemplo, o BRT vira ouro. Pode até continuar sem prazo de conclusão, mas vira ouro - rebrilhante e exposto para o admirarmos.
No mais, é preciso parar de considerar que o Brasil é o favorito da Copa.
Um dos favoritos, isso pode até ser!
Mas considerá-lo o favorito é arriscado.
Enfim, vamos ver no que vai nadar.
Pelo sim, pelo não, já vou combinar com o meu amigo fecha caixão do seu próprio time que ele, se possível, torça para Alemanha e França ao mesmo tempo.
Se eu conseguir sensibilizá-lo a isso, vocês podem apostar que essas duas favoritas já estão fora do caminho da seleção de Tite.
Tim-tim!

Ônibus fora da faixa. Alguém já viu isso por aí?



Espiem para que está servindo essa dita faixa exclusiva de ônibus.
Está servindo para os ônibus não trafegarem na faixa exclusiva deles, ora bolas.
As fotos enviadas ao blog por um leitor mostram um ônibus fora da faixa, na Governador José Malcher quase esquina com a 14 de Março.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Viva Gaby Amarantos! Porque alguém deveria dizer a Silvio Santos o que ela disse.


Viva Gaby Amarantos!
A cantora paraense acaba de incluir-se entre as vozes isoladas que discordam frontalmente da ideia – errônea, equivocada, ilógica e irracional – de que os idosos podem dizer e fazer qualquer coisa que serão perdoados e inocentados.
Apenas e tão somente porque são idosos.
Sílvio Santos, por exemplo.
Há tempos que ele vem se excedendo, deploravelmente, em declarações malucas, preconceituosas, grosseiras, vergonhosas e desavergonhadas.
Mesmo assim, invariavelmente, todos rimos, batemos palminhas e fazemos muxoxos, tipo: “Ah, deixa pra lá. Ele já está velho mesmo. Kkkkkkkkkkkkkkkkk”.
Kkkkkkkkkkkkkkkkk uma ova!
Devagar com os limites de nossas reverências a idosos como Silvio Santos, que inegavelmente é um emblema da história da televisão no Brasil.
Devagar com os limites de nossas reverências a idosos quaisquer, inclusive os anônimos.
Gaby escreveu em seu perfil no Twitter uma crítica elogiavelmente direta, ácida e racional a Sílvio, após mais uma de suas grosserias dirigidas a artistas.
"Sério que vcs acham Silvio Santos ídolo? O cara fez a gente crescer vendo-o ridicularizar negros/mulheres/gays/plus e ganhar mídia com isso. Cês tão mal de ícone viu, ñ dá mais pra normalizar isso!”, criticou a cantora.
Ponto pra Gaby Amarantos.
Porque, ao contrário da noção corrente que está se formando, idosos que se encontrem no pleno domínio de suas faculdades mentais não estão imunes a contestações sobre suas condutas. Muito pelo contrário.
Vejam essa historinha.
Na última quarta-feira, eu trafegava pela Alameda Mac Dowell, aquela que liga a Braz de Aguiar à Gentil, por volta das 12h30. A via, para quem não sabe, é estreitíssima. E fica ainda mais estreita porque numa das margens é permitido estacionar. Sobra, portanto, uma nesga para o tráfego de veículos.
Na minha frente, parou um táxi.
Do táxi, saiu uma senhorinha bem idosa. Com absoluta certeza, mais de 70 anos.
Enquanto ela saltava, esperei pacientemente, compreendendo inclusive a vagareza com que saía do carro, por imposição das condições físicas inerentes à sua idade avançadíssima.
Enquanto ela entrava no portão de sua casa, o próprio motorista saiu do táxi e abriu o bagageiro.
Tomei um susto: no bagageiro, estavam de 10 a 15 sacos com as compras do supermercado que a senhora havia feito.
Era inacreditável: teríamos – eu e outros motoristas que eventualmente estivessem atrás de mim – que esperar o taxista, coitado, tirar sozinho todos os sacos, porque a própria senhorinha não poderia fazer isso. E eram uns 15, como já dito.
Ponderei com o motorista se ele não poderia subir na calçada por 15 segundos, para que passássemos. Depois, ele continuaria a descarregar as compras.
O motorista disse que não podia, porque estava sob a orientação da idosa.
De dentro da sua casa, falando alto, ela foi incisiva e terminante:
- Não. Ele [o taxista] vai ficar com o carro aí. Não há lugar na calçada.
- Mas é um absurdo a senhora fazer isso. Porque está obstruído a passagem. E há lugar na calçada – eu respondi.
- Mas eu moro aqui há 50 anos e sempre fiz assim.
Hehe.
E tivemos que esperar todo o descarregamento, diante do constrangimento do próprio taxista e de uma secretária da casa, que também saiu para ajudá-lo a tirar os sacos do táxi.
Essa senhora está imune, intocável em relação ao que diz e ao que faz porque tem 70, 80 ou 250 anos?
É claro que não.
Pode determinar a um taxista que feche uma via pública para que sejam descarregadas as compras do supermercado?
Não pode?
Pode comprar dez toneladas de gêneros para a sua despensa e não se mostrar nem um pouco preocupada com a demora em descarregá-los porque, sendo idosa, teria supostas imunidades em decorrência de seus atos?
Vocês estão de brinca se acham que sim.
A senhora demonstrava toda a aparência de estar no domínio pleno de suas faculdades mentais.
Se assim é, alguém tinha de lhe dizer, clara e enfaticamente, que ela estava errada – porque estava – e cometia uma absurdez – porque, de fato, cometia.
Se Sílvio Santos segue com suas grosserias, era preciso que alguém dissesse isso.
Gaby Amarantos disse.
Viva ela!
Porque idosos – de 70, 80 ou 300 – merecem o nosso carinho, o nosso afeto, o nosso cuidado, o nosso respeito e as nossas reverências.
Mas, estando plenamente sãos mentalmente, devem saber que estão errados quando estiverem errados.
Simples assim.
Ou não deve ser assim?

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Por onde anda o Mouco?


Falando sério.
Elsinho Mouco ficou a nos dever.
O marqueteiro de Temer, que, entre outras engenhosidades, animou seu marquetado a praticamente levar uns tabefes dos ocupantes de prédio que desabou em São Paulo, no dia 1º de maio passado, não sugeriu nada de engenhoso para o chefe durante a greve dos caminhoneiros.
E assim Temer não nos divertiu.
Tudo por culpa de Mouco, esse engenhoso.

O "prestígio" de Pedro Parente


Parente caiu.
Estava "prestigiado".
É como se disse aqui: na linguagem dos boleiros, o "prestigiado" sempre acaba caindo logo, logo.
Aprendam com os boleiros, pois.

Bebê com cardiopatia congênita precisa de ajuda


David, o bebê que vocês estão vendo na imagem, nasceu com uma cardiopatia congênita complexa.
De acordo com o jargão médico ele tem “duplas vias de entrada de ventrículo único esquerdo com vasos em transposição”, além de “coarctação de aorta importante e artérias pulmonares cruzadas”.
Por conta dessa cardiopatia, com apenas 12 dias de vida ele foi transferido em UTI aérea para São Paulo, onde se submete a tratamento cirúrgico em três etapas.
David já passou pela primeira cirurgia e aguarda a segunda.
Precisa de doações para custear as despesas da família em São Paulo.
Amigos e familiares fizeram uma vaquinha virtual.
Quem estiver interessa em contribuir, clique aqui.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Caminhoneiros são essenciais, sim. Mas podem matar?


Um caminhoneiro foi morto, em Rondônia, com uma pedrada que o atingiu na cabeça.
Os autores são manifestantes - também caminhoneiros.
Quem?
Ninguém sabe.
Em outros estados do país, cenas chocantes de caminhoneiros sendo retirados de seus veículos aos murros, aos socos.
Por quem?
Por outros caminhoneiros.
Em Belém, repórteres - vários - foram ameaçados, intimidados e agredidos por manifestantes na BR-316. Os veículos em que os jornalistas se encontravam foram atingidos com pancadas.
Caminhoneiros, porque conseguiram parar o País, comprovaram que prestam, de fato, uma atividade essencial. É um fato!
Isso, no entanto, lhes dá o direito de matar, espancar, agredir e ofender?
É isso?

terça-feira, 29 de maio de 2018

Pedro Parente está "prestigiado". Quando ele cai?


Mas que coisa!
Até duas semanas atrás, pouco antes de começar a greve dos caminhoneiros, Pedro Parente, presidente da Petrobras, firmara-se no panteão dos heróis como o salvador da pátria da estatal, que ainda não se recuperou plenamente da roubalheira colossal, conforme mostra a Lava Jato.
Aí, os caminhoneiros pararam.
O caos, ou meio-caos, instalou-se.
A política de preços da Petrobrás, que obedece às variações do câmbio, virou uma espécie de corpo estendido no chão, à espera de que apareça uma alma compadecida para enterrá-la.
Além disso, a paralisação flagrou o governo Temer em seu momento mais momento: sem articulação política, sem interlocução com movimentos sociais e cheio de burocratas que passaram a desconhecer até  mesmo uma conta de aritmética para calcular os custo das medidas para acalmar os caminhoneiros.
Resultado: Pedro Parente está prestigiado.
Na linguagem dos boleiros, vocês sabem, quando se diz que um técnico de futebol está prestigiado, é sinal de que o cara já está pra sair.
O já saiu e ninguém nem notou.

Chega o "Rita Soares". Evoé pra "nóis!'


Evoé!
Rita Soares vem aí com o seu, simplesmente e maximamente, Rita Soares.
Nesta internet desvairada, despirocada, alucinadamente intolerante e transformada em repositório de mentiras, boatarias e bobagens sem fim, tudo resumido no que a pós-mudernidade está chamando de fake news, a presença dela é um bafejo de inteligência.
Dispenso-me de apresentar a Rita, uma das repórteres mais qualificadas com quem já trabalhei.
Quem ainda não a conhece, mas quer conhecê-la, veja aqui o que ela diz sobre ela mesma.
Ah, sim.
E do currículo, o que mais eu gostei, sério mesmo, foi do seguinte: Torcedora do Remo, tia coruja, corredora e apaixonada por notícias.
De novo: evoé!

LeBron: simplesmente inacreditável


Alguém aí acompanhou os playoffs da NBA que indicaram os Cavs e os Warriors como finalistas?
Eu assisti.
E estou mais convencido de que LeBron James não é propriamente um ser humano.
É uma máquina.
No melhor sentido desse termo.
Sem brinca.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A calçada pode virar garagem?



A foto é de leitor do blog.
Essa loja no Umarizal, que não tem garagem, resolveu colocar uma rampa de acesso à calçada e pintou uma faixa de proibido estacionar.
A garagem será a calçada, porque, como se disse, a loja não tem garagem.
É isso mesmo?
Pode, Arnaldo?

Todos têm direito ao mínimo existencial

STAEL SENA LIMA

"O que estou tentando defender é procurar pela liberdade das pessoas em atingir objetivos."
Amartya Sem, Prêmio Nobel de Economia 

O brasileiro precisa ser e se sentir respeitado pelos governos em geral. A Constituição de 1988 completará 30 anos de vigência neste ano de eleições gerais e continua sendo a única e fundamental garantia de existência sustentável e civilizada. Sem ela, só restará a barbárie para as gerações presentes e futuras.
Os direitos fundamentais retratados de modo exemplificativo na Constituição de 1988 são justificados pelo desiderato de promover a inclusão de todos como instrumento de justiciabilidade, segurança, paz e governabilidade, buscando converter permanentemente a igualdade formal nela expressa em igualdade de fato.
Por conseguinte, o chamado mínimo existencial abrange a finalidade de assegurar condições básicas a cada cidadão para viabilizar o pleno desenvolvimento em harmonia com o bem-estar de todos. Isso, claro, pressupõe o avanço e a eficácia das políticas legislativas, sociais e econômicas que traduzam de fato igualdade de oportunidades e promovam o máximo de inclusão. Por essa razão, ao lado de outras, a Constituição considera vitais os seguintes direitos, a serem prestados pela Administração Pública: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.
Há várias razões para justificar tudo isso. Uma delas é que todos colaboram para a existência dos recursos públicos a serem administrados pelo Estado para promover o bem de todos. Relacionado a essa finalidade, em julho do ano passado, o IBGE demonstrou que a população brasileira chegou a 207 milhões de habitantes.
Bem, talvez alguém discorde total ou parcialmente, mas empresário não paga imposto, recolhe-o. Quem paga? Todos, todas as pessoas, que na qualidade de simples consumidores adquirem um produto ou um serviço, no qual está encaixado o valor do imposto a ser recolhido. Em outras palavras, todos somos os contribuintes de fato da receita que engorda os cofres da Administração Pública.
Somos consumidores 365 dias por ano.
Em países em que se leva a sério a indissociabilidade entre os direitos fundamentais com o mínimo existencial, os índices de violência e pessoas encarceradas são menores e os de satisfação com os governos são maiores. No Brasil, a reserva do possível refere-se predominantemente aos limites dos recursos disponíveis pela Administração Pública para a realização dos direitos fundamentais.
Por conseguinte, a indissociabilidade entre o mínimo vital e a reserva do possível  apresenta-se como imprescindível para a realização do Estado Democrático de Direito e o respeito aos princípios da igualdade e dignidade da pessoa humana.
Ufa, talvez os leitores concordem agora que a insegurança que se intensificou na atualidade em diferentes e intrínsecas dimensões do quotidiano descenda de iniciativas governamentais que têm promovido o distanciamento e o agravamento entre a isonomia formal e a igualdade existencial, evidenciada por retrocessos de direitos. Por isso, a reflexão sobre a relação entre o mínimo existencial e a reserva do possível para a realização dos direitos fundamentais torne-se urgente.
Não há dúvida de que o Brasil ainda tem tudo para ser um lugar bom para todos, mas para isso o povo brasileiro precisa reagir e lutar contra política governamental atual de retrocessos de direitos. Já chega!

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STAEL SENA LIMA é pós-graduado em Direito (UFPA)

terça-feira, 22 de maio de 2018

Vocês querem “Justiça” lenta? Vão pra ONU.



Mas que coisa, hein, gente?
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, rejeitou um pedido liminar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não ficasse preso até o esgotamento de todos os recursos judiciais.
A ONU não avaliou o mérito do pedido, o que significa que o caso ainda será julgado pelo conselho. Na peça, a defesa do petista citou supostas violações praticadas pelo juiz Sergio Moro e pela força-tarefa da Operação Lava Jato.
Sabem quando o pedido de Lula foi protocolado na ONU?
Em julho de 2016.
A previsão é de que não será julgado no mérito antes de seis meses.
E ainda dizem que a Justiça do Brasil – só a do Brasil – é que é lenta.
Pois sim!

Oficiais de Justiça têm encontro regional em Belém

Oficiais de Justiça Avaliadores Federais se reúnem em encontro na próxima sexta-feira (25), no auditório da Justiça Federal, na Rua Domingos Marreiros nº 598, no bairro do Umarizal.
Confiram, abaixo, a programação.


Um elefante branco da Esplanada



SERGIO BARRA

Os descaminhos da política brasileira, de enigmático desfecho, encontram análises díspares. Especialistas sustentam que haveria uma luz no fim do túnel para o governo nesses tempos de crise. É, pode ser. Descontados os que sabem perfeitamente que sofismam, sobram os otimistas e os esquecidos a compartilhar dessa visão. Mas, é fato que, o elegante Palácio da Justiça, projetado por Oscar Niemeyer para abrigar o Ministério da Justiça, tradicionalmente uma das pastas mais importantes do governo federal, está se transformando num castelo de areia, ou melhor, no mais vistoso ministério que desapareceu e, no momento, vive o maior desprestígio político de sua longa história.
O esgotamento do Ministério da Justiça já vinha dando sinais de decadência e já vinha perdendo relevância nos últimos anos. E mais se acentuou depois que o presidente Michel Temer criou, em fevereiro, o Ministério Extraordinário da Segurança Pública. A nova pasta levou a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal, a Secretaria Nacional de Segurança Pública e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), que eram a antiga espinha dorsal do antigo ministério. É bom lembrar que, a PF forma, com a Receita Federal e o Banco Central, a Santíssima Trindade dos órgãos do Estado que está na base do exercício do poder pelo Executivo federal.
Criado no Império de Dom Pedro I, em 3 de julho de 1822, com o nome de Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça. De lá para cá se tornou uma área central da administração, não só do imperador, mas de todos os presidentes desde o nascimento da República. É bom destacar que, pelo ministério, passaram personagens relevantes como Ruy Barbosa, Oswaldo Aranha e Tancredo Neves. Na história recente, a pasta foi chefiada por Saulo Ramos, Paulo Brossard, Oscar Dias Corrêa, Nelson Jobim e Márcio Thomaz Bastos, personagens que tiveram papel fundamental na definição dos rumos políticos dos governos a que estavam vinculados e, por tabela, no destino do país.
O enfraquecimento do ministério começou com a quebra da tradição que, pela importância, o ministro da Justiça deve ter cadeira cativa ao lado direito do presidente da República em reuniões ministeriais. O costume só foi rompido quando, no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então Chefe da Casa Civil, José Dirceu – que gostava de mandar e aparecer –, exigiu o lugar, para demarcar poder. O cargo, não resta a menor dúvida, sempre foi muito cobiçado porque cabia ao titular da pasta duas tarefas nobres: a articulação política com o Congresso Nacional e, de quebra, a interlocução do governo federal com os tribunais. Ou seja, o ministro da Justiça podia discutir as grandes questões nacionais com o privilégio de, aparentemente, estar acima de disputas menores.
O abandono político a que foi submetido o Ministério da Justiça vem se agravando dia a dia. Em grande parte, culpa do próprio ministro Torquato Jardim, que tomou posse em maio passado, num momento em que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot se preparava para fazer a primeira denúncia contra Michel Temer. Em seguida, criticou as investigações contra Temer e, deixou claro, que poderia trocar o diretor da PF. Disse também que o seu conhecimento de segurança pública se resumia ao relato de uma tia vítima de um assalto. Foi a senha para que, semanas depois, Raul Jungmann entrasse em cena para falar sobre combate à violência no Rio de Janeiro e sobre um plano de segurança pública para o país – e ganhasse, no colo, o Ministério da Segurança Pública –, até então seara exclusiva do titular da Justiça.
Na verdade, o Ministério da Justiça está esvaziado porque deixou de ser, na prática, um ministério de Estado e se tornou, em seu sentido decadente, um ministério político de governo.

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SERGIO BARRA é médico e professor

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Fachin manda abrir inquérito. Jader e Helder entre os investigados.


O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura de um inquérito para investigar se houve repasses de cerca de R$ 40 milhões da J&F a políticos do MDB durante a campanha eleitoral de 2014. A decisão foi tomada nesta terça-feira (15) e registrada nesta quarta (16) no sistema do STF. Entre os investigados está o senador Jáder Barbalho (MDB-PA) e seu filho, o ex-ministro Helder Barbalho, pré-candidato do MDB ao governo do Pará. A informação é do G1.
Relator da Lava Jato no Supremo, Fachin autorizou a abertura do inquérito atendendo a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), apresentado em abril.
A investigação tem como alvos os senadores Eunício Oliveira (CE), presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM), Vital do Rego (atual ministro do TCU), Jader Barbalho (PA) e Valdir Raupp, além do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (RN).
Ex-presidente da Transpetro e delator da Lava Jato, Sérgio Machado disse que o PT pediu à J&F, holding que controla a JBS, o pagamento de propina no valor de R$ 40 milhões ao MDB como forma de compra de apoio político nas eleições presidenciais de 2014.

Jornal espanhol dá destaque para violência em Belém


A onda de violência em Belém é destaque no site do El País, o jornal espanhol, em sua versão em português.
Em matéria disponibilizada nesta terça-feira (15), os repórteres Arthur Stabile e Maria Tereza Cruz informam que  80 pessoas foram assassinada na cidade, desde o último final de semana de abril.
Leiam, abaixo, a matéria, que também pode ser acessada aqui.

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A série de homicídios que atinge a região metropolitana de Belém, capital do Pará, desde o último final de semana de abril, reflete a ação de grupos de extermínio, muitas vezes formados por policiais militares, de acordo com especialistas ouvidos pela Ponte. A ação desses grupos acaba legitimando a atuação de milícias, que atualmente disputam o território com outros grupos criminosos, como a PGN (Primeira Guerrilha do Norte), facção local que é rival do PCC (Primeiro Comando da Capital).
O estopim para a ação dos grupos de extermínio foi o assassinato da policial militar cabo Maria de Fátima Cardoso, em 29 de abril. A PM, que já vinha sofrendo ameaças, foi executada em sua casa em Ananindeua, cidade vizinha à capital. Desde então, 80 pessoas foram mortas na região metropolitana, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SEGUP), atualizados até 13 de maio. Foram 10 mortos no próprio dia 29/4, seguidas de 8 em 30/4, outras 10 em 1/5, 11 assassinatos em 2/5, somados a 5 no dia 4/5, outros 4 no dia 5/5 e, 8 homicídios no dia 6/5. Nos dias seguintes, houve registro de ao menos 2 ou 4 homicídios diariamente, incluindo ao menos 3 policiais militares foram mortos, totalizando o número de 80.
Doutora em ciências sociais, a tenente-coronel da reserva da PM paraense, Cristiane do Socorro Loureiro Lima, explica que, quando morre um policial, automaticamente os homicídios crescem, pela ação ilegal de policiais que passam a agir como matadores. “Antes da cabo, tivemos uma semana com sequência de mortes pelo assassinato de um policial. Ouvi de um aluno policial dizendo que eles estão em uma caça e estão sendo caçados. E é essa sensação que se tem”, pondera. “Estamos entrando em um clima de pânico generalizado e da própria polícia. Tenho observado no discurso [de colegas da ativa] que existe um misto do medo com a vingança: o medo de morrer frente à necessidade de fazer algo. ‘É a gente ou eles’, é o que dizem”, analisa Cristiane.

Os corpos ‘matáveis’ dos bairros pobres

A onda de matança que atinge os corpos consideráveis “matáveis, pessoas que não vão falar muito por eles, normalmente em bairros mais pobres”, como afirma a tenente-coronel da reserva da PM paraense, Cristiane do Socorro Loureiro, tem gerado pânico e até mesmo a criação de alguns estigmas. Um deles é o carro prata. É uma coisa meio cega que escolhe aleatoriamente. “Aqui tem muito do carro prata, veículos que param e atiram. Um aluno disse que parou com seu carro perto de um bar e viu um monte de gente sair correndo. É o mito de que o carro prata chega e vai matar quem estiver aí. Carro prata significa morte agora e um toque de recorrer velado”, explica.
Sobre a atuação de policiais nos grupos de extermínio, Cristiane diz que alguns “saem não fardados, mascarados e executando. Não tem a investigação, mas a indicação de serem policiais. A própria secretaria já identificou parte de grupo com policiais da ativa, outros da reserva, outros com grupos criminais. Mas não se apurou ativamente a atuação delas sobre grau de organização”, criticou. Houve a discussão do envio da Força Nacional para tentar aplacar a situação, mas a possibilidade foi descartada.
O geógrafo e pesquisador da área de segurança e geografia urbana Aiala Colares concorda com Cristiane: a investigação falha do Estado não consegue acabar com as mortes. “Existe toda uma relação preconceituosa, de estigmatizar o morador da periferia, o preto, pobre que no final são o principal alvo dos grupos de extermínio. É uma higienização social e isso é terrível. A característica deles enquanto moradores da periferia faz com que se tornem culpados por um crime que não cometeram. A morte nesse caso passa a ter um fator político de poder. Quanto mais você mata, mais poder você demonstra ter”, explica Colares.

Traficantes X narcomilícias

Colares explica que, nos últimos meses, vem ocorrendo a intensificação de conflitos territoriais que envolvem o narcotráfico e as milícias. “A gente já sabe da presença do CV [Comando Vermelho] no Pará, que hoje vem dando ordem para que os policiais sejam expulsos da periferia, sejam executados para que o tráfico possa ocupar tudo. Ao mesmo tempo, há uma disputa pela milícia, que passou a querer se apropriar do tráfico, extorquindo traficante, executando. A gente já pode falar em narcomilícia atuando no Estado”, afirma.
O tráfico de drogas começa a atuar na periferia da grande Belém, nos anos 90, no contexto das chamadas gangues, de forma pulverizada, não organizada. Alguns dos bairros são Cabanagem, Terra Firme e Tapanã. A partir do momento que esses grupos costuram alianças com o Comando Vermelho, que já tinha uma estrutura, essas gangues vão se transformando em facções ou sendo absorvidas pelo próprio comando. O pesquisador aponta que, hoje, há pelo menos 9 grupos — entre facções criminosas e milícias — atuando no território. A aliança da FDN (Família do Norte) com o CV foi fundamental para o domínio completo da rota da cocaína Manaus-Pará e fez surgir uma nova facção local, especializada em assalto a banco e roubo de caixa eletrônico: a Primeira Guerrilha do Norte (PGN). Essa articulação em rede, basicamente, quer barrar a entrada do PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado.
Aiala explica que as disputas passam pelo domínio do território por interesse econômico na “rota do pó”, que oferece vantagem aos parceiros, pelo custo operacional ser mais baixo do que a dominada pelo PCC, que comanda hoje rotas que passam pelo Paraguai, Mato Grosso e Bolívia. “O Pará acabou se tornando um importante nó na rota da cocaína do Comando Vermelho, que vem de Manaus e escoa, em grande parte, para o Sudeste do país”. Em 2014, o PCC chegou a Belém para fazer uma articulação com um grupo ligado ao tráfico de drogas em Terra Firme, na capital paraense. Mas a estratégia não vingou. “Quando se deflagra o conflito entre a FDN e PCC nos presídios, os grupos de tráfico de Belém acharam mais interessante se aproximar do CV porque a cocaína passa por Manaus e acaba sendo vantajoso em termos de custo”.
Os locais dos 13 crimes ocorridos nos dias 5 e 6 deste mês não foram especificados. Dos ataques anteriores, 41 aconteceram na capital Belém, nove em Ananindeua e um em Marituba, outro município que compõe a região metropolitana. A Polícia Civil de cada bairro ficará responsável pelas investigações dos homicídios ocorridos em suas áreas.
Em nota, a SEGUP afirma que a Divisão de Homicídios foi, inclusive, reforçada para agilizar o trabalho de apuração e elucidação dos crimes. A pasta, no entanto, não informou se há investigações específicas que apontem possíveis conexões entre as mortes.