terça-feira, 21 de maio de 2019

O governo Bolsonaro, parece, “despirocou” de vez

Esses são, para Bolsonaro, "idiotas úteis". E ele, seria mesmo o quê?
Meus caros, estou de férias fora do país, há pouco mais de uma semana.
Vontade para fazer postagens diariamente não falta ao repórter.
Falta, sim, um tempo razoável para harmonizar o tempo necessário para postar e cumprir roteiros de viagens previamente agendados.
Mas, enfim, é preciso compartilharmos alguns comentários sobre os últimos dias.
E este aqui pode ser resumido no seguinte: o governo Bolsonaro despirocou de vez, né?
Visivelmente, clamorosamente, escandalosamente, inequivocamente, indubitavelmente, claramente – e quantos outros mentes vocês tiverem em mente -, despirocou, despinguletou, desandou de vez.
O governo de “um bando de malucos” – como disse Lula – ampliou o seu, digamos assim, espectro de maluquices exponencialmente nos últimos dias, desde que saí do Brasil há pouco mais de uma semana, como já disse.
Estes primeiros cinco meses de governo Bolsonaro devem ser, em toda a história do País, os primeiros cinco meses mais conturbados, mais amalucados, mais cheios de nebulosidades políticas em toda a história do País.
Bolsonaro não sabe o que diz.
Chama de “idiotas úteis” estudantes que, aos milhões, saem às ruas, acompanhados de seus pais, de professores e trabalhadores na educação, para pedir que acabem com essa maluquice de contingenciamento de recursos que vai acabar enterrando a educação brasileira (porque, convenhamos, morta ela já está nestes primeiros cinco meses do governo Bolsonaro).
O Capitão diz que o problema do Brasil é a classe política. Isso é pavoroso, porque sinaliza a impressão de que o Capitão já se imagina uma espécie de deus ex machina, uma espécie de entidade miraculosa que surge do nada para resolver os problemas do Brasil. E do mundo. E não: Bolsonaro é apenas e tão somente um político. E um político criado e nutrido na velhíssima política. Simples assim.
O presidente que chama multidões de “idiotas úteis” e se imagina um deus ex-machina é também o mesmo que vê conspiradores em toda parte, por todos os lados, inclusive na mídia tradicional. Acha que é perseguido. Mas não: Bolsonaro é que se persegue, porque cria suas próprias confusões, ao não saber o que diz e o que faz –todo dia, o dia todo.
O Capitão, endossando, avalizando e apropriando-se das maluquices de um texto amalucado, concorda que o País “é ingovernável” porque estaria refém de uma classe política desprezível. Não é: o País está praticamente ingovernável porque tem um presidente que ele próprio não se governa, não tem postura de chefe de Estado, que vive num mundo paralelo vendo conspiradores batendo asas sobre sua cabeça.
Bolsonaro, ao mesmo tempo em que estigmatiza e dissemina anátemas sobre a classe política, não move uma palha para articular sua base política. Por isso, seu PSL, em termos de articulação parlamentar, virou pó desde o primeiro dia. Não consegue aglutinar aliados. E tanto é assim que o governo sofre derrotas seguidas no Congresso e se expõe ao risco a MP 870, que reestruturou os ministérios e perderá fatalmente a validade até 3 de junho, se não for votada, forçando o governo a restaurar a anterior estrutura ministerial.
Esses todos são fatos, meus caros.
E com fatos, vamos e convenhamos, ninguém deve brigar.
Diante desses fatos, alguém ainda tem dúvidas de que o governo Bolsonaro, clamorosamente, escandalosamente, inequivocamente, indubitavelmente e claramente,  despirocou, despinguletou, desandou de vez?
Me digam aí.

Convocação geral de Bolsonaro pode levar a confrontos ou sinalizar o abandono popular a seu governo



Em resposta às multidões de “idiotas úteis” que foram às ruas para esconjurar o contingenciamento de recursos para a educação, o Capitão aferra suas âncoras em seu palco iluminado – as redes sociais.
Nas redes sociais, sobretudo o Twitter, convoca militantes para saírem às ruas em defesa de seu governo no próximo sábado, dia 26.
O Capitão, que nunca sabe o que faz e normalmente também não sabe o que diz, deveria tentar, pelo menos uma vez, medir as consequências dessa convocação geral.
Por dois motivos.
O primeiro: se o número de bolsonaristas que saírem às ruas for pífio, a leitura imediata desse fato poderá ser a de que a corrosão popular do governo Bolsonaro, que já vem sendo aguda e acelerada, entrou mesmo em queda livre e incontrolável.
O segundo: se o número de bolsonaristas que engrossarem as manifestações for monumentalmente grande, teremos estabelecido um cenário de mobilizações em que as ruas poderão virar uma arena de confrontos. Se o confronto ficar apenas no nível dos número, se limitar-se apenas a emulações sobre o número de pessoas que participam de manifestações a favor e contra o governo, tudo bem. E se o confronto desandar para os que têm mais pedras e paus (literalmente) de um lado e do outro. Como é que vai ser nesse caso?

O Capitão é o Chacrinha da política: ele confunde e nunca explica

Chacrinha: ele veio não para explicar, mas para confundir. Igualzinho a certos presidentes.
Mas Chacrinha era um mestre na comunicação. Bem ao contrário de certos presidentes.
Quando se diz – como o Espaço Aberto tem dito repetidamente – que o Capitão não sabe o que fala e nem consegue alcançar as dimensões políticas de seus atos (como o de telefonar para a Petrobras e mandar suspender o aumento dos combustíveis), tais assertivas se assentam na realidade, no dia a dia deste governo despirocado.
Por exemplo: Bolsonaro disse que tem compromisso de indicar o ministro da Justiça para a primeira vaga que aparecer no Supremo.
Moro, é claro, ficou numa saia justa: e tratou de proclamar aos céus que, para integrar o governo Bolsonaro, fê-lo porque qui-lo – livremente, por idealismo (ohhhhhh!), por um dadivoso patriotismo (ohhhhhh!), sem condicionamentos de qualquer espécie.
Depois que a caca de mais essa declaração espalhou seus odores (fétidos, obviamente) em todo o ambiente político, com notáveis e negativos prejuízos políticos para a reputação do superministro da Justiça, Bolsonaro, como acontece 300 vezes a cada dia, veio a público para dizer que não foi bem isso que ele disse quando falou em compromisso.
Mas foi, sim.
O que demonstra Bolsonaro, para criar confusões, basta dar um "bom dia".
Porque ele não fala coisa com coisa.
Aliás, no artigo que assina em O Globo desta terça-feira (21), Merval Pereira define perfeitamente o governo Bolsonaro: “O presidente torna-se o Chacrinha da política, aquele que veio não para explicar, mas para confundir”.
É isso.
Com a diferença de que Chacrinha foi um mestre da comunicação, da interação, da empatia.
Ao contrário de certos presidentes.
Hehe.
Aliás, é de Chacrinha aquele velho bordão: "Quem não se comunica se trumbica".
Igualzinho ao que fazem certos presidentes.
Hehe.

Zero 01 é um fenômeno nos negócios imobiliários. Por que papai se acha perseguido?


Eu durmo, acordo, durmo, acordo e vivo me perguntando.
Mas por que, afinal de contas, o Capitão dorme, acorda, dorme e acorda achando que as investigações do MP sobre seu filho, o senador Flávio Zero 01 Bolsonaro, não passam de perseguição política a ele próprio, o Capitão, e a seu governo?
Mas o Capitão, esse puro, esse imaculado, esse primus inter pares da incorruptibilidade ética, esse defensor incorruptível das investigações da Lava Jato que levaram seu arqui-inimigo Lula para a cadeia, enfim, esse Capitão não deveria encontrar-se em estado de êxtase com essa demonstração de transparência e ótimo funcionamento das instituições incumbidas de apurar suspeitas de transgressões éticas, sejam lá quem forem seus autores?
O Capitão, esse puro, não deveria estar inclusive estimulando essas investigações, para demonstrar que, muito embora tenha convicção de que seu filho é também um imaculado, deseja que a verdade venha à tona?
Então, por que essa vitimização que Bolsonaro encena? Por que achar que essas investigações fazem parte da tal teoria da conspiração, que vislumbra conspiração até quando passarinhos pipilam nos lugares mais bucólicos do Brasil?
Aliás, e por falar no Zero 01, ele é mesmo um fenômeno.
Num passar d’olhos, o Ministério Público já descobriu que o rapaz fez pelo menos 19 grandes negócios imobiliários em Copacabana, Barra da Tijuca, Botafogo e Laranjeiras, bairros do Rio, entre 2010 e 2017.
Num dos grandes negócios, por exemplo, o Zero 01 pagou no ano de 2016 R$ 1,7 milhão por um imóvel em Laranjeiras. Vendeu em oito meses, por R$ 2,4 milhões. Em 2017, a desvalorização média de imóveis nesse bairro chegou a 3,34%. Mas o senador lucrou 36,89%. Levou para casa abolada de R $700 mil.
Isso é perseguição a papai Bolsonaro, gente?

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Quem mente?
O Capitão ou o superministro Sergio Moro?
Moro disse que, ao aceitar a pasta da Justiça, não o fez sob a condição de que viesse a ser indicado pa

Quem mente? O Capitão ou Moro?


Quem mente?
O Capitão ou o superministro Sergio Moro?
Moro já disse que, ao aceitar a pasta da Justiça, não o fez sob a condição de que viesse a ser indicado ministro do Supremo por Bolsonaro.
Neste domingo (12), em entrevista à Rádio Bandeirantes, o Capitão revelou ter o compromisso - vejam bem, compromisso - de indicar Moro para a primeira vaga que surgir no Supremo. E assim o fará.
Afinal, quem mente?
O Capitão ou o superministro?

terça-feira, 7 de maio de 2019

O governo puro e imaculado do Capitão será um antro de corruptos?


Espiem só aí.
Mas isso não significa que o governo Bolsonaro, além de ser um antro de esquerdistas, de comunistas e de conspiracionistas, também é um antro de corruptos?
Não é isso, afinal de contas, que transparece desse tuíte ispierto de Letícia Catelani?
É só uma pergunta, gente.
Sinceramente, não é um juízo meu.
É apenas uma pergunta.
Catelani fez esse tuíte logo após ser afastada da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex), que também é um antro - mas de disputas políticas.
E disputas políticas codimentadas com os temperos corrosivos de Olavo Carvalho, o lunático que diz ter virado filósofo e declama palavrões de A até Z; isso, ressalte-se, quando está calmo.
Uma das pioneiras do grupo voluntário que aderiu à campanha do então deputado antes mesmo de ela existir oficialmente, Letícia Catelani coleciona disputas internas no bolsonarismo. Era considerada uma protegida do chanceler Ernesto Araújo pelo diretor derrubado da vez, o diplomata Mario Vilalva.
Catelani, que ocupou a secretaria-geral do PSL, foi indicada por Araújo para uma diretoria da agência.
Ela está fora da Apex, mas não certamente fora do governo do Capitão, onde certamente ficará abrigada em algum nicho.

Mas não é porque o louco conhece melhor um outro louco?



Mais isso não será porque um louco sempre é o mais apto a conhecer melhor um outro louco?
É só uma pergunta, gente.
Sinceramente, não é um juízo meu.
É apenas uma pergunta.

O Liverpool se inspirou no Fluminense. O Liverpool imita a arte.


Fantástica.
Sensacional.
Inacreditável.
Histórica.
Outros tantos adjetivos do gênero não esgotam a compreensão do que foi a vitória do Liverpool sobre o Barcelona por 4 a 0, nesta sexta-feira, em Liverpool, pela Champions.
Na semana passada, o Barça vencera por 3 a 0 em Barcelona.
Agora, o troco.
Com direito a um gol raro, o quarto, em que Alexander-Arnold percebeu Origi livre dentro da área, na cobrança de um escanteio.
Cliquem aqui para ver os melhores momentos.
Aliás, e com o perdão dos adversários, mas o Liverpool se inspirou no Flu pra fazer o que fez hoje?
Foi isso?
Hehe!

Cuidado: um general é o maior quinta-coluna do governo Bolsonaro

O general Eduardo Villas Bôas não é qualquer um.
É um militar com carreira das mais respeitáveis no Exército brasileiro.
Já comandou as Forças Armadas.
É membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), onde assessora o general Augusto Heleno.
E mais: dividiu com Jair Bolsonaro segredos que o próprio presidente disse que vai levar para o túmulo.
Quem, no governo Bolsonaro, teria maiores credenciais para refutar, rejeitar, contestar e confrontar declarações de um lunático que levanta de manhã, escolhe alguém para atacar e passar a atacar esse alguém com os mais termos mais porcos, mais chulos, mais nojentos e repugnantes.
Esse lunático é Olavo de Carvalho, que ultimamente vem atacando a ala militar do governo.
Sobre a postura dele, leiam acima o que o general Villas Bôas disse em seu perfil no Twitter.
Bolsonaristas, digam aí: Villas Bôas será um quinta-coluna, será um infiltrado, será um conspiracionista que manobra nos subterrâneos para derrubar o governo do Capitão?
Falem sério!

O maior inimigo do governo do Capitão não é o PT. Nem são os esquerdistas.


Prestem atenção.
Como aqui já se disse, o maior adversário, o maior inimigo do governo do Capitão não é o PT, não são os esquerdistas, não são os comunistas, não são os defensores da ideologia de gênero.
Não.
O maior adversário, o maior inimigo do governo do Capitão é o governo do Capitão, aquele que Lula classificou de "um bando de malucos".
Carlos Bolsonaro, o Zero 02, ataca Santos Cruz, que ataca Olavo de Carvalho, que ataca Santos Cruz, que é confrontado pelo próprio Capitão.
Olavo de Carvalho, esse lunático de linguagem excrementosa, mas que exerce notória influência no governo do Capitão, ataca a ala militar, que reage fortemente na voz do ex-comandante do Exército general Villas Bôas, que é contra-atacado de forma torpe, nojenta, cruel, baixa, vil pelo astrólogo Olavo de Carvalho.
Enquanto toda essa discussão se trava, o governo do Capitão ainda não conseguiu até agora formar uma base aliada consistente para aprovar a reforma da Previdência - primeiro na Câmara, depois no Senado.
Então, digam aí: quem é o maior adversário, o maior inimigo do governo do Capitão senão o governo do próprio Capitão?

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Uma vitória épica, histórica do Fluminense. Ou não?



Sim.
Sou sim, todos sabem, tricolor de coração (sou do clube tantas vezes campeão / fascina pela sua disciplina / o Fluminense me domina / eu tenho amor ao tricolor).
Mas, deixando essa paixão de lado, vamos reconhecer - friamente e desapaixonadamente: a vitória deste domingo (06), em que o Flu venceu o Grêmio por 5 a 4, foi histórica, não?
Histórica porque o Fluminense, meus caros, perdia por 3 a 0.
Histórica porque o Fluminense não jogava em sua casa, mas na do adversário, ou seja, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.
Histórica porque o jogo não era válido por um torneio de várzea qualquer, não foi um amistoso. Foi um jogo válido pelo Campeonato Brasileiro da Série A, a mais importante competição nacional.
E por último, mas não menos importante, foi uma vitória épica, histórica porque, afinal de contas, o Fluminense não protagonizou esse feito diante de um time qualquer, mas do Grêmio, que detém um título mundial, três da Libertadores da América e dois títulos de campeão brasileiro.
Uma vitória nesse contexto não é histórica? Não é épica?
Parece não haver dúvidas de que sim.
Mesmo assim, há coleguinhas cheios de dedos em reconhecer essa vitória como histórica.
Mas esses são aqueles que, quando outros times ganham até um amistoso, acham que essa vitória é a mais relevante de todos os tempos.
Vish!
Ah, sim: vejam os melhores momentos desse jogo histórico no vídeo acima.

domingo, 5 de maio de 2019

Cabral estaria pronto para delatar a família Barbalho. Mas ele provará?


Sérgio Cabral impôs-se um novo hobby: delatar geral.
Com isso, pretende reduzir suas penas, que já ascendem a 200 anos.
Em audiências com Marcelo Bretas, tem escancarado o coração.
Já disse, ele próprio, que recebeu propinas, sim.
Esse era o segredo mais bem guardado desta República. Até Cabral confessar essa culpa que o atormentava (ah, coitado), ninguém, ninguém mesmo acreditava que ele tivesse devastado os cofres públicos do Rio.
Advogados de Cabral talvez ainda não tenham dito pra ele o seguinte: delatar, qualquer um delata. Mas é preciso comprovar o conteúdo das delações.
Do contrário, os 200 anos de perdão que ele quer continuarão os 200 anos de prisão.
Pois é.
Ao que se diz, Cabral vem aí de novo. Com nova delação embaixo do braço.
O “Jornal da Manhã”, noticioso mais importante, mais ouvido e mais tradicional da Jovem Pan, de São Paulo, antecipou na última sexta-feira (05) que Cabral deverá implicar a família Barbalho em esquema de propinas que envolveria a construção da Linha 4 do Metrô, no Rio.
Veja o vídeo acima, disponível no portal da Jovem Pan e circulando freneticamente nas redes sociais.
Em maio de 2017, se vocês estão lembrados, um delator da JBS, o executivo Ricardo Saud, disse que a empresa pagou R$ 35 milhões para comprar o apoio de senadores do Pará. Entre os citados, o senador Jader Barbalho (MDB-PA). Veja o vídeo abaixo.
Em junho do ano passado, o ministro do Supremo Alexandre de Moraes enviou ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará um inquérito que apura supostas doações ilegais de campanha a Helder Barbalho (MDB), hoje governador, e ao senador Paulo Rocha (PT). De acordo com a denúncia, eles teriam solicitado contribuições irregulares à empresa Odebrecht durante a campanha eleitoral de 2014.
Tanto Jader, como Helder e Paulo Rocha têm negado enfaticamente qualquer envolvimento nos esquemas de corrupção denunciados.

sábado, 4 de maio de 2019

Weintraub, o tenor horrendo, devasta a educação. Volta, Vélez!


Vocês conhecem a historinha do barítono e do tenor?
Num espetáculo, entrou primeiro o barítono.
Ao final da apresentação, foi xingado, vaiado, humilhado e atingido por tomatadas.
- Ah, vocês não gostaram de mim? Então aguardem o tenor que vem aí.
Apareceu o tenor.
Ele era pior, muito pior, que o barítono.
Abraham Weintraub, ministro da Educação, é uma espécie de tenor que entra na ribalta depois do barítono Ricardo Vélez Rodríguez, que ocupou o cargo anteriormente.
Em três meses, Vélez devastou a educação brasileira pela inação.
A única obra marcante de sua gestão foi estimular a turma a cantar, perfilada e em posição de sentido, o hino nacional. Mas ninguém cantou.
Xingado, vaiado e humilhado, o barítono deixou o palco do MEC.
Entra o tenor.
Em pouco menos de um mês, Weintraub devasta a educação brasileira pela ação.
Em detrimento das universidades públicas, vai dar mais dinheiro para a educação infantil. Quer dizer: o adolescente sairá do ensino médio com uma formação de excelência, mas quando chegar ao terceiro grau, encontrará apenas as universiadades sob escombros.
Volta, Vélez!
Volta rápido.
Com Vélez Rodrígues, pelo menos ainda ríamos todo dia.
Com Weintraub, temos medo.
Um medo que cresce a cada dia.

Bolsa é furtada dentro de restaurante no Boulevard Shoppping


Aconteceu recentemente.
E serve de alerta - sobretudo às mulheres com bolsas.
Leitora assídua do Espaço Aberto estava no restaurante Armazém, um dos mais frequentados no Boulevard Shopping e dos melhores da cidade.
Com ela, encontravam-se a mãe, a avó (uma senhora octogenária) e sua cuidadora.
A bolsa da avó, que felizmente não tinha dentro nada de valor, estava pendurada na parte de trás da cadeira.
Num dado momento, as quatro deram-se conta de que a bolsa, simplesmente, havia sumido.
Sumiu porque foi furtada, num momento em que o restaurante estava, como se diz, bombando de gente.
Consultadas as câmeras de segurança do shopping, constatou-se que duas mulheres passaram por trás da mesa e levaram a bolsa. Detalhe: as mesmas duas mulheres já teriam praticado outros furtos no shopping.
A direção do estabelecimento, que lamentou o ocorrido, informou à leitora do blog que, para prevenir novas ocorrências, adaptou uma espécie de velcro para sustentar as bolsas.
Além disso, não seria conveniente o estabelecimento dispor de um segurança próprio, como cautela para evitar esse tipo de furto, sobretudo por ser o restaurante um dos mais conceituados de Belém?

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A Venezuela entre um selvagem e um fantoche


Vamos e convenhamos: a Venezuela, ou melhor, o pobre, o espoliado, sofrido, depauperado, sacrificado povo da Venezuela está entre um selvagem e um fantoche.
Está entre Nicolás Maduro, um selvagem, e Juan Guaidó, um fantoche dos interesses de países que não querem propriamente encontrar uma saída pacífica para a degenerada situação política que o País enfrenta, mas estimular a população a ingressar na aventura de uma guerra civil de consequências mais desastrosas ainda.
Maduro é um selvagem, um ditador, um irresponsável e um criminoso.
Afundou o País na miséria.
Cercou-se de uma horda de militares corruptos.
Vale-se de milícias assassinas como suporte adicional para sustentar-se no poder.
Reprime adversários quaisquer que sejam – jornalistas, inclusive.
Ignora a legitimidade do Poder Legislativo.
E manipula a seu bel-prazer um Judiciário que se conserva completamente encolhido, manietado, dominado, agrilhoado, apequenado e acovardado diante da ditadura travestida de governo democrático.
E Guaidó?
É uma liderança política, sem dúvida. A maior liderança política da oposição.
Mas de onde ele tirou essa ideia de autoproclamar-se presidente do país?
Guaidó é o único presidente autoproclamado que não tem o que, tecnicamente, a linguagem diplomática chama de “controle de território”.
Em português – de Portugal e do Brasil: Guaidó só tem efetivo controle sobre o território da casa dele. Só tem o controle da sala, dos quartos, da cozinha, dos banheiros e do quintal (se quintal houver).
Guaidó não tem poder nenhum. Absolutamente nenhum.
Mesmo que tenha sido reconhecido por trocentos países – o Brasil entre eles – como “presidente autoproclamado” da Venezuela, ele não tem ninguém que obedeça a uma ordem sua.
Mesmo assim, Guaidó subordina-se a ações temerárias, como essa última, de dirigir-se a uma base militar com a pretensão de comandar, a partir de lá, uma tomada efetiva de poder com o apoio de militares.
Não conseguiu. Porque apenas uma meia dúzia atendeu a seus apelos.
E aí?
E aí que a atitude de Guaidó acirrou ainda mais a repressão, a brutalidade, a selvageria do governo Maduro, que não hesitou nem de acionar carros blindados contra populares desarmados.
O certo é que, neste cenário tétrico, neste cenário trágico e devastador, observa-se a omissão - clamorosa, inadmissível e imoral - da ONU.
Não o Brasil.
Não a Colômbia.
Não a Argentina.
Não os Estados Unidos.
Não a Rússia.
A ONU, ela sim, é que deveria estar à frente de negociações diplomáticas para encontrar uma saída pacífica na Venezuela.
Mas está escondida.
A ONU mantém-se refém de sua inoperância.
Pobre Venezuela.
Pobre povo venezuelano.

Empresas que vendem ingressos on-line arrombam os bolsos do consumidor



É ruim, hein?
Essas empresas que vendem ingressos on-line continuam arrebentando com o bolso dos clientes.
E arrebentam cobrando os tubos pela tal “taxa de conveniência”.
Agora mesmo, fui consultar o preço de um ingresso para stand up programado para sábado à noite, no Theatro da Paz.
Valor da inteira: R$ 100,000.
Quem comprar pela Ticket Fácil, a empresa que serve ao teatro, precisa desembolsar mais R$ 15,00. Ou seja, o equivalente a nada menos de 15% do valor do ingresso.
Ressalte-se que, em março passado, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu sentença que reconheceu a ilegalidade da taxa de conveniência cobrada pelo site Ingresso Rápido na venda on-line de ingressos para shows e outros eventos.
O colegiado considerou que a taxa não poderia ser cobrada dos consumidores pela mera disponibilização de ingressos em meio virtual, constatando que a prática configura venda casada e transferência indevida do risco da atividade comercial do fornecedor ao consumidor, pois o custo operacional da venda pela internet é ônus do fornecedor.
A sentença restabelecida foi proferida no âmbito de ação coletiva de consumo que a Associação de Defesa dos Consumidores do Rio Grande do Sul (Adeconrs) moveu em 2013 contra a Ingresso Rápido e tem validade em todo o território nacional. Mas, parece, não se estendeu a outras empresas, que continuam cobrando o que bem entendem.
A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, ressaltou que a venda dos ingressos pela internet alcança interessados em número infinitamente superior ao da venda por meio presencial, privilegiando os interesses dos promotores do evento.
A vantagem que o consumidor teria ao poder comprar o ingresso sem precisar sair de casa, segundo a ministra, acaba sendo “totalmente aplacada” quando ele se vê obrigado a se submeter, “sem liberdade”, às condições impostas pelo site de venda de ingressos e pelos promotores do evento, o que evidencia que a disponibilização de ingressos via internet foi instituída exclusivamente em favor dos fornecedores.

Além de sangue nas veias, diplomatas precisam ter os parafusos bem apertados



Ernesto Araújo, esse ministro das Relações Exteriores que também é um monumento vivo à moderação, ao bom senso e à tolerância, deu o ar da sua graça, nesta sexta-feira (03), no Instituto Rio Branco, a escola de formação dos diplomatas sediada no Rio.
Em discurso na cerimônia de formatura, disse que "diplomacia não significa ficar em cima do muro" e que os diplomatas precisam ter "sangue nas veias."
Hehe.
Não é bem assim, não.
Se admitirmos que "diplomacia não significa ficar em cima do muro", também teremos que admitir que diplomacia não significa ficar do lado errado do muro.
E diplomatas não precisam apenas ter “sangue nas veias”. Precisam também ter parafusos na cabeça.
E bem apertados.

A serviço da verdade

Papa Francisco, nesta sexta-feira, no Twitter.


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Você não conhece o Epaminondas? Então veja essa fila aí.


Estive nesta terça, 30 de abril, no Margarida Schivasappa, para assistir ao stand up “Confrenti com Epaminondas”, estrelado, claro, por Epaminondas Gustavo, o personagem interiorano protagonizado pelo juiz Cláudio Rendeiro.
Confesso: há muito tempo eu não dava tanta gargalhada num espetáculo de humor como no de ontem. Nem mesmo o de Paulo Gustavo, a que também assisti, acho que há uns dois anos, no Hangar, foi tão divertido como esse.
Epaminondas não faz piada. Ele, literalmente, é a piada.
Uma piada que nos faz rir incontrolavelmente.
Se Epaminondas lesse, a sério, um necrológio dos mais pungentes com a linguagem do Epaminondas, não haveria quem não fosse capaz de chorar. Chorar de tanto rir.
A propósito, registre-se uma historinha.
Estava eu na fila, à espera de entrar no teatro.
Ao lado, bem ao meu lado, dois amigos se encontram.
- Rapaz, que bom te ver – disse o que já encontrava no Centur, saudando o que chegava provavelmente para assistir a um filme no Líbero Luxardo.
- Pois é. Mas, que fila é essa?
- É pra ver o Epaminondas.
- Mas quem é Epaminondas?
- Boa pergunta – kkkkkkk. Também não sei. Não faço a mínima ideia. Mas todo mundo aí nessa fila é pra ver o Epaminondas.
Fim de papo.
A esta altura, a fila ainda não chegara a nem um quinto da que está nessa foto, feita por este repórter.
Se vissem o tamanho da fila que se formou depois do diálogo que tiveram, os dois caras, com certeza, comprariam um ingresso pra ver o Epaminondas. E para conhecê-lo.
Espiem, lá pelo meio, um pombinho.
Parece que até ele queria entrar.
Ah, sim.
Registre-se também que o espetáculo foi ainda mais fantástico pela motivação: arrecadar recursos para as ações da Escola de Samba da Matinha e ajudar a custear a viagem do artista plástico And Santos para Portugal, onde participará de uma bienal de culturas lusófonas.
Esperamos novos “Confrentis”.

domingo, 28 de abril de 2019

Lula chama governo Bolsonaro de "bando de maluco"



Lula falou, nesta sexta-feira (27), por 1 hora e 54 minutos aos jornalistas Mônica Bergamo, da Folha, e Florestan Fernandes Jr., de El País.
A entrevista é histórica, por ter sido a primeira que o ex-presidente concede na Polícia Federal de Curitiba, onde está preso desde 7 de abril de 2018.
Bem disposto, apesar dos reveses que o abalaram ultimamente, sobretudo as mortes do irmão Vavá e do neto Arthur, o ex-presidente estava com a língua afiada.
Lula atacou duramente o governo Bolsonaro, ao qual classificou como "bando de maluco", disse que Paulo Guedes, ministro da Economia, é o executor de uma crueldade contra os trabalhadores, sobretudo os mais idosos, ao propor mudanças nas regras de aposentadoria, insistiu na tese de que seu julgamento, em todas as instâncias, não passa de uma farsa, e chamou de "lacaios" o presidente e seus aliados, pelos atos de subserviência explícita aos Estados Unidos.
Lula não resistiu à emoção quando se referiu à morte do neto e reforçou sua convicção de que a morte da mulher, Marisa, vítima de um AVC em fevereiro de 2017, decorreu da enorme pressão diante das acusações do Ministério Público Federal (MPF) de que ela e familiares foram partícipes de atos de corrupção.
O Espaço Aberto editou este vídeo de 9 minutos com os principais momentos da entrevista.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Como é que os jovens brasileiros são idealizados pelo censor Jair Bolsonaro?



Bolsonaro, o não-intervencionista, interveio na Petrobras e fez o patrimônio da estatal derreter R$ 32,4 bilhões em poucas horas, abalando a confiança de investidores.
Bolsonaro, o não-intervencionista, jogou pelo ralo uma peça publicitária institucional do Banco do Brasil, ao vetar a continuidade de sua veiculação, que já vinha sendo feita há duas semanas. Custo do veto: R$ 17 milhões.
O que se discute não é apenas o despropósito, a irracionalidade e a patranha do discurso não-intervencionista, mas que revela práticas escancaradamente, desbragadamente, escandalosamente intervencionistas.
Discutem-se também o sentido político e os valores que sobressaem dessas decisões.
Bolsonaro, o não-intervencionista, interveio na Petrobras porque, está claro, o governo tornou-se refém de caminhoneiros que estão num pé e noutro para fazer nova greve e paralisar o País, como aconteceu durante o governo Temer.
Bolsonaro, o não-intervencionista, interveio no Banco do Brasil para demarcar claramente as lindes, os limites de suas peias morais.
A peça publicitária vetada é ótima.
Atende perfeitamente aos objetivos da campanha - atrair jovens para se tornarem clientes do BB.
Mostra jovens de hoje - brancos, negros, tatuados, com visuais e performances, como eles dizem, descolados.
Esses são os jovens do Brasil.
Os jovens de um Brasil diverso, plúrimo, diversificado.
Mas, afinal, os jovens desse Brasil são os mesmos jovens idealizados pelo presidente que se diz de todos os brasileiros?
É isso mesmo?
Falem sério!

Em São Brás, as imagens do trânsito caótico em Belém


Converso com amigos paulistas que visitaram Belém recentemente.
Eles se mostram estupefatos, espantados, surpresos com o caos - verdadeiramente um caos - que é o trânsito na cidade.
Consideram ser inacreditável a frequência, o hábito, a mania de motoristas fecharem os cruzamentos, por exemplo.
Afirmam que, das capitais brasileiras que já conhecem, Belém é uma das poucas onde mais se estaciona em fila dupla, sobretudo à porta de colégios.
A realidade os confirma.
A realidade demonstra, à exaustão, que essa avaliação sobre o trânsito na cidade não é uma viagem, não é uma percepção errônea ou equivocada.
É, repita-se, a constatação de uma realidade que se agrava a cada dia.
Ao ponto de vermos cenas como esta do vídeo, em que uma senhora desceu da moto e passou a orientar o trânsito na Avenida Almirante Barroso com a Travessa Antônio Baena, em São Brás.
Que coisa!

Na saudação a Biden, Trump degrada os valores democráticos americanos


Joe Biden, enfim, anunciou sua pré-candidatura à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata.
É um político respeitado.
Tem mais de 40 anos de vida pública, oito dos quais como vice de Obama.
Quando Biden anunciou que estará na liça eleitoral, o presidente Donald Trump postou um tuíte de boas-vindas.
"Bem-vindo à corrida, Joe Dorminhoco", escreveu o homem mais poderoso do planeta.
O mais poderoso e o mais debochado que já presidiu a maior democracia do planeta.
O mais poderoso e o mais preconceituoso.
O mais poderoso e o menos lúcido.
O mais poderoso e o mais autoritário (um perfil autoritário que, felizmente, é contido pelas sólidas instituições democráticas americanas).
O mais poderoso e o que mais envilece a respeitabilidade do cargo que ocupa, ao fazer de uma rede social como o Twitter seu palco iluminado de onde para proclama despautérios todo dia, o dia todo.
Os Estados Unidos não merecem Donald Trump como presidente da República.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Violência no Pará (I): em três meses de governo Helder Barbalho, mais de 110 suspeitos “mortos em confronto com a polícia”


Reduzir – e reduzir rapidamente – a escalada da violência devastadora, que nos últimos anos transformou os paraenses em reféns do banditismo avassalador, foi um dos motes de campanha de Helder Barbalho (MDB).
Após assumir o governo, em 1º de janeiro deste ano, Helder tem-se empenhado em apresentar durante aparições regulares, ao lado de seu estafe da Segurança Pública, números que indicariam a redução do índice de criminalidade em todo o Pará, sobretudo os ilícitos considerados mais pesados, como homicídios dolosos e latrocínios (roubo seguido de morte).
O balanço mais recente divulgado no dia 4 de abril, pela Segurança Pública do governo Helder Barbalho, aponta que, no mês de março passado, o número de homicídios em todo o estado caiu 17%, em comparação ao mês de março de 2018.
A diminuição desses índices “representa a preservação de 47 vidas, visto que o número deste tipo de crime caiu de 282 mortes em 2018 para 235 ocorrências este ano. Essa é a segunda redução de homicídios mais significativa registrada no mês de março desde 2010”, informa matéria disponível na Agência Pará.
Mas há números faltando nessas estatísticas. Como os relativos, por exemplo, ao número de “suspeitos mortos em confronto com a polícia”, expressão que o jargão jornalístico incorporou e se tornou tão banal, mas tão banal, que os próprios jornalistas, seja em entrevistas coletivas, seja em apurações rotineiras sobre ocorrências pontuais, nem mais se dão ao trabalho de apurar a fundo os detalhes desses alegados “confrontos”, como também raramente procuram levantar periodicamente a quantidade de suspeitos que morrem em tiroteios que a polícia diz ter travado para reagir à resistência oposta por suspeitos durante uma diligência.

111 mortos em três meses
Matéria do DOL: sete mortos no Acará, em fevereiro
Com base em levantamentos de notícias publicadas – ora com mais, ora com menos destaque – pelos jornais O LIBERAL e Diário do Pará e em mídias virtuais, no período de 1º de janeiro a 31 de março de 2019, os três primeiros meses do governo Helder Barbalho, o Espaço Aberto apurou, com exclusividade, que pelo menos 111 pessoas foram mortas em “confrontos com policiais”. Esse número, vale destacar, está muito aquém da realidade, porque não se pode precisar quantas mortes ocorreram em circunstâncias alegadamente idênticas a essa e que a polícia não divulga, muitas vezes porque não lhe é conveniente divulgar.
Ao final de janeiro, primeiro mês do governo Helder Barbalho, foram registradas as mortes de 35 suspeitos, de acordo com o levantamento do blog. Em fevereiro, houve 38 ocorrências, mesmo número de março.
No trimestre considerado pela apuração do Espaço Aberto, a diligência policial que resultou em maior número de mortos em confronto ocorreu no dia 5 de fevereiro, quando sete homens, suspeitos de integrar uma quadrilha de assalto a bandos, foram mortos em “confronto com a PM” no município de Acará, região nordeste do Pará. Leia-se matéria disponível no DOL, site do Diário do Pará:

Sete assaltantes que pretendiam assaltar duas agências bancárias, na cidade de Acará, nordeste paraense, morreram durante troca de tiros com a Polícia Civil, nesta terça-feira (05).
De acordo com informações da Polícia Civil, a operação foi deflagrada para prender integrantes de uma associação criminosa que planejava assaltar as agências bancárias. O grupo de assaltantes foi abordado no momento em que trafegava em uma estrada vicinal, na zona rural do município, de onde seguiriam para a sede da cidade para cometer o assalto. No momento da abordagem policial, os criminosos efetuaram disparos contra os policiais civis que revidaram aos tiros e atingiram inicialmente quatro suspeitos. Eles ainda chegaram a ser socorridos, mas não resistiram. Outros três suspeitos foram baleados e também morreram.

Matérias do G1 Pará: seis mortos numa madrugada de janeiro
Na madrugada de sábado, 12 de janeiro, coincidentemente dia do aniversário de Belém, seis pessoas foram em confrontos com a polícia, quatro durante perseguição no bairro de Batista Campos, duas durante troca de tiros com policiais militares no Conjunto Cordeiro de Farias:

Trecho da matéria do G1 sobre o tiroteio em Batista Campos:

De acordo com a PM, um homem teria sido sequestrado no bairro da Pedreira e conduzido no próprio veículo pelos quatro criminosos. Informações repassadas por familiares da vítima ao Centro Integrado de Operações (Ciop) possibilitaram que o carro fosse interceptado por equipes da PM na rua São Francisco com a avenida Almirante Tamandaré, onde ocorreu uma troca de tiros.
No confronto com a polícia, os quatro criminosos foram alvejados e morreram no local. O homem feito refém foi resgatado pela PM e não sofreu lesões graves.
Dois policiais militares foram atingidos durante a troca de tiros e socorridos para um hospital particular, no bairro Batista Campos. Um dos PMs baleados foi o cabo Denis Miranda, do 20º Batalhão. Ele foi atingido de raspão na mão, sem gravidade.

Trecho da matéria do G1 sobre as mortes de suspeitos no Cordeiro de Farias:

De acordo com a Polícia Militar, os suspeitos, armados e utilizando-se de uma motocicleta, tentaram efetuar um roubo à um comércio no conjunto Cordeiro de Farias. Mas, o assalto foi frustrado por um homem, não identificado, que teria reagido e trocado tiros com os suspeitos.
Os criminosos tentaram então fugir, porém, foram interceptados por duas equipes da polícia militar, que estavam fazendo rondas às proximidades e perceberam a movimentação. Ainda segundo a PM, os assaltantes dispararam contra as viaturas e os policiais reagiram à agressão.

Violência no Pará (II): governo Helder Barbalho silencia sobre os autos de resistência lavrados em 3 meses

Helder Barbalho: números da redução da violência excluem os autos de resistência (foto da Agência Pará)
Transparente, frequente e insistente em divulgar números que apontam a redução da violência no estado depois que assumiu o comando do estado, a partir de 1º de janeiro deste ano, o governo Helder Barbalho tem-se mostrado relutante em divulgar os números relativos aos autos de resistência (que registram mortes em confrontos com a polícia) lavrados durante o primeiro trimestre deste ano.
No dia 11 de abril, portanto há cerca de uma semana, o Espaço Aberto enviou o seguinte e-mail (imagem ao lado) à Secretaria de Segurança Pública e à Casa Civil do governo Helder Barbalho:

Prezados, bom dia.
Sou jornalista e tenho um blog, o Espaço Aberto.
Pretendo fazer postagem, nesta sexta-feira (12.04), mostrando dados que o governo do estado tem apresentado sobre a redução da violência, nestes primeiros três meses, e confrontá-los com o número de bandidos (ou suspeitos, se quiserem) mortos em confrontos com a PM no mesmo período.
Fiz um levantamento, baseado apenas em matérias divulgadas em jornais e em mídias sociais.
Pelos números que colhi, 111 pessoas foram mortas em confrontos com a PM, de janeiro a março deste ano (números em anexo).
Pergunto:
1. Quantos autos de resistência foram lavrados no primeiro trimestre deste ano?
2. Quantos autos de resistências foram lavrados no trimestre imediatamente anterior (de outubro/dezembro 2018) ou no primeiro trimestre de 2018 (janeiro/março)?
Desde logo, além de ficar no aguardo das duas perguntas formuladas, também fico à disposição para contato, pessoal ou por telefone, com qualquer autoridade da área de Segurança Pública que deseje comentar esses números e apresentar o posicionamento do governo do Estado.
Informo ainda que apresentarei questionamentos à OAB sobre o assunto.

Até esta sexta-feira (19), o governo Helder Barbalho não se pronunciou sobre os questionamentos do blog, nem mesmo para dizer, clara e objetivamente, que não forneceria os dados. Simplesmente, tanto a Segurança Pública como a Casa Civil silenciaram sobre o assunto.
O Espaço Aberto ainda aguarda o pronunciamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará, através de sua Comissão de Direitos Humanos e Cidadania.
Diante do silêncio, o governo do Estado nos oferece a senha para especularmos sobre as motivações de recusar-se a fornecer informação que, no contexto da abordagem de matéria jornalística, tem relevância fundamental, eis que de inquestionável interesse público.
Nesse caso, a especulação é não apenas procedente como legítima, porque decorrente do desprezo do Poder Público em oferecer números consistentes, que, se divulgados de forma transparente, aí sim, não permitiriam quaisquer especulações).
A primeira especulação é de que o número de autos de resistência teria alcançado um patamar tão elevado que poderia impactar negativamente as estatísticas que o estado vem apresentando sobre a redução da violência na Grande Belém e no estado.
A segunda especulação decorre da própria natureza dos autos de resistência e as polêmicas intermináveis suscitadas pelo fato de que seriam, a rigor, um álibi formal para que as forças repressivas no estado, no exercício legal e legítimo de suas atribuições, eventualmente se excedessem criminosamente, executando suspeitos mesmo quando não oferecessem qualquer resistência à prisão.

Violência no Pará (III): Estado aparece entre os cinco em que o número de mortos por policiais variou mais de 50% em um ano



O levantamento exclusivo do Espaço Aberto, indicando, com base em matérias jornalísticas, que 111 pessoas morreram “em confronto com a polícia” no primeiro trimestre do governo Helder Barbalho, está sendo apresentado no mesmo momento em que os novos números do Monitor da Violência, do portal G1, divulgados nesta sexta-feira (19), mostram um crescimento de 18% do número de pessoas mortas pela polícia em 2018, ano que houve redução na quantidade de policiais mortos em serviço.
No ano passado, e nos três anos anteriores (2015/2017) alcançados pela pesquisa do Monitor do Violência, o governador do Pará, reeleito, era o tucano Simão Jatene.
Em apenas um ano, de acordo com o Monitor da Violência, o número de pessoas mortas por policiais teve variação superior a 50% no Pará e em apenas mais quatro estados: Roraima, Mato Grosso, Goiás e Sergipe. Em Roraima, por exemplo, oito pessoas foram mortas por policiais em 2017. Em 2018, esse número foi três vezes maior: 25 mortos por policiais.
Já no Pará, diz o G1, “os dados de letalidade policial também são surpreendentes: 372 em 2017 e 612 em 2018. Um dos mortos foi Adriano da Silva Brandão, considerado um dos maiores assaltantes a banco do país, baleado em troca de tiros com a polícia em dezembro de 2018. Ele estava com um fuzil AK-47, segundo a polícia, e reagiu à prisão.
Em Goiás, foram 265 pessoas mortas por policiais em 2017. Em 2018, foram 425. No mesmo período, os números de Sergipe pularam de 90 para 144.”

Violência no Pará (IV): Auto de resistência, instituído pela ditadura, também é usado como álibi em ações policiais



Instituído durante a ditadura militar, em 1969, o auto de resistência é peça meramente informativa, em que o agente de segurança relata minuciosamente os fatos ocorridos, após ocorrência em que uma pessoa oferecer resistência não passiva a uma prisão em flagrante ou por mandado judicial,.
Tal procedimento, atualmente, segue o previsto no artigo 292 do Código Penal, que diz o seguinte, in verbis: “Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à determinação por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito também por duas testemunhas.”
Em maio de 2017, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou o PLS 239/2016, que altera o Código de Processo Penal (CPP), suprimindo do artigo 292 o chamado "auto de resistência". A nova redação também deixa claro que os agentes do Estado poderão usar, moderadamente, dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência à prisão. Havendo feridos ou mortos no confronto com as forças de segurança, será instaurado inquérito.
Mais recentemente, o pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, atirou mais lenha na fogueira de polêmicas sobre o auto de resistência, ao ponto de juristas estarem sustentando que a proposta legislativa contemplaria uma espécie de licença para matar.
Tudo porque o projeto de Moro propõe permitir que o juiz deixe de aplicar a pena por excesso de legítima defesa caso o crime tenha sido cometido em decorrência de "escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.
O projeto acrescenta um parágrafo 2º ao artigo 23 do Código Penal. O caput diz que não há crime se o homicídio foi cometido em legítima defesa - a chamada "excludente de ilicitude". O parágrafo único diz que o autor responderá por homicídio caso se exceda no exercício do direito de defesa. A nova redação do parágrafo 2º do artigo 23 ficaria assim: “O juiz poderá reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.
Como se sabe que as funções inerentes à atividade policial deflagram rotineiramente – e, reconheça-se, inevitavelmente – violentas emoções, esse dispositivo seria uma alternativa a mais para policiais escaparem de punições. A possibilidade de aprovação desse dispositivo justifica fortes receios, quando se confrontam os números de assassinatos cometidos no Brasil “sob violenta emoção”.
A Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp) e o Conselho Nacional do Ministério Público fizeram estudo mostrando que, entre 2011 e 2012, os homicídios por impulso ou por motivos fúteis totalizaram entre 25% e 80% dos assassinatos com causas identificadas no Brasil, a depender do estado.
No Rio de Janeiro, 31,2% dos homicídios registrados 2015 decorreram de "relações interpessoais", segundo estudo Instituto de Segurança Pública (ISP). Em Minas Gerais, 57% dos inquéritos por homicídio concluídos em Belo Horizonte entre 2012 e 2013 tinham como motivo rivalidade (27,8%), causa passional (12,9%), desentendimento (10,3%) ou vingança (6,2%).