segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Show com verba pública reúne milhares de pessoas em município do Pará. O Covid-19 agradece.

Tailândia, município a 160 quilômetros de Belém, está com tudo.

Como se diz por aí, Tailância tá podendo.

Em termos de irresponsabilidade - criminosa, vale dizer - na prevenção à Covid-19, a Prefeitura de Tailândia demonstra deter expertise total.

Viraliza aí nas redes sociais um vídeo, divulgado origianalmente pelo site Metrópoles, mostrando milhares de pessoas num show da cantora Mariana Fagundes, a principal atração num evento ocorrido no último sábado (17), em Tailândia.

Quem pagou o show?

A Prefeitura do município, ora bolas.

Se foi foi a prefeitura, temos dinheiro público envolvido.

Dinheiro público usado em absoluta, completa e afrontosa contrariedade a normas sanitárias que desaconselham ajuntamentos como o que se vê no vídeo.

Ah, sim.

Nesse caso, justicativa a apuração - imediata e rápida - do Ministério Púbico.

1º Workshop Eleitoral do Pará reúne publicitários, marketeiros, jornalistas e pesquisadores

Alguns dos maiores profissionais e pesquisadores do Pará em áreas estratégicas de campanhas eleitorais - comunicação e marketing, legislação, pesquisas e planejamento/contabilidade - participam nesta terça e quarta-feira, 20 e 21 de outubro, do I Workshop Eleitoral do Pará 2020.

O evento, que ocorrerá no Hotel Sagres, no bairro de São Brás, pretende contribuir para uma sociedade democrática com formação profissional com preceito nas leis vigentes e a potencialização de boas campanhas eleitorais no estado.

Além disso, busca estimular o debate crítico sobre a nova conjuntura política, criando um ecossistema ético e legal na concorrência pelas cadeiras no executivo e legislativo municipal.

Os aprofundamentos sobre o uso de novas ferramentas tecnológicas, mídias digitais e suas contribuições para o processo eleitoral e como combater a disseminação da desinformação serão um dos destaques do evento. 

As inscrições poderão ser feitas no site https://eleicoespa2020.com.br/. Será emitido certificado de participação.

Para mais detalhes sobre o workshop, clique aqui.

Com informações da organização do evento

Para time que contrata um criminoso condenado, um "piriri" generalizado é episódio menor

Mulheres protestam em Bragança, na porta do hotel em que se hospeda o Rio Branco,
time da Série D que acolheu de braços abertos o goleiro Bruno, facínora condenado

O Rio Branco, time do Acre que disputa a Série D, foi à puliça e registrou ocorrência porque vários de seus jogadores tiveram um sério piriri, depois que comeram num restaurante de Bragança, onde o time se encontra para enfrentar o Bragantino.

No Bom Dia Pará desta seguda-feira (19), na TV Liberal, o dono do restaurante, lágrimas nos olhos, apareceu relatando de viva voz ameaças de morte que tem recebido depois do episódio.

O Rio Branco exerceu seu incontestável direito de pedir apuração sobre ocorrência que prejudicou seus jogadores.

Mas registre-se que o Rio Branco acolhe um facínora condenado por envolvimento no sequestro e assassinato de Eliza Samudio. Trata-se do goleiro Bruno, ele próprio atingido pelo pirrique.

Bruno, aliás, foi alvo de justos e compreensíveis protestos quando o ônibus do Bragantino chegou a Bragança.

Por esse precedente, o ter contratado um criminoso, é justo que o Rio Branco também seja investigado neste caso.

Conviria que o empresário, dono do restaurante, fosse à polícia para investigar de onde partiram as ameaças contra ele.

Não se sabe se o fez.

Se não, deveria tê-lo feito.

sábado, 17 de outubro de 2020

Bons e inocentes tempos aqueles, em que cuecas serviam apenas de cuecas

Barreto Pinto: mostrar-se apenas de ceroulas custou-lhe o mandato em 1949.
Hoje, nem dinheiro guardado entre as nádegas pode ser motivo de cassação.

Mas que coisa, hein, gente?

Depois, quando a gente diz aquela conhecida máxima - nós éramos felizes e não sabíamos -, para expressar a desilusão com estes tempos mudernos em que vivemos, logo dizem que somos saudosistas.

Pois é.

Em 1949, a Câmara cassou o mandato do deputado Barreto Pinto, depois que a revista O Cruzeiro o exibiu de ceroulas.

Ele foi o primeiro deputado a perder o mandato por quebra de decoro.

Mas observem: as ceroulas usadas naquela época iam quase até os joelhos. E outra função não tinham senão a original (e exclusiva): a de peça íntima para cobrir as partes íntimas dos que a usavam.

Hoje, ceroulas são cuecas.

E cuecas não servem mais apenas para cobrir as partes íntimas dos que a usam.

Podem ter uma segunda serventia: a de esconder dinheiro públicos criminosamente desviados, como os R$ 15 mil encontrado com o senador Chico Bolsonarista Rodrigues (DEM-RR).

E o pior: a cueca usada por Sua Excelência era apenas um disfarce, porque o dinheiro mesmo estava entalado entre suas nádegas, segundo consta de relatório da Polícia Federal.

O Senado está indignado com a ordem de afastamento provisório de Rodrigues do mandato, por determinação do ministro Luís Roberto Barroso.

Irá cassá-lo por quebra de decoro? Sabe-se lá.

Mas cassaram Barreto Pinto, porque aparecera só com esse cuecão aí, sem dinheiro algum - nem atracado ao cuecão e nem enfiado entre as nádegas.

Bons tempos aqueles, em que cuecas serviam apenas de cuecas.

Com o perdão do saudosimo.

Jair Lopes, o candidato do PCO, existe mesmo? Parece que sim. Mas ele não passa de uma miragem política.

Jair Lopes (na imagem ao lado) existe?

Existe.

Quem consulta o sistema de divulgação de candidaturas da Justiça Eleitoral vai ver seu nome completo, sua ocupação, data de nascimento, além de certidões emitidas pela Justiça Federal e pela Justiça Estadual atestando que nada consta contra ele.

Como cidadão, portanto, o candidato do Partido da Causa Operária (PCO) a prefeito de Belém existe.

Como candidato, não.

Como candidato, ele não passa de uma miragem política.

Fiquei curioso para acompanhar a entrevista que Lopes daria na última quinta-feira (15), na série em que o Grupo Liberal está ouvindo todos os 12 candidatos a prefeito de Belém.

Ele não foi. Alegou imprevistos na agenda.

Quem acompanha o dia a dia da campanha dos candidatos, que a TV Liberal exibe em seus telejornais, ouvirá que "Jair Lopes não informou seus compromissos de campanha". Invariavelmente, tem sido assim.

O candidato do PCO fez-se ausente da entrevista não porque teve "imprevistos de agenda". Essa justificativa, com todo o respeito, é mentirosa.

Muito embora tenha mentido, ele honestamente deve ter preferido não ir porque não teria mesmo nada, absolutamente nada o que dizer.

Jair Lopes, como candidato a prefeito, não tem uma proposta - literalmente nem uma sequer - para Belém.

Seu programa de governo, disponível no sistema da Justiça Eleitoral, é um deserto de propostas.

Diante da miragem política que é o candidato do PCO, fui ler o que ele chama de programa de governo.

Li todo o "programa".

Talvez nem Jair Lopes tenha lido.

Mas eu li.

Aquilo ali, a rigor, é uma carta de princípios. De delirantes princípios.

"Nesse sentido, a eleição atual não é um processo como de costume, mas uma fraude e uma manipulação em meio a um golpe de Estado, tal como eram as eleições durante o regime militar. Não há nenhuma saída pela via eleitoral e a insistência da esquerda pequeno-burguesa nessa perspectiva é uma verdadeira armadilha para os trabalhadores", diz um dos trechos da carta delirante do PCO.

Mas se a eleição é uma fraude, por que o PCO participa dela, tendo registrado Jair Lopes como seu candidato?

"Agora, a esquerda se prepara para adaptar-se ainda mais ao golpe e aos golpistas, ou seja, ao imperialismo, lançando-se na farsa eleitoral na disputa de cargos e de projeção individual, apresentando-se como administradora do Estado capitalista completamente falido". Eis outro delírio inscrito na "programa de governo" de Lopes.

Se a esquerda lançou-se numa farsa eleitoral, o PCO, que participa dessa mesma farsa, agasa-lhe em que espectro ideológico?

Espiem só mais este trecho: "Neste sentido, é de fundamental importância impulsionar a luta pela dissolução da Polícia militar e de todo o aparato repressivo. Defender a organização imediata dos comitês de autodefesa para reagir à ofensiva do estado capitalista e da extrema-direita contra os negros".

Como seria a estruturação desses comitês de autodefesa? Quais seriam as armas que utilizariam? Seriam porretes, galhos de mangueiras podadas? Ou seriam as armas convencionais utilizadas pela PM que seria dissolvida?

Eu queria muito saber como seriam essas coisas.

Mas, afinal de contas, qual seria o objetivo central da campanha do PCO?

O objetivo central é singelo: "Cumprir a meta mínima de aumento de 100% na venda e alcançar a meta geral de venda de 10 mil exemplares" do jornal do partido.

Consta do programa: "O trabalho com o jornal deve ocupar lugar central na atividade de campanha em todo o País. O jornal é nosso principal instrumento de campanha. A ilusão de que a campanha possa ser feita pela imprensa capitalista é uma completa adaptação à burguesia."

Está aí uma das razões pelas quais Jair Lopes não tem contato com a Imprensa. É que ela é capitalista, e uma campanha feita por intermédio da Imprensa capitalista não apenas é uma iusão como uma "completa adaptação à burguesia". Pronto. Tudo explicado.

Por que a miragem política em que se transformou Jair Lopes deveria ser objeto de um debate desapaixonado?

Porque a presença dele num pleito eleitoral democrático, sob as regras democráticas, revela a bagunça, a mixórdia e a disfunção dos partidos políticos no Brasil.

Isso é fato.

Atualmente, temos 33 partidos políticos legalmente registrados no Brasil. E estão na fila, aguardando criação, mas 77. Isto mesmo: 77.

A impressão é de que, nessa toada, não vai demorar muito o dia em que teremos mais partidos do que eleitores.

Num quadro partidário como esse - disperso, diluído, desprovido de qualquer organicidade que possa identificá-los com os segmentos do corpo social que eles dizem representar -, como esperar que um PCO, por exemplo, apresente à sociedade propostas concretas, viáveis e razoáveis para a superação de distorções sociais clamorosas?

Questões como essa só Jair Lopes poderia explicar.

Mas ele, ainda que exista como cidadão, é uma miragem política.

Por isso, ninguém o vê, ninguém o ouve, ninguém o percebe minimamente, ninguém sabe o que pensa e o que faz durante sua campanha. Nada, enfim!

Pena que Lopes, mesmo sendo uma miragem política, continue participando de uma fraude e de uma farsa eleitorais, como diz sua carta de princípios delirantes.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

A Sespa desmente todo mundo sobre a Covid. Só está faltando agora a Sespa desmentir a própria Sespa.

Funcionários da Sespa em coletiva: mais desmentidos sobre o aumento considerável do
número de caso da Covid-19 em Belém e no Pará (foto Jader Paes/Agência Pará)

Que poder, que instância, que instituição se alevantará (esse mesmo é o verbo, que tem muito mais força do que levantar) neste momento crucial, para espanar dúvidas e revelar a verdade - apenas e tão somente a verdade - sobre os números reais da Covid-19 no Pará?

Nesta quinta (15), o Hospital Universitário Barros Barreto - que, conforme já se destacou aqui, não é uma bodega qualquer de 15ª catiguria, mas um estabelecimento que segue protocolos médicos orientados por dados de aferição objetiva, como os da Sespa - anunciou restrições na visita de pacientes, porque detectou aumento considerável, portanto preocupante, do número de casos confirmados da Covid-19 no Pará.

A Sespa, cujos números serviram para a decisão do "Barros Barreto", desmentiu o hospital.

Agora há pouco, o Jornal Liberal 2ª Edição, da TV Liberal, ouviu um especialista da Fiocruz e o dirigente do Sindicato dos Hospitais de Belém. Ambos confirmaram um aumento do número de casos de Covid.

Ouvida pela emissora, a Sespa igualmente os desmentiu.

A Sespa vai ficando, nesse contexto, igual à história do cara que marchava em descompasso com todo o batalhão, mas sustentava que ele, sozinho, marchava certo.

Só falta agora, portanto, a Sespa desmentir a própria Sespa.

Desde ontem, depois da postagem que abordou a discrepância das informações do "Barros Barreto" e da Sespa, não param de chegar ao Espaço Aberto informações que confirmam, ora bolas, o que detectou o "Barros Barreto" e agora o sindicato dos hospitais de Belém.

"As alas de Covid do Hospital Amazônia, Unimed, Porto Dias estão lotadas. Há aumento de número de casos no Guadalupe e no Barros Barreto. A secretária aqui de casa levou a filha pra se consultar na UPA de Marituba e me disse que está cheio de casos de Covid lá também", relata leitor do blog.

Médico, que por motivos óbvios prefere não se identificar, conta que, dos 122 testes feitos no lugar onde ele atua, 100 foram confirmados. Além disso, garante que o número de casos de Covid nas unidades básicas de saúde explodiu.

Na última segunda-feira, leitora do Espaço Aberto esteve pessoalmente no Hospital Belém e ouviu, da médica que a atendeu, a confirmação do aumento de casos, muito embora não tenha mencionado números.

O G1 Pará informa que, num laboratório particular de Belém, profissionais relatam indícios na manipulação de dados sobre o estágio atual da Covid no Pará.

Não se pretende insinuar aqui, nem de longe, que estaríamos vivendo uma segunda onda ou coisa parecida.

Mas, num outro extremo, a simples negativa de que os números continuam a retroceder, enquanto um batalhão aponta que estão aumentado, nivela a Sespa ao personagem que, sozinho, marcha errado no batalhão, mas imagina que só ele está marchando certinho.

Ou não?

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A discrepância de informações do "Barros Barreto" e da Sespa sobre o aumento - ou não - da Covid é um escândalo. É um horror!

Hospital Barros Barreto: suas informações, em tese, devem ser dignas de crédito.
As da Sespa também. E quando ambos se contradizem, em quem, afinal de contas, acreditar?

E agora, José?

Os paraenses todos temos carradas de razões para estar perplexos, para não dizer escandalizados.

O Hospital Barros Barreto anunciou nesta quinta (15) a decisão de suspender provisoriamente as visitas a pacientes internados, sob a justificativa de que detectou um "aumento no número de casos confirmados da doença no Pará" e aumento de 280% do número de amostras em análise. A doença, no caso, é a Covid-19. A fonte em que se ampara o hospital é o painel de monitoramento da Covid-19 no Pará, operado pelo governo do estado.

E a Sespa?

A Sespa diz que o "Barros Barreto" está, como diríamos, viajando na maionese. E aponta que, de acordo com o levantamento epidemiológico, houve redução de 88% na média móvel de casos da doença, quando comparada há 14 dias. Ainda segundo a Secretaria, no dia 29 de setembro, a média móvel era de 229 novos casos por dia, enquanto em 13 de outubro foram computados, em média, apenas 27 novos casos por dia.

Diante dessa discrepância enorme, flagrante, escandalosa e espantosa de informações prestadas por duas fontes que, a rigor, devem ser insuspeitas - ambas por deterem conhecimentos técnicos sobre o que dizem e ambas por estarem obrigadas a dizer a verdade, sempre a verdade e nada mais que a verdade -, como ficamos nós?

Eu, por via das dúvidas, não acredito nem no "Barros Barreto", nem na Sespa.

Porque eu sou, como já pontuei aqui, um completo idiota.

Sendo idiota, acredito que continuar enclausurado até onde for possível é o meio menos inseguro de evitar essa doença horrorosa.

O comunismo morreu. Bolsonaldo, que não descarta ser irmão de Bolsonaro, acaba de matá-lo.


Pode isso, Arnaldo?

Esse aí é o Bolsonaldo, candidato a vereador em Marituba.

Admitamos, ele é muito parecido com o pior presidente que o Brasil já pariu (a fórceps, vá lá) em 500 anos de história.

Bolsonaldo tem dito por aí que não descarta a possibilidade de vir a ser irmão de Bolsonaro, o pior presidente do Brasil em 500 anos de história.

Por quê?

Porque, segundo o candidato, ele tem muitos irmãos que ainda não conhece, já que seu pai teve 22 filhos. "Quem sabe ele não é meu irmão?", indaga Bolsonaldo, referindo-se a Bolsonaro.

Mas a questão não é essa.

A questão é que Bolsonaldo é comunista.

Concorre pelo PCdoB.

Nunca disputou uma eleição na vida.

Esta é a primeira.

Bolsonaldo é apelido que apenas tem alguma semelhança com Bolsonaro.

Mas só de pensar que um comunista registrou um apelido que tenha uma pálida, uma distante semelhança com um anticomunista fanático e feroz, que já fez apologia à tortura (que atingiu vários comunistas durante a ditadura), só de pensar nisso nos leva à conclusão de que o comunismo, de fato, morreu.

Acabou de vez.

Bolsonaldo acabou de matá-lo. E sepultá-lo.

Credo!

Cássio Andrade (PSB) é o que mais arrecadou. Thiago Araújo (Cidadania) é o único que está bancando sua campanha apenas com recursos próprios.



O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que todos conhecemos como fundo eleitoral, está financiando 60,4% das campanhas de oito dos 12 candidatos a prefeito de Belém que já registraram na Justiça Eleitoral suas receitas. O levantamento é do Espaço Aberto.

O sistema de divulgação de candidaturas registra que oito candidatos à sucessão de Zenaldo Coutinho já declararam, até este momento, R$ 695.565, dos quais R$ 420.700 são provenientes do financiamento público de campanha. A soma restante provém do fundo partidário e das doações de particulares.

Cássio Andrade (PSB) é o beneficiário da maior receita. Até agora, ele recebeu R$ 300 mil transferidos pela direção estadual de seu próprio partido. A segunda maior receita é de Gustavo Sefer (PSD), que já recebeu R$ 120.030, dos quais R$ 100 mil doados por Rafael Sefer e R$ 10 mil de recursos que o próprio candidato destinou à sua campanha.

A terceira maior receita declarada, de R$ 110 mil, é a de Guilherme Lessa (PTC), valor proveniente inteiramente do fundo eleitoral. O candidato Edmilson Rodrigues (PSOL), quarto em arrecadação para a campanha, com R$ 66.500, é o único que já recebeu até agora a maior parte dos recursos (R$ 50 mil) provenientes não do fundo de financiamento (eleitoral), mas do fundo partidário, que também é formado, entre outras, por doações de pessoas físicas e jurídicas depositadas diretamente na conta indicada pela legenda.

Candidato do Cidadania, o deputado estadual Thiago Araújo aparece como o único, até este momento, que está bancando sua campanha inteiramente com recursos próprios - no valor de R$ 44.900. Delegado Federal Eguchi (Patriota) já recebeu R$ 32.165 (oriundos em sua totalidade de doações de particulares) e Cleber Rabelo (PSTU) arrecadou R$ 10.700 (dos quais R$ 10 mil provenientes do fundo eleitoral). Vavá Martins (Republicanos) vai tocando sua campanha com apenas R$ 1.300.

Ainda não foi declarada qualquer receita para os candidatos José Priante (MDB), Mário Couto (PRTB), Dr. Jerônimo (PMB) e Jair Lopes (PCO).

TJPA elege seus novos dirigentes. "Rito de passagem" foi respeitado. Mas nem tanto.

Regina Célia Pinheiro, entre Ronaldo Valle e Rosileide Cunha: rito de passagem
no Tribunal de Justiça sem surpresas. Mas nem tanto assim (foto de Ricardo Lima/TJPA).

Foi civilizada, como se espera uma deliberação entre civilizados, a sessão do Pleno do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que nesta quarta-feira (14) renovou seu corpo dirigente. Mas não foi uma sessão que seguiu plenamente, digamos assim, o modelo indicado para tais ocasiões.

O modelo de sucessão observado nos tribunais, sabem todos, segue aquele costume - ou rito, se quiserem - em que se respeita rigorosamente um critério básico: o vice-presidente sucede o vice. E muito raramente há disputa em plenário. Tudo muito simples, linear e previsível.

Foi assim no TJPA.

Mas não foi bem assim.

Foi assim porque a desembargadora Célia Regina Pinheiro, atual vice-presidente, foi eleita para presidir a Corte no biênio 2021/2023, sucedendo o presidente Leonardo Tavares.

Não foi bem assim porque houve a velha batição de chapa, ou seja, apareceu uma candidatura disposta a quebrar essa rotina solene - e mais ou menos silenciosa - a que se entregam os tribunais.

A candidata que ofereceu seu nome como alternativa foi a desembargadora Vânia Bitar, que acabou obtendo nada desprezíveis 11 dos 30 votos de seus pares. Célia Regina foi confirmada presidente com o apoio de 18 colegas. E um voto foi nulo.

Também houve uma disputazinha para a vice. Mairton Carneiro queria ser o vice, mas obteve apenas quatro votos na disputa com Ronaldo Valle. Parece que, nesse caso, prevaleceu um critério muito relevante nas cortes: o da antiguidade. E aí Valle ficou em folgada vantagem, uma vez que integra o desembargo desde 2010, enquanto Carneiro só entrou em 2016.

No mais, a próxima corregedora-geral de Justiça será a desembargadora Rosileide Cunha. As desembargadoras Maria Filomena de Almeida Buarque, Ezilda Pastana Mutran, Rosi Maria Gomes e Eva do Amaral Coelho foram eleitas para compor o Conselho da Magistratura juntamente com os membros natos que são os titulares da presidência, vice-presidência e Corregedoria Geral de Justiça. A posse ocorrerá no primeiro dia útil de fevereiro de 2021.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

A nomeação do novo reitor da UFPA não é um favor de Bolsonaro. É a rendição de um autocrata à democracia.

Como se diz na postagem do blog no Instagram: até que enfim!

Bolsonaro deve estar passando mal, após ter-se rendido, inexorável e inapelavelmente, à legalidade, à legitimidade e aos critérios democráticos que orientaram a eleição para reitor da UFPA.

A comunidade universitária está de parabéns, pela mobilização que empreendeu nas últimas semanas, em defesa do respeito à autonomia universitária, que chancelou a escolha do novo reitor.

Os amplos segmentos da sociedade civil, que resistem em defender de peito aberto o respeito aos mais elementares direitos que a democracia enseja, também estão de parabéns.

Saibam todos - inclusive bolsonaristas fanáticos, que escabujam seus ódios por aí - que Bolsonaro ter nomeado o primeiro nome da lista tríplice não foi um favor, não foi uma concessão, não foi um ato de generosidade extrema. Até porque quem não se comoveu, até hoje, com mais de 151 mortos nesta pandemia horrorosa não se credencia a ser alguém generoso.

Ao contrário, o presidente da República, ao nomear Tourinho, apenas admitiu - muito embora a contragosto, muito embora com sentimentos de repulsa, muito embora com nojinho - a imposição da legitimidade.

Por isso, deve estar passando mal hoje.

Todas as vezes em que autocratas de almanaque se rendem aos princípios democráticos, eles geralmente precisam medicar-se. Do contrário, não suportariam esses momentos em que as regras democráticas, apesar dos pesares, falam mais alto e ostentam sua notória supremacia.

PF faz buscas e apreensões e efetua prisão em flagrante durante operação que combate pedofilia


Equipamentos apreendidos, há pouco, durante a Operação "Não há
Anonimato" (as fotos são da Polícia Federal)

A Polícia Federal no Pará deflagrou na manhã desta quarta-feira (14), em Belém e Região Metropolitana, a terceira fase da Operação "Não há Anonimato", que combate a pornografia infantil e pedofilia disponibilizadas na internet. Uma pessoa foi presa em flagrante.

A Justiça Federal expediu cinco mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos por 22 agentes da PF. A quebra do sigilo de dados telemáticos dos envolvidos também foi quebrado com autorização judicial.

A denominação da operação faz referência ao fato de que internet não é lugar para anônimos, sobretudo quando têm o propósito de cometer crimes.

Os crimes investigados são o de disponibilização de pornografia infantil e o de armazenamento de pornografia infantil. Para não atrapalhar as investigações, a PF não informou os bairros em que foram feitas as apreensões, nem a identificação e a profissão da pessoa que foi presa em flagrante.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Mário Couto revela que sofreu atentado a bomba, chora, diz que reza pela filha aliada do governo Helder Barbalho e avisa: vai mandar prender corrupto

O candidato do PRTB à Prefeitura de Belém, Mário Couto, revelou há pouco que foi alvo de um atentado a bomba, atirada dentro da casa em que ele morava, em Brasília, quando exercia o mandato de senador pelo PSDB.

Ele não deu maiores detalhes, mas atribuiu o atentado à sua postura de combate à corrupção e contou que, depois do episódio, ficou sozinho, porque familiares seus voltaram para Belém, amedrontados, e o próprio motorista dele não queria mais servi-lo, igualmente com medo de ser morto.

Mário Couto fez a revelação, entre lágrimas, durante entrevista encerrada há pouco, conduzida pelos repórteres Rita Soares e Evandro Flexa, na redação do jornal O LIBERAL. A entrevista, que durou cerca de duas horas, faz parte de uma série em que todos os 12 candidatos a prefeito de Belém deverão ser ouvidos sobre as propostas que têm para a cidade.

No restante da entrevista, Mário Couto demonstrou que ainda não superou velhas mágoas do ex-governador Simão Jatene - a quem classificou de um "bom emprendedor", mas um "político da capacidade baixa" -, e reconheceu que o prefeito Zenaldo Coutinho está mal avaliado.

O candidato admitiu que, politicamente, não está alinhado com sua filha, a deputada Cilene Couto (PSDB) - aliada do governo Helder Barbalho (MDB) na Alepa -, mas indicou que ainda há espaço para encontros familiares. "Amo a minha filha. Rezo todos os dias por ela. Criei, eduquei, mostrei o caminho que ela deve seguir. Agora, o que é que eu posso fazer se ela quis seguir o caminho que eu não quero que ela siga?", indagou-se o ex-senador.

A entrevista exibiu um Mário Couto ora grandiloquente - "fui pesquisar os discursos de Carlos Lacerda contra a corrupção: não chegaram a 300, eu fiz mais de 1 mil"; ora confuso - quando disse que pretende povoar as magens do Canal São Joaquim com cerca de 2 mil feirantes "informais", quando provavelmente queria dizer "autônomos", com os mínimos direitos trabalhistas garantidos; ora impreciso no detalhamento de propostas mirabolantes, como a possibilidade de dotar a prefeitura de uma frota própria, com ônibus de padrão Primeiro Mundo (inclusive climatizados) e passagens a R$ 2, mas sem dizer de que árvores vão brotar o dinheiro para bancar um subsídio tarifário monstruoso como esse.

E na área de saúde? Mário Couto contou que contraiu a Covid-19, chegou a ter 60% de sua capacidade pulmonar comprometida e resolveu buscar atendimento em São Paulo, rejeitando sugestões de procurar o "Abelardo Santos", transformado, no auge da pandemia, em hospital de porta aberta para atender milhares de pessoas acometidas pelo coronavírus.

"Lá não, me diziam. Lá tu vais morrer", recordou o ex-senador, referindo-se ao hospital de Icoaraci. Mário Couto disse que chegou a sofrer uma parada cardíaca, mas restabeleceu-se pelo bom atendimento que, segundo ele, recebeu no Hospital Santa Therezinha, um estabelecimento público administrado pelo Hospital Alberto Einstein, que é privado. O candidato deu exemplo desse tratamento de excelência para anunciar que, uma vez eleito, construirá quatro hospitais em Belém, sendo três logo de cara - um no Jurunas, outro na Pedreira, outro em Outeiro.

Teve mais. Mário Couto, ao final da entrevista, repetiu que não vai compactuar com malfeitorias. "No nosso governo, corrupção zero. Quer for pego (sic) em corrupção, eu mando prender. Vai ser preso", avisou Mário Couto, que parece já ter encomendado, além do terno de posse, uma toga luzidia para agir, além de prefeito, também como juiz.

Assista à íntegra da entrevista no vídeo.

Pelo andar da carruagem, decisão sobre a indicação de reitor da UFPA deve ficar para depois da 14ª onda

Pelo andar da carruagem, a decisão liminar do Supremo no mandado de segurança em que o reitor eleito da UFPA, Emannuel Tourinho, pede para que seja indicado imediatamente por Bolsonaro vai sair somente depois da 14ª onda da pandemia do Covid-19 - sabe-se lá quando.

A ação foi ajuizada no dia 28 de setembro.

Nesta terça-feira (13), a movimentaçao processual (vejam aqui) registrou o último despacho, exarado no dia 7, ou seja, há uma semana.

O despacho registra que o relator ainda está à espera das informações de Bolsonaro.

Ah, sim: o relator é o ministro Marco Aurélio, aquele escravo inapelavelmente fiel da "legislação de regência" - como ele costuma dizer -, que dia desses mandou soltar André do Rap, um dos maiores traficantes do País, que a esta altura já está com a cara no mundo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Seu candidato registrou uma promessa em cartório? Cuidado: ele é um mentiroso.

Virou onda.

Nas redes sociais, viralizam imagens - em vídeo, preferencialmente - de candidatos, seja a vereador, seja a prefeito de vários municípios do Pará, registrando suas promessas eleitorais (ou propostas, como queiram) em cartório.

Com isso, pretendem demonstrar que, uma vez eleitos, e aconteça o que acontecer, nada os demoverá da disposição de cumprir o que prometeram e solenemente registraram em cartório, com todas as formalidades legais possíveis.

Só que não.

Com todo o respeito, mas todo mesmo, se o seu candidato - ou candidata - fizer isso, acredite: ele é um mentiroso. Ou ela é uma mentirosa.

Alguma vez você, que é pai, já prometeu dar uma tigela de açaí pro seu filho e depois foi ao cartório registrar essa promessa?

Você, que fez um concurso público, dirigiu-se a um cartório, logo depois de assumir um cargo, para registrar a promessa de conduzir-se em sintonia com as regras mais elementares de probidade que se exigem de um agente público?

Você aí, que é jornalista, alguma vez já foi um cartório para registrar a promessa de jamais mentir ao escrever uma notícia, eis que mentir, no jornalismo e na vida, é algo intolerável, inadmissível, degradante e, não raro, criminoso?

Você acha racional que um governante, ao assumir o cargo por designação legítima de eleitores em pleito democrático, dirija-se a um cartório para registrar formalmente que vai cumprir todos os princípios constitucionais, aos quais já está automaticamente obrigado quando assume o cargo?

Não há, meus caros, o menor sentido nessas promessas, a não ser a de tentar iludir os eleitores de que o registro em cartório é um instrumento inapelável que levará um cidadão a jmais quebrar uma promessa.

Querem um exemplo?

João Doria, o tucano.

Em setembro de 2016, ele concordou em assinar uma carta (vejam na imagem) em que se comprometia, caso eleito prefeito de São Paulo, a não disputar quaquer outro cargo público.

E deu no que deu, como todos sabem.

Portanto, o normal, o natural, o racional é que um candidato tenha crebilidade pelo que é, por sua trajetória na política, pela viabilidade (técnica, financeira e política) das propostas que apresenta.

Se um candidato qualquer só pode cumprir plenamente duas propostas, então ele que trate de dizer isso claramente em sua campanha. E trabalhar para cumpri-las.

Do contrário, é um mentiroso.

Um mentiroso que continua com fortes tendências para continuar mentindo, mesmo que registre suas promessas em cartório.

Com todo o respeito.

Tu já viste um rei? Leia - sobretudo você, jornalista - "Tu já viste um rei?" para vê-lo.

Assista ao vídeo.

Se assistiu, saiba que eu recomendo.

Antonio Carlos Pimentel Pinto Júnior, o Tonga (para os amigos velhos e velhos amigos), é meu velho amigo (mas não amigo velho, hehe) e fechador de jornais.

Fechador de jornal, fique bem explicado, é quem fecha as edições diárias de um jornal, entenderam?

Varamos, por muitos anos, madrugadas a dentro nas redações, premidos pelos horários de fechamento, em tempos, vale dizer, em que ainda não tínhamos nem as edições on-line e muito menos as ferramentas que permitiam a e facilitavam sobremaneira as edições.

Neste livro, Tonga resume não apenas parte das lições que transmite em suas atividades acadêmicas, mas as experiências práticas que acumulou fartamente nos anos em que passou em redação de jornal. Inclusive os crivos, os critérios, as cautelas e os conhecimentos adotados para garantir que a notícia a ser impressa fosse sempre fiel ao fato que procurou descrever.

Publicação independente, o livro conta com o apoio do site Expedição Pará.

Os interessados em adquirir o produto físico - aquele que você pode riscar, dobrar as pontas para marcar a página que está lendo etc. etc. - pode depositar R$ 40,00 no Bradesco, agência 1505-9, conta corrente: 15195-5, em nome de Antonio Carlos Pimentel Pinto Júnior, CPF 219476352-04.

Se preferir, também pode depositar na Caixa (lotéricas), agência 3249, Op. 013, conta poupança 4198-4, em nome de Heloísa Maria Barros Pimentel Pinto, CPF 373274452-34.

Envie uma foto do comprovante de depósito pro WhatsApp dele (9114-7657) ou pelo e-mail tonga.carlos@gmail.com.

Mande o endereço com CEP para entrega que o livro chegará em sua casa, autografado e devidamente higienizado.

Porque são tempos - ainda são - de pandemia, né?

domingo, 11 de outubro de 2020

Berlinda, povo, corda, promesseiros, anjinhos exautos. Teve Círio, sim. E como teve!

E quem disse que não haveria Círio este ano?

Teve Círio, sim.

O Círio aconteceu, sim.

Plantei-me, por cerca de 1 hora e 15 minutos, aos pés de uma mangueira plantada, centenariamente, na Avenida Nazaré com a Benjamin.

Foi o suficiente para ver, com meus próprios olhos, que o Círio deste ano - mesmo diferente, muito diferente dos quase 230 Círios anteriores - foi igual, senão até mais intenso, nas expressões de fé e devoação a Nossa Senhora de Nazaré.

Teve tudo, como em qualquer Círio.

Teve povo nas ruas - reunido aos milhares, diga-se.

Teve berlinda - aninhada singelamente nos carrinhos e nas bicicletas.

Teve corda.

Teve pagador de promessa.

Teve anjinho - alguns exautos, ao ponto de precisarem do refrigério de um sorvete de açaí (tem algo mais paraense do que isso?)

Teve a expressão solitária de gente que foi para as ruas sozinha, para conversar (no murmúrio de suas mais íntimas súplicas) unicamente com a Senhora de Nazaré, durante a marcha até a Basílica.

Vejam, nas fotos do Espaço Aberto, as imagens do Círio do mais diferente de todos os Círios.

O mais diferente e, por isso mesmo, talvez o mais emocionante.






































sábado, 10 de outubro de 2020

Luciano Hang deve ter ido ao êxtase com mais esse crime no interior da loja Havan, em Belém. "Puliça" nele!


Luciano Hang, o dono da rede de lojas Havan, tem ficha corrida.

Em 2004, bem antes, portanto, de a epidemia bolsonarista grassar no País, ele foi alvo de uma ação penal ajuizada pelo MPF, que o acusou da prática de vários crimes, entre eles facilitação de descaminho, descaminho, falsificação, crime contra o sistema financeiro e ordem tributária, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Hang já foi condenado a pagar R$ 300 mil por danos morais coletivos, em decorrência de postagem nas redes sociais ofensiva à OAB.

A Receita Federal diz que o dono da Havan sonegou R$ 2,5 milhões.

Na manhã deste sábado (10), um fato - chocante, impactante e revoltante - ganhou as redes sociais e pode se transformar em mais um episódio digno de encorpar a ficha corrida de Hang.

Na inauguração da primeira loja Havan em Belém, instalada na Avenida Augusto Montenegro, um multidão invadiu o local sem observar as mínimas cautelas exigidas pelas autoridades sanitárias para prevenir o Covid-19.

Centenas de pessoas não observavam o mínimo distanciamento (muito pelo contrário, fungavam umas no cangote das outras) e não usavam máscaras (vejam no vídeo acima, que viraliza nas redes sociais).

Hang, até onde se sabe, não estava presente. Mas deve ter experimentado os arrepios despertados pelo êxtase dos mais indizíveis prazeres ao ver essas cenas dantescas, que contrariam, inclusive, dispositivos de decreto estadual que ainda está em vigor no Pará e impõem regramentos para o retorno gradual das atividades econômicas em vários setores.

É preciso que Hang responda por mais esse crime.

Porque é um crime, sem qualquer dúvida, o que aconteceu hoje no interior da loja de Luciano Hang.

A puliça precisa apurar isso.

Com todo o rigor e sem contemplações para os responsáveis - por ação ou omissão - pelo cometimento de crimes afrontosos.

Inclusive à saúde pública.

Licenças à mineração no Pará deverão prevenir e combater exploração sexual de crianças e adolescentes

O Coema, a partir de proposta do conselheiro Ismael Moraes, incorpora suas decisões de licenciar projetos minerários ao combate e prevenção de abusos sexuais contra crianças e adolescentes

Do portal Ver-o-Fato

O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema) aprovou, no dia 25 de setembro último a concessão de Licença Prévia (LP) para as atividades de extração e beneficiamento de ouro e prata do projeto Coringa, empreendimento da Chapleau Extração Mineral Ltda., empresa que pertence à companhia de mineração Serabi Gold, com capital canadense. Para a concessão da Licença de Instalação (LI) será exigida a apresentação de um estudo de componente indígena. O empreendimento situa-se entre os municípios de Novo Progresso e Altamira, no sudoeste do Pará.

No entanto, a decisão, tomada durante a 72ª reunião extraordinária do Conselho, no Centro Integrado de Monitoramento Ambiental (Cimam), em Belém, trouxe também uma exigência nunca antes oposta a qualquer empreendimento para aprovação na esfera ambiental: cuidados máximos de prevenção e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Isso aponta que todas essas décadas de aprovação irresponsável de projetos econômicos de multinacionais, sem qualquer preocupação local, pode mudar.

Foi uma exigência da OAB, que tem assento permanente no Coema como uma das entidades da sociedade civil e faz parte da Câmara Técnica de Recursos Hídricos e Minerários, órgão do Coema que deve apresentar o parecer para ser aprovado pelo plenário do Conselho.

A condicionante apresentada pela OAB, e que foi adotada por unanimidade tanto pela Câmara Técnica quanto pelo Conselho, exigiu que a mineradora execute um “Programa de Prevenção e Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes a ser implementado antes dos serviços de instalação e executado imediatamente ao início destes, no entorno de toda a área do empreendimento, tanto nas estradas e nos ramais que levam aos locais de trabalho, como em todas as localidades que possam receber influência do trânsito – rodoviária e fluvial – e da presença humana estranha, dele decorrente, com parcerias com os municípios e comunidades potencialmente impactados visando aparelhar os Conselhos Tutelares, e eventualmente as associações, com equipamentos e veículos (automóveis e lanchas/voadeiras) viabilizadores de suas atividades de fiscalização, repressão, acolhimento e tratamento emergencial das vítimas de ocorrências.

“Monitorar e cadastrar os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes na região, a partir das informações das delegacias de Polícia, Conselhos Tutelares e Promotorias de Justiça, e identificar aqueles relacionados às atividades do empreendimento. Em fase posterior, a renovação da LO dependerá de audiência da Segup, MP e Varas da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça das Comarcas sedes dos municípios impactados a fim de se manifestar sobre os dados estatísticos da região e as medidas tomadas pelo empreendedor.”

O presidente estadual da OAB, Alberto Campos, afirmou que “ a partir de agora essa condicionante será exigida pela OAB do Pará nos licenciamentos e nas renovações de todos os empreendimentos com potencial de criar condições para atingir a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Essa é e sempre foi uma das matérias nacionais mais caras à OAB, e vamos afirmá-la por esse caminho das licenças ambientais. Iremos encaminhar ao Centro de Apoio Operacional da Criança e Adolescente do Ministério Público para que acompanhem a execução do programa e os investimentos correlacionados”.

O advogado Ismael Moraes, que representa a OAB no Coema e é autor da proposta, afirma que todos os licenciamentos devem ser não apenas ambientais, mas socioambientais, no sentido de que devem “prever e remediar danos e interferências não apenas no meio ambiente, mas na sociobiodiversidade como um todo, sendo obrigação do Estado tutelar para que comunidades em torno das quais os estabelecimentos serão instalados sofram o mínimo possível de interferências e, ao mesmo tempo, exigir que as empresas sejam responsabilizadas previamente para estruturar meios para a prevenção e a remediação”.

A condicionante foi aprovada à unanimidade na reunião, da qual participou o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade e presidente do Coema, Mauro Ó de Almeida, contou com a presença do secretário adjunto de Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, e de membros do Conselho, formado por representantes de órgãos do Estado e de entidades da sociedade civil.