quinta-feira, 15 de novembro de 2018

No governo Paulo Guedes, Bolsonaro deve ser chefe da Casa Civil. #euapoio.



Pelo andar da carruagem da transição, não seria melhor Jair Bolsonaro, ainda que investido na condição de presidente legitimamente eleito, assumir o cargo e nomear-se, digamos assim, chefe da Casa Civil, entregando o governo ao futuro superministro da Economia, Paulo Guedes?
Porque, sim, Bolsonaro, apesar de ser Bolsonaro, tem traquejo político. À sua maneira, é claro, mas tem.
Já Paulo Guedes só tem traquejo de Paulo Guedes mesmo.
Vejam a última dele.
Em encontro com governadores, nesta quarta-feira (14), apresentou como uma das propostas para tirar os cofres estaduais das cinzas dividir entre as unidades federados os esperados R$ 100 bilhões resultantes de um leilão do pré-sal.
Agora, vejam só que estratégia bacana. Tipo assim, uma estratétia genuinamente com a grife Paulo Guedes.
O processo licitatório ainda precisa ser aprovado no Congresso. Para isso, portanto, será preciso negociar com todos os congressitas. Mas supomos que o governo Paulo Guedes (desculpa aí, Bolsonaro) negocie e aprove o projeto com o modelo de licitação. Beleza!
Aí, em troca, os governadores, em troca dos R$ 100 bilhões que vão receber, comprometem-se a apoiar a reforma da Previdência, cooptando suas respectivas bancadas.
Ou seja, o governo Paulo Guedes (desculpa aí, Bolsonaro) não se preocuparia com essa articulação. Deixaria tudo a cargo dos governadores, que então teriam de se virar nos 30.
Olhem trecho de matéria de O Globo desta quinta-feira:

—Está todo mundo apertado junto. Se arrecadar esses R$ 100 bilhões, eu vou pegar isso aí, e a gente pode passar para estados e municípios, para todo mundo pelo princípio do pacto federativo. Agora, o que não pode é atrapalhar a tramitação. Se for mudar, enfiar uma emenda lá, aí já atrasa — afirmou Guedes aos governadores.
Essa é uma sinalização da estratégia que Guedes pretende colocar em prática na relação do governo Bolsonaro com o Congresso. A ideia é negociar as pautas de interesse do governo no Legislativo prioritariamente com os governadores e não com os parlamentares.
— Querem ajuste (tributário) mais rápido? Participem da reforma previdenciária conosco. Façam um sacrifício —disse Guedes.

Então, vamos resumir.
O Congresso prepara tudinho como o governo quer, ou seja, aprova o projeto da licitação e o aprova.
São arrecadados R$ 100 bi.
O dinheiro é dividido – equanimemente, acredita-se – entre os Estados.
Governadores ficam saltitantes.
Aí, chamam seus deputados e senadores para votar a reforma da Previdência rapidamente:
- Venham cá. Agora é nóis na fita! – dirão governadores a seus deputados e senadores, que assim não tratariam com o governo Paulo Guedes (desculpa aí, Bolsonaro), mas com os governos estaduais.
Não é tão simples esse roteiro?
Não é ótimo eleger-se presidente e passar o governo para o ministro da Economia?

sábado, 10 de novembro de 2018

Fábio Bentes tem a grave missão de acabar com as divisões no Remo

Meno male.
Fábio Bentes foi eleito neste sábado (10) o novo presidente do Remo.
Cravou mais de 200 votos sobre o segundo colocado, Manoel Ribeiro.
Aliás, há umas duas semanas, quando teve sua candidatura impugnada sob a acusação de que teria cometido ato de improbidade quando dirigia do DNIT no Pará, Ribeiro disse que não entrava em disputa para perder.
Pois não é que perdeu?
Perdeu e, antidesportivamente, deixou as dependências do Remo sem falar com ninguém, muito menos com o presidente eleito, a quem sequer cumprimentou.
Pois é.
Essa conduta também é ultrapassada.
O importante é que o Remo decidiu renovar-se.
Mas Fábio tem uma grande missão: acabar com as divisões internas no clube.
Porque, como já se disse aqui, os mais letais adversários do Remo são os próprios remistas.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Os mais letais adversários do Remo são os remistas


Não sei se eu já disse alguma vez aqui no Espaço Aberto.
Mas, se nunca o disse, digo-o agora, pois: os maiores – e mais letais – adversários do Remo são os remistas que o dirigem ou se habilitam para dirigi-lo.
Vejam as eleições marcadas para este sábado (10).
A disputa – envolvendo três chapas – tem sido uma fonte inesgotável de horrores.
Áudios que circulam por aí – e inclusive já chegaram até este repórter – são repositórios de nojeiras sem fim, envolvendo, inclusive, a vida íntima de pessoas.
Há um bate-boca asqueroso em público.
Há exibições explícitas de voluntarismos, ornados de proclamações comoventes de amor ao Remo.
Mas esses amores estão, a olhos vistos, acabando com o Remo, que só não acaba porque, sim, é o Remo.
Esse circo de horrores está medrando em meio a um deserto – dos mais desérticos – de ideias, de propostas, de intenções concretas e viáveis para resgatar as finanças do Remo da situação caótica em que se encontra há anos – duas décadas, no mínimo.
O que o Remo fez, gente, para merecer que remistas o tratem tão mal assim?
O que fez?

Moro, ministro, é sim mais político do que nunca



Sergio Moro tem razão em achar o cúmulo da teoria conspiratória essas alegações de que ele, ao aceitar um cargo de ministro no governo Bolsonaro, estaria apenas consumando as suspeitas sobre sua suposta parcialidade no julgamento de Lula.
Olhem, sinceramente, isso de fato não faz sentido algum. Porque, se alguém acha que faz, então deveriam alegar a suspeição, a parcialidade não apenas de Sergio Moro, mas de todos os magistrados de instâncias superiores que chancelaram seus atos no processo envolvendo Lula.
Entre esses magistrados estão, inclusive, membros do STJ, que negaram HCs para o ex-presidente, e integrantes da 8ª Turma do TRF4 que mantiveram a condenação de Lula por Sergio Moro e, além disso, aumentara a pena imposta em primeira instância.
Essa é uma questão.
A outra questão é Moro dizer que, aceitando o cargo de ministro, não estaria contrariando declarações passadas, em que ele prometeu jamais se envolver com política.
Hehe.
Se Moro, àquela altura, quis referir-se à política partidária, tudo bem, ele continua coerente com o que disse.
Mas é inegável que o cargo de ministro é político, sim.
É essencialmente político, ainda que ocupado por um técnico sem filiação partidária como Sergio Moro.
Aliás, o que o juiz vai ter que tratar com políticos, num ambiente político, envolvendo temas políticos com motivação essencialmente políticas não está no gibi.
Bem diferente de suas funções judicantes, quando lidava com políticos para decidir, com base nos códigos – ou na letra fria da lei, para usar expressão corrente -, se eles eram culpados ou inocentes.
Acabou essa fase.
Moro, agora, é político, sim.
Genuinamente um político.
E, acho, isso não o desmerece, como não desmerece ninguém.
Porque a política é atividade das mais dignificantes.
Pena que tantos a tornem indigna e se façam indignos por causa da política.

Habeas Corpus vencido pela OAB garante prerrogativas profissionais e protege comunidades ribeirinhas


ISMAEL MORAES - advogado socioambiental

A Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará mandou arquivar ação penal movida por um promotor da Capital acusando-me de denunciação caluniosa e apontando como vítima um promotor de Barcarena denunciado a mim por comunidades de usar a função pública ministerial a serviço da multinacional Bunge Alimentos, no ano de 2015.
A decisão do Tribunal atendeu ao pedido de Habeas Corpus para Trancamento de Ação Penal (processo nº 0002596-97.2017.814.0000) impetrado pela OAB na pessoa do presidente Antonio Alberto Campos, defesa de que também participou o advogado Marcelo Romeu de Moraes Dantas.
A Corte Criminal entendeu que “postulando em nome do cidadão, o advogado não exerce mera e simples atividade profissional liberal, posto que sua atuação desvencilhada dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, tem o condão de contribuir para o fortalecimento, manutenção e fomento do Estado Democrático de Direito”. E citando José Afonso da Silva, estabeleceu que “a advocacia não é apenas uma profissão, é também um múnus, é a única habilitação profissional que constitui pressuposto essencial à formação de um dos Poderes do Estado: o Poder Judiciário”. Em resumo, decidiu a Turma do Tribunal de Justiça que o advogado possui imunidade profissional quando está munido de procuração, e que quando veicula denúncias contra o Ministério Público e utiliza de expressões duras são meros recursos do jargão forense, que o uso da palavra ao acusar membro do parquet não constitui excesso se as expressões remetem a fatos.
Esse precedente é histórico na jurisprudência do Pará no campo da defesa das prerrogativas profissionais dos advogados.
Foi rápida a atuação do presidente Antonio Alberto Campos Campos, porque além de constatar a gravidade da violação profissional, visualizou que a atuação da OAB também atenderia interesses sociais de oprimidos, por saber que dedico parte substancial da minha advocacia defendendo comunidades tradicionais amazônicas contra grandes projetos econômicos instalados em locais de vida desses povos com o conluio criminoso do Estado (Semas, em especial).
O promotor enviara ao Comando da PM ofício dizendo que as comunidades impediam o trânsito de ambulâncias e ônibus escolar. As comunidades apresentaram declaração da Prefeitura de Barcarena que isso nunca aconteceu, até porque seus filhos e eles próprios eram atendidos por esses serviços públicos. Esse documento do Ministério Público à PM foi utilizado como prova de declaração falsa para reprimir com força policial, e sem ordem judicial, a defesa contra as agressões e visando que carretas da multinacional Bunge Alimentos invadissem as áreas em que vivem. Com base nisso, ajuizei em favor das comunidades no Tribunal queixa-crime contra o promotor de Justiça, que foi bastante para amedronta-lo quando foi notificado pelo Tribunal, o que o fez cessar as agressões. Mas a queixa-crime, sem ser sequer instruída, não foi recebida, o que encorajou ao promotor que se dizia vítima pedir abertura de processo contra mim.
Após a decisão da Turma de Direito Penal do TJ, a Procuradoria Geral de Justiça recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. Mas o parecer da Procuradoria-Geral da República é a favor de manter a decisão do TJ que concedeu o habeas corpus à OAB do Pará.

“Para ser magistrado, precisa ter vocação”, diz juiz federal

Professor Zacaria Nassar, professora Virgínia Lopes, juiz federal Marcelo Honorato e o professor Adriano Martendal

Os estudantes de Direito devem escolher as áreas de atuação baseados na vocação pessoal e não pela remuneração. É o que alerta o juiz federal, da vara de Marabá (Pará), Dr. Marcelo Honorato. De acordo com o Juiz, muitas pessoas escolhem um concurso baseadas no salário, na estabilidade financeira, só que nem sempre as satisfações materiais vão conseguir dar uma estabilidade emocional e um sentimento de que a pessoa está contribuindo com a sociedade.
“Embora a área de magistratura possa dar uma certa tranquilidade financeira no dia a dia, é muito importante que a pessoa realmente tenha vocação para o cargo, pois existem aspectos da vida do juiz federal que exigem preparo para enfrentar. O candidato tem que refletir sobre a sua disponibilidade em encarar desafios e também deve ter perfil de quem não gosta muito de aparecer, que faz um trabalho silencioso, que tenha uma vida em sociedade mais recatada. Eu acredito que antes de trabalhar como Juiz, o melhor caminho seja atuar como advogado da União, ou como procurador federal, ou até mesmo como advogado, para poder avaliar melhor se é esse o caminho que gostaria de trabalhar. E, se eu pudesse dar um conselho para aqueles que vão trabalhar na área federal, é cuidar da sua integridade profissional e ética”, ressalta o Dr. Honorato.
O Juiz, ainda, citou algumas áreas dentro do Direito que estão em crescimento. Uma delas é a área do Direito Digital. Para ele, a primeira questão é a prática operacional, pois todos os processos estão sendo digitalizados no Brasil. “É um caminho sem volta a digitalização e a informatização dos processos judiciais. No Brasil, foi adotado o PJE (Processo Judicial Eletrônico) e eu tenho observado a dificuldade de operação desse sistema, não só pela limitação material que existe e de infraestrutura do sistema público, mas uma dificuldade dos operadores do direito, em especial dos advogados. Muitas vezes, o advogado tem conhecimento do direito processual, do direito material em si, sabe defender o direito do cliente, no entanto tem uma dificuldade muito grande com essa interface com os sistemas informatizados. Tudo está sendo informatizado, primeiro passo foi a digitalização dos processos, pela diminuição do papel, agora tudo está sendo operado desde o início de forma digital. O profissional tem que saber incluir o documento, direcionar as petições para o juiz de forma correta”, alerta.
O Juiz federal, Dr. Marcelo Honorato, esteve em Florianópolis para participar de um evento na Unisul, no dia 17 de outubro e, na mesma semana visitou a Universidade, atendendo uma demanda da Base Aérea. Ele visitou as dependências do campus Grande Florianópolis, onde foi recebido pelo diretor do campus, professor Zacaria Nassar, e pela coordenadora do curso de Direito Unidade Pedra Branca, professora Virginia Lopes Rosa.

Leia mais aqui.

Adnan Demachki ganha prêmios


O advogado Adnan Demachki, ex-prefeito de Paragominas e nos últimos anos, à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, é o vencedor dos Prêmios Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2018, prêmio também promovido por todas as Federações das Indústrias da Amazônia. 
Adnan figura no primeiro lugar da categoria Personalidade Dedicada ao Desenvolvimento da Região Amazônica, em virtude de sua história de vida, em especial pelo projeto Paragominas Município Verde e pelo esforço empreendido para consolidar um novo padrão de desenvolvimento à frente do Programa Pará 2030, que entre outras iniciativas, deixa legados importantes para a gestão pública.

Fonte: Assessoria de Imprensa

sábado, 3 de novembro de 2018

Queremos um "superpresidente" Bolsonaro. Queremos já!


Égua!
Mas quem será ministro no governo Bolsonaro, gente?
Porque até agora temos quatro.
Mas quatro superministros.
Paulo Guedes, o da Economia.
Sergio Moro, o da Justiça.
Onyx Lorenzoni, o da Casa Civil.
E o general Augusto Heleno, o da Defesa.
A eles, a Imprensa - essa mesma que antes a chamavam de golpista e agora, ora vejam só, está sendo chamada de esquerdopata - dá-lhes a denominação de superministros.
De ministro, mesmo, só conhecemos o astronauta Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia.
Acho que está bom de começarmos uma campanha para que o presidente JB torne-se um superpresidente.
Porque, a continuar nesta toada, o presidente é que terá de bater continência para seus superministros, todo dia, de manhã, quando chegar ao Planalto pra trabalhar. E não, como é de se esperar, os superministros baterem continência ao presidente.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Moro não "afasta" ou "desafasta" nada. Nem "riscos de retrocessos".


Sergio Moro, como se esperava, vai integrar o governo Bolsonaro.
Mas, sabemos, trocar a magistratura federal por um cargo no primeiro escalão do Executivo - e ainda mais na anunciada condição de superministro da Justiça - pode ser, em sua trajetória, uma realização imediata que conduz a uma aspiração mediata.
Moro, sendo ministro da Justiça, deve ter sua indicação assegurada para a próxima vaga que abrir no Supremo. Esta, sim, é sua aspiração.
E o que o doutor poderá fazer na Justiça?
Teremos que esperar.
Ele diz que será ministro da Justiça para "afastar riscos de retrocessos".
Não se queira tanto, doutor.
Não se queira.
De salvadores da Pátria - desta nossa, a mãe gentil, e de outras -, estamos cheios.
Quem nos afasta, ou não, de "riscos de retrocessos" não é o Sergio, o João, o Manoel, o Luiz Inácio ou o Jair.
O que nos afasta dos "riscos de retrocessos" é a solidez das instituições democráticas.
O que nos aproxima dos "riscos de retrocessos" é cair na tentação dos voluntarismos, dos personalismos e outros ismos, que podem até inebriar as massas, mas acabam por conduzi-las a experiências tenebrosas. Heil!
E podem, tais personalismos, levar a democracia de roldão.
Mas, de toda forma, boa sorte a Sergio Moro.
Ele tem, sim, boas condições para fazer um bom trabalho.
Mas sem salvacionismos, vamos ser claros.

"Não há lei válida a autorizar o garrote das liberdades"


"Diferentemente do espaço de liberdade individual, que somente esbarra nos limites da lei, o Estado e seus agentes só podem atuar de acordo com o que é legalmente deferido. E não há lei válida a autorizar o garrote das liberdades, menos ainda a de pensar, de se expressar, seja ela em qualquer fora, de ensinar e aprender, de criar, porque sem isso o ser humano não teria todo o espaço para que ele pudesse se transformar e crescer".
Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que suspendeu as operações policiais em universidades.
No Espaço Aberto, leia: Há cintilar de luzes em meio a prenúncios de trevas

"A voz da oposição não pode jamais ser silenciada"


"Regimes democráticos não convivem com prática de intolerância ou comportamentos de ódio. Grupos minoritários têm legítimo direito de oposição, uma vez que os grupos vencidos no processo eleitoral têm expresso mandato para opor-se. A voz da oposição não pode jamais ser silenciada".
Ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que suspendeu as operações policiais em universidades.
No Espaço Aberto, leia: Há cintilar de luzes em meio a prenúncios de trevas

Atos autoritários não podem nos reconduzir ao passado das trevas


"Nós não consideramos razoável ou legítimo cenas de policiais irrompendo em salas de aula para impedira realização de palestras ou retirada de faixas que remetem a manifestação de alunos, cenas como a apreensão de computadores. São atos autoritários e incompatíveis com o país que conseguimos criar felizmente e remetem a um passado que não queremos que volte".
Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que suspendeu as operações policiais em universidades.
No Espaço Aberto, leia: Há cintilar de luzes em meio a prenúncios de trevas

Você quer falar sobre fascismo? Fale, então.


"Se um professor, o expositor quer falar sobre o fascismo, o comunismo, o nazismo, ele tem o direito de falar. E os alunos, as pessoas têm direito de escutar e realizar um juízo crítico e eventualmente repudiar aquilo que está sendo dito".
Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que suspendeu as operações policiais em universidades.
No Espaço Aberto, leia: Há cintilar de luzes em meio a prenúncios de trevas

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Há cintilar de luzes em meio a prenúncios de trevas



Em, Brasília, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal confirmou decisão da ministra Cármen Lúcia que suspendeu ações policiais em universidades, na semana passada.

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Em São Paulo, a Polícia Civil indiciou o estudante de direito Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, por crime racial após ele aparecer em vídeo indo votar com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizendo: “Tá vendo essa negraiada? Vai morrer!”.

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Em Santa Catarina, o Ministério Público entrou com ação na Justiça contra a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL), que divulgou nas redes sociais um comunicado pedindo que estudantes catarinenenses gravem e denunciem manifestações político-partidárias dos professores. A deputada criou um canal para receber as denúncias.

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Em São Paulo, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou um ex-delegado, um procurador militar aposentado e um juiz militar aposentado por omissão na investigação da morte do militante político Olavo Hanssen durante o regime militar (1964-1985) na capital paulista. Esta é a primeira denúncia do MPF contra integrantes do Ministério Público e do Judiciário por suspeita de legitimar práticas de tortura durante a ditadura.

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A série de ataques que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vem fazendo contra a Folha de S.Paulo teve como um de seus efeitos colaterais uma campanha virtual incentivando a assinatura do jornal.

Tudo perdido, mas não concluído

Tudo está perdido.
Mas nem tudo está concluído.
Derrotado - através de seu candidato, Marcio Miranda - por Helder Barbalho nas eleições do último domingo, o governador Simão Jatene ainda quer entregar, o quanto antes, três hospitais.
O Abelardo Santos, de Icoaraci.
E os de Capanema e Abaetetuba.

Não queremos mais BRT. Queremos, apenas, praças sem buracos.



Escutem aqui.
Belém não quer mais uma obra, como se diz, estruturante.
Não quer mais uma obra como o BRT, esse colosso que começou sabemos quando, mas não sabemos – e, parece, ninguém sabe – quando vai terminar.
Não.
Belém, meus caros, quer coisas simples, que podem propiciar segurança e satisfação a seus moradores.
Como tapar buracos em praças, por exemplo.
Simplesmente tapar, nas calçadas, buracos que causam acidentes graves.
É o caso da Praça Batista Campos, uma das mais aprazíveis da cidade, mas abandonada, desprezada e transformada num local de risco para quem faz suas caminhadas ou suas corridas matinais por lá.
Usem a busca aqui do Espaço Aberto, digitem algo como Batista Campos buracos e vocês vão ver quantas postagens, com uma fartura de fotos ilustrativas (como as estão acima), já foram publicadas sobre o assunto.
E tudo continua como dantes.
O leitor do blog José Olímpio Bastos, um dos mais antigos frequentadores da praça e dos mais ativos defensores de sua preservação, lembra, oportunamente, que exatamente no dia 15 de outubro o médico cardiologista aposentado João Amoedo pegou uma queda por volta das 7h, na pista bem embaixo das samaumeiras, onde tem um ressalto perigosíssimo.
“Aliás, a praça toda está com o piso externo com centenas de buracos, risco altíssimo para as milhares de pessoas que lá caminham, correm ou simplesmente transitam em suas rotina diárias, quer sejam crianças da mais tenra idade com seus pais até as pessoas bem idosas - homens como mulheres. Muitas e muitas pessoas já caíram e se machucaram muito. A necessidade de recuperação da praça é urgentíssima! Não do piso, mas também dos bancos, das lixeiras, dos coretos, dos lagos, enfim, de toda a praça”, clama José Olímpio.
Pois é.
Enquanto os clamores não são ouvidos – e parece, infelizmente, que nunca o são -, haja acidentes.
Na quinta feira passada, foi uma senhora, que caiu na calçada próximo ao coreto central. Novamente, um tropeço em uma “beirada” levantada por raiz de árvore. A buraqueira aumenta a cada dia!
Enquanto isso, não temos nem BRT, nem praças em boas condições, nem nada.
Praticamente nada que dê satisfação ao belenense de desfrutar de sua cidade.
Que coisa!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ninguém se iluda: o dia seguinte deve ser pior. Muito pior.



Os brasileiros, parodiando Euclides da Cunha, são antes de tudo uns fortes.
E otimistas, vale acrescentar.
Nesses grupos de WhatsApp, fontes inesgotáveis de mentiras, baboseiras e fanatismos de todos os lados e de todas as preferências políticas e ideológicas, há debandadas gerais.
“Volto depois das eleições”, avisam os que saem.
O depois, eles acreditam, é a segunda-feira, 29 de outubro, quando terão terminado as eleições e Jair Bolsonaro (PSL) já será o novo presidente da República eleito – a menos, é claro, que o mar vire sertão ou o sertão vire mar.
Esses brasileiros que estão batendo em retirada, repita-se, são uns fortes e otimistas.
Porque prevejo, sinceramente, que o depois das eleições será pior, muito pior, do que esta fase que vivemos.
Porque será a hora em que os vencedores, muito provavelmente, haverão de se considerar empoderados aos extremos e, com esse sentimento, muitos se acharão no direito de ditar suas normas em nome do capitão.
Porque será a hora em que os vencidos, muito provavelmente, encontrarão a oportunidade de, em tudo e por tudo, elevarem o seu nível de vigilância como oposicionistas, o que será bom; mas, se caírem também eles no extremismo, isso será péssimo. Para não dizer trágico.
Nem a propósito, uma nota na Painel, a principal da coluna da Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (24), diz o seguinte:

Integrantes da cúpula das Forças Armadas demonstram preocupação com a possibilidade de o clima de beligerância no país se intensificar após a eleição. Comandantes do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e outros nomes de alta patente militar têm conversado sobre o receio de que grupos radicais, de ambos os lados, pratiquem atos de violência após o segundo turno. Os militares pregam que o próximo presidente faça da conciliação nacional prioridade após a votação no domingo (28).

Entenderam?
Não se iludam, portanto.
Não nos iludamos.
O dia seguinte será pior, muito pior.
Mas tomara que não.

sábado, 20 de outubro de 2018

Onda de mensagens pró-Bolsonaro cai sensivelmente no WhatsApp


Pira paz, não quero mais.
Lembram-se da brincadeira de pira, durante a infância em que a gente não tinha WhatsApp?
Pois é.
Nas brincadeiras de pira, o moleque, ou moleca, que não queria mais brincar saía da brincadeira dizendo isto: pira paz, não quero mais.
Mais ou menos como essas empresas suspeitas de encomendar pacotes de nojeiras e mentiras - ou de mentiras nojentas, como queiram ´- devem estar dizendo agora, depois que o TSE mandou investigar se existe algum dedo da campanha de Bolsonaro nesse jogo sujo e antidemocrático.
É visível, perceptível e inequívoco que, transcorridas pouco mais de 24 horas da abertura de investigação determinada pelo TSE, o tsunami de mensagens que vinham sendo veiculadas nos grupos de WhatsApp caiu consideravelmente.
Durante todo o dia deste sábado (20), o Espaço Aberto pediu a cinco de seus leitores - três bancários, uma advogada e um jornalista - que observassem, nos grupos de que participam, se o número de mensagens pró-Bolsonaro foi reduzido de ontem para hoje.
Na média, as respostas indicam que caiu, sim. E um dos leitores chegou a observar que, nos grupos de que participa, aquelas postagens favoráveis a Bolsonaro, que tinham a aparência de ser disparadas em massa, praticamente pararam completamente.
Isso já é uma demonstração forte, sólida e, como diriam os operadores do Direito, robusta de que, sim, estava em curso uma anomalia que justificava a onda, em dimensões tsunâmicas, de mensagens prontinhas e bonitinhas, mas criminosas e mentirosas, que os simpatizantes da candidatura de Bolsonaro recebiam e se encarregavam de disseminar, aos milhares e milhões, sobretudo pelo WhatsApp.
Daí a onda de mensagens com o selo de Encaminhada que trafegavam com intensidade e frequência impressionantes pelo WhatsApp.
E como já disse o blog, Encaminhada é a identidade definitiva da ditadura da que transformou o Whatsapp numa fossa de mentiras e crimes.
E aí?
Isso vai mudar o resultado das eleições?
Não.
Não vai mudar.
Bolsonaro está virtualmente eleito.
Mas esse episódio precisa ser apurado e, se for o caso, empresários que eventualmente tenham cometido esse crime precisam responder penalmente pelo que fizeram.
Porque ninguém pode servir-se dos instrumentos da democracia para perpetrar coisas hediondas como as que vinham sendo veiculadas por aí.

Detran é o veículo rumo ao precipício. Parece!


No ocaso do governo Jatene, o Detran virou um barril de pólvora, um fio desencapado, um veículo desgovernado rumando para o precipício.
A licitação suspensa nesta semana, por decisão judicial, diante de indícios de favorecimento a uma empresa, é apenas um episódio da série Se remexerem mais, vai aparecer muita coisa ainda.
Aliás, duas ou três fontes do Espaço Aberto disseram algo assim: "Se remexerem a fundo no Detran, vai ser pior que a Lava Jato".

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A ditadura já chegou ao WhatsApp. E atende por um nome!



Leitor do Espaço Aberto, ao deparar-se, e depois de ter lido atentamente a postagem intitulada WhatsApp e seus grupos viram uma fossa de mentiras e crimes, pergunta a este repórter, por e-mail, por que ainda permanece nesses ajuntamentos – esta a palavra exata: ajuntamentos - em que todos se fazem de surdos para opiniões contrárias, daí acharem-se no direito de acolher todas as mentiras do mundo.
A pergunta é das mais pertinentes.
E muito fácil de responder.
Respondo: permaneço nesses ajuntamentos porque sou jornalista, sou curioso. Porque desejo conhecer as reações das pessoas – o que pensam, como pensam, quais seus valores, qual seu nível de tolerância diante das divergências, como interpretam e processam o sentido de uma informação – tanto das verdadeiras como das falas, tanto das verdadeiras como das manipuladas para sensibilizar os ingênuos e incautos.
É só por isso, ou por tudo isso, caro leitor, que permaneço nesses grupos, mesmo sem interagir, mesmo sem dar uma palavra, mas lendo tudo de todos, ao mesmo tempo.
Aliás, se você quer saber, eu devo ser dos poucos que leem tudo nesses grupos. Porque, em regra, ninguém lê nada que os outros postam. Cada qual está mais interessado em postar a sua verdade; ou aquilo que a pessoa considera a verdade – imutável, irretocável, incontrastável, definitiva.
Por isso é que, reconheçamos, já estamos todos sob a ditadura do WhatsApp.
E no WhatsApp, a ditadura identifica-se como Encaminhada.
Encaminhada é a mensagem mentirosa.
Encaminhada é a mensagem falsa.
Encaminhada é a mensagem enganosa.
Encaminhada é a mensagem porca.
Encaminhada é a mensagem preconceituosa.
Encaminhada é a mensagem que prega a intolerância.
Encaminhada é a mensagem racista.
Encaminhada é a mensagem homofóbica.
Encaminhada é a mensagem que propaga a misoginia.
Encaminhada é a mensagem de alucinados.
Encaminhada é a mensagem de gente bastante seletiva, que se escora em princípios religiosos para, vejam só, pregar o ódio e a exclusão.
Encaminhada é a mensagem em que cada um escolhe, seletivamente, os seus ladrões – os do bem e os do mal.
Encaminhada é a mensagem que mal disfarça recalques de toda natureza.
Entenderam?
Esse é a ditadura do WhatsApp.
Essa é a ditadura que atende pelo nome de Encaminhada.
Reconheçamos que ela já chegou e já existe.
Mas não nos rendamos a ela.
Não mesmo!

O jornalismo não vai nos salvar do WhatsApp



Reconheçamos – nós, jornalistas.
Admitamos – nós, que exercemos o jornalismo.
Estamos perdendo a guerra para a mentira, não é?
Leiam o texto abaixo, intitulado O jornalismo não vai nos salvar do WhatsApp.
É longo – daí o Espaço Aberto reproduzir aqui apenas uma parte e oferecer o link para quem quiser continuar.
E o blog apela: continuem.
Porque o artigo é perfeito.
A jornalista Maria Carolina Santos conseguiu demonstrar, até mesmo cronologicamente, que essa onda bolsonarista não é apenas o resultado – fortuito e fugaz – de um conservadorismo emergente.
Não.
Ela, a onda bolsonarista, conseguiu adequar e adequar-se a uma forma de comunicação – direta, objetiva, imagética, sem verbos, nem vírgulas, nem substantivos, nem adjetivos. Mas uma forma de comunicação muito eficaz para atingir propósitos definidos. E uma linguagem que leva, digamos assim, ao ponto G dos objetivos de quem a utiliza pensando que não perderá nunca, jamais, em tempo algum, a inocência (hehe).
Enquanto isso, o jornalismo começou a criar barreiras.
E deu no que deu.
Ou melhor: deu no que está dando.
Leiam abaixo.

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Bolsonaro vai ganhar. Não há tempo suficiente.
E a culpa é (também) do jornalismo.
Nos últimos quinze, vinte anos o mundo mudou tão rápido que fomos engolidos. Em um momento, alguns de nós comemoramos ter acesso aos melhores jornais do mundo: The New York Times, The Washington Post, The Guardian, El País. Estavam todos ali, a um clique: a mesmíssima distância que estavam outros tradicionais como A Folha de São Paulo, o Estadão, O Globo. 
A gente podia ler tudo. De graça. Na internet.
Mas éramos tão poucos, e tão privilegiados, por ali.
O acesso foi aumentando e as barreiras cresceram. Surgiram os paywalls, assim mesmo, sem tradução. Você queria ler A Folha de São Paulo, clicava no link e dava com a porta na cara. Você ia ler o Times e levava uma sobrada. Você não tinha mais direito de entrar ali. Não de graça. Não sem preencher um formulário. Você desistia.
Aí você acabava entrando no Globo.com, a home page mais lida do Brasil. Mas, ali, em meio àquelas tediosas chamadas noticiosas, tinha todo o apelo do Ego. Você ia lá, sabia da vida de todo mundo. Passava o olho pelas manchetes. Um ou outro jornal local ainda era aberto e lido: mas as matérias dos sites eram tão curtinhas, feitas ali no calor do momento, sem muito contexto. Se eram atualizadas depois, você já nem lia. Já sabia o que precisava, né.
E assim foi por anos. 
Saiu a homepage. Veio o Facebook.
Logo, logo, os editores perceberam: é muita coisa pra se competir. Tem o post da vizinha, da mãe, tem os gatinhos, os cachorros. O jornalismo se tornou um outdoor. E, para deixar a grama mais verde, se ia ao limite da verdade - por vezes, além. Sensacionalismo, que chamam, né?
 Aí surgiu o clickbait. Tinha lá aquela chamada vistosa. Você clicava. Ia para o texto…e, bem, não era bem isso.
Mas olha só: 
o clickbait revelava o que você queria saber. Seus interesses, seus gostos. Isso era útil para alguém.
Milhares de sites começaram a surgir só com clickbait. Mas a verdade - mesmo a super elástica - não é tão atraente assim. 
Há dias e semanas em que não há nada muito apelativo. Em que não há uma foto com ilusão de ótica de um vestido, nem um famoso fotografado traindo a namorada.
Se a realidade não atrai, inventamos ou resgatamos algo. “Jibóia come criança- aviso: foto chocante!”. Você resiste? Basta dois parágrafos com 4 linhas cada, uma foto de 1998 manipulada em três minutos de Photoshop. No tempo real do Analytics, 800 pessoas online. Os anúncios se desdobram na tela. Um ou outro clica. Essa matéria rendeu!
 Os clickbaits passaram a ficar mais violentos: jibóia que come criancinhas parece algo fora da realidade. Mulheres assassinadas. Foto de 2000, textinho de 2015. Bota no ar: “Mulher marca encontro pelo Tinder e acaba degolada”. Aqui, tem mais sentimento: medo, raiva, pena. “Também, quem manda ir pra essas coisas…”. Ódio. Bingo.
 Houve um tempo em que os dois existiram e disputaram espaços no Facebook, numa briga acirrada, que aproximavam os dois. De um lado, veículos tradicionais, com posts cada vez mais sensacionalistas, cada vez mais desenhados para despertar ódio, raiva e, vez ou outra, “fofura”. Do outro, veículos bissextos, feitos para ganhar cliques e anúncios do GoogleAds, sem se importar com os fatos.
A diferença é que quando você clicava no post do jornalzão, você era barrado. No do outro, que você nunca tinha nem visto, você entrava. Aos poucos, você deixou de ir no jornalzão: só lia a chamada e deixava seu comentário furioso. O que você lia mesmo, quando lia, era naquele site duvidoso.
Enquanto estávamos distraídos entre o sensacionalismo e as fake news no Facebook, algo acontecia longe dos olhos públicos. O WhatsApp ganhava corpo.
 
Para as empresas de mídia, o WhatsApp sempre se apresentou como uma esfinge. Um potencial enorme, 120 milhões de usuários, mas como usá-lo pra notícias? Ter redatores dedicados a textos curtíssimos? Enviar o link? Na grande maioria dos veículos, era só um número para enviar alertas e sugestões de pautas. Nunca foi visto como um Facebook.
 Os grupos cabiam 200 e poucas pessoas. E, também, como faturar? Quando nos perguntávamos
 para onde o público do Facebook estava indo - principalmente depois daquela grande mudança de algoritmo - não passava pela cabeça o WhatsApp. É snapchat. É instagram. É stories.

A gente achava que o WhatsApp era só pra comunicação entre pessoas que se conhecem. Que 
ninguém dava importância praquelas correntes. Ignorávamos os “Bom dia!” e fazíamos piada de quem ficava morrendo de medo do aplicativo ser bloqueado. Devíamos ter prestado mais atenção quando víamos que as matérias mais lidas eram justamente as que falavam sobre aqueles bloqueios - Na Folha de São Paulo, uma dessas matérias rendeu 42 milhões de visualizações
Deixado de lado pelo jornalismo, o WhatsApp foi construindo sua própria linguagem.
Não foi um estilo que surgiu do nada. Foi com os melhores exemplos das fake news construídas lá atrás no Facebook. Emoção pura, em estado bruto. Sem delongas, sem espaço para mais de uma interpretação. É isso e pronto, nada mais. Não há meias palavras, não há “suspeito de assassinato”. É assassino.
“Alerta geral! Se alguém te parar nos estacionamentos abaixo (liste todos os supermercados conhecidos) oferecendo perfume e papel para cheirar. (em negrito) não cheire.
É um novo golpe ou nova forma de roubar.

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Bolsonaro e Haddad jogam para torcidas. Ma palmas para a ABI.



Seguinte.
Bolsonaro e Haddad assinaram nesta quarta-feira (17) um Termo de Compromisso de Respeito à Constituição da República Federativado Brasil.
A iniciativa é da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Palmas pra ela.
A intenção da ABI é restabelecer “o fulcro natural” da campanha, para que os dois voltem a discutir propostas de governo e questões pragmáticas no lugar de trocarem insultos.
Palmas para a ABI, outra vez.
A iniciativa, fique claro, é edificante.
Todas as tentativas para frear – senão reduzir – as baixarias são louváveis.
Louváveis, mas, convenhamos, inúteis.
Porque a tendência é de que as baixarias aumentem até 28 de outubro, data do segundo turno.
E quanto ao compromisso de respeitar a Constituição, isso não passa de uma promessa, digamos assim, cosmética, apenas para torcidas aplaudirem.
Primeiro, porque é redundante. Nas democracias, candidatos prometerem respeitar a Constituição é a mesma coisa que, numa ditadura, seus admiradores dizerem que apoiam a tortura como método de “extrair a verdade”.
Segundo, porque o respeito à Constituição não se expressa em intenções e nem em palavras.
Expressa-se em atos, em condutas concretas.
Deixemos o jogo rolar, portanto.
Mas, outra vez, palmas para a ABI.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Cid Gomes tem razão: o PT fez mesmo muitas besteiras



Vocês viram o vídeo?
Provavelmente, sim, porque está viralizando em tudo quanto é lugar.
O conteúdo é nitroglicerina pura. E um dos trechos é bem emblemático, é bem representativo do temperamento dos irmãos Gomes - Cid, o que aparece no vídeo, e Ciro.
O trecho emblemático é aquele em que Cid diz várias vezes - "eu estou calmo, eu estou calmo..."
Hehe.
Calmo, Cid Gomes já chamou, no plenário da Augusta Câmara dos Deputados, o então presidente da Casa, Eduardo Cunha (hoje prisioneiro em Curitiba) de "achacador". Depois disso, pediu demissão do Ministério da Educação, cargo que então ocupava no governo Dilma, àquela altura já moribundo politicamente.
Calmo, Cid Gomes chama petistas de "babacas", diz que fizeram muitas "besteiras" e que vão perder as eleições.
Convenhamos: todo cara calmo, calmíssimo, como Cid Gomes, nem sempre consegue usar uma linguagem de lorde, é claro. Mas nem por isso, em sua calmice, o cara deixa de ter razão.
Cid Gomes tem razão: não é apenas Bolsonaro que está ganhando - e deve ganhar - estas eleições. É o PT que está perdendo.
O PT fez tudo pra perder de goleada, acrescente-se. E está perdendo porque fez muitas, mas muitas besteiras.
Lula foi o primeiro.
Se fizesse jus à sua inteligência política, Lula, no dia mesmo em que foi preso e proclamou, em alto e bom som, que a partir dali não seria mais um nome, e sim uma ideia, deveria ter logo avisado que renunciava à sua condição de pré-candidato ao Planalto, autorizando o PT a comandar um amplo processo político para formar uma frente democrática das esquerdas capaz de derrotar Bolsonaro, que então já despontava como o adversário mais forte, com apoio da direita.
Mas não.
Lula insistiu em manter-se pré-candidato, mesmo sendo um prisioneiro em Curitiba, desprezou os acenos de Ciro para encabeçar uma chapa com o apoio do PT e fincou pé na ideia de que o próprio Partido dos Trabalhadores deveria ter um candidato próprio.
Tem mais: num outro trecho da fala de Cid Gomes, que não está nesse vídeo, o senador eleito pelo PDT diz que procurou Lula para oferecer à ex-presidente Dilma Rousseff a chance de disputar uma das vagas no Senado pelo PDT do Ceará.
Lula, segundo Cid, disse não. Porque já se comprometera com o emedebista Eunício Oliveira, enrolado até o talo na Lava Jato e que acabou não se reelegendo.
E Dilma foi se albergar em Minas, onde acabou derrotada.
Como vocês veem, foram besteiras à farta.
E besteiras que muitos petistas reconhecem agora, somente agora. Um deles, Jaques Wagner, já externou publicamente a avaliação de que Ciro Gomes seria uma opção mais competitiva para enfrentar Bolonaro.
Pois é.
Mas agora é tarde, meus caros.
Agora, é praticamente irreversível.
Ou, na linguagem calmíssima, sem rebuscados e nada gongórica de Cid Gomes: "Tu já perdeu (sic) a eleição, babaca".
É isso.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Queremos saber como generais governam fora da caserna. "Antagonista”, socorre-nos!

O site O Antagonista, antilulista e antipetista em máxima e quase explosiva octanagem, está em momento enternecedor de profundas e, digamos assim, angustiantes cogitações sobre o futuro próximo. E faz um apelo comovente ao general Augusto Heleno (na imagem). Leia abaixo a postagem, curta, mas, repita-se, comovente:

Os generais que ajuda a elaborar o plano de governo de Jair Bolsonaro começam a falar além do razoável.
[Do Espaço Aberto: mas já?]
Está na hora de o general Augusto Heleno, que coordena a tropa, mandar esse pessoal calar a boca.
Na democracia, políticas são negociadas, como sabe Jair Bolsonaro.
[Do Espaço Aberto: sério mesmo? Ele sabe?]
Da mesma forma que um presidente eleito não pode ser comandado por um presidiário, ele também não pode ser dirigido pela caserna.
[Do Espaço Aberto: não mermu?]

Bem que O Antagonista poderia tirar essas dúvidas, né?
Como o site não esconde de ninguém suas convicções - o que é ótimo, porque, afinal de contas, estamos em tempos de transparência à flor da pele e dos nervos - bem que O Antagonista poderia nos ensinar melhor sobre como são os generais governando fora das casernas.
Vamos lá, Antagonista.
Tire as nossas dúvidas.
Ensine-nos sobre a caserna, Antagonista.

sábado, 13 de outubro de 2018

WhatsApp e seus grupos viram uma fossa de mentiras e crimes



Sabem de uma coisa, meus caros?
Até uns dez dias atrás, eu não dava o menor crédito a 10 entre 10 postagens – todas com o selo de Encaminhada – que circulam aí pelos Zaps da vida.
Pois agora, de 10 entre 10 postagens, eu não dou o menor crédito a 40. No mínimo, a 40.
Por quê?
Porque são mentirosas, malucas, falsas, despropositadas e, por último mas não menos importante, criminosas.
Para registro, fiquemos com a última.
Espiem a imagem acima.
Circulou, como diríamos, ad nauseam (até dar “náusea”, fartamente, virulentamente, repetidamente, intensamente, malucamente e outros mentes) pelos grupos de WhatsApp.
Com a imagem, circulava o seguinte texto, reproduzido abaixo ipsis literis, mantendo-se o estilo nada gongórico do original:

Homem vestido de noiva, gritando #ELENÃO, interrompe missa na Basílica Santuário de Nazaré.
Um homem, militante de esquerda, interrompeu a missa que acontecia na Basílica Santuário de Nazaré - antes da saída da imagem de Nossa Senhora para romaria rodoviária - vestido de noiva e gritando ELE NÃO, em alusão a campanha contra Jair Bolsonaro.
Por motivos óbvios, fiéis e peregrinos presentes ficaram revoltados pela falta de respeito a missa em andamento, e mesmo pedindo para ele parar, pois estava desrespeitando um local e uma cerimônia sagrada, não foram atendidos pelo homem que se recusou dizendo que ali era uma manifestação pela liberdade e contra o autoritarismo.

Entenderam?
Pois é.
Como viram, isso tudo que veiculam nos grupos de WhatsApp é uma mentirada sem fim, mas que trocentos mil ingênuos reproduziram.
Mesmo ingenuamente, todavia, os ingênuos cometeram um crime, ora pois.
Se tivessem checado a veracidade disso, não teriam cometido a monstruosidade com esse rapaz.
Como estamos na Suíça, todos continuamos a acreditar que o crime compensa. Já se estivéssemos no Brasil, tudo seria diferente – os criminosos, ora, iriam pra cadeia, né?
Tudo pela ordem e pelo progresso. Tudo pela pátria. Tudo pelo senso de autoridade. Tudo pela família. Tudo pelos bons costumes, sejam lá quais forem.
Hehe.
Por isso é que, de cada 10 postagens espalhadas em grupos de WhatsApp, desprezo 40.
Por mentirosas, malucas, despropositadas e criminosas. Não necessariamente nessa ordem.