segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Esquinas de drogas e exploração infantil na região central

No AMAZÔNIA:

Os meninos travestis do Pará - e de outras capitais de todas as regiões brasileiras - estão distribuídos por todo o centro de São Paulo e alguns bairros da zona sul da cidade. Um dos principais pontos de exploração sexual de adolescentes travestis é a rua Rego Freitas, no bairro da Consolação, próximo à igreja homônima. De ponta a ponta dessa via há travestis nas esquinas, vários deles adolescentes. Eles são observados de perto pelos homens de confiança das aliciadoras, que ficam em bares, mimetizados entre demais clientes e transeuntes, ou dentro de carros, aproximando-se de todos os veículos que param para abordar os meninos. 'Cada cafetina tem o seu grupo de homens que faz a vigilância dos travestis o tempo todo. É uma forma de evitar fugas e de controlar a quantidade de programas', disse Cláudio*, que hoje tem 21 anos e foi traficado para São Paulo quando tinha 15.
Outro local usado pelas quadrilhas para explorar os adolescentes é a chamada 'Boca do Lixo', área do centro de São Paulo conhecida pela venda e consumo ostensivos de drogas. Na década de 90, passou a ser conhecida como 'Cracolândia'. Em ruas como Triunfo, Aurora, Vitória, o cenário é assustador: muito lixo espalhado pelas ruas, pessoas embriagadas e/ou dopadas, outras vendendo ou consumindo drogas, e muitos travestis, em toda parte e de todas as idades. É para lá que vai a maioria dos adolescentes paraenses, que se misturam e acabam compondo um cenário de horror, decadência e violação.
Na lógica do tráfico e busca de lucro, alguns meninos são enviados para áreas mais nobres, a mais importante delas a avenida Indianápolis, no bairro de São Judas. Na avenida Indianápolis há adolescentes e jovens travestis de ponta a ponta da via, que corta grande parte da zona sul de São Paulo. Para o local vão os meninos que têm os corpos mais femininos, os cabelos e peles mais bem tratados e as melhores roupas. Enquanto na 'Boca do Lixo' os meninos vestem saínhas e biquínis, na Indianópolis o vestuário padrão são os sobretudos, os brilhos e as botas de cano longo e salto alto.
Apesar da aparente melhoria nas condições, a vigilância é semelhante, a solidão se mantém e as condições de 'trabalho' são sempre degradantes. Foi próximo a São Judas que no ano passado um jovem travesti de Belém foi morto a tiros durante um desentendimento com um cliente. De família pobre, o rapaz foi enterrado em um cemitério público, sem nenhum parente presente.

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