quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Duciomar em três versões. As três são contra-indicadas.

Uma vez reeleito, Duciomar Costa virou Duciomar Costa.
Decididamente, foi nisso que ele se transformou
Na última campanha eleitoral – cujos lances ainda estão fresquinhos na memória de todos - Duciomar Costa, o prefeito candidato à reeleição, parecia ter passado por um curso intensivo para explicar o inexplicável: o caos da Saúde em Belém.
Foi um caos tão notoriamente caótico, tão notoriamente escandaloso, tão deprimentemente vergonhoso, que Belém foi parar nas manchetes – inclusive de programas jornalísticos de emissoras de TV transmitidos em rede nacional -, como foram os casos das mortes de um homem e uma criança em unidades municipais de saúde da Marambaia e do Bengüi, no ano passado.
Duciomar, ainda candidato à reeleição, parece ter passado com louvor no curso intensivo a que se submeteu. E tanto é assim que nos debates, sobretudo nos últimos, que travou em segundo turno com o peemedebista José Priante, passava o tempo inteiro provocando o adversário para discutir com ele um tema apenas: a Saúde em Belém.
O discurso de Duciomar, vocês sabem, era essencialmente aquele: ninguém fez mais pela Saúde em Belém do que seu governo, que alguns problemas foram isolados, que o índice de dengue caiu, que o Pronto-Socorro do Umarizal ganhará novas instalações e que – por último, mas não menos importante -, uma vez eleito para um segundo mandato, ele, Duciomar, daria prioridade à questão da saúde.
Leia, por exemplo, o que o Duciomar candidato disse aqui mesmo no Espaço Aberto:

Já estamos trabalhando. Estamos na quarta laje do Novo Pronto-Socorro da Bernal do Couto, que terá mais 150 leitos. O PSM do Guamá também será duplicado, com mais 60 leitos. Vamos implantar oito Unidades de Pronto Atendimento, que são de média complexidade, para desafogar os PSMs. E vamos criar o Hospital Maternidade de Belém, entre outras ações, que vão ampliar as ações da Prefeitura em Saúde.

Esse era o Duciomar candidato. Esse era o Duciomar que todos viram na campanha.
Até que chegou ontem.
No plenário 6, da Câmara dos Deputados, em Brasília, Duciomar, agora reeleito prefeito de Belém, estava lá.
Estava numa reunião, juntamente com os prefeitos Maria do Carmo (PT), de Santarém; Odileida Sampaio (PSDB), de Altamira; e Maurino Magalhães (PR), de Marabá. Os quatro faziam exposições para a bancada de deputados federais do Pará e mostravam as prioridades de seus municípios, para que os parlamentares pudessem apresentar emendas ao orçamento.
E Duciomar, o reeleito? E Duciomar pós-campanha?
Falou, falou e falou. Pediu, pediu e pediu. Implorou, implorou e implorou.
Fez tudo isso por uns 15 minutos. De relógio.
E não falou por 1 segundo sequer em saúde. Nem sequer a mencionou. Nem por alto. Nem especulou.
Todos notaram. Todos.
Inclusive o deputado federal Vic Pires Franco (DEM), cuja mulher, Valéria Pires Franco, foi candidata a prefeita de Belém pela aliança DEM-PSDB e mostrou-se, durante a campanha, como uma das mais ácidas críticas da situação de abandono a que foi relegada a saúde em Belém.
Pois é.
Vic disse em essência isto: que Duciomar, o mesmo que desprezou a Saúde em seu primeiro mandato, foi o Duciomar que durante a campanha construiu o seu castelo de sonhos e os emoldurou com as promessas de melhorar a saúde e está sendo o Duciomar que, no limiar de um segundo mandato, dá mostras que de continuará a abandonar a saúde.
Temos portanto, como mostrou Vic, três Duciomares: o antes da campanha [o prefeito, portanto), o durante a campanha (o candidato) e o depois da campanha (reeleito).
Pois, em termos de Saúde – sobretudo nesta área -, os três são contra-indicados.
Contra-indicadíssimos.

3 comentários:

Anônimo disse...

É verdade, como tudo aqui no espaço.
O prefeito Duciomar Costa falou e pediu por mais de quinze minutos. Pediu pra tudo, menos pra saúde.
Pediu pra Belém Ambiental, pediu pro Jean, pra Andrade Gutierrez, e até pro Paulo Castelo Branco. Pra saúde, não. E a sua cara, nem tremeu.
Por incrível que pareça, elegantemente, lembrei que a saúde de Belém está esquecida e abandonada por ele.
E ele, com aquela cara de paisagem.
Não fiz mais do que a minha obrigação. Mas fiz.
Só me arrependo de não ter lhe dado a descompostura pública que merece.
Mas não vai faltar oportunidade.
Vic Pires Franco

Anônimo disse...

Bom dia, caro Paulo:

penso que erramos na quantidade. Temos apenas (argh!!!) dois "Duciomares" : o prefeito e o candidato. Mas ambos perfilam-se estrelando um único personagem: o cínico. Que em alguns momentos da campanha, se não fosse trágico, lembrava a antiga e engraçada "malandragem".

Abração.

Anônimo disse...

Eu chooooooooro. Pago minha UNIMED e não tenho no meu histórico nenhum voto para o Duciomar.

Então, população burra que o escolheu: aguente!!!


Libertas