quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lei que potege animais é ignorada em Belém

No AMAZÔNIA:

Mesmo regulamentada por uma lei municipal e com punição prevista por lei federal em casos de abuso, o uso de animais para o transporte de cargas em Belém continua rendendo cenas repugnantes. Animais mutilados, subnutridos e doentes podem ser vistos, todos os dias, puxando carroças com carga excessiva em horários exaustivos de trabalho. A morte de um cavalo por cansaço, má alimentação e muitos ferimentos na avenida Perimetral, na última sexta-feira, revela o quadro de descaso da administração pública para com os animais. A falta de fiscalização e de rigor para o cumprimento da lei municipal do transporte de tração animal e a desinformação dos carroceiros perpetuam o problema.
De acordo com um levantamento do Centro de Zoonoses da prefeitura, entre 3 e 5 mil animais são utilizados para tracionar carga em toda a Região Metropolitana de Belém. A maioria deles cumprindo mais de oito horas de trabalho por dia e puxando carroças com mais de 300 quilos. 'Os maus-tratos pelos donos, a má alimentação e a exposição a doenças faz com que a vida desses animais sejam encurtadas em muitos anos', explica o pesquisador Heriberto Figueiredo, coordenador do Projeto Carroceiro, da Universidade Federal Rural da Amazônia, Ufra. Ele conta que a maioria desses animais é comprada em cidades do inteiror do Estado por um preço muito baixo, que varia entre R$ 400 e R$ 800, dependendo do porte do animal. 'Muitos desses animais já vêm doentes do interior. Quando o criador detecta algum problema físico ou doenças infecciosas, ele retira esses animais das fazendas e, para não sacrificá-los, os vende a preços baixíssimos para o uso de carroceiros nas cidades do interior'.
Uma pesquisa divulgada pela Universidade Federal Rural da Amazônia constatou que quase metade deles, 47%, são acometidos por uma doença grave, contagiosa, que fragiliza e chega a causar a morte de muitos animais - a anemia infecciosa equina. De acordo com o médico veterinário Heriberto Figueiredo, a doença pode ser comparada com o que a Aids é para os seres humanos. 'Essa doença destrói a cadeia imunológica do animal, deixando-o vulnerável a qualquer infecção. Os animais que são encaminhados para a Ufra, nos quais detectamos a doença são, por lei, imediatamente sacrificados'.
Para denunciar maus-tratos de carroceiros a animais de tração, ou encaminhar animais feridos ou abandonados para o projeto Carroceiro, da Ufra, basta ligar para o número 3210-5264.

Mais aqui.

Nenhum comentário: