segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma aula de futebol ao melhor futebol do mundo


E então?
Quem acreditaria até ontem, às 18h59, que a seleção brasileira daria uma aula de futebol ao melhor futebol do mundo?
Pois é.
Quando os ponteiros do tic-tac-tic-tac apontavam 19h, a seleção brasileira começou a dar uma aula de futebol ao melhor futebol do mundo.
A partir das 19h, o tic-tac-tic-tac - preciso, mecânico, brilhante e incomparável - da melhor seleção do mundo, a da Espanha, começou a emperrar.
Emperrando, a precisão, o brilhantismo, a mecânica eficaz do tic-tac-tic-tac ficaram com a seleção brasileira, que goleou a Espanha por 3 a 0 e conquistou pela quarta vez a Copa das Confederações (na foto de Adriano Vizoni/Folhapress, as comemorações).
Mas olhem só.
Combinemos algumas coisas.
Primeiro, a vitória do Brasil não deve e nem pode levar ninguém a cair na ilusão de imaginar que a seleção brasileira voltou, após cinco partidas, a ser a melhor do mundo. Não. Esse privilégio continua a ser da Espanha.
Segundo, a seleção brasileira é uma equipe em evolução. Ainda tem que melhorar até a Copa de 2014. Se não começar, como diríamos, a jogar de salto alto, pensando que é imbatível, aí sim, poderá chegar à Copa bem mais afinada.
Terceiro, foi muito bom vermos, nesta Copa das Confederações, que as outras equipes começaram a sacar o tic-tac-tic-tac espanhol e criar os antídotos contra isso. Qual é? O antídoto é a equipe adversária avançar a marcação e partir pra cima da Espanha, deixando de fazer com a maioria das seleções, que esperam em seu próprio campo os espanhóis evoluírem. Nesta Copa das Confederações, apenas duas equipes avançaram a marcação e foram pra cima, agredindo a Espanha: a Itália e o Brasil. A Itália quase ganha. O Brasil goleou a seleção espanhola.
Quarto, é muito provável que, até a Copa de 2014, o tic-tac-tic-tac espanhol seja atualizado, digamos assim. Porque muitos, até lá, já terão perdido a impressão de que a seleção da Espanha é imbatível. Para tanto, vão se lembrar não apenas desta vitória sensacional do Brasil, mas também das peias, das duas surras, das duas chineladas, dos dois chocolates que o Bayern aplicou no Barcelona, que joga igualzinho à seleção espanhola e ainda tem no seu elenco o argentino Messi, melhor jogador do mundo.
Então é isso.
É Felipão e os seus escolhidos trabalharem com afinco e humildade, mas sem o complexo do vira-lata, como dizia o velho Nelson Rodrigues.
A humildade, no caso, é impor o próprio talento, nunca menosprezando o adversário e sempre tentando ser melhor que ele.
Porque, aqui pra nós, a Espanha, desde a conquista do Mundial de 2010, vem estufando o peito pensando que é imbatível. Não é.
Mas hoje, repita-se, é o melhor futebol do mundo.
Sem dúvida nenhuma.

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