terça-feira, 23 de junho de 2026

Odeio amar a genialidade de um argentino

Lionel Messi: o maior gênio do futebol em todos os tempos. Depois de Pelé, claro.

A frase, clássica e bem conhecida sobretudo pelos que são apaixonados por futebol, é atribuída sociólogo argentino Pablo Alabarces.

"Os brasileiros amam odiar os argentinos, enquanto os argentinos odeiam amar os brasileiros", disse ele, numa tentativa de resumir a nada amistosa - muito pelo contrário - relação cultural e esportiva entre os dois países.

Pois eu odeio - visceralmente - amar a genialidade não de um gênio, mas do gênio argentino da bola, Lionel Messi.

Como todo mundo tem os seus melhores, também tenho os meus: no futebol, Pelé, claro, é o maior de todos os tempos. Depois dele, Messi, sem outro que sequer se lhe aproxime.

Tornar-se o maior goleador da Copa em todos os tempos, feito conquistado na vitória da Argentina sobre a Áustria, nesta segunda-feira (22), por 2 a 0 (os dois marcados por ele), é um prêmio à genialidade desse cara.

Messi é aquele gênio que, parece, joga com a bola colada nos pés, tal a velocidade e, ao mesmo tempo, a leveza e naturalidade com que dribla, quando parte em direção ao gol. Sempre em direção ao gol. Sem desvios de rota. Até fazer o gol.

E mais: os dribles de Messi, mesmo os mais desconcertantes, não transmitem ao adversário a impressão de que ele pretende menosprezá-los, depreciá-los ou provocá-los. Porque sabem que serem driblados daquela forma é a forma natural de jogar de quem os dribla.

Talvez por isso mesmo é que Messi, mesmo sendo Messi, atraia muito menos pontapés do que um Neymar, por exemplo, cuja expressão facial, por si mesma, já expressa o deboche e a mania de viver dando uma de migué, bastando que encostem nele, para que saia rolando o campo inteiro, como mostraram os memes impagáveis que viralizaram na Copa de 2018, na Rússia.

Neste Mundial, como em todas as ocasiões, em todos os esportes, em todas as disputas - até no pebolim -, tenho secado a Argentina com todas as minhas forças.

Fora à parte Messi, um gênio universal.

O maior de todos os tempos.

À exceção de Pelé, não esqueçam.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Carlos Mendes

Carlos Mendes: sua morte desfalca o jornalismo do Pará de um dos seus
profissionais de maior crediblidade e integridade (Foto: redes sociais)

O acúmulo de compromissos profissionais não me permitiu externar ainda no último domingo, 31 de maio, meu imenso pesar em decorrência do falecimento, naquela data, de meu amigo Carlos Mendes.

Mas preciso fazer esse registro, ainda que breve, porque jamais poderia deixar de fazê-lo.

Conheci Mendes em 1983, precisamente nesse ano, quando ingressei em O LIBERAL e comecei a atuar como setorista de Política, cobrindo a Assembleia Legislativa do Estado.

Mendes já estava por lá, como também era mais antigo que eu no jornalismo.

Nossos contatos se afinaram um pouco depois, quando ele também passou a fazer parte da equipe de O LIBERAL, onde então eu já atuava como editor de Política.

Sempre foi um repórter por excelência.

Um repórter diante do qual nem uma notícia - pequena ou grande, não importava - passava batida.

E um repórter sempre atento, muito atento para os fatos que nem sempre estavam tão visíveis e flagrantes assim para os mortais comuns, mas eram plenamente perceptíveis apenas pelos bons jornalistas como ele.

Como editor, tive o privilégio da editar muitas de suas matérias especiais, várias delas "furos" de reportagem, como chamamos.

Quando comecei esteve blog, já lá se vão quase 20 anos, meus contatos com Mendes continuaram afinadíssimos.

Sempre repercuti aqui as entrevistas que ele fazia aos sábados na sua Rádio Tabajara, em programa que apresentava juntamente com outro amigo jornalista que também já se foi, Carlos Sidou.

A rádio tornou-se um território livre para debates sobre assuntos polêmicos, predominantemente os da área política, permitindo que os próprios protagonistas externassem suas próprias abordagens sobre as mais variadas questões.

Nos últimos anos, seu portal Ver-o-Fato notabilizou-se como um dos mais acreditados e mais lidos do Pará e também como um veículo de muitos furos jornalísticos.

Em todos esses mais de 40 anos de convivência, nunca deixamos de, como se costuma dizer, "trocar figurinhas", assim entendida a conversa entre jornalistas que sabem de muitas coisas, mas nem sempre podem publicá-las integralmente, porque faltam mínimos elementos que corroborem, de maneira incontestável, o que será exposto publicamente.

Por toda a sua trajetória, que também o revelou como um escritor apaixonado pela ufologia, a partida de Carlos Mendes, aos 76 anos, após uma doença atroz que enfrentava havia alguns anos, desfalca o jornalismo do Pará de um dos seus profissionais mais brilhantes e íntegros.

E para mim, pessoalmente, representa a perda de um grande amigo.

Meus mais sinceros sentimentos a toda a sua família, em especial ao seu filho André, com que sempre mantive um contato respeitoso e cordial.