O
ano de 2014 foi um ano surreal. O governo precisa ter humildade, estar contrito
com o momento nacional e, genuflexo, enviar oração para que todos busquem
alívio de suas agruras e conforto espiritual de seus austeros padecimentos. Há
que se promover, urgentemente, um novo desenho para a política do País. É
necessário atacar o critério das concessões. Contudo, com relação ao conteúdo
da mídia, é preciso ter cuidados para não permitir o surgimento de uma polícia
política para seu controle. Boa parte da mídia, hoje, está nas mãos de
parlamentares, que a utilizam em prol de seus projetos políticos. Isso,
obviamente, em nada contribui com a sociedade.
O
ano de 2014 foi desastroso. O Brasil está estagnado. O governo padece do
sofrimento centralizador de sua presidente que afugenta quem está por perto.
Uma série de interrogações se apresenta: A virulência e o apetite insaciável de
muitos políticos engessam o País, enfraquecendo sua combalida musculatura, não
é fato? O governo dizia na disputa eleitoral que os tucanos eram especialistas
em aumentar impostos, verdade? Que seus opositores eram responsáveis por
políticas tributárias que oneravam os trabalhadores? Dia desses, o ministro
Joaquim Levy, explicitou que o aumento no Imposto de Renda, vem mais para os
prestadores de serviços que recebem como pessoa jurídica. Ou seja, o aumento do
IR poderá, sim, atingir exatamente o trabalhador que vive exclusivamente de seu
minúsculo salário.
O
ano de 2014 foi de uma tremenda escassez para a economia brasileira. Se até
março passado o PIB apontava um crescimento acima de 2%, em novembro a
atividade econômica teve crescimento zero no acumulado de 12 meses. Por trás da
desaceleração está a perda de fôlego do setor de serviços, somado aos maus
resultados da indústria. De março a novembro de 2014, o crescimento do setor
terciário caiu de 2,2% para 0,8%. A produção industrial em novembro recuou 5,8%
na comparação com o mesmo período de 2013 e o número de empregados no setor
teve queda de 4,7%.
Iniciamos
o ano de 2015 sem qualquer medida concreta que possa melhorar a situação do País
e da população. Uma boa atitude seria a de acabar com os cabides de empregos,
onde o nepotismo corre solto e reduzir o número de ministérios. Só na Esplanada
há mais de 22 mil funcionários em cargos de confiança distribuídos nas 39
pastas. Um verdadeiro exército escolhido apenas por critérios políticos, sem
contar os que tentam nomear apadrinhados até nas pastas ou nos “aparelhos” que
não lhes cabe no fatiamento da máquina estatal.
A
presidente quis montar um Ministério, mas não conseguiu escalar devido às
negativas dos escolhidos: Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, Josué Gomes,
da Coteminas, Abilio Diniz, presidente do conselho de administração da BRF,
senador Blairo Maggi e Luiz Trabuco, presidente do conselho de administração do
Bradesco. Ser ministro do governo do PT não é mais atrativo quanto antes. As
negativas recebidas nas sondagens e nos convites mostram o outro lado da moeda.
Tornar-se ministro hoje é desgaste pessoal e profissional dos escolhidos para
tentar tirar as contas públicas do atoleiro; pela fama centralizadora da
presidente, do seu tratamento autoritário e às vezes grosseiro que dispensa a
ministros e auxiliares diretos.
Na
verdade, o PT que tanto queria chegar e chegou e se manteve no poder nos
últimos 12 anos, não é a sombra daquele partido fundado em 1980 nos ideais e
nas práticas políticas. As estrelas de outrora de tempos em tempos abandonam o
barco. As guinadas ideológicas do PT afastaram aliados que ajudaram construir a
sigla. A presidente não demonstra entusiasmo pela política externa, gerando consequências
dentro e fora do Brasil. Faltou maior empenho de Dilma nos momentos das
turbulências no Ministério das Relações Exteriores. Há uma escassez de
transparência. Não se trata, de todo modo, de buscar explicações, e sim
entender.
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SERGIO BARRA é médico e professor
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