terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Mentira e ogro têm pernas curtas


Muitas vezes, basta reordenarmos fatos conhecidos, e somarmos a eles as análises adequadas, para obtermos algo tão valioso quanto novas informações: novas conclusões - ou novos entendimentos. É baseado nesse convencimento que ousamos dizer que, dirigentes de Washington manipularam a opinião pública de seu país. No curto espaço de menos de 150 anos, ao menos cinco vezes, Tio Sam convocou seus compatriotas norte-americanos para missões de sacrifício respaldadas em argumentos duvidosos ou claramente falsos. Eis aqui cinco exemplos:
Carolina do Sul, Fort Sumter. A 12.04.1861, tropas Confederadas, do Sul dos Estados Unidos, abriram fogo com os seus canhões sobre a fortificação do governo Nortista. Sem ter sofrido uma só baixa, essa guarnição rendeu-se ao inimigo. O bastante para que, dois dias depois, o presidente Abraham Lincoln editasse um proclama convocando a juventude da União para ir à guerra contra os Sulistas. À época, nada menos que sete Estados do Sul haviam declarado seu propósito separatista. Lincoln ainda notificou o governo da Carolina do Sul, que tencionava enviar navios de abastecimento a Charleston, território da Carolina do Norte, mas a resposta que recebeu foi um ultimato do governo confederado: evacuar o Fort Sumter. Aí, Lincoln esperou pela irracionalidade dos confederados e se produzisse o pretexto. Lincoln convocou imediatamente 75 mil voluntários para reprimir a rebelião Sulista. Mais quatro Estados também se declararam separatistas. Mais isso já não importava. A Guerra Civil tinha começado.
Porto de Havana, 15.02.1898. Durante um período de tensão entre os EUA e Espanha. O navio US Maine zarpara rumo a Havana, com a missão de proteger os interesses americanos em Cuba. Os cubanos haviam se rebelado contra o jugo espanhol, e Washington os apoiava. Às 21h40 de 15 de fevereiro de 1898, o navio de guerra americano explode. A tripulação era formada por 354 homens no momento da tragédia. Desse total, 226 - dois oficiais e 264 marinheiros morreram imediatamente. Nos EUA, a opinião pública acreditou em sabotagem dos espanhóis. A tragédia justificou o estado de guerra decretado por Washington contra o governo de Madri. Só muito mais tarde descobriu-se que a causa da explosão tinha sido combustão espontânea do carvão armazenado nos paiós de proa (parte dianteira) da embarcação.
Atlântico Norte, 07.05.1915. O transatlântico “Lusitânia”, de 44 mil toneladas, desaparece sob as ondas, deixou 1.200 mortos. Saiu de Nova Iorque com destino a Liverpool. Foi atingido por um torpedo enviado por submarinos alemães, afundou em 18 minutos. Na verdade, o navio não sucumbiu somente devido ao torpedo. Afundou porque oficiais e subalternos não verificaram o fechamento de muitas comportas estanques e transportava 6 milhões de projetis de fuzis ao Exército britânico. Mas a tragédia era defendida por boa parcela de autoridades que tencionava os EUA na guerra contra os ingleses.
Arquipélago do Havaí, 07.12.1941. Os americanos tinham indícios suficientes, nos meses que precederam o ataque japonês em Pearl Harbor. Washington os ignorou. Até que em 7 de dezembro, sobreveio o ataque, e Roosevelt sentiu um inegável apoio popular e os EUA entraram na guerra contra o Eixo.
Iraque, 2003. Os americanos inventaram argumentos que Saddam Hussein tinha armas químicas de destruição em massa. Um embuste que custou milhares de vidas. Era mais uma farsa.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

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