quarta-feira, 19 de outubro de 2022

A Jovem Pan pratica um jornalismo de esgoto. Mas é preciso que repudiemos a censura. Inclusive à Jovem Pan.

A Jovem Pan, ou aqui do que resta da Jovem Pan, virou um esgoto, um escoadouro dos mais repugantes dejetos do jornalismo de direita que se pratica no Brasil.

Seu jornalismo, como já dito aqui, ampara-se numa credibilidade que virou pó.

Virou, como já dito aqui, uma comédia de horrores.

Entre os dejetos expelidos pelo jornalismo de direita praticado pela Jovem Pan - ou aquilo do que restou dela - estão vários qualificativos que seus jornalistas e comentaristas atribuem a Lula - como descondenado, chefe de organização criminosa, descondenado e ex-presidiário, entre outros.

Mas eu vejo a Jovem Pan.

Eu assisto, diariamente e atentamente, a uns dois ou três programas da Jovem Pan.

Vários de meus amigos e familiares não admitem que eu veja a Jovem Pan.

Mas vejo porque, como jornalista, preciso saber - e quero saber - o que o jornalismo de direita está dizendo, inclusive, sobre a democracia que eu mesmo acredito seja o pior regime, à exceção de todos os outros, como já dizia Churchill.

Acho que, apesar de tudo isso, o direito à liberdade de expressão do jornalismo de esgoto que pratica a Jovem Pan precisa ser assegurado.

É nesse sentido que a Jovem Pan, bolsonarista e direitista, divulgou comunicado interno determinando o seguinte a seus jornalistas e comentaristas:

“Caros, com base em decisão do TSE proferida nesta segunda-feira, estamos orientados pelo jurídico a não utilizar as seguintes expressões nos programas da casa: Ex-presidiário; Descondenado; Ladrão; Corrupto; Chefe de organização criminosa. Além disso, não devemos fazer qualquer associação entre o candidato Lula ao crime organizado. E mais: as críticas aos ministros e ao judiciário não são recomendadas pelo nosso jurídico neste momento. O descumprimento dessas determinações pode levar não só a direito de resposta como também a multa de R$ 25 mil e a remoção dos conteúdos de nossas plataformas. A direção de jornalismo reforça que aqueles que não se sentirem confortáveis com essa determinação com base em decisão da Justiça, devem nos informar para que possam ser substituídos nos programas”.

O comunicado é decorrente de decisão do TSE,  determinando a retirada do ar de todas as plataformas da Jovem Pan de peças publicitárias de campanha eleitoral, feita por adversários, com a temática “Lula mais votado em presídios” e “Lula defende o crime”. 

Por 4 votos a 3, os ministros decidiram que os jornalistas da emissora não podem falar sobre o assunto, sob pena de multa diária para o canal e para os jornalistas de R$ 25 mil.

Conceder direito de resposta a Lula, a Bolsonaro ou a qualquer candidato ou cidadão que se sinta atingido na sua honra, isso é constitucional, razoável e necessário. Mas determinar a remoção de peças publicitárias ou restringir a exploração de qualquer assunto, isso aí, convenhamos, já é censura.

Jornalistas que somos, precisamos garantir o nosso direito de crítica e do exercício da liberdade de Imprensa, sempre conscientes, todavia, que como o direito de ninguém é absoluto, o nosso também tem o limite no direito de quem se sente atingido e, portanto, precisa dispor de espaço para se defender.

Quaisquer outras deliberações que fujam a esse princípio caracterizam censura.

E censura, todos nós precisamos rechaçar.

Inclusive quando a censura tenta atingir o jornalismo de esgoto praticado pela Jovem Pan.

3 comentários:

Anônimo disse...

Nada de PÂNico, meus JOVEM's, quando o molusco Lêninista for eleito, teremos a regulação da mídia e esse tipo de abominação será coisa do passado, censura no Brasil nunca mais, acredite se quiser e tenha um bom voto.

* Eleição 2022, excessivamente grotesca * disse...

No século XVIII, durante uma das fomes que ocorreram na França, Maria Antonieta teria proferido, “Se as pessoas têm fome e não tem pão, que elas comam brioche”.

Ontem, 20 de outubro de 2022, Bolsonaro durante entrevista ao canal Inteligência Ltda., no YouTube, disse para 1,7 milhão de espectadores simultâneos, "...'não se justifica passar fome' porque população pode requerer Auxílio Brasil."


AHT

Anônimo disse...

O pior é que foi o próprio PT que provocou o TSE pra essa prática esdrúxula e inaceitável, mas fica aí a lição, pra bom entendedor meia palavra basta.