sábado, 30 de março de 2024

Secretário de Helder relativiza "gargalos" de Belém para COP30 e fala em "milhões de turistas" durante o Círio. Mas o governo Helder o desmente.



Em matéria assinada pela repórter Victoria Bechara, a revista Veja, na edição que circula desde a manhã desta sexta-feira (29), classifica de "epopeia logística" os desafios de dimensões amazônicas que se impõem ao governo Helder Barbalho, para dotar Belém da mínima infra-estrutura necessária que permita à Capita paraense sediar a COP30, em 2025, sem grandes atropelos.

Nada do que a matéria descreve como gargalos estruturais com que se Belém se defronta para sediar um evento da magnitude da COP30 é novidade. Ali estão expostas de forma objetiva, nua e cruamente, as carências da cidade para abrigar estimadas 100 mil pessoas - daí para mais - que participarão da COP30, inclusive dezenas de chefes de Estado.

Novidade mesmo é uma declaração, singela mas espantosa, atribuída pela revista ao secretário-adjunto de Cultura do Pará, Bruno Chagas, que também ocupa a emérita função de membro do Comitê Estadual da COP. Como se vê no destaque que aparece na imagem acima, ele avalia que a superação dos gargalos estruturais da cidade não será, tipo assim, algo de outro planeta para uma cidade habituada a receber "milhões de turistas" durante o fim de semana em que se realiza o Círio de Nazaré.

Milhões de turistas num fim de semana do Círio? Em Belém?

De onde o secretário e membro do Comitê Estadual da COP arrancou esses números?

De que cartola eles brotaram?

Em que se dados se ampara para dizer o que disse?

Haveria alguma fonte segura, crível, acreditada e acima de qualquer suspeita, capaz de exibir números outros que desmintam o secretário?

Haveria alguma fonte capaz de repor o membro do Comitê Estadual da COP30 no nível recomendável da lucidez que se espera de quem, como ele, está na linha de frente da organização da Conferência Climática Mundial?

Sim, essa fonte existe.

A fonte é a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) do governo Helder.

No dia 10 de outubro do ano passado, a Setur publicou na Agência Pará, o portal de notícias oficial do governo do Estado, a matéria intitulada Pesquisas da Setur irão identificar perfis de turistas e romeiros do Círio de Nazaré, em 2023.

Quem quiser ler a matéria completa, clique no link acima.

Mas o que interessa mesmo é o trecho que aparece abaixo.

Pronto. Aí está a Setur, em matéria com cerca de cinco meses de publicação, apresentando os números mais recentes sobre o volume de turistas que chegam a Belém durante o Círio: estimados 80 mil.

Doutor Bruno, se confrontado com a verdade, talvez venha a dizer que referir-sea "milhões de turistas" foi apenas uma força de expressão. Assim como Bolsonaro diz ter sido força de expressão quando referiuse a "fuzilar a petralhada".

Ma forças de expressão representam um grande perigo, sobretudo quando temas gravíssimos são tratados em público.

É o caso da epopeia logística com que se defronta o governo estadual para fazer de Belém um palco digno de evento mundial como a COP30.

terça-feira, 26 de março de 2024

O "cagão" é outro


Bolsonaro, vamos e convenhamos, é um indivíduo de muitas qualidades.
De muitas e excelsas qualidades.
É um covarde.
É um fascista.
É um golpista frustrado (tentou, mas não levou).
É um negacionista de carteirinha.
É um corrupto (com joias e fraude de vacina pelo meio, lembrem-se vocês).
É um mentiroso contumaz.
E um burro.
Muitísimo burro.
Agora, com todas essas qualidades, Bolsonaro tem um grande e insuperável defeito: não consegue fazer uma burrice que não reverta contra ele mesmo.
Não consegue fazer uma idiotice que não seja descoberta e que não confirme a sua condição de rematado idiota.
Como agora, por exemplo.
Descobre-se, ou melhor, o The New York Times descobriu que Bolsonaro passou dois dias homiziado (era esse o verbo empregado pelos velhos repórteres de Polícia, quando referiam-se a bandidos que tentavam esconder-se após seus crimes) na Embaixada da Hungria, em Brasília.
Fez isso em fevereiro, após ter seu passaporte apreendido. E procurou esconder-se porque estava se borrando de medo de ser preso por ordem do Supremo.
Mas Bolsonaro, pelas vozes doutas de seus advogados, diz que não. Sustenta que passou dois dias na embaixada para atualizar cenários políticos com seus amigos húngaros fascistas. E bolsonaristas - com as mesmíssimas qualidades de Bolsonaro - estão acreditando ardentemente nessa versão.
E agora?
Agora, Bolsonaro tem 48 horas para se explicar ao Supremo, que poderá sapecar-lhe uma tornozeleira eletrônica, para impedi-lo de fugir.
Tudo porque Freire Gomes opôs-se às articulações golpistas e, soube-se depois, disse que prenderia Bolsonaro, caso tentasse melar o resultado das eleições.
Braga Netto estava enganado.
O "cagão" é outro.

quinta-feira, 7 de março de 2024

Helder bate o martelo. E Igor Normando deve ser o candidato do MDB a prefeito de Belém.



Essa sutil publicação - mas nem tanto assim - do governador Helder Barbalho em seu perfil no Instagram, nesta quinta-feira (07), oferece indícios claros de que o MDB, partido do chefe do Executivo, não apenas terá candidato nas eleições para prefeito de Belém, em outubro deste ano, como também o candidato já está escolhido.
Com o anúncio da filiação do deputado estadual licenciado e atual secretário de Estado de Articulação da Cidadania, Igor Normando (Podemos), ao MDB, no próximo dia 15 de março (e 15, não por acaso, é o número do registro eleitoral da legenda), Helder praticamente antecipa que já bateu o martelo em favor de uma solução, digamos assim, caseira - ou familiar, se preferirem - relativa à participação do partido nas eleições para prefeito.
É que Normando, como se sabe, é primo do governador. Nessa condição, e ainda que possa não ter, no momento, cacife eleitoral suficiente para aspirar à Prefeitura de Belém, detém maior confiança da família Barbalho. Maior confiança até do que o presidente municipal do MDB, deputado federal José Priante, que também é primo de Helder, mas já tem mais experiência política, é muito conhecido na Capital (porque já disputou, e perdeu, três eleições para prefeito, em 2008, 2012 e 2020) e teria, por tudo isso, mais independência política, se é possível, claro, alguém ter alguma independência política no MDB dos Barbalhos.
Por falar em Priante, o deputado já antecipara em declarações ao Globo, em meados de fevereiro, que o MDB terá mesmo candidato a prefeito de Belém, até porque, na avaliação do parlamentar, o governo Edmilson Rodrigues está entre os piores que a Capital já teve. "Edmilson é um desastre total, completamente desarticulado, sem capacidade de entrega alguma. Tem zero chance de ser reeleito", resumiu o deputado.

A alternativa bolsonarista
Independentemente do grau de entusiasmo demonstrado por Helder em favor da candidatura de Priante nas eleições passadas, quando sempre esteve claro que a candidatura Edmilson teria (como de fato teve) o entusiasmadíssimo apoio do MDB no segundo turno, desta vez o governador terá de jogar todas as suas fichas para eleger Normando.
Fora dessa alternativa, caberia apostar no desconhecido. E o desconhecido, nas atuais circunstâncias, é o fôlego eleitoral de Edmilson, o pior avaliado entre os prefeitos de capitais em todo o País e cuja gestão é alvo de críticas permanentes e contundentes em todos os segmentos políticos, inclusive no seio do próprio partido do prefeito, o PSOL.
Ter um novo prefeito aliado - ainda que seja, na mais insondável das hipóteses, um Edmilson reeleito - é fundamental para Helder, tendo em vista que Belém será sede da COP30, em 2025. Por isso, um bolsonarista (Éder Mauro? Eguchi?) no Palácio Antônio Lemos seria o pior dos mundos para Helder e mesmo para o governo Lula, que bancou a escolha de Belém par sediar o evento.
Enfim, as pedras do tabuleiro eleitoral começaram a ser mexidas. Saber os efeitos, as repercussões e as consequências de cada mexida só será possível quando as mexidas forem, concretamente, feitas. Como esta agora, que Helder está fazendo.