domingo, 31 de dezembro de 2023

Laerte assina ilustração de uma obra de arte. Que pode até ser um calendário! Salve, 2024!



Calendários, em regra, não têm outras funções, que não as de monitorar a passagem do tempo, facilitar a marcação de compromissos inadiáveis, registrar o aparecimento de mais uma ruga (e, por consequência, agendar com o stylist a sessão para aplicar 1 quilo de botox, parte inescapável da (des)harmonização facial) e virar as folhinhas mês a mês, sem que nos apercebamos da graça com que somos aspergidos por estarmos vivos a cada dia.
Em tempos nem tão distantes assim -, havia também os calendários distribuídos a rodo por empresas - as grandes, sobretudo. Expostos nas áreas mais visíveis de postos de gasolina (de beira de estrada ou não), bares, botecos e borracharias, exibiam mulheres (normalmente brancas, louras, com chicotes nas mãos e calçando botas) nuas ou seminuas, para o êxtase de macharadas.
Eram, aqueles, tempos que, felizmente, começaram a demarcar a mudança dos tempos em que calendários começariam a deixar de ser meros instrumentos que nos ajudam a marcar o tempo tempo, transformando-se em veículos para a difusão de novos olhares e novas noções e percepções sobre valores, digamos assim, mais propensos a refutar preconceitos, lugares-comuns e coisas do gênero.
Foi aí que começaram também a aparecer preciosas obras de arte. Que poderiam, até, ser calendários.
É uma obra de arte o calendário que o Escritório Mary Cohen - Advocacia Trabalhista e Sindical enviou a seus amigos e clientes. Uma obra de arte que, como dito, pode até servir de calendário.
A abordagem do tema democracia e justiça tem ilustração assinada por ninguém menos que a cartunista e chargista Laerte, uma das mais celebradas nesta área em todo o País. O design ficou a cargo da equipe de comunicação da Rede Lado, rede de articulação jurídica nacional composta por escritórios de advocacia voltados à defesa dos Direitos Humanos e Sociais, da cidadania, da solidariedade, do direito dos trabalhadores e de suas organizações sindicais.
"Através da arte, viajaremos pelos meses com a inquietação crescente de agir num país onde a Justiça esquece que é palavra feminina e, quanto mais alto sobe no pedestal, mais profere decisões contra o povo que trabalha. Pela sintonia, convidamos Laerte para ilustrar o calendário de 2024 com o tema: Democracia e Justiça", diz o texto de apresentação.
A partir daí, basta ir virando as folhinhas e se deliciando com cartuns como os que estão na imagem, que abordam temas como democracia, trabalho digno, respeito ao corpo (sobretudo o feminino), família, cultura, liberdade, o estímulo à quebra dos grilhões do silêncio e a repulsa a preconceitos e ao machismo.
Quem quiser, pode a qualquer hora voltar ao começo do calendário e ler estes versos do poeta, escritor e ensaísta uruguaio Mario Benedetti (1920-2009): "Lento mas vem / lento mas vem / o futuro de aproxima / devagar / mas vem [...] Lento mas vem / o futuro real / o mesmo que inventamos / nós mesmos e o acaso / cada vez mais nós mesmos / e menos o acaso".
Vem, 2024.
Lento, mas vem.
E que possamos construir juntos o nosso futuro, deixando-o menos exposto ao acaso.
Mary, obrigado por essa obra de arte.
Aos leitores do Espaço Aberto, um feliz 2024!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Helder é acusado de interferir na disputa pela presidência da CBF com ameaças que incluiriam até demissão


Apontado como suposto apoiador do nome do maranhense Fernando Sarney - filho dele mesmo, o ex-presidente e ex-senador José Sarney, que, mesmo aposentado da política, ainda é um dos maiorais do MDB - à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) está sendo acusado por Reinaldo Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e concorrente declarado ao mesmo posto, de usar a máquina do Estado para interferir na disputa.
A informação, destaque da abertura, nesta sexta (29), da coluna Painel, a mais importante do jornal Folha de S.Paulo, detalha que Helder estaria pressionando os bicolores Ricardo Gluck Paulo, presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF), e Maurício Ettinger, presidente do Paysandu, a não se aliarem a Bastos. A interferência, afirma a coluna, chegaria ao ponto de ameaças de demissão, por Helder, da irmã de Gluck Paul, que é procuradora-adjunta do Estado.
Procurado pelo jornal, Helder Barbalho nega tudo. Ettinger não foi encontrado. E Gluck Paul não se manifestou.
Leia, acima, a íntegra das notas.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Jari não responde quando vai pagar salários atrasados e revolta ainda mais os trabalhadores, que ameaçam pedir a falência da empresa

A resposta da direção da Jari Celulose (veja trecho acima) a um ofício em que seus empregados ameaçam pedir a falência da empresa, caso não recebam três meses de salários atrasados - conforme revelado com exclusividade pelo Espaço Aberto -, ampliou a insatisfação entre a classe trabalhadora.

Além de não responder objetivamente se vai pagar os atrasados e qual o prazo para isso, a Jari propõe ao Sintracel (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão e Cortiça dos Estados do Pará e Amapá), que representa os trabalhadores, "a construção de um programa de dação das casas, ora ocupadas por colaboradores da empresa, em pagamento de parte ou da totalidade dos créditos detidos pelos trabalhadores contra a companhia".

Sobre a ameaça dos empregados de pedir a falência, a companhia faz um alerta explícito. "Uma eventual falência da Jari seria um evento catastrófico em que o maior prejudicado seria o trabalhador. Um estudo publicado no início de 2023, analisando mais de 6 mil casos de falência de empresas no Brasil, revelou que em média uma falência leva 16 anos para ser concluída. Do valor total da dívida dessas empresas analisadas (folha de pagamento, fornecedores, empréstimos bancários, impostos, etc) apenas 6% são recuperados. Ou seja, se um funcionário tem R$ 1.000,00 para receber, ele conseguirá receber apenas R$ 60,00 e ao final de 16 anos!"

A Jari argumenta ainda que até o momento já teria desembolsado aproximadamente R$ 42 milhões de verbas trabalhistas para os colaboradores diretos representados pelo Sintracel e R$ 9,5 milhões de verbas trabalhistas para os empregados terceirizados representados pelo Sintracomvaj (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Leve e Pesada e do Mobiliário dos Municípios de Almeirim e Afuá-PA e Laranjal do Jari-AP).

"Praticamente, [a resposta] nada tem a ver com o que queremos. Queremos o pagamento. Queremos receber o que a empresa não pagou. Onde ela fala que aplicou R$ 42 milhões, ela aplicou na fábrica, não foi em pagamento pra nós. Se ela tivesse aplicado R$ 42 milhões em pagamento pra trabalhador, a gente não estava na situação em que estamos", reagiu, num áudio, o presidente do Sintracel, Ivanildo Quaresma Uchôa.

Sobre a proposta de dação de casas, ela também rechaça a proposta. "Queremos receber o nosso. Queremos saber quando vamos receber", reforça o presidente do sindicato, que classifica a manifestação da Jari como "um monte de conversa pra encher linguiça, pra enganar os trabalhadores. E eu detesto negociar com pessoas que não usam da franqueza. [...] Infelizmente, a gente lida com pessoas que não têm sentimento, não veem o que estamos passando. Estão lá em São Paulo, não cruzam com a gente em mercado, em canto nenhum. Pra eles, é muito fácil dizer qualquer coisa, mas estão na boa. E nós estamos ferrados, passamos por necessidades e ainda temos que ler esse monte de bobagens".

Recuperação judicial - A empresa, que produz celulose para papel desde a década de 1970 e tem sede em Monte Dourado, na divisa do Pará com o Amapá, entrou em recuperação judicial em 2020, quando sua dívida total beirava os R$ 2 bilhões, e chegou a ficar um ano parada, mas retomou suas atividades em agosto deste ano, com mais de 300 trabalhadores, que foram convocados para voltar. Composto por 25 empresas, a maioria delas estabelecidas sendo em Barueri (SP), o Grupo Jari tem como sua principal empresa a Jari Celulose, responsável por 98% de todo o faturamento do conglomerado.

No ofício endereçado à Jari no dia 21 de dezembro, o Sintrancel afirm que "todos os trabalhadores fizeram a sua parte, comprometidos em trabalhar sem receber os pagamentos atrasados. Mesmo assim, a empresa não tem o mínimo de respeito à classe trabalhadora. Na última reunião que tivemos, o assunto mais enfatizado foi a falta de informações aos trabalhadores".

"Case a empresa não comunique aos trabalhadores em que pé andam as negociações e a expectativa de pagamentos, vamos aderir o movimento de pedido de falência e movimento para ninguém trabalhar se não receber o que está atrasado. Como diz o ditado papular no futebol, perdido por 1 perdido por 10", reforça o presidente do sindidato.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Sem receber há três meses, trabalhadores da Jari Celulose ameaçam pedir a falência da empresa


Centenas de trabalhadores da Jari Celulose ameaçam aderir ao movimento de pedido de falência da empresa, se não receberem, pelo menos, informações sobre as expectativas de receber salários atrasados há três meses, tema que já objeto de negociações anteriores.
"A situação que estamos vivendo é com certeza análoga à escravidão, muitos trabalhadores estão com a energia elétrica cortada, e sem recurso para alimentação", informa, em ofício datado de 21 de dezembro (veja acima), o presidente do Sintracel (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão e Cortiça dos Estados do Pará e Amapá) , Ivanildo Quaresma Uchôa, que acusa a Jari de descumprir obrigações firmadas com os trabalhadores desde que entrou em recuperação judicial, no ano de 2020, quando sua dívida total beirava os R$ 2 bilhões.
A empresa, que produz celulose para papel desde a década de 1970 e tem sede em Monte Dourado, na divisa do Pará com o Amapá, chegou a ficar um ano parada, mas retomou suas atividades em agosto deste ano, com mais de 300 trabalhadores, que foram convocados para voltar. Composto por 25 empresas, a maioria delas estabelecidas sendo em Barueri (SP), o Grupo Jari tem como sua principal empresa a Jari Celulose, responsável por 98% de todo o faturamento do conglomerado.
"Todos os trabalhadores fizeram a sua parte, comprometidos em trabalhar sem receber os pagamentos atrasados. Mesmo assim, a empresa não tem o mínimo de respeito à classe trabalhadora. Na última reunião que tivemos, o assunto mais enfatizado foi a falta de informações aos trabalhadores", diz o ofício endereçado à direção da Jari.
"Case a empresa não comunique aos trabalhadores em que pé andam as negociações e a expectativa de pagamentos, vamos aderir o movimento de pedido de falência e movimento para ninguém trabalhar se não receber o que está atrasado. Como diz o ditado papular no futebol, perdido por 1 perdido por 10", reforça o presidente do sindidato.

domingo, 17 de dezembro de 2023

PF intima direção da OAB-PA a apresentar cadernos de votação das últimas eleições



A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará foi intimada na última quinta-feira, 14, a apresentar no prazo máximo de 15 dias os cadernos de votação das últimas eleições da instituição. Na própria intimação, a autoridade policial adverte que os documentos devem ser encaminhados à PF “de maneira integral e digitalizada”.

Por determinação da Justiça Federal, a Polícia Federal vai investigar a suspeita de falsificação de assinaturas de advogados nesses cadernos de votação. O inquérito, instaurado no dia 13 de dezembro passado, é presidido pelo delegado José Eloisio dos Santos Neto (veja na imagem acima).

Em ação que tramita na 5ª Vara da Justiça Federal, o advogado Sávio Barreto acusa o presidente da OAB-PA, Eduardo Imbiriba,  de comandar um esquema de fraudes para beneficiar sua candidatura à presidência, no pleito de 2021. O crime estaria comprovado nos cadernos de votação. Em perícia juntada aos autos, Barreto sustenta que dezenas de assinaturas constantes nos cadernos não correspondem às assinaturas reais dos advogados. 

A apuração dos votos no Estado do Pará foi a mais demorada e tumultuada de todo o país. O principal motivo da demora da apuração foi justamente o atraso no envio da documentação por parte da subseções do interior do Estado, bem como as inconsistências detectadas após o envio das mesmas.

É mais um capítulo da batalha judicial envolvendo Barreto e Imbiriba, que poderá resultar até no afastamento do presidente da OAB-PA, se for acolhido o pedido de indeferimento da chapa vencedora ou anuladas as eleições de 2021. Com esse propósito, o advogado Sávio Barreto apresentou 11 fatos comprobatórios de fraudes e outras ilegalidades, entre as quais está a denúncia de falsificação de assinaturas.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

DOU publica aposentadoria de desembargador do TRT8, investigado pelo CNJ sob a acusação de desrespeitar advogada


O Diário Oficial da União (DOU) publicou, em sua edição desta quarta-feira (29), a concessão da aposentadoria do desembargador Georgenor de Sousa Franco Filho, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Decano da Corte, o magistrado antecipou seu pedido de aposentadoria em outubro deste ano, após envolver-se em uma polêmica que ganhou repercussão nacional e chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na forma de instauração de uma reclamação disciplinar. O processo não será interrompido, mesmo com o ingresso do magistrado na inatividade.
Em outubro deste ano, ao presidir uma sessão da 4ª Turma do TRT, o magistrado recusou o pedido do adiamento de uma sustentação oral formulado por uma advogada, que alegava estar na iminência de parto. "Gravidez não é doença. Ela não é parte do processo, é apenas advogada do processo. Mandasse outro substituto. São mais de 10 mil advogados em Belém", rechaçou o desembargador ao pedido da advogada.
Em outro momento, o magistrado voltou a agir de maneira autoritária, interrompendo a fala de uma colega desembargadora, impedindo-a de se manifestar. "Desembargadora Alda também, calada está, calada permanecerá. Não podemos falar, não fazemos parte do quórum. Calemo-nos!", afirmou.

Violação de deveres funcionais
Em razão disso, a Corregedoria Nacional de Justiça determinou, no dia 11de outubro, a instauração de uma reclamação disciplinar contra o desembargador, diante de indícios de que ele teria adotado posturas que, em tese, podem configurar violação de deveres funcionais da magistratura.
O corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, apontou em sua decisão que a postura do desembargador pode ter violado o dever de urbanidade para com os colegas e partes, mas também é preciso analisar possível inobservância de direitos processuais próprios das advogadas em período de parto (artigo 7º-A da Lei n. 8.906 e artigo 313, Código de Processo Civil).
A decisão ainda indica assimetria no tratamento das partes envolvidas, o que configuraria a não adoção da Perspectiva de Gênero nos julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, que, desde a aprovação da Resolução CNJ n. 492/2023, passou a ser imperativa.
Ao tomar conhecimento da situação ocorrida no TRT-8, os conselheiros Marcello Terto, Marcos Vinícius Jardim, Luiz Fernando Bandeira de Mello e  João Paulo Schoucair do CNJ, protocolaram representação formal à Corregedoria Nacional de Justiça, solicitando abertura de reclamação disciplinar, por entender possível infringência a deveres funcionais por parte do desembargador Georgenor Franco.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

A missão de Dino contra o insuperável ódio bolsonarista

Flávio Dino: só mesmo o imponderável será capaz de fazê-lo conquistar votos entre bolsonaristas

O bolsonarismo entronizou Flávio Dino, o ministro da Justiça, no seu panteão dos mais odiados.
Atualmente, depois de Lula e do ministro do STF Alexandre de Moraes, Dino talvez seja o terceiro mais odiado pelos bolsonaristas.
Não à toa, desde que assumiu a pasta, o ministro já foi alvo de 131 requerimentos, 83 convocação, 13 moções, 27 pedidos de esclarecimento ou informações, 7 convites e um pedido de impeachment, todos com origem no Congresso, e a grande maioria decorrente da certeza de bolsonaristas malucos de que Dino teria sido o principal artífice, ora vejam só, dos atos golpistas de 8 de janeiro com o propósito de incriminar Bolsonaro.
Com toda essa carga de ódio nas costas, Dino, que não nasceu agora para a política, sabe que terá muito, mas muito trabalho para ser aprovado, pelo Senado, para o cargo de ministro do Supremo, indicado que foi na última segunda-feira pelo presidente Lula.
E sabe mais, o indicado para o STF: sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a manterem-se as atuais condições de temperatura e pressão, tem tudo para começar, mas não terminar. Porque começaram, mas não terminaram, algumas exposições de Dino em comissões do Congresso, onde o ministro notabilizou-se por suas intervenções irônicas, mas muitísimo bem fundamentadas, para desespero e ódio de bolsonaristas e fascistas que o questionaram e foram desmontados pelas respostas.
Mas as nuvens da política, vocês sabem, mudam muito rapidamente. E não é de todo impossível que Dino, com muito jogo de cintura, consiga quebrar um pouco a resistência dos bolsonaristas e conquiste uns votos entre eles.
Mas isso será o imprevisível.
Porque o previsível, mesmo, é que toda a carga de ódio bolsonarista se mantenha sob as costas de Flávio Dino, neste processo delicadíssimo que sempre antecede, no Senado, a aprovação dos nomes de indicados para o Supremo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Greta Garbo acabou no Irajá e Edmilson, em "Veja". Como o pior prefeito de esquerda nas capitais.


Se é certo que Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá, o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL), quem dira, acabou em "Veja".
A mais nova edição virtual da revista, já disponível para os assinantes desde o início da manhã desta sexta (24), publica reportagem que aborda o desempenho dos atuais gestores de quatro capitais do País (Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju), todas governadas por prefeitos de partidos de esquerda, e destaca o desempenho da administração de Edmilson como, disparadamente, o pior.
A matéria ressalta a reprovação avassaladora da gestão Edmilson por 71,3% da população, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas feito no início deste mês, revela que apenas 16,6% dos eleitores de Belém estão dispostos a reelegê-lo e adianta, ora vejam só, que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), adotará como uma de suas estratégia de campanha à reeleição associar a imagem de seu principal adversário à prefeitura paulitana, Guilherme Boulos (PSOL), ao fracasso estrondoso de Edmilson Rodrigues na capital paraense.
A reportagem também não deixa de registrar que a rejeição a Edmilson tem suas raízes fincadas no próprio PSOL, lembrando que, em agosto, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) esbravejou publicamente contra o correligionário: "O PSOL já administra uma prefeitura, que é a de Belém. E eu honestamente quero que o Boulos faça uma perfeitura como a de Luiza Erundina (...) e não como a do Edmilson, que infelizmente é um prefeito com uma das piores avaliações do país", afirmou a parlamentar, em um evento da legenda.
Leiam "Veja".
Lá, tem muito mais.

O Supremo tem sido um grande fiador da democracia. Mas não pode querer poder tudo.


O Supremo, não tenhamos dúvidas, foi o grande fiador, o grande sustentáculo da preservação do Estado Democrático de Direito durante os anos de trevas do governo golpista e corrupto de Bolsonaro.
Isso é um fato.
Não fosse o Supremo manter-se altivo e inexoravelmente inflexível, no seu indelegável papel de guardião da Constituição, o bolsonarismo, em suas mais tenebrosas expressões - se é alguma expressão do bolsonarismo não é tenebrosa - teria se sobreposto a tudo e a todos, inclusive à democracia. E aí, teríamos dado adeus à democracia.
Dito isso, precisamos dizer: falece completa razão ao Supremo para que, pelas vozes de dois de seus ministros, o presidente Luís Roberto Barroso e o decano da Corte, Gilmar Mendes, se declare irresignado com a aprovação, por esmagadora maioria do Senado, da PEC 8/2021, que altera os procedimentos de deliberação sobre certas matérias no STF.
Com todo o respeito - mas todo mesmo - a Suas Excelências, mas a PEC nem de longe representa um limitador às competências do Supremo.
O texto, basicamente, veda a concessão de decisões monocráticas que suspendam a eficácia de lei. E isso é salutar. Porque o Supremo não pode continuar sendo, como muitos dizem, vários Supremos. Não pode o Supremo, por decisões individuais de seus ministros, suspender a eficácia de leis de enorme clamor social, de enorme repercussão. E nem podem os pedidos de vista enternizarem - às vezes por anos - a apreciação de matérias no mérito.
A PEC, portanto, não retira os poderes e nem exclui as competências do Supremo em deliberar sobre essas matérias. Apenas determina que as deliberações sejam colegiadas, adotadas, portanto, pelo Pleno, a instância máxima da Corte.
É apenas isso, e nada mais.
Muito embora seja, legitimamente, um Poder Constituído da República, o Supremo não pode querer poder tudo. Não mesmo.
Se o STF achar que pode tudo, estará, inapelavelmente, deslegitimando-se.
O que não seria admissível num Estado Democrático de Direito que o Supremo tão bem tem preservado.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Na revista da Azul, tudo azul no governo Edmilson Rodrigues. Até a destroçada Praça Batista Campos.



A Praça Batista Campos, um dos logradouros mais preciosos de Belém, figura, com justiça e com louvor, entre as dez praças mais charmosas do mundo.
Isto mesmo: não da Região Norte, não do Brasil, não da América Latina, mas do mundo.
Quem faz este juízo?
A revista Azul, da empresa áerea do mesmo nome, em sua edição mais recente, de número 115, deste mês de outubro que vai terminando.
"Oásis Urbanos - Espaços de convivência e de lazer, algumas praças impressionam pela arquitetura e pelas belas paisagens. Selecionamos algumas das mais charmosas do mundo", dizem o título e o olho da matéria que relaciona dez praças, entre elas a nossa.
Vejam, nas imagem acima, a abertura da matéria e a página em que aparece um dos coretos da Batista Campos, com o texto-legente logo abaixo.
Não deixa de ser uma ironia - das mais tormentosas, admita-se - que esse brinde a Belém tenha sido feito pela publicação da Azul justo num momento em que a Praça Batista Campos é submetida a um abandono que deveria nos sensibilizar a todos. E todos estamos, certamente, sensibilizados, menos, ao que tudo indica, a gestão do prefeito Edmilson Rodrigues.
A praça está, como se diz no vulgo, completamente distiorada. Está destroçada. Desprezada. Catingenta. Caindo aos pedaços. Literalmente.
Os buracos, às centenas, multiplicam-se no calçamento, submetendo ao risco de quedas sobretudo os idosos.
Das 110 lixeiras, mais de 100 não existem mais ou estão quebradas ou sem fundos.
Os lagos, totalmente assoreados com lama, reduzem drasticamente o oxigênio para os peixes.
Ferro, gradil e coretos, em péssimo estado.
Os elementos de madeira, bancos e pontes, de um modo geral quebrados.
A iluminação é péssima.
As barraquinhas que vendem cocos, em sua maioria estão sujas e malcuidadas.
Pra completar, o cocô das garças infesta tudo. bem, o doutor Edmilson não tem culpa que as garças estejam dominando o local e despejando cocô em tudo e todos abaixo delas. Mas a sujeira é, sim, uma responsabilidade da prefeitura, que, se continuar ignorando-a, vai contribuir para que essa questão vire um sério problema de saúde pública.
E, para completar, a prefeitura acaba de fechar o posto da Guarda Municipal, que ainda nos permitia ter um mínimo - mínimo mesmo - de segurança no local.
Essa é a Praça Batista Campos de hoje.
A de ontem, a de antanho, a de 400 anos atrás, esta você só vê na revista da Azul.
Aliás, se quiser conferir a edição completa, clique aqui.

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Guedes, Lira e Damares na lata de lixo: a maior obra de arte da história do Brasil. O nosso "O Grito".

O Grito, de Marília Scarabello: exposição da Caixa só durou uma semana. Poxa! Que pena!

Edvard Munch, vocês sabem, estava em outra dimensão espiritual quando pintou O Grito!
Sua obra virou pop.
É uma espécie de Mona Lisa da angústia.
Enquanto a obra de Da Vinci te enternece, com aquele sorrisinho maroto, a de Munch te angustia. Pelo menos, essa é a sensação que tenho todas as vezes em que a vejo.
Em 2012, a obra-prima de Munch tornou-se a pintura mais cara da história, ao ser vendida em um leilão por US$ 119,9 milhões.
Isso, repita-se, foi em 2012.
Acho que, agora, o nosso O Grito deve bater todos os recordes.
Sim, nós também temos O Grito!
Foi assim que a artista plástica Marília Scarabello denominou sua obra, que retrata Paulo Guedes, Arthur Lira e Damares Alves - personagens incomparáveis, emblemas da inteligência, da brasilidade e da integridade moral que enchem de orgulho a nós, patriotas - na lata do lixo.
A obra estava na exposição denominada "O Grito!", que a Caixa Cultural abriu para o público, em Brasília, no último dia 17 de outubro, com patrocínio da própria Caixa e do governo federal. Custo: R$ 250 mil.
A exposição deveria continuar até 17 de dezembro.
Mas levou o farelo na última terça-feira, dia 24.
Tudo por causa da repercussão de O Grito!
Puxa.
E eu aqui em Brasília, querendo tanto ver O Grito!.
O nosso O Grito!
Que pena!
Mas fica para a próxima.
Mas já vou mandar imprimir essa imagem numa camiseta e numa caneca.
Para depois soltar um grito de felicidade.

O governo Cláudio Castro é um caso de polícia. Porque o Rio está refém das milícias.

O Globo radiografa as milícias: uma aula de jornalismo. Que todo
estudante de jornalismo deveria ler. Como também o governador Cláudio Castro.

No dia em que as milícias queimaram 35 ônibus e um trem e subjugaram meio-Rio, Cláudio Castro, o governador do estado, apareceu com pompa e circunstância. Disse o seguinte: "O crime organizado que não ouse desafiar o poder do Estado".
Bingo!
Naquele dia, a última segunda-feira, 23 de agosto, o crime organizado já estava desafiando o poder do Estado. Já estava desafiando o governo Cláudio Castro. Mais do que desafiando, a milícia estava humilhando a tudo e a todos.
Por quê?
Porque o governo Cláudio Castro é um caso de polícia.
Seu secretário de Polícia Civil, recentemente nomeado, é um caso de polícia.
Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, Marcus Amim já foi condecorado por um deputado que tem ligações com milicianos no Rio. Trata-se do deputado estadual Márcio Canella (União), que lhe concedeu a medalha Tiradentes.
As milícias não nasceram, é claro, no governo Cláudio Castro. Começaram a fincar seus tentáculos há cerca de duas décadas. Mas, sem dúvida, o "poder do Estado" nunca foi tão fraco para contê-las.
O jornal O Globo começou a publicar, desde ontem, uma séria de reportagens que traçam uma radiografia assustadora dessas organizações criminosas.
É jornalismo puro. Na veia.
Todo estudante de jornalismo deveria ler, para jamais render-se aos releases e aos discursos oficiais. Como também Cláudio Castro deveria esmiuçá-las. Para saber que, de fato, um Estado, o das milícias, está triunfando sobre um outro Estado, aquele formal, que o governador imagina representar.
Lendo as reportagens de O Globo, somos condenados, infelizmente, a nutrir a fortíssima sensação de que o Rio, definitivamente, mexicanizou-se (não sei se já li essa expressão por aí, nos últimos dias. Se li, é isto mesmo: mexicanizou-se).
As milícias não poupam ninguém. E, evidentemente, castigam, espezinham, praticam uma crueldade tamanha sobretudo contra os trabalhadores mais pobres, que precisam fazer biscates para sobreviver.
Todos precisam pagar taxas mensais por uma proteção que não existe e nunca existirá. 
Pois vocês sabem os flanelinhas? São extorquidos pelos milicianos.
Os vendedores de bombons nos cruzamentos? Também.
Os mototaxistas? Idem.
Motoristas de táxi com pontos nas áreas dominadas pelas organizações milicianas? Eles, inclusive.
Pequenas empreendedoras, bravas mulheres que trabalham em salões de beleza? Sim, elas também.
Um horror, meus caros.
Um horror.
O Rio está refém das mílicias, de um lado, e dos traficantes, do outro.
Com Cláudio Castro, o durão, pelo meio.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

A Gentil virou um inferno: livrai-nos do mal, doutor Edmilson!

Esta foto, meus caros, é meramente ilustrativa, entenderam?
Não é da Avenida Gentil Bittencourt. Mas bem que poderia ser.
Somos todos Edmilson!
Claro que somos.
Se não o formos, o que restará de nós, né?
O governo Edmilson começou a dar uma guaribada nas principais vias de Belém. Ao que parece, já está pensando na COP 30, em 2025, quando a cidade - temos a mais absoluta, a mais inabalável certeza - estará um brinco. Se já está agora, vocês imaginem, então, em 2025.
Pois é!
Como parte desse esforço heróico, a prefeitura começou a fazer o recapeamento asfáltico da Avenida Gentil Bittencourt.
Nesta quinta-feira (19), de manhã, os trabalhos começaram num trecho da via, entre Doutor Moraes e Benjamin, no bairro de Nazaré.
O trânsito na área está um inferno.
Repita-se: um inferno.
Praticamente apenas um terço da largura da rua está disponível para o tráfego.
É ótimo que o doutor Edmilson nos livre do mal que representam os atropelos na mobilidade urbana, o que inclui deixar vias de grande circulação de veículos em condições ideais de tráfego.
Mas, para livrar-nos do mal da imobilidade urbana, é preciso que o doutor Edmilson nos condene a um outro mal, o da imobilidade urbana, enquanto as obras de recapeamento asfálticos são realizadas?
Não seria possível fazer esse trabalho à noite, de madrugada ou aos domingos, quando o trânsito é menos caótico em Belém?
Para livrar-nos de um mal, é necessário que o governo Edmilson crie um outro mal?
Livrai-nos do mal, doutor Edmilson.
De qualquer mal.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Na CPI do Golpe, as bocas que expelem o amor são as mesmas que cospem ódio. Vou pra lá!

CPI do Golpe: aprenda com Suas Excelências lições inesquecíveis de amor e ódio.

Desde a manhã, quando acordo, até a noite, quando durmo, procuro inspirar-me nos exemplos dos bons para alcançar, como eles, a salvação eterna.
Todas as vezes em que busco acelerar esse processo, sintonizo ou a TV Senado ou a TV Câmara.
Hoje, não foi diferente.
Desde o início da manhã, acompanho a sessão da CPI do Golpe de 8 de Janeiro que está votando o relatório da senadora Eliziane Gama.
De dezenas de bocas de Suas Excelências, aprendi ensinamento bíblicos - sobre amor, concórdia, tolerância, solidariedade, justiça e verdade - que me levaram à beira das lágrimas. E haverão de tornar-me, certamente, uma pessoa melhor.
Das mesmíssimas bocas de Suas Excelências, aprendi lições e exemplos inesquecíveis - de ódio, preconceito, intolerância, desonestidade intelectual, mentira e injustiça - que me levaram ao torpor da mais incontrolável estupefação. E haverão de tornar-me, certamente, uma pessoa pior.
Agora, eu, um homem prenhe de bondades, estou acionando o meu lado prenhe de maldades (quase todas aprendidas com as lições dos membros da CPI) para sopesá-las.
Não sei o que pode resultar da soma de bondades e maldades.
Se eu não chegar a nenhuma conclusão, já sei o que vou fazer: não vou nem para Pasárgada, onde seria amigo do rei, mas para o Congresso, onde a verdade não é, propriamente, a verdade.
Mas a verdade de cada um.
Dos bons e dos maus.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Desembargador do TRT8 enfrenta não uma, mas duas reclamações disciplinares no CNJ


O desembargador Georgenor de Sousa Franco Filho, um dos mais antigos do Tribunal Regional do Trabalho e que atualmente preside a 4ª Turma do TRT8, enfrentará não apenas uma, mas duas reclamações disciplinares que pedem seu afastamento cautelar do cargo, após intervenções que ele fez durante reunião do Colegiado, no dia 10 de outubro passado.
Uma reclamação disciplinar, a primeira, foi instaurada pela própria Corregedoria Nacional de Justiça, para apurar se o desembargador violou deveres funcionais da magistratura. É que, durante a sessão da Turma, Georgenor manifestou contrário ao pedido de uma advogada que, na iminência de dar à luz, queria que fosse adiado o julgamento de um processo em que ela faria sustentação oral. “Gravidez não é doença, adquire-se por gosto", reagiu Georgenor, ao rechaçar o pedido.
Na última sexta-feira, dia 13, dois dias após ser instaurada a reclamação disciplinar da Corregedoria, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil protocou uma outra, demonstrando que Georgenador pode ter incorrido em "violações às prerrogativas das advogadas e advogados e aos deveres funcionais da magistratura, além de comentário ofensivo à democracia".

Hamas
A OAB junta à sua reclamação um vídeo em que o presidente da Turma, "de maneira abrupta e desrespeitosa", cortou a palavra do advogado que estava na tribuna, Lafayette Bentes da Costa Nunes, "e fez menção - em um contexto que demonstra ofensa à democracia - ao grupo Hamas que recentemente atacou civis em Israel".
“É. Democracia faz parte. Antes a democracia daqui do que a do Hamas. Mas se quiser a gente adota a do Hamas também”, diz Georgenor, conforme reforça a reclamação formulada pela OAB ao Conselho Nacinal de Justiça (CNJ).
Para os reclamantes, "as atitudes do desembargador, concernentes à maneira abrupta de calar o advogado que estava na tribuna, bem como ao comentário ofensivo à democracia ao citar um cenário de guerra, acarretaram em descumprimento de seu dever de tratamento urbano entre as partes e de cumprir com serenidade os seus atos de ofício", conforme previsto em vários dispositivos do Código de Ética da Magistratura Nacional e da Lei n. 8.906/94, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a OAB.
Assista, acima, ao vídeo em que o Espaço Aberto compilou as duas intervenções do magistrado que ensejaram as reclamações em curso perante o CNJ.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

A cegueira ideológica impede que, mesmo numa guerra cruel, perceba-se a crueldade da guerra


Qualquer julgamento configura um processo muito delicado, porque a predisposição natural das capacidades humanas de fazer certos juízos não se limita apenas a constatar os fatos, mas a valorá-los. E a valoração de fatos pode levar a que se ache, por exemplo, que A na verdade é B. Ou vice-versa. Independentemente dos fatos, reforce-se.
Os ataques do Hamas, deflagradores da nova guerra entre Israel e palestinos, dão ensejo a uma nova onda de leituras ideológicas reducionistas, tendentes a achar que a luta trava-se entre esquerda x direita, entre imperialismo x anti-imperialismo, entre sionistas x antissionistas. Como essa leitura também despreza os fatos, configura-se um tragédia de outro viés: ignora-se a crueldade. E isso é muito, mas muito cruel.
Assim, quando o ardor ideológico se sobrepõe a tudo o mais, danem-se os fatos, dane-se a realidade. E viva as verdades de cada um!
Ignoram-se que as crueldades não são de esquerda ou de direita. São crueldades.
E ignoram-se que violações legais não são de esquerda ou de direita. São violações legais.
Simples assim.

A crueldade israelense
Israel foi atacado pelo Hamas e tem o direito de retaliar. Como em qualquer guerra, é evidente que a retaliação inevitavelmente haverá de atingir civis, mesmo que eles não sejam o alvo primordial da retaliação. Como é uma guerra, Israel tem o mais legítimo direito de defender não apenas os judeus, mas todos os que se encontram em território israelense, inclusive, diga-se, palestinos, muçulmanos de outras etnias e cristãos (entre eles católicos, lembrem-se).
No seu dever, assegurado pelas leis internacionais, de retaliar uma agressão, Israel tem o direito de cercar a Faixa de Gaza (o que chega a ser uma redundância, note-se, porque Gaza vive permanentemente cercada), sobretudo se estiver mesmo nos preparativos para uma incursão terrestre, como analistas preveem que vai acontecer.
Mas o direito de se defender e retorquir uma agressão não permite a Israel bloquear o envio de medicamentos, alimentos e água para os palestinos.
Alguém será capaz de defender o bloqueio - não o cerco, repita-se - a Gaza?
Alguém acredita que deixar com fome e com sede contingentes populacionais que já vivem na miséria é expediente acolhido pelas leis internacionais?
Alguém acha que privar idosos, doentes e crianças de comida, água e remédios, condenando-os a essa privação justamente neste momento trágico, é uma estratégia de guerra aceitável?
Alguém acha que o bloqueio a Gaza vai castigar apenas integrantes do Hamas (se é que eles estão sendo mesmo castigados) por privação de suprimentos de primeira necessidade?
Não é crível que alguém chancele essa crueldade, a menos, é claro, que esteja contaminado de fervores ideológicos insuperáveis.

A crueldade do Hamas
E o Hamas?
O Hamas é um grupo terrorista.
É fato que o Hamas é um grupo ultra-radical, opressor, obscurantista e fanático. É um grupo que, dentre os 2 milhões de residentes na Faixa de Gaza, tem apoio apenas de uma minoria e, portanto, não representa os anseios legítimos do povo palestino por um Estado.
O Hamas, não se esqueçam os esquerdistas, é um grupo fanático que oprime mulheres de forma animalesca. Repita-se: animalesca. Bem entendido?
O Hamas, não se esqueçam os esquerdistas, mantém no interior de Gaza uma ditadura das mais cruéis, das mais sangrentas, das mais tenebrosas. Uma ditadura top, entenderam bem?
Ainda que se faça a concessão ao Hamas, reconhecendo-lhe o direito de lutar por um Estado palestino, será possível alguém achar que o Hamas tem o direito de tornar civis como "escudos humanos"?
Será possível achar que o Hamas tem o direito de tomar inocentes como reféns?
Será possível alguém achar legítimo que um grupo armado anteponha inocentes às armas adversárias, como garantia de proteção da vida de militantes extremistas que não reconhecem outras leis quaisquer, que não as suas próprias?
Alguém acha que o Hamas teria o direito de deflagar um ataque e, em meio a isso, ingressar em território inimigo e executar, literalmente executar, inapelavelmente e sangue-frio, dezenas de civis, como os que estavam numa rave em área próxima a Gaza?
A crueldade desta guerra exibe, igualmente, as violações legais mais flagrantes de um lado e de outro.
A crueldade desta guerra exibe, igualmente, a crueldade dos fervores ideológicos.
A cegueira ideológica impede que, mesmo numa guerra cruel, perceba-se a crueldade da guerra e a crueldade que representa essa complexa e trágica questão envolvendo Israel e palestinos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

O que tem uma senhorinha indefesa e desatenta a ver com a vulnerabilidade de Israel diante do Hamas

Prédio é bombardeado por Israel na Faixa de Gaza, em retaliação ao ataque do Hamas

Estive em Israel em 2016.
Em Jerusalém, visitei, é claro, o Muro das Lamentações, um momento de emoção indescritível.
À entrada do Muro, que tem um dos controles de segurança mais rigorosos de Jerusalém, em decorrência do risco de atentados, presenciei cena chocante.
Todos os turistas são avisados, à exaustão, de quem não podem fotografar os ambientes na área de entrada do Muro. Por motivos de segurança, é óbvio.
Eis que eu me encontrava um pouco atrás de uma senhorinha. Sabe-se lá por que, ela resolveu passar a mão no celular e comeou a tirar fotos. Acho que fez até selfies.
Um dos seguranças, posicionado próximo à catraca, reagiu de forma incontrolavelmente furiosa.
Além de berrar impropérios - e ninguém precisa entender o hebraico para ter certeza de que eram impropérios -, a impressão que se tinha era que o homem estava na iminência de agredir fisicamente a mulher ou mesmo prendê-la.
Felizmente, ele não fez nem uma coisa, nem outra, mas obrigou-a a apagar, na mesma hora, as fotos que ela fizera no celular e mostrar-lhe o aparelho, para confirmar se tinha mesmo apagado todas as imagens.
A senhorinha, em prantos e à beira do pânico, obedeceu às ordens e só então pôde entrar no recinto do muro, não sem antes, acredito, festejar três coisas: não ter sido estapeada, não ter sido presa e não ter perdido o celular, que poderia muito bem ter sido confiscado pelo segurança.

Motos e parapentes
Lembrei-me muito desta cena desde o último sábado, quando extremistas do Hamas começaram a atacar Israel - Jerusalém, inclusive - com uma chuva de foguetes, ao mesmo tempo em que, de forma inédita, inesperada e inexplicável, conseguiram vencer os controles de segurança israelentes, inscritos entre os mais seguros do mundo, e fazer uma incursão terrestre ao território do Estado judaico.
O ataque foi a partir da Faixa de Gaza, um enclave de apenas 360 km quadrados, mais ou menos equivalente ao município de Colares e cerca de duas vezes maior do que Benevides, aqui perto de Belém.
Drones, sensores de altíssima potência, satélites e outros meios tecnológicos avançadíssimos monitoram, as 24 horas do dia, toda a extensão fronteiriça entre Gaza e o território israelense.
Mesmo assim, algumas dezenas de extremistas, usando motos e parapentes - sim, meus caros, não tanques, mas motos e parapentes - para ingressar em Israel por terra, driblando todo o sistema de inteligência israelense, também invejando como dos mais eficientes e eficazes do planeta.
Mas, à entrada do Muro das Lamentações, uma senhora indefesa foi reprimida violentamente por sua desatenção. E foi desatenção mesmo, porque ninguém haverá de convir que uma pessoa, deliberada e ostensivamente, será capaz de desafiar, bem na frente de seguranças fortemente armados, os protocolos de segurança de um país como Israel. 
A falha gigantesca, inexplicável e intolerável, representada pela "invasão" de uma pequenísima parte do território judaico por terra, não pode levar, no entanto, à ilusão de que estaria comprovada uma suposta paridade de forças em mais este confronto entre o Hamas e Israel.

A extinção do Hamas?
Não há, evidentemente, comparação entre o poderio bélico israelense e do Hamas. Daí não se imaginar a quantas pode ir a afirmação do governo de Israel de que este conflito representará uma mudança de patamar na forma como o Estado judaico tem tratado o grupo extremista. Mas dez, entre dez analistas, apostam que a retaliação terá como objetivo esmagar o Hamas a ponto de extingui-lo.
Independentemente, todavia, do alcance da resposta bélica de Israel e da resistência a ser oposta pelo Hamas, é trágico, é terrível, é horroroso o sacrifício de milhares de vidas civis - sejam isralenses, sejam palestinos, sejam de que nacionalidade ou confissão religiosa forem - decorrentes de um conflito iniciado em meados do Século XX e sustentado ao longo dos tempos por ódios alimentados dia a dia, agravados pela incapacidade da diplomacia em fazer com que o bom senso prevaleça acima de todas as diferenças.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Justiça manda que PF seja informada da ocorrência de "possível crime" nas eleições de 2021 da OAB-PA


A ação movida pelo advogado Sávio Barreto, pedindo que sejam apurada supostas irregularidades ocorridas nas eleições de novembro de 2021 da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará, ganhou hoje mais um capítulo. O processo, de número 1021438-68.2022.4.01.3900, tramita na Justiça Federal.
Nesta sexta-feira (29), a  5ª Vara determinou que seja expedida à Polícia Federal a informação da ocorrência de possível crime de falsificação de assinaturas, conforme consta de ação movida por Barreto contra Eduardo Imbiriba. Eles disputaram o último pleito para Seção da OAB-PA, que apontou a vitória de Imbiriba por 4.355 a 4.091 votos. A ação solicita o indeferimento da chapa vencedora ou, subsidiariamente, a anulação das eleições e realização de novo pleito.
A falsificação de assinaturas é um dos 11 fatos destacados pelo autor da ação, argumentando que esse possível crime foi determinante para o resultado final da votação. Em prova documental apresentada na ação, verifica-se a incompatibilidade de dezenas de assinaturas de eleitores, registradas em boletins de urnas de lona, com as assinaturas dos mesmos advogados utilizadas em suas demandas na Justiça.
Nova audiência - Na mesma decisão, o Juízo designou nova audiência para o dia 27 de outubro, às 14h, para ouvir a testemunha Diogo Seixas Condurú, a ser convocado por mandado de intimação. O advogado Diogo Condurú também é citado pelo autor da ação, porque teria se omitido da obrigação de investigar as denúncias encaminhadas à Comissão Eleitoral presidida por ele, na época do pleito, e que seriam suficientes para comprovar, entre outras irregularidades, o abuso de poder político e econômico e propaganda ilegal praticada pela chapa de Eduardo Imbiriba. Diogo já foi convocado, mas não compareceu, no dia 26 de setembro.
O réu tem evitado audiências por meio de agravos e pedidos de adiamento protocolados em regime de plantão, que são aqueles decididos por um desembargador diferente do juiz titular da ação, de forma liminar.
O próprio réu, Eduardo Imbiriba, deixou de comparecer a duas audiências convocadas pela Justiça. Mas foi obrigado a se apresentar após a terceira intimação, sob pena de confesso. Ou seja: sua ausência teria o valor de uma confissão.
Em breve, a Justiça deverá decidir a questão. A assessoria de Barreto explica que, se prevalecer a tese da acusação e o réu for condenado, há dois caminhos. O primeiro é a perda do registro da chapa vencedora. Isso obrigaria a OAB-PA a empossar a segunda colocada naquelas eleições: a chapa de Sávio Barreto e Brenda Araújo. O segundo é a anulação do pleito por fraude eleitoral e abuso de poder político e econômico. Neste caso, seriam marcadas novas eleições, comandadas por uma comissão eleitoral designada pela Justiça, excluindo-se da nova votação a chapa considerada fraudadora.
Mas se Eduardo Imbiriba for inocentado, ele permanecerá na presidência da OAB-PA até o final do mandato. Em novembro de 2024, haverá novas eleições.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Nas três primeiras condenações de golpistas, o desapreço de adogados pela Advocacia

Aécio Pereira, Matheus Lázaro e Thiago Mathar: os três primeiros bolsonaristas
condenados por participação nos atentados golspitas de 8 de janeiro deste ano 

Enfim, condenados.

O Supremo começou a julgar malucos bolsonaristas que tentaram não apenas aplicar um golpe, mas fazê-lo mediante a destruição - literal - dos prédios que representam os três poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro passado.

Os três primeiros condenados são os campeões acima: Aécio Lúcio Costa Pereira, condenado a 17 anos; Thiago de Assis Mathar, condenado a 14 anos; e Matheus Lima de Carvalho Lázaro, a 17 anos. O relator nos três processos foi o ministro Alexandre de Moraes.

Os três foram condenados também ao pagamento de 100 dias-multa, cada um no valor de 1/3 do salário mínimo. Eles ainda terão que pagar indenização a título de danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões, a ser quitado de forma solidária com todos os que vierem a ser condenados.

Anotem-se dois detalhes, dos mais relevantes, claramente observáveis nestes primeiros julgamentos.

O primeiro: a qualidade dos defensores dos réus.

O segundo: a importância do Supremo, e por extensão do Judiciário, como garantidor do Estado Democrático de Direito, sobretudo durante as trevas do governo Bolsonaro.

O exercício livre da advocacia, registre-se, é indissociável de qualquer configuração institucional que resguarde a conservação dos estados democráticos.

Democracia sem advogados livres, corajosos, combativos e preparados não é, convenhamos, democracia.

Foi lamentável, nesse sentido, que os defensores dos três primeiros condenados não tenham utilizado suas prerrogativas e seus conhecimentos técnicos em favor de seus próprios clientes. Deixaram-se inebriar pelo fanatismo radical e, com isso, rebaixaram seus próprios misteres a um nível de sarjeta.

Sebastião Coelho, ex-desembargador do DF e defensor de Aécio Costa, teve a audácia de ofender os julgadores e reforçou as suspeitas de que ele próprio, bolsonarista fanático descontrolado, seria um dos financiadores dos atos golpistas, daí estar sendo investigado por decisão da Corregedoria do CNJ.

Hery Kattwinkel, o defensor de Thiago Mathar, protagonizou um show tragicômico (ou "patético e medíocre", nas palavras de Moraes), repetindo fake news envolvendo o ministro Luís Roberto Barroso, confundindo O Pequeno Príncipe com O Príncipe e chamando Pôncio Pilatos de Afonso Pilates. Por tudo isso, já foi expulso do Solidariedade.

Larissa Cláudia Lopes de Araújo, defensora do réu Matheus Lázaro, desfez-se em lágrimas, após reclamar que ministros não lhe deram nem boa tarde, insinuar que o Supremo está julgando de cambulhada (sem atentar para a individualização dos casos) e afirmar que seu constituinte não passa de um menino que foi vítima de lavagem cerebral, ao ponto de acreditar que o Brasil viraria a Venezuela se Lula vencesse. Quando a adogada acabou de chorar e de falar, Moraes disse que ela perdeu o prazo para as alegações finais. E perder prazo, sabem todos, é o pior que pode constar do currículo de um advogado.

Com o nível das defesas que fizeram, os três advogados demonstraram um desapreço deplorável pelo próprio papel que a Advocacia deve exercer num ambiente democrático.

E o Supremo?

Recebeu a reiteração da confiança expressa e formal da própria OAB.

Como lembraram vários de seus ministros, o Supremo, guardião da democracia e da Constituição, continua a sê-lo, franqueando, inclusive, a advogados o direito de dizer da tribuna o que bem entenderem, ao ponto de quase cuspirem no rosto de magistrados.

O Supremo, guardião da democracia e da Constituição, atuou de forma a preservar milhares e milhões de vidas durante a pandemia, ao garantir o direito de estados e municípios decidirem sobre o lockdown. Sem isso, como lembrou o ministro Gilmar Mendes, os mortos poderiam ser mais, bem mais do que os 700 mil e tantos que morreram.

O Supremo, firmando suas posições sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, demonstra, nestes três primeiros julgamentos, que agirá nos rigores, mas também nos limites, da lei para resguardar a democracia brasileira e permanecer como o guardião da Constituição.

Viva nóis!

terça-feira, 12 de setembro de 2023

Neymar e os bolsonaristas. Neymar e o bolsonarismo.

Neymar beija a bola no Mangueirão, antes de perder o pênalti: um craque, mesmo sendo
bolsonarista. Mas um fiteiro que às vezes nos diverte - ou nos indigna - com suas idiotices.

Com todo o respeito que eles nos merecem - pela excelsa inteligência, tolerância democrática e comovente empatia que sempre demonstram -, mas os bolsonaristas, vamos e convenhamos, tornaram-se, de uns tempos par cá, bravos patriosta que prestam um valoroso serviço ao País, divertindo-nos todo dia, o dia todo.
Sério mesmo!
Sem um bolsonarista por perto, a vida não teria tanta graça. Encontrar um deles e ouvi-lo contar, por exemplo, sua aventura de ter feito rapel nas bordas da terra plano, isso é uma diversão que não tem preço.
Pois a última piada dos bolsonaristas, a última diversão impagável que eles nos proporcionam consiste em revelar-nos sua mais furiosa indignação patriótica diante de quem faz críticas, por mínimas que sejam, a Neymar.
Se você quer ver bolsonarista cantar o hino nacional com o mesmo ardor com que cantou para um pneu, então ponha Neymar frente dele. Pronto! Está salva a pátria amada!
Criticar Neymar por sua performance não fora, mas dentro de campo, não passa, dizem os bolsonaristas, de "perseguição", "despeito" ou "intolerância", apenas porque o jogador, claro, é bolsonarista.
Essa é a última piada bolsonarista.
Mas vamos com muita calma nessa hora.
E vamos desenhar, para que os bolsonaristas, esses divertidos, entendam bem.
Neymar é um craque?
É.
Ele e, disparadamente, o maior jogador de sua geração?
É.
Já inscreveu seu nome como um dos maiores jogadores do Brasil?
Já.
É um dos maiores goleadores do futebol brasileiro?
É.
Em números absolutos, é o maior goleador da seleção brasileira?
É. Afinal, chegou a 79 gols em 125 jogos. E com tudo para marcar ainda mais gols.
Mas, proporcionalmente, marcou mais do que Pelé?
Não. Porque o Rei fez 77 em 91.
E Neymar é comparável a Pelé?
Não. Nunca será. Neymar mesmo já disse isso.
Pronto. Está tudo aí, bem desenhado.
Mas bolsonaristas, sempre com a piada pronta e com a idiotice na ponta da língua, acham que negar a Neymar méritos que apenas Pelé teve e sempre terá não passa de "perseguição" ao jogador, porque ele é bolsonarista.
Desenhemos outra vez, com régua e compasso.

Craque fiteiro e "monstro"
Neymar, o craque dentro de campo, é um idiota, um rematado idiota fora dele.
Aliás, é um rematado idiota não apenas fora, mas, muitas vezes, dentro de campo.
O bolsonarismo, ao qual Neymar aderiu, é apenas mais um episódio a confirmar sua enorme clarividência política. Até porque ele já revelara quem verdadeiramente seria antes mesmo, bem antes, de Bolsonaro virar trombadinha de joias e genocida, competências que demonstrou quando desgovernou o Brasil por quatro anos, que valeram por 4 mil séculos.
Para confirmar a excelência da idiotice de Neymar, revejam as declarações de Renê Simões em 2010, portanto há 13 anos, portanto bem antes de Bolsonaro começar o genocídio, a tramar golpes e desviar joias.
"Em nome dessa arte de jogar futebol, da qual eu sou partidário, estamos criando um monstro. Temos que fazer um dossiê pelo número de vezes que ele se joga. A televisão tem que mostrar", disse então o treinador. Em 2010, repito.
O que Renê Simões quis dizer pode ser resumido num adjetivo apenas: fiteiro.
Neymar é fiteiro. Se não o fosse, já teria marcado mais 400 gols do que os anotados até agora. Porque, repita-se, é um craque quando não faz fita.
Eu estava no Mangueirão para ver o treino do Brasil contra a Bolívia.
Quando foi marcado o pênalti e vi Neymar pegar a bola e beijá-la (seria um revival do beijo que Pelé deu na bola ao marcar, de pênalti, seu gol de número 1.000 no Maracanã?), avisei para minha acompanhante ao lado.
- Ele vai errar.
Neymar correu, preparou, chutou e... errou.
Porque fez fita. Claramente, ele fez fita.
O cara bate pênaltis excepcionalmente bem. Mas o jeito como bateu em Belém fugiu completamente ao seu estilo: tentou tirar a força da bola ao máximo, contando que o golerio boliviano fosse correr para o lado da BR, enquanto a bola entraria no outro canto, aqui pelo bairro de Nazaré.
E errou.
Depois, sem fita, fez uma jogada genial - driblando cinco jogadores e quase entrando no gol com bola e tudo -, deu boas assistências, acertou o travessão com um chutaço, marcou dois gols e foi, com méritos, o grande nome da partida.
Será que bolsonaristas conseguirão discernir o Neymar jogador (que é um craque, quando não faz fita) do Neymar bolsonarista - uma hora idiota, outra também?
Sabe-se lá!
Mas tem uma coisa, e antes que eu me esqueça: tomara que Neymar faça uns quatro ou cinco hoje, contra o Peru.
Se não fizer fita, ele crava os quatro.
Entenderam, bolsonaristas?
Grande Neymar! Siga sendo bolsonarista, para nos divertir.

sábado, 9 de setembro de 2023

GOL 1907: Condenação dos pilotos do Legacy pode prescrever em breve.

Por Marcelo Honorato*

Após 17 anos de investigações, inquéritos, processos, com suas audiências, sentenças, acórdãos e recursos, que foram até o STF, a condenação imposta aos pilotos do Legacy pelo acidente com o GOL 1907, quando faleceram 154 pessoas, pode prescrever em outubro desse ano.

A condenação final dos pilotos Joseph Lepore e Jean Paul Paladino pelo delito de sinistro aéreo culposo foi de 3 anos, 1 mês e 10 dias, cujo trânsito em julgado ocorreu em 14.10.2015, após a análise do último recurso pelo STF.

De lá para cá, houve enorme dificuldade para executar essa condenação, pois os pilotos estão nos EUA.

O início da execução nos EUA não foi admitido pelo Governo Americano, pois não há previsão no Acordo de Cooperação Jurídica em Matéria Penal Brasil & EUA (Decreto 3.810/2001).

O delito ao qual foram condenados também não possui previsão no Tratado de Extradição Brasil & EUA (Decreto 5.919/2006).

A Convenção de Manágua, que permite a transferência de presos entre os Estados, exige que a execução se inicie no Brasil, para, depois, ocorrer a transferência.

Portanto, até o momento, a execução da condenação dos pilotos não se iniciou.

Como a condenação foi menor que 4 anos, o direito do Estado Brasileiro em executar a pena prescreve em 8 anos, desde o trânsito em julgado, ou seja, em 14.10.2023 a pena poderá estar prescrita.

O juízo federal de Sinop expediu ofício para que o Governo Americano análise a possibilidade de extraditar os pilotos, considerando a gravidade dos fatos para a sociedade brasileira, independente da previsão em tratado, já que essa decisão é uma questão de soberania daquele país.

Nos autos da execução penal, ainda não houve resposta dos EUA à solicitação judicial, tudo levando a acreditar que o longo processo penal não terá efeitos práticos.

Já a execução da condenação dos dois controladores de tráfego aéreo está se iniciando, tendo suas condenações transitado em julgado em 2021.

* Juiz Federal, Marcelo Honorato exerceu por mais de duas décadas a profissão de aviador e de investigador de acidentes aeronáuticos pela Força Aérea Brasileira. É autor do livro "Crimes Aeronáuticos", primeira obra no Brasil a apresentar uma pesquisa sobre a responsabilização criminal em casos que envolvem acidentes aéreos. O livro já está em sua quarta edição e em atualização para a quinta.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Começam as vendas de tíquetes para acesso ao estacionamento do Mangueirão, no dia de Brasil x Bolívia



Torcedores que compraram ingressos para assistir ao jogo da seleção brasileira contra a Bolívia nesta sexta-feira (08), no Mangueirão, na primeira partida válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, já podem adquirir seus tíquetes para acessarem o estacionamento do estádio.
Os ingressos começaram a ser vendidos, nesta terça-feira (05), no site FastPix, operado pela empresa Gardeline Gerenciamento e Tecnologia Ltda. Quem for de carro terá que despender o valor de R$ 75. Para as motos, o valor é de R$ 35. Os vouchers poderão ser baixados no site de vendas somente na quinta-feira (07), 24 horas antes da partida.
Foram disponibilizadas vagas de estacionamento no setor A do estádio, que demanda a Rodovia Augusto Montenegro - com entradas pelor portões que ficam ao lado do Detran e mais próximo ao ginásio Mangueirinho -, como também haverá vagas no setor B, que pode ser acessado por quem preferir a Avenida Transmangueirão.
A informação sobre a venda de tíquetes para o estacionamento foi confirmada na manhã de hoje, ao Espaço Aberto, pelo próprio dono da empresa, o empresário Jader Gardeline. Ele explicou que a Gardeline foi contratada pela própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), organizadora e patrocionadora do evento, para explorar e gerenciar não apenas a venda de tíquetes para o estacionamento do Mangueirão, mas também os bares que funcionarão na parte interna do estádio durante a partida.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Como fazer um bolsonarista feliz

Como fazer isso?

Jamais tente convencer um bolsonarista de que Bolsonaro não é um genocida, de que não é um corrupto, de que não é um despudorado, de que não é um fascista, de que não é um peculatatário que desviou joias.

Jamais faça isso.

Quando você disser que Bolsonaro é tudo isso e um bolsonarista logo se apresentar, dizendo que Bolsonaro é um puro, que é incorruptível, que é um mito, que jamais desviou joias, concorde logo com ele, o bolsonarista.

Mostre-se arrependido e diga logo que Bolsonaro é, sim, o perseguido, o honesto, o incorruptível, o generoso e a excelência do saber e do conhecimento.

Se você fizer isso, ganhamos os dois.

Nós, que dissemos convictamente o que Bolsonaro verdadeiramente é.

E o bolsonarista, que ficará feliz da vida, ao pensar que nós, de fato, nos arrependemos de ter dito que Bolsonaro é o que verdadeiramente ele é.

Sendo feliz, o bolsonarista continuará a nos divertir!

Bolsonaro é o crime, é a corrupção, é o despudor. Por que ainda não foi preso?

10 de janeiro de 2023, dois dias após a tentativa de golpe.

O Espaço Aberto perguntou: E Bolsonaro, quando será preso?

11 de agosto de 2023.

O Espaço Aberto perguntou: O que ainda falta para Bolsonaro, o puro, ser preso?

18 de agosto de 2023.

O Espaço Aberto pergunta: E Bolsonaro, por que ainda não foi preso?

Estes últimos dez dias têm sido talvez os piores para Bolsonaro, para o bolsonarismo, para os bolsonaristas e, last but not least (por último, mas não menos importante), para fascistas e golpistas.

Estes últimos dez dias têm revelado a excelência das inspirações golpistas, do viés fascista, dos princípios imoderadamente corrompidos e das práticas (felizmente) perniciosas, burras, idiotas e imbecis de Bolsonaro, do bolsonarismo e dos bolsonaristas.

Primeiro, a revelação de que um esquema criminoso, articulado e operado por bolsonaristas, desviou joias do patrimônio público e, um vez compelido a devolver bens que desviou, recomprou-os em meio a uma sucessão de trapalhadas que seriam dignas de uma comédia pastelão, não fossem, em verdade, criminosas.

Depois, o comparecimento, à CPMI do Golpe, de um hacker, estelionatário e criminoso, chamado Walter Delgatti Neto, que, mesmo sendo hacker, estelionatário e criminoso, foi convidado a visitar o Palácio da Alvorada e ouvir, da bocarra de Bolsonaro, propostas para assumir o grampo de um ministro do Supremo e para simular uma fraude em urna eletrônica, fraude que seria mostrada num espetáculo especial para multidão de fascistas reunida no 7 de Setembro do ano passado.

E agora, a reportagem exclusiva da revista Veja, confirmada por todos os grandes veículos de imprensa do País, revelando que Mauro César Cid, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e aplicado factótum de Bolsonaro, vai confessar espontaneamente à Polícia Federal que, sim, ele agiu a mando de Bolsonaro no caso da trapalhada das joias e entregou em espécie, ao ex-presidente, o valor amealhado na venda de relógios.

Então, repita-se a pergunta: e Bolsonaro, por que ainda não foi preso?

Será preciso ainda que ele mesmo confesse os crimes que cometeu?

Será preciso que dona Michelle venha a acusá-lo publicamente?

Será preciso tudo isso para que ele venha a ser preso?

Paciência!

Bolsonaro é o crime.

Bolsonaro é a corrupção.

Bolsonaro é a mentira.

Bolsonaro é a covardia.

Bolsonaro é a delinquência.

Bolsonaro é o despudor.

Por que, afinal, ainda não foi preso?

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O que ainda falta para Bolsonaro, o puro, ser preso?

Jair Bolsonaro: o puro que virou delinquente. Mas, mesmo delinquente, ainda é puro, claro!

Todas as vezes em que eu busco um modelo de transparência, honestidade, pureza d'alma, empatia e patriotismo, eu sempre tenho como referência Jair Bolsonaro.
Todas as vezes em que busco um modelo de transparência, honestidade, pureza d'alma, empatia e patriotismo, mas que deu uma fraquejada e virou um delinquente comum, desprovido da menor habilidade possível para disfarçar suas delinquências, todas as vezes em que busco tal modelo, eu também sempre tenho como referência Jair Bolsonaro.
Ditas essas coisas, pergunto: o que ainda falta, sinceramente, para Jair Bolsonaro, o transparente, o honesto, o puro d'alma, o patriota incomparável, o que ainda falta para ele ser preso?
O que ainda falta para os órgãos de persecução penal, sejam quais forem, estejam onde estiverem, chegarem à conclusão de que o puro virou um delinquente quando ainda estava no exercício da presidência da República e, por isso mesmo, precisa ser trancafiado e ficar sob a custódia do estado, até que se apurem todos os crimes de que é suspeito de ter cometido?

Peculato e lavagem
Nesta sexta (11), a PF, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, fez uma operação no curso de investigação que apura, nada mais, nada menos, a venda ilegal, no Exterior, de presentes doados por sauditas ao então presidente Bolsonaro e que, portanto, deveriam ter sido incorporados ao patrimônio público da União após ele deixar o cargo.
Os crimes investigados são tipificados como peculato e lavagem de dinheiro.
São investigados, entre outros, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid (que já se encontra preso no âmbito de outra investigação), o pai dele, general Mauro César Lourena Cid, e assessores do puro que virou delinquente.
A PF já descobriu o seguinte.
* Citação a US$ 25 mil supostamente endereçados ao ex-presidente Jair Bolsonaro;
* Tratativas para a venda de estátuas de palmeira e um barco folheados a ouro, recebidos pela comitiva brasileira durante visita oficial ao Bahrein em 2019;
* Negociações para levar a leilão um dos kits recebidos na Arábia Saudita com relógio e joias masculinas.

"Em cash"
As investigações já descobriram manifestações de Mauro Cid indicando seu temor de usar o sistema bancário para entregar o dinheiro a Bolsonaro. E uma preferência por fazer a entrega em dinheiro vivo, ou "em cash".
Diz Cid.

"Tem vinte e cinco mil dólares com meu pai. Eu estava vendo o que, que era melhor fazer com esse dinheiro levar em 'cash' aí. Meu pai estava querendo inclusive ir ai falar com o presidente (...) E aí ele poderia levar. Entregaria em mãos. Mas também pode depositar na conta (...). Eu acho que quanto menos movimentação em conta, melhor né? (...)’.

Mauro Cid diz ainda que a operação não foi concluída porque as peças não são de ouro maciço - e que ainda tentava negociar com outro homem, não identificado.
Diz ele:

"(...) aquelas duas peças que eu trouxe do Brasil: aquele navio e aquela árvore; elas não são de ouro. Elas têm partes de ouro, mas não são todas de ouro (...) Então eu não estou conseguindo vender. Tem um cara aqui que pediu para dar uma olhada mais detalhada para ver o quanto pode ofertar (...) eu preciso deixar a peça lá (...) pra ele poder dar o orçamento. Então eu vou fazer isso, vou deixar a peça com ele hoje (...)’.

Espantoso.
Escandaloso.
Criminoso, tudo isso.
E tem mais.
Trecho do inquérito da Polícia Federal indica que esculturas recebidas como presente oficial pelo então presidente Jair Bolsonaro foram extraviadas no mesmo voo que levou Bolsonaro aos Estados Unidos no fim de dezembro, dias antes do fim do mandato.
Isso mesmo: foram extraviadas naquele avião em que Bolsonaro saiu praticamente fugido do Brasil para a Flórida (EUA), nas últimas horas antes de expirar o mês de dezembro do ano passado.
"Como se vê, as investigações apontam que as esculturas foram evadidas do Brasil para os Estados Unidos da América, em uma mala transportada no avião presidencial, no dia 30/12/2022", diz a PF.
É brincadeira!
Estamos diante de um dos mais escandalosos casos de delinquência, tendo como envolvidas pessoas próximas a um ex-presidente da República que jamais, nunca, em tempo algum, agiriam da forma que agiram se não tivessem o conhecimento e a concordância explícitas do chefe.
Mas o chefe ainda não está preso.
Será preciso que ele mesmo - num gesto de grandeza, de pureza d'alma, de acendrado patriotismo e destemor reservado apenas aos heróis mitológicos - mande se prender?
Será preciso isso?

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Waack, sendo Waack, não tem abrigo nem "lá no meio do mato"

No programa que ancora na CNN, o jornalista William Waack situou Belém para os seus telespectadores como sendo a cidade que fica "lá no meio do mato".

Um pouco antes, no mesmo programa, o âncora chamara um link ao vivo do repórter Caio Junqueira, que estava em Belém cobrindo a Cúpula da Amazônia.

E disse assim: "Nosso Caio Junqueira, nosso homem na floresta. Quer dizer, nas ruas de Belém, né?".

Grande William Waack.

Ele está sendo, justamente, execrado por belenenses e paraenses de um modo geral, como também por quantos, não sendo William Waack, jamais teriam demonstrado, como ele demonstrou, um preconceito tão agudo em certas situações.

Como em 2016, por exemplo. Vejam o vídeo acima.

Então apresentador do Jornal da Globo, ele aguardava o programa começar, em uma transmissão ao vivo em frente à Casa Branca, em Washington.

“Tá buzinando por que, seu m… do c…?” disse inicialmente Waack, reclamando de uma buzina que soava na rua.

Em seguida, balbuciou nos ouvidos do convidado, o comentarista Paulo Sotero, que está ao seu lado: “Você é um, não vou nem falar, eu sei quem é…” E depois continua: “É preto, é coisa de preto”.

Por isso, Waack foi demitido da Globo.

Mas, sete anos depois, Waack continua sendo Waack. Na sua mais genuína expressão.

No caso do "é preto, é coisa de preto", Waack fez textões e mais textões confirmando ter dito tudo o que disse, mas explicando que não o disse como expressão de seu preconceito (que ele disse não ter) contra os pretos.

Eu, pessoalmente, li textões e mais textões de Waack, além de ter visto algumas entrevistas dele sobre o mesmo assunto.

E suas explicações apenas me convenceram de que esse personagem, respeitada, é claro, a sua larga e reconhecida experiência no jornalismo, muitas e muitas vezes é ignorante (na verdadeira acepção do termo) no manejo do instrumento que tem a seu dispor, qual seja a língua portuguesa, para expressar suas opiniões ou suas boutades de forma a não pairarem dúvidas sobre o que pretende transmitir aos destinatários de suas mensagens.

Ao convencer-me desse fato, também me convenci de que Waack pode até não ser preconceituoso mas age com lampejos de um preconceito petrificado, incorrigível, fossilizado.

Até agora, ao contrário do episódio de 2016, ele ainda não veio a público para explicar o sentido de suas palavras.

Melhor mesmo que não o faça.

Porque, se o fizer, apenas reforçará em muitos, como eu, que quanto mais ele explicar que o sentido de suas falas não é preconceituoso, mais e mais ficaremos certos de que o sentido de falas como essas suas é, sim, francamente preconceituoso. E mais: é uma fala burra, idiota e expressiva de conceitos errôneos.

Enfim, agora, como em 2016, Waack foi apenas Waack.

Sendo assim, nem "lá no meio do mato" (sabe-se lá qual) ele seria digno de ser acolhido.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

A nossa (comovida) gratidão à burrice bolsonarista!

Silvinei Vasques e Jair Bolsonaro: salve a burrice!

Silvinei Vasques está na cadeia.
Ou melhor, está a caminho da cadeia, porque neste momento viaja de Florianópolis para Brasília, onde ficará sob custódia da Polícia Federal.
Sua prisão foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Vasques, se é que vocês querem apresentação, é aquele valoroso patriota que mandou parar centenas e centenas de ônibus justamente no dia do segundo turno eleitoral, nas eleições presidenciais do ano passado, sob a justificativa de que era preciso fiscalizar se estavam em condições de trafegabilidade.
A fiscalização ocorreu maciçamente em rodovias do Nordeste, atrapalhando a votação de eleitores numa região em que o então candidato Lula tinha notória e esmagadora supremacia na preferência do eleitorado em relação a Bolsonaro.
A prisão de Vasques ocorre cerca de 1 mês e meio após ele ter comparecido à CPMI do Golpe para dizer que tudo o que fez foi amparado na lei, por dever ao Serviço Público e por amor à Pátria. Comovente!
A CPMI, àquela altura, não teve como contestar várias afirmações de Vasques, porque ainda não dispunha de dados sigilosos, muitos dos quais embasaram, agora, a decisão de Moraes.

Respeitem a burrice
E quando se observam os fundamentos da decisão do ministro, chega-se à inescapável conclusão de que a burrice bolsonarista foi quem, realmente, salvou a democracia brasileira.
A burrice de Bolsonaro e sua turma golpista salvou-nos de um golpe.
Vasques cometeu flagrantes, escancaradas, indisfarçáveis e inexplicáveis ilegalidades.
Agiu assim, burramente, justamente no dia do segundo turno, numa região predominantemente lulista, num momento em que o TSE estava com lupas apontadas para quaisquer indícios de fraudes perpetradas e depois de o bolsonarismo ter ensaiado mil e uma artimanhas para melar a eleição e impedir, com fraudes, a vitória de Lula.
A burrice bolsonarista tentou tudo isso e não conseguiu.
Como não conseguiu, foi em frente.
Em 12 de dezembro de 2022, horas após a diplomação de Lula como presidente eleito, bolsonaristas burros e golpistas incendiaram ônibus e causaram uma grande tumulto em Brasília.
Doze dias depois, um bolsonarista burro, mas fascita e golpista, tentou explodir um caminhão-tanque perto do aeroporto de Brasília. O veículo não explodiu porque, burros, os bolsonaristas golpistas não conseguiram acionar o dispositivo de detonação.
Consumada a vitória, a burrice migrou para os acampamentos armados em frente a quartéis, onde bolsonaristas burros chegaram a cantar o hino nacional para um pneu velho.
Aí veio a próxima burrice - decorada com tinturas de fascismo: a tentativa de um golpe no dia 8 de janeiro deste ano, quando prédios dos três poderes, em Brasilia, foram vandalizados.
Qual a justificativa dos bolsonarista contra a convicção geral de que aquilo foi um golpe frustrado?
Eles dizem que só burros tentariam dar um golpe de Estado num domingo, sem armas nas mãos e com o apoio de senhorinhas pacíficas, de 400 anos de idade, alçadas à condição de anticomunistas incendiárias.
Pois os bolsonaristas estão certos: o golpe não deu certo porque bolsonaristas burros estiveram à frente. Simples assim.
Agora, descobriu-se que ajudantes de ordens de Bolsonaro deletaram mais de 17 mil e-mails, mas não limparam a lixeira. Resultado: todos foram recuperados e engrossam as toneladas de provas contra bolsonaristas burros, mas golpistas e fascistas.
Bolsonaro, Anderson Torres, Silvinei Vasques, Marcos Do Val, Daniel Silveira, Mauro Cid et caterva.
Eles são a burrice.
Não tenhamos ilusões, meus caros: a burrice bolsonarista salvou a democracia brasileira.
E a nossa Pátria amada!
Brasil.