terça-feira, 19 de outubro de 2021

Na ânsia de votar a PEC da Vingança, Lira se excede na arrogância e no tom imperial

Bolsonaro e Lira: um manda, o outro obedece. E obedece esbanjando arrogância.

Vamos falar - primeiro, no português castiço; depois, no português traduzido para o português.
No castiço: o presidente da Câmara, Arthur Lira, tem se excedido em aquiescer, em subordinar-se, em atrelar-se incondicionalmente a S. Exa. o presidente Jair Bolsonaro.
Traduzindo para o português: Lira tem abusado de agir como um pau-mandado do Mitômano.
Escolham a forma que mais convém a vocês e vamos em frente.
Além de pau-mandado, Lira tem agido de forma arrogante, imperial, autoritária.
Tem oferecido demonstrações eloquentes disso nas discussões da PEC da Vingança.
Na semana passada, presidindo a sessão, Lira exasperou-se quando, após informar que já haveria um amplo acordo para votar a matéria, foi desmentido por alguns de seus colegas senadores, que diziam o contrário, citando sobretudo o posicionamento - evidentemente contrário ao tal acordo - da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), presidida por Ubiratan Cazetta, que até recentemente, e por mais de 20 anos, atuou no Pará como um dos mais competentes e operosos membros do MPF.
Exasperado e imperial, Lira chegou a dizer que, a partir daquele momento, não se sentaria mais à mesa com Cazetta e com o promotor de Justiça paraense Manoel Murrieta, presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).
Pois a realidade mostraria que Lira mentira, quando anunciava aos colegas que houvera acordo e que apenas Cazetta e Murrieta é que estariam dizendo o contrário e não teriam honrado a palavra na formalização de um suposto entendimento para votar a matéria. 
O que se vê agora, quando a Câmara está reunida para, ao que se espera, deliberar sobre a PEC da Vingança, é uma maciça união dos membros do MP, em todos os seus ramos, contra a proposta de emenda constitucional em tramitação na Câmara.
E tanto é assim que um abaixo-assinado com a participação de 3.295 procuradores e promotores, divulgado nesta segunda-feira (18), pede a total rejeição da PEC, que altera a estrutura do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Aguardemos hoje, como vai se desenrolar a sessão da Câmara.
E como vai se comportar o imperial Arthur Lira.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Oposição registra chapa que vai disputar eleição da OAB do Pará. Advogados apontam falta de representatividade da atual gestão.

Mais de 100 advogados participaram nesta segunda-feira (18), no Fórum Cível de Belém, do ato de registro da chapa Advocacia em Causa Própria, que concorre à eleição que vai renovar a direção da OAB do Pará em 18 de novembro, daqui a um mês. Na quarta-feira (20), será o ato de lançamento da chapa.

A chapa, de oposição à atual gestão da Ordem, tem como candidato a vice Sávio Barreto. Brenda Araújo concorre a vice. Integram ainda a chapa, como membros da Diretoria, Luiz Alberto Rocha (secretário-geral), Daniel Silveira (secretário-adjunto) e Eva Franco (tesoureira).

"Temos que chegar com a jovem advocacia e explicar o que é a OAB, que a OAB não é só pegar carteira com o presidente. [...] Toda a advocacia já compreendeu que a gestão que está aí não nos representa", criticou Barreto.

"Eu desafio qualquer um aqui a dizer algo de representativo que a OAB tenha feito pela nossa classe nos últimos seis anos. [...] A chapa opositora, de inovação não tem nada. Será o continuísmo de um projeto que começou 15 anos atrás", complementou Brenda Araújo.

No vídeo acima, alguns momentos do ato de hoje, no Fórum Cível.

Livro expõe bastidores de reportagens que cobrem o período da ditadura até a pandemia


Os bastidores de reportagens que cobrem um amplo período - da ditadura inaugurada com o golpe militar de 1964 até os dias de hoje, em que o mundo ainda sente os duros efeitos da pandemia do coronavírus Covid-19 - são traçados num livro que acaba de ser lançado.
Organizado em vinte capítulos, “Reportagem - da ditadura à pandemia”, da jornalista Márcia Turcato, estampa histórias que expõem fatos nem sempre mostrados para o público. No meio disso tudo, surgem histórias até engraçadas e inesperadas que mostram como os repórteres precisam improvisar em benefício da informação.
Jornalista com larga experiência, radicada em Brasília, Turcato revela em sua obra alguns fatos singulares da capital da República, como a queda do governador José Roberto Arruda - aquele que foi flagrado em um vídeo recebendo um pacote de dinheiro provindo de corrupção - e a riqueza do turismo de aventura do Distrito Federal, além de fatos marcantes da história política do Brasil, como o retorno ao país do ex-governador Brizola, e alguns capítulos sobre epidemias que desafiaram o sistema público de saúde, como a cólera, influenza e covid-19.
A publicação revela ainda reportagens de aventura, como um pedal no Amapá e duas viagens para a Antártica. Há ainda alguns capítulos dedicados à região Norte do Brasil que falam sobre Fordlândia, no extremo oeste do Pará, na região do Alto Tapajós, o surto de cólera que entrou pela fronteira com a Colômbia e o Peru, na década de 1990, e sobre ameaças sofridas por lideranças rurais na região conhecida como Bico do Papagaio.
Márcia Turcato vive em Brasília desde 1988, quando chegou à cidade para trabalhar na cobertura da Constituinte e passou por várias redações e assessorias de Imprensa, principalmente na área da saúde. Natural de Porto Alegre, também trabalhou na mídia gaúcha e catarinense.
Turcato conta que o livro foi escrito como uma homenagem aos jornalistas profissionais que diariamente enfrentam o desafio de informar com ética e compromisso social em um cenário de pós-verdade. Diz ainda que ficou muito feliz que o lançamento da publicação coincidiu com a entrega do Prêmio Nobel da Paz para dois jornalistas, a filipina Maria Ressa e o russo Dmitry Muratov, que combatem diariamente as fakes news, essa praga que constrói mentiras e coloca em risco a democracia em todo o mundo.

Serviço:
Reportagem - da ditadura à pandemia
Editora Telha https://editoratelha.com.br/
112 páginas, 20 capítulos, cinco ilustrações
Lançamento
R$ 35,00

Morre Paulo Lamarão, o advogado que fez denúncias e propôs 12 ações contra o senador Jader Barbalho por duas décadas

Paulo Lamarão: denúncias contra Jader, que começaram sobre desapropriação no Aurá,
depois foram ampliadas e ganharam repercussão nacional
(foto extraída do perfil de Vavá Lamarão no Facebook)

O advogado paraense Paulo Lamarão morreu neste domingo (17), segundo informou, em seu perfil no Facebook, um primo dele, Vavá Lamarão. "Com uma puta tristeza, comunico aos amigos o falecimento, há pouco, do meu primo/irmão Paulo Fernando Neri Lamarão (parceiro de uma vida inteira), ocorrido em Fortaleza", informou Vavá. Até a manhã desta segunda-feira, mais de 350 pessoas haviam feito comentários, todas externando sentimentos de pesar pela morte do advogado.
Especializado em Direito Agrário, Lamarão começou a carreira no escritório de Otávio Mendonça, um dos maiores advogados do Pará, foi professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) e chegou a presidente do Iterpa (Instituto de Terras do Pará).
No início dos ano 80, Lamarão travou um dos mais estrepitosos embates com Jader Barbalho, que então se elegera, em 1982, o primeiro governador do Pará pelo voto direto depois da derrocada da ditadura militar. O confronto entre o advogado e o hoje senador do MDB estendeu-se por mais de duas décadas, rendeu livro, manchetes em jornais, repercussão na Imprensa nacional e respingou em figuras do Judiciário.
No Pará, a maior parte das matérias foi publicada em O LIBERAL, mas também mereceu boa cobertura do segundo maior jornal do estado à época, A Província do Pará, que então integrava o grupo Diários Associados. O Diário do Pará, que estava no início de sua trajetória, já que foi fundado para dar sustentação ao governo Jader, funcionou como o veículo que defendia o governador e contra-atacava Paulo Lamarão.
Escândalo do Aurá - As denúncias feitas pelo advogado tiveram como foco, inicialmente, a desapropriação da chamada Gleba de Conceição do Aurá, na Região Metropolitana de Belém, por 8 bilhões de cruzeiros na época e uma área de 2 mil hectares. O episódio ficou conhecido como o Escândalo do Aurá. Lamarão sustentava que, no curso do processo, apurou-se que as dimensões limitavam-se a apenas 104 hectares.
Autor de 12 ações populares propostas contra o atual senador do MDB, Lamarão mudou-se para Fortaleza em 1989, mas seguiu na cola de Jader e ajudou a abastecer o arsenal de denúncias o senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), cacique baiano do PFL (Partido da Frente Liberal), que deu origem ao DEM. Um dos mais poderosos políticos brasileiros, ACM travou um disputa feroz com Jader Barbalho, forçando-o a renunciar à presidência do Senado, em outubro de 2001, no desfecho de um confronto que incluiu uma das mais violentas (e chulas) contendas verbais já travadas no plenário Senado Federal, envolvendo o presidente da Casa.
Nessa ocasião, as denúncias de Lamarão já haviam ampliado seu alcance. Com base em documentos amealhados nos 20 anos anteriores, o advogado sustentava que Jader teria sido beneficiário de desvios de recursos da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). As novas denúncias também tiveram repercussão nacional, tendo sido veiculadas pelo Estado de S.Paulo e a Rede Globo, entre outros.
Vídeo, cocaína e prisão - Em abril de 2012, viralizou na internet um vídeo postado no YouTube. Durante 1 hora e 18 minutos, Paulo Lamarão conta parte de sua história, reservando cerca de 40 minutos às suas brigas com Jader. O restante inclui imagens do filme Manda Bala (documentário americano dirigido por Jason Kohn, sobre a corrupção e o sequestro no Brasil, premiado no Sundance Film Festival, em 2007.) e outras que remontam inclusive ao lançamento do Plano Collor.
No vídeo, que atualmente não está mais disponível no YouTube, Lamarão contava que perdera tudo. "Só tenho essa casa, onde nós estamos batendo esse papo. O resto eu tive que vender, dada a perseguição. É uma luta [contra a corrupção] meio inglória", dizia Lamarão.
"O Antônio Carlos Magalhães me procurou, mandou emissários aqui e eu dei tudo o que eu tinha contra o Jader. O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Naquela época, era preciso derrubar o Jader. Se o Jader não tivesse sido derrubado, quem estaria sentado na cadeia do Michel Temer [então vice-presidente da República], na minha opinião, seria ele, Jader Barbalho. E nós estaríamos correndo um risco muito maior do que agora, com a volta dele ao poder", contava ainda Lamarão.
No vídeo, o advogado se referia à sua prisão, sob a suspeita de envolvimento com tráfico de cocaína. "Eu nunca me envolvi com tráfico de cocaína e nada disso", garantiu o advogado. Ele contou que um amigo seu, de Belém, acusado de traficar cocaína juntamente com uma cabeleireira famosa de Fortaleza, indicou à polícia Paulo Lamarão como pessoa de suas relações, levando a polícia a fazer vinculações entre o advogado e o esquema de tráfico.

sábado, 16 de outubro de 2021

Oposição lança chapa para concorrer à eleição da OAB em Santarém, o segundo maior colégio eleitoral de advogados do estado

Encabeçada pelo advogado Sávio Barreto, a chapa de oposição que concorrerá às eleições para renovar a direção da OAB-PA, em 18 de novembro, já conseguiu um feito: lançar uma chapa de oposição em Santarém (o segundo maior colégio eleitoral de advogados do estado, depois de Belém), algo que não acontecia nos últimos 15 anos, aproximadamente.

Na última sexta-feira (15), a chapa Valorizando a Advocacia, que tem como candidato a presidente o advogado Alexandre Scherer, foi registrada formalmente em Belém, num ato que contou com o apoio de Barreto, de sua companheira de chapa Brenda Araújo (que concorre a vice) e de vários outros advogados. Em Belém, a chapa de oposição será registrada segunda-feira (18). O lançamento está marcado para quarta-feira.

Para formalizar o registro, Sherer precisou deslocar-se de Santarém a Belém. A imagem acima, disponível no Instagram, mostra o advogado chegando à sede da OAB com uma mala cheia de papéis para registrar a chapa de forma presencial. "Uma coisa inacreditável nos dias atuais", resumiu Sávio Barreto ao Espaço Aberto.

Ele avalia que a força de sua candidatura "está concentrada na advocacia mais militante e nas grandes subseções, como Marabá e Santarém, nas quais os candidatos mais cotados, Ismael Gaia e Alexandre Scherer, já alinharam apoio à nossa chapa".

Veja, abaixo, imagens do ato de registra da chapa Valorizando a Advocacia.

Daniel Cruz, Brenda Araújo, Alexandre Scherer, Sávio Barreto, Kelly Garcia, Evandro Antunes e
Denis Serruya, no ato de registro da chapa de oposição da OAB de Santarém 

Brenda Araújo, Alexandre Scherer e Sávio Barreto


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Rua Antônio Barreto vira a vitrine da selvageria no trânsito em Belém



Se você ainda tem dúvida de que um sistema de trânsito - caótico, bagunçado e muitas vezes letal - pode ser regido pela lei da selva, então pegue um Ita onde você estiver e venha pra Belém.
Não é de agora que leitores do Espaço Aberto têm se manifestado estupefatos com o desregramento e com a lei da selva que imperam no Umarizal, sobretudo no corredor da Rua Antônio Barreto, uma das principais vias que ligam o bairro a vários outros.
Na rotina diária de selvagerias e desregramentos, os pedestres, sobretudo idosos e pessoas com deficiência, veem-se expostos a enormes riscos quando estão se deslocando não no meio da rua, mas nas calçadas.
Em qualquer lugar do mundo, vocês sabem, as calçadas devem ser o refúgio seguro para pedestres. Menos em Belém. Menos na Antônio Barreto. Menos no bairro do Umarizal.
Espiem nas imagens acima. Foram feitas por um garoto de apenas dez anos de idade, filho de leitora que mandou as fotos para o blog.
Ciclistas e motoqueiros servem-se das calçadas para atalhar o trajeto que fazem na Antônio Barreto. Com isso, escapam do trânsito pesado nos horário de pico. Com isso, chegam mais cedo a seus destinos. E com isso, podem acabar atropelando os pedestres que se deslocam nas calçadas.
A própria leitora que mandou as fotos, residente na Antônio Barreto, diz que por duas vezes quase foi atropelada. E o mesmo aconteceu com seu filho - o autor das fotos -, em três ocasiões.
Agora, vocês imaginem: se na  Antônio Barreto ocorrem comprovadamente barbaridades como essas, é certo que em muitas e muitas outras ruas de Belém pode ser observado o mesmíssimo cenário.
Como se dizia antigamente - valha-nos, quem?
A Semob?
A nossa heroica Semob?
Contem outra.
Ah, sim.
A onda de ciclistas trafegando sobre as calçadas também é a nova moda na Braz de Aguiar e adjacências, como mostram as fotos abaixo, da mesma criança com olhar atilado para os perigos que nos rondam.





Vídeo mostrando ferrovia no Pará que teria sido concluída no governo Bolsonaro é falso



É falso que um vídeo mostra a construção de uma ferrovia em Marabá (PA) pelo governo Bolsonaro, conforme sustentam postagens nas redes sociais (veja aqui). As obras registradas na filmagem são da duplicação da estrada de ferro de Carajás, finalizada em 2018, ainda no governo Michel Temer (MDB). A empresa responsável pela construção afirmou que as imagens foram feitas entre 2016 e 2017.
Este conteúdo enganoso acumulava 30 mil compartilhamentos em publicações no Facebook nesta sexta-feira (8).
Um vídeo que mostra maquinário usado na obra de uma estrada de ferro tem circulado nas redes sociais como se fosse de um empreendimento concluído pelo governo Bolsonaro no Pará, o que é falso. A filmagem teria sido feita entre 2016 e 2017 antes de a atual gestão federal tomar posse, e no Maranhão.
A obra que aparece no vídeo é, na verdade, de outro trecho da duplicação da estrada de ferro de Carajás. O grupo Teixeira Duarte, que executou a obra, disse ao Aos Fatos que as cenas foram registradas entre os anos 2016 e 2017, na região de Santa Inês (MA), não em Marabá (PA). A obra foi concluída em 2018, ainda durante o governo Michel Temer (MDB), de acordo com publicação da Vale, mineradora responsável pela ferrovia.
Segundo o Ministério da Infraestrutura, não há obras em andamento no trecho indicado pela peça de desinformação.
O contrato que deu início às obras da duplicação da ferrovia foi firmado em 2015, na gestão da então presidente Dilma Rousseff (PT). Foram duplicados 575 quilômetros da estrada de ferro no Pará e no Maranhão.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

De mãos dadas, PT, PSOL, PSB e outros valorosos esquerdistas embarcam na mentira de um mentiroso. Bolsonaro, mentindo, agradece!

Bolsonaro e Arthur Lira: ao lado deles, bem que caberiam, nessa foto, petistas, psolistas
e outros muitos istas, todos esquerdistas, tragados pela tentação eleitoreira.

Quem teve, como eu tive, a pachorra, a paciência, a resiliência e a resistência de assistir à sessão da augusta Câmara, que nesta quarta-feira (13) alterou a forma de cálculo do ICMS incidente sobre o preço de combustíveis, terá fatalmente assistido a um festival de bizarrices, temperado com boas doses de oportunismo eleitoreiro.
Foi uma sessão em que, acreditem, excelências do PT, PSOL e PSB, entre outros partidos ditos de esquerda e antibolsonaristas empedernidos, deram-se as mãos para, ora bolas, votar favoravelmente ao projeto que estabelece um valor fixo para a cobrança de ICMS sobre combustíveis.
Como votaram favoravelmente, acabaram embarcando na canoa furada de ilusões de Jair Bolsonaro, o mitômano que governa o país e, a exemplo do que faz na pandemia, empurrou goela abaixo dos governadores de estado a responsabilidade por supostas distorções que aumentam o valor da gasolina, do diesel e do etanol nas bombas. Agora, serviu-se de Arthur Lira, seu pau-mandado na Câmara, para patrocinar esse projeto ridículo.
Paraenses apoiam um mentiroso - A proposição, meus caros, foi aprovada por esmagadores 392 contra 71 e apenas duas abstenções. A bancada paraense cravou 14 votos em favor do projeto apoiado por Bolsonaro. Na totalidade da votação, apenas PT e PSB entregaram (para usar mais esse verbo da hora) mais de 80 votos favoráveis. Eis o resumo, como se disse, da bizarrice temperada com boas doses de oportunismo eleitoreiro.
E por que bizarrice? Porque sabem os partidos de oposição (pelo menos o PT, PSOL e PSB, entre os que contam, digamos assim, com bancadas mais encorpadas) que Bolsonaro é um mentiroso. E ao vender a ideia de que baixar o ICMS estará resolvendo o problema da alta dos combustíveis, está vendendo uma mentira, uma ilusão. Mesmo assim, nossos aguerridos esquerdistas deram as mãos ao mitômano.
E por que oportunismo eleitoreiro? Porque vários esquerdistas foram à tribuna para dizer, em alto e bom som, que a eventual redução (ínfima que seja) no valor dos combustíveis em decorrência da alteração no cálculo do ICMS, é uma espécie de mal menor que precisa ser chancelado para poupar a população da carestia geral em decorrência da exorbitância dos aumentos constantes nas bombas. Mas a verdade é uma só: todos votaram com Bolsonaro porque sabem que poderiam ser cobrados nas eleições de 2022 como traidores do povo, caso votassem contra o projeto que ele patrocinou em dobradinha com Arthur Lira.
O texto aprovado obriga estados e Distrito Federal a especificar a alíquota para cada produto por unidade de medida adotada, que pode ser litro, quilo ou volume, e não mais sobre o valor da mercadoria. Na prática, a proposta torna o ICMS invariável pelo período de um ano frente a variações do preço do combustível ou de mudanças do câmbio.
A falácia, a ilusão - A proposta é falaciosa. Em recente artigo, o agente fiscal de Rendas do Estado de São Paulo Rodrigo Spada, presidente da Febrafite (Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais), entidade que representa mais de 30 mil auditores fiscais do Fisco estadual, alertou que a redução do ICMS sobre os combustíveis é inócua, eis que não faria com que, num passe de mágica, o preço na bomba volte a patamares aceitáveis. "Esse é o exemplo perfeito da falsa solução, da medida irrefletida cujas externalidades são tão ou mais graves que o problema que busca resolver", diz Spada.
O ICMS, segundo o presidente da Febrabite, responde por, em média, 85% da arrecadação própria dos estados. "E o ICMS sobre os combustíveis equivale a cerca de 20% do total arrecadado por esse tributo. Portanto, um corte leviano desse imposto levaria a graves consequências na prestação de serviços públicos. Se os governadores aceitassem este 'duelo' colocariam em risco a saúde, a educação e a segurança em seus estados", complementou Spada.
Da mesma forma, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda Estaduais (Comsefaz) pediu explicitamente que os deputados rejeitassem o projeto, sob a justificativa de que a mudança não trará qualquer efeito para diminuir o preço dos combustíveis já que não altera os demais fatores que têm provocado a alta dos preços.
"Diferente do que se vem incorretamente divulgando, a medida isolada implica em queda de arrecadação dos Estados e Municípios. Mais arrecadação no ICMS de combustíveis compreende também menor arrecadação nos demais produtos, num processo de permuta e equilíbrio. É que o preço dos combustíveis é repassado ao mercado em processo inflacionário e, como a demanda é inelástica, isto é, como a renda do brasileiro continuará a mesma, ele deixa de adquirir outros produtos e reduz a arrecadação do ICMS em variados segmentos do comércio. Ou seja: incidir em medidas paliativas como essa não só não resolve o problema do combustível com preço elevado, como ainda penaliza a população com a redução de serviços públicos em tempos de crise, por corte em seu financiamento.
Agora, é esperar os efeitos concretos, no meu, no seu, no nosso bolso, da redução do ICMS no preço dos combustíveis. As estimativas é de que, na melhor, na melhor das hipóteses, o preço atual cairá em torno de 8%, ou seja, de R$ 4,80 a R$ 5,20, dependendo dos preços no estados", afirma nota do Comsefaz.
Pronto, agora vai!
Tudo pela nossa Pátria amada!
E não pela nossa Pátria armada, como já avisou dom Orlando Brandes.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Juiz envolvido em denúncias de propina é condenado pelo TJ do Pará à pena de aposentadoria compulsória

Raimundo Flexa: aposentado compulsoriamente em decisão unânime do Pleno do TJPA

Do Portal de Notícias Ver-o-Fato

O juiz criminal Raimundo Moisés Alves Flexa, por unanimidade do Tribunal Pleno, do TJ do Pará, foi condenado em processo administrativo disciplinar (PAD) por ter se envolvido em caso no qual o nome dele aparece em conversa sobre pagamento de propina, durante diálogo com o prefeito de Santa Luzia do Pará, Adamor Aires. A pena é a aposentadoria compulsória, com salário de cerca de R$ 30 mil. Isso, na verdade, não é punição, mas um autêntico prêmio. As peças do julgamento devem ser remetidas ao Ministério Público, que poderá ingressar com ação penal para que Flexa tenha a aposentadoria cassada.

No caso do juiz Marco Antônio Castelo Branco, não houve nenhuma prova concreta, sequer da voz dele na gravação, para incriminá-lo, segundo a perícia do áudio na gravação feita pelo Instituto Renato Chaves. “Não há amparo probatório contra o magistrado”, concluiu o relator do processo, desembargador Mairton Carneiro. A absolvição também foi unânime.

O Ver-O-Fato acompanhou toda a sessão do julgamento, realizado por meio virtual e encerrado no final da tarde desta quarta-feira. Quem primeiro falou foi a defesa de Raimundo Flexa. O advogado Roberto Lauria defendeu a contraprova à perícia dez voz feita pelo renato Chaves. A contraprova, segundo Lauria, foi realizada por um “mestre da ciência da computação”, que na verdade não é perito.

Lauria atacou a prova digital, argumentando que “faltaram áudios de metadados, o DNA da prova digital”. Ele disse que o áudio não passava de uma “cópia de CD” e que essa cópia “sofreu alterações”. Para o advogado, a contraprova sofreu modificação na data de 25 de abril de 2014, pois o CD fora gravado no dia 24. “Prova absolutamente imprestável”, ou seja, adulterada.

Ele disse que a perícia do Renato Chaves não analisou os metadados. “Eu não tenho o original, tenho uma cópia”. A cadeia de custódia desmoronou a prova. Lauria observou que Flexa tem mais de 900 júris no TJ e um “enorme manancial” de serviços prestados. “Não pode receber uma sentença fatal por conta de uma prova adulterada”.

Paulo Meira, defensor do juiz Marco Antônio Castelo Branco, disse que o processo no Tribunal Eleitoral, do qual Castelo Branco fazia parte à época era um processo “cautelar, sem julgamento de mérito”. De acordo com o advogado, o juiz sequer esteve no local onde o áudio fora gravado, enfatizando que Castelo por duas vezes foi ao Renato Chaves para comparar sua voz com a que estava no áudio gravado. “A acusação é completamente desfundamentada, pois a conduta dele é o oposto do que consta do processo”, apontou.

Também lembrou que a decisão do TRE, com o voto do juiz, foi pela cassação do mandato do prefeito Adamor Aires. Sobre a gravação, afirmou que ela foi adulterada. E defendeu a absolvição de Castelo Branco.

Relator condena - No voto, o relator Mairton Carneiro, leu o laudo do renato Chaves, que concluiu que as amostras de fala-padrão de Flexa “foram produzidas pelo mesmo indivíduo”. Mairton, que em julgamento anterior votara pela absolvição, declarou que, diante do laudo, fazia ” nova análise do mérito, com base nessa análise pericial”.

Ele foi contra o uso de prova fornecida pelo TJ – isto é, a voz de Flexa em julgamento no Tribunal de Juri, presidido pelo juiz acusado -, mas ressaltou ter se curvado perante a decisão da corte para nova diligência, no caso a perícia de voz. Mais adiante, rejeitou as argumentações da defesa de Flexa sobre a perícia na voz do juiz.

Lembrou ainda os deveres de um magistrado, inclusive situações que podem comprometer sua conduta. Em vista disso, acusou Flexa de infringir a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). Citou que o juiz teria negociado valores para atuar junto ao juiz Marco Antônio Castelo Branco, e tachou o comportamento de Flexa de “má conduta ética, grave”. Por fim, enfatizou que não é dever de um magistrado receber benefícios de entes públicos ou privados e que isso compromete a dignidade da justiça. Mairton julgou procedente as alegações contidas no PAD contra Flexa.

O desembargador Rômulo Nunes elogiou a fundamentação do voto do relator. “Vossa excelência está de parabéns”. E disparou: “a pior coisa é um magistrado venal e corrupto”. Logo em seguida, foi a vez do decano do TJ, Milton Nobre, que recordou que em 20 anos de magistratura “julgou muitos casos difíceis”. E disse que há casos que não resistem à compreensão dos fatos”.

Nobre recordou que em julgamento anterior o colega Leonam Cruz levantou que a voz, na percepção dele, era de Flexa, o que interrompeu o julgamento do mérito do caso, no que a desembargadora Vânia Bitar pediu e teve deferida pela corte novas diligências. E que Flexa negou-se a fazer a comparação de voz para não se autoincriminar. Sobre o resultado da perícia técnica, foi taxativo em dizer que não havia dúvida de que Flexa “transgrediu a Lomam e o CNJ”, acompanhando o relator.

“Pior coisa juiz corrupto” - Luzia Nadja observou que a prova pericial não podia ser descaracterizada e afirmou que havia indícios materiais da autoria da infração disciplinar, concordando com Mairton. A mesma posição foi adotada pela desembargadora Vânia Bitar, que considerou válida a perícia. Ela pediu que o MP ingresse com ação penal pública contra Flexa. “A pior coisa que pode haver no Judiciário é um juiz corrupto”, atacou.

Maria de Nazaré Gouveia seguiu na mesma linha de raciocínio, lembrando que já tinha votado anteriormente pela condenação. Leonardo Tavares e Nazaré Saavedra também votaram pela condenação. Para Leonam Cruz, o silêncio de Flexa ” foi suficiente para a condenação, quando ele teve a oportunidade de refutar a acusação e não o fez”. Leonam e, também, a desembargadora Diraci Nunes Alves corroboraram o voto do relator.

Ronaldo Vale, Gleide Moura, Luiz Neto, Maria Filomena Buarque, Ezilda Pastana, Maria Elvina Taveira, Rosileide Cunha, José Roberto Bezerra, Roberto Moura, Rosi Gomes de Farias e a presidente do TJ, Célia Regina Pinheiro, também votaram pela condenação no PAD.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Deputada do PSOL diz que é alvo de fake news. Mas ela deve brigar com o MP, e não com jornalistas que informam com base no que diz o próprio MP.


O Ministério Público do Pará precisa tomar muito cuidado quando for apregoar, nos órgãos de divulgação oficiais, os processos pautados para deliberação em sessões de seu Conselho Superior. Se não tomar cuidados, poderá dar ensejo a interpretações equivocadas que acabam, nas redes sociais, exploradas conforme os pendores ideológicos, políticos e partidários de segundos, terceiros, quartos e quintos interessados.
É o que está acontecendo com publicação que consta da página 169 do Diário Oficial do Estado da última sexta-feira (8). No Aviso nº 22, o Conselho Superior do Ministério Público menciona os itens que estarão em pauta para deliberação do CSMP na próxima sexta-feira, dia 15 de outubro. Entre os itens, está o Processo nº 000270-151/2015 (veja imagem que aparece no alto).
As partes apregoadas, como vocês mesmos podem ver, são o próprio MPPA, como requerente, e como requeridos a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) e a então vereadora Marinor Brito, que atualmente cumpre o mandado de deputada estadual (PSOL).
Confiram o assunto do processo em pauta: "Apurar possíveis irregularidades quanto aos atos dos agentes da Semob, a partir de denúncias de cobranças abusivas de taxas de guincho e abuso de autoridade, não utilização da empresa vencedora da licitação, além de suposta exigência da gestora da autarquia quanto ao cumprimento de metas em relação à aplicação de multa pelos agentes de trânsito".
Redação enganosa - A confusão começa aqui: é enganosa, totalmente enganosa, a redação do assunto do processo ao colocar a então vereadora como requerida. Isso porque estão sendo apuradas irregularidades envolvendo, de um lado, a Semob e, de outro, a "gestora da autarquia", que não era, evidentemente, a então vereadora. É o que se depreende, pelo menos, do assunto indicado no processo.
Onde é que Marinor entra nessa história, portanto? Ela entra na condição de denunciante. Mas o MPPA a coloca como requerida, ou seja, como alvo de uma apuração, de uma investigação sobre suposto ilícito que o Ministério Público pretende esclarecer e que se arrastou cerca de cinco anos sem qualquer esclarecimento. E adiante-se logo: o relator vai pedir, na próxima sessão do Conselho, que o feito seja simplesmente arquivado.
E se um jornalista redige uma notícia e põe a deputada Marinor Brito como alvo de investigação, ele estará divulgando uma fake news, como estão dizendo a parlamentar e seus apoiadores nas redes sociais? Não. O jornalista não está divulgando fake news.
Se a deputada Marinor Brito, como já manifestou sua assessoria, não é a requerida, eis que foi ela quem denunciou, à época, supostas irregularidades na operação dos guinchos, então a parlamentar não pode brigar com jornalistas que eventualmente a colocam como requerida, porque não foram eles que a colocaram, e sim, ora bolas, o Ministério Público, conforme se pode ver claramente na imagem publicada no alto desta postagem.
E se um jornalista não acreditar que as partes que o Ministério Público apregoa nos seus processos estão mencionadas corretamente, então iremos acreditar em quem? Em Jair Bolsonaro, o maior mentiroso da história do País?
No processo, a denunciante - Agora, se vocês pensam que a confusão acabou, estão enganados. Porque ainda não acabou.
Consulte-se agora, na busca processual pública disponibilizada pelo próprio Ministério Público, o tal Processo nº 000270-151/2015, aquele que deve ir para o arquivo na próxima sexta-feira. Quando se busca o processo, espiem na imagem logo abaixo o que acontece: aí, sim, Marinor Brito está mencionada como figurando no polo ativo e a Semob, que ela denunciou, no polo passivo.



Na Portaria nº 002/2016-MP/4ª PJ/DPP/MA, que instaurou o procedimento investigatório, em janeiro de 2016, a promotora Helena Muniz Gomez diz claramente que as investigações têm como base (confiram na imagem mais abaixo) "a denúncia recebida nesta Promotoria de Justiça em 19/11/2015, em face da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém - Semob, através da vereadora Marinor Brito, pedindo providências para apurar possível cobrança abusiva de taxas, abuso de autoridade e o fato de a empresa vencedora da licitação para prestação do serviço de guincho não estar exercendo essa função".


Então, aí está a confusão: no Diário Oficial, o Ministério Público põe Sua Excelência a deputada Marinor Brito como requerida, ou como alvo de um procedimento investigatório. Mas, no processo, a parlamentar aparece como a fonte da denúncia que levou o Ministério Público a instaurar procedimento destinado a apurar supostos ilícitos cometidos pela Semob.
Pode um jornalista, que se basear apenas no processo mencionado pelo próprio MP no Diário Oficial, ser acusado de disseminar fake news? Não pode.
E se o MP equivocou-se ao fazer publicação vazada em termos dúbios, que enseja interpretações igualmente dúbias? Então convém que o MP investigue o MP.
Urgentemente.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Reportagem revela tabelinha inapropriada entre senador e um desembargador que fez, no Pará, boa parte de sua carreira na magistratura

Gilberto Pinheiro: troca de favores com Alcolumbre para beneficiar ex-servidora
do TJ do Amapá, segundo reportagem (foto extraída de matéria da revista Veja)

A nova edição da revista Veja, disponível nesta sexta-feira (8), dá destaque a uma tabelinha, digamos assim, no mínimo inapropriada entre um senador e um desembargador.

O senador é Davi Alcolumbre (DEM), ex-presidente do Senado e atual presidente da poderosa Comissão de Constituição e Justiça, que até agora não se dignou sabatinar André Mendonça, mais de dois meses depois da indicação dele, pela Presidência da República, para ocupar o cargo de ministro do Supremo.

O desembargador é Gilberto Pinheiro, atual corregedor do Tribunal de Justiça do Amapá. Amapaense de nascimento, ele fez boa parte de sua carreira no serviço público e na magistratura no estado do Pará, onde desempenhou as funções de delegado de Polícia, bacharelou-se pelo então Cesep e pela UFPA e atuou como juiz de Direito e juiz Eleitoral.

Com base num áudio que obteve, a revista revela uma gravação em que o parlamentar combina com uma mulher a melhor forma de lhe pagar um salário sem que ela precisasse trabalhar. O dinheiro seria debitado dos vencimentos que Alcolumbre, então deputado federal, recebia da Câmara.

Longe de ser um ato de benemerência, o ato, de acordo com Veja, atendia ao pedido de um amigo de Alcolumbre, o desembargador Gilberto Pinheiro, que precisava resolver, com relativa urgência, uma questão pessoal envolvendo Tatielle Pereira de Castro, a mulher que aparece no áudio e que era funcionária do TJ do Amapá. "Ela trabalhou durante quase dois anos no tribunal, até que surgiram certos rumores sobre a natureza dessa proximidade, o que acabou resultando em sua exoneração", afirma textualmente a reportagem.

Auxílio-desemprego - Para não deixar a ex-funcionária desassistida, o desembargador pediu ao senador que patrocinasse uma espécie de auxílio-desemprego para Tatielle. Foi quando os dois - Alcolumbre e Tatielle - se encontraram para combinar os detalhes de como essa ajuda seria operada. Sem que o senador soubesse, Tatielle gravou a conversa. Nela, o congressista se compromete a pagar uma mesada à ex-funcionária do TJ durante dois anos, incluindo férias e décimo terceiro - mas tudo de maneira informal, às escondidas. Além disso, atendendo a um outro pedido do amigo desembargador, Alcolumbre se compromete a ajudar a comprar um carro para Tatielle.

A conversa gravada levanta suspeitas de relações impróprias entre autoridades, troca de favores, nepotismo cruzado e mau uso do dinheiro e das funções públicas. Ao negociar a mesada com Tatielle, por exemplo, o senador cita que o valor seria correspondente ao que sua esposa, Liana Gonçalves de Andrade, iria receber como funcionária do mesmo TJ-AP.

Procurado pela revista, o desembargador Gilberto Pinheiro, que é presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, não quis se manifestar. Tatielle disse que não se recorda de ter conversado com o senador e afirma que não recebeu dinheiro algum. Por meio de sua assessoria, Davi Alcolumbre informou que desconhece o assunto. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

As lágrimas de um repórter contrastam com a selvageria dos debochados


É tocante, para dizer o mínimo, essa imagem (veja no vídeo) que viraliza aí pelas redes sociais, mostrando o repórter Kléber Teixeira, da Globo de Natal (RN), chorando numa entrada ao vivo para informar que nenhuma morte por Covid-19 fora registrada num hospital da capital potiguar nos últimos 30 dias.
Repórteres, por mais incrível, inacreditável e estranho que possa parecer, são seres humanos.
E choram, portanto.
Simplesmente choram, ao vivo e em cores, quando se emocionam em certas circunstâncias.
Têm motivos bastantes pra chorar sobretudo os repórteres que, como Teixeira, ainda estão na linha de frente por quase dois anos, na cobertura dessa pandemia que já matou quase 600 mil pessoas em todo o País, entre elas mais de 270 jornalistas.
Kléber Teixeira foi traído, ou melhor, foi dominado pela mesma emoção - incontida, irreprimível e assoladora - que dominou tantos outros colegas tragados, por força de seu ofício, para o olho do furacão na cobertura de tragédias.
Foi o caso de Ari Peixoto, também da Globo, quando praticamente não teve condições de prosseguir numa reportagem ao citar colega jornalista que morreu na tragédia com o avião da Chapecoense, em que 71 pessoas perderam a vida, em novembro de 2016.
Também foi o caso do jornalista da SporTV Guido Nunes, que se rendeu às lágrimas ao receber um abraço de Ilaídes Padilha mãe do goleiro Danilo, outra vítima do voo da Chape.
E sobre o choro de Kléber Teixeira, registre-se, a bem da verdade e da história: ele, como milhões de brasileiros (amigos e familiares dos quase 600 mil mortos de Covid), choram porque são humanos, porque têm empatia, porque têm apego à vida, porque têm um mínimo e natural senso de humanidade.
Já os cruéis, os negacionistas, os desumanos, aqueles que, na sua função de líderes, deveriam demonstrar suficiente empatia para amenizar a dor dos brasileiros, todos esses, ao contrário, debocham, acham que ter medo da Covid é coisa de maricas e submeter-se à vacina é expor-se ao risco de virar jacaré.
Nesse sentido, as lágrimas de Kléber Teixeira são um bálsamo, porque, sendo essencialmente humanas, contrastam com a selvageria dos debochados.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Assembleia aprova aumento, Seduc vê "campanha de desinformação" e professores, mesmo com aumento, vão à greve geral


Por 31 votos a um, a Assembleia Legislativa aprovou, na tarde desta terça-feira (5), projeto de lei do governo do estado que dispõe sobre a remuneração dos profissionais da educação básica da rede pública de ensino do Estado do Pará.

A matéria do Executivo deu entrada nesta segunda-feira (4) no Poder Legislativo pelas mãos do próprio governador Helder Barbalho e teve sua tramitação acelerada com a discussão e votação do parecer favorável na reunião de três Comissões Permanentes: Constituição e Justiça (CCJ); Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO) e Educação. A reunião conjunta aconteceu hoje, antes do início da sessão plenária.

A proposta do governo atingirá cerca de 40 mil professores da rede pública, vai injetar R$ 850 milhões em aumentos salariais dos trabalhadores em educação, reajustando em 24% o vencimento-base do magistério vinculando a este percentual as gratificações como a de escolaridade progressiva, a gratificação de magistério na educação especial e a do Some.

Insatisfação - A categoria, no entanto, está insatisfeita. Muito embora reconheça que o aumento é positivo, argumenta que no futuro os prejuízos serão significativos em relação a ganhos e direitos já conquistados, sobretudo porque as aulas suplementares passarão a ser desvinculadas do vencimento-base e assim não mais resultarão num ganho de 20% sobre a hora-aula normal. Com a desvinculação, os professores não mais terão esses 20%, e o efeito-cascata que se estende sobre todas as outras remunerações deixará de existir.

A insatisfação levou os professores estaduais a marcarem uma greve que deve ter início no dia 13 deste mês. Mas a Secretaria da Educação garante, literalmente, que "ninguém vai perder de nada". Em nota divulgada nesta terça (veja abaixo), a secretária Elieth Braga avalia que está em curso o que ela classifica de "campanha de desinformação, patrocinada nas redes sociais com objetivos políticos estranhos aos interesses dos professores".



Helder festeja aumento de 40% aos professores. Mas a categoria considera os efeitos "nocivos" e marca greve geral.


Uma coisa é o aumento. Outra coisa são os efeitos - que professores avaliam como nocivos - do aumento no contracheque dos profissionais da educação básica da rede pública de ensino do Pará, conforme previsto no projeto de lei entregue nesta seginda-feira (4), pessoalmente, pelo governo Helder Barbalho ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Chicão. A matéria ficou de ser votada em segundo turno ainda hoje. Insatisfeitos com a proposta, os professores marcaram para o dia 13 de outubro o início de uma greve em todo o estado.
O projeto reajusta o vencimento-base e mantém as vantagens percebidas, com ajustes na sistemática de cálculo. A gratificação de titularidade passará a ser paga não mais em percentuais sobre o vencimento-base, mas em valores constantes do Anexo II, de acordo com os cursos de pós-graduação e carga horária do vencimento, ressaltando que os valores serão superiores aos atualmente percebidos.
“Nós estamos entregando à Alepa um ousado plano de valorização dos servidores do magistério, que representará aumento linear de 40% no vencimento de todos os 40 mil servidores professores, numa média geral de remuneração chegando a 24%, sem tirar direitos, garantindo que a valorização seja um instrumento para que possamos construir um grande movimento em favor da educação, passando por investimentos em escolas, em um processo pedagógico moderno, sabendo que a valorização dos servidores é determinante para que a qualidade da educação em todo o Estado seja melhorada. Isso significa mais R$ 850 milhões na folha de pagamento do Estado, a partir deste mês de outubro, uma demonstração muito clara de que o governo reconhece os trabalhadores do magistério não apenas no discurso, mas acima de tudo com atos. Este, certamente, é o maior aumento das últimas décadas”, festejou Helder. Os professores estaduais, no entanto, parece que não estão comemorando.
Distorções - Isso porque o dito aumento aumento linear de 40%, com média geral de remuneração chegando a 24%, contém nuances que, conforme membros do Sintepp, acabará resultando em graves distorções nos vencimentos da categoria no futuro.
Nesse áudio que circula nas redes sociais, o professor Abel Ribeiro (veja no vídeo acima), coordenador da Secretaria de Assuntos Jurídicos do sindicato, explica que a maior distorção está na questão das aulas suplementares, que na prática representam a hora extra para os professores que trabalham além da jornada de 40 horas semanais.
Na proposta, explica o professor, as aulas suplementares são desvinculadas do vencimento-base e assim não mais resultariam num ganho de 20% sobre a hora-aula normal. Com a desvinculação, os professores não mais terão esses 20%, e o efeito-cascata que se estende sobre todas as outras remunerações deixará de existir.
"Então, isso será um problema para o futuro. Tu tens um aumento no salário agora, mas no futuro tu terá uma queda gradativa dos salários. Então, o discurso para a sociedade é de que há ganho, mas na real o salário vai ter um achatamento com o tempo, porque as vantagens que eram recebida em cima de um percentual do vencimento vão mudar. [...] Nesse sentido é que a proposta é extremamente nociva para o conjunto da categoria", diz Ribeiro.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

No Brasil, o status de ladrão depende da natureza do mandato. Tente entender o Brasil!


É fato, meus caros: toda vez que você quiser testar seu nível de inteligência ou o nível de racionalidade nas deliberações dos nossos homens públicos, então pegue um Ita (pode ser no Norte, no Sul, em qualquer lugar) e vá embora pro Brasil.
Este País, definitivamente, não é digerível por qualquer um. Não mesmo.
Vejam esse nova lei de improbidade administrativa, que o Senado aprovou na semana passada e contém excrescências, como diria o velho Nelson, sesquipedais.
O projeto promove mudança expressiva na legislação em vigor sobre improbidade, que é de 1992. Dos 25 artigos, somente dois não são modificados pela proposição.
Entre outras coisas, o projeto estabelece que, em casos de enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres públicos, a sanção de perda de função pública atinge somente o vínculo de mesma natureza da época que o político cometeu a infração.
Exemplo: se um deputado federal for condenado por improbidade em razão de fatos da época em que era um deputado estadual, por exemplo, ele não pode perder o mandato.
Entenderam bem?
Então, é assim: se você é um prefeito, aproveite e esvazie as burras à vontade. Depois disso, eleja-se para um mandato qualquer e continue na vida pública por mais 400 anos. Porque você jamais perderá seu mandato, já que foi um ladrão apenas como prefeito. Mas depois, em mandatos de outra natureza, você automaticamente estará purificado.
Entenderam?
Esse é o Brasil, a nossa Pátria amada!

sábado, 2 de outubro de 2021

Sebastião Tapajós: o gênio que se valia de suas raízes santarenas e amazônicas para nutrir um talento incomparável

Sebastião Tapajós: ele se projetou nos palcos da Europa. Mas era em Santarém e na
Amazônia que gostava de estar, de viver e lapidar a sua genialidade.
(Foto extraída do portal do instituto que leva o nome do artista)

A morte do violonista Sebastião Tapajós aos 78 anos, ocorrida neste sábado (2), num hospital particular em Santarém, é um golpe para todos: para os santarenos, para os paraenses e para a cultura musical amazônida e brasileira.

A primeira vez em que assisti a uma apresentação de Sebastião Tapajós foi no final dos anos 1970, quando ele esteve no colégio em que eu estudava (acho que no antigo Científico), o Dom Amando. Desde então, não parei mais de ficar atento às suas audições. E a última em que estive foi, se não estou enganado, no Theatro da Paz, em 2019.

Sebastião Tapajós foi aquele gênio - gênio mesmo, sem qualquer exagero - que se nutria de suas raízes, que embebia o seu talento dos cantos e encantos do seu torrão para exprimi-lo em acordes incomparáveis que ele extraía do violão.

Adolescente, e ainda morando em Santarém até 1978, na orla da cidade - banhada, como vocês sabem, pelo majestoso Rio Tapajós -, eu o via passar na frente de casa, acompanhado de amigos, para ir pescar. Uma rotina que sempre manteve e que traduzia a sua simplicidade.

Mesmo tendo-se projetado nos melhores palcos da Europa e até da Ásia, sobretudo no Japão, Sebastião Tapajós sentia-se bem mesmo quando estava em Santarém, que hoje pranteia sua partida para a eternidade, em decorrência de complicações que advieram de uma cirurgia cardíaca.

Formado pelo Conservatório Nacional de Música de Lisboa, em Portugal, Sebastião Tapajós estudou guitarra na Espanha com Emilio Pujol e cursou o Instituto de Cultura Hispânica. No Brasil, recebeu a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de Belém, onde lecionou até julho de 1967.

Ao longo de sua carreira, tocou com nomes conhecidos da MPB como Hermeto Pascoal, Jane Duboc, Zimbo Trio, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Maurício Einhorn e Joel do Bandolim, e internacionais como Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Oscar Peterson e Paquito D'Rivera. Na Europa, pontificou por mais de duas décadas e tornou-se respeitado sobretudo na Alemanha.

Compôs várias canções, em parceria com Marilena Amaral, Paulinho Tapajós, Billy Blanco, Antonio Carlos Maranhão, Avelino V. do Vale e outros compositores. Entre os intérpretes de suas canções estão artistas como Emílio Santiago, Miltinho, Pery Ribeiro, Jane Duboc, Maria Creuza, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Ana Lengruber e Cristina Caetano.

Em 2013, Sebastião Tapajós recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Pará e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Em 2017, foi criado o Instituto Sebastião Tapajós, que realiza projetos em benefício da população local e da preservação da Floresta Amazônica, apoiando a cultura e a educação ambiental.

Esse é o talento que acabamos de perder.

Um talento que agora rebrilha na eternidade.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A sociopatia usa uma criança para exibi-la como troféu da crueldade. Isso não é um crime?

Sociopata cruel, Jair Bolsonaro comete mais uma de suas crueldades.

E para isso volta a usar crianças.

Essa foto aí, na qual o rosto da criança aparece desfocado, para impedir a sua identificação, foi feita durante visita que o presidente da República fez a Belo Horizonte nesta sexta-feira, 30 de setembro.

A Folha de S.Paulo publicou essa mesma foto na primeira página de sua edição desta sexta (1), sem desfocar o rosto da criança (um equívoco deplorável, a meu ver).

Como não desfocou o rosto, pode-se ver perfeitamente que a expressão da menina, que aparece com uma arma de brinquedo na mão, vestida de policial, revela um misto de medo, espanto e incapacidade de compreender o constrangimento a que está sendo submetida.

Isso não será um crime?

Não será uma violência inominável submeter menor de idade, sem capacidade nenhuma de discernimento, ao constrangimento de empunhar uma arma que, mesmo sendo de brincadeira, é símbolo de morte, de violência, de extermínio, de atentado à vida, de agressão?

Num caso horroroso como esse, não cabe ao Ministério Público responsabilizar menos o sociopata (que não sabe mesmo o que faz e nem tem empatia com nada e ninguém), e mais os pais da criança, que irresponsavelmente permitiram que a filha fosse exibida como um troféu das teses de que o uso indiscriminado de armas é um requisito básico e essencial para a boa convivência social?

Que horror, meus caros.

Que tempos, este em que vivemos!

Mas até tu, Michelle?


Mas isso é que é, gente!
A primeira-dama Michelle Bolsonaro, como aqui já se disse algumas vezes, tem primado pelo recato, pela reserva e pela discrição desde que o sociopata, seu marido, assumiu o governo, em 1º de janeiro de 2019.
Raríssimas vezes ela aparece em cerimônias oficiais, ao lado do dito cujo.
E mais raro ainda é vê-la em viagens, se bem que na mais recente, para Nova York, ao lado do consorte, foi alvo de uma indiscrição que a expôs como protagonista de uma grande polêmica.
Pois é.
Mas a Michelle reservada, recatada e discreta é a mesma, vejam só, que age - e ativamente, parece - nas sombras.
É o que mostra reportagem de capa da Crusoé, que está disponível para assinantes desde a manhã desta sexta-feira (1).
A revista digital obteve documentos exclusivos mostrando que dona Michelle, na moita, interferiu pessoalmente para favorecer empresas adeptas do bolsonarismo durante a pandemia do coronavírus Covid-19.
A reportagem revela que empréstimo foram liberados pela Caixa depois que a primeira-dama falou com o presidente do banco, Pedro Guimarães, e enviou e-mais com uma lista de indicados.
E pensar que o discurso - hipócrita, mentiroso e inconsistente - desse governo e de seus apoiadores é de que todos os atos do bolsonarismo são marcados pela transparência, pela limpidez ética, pela preocupação com a Pátria amada e pelo apego ao mais elevado interesse público.
Então, tá!
E essa patranha toda é proclamada em meio a denúncias de rachadinhas, envolvendo o Zero Um, o Zero Dois e o próprio sociopata; o envolvimento - concreto, evidente, clamoroso - da família Bolsonaro com milicianos; o escândalo da compra da Covaxin, que só não se concretizou por causa da CPI da Pandemia; a rendição do governo Bolsonaro ao Centrão, o maior grupo fisiológico abrigado sob o guarda-chuva do Congresso; e por último, mas não menos importante, o agora revelado empenho da recatada primeira-dama em favor de empresários amigos do rei.
Eis a nova política!
Avante, Brasil!