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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Atingidos por vazamentos químicos da Hydro se mobilizam para audiência de quinta-feira
Moradores de comunidades de vários rios contaminados pelo vazamento de rejeitos químicos dos depósitos de contenção da Hydro, em fevereiro do ano passado, em Barcarena, passaram o sábado e o domingo em reuniões preparatórias para a manifestação da próxima quinta-feira, dia 21, em frente ao Fórum Cível de Belém.
A partir das 8h, eles vão se concentrar na Praça Felipe Patroni para acompanhar a audiência de justificação que vai instruir o juízo da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital a conceder, ou não, decisão liminar cassando licenças para mineradoras operarem em Barcarena e Paragominas, conforme pedido que consta de ação impetrada pela Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama).
Na semana passada, o juiz Raimundo Santana manteve a audiência para o dia 21, ao rejeitar pedido de cancelamento feito pelas empresas.
As fotos foram remetidas ao blog por integrantes da Cainquiama.
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Justiça mantém para quinta-feira audiência de justificação sobre o caso Hydro
O juiz Raimundo Santana, da 5ª Vara da Fazenda
Pública da Capital, em decisão assinada no último dia 14 deste mês (veja aqui
a íntegra), manteve para a próxima quinta-feira (21) a audiência de
justificação em ação ajuizada pela Associação dos Caboclos, Indígenas e
Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), que pede para ser cassada a licença
ambiental concedida às mineradores ligada à Norsk Hydro Brasil Ltda., inclusive
a Hydro, depois que, há um ano, dejetos químicos vazaram dos depósitos de contenção da Hydro, no município de Barcarena (veja as imagens).
A Cainquiama convidou deputados para a audiência e está convocando para uma manifestação na Praça Felipe Patroni, em frente ao Fórum Cível, a partir das 8h de quinta-feira.
No último dia 11 de fevereiro, as empresas, em petição assinada por seu patrono, o escritório Silveira, Athias, Soriano de Mello Guimarães, Pinheiro & Scaff, solicitou que a audiência fosse cancelada. Entre outros argumentos, a defesa aponta que ação idêntica, com as mesmíssimas razões e as mesmas causas de pedir, já tramita na Justiça Federal, daí porque haveria litispendência entre as demandas.
A Cainquiama convidou deputados para a audiência e está convocando para uma manifestação na Praça Felipe Patroni, em frente ao Fórum Cível, a partir das 8h de quinta-feira.
No último dia 11 de fevereiro, as empresas, em petição assinada por seu patrono, o escritório Silveira, Athias, Soriano de Mello Guimarães, Pinheiro & Scaff, solicitou que a audiência fosse cancelada. Entre outros argumentos, a defesa aponta que ação idêntica, com as mesmíssimas razões e as mesmas causas de pedir, já tramita na Justiça Federal, daí porque haveria litispendência entre as demandas.
Acrescenta ainda que os profissionais indicados
na petição da Cainquiama estariam na condição de suspeitos, uma vez que “aconselharam
a associação autora acerca do objeto da causa (CPC, Art. 145, II) e são pública
e notoriamente interessados no julgamento do processo em favor da parte autora
e, especialmente, contrários às empresas requeridas.”
A defesa das mineradores mencionada também o
pesquisador Marcelo de Oliveira Lima, do Instituto Evandro Chagas, que “foi a
público em diversas ocasiões para comentar e opinar sobre o supracitado evento
e as avaliações conduzidas pelo referido órgão de saúde pública, sob sua
coordenação.”
Mesmo
diante das alegações das mineradores, o juiz manteve a audiência, para que
sejam ouvidos os técnicos indicados pela Cainquiama, antes de decidir se
concede ou não a liminar pleiteada.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Audiência pública nesta sexta-feira discute o caso da Hydro, que completa 1 ano
Será nesta sexta-feira (15) a nova audiência pública convocada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) relacionada ao caso dos lançamentos irregulares de água da chuva não tratada pela empresa Hydro no Rio Pará, denunciados em 17 de fevereiro do ano passado por várias comunidades de Barcarena (PA).
A audiência pública será realizada das 9 às 13 horas na igreja da Assembleia de Deus do bairro Vila dos Cabanos, em frente à Praça de Alimentação, em Barcarena. O evento é aberto a todos os interessados, até a capacidade máxima de público no espaço, que é de mil pessoas.
O MPF e o MPPA vão informar as comunidades sobre as iniciativas das duas instituições relativas ao cumprimento do Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta (TAC) que o estado do Pará e a empresa Hydro Alunorte assinaram com os MPs em setembro.
A força-tarefa do MPF e do MPPA para o caso também pretende colher propostas, críticas e sugestões da população, para implementar a segunda fase de cadastramento de pessoas atingidas pelo vazamento de efluentes oriundos da planta industrial da empresa Hydro.
Além disso, serão discutidos os critérios de participação de representantes das comunidades e categorias atingidas pela ação da Hydro Alunorte, objetivando a composição do Comitê de Acompanhamento do referido TAC-Emergencial.
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Mais uma patacoada da Hydro
ISMAEL MORAES – advogado socioambiental
Enfim, os Ministérios Públicos resolveram
responder às “notas oficiais” publicadas pela multinacional Norsk Hydro acercada sua paralisação, por ela se sentir a prima-dona da economia do Pará – e por
ter o governo Jatene, com sua proverbial incompetência e corrupção, como refém
de suas vontades.
Causou espécie quando, por ocasião da assinatura
do TAC, a mineradora norueguesa publicou que as autoridades (inclusive MPs)
concluíram que não ocorreu vazamento e que suas instalações estavam licenciadas
e sem irregularidades, mas mesmo assim a Força Tarefa dos MPs manteve-se
calada, não desmentiu as afirmações.
Só agora, depois de tentar se passar por vítima
de novo, sugerindo que a causa da sua paralisação deve-se a alguma
intransigência das autoridades (a Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça
do Pará foi decisiva na proteção dos interesses difusos e coletivos da
sociedade paraense) é que o MP responde por meio de uma nota curta e grossa,
mas que resume com perfeição o estado de inacreditável irregularidade como
funcionava o Grupo Norsk Hydro no Pará, com uso de canais, dutos, drenos e
galerias clandestinas para despejo diário e diretamente, sem tratamento, de
rejeitos químicos e resíduos sólidos nos rios da região, inclusive com risco às
aguas que abastecem a população de Belém, flagrados por vistoria de Peritos
Criminais e de cientistas do Instituto Evandro Chagas, órgão do Ministério da
Saúde responsável pela vigilância sanitária e ambiental sob o aspecto da saúde
humana.
A Hydro entende que pode trocar os empregos que
oferece pela saúde e pela vida de mais de 100 mil pessoas, na lógica nazista de
campo de extermínio herdada dos tempos em que produzia óxido de deutério,
insumo fundamental para a fabricação de bombas para a indústria militar de
Hitler durante a Segunda Guerra Mundial (ver o excelente
www.youtube.com/watch?v=s1MxX-6cxuE), até que os norte-americanos destruíram
essas instalações da Norsk Hydro. Mas ela ressurgiu...
Será que essa será a última patacoada da Hydro?
Desde que foi flagrada, ela protagonizou tanta
palhaçada que é difícil acreditar que seu estoque de criatividade em passar
pelo ridículo tenha se esgotado: primeiro negou as irregularidades, mas
confrontada com fatos irrespondíveis, acabou admitindo os crimes pela boca do
presidente mundia da empresa, o norueguês Svein Brantzaeg... mas eis que, logo,
após voltou a negá-los, como se nada tivesse acontecido!
Quando se pensava que isso seria o limite,
ajuizou uma ação contra o Ministério Público acusando-o de estar utilizando
laudos e pareceres “falsos” do Instituto Evandro Chagas, que é uma das
instituições científicas mais importantes do Mundo, referência internacional de
estudos de saúde humana. Na CPI da Alepa que investigou as atividades
delituosas da mineradora, a Norsk Hydro apresentou uma “consultoria”, que não
resistiu aos interrogatórios, e cujos “pesquisadores” admitiram ser
fraudulentos os resultados apresentados para confrontar as conclusões do
Instituto Evandro Chagas e do Laboratório de Química Analítica da UFPA.
Agora, não mais que de repente, a Hydro tenta
mais um golpe, buscando uma espécie de “extorsão”, afirmando que está sendo
impedida de funcionar sem que haja motivos, por intransigência do Poder
Judiciário e do MP, e que isso causará o desemprego de milhares de pessoas.
A Hydro faz isso não apenas porque conta com
mais do que a cumplicidade das autoridades ambientais do Governo do Pará – a
relação está comprovada de ser de co-autoria, as autoridades do governo Jatene
são verdadeiros comparsas no grande rosário de práticas nocivas à sociedade
paraense.
A
Hydro faz isso também porque os MPs, inexplicavelmente, continuam mantendo
impunes os executivos da mineradora norueguesa, e essa sensação de estar acima
das leis faz com que eles sigam no espetáculo de Vaudeville, em que não apenas
os membros do parquet são expostos, mas em que toda a nossa cidadania é
apresentada como o palhaço principal nesse circo de horrores.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Hydro Alunorte encerra suas atividades no Pará
A refinaria Hydro Alunorte anunciou na manhã desta quarta-feira (03), em seu site, que decidiu suspender totalmente suas atividades. Essa é uma das consequências do desastre ambiental ocorrido em fevereiro deste ano, que contaminou as águas do município de Barcarena de rejeitos químicos, conforme constataram laudos do Instituto de Perícias Científicas.
A suspensão das operações da empresa foi anunciada através de nota oficial. O teor, na íntegra, está abaixo e pode ser lido também aqui.
A refinaria de alumina Hydro Alunorte anuncia hoje, 3 de outubro, que a planta suspenderá totalmente sua operação. A decisão foi tomada após se verificar que a área de depósito de resíduos de bauxita 1 (DRS1) está próxima de atingir sua capacidade, devido ao embargo que impede o uso do filtro prensa, tecnologia de última geração, e da recém-desenvolvida área de depósito de resíduos de bauxita (DRS2).
outubro 3, 2018
A Alunorte está operando com 50% de produção desde março, após embargos das autoridades brasileiras. As autoridades ambientais confirmaram que não houve vazamento ou transbordamento das áreas de resíduos. Os embargos impediram a Alunorte de utilizar a mais nova área de depósito de resíduos de bauxita (DRS2), que estava em comissionamento em fevereiro, e a tecnologia de filtros prensa, que representam um investimento de mais de R$ 1 bilhão. O filtro prensa é a tecnologia mais moderna e sustentável para depositar resíduos de bauxita, reduzindo a área de armazenamento necessária e a pegada ambiental. A Alunorte desde o embargo fez esforços sem sucesso junto as autoridades para ter permissão para utilizar o filtro prensa, bem como o DRS2.
Devido ao embargo, a Alunorte foi forçada a operar apenas o DRS1, que foi originalmente planejado para ser encerrado, e os filtros tambor menos eficientes. O DRS1 está, portanto, se aproximando de seu fim de vida mais rápido do que o previsto, forçando a Alunorte a tomar a decisão responsável de encerrar temporariamente 100% de suas operações. Isso terá efeito imediato na mina de bauxita de Paragominas, que também suspenderá 100% das operações. Tanto a Alunorte quanto a mina de Paragominas iniciaram o processo de desligamento com segurança.
“Nosso time tem trabalhado duro nos últimos sete meses para manter operações seguras e preservar empregos. Este é um dia triste, pois temos a tecnologia mais avançada do mundo para continuar com operações seguras, que estamos impedidos de utilizar. Isso afetará empregos, comunidades, fornecedores e clientes”, diz John Thuestad, Vice Presidente Executivo de Bauxita & Alumina da Hydro.
A Hydro está trabalhando em colaboração com os sindicatos e fará o máximo para reduzir as consequências para os empregados, mas a decisão de paralisar as operações da Alunorte e da Mineração Paragominas afetará empregos diretos e indiretos em ambas as unidades.
Embora seja cedo demais para determinar o impacto total, a decisão de paralisar a Alunorte e a Mineração Paragominas terá consequências operacionais e financeiras significativas, potencialmente também para o portfólio de alumínio primário da Hydro, incluindo a Albras.
“Continuaremos trabalhando de forma construtiva com as autoridades para suspender o embargo e retomar as operações, a fim de restabelecer a Alunorte como a maior refinaria de alumina do mundo”, diz Thuestad.
Histórico
Nos dias 16 e 17 de fevereiro, a cidade de Barcarena, onde está localizada a refinaria de alumina Alunorte, foi atingida por chuvas extremas que se estenderam pelos dias seguintes, causando alagamentos na região.
Auditorias internas e externas confirmam que não houve vazamento ou transbordo dos depósitos de resíduo de bauxita e não há indícios de contaminação decorrentes do evento da chuva de fevereiro.
Desde 1º de março, a Alunorte opera com uma redução de 50% na sua capacidade por determinação da Justiça, que acatou pedido da SEMAS. Consequentemente, a mina de bauxita de Paragominas e a Albras também reduziram suas produções em 50%.
Tanto a refinaria quanto a mineradora concederam férias coletivas para cerca de mil empregados para mitigar os impactos da redução das atividades. Em julho, a Mineração Paragominas precisou suspender temporariamente os contratos de trabalho de 80 empregados e reduzir 175 posições terceirizadas.
Em 5 de setembro, a Alunorte assinou dois acordos representando um marco para retomar as operações normais. Os contratos incluem um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado entre a Alunorte - Alumina do Norte do Brasil SA, a Norsk Hydro do Brasil Ltda, o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), o Governo do Estado do Pará, representado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS). Além disso, foi assinado um Termo de Compromisso (TC) social entre a Alunorte - Alumina do Norte do Brasil SA e o Governo do Estado do Pará. O TAC promove melhorias técnicas, auditorias, estudos e pagamentos de cartões de alimentos para famílias que vivem na área hidrográfica do rio Murucupi, enquanto o TC aborda esforços adicionais e investimentos relacionados ao desenvolvimento social das comunidades em Barcarena.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
MPF e MPPA investigam denúncia de novos vazamentos
O Ministério Público recebeu por volta das 14
horas desta quinta-feira (14) uma denúncia de que estavam ocorrendo novos
vazamentos na área do Depósito de Rejeitos Sólidos n° 2 (DRS-2) da refinaria de
alumina Hydro Alunorte, em Barcarena (PA), e de que inclusive estaria ocorrendo
uma movimentação de maquinário no local.
A partir disso o Ministério Público requisitou à Secretaria de Estado de Meio
Ambiente (Semas), à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), ao Centro de
Perícias Renato Chaves, ao Instituto Evandro Chagas (IEC) e aos técnicos do
Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (Gati) que fossem ao local constatar a
situação.
Os técnicos foram imediatamente ao local e, ao chegarem à área, constataram que estava realmente ocorrendo uma intervenção da empresa com maquinário na área de intervenção do DRS-2.
Foram coletadas pelo IEC amostras de água para análise, pois existia uma área bastante inundada. A situação será verificada e, se confirmado atentado à decisão judicial em vigor, levada ao Judiciário.
Os integrantes da força-tarefa notificaram a empresa Hydro para que preste esclarecimentos em até 48 horas.
Os técnicos foram imediatamente ao local e, ao chegarem à área, constataram que estava realmente ocorrendo uma intervenção da empresa com maquinário na área de intervenção do DRS-2.
Foram coletadas pelo IEC amostras de água para análise, pois existia uma área bastante inundada. A situação será verificada e, se confirmado atentado à decisão judicial em vigor, levada ao Judiciário.
Os integrantes da força-tarefa notificaram a empresa Hydro para que preste esclarecimentos em até 48 horas.
Fonte: Assessoria de Imprensa do MPF
quarta-feira, 21 de março de 2018
Hipocrisia, cinismo, corrupção e violência em dois mundos
Do leitor que se identifica como AHT, sobre a
postagem Os
desocupados e os desempregados no Pará, artigo do advogado Ismael
Moraes:
O Terceiro Mundo é esse caos em meio à corrupção
e violência. O Primeiro Mundo é essa hipocrisia e cinismo: cometem crimes
ambientais no Terceiro Mundo e, na maior cara de pau, pedem
"desculpas" como se fosse um simples pisão no pé de alguém.
Noruega, Noruega de alto grau de educação e
bem-estar do seu povo, às custas de outros povos eternamente explorados?
segunda-feira, 19 de março de 2018
Os desocupados e os desempregados no Pará
ISMAEL
MORAES – advogado socioambiental
Não consta que o setor florestal paraense tenha
colocado em risco de envenenamento nenhuma pessoa, mas nos últimos 7 anos o
governo Jatene eliminou de 80 mil a 100 mil postos de trabalho na atividade
madeireira e de lenhosos.
Essa mão de obra desempregada, essencialmente
rural e sem qualificação, migrou para os centros urbanos, como a grande Belém,
e é o epicentro social causador da explosão de violência e miséria que “elevou”
(a que méritos chegamos!) nossa Região Metropolitana como um dos locais mais
violentos e com uma das piores qualidades de vida do Mundo.
Isso poderia ter sido evitado bastando ser
criada conferência entre os empresários, os sindicatos de trabalhadores e o
setor técnico-científico. Isto porque o Pará possui um corpo de engenheiros
florestais e agrônomos, tendo como base a Embrapa/PA e a Ufra, entre os mais
capacitados do mundo no domínio da melhor tecnologia de ponta em ciências
florestais e de produção madeireira. Mas nos dois mandatos, o governo Jatene
colocou na Semas pessoas alheias a esses conhecimentos, os quais, por sua vez,
lotaram em postos-chave servidores de mediocridade proverbial, que sequer
conhecem e, por isso, nunca poderia adotar os estudos científicos, eliminando
qualquer possibilidade de desenvolver esse potencial produtivo legal, numa área
em que temos vocação econômica, e que não legalizada permitirá que a
clandestinidade corra à solta, mas gerando riqueza em outros Estados.
Na manhã inteira entrando pela tarde de
sexta-feira, dia 16, boa parte do “governo” de Simão Jatene, incluindo o
próprio, estiveram (des)ocupados em atividades que não se pode dizer que tenham
sido uma vadiagem inútil: de cerimônias de autopromoção à boemia tendo à frente
como estrela o próprio Jatene na cantoria e no violão instalados no
auditório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semas), da qual participou
ainda ainda a cúpula dessa Secretaria.
Não se pode atribuir o rótulo inofensivo de
inútil quando desocupados ocupam cargos fundamentais à sobrevida das atividades
econômicas e sociais e, assim, impedem que agentes trabalhadores, honestos e
eficientes ajudem no licenciamento de empreendimentos geradores de riquezas
(como de empresários agropecuários, as vítimas preferenciais do infindável
burocratismo que alimenta os círculos viciosos corruptos de dificuldades
enredadas num matagal normativo de portarias, resoluções e instruções
normativas).
O passatempo desses desocupados e de seus
convidados (os emblemáticos Luiz Fernandes Rocha, Secretário de Segurança, e o
deputado federal Wladimir Costa mantiveram-se abraçados confraternizando
sabe-se lá o que) não se pode também chamar de inútil pela grande
nocividade das suas omissões: o funcionamento assassino de estruturas
poluidoras como a da Hydro Alunorte não seria possível sem que essa trupe organizada
para permitir o crime não existisse ali, beneficiando-se com o conforto das
vantagens que lhes confere esse clima de festa e despreocupação.
Após os seus longos e constantes momentos de
festa nas repartições públicas, Jatene e sua trupe irão trabalhar, com a sua
obcecada preocupação unicamente nos 1.300 empregos da Hydro Alunorte, que são
mais importantes que as 60 mil vidas diariamente envenenadas pelos rejeitos
químicos que ela lança diretamente nos rios da região.
quinta-feira, 8 de março de 2018
A verdade é a principal vítima da Hydro e de seus asseclas
ISMAEL
MORAES – advogado socioambiental
O repórter da Rede Globo Fabiano Vilella, em
matéria no Fantástico de domingo
passado, resumiu toda a nossa revolta, indignação e até vergonha com apenas uma
pergunta feita ao presidente mundial da Hydro o norueguês Svein Richard
Brantzaeg: “A Hydro também comete crime ambiental na Noruega como faz no
Brasil?”
A resposta em inglês dada por Brantzaeg resumiu
toda à relação dele com o governo Jatene e com a estrutura em que esteve à
frente na Semas o delegado Luiz Fernandes até o dia seguinte ao estouro do escândalo:
“Nós respeitamos as legislações dos 40 países em que atuamos”.
Em bom português: onde “a lei” é a corrupção,
nós damos propina, resolvemos com “ponta”...
Logo depois que Brantzaeg foi a Barcarena na
sede da Hydro Alunorte, sábado passado, os empregados da mineradora norueguesa passaram
a apresentar sintomas de algo nunca registrado: o acometimento coletivo da
chamada “síndrome de Estocolmo”. Como se sabe, a “síndrome de Estocolmo” é o
estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de
intimidação, passa a nutrir simpatia, amor ou amizade pelo seu agressor.
Logo em seguida, na segunda feira, em vez de
exigirem condições de saúde, de meio ambiente de trabalho e de respeito e
dignidade às comunidades do entorno, os empregados da Norsk Hydro Alunorte
foram bater na porta do Ibama em Belém exigindo o desembargo da mineradora,
para que ela volte a funcionar sem cessar o envenenamento diário das águas dos
rios e igarapés, os lençóis freáticos, o solo e o subsolo de uma região
densamente povoada.
O norueguês Svein Richard Brantzaeg deve ser uma
especialista em hipnose coletiva por meio da “síndrome de Estocolmo”.
Até o presidente do sindicato dos químicos de
Barcarena, Gilvandro Santa Brígida, passou a defendê-la com unhas e dentes,
ele, a mesma pessoa que no ano passado denunciou diversas mazelas causadas pela
Hydro nas comunidades locais, em um seminário promovido pelo Ministério Público
Federal.
(Obs.: os membros do governo Jatene são imunes à
moléstia, porque agem conscientes dos seus negócios com a mineradora).
A Hydro iniciou uma campanha publicitária
maciça, utilizando dos seus empregados, e em conjunto com seus comparsas no
Governo Jatene.
No dia de hoje (07), o delegado Luiz Fernandes
Rocha, então todo-poderoso Secretário de Meio Ambiente que mantinha o controle
absoluto sobre o funcionamento da Semas, foi a uma rádio e disse que tudo isso
está acontecendo porque eu, o advogado das 105 comunidades representadas pela
Associação Cainquiama, “manipulo as comunidades”, porque eu sou candidato a
cargo eletivo e outras desculpas que não explicam o essencial.
Então, indago: quem manipula o Instituto Evandro
Chagas, centro de excelência científica mundial?
Quem manipula os Ministérios Públicos Federal e
Estadual, que identificaram várias fraudes perpetradas e mantidas no período em
que ele foi Secretário de Meio Ambiente?
Quem manipula as células das pessoas portadoras
de câncer, diabetes, demência e diversas outras doenças que vivem nas
comunidades do entorno da Hydro?
Ele pode responder bem a umas outras perguntas:
quem manipula os sistemas da Semas, onde foi apagado o registro da reserva
ecológica onde foram construídas as bacias de rejeito químico? Quem manipula a fiscalização
da Semas que nunca viu o dreno clandestino? Quem manipula o Departamento de
Licenciamento que deixou funcionar a bacia de rejeitos DRS 2 sem Licença de
Operação?
Delegado Luiz Fernandes, responda isso, sem
colocar culpa em ninguém.
Na segunda feira, dia 12 de março, às 14h,
estarei na Assembleia Legislativa para ser ouvido pela CPI e pela Comissão de
Meio Ambiente e Direitos Humanos. Vá lá que quero perguntar essas e outras,
diretamente, se os deputados estaduais permitirem.
segunda-feira, 5 de março de 2018
A macabra matemática norueguesa: 4 mil empregos por 60 mil vidas
ISMAEL MORAES – advogado socioambiental
O primeiro ministro inglês Winston Churchill, ao
resistir ao nazismo, fez a humanidade acreditar que, mesmo diante das maiores
dificuldades, o bem pode vencer o mal.
Nas suas “Memórias da Segunda Guerra Mundial”,
obras pelas quais recebeu o Nobel de Literatura em 1953, há uma passagem onde
revela o caráter hipócrita de alguns noruegueses: enquanto a Inglaterra
ameaçava a Alemanha caso invadisse a Noruega, uma missão da Marinha britânica
flagrou militares noruegueses dando cobertura, por meio de mentiras, a alemães
que mantinham 300 marinheiros ingleses aprisionados nos porões de uma
embarcação de Hitler. E o governo da Noruega sabia de tudo e colaborava com os
nazistas.
Nestas últimas semanas, os Ministérios Públicos
Federal e Estadual flagraram diversos crimes contra a humanidade perpetrados
pela mineradora noruguesa Hydro, após mais um de uma série de dezenas de
vazamentos/derramamentos de rejeitos químicos em que ela sempre sai impune, sem
pagar qualquer multa ou sem que algum dos seus executivos, brasileiros ou
noruegueses, seja preso.
Foi descoberto um dreno/sangradouro por onde a
Hydro despejava diretamente rejeitos químicos contendo enorme quantidade de
metais pesados (em especial o chumbo, veneno causador de câncer e diabetes) em
rios e igarapés que banham dezenas de comunidades em Barcarena, águas que
também se espalham pelas bacias hidrográficas e chegam às torneiras da
população da Grande Belém. Mesmo diante das evidências que a própria mineradora
foi obrigada a reconhecer, o governador Simão Jatene em pessoa continua a
afirmar inexistir irregularidades na empresa e afirma que a poluição e as
doenças são causadas pelas chuvas.
Foi necessário que o Ministro do Meio Ambiente
determinasse ao IBAMA o embargo das atividades da mineradora, assim como o juiz
de Direito de Barcarena Iran Sampaio.
Agora, a Fiepa e o governo Jatene estão fazendo
coro em tentar convencer a população do Pará a aceitar o produto de uma
matemática macabra dos noruegueses da Hydro: a mineradora ameaça demitir 4 mil
empregados (detalhe, quase todos não são paraenses) se o Ibama e o juiz de
direito de Barcarena Iran Sampaio continuarem a impedir que ela siga despejando
nos rios e igarapés os rejeitos químicos da bacia DRS 2. Começa-se a
perceber que uma parte da imprensa começou a fazer coro, ressaltando a perda
dos empregos, e quase nada dizendo ou dando pouca importância ao envenenamento
humano, ao risco de desastre ambiental e a toda a corrupção governamental
envolvida na questão.
Em 1940, quando tudo parecia perdido diante da
mortífera máquina de guerra nazista, Winston Churchill fez um memorável
discurso que elevou o moral do povo inglês. Disse que os britânicos lutariam em
todo e qualquer lugar, de qualquer forma. E resumiu: “Nós nunca vamos nos
render” (We shall never surrender).
Aos executivos da Hydro, que envenenam nossas
águas com a mesma frieza letal dos nazistas, nós paraenses e brasileiros
devemos mostrar que também nós nunca
vamos nos render!
quinta-feira, 1 de março de 2018
Juiz suspende parcialmente as operações da Hydro
O juiz Iran Ferreira Sampaio, da Vara Criminal
da Comarca de Barcarena, determinou liminarmente, nesta quarta-feira, a suspensão
parcial das atividades da Norsk Hydro, por entender que é “premente necessidade
de evitar tragédia que coloque em risco a vida das comunidades envolvidas e o
meio ambiente”. A empresa, de acordo com laudo do Instituto Evandro Chagas,
contaminou as águas da região com metais pesados, que escaparam de suas bacias
de rejeitos.
Ao apreciar medida cautelar proposta pelo
Ministério Pública, o magistrados também proibiu uso da bacia DSR2, “enquanto
não obtidos, cumulativamente, a Licença de Operação e demonstrada a sua
capacidade operacional eficiente e a segurança de sua estrutura, reavaliados os
taludes e todos os demais requisitos técnicos construtivos, adequados a um
padrão de chuva e de operação.
Sampaio determinou ainda a redução da produção
da planta industrial a um patamar equivalente a 50% da produção média mensal
dos últimos 12 meses ou ao menor nível de produção mensal verificado nos
últimos dez anos, o que for menor dentre os dois resultados.
O
descumprimento das medidas acarretará a incidência de multa diária de R$ 1
milhão à Hydro, além da responsabilização por crime de desobediência e até a
decretação da prisão preventiva do responsável pelo descumprimento da ordem.
A decisão ressalta que do MP, Semad, Semas e
Instituto Evandro Chagas, dentre outros órgãos, “já permitiram a formação de um
preocupante quadro de descontrole da atividade da empresa, resultando na
efetiva constatação de despejo de uma quantidade ainda incerta de produtos
tóxicos no meio ambiente, colocando em risco direto a saúde de ao menos três comunidades
próximas (Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba).”
O magistrado se ampara ainda em dados de
relatório de vistoria técnica, assinado por dois engenheiros, que acusa a
existência de tubulação irregular de efluentes de dentro da área da empresa,
diretamente no meio ambiente, destacando que a área onde foi encontrado esse
dreno possuía outras duas tubulações. A empresa informou que ambos estariam
vedadas com concreto, mas foram detectadas evidências de descarte anterior, em
função da cava já existente no solo.
“Enfim, todas estas constatações técnicas, ainda
que a demandar aprofundamento, com realização de mais perícias e análises, já
evidencia claramente preocupações quanto a segurança das barragens e bacias, do
sistema de drenagem e controle de lançamento de efluentes tanto mais em razão
da constatação da tubulação irregular, fora do licenciamento, que realizava
lançamento de efluentes do interior da empresa para o meio ambiente, o que
levou na ocasião os Órgão Ambientais a notificar e autuar a Hydro Alunorte,
justificando, também, por todas essas razões, e outras mais já destacadas, a
concessão da medida cautelar que ora se pleiteia, sobretudo em razão de já ter
sido constatado pelo IEC, conforme coleta realizada e análises concluídas, que
água possui contaminantes que causam danos à saúde humana”, diz a decisão
judicial.
Iran Sampaio acrescenta também que, “a
contrapeso da riqueza desta região as grandes empresas vem trazer a destruição
e degradação ao meio ambiente e à população local, sem nenhuma contrapartida,
escondendo-se por trás de uma cortina de fumaça de míseros empregos à
população, ressaltando-se que os cargos que exigem conhecimento técnico são
ocupados por pessoas de fora do Estado, que não possuem nenhum compromisso e
envolvimento com esta Região além da busca dos recursos aqui abundantes.”
Ibama multa em R$ 20 milhões e embarga Hydro Alunorte
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou nesta quarta-feira (28) o
depósito de rejeitos sólidos e a tubulação de drenagem de resíduos da área
industrial da refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena (PA). A empresa também foi
multada em R$ 20 milhões. O empreendimento é licenciado pelo governo estadual
do Pará.
Laudo
do Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, apresentado na semana passada, comprovou que um depósito de
resíduos da mineradora transbordou no fim de semana anterior despejando uma
quantidade incerta de rejeitos tóxicos no meio ambiente.
De
acordo com o documento, o vazamento colocou em risco a saúde de moradores de
pelo menos três comunidades da região: Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba. As
famílias atingidas pelo vazamento estão recebendo água potável desde sexta-feira (23), por
determinação do governo do estado. O caso foi denunciado pelos próprios
moradores, que notaram a alteração na cor da água de igarapés e de um rio.
De
acordo com o Ibama, foram aplicados dois autos de infração (multas) no valor de
R$ 10 milhões cada um contra a Hydro Alunorte. Um por realização de atividade
potencialmente poluidora sem licença válida da autoridade ambiental competente
e outra por operar tubulação de drenagem também sem licença. O depósito e a
tubulação são justamente as estruturas que deram origem ao vazamento.
Equipes
do Ibama realizaram vistoria no local ontem (27) e hoje, em conjunto com
pesquisadores do Instituto Evandro Chagas. A medida foi determinada pelo próprio ministro do Meio Ambiente,
na última segunda-feira (26).
A
Hydro Alunorte é considerada a maior refinaria de alumina (matéria-prima para
produção de alumínio) do mundo e opera em Barcarena desde 1995. Ela nega que
tenha havido vazamento ou transbordamento de resíduos sólidos de sua produção.
Procurada
pela Agência Brasil, a mineradora informou, em nota, que “está analisando
a decisão do Ibama, as medidas necessárias para implementá-la e seus possíveis
impactos na operação” e que “divulgará novas informações o mais breve
possível”.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Noruega passa de estilingue a vidraça
Vamos e convenhamos.
Golpismos à parte, Temer é mesmo um cara de sorte.
No ano passado, ficou famoso esse pito - que você pode ver no vídeo - da primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, no presidente do Brasil.
Um pito cara a cara. Olho no olho. Frente a frente.
Ninguém esperava que, seis meses depois, o governo da Noruega, que controla nada menos de 34% das ações da Hydro, passasse de estilingue a vidraça, depois que a mineradora entrou no olho de um furacão de denúncias por ter contaminado as águas da região de Barcarena com rejeitos químicos.
Nesta segunda-feira (26), o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, defendeu “multas pesadas” e a suspensão das atividades
da Hydro. Ele disse ter determinado ao Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que apure a situação com
“urgência” e tome todas as providências legais e administrativas necessárias
para “cessar imediatamente os atuais danos ambientais” causados pelo vazamento.
Entre
as medidas que podem ser tomadas pelo Ibama, segundo o Ministério do Meio
Ambiente, está o embargo e a aplicação de multas pecuniárias. Segundo
Sarney Filho, a expectativa é que, nas próximas 48 horas, o Ibama tome alguma
providência sobre o caso.
“Os
elementos são muito claros e, já que existe uma análise técnica e científica a
respeito da contaminação da água, eu acho que o Ibama hoje tem os elementos
completos para tomar providências o quanto antes”, disse o ministro.
Acionista majoritário e controlador da
Hydro, o governo da Noruega decidiu, em junho do ano passado, reduzir à metade o repasse de verba
para o Fundo para a Proteção da Amazônia em 2018. O país criticou
publicamente o aumento do desmatamento na região. Nesta
segunda, Sarney Filho classificou como “lamentável” o fato de uma empresa
norueguesa estar envolvida no vazamento em Barcarena.
Sarney Filho avalia ainda que a situação de Barcarena é “diferente” da tragédia de
Mariana (MG), em 2015, quando o rompimento de uma barragem da mineradora
Samarco deixou 19 mortos. “Não
estamos, como muita gente está pensando, à beira de uma nova Mariana, mas esse
vazamento é sério, vem de uma empresa que pertence ao governo da Noruega,
portanto, uma empresa que deveria ter responsabilidades, ainda mais na
Amazônia. Portanto, nossa decisão é que o corpo técnico do Ibama faça a
avaliação devida e a partir daí se tome todas as medidas possíveis e
necessárias”, concluiu Sarney Filho.
Estado triplica multa e manda Hydro reduzir produção à metade
Da Agência Pará
Por conta do não cumprimento do prazo de 48
horas dado pelo Governo do Estado para que a Hydro reduzisse os níveis das
bacias de resíduos ao nível de pelo menos um metro, a Secretaria de Meio
Ambiente e Sustentabilidade (Semas) notifica a empresa, na manhã desta
terça-feira (27), com a determinação de que reduza a produção da refinaria em
50%.
A
Semas também triplicará a multa definida anteriormente, cumprindo a legislação
ambiental em vigor, chegando a cerca de R$ 1 milhão por dia de descumprimento
(300 mil Unidades de Padrão Fiscal). A empresa informou formalmente que reduziu
os índices, mas não integralmente no total determinado de um metro.
A
determinação de redução emitida pela Semas reforça ainda que devem ser mantidos
e ampliados os esforços para tratamento dos efluentes e de redução dos níveis
das bacias. As equipes da Semas permanecem em campo 24 horas, trabalhando em
conjunto com a Defesa Civil e outros órgãos, monitorando a situação.
Por
precaução, a Semas também está notificando a empresa Mineração Paragominas para
que suspenda a operação do Sistema de Rejeitos I, em Paragominas, onde é feita
a extração de bauxita, matéria-prima da refinaria Hydro, em Barcarena. Ambas as
empresas pertencem ao mesmo grupo. Técnicos da Semas já estão no município para
fiscalizar nesta terça-feira os níveis de rejeitos no sistema da empresa.
Notificação
– Na sexta-feira (23), em coletiva à imprensa, o governador Simão Jatene
anunciou a medida determinada pela Semas à empresa de redução dos níveis das
bacias de resíduos em pelo menos um metro, considerado como índice de
segurança. A notificação ocorreu no sábado (24) e o prazo expirou nesta
segunda-feira (26).
Atuação
pela população - As ações do Governo do Estado nas comunidades afetadas
pela contaminação constatada pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), no entorno da
área de atuação da empresa Hydro, continuam. Até esta segunda-feira (26), mais
de mil galões de água potável foram entregues a cerca de 400 famílias da
região. O abastecimento, feito em conjunto com a Prefeitura de Barcarena, será
semanal e a quantidade varia em função do número de pessoas residentes em cada
casa, com média de uma unidade de 20 litros para cada duas pessoas.
O
Laboratório Central (Lacen), da Secretaria de Estado de Sáude (Sespa), também
segue coletando amostras de água de poços das comunidades atingidas para
verificar a qualidade da água. Ao todo, 30 profissionais da saúde, além de 16
assistentes sociais e da Defesa Civil, entre outros profissionais do Estado e
Município, estão atuando nos últimos dias nas comunidades de Bom Futuro, Vila
Nova e Bujaruba. As equipes estão em campo para mapear e identificar as
necessidades das famílias que residem nesses locais e que tipo de impacto elas
podem ter sofrido.
Técnicos
da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) estão no
município para fazer o monitoramento dos níveis das bacias do sistema de
tratamento dos rejeitos da bauxita nas instalações da Hydro. No sábado (23), a
equipe aplicou novas notificações reiterando os pedidos de outras instituições
que visam à proteção da saúde dos moradores, para mitigar os problemas já
causados ao meio ambiente e evitar novas ocorrências.
Ação conjunta
Para minimizar
os impactos à população e ao meio ambiente, o Governo do Estado criou um Grupo
de Trabalho, após determinação direta do governador Simão Jatene, logo após a
divulgação do laudo do Instituto Evandro Chagas (IEC), sobre a qualidade da
água coletada nas imediações da área onde ficam localizadas as bacias de
resíduos da refinaria.
Entre
as entidades atuantes estão as Secretarias de Estado de Saúde Pública (Sespa),
de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e de Desenvolvimento Econômico,
Mineração e Energia (Sedeme), além da Companhia de Desenvolvimento Econômico
(Codec), Defesa Civil do Estado e Procuradoria Geral do Estado, incluindo
peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.
Histórico
Logo que
surgiram as primeiras denúncias, equipes da Semas estiveram no local, em
conjunto com representantes do Ministério Público Estadual, Ministério Público
Federal e Secretaria de Meio Ambiente de Barcarena, além de técnicos do
Instituto Evandro Chagas, que coletou amostras de água para análise, produzindo
o laudo que, antes mesmo de ser divulgado, foi encaminhado para avaliação pela
Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sespa).
Durante
a vistoria, não foi identificado rompimento das bacias de resíduos. Porém, os
fiscais identificaram o lançamento irregular de efluentes da área alagada da
empresa para o ambiente externo. As secretarias estadual e municipal de Meio
Ambiente notificaram a empresa de imediato.
É
importante destacar que a situação dos resíduos da empresa Hydro é bastante
distinto do que ocorreu no município em Mariana (MG). Diferentemente do
acidente que ocorreu na cidade mineira com a empresa Samarco, quando romperam
as barragens de resíduos da empresa. Já em Barcarena, os depósitos para
tratamento de resíduos são estruturas diferentes, como grandes bacias.
Portanto, não existe risco de rompimento, mas sim planejamento para que se
evitem transbordos.
Condições meteorológicas -
De acordo com dados da Estação Metereológica da Hydro, instalada na área da
empresa, o mês de fevereiro de 2018 já registra o maior volume de chuvas para o
período na área nos últimos 13 anos, desde que o monitoramento passou a ser
realizado. Com índice de 695,9 milímetros é quase o dobro do último ano. A
série histórica de quase 40 anos, entre 1970 e 2007 foi de 370, milímetros em
Barcarena.
Apenas
esta semana (16 a 22), o índice de chuva registrado chegou a 453mm, o que é
mais do que foi registrado em todo o mês de 2017, que foi de 440 milímetros,
enquanto este ano, antes mesmo de encerrar, está com 695,9 milímetros.
A Hydra de Lerna e a Hydro - mitologia e realidade no Pará
ISMAEL
MORAES – advogado socioambiental
As mitologias narram tragédias com heróis. Nossa
dura realidade narra apenas tragédias.
A Hydra de Lerna,
na mitologia
grega, era um monstro que tinha corpo de dragão e
várias cabeças de serpente.
Segundo a lenda, as cabeças da Hydra podiam se regenerar; algumas versões dizem
que, quando se cortava uma cabeça, cresciam duas em seu lugar, mas as primeiras
versões da lenda não incluíam essa característica. Havia uma cabeça, mais
forte, venenosa e mais difícil de ser morta.
A Hydra era tão
venenosa que matava os homens apenas de cheirar o seu hálito ou o seu rastro,
em terrível tormento. A Hydra foi derrotada por Hércules,
em seu segundo trabalho.
No Pará, a entidade
Hydro, com poder monstruoso, igualmente possui diversas cabeças políticas de
muitas serpentes, e uma cabeça mais difícil de ser morta – Jatene e seu grupo
no poder, com ramificações na Procuradoria Geral do Estado, na Segurança
Pública, nos órgãos ambientais, no Ministério Público. Ele e Luiz Fernandes
estão entre as serpentes que fazem parte do conjunto de cabeças de serpente
centrais da Hydro. Todos com um veneno e uma perversidade próprios funcionando
para manter a Hydro viva e não se importando com quem vai morrer para isso.
Há uma semana todos
veem o que ocorre na Semas, órgão máximo de proteção ao meio ambiente até então
controlado com imenso poder pela cabeça de serpente Luiz Fernandes:
estruturação criminosa de fraudes, falsidades ideológicas, simulações de
fiscalizações, alteração do sistema de controle por satélite, licenças
forjadas, acobertamento de dreno clandestino, enfim, um conjunto de maldades
planejadas com frieza contra as comunidades envenenadas só imaginável ter
existido no regime nazista.
Em dezembro, a cabeça
de serpente jurídica instalada na Procuradoria Geral do Estado (órgão onde é
difícil encontrar procuradores quem não sejam ou não são advogados particulares
dessa multinacional) defendeu a Hydro perante a 9ª Vara Federal justificando a
construção de bacia de rejeitos químicos sobre a Reserva Ecológica com mais
afinco que os advogados particulares do escritório Silveira e Athias. O titular
da PGE, Ophir Cavalcanti Jr., faz de conta que nada sabe.
Outras cabeças de
serpente agem nos bastidores, mas talvez seja o caso de citá-las em outros
artigos no momento em que destilarem veneno.
O governo Jatene
ultrapassou há muito tempo o limite da indecência. Agora está ultrapassando o
limite da delinquência.
A principal cabeça da
Hydro, o governador Simão Jatene, perdeu de tal maneira a vergonha na cara que,
mesmo com o flagrante do dreno clandestino, do flagrante da “vistoria” da Semas
que concluiu inexistir irregularidades, do flagrante feito por promotores de
Justiça de fraudes nas licenças, ainda teve a desfaçatez réptil em aparecer na
TV defendendo a sua matriz monstruosa e culpar as chuvas pela poluição
mortífera. Tão grande é a sua sofreguidão em amealhar milhões através dos
movimentos sub-reptícios do seu filho Beto Jatene, conhecido operador oficial
do pai nos bastidores das negociatas com o Poder Público no Pará.
Nesta história da
realidade paraense não existe um herói. Se todos os paraenses não se reunirem e
se fizerem heróis de si próprios, a Hydro que nos envenena e nos suga os
recursos, nos levará à morte pela miséria e a violência.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
Deputado vai propor CPI para investigar Hydro Alunorte
O deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA) vai propor nesta terça-feira (27) a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as operações da Hydro Alunorte. A mineradora é acusada de contaminar as águas da região de Barcarena, conforme laudo emitido pelo Instituto "Evandro Chagas".
"Essas empresas recebem isenções do governo federal e do governo do Estado. E essas isenções, em contrapartida, têm uma série de obrigações sociais e ambientais que não estão sendo cumpridas", justifica o parlamentar, neste áudio mandado com exclusividade para o Espaço Aberto.
Jordy considerou "frustrante" a visita de uma comissão de parlamentares à Hydro, na sexta-feira passada, disse que a mineradora tem sido recorrente em vazamentos - foram 11, desde 2009 - e disse que, apesar de tudo isso, nunca ressarciu as comunidades locais e o Estado pelas ocorrências que impactam o meio ambiente da região, muito embora tenha um lucro de R$ 5,5 bilhões.
Ouça o áudio.
"Essas empresas recebem isenções do governo federal e do governo do Estado. E essas isenções, em contrapartida, têm uma série de obrigações sociais e ambientais que não estão sendo cumpridas", justifica o parlamentar, neste áudio mandado com exclusividade para o Espaço Aberto.
Jordy considerou "frustrante" a visita de uma comissão de parlamentares à Hydro, na sexta-feira passada, disse que a mineradora tem sido recorrente em vazamentos - foram 11, desde 2009 - e disse que, apesar de tudo isso, nunca ressarciu as comunidades locais e o Estado pelas ocorrências que impactam o meio ambiente da região, muito embora tenha um lucro de R$ 5,5 bilhões.
Ouça o áudio.
Semas teria apagado área ambiental de sistema
Do blog Ver-o-Fato, do jornalista Carlos Mendes
Uma denúncia gravíssima feita neste domingo, 25, por uma fonte ao Ver-o-Fato, afirma que a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) teria apagado de seu sistema de sensoriamento remoto a existência da área de proteção ambiental sobre a qual incidem bacias de rejeitos minerais da multinacional norueguesa Norks Hydro, em Barcarena. A intenção criminosa teria se estendido também ao sistema do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), segundo o informante, que pediu sigilo sobre sua identidade.
"É em razão disso que a área ambiental, protegida pelo decreto estadual, não aparece nos sistemas nacionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), nem do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio). O que não está no sistema, não está no mundo, embora exista um decreto de criação da área ambiental", explica a fonte.
E qual o objeto da grotesca fraude? pergunta o Ver-o-Fato. Resposta da fonte: "claro que é proteger os interesses da Hydro e facilitar, como facilitou, a autorização do órgão ambiental para a construção das mais de 20 bacias existentes na área".
Leia mais aqui.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
MP e Defensoria fazem recomendação e apertam cerco à Hydro
![]() |
| Coloração avermelhada das águas em Barcarena no sábado, 17 de fevereiro: indícios de vazamento que se confirmaria depois, por meio de laudo técnico do "Evandro Chagas (foto Semas/MPPE) |
![]() |
| Tubulação clandestina para o escoamento de rejeitos químicos na área onde a Hydro opera. O dreno foi descoberto por técnicos do Instituto Evandro Chagas, durante inspeção no local. |
Como era previsível, o cerco começar a se fechar
contra a Hydro, após o laudo do Instituto Evandro Chagas que constatou a contaminação das águas da região deBarcarena por metais pesados, provenientes das operações da mineradora.
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA),
Ministério Público Federal (MPF) formalizaram recomendação para que seja
embargada uma das bacias de rejeitos da Hydro Alunorte.
A bacia de rejeitos em questão é a DRS2 que
apresenta irregularidades no licenciamento ambiental. “A bacia não possui
licença de operação e mesmo assim estava operando”, diz a promotora de Justiça
do MPPA, Eliane Moreira.
A empresa também foi notificada a esclarecer a
razão de ter sido instalada a tubulação sem licença ambiental, informando desde
quando ela operava, Deverá informar como
está sendo implantado e desde quando está em execução o plano de contingência.
E preocisa apresentar a planta do sistema de drenagem, bem como esclarecer
sobre a ausência de notificação ao órgão ambiental tão logo soube das denúncias
oriundas das comunidades.
Clique aqui
para ler a íntegra do documento.
Abaixo, as principais recomendações:
À
Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas)
* No prazo de 10 (dez) dias, a implantação de um
sistema efetivo de coleta de denúncias oriundas das comunidades de Barcarena,
para que sejam tomadas as providências imediatas de fiscalização e cobrança do
acionamento dos planos de contingência das empresas instaladas no Distrito
Industrial de Barcarena
* No prazo de 20 (vinte) dias, a implantação de
sistema de monitoramento efetivo dos efluentes lançados pela empresa Hydro
Alunorte, que inclua a coleta de dados analíticos, inclusive sobre a presença
de metais, em amostras de água e solo
* Em casos de detecção de infração que constitua
crime ambiental, o acionamento imediato da Delegacia de Meio Ambiente para que
sejam tomadas as medidas destinadas à apuração da responsabilidade penal das
empresas.
* A imediata revogação do instrumento denominado
de “comissionamento” ou “autorização para comissionamento”, o qual constitui
mecanismo não previsto na legislação ambiental vigente, por via do qual são
autorizadas operações de novas áreas no empreendimento sem que se observe a
necessidade de Licença de Operação legalmente estabelecida e se constituindo em
mecanismo de verdadeira burla à legislação ambiental vigente, posto que,
conforme declarações prestadas pela SEMAS, no último dia 19.02.2018, esta
consiste em “autorização de testes”, que funciona “como se fosse” uma licença
de operação, em afronta à legislação vigente.
* A imediata exigência de licenciamento
ambiental integral para todos os empreendimentos que impliquem ampliação de
atividade anterior, eximindo-se de reaproveitar o licenciamento original,
devendo exigir novo procedimento de licenciamento ambiental, notadamente no que
se refere a licenciamentos antigos, como neste caso
* O imediato embargo do DRS2 da empresa Hydro
Alunorte, tendo em vista a ofensa à legislação ambiental, considerando a
inexistência de licenciamento ambiental próprio, que era exigível por se tratar
de ampliação de atividade, e por não se sustentar a alegação da SEMAS de que
tal ampliação já estaria prevista num licenciamento de 1985, o que se apresenta
em desconformidade com a obrigação prevista nos arts. 2º e 10 da Resolução
CONAMA nº 237/97 e art. 10 da Lei nº 6.938/81, inclusive tendo em vista
tratar-se de nova tecnologia diversa da que fora licenciada
* Apresente, no prazo de 05 (cinco) dias, uma
análise do cumprimento do plano de contingenciamento da empresa no presente
caso, devendo ter em consideração o princípio da precaução.
* A exigência, como condicionantes de qualquer
licença referente ao DRS2, da instalação de alarmes sonoros para situações de
emergência e de equipamento que monitore, em tempo real, a qualidade dos
efluentes lançados, com acompanhamento pela SEMAS (CIMAM)
* A imediata exigência, junto à Hydro Alunorte,
da ampliação e aperfeiçoamento da Estação de Tratamento de Efluentes - ETE nas
dependências da planta industrial da empresa, de modo que sua capacidade de
tratamento de efluentes seja plenamente compatível com o volume máximo de água
existente em períodos de chuvas intensas e com o lançamento no corpo hídrico
receptor dentro dos critérios abalizados pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas – ABNT e previstos na Resolução CONAMA 430/2011.
À
Hydro Alunorte
* Suspenda imediatamente as atividades do DRS2
* Retire imediatamente a tubulação ilegalmente
instalada na área, conforme constatação da SEMAS, SEMADE e IEC
* Execute imediatamente o plano de
contingenciamento, inclusive com o fornecimento de água potável e atendimento à
saúde das comunidades afetadas
* Tome as providências imediatas para
identificar, recompor e compensar os danos ocasionados às comunidades afetadas
e ao meio ambiente
* Apresente, no prazo de 48 (quarenta e oito)
horas, a apólice do seguro contra acidentes, identificando os valores
assegurados e para quais imprevistos estão previstas as coberturas e/ou
reembolsos
* Apresente, no prazo de 48 (quarenta e oito)
horas, seu Plano de Apoio a Emergências - PAE relativo às ações de contenção e
mitigação para possíveis acidentes relativos a vazamentos de óleo nas operações
portuárias, soda cáustica, efluentes não tratados oriundos do DRS1, DRS2 ou
outras áreas da planta industrial.
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