quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pôr mais policiais nas ruas não acaba com a violência


De um leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Mais policiais nas ruas e operações de segurança intensificadas:

E se cai no mesmo erro: resolver problema social com mais polícia nas ruas.
Esse erro vem sendo cometido pelas autoridades por décadas. Não é a toa que a criminalidade urbana só aumenta.
A violência não aumentou de uma semana para cá, ela apenas atingiu as "pessoas de bem" (classe média branca). Enquanto ela fica restrita a periferia e interior, ok.
Mais polícia nas ruas - com essa polícia que temos hoje, com seus vícios e limites - significa aumento brutal da truculência contra cidadãos de periferia (sobretudo pobres, mestiços e negros) e máxima agressividade sobre os criminosos mais fáceis de serem pegos, ou seja, não se estará combatendo a violência, mas sim aumentando-a.
Enquanto não forem garantidos direitos mínimos a moradores de periferia, dando oportunidades econômicas com diminuição de desigualdade, continuará prendendo dois bandidos hoje e se criando quatro amanhã.

P.S.: Algumas afirmações foram retiradas de postagem do professor André Coelho.

5 comentários:

Anônimo disse...

Não resolve mesmo, mas ajuda. A PMB deveria começar com educação integral nas escolas públ0icas. Depois, partir para projetos sociais nos bairros mais violentos.

Anônimo disse...

É verdade. Mas hoje temos de combater os efeitos nefastos dessas omissões do passado.
Nenhum governante que passou até agora por aqui prestou, pois do contrário as coisas estariam melhores.
Talvez homens melhores possam combater as causas e ai a coisa mudará... para melhor, é claro.

Anônimo disse...

Modus in rebus, como dizem os juristas. Uma coisa é direitos sociais; outra coisa é crime. Dizer que a ocorrência criminosa está vinculada diretamente à pobreza é de um preconceito intolerável e, pior: empurra o problema com a barriga para daqui a cinco gerações, tempo necessário para que funcionem os aportes de educação e renda aplicados hoje nas periferias. Digo que é preconceito porque se houvesse essa ligação direta pobreza-crime, não teríamos crime de colarinho branco... O nosso problema está principalmente no fato de que o combate ao crime tem sido capilar, tipo segurança de boate: o policial militar fica lá esperando a bronca. O policial civil está atolado: o volume de homicídios não permite investigação que preste em quase nenhum. Não há ações que persigam o principal motivo deste banho de sangue. E qual o principal motivo? A instalação, no Pará, de um polo de droga. Recentemente um navio saiu daqui para a Holanda (foi pego lá) carregadinho de cocaína. Que é que a polícia federal tem feito, afinal, além de chatear quem vai fazer compras em Miami? É óbvio que o pobre é mais exposto à tentação da riqueza fácil mesmo com alto risco, mas, contraposto a cada avião, há pelo menos dez garotos pobres que estão batalhando a vida no trabalho legal. Nosso problema é que ainda somos colônia do Brasil...

Victor Picanço disse...

Para além desse clichê do "problema social", recomendo a leitura do artigo "Avanço no socioeconômico, retrocesso na segurança pública: paradoxo brasileiro?", em que o autor investiga as razões do aumento da criminalidade, mesmo após o Brasil ter melhorado significativamente todos os seus índices sócio-econômicos nas últimas décadas:

http://desigualdadediversidade.soc.puc-rio.br/media/7artigo11.pdf

Anônimo disse...

E agora governador? O senhor não disse que com Zenaldo e Pioneiro eleitos, seria tranquilo governar a Região Metropolitana? E agora governador? E agora prefeitos. Eu votei, e agora !?