sexta-feira, 7 de maio de 2021

Jader engrossa a fila do beija-mão do ex-presidente José Sarney, em Brasília

Lula e Sarney: o petista puxou a fila dos que foram beijar a mão do ex-presidente.
Uma fila que teve, entre outros, o senador Jader Barbalho, de olho nas eleições de 2022.
(foto de Ricardo Stuckert)
O senador Jader Barbalho (MDB-PA) esteve entre os que foram beijar - pessoalmente, vale dizer, e não virtualmente, como quase tudo nestes tempos de pandemia - a mão do ex-presidente José Sarney (MDB-PA), que se encontra em Brasília.
O beija-mão incluiu, ora vejam só, até Bolsonaro, que pediu, sem ser atendido, socorro para livrar-se de Renan Calheiros (MDB-AL) como relator da CPI da Pandemia.
E Lula? Foi o personagem principal na fila do beija-mão. E ganhou, ao contrário de outros, o direito de ter uma foto sua com Sarney postada nas redes sociais.
Tanto Jader como os demais emedebistas e petistas trataram com o ex-presidente de dois temas recorrentes: CPI - a da Covid, é claro - e eleições de 2022.
Em relação ao segundo tema, os mais recentes movimentos de Lula indicam que um de seus objetivos, para pavimentar sua própria candidatura presidencial, é retomar alianças como a que foi feita no Pará, quando o então PMDB de Jader apoiou a petista Dilma Rousseff, que se reelegeu presidente.
No próximo ano, o governador Helder Barbalho será candidato à reeleição, daí o interesse do PT nacional em garantir o apoio do MDB do Pará, uma vez que, a menos que o rio Amazonas vire sertão, dificilmente Helder fará aliança com partidos que estiverem aliados aos bolsonaristas, hoje inimigos figadais dos Barbalho no Pará.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Vice acusa o governador do Amazonas da prática de um crime dos mais graves e letais. O que fará a CPI?


Vejam a nota de abertura do Painel, a mais importante coluna da Folha, publicada na edição desta quinta (06).
Seu teor é verdadeiramente tenebroso.
Se confirmada concretamente a informação de ninguém menos que o vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho, estaríamos, em tese, diante de conduta tipicamente criminosa do governador do estado, Wilson Lima (PSC).
Aliás, ninguém esqueça, Lima e mais 17 pessoas foram denunciados recentemente pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, pelos crimes de organização criminosa e peculato por mal uso de recursos federais para o combate à pandemia.
Essa declaração do vice-governador, aliada ao fato de que, tanto na primeira como na segunda ondas da pandemia, o Amazonas, e especialmente sua capital, Manaus, tornou-se cenário de um aumento avassalador da Covid, com a ocorrência, inclusive, da primeira ocorrência de falta de oxigênio para pacientes em situação gravíssima, essa declaração, portanto, ensejaria que a CPI da Pandemia convocasse urgentemente o governador amazonense para se explicar.
E mais: muitos estão desconsiderando, ou deixando em segundo plano, uma questão das mais curiosas. Quando bolsonaristas - sobretudo os milhares de robôs que se mantêm em frenética atividade nas redes sociais - atacam governadores de vários estados e os chamam de corruptos, normalmente esquecem de Wilson Lima, unha e carne com Bolsonaro.
E tem mais: o estado do Amazonas, até mesmo pelas dimensões catastróficas que a pandemia alcançou por lá, desfrutou de um atendimento, digamos assim, diferenciado do governo Bolsonaro. E tanto é verdade que o então ministro da Saúde, o agora fujão Eduardo Pazuello, andou por Manaus durante a segunda onda e mesmo depois dela, já tendo sido até fotografado em shopping sem usar máscara.
Pois mesmo com toda essa atenção, o Amazonas enfrentou uma catástrofe, seu governador virou réu perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e agora vem o vice-governador dizer que Wilson Lima, deliberadamente, transformou o Amazonas em cobaia da experiência de imunidade de rebanho.
Por tudo isso, Wilson Lima deve ou não ser chamado à CPI da Pandemia?

"Assessoramento paralelo" de Bolsonaro na pandemia faz viralizar vídeo em que Osmar Terra faz previsões que caíram por terra


O nome do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) subiu expressivamente nos índices de buscas do Google, após depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à CPI da Pandemia.
Mandetta revelou, com todos os efes e erres, que o presidente da República acercava-se de uma espécie de assessoramento paralelo, que o monitorava sobre medidas e orientações a respeito da condução da pandemia.
Foi nesse contexto, informou Mandetta, que surgiu certo dia, durante uma reunião, um papel sem qualquer timbre, do qual constava a minuta de decreto propondo que a bula da cloroquina fosse alterada para incluir a informação de que poderia ser ministrada para tratamento de pacientes acometidos de Covid.
O tal decreto, como se sabe, não chegou a ser editado, até porque, conforme Mandetta revelou aos senadores, o próprio presidente da Agência de Vigilância Sanitária, Antônio Barra Torres, presente à reunião, avisou logo que um decreto naqueles termos não poderia ser chancelado pela Anvisa.
A revelação do mencionado assessoramento paralelo remeteu de imediato ao nome de Osmar Terra, que chegou a ser ministro nos governos Temer e Bolsonaro e se tornou, durante o atual governo, um conselheiro informal - e dos mais influentes - em relação à pandemia.
Terra, como se pode atestar no vídeo acima, fez previsões risíveis, ridículas, implausíveis e, como se revelam agora, absolutamente mentirosas sobre a escalada da pandemia. Por isso é que a CPI está de olho e pretende ouvi-lo, não propriamente sobre suas predições, que, como se vê, caíram por terra (com o perdão do trocadilho), mas sobre evidências de que teria funcionado como uma espécie de conselheiro informal de Bolsonaro, municiando-o de de informações, orientações e procedimentos que se confrontavam inteiramente com as adotadas, à época, pela gestão do então ministro Henrique Mandetta.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Carta comprova que Bolsonaro ignorou alerta de Mandetta sobre os riscos da pandemia

Eis uma carta histórica e comprobatória de que não foi por falta de aviso, recomendação e alerta que Bolsonaro minimizou - para não dizer desprezou - os gravíssimos riscos da pandemia.

Já em 28 de março do ano passado, bem no início da crise sanitária de dimensões mundiais, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, escreveu uma carta para o presidente, alertando sobre os riscos da pandemia.

No texto, o ministro recomenda que o Executivo “reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”.

E o que fez Bolsonaro, a partir de então?

Nada.

Ou melhor, fez tudo.

Tudo para agravar a tragédia epidemiológica que àquela altura já se esboçava.

A carta foi revelada há pouco, na CPI da Pandemia (confira, no vídeo, o momento em que Mandetta fala sobre o assunto).

A íntegra do texto é o seguinte:

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No dia 03 de janeiro de 2020, este Ministério, por intermédio de sua Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS), detectou rumores a respeito de casos de “pneumonia atípica”, oriunda da China, que estaria infectando diversas pessoas e produzindo significativo número de óbitos. Assim, com base no Regulamento Sanitário Internacional (RSI), antecipou-se a revisão de protocolos relativos ao Preparo, Vigilância e Resposta à Influenza no Brasil.

No dia 22 de janeiro de 2020, em observância a sua missão institucional de implementar medidas de saúde pública para a proteção da saúde da população, para a prevenção e controle de riscos, agravos e doenças, o Ministério da Saúde ativou o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para o novo Coronavírus (COE-nCoV). Destacando-se que entre os dias 03 a 27 de janeiro, o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) Nacional já havia analisado 7.063 rumores, sendo que 127 desses rumores exigiram a verificação de veracidade junto ao Ponto de Contato Regional da OMS para o RSI.

Ressalte-se ainda que, entre os dias 18 e 27 de janeiro de 2020, a SVS/MS recebeu a notificação de 10 casos para investigação de possível relação com a Infecção Humana pelo novo Coronavírus – Covid-19. Todas as notificações foram recebidas, avaliadas e discutidas, caso a caso, com as autoridades de saúde dos estados e municípios. De 10 casos, somente um (1) caso notificado em 27/01 se enquadrava na definição de caso suspeito. Os demais não cumpriram a definição de caso, foram excluídos e apresentaram resultado laboratorial para outros vírus respiratórios.

Neste mesmo ínterim, até o dia 27 de janeiro de 2020, segundo a OMS, já estavam confirmados 2.798 casos de Covid-19 no mundo. Destes, 2.761 (98,7%) foram notificados pela China, incluindo as regiões administrativas especiais de Hong Kong (8 casos confirmados), Macau (5 casos confirmados) e Taipei (4 casos confirmados).

Em 30 de janeiro de 2020, após reunião com especialistas, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) em razão da disseminação do Covid-19. Naquele momento, havia 7,7 mil casos confirmados e 170 óbitos na China, principal local de disseminação do vírus, e 98 casos em outros 18 países. No Brasil, nove casos estavam sendo investigados.

Em 3 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em decorrência da infecção humana pelo Covid-19, por meio da Portaria MS n° 188, e conforme Decreto n° 7.616, de 17 de novembro de 2011.

Em 06 de fevereiro foi aprovada a Lei n° 13.979, de 2020, que dispõe sobre as medidas de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019. Todas as normas foram editadas antecipadamente ao primeiro caso confirmado do Covid-19 no Brasil (26/02/2020) e em consonância com o disposto sobre preparo para emergências no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional.

Para garantir a transparência na comunicação sobre as ações de vigilância e controle do Covid-19 e no sentido de esclarecer à população sob medidas de orientação e prevenção, o Ministério da Saúde realizou um total de 49 coletivas de imprensa nos últimos 65 dias (a primeira em 23 de janeiro), 109 releases, 1.550 atendimentos a demandas de imprensa, 50 vídeos produzidos e publicados pela TV Saúde, 8 vídeos-cartões para uso nas redes sociais, 21 matérias de rádio produzidas pela Web Rádio Saúde, dentre outros, o que fortaleceu a confiança da população brasileira nas medidas que vem sendo tomadas pelo Ministério da Saúde, além dos dados e projeções epidemiológicas realizadas por especialistas, bem como do estudo diário sobre a resposta de outros países à pandemia.

Em 25 de março, a OMS confirmou um total de 413.467 casos de Covid-19 e 18.433 óbitos no mundo. Destes, a Região das Américas conta com 60.834 casos confirmados e 813 óbitos. Sendo mantidas pela OMS as recomendações de medidas de mitigação para estados de Pandemia global. No Brasil, em 26 de março o total de casos confirmados no Brasil era de 3.498. Cuja distribuição era de 4,3% na Região Norte, 15,7% na Região Nordeste, 57,1% na Região Sudeste, 9,4% na Região Centro-Oeste e 13,5% na Região Sul.

Cabe dizer ainda que o Ministério da Saúde participou de sessões informativas da OMS, de reuniões virtuais coordenadas pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS), além de encontros virtuais com representantes de saúde do MERCOSUL, PROSUL e G20, onde pôde verificar o prognóstico do colapso dos sistemas de saúde nos próximos meses. O que denota a necessidade de que o Brasil tome medidas que evitem o aumento exacerbado do número de casos com necessidades de atenção e cuidado de média e alta complexidade nas redes de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Situação já observada nos sistemas de países como Itália, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, dentre outros, apesar das diferenças dos respectivos setores de saúde.

Diante desse cenário, eu, como Ministro da Saúde e na minha missão como gestor do Sistema Único de Saúde busquei promover a integração entre os Poderes da República para o fortalecimento da resposta à epidemia nacional. No dia 16 de março, em reunião com com os membros do Tribunal de Contas da União apresentei a todos os Ministros da Corte de Contas e ao Ministro da Controladoria Geral da União o cenário nacional da emergência em saúde, ressaltando a necessidade do estabelecimento de novos paradigmas para funcionamento da Administração Pública.

Ato contínuo, naquele mesmo dia, em reunião no Supremo Tribunal Federal, com a presença dos membros da Suprema Corte, dos Presidentes dos Tribunais Superiores, do Presidente da Câmara dos Deputados, do Presidente do Senado Federal, do Presidente do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República, do Ministro da Advocacia-Geral da União, apresentei o cenário técnico do setor saúde (riscos e agravos sobre a infecção pelo Covid-19), além de medidas de saúde pública necessárias à prevenção e controle da resposta à epidemia, para as quais se faz premente o esforço conjunto dos órgãos superiores da República.

Cabe ressaltar que no mesmo dia 16 de março, sem a participação desta Pasta, foi editado o Decreto n. 10.277, de 2020, que instituiu o Comitê de Crise para supervisão e monitoramento dos impactos da Covid-19, e mais ações de outros setores foram integradas às medidas sanitárias que vinham sendo tomadas pelo Ministério da Saúde desde fevereiro.

Assim, em que pese todo esforço empreendido por esta Pasta para proteção da saúde da população e, via de consequência, preservação de vidas no contexto da resposta à epidemia da Covid-19, as orientações e recomendações não receberam apoio deste Governo Federal, embora tenham sido embasadas por especialistas e autoridades em saúde, nacionais e internacionais, quais sejam, o isolamento social e a necessidade de reconhecimento da transmissão comunitária.

Acrescente-se ainda o alerta já feito por esta Pasta a respeito de outras viroses que terão seu ciclo epidêmico agravado em concomitância coma epidemias do Covid-19. Além do aumento da mortalidade por doenças diversas, como vem ocorrendo em outros países, devido à sobrecarga dos sistemas de saúde.

Imperioso, sobretudo, zelar pelos médicos, enfermeiros e todos os profissionais de saúde, por serem a principal linha de frente do trabalho em saúde no país, constituindo o grupo de maior risco, uma vez que são os mais expostos.

Nesse sentido, tendo em conta que a atuação do Ministério da Saúde no preparo, vigilância e resposta a pandemia pelo Covid-19, em consonância com o Regulamento Sanitário Internacional (Decreto n. 10.212, de 30 de janeiro de 2020), fundamenta-se nos fatos apurados, nas evidências científicas e na observância dos princípios e regras que alicerçam os direitos e garantias fundamentais de todo cidadão brasileiro, recomendamos, expressamente, que a Presidência da República reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA

Ministro de Estado da Saúde.” 

Um raro momento de lucidez de Carlos Bolsonaro

Vamos e convenhamos: todo descompensado tem - e por que não teria? - seu momento de lucidez.
Carlos Bolsonaro, por exemplo.
Como já revelado em livro, ele usa remédios para controle do humor.
Se não o fizer, rasgará dinheiro - entre outras coisas.
Mas Carluxo, até ele, tem seus momentos de lucidez.
Esse tuíte aí é emblemático.
Pois é.
No Brasil, este País que não é para amadores, até Carluxo pode ser lúcido por alguns segundos que sejam.
Viva a nossa Pátria amada!

Pazuello foge de depoimento. E ainda debocha da CPI da Pandemia.

Pazuello sem máscara num shopping em Manaus. Agora, foge da CPI, alegando
que precisa ficar de quarentena porque teve contato com um infectado de Covid.

É inacreditável.
O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz, acaba de anunciar, extraoficialmente, que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello não deverá depor amanhã.
Isso porque, conforme relato do senador, o general teria mantido contato com dois militares que estão com Covid. E daí terá de ficar de quarentena, motivo pelo qual não poderia depor.
Essa informação, reforçou Aziz, ainda é extraoficial.
Mas é inimaginável, intolerável e ridículo que Pazuello alegue não poder comparecer à CPI porque esteve em contato com infectados pelo Covid.
Isso porque, na semana passada, o cidadão foi flagrado desfilando em um shopping em Manaus sem máscara.
Acintosamente sem máscara.
Em resumo, a CPI começa sendo alvo de um deboche por parte de Pazuello.
Sinceramente, um deboche.
E Pazuello está fugindo da CPI. Está fugindo como Bolsonaro foge de uma máscara.

domingo, 2 de maio de 2021

CPI da Pandemia inclui marqueteiro paraense entre os ex-auxiliares de Pazuello que serão chamados a depor

À medida que se aproxima o início efetivo dos trabalhos da CPI da Pandemia, o que deve acontecer na terça-feira (4), com o depoimento dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, vai ficando claro que o nível de interesse da comissão em apurar supostos desregramentos cometidos pelo governo federal no combate à pandemia não se limitará aos exercentes de cargos de cúpula. Subalternos em vários níveis também serão submetidos ao raio-X do inquérito aberto pelo Senado.
Em reportagem de uma página intitulada "'Tropa' de Pazuello na mira - ação de militares expõe Exército na CPI da Covid", o jornal O Globo informa, na edição deste domingo (2), que vários integrantes da equipe do ex-ministro da Saúde também serão chamados a depor. Um deles é o paraense Marcos Eraldo Arnoud Marques, profissional em marketing, que profissionalmente se identifica como Markinho Show e se envolveu em algumas polêmicas - inclusive com jornalistas -, quando esteve à frente da chefia de Comunicação de Pazuello.
A matéria apresenta, inclusive, um infográfico (veja acima) em que Marques é mencionado entre os ex-auxiliares de Pazuello que deverão ser ouvidos pela comissão, juntamente com personagens como Airton Cascavel, apontado como homem-chave na gestão do ex-ministro e seu principal auxiliar político. 
"Um dos depoimentos mais esperados pelos senadores é o do marqueteiro Markinho Show. Ele esteve à frente da estratégia de comunicação da pasta durante parte da gestão de Pazuello. Relatório do TCU e investigações conduzidas pelo Ministério Público apontam falhas na comunicação do governo durante a crise", diz a matéria de O GloboNa ação movida pelo Ministério Público Federal contra Pazuello, lembra o jornal, os procuradores criticaram a estratégia de comunicação do ministério durante o colapso do sistema de saúde no Amazonas, em janeiro. Segundo os investigadores, apesar de a pasta saber da gravidade da situação, o ministério preferiu centrar suas estratégias de comunicação na disseminação do tratamento precoce.
Markinho Show já ofereceu demonstrações de que está disposto a defender publicamente o legado, por assim dizer, da gestão do general Pazuello como ministro da Saúde. Na semana passada, quando a revista Veja trouxe, como matéria de capa, em entrevista em que o ex-secretário de Comunicação do Planalto Fábio Wajngarten acusou a equipe do ex-ministro de portar-se com "incompetência" e "ineficiência" nas negociações com o Pfizer, sobre a compra de vacinas, o marqueteiro reagiu.
Em seu perfil no Twitter, Markinho Show revela (veja na imagem acima) que teria recebido de Wajngarten uma ordem para castigar financeiramente a Globo e restringir o acesso de Pazuello à emissora. "Claro que não fiz o que ele pediu. Não aceitaria uma ordem desqualificada e inútil. Fiz tudo ao contrário", afirmou o marqueteiro no tuíte.

Para a Latam, Alter do Chão fica em Belém. Resta saber se o Ver-o-Peso será situado em Santarém.


É preciso que alguém, seja um piloto, seja um administrador do setor de vendas, corrija urgentemente a rota da Latam em suas mídias virtuais para anunciar suas promoções.
Vejam a imagem acima.
Foi mandada para o blog por um leitor, neste sábado (1).
Mostra um anúncio da voadora, publicado no Facebook, divulgando promoção no preço de passagem de Brasília para Belém.
Aparece aí uma imagem lindíssima. Mas que nada, absolutamente nada, tem a ver com Belém.
A foto que acompanha o anúncio é de Alter do Chão, esse recanto tapajônico incomparavelmente majestoso, situado em Santarém, no oeste do Pará.
A expectativa agora é sabermos se a Latam, quando anunciar alguma promoção de viagem tendo como destino Santarém, vai emplacar, por exemplo, uma foto do Ver-o-Peso.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Reportagem cita Zequinha Marinho como um dos mais atuantes "em prol dos exploradores da Amazônia"

O senador Zequinha Marinho, do PSC do Pará, é citado fartamente numa das principais matérias que integram a nova edição de Veja que está disponível desde a manhã de hoje.

A reportagem, assinada pelos repórteres Juliana Castro e Eduardo Gonçalves, classifica o senador como "um dos políticos mais atuantes em prol dos exploradores da Amazônia" e lembra que ele não apenas já chamou agentes do Ibama de “bandidos” como considerou que uma ação recente de fiscalização foi “pior do que o Estado Islâmico”.

Em 2020, registra ainda a reportagem, Marinho, apontado como um dos mais influentes do lobby político em favor de madeireiras, postou um vídeo em que se exibia ao lado de Jassonio Leite, considerado pelo Ibama o maior grileiro de terras indígenas da Amazônia. 

Entre os bons serviços prestados pelo parlamentar aos predadores da Amazônia, a revista relata que em janeiro deste ano o senador conseguiu "cavar uma agenda com o vice-­presidente Hamilton Mourão, levando a tiracolo para o encontro quatro representantes da indústria madeireira, entre eles, Fernanda Fernanda Belusso, diretora da Rondobel."

Esse grupo empresarial, para quem não sabe, foi criada nos anos 90 pela família Belusso, com sede em Belém e Santarém. A companhia abastece pelo menos outras 25 madeireiras e serrarias da região amazônica, que têm entre seus clientes países como Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, França e Itália.

Veja diz que uma análise pericial já comprovou uma série de irregularidades na documentação das fazendas Agroanas I e II, de 2 350 hectares, que pertencem à Rondobel. "Entre elas, informação 'falsa' sobre 'áreas consolidadas', construções irregulares de estradas e pátios, 'incompatibilidades' no cadastro rural, documentos 'antigos” anexados ao processo e supostas fraudes na concessão de terras públicas'".

Como se vê, Zequinha Marinho esmera-se em colocar todo o seu empenho, toda a sua dedicação e toda a legitimidade do mandato que exerce a serviço dessa brava gente brasileira, desses heroicos patriotas, desses destemidos desbravadores, que acordam todo dia de manhã, olham para a Amazônia e proclamam: "Eis o meu ouro verde".

E aí vão logo ligar a motosserra.

Que horror!

Bolsonaristas em êxtase festejam a queda de Witzel. Mas convém que olhem para o lado!


Bolsonaristas, em estado de êxtase, comemoram a cassação do mandato de Wilson Witzel, o primeiro governador do Rio a sofrer o impeachment desde a redemocratização.
Carla Zambelli - a fanática deputada bolsonarista que hoje à tarde quase leva uma ovada, quando entrava na Bolsa de Valores de São Paulo para acompanhar o leilão da Cedae - foi para as redes sociais e comandou a zoação.
Ela, seus companheiros robôs e os demais fanáticos que povoam as redes sociais precisam olhar para os lados.
Se olharem, vão encontrar a CPI da Pandemia, uma espécie de jiboia - dessas gigantescas, que frequentam as histórias fantásticas da Amazônia - pronta para dar o bote no governo Bolsonaro.
Está bem que, no bote, a jiboia pode levar de roldão alguns, senão muitos, governadores e prefeitos.
Mas o governo Bolsonaro, nessa eventualidade, estará à frente do pelotão.
Isso é tão certo como Bolsonaro ter atuado como um vírus mais letal que o Covid, durante toda esta pandemia.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Helder e Renan Filho viram alvos de bolsonaristas na CPI. Gilberto Martins será convidado a contar o que sabe.

Helder Barbalho e Gilberto Martins: nova contenda, agora no palco da CPI da Pandemia
Ao que tudo indica, bolsonaristas já jogaram a toalha para excluir da CPI da Pandemia os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, e seu suplente, Jader Barbalho (MDB-PA).
Com a decisão do ministro do Supremo Ricardo Lewandowski, negando a concessão de liminar pleiteada por governistas para afastar o parlamentar alagoano, as portas do Judiciário parece que se fecharam completamente para as pretensões bolsonaristas de mudar a relatoria.
Mas é no campo da própria CPI que os aliados do Planalto juntam munições para testar se a comissão, como vendo sendo dito por vozes oposicionistas, está mesmo disposta a apurar toda e qualquer transgressão no combate à pandemia, seja no âmbito do governo federal, seja na esfera dos governos estaduais e de prefeituras, desde que tenham recebido verbas da União.
Dois alvos - A estratégia bolsonarista está clara: os principais - como também os primeiros - alvos dos governistas serão os governadores Renan Filho, de Alagoas, e Helder Barbalho, do Pará, filhos, respectivamente, de Renan Calheiros e Jader Barbalho.
A tropa de Bolsonaro, diminuta mas disposta a fazer barulho, quer testar como será a postura dos dois emedebistas, quando seus filhos estiverem no olho do furacão de averiguações e questionamentos sobre o uso de verbas federais para o combate à pandemia.
A demonstração evidente de que Bolsonaro pretende sair da defensiva e está colocando a faca nos dentes foi a revelação de que pelo menos 11 requerimentos protocolados na CPI por senadores aliados do governo foram, na realidade, produzidos por funcionários do Palácio do Planalto.
No caso de Helder, há uma particularidade: se ainda no curso da CPI ele vier a ser denunciado pela Procuradoria Geral da República, por irregularidades descobertas durante as Operações Para Bellum e SOS, deflagradas pela Polícia Federal no ano passado, esse fato representará não apenas um enorme desgaste político para o governo do Pará, como também será um motivo adicional para que ele seja, como diríamos, tragado para o centro da CPI.
E uma denúncia da PGR em breve não está descartada, uma vez que Helder e mais sete envolvidos já foram indiciados em fevereiro. E na semana passada, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, a mesma que pediu ao STJ, e teve autorizada, a deflagração das operações realizadas no ano passado, no Pará, já denunciou o governador do Amazonas, Wilson Lima, e mais 17 pessoas pelos crimes de organização criminosa e peculato, cometidos no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no estado. 
Ex-chefe do MP convidado - Tem mais: o jornal O Estado de S.Paulo informou que o promotor de Justiça Gilberto Valente Martins, que até recentemente exerceu as funções de chefe do Ministério Público do Pará, será convidado para comparecer à CPI para falar sobre o repasse de verbas federais transferidas para o estado combater a pandemia. O requerimento já foi apresentado pelo senador Jorginho Mello.
Martins, como se sabe, terminou sua gestão na condição de arquiinimigo do governo do estado, após propor uma ação de improbidade contra Helder e mais nove pessoas, por alegadas irregularidades na aquisição de 1.600 bombas de infusão, no valor de R$ 8,4 milhões, para o combate à pandemia do coronavírus. O promotor também ajuizou ação contra o governador pela compra de respiradores imprestáveis.
Ninguém se engane: a CPI, como um instrumento político de investigação, vai naturalmente estimular contendas e acertos de contas de natureza política.
Simples assim.

A nova marca de uma tragédia

Este é um dia que deveria ser esquecido.

Mas, infelizmente, jamais haverá de ser esquecido.

terça-feira, 27 de abril de 2021

CPI da Pandemia finalmente instalada. Agora, que cada um - e qualquer um - pague por seus crimes.

Na CPI, o presidente Omar Aziz (ao centro), entre Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe
Rodrigues (Rede-AP), relator a vice-presidente: ora de trabalhar sem mais delongas

Não teve jeito mesmo.

Está instalada a CPI da Pandemia.

Com Renan Calheiros na relatoria, justamente o que mais temem Bolsonaro e bolsonaristas - fanáticos ou mais ou menos fanáticos.

A questão de ordem que pedia o impedimento de Renan e Jader Barbalho foi derrubada.

A presença de Flávio Rachadinha Bolsonaro no plenário da comissão, mesmo sem integrá-la, foi um motivo a mais para reforçar a convicção de que o cidadão que desgoverna o País está apavorado, muito embora diga o contrário.

Mas por que está apavorado?

Hoje ainda, ele disse que não errou.

Se tem essa convicção, por que o medo de que apurem desastres que teriam sido - e ainda estão sendo - cometidos por seu governo durante esta pandemia.

Instalada a comissão, é hora de trabalhar sem mais delongas, como se diz.

Até porque, em se tratando de pandemia, não podemos esperar, não podemos postergar nada. Muito menos investigações sobre supostos malfeitos deste governo desastroso, calamitoso e pernicioso, que contribuíram muitíssimo para agravar a mortandade, que hoje já supera as 390 mil pessoas que tiveram a vida ceifada por essa doença.

Acompanhemos, com muitíssima atenção, o andar dessa CPI.

Convirá ao Senado fazer bom uso desse instrumento de investigação, utilizando-o a serviço da sociedade, independentemente do que vier a ser apurado.

E que os culpados, se houver, venham a responder por seus erros ou por seus crimes.

Bolsonarista quer Renan Calheiros e Jader Barbalho fora da CPI da Pandemia

Jader Barbalho: na mira de bolsonaristas, que não o querem na CPI da Pandemia
Bolsonaristas estão dispostos a embaraçar a CPI da Pandemia.
A Comissão está sendo instalada agora.
O senador Jorginho Mello (PL-SC) está levantando uma questão de ordem para que sejam declarados impedidos de atuar na CPI os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho, ambos do MDB.
A alegação é de que Renan e Jader são pais, respectivamente, de Renan Filho e Helder Barbalho, governadores de Alagoas e do Pará.
Como os governadores são passíveis de investigação, porque a CPI poderá apurar o repasse de verbas federais aos estados para o combate à pandemia, Mello entende que, conforme previsto subsidiariamente no Código de Processo Civil, Renan não poderá atuar na Comissão e nem mesmo o suplente Jader Barbalho.
Renan, como se sabe, já avisou que se dará por suspeito em qualquer votação que envolva diretamente seu filho.
Essa questão de ordem ainda precisará ser decidida nesta abertura dos trabalhos.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Em Oriximiná, briga entre prefeito e "Chato" não pode limitar-se apenas a facão, berros e acusações

Continua viralizando, aí pelas redes sociais, esse vídeo em que o prefeito de Oriximiná, William Fonseca, estrebucha diante da delegacia de polícia da cidade contra um homem identificado por ele como sendo Joeilson Damião, o Chato.

Há uma infinidade de versões, nas redes sociais, sobre as motivações da briga entre o gestor e o suposto agressor, reconhecidamente ligado à família Ferrari, que tem entre seus membros Ângelo Ferrari, o candidato derrotado por Fonseca nas últimas eleições.

Mas duas coisas são certas e deveriam, objetivamente, merecer apuração, eis que vociferadas pelo prefeito de um município.

A primeira: se houve crime de ameaça, e não importa qual a motivação, convém que a polícia instaure inquérito, apure e o conclua. Depois disso, se a polícia não divulgar o resultado, o próprio gestor bem que poderia fazê-lo.

A segunda: as denúncias de que a polícia sediada no município tem à frente um delegado "corrupto" e "bandido", que estaria extorquindo empresários, mereceria que o próprio prefeito representasse junto ao Ministério Público para requisitar as devidas investigações.

Se não fizer isso, William Fonseca estimulará a versão que seus adversários também estão espalhando pelas redes sociais: a de que toda essa confusão, gravada, filmada e difundida publicamente, não teria passado de um bate-boca por motivos fúteis.

domingo, 25 de abril de 2021

Cada vez mais parcial e ideologizado, o jornalismo vira um saco de pancadas. Literalmente.

Jornalistas, mais uma vez, foram muquiados por bolsonaristas (fanáticos e mais ou menos fanáticos) durante a visita do presidente da República a Belém, na última sexta-feira (23).

Agressões verbais e até mesmo agressões físicas foram registradas.

A melhor forma que bolsonaristas (fanáticos ou mais ou menos) encontraram para homenagear o chefe é agredindo jornalistas.

A melhor forma que bolsonaristas (fanáticos ou mais ou menos) encontraram para expor seus vieses fascistas é atacando a Imprensa, um dos pilares em qualquer regime essencialmente e genuinamente democrático.

Mas, sinceramente, o que é a democracia para Bolsonaro e os fanáticos que o seguem?

É nada. É apenas um miragem. Uma tese. Ou então é apenas um covil, onde se abrigariam comunistas com foice e martelo nas mãos, prontos para comer criancinhas. Vivas, de preferência.

Nesse covil, os fanáticos identificam jornalistas como profissionais que se aplicariam para difundir, com esmero e arte, notícias que não passariam de elementos a mais, numa ampla conspiração para derrubar fascistas do poder. Inclusive Bolsonaro.

O mais aterrorizante de tudo, neste ambiente em que o jornalismo e os jornalistas estão sendo acossados, perseguidos e intimidados por Bolsonaro e seguidores fanáticos, é que um amplo segmento do jornalismo e muitos - mas muitos mesmo - jornalistas estão se colocando indecorosamente e fervorosamente a serviço desse governo predatório, o mais predatório em cinco séculos de história do Brasil.

A mim pessoalmente, como jornalista, isso é o mais apavorante, o mais aterrador. Porque representa o desvirtuamento do jornalismo como atividade que deveria, em tese, ser essencialmente independente - de governos, de ideologias, de partidarismos, de tudo, enfim, para colocar-se apenas a favor da sociedade, que o teria como uma lupa para amplificar as ações perniciosas de governantes.

Neste País dividido, polarizado, fanatizado e extremado ideologicamente, o jornalismo está se mostrando cada vez mais parcial. E a parcialidade põe-se a serviço, é claro, de vários lados - e não a favor de um ou dois lados.

Pior para nós, jornalistas.

Pior para o jornalismo

Abaixo, a nota do Sinjor-PA sobre as agressões ocorridas em Belém.

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O Sindicato de Jornalistas no Estado do Pará (Sinjor-PA) e a Comissão de Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) vem publicamente repudiar as agressões, ameaças e hostilizações generalizadas aos jornalistas feitas por militantes e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na última sexta-feira (23), em Belém.

A violência contra os jornalistas paraenses tem responsabilidade direta de Jair Messias Bolsonaro, já que o presidente do Brasil encoraja o estabelecimento de um ambiente cada vez mais hostil contra a imprensa. Em 2020, o chefe do governo bateu o recorde de agressões a jornalistas, sendo responsável sozinho por 175 ataques, segundo relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
O Sinjor-Pa e a Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB entraram em contato com o repórter Diogo Puget, da TV Cultura, que foi agredido por um apoiador do presidente, quando tentava gravar uma passagem junto com o repórter cinematográfico Carlos Augusto. Equipes do Grupo Liberal, TV Cultura, jornal Diário do Pará, TV Record e Rede TV também foram hostilizados pelos apoiadores do presidente.
As entidades acompanham o caso de perto para cobrar a punição dos agressores, prestam solidariedade às vítimas e estão à disposição para toda a assistência jurídica. Essas ações, próprias dos regimes autoritários, não podem ser aceitas ou naturalizadas. Por isso, solicitam que os jornalistas repassem vídeos e fotos para ajudar a identificar os agressores e cobrar a punição devida.
O Sinjor-Pa vai exigir ainda que os veículos de comunicação disponibilizem carros próprios das empresas durante o trabalho das equipes de reportagens, que servem de retaguarda para a segurança dos jornalistas e diminuem a exposição dos profissionais às agressões.
O Sindicato está empenhado na cobrança de medidas contra a violência a jornalistas e pela liberdade de expressão, mas é necessário que os trabalhadores denunciem quaisquer ameaças ou agressões e registrem boletim de ocorrência para que as medidas legais sejam tomadas.
Sinjor-PA – Gestão Sempre Na Luta: Pela Categoria, Pela Democracia
Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB-PA

24 de abril de 2021 

O terror de Bolsonaro

Como todo mito que se preza, Bolsonaro jamais vai dizer que tem medo de alguma coisa. Muito menos de CPI.
Se já demonstrou não ter medo de um vírus mortal como o Covid, como teria medo de CPI?
Há uns cinco dias, o cidadão vociferou: "Não temos medo de CPI".
Mas ele tem, sim.
E como tem.
Bolsonaro pode não ter medo de Covid, mas está se borrando de medo da CPI da Pandemia que se instala nesta terça-feira (27), no Senado.
Os últimos movimentos do Capitão não deixam dúvidas quanto a isso.
O presidente está tentando cooptar - ou amansar, se quiserem - Renan Calheiros, o relator.
Para tanto, procurou a intermediação de Renan Filho, governador das Alagoas.
Agora, revela-se que o ex-presidente e ex-senador José Sarney também já foi retirado de seu sossego na Ilha do Curupu para tentar uma aproximação entre Renan e o governo.
Além disso, a manchete de O Globo deste domingo revela que o Planalto já está cuidando de montar uma força-tarefa que terá a missão de treinar eventuais personagens que serão convocados para depor na CPI.
Entre os que serão treinados, o principal deles é o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para enfrentar a CPI. Há um temor no governo de que o general fique desestabilizado quando vier a ser pressionado por questionamentos.
E não esqueçamos o seguinte: nesta semana apareceu o primeiro fio desencapado que pode causar muita dor de cabeça ao governo Bolsonaro na CPI.
Trata-se do ex-secretário de Comunicação do Planalto, Fabio Wajngarten, que promete contar tudo o que sabe sobre o atraso na compra de vacinas da Pfizer. E será um dos primeiros a ser convocados.
O resumo dessa ópera é que o grande perigo continua a ser Bolsonaro.
Porque esse cidadão, calmo e devidamente medicado, já é um risco para o País.
Vocês imaginem, então, o que será capaz de fazer quando está aterrorizado!
Credo!

sábado, 24 de abril de 2021

Renan declara-se suspeito em relação ao governo de Alagoas. E Jader, em relação ao governo do Pará?

Renan Calheiros: suspeição para não oferecer mais munição aos ataques de bolsonaristas
Escolhido para ser o relator da recém-criada CPI da Pandemia, a ser instalada na próxima terça-feira (27), o senador Renan Calheiros já avisou, a quem interessar possa, que vai se declarar suspeito para tomar qualquer decisão quando o assunto envolver diretamente o governo de Alagoas. O motivo é óbvio: Renan Filho é o governador do estado.
“Desde já me declaro parcial para tratar qualquer tema na CPI que envolva Alagoas. Não relatarei ou votarei. Não há sequer indícios quanto ao estado, mas a minha suspeição antecipada é decisão de foro íntimo”, escreveu o emedebista em sua conta fechada Twitter.
O posicionamento de Renan já suscita uma indagação: e o senador Jader Barbalho (MDB), cujo filho, o governador Helder Barbalho, foi alvo das Operações Para Bellum e SOS, por supostas irregularidades durante a pandemia, já tendo sido, inclusive, indiciado pelo Polícia Federal?
Duas fontes ouvidas pelo Espaço Aberto, um parlamentar e um jurista, avaliam que Jader, na condição de suplente, não precisará declarar-se suspeito. Mas se, eventualmente, assumir a titularidade e tiver que votar em alguma circunstância que envolva diretamente o governo Helder, aí sim, é possível que sua suspeição seja suscitada.
Renan já se antecipou em declarar-se suspeito para não dar ainda mais munição aos bolsonaristas, que nos últimos dias, inclusive, aumentaram exponencialmente os ataques ao senador alagoano, desde que foi confirmada sua escolha para a Relatoria da CPI. A maioria dos ataques, segundo Renan já descobriu, tem sido feita por robôs.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Wajngarten, o fio desencapado do governo Bolsonaro, enfrenta reação de marqueteiro paraense


O Ministério da Saúde do governo Bolsonaro é um eterno parquinho pegando fogo. Quando as chamas parecem diminuir, vem alguém tentar apagá-las com um galão - ou vários galões - de gasolina.
Os novos galões de gasolina que elevam ainda mais as chamas no parquinho do Ministério da Saúde estão contidos na reportagem de capa da revista Veja, que está com sua nova edição disponível desde a noite de quinta-feira (22), quebrando a praxe de circular apenas nas manhãs de sexta.
Na reportagem exclusiva, o ex-secretário de Comunicação do Planalto Fabio Wajngarten, agora uma espécie de fio desencapado do desnorteado governo Bolsonaro, responsabiliza diretamente o Ministério da Saúde pelo atraso das vacinas e conta que o general Pazuello, então ministro da Saúde, foi demitido após rumores de que seria preso.
Wajngarten, manhosamente, não atribui as culpas nominalmente a Pazuello, mas joga pesado contra sua equipe, acusando-a de portar-se com "incompetência" e "ineficiência". A revista pergunta ao ex-titular da Secom: "O senhor está se referindo ao ex-mi­nistro Eduardo Pazuello?". Ao que Wajngarten responde: "Estou me referindo à equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período."
Reação -
A acusação genérica de Wajngarten - que também, é claro, poupa nominalmente de críticas o presidente da República - está inflamando os ânimos de membros da equipe do ex-ministro da Saúde, que já começam a acionar seus trombones nas redes sociais.
Um deles - ou, quem sabe, o primeiro deles - é o paraense Marcos Eraldo Arnoud Marques, profissional em marketing, que profissionalmente se identifica como Markinho Show e se envolveu em algumas polêmicas - inclusive com jornalistas -, quando esteve à frente da chefia de Comunicação de Pazuello.
Em seu perfil no Twitter, Markinho Show revela (veja na imagem acima) que teria recebido de Wajngarten uma ordem para castigar financeiramente a Globo e restringir o acesso de Pazuello à emissora. "Claro que não fiz o que ele pediu. Não aceitaria uma ordem desqualificada e inútil. Fiz tudo ao contrário", garante o marqueteiro em postagem no Twitter.
Na entrevista à Veja, Wajngarten mostra-se disposto a comparecer perante a CPI da Pandemia para contar tudo o que sabe a respeito do atraso na compra de vacinas da Pfizer. "Estou tranquilo, se necessário, posso esclarecer tudo isso à CPI", reforça o ex-secretário.
Pelo visto, e dependendo da altura das chamas que vão consumindo o parquinho do Ministério da Saúde, é possível que outros também estejam dispostos a vomitar tudo o que sabem contra Wajngarten.
Que venham mais chamas.
Só assim ficaremos sabendo, agradecidos, a quantas anda o potencial de destruição do governo Bolsonaro, o mais predatório em 500 anos de história do Brasil.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Em sete minutos, Bolsonaro se contradiz, dá vexame, é ignorado por Biden e ainda pede dinheiro para continuar destroçando o meio ambiente

Se você tiver paciência, como também tempo a perder, veja a íntegra do discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima.

Se pedissem para esse cidadão traduzir uma linha, apenas uma, do discurso que escreveram pra ele, a resposta seria o silêncio. Porque o presidente do Brasil não sabe, não entende nada de nada.

Bolsonaro saberia explicar, por exemplo, o que seria NDC transversal e abrangente?

Saberia o que significa neutralidade climática?

Saberia dizer duas palavras que fossem sobre o tema bioeconomia?

Ele acredita mesmo no potencial do mercado de carbono? Saberia o que é isso?

Alguém acredita em "compromissos" firmados por Bolsonaro, o timoneiro de um governo catastrófico, que incentiva o desmatamento, está escancarando os garimpos da Amazônica para a extração ilegal e desmontou a estrutura de fiscalização do Ibama?

Alguém acredita que ele fará alguma coisa, ainda em sua gestão, para reduzir o desmatamento ilegal, para assim dar início ao cumprimento da meta estabelecida até 2030?

Bolsonaro diz que determinou o "fortalecimento dos órgãos ambientais". É? O que dizer então da denúncia dos próprios funcionário do Ibama, de que a fiscalização está paralisada?

O presidente dirigiu-se a Biden. Mas Biden nem assistiu ao discurso. Já tinha saído para reunião previamente agendada, o que demonstra bem a desimportância do Brasil, transformado num pária internacional pelo governo Bolsonaro.

Mas o melhor ficou para o final.

Bolsonaro, depois de expelir contradições e mentiras, ainda pediu dinheiro.

Mas para quê?

Para continuar destroçando o meio ambiente?

Um vexame.

Tivemos hoje, na Cúpula do Clima, sete minutos de vexame protagonizado pelo governo Bolsonaro.

Que horror!

Um ato hediondo da Assembleia do Amazonas premia o comandante de um governo que deixou amazonenses sem oxigênio


Imagens de desespero com a falta de oxigênio em Manaus. Mas o Oscar vai para quem?
Para Jair Bolsonaro, que ganhou da Assemleia Legislativa o título de Cidadão Amazonense.

O Brasil, como se diz, não é para amadores.

Outros dizem também que o Brasil é o País da piada pronta.

Pois é.

No País da piada pronta, que não é para amadores, parece piada pronta dizer-se que a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou, vejam só, o título de Cidadão Amazonense para Jair Bolsonaro.

Estão vivas, na memória de todo mundo, as imagens - tétricas, horrendas, desesperadoras, trágicas - de pessoas morrendo sem atendimento à porta de hospitais lotados e dentro de ambulâncias.

Em maio do ano passado, o então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, foi às lágrimas, durante entrevista à CNN, ao deplorar a conduta de Bolsonaro nesta pandemia.

No início deste ano, acresceram-se ao horror no Amazonas as imagens de pacientes com Covid sofrendo por falta de oxigênio.

Essas ocorrências levaram à abertura de uma investigação para apurar as responsabilidades do governo Bolsonaro, na pessoa do general Eduardo Pazuello, o pior ministro da Saúde do Brasil em 500 anos.

Registre-se, além disso, que as omissões do governo Bolsonaro na crise da falta de oxigênio no Amazonas estão entre as prioridades da CPI da Pandemia, prestes a ter início no Senado.

Apesar de tudo isso, o estado do Amazonas, por deliberação dos deputados que integram a Assembleia Legislativa, investiu na condição de Cidadão Amazonense um cidadão que concorreu, diretamente, para a tragédia que ceifou a vida de centenas de amazonenses.

Isso até parece uma piada pronta - se não fosse uma tragédia.

E se você não é amador, então explique como é possível o Legislativo cometer um ato tão hediondo, despudorado e insano como esse.

A derrota dos mercenários e o triunfo dos torcedores. Viva o futebol!

Torcedores ingleses protestam contra a Superliga: O futebol pertence a nós, não a vocês.
Viva o futebol! E fora os mercenários que não têm qualquer identidade com os clubes.
De dinheiro, todo mundo gosta.
Quem bate no peito e proclama que não tem, digamos assim, muito apego a dinheiro está mentindo.
Agora, dos que gostam de dinheiro - quase todo mundo -, quase ninguém tem coragem de dizer que gosta.
Dessa hipocrisia, convenhamos, estão livres os mercenários que comandam os grandes clubes da Europa - mais precisamente os grandes da Inglaterra, os espanhóis Real Madri e Barcelona e uns três italianos.
Esses mercenários, 12 no total, gostam de dinheiro, dizem que gostam e fazem de tudo para excluir que os que têm pouco ou nenhum dinheiro.
Essa ideia da Superliga europeia - a natimorta tentativa de reunir 15 clubes fixos, que não seriam nunca, jamais rebaixados, e convidar mais cinco para disputar anualmente uma competição - revelou na medida duas coisas.
A primeira: o mercenarismo no futebol anda pari passu com a falta de identidade, com o descompromisso e a desvinculação dos mercenários da história, da tradição e do peso da representatividade dos clubes que eles comandam.
A segunda: a raça, a galhardia, a coragem e a contundência com que torcedores - aqueles de raiz, que não costumam torcer apenas de quatro em quatro anos para as seleções que disputam uma Copa do Mundo - se mobilizaram para pressionar os mercenários e fazê-los desistir dessa ideia tão ridícula e danosa para o futebol.
Foi por causa dessa mobilização que a Superliga morreu antes de começar. E não apenas morreu, mas escancarou a caratonha de mercenários que sequer têm vergonha de proclamar que gostam de dinheiro, mas não dizem que a falta de dinheiro não se resolve tentando subtrair do futebol a sua verdadeira essência: a competição.
A mobilização foi tamanha, principalmente na Grã-Bretanha, que por muito pouco esse assunto não virou uma questão de estado por lá. Isso porque o primeiro-ministro Boris Johnson avisou que, se os clubes ingleses não desistissem de aderir a essa maluquice, ele proporia uma lei para barrar a entrada das agremiações na Superliga, sob a justificativa de que tal adesão configuraria a prática de cartel.
Aliás, os torcedores brasileiros, esses fortes, bem que poderiam se mirar nos europeus, sobretudo os ingleses, para pressionar seus clubes a sanear suas contas e implantar gestões profissionais. Isso, sim, seria uma boa motivação para pressões e protestos, e não atacar jogadores e técnicos quando os times perdem duas partidas seguidas.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

O conselho de Elio Gaspari a Bolsonaro. Eu tenho outro, um pouco diferente.


Em sua coluna em O Globo desta quarta (21), Elio Gaspari, como se estivesse psicografando uma carta do embaixador Ítalo Zappa (1926-1997) a Jair Bolsonaro, dá o conselho acima ao presidente.

Eu daria outro.

Diria assim: Amanhã o senhor começará a participar da Cúpula do Clima e deve fazer de tudo para não rebaixar ainda mais o conceito do Brasil, que já é tido como um pária internacional. Acho que posso ajudar com uma ideia simples: como o senhor não entende nada de nada, não adianta nem ler o texto que sua diplomacia vai redigir. É melhor ficar calado durante a reunião inteira. E deixe seu ministro Ricardo Salles falar no seu lugar. Ele também será ridículo. Mas o senhor terá sempre a desculpa de dizer que o ridículo foi ele, e não o senhor.

Pronto.

Esse é o meu conselho.

Se você tiver um, qualquer um, contribua.

Bolsonaro em Belém na sexta. Mas só "se nada der errado".

A convicção de bolsonaristas - fanáticos ou não - é diretamente proporcional à veracidade com que Bolsonaro, e por extensão seu governo, divulga informações.
Ou seja, a convicção de bolsonaristas é nenhuma. Absolutamente nenhuma.
Mas eles não percebem isso.
Vejam o vídeo acima.
É o deputado Delegado Éder Mauro, um dos mais ardorosos apoiadores de Bolsonaro, convocando a tropa bolsonarista para recepcionar o chefe na próxima sexta-feira (23), em Belém.
O roteiro imaginado, previsto, programado é o seguinte: Bolsonaro pega um avião em Brasília, vai até Manaus e à tarde virá a Belém.
Mas só virá a Belém "se nada der errado", conforme acentua o deputado no vídeo.
E o que cara, afinal de contas, vem fazer em Belém?
O evento e o local ainda estão sendo definidos.
Como veem, informação mais precisa do que essa, só duas dessas.
Pelo sim, pelo não, a tropa já está devidamente convocada para bater continência ao Capitão naquilo que Éder Mauro classifica de "grande festa", a ser organizada "de maneira sadia".
De maneira sadia, no jargão bolsonarista, é todo mundo concentrado, um fungando na cara do outro - e sem máscara.
Porque a pandemia, eles dizem, já passou faz tempo.
Aliás, acham que nunca teve pandemia.
Avante, Brasil!

Sob pressão, o governo Bolsonaro fica meio "pianinho". Mas continua mentindo!

Vejam aí.

É a manchete de primeira página de O Globo desta quarta (21).

Como já se disse aqui, o governo Bolsonaro é o mais predatório da história do Brasil.

Predatório e mentiroso.

Porque é uma mentira - e mentira deslavada - que Ricardo Passar a Boiada Salles vá mesmo estudar um ajuste nas normas para permitir que a fiscalização do Ibama volte a andar.

Por que é uma mentira?

Porque a flexibilização das normas de fiscalização ajusta-se perfeitamente às intenções, aos intentos de Ricardo Salles de passar a boiada, conforme expressou naquela patética, indecorosa, afrontosa e indecente reunião de 22 de abril do ano passado.

Por que é uma mentira?

É uma mentira porque Ricardo Salles mostra-se agora todo pianinho por um motivo mais do que evidente: está sob pressão intensa, inclusive do governo Biden, para que o Brasil apresente nos fóruns internacionais, como a Cúpula de Líderes Sobre o Clima, que começa amanhã, em Washington, propostas e compromissos objetivos que detenham a devastação da Floresta Amazônica, como tem ocorrido, de forma avassaladoramente crescente, desde que Bolsonaro assumiu o governo, em janeiro de 2019.

Quando terminar essa cúpula e quando as pressões arrefecerem - se arrefecerem, é claro -, Ricardo Salles voltará a ser o mesmo: o operador mais visível do governo Bolsonaro, exercendo com arte e esmero a missão de destruir o meio ambiente no Brasil.

terça-feira, 20 de abril de 2021

O que dirão governadores à PGR sobre a desativação de hospitais de campanha, inclusive no Pará?

Equipamento do hospital de campanha de Santarém, reativado em fevereiro, em meio
à segunda onda da pandemia. Por que foi desativado? A PGR quer saber (foto Agência Pará)

Se vivêssemos, todos nós, no Reino Encantado da Transparência, certamente teríamos acesso às respostas que governadores de estado terão obrigatoriamente de prestar à subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo.

Foi ela, ninguém esqueça, quem pediu a teve deferida pelo STJ a deflagração da Operação SOS, que no ano passado apurou a compra de respiradores imprestáveis da China pelo governo Helder Barbalho.

A doutora endereçou uma série de questionamentos a governadores de todos os estados do País, tão logo confirmou-se a instalação pelo Senado, por determinação do Supremo, da CPI da Covid, que está deixando Bolsonaro mais amalucado, mais fora dos eixos e do prumo do que sempre foi.

Um dos questionamentos da subprocuradora é bem interessante, como também pertinente e atualíssimo.

Ela escreve no ofício: "Esclareça-se ainda porque os Excelentíssimos(as) senhores(as) Governadores(as) entenderam que ocorreu o fim da pandemia de Covid-19 entre setembro e outubro de 2020 com a consequente desativação dos referidos hospitais bem como o prejuízo causado ao erário, não só em relação às vidas com a falta atual de leitos como o decorrente da verba mal utilizada."

Pois é.

Nesta postagem aqui, publicada em 19 de fevereiro deste ano, portanto há dois meses, o Espaço Aberto perguntou o seguinte, logo após ser reativado o hospital de campanha em Santarém, àquela altura vivendo um contágio avassalador na segunda onda da Covid:

* Até quando o hospital de campanha de Santarém vai continuar montado e apto para receber pacientes que são vítimas da pandemia?
* Por que não deixar esse hospital montado até a 15ª onda dessa pandemia, que ninguém quando virá (mas, dizem os especialistas, é certo que virá)?
* Se um hospital de campanha do porte desse, agora entregue em Santarém, não pode passar muito tempo inativo, ou seja, sem receber um número mínimo de pacientes, porque isso demanda custos para a Administração, alguém pode dizer quais os custos - inclusive em perda de vidas humanas - de não termos leitos disponíveis, a tempo e a hora, a cada nova onda que vai chegando e colapsando o sistema hospitalar?

Todas essas perguntas ainda estão irrespondidas até agora. Não só em relação ao hospital de campanha de Santarém, como a outros hospitais, em qualquer lugar - no Pará e fora dele -, que foram desativados inexplicavelmente quando a pandemia demonstrou sinais de arrefecimento, a partir de setembro.

Seria bom, muito bom, sabermos o que governadores vão responder à Procuradoria-Geral da República.

Mas não saberemos, muito provavelmente.

Porque ainda estamos longe, muito longe, de viver no Reino Encantado da Transparência.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

O bom exemplo de Renan Calheiros, que nem sempre, sabemos, tem bons modos políticos


Espiem aí.
Renan Calheiros, o senador do MDB de Alagoas que será o relator da CPI da Covid, está longe, muito longe, de ser um exemplo de bons modos políticos.
Tanto é assim que ele responde a vários inquéritos.
Mas, desta vez, Sua Excelência foi bem.
Lauro Jardim informa que Renan opera um aplicativo que caça robôs virtuais.
E já descobriu que, no último domingo (18), de 1 mil menções de seu nome como relator, nada menos do que 670, ou seja, 67%, foram feitas por robôs bolsonaristas.
Por que não bani-los do Twitter?
Aliás, se Renan tem um aplicativo que faz esse monitoramento, o próprio Twitter não terá recursos para fazê-lo?
É claro que tem.
Por que, então, não detona com as contas de robôs - sejam bolsonaristas, petistas, lulistas, doristas, enfim, qualquer robô?

Respirador escondido ou não em parede falsa é apenas um detalhe. Que seria folclórico, se não fosse trágico.

No Hospital Abelardo Santos, 19 respiradores parecidos com esses ficaram sem utilização
por algum tempo. Esta é a essência da questão, e não se estavam ou não em parede falsa.

Ao qualificar expressamente de mentira, ou fake news (como mudernamente se diz), uma informação sobre a descoberta de 19 respiradores novinhos em folha que teriam sido escondidos numa parede falsa no Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, o governo do estado pode estar se expondo, perigosamente, a um grande risco: o de parecer que está tentando desviar o foco do essencial para o secundário. E quando se faz isso, todos sabemos, é sinal de que não se pretende apurar nada - nem o que é essencial, nem o que é secundário.

O tuíte da Sespa: preocupação com detalhe secundário
pode indicar que não será apurado o essencial
O que é essencial nessa história toda, que começou com a revelação postada na coluna on-line do jornalista Olavo Dutra, psoteriormente repercutida em âmbito nacional a partir da veiculação de reportagem da CNN? O que é essencial, portanto?

O essencial é que 19 respiradores, em tese aptos a funcionar, estavam inativos até a OS (organização social) Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu deixar a administração do hospital e transferi-la para o Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (Issaa). Essa, verdadeiramente, é a essência da questão.

Se os 19 respiradores estavam em perfeitas condições de funcionamento, mas eram mantidos inativos, é preciso apurar rigorosamente e rapidamente as responsabilidades por esse fato, eis que as condutas - comissivas ou omissivas - podem em tese configurar crimes, porque praticadas num momento em que vidas, às dezenas, estavam sendo ceifadas em decorrência da pandemia.

E qual é a questão secundária? A questão secundária é, justamente, se os 19 respiradores estavam numa parede falsa, num porão falso, num buraco falso, seja o que for. Isso é apenas um detalhe que poderá, quem sabe, reforçar ou não - dependendo do contexto da subtração dos equipamentos ao uso num hospital público - o suposto dolo com que agiram os responsáveis pelo sumiço temporário dos respiradores.

Inacreditável - Não ameniza o gravidade da ocorrência tanto a Sespa como o Issaa dizerem que os respiradores foram encontrados numa sala ao lado do auditório do hospital e imediatamente colocados para utilização. Mesmo assim, é verdadeiramente espantoso, inacreditável, implausível que 19 respiradores tenham ficado sem utilização, ainda que não escondidos, mas armazenados (vamos utilizar esse termo sob a suposição de que não estavam numa parede falsa). Espiem na foto que aparece acima.

Os respiradores utilizados no Abelardo Santos são, seguramente, bem parecidos com os que aparecem na imagem, diferenciando-se em pequeníssimos detalhes, dependendo do modelo e da marca do equipamento. Cada um vem acondicionado em duas ou três caixas, das quais são retirados para posterior montagem e utilização. Vocês imaginem, então: havia no mínimo 38 caixas armazenadas em algum lugar das dependências do hospital Abelardo Santos.

Como é que todas essas caixas não foram vistas, não foram percebidas? A sala onde supostamente permaneceram os equipamentos sem utilização era de acesso restrito? Muito provavelmente não, porque situa-se ao lado de um auditório, conforme a versão oficial. Se não era, como se pode acreditar que ninguém percebeu esses respiradores lá, sem utilização? Quem se omitiu ou quem agiu para que tal ocorresse?

Vejam, portanto, que essas questões - a serem respondidas, espera-se, pelas investigações que já estão se processando - levam em conta o essencial, conforme já dito e repetido nesta postagem: a inatividade em que permaneceram equipamentos em perfeitas condições de uso. Eis a gravidade do fato.

Se havia parede falsa, cortina falsa, gaveta falsa ou porão falso guardando ou ocultando esses equipamentos, isso é um detalhe. Um detalhe que, se confirmado, seria folclórico e bizarro, se não fosse verdadeiramente trágico. Porque, convenhamos, quando a vida humana está em risco, nada é folclórico, nada é bizarro, nada pode ser tido como uma brincadeirinha inocente.

Nada.

sábado, 17 de abril de 2021

Chegou a hora para o governo Bolsonaro, o mais predatório em 500 anos

O governo Bolsonaro é, literalmente, predatório.

Aliás, é o mais predatório em 500 anos de história do Brasil.

Precisaremos de mais 1.500 anos para termos outro governo tão predatório como este.

Ao que se diz, Ricardo Passar a Boiada Salles é, dentre os ministros de Bolsonaro, aquele que tinha menos intimidade com o Capitão, quando este ainda se encontrava, no final de 2018, na fase de escolha da equipe que, sob seu comando, passaria a destruir o Brasil a partir de 1º de janeiro de 2019.

Mas Ricardo Salles, por mais incrível que pareça, transmutou-se no eficiente, fiel e operoso executor dos mais tenebrosos princípios e das mais horrendas concepções de Bolsonaro na área ambiental.

E chegamos a um ponto em que o Brasil, recanto de alguns dos mais preciosos e monumentais biomas da Terra, foi rebaixado, pelo governo predatório de Bolsonaro, à condição de ameaça - isto mesmo, ameaça - ao equilíbrio ambiental em todo o planeta.

Mas chegou a hora da verdade para Bolsonaro.

Dado a arrotar arrogâncias, ele está sob marcação cerrada dos Estados Unidos.

Nesta sexta-feira (16), John Kerry, o enviado do governo de Joe Biden para a cúpula sobre questões climáticas marcada para se realizar na próxima semana, em Washington, cobrou "ações imediatas" do de Bolsonaro contra o desmatamento e o engajamento com comunidades indígenas e a sociedade civil sobre questões ambientais.

A declaração foi dada no mesmo dia em que 15 senadores democratas enviaram uma carta a Biden dizendo que a ajuda ao Brasil na área ambiental deve estar condicionada à redução do desmatamento e ao fim da impunidade para crimes ambientais e violência contra ativistas.

Em um tuíte, Kerry disse que o comprometimento do governo Bolsonaro - feito em carta do brasileiro a Biden - de cumprir a meta, assumida no governo Dilma, de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 é "importante", mas que ele espera ver os resultados.

Tem mais.

Senadores democratas que assinam a carta a Biden, entre eles Bernie Sanders e Elizabeth Warren, manifestaram "profunda preocupação com a destruição acelerada do lado brasileiro da floresta amazônica, que ameaça minar os esforços globais para combater as mudanças climáticas".

É muita pressão.

Ou Bolsonaro se enquadra ou então afundará o Brasil num poço que ainda tem abaixo do poço onde o País já se encontra.

Confiramos!