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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Bolsonaro é a prevaricação. É o charlatanismo. É a falsificação, a epidemia mortal e a corrupção. Bolsonaro é o crime.

Bolsonaro é a prevaricação.

Bolsonaro é o charlatanismo.

É a epidemia com resultado morte.

É a infração a medidas sanitárias preventivas.

Bolsonaro também é emprego irregular de verba pública - portanto um corrupto.

É a incitação ao crime.

É a falsificação personificada de documentos particulares.

É uma compilação de crimes de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo).

Bolsonaro, enfim, é o próprio crime contra a humanidade (nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos.

São esses nove crimes, todo devidamente tipificados, configurados, documentados e fundamentados tecnicamente, que constam do relatório da CPI da Covid, apresentado há pouco, no Senado, pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL).

O relatório ainda vai ser objeto de discussão e merecerá, certamente, vários votos em separado. Mas, quando vier a ser efetivamente votado, dificilmente apresentará mudanças substanciais. E se for condenado por esses crimes, Bolsonaro pegará mais de 70 anos de cana.

É muito?

Não é. É pouco.

É muito pouco para um cidadão que desmerece o cargo que ocupa, que debocha do povo brasileiro, que envileceu e vilipendiou cruelmente, selvagemente as mais de 600 mil vítimas que já pereceram de Covid-19, uma doença que ele jamais reconheceu, por estar contaminado, infectado pelo mais nocivo, mais deletério, pernicioso e letal negacionismo.

Na sessão da CPI, Renan leu apenas uma pequena parte das 1.179 páginas do documento, que agora ficará disponível por uma semana aos demais integrantes do colegiado. A votação do texto - que será nominal e ostensiva - está marcada para a próxima terça-feira (26). Na mesma data, também serão apresentados votos em separados de outros parlamentares. 

O relator identificou 29 tipos penais e sugeriu o indiciamento de 66 pessoas, incluindo deputados, empresários, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Foram apontados ainda crimes cometidos por duas empresas: a Precisa Medicamentos e a VTCLog.

Um vez votado e aprovado, o relatório, devidamente instruído como os documentos que o ampararam, será remetido à Procuradoria-Geral da Republica, que então poderá prosseguir com as investigações e apresentar as eventuais denúncias.

Para ver a relação completa dos indiciados, clique aqui.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Um fanático bolsonarista com surtos de homofobia e seu show - assustador - de hipocrisia

Otávio Fakhoury: ele acha que a liberdade de opinião lhe permite disseminar mentiras
e mensagens homofóbicas, como fez contra o senador Fabiano Contarato

Otávio Fakhoury, um milionário que integra a horda de fanáticos bolsonaristas, está depondo na CPI da Pandemia.

Está sendo ouvido porque é suspeito de financiar a disseminação de informações falsas sobre a pandemia. Daí ser alvo de investigações no Supremo.

Além de disseminador de mentiras criminosas, Fakhoury também tem surtos de homofobia.

Há pouco, antes mesmo de o relator da CPI, Renan Calheiros (MD-AL), iniciar suas inquirições, o senador Fabiano Contarato (Rede) fez, cara a cara com o depoente, um desabafo comovente (vejam aqui).

Contarato, que é homossexual, casado e tem dois filhos, exibiu uma postagem odiosa, nojenta, cruel e de natureza homofóbica que Fakhoury fez contra ele.

Como era de se esperar, Fakhoury desculpou-se. Mas é uma desculpa, digamos assim, protocolar, forçada, hipócrita e mentirosa.

Uma desculpa esfarrapada, como se diz usualmente.

Porque eu, pelo menos, jamais vou acreditar que, depois de pedir desculpas, de proclamar que errou e que tudo não passou de uma, vejam só, "brincadeira", esse cidadão vai sair do plenário da CPI e virar uma espécie de ativista pela liberdade sexual.

Se você aí quiser acreditar nisso, acredite; mas eu, não.

O depoimento prossegue. E Fakhoury, o que tem surtos homofóbicos, já expôs, de forma assustadora, qual é o seu conceito de liberdade de expressão ou de opinião.

Para o depoente, essa liberdade implica dizer tudo o que lhe der na veneta, inclusive chamar uma vacina de lixo, como chamou a Coronavac, mesmo não sendo ele médico e não tendo, portanto, o menor conhecimento científico para disseminar um juízo como esse.

Fakhoury reconheceu que disse isso e justificou que o fez porque, simplesmente, tem o direito de emitir uma opinião. Qualquer opinião.

Está entendido.

Por isso é que Fakhoury fez um comentário homofóbico.

E agora vem pedir desculpas?

Quem acredita num elemento como esse?

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Luciano Hang, com as algemas brilhando, está pronto para desmoralizar a CPI. E só Renan Calheiros não vê.

Luciano Hang mostra as algemas que oferecerá à CPI para que o prendam. Só Renan
Calheiros é que insiste em dar palco para fanáticos bolsonaristas se fazerem de vítimas.

Diga-se tudo do senador Renan Calheiros (MDB-AL), o relator da CPI da Pandemia, mas não que ele seja inexperiente.
Nesta CPI, Renan Calheiros, como talvez nunca antes em sua vida pública, está sendo beneficiário de comentários, expectativas e avaliações bastante positivas.
Coleguinhas jornalistas, até então muito críticos de Renan em decorrência de sua trajetória política, recheada de denúncias que já foram parar em vários âmbitos do Poder Judiciário, agora o ouvem com um respeito quase reverencial.
Por quê?
Porque Renan, raposa que é, está sabendo capitalizar muito bem sua condição de relator de uma CPI que, admitamos, está desvendando podridões nunca antes imaginadas, que exalam dos porões desse governo genocida.
Mas Renan, essa raposa, está agindo como um colegial, como um iniciante.
Ele vai acabar abrindo espaço para que fanáticos bolsonaristas comecem a se fazer de vítimas e usem a CPI para desacreditá-la e bagunçá-la.
É o que acontecerá, fatal e inevitavelmente, se houver mesmo o depoimento, previsto para esta quarta-feira (29), do fanático bolsonarista Luciano Hang, investigado no inquérito das fake news do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
Renan, ao que informam nesta segunda-feira (27) todos os portais de notícias de credibilidade, é o único oposicionista da comissão que insiste em ouvir Hang, de quem pretende arrancar evidências sobre crimes que teriam sido cometido na Prevent Senior.
E Hang?
Ele não vai contar uma verdade sequer.
Porque é um mentiroso - fanático, empedernido, compulsivo, descontrolado.
Hang, nesse sentido, está pronto para criar um fato.
Está pronto para fazer-se de vítima, desacreditar a CPI e bagunçá-la. Tudo isso nas ventas de Renan Calheiros.
O empresário já gravou um vídeo (veja aqui) avisando que está disposto a falar. Mas, se não quiserem aceitar suas mentiras, ele entregará aos membros da comissão algemas para que o prendam.
É fácil imaginarmos como será sessão.
Será uma zona, meus caros; com todo o perdão das melhores zonas.
A tropa de choque bolsonarista vai, certamente, usar de todas as armas para criar confusão.
E ninguém poderá garantir que haverá condições para que esse depoimento aconteça.
Mas Renan Calheiros não se rende: só ele insiste nessa aventura.
Mas ainda está em tempo de o senador voltar atrás.
Uma reunião está marcada para hoje à noite na casa do presidente da comissão, Omar Aziz.
Tomara que Renan tome juízo e desista desse depoimento.
Pelo bem da credibilidade da CPI.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Na CPI da Pandemia, Pará é citado como "campeão" da malversação de recursos federais durante a pandemia

Wagner Rosário na CPI: contradições e menção a vários crimes - ainda sob investigação - que
teriam sido cometidos pelo governo do Pará na aplicação de recursos federais durante a pandemia

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE)) mencionou o Pará como o "campeão" no montante de recursos envolvidos em operações suspeitas - e ainda sob investigação - relacionadas à compra de equipamentos e insumos para o combate à Covid-19. No total, segundo o parlamentar, a lesão aos cofres públicos na aplicação de recursos federais chegou a um total de R$ 1,6 bilhão.

A menção a esse volume de recursos foi feita há pouco, na CPI da Pandemia, pelo senador cearense, que se autointitula independente, mas que predominantemente vem se alinhando entre os que fazem a defesa do governo Bolsonaro.

A estimativa feita por Girão foi feita em meio à oitiva do ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário. Ele foi chamado à CPI através de um requerimento do próprio Girão, para falar sobre a malversação de recursos públicos transferidos pelo governo federal para estados e municípios desenvolverem ações contra a pandemia.

Rosário, no entanto, foi duramente inquirido - e se contradisse várias vezes - sobre supostas omissões da CGU em relação às operações em que o governo federal chegou muito perto de adquirir a vacina Covaxin por meio da Precisa Medicamentos. A conclusão da negociata só não foi consumada porque descoberta pela própria CPI.

Ao confirmar as suspeitas de ilicitudes cometidas pelo governo do Pará, Wagner Rosário disse que não poderia entrar em detalhes porque as investigações ainda correm sob sigilo. Mas disse que os crimes "potencialmente cometidos" incluem direcionamento de licitação, acerto prévio, sobrepreço e superfaturamento, empresas fantasmas, inexecução contratual, empresa sem capacidade técnica para realização de serviços contratados e adulteração de documentos.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

PTB de ultradireitista condenado no Mensalão quer ingressar em ação de governadores


O PTB, do ultradireitista Roberto Jefferson, condenado no processo do mensalão, quer meter o bedelho no processo em que governadores de estado e do Distrito Federal, entre eles o do Pará, Helder Barbalho, pedem para ser dispensados de comparecer à CPI da Pandemia.
Meter o bedelho é a tradução, para o português de Portugal, do termo ingressar no processo na condição de amicus curiae, ou seja, de amigo da Corte, assim chamada a pessoa física ou jurídica que pede a um tribunal para admiti-la num processo como terceiro interessado, que pretende fornecer subsídios ao julgamento da causa.
Na petição endereçada à ministra relatora da ADPF (ação de descumprimento de preceito fundamental) 848, Rosa Weber, o PTB alega que "salta aos olhos a gigantesca relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda, a repercussão política e social da controvérsia", daí porque pretende ingressar no feito com a "finalidade de prover informações relevantes e apresentar argumentos úteis à causa".
É evidente que os tais argumentos úteis a serem apresentados pelo PTB devem reforçar os da tropa bolsonarista, interessada em ouvir Helder e outros governadores que receberam verbas federais para combater a pandemia e, por suspeitas de irregularidades, tiveram suas gestões como alvos de operações da Polícia Federal.
Por enquanto, a relatora da ADPF aguarda informações da CPI da Pandemia, para que possa decidir se concede ou não a liminar impedindo que a Comissão ouça governadores.
Jefferson, como se sabe, transformou-se num fanático celerado. Em vários oportunidades, nos últimos meses, expeliu ofensas e incitou ataques contra ministros do Supremo, chamando-os de "lobistas" e "malandros" que devem ser julgados "na bala". Em outra ocasião, divulgou uma foto na qual segura uma arma e ameaça “combater os comunistas”.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Helder e outros 17 governadores buscam a proteção do STF contra a CPI. A fundamentação é jurídica, mas a motivação é política.

Helder Barbalho: risco de enorme desgaste político é a razão para que ele e outros 17
governadores tentem escapar de depoimentos perante a CPI da Pandemia

Já era esperado.

Amplamente esperado.

O governador do Pará, Helder Barbalho, e governadores de outros 16 estados e do Distrito Federal ingressaram conjuntamente, nesta sexta-feira (28), perante o Supremo, com ação para que sejam poupados de comparecer à CPI da Pandemia.

Além de Helder, figuram como autores da ação sete outros governadores que já tiveram a convocação aprovada à unanimidade para que deponham na CPI, uma vez que suas gestões receberam repasses federais para o combate a pandemia e foram alvos de operações da Polícia Federal, no ano passado.

Apenas o governador de Roraima, Antônio Denarium, também convocado, não assina o documento. Os demais dez governadores que não foram chamados a comparecer perante a Comissão, mas assim mesmo, preventivamente, tentam abrigar-se sob o guarda-chuva do Supremo.

O grupo apresentou ao STF uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que aponta a violação do artigo 50 da Constituição, que não prevê a convocação do presidente da República para prestar depoimento na CPI. O entendimento de procuradores-gerais dos Estados, que elaboraram e também assinam a peça, é que essa prerrogativa se entende aos governadores.

Razões políticas - Mas a verdadeira motivação da ADPF é, evidentemente, política. A exposição pública dos convocados, compelidos a prestar contas do que fizeram - ou deixaram de fazer - com uma dinheirama considerável para o combate à pandemia, em iniciativas que envolveram a compra de insumos, medicamentos e equipamentos, tem um potencial de causar-lhes um enorme desgaste político.

O desgaste político, acrescente-se, ocorre num ano pré-eleitoral. E mais: alguns dos convocados estão na expectativa do posicionamento da Procuradoria-Geral da República, que poderá ou não oferecer ao Superior Tribunal de Justiça denúncia em decorrências das operações da PF realizadas em 2020.

Esse é o caso de Wilson Lima, do Amazonas, recentemente denunciado ao STJ, que ainda precisa decidir se aceita ou não a denúncia. E também é o caso de Helder Barbalho, que ainda se submete, juntamente com vários outros integrantes de seu governo, a investigações que poderão resultar - ou não - em denúncias da PGR ao STJ.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

CPI da Pandemia convoca Helder Barbalho e mais oito governadores que foram alvos de operações da Polícia Federal

Helder Barbalho: comparecimento à CPI para falar sobre supostas fraudes na
utilização de verbas federais para o combate à pandemia

A CPI da Pandemia aprovou há pouco, por unanimidade, a convocação do governador Helder Barbalho (MDB). O requerimento de convocação foi apresentado pelos senadores Marcos Rogério (DE-RO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Além dele, deverão comparecer à CPI os governadores Wilson Lima (PSC), do Amazonas; Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal; Mauro Carlesse (PSL), do Tocantins; Carlos Moisés (SC), de Santa Catarina; Antonio Denarium (PSL), de Roraima; Waldez Góes (PDT), do Amapá; e Coronel Marcos Rocha (PSL), de Rondônia; e do Wellington Dias (PT), do Piauí.

A motivação comum para a convocação dos governadores é a de que suas gestões tenham sido alvo de operações da Polícia Federal para desvendar suspeitas de irregularidades na utilização de verbas federais para o combate à pandemia do coronavírus.

No caso do Pará, houve duas operações no ano passado, a primeira a Para Bellum e a outra a SOS, ambas autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, a pedido da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo.

Ainda não está definida a data em que os governadores serão chamados a depor perante a CPI.

domingo, 23 de maio de 2021

No domingo, Bolsonaro comanda cenas de maluquice explícita. Ao lado de Pazuello, que se expõe ao risco de ser preso.

Pazuello no palanque, ao lado de Bolsonaro: deboche, desafio e infração às leis.
Tudo isso em meio ao repique da segunda onda. Ou do início da terceira.
Está claro, claríssimo, que Bolsonaro está apostando no deboche como o tempero de sua intenção de desafiar as leis, o bom senso, a moderação e o comedimento, que deveriam ser observados por qualquer governante que tenha um mínimo de inteligência e apreço pela vida humana.
Neste domingo (23), no Rio, esse cidadão comandou, irresponsável e criminosamente, o que se chamou de motociata, que em tradução significa um ajuntamento de malucos que saíram pelas ruas dirigindo motocicletas, todos sem máscara, num momento em que a pandemia está ou no repique da segunda onda ou entrando numa terceira.
A motociata, além de demonstrar que Bolsonaro deve, mais do que nunca, ser submetido a exames psiquiátricos para saber se está no seu juízo perfeito para (des)governo o Brasil, exibiu o ex-ministro Eduardo Pazuello, aquele mesmo que mentiu compulsivamente na CPI da Pandemia na semana passada. O general estava sem máscara e chegou a falar de cima de um palanque.
Pazuello, ao que se diz, deve ser mandado para a reserva, em ato que poderá ser publicado no Diário Oficial desta segunda-feira (24). Essa seria a alternativa para que ele não seja preso, uma vez que infringiu regramento do Estatuto dos Militares, ao participar de ato político-partidário.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Pit bull de Bolsonaro exibe na CPI vídeos em que Helder e mais quatro governadores recomendam a cloroquina


Marcos Rogério, o senador do DEM de Rondônia, tem-se notabilizado como o mais aguerrido entre os integrantes da tímida, desarticulada e hesitante tropa de choque de Bolsonaro na CPI da Covid.
Chamá-lo de pit bull do Capitão seria, convenhamos, uma ofensa aos pit bulls.
Mas, vá lá, se é preciso elegermos um pit bull entre os pets bolsonaristas inofensivos, o parlamentar rondoniense é o mais credenciado a ganhar esse título honorável.
Na sessão desta quinta (20), Marcos Rogério levou ao êxtase os bolsonaristas da comissão ao exibir vídeos em que cinco governadores, com estilo, afeto e comovente convicção, anunciam que estão distribuindo cloroquina e azitromicina em seus estados para o combate à Covid.
Os vídeos, exibidos na íntegra, são dos governador Wellington Dias (PT-PI), Flávio Dino (PCdoB-MA), Renan Filho (MDB-AL), Rui Costa (PT-BA) e Helder Barbalho, do MDB do Pará. Exatamente nessa ordem.
O pit bull de Bolsonaro ladrou alto, é claro, quando membros oposicionistas da oposição protestaram, alegando que os vídeos são de abril e maio do ano passado, quando ainda não se tinha nenhuma evidência científica sobre a inutilidade da cloroquina no tratamento da Covid e o próprio Ministério da Saúde emitiu um protocolo de procedimentos prevendo a possibilidade do uso do remédio sob rigorosíssimo controle médico.
Mas os estrebuchos oposicionistas de nada adiantaram.
Para a opinião pública, ficou a narrativa - essa palavra tão muderna, usada a todo segundo, por todo mundo, em qualquer lugar - de que os governadores que hoje condenam Bolsonaro por recomendar a cloroquina também já fizeram o mesmo há cerca de um ano.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Ministro posta vídeo em que o governador Helder Barbalho defende uso de cloroquina no tratamento da Covid

O governador Helder Barbalho virou garoto-propaganda da tropa bolsonarista, em sua tentativa de mostrar que todo mundo teria embarcado de cabeça na tese de que a hidroxicloroquina é uma alternativa eficaz no tratamento - precoce, inclusive - de pacientes acometidos de Covid.

Há cerca de três horas, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, publicou esse tuíte que está viralizando.

Mostra Helder anunciando o envio, para todos os municípios paraenses, de um lote de hidroxicloroquina e azitromicina.

"Vários estados e dezenas de Países utilizaram a hidroxicloroquina, azitromicina, zinco, etc. qdo vemos a CPI parece que é o remédio apenas do Bolsonaro e qdo respondem a verdade em cima das narrativas parece que não querem aceitar pq não viram os fatos e só as narrativas fakes", escreve Faria.

O vídeo é de maio de 2020, e o envio dos medicamentos foi destaque, inclusive, na Agência Pará, como se pode ler na matéria sob o título Municípios do interior recebem do Estado remédios para tratamento da Covid-19.

Na época, o uso dos remédios fazia parte do protocolo terapêutico do Ministério da Saúde para a doença, mas, em seu tuíte, Fabio Faria omite esse fato deliberadamente, como parte da estratégia de desconstruir o discurso da oposição, sobretudo agora, na CPI da Pandemia, de que apenas o governo federal é que defende a cloroquina para combater a Covid.

A postagem do ministro reforça, porém, outro fato: Helder é um dos governadores mais visados pela tropa bolsonarista, inclusive porque responde a dois inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar a compra de respiradores e de bombas de infusão para o combate à pandemia.

No ano passado, com autorização do Superior Tribunal de Justiça, a PF fez duas operações no Pará, a Para Bellum e a SOS, para investigar as suspeitas de irregularidades.

Gabeira traduz o que Pazuello quis dizer com "missão cumprida"

Gabeira: viva ele, que conseguiu expressar, precisamente, o sentido oculto do jargão
castrense utilizado por Eduardo Pazuello durante depoimento na CPI da Pandemia

Em seus treinos para depor na CPI, Eduardo Pazuello foi treinado, certamente, para responder de forma objetiva, curta e grossa à pergunta que lhe fizessem sobre por que foi demitido do Ministério da Saúde.

Renan Calheiros, o relator, fez exatamente essa pergunta.

"Missão cumprida", respondeu Pazuello durante sessão da CPI da Pandemia.

O jornalista Fernando Gabeira observa agora, na GloboNews, que Pazuello quis dizer: "Omissão cumprida".

Grande Gabeira.

É isso mesmo.

Pazuello escora-se no seu jargão castrense - no qual missão talvez seja um dos termos mais frequentes - para articular respostas que, acredita ele, revelam-se assertivas e de altíssimo viés patriótico.

Que nada.

Às vezes, esse lugares-comuns só ocultam o real sentido da tragédia.

Ou seja, às vezes, missão cumprida é, na verdade, omissão cumprida.

Simples assim.

Contraditório, impreciso e, algumas vezes, mentiroso. Na CPI, Pazuello foi plenamente Pazuello.

Pazuello na CPI: ele pode ter-se saído muito bem nos treinos, mas não no jogo

Treino é treino, jogo é jogo.
Para os boleiros, essa máxima é amplamente conhecida.
Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, teve mais de três semanas para treinar o depoimento que prestou hoje e que deverá prosseguir em sessão convocada para amanhã, quinta-feira (20).
E tanto é assim que o jornal O Globo chegou a adiantar, em matéria publicada em abril, que uma força-tarefa foi acionada pelo Planalto para treinar o ex-ministro, preparando-o para o depoimento de hoje.
Eis que Pazuello aparece na CPI da Pandemia. E o que faz?
Confirma a máxima: treino é treino, jogo é jogo.
Nas primeiras duas ou três horas de depoimento, o general até que se saiu bem. Ou saiu-se acima das expectativas, se vocês preferirem outra expressão.
Mas, com o andar do interrogatório, o script que o ex-ministro vinha seguindo conforme seus treinos, começou a colidir com o script do jogo. E aí Pazuello mostrou-se, verdadeiramente, Pazuello.
Incorreu em contradições.
Outras vezes, deu declarações que podem ser classificadas de mentirosas.
Outras mais, incorreu em imprecisões.
Em várias ocasiões, revelou-se dissimulado e escorregadio para livrar a cara do artífice-mor dessa tragédia que assola o País, o cidadão Jair Bolsonaro, dito presidente da República.
Pazuello teve a caradura de dizer que há dois Jair Bolsonaro: um deles é o presidente, o outro é o fanático das redes sociais. E acrescentou uma informação: a de que não extrai ordem do Bolsonaro que milita nas redes.
Isso é ridículo: porque o Bolsonaro das redes é exatamente igual, sem tirar nem pôr, o Bolsonaro que se aboleta no terceiro andar do Palácio do Planalto e de lá imagina estar governando o País.
Como é ridículo e trágico Pazuello tentar demonstrar que ele, pessoalmente, e seu ministério foram presentes e diligentes no caso da crise do oxigênio em Manaus.
A caradura de Pazuello não tremeu nem mesmo quando dois senadores amazonenses, Omar Aziz, presidente da CPI, e Eduardo Braga confrontaram-no com fatos indesmentíveis que confirmaram a negligência do governo federal - como também do governo do Amazonas - na gestão dessa crise.
Até amanhã, quando deverá voltar à CPI para o segundo tempo do depoimento, Pazuello poderá, se quiser, refletir sobre as consequências de não dizer a verdade.
Se o fizer, talvez poderá optar por dizê-la, independentemente de conveniências ou lealdades políticas a que se vê obrigado com bolsonaristas, sobretudo o próprio Bolsonaro.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Na CPI, o patético depoimento de um patético


Assisti a uma boa parte do depoimento prestado, nesta terça-feira (18), pelo ex-ministro das Relações Exteriores, esse deplorável, caricato, implausível, negacionista e fanático Ernesto Araújo.
Foi patético, sinceramente.
Foi um depoimento patético de um patético serviçal do governo Bolsonaro, que passou seus poucos mais de dois anos como chanceler dedicando-se a pregar e cultivar um isolacionismo que teve, concretamente, duas consequências.
A primeira: fazer do Brasil um pária internacional, alinhando-o à escória do fanatismo conservador. Um fanatismo capaz de achar, como chegou a proclamar em alto e bom som o então ministro, que nazismo e fascismo foram de esquerda.
A segunda: embaraçar, obstaculizar, atrapalhar e sabotar a compra de vacinas pelo governo do Brasil. O resultado: mais de 430 mil vidas perdidas para a pandemia.
De outra forma, o depoimento foi ótimo por duas razões.
A primeira: porque Araújo não titubeou - ao contrário, foi até muito enfático - em jogar nos peitos do então ministro Eduardo Pazuello as tratativas referentes à compra de vacinas, dizendo que não teve responsabilidade nessa área.
A segunda: porque oportunizou a senadores como Kátia Abreu (PP-TO) e Rogério Carvalho (PT-SE) usarem cerca de 40 minutos, vinte cada um, para lavar a alma nacional, dizendo a Ernesto Araújo tudo o que ele de fato precisa ouvir: que foi o pior ministro das Relações Exteriores do Brasil em 500 anos e, portanto, conseguiu destruir a histórica e positiva reputação do País no campo das relações internacionais.
Para quem assistiu à fala do ex-ministro - no todo ou em parte -, o melhor, porque desestressante, foi ter recebido, como eu recebi, o vídeo acima, em que Marcelo Adnet, imitando o intragável Galvão Bueno, faz uma narração do depoimento.
Simplesmente cômico!
Ainda bem que temos algum motivo para rir depois de assistirmos a um personagem como Ernesto Araújo depor numa CPI.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

PGR manda à CPI o teor de investigações sobre Helder e mais quatro governadores


A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou à CPI da Pandemia, em funcionamento no Senado, investigações em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) referentes a eventuais irregularidades no combate à Covid-19.
São citados os governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC); da Bahia, Rui Costa (PT); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Pará, Helder Barbalho (MDB), e de São Paulo, João Doria (PSDB). As informações são da CNN.
No caso de Helder, foram compartilhadas informações constantes de dois inquéritos: um é referente a compras de bombas de infusão e o outro, à aquisição de respiradores imprestáveis da China.
O ofício é assinado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e endereçado ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Nele, Aras diz que o levantamento é “oriundo da Assessoria Jurídica Criminal no STJ deste gabinete, contendo informações acerca dos procedimentos investigativos criminais em que se apuram crimes relacionados à aplicação de recursos destinados ao combate à pandemia e que estão sob a responsabilidade daquela assessoria”.
Aras também diz que “o compartilhamento de documentos e informações entre autoridades em esforços apuratórios são muito úteis para o progresso de suas respectivas linhas investigativas, preservando-as nos casos sigilosos de sua exposição”.

Mais detalhes, assista-os no vídeo.

Helder e mais 17 governadores questionam alcance de informações solicitadas pela CPI da Pandemia

Helder Barbalho e mais 17 governadores amparam-se em pareceres apontando
limitações nos poderes da CPI em relação a estados e municípios

O governador Helder Barbalho é um dos 18 signatários de ofício enviado à CPI da Covid, no qual governadores questionam o alcance de requerimentos que pedem informações sobre o enfrentamento à pandemia. A informação é do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

Ao ofício, os governadores anexaram dois pareceres que contestam o poder da CPI sobre estados e municípios. Ambos os pareceres foram elaborados pela Consultoria do Senado e pelo Colégio Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal.

"Requeremos que sejam confirmadas ou não as solicitações encaminhadas, apontando-se quais e em que pontos específicos deverão ser efetivamente atendidas. Frisamos que este requerimento não pretende criar qualquer embaraço ao inquérito parlamentar, que tem todo o nosso apoio. Ocorre, contudo, que todos os agentes públicos têm o dever de zelar pela legalidade, daí a imperatividade dos esclarecimentos", afirmam os governadores no ofício.

Além de Helder, assinam o expediente Wellington Dias (Piauí) - coordenador do tema vacina no Fórum dos Governadores -, Ibaneis Rocha (DF), Gladson Cameli (AC), Waldez Góes (AP), Renan Filho (AL), Rui Costa (BA), Renato Casagrande (ES), Ronaldo Caiado (GO), Flávio Dino (MA), Mauro Mendes (MT), Reinaldo Azambuja (MS), João Azevêdo (PB), Ratinho Júnior (PR), Paulo Câmara (PE), Cláudio Castro (RJ), Belivaldo Chagas (SE) e Mauro Carlesse (TO).

domingo, 16 de maio de 2021

Wajngarten diz que foi alvo de ataques articulados por paraense, que ele chama de "marqueteiro genial"

Desmentida por Fábio Wajngarten, que sofreu um surto de mitomania durante depoimento que prestou à CPI da Pandemia, na semana passada, Veja resolveu, em sua edição que está disponível desde esta sexta-feira (14), vingar-se no melhor estilo jornalístico: publicando novas e, digamos assim, instigantes e incontestáveis revelações do ex-secretário da Secom, quando falou à revista no final de abril.

Como Wajngarten teve a audácia de negar, na CPI, ter usado o termo incompetência para referir-se à equipe de Pazuello nas negociações para comprar a vacina da Pfizer, Veja não apenas disponibilizou em seu site o trecho da gravação como ainda acrescentou uma revelação.

Na entrevista que concedeu à Veja, segundo mostra o trecho agora desovado, o ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro atribui diretamente ao então ministro da Saúde sua exoneração da Secom. E disse que, para tanto, Pazuello valeu-se dos serviços de seu marqueteiro, o paraense Marcos Eraldo Arnoud Marques, o Markinhos Show, que teria abastecido jornalistas de notas atacando "tudo e todos".

Tão logo foi publicada, no dia 23 de abril, a bombástica entrevista em que Wajngarten denunciava a inação do governo Bolsonaro para comprar vacinas da Pfizer, Markinhos Show publicou no Twitter uma postagem dizendo que não cumpriu uma "ordem desqualificada e inútil" do titular da Secom para discriminar o jornalismo da Globo.

Segue o jogo.

E, no jogo, parece que está valendo tudo.

Até caneladas.

Direito ao silêncio de Pazuello deve ser fonte de turbulências em depoimento na CPI da Pandemia

Eduardo Pazuello: direito ao silêncio representa forte subjetividade na definição
do questões que poderão ou não incriminá-lo, no depoimento da próxima quarta-feira

A lei não é boa apenas quando nos favorece.

Deve ser considerada boa quando também contraria nossas pretensões e afronta nossas perspectivas e nossos juízos sobre o que for.

Da mesmíssima forma, assim deve ser encarada a jurisprudência dos tribunais.

Nesse sentido, é incontestavelmente correta a decisão do ministro do Supremo Ricardo Lewandowski, de conceder ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello o direito de ficar em silêncio na CPI da Pandemia, onde deverá depor na próxima quarta-feira, 19 de maio.

A decisão do ministro ampara-se em farta - e portanto consolidada - jurisprudência do Supremo.

O HC garante a Pazuello o direito de emudecer apenas diante de perguntas cujas respostas possam levar o ex-ministro a incriminar-se, uma vez que é investigado pelo MPF sobre a tragédia das mortes em Manaus, durante a segunda onda da pandemia.

Se a decisão de Lewandowski é correta nesse sentido, de outra forma é preciso considerar o seguinte: a forte subjetividade na aferição de um juízo sobre o que pode ou não incriminar Pazuello deve ser um combustível para ocorrências altamente turbulentas na sessão da próxima quarta-feira.

Todas as vezes em que o general, diante de uma inquirição, retorquir que não poderá respondê-la porque poderia incriminar-se, veremos ânimos exaltados, tanto por parte de governistas quanto dos opositores que integram a CPI.

Prevendo isso, o relator, senador Renan Calheiros, já está dizendo que, pelo menos de sua parte, deverá questionar o ex-ministro não propriamente sobre o que ele fez ou deixou de fazer, mas sobre o que outros fizeram ou deixaram de fazer, ou seja, sobre ações e omissões de outros personagens que atuaram durante essa gestão desastrosa do governo federal na pandemia.

Confiramos se essa estratégia dará certo.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Reação contundente de Aras é obstáculo para convite de CPI a membros do MP. Inclusive Gilberto Martins.

Gilberto Martins: na expectativa de ser chamado - ou não - para comparecer à CPI da Pandemia
A reação contundente do procurador-geral da República, Augusto Aras, à anunciada pretensão de membros da CPI de convocar membros do MP para falarem na Comissão na condição de informantes, pode ser fatal às pretensões de bolsonaristas de ouvir, entre outros, o ex-chefe do MP do Pará Gilberto Martins.
Na manhã desta quinta (13), Aras enviou aos integrantes da CPI da Covid no Senado uma mensagem afirmando que um "convite" para que a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo compareça ao colegiado seria "uma afronta ao Ministério Público, sem precedentes na história do país".
“Se Lindôra (Araújo) for convocada, será uma afronta ao Ministério Público sem precedentes na história do Brasil. O Supremo, membros do Ministério Público e juízes serem convocados a prestar depoimento sobre a atividade-fim não pode, disse o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre a mensagem do PGR.
Braço direito do chefe do Ministério Público Federal, Lindôra é responsável por coordenar investigações que envolvam autoridades com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça, como governadores, entre eles o do Pará, Helder Barbalho, alvo de operações da Polícia Federal ocorridas no ano passado, a pedido da subprocuradora e autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Como o Espaço Aberto já informou no dia 29 de outubro, o jornal O Estado de S.Paulo revelou que o promotor de Justiça Gilberto Valente Martins pode ser convidado para falar na CPI sobre o repasse de verbas federais transferidas para o estado do Pará combater a pandemia. O requerimento já foi apresentado pelo senador Jorginho Mello.
Martins, como se sabe, terminou sua gestão na condição de arquiinimigo do governo do estado, após propor uma ação de improbidade contra Helder e mais nove pessoas, por alegadas irregularidades na aquisição de 1.600 bombas de infusão, no valor de R$ 8,4 milhões, para o combate à pandemia do coronavírus. O promotor também ajuizou ação contra o governador pela compra de respiradores imprestáveis.

Eu tenho lado: estou a favor da briga!


A foto, que vale mais do que mil palavras, está na primeira página de O Globo de hoje.
É emblemática.
Mostra Renan Calheiros (de costas) e Flávio Bolsonaro, encarando-se, após um chamar o outro de "vagabundo", na sessão de ontem da CPI da Pandemia.
Com todo o respeito que a extrema, elevada e irretocável dignidade de Suas Excelências deve merecer de cada um de nós, é impossível assistirmos a uma briga como essa e não termos lado.
Eu tenho.
Numa briga entre Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro, fico do lado da briga.
Eu, passando na rua, e vendo esses dois cavalheiros engalfinhando-se, sentaria numa sarjeta e diria a ambos: Continuem. Vou ficar cronometrando.
Uma CPI é ótima por isso: porque ouvimos os outros dizendo coisas que todo mundo pensa e diz no privado, mas não tem oportunidade de dizer em público.
Agora, uma coisa é certa: Flávio, tendo chamado Renan de vagabundo, selou a sorte do próprio pai, nosso estadista e cientista Jair Bolsonaro.
Renan, que já estava com a faca nos dentes antes de ser, digamos assim, ofendido pelo Zero Um, agora está com a faca, o facão, o terçado e a adaga nos dentes, enfim, agora tem um arsenal preparado para fazer seu relatório.
Sobretudo após o depoimento do gerente-geral da Pfizer, Carlos Murillo, que está sendo ouvido nesta quinta-feira (13).

Se CPI quiser, já pode encerrar seus trabalhos agora. E indiciar Bolsonaro.


Gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo está depondo à CPI da Pandemia.
Se a Comissão pudesse - e quisesse -, já poderia encerrar seus trabalhos agora e indiciar Jair Bolsonaro como diretamente responsável por milhares de mortes que ocorreram no Brasil, sobretudo de janeiro até agora.
Murillo está sendo cirúrgico.
Preciso.
Objetivo.
Indiscutivelmente verdadeiro.
No computador que está à frente dele, já leu a cronologia, já desfiou a linha do tempo das negociações entre o governo Bolsonaro e a Pfizer, sobre a compra  de vacinas.
Murillo ja confirmou - integralmente, precisamente, literalmente - aquela que talvez foi a única verdade mencionada e confirmada pelo atrapalhado Fábio Wajngarten em seu depoimento de ontem: a de que, em 12 de setembro do ano passado, a Pfizer remeteu uma carta com oferta de venda de vacinas para o governo brasileiro.
A carta, como já afirmara Wajngarten, foi endereçada a ninguém menos que Bolsonaro, com cópias para o vice Hamilton Mourão, os ministros Eduardo Pazuello, Braga Netto e Paulo Guedes, além do embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster.
E Bolsonaro, diante da carta?
Nem tchum!
É preciso mais para que isso se configure uma omissão deliberada, intencional e dolosa na adoção de procedimentos que, em condições normais, seriam indispensáveis para proteger milhares, milhões de brasileiros diante desse vírus mortal?