quarta-feira, 2 de março de 2011

O que ele disse

"Eles [a oposição] brincavam dizendo que o chefe de família ia lá e comprava cachaça. Não vamos incentivar isso, mas, mesmo que uma família compre uma cachaça por mês, são 11 ou 12 milhões de garrafas de cachaça. Isso ajuda toda a economia."
Cândido Vaccarezza, deputado federal (PT-SP) e líder do governo, festejando o reajuste do Bolsa Família.

terça-feira, 1 de março de 2011

Um olhar pela lente

Ao lado de Ana Maria Braga, a presidente Dilma Dilma prepara um omelete no programa "Mais Você", que foi ao ar na manhã de hoje.
A foto é da TV Globo.

As personalizações, uma vergonha

De um Anônimo, sobre a postagem Acaba a farra do troca-troca de logomarca. Alvíssaras!:

Não tem como não ser assim. Além de ilegais, são uma pouca vergonha essas personalizações. Tem o alto custo para mudar com a mudança de governo, sem falar na propaganda gratuita e sem escrúpulo.

Charge - Amorim




Omelete de Dilma dá bom ibope à Globo

Do Blog do Lauro Jardim:

Dilma Rousseff deu um empurrão hoje de manhã no ibope da Globo. Sua aparição no programa de Ana Maria Braga, exibido entre 8h32 e 10h09, rendeu à Globo nove pontos de audiência na Grande São Paulo, de acordo com os números prévios do Ibope. Bateu o SBT e a Record, que registraram seis pontos cada um. Dilma ficou no ar durante todo o programa.
É um resultado bom para a Globo: neste horário, o Mais Você costuma alcançar uma média de sete pontos. Frequentemente empata com a Record e às vezes é derrotado. Na esteira da omelete de Dilma, livrou boa vantagem.

Idade mínima para ser juiz divide opiniões

Do Consultor Jurídico

Causou polêmica a ideia defendida pelo desembargador federal aposentado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Vladimir Passos de Freitas, de estipular para 30 anos a idade mínima para entrada na magistratura. O assunto foi abordado neste domingo (27/2), em sua coluna “Segunda Leitura”, publicada na revista Consultor Jurídico. Ele disse que depois dessa idade, o candidato tem mais conhecimento de mundo. “30 anos de idade no dia da abertura do concurso para ingresso na magistratura seria a solução. Nem mais, nem menos. Idade adequada ao mundo atual e ao prolongamento da adolescência”.
Marcos da Costa, vice-presidente da OAB de São Paulo e presidente da Comissão de Assuntos do Judiciário, não concorda. “Se a regra para ingressar na magistratura de primeira instância mudar para os 30 anos, a distância até a idade que o juiz pode ir para o tribunal vai ficar muito pequena. A Constituição Federal autoriza a entrada do juiz no tribunal aos 35 anos”, afirma.
O vice-presidente da OAB-SP lembra que os jovens, embora tenham pouco conhecimento de vida, possuem uma formação acadêmica mais precoce que as gerações anteriores, além de acesso a um grande volume de informações. “Por isso”, diz ele, “uma coisa compensa a outra”. Marcos da Costa cita o caso da própria advocacia, na qual muitos profissionais são aprovados no Exame da Ordem aos 23 anos. “Esses jovens podem ocupar posições de destaque, chegando até a atuar no Supremo Tribunal Federal”.
Para ele, há ainda outra questão: nem todas as vagas são preenchidas nos concursos para a magistratura. “Se a gente colocar mais esse pré-requisito, o déficit vai ser maior”, opina. Também é da mesma opinião Roque Mesquita, vice-presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis). Segundo ele, é preciso lembrar que a realidade dos tribunais de São Paulo não permite esse adiamento. “Fixar a idade assim não resolve o problema. São Paulo tem uma grande carência de juízes”, explica. “Não faz diferença, para maturidade, se a pessoa entra na magistratura aos 27, 28 ou 30 anos”.
Ele lembra, ainda, que o juiz só vai ter condições de atuar quando põe os pés no fórum, o que ele chama de “momento da trincheira”. “É lógico que um mais juiz jovem não vai ter a mesma experiência que um desembargador, por exemplo, mas não temos recursos financeiros para adiar essa entrada na magistratura”, conta.
O posicionamento da OAB-SP não é seguido pelos leitores da ConJur. Em comentário feito na revista, o advogado Fernando José Gonçalves disse que “sensatez, coerência, discernimento e responsabilidade não se adquirem somente com estudo, de forma que o candidato pode ser um brilhante conhecedor das leis, mas nada sabe da vida que ainda não viveu, experiências que, muitas vezes, tornam a teoria diferente, na prática”.

Mais aqui.

Brasão seria mais impessoal

Do leitor Vicente Cidade, sobre a postagem Acaba a farra do troca-troca de logomarca. Alvíssaras!:

Me desculpe se eu estiver errado, mas o uso da bandeira como logomarca já é em si uma opção, pois, mesmo sendo um dos símbolos do Estado, ainda assim a bandeira sempre foi usada como logo dos governos tucanos, ainda que estilizada.
Não seria então mais "impessoal" estabelecer o uso do Brasão? Este sim poderia, de fato, refletir maior isenção.

Quem tem peito de peitar os grupelhos organizados?

O Paysandu não pôde treinar hoje de manhã.
Foi ao campo do Kasa, no bairro do Coqueiro, mas não conseguiu trabalhar.
O trabalho foi interrompido pelos integrantes de uma torcida dita organizada, que foram ao Kasa para fazer cobranças, depois que o time levou uma peia do São Raimundo, em Santarém, no último domingo.
O grupelho organizado que foi ao Kasa é o mesmo que deu a maor força, o maor apoio para a eleição do boquirroto presidente do clube, Luiz Omar Pinheiro, aquele que quando está presente está ausente.
Que coisa!
O blog já defendeu essa posição, mas nunca é demais repetir: é um absurdo, um despropósito, um acinte um clube interromper um treinamento - atividade de trabalho, atividade laboral, vale dizer - porque uns gatos pingados de torcida dita organizada foram atrapalhar.
O clube deveria ter chamado os seguranças para retirar o grupelho de lá.
Simplesmente isso.
Mas não. O elenco é que voltou de armas, bagagens e bolas para a Curuzu.
Em vez de botar os invasores pra fora, o Paysandu é que saiu fora.
Céus!
Isso é incompreensível. Por várias razões.
Primeiro, porque as torcidas organizadas, inclusive a do Remo, estão proscritas. Por sentença judicial.
Segundo, porque os integrantes dessas torcidas - que estão proscritas, repita-se - cometem um ilícito quando se investem dessa condição para impedir que profissionais trabalhem.
Terceiro, porque é uma imoralidade esse conluio - maldisfaraçado e, ao contrário, às vezes até mesmo escancarado - entre cartolas e grupelhos que formam as ditas (e proscritas) torcidas organizadas.
E por último, mas não menos importante, porque torcedores - integrantes ou não de torcidas ditas organizadas - não têm o direito, o mínimo direito, de atrapalhar um treinamento.
Os torcedores, qualquer um, têm direito, sim, de xingar o time num dia de jogo com todos os palavrões do mundo, de A até Z, de Z até A. Por quê? Porque ali estão na condição de consumidores? Estão assistindo àquilo que coleguinhas classificam de espetáculo (hehehe).
Nessa condição, a de consumidores, torcedores podem protestar à vontade, desde que isso não descambe, é evidente, para violências físicas contra ninguém.
Mas torcedores que vão a um treino não têm o direito de dar um pitaco sequer. Porque estão ali sem pagar. E porque aquele é um momento em que jogadores profissionais estão trabalhando.
É por isso que, em situações como essa, corneteiros de qualquer espécie deveriam ser retirados do local.
Mas quem tem peito de fazê-lo?
Quem?

Leia mais aqui no blog, sobre o assunto:

Por que tolerar vândalos de “torcidas organizadas”?
A selvageria nos estádios, apesar da sentença e de leis
Uma terra sem lei
Tomara que Curitiba dê exemplo. Um grande exemplo.
Torcidas de primeira, dirigentes de terceira

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

"Abra-se o Thetro da Paz"

De um Anônimo, sobre a postagem Queremos ver o Theatro da Paz. Todinho!:

Mesmo concordando com a campanha Alerta TP!, tenho que testemunhar em prol da comunidade que habita o entorno do Da Paz.
Não há nenhum "edificio" em construção no quadrante que vá taparo TP.
Eu o avisto daqui do 16º do MPS [Manuel Pinto da Silva], majestoso, imponente.
Veja infelizmente, com a superluneta instalada para "brechar" a vizinhança os ditos cupins,com uma estrelinha cintilante.
Para o bem da verdade, o fato é o TP ficar "fechado" tempo demais. O sol não entra há muito tempo para arejar o ambiente.
Vamos à campanha Abra-se o Theatro da Paz. Para a vistação pública!
Os turistas agradecem!

O que falta para a CPI?

A fonte é oficial.
Está no site da própria Assembleia Legislativa.
Ali está dito que, na sexta-feira, Sua Excelência o presidente da Casa, Manoel Pioneiro, fez uma visita ao Ministério Público do Estado.
Diz um trecho da matéria oficial - oficialíssima, aliás.

Outro desafio premente, lembrou Pioneiro, é a investigação de empréstimos consignados ilegais concedidos por bancos a servidores comissionados da Alepa, uma operação que é proibida por lei federal. “Contamos com o Ministério Público para irmos a fundo na investigação dessas irregularidades feitas no passado e para levantarmos as devidas responsabilidades administrativas e penais”, disse o parlamentar.

Ótimo.
É assim mesmo que deve ser.
Já temos uma comissão de sindicância para investigar a parada.
Já temos o Ministério Público oficial e formalmente convidado, digamos assim, para engrossar o bloco da investigações.
E então, o que falta - ou faltou - para o plenário da Assembleia aprovar a CPI proprosta pelo PSOL?

"Tá Explicado" fica mal na foto. Perante 10 milhões.



Toma-te!
Estima-se que 10 milhões de pessoas tenham visto, através do Twitter, o vídeo em que Amazonino Tá Explicado Mendes expele o fel da sua grosseria, da sua incivilidade e dos seus preconceitos contra uma paraense.
E olhem que o vídeo mais visto é esse aí em cima, bem curtinho, e não outro, disponibilizado no YouTube pela própria Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Manaus, no qual o Tá Explicado, além de arrotar o tal "morra, morra", ainda chama a paraense de ignorante.
E ainda vem o Tá Explicado, no último final de semana, pedir desculpas.
Putz!
A cara do Tá Explicado, suas feições, o cinismo brotando por todos os poros das ventas, as palavras estudadas, tudo isso, enfim, não autoriza ninguém a acreditar que Amazonino realmente pretendeu se desculpar com os paraenses.
Quem passou a conhecer melhor o Tá Explicado não deve mais ser tão ingênuo em acreditar nele.
Fora de brincadeira!

Imprensa veicula obituário de Sarney produzido no Senado

Fábio Góis, do Congresso em Foco

O tempo verbal utilizado pela Rádio Senado em uma “biografia” sobre o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), está causando problemas para a Secretaria Especial de Comunicação do Senado (SECS). Trata-se de uma gravação de 21 minutos produzida pela emissora oficial e intitulada “Reportagem especial em homenagem ao senador José Sarney”, na qual o peemedebista de 81 anos é lembrado, no tempo pretérito, por realizações, títulos e funções que exerceu. Ou seja, como se estivesse morto.
O material (escute aqui) foi obtido pela equipe on-line do jornal O Estado de S.Paulo, que trata o episódio como vazamento do suposto obituário. O áudio não chegou a ser veiculado, e a SECS chegou a negar que se tratava de um material de homenagem pós-morte. A assessoria de comunicação do Senado disse ainda que todos os 81 senadores têm biografias em produção pela rádio, e o tempo verbal usado na matéria pode ter sido erro da reportagem.
“Além de uma extensa vida política, Sarney se destacou nas artes. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras [ABL] desde 1980”, diz trecho do áudio, que é iniciado com a afirmação de que o ápice da trajetória política de Sarney, presidente do Senado pela quarta vez não consecutiva, foi a Presidência da República. Ele assumiu o posto na condição de vice do presidente eleito Tancredo Neves, morto em 1985 antes de tomar posse.
A SCES não explicou porque Sarney, membro da ABL, é tratado como ex-integrante do colegiado. Por meio do microblog Twitter, um diretor da emissora disse que o material foi “roubado”, e que o “receptador” foi o Estadão. Por meio de nota, a assessoria de comunicação argumenta que é “rotina” a elaboração de “perfis e obituários de todos os senadores”. “A SECS lamenta que uma empresa de comunicação importante, longe de qualquer motivação jornalística mais séria, dê asas a uma imaginação fantasiosa, que em nada contribui para a informação e formação da opinião pública”, conclui a nota (confira aqui).Loas e omissõesO material produzido pela Rádio Senado intercala declarações do senador do Amapá às de outras personalidades políticas, como o próprio Tancredo. Também são registrados discursos de Sarney, que tem vários pontos de sua vida pública lembrados na reportagem. Entre eles a primeira reeleição para o Senado, em 1978, na condição de eleito com “o maior percentual de votos” do país naquele pleito.
Também há menção à crise que paralisou a instituição em 2009, culminada com o caso dos atos administrativos secretos. Na ocasião, a cúpula administrativa – quase toda composta por profissionais indicados por Sarney – foi trocada e Sarney enfrentou 11 processos por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. Graças à tropa de choque do PMDB, entretanto, todos foram arquivados.
Na ocasião, Sarney usou a tribuna de um plenário lotado para perguntar aos colegas, em 5 de agosto daquele ano, porque mereceria punição pelos desmandos administrativos praticados pela cúpula do Senado.
A citação à crise é finalizada com declaração de Sarney dando-a como encerrada. Fala-se também em 40 medidas que teriam sido implementadas pela direção da Casa, como enxugamento de diretorias e corte de gastos supérfluos, mas nenhuma referência é feita às reformas administrativas seguidamente anunciadas e jamais executadas.

Cimi se mobiliza para manter liminar contra Belo Monte

O Conselho Indigenista Missionário está festeuando a decisão liminar do juiz federal Ronaldo Desterro, proferida na última sexta-feira, suspendendo todos os efeitos de licença parcial do Ibama que autorizou a implantação do canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte.
O Cimi abriu o que chama de "campanha urgente" pela manutenção da liminar.
Abaixo, a nota:

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CAMPANHA URGENTE PELA MANUTENÇÃO DE LIMINAR CONTRA BELO MONTE

Recebemos com satisfação a decisão do Juiz Federal Ronaldo Desterro, da 9ª Vara da Justiça Federal, em Belém, PA, que, em caráter liminar, decidiu “suspender a eficácia da licença de instalação número 770/2011 e da autorização de supressão de vegetação número 501/2011, bem como, determinar ao BNDES que se abstenha de transferir recursos financeiros à NESA.”
Cientes de que a Advocacia Geral da União tentará, nas próximas horas, caçar a liminar ora concedida, conclamamos, todos e todas, a manifestarem-se junto ao Desembargador Federal Olindo Menezes, presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.
Segue baixo sugestão de mensagem a ser enviada.
Conselho Indigenista Missionário

“Ao
Excelentíssimo Senhor
Desembargador Federal Olindo Menezes
MD Presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região
falecompresidente@trf1.jus.br

Senhor Presidente,

Tomamos conhecimento da decisão, do Excelentíssimo Sr. Juiz Federal Ronaldo Desterro, da 9ª. Vara da Justiça Federal, em Belém, no âmbito da Ação Civil Pública 968-19.2011.4.01.3900, que suspendeu a eficácia da licença de instalação 770/2011 e da autorização de supressão de vegetação 501/2011, do IBAMA, bem como, determinou ao BNDES que se abstenha de transferir recursos financeiros à Norte Energia.
Entendemos que tal decisão foi acertada visto que demonstra uma vez mais os erros cometidos pela administração pública no processo de licenciamento da Usina Hidroelétrica de Belo Monte.
Por isso, vimos solicitar a manutenção de tal decisão até o julgamento do mérito da referida ACP.

Respeitosamente”

O que ele disse

"Ninguém estava contra nós. Contra mim por quê? Porque não sou presidente. Eles me amam, todo o meu povo me ama. Todos eles. Eles morreriam para me proteger."
Muamar Kadafi, o presidente assassino da Líbia, que por via das dúvidas - e para provar que todos gostam dele - está mandado matar centenas de civis na Líbia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um olhar pela lente

Torcedores brincam no piscinão em que se transformou o Morumbi, ontem à tarde, em meio ao aguaceiro - de dimensões amazônicas - que caiu em São Paulo.
A foto é da Folha.com.

Municipalidade deve impedir construções em áreas de risco

De um Anônimo, sobre a postagem "Tá Explicado" também chamou paraense de ignorante:

O prefeito de Manaus esquece que quem deveria impedir a construção de habitações irregulares em áreas de risco é a própria Municipalidade. Se o povo não tem conhecimento aprofundado das leis - e dos riscos que representa construir nas encostas dos morros -, cabe ao prefeito atuar para evitar, em primeiro lugar, que se construa em lugar impróprio ou inadequado, e, se já foi construído, remover os moradores em área de risco para outro lugar.
O certo é que, a despeito das limitações orçamentárias, a responsabilidade do prefeito é inarredável e não cola essa estória de atribuir unicamente ao povo a culpa por tragédias que decorrem, em larga medida, da omissão do Poder Público Municipal nesta questão.

Charge - Aroeira


Câmara gasta R$ 661 mil com mobília e eletrodomésticos

Amanda Costa, do Contas Abertas

Na contramão do aumento do salário mínimo que, após votação no Congresso Nacional, foi reajustado em R$ 5, passando de R$ 540 para R$ 545, a Câmara dos Deputados não poupou recursos para a compra de mobiliário novo e de eletrodomésticos. Um volume de R$ 224,3 mil foi reservado em orçamento para o fornecimento de 36 camas box tamanho king-size e 144 camas de solteiro. Mais R$ 76,5 mil serão destinados a compra de 40 cadeiras 40 poltronas fixas, 50 cadeiras giratórias, 100 poltronas giratórias, e por ai vai!
Incríveis R$ 51,8 mil serão designados ao fornecimento de sofás, com um, dois e três lugares. Além da mobília, o gasto com eletrodomésticos chegará a quase R$ 309 mil. Entre os itens a serem adquiridos estão 84 unidades de depurador de ar, 84 fogões de piso e cinco bocas, 84 refrigeradores frost free, duas portas e, ainda, 84 lavadoras de roupa automática. Portanto, as compras de mobília e eletrodomésticos sairão por míseros R$ 661,6 mil. É assim: manda quem pode!
Quem pensa que acabou está enganado. A Câmara dos Deputados esteve inspirada para compras nos últimos dias, tanto que reservou R$ 969,4 mil para a reforma geral e recuperação das áreas comuns e das áreas externas dos imóveis funcionais, situados nos blocos F, G, H e I, da SQN 302, em Brasília. Mais conforto para os representantes do povo.

Benedito Nunes, magno sábio


AMARÍLIS TUPIASSU

É sempre difícil verbalizar a desmesura. A dificuldade aflorou ante a extensa produção de Benedito Nunes, ao escrever sobre um homem de mente viva, profusa, devotado, serenamente, ao saber, à inquirição do ser em sentido universal. Este foi seu ofício ininterrupto, desde que, ainda quase menino, terminou o então ginasial, entre 1941 e 1948, no Colégio Moderno em Belém.
Benedito Nunes e as mais rígidas definições de sábio andam juntos, reiteram altas mentes do Brasil e de outros países, onde floresce sua obra do sábio paraense. Especifico a obra escrita, pois Benedito teve uma obra oral, suas aulas, conferências, debates, entremeados de intervenções momentâneas, espelho de argúcia intelectiva, infelizmente não gravada, a lição do sábio. Ele lega a quem não usufruiu de sua docência, sua escrita tersa, aguda, excelentemente bem urdida que testemunha o rigor, o viço intelectual, admirável saber, sua mente atilada, exemplar. Benedito foi acabado modelo de sabedoria. Poucos se ajustaram, de modo tão resoluto e intransigente, às exigências do estudo e do ensino que frutifica em marcas perenes no discípulo. Sua escrita atrai e excita, desarma os ardis do falso, insufla e disseca o real para que aflore a verdade mais provável.
No caso dele, é fácil atestar. Tomo levantamento de sua obra, feito por Vitor Sales Bentes, um de seus discípulos. E constato: Benedito Nunes só queria saber de saber. Depois da debulha, não recolhia a fruta, que outras leiras de saber o aguardam. Por isso, louvo Célia Jacob, coordenadora de Letras da Unama, que editou um número da revista “Asas da Palavra” todo voltado à obra do mestre. E ao Vítor Bentes que trabalha, junto a editoras brasileiras por dar a público sua obra.
Conto seus livros. Vinte e cinco. Os publicados e os a publicar, a maioria, por editoras de fora do Pará. Todos essenciais à ampliação do saber filosófico, literário, das artes em extensão universal, sem que o filósofo descure da fortuna e do infortúnio de sua região amazônica tão nublada por desconsertos. Há ainda cento e setenta e três estudos profundos, de têmpera irrepreensível. E livros organizados por ele, e colaborações em livros nacionais, e as principais colaborações em livros estrangeiros. E ele ainda se dedicava a traduções. Isso está explicitado na Asas da Palavra em que docentes amazônidas e de universidades brasileiras estudam as idéias e o pensamento de Benedito.
Admirável sua dedicação ao saber. Admirável sua obra votada ao pensar, o filósofo desdobrando-se desde as eras remotas da filosofia, ele a perscrutar e inquirir. Sua mente era tal se colasse o ouvido no tempo para sentir as palpitações vivas de Homero, p.ex., para já escutar às vozes da filosofia nas nascentes e crescentes. Num átimo, toma outros rumos, exulta com a palavra de Clarice Lispector, encanta-se por Drummond, vigia com ardor a heteronímia pessoana, finca os olhos nas veredas rosianas, passeia com Camilo Pessanha, com Camilo Castelo Branco e abisma-se com a agudeza ideativa de Heidegger, de Nietzsche. Ao mesmo tempo, está aqui e longe com seu filtro de palavras, e decanta, enlaça saberes aparentemente estanques. Não sossega. Fita as chuvaradas dos campos floridos, e também famintos, os de Dalcídio Jurandir. E segue com Max Martins, Ruy Barata, Paulo Plínio, com Haroldo Maranhão e Francisco Paulo do Nascimento Mendes, todos interlocutores reais nas cogitações estético-filosóficas. Admirável como Benedito move sua fundição de saberes, tanto que filosofia, crítica estética e um vário lastro de conhecimento conformam o esplendor de sua especulação.
Recordo um quadro terno. Estamos em volta de uma mesa na Editora da UFPA, Benedito Nunes, Vitor Bentes e a editora Laís Zumero. Falávamos da edição de “Do Marajó ao arquivo: breve panorama da cultura no Pará”. Eu tinha dois volumes de livro lindos (literatura e arte) de uso em liceu da França. Benedito Nunes bate com os olhos nos livros. E enternece o bendito sábio-infante, alumbrado, sorridente, virando as páginas, o brilho do olhar, só cintilações sobre a primorosa iconografia. Ele comenta, passa de leve as mãos nas páginas para sentir-lhe a textura, sorri embevecido, distraído, esquecido da reunião. Foi rápido na montagem de uma como que cerca invisível onde se refugiou para saborear a descoberta. Mas precisou emergir. Fechou os volumes, os livros sob as mãos do menino Bené. À saída, já de pé, agarrava os volumes. Ele tinha o seu quê tímido. Não se conteve, porém: “De quem são estes livros?” “- Meus, Bené, respondi.” “ - Me empresta?” E lá se foi, ledo e fagueiro. A fascinação por livro penetrava a carne e os poros de sua escrita jamais banal, toda profundidade. Rara, sua agudeza mental. Um bendito comedor de livros, um magno, infinito sábio.

*Texto extraído de saudação proferida, em 23 de novembro de 2009, quando o Professor Benedito Nunes recebeu o título de professor Honoris Causa pela Unama.

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AMARÍLIS TUPIASSU é professora. O artigo está públicado na página 11 do primeiro caderno de O LIBERAL, edição de hoje.

Acaba a farra do troca-troca de logomarca. Alvíssaras!

Então é assim.
Vai acabar essa farra de troca-troca de logomarca a cada governo.
O secretário de Comunicação do governo do Estado, Ney Messias, informa em seu Twitter que o governador Simão enviará à Assembleia Legislativa um decreto proibindo que futuros governadores alterem a marca do governo do Estado.
"O Governador @sjatenePA decidiu que o Governo não terá logomarca, e sim uma marca que será a bandeira do Pará", informa o secretário. Ainda por toda esta semana, um manual de aplicação da marca será encaminhado a todos os órgãos públicos.
A medida é salutar.
Das mais salutares.
E já tardava.
O princípio - constitucional, vale dizer - da impessoalidade na administração é primacial.
É primordial.
Mas assim como é que primacial e primordial, ta princípio é ignorado por meios enviesados, digamos assim.
A Constituição de 88 proibiu terminantemente, com base no princípio da impessoalidade, que governantes citem seus nomes em placas de obras e em logomarcas.
Assim, acabou aquele negócio de "Governo Fulano de Tal", "Governo Sicrano de Tal".
Ótimo.
Mas começou outro negócio, tipo assim: "Governo de Pasárgada. Trabalhando por Você". Ou então: "Governo de Pasárgada. Tudo pelo Social".
E aí?
E aí que essa mensagem, dissimuladamente, subliminarmente, não se vinculava a uma pessoa, mas ao governo de uma pessoa, no caso o gestor.
E haja pintar carro.
E haja mandar trocar os impressos (aos milhares).
E haja modificar todo o material publicitário do novo governo em relação ao anterior.
E haja, enfim, trocar uma baboseira por outra.
Tudo isso a um custo de milhares, de milhões de reais.
A troco de quê?
De nada.
Ou, se vocês quiserem, a troco de promoção política não diretamente do governante, mas do governo dele.
O Pará dá um exemplo.
Tomara seja seguido por todo mundo.
Inclusive pelo governo federal.

Renato Guerreiro morre em Brasília

O paraense de Oriximiná Renato Guerreiro faleceu por volta das 6h da manhã de hoje, em Brasília, onde residia.
Morreu aos 62 anos.
Era o quinto de 13 filhos, entre os quais também se inclui o radialista Guilherme Guerreiro.
Exerceu cargos públicos relevantes, entre eles o de ministro das Comunicações, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e diretor da extinta Telepará.
Guerreiro tratava-se de câncer havia 1 ano e três meses.
O corpo será cremado em Basília.
Os sentimentos do blog aos familiares dele, sobretudo a vários que são muito próximos aqui do pessoal da redação do Espaço Aberto.

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

O fracasso dos sucessivos governos de Belém e do Pará

De um Anônimo, sobre a postagem "Tá Explicado" também chamou paraense de ignorante:

No fundo, bem no fundo, desse lamentável imbróglio vislumbra-se o seguinte: uma paraense com uma penca de filhos e em situação de miséria viu-se obrigada a procurar melhoria de vida numa invasão de alto risco na capital de um estado vizinho.
É um eloquente atestado público do fracasso dos sucessivos governos de Belém e do Estado do Pará, que não souberam assegurar a todos os paraenses, especialmente aos mais pobres, condições de sobrevivência com um mínimo de dignidade. Processar o boquirroto prefeito de Manaus não vai adiantar absolutamente nada e nem dimuinrá o tamanho do fiasco dos nossos próprios governos.

Benedito, a expressão do maior estágio da sabedoria

O professor Benedito Nunes - acima, na foto de Luiz Braga - é saudade.
Fechou os olhos para a vida na manhã de ontem.
E desnecessário dizer quem ele foi.
Porque ele foi tanto, mas tanto que tudo o que se disser sobre ele será pouco.
Muito pouco.
Mas convém que se registre, para conhecimento geral, a dimensão da notoriedade de uma das maiores expressões intelectuais que não apenas o Pará, mas este País, já produziu em sua História.
Ontem ainda, enquanto começava a morte de Benedito Nunes começava a ganhar repercussão, 9 e meio entre dez paraenses não sabiam, ao certo, de quem se tratava.
E quando eram apresentados, em pouquíssimas palavras, a Benedito Nunes, a expressão de quem nunca antes, jamais, em tempo algum ouvira falar do professor traduzia, à perfeição, estes tempos em que a celebrização não dá mais lugar aos que merecem ser célebres, mas aos que se fazem célebres até mesmo - ou somente - por serem caricatos.
Vivemos tempos em que celebridades instantâneas - muitíssimas - não mereceriam, a rigor, um segundo sequer de fama, quanto mais os 15 minutos básicos que Andy Warhol previu...
Benedito Nunes era a tradução de uma frase - várias vezes já mencionada aqui pelo blog - que se atribui a Leonardo da Vinci (também ele um sábio); e se não foi ele o autor, alguém o disse; e se ninguém disse, o blog assume como sua.
A frase é: a simplicidade é o maior estágio da sabedoria.
É mesmo.
Benedito Nunes, nos seus 81 anos, provou isso.

Clima da Assembleia é de delação. Ou quase!


O clima na Assembleia, como se previa, é de quase delação.
O quase aí fica por conta do, digamos, delatrômetro de cada um.
Há suspeitas - fortes, condizentes, consistentes e, como diriam nossos juristas, robustas - de que se a comissão de sindicância realmente investigar sem complacências e sem medo de descobrir a verdade, vai desenrolar um extenso novelo.
E ponham extenso nisso.
Mas há uma pergunta intrigante que percorre os corredores - da Assembleia e fora dela.
Afinal de contas, se algum bagrinho lá da augusta Casa apontar o nome de alguma Excelência como metido da cabeça aos pés nas estripulias que resultaram em desvios de R$ 2 milhões na folha de pagamento, como é que vai ser?
Se tal acontecer, a comissão de sindicância vai convocar o deputado para prestar algum depoimento ou vai deixar tudo para outra instância apurar apenas a parte que cabe ao latifúndio da Excelência ou das Excelências postas sob suspeitas?
Sim, porque vocês sabem que é regra elementar direito que numa sindicância o presidente não pode ter cargo hierarquicamente inferior aos daqueles que serão alvo da investigação.
E não pode por motivos dos mais óbvios, vocês sabem.
No caso, os servidores que compõem a comissão não poderão investigar suposto ilícito que venha a ser descoberto e que tenha como autor uma de Suas Excelências.
Mas os servidores têm o dever legal de registrar, de noticiar claramente esse fato no relatório da sindicância.
E caberá à presidência da Assembleia ou mesmo ao plenário, que é soberano, decidir se há fundamentos para abrir uma investigação sobre os próprios deputados.
Terá mesmo a Assembleia peito para fazer isso, depois que deixou o deputado Edmilson Rodrigues sozinho, bradando no deserto, em defesa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as estripulias?

Asconpa repudia tratamento de secretários

A Associação dos Concursados do Estado do Pará (Asconpa) divulga nota em que classifica de "desrespeitoso, sarcástico e irônico" o tratamento que os secretários de Educação e Administração, respectivamente Nilson Pinto e Alice Viana, dispensaram a representantes da entidades que recentemente estiveram com eles numa reunião.
Abaixo, a íntegra da manifestação.

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NOTA DE REPÚDIO

A Associação dos Concursados do Estado do Pará (Asconpa), vem a público formalizar veemente NOTA DE REPÚDIO ao tratamento desrespeitoso, sarcástico e irônico, dispensado contra seus dirigentes, pelos secretários do governo do Estado, senhora Alice Viana Monteiro e senhor Nilson Pinto, respectivamente secretária de Administração e secretário de Educação, em reuniões distintas, agendadas para tratar das nomeações dos mais de cinco mil concursados aprovados e não nomeados em concursos promovidos pela administração pública estadual.
Ficou clara, nas atitudes desses dois representantes do governo do Estado, a intenção de intimidar, ridicularizar e enfraquecer o trabalho desenvolvido pela Asconpa. No entanto, com essa atitude ofenderam e humilharam milhares de famílias paraenses que possuem entre os seus membros pessoas que, apesar de ter investido muitos recursos para torna-se servidor público efetivo do Estado, há anos esperam suas convocações.
Ao contrário do que desejam as autoridades citadas, a Associação dos Concursados do Estado do Pará é, sim, entidade legitima e representante dos direitos de pessoas aprovadas e classificadas em concursos públicos realizados no Estado do Pará, oferecendo apoio a todos que se julgarem prejudicados em seus direitos. Para isso, a Asconpa se fundamenta no Art. 5º, incisos XVII e XVIII da Constituição Federal de 1988, onde se lê: “É plena a liberdade de associação para fins lícitos... A criação de associações... independe de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”.
A Associação dos Concursados do Pará intensificará as denúncias de contratações irregulares e/ou falcatruas cometidas na administração pública, em defesa dos interesses dos aprovados em concursos públicos realizados em todas as esferas de governo. E, faremos isso, fundamentados no artigo 37 da Constituição Federal, que determina que “a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos”.

Belém (PA), 21 de fevereiro de 2011.
ASSOCIAÇÃO DOS CONCURSADOS DO PARÁ

Entidades que apóiam a presente Nota de Repúdio:
SINTEPP - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará
SINDITAF - Sindicato dos Trabalhadores no Fisco Estadual do Estado do Pará
SINDETRAN - Sindicato dos Servidores do Departamento de Trânsito do Estado do Pará
SINDSAÚDE - sindicato dos trabalhadores em Saúde do Estado do Pará
SINDIAMBIENTAL - Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará
DCE/UFPA - Diretório Central dos Estudantes da UFPA
DCE/UNAMA - Diretório Central dos Estudantes da Unama
CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Sem teocracia e nem submissão


Com duas ditaduras a menos, o mundo árabe começa a mudar de feição. Até que ponto? É cedo para avaliar o alcance dessas revoluções, mas é certo que a vontade dos povos da região não mais poderá ser de todo ignorada e submetida a líderes autoritários. Uma nova ordem vai se articular na região, com consequências para todo o mundo.
A realidade é que a revolução da Tunísia, como a do Egito, foi larga e rasa. Com a maioria dos manifestantes na Praça Bourguiba, em Túnis e na Praça Tahrir, no Cairo rejeitando os líderes que a mídia ocidental queria impor: Mohamed El-Baradei ou a Fraternidade Muçulmana. De fato, como fez o executivo do Google preso, Wael Ghonim, em um Twitter na sexta-feira (18.02.2011) à noite, rejeitaram qualquer noção de que pudessem ser "figuras de proa", insistindo que a população é a dona dos acontecimentos. Ainda resta uma perigosa dissonância entre as duas porções do país. O Egito da mídia eletrônica e o Egito das ruas.
A Fraternidade não pretende lançar um candidato próprio à presidência ou espera controlar a maioria do Parlamento, mas seu apoio a um líder laico pode ser decisivo. Sua força vem de redes de assistência social, da difusão por países muçulmanos, da presença de militantes leigos em várias camadas sociais e do papel de referência para os destituídos por décadas nas quais não existiu oposição parlamentar laica. É possível um governo islâmico moderado vigiado por militares, a exemplo da Turquia.
Agora, tem uma democracia em gestação sob as aparências de uma ditadura militar que, pressionada pelo povo nas ruas, expulsou o governo de Hosni Mubarak, dissolveu o Parlamento e suspendeu a Constituição. Ou seria essa uma descrição excessivamente otimista dos fatos?
Por que a luta da Praça Tahrir foi vitoriosa quando as da Praça Tiananmen (Pequim, 1989) e da Praça Enghelab (Teerã, 2009) deram em nada? Porque conseguiu de fato parar o Egito. Engessou de imediato o turismo, vital para o país, e espalhou-se para todas as principais cidades, onde instituições públicas, a começar pela polícia, foram sitiadas, queimadas ou ocupadas. Nos últimos dias do regime, trabalhadores das indústrias e serviços - inclusive o vital Canal de Suez - começaram a parar, o que parece ter sido o golpe de misericórdia no governo do velho tirano.
Pode-se esperar o crescimento da influência de Ancara e Teerã (ao menos enquanto a teocracia não for abalada) e um maior isolamento de Israel. Sem o respaldo do Egito e com instabilidade em vários países árabes, dificilmente haverá clima para um ataque ao Irã que, para testar sua nova liberdade de movimentos, enviou navios de sua Marinha ao Mar Vermelho e à Síria, no Mediterrâneo, esperando passar por Suez.
No plano militar, a região tende a se afastar da órbita da Otan - à qual são formalmente coordenados, atualmente, Egito, Jordânia, Argélia, Tunísia, Marrocos e Mauritânia, além de Israel - e no econômico, da tutela do FMI, Banco Mundial, EUA e União Européia.Terminado o carnaval da vitória, a queda do governo de Mubarak encorajou a oposição a outros regimes autoritários. A revolta do Egito se propagou. A bola da vez parece ser o governo do bizarro ditador líbio Muammar Khadafi, há 41 anos no comando de um Estado sem Constituição. O novo mundo árabe promete não ser teocrático e muito menos submisso. O mundo árabe será mais um bloco relativamente autônomo em um mundo cada vez mais multilateral.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ele disse

"Esse é o sucesso do nosso governo. Nós conseguimos beneficiar a população como um todo. Mais os pobres e menos os banqueiros. Mas nós beneficiamos pobres e banqueiros. Não é uma beleza?"
Guido Mantega (na foto), ministro da Fazenda, em avaliação sobre os últimos governos petistas.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011