segunda-feira, 10 de maio de 2010

Até flanelinha recebe seguro-defeso como pescador

A Polícia Federal já instaurou inquérito para apurar fraudes na concessão do seguro-defeso no Pará. Os inquéritos em curso na PF, segundo confirmou o blog na sexta-feira, envolvem dezenas de pessoas.
Sinceramente, não há no mundo um país mais criativo que o Brasil.
Em termos de patifaria, realmente não há.
O Brasil é ISO 9.000 nisso.
E se bobearem, será ISO 50.000 nessa habilidade, quando o ISO, claro, chegar a esse nível.
Aqui em Belém – aqui mesmo, embaixo dos nossos narizes e dos nossos olhos – está sendo uma festa a distribuição do seguro-defeso.
Uma festa!
Uma festança!
Há bolsos tufando.
Há bolsos que já estão abarrotados de grana.
Muitíssima.
O seguro-defeso, vocês sabem, é uma renda provisória que o governo federal paga a pescadores, no período do defeso, ou seja, na época que eles estão proibidos de pescar enquanto algumas espécies se reproduzirem.
Uma boa medida?
Sim.
Medida meritória?
Sim.
Acetada?
Sim.
Mas que dá ensejo a patifarias.
Funciona assim.
Cidadão com ligações com entidade que congrega pescadores – apenas pescadores, vejam bem – cadastra uma pessoa, supostamente pescador, para receber o seguro-defeso.
Feito isso, entra em campo um outro personagem, responsável em reunir a documentação do beneficiário e adotar demais providências para que o dinheiro seja repassado à instituição bancária. É o cara – ou a cara, como queiram – que faz o meio-campo.
Aí, uma vez no banco, o dinheiro é sacado.
São R$ 1.800,00.
Em regra, R$ 500 vão para o beneficiário, supostamente pescador, R$ 500 para o cidadão que pegou a documentação e desenrolou o meio-campo e R$ 800 vão para os bolsos daquele primeiro, o que providenciou o cadastramento do suposto pescador.
Por que suposto?
Porque até flanelinha, que não distingue um tucunaré de um búfalo do Marajó, está recebendo seguro-defeso.
Porque até profissionais liberais, que só veem peixe quando ele está no prato, temperadíssimo, pronto para ser saboreado, está recebendo o seguro-defeso.
No bairro do Telégrafo, os cadastros estão sendo feitos a todo o vapor. O pessoa está sendo cadastrado como se fosse pescador de Soure, Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari, Salvaterra, Bagre, Baião e por aí vai.
Se bobearem, tem pescador até do Afeganistão ganhando o seguro-defeso.
A Polícia Federal precisa investigar essa gente.
Se investigar, muito peixe vai cair na rede da PF.
Muito peixe.
Grande e pequenos.
De bagre a tubarão.

2 comentários:

Anônimo disse...

Isso mostra uma realidade muito séria do País: "A anarquia". Também, da maneira como os nossos líderes, muitas vezes, tratam os assuntos sérios da nação, com metáforas e galhofas, sem falar na leviandade televisionada sobre sexo e outros assuntos chulos, onde se vai chegar? Cadê o respeito, a educação, a ética, a civilidade a brasilidade? Infelizmente seremos, em breve, uma bagunça muito maior.

Anônimo disse...

infelizmente existe sim essas fraudes. Sou moradora de Soure e aqui no municipio fiquei estarrecida com a quantidade de pessoas que recebem o seguro defeso indevidamente. Desse tipo que não sabe nem o que é um peixe, inclusive que são moradores de Belém.
Eu acredito que as fiscalizações deveriam ser mais frequentes nesse sentido, do tipo semestral sei lá e que houvesse multas devolutivas. Talvez dessa forma a coisa começasse a mudar.
Existe alguma forma online de denuncia?