quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A prova de fogo do PT: reaprender a ser oposição

“Alguns ‘analistas’ afirmam que a esquerda foi derrotada. Não é verdade. Quem foi derrotado foi esse projeto, não a esquerda paraense. O PSOL, que elegeu uma senadora e o deputado estadual mais votado da história do Pará, além de obter mais de 107 mil votos para o governo (tendo votos em todos os 144 municípios) foi amplamente vitorioso. Tornou-se uma referência inconteste para amplos setores populares.”
Quem diz é ex-candidato do PSOL ao governo do Estado, Fernando Carneiro (na foto).
Para Carneiro, que é historiador, “agora, caberá aos seus estrategistas de campanha analisarem seus erros e repensarem seus conceitos. Ao povo e às forças políticas comprometidas com a causa socialista caberá continuar o combate à miséria, à exploração, contra a violação e pela ampliação de direitos. O PT, que tão facilmente se acostumou às artimanhas dos corredores palacianos, vai passar por uma nova prova: reaprender a ser oposição depois de ter sido derrotado pelo voto popular.”
Acessem a íntegra da análise de Carneiro no Blog da Repórter, da jornalista Rita Soares.

Ana Júlia ficou refém da DS porque quis


Da leitora Adelina Bia Braglia, sobre a postagem Por que Ana Júlia perdeu a eleição?:

Seu post resume o desastre da administração dessesista - e que, por omissão e por conveniência, também foi petista -, mas não concordo com a imagem de uma Ana Júlia refém. Reféns são os que não têm como escapar do cativeiro.
No caso dela, a escapada era plenamente possível, se desejada, seja através da votação que a colocou no cargo, ou pelo conjunto do seu próprio partido, sem falar nos aliados.
Ana Júlia curtiu o que viveu por livre escolha e não por falta de alternativas. Agora, ao lado dos seus corvos e lobos, merece o seu justo pesadelo.
"A história é um carro alegre cheio de um povo contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue" (Pablo Milanés).

PT quer logo esquecer Ana Júlia. Mas quem, depois dela?

Petistas que ainda não se conformaram com a derrota da governadora Ana Júlia não carregam um sentimento de desolação, de inconformidade apenas com a derrota em si.
Sentem-se muito mais desolados com a extensão da vitória do tucano Simão Jatene.
No primeiro trimestre deste ano, petistas de um modo geral tinham uma convicção e uma dose – generosa, digamos assim - de otimismo.
A convicção: a disputa que então se prenunciava, entre Ana Júlia e Jatene, seria renhida, parelha, apertada, equilibradíssima.
A dose de otimismo: a governadora tinha todas as condições de ganhar a parada, ainda que por uma pequena, apertada margem de votos.
Pois nem uma coisa, nem outra.
A disputa não foi renhida, não foi apertada, não foi assim tão parelha como se previa.
E Ana Júlia perdeu feio.
Considerando-se que tinha a máquina na mão e era aliada do presidente mais popular da História do País, a derrota da governadora pode ser considerada até certo ponto fragorosa.
No primeiro turno, Ana Júlia ficou cerca de 450 mil votos em desvantagem.
No segundo e decisivo turno, a diferença ficou em torno de 380 mil votos.
Os petistas, nas avaliações que ainda deverão fazer nos próximos dias, levarão em conta seriamente a larga margem de votos registrada na derrota de Ana Júlia.
E vão procurar traçar os cenários para os próximos dois anos.
Porque em 2012 tem eleição de novo, como se sabe.
Desta vez, para prefeito.
E o PT, em Belém, ainda não tem até agora um nome sequer à vista.
Paulo Rocha era um deles.
No PT, vários segmentos apostavam, mesmo antes da eleição em primeiro turno, que Paulo, se perdesse o pleito para o Senado, poderia credenciar-se para disputar a Prefeitura de Belém.
O problema é a Ficha Limpa.
Paulo Rocha, tornado inelegível pelo TSE, obteve 1,777 milhão de votos.
Seria um bom candidato.
Mas fatalmente será torpedeado pelo Supremo, que no julgamento do caso Jader já decidiu que a Ficha Limpa, nos casos de parlamentares que renunciaram ao mandato para escapar a processo de cassação, terá validade para as eleições deste ano, com efeitos retroativos para antes da vigência da própria lei.
É também o caso de Paulo Rocha, que renunciou em meio ao escândalo do mensalão e virou réu em processo que tramita no processo.
O PT, portanto, quer logo esquecer Ana Júlia.
Em seguida, pretende lembrar de alguém em condições de competir em boas condições para a disputa municipal de 2012.

Charge - Amarildo


A mulher na Presidência após 121 anos de República


Desde a Proclamação da República Brasileira, em 1889, a mulher nunca teve a oportunidade de ocupar o cargo máximo deste país: a Presidência do Brasil. No vindouro dia 15 de novembro, completaremos 121 anos de República. Como se vê, após mais de um século, uma mulher ocupará e exercerá o mais alto cargo do Brasil por vontade do povo brasileiro em decorrência de processo eleitoral democrático.
É sob este prisma histórico e constitucional que a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República há de ser analisada pelas presentes e futuras gerações: uma conquista substancial do Estado Democrático de Direito Brasileiro. E tudo isto, vale mirar e refletir, implica uma missão fundamental para a eleita: o de fazer a diferença não só de gênero, mas também na qualidade da gestão do Estado Brasileiro, para que este seja cada vez mais capaz de proporcionar e ampliar a harmonia imprescindível entre crescimento e desenvolvimento econômico, traduzindo o primeiro em crescentes e reais taxas de bem-estar para a população.
Sucesso para a nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff! E que todos tenham a consciência de envidar esforços - locais, regionais e nacional - pelo bem econômico e social do povo brasileiro. E que tais esforços se pautem pelo quanto melhor para o povo, melhor!

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STAEL SENA LIMA é advogado pós-graduado em Direito pela UFPA

“Foi a DS, a opção pela DS, o que de fato derrotou Ana”

De um Anônimo, sobre a postagem Por que Ana Júlia perdeu a eleição?, reproduzindo parte de uma postagem que está no blog A Perereca da Vizinha:

Afinal, votei em Ana em 2006. E ainda hoje, ao fechar os olhos, consigo me lembrar nitidamente da felicidade e da esperança que aquela vitória significou.
Belém e o Pará eram um enorme coração vermelho! E todos nós, ainda que nem todos petistas, acreditávamos que aquele seria – de verdade! - o começo de um novo tempo...
Não, não sonhávamos nada de mirabolante.
Como cidadãos, queríamos, apenas, uma saúde melhor, uma segurança melhor, uma educação melhor.
Queríamos andar pelas ruas em paz. Queríamos uma saúde humanizada, sem crianças morrendo nos postos de saúde, por falta de atendimento. Queríamos uma educação que garantisse um futuro para essas crianças e jovens que só têm como alternativa as escolas públicas.
Mas quem sabe tenhamos nos enganado... Talvez que sonhar algo assim seja sonhar alto demais num estado como o Pará...
É certo que os governos tucanos fizeram muito pelo Pará.
O equilíbrio das contas públicas é essencial até para a capacidade de investimento.
E a estruturação de alternativas de desenvolvimento econômico, como é o caso do Turismo e do agronegócio, é fundamental para a geração de emprego e renda.
Mas um governo não pode se resumir ao bom desempenho econômico. Muito menos num Estado como o Pará.
Devido à extrema pobreza da nossa gente, é preciso investir fortemente na área social.
E devido a essa nossa histórica condição de colônia, é preciso firmeza para reivindicar os dividendos daquilo que nos pertence.
Em 2006, acreditávamos que Ana Júlia tivesse essa capacidade de ir além do bom desempenho econômico.
O nosso “incrível exército de Brancaleone” – que conseguiu, sim, uma vitória até mais extraordinária que essa de Jatene – acreditava, sinceramente, na possibilidade de mudanças rápidas, profundas e massivas na qualidade de vida dos paraenses.
Acreditávamos, inclusive, numa alternativa até moralizante, em termos de administração pública.
E penso que, naquele outubro, contávamos chegar em 2010 com tantas conquistas, com tantas vitórias, que seria impossível não conseguirmos manter o poder...
Hoje, porém, restam apenas as ruínas daquele sonho...
Ana Júlia fez uma escolha: escolheu a DS.
Desde o primeiro dia – e até o fim!... –, ela deu provas insofismáveis de que a sua DS sempre lhe pareceu muito mais importante do que o Pará, a população do Pará, o PT, o PMDB e todos os que ajudamos a elegê-la, em 2006.
Foi a DS, a opção pela DS, o que de fato derrotou Ana Júlia.
E se ela fosse para o fundo do poço sozinha, ou na companhia desses fascistas da DS, nenhum problema...
O problema é que Ana está a arrastar boa parte do PT e boa parte das pessoas que até se expuseram para ajudar na sua eleição, em 2006.
Sinal de que faltou à Ana Júlia o principal: a compreensão do significado da liderança.
Fuuuuii!
Pros companheiros petistas – e eu imagino como vocês estão a se sentir agora...
E pra todo o nosso “incrível exército de Brancaleone” de 2006...

MP e OAB na transição. Pra quê? Por quê?

Digamos que seja uma propensão.
Que seja uma intenção.
Digamos que seja uma ideia embrionária.
O certo é que o doutor Jatene, governador eleito (na foto aí de cima, de O LIBERAL, comemorando a sua vitória), está aí com umas certas ideias de convidar o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acompanharem, na condição de observadores, o processo de transição de governo.
Sua Excelência deve propor isso à governadora Ana Júlia.
Tomara que o MP e a OAB não aceitem.
Tomara que a governadora Ana Júlia não aceite.
Tomara que o doutor Jatene abandone essa ideia.
Porque Sua Excelência o doutor Jatene, certamente, já terá muita coisa a fazer antes mesmo de tomar posse, em 1º de janeiro vindouro.
Olhem só.
Jornalista tem que fazer jornalismo.
Blogueiro tem que fazer seu blog.
O médico tem que fazer a sua medicina.
O atleta tem que disputar seu esporte.
O verdureiro tem que comercializar sua verdura.
O Executivo tem que executar.
O Legislativo tem que legislar.
O Judiciário tem que aplicar as leis.
O Ministério Público tem que, digamos, ministeriopublicizar.
E a OAB, oabecizar.
Enfim, é cada um no seu cada qual.
Cada um na sua trincheira.
Cada no seu papel.
Qual a intenção de doutor Jatene em pretender que o MP e a OAB acompanhem a transição de governo?
Provavelmente, é das mais meritórias.
Provavelmente, ele pretende que o processo tenha a maior transparência possível.
Mas, doutor Jatene, o processo terá transparência apenas porque o Ministério Público e a OAB vão participar?
O MP e a OAB são, sem dúvida, uma instituição e uma entidade respeitáveis.
Mas só e somente elas são respeitáveis?
O processo ganhará transparência apenas porque as duas vão participar?
E trocentas outras, igualmente respeitáveis, não vão ser convidadas não?
Mas vamos supor que a OAB e o MP participem da transição.
A OAB e o MP vão fazer mesmo o quê, hein?
Alguém pode explicar isso?
A OAB e a o MP vão opinar?
Vão dar alguma pitaco?
Vão meter seus bedelhos?
Vão dizer às equipes de transição que façam assim ou façam assado?
E se derem algum pitaco, se meterem seus bedelhos, não estarão usurpando de suas competências?
E, além do mais, isso não revelará uma redução de direitos, uma redução das competências dos próprios operadores do Executivo envolvidos na transição?
A isso os nossos nobres juristas chamam – alguns pomposamente, outros não – de capitis diminutio.
Eles, os nobres juristas, os preclaros advogados, sabem bem o que é isso.
A expressão, no mais genuíno latinorio, é pedante.
Mas é isto mesmo.
É o que se diz, em português singelo e não castiço, quando alguém tem diminuídas, tem reduzidas, minimizadas suas capacidades, suas prerrogativas, sua autoridade.
A transição deve ser operada apenas no âmbito do Executivo, nas pessoas dos representantes do atual governo e do próximo.
E devemos todos – jornalistas, atletas, verdureiros, legisladores, magistrados, promotores, procuradores da República e advogados – partir do pressuposto de que suas senhorias, os membros da equipe transição, se pautarão pela mais notável e notória transparência, pelo mais nobre interesse público.
E se durante o processo de transição for detectado algum indício de irregularidade, algum indício de crime?
É simples: é só empacotar e enviar tudo ao Ministério Público – Estadual ou Federal.
E daí ao Poder Judiciário.
Pronto. É só isso.
E se o MP, a OAB ou qualquer outro cidadão ou entidade descobrirem, depois da transição, alguma coisa que não foi revelada, mas que configure indícios da necessidade da intervenção do Poder Judiciário?
A mesma coisa: cada um que proponha os procedimentos e as ações que estiverem a seu alcance e dentro de suas respectivas competências.
Do contrário, será uma barafunda total, em nome de transparência nenhuma.
Imaginem só se o Ministério Público escolhe, por eleição, o seu novo chefe.
Aí, chega o período de transição no MP.
De imediato, o Sindicato dos Jornalistas, a Associação dos Verdureiros, o Sindicato dos Médicos e o doutor Jatene, ele próprio, resolvem se apresentar como candidatos a acompanhar, a observar todo o processo de transição no MP!
Vocês acham que o MP aceitará isso?
Hehehe.
Contem outra!
Por isso é que é melhor cada um no seu cada qual.
Melhor assim!

“É o fim da Era da DS no PT paraense por muitos anos”

Do petista Leopoldo Vieira, em comentário sobre a postagem Por que Ana Júlia perdeu a eleição?:

Ana perdeu a eleição porque a DS [Democracia Socialista] fez a opção, por fora do PT e dos petistas, de trocar um governo estadual por um deputado federal que, aliás, desempenhou um papel chave na derrota. Primeiro, como o "gerente" do governo. Não à toa, um governo com várias obras e iniciativas demorou para alavancá-las. Depois, deixou sua indelével contribuição na desarticulação política, quando perdemos a governabilidade e o apoio político do PMDB, fonte de inúmeros desgastes posteriores. Enfim, em nome dos esforços para se eleger federal, secundarizou-se a própria governadora, sua campanha e os objetivos de governar. Conquistado o segundo turno, atropelou a boa coordenação de mobilização em Belém da campanha e assumiu ele mesmo a função, que foi mais um terrível, tremendo, estupendo desastre.
É como disse Plekhanov: "O papel do indivíduo na História". Neste caso, um Midas ao avesso, que converte em fracasso/derrota/conflito/etc. tudo em que toca.
Ana tem as responsabilidades dela, mas foi rifada pela DS, num raciocínio simples: ela nunca foi vista como "orgânica" do grupo nacionalmente, mas como um pragmático guarda-votos. Com a rejeição elevada, a DS Nacional desacreditou de sua eleição e priorizou dois objetivos: 1) assegurar na derrota iminente o mínimo de sobrevida política, com um federal, que era o cargo possível que restava; 2) assegurar que essa sobrevida fosse tocada por alguém tido como orgânico.
Bueno. A oposição venceu. O PT vai refletir, se reorganizar e voltar a campo, mas algumas coisas são certas:
1- Um carreirismo atroz, como o visto jamais, será permitido novamente pelas maiorias petistas paraenses.
2 - Creio que há certeza quanto iremos inibir a lenda de que vale um candidato popular ainda que dissociado da dinâmica partidária.
3) É o fim da Era da DS no PT paraense por muitos anos. O máximo que ocuparão é o cargo na Câmara Federal.
Quanto à Link, ela será o bode expiatório para encobrir, inclusive, as responsabilidades da ala da DS coordenada pelo deputado federal eleito pelo grupo, mas, a despeito das questões que envolveram sua contratação, a empresa tirou uma Ana Júlia desmoralizada, sem credibilidade e rejeitada, com 10% de intenção de votos e a colocou no segundo turno, a 10 pontos do primeiro colocado (curiosamente o percentual de Domingos Juvenil no 1o round), recuperando a imagem do governo dela a ponto de ele poder ser defendido pela militância.
A DS vai fazer o chamado à unidade, claro, mas a hora é de reflexão profunda e de debate interno democrático, pero duro, realista e absolutamente franco. Só se procedermos assim vamos estar à altura de enfrentar os desafios que se colocarão.
Na Juventude Petista, onde milito, e como não poderia deixar de ser em se tratando de jovens, isso será travado com grande dedicação, até porque a renovação e a reoxigenação partidária passam por nós e os erros que levaram a essa derrota precisam ser extirpados desde já, porque menos políticos e mais culturais.

Por que não expor as fotos de campanha?



Campanhas eleitorais não contam apenas a história de candidatos.
Não arquivam para a História apenas as suas aspirações.
Campanhas eleitorais são o retrato – em preto e branco ou em cores, como quiserem, mas sempre retrato – de um momento dos mais relevantes de um país, de um Estado, de um município.
Coleguinhas que trabalham em campanhas eleitorais são testemunhas privilegiadas desses momentos, quando colhem detalhes da rotina dos candidatos para os quais trabalham durante a disputa.
Por que não atribuir ao trabalho deles uma dimensão que está além do puramente eleitoral, do puramente político, do puramente profissional?
Por que não conferir ao trabalho que fazem um valor documental que merece ser preservado e precisa ser melhor divulgado?
Cliquem aqui.
Vocês vão ver dezenas de fotos, dezenas de imagens da campanha deste ano no Estado do Pará.
São as fotos que o blog selecionou e divulgou ao longo da disputa que se encerrou no último domingo.
Muitas fotos são belíssimas.
E muitas outras, independentemente da beleza plástica, são emblemáticas do momento histórico que o Estado viveu.
Aí em cima estão algumas.
Por que os coleguinhas que trabalharam para todos os candidatos não se reúnem para fazer uma exposição dessa precioso acervo?
Por que não selecionam eles próprios as melhores fotos e as expõem?
Por que não selecionam inclusive aquelas ainda não divulgadas, mas que agora já podem sê-lo, eis que encerrada a campanha?
Por que não escolhem fotos inclusive de candidatos a cargos proporcionais?
Não importa se o candidato está carregando criancinha, está beijando cachorro, está fazendo afagos no inimigo de ontem...
Não importa.
O que importa, numa eventual exposição, é expressar um momento da História do Estado.
Uma exposição dessas fotos teria esse objetivo.
E as fotos da exposição não seriam apenas desta campanha recém-encerrada.
Seriam desta e de outras campanhas passadas.
Uma exposição para revisitar a História.

Apertem Luiz Omar. Apertem que ele fala.

Coleguinhas, ação.
Coleguinhas, apertem o Luiz Omar.
Apertam o boquirroto que o boquirroto fala.
Fala mais do que sempre fala.
Luiz Omar, vocês sabem, é aquele que sentou a pua em um atleta que, segundo ele, disseminou um ambiente negativo no Paysandu na véspera do jogo contra o Salgueiro, ao exigir uma premiação maior caso o clube subisse à Segunda Divisão.
Esse mercenarismo, digamos assim, resultou na derrocada do Paysandu.
Depois, o boquirroto adotou uma postura seletiva e não disse quem era o jogador.
Mas todos sabem que é Sandro.
Aí, ontem, Luiz Omar foi ao “Bom Dia, Pará”, da TV Liberal.
À saída, a repórter Trisha Guimarães perguntou quem foram os jogadores que deixaram Luiz Omar mais contrariado.
Pois não é o que o boquirroto, apertado, acabou falando?
- Tácio, Sandro, Aldivan e Fabrício. Eles não jogaram nada – soltou na bucha Luiz Omar, o boquirroto.
Mas quem é o cara que disseminou esse ambiente negativo no clube, hein, presidente?
Aí, não.
Ai o boquirroto, seletivo que nem ele, deixou de falar.
Mas coleguinhas, ação!
Coleguinhas, apertem o boquirroto.
Apertem que ele acaba boquirrotando.
Apertem que ele fala.
Apertem que expele.
Apertem que ele cospe.
Hehehe.

O que ele disse

“O governo da DS começou pífio e termina catastrófico: Simão Jatene encontrará uma estrutura administrativa carcomida pelo aparelhamento e uma dívida pública estocada em quatro anos de inapetência gerencial.”

“O Pará deixou de aplicar nestes quatro anos, aproximados R$ 2 bilhões do Orçamento Geral da União: em 2009, a Sedurb não foi capaz de executar 20% dos valores que dispunha para investimentos em infraestrutura.”

“Simão Jatene preenche os requisitos para fazer o resgate que o preço da democracia lhe cobra: o povo do Pará amargou quatro anos de insuficiência administrativa, não mais desejou alongar a dívida e vai cobrar a restituição do indébito.”

“Não é tarefa fácil a prestação da promissória, mas, há um norte que deve ser observado por Simão Jatene: sempre mirar o arremedo que se finda, pois este é o maior exemplo de como não se deve governar um Estado.”


Parsifal Pontes (na foto), em seu blog, numa análise sobre as razões da derrota da governadora Ana Júlia nas eleições deste ano.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pausa

O blog volta na quarta-feira.
Até lá, se Deus quiser.

Sérgio Leão será o homem de Jatene na transição

Definido.
Sérgio Leão é o homem da transição.
Coordenador da campanha de Jatene e ex-secretário de governo dos tucanos, Leão é que será o elo de ligação entre o governo Ana Júlia e o próximo governo tucano, que assume a partir de 1º de janeiro de 2011.
A revelação do nome foi feita há pouquinho, pelo próprio Simão Jatene, em entrevista ao Jornal Liberal 2ª Edição, da TV Liberal.

Imagens depois da campanha


Na foto lá do alto, o presidente Lula faz um afago na presidente eleita, Dilma Rousseff.
Nas outras fotos, imagem de Dilma na noite de ontem, pouco antes de fazer seu primeiro pronunciamento como presidente eleita, e cenas de petistas comemorando a vitória em vários Estados.

Dilma Rousseff: “Sim, a mulher pode”


Abaixo, a íntegra do discurso de Dilma Rousseff (na foto), logo depois de confirmada sua eleição como a primeira mulher a ser presidente do Brasil:

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"Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.
A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!
Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:
- Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
- Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
- Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
- Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
- Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família. É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.
Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.
O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro. Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.
Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.
No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.
Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.
Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.
É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.
Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.
Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.
Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo. Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.
As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.
Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.
Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.
Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas. Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde. Me comprometi também com a melhoria da segurança pública. Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.
Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.
A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade. É aquela que convive com o meio ambiente sem agredí-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.
Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.
Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.
Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.
Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.
Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.
Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho. Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.
Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.
Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.
Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado. Saberei consolidar e avançar sua obra.
Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo. Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união. União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.
Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada."

Serra: “Apenas estamos começando uma luta de verdade”

Abaixo, a íntegra do discurso de José Serra (na foto), logo depois de confirmada a vitória de Dilma Rousseff:

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No dia de hoje, os eleitores falaram e nós recebemos com respeito e humildade a voz do povo. Quero aqui cumprimentar a candidata eleita Dilma Rousseff (PT) e desejar que ela faça bem para o nosso país.
Eu disputei com muito orgulho a Presidência da República. Quis o povo que não fosse agora. Mas digo, aqui, de coração, que sou muito grato aos 43,6 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em mim. Sou muito grato a todos e a todas que colocaram um adesivo, uma camiseta que carregaram uma bandeira com Serra 45.
Quero agradecer também aos milhões de militantes que lutaram nas ruas e na internet por um Brasil soberano, democrático e que seja propriedade do seu povo.
Eu recebi tanta energia nessa campanha, foram sete meses de muita energia, de muita movimentação e de muito equilíbrio também, que foi necessário. E eu chego hoje, nesta etapa final, com a mesma energia que tive ao longo dos últimos meses. O problema é como dispender essa energia nos próximos dias e semanas.
Ao lado desses 43,6 milhões de votos, nós recebemos, também, votos que elegeram dez governadores que nos apoiaram. Dos quais, um está presente. Um companheiro de muitas jornadas, Geraldo Alckmin. Ele se empenhou na minha eleição, mais do que se empenhou na dele.
A maior vitória que nós conquistamos nessa campanha não foi mérito meu, mas foi de vocês [imprensa]. Nesses meses duríssimos, onde enfrentamos forças terríveis, vocês alcançaram uma vitória estratégica no Brasil. Cavaram uma grande trincheira, construíram uma fortaleza, consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia do Brasil.
Vi centenas e milhares de jovens que me lembraram o jovem que eu fui um dia, sonhando e lutando por um país melhor, como eu faço até hoje. Onde os políticos fossem servidores do povo e não se servissem do nosso povo.
Para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Nós vamos dar a nossa contribuição ao país, em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos têm de falar e de serem ouvidos. Vamos dar a nossa contribuição como partidos, como parlamentares, como governadores. Essa será a nossa luta. Por isso a minha mensagem de despedida nesse momento não é um adeus, mas um até logo. A luta continua. Viva o Brasil."

Charge - Quinho


“Esquerda terá que reconstruir o que foi feito em 20 anos”

Em seu blog, a professora Edilza Fontes, uma das militantes históricas do PT no Pará, apresentam sua análise sobre a derrota de Ana Júlia.
Diz a professora, lá pelas tantas.

[...] “Dilma ganhou, mas não conseguiu casar votos com Ana, é possível que a rejeição de Ana Júlia tenha como base o não conhecimento das obras e serviços do seu governo. Dilma não puxou votos para a Ana e esta por sua vez não deu votos para Dilma.”

E mais:

“Foi uma perda para a esquerda do Pará, que terá que reconstruir muito do que foi feito nestes 20 anos, por toda uma geração de militantes.”

Clique aqui para acessar a íntegra da postagem.

Cardozo, o papagaio de pirata. Jader terá visto o discurso?

Putz!
Fora de brincadeira.
Mas o deputado federal Jader Barbalho não deve ter assistido ao primeiro pronunciamento da presidente eleita, Dilma Rousseff.
Ou melhor: deve ter começado a assistir, mas é muito provável que tenha desistido logo nos primeiros dois ou três minutos.
É que um dos papagaios de pirata – aquela turma que, para aparecer, se posiciona bem atrás do personagem principal – era Sua Excelência o deputado federal José Eduardo Cardozo (com “z” mesmo), do PT de São Paulo, um dos homens fortes da campanha de Dilma.
Ele é o que aparece na foto acima, atrás de Dilma, entre Magno Malta e José Eduardo Dutra.
Cardozo apareceu, ao vivo e em cores, durante todo o discurso de Dilma, transmitido por todas as emissoras de televisão do País.
Foi ele quem encaixou na Lei da Ficha Limpa, quando o projeto ainda estava em discussão na Câmara, uma emenda prevendo que os renunciantes ao mandato para escapar de processo por quebra de decoro parlamentar seriam inelegíveis.
A emenda proposta por Cardozo tinham um endereço, ou melhor, um nome certo.
Joaquim Roriz, o ficha suja do Distrito Federal que acabou não concorrendo ao governo do Distrito Federal.
Pois a emenda acabou acertando trocentos outros, inclusive Jader, tornado inelegível por oito anos, decisão do TSE confirmada pelo Supremo.
Jader está com ódio no coração de Cardozo.
Vejam aqui o que ele, Jader, disse numa entrevista à Agência Estado, disponível no Blog da Repórter:

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Mas há uma norma pela qual o candidato responsável por provocar uma nova eleição não pode concorrer. O sr. vai aguardar as eleições de 2014 para disputar o Senado novamente?
Neste caso, o agente causador da nova eleição não serei eu. O responsável é o deputado José Eduardo Martins Cardozo que, se fosse candidato no Pará, não poderia disputar. Foi ele quem causou a inelegibilidade porque a questão da renúncia ao mandato não estava na proposta popular da Ficha Limpa. Se a eleição para senador do Pará for anulada, hoje, não é porque o candidato fraudou, comprou votos ou cometeu abuso de poder econômico. Eu não dei causa à nulidade da eleição.

O sr. está dizendo que a culpa é do deputado do PT José Eduardo Martins Cardozo?
O único responsável por isto é ele, o coordenador da campanha da Dilma Rousseff a presidente. Foi ele quem colocou uma encomenda do PT do Distrito Federal na lei da qual foi relator. Os radicais comunistas, fascistas e nazistas têm um ponto em comum: não respeitam as regras democráticas.

Entre o Estado Policial e o garantismo

De um Anônimo, sobre a postagem Magistrados não são semideuses. São apenas magistrados.:

Joaquim representa o Estado Policial e Gilmar, o garantismo.
Quem não acreditar, responda: se um dia você fosse injustiçado, acusado, por exemplo, pela polícia e pelo Ministério Público, do cometimento de um crime que não cometeu, quem você gostaria que lhe julgasse? O Joaquim ou o Gilmar?

Caro Helenilson...

Tucanos e oposicionistas ao governo de Ana Júlia de um modo geral passaram os últimos quatro anos sentando o malho, baixando o sarrafo na administração de Sua Excelência.
Era – aliás, ainda é – direito deles.
Agora, a partir de 1º de janeiro de 2011, tucanos e oposicionistas de um modo geral terão os quatro anos seguintes para fazer exatamente tudo ao contrário do que criticaram e almejar que seja feito tudo ao contrário do que criticaram.
E deverão fazê-lo não por opção, mas por obrigação, já que passaram todos estes quatro anos sentando o malho, quebrando o pau com o governo Ana Júlia.
Mais da metade do Pará elegeu Simão Jatene governador.
O tucano encaçapou 1,860 milhão de votos.
Com ele, seu vice, o santareno Helenilson Pontes (PPS) – na foto.
Nada mais oportuno, por isso, do que uma carta que está publicada no Blog do Jeso.
Tem como título Carta aberta a Helenilson Pontes.
É assinada pelo contador, mestre em Contabilidade Pública, bacharel em Direito e especialista em Administração Pública Municipal Lucas Correa.
A carta se dirige especificamente a Helenilson, alertando-o de que deve evitar os deslumbramentos do poder.
Mas o texto pode ser entendido, extensivamente, como uma exortação aos críticos de hoje e que amanhã, daqui a pouco, daqui a dois meses, estarão no comando deste Estado e, portanto, sairão da condição de baladeiras para se colocar na condição de vidraças.
Abaixo, o carta de Correa.
Das mais oportunas, repita-se.

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Caro Helenilson,

Agora que és vice-governador eleito, que o poder não te subas a cabeça. Que a arrogância não seja tua conselheira. Que não faças da Vice-Governadoria uma filial do teu escritório, e nem um cabide de emprego para os teus amigos.
Que o exercício do mandato que recebeste, muito embora haverão aqueles que digam, que não fostes votado, o que não é verdade, já que a chapa é para o Executivo Estadual, e é composta do titular e do vice. Portanto, fostes votado, e tua representação é legitima.
Não te iludas com a “liturgia do cargo”, nem te empolgues com o aparato policial e de segurança que agora terás ao teu dispor.
Não te deixes levar por interesses pessoais nem econômicos, acima de tuas convicções. É mais importante para um homem a probidade e a honra do que o poder efêmero e volátil que terás nos próximos 4 anos. Não esqueças de tuas raízes, nem de teu rincão mocorongo, nem de teus costumes, nem de tuas tradições.
Talvez já saibas de tudo isso, no mister da profissão que escolhestes exercer. Lembra-te sempre do juramento do curso de Direito: “Juro, no exercício das funções de meu grau, acreditar no Direito como a melhor forma para a convivência humana, fazendo da justiça o meio de combater a violência e de socorrer os que dela precisarem, servindo a todo ser humano, sem distinção de classe social ou poder aquisitivo, buscando a paz como resultado final. E, acima de tudo, juro defender a liberdade, pois sem ela não há Direito que sobreviva, justiça que se fortaleça e nem paz que se concretize.”
Agora, embora possuas teus títulos acadêmicos, deverão ser teu norte, e nunca poderás dizer que desconhecias qualquer premissa oriunda da natureza do cargo político que a partir de tua diplomação irás ocupar.
Não obstante teres sido eleito vice-governador, continuas a ser o mesmo mocorongo “pos.doc”, sem que isso tenha mudado teu jeito sereno de ser. O trabalho ainda não começou, e vai ser árduo, “reorganizar a casa”, mas que isso não lhes sirva de desculpas, nem a ti, nem pra Jatene.
Que vocês cumpram as promessas que fizeram, não somente as pra nossa cidade, mas para o bem do povo paraense. Não te deixes ser ignorado como foi o ultimo mocorongo vice-governador.
Portanto, que sejas probo no exercício de tua função, que sejas digno com teus ideais, e que não faças da Vice-Governadoria um balcão de negócios. Ao contrario, que lá seja aquele lugar onde os mais humildes, os que menos tem acesso ao poder possam buscar um refúgio.
Não macule tua biografia com a “pavulagem”, nem com a arrogância. Três coisas corrompem um homem: dinheiro, o poder e a mulher, ensina o dito popular. Se souberes ser coerente com essa verdade, exercerás teu mandato com honra e lealdade, e passaras para história, não como mais um mocorongo vice-governador, mas como o vice-governador mocorongo!
Termino, externando minha alegria pela vitória de vocês, e com a certeza de que irei ser uma daquelas vozes que se levantarão sempre assim que deixares de cumprir com a missão que se dispusestes a cumprir. O povo paraense, e nós mocorongos, esperamos que vocês façam a diferença, e que o Grande Arquiteto do Universo (Amor e Bondade), possam conduzir a missão de vocês com justiça e perfeição.
Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça (Eduardo Juan Couture). Teu dever é o de lutar pelo bem comum, e se encontrares o bem comum sendo sobrepujado, teu dever é de honrar aqueles que te voltaram, acima das convenções que possam existir.

Fraternal abraço.
Lucas Correa

Charge - Waldez

Acesse o Blog do Waldez

“Prevaleceu a política sobre o Direito”

De um Anônimo, sobre a postagem A violação da Constituição sob o amparo do Supremo:

Não é exagero não. Quem entende um pouquinho de direito processual constitucional perceberá quanto foi equivocada a decisão do STF. Uma votação raivosa, destemperada, com conflito interpessoal às claras.
O dispositivo do regimento utilizado não se aplica ao caso. Não havia na bancada nenhum ministro impedido nem de licença por mais de 60 dias. O STF, ou melhor, o Judiciário, não poderia decidir utilizando-se do descaminho processual.
A repercussão dessa decisão no meio jurídico é desastrosa. Neste caso, como a matéria estava sendo apreciada pelo Judiciário, deveria prevalecer o Direito sobre a política. Pela decisão, prevaleceu a política sobre o direito. Essa decisão soa mais como um castigo ao Jader ou revanche contra políticos.
Faço votos que o PMDB não entende assim, pois tem a maior bancada no Senado e poderá já começar a promover as mudanças no STF. Vá entender o comportamento do ministro Celso de Mello. Só Saulo Ramos explica ...
Em tempo, não sou eleitor de Jader.

Por que Ana Júlia perdeu a eleição?

Os petistas – de todos os matizes, de todas as tendências – vão ser fazer essa pergunta aí de cima pelos próximos dias, pelas próximas semanas, pelos próximos meses, pelos próximos anos.
Por que, afinal, a governadora Ana Júlia de Vasconcelos Carepa (na foto) não conseguiu emplacar mais um mandato?
Sua Excelência, quando se elegeu em 2006, tinha a seu favor qualidades, fatores, contingências e circunstâncias que a credenciavam a fazer um bom governo.
Ana Júlia, afinal, era a primeira mulher a se eleger governadora do Pará. Poderia aproveitar essa condição como elemento de emulação e de promoção política para demonstrar que, sim, ela era beneficiária da evolução da consciência política dos paraenses, o que lhe daria sustentação para fazer um governo à altura das expectativas gerais.
Ana Júlia, ao se eleger, desfrutava de uma incontrastável popularidade, confirmada por sua trajetória na vida pública, inclusive tendo alcançado o mandato de senadora.
Carregava a credencial de ter destronado do poder o tucanato que lá se aboletava havia 12 anos consecutivos.
Conseguiu formar uma aliança política que colocou a seu lado o PMDB, o maior partido do Estado.
Era do mesmo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cara, aquele que, tirante o fato de que às vezes – ou quase sempre – se apresentar como o construtor do Universo, pode festejar à farta a condição que ostenta, a de presidente mais popular da História do Brasil.
Essa era a Ana Júlia que, como governadora, tinha tudo para dar certo.
Mas deu errado.
Deu tudo errado.
Por quê?

As razões da derrota. No atacado.
Muitas razões podem explicar isso.
Relacionem-se algumas delas.
1. Ana Júlia revelou-se de uma inexperiência administrativa atroz. Revelou-se de uma inexperiência administrativa de efeitos devastadores. Até ser governadora, ela só havia administrado o Sindicato dos Bancários. Não fora submetida, até aquela altura, ao teste de gestão nem mesmo quando chegou a ser vice do prefeito Edmilson Rodrigues, então no PT. Isso porque Ana Júlia foi prefeita em exercício.
2. A inexperiência administrativa de Ana Júlia sobressaiu em dois casos por si sós emblemáticos e ambos de repercussão nacional. O primeiro deles ocorreu em fevereiro de 2007, quando a governadora assinou decretos nomeando sua cabeleireira, Manoela Figueiredo Barbosa, e sua esteticista, Franciheli de Fátima Oliveira, como assessoras especiais, lotadas no gabinete da governadoria. O segundo, de repercussão igual – senão maior – que o anterior, consistiu também na nomeação da performática Elida Braz, Senhora Kaveira, para assessora especial da Governadoria.
3. A inexperiência administrativa da governadora, em tese, não seria um problema de monta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também não tinha nenhuma vivência administrativa, a não ser nos sindicatos que dirigiu. Mas, uma vez presidente, acercou-se de bons quadros e fez o governo mais popular da história do País. Ana Júlia não. Desde o primeiro momento, deixou-se agrilhoar, deixou-se ficar algemada, deixou-se cair como refém de um quarteto que também ficou conhecido como núcleo duro do governo.
4. Refém do núcleo duro, Ana Júlia não viu mais o PT à sua frente. Não viu mais o partido. Não o reconheceu mais como uma legenda orgânica, que poderia lhe dar sustentação. Passou a divisar apenas o núcleo que a mantinha refém e, em consequência, passou a ter olhos apenas para os interesses da Democracia Socialista (DS), a minúscula, inexpressiva tendência petista a que pertence a própria governadora.
5. Sob a tutela dos luas-pretas da DS, Ana Júlia pôs em andamento e turbinou aquela que foi a pior, a mais atabalhoada, a mais disparatada, a mais emperrada e a mais ineficaz articulação política já posta em prática por um governante no Pará. A articulação política, conduzida por seu chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, revelou-se, além do mais, conflitante e conflituosa depois que ele, mesmo na condição de um dos quadros mais influentes do governo, começou a notabilizar-se como pré-candidato a deputado federal, cargo para o qual acabou se elegendo.
6. O próprio PT, partido da governadora, foi uma das vítimas da desarticulação empreendida com notável desenvoltura pela Casa Civil do governo, durante a era Puty. Em meados de 2009, o poster ouviu de viva voz, da assessoria de um parlamentar petista, que o deputado não conseguia falar havia semanas com a governadora. E ele, o deputado, não queria pedir nada. Ou por outra, queria pedir, sim, mas informações circunstanciadas sobre determinada matéria para defender Ana Júlia de críticas ferozes que ela vinha sofrendo na Assembleia.
7. Na articulação política desastrada, conduzida pelo então chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, está a gênese, em boa parte, das dissensões e dos conflitos que levaram ao afastamento do PMDB e, posteriormente, ao rompimento da legenda com o governo, jogando por terra a possibilidade de se manter a aliança desde o primeiro turno das eleições deste ano.
8. A nomeação de Everaldo Martins para comandar a Casa Civil mudou da água para o vinho, mudou do péssimo para o muito melhor a qualidade da articulação política do governo Ana Júlia. Mas já era tarde. Everaldo só assumiu o barco em março deste ano. Havia pouco tempo para juntar os cacos e restaurar os vínculos políticos que seu antecessor esfacelara irreversivelmente.
9. Da mesma forma, Ana Júlia tomou muito tarde a decisão de mexer na Comunicação do governo. Durante a maior parte de seu governo, essa área foi impalpável, inexistente. Não se sabe se nada divulgava porque não sabia como divulgar ou porque obras não havia para serem divulgadas. De meados do ano passado para cá, a Comunicação, mas também não conseguiu, sozinha, reverter situações que já haviam causado enorme desgaste à imagem da governadora.
10. E por falar em obras... O governo Ana Júlia acordou da letargia na onda do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Mas isso também já foi tarde. E o PAC esteve sempre associado ao governo federal, ao governo Lula, e muito pouco aos governos estaduais. Resultado: até inaugurar uma cozinha industrial no Hangar, Ana Júlia pouco ou nada tinha para mostrar. Quando passou a ter alguma coisa para mostrar, não havia mais tempo para que isso se convertesse em votos. E votos, como se sabe, são essenciais para eleger e reeleger um governante, não é?
11. O enclausuramento de Ana Júlia e a dificuldade de seu governo em se comunicar levaram Sua Excelência a ficar acuada em três momentos dos mais críticos. No caso da menor presa e seviciada numa cela de presos em Abaetetuba, no caso da mortandande de bebês da Santa Casa e no caso dos kits escolares. E olhem que, no caso da menor, o delegado-geral Raimundo Benassuly primeiro se exonerou do cargo, depois de uma declaração infeliz. Passados alguns meses, o que fez Ana Júlia? Reconduziu-o ao posto.
12. A governadora também perdeu porque, no afã de se eleger, não mediu escolhas, não selecionou aliados, não passou no crivo os adesistas à sua candidatura. Quem se alia a um Duciomar Costa, o pior prefeito que Belém já teve em toda a sua História, não quer, sinceramente, ganhar uma eleição. E quem se alia a Almir Gabriel se vê forçada a fazer certas revisões históricas que conduzem a vergonhosas, a constrangedoras contradições com trajetórias políticas como as de Sua Excelência a governadora Ana Júlia.
13. E por último, mais não menos importante, Ana Júlia não se reelegeu porque escolheu mal a agência que fez a sua propaganda, a baiana Link. E o escolher mal, como aqui está posto, nada se deve ao fato de a Link ser baiana, mas porque a agência nunca esteve linkada com as peculiaridades de campanhas como as que se desenvolvem no Pará, que são diferentes das que ocorrem na Bahia, ou em Pasárgada ou até no Afeganistão. Assim, três grandes erros na campanha foram, também eles, decisivos para a derrota da governadora.
Essas são, digamos, as razões no atacado.
São 13 razões ao todo.
Mas razões outras há, é claro.
São, todavia, razões no varejo.
Quanto a essas, os petistas, eles próprios, haverão de desvendar.
Nos próximos dias.
Nas próximas semanas.
Nos próximos meses.
Nos próximos anos.

Foi dada a largada para 2014

Então, é assim.
Simão Jatene é o governador eleito.
E aí, ele será candidato à reeleição em 2014?
Jatene tirou cabeça, tronco e membros das urnas, em 2006, porque, segundo dizia, era por princípio, contrário à reeleição.
Ainda é?
Continuará a ser favorável?
Se o for, até quando sê-lo-á? (hehehe)
Quando perguntarem sobre isso a Sua Excelência, ele vai dizer, claro, que 2014 ainda está muito longe.
Vai dizer que ainda comemorando a sua vitória.
Vai dizer coisas que tais.
Mas o que é isso! – digam logo os coleguinhas ao dr. Jatene.
2014 é agora.
Começou ontem.
Ah, sim.
E ainda tem mais uma coisa.
Em 2006, também havia o fator Almir Gabriel.
Almir Gabriel, vocês sabem, é aquele que saiu do PSDB e fez uma circunvolução política que o levou a navegar por mares que nunca, jamais, em tempo algum se imaginava que Sua Senhoria fosse capaz de navegar.
Pois é.
Em 2006, Almir estava com os zolhões arregalados em direção ao Palácio dos Despachos.
E acabou, como se sabe, perdendo a eleição para Ana Júlia.
Depois, ainda disse que é porque Jatene fez corpo mole.
Vejam só como são essas coisas!

Jatene ganhou com 383.190 votos de vantagem

Os números finais – e oficiais – da votação em segundo turno para o governo do Estado:

Eleitorado: 4.763.592
Apurado: 4.763.571 (100%)
Abstenção: 1.275.991 (26,79%)
Comparecimento: 3.487.580 (73,21%)
Brancos: 49.303 (1,41%)
Nulos: 99.869 (2,86%)
Válidos: 3.338.408 (95,72%)
SIMAO JATENE (PSDB) - PPS/DEM/PSDC/PRTB/PMN/PRP/PSDB - 1.860.799 (55,74%)
ANA JULIA (PT) - PRB/PP/PDT/PT/PTB/PTN/PSC/PR/PHS/PTC/PSB/PV/PCdoB/PT do B - 1.477.609 (44,26%)

Ibope acerta na boca de urna

Desta vez, o Ibope acertou.
Clique aqui.
Veja a pesquisa de boca de urna que o Ibope fez ontem.
Registrou 57% a 43% para Jatene, com a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Com isso, os números que saíram das urnas poderiam variar de 55% a 59%, enquanto Ana Júlia poderia ficar numa faixa de 41% a 45%.
Pois a votação terminou com Jatene registrando 55,74% dos votos, enquanto Ana Júlia levou 44,26%.

A disputa mais espetacular

Que coisa!
Mas a disputa mais espetacular não apenas deste segundo turno, mas de todas estas eleições, foi em Roraima.
No colégio eleitoral de 271.603 votantes, Anchieta Júnior (PSDB) - na foto - foi eleito governador por exatos 1.759 votos.
Ele obteve 107.466 votos (50,41%), enquanto seu concorrente, Neudo Campos (PP), registrou 105.705 (49,59%).
E a apuração foi assim, parelha, do princípio ao fim.

Tempos medíocres

Inescapavelmente, as eleições falam por elas mesmas. Elas não sabem qual o caminho do vento. À medida que o segundo turno da eleição presidencial terminou, o clima de conflito se acirrou em terras tupiniquins. O enfrentamento entre os partidários de José Serra e Dilma Rousseff descambou para a agressão. O presidente da República perdeu o comedimento - e o País assistiu atônito ao jogo da política como se fosse decisão de título mundial, com pega geral aos 45 minutos do segundo tempo. O melancólico episódio na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em que uma turba de petistas encurralou, intimidou e atirou objetos em Serra, foi seguido de incidentes ridículos. Serra sem lesão aparente fez exame médico em hospital. Depois se comprovou tratar-se de bolinha de papel. É inadmissível que um candidato à Presidência seja impedido de caminhar. Contudo, imagine-se se um bando de militantes tucanos tivesse jogado no rosto de Dilma bolinhas e rolos de adesivos, empurrando-a para dentro de uma loja, pode-se imaginar a fúria de Luiz Inácio? E Nosso Guia, em vez de ficar em seu lugar como magistrado, propagou uma versão fantasiosa como se fosse mero militante.
Entende-se porque toda essa convicção da oposição virou verdadeira obsessão. Claro que há seriedade e bons propósitos nas pesquisas de intenção de votos. O que ferra os institutos é a abertura das urnas. Mas qualquer que seja o resultado da eleição presidencial - e as pesquisas apontaram certo favoritismo de Dilma -, o país despertou com uma severa carraspana cívica.
Mas vamos fazer de contas que tentaremos esquecer muitas cenas ridículas do segundo turno. A politização reles do aborto e da religião, o populismo escancarado dos programas eleitorais, as acusações vazias de sentido, a manipulação vil de números (mas quando a pesquisa de opinião não tem de ser confrontada com a realidade, há controvérsias. O problema é que ninguém consegue obter respostas sinceras), os debates sonolentos e enfadonhos que caminharam com a mesmice de sempre, achando que o eleitor funciona com um puxão de orelhas desses tempos medíocres.
"O político medíocre preocupa-se com as próximas eleições, o verdadeiro estadista preocupa-se com as próximas gerações", disse sir Winston Churchill, ao definir a diferença entre a vulgaridade e a grandeza da política. Pergunta pertinente: Onde estão os estadistas? Ninguém é capaz de apontar um dentre os atuais mandatários mundiais. No ar, além da provocação fica o desafio para se apontar um estadista.
Essa asseverativa de Churchill, desde quando a lapidar sentença foi pronunciada, nos remete para estes tempos de políticos e governantes vestidos de santos e heróis, com sua imagem alçada ao altar da fama graças ao assistencialismo e clientelismo oferecido aos necessitados e à arte de usar o palco para desfiles pirotécnicos. A filantropia, a caridade, a assistência social, o altruísmo e a repressão às ilicitudes são, sem dúvida, coisas admiráveis, mas devem pertencer ao arsenal da fortaleza ético-moral do Estado.
Dirigentes precisam ter cuidados para separar o campo da gestão pública, que dirigem, da seara da promoção pessoal, que ambicionam. O apego à verdade é um ótimo lema.
O Brasil do ano eleitoral que se encerra, mesmo que o resultado final possa ser diferente do esperado, tem algo da atmosfera imaginária na qual, há muito vale a pena deter-se na consideração do seu significado.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ela disse

"Vou fazer um governo comprometido com a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Mas, humildemente, faço um chamado à nação, aos empresários, trabalhadores, imprensa, pessoas de bem do país para que me ajudem.”

“Esse fato é um avanço democrático do Brasil. Pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Meu primeiro compromisso é honrar as mulheres brasileiras para que este fato, até hoje inédito, se torne natural”.

“Farei um governo com ampla de liberdade de imprensa, religiosa e de culto. Vou zelar pela observação criteriosa dos direitos humanos e zelarei pela nossa Constituição.”

“Não nego que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram tristes, mas quem, como eu, lutei pelo direito de opinião, dedicamos toda a nossa juventude ao direito de expressão somos amantes da liberdade."

“Baterei muito em sua porta [do presidente Lula] e tenho certeza de que a encontrarei sempre aberta”.

"Aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação."


Dilma Rousseff (na foto do G1), em seu primeiro pronunciamento na condição de primeira mulher a ser presidente do Brasil.