quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Com seus protocolos eleitorais, a Globo contraria injustificadamente a própria Globo

Repórteres da Globo com máscara: protocolos elogiáveis são contrariados
por outros, de naureza eleitoral, no mínimo discutíveis 

A Globo, ao que se informa por aí, estabeleceu seus protocolos de cobertura com os candidatos a cargos majoritários às próximas eleições.

Uma das mudanças, em relação aos anos anteriores à pandemia: não haverá debates, no primeiro turno, com mais de quatro candidatos, para evitar aglomerações.

Outra: foram suprimidas as tradicionais entrevistas individuais com os aspirantes ao cargo de prefeito.

A Globo, justiça se faça, tem adotado procedimentos elogiáveis durante essa pandemia, inclusive para proteger seus profissionais, obrigados a usar máscara em suas externas e, na medida do possível, transferir o microfone para o próprio entrevistado segurá-lo enquanto fala, em respeito ao mínimo distanciamento.

Palmas à Globo.

Mas, em relação aos anunciados protocolos para a cobertura eleitoral, a Globo deveria, em nome da transparência que deve à opinião pública e em homenagem à lógica, razoabilidade e racionalidade, explicar-se melhor. Bem melhor.

Quanto aos debates com mais de quatro candidatos, admita-se com muito, mas com muito esforço, que evitá-los com mais de quatro candidatos presentes presencialmente é acertado, já que seria uma temeridade facilitar aglomerações, neste momento em que a pandemia oferece apenas pálidos sinais de que começa a ceder.

Mas, sem muito esforço, mesmo esse protocolo limitado a quatro candidatos é injustificável. E quem demonstra que é injustificável? A própria Globo, ora bolas.

Durante o período inteirinho da pandemia, inclusive no seus picos, a GloboNews (que segue os mesmíssimos padrões da Globo), promovia, quase todo dia, o dia inteiro, debates com cinco, seis especialistas para discutir aspectos da doença. Cada um dos debatedores na sua casa, é claro.

Por que a Globo não poderia fazer o mesmo, por exemplo, com os 12 candidatos à Prefeitura de Belém? Ou mesmo com cinco, seis ou sete?

Qual o problema de cada um desses baluartes ficar em sua própria casa, em seu próprio escritório, na sede de seu próprio partido, e participar de um debate?

Qual seria a diferença desse procedimento em relação aos debates que a GloboNews faz?

E em relação às entrevistas?

Pior ainda. Aí mesmo é que a ausência de justificativas da Globo para suprimi-las torna-se mais chocante e clamorosamente inaceitável.

A Globo, em todos os seus telejornais, usa em certas reportagens quatro, cinco e até mais entrevistados para repercutir os assuntos abordados.

Cada um dos entrevistados, é claro, está no seu próprio ambiente, a trocentos quilômetros de distância da Globo.

Qual a diferença desse procedimento em relação a entrevistar um candidato a prefeito?

Quais os riscos ou quais as dificuldades operacionais que haveria em entrevistar-se cada um dos candidatos a prefeito de Belém, por exemplo, se cada um permanecesse em sua casa, conectado com a transmissão ao vivo?

E de programas como o do Bial - que permanece em casa, até porque é do grupo de risco, mas entrevista tranquilamente  as pessoas, cada uma também em sua casa -, o que dirá a Globo para explicar a diferença com entrevistas individuais com candidatos?

Esse tema é dos mais relevantes porque, a meu juízo, os debates e as entrevistas individuais que emissoras de TV promovem - não apenas a Globo, vale dizer - representam o meio mais eficaz, ou menos ineficaz, se quiserem, para que o eleitor possa aferir a viabilidade das propostas que os candidados apresentam para o País, para um estado ou para um município.

Por quê?

Porque os debates permitem o contraditório - seja de um candidato com outro, seja de candidatos com entrevistadores das próprias emissoras.

Ao contrário, os programas eleitorais veiculados no horário gratuito do TSE, muito embora vários deles sejam reconhecidamente de alto nível profissional, não passam de um monólogo, não é? Um monólogo que sempre converge para atender, evidentemente, ao propósito de projetar a imagem e as propostas de um candidato qualquer.

Por isso, é de se lamentar que a Globo, ao eleger seus protocolos eleitorais, esteja contrariando frontalmente - e injustificadamente - os protocolos que a própria Globo, rotineiramente, observa em seus telejornais e outros programas de entretenimento.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Bolsonaro é a mentira, a vergonha. Mentindo na ONU, ele afunda o Brasil no ridículo.

Bolsonaro: seu nome é mentira. A mais completa, a mais desbragada e repulsiva mentira.

Bolsonaro é uma vergonha.

Ou melhor, Bolsonaro é a vergonha.

O Aos Fatos divulgou sua checagem do discurso que Bolsonaro fez na ONU, na manhã desta terça (22).

Comprovadamente, o site apurou 11 mentiras escandalosas que Bolsonaro proferiu.

Além disso, o presidente cometeu várias outras imprecisões e fez afirmações contraditórias ou insustentáveis.

Como classificar um homem desse?

Fosse eu, seria um mentiroso.

E Bolsonaro, quando expele num só discurso 11 mentiras?

E Bolsonaro, quando usa a tribuna de um fórum mundial, como a ONU, para envergonhar toda uma Nação, ele deve ser considerado o quê?

E Bolsonaro, quando arrota publicamente, em dimensões mundiais, suas manias persecutórias, ele deve merecer que tipo de diagnóstico?

Bolsonaro, quando faz tudo isso, é aquele mentiroso que dá vazão à sua compulsividade.

É o governante sem as mínimas condições de ligar lé com cré, contaminado até o último fio de cabelo pelo vírus do negacionismo e do direitismo mais desastrosos.

É o governante destituído de uma réstia sequer de compromisso moral em admitir realidades flagrantes, como o fogaréu que lhe varre as ventas e que, em boa parte, agravou-se exponencialmente porque seu governo, passando a boiada com arte e engenho, desmontou e continua a desmontar os órgãos de fiscalização ambiental.

Bolsonaro, o mentiroso, é a vergonha alheia.

Brasileiros envergonhados - aos milhões - com o desrespeito, a irresponsabilidade e as manias persecutórias que Bolsonaro protagoniza num fórum mundial como a ONU não se sentem, certamente, representados por ele. Mas não podem, mesmo assim, evitar de sentirem-se envergonhados.

Ah, sim: todas as vezes em que o blog faz apreciações como essas, há leitores anônimos que vão às caixas de comentários e alegem, como se tivessem descoberto a Terra plana, que Bolsonaro foi eleito democraticamente.

Mas o que é que a boca tem a ver com o nariz? Ambos estão bem próximos. Só isso. Mas uma, a boca, nada tem a ver com o outro, o nariz. Absolutamente nada.

Então, resumindo: sim, Bolsonaro é o presidente do Brasil eleito democraticamente; mas Bolsonaro é o presidente do Brasil eleito democraticamente que mente despudoradamente e envergonha o Brasil.

Simples assim.

Petistas e bolsonaristas, unidos, jamais serão vencidos. É a política, gente!

Sirlene, a petista, e Aguinaldo, o bolsonarista: juntos, unidos pelo Brasil Grande!
(reprodução extraída do jornal O Globo)

Sabem o PSL, aquele partido que os petistas dizem ser um covil de fascistas, terraplanistas, negacionistas, fanáticos, olavistas e vendilhões da pátria que estão destruindo o Brasil como nunca se viu em 500 anos de história?

Pois é. Esse PSL estão de mãos dadas com o PT.

Sabem o PT, aquele partido que o PSL e os bolsonaristas dizem ser um covil de ladrões da pátria, de párias da política, de esquerdistas vadios e heróis da melhor ética introduzida pelo mensalão e pela Lava Jato?

Pois é. Esse PT estão de mãos dadas com PSL e bolsonaristas.

Aconteceu em Itapirapuã Paulista (SP), um município de apenas 4,1 mil habitantes, mas um enorme, precioso laboratório contaminado pelo vírus mais saudável da mais edificante coerência política.

Lá, PT e PSL, unidos, jamais serão vencidos.

A candidata a prefeita é Sirlene Almeida (PT), que tem como vice Aguinaldo Cruz (PSL). Eles aparecem acima, em foto disponível em reportagem publicada em O Globo desta terça (22).

Como aqui já se disse, é a política, gente. É a política!

Não se espantem nunca, porque a política sempre tem muito a nos ensinar.

sábado, 19 de setembro de 2020

Os resilientes ainda não acreditam, mas Úrsula não poderia mesmo participar das eleições deste ano

Úrsula Vidal: os resilientes podem até não acreditar, mas ela não poderia
mesmo disputar as eleições deste ano. Palavra do TSE.

Resiliência é substantivo inscrito no léxico há trocentos milhões de anos.

Mas, parece, foi descoberto apenas mudernamente.

E mudernamente tem sido usado exaustivamente para definir quase tudo.

Inclusive para definir equivocadamente condutas que nada têm de resilientes.

E assim é que há os, digamos assim, juristas resilientes.

Eles não se rendem, não se curvam, não se dobram às evidências nem que a vaca tussa.

Quando contaminados por paixões político-partidárias, então, aí mesmo é que nada é capaz de convencê-los de que dois e dois são quatro e muito menos de que a Terra é redonda (ou plana, como acredita uma certa catiguria de patriotas).

Pois o Espaço Aberto ainda está recebendo, aqui e ali, opiniões de leitores que não se conformam com a inalterabilidade dos prazos previstos na PEC nº 107/2020 (convertida na LC n° 64/90, que adiou as eleições deste ano de outubro para novembro e acabou inviabilizando a candidatura da secretária de Cultura, Úrsula Vidal.

Mesmo que o prazo das convenções já tenha expirado na quarta-feira passada, dia 16, leitores anônimos, com linguajar que trai sua atuação na área do Direito e indica suas paixões político-partidárias, precisam conhecer, pelo menos, a resposta do TSE a uma consulta formulada sobre o prazo para desincompatibilização relativo às eleições de novembro.

Se quiserem, vejam no TSE o processo nº 0601158-37.2020.6.00.0000.

O consulente foi o deputado Félix Mendonça (PDT-BA) e relator, o ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.

O acórdão da Corte, lavrado em 20 de agosto e publicado em 2 de setembro, é claro, claríssimo, ao reforçar que o prazo para desincompatibilização de servidores públicos e agentes políticos expirou em 4 de junho de 2020, e não em 15 de julho de 2020, como chegou a acreditar a secretária Úrsula Vidal.

Os juristas resilientes podem não acreditar, mas, como diria José Luiz Datena, aquele filósofo, pré-socrático, "essa é a realidade dos fatos".

Leiam, abaixo, o acórdão:

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1. Consulta formulada nos seguintes termos: "as hipóteses previstas na LC n° 64/90 que repousam na

necessidade dos servidores públicos e agentes políticos se afastarem dos seus cargos e funções pelo

prazo de 04 (quatro) meses anteriores a data da eleição, deverão considerar a data 4 de junho de 2020

ou 15 de julho de 2020?".

2. A formulação de consulta válida pressupõe o cumprimento de três requisitos cumulativos: i) a

legitimidade do consulente; ii) a pertinência temática; e iii) a inequívoca abstração aliada à objetividade

e clareza da dúvida plausível. Atendimento, no caso, de todos os elementos.

3. Os prazos de desincompatibilização quadrimestrais da Lei Complementar no 64/90, levando-se em

conta a data anteriormente prevista para o pleito eleitoral, venceram em 4 de junho de 2020, ou seja, em

data anterior à da publicação da Emenda Constitucional nº 107/2020, o que impõe a incidência do

instituto da preclusão disposto no art. 1º, § 3º, IV, b, da referida norma, vedada a sua reabertura.

4. Consulta conhecida e respondida no sentido de que o prazo para desincompatibilização para aqueles

agentes públicos que, nos moldes da Lei das Inelegibilidades, devem se afastar de suas funções quatro

meses antes das eleições segue o disposto no art. 1º, § 3º, IV, b, da Emenda Constitucional no 107/2020.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em responder a consulta no

sentido de que o prazo para desincompatibilização para aqueles agentes públicos que, nos moldes da Lei

das Inelegibilidades, devem se afastar de suas funções 4 (quatro) meses antes das eleições segue o

disposto no art. 1º, § 3º, IV, b, da Emenda Constitucional no 107/2020, nos termos do voto do relator.


Brasília, 20 de agosto de 2020.

MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO - RELATOR

Publicado em 02.09.2020

RBG, a juíza. Três letras que indicam retidão, bravura e grandeza. Três letras que traduzem a justiça.

Ruth Bader Ginsburg: ela nos inspirou a acreditar na justiça e na dignidade humana

A juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos Ruth Bader Ginsburg morreu de câncer, nesta sexta-feira (18), aos 87 anos de idade.

Acabo de ver no Jornal Hoje que milhares de pessoas concentram-se em frente à Suprema Corte, em Washington, para prestar-lhe as últimas homenagens.

Não lembro, na história recente, ter acontecido manifestação semelhante quando da morte de um magistrado da Corte Suprema americana.

Mas Ruth Bader Ginsburg era, simplesmente, RBG.

Foi um ícone, um símbolo, um emblema, um brasão cinzelado com os tons da retidão, da bravura e da grandeza.

No ano passado, assisti ao excelente A Juíza, o documentário que conta a trajetória de RBG.

Assistam-no urgentemente.

Assistindo-o, conheci um pouco da retidão, da bravura e da grandeza de uma mulher.

De seu senso de justiça.

De sua extrema, de sua imensa sensibilidade social, sobretudo para reconhecer que os ditos mais fracos - aquele contingente enorme de cidadãos lanhados por todos os preconceitos - não são, em verdade, os mais fracos; eles são fortes, mas esmagados por estruturas sociais, econômicas e ideológicas cruéis e excludentes.

Conheci a acurada capacidade de RGB em demonstrar que a lei não é o caminho, mas um dos caminhos para se promover a justiça.

Conheci suas lições de vida sobre como dobrar as resistências com a força de bons argumentos e de práticas de vida consentâneas com seus idelismos.

RBG.

Pense nela.

E pense que, sim, há razões para acreditar na supremacia do humanismo sobre tudo o que desabona e desmerece a natureza humana.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Um homem é o candidato a prefeito de Belém pelo Partido da Mulher. Por quê?

Dr. Jeronimo: apesar das qualidades que ele se atribui, por que não uma mulher
como candidata do Partido da Mulher? (foto de Thiago Gomes/O LIBERAL)

Se você pensava, como eu pensei, que são dez os candidatos à Prefeitura de Belém, você se enganou, como eu me enganei.
São 11.
Apareceu mais um: Dr. Jeronimo.
Dr. Jeronimo é o médico José Jeronimo de Souza,
E como o Pará é um estado, digamos, cheio de excentricidades, registre-se mais esta: Dr. Jeronimo é candidato pelo Partido da Mulher Brasileira.
Um homem é o candidato do Partido da Mulher.
Em O LIBERAL, edição desta sexta-feira (18), Dr. Jeronimo dá relevo às suas qualidades pessoais.
Perfeito.
Aplausos para o candidato do Partido da Mulher Brasileira.
Mas fica a pergunta: por que um homem como candidato num partido que tem Mulher inscrito em sua própria denominação?
Por que um homem num partido identificado nominalmente como de mulheres, num momento em que precisamos do protagonismo de mais, mais e mais mulheres em múltiplos setores, sobretudo na política, segmento em que elas continuam tão pouco representadas?
Por quê?

Bolsonaro é show! Com tendência sempre a piorar.

Bolsonaro assiste à devastação da Amazônia: novo, ele é sempre o velho Bolsonaro. Um show!

Bolsonaro, dizem os ingênuos, está muito mais comedido depois que Fabrício Rachadinha Queiroz foi preso.
É?
Não acreditem nisso.
Como já se disse aqui no blog várias vezes, o novo Bolsonaro é o velho Bolsonaro. Não muda.
Você não acreditam?
Anotem as três últimas.
Bolsonaro prometeu ao vivo e em cores, durante uma live, demitir ministros que sequer cogitassem a implantação do Renda Brasil.
Em 24 horas, voltou atrás (como já voltou atrás 1 trilhão de vezes desde 1º de janeiro de 2019).
Bolsonaro, em discurso, disse que o Brasil está entre os melhores países do mundo no enfrentamento à Covid.
O Brasil, em todo o mundo, é o segundo em número de mortes, com quase 135 mil vidas ceifadas pela pandemia. Só perde para os Estados Unidos.
Há várias semanas que o fogo devasta a Amazônia e o Pantanal, enquanto empresários cobram a adoção de políticas de combate à devastação ambiental.
Entenderam?
Bolsonaro continua o mesmo.
Com tendência permanente a piorar cada vez mais.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Dez candidatos querem governar Belém. Terá, cada um, pelo menos dez propostas viáveis e concretas para Belém?

Belem vista a partir da Ilha do Combu: apenas cinco promessas bem cumpridas já servem
(Foto: Espaço Aberto)

Edmilson Rodrigues (PSOL), Thiago Araújo (Cidadania), Cássio Andrade (PSB), José Priante (MDB), Gustavo Sefer (PSD), Everaldo Eguchi (Patriota), Mário Couto (PRTB), Vavá Martins (Republicanos), Guilherme Lessa (PTC) e Cleber Rebelo (PSTU).

São dez os candidatos confirmados a prefeito de Belém nas eleições de novembro.

É muito candidato, gente.

São muitos partidos.

São muitos nomes.

Belém, sabemos, tem uma miríade de problemas.

Há mais de 1 mil problemas para cada candidato.

Eleições, também sabemos, são um sorvedouro de promessas. Cumpri-las é sempre um drama, no decurso do qual governantes eleitos revelam, geralmente, todo o potencial que possuem para enganar todo mundo, todo dia, ao mesmo tempo.

Se cada candidato apresentasse dez propostas - fundamentadas, factíveis, viáveis - de largo alcance (social, inclusive) para Belém, Belém agradeceria.

E se cinco - pelo menos cinco - dessas dez propostas fossem plenamente cumpridas, o nome desse governante já mereceria uma estauta.

Belém terá isso desta vez?

Terá pelo menos cinco bons motivos para acreditar que o compromisso do Poder Público com o bem-estar coletivo pode operar-se concretamente, acima inclusive de paixões políticas?

A conferir.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Até petistas trataram cordialmente Jatene na Alepa. Já os quatro fiéis tucanos, esses só faltaram se esconder embaixo de sua bancada.

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Ana Cunha, Cilene Couto, Luth Rebelo e Victor Dias: traição com grife

A fidelidade tucana, em toda a sua plenitude, teve a sua grife confirmada na sessão de 1º de setembro, em que a Assembleia Legislativa, por 34 votos a seis, rejeitou as contas do governo Simão Jatene referentes ao exercício de 2018, contrariando aprovação unânime do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Fonte que acompanhou toda a sessão conta agora, ao Espaço Aberto, que enquanto esteve presente à sessão, para defender-se pessoalmente e contestar o parecer da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Alepa, favorável à rejeição das contas, Jatene foi cordialmente tratado até mesmo por adversários históricos, como a deputada Marinor Brito (PSOL) e o petista Carlos Bordalo.
"Marinor foi à sala em que ele [Simão Jatene] aguardava e depois ficou batendo papo com o ex-governador na mesa. Hilton Aguiar, Bordalo, Dilvanda Faro, Gustavo Sefer também foram lá cumprimentá-lo. Daniel Santos, presidente da Alepa, mostrou-se atencioso. Deputado Kaveira, que não o conhecia, Eliel Faustino, Heloisa Guimarães e Thiago Araújo também cumprimentaram o ex-governador", detalhou a fonte do Espaço Aberto.
E como se comportaram Ana Cunha, Cilene Couto, Victor Dias e Luth Rebelo, os quatro destemidos oposicionistas e fiéis tucanos? Nem um deles chegou sequer a levantar dos seus lugares. Todos ficaram que nem jacaré, só com o olho de fora, por trás dos monitores. Quando o Jatene saiu, o Victor e a Cilene falaram só com os advogados do ex-governador. Mas evitaram a todo custo qualquer contato com ele. Vergonha alheia", disse o observador.
Esse depoimento, aliado a outras evidências claras como a luz do Sol - como a adesão da aguerrida bancada tucana na Alepa ao governo Helder Barbalho(MDB) - reforçam entre boa parte do PSDB no Pará a convicção de que aos quatro fiéis parlamentares do partido não restaria outra outra premiação mais adequada senão conferir-lhes o passaporte que os colocará no olho da rua do partido.
É o que pretende, pelo menos, o PSDB Jovem.
Quanto ao PSDB da Terceira Idade, aí já não se sabe.

PF faz buscas e apreensões em cinco municípios do Pará, durante operação que investiga fraudes de R$ 150 milhões



A devastação - avassaladora, cruel e criminosa - de biomas naturais, como os da Amazônia e do Pantanal, não se faz apenas através de queimadas, que extremistas
direitosos são incapazes de admitir (porque são fanáticos, é claro).

A devastação também se faz através da corrupção escandalosa, operada nos subterrâneos por quadrilhas integradas, não raro, por empresários interessados em cevar-se na exploração irregular de madeira.

Nesta terça-feira (15), a Justiça Federal do Distrito Federal deu um passo relevante para desvendar parte desses esquema criminosos ao autorizar a Operação Tokens, deflagada pela Polícia Federal para investigar fraudes em certificados digitais de fiscais e gestores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Vejam imagens nas fotos acima, divulgadas pela PF.

A Justiça Federal expediu cinco mandados de prisão e 48 de busca e apreensão para execução em 29 cidades de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal. No Pará, segundo a PF, foram efetuadas buscas e apreensões nos municípios de Tomé-Acu, Paragominas, Tucuruí, Xinguara e Redenção.

As fraudes tiveram como beneficiários proprietários rurais e empresários do ramo de exploração florestal e agropecuária com áreas embargadas nos estados do Pará e Mato Grosso. Foram constatados 122 desembargos irregulares em nome 54 pessoas físicas ou jurídicas, com potencial prejuízo para a União da ordem de R$150 milhões em multas não recolhidas e descumprimento de embargos em áreas ambientais sensíveis da Amazônia legal.

O inquérito, segundo a PF, foi instaurado a partir da identificação, pelo Ibama, da fraudes ocorridas contra diversos de seus superintendentes, agentes e fiscais com o uso de tokens expedidos indevidamente por terceiros falsificadores. Houve colaboração de informações de inteligência entre o Ibama e PF para levantamento dos fraudadores, beneficiários e suposto envolvimento de outros intermediários e servidores públicos.

Em levantamentos iniciais realizados no âmbito da PF, fora identificada quadrilha já investigada pela PF no estado de Goiás, e a conexão com diversas fraudes ocorridas em todo o Brasil, tendo como beneficiários principais grandes propriedades rurais localizadas nos estados do Pará e do Mato Grosso. Essas fazendas têm como sócios pessoas físicas e jurídicas de diversos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Torcedor e bandido não são a mesma coisa. Quando um torcedor age como bandido, é preciso ser reprimido pela polícia.

Quantas vezes você já viu cenas como essa? Essas crianças são torcedores? Falem sério.

Torcedor é torcedor, bandido é bandido.

Algumas vezes, ou muitas vezes, as duas condições podem se expressar na mesma pessoa.

Quando tal ocorre, no entanto, o torcedor travestido de bandido deve, necessariamente, ser reprimido na medida dos seus atos e na extensão de suas condutas.

A Imprensa do País inteiro, sobretudo a esportiva, repercute as ameaças de agressão, os xingamentos e as intimidações criminosas de que foram alvo os jogadores do Corinthians no Aeroporto de Guarulhos, quando voltavam do Rio para São Paulo após a derrota do time para o Fluminense por 2 a 1, neste domingo (13).

Os protestos, ao que se diz, tinham à frente torcidas organizadas do Corinthians.

Como torcedor, sempre achei que não existem torcidas organizadas. Existem grupos criminosos organizados, isso sim.

Esses bandidos se travestem de torcedores e formam quadrilhas para o cometimento de crimes. Isso é óbvio.

Quem discorda desse conceito lembre-se da infinidade - isso mesmo, infinidade - de crimes ocorridos antes e depois de partidas de futebol, normalmente nas imediações de estádios. Quem esteve envolvido nesses incidentes? Membros das ditas torcidas organizadas, é claro.

Isso já aconteceu e acontece, inclusive, aqui mesmo em Belém, entre integrantes de grupelhos organizados que se proclamam torcedores de Remo e Paysandu.

Nos casos de crimes ocorridos nessas circunstâncias, a polícia não age nos moldes indicados para a repressão a criminosos? Não identifica os envolvidos, não os indicia e não envia os inquéritos para que o MP ofereça a ação penal?

Pois é.

Em casos tão comuns como o que ocorreu agora em Guarulhos, por que a polícia não prendeu os transgressores?

Já não bastasse a conivência repulsiva das diretorias de clubes com essas quadrilhas integradas por supostos torcedores, ainda temos a polícia mostrando-se inerte diante desses protestos agressivos em aeroportos, durante o desembarque de jogadores.

Pode essa inação da polícia, Arnaldo?

Seis motivos para duvidar da tempestade perfeita do jornalismo

GUILHERME CARVALHO *

A noção de crise no jornalismo tem perseguido profissionais, estudantes e pesquisadores da área com mais frequência nos últimos anos. Os fatores que estariam provocando a comunidade a se preocupar com o futuro da profissão estão associados a um aspecto conjuntural que poderia ser compreendido, no linguajar dos economistas, como uma “tempestade perfeita”.

A metáfora refere-se à "convergência de circunstâncias que levam a uma catástrofe", conforme descrito por Daniel Fernandes, em um artigo publicado no Estadão, em 2015, ao lembrar que o uso se popularizou a partir do livro "The perfect storm", de Sebastian Junger, também roteirizado para filme (traduzido no Brasil como "Mar em fúria").

Há uma certa razão nisso. O jornalismo vive períodos turbulentos. E a realidade dá algumas pistas disso. Vejamos 4 aspectos fundamentais da crise:

  1. Em primeiro lugar, o jornalismo perdeu a primazia na produção e circulação de informação. A internet impôs um cenário de hiperconcorrência, escancarado pelas novas possibilidades de comunicação, conforme explicam os canadenses Jean Charron e Jean Bonville.
  2. Esta nova realidade avança para um segundo aspecto da crise, descrito no famoso e controverso dossiê do jornalismo pós-industrial de C.W. Anderson, Emily Bell e Clay Shirky.  Além da pulverização da audiência, que passa a consumir informação (ou desinformação) em outros ambientes, reduzindo o valor do espaço e tempo publicitário dos jornais, o movimento de fuga de recursos de anunciantes soma-se às novas possibilidades de comunicação entre organizações e público.
  3. Como consequência, temos o avanço do terceiro aspecto, expresso pelas dificuldades das empresas em garantir os empregos de jornalistas e o investimento em produções mais caras, como as grandes reportagens.
  4. O quarto e mais recente movimento diz respeito ao cenário político e pela chamada pós-verdade. Em países como Brasil, Estados Unidos, Hungria, Índia, entre outros, a crise das instituições, da qual emerge um novo tipo de populismo neoliberal, calcado também na desinformação e ataques ao jornalismo, tem promovido a desconfiança sobre o valor do trabalho jornalístico. As pessoas agora questionam, geralmente pelos motivos errados, se os jornais realmente estão pautados por critérios de relevância social e interesse público.

E, de quebra, ainda temos a pandemia, que aprofunda a fuga de capital publicitário dos jornais e exige a adaptação de jornalistas ao trabalho remoto.

O jornalismo, aquela atividade cuja função primordial tem sido inegavelmente a de dar sentido ao conceito de interesse público, deve ser percebido a partir do seu papel informativo marcado pelas contradições inerentes a uma instituição cujas lógicas fundamentais são a expressão da crise da modernidade: o aspecto comercial (interesse privado representado pela necessidade de audiência e captação de recursos para sustentação do negócio) e o aspecto emancipatório (interesse público representado pelo ímpeto jornalístico na busca por acesso à informação e justiça social).

A partir de um olhar histórico, portanto, podemos relativizar o sentido da crise do jornalismo ou do que poderia ser chamado de tempestade perfeita.

Como demonstra a pesquisadora estadunidense Elizabeth Breese, o jornalismo vive uma crise perpétua demarcada por um discurso que, volta e meia, ganha força, colocando em questão o futuro do jornalismo e da profissão. Geralmente mudanças tecnológicas, novas mídias ou novos perfis de entrantes na profissão tendem a arrefecer os argumentos dos mais saudosistas.

Se observarmos alguns dados recentes, como do Instituto Reuters, que monitora o consumo jornalístico anualmente mais de 40 países, veremos que nem tudo está perdido. Pelo contrário. A partir de um olhar geral sobre a compreensão da importância do jornalismo na vida das pessoas, o que temos é uma curva ascendente em muitos aspectos. Eu listo aqui 6 motivos para duvidarmos da tempestade perfeita.

  1. As organizações jornalísticas aparecem em quarto lugar dentre as mais confiáveis para se saber sobre o coronavírus, atrás apenas de cientistas, médicos e organizações de saúde. No Brasil, a proporção de pessoas que se diz preocupada com a difusão de conteúdos falsos na internet é de 84%, o que coloca o país no topo do ranking, sendo que 40% identificam estes conteúdos como provenientes do meio político, indicando algum grau de senso crítico sobre o assunto.
  2. Outro dado interessante é sobre os assinantes de veículos na web. Nos Estados Unidos 20% das pessoas assinam sites jornalísticos, na Noruega 42% e na Argentina 11%. No Brasil, grandes e pequenas marcas jornalísticas também têm comemorado o crescimento de assinantes. Estes são números promissores que indicam a capacidade de sustentação financeira do jornalismo pelo consumidor direto, sobretudo porque a maior parte das pessoas que assinam, o fazem porque acreditam que terão informação de qualidade.
  3. Outro dado importante que aponta a existência de uma demanda por produtos jornalísticos diz respeito ao jornalismo local. 71% das pessoas dizem buscar informações em sites de notícia local e o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas que se dizem interessadas em notícias locais, com 73%.
  4. Diferentemente das análises que apontam uma redução da capacidade de cobertura horizontal e vertical do jornalismo, o que temos é um mercado cada vez mais heterogêneo e segmentado. Poderíamos listar uma série de inciativas que se abrem como novas possibilidades de trabalho aos jornalistas
  5. Consideremos ainda a demanda pelo trabalho de checagem de informações que vem se consolidando nos últimos anos, além de outras novas diversificações do trabalho jornalístico como as lives que vêm fazendo enorme sucesso, convertendo-se em novas oportunidades de faturamento.
  6. Por fim, é preciso também lembrar das produções para streaming, como documentários e podcasts, que têm apresentado um crescimento significativo nos últimos anos. Nunca se consumiu tanta notícia como agora, porque também nunca se teve tanto acesso e tanta diversidade de oferta e de canais neste mercado.

Não estamos dizendo que o jornalismo está superando a crise, porque a crise do jornalismo é insuperável. Mas se nos permitirmos estabelecer uma visão mais ampla do jornalismo, a partir de um olhar histórico, veremos que esta é apenas mais uma tempestade que desafiou o jornalismo a se adaptar à realidade. Não significa que temos um jornalismo melhor do que antes. Significa que temos novas condições em disputa que oferecem possibilidades de avanços e retrocessos.

Autor: Guilherme Carvalho é doutor com pós-doutorado em Jornalismo. Professor e coordenador do curso de jornalismo do Centro Universitário Internacional Uninter. Diretor científico da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ).

sábado, 12 de setembro de 2020

Disputa entre Gustavo Sefer e Éder Mauro tem tudo para não acabar nem mesmo quando terminar

Gustavo Sefer x Éder Mauro: disputa marcada para a próxima
quarta-feira pode se estender além da convenção

A convenção do PSD no Pará, que vai escolher entre Gustavo Sefer e Éder Mauro como candidato à eleição para prefeito de Belém, será uma das mais animadas.

E tudo indica que, pela animação à vista, não vai acabar nem mesmo quando terminar.

Depois de terminar, pode continuar. De uma outra forma - e ainda mais animada.

A ala bolsonarista do partido alinhada com Éder Mauro, o mais notável pit bull de Bolsonaro no Pará, está certa de que seu pré-candidato vai emplacar a indicação dos convencionais.

Mas, se isso não se confirmar, já está em preparação uma espécie de plano B para o day after, ou seja, para a campanha que sucederá à convenção.

Há duas alternativas possíveis.

A primeira, fazer uma espécie de campanha paralela, para colar em Gustavo Sefer o selo de candidato chapa branca, auxiliar do governo Helder Barbalho (MDB).

A segunda, fazer a mesma coisa, mas apoiando ostensivamente um candidato, digamos assim, mais afeito com os princípios bolsonaristas.

A conferir.

Emedebistas e tucanos do Pará juntos no mesmo palanque. Vocês não acreditam? Esperem um pouco.


O que vocês acham de emedebistas e tucanos do Pará juntos no mesmo palanque, unidos fogosa e democraticamente, segurando as mãos uns dos outros, tudo isso em prol da construção de um Brasil dos sonhos de todos os brasileiros?

Comecem a contagem regressiva, meus caros, porque isso pode acontecer de fato.

Não agora. Mas em 2022, nas eleições presidenciais.

Quem está dizendo?

João Doria, o governador paulista, que, ele sim, já começou desde 1º de janeiro de 2019 sua contagem regressiva para disputar o Planalto.

Hoje, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), está sendo aclamado em convenção candidato tucano à reeleição.

Seu vice? O vereador Ricardo Nunes, do MDB.

E o que isso tem a ver com o Pará?

É que "uma vitória da dupla consolidaria uma aliança que poderá fortalecer a candidatura de João Doria (PSDB) em 2022", diz a nota de abertura da coluna Painel, da Folha deste sábado (12).

E não é só isso: Baleia Rossi, ninguém menos que o presidente nacional do MDB, aspira à presidência da Câmara dos Deputados em 2021 (confiram na nota Chapas, na mesma coluna). Para tanto, conta com o recíproco apoio do PSDB.

Viram?

Emedebistas e tucanos do Pará já podem ir encomendando o fato, porque de fato poderão estar no palanque de Doria em 2022.

Todos juntos, de mãos dadas por um Brasil dos sonhos de todos os brasileiros.

É a política, gente.

A isso chama-se política, entenderam?

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Bolsonaro faz "discurso" de dois minutos e meio. Mas ele pode falar mais do que isso?

 

Vejam essa tuitada do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

Mas, sem brincadeira: falar por no máximo três minutos, esse não é o conteúdo que a enorme, a inesgotável capacidade intelectual de Bolsonaro é capaz de suportar?

Aliás, o Mito é um sábio.

Discursando por dois minutos e meio, ele é capaz de ganhar o Nobel de alguma coisa. É o máximo que, como se diz, o presidente pode dar de si.

Até porque, se ele falar por 1 hora e você espremer - mas espremer com vontade -, acabarão sobrando três minutos. Se tanto!

Bolsonaro, a rigor, não fala, nem lê.

Seus gestuais físicos são sempre os mais eloquentes.

Por exemplo: quando o PhD em epidemiologia anda sem máscara ou quando passa a mão no nariz para deter seus corrimentos nasais, esses gestos dizem tudo sobre quem é Bolsonaro.

Sem que ele precise falar absolutamente nada.

Grande Mito!

Um mestre na difícil arte de se comunicar bem.

Ricardo "Passar a Boiada" Salles "passa a boiada": de uma vez só, 29 portarias revogadas


Espiem só como é.

Lembram-se do passar a boiada, esse termo de alto sentido filosófico-político-bolsonarista - ou político-filosófico-bolsonarista, sei lá - mencionada naquela inesquecível, didática, comovente reunião de lordes de 22 de abril?

Pois é.

Ricardo Passar a Boiada Salles passou a mão na caneta e tangeu sua boiada até os bois mugirem.

Nesta quarta (9), o Diário Oficial da União traz um revogaço.

De uma vez só, foram revogadas 29 portarias, entre elas a que criou o Comitê Permanente de Desburocratização do Ministério do Meio Ambiente e a que institui a realização do Encontro Formativo Nacional de Educação Ambiental para a Gestão das Águas.

Com todo o respeito, mas isso é pra gado nenhum - os da boiada, fique bem claro - botar defeito.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Esquerda e direita, unidas, jamais serão vencidas. A Lava Jato que o diga.


Esquerda e direita, unidas, jamais serão vencidas.

Jamais serão vencidas em suas notórias capacidades de julgar o mundo apontando os dedos para a caratonha dos outros.

Nesta quarta-feira (9), as redes sociais pegam fogo.

Antifas festejam operação da Lava Jato contra advogado ligado a bolsonaristas.

Bolsonaristas festejam a operação Lava Jato contra advogado ligado a interesses petistas - ou lulistas, se quiserem.

Uns e outros - antifas e direitistas (ou fascistas, como antifas os rotulam) revelam mais genuinamente a extensão e as tortuosidades das réguas que usam para julgar o mundo quando se posicionam sobre a Lava Jato.

Antifas defendem-na com unhas e dentes, todas as vezes em que o corrupto do outro lado é um direitista - de preferência, é claro, bolsonaristas.

Fascistas (como os chamam os antifas) querem porque querem a Lava Jato íntegra e intocável quando os alvos são esquerdistas (de preferência petistas lulistas) corruptos ou bolsonaristas arrependidos (leia-se Wilson Witzel, por exemplo).

E antifas e fascistas, é claro, querem o fim da Lava Jato e dão vivas a Augusto Lavajatismo Aras quandos os seus (deles, antifas e fascistas) são atazanados pelo lavajatismo.

Esquerda e direita, unidas, jamais serão vencidas em seus julgamentos apaixonadamente imparciais.

Jamais!

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Roubar pode ser um ato de filantropia, ensina ex-prefeito do MDB. Que confessa ter roubado!

Num certo país - cujo nome eu jamais declinaria, é claro -, em que se rouba secularmente, despudoradamente, descaradamente, fartamente e insistentemente, há os grandes ladõres, os pequenos ladrões e os mais ou menos ladrões.

O ex-prefeito de Cocal (PI) José Maria Monção (MDB) haverá de incluir-se em qual dessas categorias?

Vejam esse vídeo que viraliza nas redes sociais.

Monção confessa que, sim, ele roubou, mas não "o tanto que esse aí roubou". Esse aí, no caso, é o atual prefeito do município - tucano, registre-se.

Além dessa confissão enternecedora, o ex-prefeito ainda oferece uma lição edificante e de alto sentido humanístico e solidário sobre o sentido, digamos assim, filantrópico do ato de roubar.

É comovente.

Monção, que já foi preso por roubalheira, chega a dizer que, se foi preso, é porque houve um motivo, ora bolas.

Sinceramente, essa sinceridade à flor da pele ainda haverá de redimir os políticos.

Inclusive os ladrões em qualquer grau.

Doutor Bolsonaro dá a receita de botequim. E por que não trocarmos o Bolsonaro?


Essa aí, vocês sabem, é uma daquelas famosas fotos que flagraram Bolsonaro aparando com um braço seus, digamos, eflúvios nasais - vulgo catarro.

Isso foi em pleno pique da pandemia.

Naquela época, o doutor - PhD em doenças contagiosas e uma sumidade internacional em termos de etiqueta - fazia digressões fundamentadas sobre a inofensividade da gripezinha, que até agora já matou mais de 127 mil pessoas no Brasil, marca que, nem assim, tem sido suficiente para fazer Bolsonaro afastar-se de seu negacionismo insano.

Pois é.

Agora, ou mais precisamente depois da prisão de Fabrício Rachadinha Queiroz, Bolsonaro, tutelado pelos generais, passou a falar menos.

Mas quando fala é para externar preleções inteligentes como essa aí que se vê na imagem, uma declaração que ele deu na sexta-feira (4).

Desprezem a impropriedade na conjugação do verbo satisfazer. Se empenhar-se em aprender a conjugação correta, é arriscado Bolsonaro sofrer uma convulsão. Não queremos isso.

Essencial mesmo - e prática - é a lição do doutor.

"Troca o botequim", recomendou esse cientista de excelência, no caso da cerveja.

"Troquem o Bolsonaro", podem dizer os brasileiros que se envergonham de ter um cidadão dessa catiguria como presidente, o pior em cinco séculos de história no País.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Sou idiota, sim. Mas uma senhorinha de 91 anos me leva a crer que não sou propriamente um idiota.


Sou mesmo um idiota.

Por sê-lo, continuo em quarentena. Literalmente e completamente.

Por ser um idiota, só ponho os pés na rua em duas situações: quado compelido por imperiosos deveres profissionais e funcionais e para correr sozinho às 4h30 da madrugada (justamente para não encontrar ninguém), durante três vezes na semana.

Sou idiota porque, pra mim, a pandemia, agora, encontra-se no mesmo nível de quando começou - em fevereiro, março, por aí.

Sou idiota porque, na minha cabeça, a Covid-19 mata - já perdi dois cunhados, além de vários amigos e muitos conhecidos.

Sou idiota porque continuo apavorado, enquanto os outros estão em festa. Literalmente.

Sou idiota porque, na minha cabeça, não são 207,6 mil os infectados no Pará; são mais de 1,3 milhão, conforme inquérito epidemiológico da Uepa, acolhido como veraz, como digno de crédito pela própria Sespa.

Idiota, lembro-me da figura comovente do príncipe Liév Nikoláievitch Míchkin, o idiota de O Idiota, de Dostoiévski.

O idiota de O Idiota era, coitado, um ingênuo. Era ingênuo, bondoso, humanista, idealista, crente nos melhores ideais, capazes de identificar o ser humano com o melhor que se pode extrair da natureza humana.

O príncipe, no romance, é tão cheio de ingenuidades e inocências que chega, para muitos leitores como eu, a ser revoltante. Nas primeiras páginas do livro, não há quem não deixe de dizer de si para si: "Mas que idiota"!

Viviam chamando o príncipe, é claro, de idiota. Uma vez, em suas reflexões, ele indagou a si mesmo: "Mas que idiota sou agora, quando eu mesmo compreendo que me consideram um idiota?"


Que nem eu: quando vejo todo mundo na praia (espiem ao lado como estava Ipanema, no Rio, neste domingo), nos bares, nas ruas, quando vejo este novo normal que é igualzinho ao velho normal, "eu mesmo compreendo que me consideram um idiota", como o príncipe Míchkin.

Apesar de toda a minha idiotice, tenho razões para tentar iludir-me do contrário.

Leiam a nota lá em cima. Está na coluna de Ancelmo Gois, em O Globo desta segunda (7).

Essa senhorinha de 91 anos é a prova de que lucidez e sabedoria não têm idade.

Ela é o meu alento de que, apesar de me considerarem um idiota, eu ainda posso dizer: "Só que não".

Metrô de superfície no lugar do BRT


Por
FRANCISCO SIDOU, jornalista (por e-mail)

A população de Belém parece cansada com a mesmice das últimas eleições municipais, em que elegeu dois prefeitos que se reelegeram prometendo coisas e loisas. mas sem atacar nos últimos 16 anos os principais problemas e carências da cidade, que só fizeram crescer. Obras cosméticas foram realizadas e o asfalto e tapa buracos parece ser o principal investimento às vésperas do pleito municipal.
Os marqueteiros também precisam reciclar os slogans de suas campanhas. A população também parece cansada de escolher o prefeito pelo "jingles" ou pelos slogans e outdoors. A campanha será curta e atípica também. Muitos serão os candidatos a vereador, por exemplo, que sequer terão tempo de dizer alguma coisa no Horário Eleitoral Gratuito. Só os afilhados ou filhotes dos caciques e donos dos partidos terão espaço na TV.
São muitas as necessidades e problemas nas áreas de Saúde, de Saneamento , na Educação e na Mobilidade Urbana.
O próximo prefeito terá muitos desafios e precisará de muita energia, de apoio político para conseguir recursos e até de sorte para conseguir realizar seus projetos.
O conceituado Blog Ver-o-Fato, editado pelo competente colega jornalista Carlos Mendes, iniciou uma série de entrevistas com os pré-candidatos já conhecidos a prefeito de Belém. O primeiro entrevistado foi o deputado federal e ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.
Provocado pelos jornalistas Carlos Mendes, Francisco Sidou e Val André Mutran, Edmilson admitiu que hoje, com mais experiência, terá humildade suficiente para corrigir possíveis erros de sua gestão anterior, além de ânimo e coragem pára ousar no enfrentamento dos novos desafios e problemas decorrentes das muitas carências da cidade.
Abordou então várias questões das áreas de Saneamento, Saúde e Mobilidade Urbana, que, na sua avaliação, se agravaram nos últimos 16 anos de gestão tucana na capital paraense.
Saneamento
Falou da prioridade de solução para a questão do Lixo em Belém, que só tem se agravado ao longo dos anos, por falta de medidas saneadoras e não apenas cosméticas como os lixões ou aterros ditos sanitários. Destacou que em cidades menores que Belém, esse problema virou solução com o processamento do lixo, transformado em energia e adubo , gerando emprego e renda. Garantiu que irá acabar com essa "farra do lixo" em Belém, onde empresas de fora encontram aqui verdadeiras minas de enriquecimento na coleta do lixo da cidade, sem qualquer processamento. Problema que, avalia, o atual prefeito vem empurrando com a barriga para seu sucessor.,
Quanto ao interminável Saneamento do Tucunduba, garantiu que irá buscar novos recursos junto ao BNDES ou Banco Mundial para terminar as obras paradas..
Saúde
Confrontado com as muitas reclamações da população belenense quanto a precariedade dos serviços e o péssimo atendimento nos Pronto Socorro e nas UPAs, Edmilson acatou uma sugestão de pauta do jornalista Francisco Sidou no sentido de ´promover uma parceria com a Santa Casa e com o governo do Estado para ampliação das instalações do PS da 14 com o aproveitamento e aparelhamento dos 10 galpões da Santa Casa que ficaram abandonados e ociosos com a mudança para o novo prédio.
Com essa ampliação , pretende acabar com o triste cenário de pessoas em macas jogadas nos corredores aguardando atendimento, que são o retrato acabado da má gestão na saúde pública. A Prefeitura reclama que nas suas unidades de Saúde são atendidas pessoas de outros municípios do Estado sem a contrapartida deste em termos de recursos. Ora, todos são paraenses e carentes de uma atendimento mais humano e mais digno.Então, a solução seria ampliar a área de assistência à saúde dos paraenses. Essa parceria seria um exemplo de co-gestão responsável da Saúde Pública e quem sabe até exemplo para o Brasil.
Mobilidade Urbana
Indagado se é verdade que "os rios são nossas ruas" - como já nos ensinavam os índios Tupinambás o poeta Ruy Barata, por que não aproveitar a vocação natural da cidade - a metrópole das Águas -com linhas fluviais urbanas interligando as 39 comunidades ribeirinhas com indiscutíveis reflexos na Cultura, no Lazer e na Economia da Cidade, ele garantiu que sua equipe técnica já está estudando a viabilidade econômica de linhas fluviais urbanas com o bilhete único e o mesmo preço dos ônibus.
Perguntado se terá coragem para enfrentar o cartel dos barões donos de ônibus , coronéis da Cultura do Atraso, que não querem mudar nada no cenário de transportes em Belém , garantiu que as Licitações serão abertas a toda e qualquer empresa do Pará, do Brasil e até do exterior que se proponha a explorar as linhas fluviais urbanas sob a supervisão do poder público e com o mesmo preço dos ônibus.
Garantiu ainda que a população de Belém , em sua gestão, vai ter direito a optar por andar em ônibus com ar condicionado, como já acontece em quase todas as outras capitais e até em cidades menores.
BRT saudações
Confrontado sobre o que fará com o fracassado projeto do BRT/Belém, que já "devorou" 500 milhões de reais e se tornou em vez de solução uma via-sacra em 14 estações , garantiu -, atendendo a uma sugestão do jornalista Francisco Sidou - que irá reunir uma equipe técnica do maior gabarito para avaliar com o mestre Nagib Charone, caso aceite seu convite, a transformação das pistas de concreto em trilhos para possibilitar a implementação de uma linha de metrô de superfície, com vagões modernos e bem mais amplos que os ônibus do BRT. Aliás, essa possibilidade já foi anunciada pelo próprio Charone, em entrevista ao programa "Linha de Tiro", entrevistado pelos jornalistas Carlos Mendes e Francisco Sidou.
Cultura & Lazer
Arborização das praças recém-inauguradas e replantio de novas mangueiras também será um projeto permanente de seu governo, caso eleito prefeito, Belém, na sua visão, não pode ser uma cidade sem árvores cercada de florestas por todos os lados. A especulação imobiliária acabou com os quintais e a cidade está se transformando em uma Ilha de Calor, avaliou.

sábado, 5 de setembro de 2020

Vejam a NBA. E tenham certeza de que meio segundo é uma eternidade.

Não tenho certeza, mas acho que foi de Armando Nogueira - o velho mestre, que escrevia sobre quaquer esporte com a leveza e o requinte dos melhores poetas - um texto que li certa vez.

Ele dizia que, no futebol, um craque precisava de apenas uma nesga de campo, de 1 metro quadrado que fosse, para exibir sua genialidade e seu talento.

É verdade.

Lembrem-se, por exemplo, de Pelé chapelando dentro da área um desconjuntado zagueiro sueco e vocês haverão de concordar que Armando Nogueira tinha razão.

Lembrei-me dessa verdade enquanto assisto, madrugadas a dentro, aos jogos da fase final da NBA que estão em andamento.

Se no futebol um craque precisa de 1 metro de quadrado para mostrar sua genialidade, no melhor basquete do mundo, o da NBA, meio segundo - isso mesmo, apenas e tão somente meio segundo - representa uma eternidade.

Veja o lance no vídeo.

Aconteceu na última quinta-feira (3).

Faltava meio segundo pra terminar o jogo.

O Toronto Raptors perdia para o Boston Celtics por 103 a 101.

Kyle Lowry, do Raptors, pegou um bola e passou-a para OG Anunoby, que arremessou.

Quando a bola viajava para a cesta, o cronômetro zerou.

Mas valeu a cesta. De três pontos.

O Raptors ganhou por 104 a 103.

Vejam a NBA.

E tenham certeza de que meio segundo é uma eternidade.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Rachas na Júlio César horrorizam moradores. E a polícia, "cadê"?


Leitores do Espaço Aberto que residem na área da Avenida Júlio César contam, horrorizados, sobre os horrores protagonizados por criminosos - sim, criminosos - que se entregam aos rachas durante as madrugadas.

Afirmam que as concentrações dos adeptos dessa transgressão odiosa agem no estilo dos integrantes das melhores quadrilhas: operam com um olho no feito dos comparsas, que aceleram seus veículos a limites extremos, e outro olho nas áreas por onde a polícia poderia aparecer.

"Mas a polícia nunca aparece na hora", afirmam os relatos que chegam ao blog. "Quando aparece, é sempre depois."

Alertam os eleitores que a ausência do aparelho policial acaba disseminando, entre os criminosos, a certeza de que não apenas continuarão impunes como poderão avançar, mais e mais, nos crimes que cometem.

A KGB de Putin matava antes e perguntava depois. Mas quem sabe a vacina de Putin não sensibiliza Bolsonaro?

Putin, mesmo a contragosto, adere à ciência. E Bolsonaro?

Vladimir Putin já foi da KGB.

Como todo bom serviço secreto, a KGB matava antes e perguntava depois, sobretudo nos tempos sombrios da Guerra Fria.

Opositores de Putin acusam-no de continuar o mesmo daqueles tempos. E apontam como exemplo opositores dele que estão sendo envenenados, como Alexei Navalny, no momento internado na Alemanha.

Sabe-se lá se Putin é inocente ou não.

Mas, convenhamos, no caso da vacina russa, a Sputnik, Putin faz o mesmo que a KGB fazia naqueles tempos terríveis: ele aplica antes e depois submete-se a protocolos internacionais, como a publicação, somente agora, dos resultados preliminares na revista científica "The Lancet".

Não se sabe bem quais as afinidades entre Bolsonaro e Putin.

Mas, vocês sabem, um autocrata normalmente estima o outro; um ditador incubado normalmente comunga dos mesmos sentimentos do outro.

Quem sabe, vendo a Putin aderir (mesmo a contragosto) a alternativas científicas, Bolsonaro não recuará em seu negacionismo insano, como fez ao dizer, inclusive, que ninguém é obrigado a tomar vacina?

Quem sabe?

Beto Faro surfa na onda da lentidão. Inquérito contra ele se arrasta há 17 anos.


Do
Portal OESTADONET

A denúncia de um mesmo crime, dois caminhos distintos. Enquanto sete denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação em esquema de grilagem (apropriação ilegal de terras públicas) no oeste do Pará foram condenados pela Justiça Federal nesta quinta-feira, 3, um importante personagem no esquema, o deputado federal pelo PT do Pará, Beto Faro, tem conseguido se esquivar da justiça e parece apostar na prescrição.

Faro assumiu a superintendência do Incra em Belém em 2003. Segundo a investigação da PF, ele era responsável --dentro do esquema de grilagem-- pela regularização de terras com 2.000 a 2.500 hectares, já que a superintendência de Santarém só podia autorizar até 100 hectares. Segundo a polícia, Faro autorizou de forma ilegal a regularização fundiária de 500 mil hectares de glebas em Santarém, Prainha, Trairão, Oriximiná e Placa, beneficiando plantadores de soja e madeireiros. As terras eram da União. Ele chegou a ser preso em 2004.

 

O suposto pagamento de propina a Faro  foi descoberto durante a perícia da PF em um computador, apreendido em abril no escritório de um advogado preso por envolvimento no suposto esquema de corrupção. "No computador constava um documento de novembro de 2003, no qual o advogado dizia ao superintendente [Faro] que estava encaminhando a quantia de R$ 300 mil referente a um acordo", informou à Folha de São Paulo o delegado Ualame Machado, atual secretário de segurança pública do Pará, no dia da prisão do ex-superintendente do Incra, ocorrida em em Manaus, dia 12 de dezembro de 2004.

 

Beto Faro tem investigações contra si praticamente na estaca zero. Com direito à prerrogativa de foro com sua posse na Câmara dos Deputados, em 2007, o inquérito só chegou ao Supremo o Tribunal Federal em 2014. E de lá para cá se arrastou até o dia 9 de agosto de 2020, quando  o despacho da ministra Rosa Weber determinou a remessa do inquérito de volta à Justiça Federal do Pará. A ministra entende que os crimes que Beto Faro é suspeito de ter cometido ocorreram antes da posse dele como deputado federal e não guardam relação ao atual mandato. O Portal apurou com a Justiça Federal e, até agora, não há confirmação se os autos do inquérito foram recebidos, seja em Belém, seja em Santarém.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Dos quatro bravos, ardorosos, destemidos e fiéis tucanos, pelo menos dois traíram Jatene. Pelo menos.

Ana Cunha, Cilene Couto, Luth Rebelo e Victor Dias, os quatro bravos, intimoratos e
destemidos oposicionistas tucanos na Alepa. Dois traíram. Pelo menos dois. Quem?

Vocês querem conhecer a traição?

Passem no PSDB, batam na porta, entrem e tomem uma tigela de açaí com os traidores, brindando à traição.

Na sessão encerrada há pouco, na Alepa, o ex-governador  Simão Jatene, que teve suas contas rejeitadas por 34 votos a seis, foi traído por pelo menos - leiam bem esta expressão: pelo menos - dois dos quatro parlamentares de seu próprio partido, o PSDB, com assento na Casa.

A matemática é simples.

Estavam presentes 40 dos 41 deputados, coisa que só aconteceu, nesta legislatura, talvez na sessão de posse, segundo apurou o blog. Apenas Fábio Figueiras (PSB) faltou.

Dos seis parlamentares contrários ao parecer do relator do MDB, Wanderlan Quaresma, que se manifestou pela rejeição das contas de Jatene, quatro foram à tribuna para revelar publicamente seu voto: Toni Cunha (PTB), Eliel Faustino (DEM), Thiago Araújo (Cidadania) e Delegado Caveira (PP).

De quem foram os outros dois votos contrários ao parecer do relator emedebista e, portanto, favoráveis a Jatene?

Apenas por mero exercício de imaginação, imaginemos que os outros dois votos pró-Jatene provieram do PSDB, representado na Alepa por Ana Cunha, Luth Rebelo, Cilene Couto e Victor Dias.

Entenderam?

Desses quatro, apenas dois votaram com o governador, que foi traído por outros dois.

Aliás, votaram não é bem o termo preciso. Imagina-se que votaram.

Mas há quem apite para o Espaço Aberto (e umas quatro ou cinco fontes estão apitando) que, em verdade, Jatene foi traído pelos quatro de uma vez só. Já poderiam, então, até pedir música no Fantástico. E de sobra.

Sabe-se lá.

É difícil saber.

Porque a votação foi secreta, não é?

E como todos aqui no Espaço Aberto acreditam, sinceramente e incondicionalmente, que a bancada do PSDB na Assembleia é ferrenhamente e bravamente oposicionista, ou seja, que faz oposição ao governo Helder Barbalho com a melhor de suas forças, de suas inteligências e de seu senso ético, então acreditamos que apenas dois desse quatro bravos lutadores é que traíram Jatene.

Alepa rejeita contas de Jatene, que o TCE aprovou por unanimidade. "Julgamento político não é vale-tudo", diz ex-governador.

O ex-governador Simão Jatene mostra da tribuna fotos de reformas no Hospital
Abelardo Santos, que o governador Helder Barbalho inaugurou: "Onde foi que eu errei?"

A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) rejeitou por 34 votos a seis, nesta terça-feira (01), as contas do ex-governador Simão Jatene relativas ao exercício de 2018, apesar de terem sido aprovadas por unanimidade pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A sessão, que começou às 9h, encerrou-se há pouco. A menos que essa decisão seja revertida pela Justiça, Jatene está inelegível.

O plenário, em votação secreta, acolheu parecer da Comissão de Fiscalização Finaneira e Orçamentária (CFFO), sob a relatoria do deputado Wanderlan Quaresma (MDB), que apontou sete irregularidades anteriormente detectadas pelo Ministério Público de Contas, mas desconsideradas no julgamento do TCE.

"Não temos do que nos envergonhar. Jamais envergohamos este estado, enquanto gestor", disse Simão Jatene. Ele citou argumentos apresentados pela própria Procuradoria Geral do Estado (PGE), na atual gestão Helder Barbalho, confirmando a regularidade das contas do exercício de 2018 do governo anterior, em desacordo, portanto, com pontos acolhidos em seu parecer pelo relator do MDB, partido do governador.

O ex-governador tucano considerou "sem nexo" compararem-se procedimentos feitos no exercício de 2018 com as pedaladas fiscais, invocadas como justificativa para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

"Eu queria saber onde foi que eu errei", indagou Simão Jatene durante sua defesa feita de improviso, durante cerca de 1 hora de 40 minutos. Ele mostrou, da tribuna, fotos de várias obras de sua gestão, como as reformas no Hospital Abelardo Santos, em Icoraci, e a construção do Hospital Regional do Tapajos, para demonstrar a capacidade fiscal e orçamentária de seu governo, que deixou tais obras praticamente prontas para seu sucessor, o governador Helder Barbalho, inaugurar.

Extrapolação - Em seu voto, o relator, Wanderlan Quaresma, manifesta-se pela rejeição das contas, por entender que houve "descumprimento do resultado primário e a extrapolação dos limites com pessoal sem autorização legislativa". Registra ainda seu entendimento de que a aprovação das contas pelo TCE, com as ressalvas de três de seus sete conselheiros, "denota certa tolerância às irregularidades encontradas".

"É uma invenção que estão tentando fazer", disse Simão Jatene, ao contestar argumentos do relator, baseados em parecer do MP de Contas para apontar irregularidades. Como demonstrou o ex-governador, a Constituição prevê que o órgão auxiliar da Alepa, na questão do julgamento de contas, é o TCE, e não o MP. E o Tribunal, reforçou o tucano, aprovou suas contas por unanimidade.

Jatene reconheceu que o Legislativo tem a atribuição constitucional de fazer julgamentos políticos, mas é necessário que tal julgamento se ampare em elementos que configurem "substância técnica, razoabilidade, consistência, princípios lógicos". E isso não ocorreu na Alepa, conforme o entendimento de Jatene.

"Julgamento político não é um vale-tudo", disse o ex-governador, acrescentando sua convicção de que "o Legislativo pode fazer o que quiser, mas deve estar submetido às regras que a lei impõe". Jatene deteve-se em tópicos do relatório do TCE que considerou fundamentais para o que ele classificou de "desmonte" do parecer aprovado pela CFFO da Alepa.

"Não existe rombo. Ficaram em caixa mais de R$ 300 milhões. Em caixa. Como é que tem rombo com R$ 300 milhões? Vocês querem  fazer crer isso à sociedade?", indagou Jatene aos deputados, lembrando-lhes que, se houvesse rombo, o estado não teria contraído operações de crédito com aval da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o próprio TCE, em sua análise, teria detectado tal anormalidade.