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| Repórteres da Globo com máscara: protocolos elogiáveis são contrariados por outros, de naureza eleitoral, no mínimo discutíveis |
A Globo, ao que se informa por aí, estabeleceu seus protocolos de cobertura com os candidatos a cargos majoritários às próximas eleições.
Uma das mudanças, em relação aos anos anteriores à pandemia: não haverá debates, no primeiro turno, com mais de quatro candidatos, para evitar aglomerações.
Outra: foram suprimidas as tradicionais entrevistas individuais com os aspirantes ao cargo de prefeito.
A Globo, justiça se faça, tem adotado procedimentos elogiáveis durante essa pandemia, inclusive para proteger seus profissionais, obrigados a usar máscara em suas externas e, na medida do possível, transferir o microfone para o próprio entrevistado segurá-lo enquanto fala, em respeito ao mínimo distanciamento.
Palmas à Globo.
Mas, em relação aos anunciados protocolos para a cobertura eleitoral, a Globo deveria, em nome da transparência que deve à opinião pública e em homenagem à lógica, razoabilidade e racionalidade, explicar-se melhor. Bem melhor.
Quanto aos debates com mais de quatro candidatos, admita-se com muito, mas com muito esforço, que evitá-los com mais de quatro candidatos presentes presencialmente é acertado, já que seria uma temeridade facilitar aglomerações, neste momento em que a pandemia oferece apenas pálidos sinais de que começa a ceder.
Mas, sem muito esforço, mesmo esse protocolo limitado a quatro candidatos é injustificável. E quem demonstra que é injustificável? A própria Globo, ora bolas.
Durante o período inteirinho da pandemia, inclusive no seus picos, a GloboNews (que segue os mesmíssimos padrões da Globo), promovia, quase todo dia, o dia inteiro, debates com cinco, seis especialistas para discutir aspectos da doença. Cada um dos debatedores na sua casa, é claro.
Por que a Globo não poderia fazer o mesmo, por exemplo, com os 12 candidatos à Prefeitura de Belém? Ou mesmo com cinco, seis ou sete?
Qual o problema de cada um desses baluartes ficar em sua própria casa, em seu próprio escritório, na sede de seu próprio partido, e participar de um debate?
Qual seria a diferença desse procedimento em relação aos debates que a GloboNews faz?
E em relação às entrevistas?
Pior ainda. Aí mesmo é que a ausência de justificativas da Globo para suprimi-las torna-se mais chocante e clamorosamente inaceitável.
A Globo, em todos os seus telejornais, usa em certas reportagens quatro, cinco e até mais entrevistados para repercutir os assuntos abordados.
Cada um dos entrevistados, é claro, está no seu próprio ambiente, a trocentos quilômetros de distância da Globo.
Qual a diferença desse procedimento em relação a entrevistar um candidato a prefeito?
Quais os riscos ou quais as dificuldades operacionais que haveria em entrevistar-se cada um dos candidatos a prefeito de Belém, por exemplo, se cada um permanecesse em sua casa, conectado com a transmissão ao vivo?
E de programas como o do Bial - que permanece em casa, até porque é do grupo de risco, mas entrevista tranquilamente as pessoas, cada uma também em sua casa -, o que dirá a Globo para explicar a diferença com entrevistas individuais com candidatos?
Esse tema é dos mais relevantes porque, a meu juízo, os debates e as entrevistas individuais que emissoras de TV promovem - não apenas a Globo, vale dizer - representam o meio mais eficaz, ou menos ineficaz, se quiserem, para que o eleitor possa aferir a viabilidade das propostas que os candidados apresentam para o País, para um estado ou para um município.
Por quê?
Porque os debates permitem o contraditório - seja de um candidato com outro, seja de candidatos com entrevistadores das próprias emissoras.
Ao contrário, os programas eleitorais veiculados no horário gratuito do TSE, muito embora vários deles sejam reconhecidamente de alto nível profissional, não passam de um monólogo, não é? Um monólogo que sempre converge para atender, evidentemente, ao propósito de projetar a imagem e as propostas de um candidato qualquer.
Por isso, é de se lamentar que a Globo, ao eleger seus protocolos eleitorais, esteja contrariando frontalmente - e injustificadamente - os protocolos que a própria Globo, rotineiramente, observa em seus telejornais e outros programas de entretenimento.

























