terça-feira, 29 de abril de 2008
O tempo
As nuvens carregadas que se formam com a ajuda da Zona de Convergência Intertropical provocam pancadas de chuva e trovoadas em todas as áreas do Pará ao longo desta terça-feira. O tempo segue abafado no Estado.
As previsões são da Climatempo.
As manchetes da terça
Contas externas do Brasil têm déficit de US$ 10,7 bi
JORNAL DA TARDE
Metrô autorizou obra mais barata em Pinheiros
FOLHA DE S.PAULO
Lucro enviado ao exterior e investimento são recordes
O GLOBO (RJ)
Orçamento não permite dar ao servidor o que Lula prometeu
JORNAL DO BRASIL (RJ)
Tráfico infiltra-se no PAC
CORREIO BRAZILIENSE (DF)
DF flagra quatro bêbados por dia ao volante
ESTADO DE MINAS (MG)
PBH vai arrombar casas infestadas pela dengue
DIÁRIO CATARINENSE (SC)
Turismo de verão cresce 7,3% em SC
CORREIO POPULAR (Campinas/SP)
PT descarta candidatura própria e espera por Hélio
CORREIO DO POVO (RS)
Lula já admite que dois mandatos é pouco
ZERO HORA (RS)
Piratini barra convocação de secretário e extensão de CPI
GAZETA DO POVO (PR)
Popularidade de Lula bate recorde; maioria aprova o 3º mandato
GAZETA MERCANTIL (SP)
Bradesco lucra R$ 2,1 bilhões no trimestre
VALOR ECONÔMICO (SP)
Lula aprova novo modelo para reforma trabalhista
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Mais rapidez para projetos sobre segurança pública
Sessão especial realizada na manhã desta segunda-feira, na Assembléia Legislativa, revelou um consenso: é preciso acelerar a tramitação e a aprovação de projetos que tratem de segurança pública.
O deputado Arnaldo Jordy (PPS) ressaltou a necessidade de enfrentamentos diferenciados diante da realidade de violência indiscriminada e da banalização do crime. "O tráfico de drogas e armas é a pior vertente. É nesse território que se intensificam os assaltos e pequenos roubos, os crimes cruéis de roubo com morte e os seqüestros", disse.
O parlamentar também chamou atenção para a violência doméstica, a sexual e aquela decorrente da discriminação de raça ou opção sexual, cujas maiores vítimas são as crianças e as mulheres.
Os deputados presentes à sessão também se dispuseram a participar de comissão que, juntamente com representantes de outras entidades, atuará junto ao
Foi aprovada ainda a proposta de fiscalização da aplicação dos recursos já aprovados pelo Congresso Nacional e pela Assembléia - ao todo R$ 120 milhões - em forma de emendas, voltadas à segurança pública. Também será agendada audiência de familiares de vítimas de violência com o secretário de Segurança.
Avaliação positiva de Lula alcança 69,3% em abril
A aprovação do desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril, segundo a 92ª pesquisa CNT/Sensus , divulgada nesta segunda-feira,
O governo do presidente Lula também está em alta e alcançou em abril a maior avaliação positiva desde o início do primeiro mandato em janeiro de
O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, atribuiu o aumento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a alta da avaliação positiva do seu governo ao processo de crescimento econômico. Segundo ele, o fator-chave a favor de Lula e da sua administração, na pesquisa, foi a melhoria da renda mensal do trabalhador, propiciada pelo crescimento da economia.
Para 37,8% dos entrevistas na pesquisa CNT/Sensus de abril, a renda mensal aumentou. Na sondagem anterior, realizada em fevereiro, o porcentual dos que consideraram ter havido aumento da renda foi de 29,5%, o que significa que, em dois meses, houve um salto de 8,3 pontos porcentuais na avaliação para mais.
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Sai o "capinha", entra a "capinha"
No Ancelmo Góis, sob o título "Mulheres no STF":
No STF, todo ministro tem direito a um "capinha", como é conhecido o auxiliar que fica próximo do magistrado no plenário e usa uma versão mais curta daquela capa dos tribunais.
Pois, desde sempre, os capinhas são homens. Mas, agora, a ministra Carmen Lúcia rompeu a regra e promoveu a primeira "capinha" mulher da história do Supremo, a jovem funcionária Carmem Lílian.
Um reinado por mais de dez anos
Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje,
"Ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou dez anos. É preciso que a gente tenha um grupo de pessoas que assuma compromissos e que cada um faça mais do que o outro."
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TRF confirma sentença em favor de dez servidores da Funasa
A Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região confirmou sentença da juíza federal
Os desembargadores entenderam que a dúvida em relação à existência da correlação entre os males alegados e o trabalho exercido na Fundação não é determinante para o não-pagamento de indenização. O entendimento da Quinta Turma, presidida pelo desembargador Fagundes de Deus, é de que a Funasa foi negligente.
Na sentença, proferida em maio de
Ariorto Alves de Araújo de Araújo foi indenizado com R$ 60 mil; Luiz Gonzaga Aguiar de Souza - R$ 140 mil; Salvador Luiz de Oliveira - R$ 150 mil; Jonas da Rocha Santiago - R$ 60 mil; José Ivanaldo Sales da Silva - R$ 110 mil; João
Os autores da ação exerceram nos municípios de Conceição do Araguaia, Redenção e Água Azul do Norte a função de guarda de endemias e acusam a Funasa de nunca ter adotado as precauções necessárias para que manuseassem em segurança substâncias químicas. Providências só foram tomadas, segundo eles, após constatadas as contaminações.
Afirmam ainda que exames constataram o alto de grau de contaminação que sofreram por via oral, dérmica e respiratória. Disso resultaram várias doenças. A sentença menciona que um laudo atestou que o contato com níveis tóxicos do DDT "pode levar à perda de peso, anorexia, debilidade muscular, incoordenação motora, ataxia, disartria, tremores de extremidades superiores, cefaléia, dor toráxica, erupções cutâneas e anemia aplásica", justamente os sintomas apresentados pelos servidores da Funasa.
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PSOL já tem candidato à Prefeitura de Santarém
No Blog do Jeso:
Maike Vieira será o candidato do PSOL à
O indicativo do nome do professor ao cargo foi acertado na 1ª convenção municipal do partido, realizada semana passada na cidade.
Ficou definido ainda que o PSOL entrará na disputa com chapa puro-sangue. Ou seja, sem coligação com qualquer outro partido. Isto porque em Santarém não há representação de nenhuma das 2 legendas (PCB e PSTU) que fazem parte do arco de alianças do partido de Heloísa Helena.
Na disputadíssima convenção psolista, quem levou a melhor foi a tendência CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), que elegeu o presidente do diretório, Messias Flexa.
Estado entrará com R$ 1, 4 mi para GP de Atletismo
O
Participarão pelo menos 50 atletas posicionados entre os 40 primeiros no ranking mundial, divulgado pela Associação Internacional de Federação de atletismo (LAAF).
Os recursos serão liberados de uma vez só pelo Estado à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).
Lentidão de licenças ambientais atrapalha produção de ferro
O atraso na liberação de licenças ambientais pelos órgãos oficiais poderá prejudicar nos próximos anos os planos da Vale de aumentar sua produção de minério de ferro para atender a crescente demanda por esse recurso. E mais do que isso, poderá até provocar uma redução da produção. Essa possibilidade foi admitida por dirigentes da empresa, durante uma entrevista coletiva esta sexta-feira (25) para detalhamento do balanço do primeiro trimestre de 2008. No Rio, a entrevista foi comandada por Roberto Castello Branco, diretor de relacionamento com investidores. Em Belém, falou o gerente geral de Relações Institucionais, Eugênio Victorasso. E o diretor do departamento de Ferrosos Norte, José Carlos Soares, respondeu às perguntas em Carajás. O investimento da Vale no Pará nos primeiros três meses do ano chegou a US$ 980,5 milhões, o que levou a um aumento de 15% na geração de empregos pela empresa.
Como o "Pará Negócios" divulgou, a Vale reconheceu em seu balanço, divulgado na quinta-feira (24), que o atraso na liberação da licença ambiental, pelo Ibama, para o projeto de ampliação da Serra Norte, em Carajás, das atuais 100 milhões para 130 milhões de toneladas, provocará o atraso no início de sua operação, prevista inicialmente para o segundo semestre de 2009. "Estamos atrasados entre um e dois anos. Já estamos verificando o que fazer para contrabalançar esse atraso, já que todo o crescimento real da produção de ferro da Vale está sendo feito por Carajás", afirma Soares.
Além de Serra Norte, a Vale vai executar outros dois projetos para ampliar sua produção de minério de ferro: o de Serra Leste, em Curionópolis, e o de Serra Sul,
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Petrobras inscreve para 2.613 vagas
As inscrições para novo concurso para a Petrobras se encerram nesta terça-feria. Estão sendo ofertadas 2.613 vagas imediatas
As inscrições pode ser feitas no site da Fundação Cesgranrio, organizadora da seleção. As remunerações iniciais para os cargos de nível médio/técnico variam de R$1.390 a R$2.019, enquanto as de nível superior ficam entre R$4.453 e R$4.798.
PMDB e PT se confrontam nos escalões médios e inferiores
O PMDB reclama que o fluxo de decisões em algumas secretarias tem sido seriamente afetado porque as ordens que partem de cima não se efetivam nos andares debaixo.
De outro lado, os petistas estão insatisfeitos porque acham que há muitas funções DAS que bem poderiam estar sendo ocupadas por gente filiada ao PT. Se não estão, é porque existem filiados, indicados e apadrinhados do PMDB ocupando os lugares.
A governadora Ana Júlia já sabe das faíscas. Não apenas sabe, como já sentiu o efeito das faíscas. Resta saber o que fará quando voltar de seu roteiro europeu que incluirá Londres e Paris. Pelo que oferecerem as duas belas capitais européias - sobretudo a segunda -, a governadora deverá voltar com a cabeça frigidíssima.
E ela precisa mesmo disso. Porque há procelas à vista. E procelas temperadas com ingredientes pré-eleitorais, vocês sabem, são bem mais pesadas.
Fadesp divulga gabarito de concurso para técnico da Seduc
Governadores da Amazônia se reúnem com Charles em Londres
O encontro, que será realizado na residência do Príncipe (Clarence House, Palácio Saint James), discutirá temas como Agricultura e Meio Ambiente; Infra-Estrutura; Finanças e Saúde e Educação. Cada painel será apresentado por um governador ou seu representante. Estão confirmadas as presenças da governadora Ana Júlia Carepa (PT/PA); Waldez Góes (PDT/AP) e José de Anchieta Júnior (PSDB/RR). O Acre e o Amazonas estão representados pelos senadores Tião Viana (PT) e Arthur Virgílio (PSDB), respectivamente.
De acordo com o organizador do evento, Jorge Pinheiro Machado, o Príncipe Charles, que no final do ano passado criou uma instituição voltada para a proteção das florestas tropicais do mundo (Rain Forest Forest), se propõe a ser um interlocutor entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e lideranças britânicas interessadas na proteção da maior floresta tropical do planeta.
Segundo Machado, o Príncipe Charles quer promover a aproximação entre as vozes das regiões detentoras de florestas nativas e o mundo, que precisa desses remanescentes, no sentido de remunerar os serviços ambientais que as florestas prestam à humanidade. Por isso um dos itens do debate propõe a melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta, para que eles se transformem em seus guardiões.
Levantamentos feitos por Machado apontam que a comunidade britânica estaria
disposta a desembolsar cerca de 10 bilhões de libras esterlinas (mais de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas. Os brasileiros pretendem captar algo em torno de 5 bilhões de libras para a Amazônia (R$ 25 bilhões). Os dirigentes da Amazônia no entanto, exigem que o aporte financie a inclusão social da população local. A Amazônia concentra perto de 25 milhões de habitantes e possui 60% do território brasileiro. Os governantes são categóricos: não há como defender apenas a conservação da floresta sem incluir sua população.
O grupo pretende discutir formas de captar esses recursos, seja por meio do pagamento de bolsas-florestas, pelo aporte direto aos fundos estaduais de meio ambiente ou em projetos específicos. Outros mecanismos de financiamento também serão discutidos pelo grupo durante o evento.
Diversidade - A governadora do Pará Ana Júlia Carepa considera que o desafio da Amazônia envolve não só a conservação como também a valorização da floresta. A Amazônia constitui-se em um imenso território protegido em unidades de conservação. São mais de 100 milhões de hectares entre Terras Indígenas, Territórios de Comunidades Tradicionais e outras categorias destinadas à conservação e à promoção do uso sustentável dos recursos naturais.
“A efetiva proteção desses territórios só será possível se formos capazes de promover a valorização dos produtos oriundos dessas áreas e dos serviços ambientais providos por esses ambientes protegidos”, enfatiza a governadora, que lidera um movimento nacional pelo pagamento dos serviços ambientais prestados pela floresta.
O Pará, o segundo maior Estado da Amazônia, com 1,2 milhão de km2 e 7,1 milhões de habitantes, é pressionado pela expansão econômica que visa, sobretudo os recursos naturais, em atividades que envolvem intensa ocupação, conflitos e uma indústria de grilagem de terras que fomenta toda forma de ilegalidade ambiental e fundiária.
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Governador em exercício inaugura mini-usina em Santarém
E os celulares, será que estão acessíveis ao governador em exercício?
I Conferência dos Povos Indígenas está marcada para agosto
Caberá à própria secretaria abrir seus cofres para bancar os custos do evento, que vai definir as diretrizes da Política Estadual para os Povos Indígenas do Estado do Pará. O tema será “Povos Indígenas do Pará - A Diversidade que faz a diferença.”
A I Conferência, que será presidida pela secretária de Justiça e Direitos Humanos, será precedida de sete Encontros Indígenas Regionais, que elegerão os representantes indígenas que vão participar dos debates.
A comissão organizadora será integrada por 30 membros, dentre titulares e suplentes de órgãos estaduais e federais, além de entidades indígenas não-governamentais, do Ministério Público e do Sistema de Vigilância da Amazônia, entre outros.
E a matança continua
O delegado sabe e diz que o local "é uma boca-de-fumo conhecida".
Isso demonstra claramente o quanto é frágil a segurança pública.
Se as autoridades sabem (e como sabem, sabem de quase tudo) e a boca continua funcionando , imagine o que se passe sem que nós, simples mortais, saibamos o risco que estamos correndo nas ruas.
Não mereceria uma reflexão mais profunda o assunto?
E a matança continua... Até quando?
Jatene já admite discutir candidatura a prefeito de Belém
Os dois – Flexa e Jatene – conversaram neste final sobre o assunto, até porque participaram em Barcarena de mais um encontro regional dos tucanos, o quarto de nove que estão programados para se realizar em cidades-pólo do Estado. O último está marcado para Belém, no dia 15 de junho, portanto apenas 15 dias antes do prazo fatal de 30 de junho para que os partidos, por meio de suas convenções, homologuem as candidaturas a cargos majoritários e proporcionais ao pleito de outubro.
Flexa informou que Jatene não deverá decidir se será ou não candidato até esta quarta-feira, 30, conforme pretende segmento do PSDB que se mostra incomodado com a demora numa definição. Mas afirma que, ao contrário do que pode parecer, o partido não está “em cima do muro” e nem indeciso.
“Nós estamos conversando e temos conversado sobre o assunto constantemente. Não estamos parados, não. Temos conversado com todo mundo, inclusive com o senador Mário Couto, um grande companheiro”, disse Flexa.
Quando confrontado com a indagação sobre qual é a opção e quais são as pretensões do PSDB hoje, Flexa não mede palavras e repete o que já havia adiantado ao blog no início em meados de março: “Hoje, final de abril, nossa pretensão é lançar o ex-governador Simão Jatene como candidato a prefeito de Belém, tendo como vice na sua chapa a ex-governadora Valéria Pires Franco, do DEM. Assim, repetiríamos a chapa vitoriosa ao governo do Estado nas eleições de 2002”, resume o senador.
Resta saber se já combinaram com os russos, no caso os democratas, que até agora, a exemplo do PSDB, não cogitam outra chapa que não uma que tenha na cabeça a ex-governadora Valéria Pires Franco.
Segurança pública na pauta de sessão especial na Assembléia
Os parlamentares querem que se discuta a violência que vem sendo praticada em diversas regiões do Estado, principalmente sudoeste e sudeste. “Que medidas estão sendo tomadas para coibir o crime organizado? Qual o real e efetivo policiamento na capital? O que está sendo feito para instalar, de fato, em áreas de conflito, o Estado de Direito, próprio dos regimes republicanos? Estas e outras perguntas precisam ser respondidas”, argumenta Jordy.
Estão convidados para a sessão os secretários de Segurança Pública, de Justiça e Direitos Humanos, o delegado geral de Polícia, representantes da Polícia Militar do Estado, do Conselho Estadual de Segurança, do Ministério Público Estadual, do Tribunal de Justiça do Estado, além de representantes da sociedade civil organizada, entre eles a OAB, a SDDH e a CPT.
Até ela?
A insegurança não poupa ninguém. Há cerca de três semanas, a residência da ex-secretária de Segurança Pública, Vera Tavares, foi “visitada” por assaltantes, que levaram laptop, telefone celular, microondas e até o automóvel da dona da casa.
O que ele disse
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em defesa do lançamento de vários nomes pelos partidos governistas, para disputar sua sucessão em 2010.
Três são mortos em chacina

Três pessoas mortas e duas feridas a bala. Esse foi o saldo de uma chacina que ocorreu na madrugada de ontem, no bairro da Terra Firme. A polícia acredita que o motivo tenha sido acerto de contas entre grupos de tráfico de drogas rivais, já que a casa onde os corpos foram encontrados é um conhecido ponto de venda de entorpecentes naquela área.
Os corpos foram achados por João de Lima Amaral Filho, marido da proprietária da residência onde ocorreram os assassinatos, na passagem Leal, 35. À polícia, ele disse que estava a aproximadamente 100 metros do local, que serve de depósito para carrinhos de lanches, quando ouviu mais de 20 disparos. A testemunha chegou a ver quatro pessoas fugindo do local, dois deles portando armas.
Dentro da residência, deparou-se com o macabro cenário: o corpo de Vinícius André Alves da Silva estendido na entrada da casa e outros dois mortos em um sofá. Um deles é o próprio enteado de João Filho, João Luís Fonseca da Silva, mais conhecido como 'Batom', e o outro ele não soube identificar. 'Não identificamos ainda, mas provavelmente era alguém que estava lá consumindo drogas e morreu de ‘laranja’', analisa o delegado Adelino Hilton Serra Sousa, da seccional de São Brás, responsável pelo caso.
Duas pessoas sobreviveram à chacina: Ivan de Almeida Natividade, que recebeu um tiro na coxa esquerda, e Edson Bruno da Costa Fonseca, atingido na coxa direita. Os dois foram atendidos no Pronto-Socorro Municipal do Guamá e depois liberados. 'Ainda não ouvimos os dois, mas eles serão fundamentais para identificar os bandidos. Eles estão todos enrolados na história. Chegaram no PSM dizendo que não sabiam nem porque tinham sido baleados, e garantiram que não se conheciam. Depois descobrimos que são cunhados. No final é tudo da mesma corja', avalia o delegado.
A polícia não tem dúvidas de que se trata de acerto de contas, até porque nada foi levado do local. O delegado Adelino Sousa é taxativo: 'Há a especulação de que talvez os assassinos tenham usado até metralhadora, mas ainda estamos fazendo a averiguação. Lá é uma boca-de-fumo conhecida e isso está com cara de crime encomendado'.
Alckmin quer invocar Covas contra união Kassab-Quércia
A semana promete começar quente no PSDB, com a pressão de alckmistas pela consolidação da candidatura própria e ataques à coligação DEM-PMDB. O ex-governador Geraldo Alckmin disse a aliados que pretende participar hoje de movimento organizado por militantes do partido em defesa de sua candidatura.
Apesar do cuidado para que o ato não seja caracterizado como um lançamento de campanha, Alckmin deve se colocar à disposição do partido. Segundo a Folha apurou, o governador José Serra ficou irritado ao saber que os alckmistas deverão reivindicar a oficialização da candidatura no dia 5, embora a data já tenha sido fixada pelo presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, em conversa com Alckmin.
Alckmin disse a interlocutores que vai explorar politicamente a adesão de Orestes Quércia à campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM).
A estratégia inclui a organização de um ato que reunirá tucanos históricos, críticos à aliança com o PMDB. A idéia é lembrar de confrontos entre tucanos históricos e o presidente estadual do PMDB para, no mínimo, constranger os kassabistas no partido.
O argumento dos alckmistas é de que a aliança com o DEM representaria a união com um dos principais desafetos de Mário Covas. Aliados de Alckmin, como o deputado Edson Aparecido, foram escalados. Ao defender aliança com o "bloquinho", o deputado alfineta. "Traria um ar de modernidade à política em São Paulo."
Em resposta, Kassab não descarta a possibilidade de lembrar que o próprio Alckmin procurou Quércia para uma composição eleitoral. Na madrugada de ontem, num jantar oferecido a jornalistas durante a Virada Cultural, Kassab ressaltou que o próprio PT compôs com Quércia para a eleição do presidente Lula.
Lembrando que essa aproximação está registrada em fotos, passíveis de uso em campanha, Kassab repetiu a frase quando um interlocutor disse que "o PT absolveu Quércia".
Enquanto Alckmin arregimento militantes para a reunião do dia 5, kassabistas investem em outro lance para inibir sua candidatura. O secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, ameaça brigar para que a decisão seja submetida a voto, convocando convenção. "Vamos tentar convencer Alckmin a desistir. A proposta para que seja candidato em 2010 é segura. Se ele não desistir, vamos para convenção. Não tem outro jeito."
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PT-BH enfrenta Executiva e aprova candidato do PSB
O PT de Belo Horizonte oficializou ontem a resistência e o confronto com a Executiva Nacional da sigla ao aprovar moção de "repúdio e indignação" contra a cúpula do partido que proibiu aliança com o PSDB do governador Aécio Neves, aliado do prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT).
Por ampla maioria dos 406 delegados do encontro municipal, foi aprovada a moção, seguida de discursos recheados de palavras contra a Executiva. No ato, também foi aprovado o nome de Márcio Lacerda (PSB), secretário no governo Aécio, como o candidato da coligação. O deputado estadual petista Roberto Carvalho foi indicado para a vaga de vice.
Pimentel responsabilizou petistas de "São Paulo e do Rio Grande do Sul e de outro Estado" pelo que chamou interferência nas decisões de Belo Horizonte. "Não vamos tolerar."
A moção ressalta as alianças feitas nos últimos 16 anos, tempo que o PT comanda a prefeitura, e encerra falando em "não medir esforços e ações" para garantir a aliança, embora em nenhum momento tenham sido citados o PSDB e Aécio.
"Repudiamos com indignação qualquer postura autoritária, antidemocrática, sectária, pré-concebida e pré-determinada que venha se contrapor aos interesses da cidade e do partido, desrespeitando o seu órgão máximo de decisão, que é o encontro de delegados do município." Diz ainda a nota: "É por essa razão que repudiamos a orientação isolacionista e a tentativa de impor uma tática eleitoral hegemonista e excludente, que nada tem a ver com a cidade e conflita com o desejo explícito da população e da base partidária. Não mediremos esforços e ações para assegurar o melhor para a cidade e para o partido".
Pimentel, ao discursar, criticou o fato de os dirigentes petistas, "muitas vezes ocupados com os assuntos de Brasília e de outros lugares do Brasil", não prestarem atenção no que é feito na capital mineira e "atropelam a vontade da cidade".
"Não podemos aceitar e admitir, não vamos tolerar que venham nos dizer, lá de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do outro Estado da Federação -que têm trajetórias políticas diferentes das nossas, e menos exitosas e vitoriosas-, o que é que temos que fazer."
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Lula diz que seus gastos vão ser públicos em 2011
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista publicada ontem nos jornais do grupo Diários Associados que se tivesse que produzir dossiê contra opositores teria feito isso em 2005, no escândalo do mensalão. "Se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem. E que, se investigados, teriam muita coisa. (...) Se eu fosse fazer um dossiê, não seria da dona Ruth [Cardoso]", disse, em referência à ex-primeira-dama.
Ao negar que o governo tenha reunido dados contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula assinalou aquilo que deve ser a linha de defesa do Planalto no caso, a de que dados de ex-presidentes não são sigilosos: "Quando eu deixar a presidência, no primeiro dia de janeiro de 2011, os meus dados serão dados públicos".
Tão logo a Polícia Federal foi acionada e deu mostras de que investigaria não só o vazamento mas também quem elaborou o dossiê, o governo começou a divulgar reservadamente que dados de ex-presidente não são sigilosos. Com isso, tanto o vazamento como a montagem do dossiê não poderiam ser considerados crimes.
O presidente repetiu que pretende instituir diárias para substituir os cartões, sem necessidade de prestação de contas. "Se você quiser dormir na sarjeta, dorme. Não precisa prestar contas. Só assina o recibo de que recebeu as diárias. (...) Se o cidadão pegar a diária e quiser dormir num "meia estrela" para economizar, o problema é dele", afirmou.
Eleições
Na entrevista, Lula também estimulou os partidos da sua base de sustentação a lançarem os nomes à sua sucessão logo após as eleições municipais. "A oposição não pode ficar nadando sozinha. É preciso colocar mais gente nessa praia."
O petista negou que já tenha lançado a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como seu nome preferido, dizendo que no momento certo ela terá que apresentar outras "credenciais" além da, segundo ele, capacidade gerencial "raríssima".
Ainda sobre eleições, Lula voltou a negar que pense ou articule mudança na Constituição para lhe permitir um terceiro mandato consecutivo.
O petista evitou dar declarações mais contundentes sobre a tentativa de aliança entre PSDB e PT em Belo Horizonte, afirmando apenas que tem uma relação boa com os governadores do PSDB.
Advogado alvo da PF decide se afastar de conselho do BNDES
O advogado Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, 45, investigado pela Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, pedirá hoje o afastamento do cargo de conselheiro de administração do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), além de sugerir uma auditoria nos contratos de empréstimo que são alvo do inquérito na PF. O pedido será feito por fax ao presidente do banco estatal, Luciano Coutinho.
O advogado, que ocupa o cargo no BNDES desde agosto de 2007 por indicação da Força Sindical, foi libertado no último sábado pela PF de São Paulo, onde estava preso desde a quinta-feira. A polícia informou à Justiça Federal que a prisão de Tosto não era mais necessária para o andamento da investigação. Ele foi indiciado pela PF por supostamente ter exercido influência política na liberação de empréstimos que depois teriam sido desviados num esquema que envolveria empresas de fachada.
A PF investiga principalmente empréstimos para a Prefeitura de Praia Grande (SP) e para as Lojas Marisa.
Em entrevista concedida ontem à Folha, por telefone, Tosto disse estar "emocionalmente destruído". "É uma tortura emocional. Primeiro te prendem, daí a pessoa fica presa lá [na PF], sem ser ouvida, para a pessoa sofrer lá embaixo [na cela]. Depois te chamam. Depois dessa tortura psicológica, aí você vai depor psicologicamente destruído", disse Tosto.
O advogado afirmou que as suspeitas da PF são "improcedentes" e considerou "absurdo, uma violência" o fato de ter sido algemado e exposto a câmeras da imprensa, logo após a prisão. Disse que nunca interferiu nos empréstimos citados na investigação e que eles não passaram pelo Conselho de Administração do banco. "Não passaram. Você não tem poder [de interferência]. Você ali discute a estratégia macro do banco. Nunca conversei com ninguém sobre isso [empréstimos]. Não assinei, não aprovei, não falei com ninguém. E fiquei preso e estou destruído."
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Lavrador diz ter visto três mortes no Araguaia
Considerado por representantes da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e da Comissão dos Mortos e Desaparecidos da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República como um dos mais precisos a respeito da repressão militar à guerrilha do Araguaia, o depoimento do mateiro Abel Honorato de Jesus trouxe informações novas a respeito da morte de ao menos dez guerrilheiros.
Jesus, conhecido como Seu Abelinho, 63, contou anteontem em São Domingos do Araguaia (a 540 km de Belém) ter assistido ao fuzilamento de guerrilheiros rurais do PC do B por militares do Exército, Aeronáutica e Marinha que, de 1972 a 1975, em três investidas, ocuparam a região do Araguaia (sudeste do Pará, norte do Tocantins e sul do Maranhão).
Lavrador e mateiro, disse que viu o guerrilheiro Peri (Pedro Alexandrino de Oliveira Filho) ser morto em uma rede por pára-quedistas do Exército. "Ele estava deitado numa rede, doente, na grota da Lima. Mataram assim mesmo, metralharam ele", contou Jesus. O corpo de Peri nunca apareceu.
Estima-se que o número de guerrilheiros e simpatizantes no Araguaia pode ter se aproximado de cem, dos quais 79 ainda estão desaparecidos.
A Comissão de Anistia passou os últimos dias 25 e 26 em São Domingos interrogando moradores que viveram à época do que, na região, chamam de "guerra". Há 240 pessoas no Araguaia que entraram com processo em busca da indenização prevista pela lei federal 10.559/2002. Alegam ter sido presas e torturadas.
Jesus contou que os corpos de Peri e de quatro guerrilheiros mortos dias antes em uma clareira na selva foram levados pelo helicóptero militar apelidado de "sapão".
Outra morte que afirmou ter presenciado, na condição de guia dos militares, foi a de Paulo Rodrigues. Ao ser atacado, o guerrilheiro estava fazendo beiju -alimento típico da terra. Ainda tentou correr, mas foi baleado, disse o mateiro. "O corpo foi levado em uma rede até uma farinheira num lugar pertinho do Peixinho [lavrador que morava na área]", disse.
Ainda segundo ele, o guerrilheiro Simão (Cilon Cunha Brun) foi morto mesmo depois de ter se rendido. "O Simão se entregou", disse a respeito do militante do PC do B até hoje desaparecido. Já Jana Moroni Barroso não teria tido tempo para se entregar. "Ela estava quieta, metralharam, racharam ela. A morte dela foi sofrida. Ela não estava fugindo", disse.
O depoimento do mateiro foi observado do lado de fora da sala por José Maria Alves da Silva, o Catingueiro, apontado na região como informante, ainda hoje, de militares que atuaram no combate à guerrilha.
Abordado pela Folha, Catingueiro disse que estava ali porque também reivindica a indenização. A Comissão de Anistia e a Associação dos Torturados do Araguaia negam que ele tenha entrado com processo.
Tido como homem de confiança de Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, major reformado do Exército e líder na luta contra a guerrilha, Catingueiro vestia uma camisa que trazia nas costas: "Administração Curió - Promovendo o Lazer em Serra Pelada".
Após simulação, polícia irá pedir amanhã prisão de casal
Após a simulação do assassinato da menina Isabella Nardoni, 5, realizada durante sete horas ontem no prédio de onde ela foi jogada na noite de 29 de março, a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público irão pedir à Justiça na tarde de amanhã a prisão preventiva do casal Alexandre Alves Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta da menina.
Durante a "reprodução simulada" do crime- forma como peritos criminais chamam a encenação de todas as versões de um crime-, delegados e peritos do IC (Instituto de Criminalística) se concentraram principalmente na reconstrução cronológica do que ocorreu na noite de 29 de março no edifício London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de SP).
Amanhã, os delegados do 9º DP (Carandiru) responsáveis pelo esclarecimento do crime entregarão à Justiça o inquérito policial sobre o caso e pedirão a prisão preventiva de Nardoni e de Anna Carolina. Para a polícia, o casal é o único suspeito do assassinato.
Os documentos produzidos durante a simulação de ontem não serão entregues amanhã à Justiça com o inquérito. Isso para que o prazo legal de 30 dias para a conclusão da investigação não seja estendido.
As conclusões sobre a simulação de ontem serão anexadas ao inquérito quando a polícia for informar à Justiça quem tentou alterar possíveis provas das agressões a Isabella, como a tentativa de limpar manchas de sangue da menina no apartamento e no carro do casal.
Até agora, existem suspeitas (não comprovadas) de que Cristiane e Antonio Nardoni, irmã e pai de Alexandre, possam ter removido as manchas de sangue deixadas por um corte na testa de Isabella.
Por estratégia de seus três advogados de defesa e de Antonio Nardoni, que também é advogado, o casal se recusou a comparecer ontem à simulação. Ontem, a Folha tentou, mas não conseguiu localizá-los.
Com isso, o casal deixou de apresentar aos peritos a sua versão sobre o crime. Ambos alegam inocência e dizem que uma terceira pessoa invadiu o apartamento da família, enquanto Nardoni voltava à garagem para buscar a mulher e os outros dois filhos, agrediu Isabella e a jogou pela janela.
Por afirmar que a investigação corre em segredo, determinado pelo delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, até agora, a Polícia Civil de São Paulo não apresentou publicamente um só documento do inquérito policial, nem mesmo os laudos que são apontados como principais indícios de que o casal matou Isabella.
Outra importante medida contra Nardoni e Anna Carolina, que ficaram oito dias presos logo após a morte de Isabella, será tomada até o fim da semana pelo promotor de Justiça do caso, Francisco José Taddei Cembranelli, que já decidiu por denunciá-los à Justiça pela morte de Isabella.
Caso a denúncia do promotor seja aceita pela Justiça, o casal passará a figurar como réu, ou seja, existirá um processo contra Nardoni e a mulher. "A lei exige indícios suficientes de autoria para a propositura de ação penal. No momento, tenho tais indícios", afirmou Cembranelli.
Encenação dura 7 horas, mas não faz teste de som
Os peritos levaram ontem sete horas para fotografar, desenhar e cronometrar as ações que, na noite da morte de Isabella, teriam ocorrido nos 13 minutos entre a chegada da família Nardoni ao edifício Residencial London e o registro de chamada ao resgate.
Apesar de intimados, Alexandre Nardoni e Anna Trotta Jatobá não participaram da simulação. Também não houve presença dos advogados de defesa. A equipe de quatro peritos, dois médicos legistas, dois desenhistas, um fotógrafo e um cinegrafista foi acompanhada pelo promotor e os delegados responsáveis pelo inquérito.
Os testes de som previstos para confirmar se vizinhos conseguiriam ouvir gritos vindos do apartamento de Nardoni não foram realizados. Durante a semana, criminalistas haviam criticado a realização dos testes durante o dia, já que o crime ocorreu às 23h30.
Para simular o corte da rede de proteção da janela, a tela do quarto vizinho foi retirada. Os peritos levaram meia hora para instalar a tela no dormitório de onde a menina foi jogada.
Uma boneca articulada com altura e peso similar ao da menina, cabelos negros compridos, calça branca e blusa azul foi segurada do lado de fora do apartamento, sacudida e solta duas vezes. Mas não foi ao chão. Ficou pendurada por cordas, já que, caso caísse em posição diferente da de Isabella, poderia ser usado pela defesa como argumento de que a queda não ocorreu como diz a perícia.
A boneca foi levada para o jardim do prédio e colocada na posição em que os vizinhos dizem tê-la visto. Morador do primeiro andar, Antonio Lucio Teixeira, 61, relatou a chegada de Nardoni. "Estava no telefone, com a polícia, e ele disse que arrombaram o apartamento, rasgaram a tela e jogaram a filha dele. Falei pra polícia: estão ouvindo? Vem logo que vão começar a jogar gente de lá de cima." Outros moradores confirmaram a posição da queda.
Encenação da queda leva até policial às lágrimas
Foi só os pezinhos da boneca representando a menina Isabella Nardoni aparecerem na janela do apartamento 62 do Edifício London e calaram-se os cerca de 150 jornalistas, técnicos e cinegrafistas que acompanhavam ontem desde as primeiras horas da manhã a simulação do crime. Mesma atitude tiveram moradores do prédio defronte, que acompanhavam a encenação, e agentes -cerca de 60 do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil.
Com uma camiseta azul (cor que Isabella Nardoni usava no momento em que foi jogada da janela), peruca morena, peso e altura semelhantes aos da garota morta, a boneca foi introduzida por um rasgo feito momentos antes em uma tela de proteção colocada no mesmo quarto de onde a menina caiu.
O simulacro ficou pendurado pelos pulsos do lado de fora da janela do quarto e, depois, foi solto -como teria acontecido com a própria Isabella, segundo a versão policial. Toda a cena durou dois minutos contados a partir das 13h05.
Não houve queda nem choque com o solo porque a polícia técnica amarrara o corpo à janela do apartamento. Em vez de cair, a boneca ficou suspensa no ar. Foi recolhida para ser, de novo, jogada. Replay da cena.
Metralhadoras
Uma mulher de cabelos aloirados, moradora no edifício Versailles, que fica bem na frente do London, chorou. Um policial do GOE que não se identificou também emocionou-se. Disse, com os olhos cheios de lágrimas, ter temido pela vida de seu filho, mesma idade de Isabella (a menina completaria seis anos no dia 18 de abril).
Os jornalistas agora falavam em volume baixo e assim permaneceram durante todo o restante da encenação, que durou um total de sete horas. Até então, o assunto eram os policiais do GOE, que ostentavam armamento de guerra -carabinas, pistolas e submetralhadoras calibre .40, de uso restrito das forças policiais, além de escopeta calibre 12 e facões.
A alegação era de que o arsenal serviria para garantir a segurança do evento. Mas, com os curiosos mantidos afastados a 120 metros da cena do crime por cordões de isolamento e por soldados comuns da PM, os agentes do GOE só tiveram mesmo que lidar com jornalistas e moradores, além de prestadores de serviço dos prédios em volta do London.
Os curiosos ontem não superaram a marca dos 50. A maioria manteve-se em silêncio e pertencia a um auto-proclamado Apostolado Exército de Santo Expedito, que distribuía bandeirinhas a quem passava pelo local.
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