Todas as vezes em que você quiser um modelo de cara que pensa alto, pensa grande, pensa pra cima, pensa em coisas fenomenais (Nelson Rodrigues diria
sesquipedais), pense em Ricardo Gluck Paul, presidente do Paysandu.
Pense nele.
Ele é o cara.
Quando Gluck Paul fala, a humanidade inteira - tanto a que habita esta Terra redonda como a outra, que habita a Terra plana - fica em êxtase e deve ouvi-lo com a máxima atenção, porque ele sempre estará falando algo que tem uma grandeza e uma relevância singulares.
No ano passado, quando o Paysandu foi prejudicado - e realmente foi prejudicado - por um erro de arbitragem num jogo contra o Náutico e não conseguiu subir para a Série B, Gluck Paul moveu céus e terras (inclusive a plana, repita-se) para reparar esse erro.
O erro, cometido pelo árbitro Leandro Vuaden, repetiu outros 300 bilhões de erros que 300 bilhões de clubes já sofreram há 50 milhões de anos.
Mas ouvindo, como ouvimos, Gluck Paul falar naquela época sobre o erro de Vuaden, parece que o Paysandu, desde que inventaram o futebol, foi o único a ser prejudicado por um erro de arbitragem.
E tanto é assim que Gluck Paul recorreu até ao STJD,
onde seu clube perdeu de goleada.
Mas se pudesse (ah, coitado), o presidente bicolor teria recorrido ao Conselho de Segurança da ONU ou então ao Tribunal de Haia, porque, vocês sabem, Gluck Paul é aquele cara que, quando fala, a humanidade inteira, em êxtase, deve parar e ouvi-lo com muita atenção.
Qual é a última do Gluck Paul?
É o seguinte.
Está na mesa uma discussão para encerrar-se o Campeonato Paraense, em decorrência da pandemia.
O Paysandu, no momento, é o líder com 19 pontos.
Apenas dois pontos -
dois pontos - separam o Paysandu do Remo, vice-líder.
A diferença do Paysandu para o lanterna, o Carajás, é de 17 pontos.
Qual o sonho de Gluck Paul? Ora bolas, o sonho dele é que a FPF encerre o Parazão e proclame o Paysandu campeão. Simples assim: acabou e toma a taça, porque tu és o líder com dois pontos de vantagem.
A FPF e os clubes resistem a essa proposta de Gluck Paul.
Pronto: por causa disso, ele acha que seu clube é o mais injustiçado da face das terras. Ele acha que contra seu clube conspira a humanidade inteira. Até porque, vocês sabem, o Parazão é o melhor campeonato do mundo e o atual líder, portanto, é o maior time do mundo.
Não sabemos se Gluck Paul vai ao Conselho de Segurança da ONU ou se vai ao Tribunal de Haia. Mas que está com vontade, isso ele está.
Agora, vamos para o maior, o mais rico, o melhor e mais organizado campeonato do mundo, a Premier League.
A Premier League é um certamente nacional. O Parazão é um certame regional. Mas vamos comparar.
Na Premier League, o Liverpool, campeão do mundo, está 25 pontos (repita-se, 25 pontos), à frente do segundo colocado, o Manchester City. Em relação ao lanterna, são 61 pontos de diferença, gente. Sessenta e um pontos.
E daí?
E daí que a Uefa já avisou que o Liverpool não será campeão inglês se a temporada for cancelada.
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Mas isso é porque nem a Uefa, nem a Premier League descobriram Ricardo Gluck Paul.
Se ele assumir as rédeas dessa situação, tudo será diferente.
Ele vai levar para a Premier League todo o seu modelo, suas práticas de gestão, sua visão estratégica sobre administração de futebol, tudo.
E vai fazer com que a Premier League, o pior campeonato do mundo, fique igual ao Parazão, o melhor campeonato da face da terra.
Tudo por causa de Gluck Paul.
Aliás, sério mesmo, acho que o presidente do Paysandu é o nome certo pra substituir Luiz Henrique Mandetta e combater essa pandemia.
Mesmo não sendo médico, Gluck Paul, em um dia, vai importar todas as máscaras do mundo, todos os kits para testes, todos os EPIs (equipamentos de proteção individual), todas as cloroquinas e hidroxicloroquinas, enfim, tudo.
E essa pandemia acaba em um dia no Brasil.
Porque Gluck Paul, quando fala, o mundo inteiro deve parar e ouvi-lo com muita atenção.
Viva esse cara!
Ah, sim.
Sobre a imagem acima, se é um prazer para Gluck Paul ver o Paysandu jogar com o Remo, então por que não joga?