quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

MPF processa municípios por falta de transparência

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra a prefeitura de três municípios paraenses pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se a Justiça Federal acatar o pedido, os municípios de Barcarena, Breves e Cametá serão obrigados a implantar e disponibilizar integralmente a transparência fiscal.
Em maio de 2009, com a inserção da Lei Complementar n° 131/2009, os municípios com população entre 50 (cinquenta) e 100 (cem) mil habitantes teriam o prazo de dois anos para disponibilizar, em meio eletrônico de acesso público, informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em tempo real, para conhecimento e acompanhamento pela sociedade. No entanto, mesmo depois do fim do prazo (maio de 2011) para a regularização, vários municípios ainda estão atuando descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Abaixo, as principais irregularidades dos três municípios processados pelo MPF:

Barcarena – Em 2010, segundo estimativas do IBGE, Barcarena possuía 99.859 (noventa e nove mil oitocentos e cinquenta e nove) habitantes. Assim, o município teria até maio de 2011 para se adequar à Lei, o que não ocorreu. O site oficial da Prefeitura até possui um link para o “Portal da Transparência”, mas a página não apresenta as informações exigidas, apenas constam links que não funcionam. Em síntese, a Prefeitura de Barcarena não divulga informações fiscais, referentes à execução orçamentária de suas despesas e receitas.

Breves - O município de Breves, com 92.860 (noventa e dois mil oitocentos e sessenta) habitantes em 2010, também teve até maio de 2011 para se adequar à Lei da Transparência, e não o fez. Atualmente, o site oficial da Prefeitura Municipal de Breves possui um link para o “Portal da Transparência”, mas a página limita-se a disponibilizar alguns arquivos referentes a “empenho”, “pagamento” e “liquidação”. Ou seja, não há dados sobre receitas, execução orçamentária e licitações. Mais grave ainda, na parte de pagamentos, são listados pagamentos à empresas para a compra de materiais de consumo e de serviços de pessoas físicas/terceiros, sem qualquer menção ao número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, ao número do procedimento licitatório realizado ou dispensado.

Cametá - Diferente dos municípios citados anteriormente, Cametá, por ter mais de 100 (cem) mil habitantes, teria apenas um ano para se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas, quando o prazo acabou (maio de 2010), o município continuou irregular e até o momento não possui um “Portal da Transparência” e nem divulga e disponibiliza em seu portal dados sobre execução orçamentária ou informações sobre os gastos da prefeitura.
É válido ressaltar que a não divulgação do que foi arrecadado pelas prefeituras e de como está sendo gasto esse dinheiro dificulta a fiscalização dos recursos públicos pela sociedade, além de facilitar atos de corrupção e desvio de recursos.


Fonte: Assessoria de Imprensa do MPF

Por que nos mobilizamos pela França, mas nos esquecemos da Nigéria?


Por Jaime Rubio Hancock, do El País
O atentado ao Charlie Hebdo e a reação da opinião pública francesa têm dominado as capas dos jornais e revistas do mundo todo. Mas muitos ficaram surpresos com a menor atenção dada à ofensiva da seita islâmica Boko Haram no nordeste da Nigéria, que poderia somar até 2.000 mortos, em ações que incluíram o envio a um mercado de uma menina de 10 anos com explosivos atados ao corpo, provocando sua morte e a de outras 19 pessoas.
A imprensa anglo-saxã comenta a “hierarquia da morte”, ou seja, o fato de darmos mais cobertura a algumas vítimas do que a outras, especialmente no noticiário internacional. Essa hierarquia é influenciada por vários fatores, que podemos dividir em dois grupos: a proximidade e a qualidade da informação.
1. A proximidade. Interessa-nos mais o que ocorre em nosso país e em países próximos, e também se há alguma vítima local. A análise de Jacoba Urist na The Atlantic recorda como o The New York Timespublicou mais de 2.500 obituários para os assassinados nos atentados de 11 de setembro de 2001, coisa que o EL PAÍS também fez com os mortos no ataque islâmico de 11 de março de 2004 em Madri.
“Toda informação é local”, diz o jornalista Miguel Ángel Bastenier, do EL PAÍS, “e se repercutimos as notícias internacionais é pela proximidade e pela vinculação que temos com esses países, e também pela qualidade da informação que conseguimos obter”. Ele acrescenta que “é preciso informar sobre a Nigéria, e se informa”, mas esses dois fatores fazem com que se fale mais sobre o atentado na França do que sobre muitos outros conflitos.
Tal proximidade provoca uma maior empatia entre jornalistas e leitores, mas também pode favorecer o confronto, observa a jornalista Leila Nachawati, cofundadora do site Syria Untold. “Há um posicionamento do ‘nós contra eles’”, algo que na opinião dela transparece, por exemplo, nas declarações oficiais sobre o atentado ao Charlie Hebdo, em que muitos líderes ocidentais apontaram “um ataque contra nós, contra nossos valores”, esquecendo-se de que esses grupos “nascem e se promovem dentro da Europa”.
No caso da Nigéria, a Boko Haram chamou a atenção da imprensa ocidental em relativamente poucas ocasiões, apesar de esse grupo estar ativo desde 2002 e já ter causado milhares de mortes. Uma dessas situações se deu após o sequestro de mais de 200 meninas em abril do ano passado. Naquela ocasião, a atenção foi motivada por uma campanha nas redes sociais, intitulada #BringBackOurGirls (“tragam nossas garotas de volta”), que contou com a participação, por exemplo, da primeira-dama norte-americana, Michelle Obama. Ou seja, tanto naquela época como agora (quando se compara a atenção midiática dada ao atentado de Paris com a cobertura do conflito nigeriano), o volume de informação cresce porque se busca relação com o que está ocorrendo no Ocidente.
2. A qualidade da informação. Muitos veículos de comunicação têm correspondentes ou enviados especiais em Paris, incluindo as agências de notícias, ao passo que é muito mais perigoso enviar informações do Estado nigeriano de Borno, majoritariamente controlado pela Boko Haram. Na verdade, os jornalistas sofrem ameaças tanto da Boko Haram quanto do próprio Governo.
Bastenier observa que um veículo de vocação global precisa buscar a melhor informação possível, e que sua obrigação é divulgá-la sempre que puder. Entretanto, a escassez de recursos faz com que se conte apenas, na melhor das hipóteses, com o material das agências, ao passo que há mais e melhores dados a respeito do que ocorre na França.
A repercussão do atentado aoCharlie Hebdo também se deve ao fato de a França ter um Governo estável, onde, portanto, é possívelorganizar uma manifestação gigantesca e convidar todos os líderes ocidentais: a foto da linha de frente da manifestação também é notícia.
O problema de não contar com recursos para informar diretamente sobre um conflito, publicando-se em vez disso basicamente notícias de agências e reportagens de outros veículos, pode levar a uma “desumanização do conflito”, o que torna ainda mais difícil a empatia com as vítimas, segundo Nachawati.
Além disso, é preciso levar em conta que se presta menos atenção a conflitos em andamento, pois eles são (tragicamente) previsíveis e, como explica Nachawati, há “um cansaço com relação a situações como as da Síria, Iraque ou Nigéria”. Vemos esses países como se estivessem em um conflito permanente, “visão que se perpetua e sobre a qual não há intenção de se aprofundar”. Esses conflitos são tratados a partir desse filtro, ao qual se soma o fator geoestratégico: não interessa o que acontece com os cidadãos sírios ou nigerianos, e sim “o que opinam e o que fazem os Estados Unidos e a Rússia”.
Apesar de todas essas dificuldades, Nachawati considera que é preciso informar mais sobre conflitos como o da Nigéria, e para isso ela aposta em “se aproximar da opinião pública”, informando sobre associações e campanhas civis. Com esse objetivo, é preciso desenvolver “redes de confiança, o que agora ficou mais fácil do que há alguns anos”. Mas continua sendo uma tarefa de longo prazo.

O que eles disseram


“Em vez de se comportar como ministro, Kassab adota postura de cafetão e acha que deputados são garotas de programa para viabilizar o PL. Kassab se especializou em transformar política em pornografia”.
Ronaldo Caiado, senador (DEM-GO), sobre as articulações do ex-prefeito paulista, hoje ministro, para criar um novo partido.


"As críticas do deputado Ronaldo Caiado não merecem comentário algum, porque, além de infundadas, seguramente são motivo de constrangimento para os seus pares, a sua própria legenda e seus eleitores pela falta de educação e compostura incompreensíveis.”
Gilberto Kassab, ministro das Cidades, em resposta.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lionel Richie - Hello

Dispositivo legal reforça contradições no Parque do Utinga



A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, por meio de sua Assessoria de Imprensa, respondeu a questionamentos do Espaço Aberto a respeito de três postagens feitas aqui.
Duas delas - uma sob título O Utinga, a Sema, a foto e o cúmulo da imbecilidade, outra intitulada Advogado e dois amigos também foram barrados no Utinga - abordavam a proibição esdrúxula, despropositada e irracional, configurada no registro de imagens no parque com câmeras fotográficas, mas não com telefones celulares.
Outra postagem, com o título de O Utinga devassado. E vejam como está., realçava o fato de que o rigor em proibir a tomada de imagens não evita e nem esconde o fato de que o parque está abandonado, conforme atesta a foto acima, enviada por leitor do blog.
Leiam a resposta da Sema, a seguir:

As fotografias publicadas no Espaço Aberto mostram a passarela do Centro de Visitação, atualmente programada para obras de recuperação e, por isso, está interditada ao acesso público e sinalizada com fitas de isolamento, para evitar possíveis acidentes. Neste local, a proibição da entrada não se refere a máquinas fotográficas, mas a qualquer pessoa que queira ir ao Centro de Visitação do Parque Estadual do Utinga. Os seguranças são orientados a dar o devido esclarecimento aos visitantes sobre a impossibilidade do acesso.
Está prevista para este ano, a execução de várias obras em todo o parque: recuperação das trilhas, construção de guaritas e a execução da reforma do Centro de Visitação em conjunto com as obras do Complexo Turístico do Utinga (Amazonário). 
Informamos ainda que o uso de máquinas fotográficas é livre para visitantes, entretanto o Decreto da Presidência da República nº 4.340/2002, Capítulo VII, Art. 27, estabelece que o uso de imagens de unidade de conservação com finalidade comercial será cobrado conforme estabelecido em ato administrativo pelo órgão executor.
Parágrafo único. Quando a finalidade do uso de imagem da unidade de conservação for preponderantemente científica, educativa ou cultural, o uso será gratuito.
Esperamos ter esclarecido o ocorrido.

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Os esclarecimentos da Sema satisfazem a principal curiosidade do blog, que era a de saber qual a norma - legal ou administrativa - que amparava o veto à tomada de imagens no interior do parque do Utinga.
Mas os dispositivos legais mencionados, constantes de decreto presidencial vigente desde 2002, por mais estranho que possa parecer, reforçam ainda mais o esdrúxulo, o despropósito, o irracional e o irrazoável que é vetar-se o uso de máquinas fotográficas para a tomada de imagens, ao mesmo tempo em que o uso de celulares é escancaradamente liberado.
Sim, porque os dispositivos invocados na própria resposta da Sema referem-se a imagens, deixando de mencionar se são fotografias ou cenas de vídeo, e também omitindo a informação se os meios para obtê-las são câmeras fotográficas, filmadoras, telefones celulares ou aquelas máquinas de fotografia tipo lambe-lambe (olhem só uma aí ao lado - que bonitinha!), tão comuns há 950.500 anos.
Tem mais.
O parágrafo único destacado pela Sema é de arrepiar. Ou de arrupiar. Por quê? Porque, para se levantar os objetivos das imagens que alguém pretende fazer - se científicos, educativos ou culturais -, é necessário, como se diz comumente no serviço público, abrir um procedimento, que consiste em identificar o interessado, saber das suas intenções, dos seus motivos, avaliar os interesses que ele tem e, por fim, autorizar o uso gratuito, desde que contemplados os requisitos presentes no decreto.
Vocês entenderam?
O resumo da ópera é o seguinte: as leis existem para ser cumpridas; cumpramos as leis; mas convém que as cumpramos por inteiro, na íntegra, sem atropelos, sem incongruências que decorrem da falta de estrutura, de meios adequados e compatíveis com o alcance de cada uma.
Se eu, você ou qualquer pessoa chegarmos ao Utinga com uma máquina fotográfica em mãos e dissermos que vamos tirar fotos com preponderante finalidade científica, educativa ou cultural, poderemos entrar no parque?
Chego ao Utinga com minha lambe-lambe da década de 1910 e digo assim aos guardas que estão naquela guarita: "Meu amigo, com base no parágrafo único do Decreto da Presidência da República nº 4.340/2002, segundo o qual o uso de imagem nesta unidade de conservação será gratuita, eis que a finalidade é preponderantemente cultural, gostaria que você me deixa entrar aí no parque para fazer fotos com esta minha máquina fotográfica" - seu eu disser isso, portanto, meu ingresso será franqueado?
Falem sério. Falemos sério. Mas não será. Não será de jeito nenhum.
De outra forma, se eu chegar ao Utinga com o meu celular, ninguém vai dar a menor bola. E com ele poderei fazer uma miríade de fotos e distribuí-las para onde eu quiser, como quiser, para quem eu quiser.
Vocês perceberam a incongruência?
Perceberam como as leis, muitíssimas vezes, são inócuas e não passam de potocas, no dizer de Magalhães Barata?
Pois é.
Por isso é que continuará sobrando para os guardas do Utinga, que são obrigados a guardar o parque, e não ficar explicando o inexplicável, como são regramentos legais de difícil ou quase nenhuma execução prática.

Je ne suis pas Charlie

Por ISMAEL MORAES, advogado

O que os terroristas fizeram no atentado da revista Charlie Hebdo é inominavelmente abominável. Não é possível dizer mais nada que o mundo inteiro já não o faça melhor. Mas...
Ao procurar ver os cartuns publicados pela revista, não tenho como ostentar a bandeira “Je suis Charlie”, ainda que ela esteja significando uma manifestação que vai além do que foram os artistas e humoristas assassinados. Aliás, devo não fazê-lo justamente porque por ela o topo da pirâmide ocidental expressa a superioridade dos valores da civilização sobre a barbárie.
Não posso me identificar, nem de modo fugaz, sem me sentir idiota e irresponsável, com uma revista que publica charges do profeta Maomé, que é para os muçulmanos o mesmo que Jesus representa para os cristãos, repetidas vezes caricaturado com a intenção de escandalizar os islâmicos, sempre nu, com as nádegas ou o ânus expostos, ora como ator de filme pornô, ora segurando o Corão, o livro sagrado do Islã, que é chamado de merde (merda). Há uma charge em que o Deus dos cristãos está sendo penetrado por Cristo que, por sua vez, está com um símbolo enfiado nas nádegas que representa o Espírito Santo.
O que esse humor (?) seja na ofensa a Maomé e ao islamismo seja na figura da orgia incestuosa que desrespeita a Santíssima Trindade dos cristãos pode ser construtiva para esta mesma civilização que agora se faz representar pelo bordão “Je suis Charlie”?
Os cartunistas da revista Charlie Hebdo são (e aqueles foram) desonestos em se valer dos fundamentos da democracia para coonestar os valores da civilização por meio do humorismo figurativo em nada edificante para a união das pessoas e a paz mundial, cada vez mais cara ao mundo globalizado. As pessoas que os adotam como heróis e como símbolos da civilização são ingênuos ou precisam aderir à corrente midiática que vai passando.
Aristóteles foi o primeiro que colocou o riso como um instrumento poderoso da verdade, daí Umberto Eco tê-lo utilizado como mote filosófico no extraordinário romance “O Nome da Rosa”. Mas, respeitando o gosto de cada qual, não consigo rir e nem ver algo aproveitável nos desenhos que causaram a ira dos assassinos.
O verdadeiro humor usa a sutileza, e não a depravação. Por isso, acredito que possamos adotar símbolos mais dignos da decência que inspira a nossa revolta do que a obra daquelas vítimas da revista Charlie Hebdo, porque a arte dessa revista nada mais é que agressão pura e simples, grosseira, sem sofisticação, que usa a ofensa direta e procura chocar por uma iconoclastia primária.
Je ne suis pas Charlie!

Os presentes que Belém merece

Olhem só.
Francisco Sidou já assinou esta mesma crônica em tempos d'antanho, também para marcar o transcurso do aniversário de Belém (leiam aqui e aqui).
E pede que para se publique mais uma vez, porque os cenários de ontem são iguais os de hoje.
Leiam abaixo.

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Nas comemorações oficiais pelos 399 anos de fundação de Belém, a prefeitura programou alguns shows e fogos, distribuiu algumas medalhas de Honra ao Mérito, mas a população da cidade mesmo tem muito pouco a festejar.
Apesar do descaso e dos maus tratos dos últimos governos municipais, de péssima memória e nenhuma saudade, Belém continua brejeira na sua morenice e imbatível na variedade de seus sabores,cheiros e cores. A melhor maneira de comemorar esse aniversário seria com um belo banho de cheiro nas feiras e praças da cidade para lavar a "alma" da cidade e também afastar tudo aquilo que agride a beleza natural de Belém. Os códigos não observados, as posturas inadequadas e as imposturas persistentes.
Que tal também presentear a cidade com um livro contando sua história, através dos relatos de seus cronistas maiores, desde os mais antigos, que descreveram a gostosa Belém de outrora, aos mais modernos, que se reportam ao viver contemporâneo? Uma coletânea com o melhor do que relataram sobre Belém (em prosa, verso ou música) apaixonados namorados da cidade, como, dentre outros, De Campos Ribeiro, Augusto Meira Filho, Nilo Franco, Edgard e Edyr Proença, Adalcinda Camarão, Ernesto Cruz, Edwaldo Martins, Carlos Rocque, grandes figuras humanas dotadas de sensibilidade e talento, que, infelizmente, já se foram, deixando mais pobre e vazia de poesia e arte a paisagem humana/urbana de Belém. Que tal reeditar o livro "Crônicas da Cidade", editado pela Imprensa Oficial, salvo engano, na década de 70, com saborosas crônicas publicadas pela "Província do Pará", de autoria do cronista maior da cidade, jornalista Nilo Franco ?
Outro presente para a cidade seria a criação de um Conselho Municipal de Cultura, composto de cidadãos belenenses que se destacam no mundo das artes e da cultura, tendo como principal requisito uma declaração sincera de amor à Belém. A esse conselho caberia zelar pela memória da cidade, oferecendo sugestões ao prefeito, sem cobrar cachê nem DAS. Nem ameaçar o emprego dos vereadores e de seus dedicados assessores...
E o trânsito caótico/neurótico, que continua fazendo vítimas, diariamente, além de se transformar numa das faces mais cruéis do caos urbano, com seus congestionamentos irritantes e colossais?
As artérias de uma cidade são como as veias no corpo humano: quando entopem, o organismo todo entra em colapso e morre. Belém está parando, a cada ano um pouco mais, como aliás previram os técnicos japoneses da JICA, na década de 80, caso nada fosse feito até 2010,em termos de planejamento e obras viárias já então consideradas inadiáveis...
Decorridos mais de 25 anos de omissões desde a apresentação do PDTU dos japoneses da JICA , o ex-prefeito Duciomar , bem a seu estilo de pequeno títere, resolveu implementar "na marra" o projeto do BRT como solução mágica para todos os males do congestionado trânsito e pesado tráfego da cidade travada. Obra iniciada atabalhoadamente , sem planejamento adequado (não por falta de tempo, diga-se) e atropelando dispositivos legais na sua licitação, o BRT em Belém virou sinônimo de bagunça, malversação e desperdício do dinheiro público. Única via de entrada e saída da cidade, a Av. Almirante Barroso jamais poderia sofrer qualquer intervenção viária antes de serem construídos os elevados do Entroncamento.
O prefeito Zenaldo Coutinho recebeu essa verdadeira "herança grega" e teve o mérito de dar um "pit stop" no Projeto e submetê-lo a uma reavaliação técnica para que fosse continuado, priorizando a construção dos elevados do Complexo Viário do Entroncamento, como recomendavam não só os técnicos mas também o bom senso de toda a população de Belém, que sofre horrores diariamente no corredor BR-316/Almirante Barroso. Quanto aos prejuízos ao erário municipal, o Ministério Público e a Justiça devem cuidar com o zelo que o assunto merece. Aliás, já vem cuidando como se evidencia da sentença da íntegra juíza Hind Kayath, que condenou o ex-prefeito e uma de suas fiéis assessoras a devolverem cerca de R$-80 milhões aos cofres públicos. É essa, aliás, a maior punição que se pode dar a um mau gestor público. Melhor do que a cadeia, certamente.
Com as obras de prolongamento da Av. João Paulo II, da Av. Independência e de duplicação da Av. Perimetral, além da extensão do BRT até Marituba, realizadas pelo Governo do Estado, a cidade ganhará certamente um belo presente para seus 400 anos, destravando aquele infernal gargalo do Entroncamento, além de possibilitar maior mobilidade urbana e qualidade de vida em todos os municípios que integram a Região Metropolitana de Belém.
Priorizar o transporte público deveria ser a principal meta do planejamento de tráfego, a cargo da Semob, abrindo a concessão de novas linhas com ônibus especiais,com ar condicionado, higiene (lixeiras) e conforto,mesmo com tarifa diferenciada,como já existem em outras capitais brasileiras,como a maneira mais inteligente e eficaz de estimular a retirada dos veículos particulares das vias entupidas de carros e de estresse.
Outro presente para Belém seria o resgate da cidadania e o direito de ir e vir de sua população ameaçada pela violência urbana.
Há no ar, nas ruas, nos lares e nos bares, uma sensação de impotência e desamparo dos cidadãos belenenses em relação à violência e barbárie que tem tomado de assalto as ruas da cidade.
A sociedade belenense está ficando refém da insegurança e do medo. Ninguém mais tem certeza de que voltará vivo para sua casa, após um dia de trabalho. Pais e mães temem pela segurança de seus filhos que precisam ir à escola, ao trabalho ou a um simples lazer.
Os governantes precisam assegurar proteção ao cidadão , uma de suas obrigações e deveres com a sociedade, nos termos do artigo 144 da Constituição Federal, que inclui a "segurança como dever do Estado e direito do cidadão."
Belém também precisa da recuperação e do nivelamento de suas calçadas para que seus habitantes possam ter maior comodidade e segurança. Em bairros como Canudos, cada casa tem uma calçada diferente, obrigando os transeuntes a andar no meio fio, disputando perigosamente espaço com os veículos. E, por favor, senhor prefeito, as "pedras portuguesas" são inadequadas para nosso clima, deslocam-se e ainda provocam quedas desastradas e perigosas. Que tal colocar os engenheiros da PMB para pesquisarem novos materiais resistentes ao nosso clima e mais adequados para o revestimento das calçadas da cidade ? "A fadiga dos materiais " das pedras portuguesas é óbvia e ululante, como dizia o grande Nelson Rodrigues.
Belém também clama por mais arborização diante da insana "saga" predatória da corrida para o alto de torres cada vez mais tórridas, que se erguem deixando rastros de destruição das poucas áreas verdes que ainda restam na cidade. Não por acaso, o último quintal de Belém, na Almirante Barroso (Palacete Faciola) - cujo rèquien anotei em crônica neste Blog - abriga hoje, além de três torres, uma casa para doentes mentais...Ali também deveriam ter sido internados os autores daquele verdadeiro crime contra a cidade...
Enquanto o BRT não vem, a população de Belém também clama por um transporte coletivo mais limpo e decente. Uma pergunta que não quer calar: por que os donos de ônibus não colocam em algumas linhas coletivos com ar-condicionado ? Na maioria das capitais brasileiras eles existem e representam uma opção para os motoristas deixarem seus carros na garagem, assim contribuindo efetivamente para desafogar o pesado tráfego nas metrópoles. Por que a ex-Ctbel, ex-Amub, atual Semob não estimula essa alternativa ? Por que não mudar os paradigmas de uma política de transporte urbano defasada e corporativa ?
Belém também clama por novas janelas para o Rio. A cidade precisa respirar melhor diante das muralhas de concreto, aço e vidro que se erguem imponentes, mas destruindo as "pontes" da cidade com a natureza exuberante que a cerca.
Belém precisa sobretudo dos afagos de seus filhos, rogando que não joguem lixo nas ruas e canais; que não urinem nos muros e nos postes; que não tirem as mangas ainda verdes para deixar que elas possam cair de maduras. Só quem já saboreou uma manga tomando banho de chuva numa tarde de Belém pode entender o sentido poético dessa relação de amor com a cidade morena, brejeira e faceira. Belém merece o melhor. Não só de seus governantes, mas, também ,de seu povo cordial e hospitaleiro.

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FRANCISCO SIDOU é jornalista
chicosidou@hotmail.com

Comunicação rápida, mas...

Por ANA DINIZ, jornalista, em seu blog Na rede:

Como muita gente interessada, venho acompanhando de perto o desenvolvimento do zap, e, a partir dele, das chamadas redes sociais, geralmente saudadas como um grande instrumento renovador da comunicação. Para mim, no entanto, é só um novo tipo de comunicação, com suas vantagens e desvantagens. Está criando uma nova linguagem, quase criptográfica, em que os símbolos e abreviaturas substituem boa parte das palavras. Não conseguiu ainda vencer a divergência dos alfabetos, mas está caminhando para isso. É muito rápida, mas...

... as pessoas em breve descobrirão o que todo profissional de letras sabe: quem escreve como fala está sujeito a um bom número de incompreensões. Isto porque a palavra oral é acompanhada de vários outros sinais corporais que reforçam e explicam os conteúdos. Uma sobrancelha levantada que acompanhe uma frase dá o tom da ironia, da mesma forma que um sorriso abranda um dito mordaz. No visor eletrônico a intenção se perde: então é preciso mais cuidado com o que se escreve do que com o que se diz.

... não há diálogo entre mensagens. Cada uma é unilateral: você diz o que quer e lê se quiser. Ou interpreta como quiser o que recebe: toda leitura é assim. Uma boa intenção mal redigida ou inoportuna pode ser tomada como um insulto grave. E o insulto escrito sempre fica. É diferente da oralidade, em que a pessoa pode se explicar ao perceber a reação do outro: na mensagem, o outro está distante demais para explicações.

... o poder gerado pela velocidade e aglutinação das conexões é ilusório: parece grande, mas é pequeno. Dizer, mandar mensagens, é fácil: difícil é convencer. O convencimento só ocorre pelo diálogo, impossível no zap. Ao reunir pessoas na rua para uma manifestação, a pessoa que organizou vai descobrir que elas vão lá por motivos próprios, muitas vezes bem diferentes na ideia original, apenas para, digamos assim, aproveitar a oportunidade da multidão. Isto porque o zap é apenas uma conexão rápida de indivíduos, não é um partido nem um movimento político.

... a informação é sempre superficial, limitada pelo próprio meio usado. A mensagem só permite poucas palavras: então nada complexo pode ser tratado nela. Não há discurso, há frases curtas, exclamações e só.

... o zap nas redes sociais funciona em ondas ou em marés: uma informação circula em alta velocidade e se quebra na praia. O efeito desta onda é passageiro e, ao terminar, deixa uma impressão – não uma mudança. Marés sucessivas podem alterar alguma coisa no litoral depois de algum tempo. Mas não mudam o litoral todo, senão depois de séculos agindo da mesma maneira.

... o zap se presta maravilhosamente para a intriga e para o boato. Intriga e boato têm uma característica: são mais fáceis de fazer do que de desfazer. No zap isto é mais difícil porque a impressão deixada pela onda não é fácil de ser identificada.

... a intimidade na rede é falsa e, consequentemente, a possível confiança entre integrantes também é. Isto porque a intimidade pressupõe troca de contatos sensoriais: visão, audição, cheiro e, às vezes, tato e gosto. Sem isso não se conhece de fato uma pessoa: pode-se conhecer apenas o que ela diz. Muita gente está descobrindo isto da pior forma.

... a comunicação é fragmentada, porque o meio usado também é. Assim, a rede é ótima para fixar posições, dar rápidas informações ou respostas. É péssima para explicar essas mesmas posições. Em última análise, a rede é limitada ao sim/não. O que é apenas o primeiro estágio da comunicação, porque não há discurso nem raciocínio cabíveis nela. Quem ousar fazer isso estará perdendo tempo e ganhando fama de chato.

O que ele disse


"Levei uma bolsada de Louis Vuitton na cabeça"
Juca Ferreira, ministro da Cultura, sobre as bolsadas de sua antecessora, a quase ex-petista Marta Suplicy.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Olhares pelas lentes

Pela liberdade.
Pela tolerância.
Pela diversidade.








Nassif deve indenizar Ali Kamel em R$ 50 mil por ofensas

Por extrapolar o direito de informação para atacar a imagem do diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, o jornalista Luís Nassif foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais. Para a juíza Larissa Pinheiro Schueler, da 26ª Vara Cível do Rio de Janeiro, os textos publicados por Nassif  fazem "críticas que ultrapassam a simples emissão de juízo de valor sobre a atividade do autor, posto que visam atingir a imagem e credibilidade deste".
Na ação, Ali Kamel alega ter sido difamado repetidas vezes em publicações feitas por Nassif na internet. De acordo com Kamel, os textos têm como objetivo acabar com sua credibilidade profissional e sua honra pessoal. Em sua defesa, Nassif afirma que não teve a intenção de ofender e que apenas exerceu sua liberdade de expressão e de manifestação de pensamento.
Apesar dos argumentos da defesa de Nassif (foto), a juíza entendeu que o jornalista teve a intenção de ofender o diretor da Globo. Em sua decisão, ela explicou que em casos como este a apuração de ilicitude se faz pela constatação do exercício abusivo do direito de informar, que decorre de extrapolar o animus narrandi e incorrer na  emissão de juízo de valor sobre caráter ou conduta de pessoa. 
No caso concreto, a juíza entendeu que as provas demonstram que Nassif extrapolou o direito de informar para utilizar termos que comprometem indevidamente a imagem de Ali Kamel. "O réu [Nassif], ao afirmar que 'onde o autor coloca a mão, vira lama'; que este 'gosta de ser paparicado e expor subordinados ao ridículo'; o chama de 'sub-intelectual da velha mídia'; claramente ataca os direitos da personalidade do autor, buscando denegrir sua imagem".
"Evidencia-se que o réu busca direcionar suas críticas ao autor e não às suas ideias, com as quais por ventura não concorde, difamando-o, caracterizando o ato ilícito gerador do dever de indenizar", complementou.
Larissa Schueler afirma ainda que o direito à liberdade de expressão não pode ser usado como pretexto para atos irresponsáveis, como a difamação, porque isso pode implicar mácula de difícil reparação à imagem de outras pessoas. "É importante ressaltar que as pessoas públicas e notórias não deixam, só por isso, de ter o resguardo de direitos da personalidade", diz trecho da sentença, condenando Nassif a pagar R$ 50 mil a Ali Kamel.
Os ataques de Nassif a Ali Kamel se inscrevem num contexto de investidas de jornalistas alinhados ao governo federal e ao PT contra empresas de comunicação que praticam jornalismo crítico em relação ao establishment — o que nunca foi tolerado por governo algum. Ainda menos pelos petistas.
Clique aqui para ler a sentença.

Charge - Amarildo


Charge para a Gazeta Online.

O Detran ainda com Mário Couto? Não apostem tanto assim.

Conversas, conversas e mais conversas.
Negociações, negociações e mais negociações.
Caminham a passos de cágado (se vocês considerarem a palavra sem o acento, também caberá a comparação) as, como diríamos, tratativas do governo Jatene para mudar a cúpula do respeitável Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Como vocês sabem, o Detran é feudo – dizem alguns de porteira fechada – do senador Mário Couto, que está amuado, para não dizer amuadíssimo o período pré-eleitoral do ano, quando rompeupublicamente com o governador e depois voltou atrás. Mas não voltou muito atrás, não. Foi só um pouco. No momento, está recluso.
E vocês também devem saber mais: que o Detran é o segundo maior órgão arrecadador do Estado. Só perde para a Sefa. Daí as cautelas redobradas quando se trata dessa joia da Coroa.
Os mais próximos a Jatene dão o Detran como favas contadas. Ou seja, apostam que o órgão continuaria sob a órbita de influência do senador, pavimentando o cacife político de sua filha, a deputada Cilene Couto, que sonha disputar a presidência da Assembleia Legislativa daqui a dois anos. Com o acalentado apoio, é claro, do Palácio dos Despachos.
Mas sempre há um outro lado, não é? Ou outros lados. Quase sempre há.
Outros lados ouvidos pelo Espaço Aberto se confessam incapazes de dizer se o Detran ainda continuará sob a órbita de Mário Couto. É que Jatene não teria gostado – não mesmo – de algumas coisas que viu por lá.
Pelo sim, pelo não. As tratativas são conduzidas com luvas de pelica.

Bembelelém. A Belém de Ivete Sangalo não é a nossa!



Hehehe.
Olhem só essa canja de Ivete Sangalo pra Belém.
Ivete mostra que é mesmo apaixonada pela cidade.
Ontem, no seu Instagram, ela fez uma homenagem à cidade, publicando a foto acima, que está circulando freneticamente aí pelas redes sociais.
Mas a Belém dos arquivos de Ivete não é a nossa Belém.
E nem a Belém que se sente orgulhosa de contar com as mais sinceras simpatias da cantora.
Infelizmente, não é.
A Belém dessa foto, parece, é aquela dos nossos sonhos, inclusive com essa janelona linda para o rio e mais uma coisa ali pelas margens da Guajará, que ninguém sabe ao certo o que é.
Ivete, os belenenses agradecem sua homenagem.
Mas esta não é a Belém real, não.
Essa parada lembra fato real que leitora aqui do Espaço Aberto testemunhou presencialmente, em carne e osso, em Macapá, há uns cinco anos.
O blog já contou. Mas não custa nada repetir.
Era o aniversário da capital amapaense.
Rolava um show por lá, puxado por Chico César.
Lá pelas tantas, ele lascou esta, mais ou menos assim:
- Pois é, gente. É um prazer muito grande meu participar do aniversário desta bela, hospitaleira cidade que fica no fim do mundo.
Hehehe.
Fim do mundo?
Que fim do mundo, rapeize?
Que fim do mundo?
Chico César - ah, coitado! - queria mesmo era dizer no meio do mundo, referência à linha do Equador, que passa por Macapá e divide os dois hemisférios.
O cantor só percebeu a gafe quando as vaias começaram a se avolumar, até ele pedir desculpas.
Mas não tem nada, não.
Ivete mora no coração dos paraenses pelo simples fato de registrar o aniversário de Belém.
Mesmo que tenha mostrado a Belém dos nossos sonhos.
Tintim!

O mundo precisa reduzir suas fraturas


Estamos no início de 2015 com uma incômoda quantidade de sinais de uma tempestade perfeita na economia mundial. Poucos países conseguirão algum êxito. Espera-se uma constrangedora e rara combinação de baixo crescimento, desemprego e inflação lá pela estratosfera. O mundo está abalado por tantos escândalos de corrupção. Não é um cenário bonito. Mas existe a possibilidade de superar esse desafio. Tomara ser possível que a queda no preço internacional do petróleo, impulsione uma recuperação dos Estados Unidos e da China, hoje, o bimotor do mundo.
A crise que tem abalado diversos países, pode ser também a oportunidade para as sociedades amadurecerem medidas para reduzir o peso morto das maquinas estatais que consomem o grosso de impostos, limita em muito os investimentos em produtividade e em ações sociais. Vivemos um período de instabilidade sem precedentes. Há enormes faixas de territórios dominados por agitação, principalmente algumas revoluções, muito rancor e perda do controle do Estado. A volatilidade decorre da coincidência de várias mudanças estruturais importantes no sistema internacional. O Ocidente não é mais dominante, os impérios acabaram.
Está havendo um despertar político global: uma tomada de consciência sobre as injustiças, desmandos, desigualdades e explorações. É até comovente ver esse despertar produzir ondas como a Primavera Árabe. Mas não significa que é um grande passo rumo à democracia. Em casos como na Europa Central, onde a democracia tinha raízes mais profundas, há um movimento contrário à democracia. Às vezes, essas revoltas aumentam o extremismo e o fanatismo, como o ataque a liberdade de expressão que acabou em tragédia, um ataque covarde que matou vários jornalistas acontecido a um jornal francês. Esse atentado na França ainda ver ter muito desdobramento. Um ataque bárbaro e injustificável, feito em nome do Islão. Vemos um mundo transtornado em que há um enorme tumulto, fragmentação e incerteza, em que não há uma única ameaça central, mas várias ameaças diversificadas.
O que diferencia o período atual dos períodos dramáticos como os anteriores à Primeira e a Segunda Guerra Mundial? Há, com certeza, muitas similaridades. Em 1914 e em 1939, as grandes potências tinham uma visão estreita do mundo. Seus líderes estavam preocupados com questões imediatas, acreditavam que poderiam resolvê-las com o uso da força. Nenhuma das potências atuais tem essa visão, nem mesmo a Rússia, que ladra, mas não morde. Os EUA perderam poder. A China com o seu jeitão, observa as turbulências geopolíticas a distância. Há, também, os Estados-nação do Oriente Médio, que têm alguma viabilidade geopolítica histórica: Turquia, Irã, Israel e Egito; as potências asiáticas de segundo escalão, como Japão e Índia. É exatamente essa profusão de protagonistas que garante alguma estabilidade residual. Há um despertar político global, sim.
Os EUA se equipara a ascensão da China em termos de economia. Em breve, isso ocorrerá no âmbito militar. A conduta dos russos também contribuiu para maiores incertezas. O fracasso da Europa em desenvolver uma política e um perfil militar coeso reduziu a capacidade americana de agir como um poder decisivo no mundo. A fragilidade americana fica evidente na incapacidade de dar estabilidade à política dinâmica, arrogante e imprevisível do Oriente Médio.
Os esforços americanos para produzir a paz entre Israel e Palestina fracassaram, e a política do Oriente Médio se tornou cada vez mais violenta. Os EUA ainda são preeminentes. Mas não são mais capazes de exercer poder hegemônico. A inepta liderança de George W. Bush contribuiu para esse desenvolvimento negativo. A invasão ao Iraque desmoralizou os EUA. A Rússia ainda pensa em Stalin e cada vez mais tenta controlar seus antigos satélites soviéticos. O expansionismo de Vladimir Putin é preocupante. Estamos num mundo fraturado como não se via há décadas.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ela disse


“Ou o PT muda ou acaba”
[...]
“Eles fizeram muitas críticas à política econômica e ao jeito da presidente. E o Lula não se fez de rogado, entrou nas críticas, disse que era isso mesmo. Naquele jeito do Lula, né? Quando o jantar acabou, todos estavam satisfeitíssimos com ele.”
[...]
"Ele [Lula] é um grande estadista, mas não quis enfrentar a Dilma. Pode ser da personalidade dele não ir para um enfrentamento direto, ou porque achou que geraria uma tal disputa em que os dois iriam perder."
[...]
"O Mercadante é inimigo, o Rui traiu o partido e o projeto do PT, e o partido se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o país, mesmo sabendo as limitações da Dilma. Já no primeiro dia, vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos do Lula. O Gilberto Carvalho é o mais óbvio."
[...]
"O Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato. Ele é candidatíssimo e está operando nessa direção desde a campanha, quando houve um complô dele com Rui e João Santana (marqueteiro de Dilma) para barrar Lula."

 "Cada vez que abro o jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar?"

"A decisão [de abandonar o partido] não está tomada ainda, mas passei um mês e meio, dois meses chorando, com uma tristeza profunda, uma decepção enorme, me sentindo uma idiota."
Marta Suplicy, senadora (PT-SP), abrindo o coração – e também a boca -, com críticas a Dilma, ao PT e a petistas, ao mesmo tempo em que sinaliza estar de malas prontas para debandar do partido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Belém do Pará (Manuel Bandeira)


Bembelelém
Viva Belém!

Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem

Bembelelém
Viva Belém!

Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de delinqüente:
O apedrejador de mangueiras.)

Bembelelém
Viva Belém!

Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré

Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de to-
[das as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.

Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de bribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de pluma-
[gem bonita.

Nortista gostosa
Eu te quero bem.

Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosas igrejas barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão boniti-
[nhos

Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Nunca mais

E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.

Belém, 1928

Bom dia, Belém - Jane Duboc (de Edyr Proença e Adalcinda Camarão)

Belém Nunca Mais

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O Ministério da Pesca: prêmio ou desafio para Helder?




Confiram aí:

Os recursos do Orçamento Geral de 2015 estão estimados em R$ 23,3 bilhões, dos quais R$ 11,8 bilhões serão provenientes de arrecadação própria, R$ 7,9 bilhões de receitas transferidas, R$ 700 milhões terão sua origem em operações de crédito, e o restante decorrerão de receitas intra-orçamentárias e da administração indireta. Deduzidos os recursos destinados ao FUNDEB - Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, a receita orçamentária líquida para 2015 está estimada em R$ 20,9 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões serão destinados aos outros Poderes de Estado, Ministério Público, órgãos constitucionais independentes e Defensoria Pública.

O texto que vocês leram acima é um pequeno, pequeníssimo trecho da mensagem do Governo do Estado encaminhando a lei do orçamento de 2015 para a Assembleia Legislativa.
O novo ministro da Pesca, Helder Barbalho, teria R$ 23,3 bilhões para administrar, caso tivesse vencido as eleições de outubro passado.
Não tendo vencido, deverá administrar neste ano um orçamento de pouco mais de R$ 254 milhões. Nada, nada, são 90 vezes menos. É como se o governador Helder Barbalho tivesse R$ 100,00 para tocar as finanças do Estado, enquanto o ministro Helder Barbalho dispusesse de apenas R$ 1,1 para tocar sua gestão.
E não se diga - não mesmo - que é um despropósito a comparação entre uma pasta ministerial e o orçamento de um Estado como o Pará.
Quer saber por quê?
Então clique aqui. Vocês vão ver o mapa das verbas na Esplanada dos Ministérios.
É um ótimo infográfico. Desses meio, como diríamos, interativos.
Procurem lá, por exemplo, um ministério como o da Defesa. Em termos orçamentários, equivale a mais ou menos três Parás.
Procurem depois um ministério como o da Educação. A mesma coisa.
Achem o orçamento do Ministério do Trabalho. Equivale a uns dois Parás.
E por aí vocês vão.
Vão até encontrar o Ministério do Esporte. Seu orçamento é de R$ 900 milhões.
O último é o da Pesca, não propriamente um prêmio, mas um desafio posto à mesa do ministro Helder Barbalho.

Essa governadora é de “arrupiar”


Suely Campos: essa governadora promete. E como promete!
Hehehe.
Essa governadora de Roraima, apostem vocês, vai arrupiar.
Tudo indica que vai.
Vai arrupiar com estilo e com afeto aos dinheiros públicos.
Normalmente, excelências dessa, digamos, estirpe só começam a aprontar, só começam a fazer das suas depois da posse, tipo assim um ou dois meses após assumirem seus cargos.
Suely Campos (PP), a governadora de Roraima, não.
Ela já entrou arrupiando.
Já começou chamando de seu – ou quase – o dinheiro público que vai gerir.
Na posse, já nomeou 19 parentes.
Dezenove: 1, 2, 3, 4....19. De uma só talagada.
No primeiro dia, já fez de seu governo, ora bolas, a extensão de sua própria família.
Essa excelência é a cara.
Sem brincadeira.

Terroristas nem sabiam o endereço do Charlie Hebdo


Que coisa mais impressionante, hein?
Os facínoras que promoveram a matança no Charlie Hebdo foram pintados num primeiro momento - com base nas condutas que adotaram, incluindo o manuseio de armas - como profissionais da maior catiguria, do maior quiltate.
Mas parece que não.
Ontem, o Le Monde foi o primeiro a publicar, passo a passo, como ocorreu o atentado, desde a chegada dos terroristas à sede do Charlie Hebdo até o momento em que saíram do prédio.
E, acreditem, os caras nem sabiam direito onde era a sede do Charlie Hebdo, que desde 2011 mantinha o endereço de sua sede sob sigilo, por questões de segurança.
Pois os terroristas, primeiramente, dirigiram-se ao número 6 da rua Nicolas Appert (acima, na imagem do Google Maps). Pensavam que era lá que funcionava o Charlie Hebdo.
Não era.
Aí então é que foram ao número 10, onde realmente funciona a redação.
Terroristas que saem a campo para praticar selvagerias, mas não têm absoluta certeza nem onde é que fica o alvo de hediondez planejada, podem ser considerados elementos altamente treinados?
Sabe-se lá.
O que importa – infelizmente convém constatar – é que, altamente ou baixamente treinados, eles mataram 12 pessoas. Doze!
E estarreceram o mundo.
Je Suis Charlie!

Governo quer cumprimento de parceria da Celpa em projetos sociais

Da Agência Pará
A recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) inicia suas atividades com a retomada de importantes projetos para o Estado. Entre eles, o que trata da retomada do cumprimento, por parte das Centrais Elétricas do Pará (Celpa), do Termo de Compromisso para Execução de Projetos de Energia Elétrica do Estado do Pará. O documento, assinado em 17 de julho de 1998, celebra a parceria entre a empresa e o governo, para que, em conjunto, possam manter um fluxo de investimentos destinado ao desenvolvimento socioeconômico do Pará, especificamente para implantação ou expansão do sistema elétrico em áreas de interesse social, previamente definidas pelo Executivo estadual.
Nesta quinta-feira (8) foi enviado à Celpa um documento no qual a Sedeme solicita, no prazo de 10 dias, que a concessionária de energia repasse informações sobre o valor acumulado durante o período que não deu andamento ao acordo, tornando o montante subutilizado. Este montante, segundo o Termo de Compromisso, [e renovado a cada ano, até 2028.
A Celpa foi privatizada em 1998, quando apenas 60% da população do Estado eram atendidos pelo serviço público de energia elétrica. Em função disso, o governo negociou, durante a privatização, a assinatura de um Termo de Compromisso - com duração de 30 anos e contrato de concessão vigente até 2028 - para execução de projetos de energia elétrica no Pará. O documento obriga a Celpa a utilizar 1,5% do seu faturamento anual líquido em obras de interesse social específico, definido pelo Governo do Pará.
“Na prática, esse valor poderia ser empregado na ligação de energia para uma comunidade, para uma indústria que se localize no interior do Estado e que irá gerar uma quantidade expressiva de empregos à população local, por exemplo”, explica Cláudio Conde, diretor de Energia da Sedeme. “O governo do Estado deseja apenas que seja retomado o cumprimento do Termo de Compromisso pela Celpa, o que trará os benefícios já acordados para a população”, ressaltou Adnan Demachki, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia.

O que ele disse

Em seu perfil no Twitter, o papa Francisco pede orações pelas vítimas do atentado em Paris.
Pede orações pela paz.
Je Suis Charlie.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

John Lennon - Imagine

Paris, 7 de janeiro de 2015

Por Pissardini, para a A Charge Online.

Duke, no Super Notícia (MG)


Por Sinfrônio, no Diário do Nordeste.

Por Amorim, no Amorim Cartoons.

Por Pelicano, para a A Charge Online.

Por Jorge Braga, em O Popular (GO).

Por Adilson, para A Charge Online.

Por Genildo, para A Charge Online.

Nas charges, a expressão dos sentimentos do mundo

Waldez e J.Bosco: nas charges, a expressão dos sentimentos do mundo diante do atentado em Paris
J.Bosco e Waldez trabalham um em frente a outro.
Literalmente.
J.Bosco e Waldez dividem muita coisa.
Dividem biscoitos (99% de Waldez), fofocas (quem não as compartilha?), histórias e ideias.
Dividem piadas. Muitas.
Mas não dividem seus talentos.
E ainda bem que não.
Cada um os conserva íntegros, inteiros. E monumentais.
Mas cada nos entrega - também por inteiro - seus talentos em trabalhos como os que vemos aí embaixo.
Nunca perguntei aos dois, mas tenho quase certeza de que, mesmo sentados cara a cara na redação, um não cola do outro. Um não sabe ao certo o que o outro publicará no jornal seguinte.
Podem ter colado na escola (rss), mas não nos cartuns, não nas charges.
As charges abaixo, de J.Bosco e Waldez, sobre as atrocidades contra o Charlie Hebdo, têm as cores, o traço e a expressão exatas dos sentimentos, das sensações que nos dominam.
O atentado espetou o coração do mundo.
O atentado enluta todo o mundo.
Paris, 7 de janeiro de 2015.
Je Suis Charlie!