Começam a pipocar as primeiras sentenças contra as empresas Real Engenharia e Real Class Construção e Incorporação, alvo de vários processos por danos morais em decorrência do desabamento, em janeiro de 2011, do edifício Real Class, na travessa 3 de Maio, entre Governador José Malcher e Gentil, no bairro de São Brás. Três pessoas morreram.
As primeiras sentenças prolatadas pelo juiz José Ronaldo Pereira Sales, da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Belém, beneficiam moradores do edifício Blumenau, vizinho ao prédio que desabou. Um casal de idosos, Laércio Benedito de Sousa e Terezinha de Jesus Matos de Sousa, vai receber o valor mais alto, R$ 24 mil, uma vez que ambos precisaram deixar o apartamento em que residem para viver num hotel. Há várias outras ações em tramitação no Poder Judiciário.
Uma falha no projeto estrutural foi a causa apontada no laudo técnico-científico do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves para o desabamento do edifício. O projeto, segundo detectaram o engenheiros, apresentou falha na concepção do sistema estrutural, ocasionando erro na escolha do modelo matemático aplicado. O modelo escolhido acabou por interferir no detalhamento e dimensionamento dos estribos, que são ferros horizontais que amarram os vergalhões verticais. O laudo do Renato Chaves tem conclusões diferentes do apresentado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que ressalta a influência do vento na queda do edifício.
Os peritos só puderam chegar a essa conclusão após analisar os pilares do edifício, em especial dois deles, responsáveis pela queda do prédio. O pilar é uma coluna que constitui o elemento vertical da estrutura de uma construção. Esses dois pilares foram localizados onde estava construído o fosso do elevador. O engenheiro ressaltou que tudo o que estava no projeto original apresentado pela empresa Real Engenharia foi utilizado na construção do edifício Real Class. "De modo geral, ela (a Real) executou que estava apresentado e obedeceu todos os critérios técnicos", afirmou Dourival Pinheiro, coordenador do estudo e um dos sete engenheiros que atuaram na perícia.
Na avaliação dos engenheiros, as normas não foram obedecidas e alguns cálculos estavam errados. "O principal foi a falha do sistema estrutural. O sistema não estava adequado para um prédio de 34 pavimentos. Qualquer sistema para funcionar, os elementos têm que estar integrados. Eles não estavam integrados. Não deveria ter 34 andares", enfatizou Pinheiro.
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terça-feira, 23 de julho de 2013
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O Real Class ruiu, mas a Real está de pé
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| O terreno no bairro do Umarizal, próximo à Doca, local de um novo empreendimento da Real Engenharia |
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| O edifício Antares, da Construtora Almirante, onde uma sacada despencou |
Três pessoas morreram.
Um vida que se perca numa situação dessas já representa uma tragédia, é verdade.
Mas poderiam ser mais.
Poderiam ser dezenas, se fosse um dia útil e os operários estivessem na obra, ou centenas, se o edifício, em vez de ruir como se fosse numa implosão, tivesse tombado para a frente, para trás ou para qualquer dos lados, situação em que atingiria residências próximas.
Duas pessoas foram indiciadas por homidício culposo: o dono da empresa, engenheiro Carlos Lima Paes, e o calculista, Raimundo Lobato.
E aí?
E aí que o Real Class ruiu, mas a empresa, Real Engenharia, está de pé.
Estão vendo esse terrenão aí, que são mostrados na foto do blog.
Fica na rua Domingos Marreiros, entre Almirante Wandenkolk e Dom Romualdo de Seixas, área nobre do Umarizal (aliás, todas as áreas do Umarizal hoje são nobres, não é?).
Pois nesse terrenão que aparece aí será construído um novo empreendimento da Real Class.
Não se sabe ainda o nome. E nem quando começarão as obras.
Mas está tudo pronto para que comecem.
Até agora, não há informações concretas se a empresa mudará de nome.
Bem próximo ao prédio que será construído fica um outro, o edifício Antares, erguido pela Construtora Almirante.
Nesse edifício, em julho do ano passado, a sacada do apartamento do sétimo andar despencou, derrubando pedaços de concreto sobre uma residência ao lado do prédio.
Durante a vistoria, foi identificada uma pequena fissura no reboco do sexto andar do prédio, mas que não chegou a provocar risco de desabamento.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Proposta polêmica para marcar 1 ano da queda do Real Class
No próximo domingo, 29, faz um ano do desabamento do edifício Real Class, na Três de Maio.
Alguns moradores do quarteirão estão ensaiando fazer um protesto.
Pretendem fechar a rua, no trecho entre as avenidas Governador José Malcher e Magalhães Barata para propor, entre outras coisas, que a prefeitura construa uma praça no local onde o edifício desabou e que até agora na passa de um terreno baldio.
A ideia da manifestação não está, como diríamos, caindo bem no goto - ou no gosto, como quiserem - da maioria dos moradores.
Por dois motivos.
Primeiro: acham que fechar a rua atrairá a antipatia da população, que já enfrenta ruas bloqueadas todos os dias, em Belém, por conta das manifestações de servidores públicos de trocentas catigurias.
Segundo: têm certeza de que a praça, se construída, não passará de mais um abrigo para desocupados, uma vez que a gestão Duciomar Costa, a mais inepta da história de Belém, não cuida das praças.
Aliás, não cuida de nada e de nada cuida.
E qual a proposta da maioria, então?
É não fazer proposta alguma.
É deixar tudo como está para ver como é que fica.
Essa, por sinal, é a divisa da gestão Duciomar.
Por isso é que Belém está como está.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
E a Porte, vistoriou ou não seus edifícios em Belém?
O defeitos estruturais apresentados na madrugada de sábado para domingo no edifício Wing, de 28 andares, no bairro do Umarizal, precisam ser contrapostos a uma informação da própria Porte Engenharia - a empresa construtora -, sobre os providências preventivas que adotou, logo depois do desamento do edifício Real Class, no final de janeiro.
O engenheiro calculista do Wind é Raimundo Lobato da Silva, o mesmo que calculou o Real Class e foi denunciado por homicídio qualificado. Ele também foi calculista de todos os prédios da Porte até então, conforme informou o Espaço Aberto.
O blog também informou que a Porte, no início de março, retirou da frente de seus edifícios em construção, em Belém, as placas que incluíam o nome de Raimundo Lobato da Silva entre os responsáveis pelas obras.
Em postagem do dia 16 de março, a Porte Engenharia, após questionamentos deste blog, informou via agência de publicidade que detém a conta da empresa que na segunda-feira seguinte ao desabamento do edifício Real Class deu início a uma vistoria em seus edifícios para verificar eventuais problemas, uma vez que o calculista de suas obras foi o engenheiro Raimundo Lobato.
A empresa garantiu ainda que não apenas que mandou fazer uma vistoria nos prédios da construtora, como constatou que nenhum deles apresentava qualquer deformidade capaz de denunciar algum problema decorrente de falhas no cálculo estrutural.
Diante das informações da Porte, leitores que já residem em edifícios da Porte negaram frontalmente que os prédios onde moram tenham sido submetido à vistoria da construtura. Um deles, Amauri Luz, servidor fedreal residente no edifício Constanza, contou o seguinte:
O engenheiro calculista do Wind é Raimundo Lobato da Silva, o mesmo que calculou o Real Class e foi denunciado por homicídio qualificado. Ele também foi calculista de todos os prédios da Porte até então, conforme informou o Espaço Aberto.
O blog também informou que a Porte, no início de março, retirou da frente de seus edifícios em construção, em Belém, as placas que incluíam o nome de Raimundo Lobato da Silva entre os responsáveis pelas obras.
Em postagem do dia 16 de março, a Porte Engenharia, após questionamentos deste blog, informou via agência de publicidade que detém a conta da empresa que na segunda-feira seguinte ao desabamento do edifício Real Class deu início a uma vistoria em seus edifícios para verificar eventuais problemas, uma vez que o calculista de suas obras foi o engenheiro Raimundo Lobato.
A empresa garantiu ainda que não apenas que mandou fazer uma vistoria nos prédios da construtora, como constatou que nenhum deles apresentava qualquer deformidade capaz de denunciar algum problema decorrente de falhas no cálculo estrutural.
Diante das informações da Porte, leitores que já residem em edifícios da Porte negaram frontalmente que os prédios onde moram tenham sido submetido à vistoria da construtura. Um deles, Amauri Luz, servidor fedreal residente no edifício Constanza, contou o seguinte:
Comprei um apartamento, onde resido com minha família, no edifício Constanza, construído pela Porte Engenharia. E, infelizmente, constato agora a falta de seriedade dessa construtora mais uma vez, quando diz que, após o sinistro do prédio da Real, fez vistorias nos prédios cujos cálculos foram feitos pelo engenheiro Raimundo Lobato.
Além dessa mentira irresponsável, fica patente que as obras da Porte são bonitas por fora e problemáticas por dentro. Pois aqui no Constanza, tanto quanto nos outros prédios, como deixam claro os comentários aqui postados, as porcarias são muitas.
E o pior de tudo isso é a negligência dessa construtora quando instada a sanar tais problemas: abusa da paciência da gente, como se nos desafiasse a buscar amparo na Justiça, certamente apostando na impunidade.
E agora?
A Porte fez mesmo a vistoria que disse ter feito?
Fez vistoria no Wing?
Se fez, nada constatou?
Se nada constatou, como explicar os problemas estruturais que se manifestam agora?
segunda-feira, 21 de março de 2011
Por que não um encontro técnico sobre o caso Real Class?
O desabamento do edifício Real Class (na foto), em 29 de janeiro passado, foi a segunda maior tragédia na construção civil do Pará.A primeira, sabemos todos, foi o desabamento do “Raimundo Farias”, em agosto de 1987. Morreram 39 pessoas. E os responsáveis – porque houve responsáveis, é evidente – até agora não se sabe quem são. E como não se sabe, estão impunes.
Já saiu um laudo. Foi produzido por sete professores da UFPA. Não é um laudo oficial, mas o apuro técnico com que foi elaborado e as qualidades dos engenheiros que fizeram o levantamento conferem a esse trabalho a mais alta e indiscutível credibilidade.
Os sete professores concluíram, sem quaisquer meias palavras, sem quaisquer tergiversações, que o Real Class desabou por erros de cálculo.
Quando sair o laudo oficial, resultado do levantamento que vem sendo feito por técnicos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, e quando for concluído o inquérito da Polícia Civil, que vai individualizar penalmente os responsáveis pela tragédia que matou três pessoas, toda a sociedade voltará a discutir esse assunto com mais intensidade ainda.
Por que, então, não aproveitar esse oportunidade para promover um encontro técnico, aberto ao público, patrocinado por sindicatos e outros órgãos - como Crea e UFPA -, visando esclarecer a população de Belém sobre as causas do desabamento do Real Class?
Quem fez essa proposta não é o blog. É um dos leitores dele, o engenheiro Sebastião Klautau, o Tito.
A proposta, de pronto, está encampada pelo blog.
Por que Tito apresenta essa sugestão?
Ele relata algumas recordações que a justificam.
Quando ocorreu o desabamento do Edifício Raimundo Farias, em agosto de 1987, Tito residia em São Paulo.
Longe de Belém, ele não pôde acompanhar com maior atenção o desenrolar das investigações sobre as causas da tragédia que matou 39 operários.
Em 1989, ele voltou a residir em Belém por seis meses, durante a primeira campanha de Lula para a presidência.
Naquela ocasião, Tito procurou seu amigo, o engenheiro César Bentes Gomes da Silva, com quem mantinha um escritório de cálculo estrutural no ano de 1974.
Os dois, Tito e César, conversaram bastante sobre o desabamento do Edifício Raimundo Farias.
Foi quando o engenheiro soube que havia um laudo técnico, considerado perfeito pelos calculistas que tiveram acesso a ele, elaborado pela COPPE-UFRJ (Coordenadoria dos Programas de Pós Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro) sobre as causas do desabamento.
Quando do segundo aniversário do desabamento do Raimundo Farias, em agosto de 1989, não tinha sido divulgado por nenhum órgão da Imprensa qualquer notícia sobre estudos realizados visando saber as causas que fizeram tal fato ocorrer.
Tito propôs, então, ao Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e ao Sindicato dos Engenheiros um debate aberto ao público, com a participação de representantes de todas as empresas privadas e órgãos governamentais que tivessem alguma ligação com o desabamento.
Os dois sindicatos concordaram em patrocinar o encontro e encarregaram o próprio Tito Klautau de organizá-lo.
O debate no auditório do Centur, em agosto de 1989.
A divulgação, das mais amplas, foi feita mediante dez outdoors espalhados por Belém e anúncios de página inteira (como matéria paga) em O LIBERAL, Diário do Pará e em A A Província do Pará, que então ainda era um dos mais jornais do Estado e da região.
Mas a cobertura da Imprensa, infelizmente, foi nenhuma e a repercussão do evento, portanto, absolutamente nula.
“Pelo menos, hoje, em 2011, temos a alternativa da informação via internet, para tentar fazer com que não se repita o que houve em 1987 e 1989, com relação à divulgação das causas dos desabamentos de prédios em Belém”, constata Tito Klautau.
Pois é considerando o envolvimento maior da sociedade nas discussões da tragédia com o Real Class que o encontro técnico está sendo proposto.
Tomara que as entidades mencionadas o encampem.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Moradores do Blumenau pedem indenizações
A direção da empresa Real Engenharia, responsável pela construção do edifício Real Class, que desabou no dia 29 de janeiro passado, na travessa Três de Maio, em São Brás, matando três pessoas, receberá ainda esta semana, o mais tardar no início da próxima, uma conta salgada. Ou melhor, uma proposta de conta. Trata-se de proposta dos moradores do edifício Blumenau (na foto, de O LIBERAL), situado bem próximo ao edifício que caiu. Eles já formalizaram um documento estipulando o valor das indenizações que pretendem receber a título de danos morais e materiais. Alegam que precisam receber uma reparação pecuniária porque o imóvel em que residem foi diretamente atingido por parte dos escombros do Real Class e sofreu desvalorizações no seu valor venal, depois da tragédia. Também cobram reparações por sequelas psicológicas que ainda perduram entre seus moradores.
O Blumenau tem 16 andares e 32 apartamentos - dois por andar, portanto. O Espaço Aberto não conseguiu checar o valor exato do pedido de indenização, mas obteve ontem informação das mais seguras de que cada uma das 32 famílias residentes vai cobrar não menos de R$ 100 mil de indenização - R$ 50 mil por danos materias e R$ 50 mil por danos morais.
Se cada uma cobrar o mínimo de R$ 100 mil, a Real Engenharia precisaria desembolsar R$ 3,2 milhões. Mas esse valor, vale repetir, é por baixo. Muito por baixo. A proposta chegará à direção da Real Engenharia pelas mãos do Ministério Público do Estado.
A expectativa entre os moradores do Blumenau é a de que, no máximo até quarta-feira da próxima semana, a empresa se manifestará sobre a proposta que fizeram. A empresa, certamente, fará uma contraproposta.
Aí, é aquela parada: quem aceitar um acordo extrajudicial, receberá logo o dinheiro, por meio de cheque nominal. Aos que não aceitarem, restará ingressar com ação judiciais.
Que serão julgadas sabe-se lá quando.
Porte retira placas que mencionavam nome de engenheiro
A Porte Engenharia retirou da frente de alguns de seus edifícios em construção, em Belém, as placas que incluíam o nome do engenheiro calculista Raimundo Lobato da Silva entre os responsáveis pelas obras.
Conforme o Espaço Aberto informou na última terça-feria, Lobato foi o responsável pelos cálculos de todos os empreendimentos da Porte Engenharia.
Na sexta-feira da semana passada, um laudo produzido por sete professores da UFPA identificou os erros de cálculo de Lobato como a causa que fez desmoronar o edifício Real Class, em São Brás. O engenheiro admite que errou ao não prever a ação dos ventos, mas também diz que havia problemas na fundação do edifício.
Um dos prédios que teve as placas retiradas é o Nîmes, que fica na rua Domingos Marreiros, entre Generalíssimo Deodoro e 14 de Março, uma das áreas nobres do bairro do Umarizal.
Dois engenheiros ouvidos pelo blog informaram que a presença de placas nominando os responsáveis por obras civis são obrigatórias. O que se acredita é que as empresas que tiveram Lobato como calculista de suas obras estejam refazendo as placas, que já trarão, provavelmente, o nome de um novo engenheiro calculista responsável.
Conforme o Espaço Aberto informou na última terça-feria, Lobato foi o responsável pelos cálculos de todos os empreendimentos da Porte Engenharia.
Na sexta-feira da semana passada, um laudo produzido por sete professores da UFPA identificou os erros de cálculo de Lobato como a causa que fez desmoronar o edifício Real Class, em São Brás. O engenheiro admite que errou ao não prever a ação dos ventos, mas também diz que havia problemas na fundação do edifício.
Um dos prédios que teve as placas retiradas é o Nîmes, que fica na rua Domingos Marreiros, entre Generalíssimo Deodoro e 14 de Março, uma das áreas nobres do bairro do Umarizal.
Dois engenheiros ouvidos pelo blog informaram que a presença de placas nominando os responsáveis por obras civis são obrigatórias. O que se acredita é que as empresas que tiveram Lobato como calculista de suas obras estejam refazendo as placas, que já trarão, provavelmente, o nome de um novo engenheiro calculista responsável.
Donos de apartamentos desmentem a Porte Engenharia
Moradores residentes em prédios construídos pela Porte Engenharia e calculados pelo engenheiro Raimundo Lobato da Silva, desmentem a informação da empresa, de que teria mandado vistoriar os prédios logo depois do desabamento do Real Class. Vejam os comentários de três deles:
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Do leitor Amauri Luz, servidor federal:
Comprei um apartamento, onde resido com minha família, no edifício Constanza (na foto), construído pela Porte Engenharia. E, infelizmente, constato agora a falta de seriedade dessa construtora mais uma vez, quando diz que, após o sinistro do prédio da Real, fez vistorias nos prédios cujos cálculos foram feitos pelo engenheiro Raimundo Lobato.
Além dessa mentira irresponsável, fica patente que as obras da Porte são bonitas por fora e problemáticas por dentro. Pois aqui no Constanza, tanto quanto nos outros prédios, como deixam claro os comentários aqui postados, as porcarias são muitas.
E o pior de tudo isso é a negligência dessa construtora quando instada a sanar tais problemas: abusa da paciência da gente, como se nos desafiasse a buscar amparo na Justiça, certamente apostando na impunidade.
De um Anônimo
Sou morador do Edifício Constanza, feito pelo Porte Engenharia e afirmo que esta referida empresa não realizou nenhuma vistoria em nosso prédio. Isso é mentira deles. Por sinal, até hoje nosso condomínio encontra-se com pendências de reparos que eles deveriam ter feito antes da entrega. Inclusive, tivemos conhecimento de que vários condomínios de prédios entregues pela Porte Engenharia já entraram com ações judiciais contra ela por problemas de acabamento. Já estamos acionando a nossa síndica pra entrar em contato com eles sobre essa notícia e tomarmos as devidas providências. Fiquei surpreso ao saber que o nosso prédio foi calculado pelo mesmo engenheiro do edifício Real Class. Isso precisa ser divulgado e todos o condomínios de prédios construídos pela Porte Engenharia cobrarem dessa empresa uma vistoria técnica da cosntrução.
De outro Anônimo
Moro no Edificio Monte Vareze, localizado na Lomas Valentinas 1.354 e construído pela Porte. Afirmo ser mentirosa a afirmação de que vistoriaram seus predios. Só se eles não nos consideram mais. Temos sim uma ação ajuizada na Justiça cobrando da Porte várias alterações feitas no projeto após sua aprovação: o prédio foi entregue sem os muros (usa os muros dos vizinhos); não nos entregaram até hoje (sete anos) o gerador elétrico que constava da escritura; não há saída para água de chuva no último andar, proporcionando inundação da casa dos elevadores; o piso da garagem afundou com o peso dos carros. Estes são apenas alguns vícios deixados pela construtora.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Professores da UFPA não prospectaram fundação
O professor Manoel Diniz Peres, diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Pará (UFPA), disse ao Espaço Aberto que nem foi preciso prospectar e fazer exames mais acurados na fundação do Real Class, tão clamorosas eram as evidências, extraídas de análises feitas por especialistas, de que erros de cálculos cometidos pelo engenheiro Raimundo Lobato da Silva é que causaram o desmoronamento do edifício Real Class, em 29 de janeiro deste ano, matando três pessoas.
Doutor em Materiais, Peres foi um dos sete integrantes da equipe de professores da UFPA que, contratados por entidades como Crea, Sinduscon, Ademi e Clube de Engenharia, divulgaram um laudo atestando que o prédio ruiu por erros de cálculo estrutural.
Ele disse que os professores não sabem a quê atribuir o fato de o calculista ter errado – ou se enganado – em desprezar o fator vento, elemento essencial na edificação de estruturas do porte do Real Class, um espigão de 34 andares e quase 9 mil toneladas.
Nesta entrevista, Peres também rebate críticas sobre supostos conflitos éticos no fato de que os sete professores, funcionários públicos federais, contratados para a prestação de serviços particulares, terem usado equipamentos e instalações da própria UFPA para produzirem o laudo. Cliquem aí em cima para assistir à entrevista.
"Eu errei ao calcular pavimento por pavimento"
Quarenta e cinco após o desabamento do edifício Real Class, o engenheiro Raimundo Lobato da Silva, que fez o cáculo estrutural do edifício, confessa que realmente errou, confirmando conclusão de laudo divulgado na última sexta-feira pela Universidade Federal do Pará.
Em entrevista na manhã de ontem ao Programa "Comando Geral", exibido de segunda a sexta-feira na Rádio Metropolitana FM 94,3 em Belém, Lobato disse clarmente que errou ao não considerar o vento e ao calcular o prédio "pavimento por pavimento", e nã como um todo.
Ressaltou ainda em 21 anos de profissão, atuando na área de cálculo estrutural, já assinou vários outros prédios, sem levar em consideração a força do vento. Mas até hoje, nehum desses prédios, já construídos e habitados, desabou.
Ouça o áudio, gentilmente remetido ao Espaço Aberto pelo radialista Carlos Baía.
Porte garante que mandou vistoriar seus edifícios
A Porte Engenharia garante que, na segunda-feira seguinte ao desabamento do edifício Real Class, em 29 de janeiro passado, deu início a uma vistoria em seus edifícios para verificar eventuais problemas, uma vez que o calculista de suas obras foi o engenheiro Raimundo Lobato da Silva, também responsável pelos cálculos estruturais do edifício que caiu.
Ontem de manhã, o Espaço Aberto informou que Lobato, além de ter calculado três prédios da Real - o Real Class, o Real One e mais um outro, situado próximo à Praça Brasil -, também foi o profissional contratado para fazer o mesmo serviço em muitos outros edifícios de Belém, inclusive todos os da Porte Engenharia.
Na mesma postagem, o blog informou que remetera à direção da Porte Engenharia, via agência de publicidade que detém a conta da empresa, um e-mail questionando quais as providências que a empresa a construtora, cautelarmente, depois do desabamento do prédio na travessa Três de Maio, em São Braz.
Na tarde de ontem, o publicitário Ivo Amaral transmitiu ao poster, por telefone, os esclarecimentos que recebeu do diretor da Porte, Ernane Guilhon, garantindo não apenas que mandou fazer uma vistoria nos prédios da construtora, como constatou que nenhum deles apresentava qualquer deformidade capaz de denunciar algum problema decorrente de falhas no cálculo estrutural.
Ontem de manhã, o Espaço Aberto informou que Lobato, além de ter calculado três prédios da Real - o Real Class, o Real One e mais um outro, situado próximo à Praça Brasil -, também foi o profissional contratado para fazer o mesmo serviço em muitos outros edifícios de Belém, inclusive todos os da Porte Engenharia.
Na mesma postagem, o blog informou que remetera à direção da Porte Engenharia, via agência de publicidade que detém a conta da empresa, um e-mail questionando quais as providências que a empresa a construtora, cautelarmente, depois do desabamento do prédio na travessa Três de Maio, em São Braz.
Na tarde de ontem, o publicitário Ivo Amaral transmitiu ao poster, por telefone, os esclarecimentos que recebeu do diretor da Porte, Ernane Guilhon, garantindo não apenas que mandou fazer uma vistoria nos prédios da construtora, como constatou que nenhum deles apresentava qualquer deformidade capaz de denunciar algum problema decorrente de falhas no cálculo estrutural.
terça-feira, 15 de março de 2011
Engenheiro calculista assinou obras da Porte Engenharia

O engenheiro Raimundo Lobato da Silva foi o profissional responsável pelos cálculos estruturais de edifícios erguidos em Belém pela Porte Engenharia, uma das empresas mais conceituadas do Estado, responsável pela construção de vários prédios destinados à faixa de renda classe A.Um dos edifícios é Nîmes, na rua Domingos Marreiros, entre Generalíssimo e 14 de Março, com ambientes como o da foto lá do alto, pinçada do próprio link de vendas da Porte Engenharia. Outro edifício da construtora que teve o engenheiro como calculista é o Belize, situado na Boaventura, também entre Generalíssimo e 14 de Março, e está quase pronto, como se vê na foto acima, igualmente pinçada do site da Porte Engenharia.
Conforme laudo produzido por sete professores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e divulgado na última sexta-feira, o desmoronamento do edifício Real Class, no dia 29 de janeiro passado, foi motivado por erros de cálculo.
Lobato foi o engenheiro calculista do prédio. Em declarações que tem prestado a partir da divulgação do trabalho dos professores da UFPA, ele desqualificou o trabalho dos professores da UFPA, por não considerá-lo oficial, e disse que o prédio Real Class chegou a apresentar problemas técnicos na fundação.
No final da tarde de ontem, o Espaço Aberto encaminhou à direção da Porte Engenharia, por intermédio da agência publicidade que cuida da conta da empresa, duas perguntas bássicas.
1. Quantos edifícios da Porte, exatamente, foram calculados pelo engenheiro Raimundo Lobato.
2. Se a Porte vai adotar alguma providência - como, por exemplo, a revisão de calculos dos prédios com construção em andamento -, depois dos resultados a que chegou o laudo da UFPA.
Até divulgar esta postagem, a Porte não respondeu às indagações.
Crea recomenda a construtoras que façam "recall"
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) convocou para uma reunião, no final da tarde de ontem, os representantes das construtoras de Belém.
Comparecerem quase todos.
No encontro, os dirigentes do Conselho externaram-se preocupados com a repercussão, perante a opinião pública, dos resultados do laudo produzido pela UFPA, o primeiro já divulgado, e que apontou erros de cálculos como a causa do desabamento do edifício Real Class, em 29 de janeiro passado, matando três pessoas.
A proposta feita pelo Crea aos representantes das empresas é a de que todas façam o que um dos participantes definiu ao blog como uma espécie de recall, recalculando estruturas, independentemente de terem sido feitas ou não pelo engenheiro Raimundo Lobato da Silva, o responsável pelos cálculos estruturais do Real Class.
Segundo o participante da reunião ouvido pelo blog, a receptividade dos representantes das empresas à proposta do Crea foi a melhor possível.
Não se sabe ainda se as construtoras darão publicidade a essa disposição conjunta manifestada durante a reunião.
Comparecerem quase todos.
No encontro, os dirigentes do Conselho externaram-se preocupados com a repercussão, perante a opinião pública, dos resultados do laudo produzido pela UFPA, o primeiro já divulgado, e que apontou erros de cálculos como a causa do desabamento do edifício Real Class, em 29 de janeiro passado, matando três pessoas.
A proposta feita pelo Crea aos representantes das empresas é a de que todas façam o que um dos participantes definiu ao blog como uma espécie de recall, recalculando estruturas, independentemente de terem sido feitas ou não pelo engenheiro Raimundo Lobato da Silva, o responsável pelos cálculos estruturais do Real Class.
Segundo o participante da reunião ouvido pelo blog, a receptividade dos representantes das empresas à proposta do Crea foi a melhor possível.
Não se sabe ainda se as construtoras darão publicidade a essa disposição conjunta manifestada durante a reunião.
Real cancela todos os projetos de prédios
A Real Engenharia decidiu cancelar todos os projetos de edifício que ainda seriam construídos e que tinham o engenheiro Raimundo Lobato da Silva como calculista. E está revisando os cálculos que esse profissional fez de todos os prédios em construção. Um deles está situado na Dom Pedro, próximo à Praça da Brasil.Lobato foi o calculista do Real Class, prédio construído pela Real Engenharia que desabou no dia 29 de janeiro passado, no bairro de São Brás, em Belém, matando três pessoas. O engenheiro, em entrevistas que vem concedido desde a última sexta-feira, sustenta que o edifício também apresentava problemas de fundação. E chamou atenção para o fato de que muitos outros prédios calculados por ele jamais apresentaram qualquer problema. Apontou como exemplo o Real One (na foto), situado na avenida Governador José Malcher, entre a avenida Almirante Wandenkolk e a Doca, também edificado pela Real Engenharia.
Um engenheiro ouvido pela Espaço Aberto, ontem à tarde, admitiu que o problema relatado pelo engenheiro Raimundo Lobato, de que teria havido problemas na fundação do Real Class, deveria estar registrado no diário de obra, onde são apontadas todas as ocorrências no curso de uma obra. Mas esses diários são guardados nas próprias obras, disse o engenheiro.
Conclui-se, com isso, que todos os registros devem virado pó em meio às toneladas de aço e ferro que vieram abaixo no dia em que edifício desabou.
segunda-feira, 14 de março de 2011
E se o laudo do CPC chegar a uma outra conclusão?
Engenheiro elétrico-eletrônico, bacharel em Direito, analista tributário da Receita e editor do Blog do Tales Queiroz, o leitor Tales Queiroz deixou um comentário sobre a postagem Outro laudo dirá que erros de cálculo derrubou edifício. Diz ele:
Se as conclusões do laudo do CPC forem diferentes do laudo produzido por professores especialistas, mestres e doutores em cálculo estrutural, resistência dos materiais etc., aí sim que a engenharia civil paraense estará perdida.
Sinceramente, não creio que depoimentos colhidos de testemunhas farão qualquer diferença nas conclusões. Segundo reportagem, foram realizadas simulações em computadores com base nos projetos e foram constatados os erros, além de ensaios de resistência do concreto e dos ferros utilizados na obra. E ao contrário do que pensam alguns, mesmo que o erro tenha sido do engenheiro calculista, a Real Engenharia também é responsável civil e penalmente pela tragédia.
Softwares sofisticados realizam hoje em dia todos os cálculos e simulação para um projeto de construção e os coeficientes de segurança num cálculo estrutural são em torno de 40%. Imagine-se então o tamanho da "barbeiragem" se o erro houver sido de cálculo.
Se as conclusões do laudo do CPC forem diferentes do laudo produzido por professores especialistas, mestres e doutores em cálculo estrutural, resistência dos materiais etc., aí sim que a engenharia civil paraense estará perdida.
Sinceramente, não creio que depoimentos colhidos de testemunhas farão qualquer diferença nas conclusões. Segundo reportagem, foram realizadas simulações em computadores com base nos projetos e foram constatados os erros, além de ensaios de resistência do concreto e dos ferros utilizados na obra. E ao contrário do que pensam alguns, mesmo que o erro tenha sido do engenheiro calculista, a Real Engenharia também é responsável civil e penalmente pela tragédia.
Softwares sofisticados realizam hoje em dia todos os cálculos e simulação para um projeto de construção e os coeficientes de segurança num cálculo estrutural são em torno de 40%. Imagine-se então o tamanho da "barbeiragem" se o erro houver sido de cálculo.
Outro laudo dirá que erros de cálculo derrubaram edifício
Nos próximos dias, provavelmente ainda nesta semana, um segundo laudo sobre o desmoronamento do edifício Real Class vai ficar pronto.Este foi encomendado pela própria empresa construtora do prédio, a Real Engenharia, e não deverá ser divulgado.
Servirá à própria empresa, para se respaldar nas ações judiciais que inevitavelmente vai enfrentar.
As conclusões, já é possível saber, são idêntidas àquelas apontadas no laudo produzido por sete professores da Universidade Federal do Pará (UFPA), divulgado na última sexta-feira: apontam para erros de cálculo da estrutura do edifício, que não foi sustentada pelos pilares e veio abaixo depois da ventania que ocorreu durante um temporal, naquele início de tarde de 29 de janeiro passado.
A expectativa, agora, é para o laudo oficial, resultado dos levantamentos periciais feitos por técnicos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.
O laudo do CPC tem uma diferença em relação ao da UFPA.
O que foi produzido pelos sete professores da Universidade, contratados por várias entidades - entre as quais o Crea -, não levou em conta qualquer relato verbal de pessoas de alguma forma envolvidas com a obra.
O laudo do CPC, no entanto, vai considerar o teor de depoimentos que estão sendo colhidos no âmbito de inquérito policial presidido pelo delegado Rogério Moraes, diretor da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe).
Aliás, peritos do Centro de Perícias Científicas têm participado de todas as oitivas que têm sido colhidas no âmbito do inquérito, que também é acompanhado por representantes do Ministério Público.
E se for erro de cálculo, a culpa será de quem? Da Real.
Vamos combinar uma coisa.
É preciso, urgentemente, que alguém diga a Sua Senhoria o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Pará, doutor José Viana, que ele precisa parar de dizer o que disse, redisse e tredisse no último final de semana.
O que disse o doutor?
Em declarações a jornais e emissoras de televisão, inclusive a TV Liberal, doutor Viana disse que a Real Engenharia estará isenta de culpa pela queda do edifício Real Class, caso outros laudos, como o divulgado na última sexta-feira, por uma equipe de professores da UFPA, também concluírem que o prédio desmoronou por erros de cálculo.
A tese construída, edificada, cimentada, concretada e estaqueada pelo doutor Viana é a de que a culpa, nesse caso, recairia sobre o engenheiro calculista, e não sobre a empresa que o contratou, porque foi ele, e não ela, que fez os cálculos supostamente errôneos.
Digam - quem puder dizer - ao doutor Viana para que não diga mais isso. Nunca mais.
O presidente do Crea, como se sabe, é engenheiro. Mas a entidade, presume-se, deve ter dotôres juristas entre seus assessores.
Pois são esses, os dotôres juristas que prestam serviços ao Crea, que precisam dar uma mãozinha ao doutor Viana.
Porque é o seguinte, doutor Viana: ainda que todos os laudos do mundo inteiro - o da UFPA, o do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, o do Afeganistão, o de Pasárgada, enfim, todos - confirmem e reconfirmem que o edíficio desabou por erro de cálculo, ainda assim, doutor Viana, a culpa será da Real Engenharia.
Sabe por que, doutor Viana, a culpa ainda assim será da empresa?
Porque foi ela, a Real Engenharia, quem contratou o engenheiro.
Foi a Real Engenharia que transferiu a um terceiro um serviço que ela mesma poderia fazer.
Foi a Real Engenharia, doutor Viana, que elegeu o calculista.
É por isso, doutor, que existe até uma expressão jurídica chamada culpa in eligendo.
Eligendo é expressão latina que, em português, significa escolha, eleição, seleção.
Pois é.
A Real Engenharia poderá incorrer nesse tipo de culpa por ter escolhido o engenheiro que supostamente teria errado o cálculo.
Então, o que pode acontecer?
Responsabiliza-se a Real Engenharia, que por sua vez pode entrar com uma ação regressiva contra o engenheiro.
Aí sim.
Mas a culpa primeira - caso se confirme a tese do erro do cáculo - será da Real Engenharia.
É preciso que digam isso ao doutor Viana.
Urgentemente.
É preciso, urgentemente, que alguém diga a Sua Senhoria o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Pará, doutor José Viana, que ele precisa parar de dizer o que disse, redisse e tredisse no último final de semana.
O que disse o doutor?
Em declarações a jornais e emissoras de televisão, inclusive a TV Liberal, doutor Viana disse que a Real Engenharia estará isenta de culpa pela queda do edifício Real Class, caso outros laudos, como o divulgado na última sexta-feira, por uma equipe de professores da UFPA, também concluírem que o prédio desmoronou por erros de cálculo.
A tese construída, edificada, cimentada, concretada e estaqueada pelo doutor Viana é a de que a culpa, nesse caso, recairia sobre o engenheiro calculista, e não sobre a empresa que o contratou, porque foi ele, e não ela, que fez os cálculos supostamente errôneos.
Digam - quem puder dizer - ao doutor Viana para que não diga mais isso. Nunca mais.
O presidente do Crea, como se sabe, é engenheiro. Mas a entidade, presume-se, deve ter dotôres juristas entre seus assessores.
Pois são esses, os dotôres juristas que prestam serviços ao Crea, que precisam dar uma mãozinha ao doutor Viana.
Porque é o seguinte, doutor Viana: ainda que todos os laudos do mundo inteiro - o da UFPA, o do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, o do Afeganistão, o de Pasárgada, enfim, todos - confirmem e reconfirmem que o edíficio desabou por erro de cálculo, ainda assim, doutor Viana, a culpa será da Real Engenharia.
Sabe por que, doutor Viana, a culpa ainda assim será da empresa?
Porque foi ela, a Real Engenharia, quem contratou o engenheiro.
Foi a Real Engenharia que transferiu a um terceiro um serviço que ela mesma poderia fazer.
Foi a Real Engenharia, doutor Viana, que elegeu o calculista.
É por isso, doutor, que existe até uma expressão jurídica chamada culpa in eligendo.
Eligendo é expressão latina que, em português, significa escolha, eleição, seleção.
Pois é.
A Real Engenharia poderá incorrer nesse tipo de culpa por ter escolhido o engenheiro que supostamente teria errado o cálculo.
Então, o que pode acontecer?
Responsabiliza-se a Real Engenharia, que por sua vez pode entrar com uma ação regressiva contra o engenheiro.
Aí sim.
Mas a culpa primeira - caso se confirme a tese do erro do cáculo - será da Real Engenharia.
É preciso que digam isso ao doutor Viana.
Urgentemente.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Três conclusões antecipadas. Três conclusões confirmadas.
A matéria abaixo foi publicada na primeira página do caderno Polícia, de O LIBERAL, na última segunda-feira (07).
A matéria antecipa três conclusões do laudo de professores da UFPA sobre o desmoronamento do edifício Real Class:
1. O edifício desabou por erros de cálculo.
2. Não houve problemas com os materiais.
3. Não houve problemas com a fundação do prédio, que está intacta.
No final da tarde desta sexta-feira, a equipe de professores da UFPA divulgou os resultados do laudo, em coletiva à Imprensa na sede do Crea. O laudo chegou a três conclusões.
1. O edifício desabou por erros de cálculo.
2. Não houve problemas com os materiais.
3. Não houve problemas com a fundação do prédio.
Abaixo, para você conferir, a matéria que O LIBERAL publicou na última segunda-feira:
---------------------------------------------
Comissão de sete professores da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Pará (UFPA) deve entregar até o final desta semana o laudo com as conclusões do desabamento, em 29 de janeiro passado, do Edifício Real Class, na Travessa 3 de Maio, em São Brás. Três pessoas morreram soterradas.
As conclusões do laudo são mantidas a sete chaves. Mas informações seguras, muito embora oficiosas, indicam que erros de cálculo foram a causa mais provável para aquela que se consumou como a segunda maior tragédia no setor de engenharia no Pará. A primeira foi o desabamento, em 1987, no bairro do Umarizal, do Edifício Raimundo Farias, que causou a morte de 39 pessoas.
A comissão de engenheiros da UFPA, formada por um mestre e seis doutores, concluiu o trabalho na semana passada e, no momento, submete o texto apenas a uma revisão gramatical. Mas as conclusões acerca das causas que fizeram ruir o edifício da Três de Maio, construído pela empresa Real Egenharia, já estão todas definidas.
A comissão afastou completamente a possibilidade de falhas de materiais - como concreto, reboco e a parte de ferragem, por exemplo - como a causa do desabamento. Também ficou constatado que não havia problemas de fundação.
Especificamente sobre a estrutura das fundações do edifício, um engenheiro disse ontem à tarde, à reportagem de O LIBERAL, que a maior evidência de que as fundações do edifício resistiram perfeitamente à carga representada pela estrutura do edifício - ou seja, os 34 andares que já estavam completamente concluídos - foi o fato de a laje construída sobre os pilares fincados no subsolo ter suportado inteiramente a queda do edifício.
LAJE
O engenheiro que conversou com a reportagem disse que esteve no terreno e viu que a laje não foi abalada. “Logo depois que se encerraram as buscas, toda a área (onde foi erguido o edifício) foi limpa. Seus entulhos foram retirados. E revelou-se que a laje estava lá, inteirinha”, contou o engenheiro.
Esse fato, segundo ele, é revelador até mesmo para um leigo que o edifício não desabou porque uma das estacas das fundações que estão debaixo da terra teria cedido ao peso. Ao contrário, a estrutura de 34 andares desabou, como se fosse numa implosão, mas mesmo assim foi suportada pela laje.
Em reforço à convicção de que os materiais utilizados na construção do edifício também não contribuíram, sequer remotamente, para o desabamento do prédio, o engenheiro garante que a comissão de professores da UFPA submeteu o concreto e a ferragem usada no edifício ao que tecnicamente é chamado de “corpo de prova.”
Nesse procedimento, pedaços de concreto e da ferragem que faziam parte da estrutura do edifício que desabou são submetidos a testes de laboratório. Nos exames, são mensuradas sobretudo a resistência e as dimensões dos materiais utilizados na obra. A conclusão do laudo é a de que tudo estava compatível com a concepção e a estrutura do “Real Class”.
A matéria antecipa três conclusões do laudo de professores da UFPA sobre o desmoronamento do edifício Real Class:
1. O edifício desabou por erros de cálculo.
2. Não houve problemas com os materiais.
3. Não houve problemas com a fundação do prédio, que está intacta.
No final da tarde desta sexta-feira, a equipe de professores da UFPA divulgou os resultados do laudo, em coletiva à Imprensa na sede do Crea. O laudo chegou a três conclusões.
1. O edifício desabou por erros de cálculo.
2. Não houve problemas com os materiais.
3. Não houve problemas com a fundação do prédio.
Abaixo, para você conferir, a matéria que O LIBERAL publicou na última segunda-feira:
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Comissão de sete professores da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Pará (UFPA) deve entregar até o final desta semana o laudo com as conclusões do desabamento, em 29 de janeiro passado, do Edifício Real Class, na Travessa 3 de Maio, em São Brás. Três pessoas morreram soterradas.
As conclusões do laudo são mantidas a sete chaves. Mas informações seguras, muito embora oficiosas, indicam que erros de cálculo foram a causa mais provável para aquela que se consumou como a segunda maior tragédia no setor de engenharia no Pará. A primeira foi o desabamento, em 1987, no bairro do Umarizal, do Edifício Raimundo Farias, que causou a morte de 39 pessoas.
A comissão de engenheiros da UFPA, formada por um mestre e seis doutores, concluiu o trabalho na semana passada e, no momento, submete o texto apenas a uma revisão gramatical. Mas as conclusões acerca das causas que fizeram ruir o edifício da Três de Maio, construído pela empresa Real Egenharia, já estão todas definidas.
A comissão afastou completamente a possibilidade de falhas de materiais - como concreto, reboco e a parte de ferragem, por exemplo - como a causa do desabamento. Também ficou constatado que não havia problemas de fundação.
Especificamente sobre a estrutura das fundações do edifício, um engenheiro disse ontem à tarde, à reportagem de O LIBERAL, que a maior evidência de que as fundações do edifício resistiram perfeitamente à carga representada pela estrutura do edifício - ou seja, os 34 andares que já estavam completamente concluídos - foi o fato de a laje construída sobre os pilares fincados no subsolo ter suportado inteiramente a queda do edifício.
LAJE
O engenheiro que conversou com a reportagem disse que esteve no terreno e viu que a laje não foi abalada. “Logo depois que se encerraram as buscas, toda a área (onde foi erguido o edifício) foi limpa. Seus entulhos foram retirados. E revelou-se que a laje estava lá, inteirinha”, contou o engenheiro.
Esse fato, segundo ele, é revelador até mesmo para um leigo que o edifício não desabou porque uma das estacas das fundações que estão debaixo da terra teria cedido ao peso. Ao contrário, a estrutura de 34 andares desabou, como se fosse numa implosão, mas mesmo assim foi suportada pela laje.
Em reforço à convicção de que os materiais utilizados na construção do edifício também não contribuíram, sequer remotamente, para o desabamento do prédio, o engenheiro garante que a comissão de professores da UFPA submeteu o concreto e a ferragem usada no edifício ao que tecnicamente é chamado de “corpo de prova.”
Nesse procedimento, pedaços de concreto e da ferragem que faziam parte da estrutura do edifício que desabou são submetidos a testes de laboratório. Nos exames, são mensuradas sobretudo a resistência e as dimensões dos materiais utilizados na obra. A conclusão do laudo é a de que tudo estava compatível com a concepção e a estrutura do “Real Class”.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Moradores de edifícios querem especialista de fora do Pará
Moradores dos edifícios Real Dream, Londrina e Blumenau – os três situados bem próximo ao Real Class, que desabou na Três de Maio – no final de janeiro passado, pretendem contratar um especialista de fora do Estado para fazer a perícia na estrutura dos prédios.
Inicialmente, o engenheiro Paulo Barroso, um dos mais renomados especialista em fundação, chegou a ser contactado por um grupo de moradores, mas recusou a proposta.
A alegação de Barroso foi a de que um perícia no Real Dream e no Londrina – construídos pela Real Engenharia, a mesma do Real Class – é completamente desnecessária, porque os prédios não sofreram o mais remoto abalo em decorrência do desabamento.
A opção, portanto, é buscar um nome de fora do Estado.
A Real Engenharia já garantiu que banca os custos da perícia independente, porque tem interesse em elucidar completamente as causas do acidente.
Mas até agora os moradores ainda não chegaram a uma definição sobre o nome a ser contratado.
Inicialmente, o engenheiro Paulo Barroso, um dos mais renomados especialista em fundação, chegou a ser contactado por um grupo de moradores, mas recusou a proposta.
A alegação de Barroso foi a de que um perícia no Real Dream e no Londrina – construídos pela Real Engenharia, a mesma do Real Class – é completamente desnecessária, porque os prédios não sofreram o mais remoto abalo em decorrência do desabamento.
A opção, portanto, é buscar um nome de fora do Estado.
A Real Engenharia já garantiu que banca os custos da perícia independente, porque tem interesse em elucidar completamente as causas do acidente.
Mas até agora os moradores ainda não chegaram a uma definição sobre o nome a ser contratado.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A Real vai segurar o imóvel. E todos vão esquecer.
Do leitor Yúdice Andrade, sobre a postagem Na área do Real Class, ou praça ou capela:
Meu amigo, sejamos sensatos: a Real não vai doar um terreno em área nobre, que lhe custou alguns milhões de reais (porque é na casa dos milhões que custam esses imóveis hoje em dia). Ainda mais considerando o tamanho do prejuízo que precisará indenizar.
Quanto a desapropriar o imóvel, não creio que a medida se justifique considerando apenas o interesse público. A indenização do imóvel desapropriado custaria aos cofres públicos muito mais do que a obra em si e uma praça não traria benefícios que justificassem tamanho investimento.
Se ainda fosse para construir um espaço para prestar algum serviço público, vá lá, mas nem assim temos justificativa no campo da economicidade, pois seria possível construir em outro local, por menor preço.
Peço que ninguém me demonize: não estou fazendo juízos de valor pessoais, apenas comentando sob uma ótica jurídica.
Meu palpite é que a Real vai segurar o imóvel um tempo, as pessoas vão esquecendo, como sempre esquecem e, no futuro, será erguido um edifício lá. Comercial. Prédio residencial não, porque as pessoas se recusarão a morar ali. Mas as salas comerciais surgirão, construídas pela própria Real ou por outra empresa. E assim será para que a Real dê viabilidade ao investimento feito na compra do imóvel.
Meu amigo, sejamos sensatos: a Real não vai doar um terreno em área nobre, que lhe custou alguns milhões de reais (porque é na casa dos milhões que custam esses imóveis hoje em dia). Ainda mais considerando o tamanho do prejuízo que precisará indenizar.
Quanto a desapropriar o imóvel, não creio que a medida se justifique considerando apenas o interesse público. A indenização do imóvel desapropriado custaria aos cofres públicos muito mais do que a obra em si e uma praça não traria benefícios que justificassem tamanho investimento.
Se ainda fosse para construir um espaço para prestar algum serviço público, vá lá, mas nem assim temos justificativa no campo da economicidade, pois seria possível construir em outro local, por menor preço.
Peço que ninguém me demonize: não estou fazendo juízos de valor pessoais, apenas comentando sob uma ótica jurídica.
Meu palpite é que a Real vai segurar o imóvel um tempo, as pessoas vão esquecendo, como sempre esquecem e, no futuro, será erguido um edifício lá. Comercial. Prédio residencial não, porque as pessoas se recusarão a morar ali. Mas as salas comerciais surgirão, construídas pela própria Real ou por outra empresa. E assim será para que a Real dê viabilidade ao investimento feito na compra do imóvel.
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