quarta-feira, 16 de julho de 2014

Charge - Frank


Charge para a Notícia.

Ação contra Paulo Rocha preocupa os petistas

Paulo Rocha: candidatura pode ser discutida até no Supremo Tribunal Federal
Advogados do PT no Pará estavam à espera de pedido como o formulado pelo Ministério Público, que ajuizou ações de impugnação contra 42 pedidos de registro de candidatura às eleições de outubro no Estado (leia postagem abaixo).
Entre os petistas que não integram o estafe jurídico do partido, a preocupação é grande. E não deixa de ser justificada.
Em janeiro, inclusive, o Espaço Aberto já havia adiantado, na postagem Paulo Rocha tem flanco exposto na disputa eleitoral, a fortíssima possibilidade de que a candidatura do petista viesse a ser discutida nos tribunais.
A percepção geral é de que, independentemente das teses que forem levantadas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o fato que deu ensejo ao ajuizamento da ação contra o pedido de registro de Paulo Rocha é polêmico o suficiente para terminar no Tribunal Superior Eleitoral ou, quem sabe, até mesmo no Supremo Tribunal Federal.
Isso porque é fato que Paulo Rocha renunciou, sim, ao mandato para escapar a um processo por quebra de decoro no caso do mensalão, situação claramente prevista como causa para a inelegibilidade, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.
Mas também é fato que, nas eleições subsequentes, Paulo Rocha se candidatou a deputado federal, cumpriu o mandato inteirinho e depois ainda teve sua candidatura a senador acolhida pela Justiça Eleitoral. Só não assumiu o mandato porque ficou em terceiro lugar na disputa.
A polêmica é a seguinte: como poderá ser considerado agora inelegível um candidato que já participou de duas eleições?
Sabe-se lá.
O TRE vai decidir.
Depois, com absoluta certeza, o TSE.

E por fim, quem sabe, o STF.

PRE impugna 42 pedidos de registro de candidatura no Pará

Duciomar Costa: acossado pela Lei da Ficha Limpa
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) ajuizou 42 ações de impugnação contra o registro de candidaturas no Pará, dos cerca de 980 pedidos de registro feitos ao Tribunal Regional Eleitoral. Das candidaturas contestadas, uma é para governador, duas para o Senado da República e duas para a Câmara Federal. As outras 37 candidaturas consideradas irregulares pelo Ministério Público Eleitoral são para o cargo de deputado estadual.
O Procurador Regional Eleitoral, Alan Mansur Silva, e a equipe da PRE encontraram problemas nas prestações de contas de 29 dos nomes apresentados pelos partidos políticos e coligações, entre candidatos que não apresentaram prestação de contas à Justiça Eleitoral e que tiveram contas reprovadas pelos Tribunais de Contas. No caso das prestações de contas eleitorais, se considera ausência de condição de elegibilidade, conforme prevista na Lei Complementar nº 64/90.
Outros casos de impugnação foram alterados ou mesmo passaram a ser previstos apenas depois da Lei Complementar nº 135/2010, a chamada Lei da Ficha Limpa, que adicionou novas causas de inelegibilidade e passou a vigorar em 2012. É o que ocorreu nas candidaturas contestadas por condenações por órgão colegiado ou transitadas em julgado – caso do candidato ao Senado Duciomar Gomes da Costa, e por renúncia ao mandato eletivo – casos do candidato ao Senado Paulo Rocha e do candidato à Assembleia Legislativa Luiz Sefer.
Os candidatos que tiveram suas candidaturas impugnadas têm 7 dias para contestar a impugnação. Após as ações de impugnação, cabe à Justiça Eleitoral julgar os pedidos e decidir pelo deferimento ou não dos registros. Ainda que não tenham sido questionados, outros políticos ainda poderão ter as candidaturas indeferidas, nos casos em que o candidato for inelegível ou não atender a qualquer das condições de elegibilidade. Os procuradores regionais eleitorais voltam a se manifestar quando os processos forem encaminhados pelos TREs com todos os dados sobre a candidatura.

Sisconta Eleitoral
Para chegar aos nomes dos impugnados, as Procuradorias eleitorais utilizaram o Sisconta Eleitoral, criado para receber e processar nacionalmente as informações de inelegibilidade fornecidas pela Justiça eleitoral, federal e estadual, tribunais de contas e casas legislativas. O sistema foi desenvolvido pela Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria Geral da República, a pedido do Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe).

Fonte: Ministério Público Eleitoral

"Candidato" rejeita a própria candidatura

Parece brincadeira, mas não é.
Anônimo, em comentário deixado na caixinha da postagem intitulada Candidatos farejam a seca de recursos, conta uma historinha curiosa.
É a historinha de candidato que nunca quis ser candidato, não autorizou sua candidatura mas, mesmo assim, foi registrado como candidato.
Trata-se de Sua Excelência o deputado Macarrão, esse aí da foto, extraída do site da Assembleia Legislativa.
Parece brincadeira, mas não é.
Leiam abaixo o comentário:

--------------------------------------

Prezado, durma-se com essa.
O deputado Paulo Jasper (Macarrão), do PMDB, teve seu pedido de registro de candidatura negado pelo TRE-PA. Até aí, nada de anormal em detrimento à legislação eleitoral!
Não obstante, o que é mais estranho está a seguir, conforme colagem do site do TRE: "À fl. 8, o suposto candidato apresentou petição, em que informa não pretender concorrer às eleições, tampouco autorizou a sua candidatura. Alega ainda que não se trata de pedido de desistência, pois, por motivo de foro íntimo, jamais desejou concorrer ao pleito. Requereu, portanto a retirada do seu nome do registro requerido e que seja nulo de pleno direito o pedido."
Como pode um deputado não ser nem consultado se quer ser candidato?
Será que forças ocultas têm obrigado pessoas a se lançarem candidatos?

Justiça Federal condena União, Anac, Infraero pelo caos aéreo de 2006

A 6.ª Vara Federal Cível de São Paulo condenou a União Federal, a Anac (Agência Nacional da Aviação Civil, a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária) e outras seis empresas de transporte aéreo ao pagamento de multa solidária de R$10 milhões pelos danos e transtornos causados aos clientes durante o chamado "caos aéreo" de 2006 - que resultou em uma série de cancelamentos e atrasos de voos na época. O valor será destinado a um fundo de reparação dos danos causados à sociedade e coletivamente sofridos.
As seis empresas envolvidas na ação são TAM, BRA, Ocean Air, Pantanal, Total e VGR.
De acordo com os autores da ação, desde 27 de outubro de 2006, os consumidores sofreram com a crise que se instalou no sistema de tráfego aéreo brasileiro tendo seu ápice em 2 de novembro de 2006, quando o tempo de espera para embarque chegou a mais de 15 horas, sem que houvesse sido oferecido aos passageiros informações ou auxílios razoáveis como água e alimentação, sendo necessário que muitos dormissem no chão ou em cadeiras.
A ação foi proposta com os pedidos de reconhecimento da prevalência do CDC (Código de Defesa do Consumidor) sobre o CBA (Código Brasileiro de Aeronáutica) e para que fossem determinadas a obrigatoriedade de fornecimento de informações com antecedência sobre atrasos e horário previsto de saída dos voos, tanto por telefone como nos painéis eletrônicos dos aeroportos, a prestação de assistência material a partir da primeira hora de atraso e reparação integral e efetiva dos danos materiais e morais sofridos pelos consumidores, além de multa no caso de descumprimento no valor de R$1 mil por passageiro.
Para o juiz federal João Batista Gonçalves, titular da 6.ª Vara Federal Cível de São Paulo, foi provada a má organização, administração, gerenciamento, fiscalização e prestação de serviço de transporte aéreo. Diante desse quadro, ele entendeu que “se faz necessária a condenação, objetiva e solidária, de todos os réus, inclusive públicos ante os termos do art. 22 do CDC, pelos danos causados à coletividade, servindo a sua fixação também para desencorajar os réus a reincidir nos fatos indignos à pessoa humana, de todo evitáveis”.
Com relação ao pedido de assistência material e informativa o magistrado entendeu que, como a questão já foi objeto de regulamentação administrativa, não cabe nova determinação.
Por fim, João Batista determinou que toda a fiscalização, cartilha, norma ou ato emitido e praticado por qualquer um dos réus deve atender prevalentemente ao Código do Consumidor, no que se revelar mais favorável aos usuários.
Da decisão cabe recurso.
Tanto as empresas como a Infraero, a Anac e a União foram contatadas pela reportagem de ùltima Instância, mas não houve retorno.
Processo: 0028224-49.2006.403.6100 – acesse a íntegra da decisão.

Sobre deturpações e reparações adequadas

Por Sylvia Debossan Moretzsohn, no Observatório da Imprensa
As ações que o advogado João Tancredo move contra a editora Abril, contestando matérias difamatórias publicadas pela Veja em março deste ano, provocaram a previsível reação da revista, que em 3/7 protestou contra o que seria um cerceamento à liberdade de imprensa e mesmo um ato de censura prévia [veja aqui]. O fato repercutiu na semana passada, pelo menos em dois grandes jornais – Folha de S.Paulo e O Globo – e no Portal Imprensa.
O protesto diz respeito ao teor das liminares, que, além de determinarem a publicação de um texto como direito de resposta, mandam retirar imediatamente dos endereços eletrônicos as matérias ofensivas.
Entretanto, será esta a melhor maneira de se reparar um erro – ou, no caso, uma ofensa? Ou o melhor, e mais eficaz, seria obrigar a revista a incluir, em destaque, nos textos contestados, uma informação sobre a falsidade das acusações?
Os fatos
Fundador da ONG Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH), João Tancredo atuou em vários casos de repercussão nacional, entre eles o do pedreiro Amarildo de Souza, morador da favela da Rocinha que, em junho de 2013, foi levado para a sede da UPP local e ali torturado até a morte. Seu corpo continua desaparecido.
O contexto em que o fato ocorreu, em meio às manifestações populares do ano passado, e a existência de episódios semelhantes levaram um grupo de pessoas a propor o projeto “Somos Todos Amarildo”, que seria coordenado pelo DDH.
Como João Tancredo detalhana inicial da ação, a produtora Paula Lavigne sugeriu a realização de um jantar em sua casa, com convites pagos, seguido de leilão de obras doadas por diversos artistas, além da realização de atividades culturais, para levantar recursos com o objetivo de comprar uma casa para a família de Amarildo – tendo em vista a sua situação de extrema pobreza – e “desenvolver um projeto em torno do desaparecimento forçado de pessoas”. O objetivo seria traçar os perfis desses desaparecidos e incentivar a criação de uma rede de contatos entre as famílias envolvidas e instituições que possam ajudá-las.
O jantar ocorreu no dia 8/10/2013 e foi amplamente noticiado pela imprensa.
A deturpação dos fatos
Em março deste ano, porém, a Veja resolveu insinuar que havia outro “desaparecido” no caso e publicou matéria intitulada “Cadê o (dinheiro do) Amarildo?”. Quem lesse o texto e não soubesse da história ficaria convencido de que a família do pedreiro foi ludibriada: que os recursos obtidos no jantar e nas demais atividades deveriam ser destinados exclusivamente a ela, e que o advogado, espertamente, embolsou a maior parte, para um “projeto ainda indefinido”.
A matéria foi reproduzida no blog de Reinaldo Azevedo, que, bem ao seu estilo, se esmerou em acusações e insinuações desmoralizantes para o advogado. A deputada Cidinha Campos (PDT-RJ) tomou esse texto como base para anunciar uma representação ao Ministério Público “contra essa ONG e toda essa nojeira”.
Esta foi a matéria de maior impacto negativo. A outra foi uma nota na coluna Radar, em abril deste ano, sobre a família de Cláudia Silva Ferreira, morta e arrastada na caçamba de um camburão da PM, que estaria sendo “alvo de espertalhões”. O “espertalhão” seria João Tancredo, que teria interesse em atuar no caso, mas teria sido desautorizado pela família. O advogado afirma que não houve qualquer conflito com a família de Cláudia, que simplesmente preferiu ser representada pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.
A melhor reparação
Quem conhece os métodos da Veja e de muitos de seus colaboradores não se surpreenderia com esse episódio, mais um entre tantos de flagrante distorção dos fatos. Poucos, entretanto, acabam resultando em ação judicial. João Tancredo resolveu reclamar e obteve as duas liminares. A revista, como é de seu direito, vai recorrer.
O problema não é discutir se há cerceamento à liberdade de imprensa, porque evidentemente nenhuma liberdade é absoluta: todo abuso exige reparação. O problema é a forma escolhida para isto.
Em recentes artigos mencionei a relevância da pesquisa de mestrado da jornalista e professora Lívia Vieira sobre a ausência de uma política de correção de erros no jornalismo online. Ela mostra que simplesmente apagar o erro não é o melhor caminho, pois, uma vez publicado, qualquer texto produz efeitos, e sempre haverá alguma forma de recuperá-lo na web. O mais correto, por isso, seria explicitar as correções no próprio texto original.
Lívia não trata de casos como o da Veja, que não se poderia chamar de erro, pelo menos no sentido comum que se atribui à palavra: algo involuntário, fruto de incompetência, incúria ou imperícia. Mas, talvez ainda mais justificadamente, o raciocínio poderia ser aplicado nessa situação. Pois, como é evidente, as matérias difamatórias produziram efeitos deletérios sobre a imagem do advogado e, mesmo que retiradas do ar, podem ser recuperadas por quem se interessar e entender algo sobre mecanismos de busca.
Preservar a memória
Portanto, pedir a pura e simples eliminação de seus links, como se o fato nunca tivesse ocorrido, não é apenas pouco eficaz para os fins pretendidos. Mais que isso – e além de ser uma medida inaplicável a um meio impresso –, é um equívoco. Pelo contrário, exigir que o texto continue lá, com o devido alerta de que se trata de uma fraude, é uma forma de gravar permanentemente os responsáveis por ela e preservar a memória do jornalismo também nos casos eticamente condenáveis.
Mas essas questões, a rigor, apenas demonstram o quanto seria importante a elaboração de uma nova Lei de Imprensa, capaz de regular a atividade jornalística e definir sanções adequadas em casos como este.
***
Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora deRepórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

O que ele disse


"Aconselhada pela vaia, Dilma montou uma cerimônia clandestina para entregar a bola da Copa de 2018 ao 'presidente Plute'. Nem assim conseguiu disfarçar o medo."
Augusto Nunes, jornalista, sobre a presença da presidente da República na final da Copa, no último domingo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Candidatos farejam a seca de recursos


É hora de pedir.
É hora de passar o chapéu.
Os comitês de arrecadação da maioria das alianças ainda não estão propriamente em ação.
No momento, estruturam-se. Habilitam-se a definir os doadores em potencial para, aí sim, dar início à arrecadação que vai sustentar as campanhas.
Mas há gente que fareja longe.
E pelo que já foi possível farejar, será difícil, muito difícil arrancar grandes somas do empresariado paraense, cada vez mais desconfiado sobre expedientes, digamos assim, nada republicanos que costumam fazer parte da rotina das campanhas.
Resultado: preparem-se os aspirantes a Excelências a enfrentar uma aguda seca em termos de recursos.
Mas nada que uma boa conversa, uma boa promessa não resolva, né?
É sempre assim.
Quase sempre é.

Jornalistas e arrogantes. Esses somos nós, jornalistas.

Felipão "orienta" o Brasil no dia dos 7 a 1: e os coleguinhas, por que só agora criticam?
Essa Copa do Mundo tem demonstrado - à farta, à exaustão - que nós, jornalistas, não temos mesmo limites em nossas arrogâncias.
Antes da Copa, coleguinhas, muitíssimos, entraram no oba-oba do ufanismo.
Nessa condição, eximiram-se de exercer o senso crítico para entrar na onda dos que se diziam muito otimistas com a seleção brasileira, aquela mesma que havia conquistado a Copa das Confederações, no ano passado.
Pois é.
Veio a Copa.
E a seleção se mostrou frustrante.
Decepcionante.
Uma tragédia.
Um vexame.
E os coleguinhas?
Fazem de conta que não é com eles.
Não se dignam dizer simplesmente assim: "Desculpem aí. Mas eu errei. Eu também estava certo de que o Brasil seria hexa. E só fui me dar conta de que isso não seria possível quando a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1".
Assim deveria ser.
Mas não é.
Porque nós, jornalistas, realmente não temos limites em nossas arrogâncias.

Pão, circo e futebol

Do leitor que se identifica como Paulo Bastos, sobre a postagem O que tem a ver a seleção com a Copa?:

É o que dá colocar a diversão (circo) em primeiro lugar, no lugar do trabalho (pão): quando dá errado, vem a desilusão! Deixem de ser bestas! Amanhã esses jogadores, todos, que ganham milhões, estarão é rindo da cara de vocês, assim como já estão rindo de bolso cheio os que se aproveitaram da burrice brasileira de deixar construir tantos estádios, num país repleto de miséria e desigualdades.

Os legados da Copa



Por ANA DINIZ, jornalista, em seu blog Na rede

As teorias conspiratórias: Leonardo Sakamoto criou a melhor de todas no seu blog, tipo o livro de Dan Brown, o "Código da Vinci". Se ele desenvolvesse o tema, quem sabe, conseguiria outro best seller. Mas há pelo menos meia dúzia de outras, tentando explicar como é que o Brasil só não amarelou porque já é amarelo, mas virou mamão passado do ponto.

A discussão política: vai atravessar a campanha eleitoral e, como sempre, pouca coisa restará dela. Há ideias e ideais, mas há, sobretudo, uma enorme incapacidade de trabalho a médio prazo. Torcedor, jogador e cartola querem resultados rápidos e imediatos. Então, tudo fica pelo meio do caminho. E esporte não é exatamente uma prioridade política, a não ser para ocupar garotos de periferia...

Os elefantes brancos: temos agora um rebanho deles. No conto infantil, o grande elefante branco é derrotado por um leão vegetariano. Creio que teremos que importar indianos: só eles conseguem fazer os elefantes trabalharem e pagarem seu sustento. Bem, dentro de dois anos teremos o torneio de futebol olímpico e eles funcionarão de novo. Mas, oh, tristeza! Eles com certeza precisarão de reformas e ajustes...

A desmistificação da Fifa: de repente o Brasil descobriu que, apesar da grama dos campos de futebol ser baixinha, não é pouco o que tem de coelho escondido e saindo desse matinho para as cartolas cada vez mais altas dos dirigentes. Essa desmistificação é ótima: a Fifa caminha para não ser a última palavra em futebol. Podemos falar grosso com ela, agora.

Um gosto amargo para o futebol: e não é por causa da Alemanha. Apesar da goleada, não conseguimos ficar com raiva deles. O gosto amargo foi trazido pela farra da Fifa no Brasil, o que inclui a ladroeira nos ingressos. Descobrimos, de repente, que o esporte que é a nossa alegria é apenas um grande negócio escuso para quem dirige. Que o torcedor é tratado como otário a ser depenado. Principalmente se está do lado de baixo do Equador...

Uma porção de obras inacabadas: talvez elas terminem antes das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Nos outros locais provavelmente vão entrar novamente no ritmo usual, isso se não caírem, como o viaduto mineiro. Do que foi feito, ficam os aeroportos e algumas obras de mobilidade. Não sei ao certo quais: desde maio que a página de obras do Portal da Copa não é atualizada.

Uma nova imagem internacional: a imagem do país Brasil melhorou um pouquinho nos quesitos realização e democracia. E a do povo brasileiro ganhou muitos pontos positivos. Talvez que afinal vá sobrar coisa boa dessa história toda, se o fluxo turístico de fato aumentar.

A confraternização com os povos americanos: possivelmente a melhor coisa que a copa nos proporcionou. Os torcedores dos nove países com seleções na copa vieram – a maioria, creio, pela primeira vez – ver de perto o monstruoso Brasil, considerado pelos sulamericanos como imperialista e pelos norteamericanos como terra do fim do mundo. E começaram a demolir o preconceito, da mesma forma como nós, brasileiros, começamos a vê-los com outros olhos.

O nosso lugar: estamos entre as quatro melhores seleções do mundo, mas, diferentemente da Colômbia ou dos Estados Unidos, numa curva descendente. Se aproveitarmos o legado, poderemos reverter a curva; se não, será o declínio.

E, finalmente, a conta: em janeiro de 2013, o site “Os amigos do presidente Lula” informava que as despesas com a Copa seriam 22,46 bilhões de reais, que seriam largamente compensados pela entrada, na economia, de 142 bilhões entre 2010 e 2014.  Bem, esse estudo foi igual ao que baseou a decisão de comprar a refinaria de Pasadena: os 142 bilhões não entraram – os mais de dois bilhões de recursos que seriam trazidos pelos turistas previstos não vieram, apesar da invasão argentina - e a despesa subiu para 27 bilhões de reais, segundo o Tribunal de Contas da União. Bem, o Coríntians terá que pagar o custo dos investimentos no Itaquerão, dizem. E eu digo: é mesmo? Pago pra ver... Só o tempo dirá se valeu a pena.

O que ele disse


"De 10, chegamos a uma nota de 9,25. Melhoramos desde a África do Sul. Perfeição não existe."
Joseph Blatter, presidente da Fifa, sobre a Copa do Mundo no Brasil.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Nas redes socais, o debate ao rés do chão


Redes sociais estão se transformando no palanque antecipado da campanha eleitoral que, mesmo já tendo começado, ainda não chegou ao rádio e à TV, os grandes palcos eletrônicos para candidatos se exibirem.
Mas o nível dos debates nas redes sociais servem de aperitivo, de termômetro, de indicador, de biruta que poderá sinalizar o que vem por aí.
E se esse termômetro for preciso, como tudo indica que é, vocês esperem, meus caros, uma das campanhas mais baixas que já tivemos aqui no Pará.
As coisas que temos visto são verdadeiramente assustadoras.
Essa história de dizer que as redes sociais apresentam-se como um fórum de debates políticos não passa de balela.
O nível dos debates, com as honrosas exceções que confirmam a regra, tem sido simplesmente assustador.
Já chegou ao rés do chão.
E tem tudo para imbicar para mais embaixo ainda.
Vocês esperem.
Vocês verão.

Tetra. Com todos os méritos.


Sim, meus caros.
O Espaço Aberto não torceu para a Argentina.
Claro que não.
Torceu para a Alemanha, a melhor seleção deste mundial.
Torceu para a Alemanha, a tetracampeã mundial. Com todos os méritos.
Mas convém reconhecer.
Os hermanos jogaram pra caramba.
Apresentaram o melhor do futebol sul-americano.
A Argentina, que nas partidas anteriores não foi tão brilhante, muito embora tenha sido eficiente, ontem foi brilhante, mas não foi eficiente.
E deu Alemanha.
A Alemanha que, de sobra, sobrou na Copa.
Foi mais time.
Foi mais equipe.
Fez o coletivo preponderar sobre as individualidades.
E foi tetracampeã com um golaço, mas um golaço, de Götze.
Mas, para sermos justos, parabéns à Argentina.
Que ficou em segundo, é certo.
Mas fez uma grande Copa.

-------------------------------------------------------

Pare lerem outras postagens publicadas no Espaço Aberto sobre a Copa do Mundo 2014, cliquem aqui.

Argentinos foram retirados da sala de cinema de shopping na Doca

Rolou uma certa, como diríamos, tensão dentro de uma das salas Cinépolis, do Boulevard Shopping, da Doca, durante a final da Copa entre Alemanha x Argentina.
A partida foi exibida na telona.
Lá pelas tantas, um grupo de argentinos passou a provocar.
O clima começou a esquentar.
E antes que esquentasse mais, os seguranças foram aos hermanos e, gentilmente, pediram que eles fossem cantar e zoar em outra freguesia.
Felizmente, nenhum deles resistiu.
A exibição da final continuou tranquilamente.
E, no final, a sala explodiu de contentamento, com a confirmação de que a Alemanha faturou o tetra.
E os argentinos zoadores?
Os demais frequentadores da sala foram procurá-los no canal da Doca.
Mas eles não estavam lá.
Hehe.

Neuer. Ele sim, foi o melhor. E não Messi.


É brincadeira, né?
Só pode ser brincadeira.
Atribuir a Lionel Messi o prêmio de Bola de Ouro da Copa só pode ser coisa da Fifa, que o grande José Mujica definiu perfeitamente bem.
Lionel Messi, reconheçamos, é um craque.
Um cracaço de bola.
O pessoal aqui da redação acha mesmo que continua a ser o melhor do mundo. É melhor, inclusive, do que Cristiano Ronaldo, atualmente o detentor de melhor do mundo.
Mas uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é Messi ser o melhor do mundo - na opinião aqui do blog, repita-se.
Outra coisa é considerar que ele foi o melhor da Copa.
E não foi.
Vamos ver se concordamos no seguinte.
O colombiano James Rodríguez fez uma Copa espetacular.
Phillip Lam, da Alemanha, fez uma Copa sensacional.
O holandês Robben, descontados os seus espalhafatos, fez uma Copa magistral.
E por último, mas não menos importante, Manuel Neuer (na foto), o goleiraço da Alemanha.
Não seria demais se tivessem dado o título de melhor goleiro para outro e o de Bola da Outo da Copa a Neuer.
O cara é uma máquina, fora de brincadeira.
É igual a um robô.
Parece que foi programado mecanicamente para defender.
É mais do que uma muralha.
É uma fortaleza.
Conceder a Neuer o título de melhor goleiro da Copa foi muito pouco.
Conceder a Messi o título de melhor jogador da Copa é uma brincadeira.
Apesar de Messi ser o melhor do mundo.

Como se sentem agora, hein, hermanos?



Mas que sacada!
O Lance lava a nossa alma.
Melhor do que o Lance para lavar a nossa alma, só mesmo a vitória da Alemanha sobre os hermanos e a conquista do título de tetracampeão mundial.
Seguinte.
Na vitória dos germânicos por 7 a 1 sobre o Brasil, naquele dia mais vergonhoso, mas vexatório, mais deplorável e mais humilhante em todos os 100 anos de história da seleção brasileira, o Olé, diário esportivo mais lido da Argentina, fez troça.
Decime qué se siete... (Diga-me como se sete), provocou o jornal argentino, trocando o siente, do verbo sentir, pelo siete, o número 7, e fazendo referência à musiquinha dos argentinos para zoar os brasileiros.
Vejam a manchete do Olé lá no alto.
Pois é.
Aí, ontem, logo após encerrado o jogo que garantiu a conquista do tetracampeonato à Alemanha, o Lance exibiu em seu site a manchete que vocês veem acima.
Decime qué se siente ahora!, devolve o Lance.
Hehehe.
Lance lava a nossa alma.

Hermanos x hermanos. Em plena rua.


O pau torou.
O pau quebrou, e quebrou feio, na avenida 9 de Julho, a maior de Buenos Aires, ao término do jogo em que a Alemanha conquistou o tetra no Maracanã.
Olhem o vídeo aí, extraído do site do Olé.

A pátria indescartável


Do jornalista Nélio Palheta (que mandou também a foto), por e-mail, sob o título acima:

Segunda, quarta e sexta são dias de coletar o lixo, descartar inservíveis. Mas, não... , amanhã não vou te descartar, oh Pátria amada, Brasil!
Vou jogar no lixo, sim, todas as mágoas frustrações, perpetradas nos estádios; amanhã vou me desfazer da fantasia que a pátria de chuteiras me fez vestir. Tua vontade frustrada, Pátria Amada Gentil!
O futebol pode ter esmaecido o verde e o amarelo da bandeira de plástico - mera alegoria -, mas não destruiu o verde amarelo do meu coração. Assim como dos demais filhos teus.
O futebol empanou o brilho de algo que o país inteiro almejou como axioma de um Brasil mais feliz, cheio de conquistas permanentes em todos os quadrantes, e não apenas empapado das alegrias restritas às linhas dos gramados ou à mesa do bar _ celebrações efêmeras, por si só descartaveis.
Não, deitada em berço esplêndido e repleta de felicidade é o que mereces em brados retumbantes. Algo como o tri e o penta indeléveis.
O Brasil que eu quero não é esse descartável nas segundas-feiras, depois de um domingo ou uma Copa de frustrações, e sim aquele pelo qual não só 11 lutam, mas aquele de conquistas e lutas cotidianas  de 200 milhões de brasileiros.
Com ou sem chuteiras.

O califa do Estado Islâmico


Faz 3 anos que o conflito no Iraque foi amaldiçoado pelo governo de Barack Obama e, que, recentemente, foi reativado pela ofensiva dos rebeldes sunitas. Irã e Síria são também levados a reboque para o combate. Ao terminar oficialmente uma impopular intervenção militar, que durou oito anos e matou quase meio milhão de pessoas. Agora, os EUA estão de volta ao lodaçal que custou US$ 1,7 trilhão aos cofres americanos. Nos últimos dias, Obama se viu obrigado a aumentar seu apoio às forças de segurança iraquianas para conter o avanço de insurgentes sunitas no norte e oeste do País.
De volta ao atoleiro, o governo americano anunciou o envio de 300 forças especiais para auxiliar o Iraque. Muitos noticiaram a “proclamação de um Estado Islâmico” pela organização antes conhecida como “Estado Islâmico no Iraque e Levante – (EIIL)”, sem notar a contradição. Na verdade, o grupo se intitulou “Estado Islâmico no Iraque” desde outubro de 2006 e acrescentou o Levante à sua reivindicação em abril de 2013; seguiram conquistando cidades importantes, como Mossul, segunda maior do país, e Baiji, onde fica a maior refinaria de petróleo iraquiana, a caminho de Bagdá. Os EUA calculam em dez mil o número de militantes do grupo radical, que tem o objetivo de redesenhar as fronteiras da região e criar um Estado Islâmico entre Iraque e Síria.
Ademais, ao proclamar seu líder Abu Barkr al-Baghdadi como califa, ou seja, sucessor de Maomé e líder único do Islã, o “Estado Islâmico” se atribui também um caráter sagrado e autoridade religiosa para executar quem o rejeite. Na verdade, essa é a mensagem central da proclamação de 29 de junho (primeiro dia do Ramadã), fermentada por citações do Alcorão. Comparam-se com os conquistadores islâmicos do Império Persa e da maior parte do Império Bizantino, os jihadistas afirmam que restaurar o califado é uma obrigação religiosa e seria pecaminoso não cumpri-la, razão pela qual seu conselho elegeu para o cargo Al-Baghdadi, agora “califa Ibrahim” (seu verdadeiro nome), e exige que todos os muçulmanos jurem fidelidade e deem apoio ao suposto descendente da família do Profeta.
Contudo, políticos islâmicos moderados venceram muitas eleições depois da Primavera Árabe, aproximando-se do poder na Tunísia, no Egito, na Líbia e no Marrocos. Eles solaparam a tese de militantes de movimentos como a Al-Qaeda de que só a violência oferecia esperança de mudança. Hoje, esses mesmos políticos estão em retirada frenética, de Riad a Rabat, bloqueados por seus adversários políticos, perseguidos por generais e caindo vítimas de complôs armados por monarcas enriquecidos pelo petróleo. Todavia, são os extremistas que estão em marcha, avançando sem oposição em regiões do norte da África e do Oriente Médio. Inclusive, já tomaram o controle de territórios na fronteira entre o Iraque e a Síria, em que manifestantes festejam a fundação do califado na sua capital Raqqa, Síria, e sonham estendê-lo por três continentes.
O Taleban, a Al-Qaeda e o Estado Islâmico são, de fato, criações pós-modernas, tão fruto de seu tempo quanto o foi Hitler, a despeito de seu fascínio por arcaicos mitos “arianos”. O califado refundado por Al-Baghdadi, embora recorra a títulos e símbolos dos primeiros tempos do Islã e punições igualmente arcaicas (como amputação de mãos de ladrões e crucificação de inimigos), seria impensável na Idade Média.
Com certeza é o lado moderno, não o “medieval”, que torna o Estado Islâmico e seu califa tão perigosos. Suas vitórias políticas e militares e seu discurso impiedoso o tornam poderoso catalizador da revolta de jovens sunitas no Oriente Médio e Europa e um polo de atração para militantes. Na Síria, Bashar al Assad desafiou as previsões de que seria derrubado, só não o foi porque extremistas entre os rebeldes entraram em confronto com os moderados pelo poder e pelo espólio. O “conflito maldito” voltou. Vamos aguardar o tamanho da encrenca.

---------------------------------------

SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ela disse


"Queridos jogadores e querida Comissão Técnica, vocês - e o futebol brasileiro - são maiores do que quaisquer resultados passageiros."
Trecho de carta da presidente Dilma Rousseff à seleção brasileira, após a participação frustrante na Copa do Mundo 2014.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Arruda governador. Acreditem, porque isso é possível.


É o fim, meus caros.
É o fim.
José Roberto Arruda, mesmo condenado, pode seguir livre.
Seguindo livre, é bem possível que continue candidato ao governo do Distrito Federal.
Vocês se lembram dessas cenas aí?
Foram reveladas em 2009.
Colocaram na vitrine da corrupção o que se convencionou chamar de mensalão do DEM.
Pois é.
E Arruda, acreditem, poderá voltar ao governo do Distrito Federal.
Vamos pra Pasárgada?

Na vitória da Alemanha, o triunfo da civilidade

Hummels: grandeza na vitória. O triunfo da civilidade.
Vejam só.
Ha grandezas nas derrotas.
Como há baixezas e vilanias nas vitórias.
Quando vitórias são acompanhadas de gestos de grandeza, temos o triunfo da civilidade.
O mais completo triunfo.
Cliquem aqui.
Quando clicarem, vocês vão ler a matéria abaixo, sob o título Pacto no Mineiraço?, que está publicada no Olé, o mais importante diário esportivo da Argentina.
A matéria, com base em informações do jornal britânico Daily Mirror, informa que no intervalo de Brasil x Alemanha, quando a seleção de Felipão, apagada e destroçada, já amargava uma surra de 5 a 0, os germânicos teriam feito um pacto.
O pacto entre os alemães teria sido o seguinte: tirar o pé do acelerador, reduzir o ritmo, evitar que o massacre assumisse proporções muita mais vexatórias para a seleção brasileira.
"Deixamos claro que tínhamos que continuar jogando concentrados, jogar seriamente e tentar não humilhar o Brasil. Quando se está no gramado devemos mostrar respeito pelo rival", teria dito o zagueiro alemão Mats Hummels, conforme o jornal britânico citado pelo Olé.
Olhem, a informação confirma uma evidência: foi visível, foi escancarado, foi manifesto que a seleção da Alemanha não fez mais gol porque não quis.
Foi visível que se poupou e não queria mesmo humilhar ainda mais a seleção brasileira, àquela altura já destroçada.
A Alemanha foi grande na vitória. E a civilidade triunfou.
Abaixo, leiam a íntegra da notícia do Olé em espanhol.

---------------------------------------------------

Según Daily Mirror, diario inglés, Mats Hummels, zaguero alemán, habría confiado que, en el entretiempo, el equipo cuando se juntó en el vestuario decidió sacar el pie del acelerador para no empeorar las cosas en Brasil. 

Iban cinco y, haciendo cálculos y mirando el desarrollo del juego, podían ser diez. Cien. Mil. Alemania avasallaba a Brasil en el Mineirao y se fue 5-0 al vestuario. Al volver, y si bien llegó a hacer dos goles más, ya no fue el mismo más allá de tener la chance histórica de seguir boleteándolo. Le sobraban motivos además de engrosar su estadística: ¿para qué poner la piernita con semejante ventaja si este domingo se jugaban la final (luego supieron que ante la Argentina)?

Según publicó el diario británico Daily Mirror, el zaguero germano Mats Hummels habría asegurado que todo se trató de un pacto entre sus compañeros en el entretiempo. "Dejamos claro que teníamos que continuar jugando concentrados, jugar seriamente e intentar no humillar a Brasil. Cuando se está en la cancha debemos mostrar respeto por el rival y fue muy importante que así haya sido, sin entrar en gastadas. No queríamos ridiculizar a Brasil...", habría dicho el autor del cabezazo ante Francia que puso a los teutones en semifinales. ¿Creer o reventar?

O que tem a ver a Copa com a seleção?

De um Anônimo, sobre a postagem Da Copa às urnas:

Não entendi o que tem a ver a copa das Copas um evento mundial com a derrota da seleção brasileira em um jogo de futebol.
Já demonstramos ao mundo a nossa falta de educação e civilidade insultando e agredindo verbalmente uma senhora de 67 anos de idade em público, na frente da filha e de várias autoridades. Agora vamos demonstrar que somos tão burros e tão idiotas que não sabemos diferenciar e confundimos jogo de futebol com eleição?
Mas eu acredito que o brasileiro é muito melhor que isso. O tempo dirá.

Justiça Federal nega pedido para suspender obras de Belo Monte

A Justiça Federal rejeitou, nesta quarta-feira (09), ação civil pública que pedia a suspensão das obras da hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu, no Estado do Pará, ou condenasse a empresa Norte Energia S.A., construtora do empreendimento, a indenizar os índios das tribos Arara e Juruna, além dos ribeirinhos da Volta Grande do Xingu.
O Ministério Público Federal, autor do pedido, ainda poderá recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília (DF). A sentença (leia aqui a íntegra) foi assinada pelo juiz federal da 9ª Vara, Arthur Pinheiro Chaves. No dia 20 de junho passado, ele julgou improcedente outra ação do MPF, que pedida a declaração de nulidade de licença prévia emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a construção da hidrelétrica.
Para o Ministério Público, os índios de várias aldeias da região do Xingu vão sofrer sérios impactos em decorrência de Belo Monte. A ação cita especificamente a situação dos jurunas, que têm no rio Xingu uma de suas principais fontes de sobrevivência e estariam sob ameaça de desestruturação social. O MPF relata ainda que outra comunidade indígena, a dos araras, já enfrenta dificuldades de acesso à água potável, situação que poderia se agravar com o rebaixamento do lençol freático.
A Norte Energia, contestando os argumentos do Ministério Público, informou que tem cumprido todas as condições impostas nos licenciamentos, como é o caso da construção de escolas, hospitais, postos de saúde, redes de saneamento e abastecimento de água, além de aterros sanitários e da implementação de 117 planos, programas e projetos voltados ao desenvolvimento socioeconômico da região.
Em relação aos impactos sobre povos indígenas, a empresa contestou a afirmação de que a implantação da hidrelétrica resultaria na sua remoção das áreas onde se encontram, uma vez que, segundo informou em juízo, foi desenvolvido, com orientação da Fundação Nacional do Índio (Funai), projeto ambiental voltado para a proteção das comunidades, que participaram amplamente das discussões para sua implementação.
Viabilidade - O juiz federal Arthur Chaves entendeu que o Poder Judiciário não tem atribuição para impedir, em definitivo, com base somente nos argumentos trazidos na inicial, a construção da hidrelétrica de Belo Monte, porque não lhe cabe julgar se o empreendimento é conveniente do ponto de vista energético. Tal avaliação, conforme a sentença, “se insere nitidamente no campo da discricionariedade administrativa, cabendo ao órgão licenciador, no caso o Ibama, autorizar ou não a implantação da usina hidrelétrica em questão, mediante a avaliação ambiental necessária e a realização dos estudos pertinentes.”, só podendo o Judiciário intervir na hipótese de constatação de ilicitude nas licenças concedidas e estudos realizados ou no descumprimento manifesto das condicionantes estatuídas, situação não ocorrida na hipótese.
O magistrado considerou inconsistentes as alegações do MPF de que os impactos negativos sobre as populações habitantes às margens do rio Xingu configuram-se lesões passíveis de indenização, uma vez que as alterações na vazão do rio inviabilizaram sua permanência no local, impedindo o desenvolvimento normal de atividades que garantem a sua sobrevivência, como a pesca, a navegação e o extrativismo, entre outras.
Ao ressaltar que o MPF apoia essas alegações num documento denominado “Painel de Especialistas”, o juiz Arthur Chaves diz que “as conclusões ali lançadas, as quais têm como base supostas lacunas do EIA/RIMA, carecem de estudo mais aprofundado para que se possa afirmar, com certeza científica, que as populações residentes na Volta Grande do Xingu de fato estarão impedidas de manter seu modo de vida tradicional.”
De acordo com a sentença, “se não há demonstração cabal de que a implantação da UHE Belo Monte, a despeito das ações voltadas à redução e compensação de impactos, redundará em prejuízos graves às populações locais, não há como se concluir pelo dever de indenizar, até porque não se teve notícia nos autos, até a presente data, de que qualquer dos impactos e danos apontados na inicial já tenham se concretizado.”
Arthur Chaves também não concordou com a tese do MPF sobre a necessidade de preservação dos recursos naturais para que as futuras gerações, ou seja, sujeitos de direito que sequer nasceram, possam igualmente usufruir de tais recursos e garantir sua sobrevivência. Ele considera um avanço esse princípio, que reconhece a equidade entre as gerações atuais e futuras gerações no que se refere ao direito de utilização dos recursos naturais para sua sobrevivência, mas lembrou “que uma considerável parcela da população mundial, integrante da geração atual, sequer teve garantido o seu próprio direito à sobrevivência digna.”

O que ele disse


"Foi uma coisa inacreditável, inexplicável. Não consigo explicar. Foi um apagão que teve na nossa equipe. Ficou difícil de reverter. Não existe o “se”. É muito fácil falar depois que as coisas acontecem. Já passei por isso e sei como é conviver com um apagão dentro de campo. Você não consegue fazer nada. Tem que torcer logo para que acenda a luz rápido. Não vim aqui para explicar o que aconteceu na partida. Perguntei e eles não têm como explicar. Se eles não conseguem, quem sou eu para explicar. Tem que lamentar a derrota, ficar triste. Todos os jogadores buscaram isso. E todos são merecedores de estar aqui. Se parar para fazer a convocação novamente 90, 95% vão ser os mesmos jogadores. Não é por causa da perda de um título que os jogadores são ruins. Não tem o que falar. Aconteceu. Faz parte do futebol. Estamos dispostos a tudo dentro de campo. Infelizmente aconteceu com a gente. Não queríamos passar por isso. Principalmente pelas nossas famílias, que acabam sofrendo mais do que a gente. A gente é forte o suficiente para aguentar tudo isso."
Neymar, melhor jogador do Brasil, sobre a tragédia no Mineirão.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O horror, o horror


A cena, horrível, ocorreu ontem à tarde, no canteiro central da BR-316, em Marituba.
Adolescente de 16 anos e um comparsa, de 29, pararam uma van que ia para Castanhal e anunciaram o assalto.
Armados de faca e revólver, começaram a roubar objetos e dinheiro dos passageiros.
O motorista foi o primeiro a reagir.
Reagindo, tirou a faca do adolescente.
Os dois travaram luta corporal.
Na confusão, cerca de dez passageiros atacaram o menor infrator.
Golpeado com a própria faca, ele caiu, praticamente morto, no canteiro central da BR-316.
Algumas pessoas que estavam na rua viram o jovem correr e ainda prestaram-lhe socorro, mas vítimas do assalto impediram que a ajuda prosseguisse.
O comparsa fugiu.
É um horror que adolescentes, cada vez com maior frequência, se envolvam em crimes violentos e ameacem a vida de inocentes.
É um horror que crimes hediondos sejam praticados por quem quer que seja, inclusive adolescentes.
E um horror que inocentes, mesmo em legítima defesa, ataquem, matem e trucidem.
É um horror imaginarmos que todos afundamos, cada vez mais, num ambiente de salve-se quem puder.
É um horror a violência, que não poupa ninguém e instila inclusive em inocentes indefesos a noção de que, encontrando-se todos nós imersos na selvageria sem controle, estaríamos permanentemente acobertados por álibis que a selvageria chancela e funda como princípios imutáveis, como a velha máxima de que "bandido bom é bandido morto".
É um horror a violência que se dissemina na Grande Belém.
É um horror a violência - qualquer uma.
O horror.
O horror.

Da Copa às urnas


Três ou quatro interlocutores aqui do Espaço Aberto quase convocam a galera para comemorar na Doca, na última terça-feira à noite, a derrota humilhante da seleção brasileira para a Alemanha por inacreditáveis 7 a 1.
Mas preferiram não misturar sensações pessoais, digamos assim, com aferições mais objetivas sobre os efeitos do naufrágio da seleção brasileira na Copa.
Pessoalmente, a sensação que cultivam é a de que a derrota do grupo de Felipão, pela forma vexatória como ocorreu, pode interferir sim, e negativamente, na candidatura da presidente Dilma à reeleição.
Objetivamente e racionalmente, preferem azeitar mais os mecanismos de aferição para só então chegarem a conclusões mais aproximadas.
Mas, pelo sim, pelo não, estão comemorando o fato, para eles incontestável, de que a Copa das Copas não passou de uma ilusão.

"Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!"

Romário: "A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros"
Sim, meus caros.
Romário, o Baixinho, um dos maiores craques que o futebol brasileiro já produziu, não é lá esse modelo de ponderação.
Longe disso.
Muito longe disso.
Aqui mesmo, no Espaço Aberto, já se disse que Romário, calado, é um poeta.
Aqui já se proclamou que Pouco se aproveita de Romário. Mas convém que o ouçamos.
Sim, convém que o ouçamos.
Às vezes, é preciso ouvi-lo e considerar o que diz, no mínimo porque ele é um dos poucos, pouquíssimos que tem a coragem de dizer certas coisas com tanta coragem e da forma e intensidade como diz.
Muitos de vocês poderão alegar que Romário se escuda em suas imunidades parlamentares.
Mesmo assim.
Mesmo assim, precisamos considerar o que diz o deputado federal Romário.
Leiam o que ele escreveu a propósito do vexame da seleção brasileira na Copa.
Leiam com atenção.
Muita atenção.

--------------------------------------------------------

“Galera,

passado o luto das primeiras horas seguidas da derrota, vamos ao que verdadeiramente interessa! Quem tem boa memória, vai lembrar da minha frase: Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada!

Infelizmente, dentro de campo, não foi diferente.

Ontem foi um dia muito triste para nosso futebol. Venceu o melhor e ninguém há de questionar a superioridade do futebol alemão já há alguns anos. Ainda assim, o mundo assistiu com perplexidade esta derrota, porque nem a Alemanha, no seu melhor otimismo, deve ter imaginado essa vitória histórica.

Porém, se puxarmos da memória, vamos lembrar que nossa seleção já não vinha apresentando nosso melhor futebol há muito tempo. Jogamos muito mal. Infelizmente, levamos sete e, por mais que isso cause mal-estar, devemos admitir que a chuva de gols foi apenas reflexo do pânico, da incapacidade de reação dos nossos jogadores e da falta de atitude do treinador de mudar o time.

Vivemos uma crise no nosso esporte mais amado, chegamos ao auge dela. Acha que isso é problema só dos jogadores ou do Felipão? Nem de longe.

Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!

O meu sentimento é de revolta.

Estou há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores. Porque não se iludam, futebol é negócio, business, entretenimento e move rios de dinheiro. Nunca tive o apoio da presidenta do País, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do Governo Federal no nosso futebol.

Em 2012, eu apresentei um pedido de CPI da CBF, baseado em um série de escândalos envolvendo a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa área TAM. O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos. Em questionamento ao presidente da Câmara dos Deputados, sr. Henrique Eduardo Alves, mas ouvi como resposta que este não era o melhor momento para se instalar esta CPI. Não concordei, mas respeitei a decisão. E agora, presidente, está na hora?

Exceto por um vexame como o de ontem, o Brasil não precisaria se envergonhar de uma derrota em campo, afinal, derrotas fazem parte do esporte. Mas vergonha mesmo devemos sentir de ter uma das gestões de futebol mais corruptas do mundo. A arrogância dessa entidade é tão grande que até o chefe da assessoria de imprensa chega ao absurdo de bater em um atleta de outra seleção, como fez o Rodrigo Paiva contra um jogador do Chile Pinilla. Paiva pegou quatro jogos de suspensão e foi proibido de acessar o vestiário dos jogadores. Este ato foi muito simbólico e diz muito sobre eles. O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?

Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!

A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros, vale lembrar que são as federações e clubes que elegem há anos o mesmo grupo de cartolas, com os mesmos métodos de gestão arcaicos e corruptos implementados por João Havelange e Ricardo Teixeira e mantidos por Marin e Del Nero. Vale lembrar, que estes dois últimos mudaram o estatuto da entidade e anteciparam a eleição da CBF para antes da Copa. Já prevendo uma possível derrota e a dificuldade que eles teriam de se manter no poder com um quadro desfavorável.

E os clubes? Sim, eles também são responsáveis por essa crise. Gestões fraudulentas, falta de investimento na base, na formação de atletas. Grandes clubes brasileiros estão falindo afogados em dívidas bilionárias com bancos e não pagamentos de impostos como INSS, FGTS e Receita Federal.

E toda essa má gestão que tem destruído o nosso futebol, infelizmente, tem sido respaldada há anos pelo Congresso Nacional com anistias e mais anistia destes débitos. Este ano tivemos mais um projeto desses vexatórios para salvar os clubes. Um projeto que previa que clubes pagassem apenas 10% de suas dívidas e investissem 90% restante em formação de atletas. Parece até deboche. Uma soma de aproximadamente R$ 4 bilhões ou muito mais, não se sabe ao certo. Corajosamente, o deputado Otávio Leite, reconstruiu o texto e apresentou uma proposta honesta estruturada em responsabilidade fiscal, parcelamento de dívidas e a criação de um fundo de iniciação esportiva, com obrigações claras para clubes e CBF.

Em resumo, a nova proposta além de constituir a Seleção Brasileira de Futebol e o Futebol Brasileiro como Patrimônio Cultural Imaterial – obrigava a CBF a contribuir com alíquota de 5% sobre as receitas de comercialização de produtos e serviços proveniente da atividade de Representação do Futebol Brasileiro nos âmbitos nacional e internacional. O tributo também incidiria sobre patrocínio, venda de direitos de transmissão de imagens dos jogos da seleção brasileira, vendas de apresentação em amistosos ou torneios para terceiros, bilheterias das partidas amistosas e royalties sobre produtos licenciados. O valor seria destinado a um fundo de iniciação esportiva para crianças e jovens de todo o Brasil. Esses e outros artigos dariam responsabilidade à CBF, punição à entidades e outros gestores do futebol, a CBF estaria sujeita a fiscalização do TCU e obrigada a ter participação de um conselho de atletas nas decisões.

Mas este texto infelizmente não foi para a frente. Sete deputados alemães fizeram os gols que desclassificaram nosso futebol e nos tirou a chance de moralizar nosso esporte. Estes deputados, como todos sabem, fazem parte da Bancada da CBF, mudei o nome porque Bancada da Bola é muito pejorativo para algo que amamos tanto. Gosto de dar os nomes: Rodrigo Maia (DEM -RJ), Guilherme Campos (PSD-SP), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), José Rocha (PR-BA) , Vicente Cândido (PT-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Valdivino de Oliveira (PSDB-GO).

Essa partida ainda pode ser revertida com a votação do projeto no Plenário da Câmara. Será que esses sete deputados voltarão a prejudicar o nosso futebol?

O futebol brasileiro tomou uma goleada e a derrota retumbante, infelizmente, não foi só em campo. Nem sequer tivemos o prazer de jogar no Maracanã, um templo do futebol mundial, reformado ao custo de mais de R$ 1 bilhão. Acha que foi porque não chegamos a final? Não. Poderíamos ter jogado qualquer outro jogo lá. A resposta disso é ganância e arrogância. É a CBF que escolhe onde o Brasil vai jogar, mas, obviamente, poderia ter tido interferência do Ministério do Esporte e da presidência da República, mas nenhum destes se manifestou. Quem levou com essas escolhas?

Para fechar com chave de ouro, a CBF expulsou do vestiário Cafú, capitão de seleção do pentacampeaonato. Cafú foi expulso do vestiário enquanto cumprimentava os jogadores ontem. Este é o retrato do nosso futebol hoje, não honramos a nossa história.

Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz.

Essa será a taça da vergonha.”

O que ele disse

 

"Depois da Copa das Confederações, tivemos uma derrota e nove vitórias. Tínhamos uma equipe preparada, um sistema de jogo. Foi a primeira vez, desde 2002, que chegamos à semifinal. Foi uma derrota ruim, seis minutos de pane geral. Se eu pudesse te responder o que aconteceu naqueles seis minutos, eu responderia, mas eu não sei."
Felipão, técnico, sobre o apagão histórico e inédito que chutou para a fogueira da humilhação a seleção brasileira diante da Alemanha.