quinta-feira, 28 de outubro de 2010

OAB e Estado laico


Em publicação no último sábado no jornal O LIBERAL, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Pará, assinou um documento que chamou de "Manifesto em defesa de um estado laico". No texto, por motivos humanitários, defende o aborto e a união homoafetiva, ao tempo em que denuncia o uso desses temas para fins eleitorais e acusa, anonimamente, certos grupos da prática de intolerância religiosa. Sobre isto, nossa palavra de hoje.
Há muito se tem debatido a questão do estado laico no Brasil. De fato, somos e devemos ser na letra da lei uma nação sem credo oficial. Porém, em sua essência, estamos muito longe dessa fórmula simplista. E estamos assim porque somos um povo assaz religioso. Religioso desde o Descobrimento. Religioso, pela catequese portuguesa e pelas nações africanas escravizadas em nosso chão. Pela doutrina espírita de Chico Xavier. Religioso, por causa da maior igreja pentecostal do mundo, a Assembleia de Deus, curiosamente gerada em Belém do Pará, e assim por diante.
Alguns doutrinadores tendem a comparar o Brasil com certas nações europeias. Mas não podemos compreender um povo sem estudar sua origem. Nunca seremos semelhantes à França, Alemanha ou Holanda. Temos processos históricos distintos. Neste compasso, é preciso entender também que religioso é igualmente cidadão. Como separar os religiosos paraenses de sua condição de agentes da sociedade? Como pregar um estado laico no meio de milhões de pessoas caminhando no Círio, entre elas, várias autoridades públicas? Laicismo deve existir apenas do ponto de vista formal. Nunca haverá uma neutralidade plena, pois cada um leva consigo suas crenças aonde vai. Religioso e eleitor são uma única pessoa.
Se é verdade que igrejas não devem se imiscuir em política partidária, não é justo afastá-las do debate social. Afinal de contas, sua membresia é constituída de cidadãos. Afinal de contas as igrejas realizam excelentes serviços sociais, exercendo um papel que o próprio estado muitas vezes despreza. O que dizer das creches? Dos centros de recuperação de viciados, escolas, hospitais e outras iniciativas que deveriam ser acobertadas pelos impostos que todos pagamos?
Não é de se esperar que a OAB pregue a liberação do aborto, sob o argumento de precariedade sanitária do ato e falta de planejamento. É de esperar que a sociedade civil organizada lute pela educação e melhores condições de vida. Se um milhão de mulheres abortam arriscadamente todos os anos no Brasil, como diz a OAB, precisamos despertar o estado a fomentar políticas públicas verdadeiras. Não devemos ignorar, igualmente, esse milhão de brasileiros condenados à morte. Isto é uma terrível contradição de quem deve defender a vida. Isto é pregar a liberdade da mulher, sem dar ao feto o mínimo tratamento de dignidade. Todos têm direito à vida. Nossa legislação já protege a mulher vítima de estupro e em risco de morte. Quem fala pelo nascituro?
A respeito dos direitos homossexuais, nada contra a garantia dos contratos cíveis. Todas as pessoas têm direito de ser acolhidas e respeitadas. Mas não se venha tolher a liberdade de expressão religiosa. Não queiram rasgar as páginas da Bíblia que condenam a intimidade entre pessoas do mesmo sexo. Para isto, o Brasil teria de deixar de ser um país cristão. O mesmo direito que ativistas homossexuais têm de apregoar suas preferências publicamente, cristãos têm de sair às ruas, inclusive nas eleições, para dizer que no princípio Deus criou macho e fêmea. O contrário é cerceamento de liberdades. Tolerância não implica anulação do senso crítico.
Depois de impedir que a mulher adúltera morresse apedrejada, Jesus disse-lhe: “Vai, e não peques mais.” Isto é a síntese do cristianismo.
O manifesto da OAB classifica como intolerância religiosa a grita de parte das igrejas contra os temas acima. Afirma que se trata de favorecimento a "determinados candidatos". Não acho essa uma declaração correta, quando sabemos identificar com clareza quais candidatos eram, foram ou voltaram a ser contra ou a favor da descriminalização do aborto e de criminalizar a homofobia. Isto não soa bem numa semana eleitoral decisiva. É paradoxal.
Por fim, uma nota de apreço ao manifesto quanto à supervalorização da temática. De fato, o debate ficou bastante empobrecido quando os religiosos entraram em cena. Não estamos elegendo presidente apenas para isso. As igrejas e seus líderes, ao lado da OAB, devem sempre lutar pelas questões de cidadania. Seria bom também que líderes religiosos cuidassem dessas questões durante o ano inteiro. Isso evitaria que ocupassem espaços em programas eleitorais. E, quem sabe, esse tipo de manifesto.

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RUI RAIOL é escritor (www.ruiraiol.com.br)

O que ele disse

“Dificilmente vai se encontrar um caso tão explícito, em tempos democráticos, de mais inequívoca retroatividade, da mais escancarada, mais escarrada retroatividade. Eu fico a pensar, que convite nós estamos fazendo para esse legislador em termos de criatividade. Quando nós lhe damos essa carta branca, ele pode tornar inelegível alguém que possa ter batido na esposa, participado de uma estudantada, batido numa criança. E pode dizer que fica inelegível por 20 anos.”
Gilmar Mendes (na foto), ministro do Supremo Tribunal Federal, em meio a uma apaixonada intervenção durante o julgamento de ontem, defendendo a tese de que a Lei da Ficha Limpa não poderia valer para as eleições deste ano e muito menos ser retroativa, ou seja, alcançar fatos consumados antes de sua vigência.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

STF confirma Ficha Limpa e mantém Jader inelegível

Do G1

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (27) que a Lei da Ficha Limpa vale para as eleições deste ano e se aplica a casos de renúncia de políticos a mandato eletivo para escapar de processo de cassação, mesmo nas situações ocorridas antes da vigência da lei. Diante do impasse causado pelo empate em 5 a 5, os ministros optaram por manter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a norma.
“Quando um caso tem repercussão geral, a conduta da corte tem sido a de dar o mesmo destino para os casos semelhantes. Em tese, salvo alguma particularidade do caso concreto todos os demais casos assemelhados terão que ter o mesmo destino”, afirmou o presidente do TSE e ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
Nas situações de candidatos com condenação por decisão colegiada de juízes ou entidade de classe, os recursos serão analisados caso a caso. “Há uma série de recursos, cerca de 12, que ainda serão julgados pelo Supremo e que dizem respeito a outras alíneas da lei. Cada caso é um caso e será examinado", disse Lewandowski.
O STF analisou nesta quarta o recurso do deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA), barrado na disputa a uma vaga de senador pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa. Mesmo com registro indeferido, Jader Barbalho recebeu 1.799.762 de votos e, caso não tivesse sido barrado, seria eleito em segundo lugar para uma vaga no Senado.
O deputado teve a candidatura questionada porque renunciou ao mandato de senador, em 2001, para evitar um processo de cassação em meio às investigações do caso que apurava desvios no Banpará e também por denúncias de envolvimento no desvio de dinheiro da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
O candidato sempre negou irregularidades. Sua defesa afirma que a renúncia não representou atentado à moralidade pública porque o então senador foi alvo apenas de denúncias publicadas na imprensa.
Com a decisão do Supremo, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará pode convocar novas eleições para o Senado no estado. A soma dos votos obtidos pelo deputado Jader Barbalho e pelo terceiro colocado na disputa – o petista Paulo Rocha, também barrado pela ficha limpa – ultrapassam 50% dos votos válidos. Nesse caso, os votos são anulados, o que, pela legislação eleitoral, abre a possibilidade de realização de novas eleições.
“Primeiro temos que esperar decisão do TRE para depois nos pronunciar, nós TSE”, disse Lewandowski. "O que me preocupa agora é o processo do mesmo estado em relação à mesma vaga de senador", disse o presidente do STF, Cezar Peluso.

Regimento do Supremo
A alternativa dos ministros do STF, de manter a decisão contrária ao recurso de Jader, está prevista no regimento interno do Supremo e já havia sido sugerida na primeira vez que o tribunal analisou a ficha limpa, em setembro.
De acordo com o artigo 205 do regimento interno do STF, “havendo votado todos os ministros, salvo os impedidos ou licenciados por período remanescente superior a três meses, prevalecerá o ato impugnado”.
A possibilidade já havia sido aventada quando o STF analisou o recurso do ex-candidato do governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC). Ele também teve o registro negado pelo TSE por ter renunciado ao mandato de senador, em 2007, para escapar de cassação. Na apelação ao STF, o julgamento terminou empatado e Roriz desistiu da disputa eleitoral.
O STF está com um integrante a menos desde agosto, quando o ministro Eros Grau se aposentou. A indicação de um novo ministro é feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que não tem data para ocorrer.

Solução para o impasse
Após o empate no julgamento, o advogado de Jader, Eduardo Alckmin, propôs ao plenário a suspensão da análise do recurso para que ele fosse analisado na mesma sessão que vai decidir sobre recurso de Paulo Rocha.
Por 7 votos a 3, os ministros decidiram concluir o julgamento, mas a sugestão levou a uma discussão generalizada no plenário. "A questão já foi amplamente debatida. Durante 11 horas no primeiro julgamento e, agora, mais cinco [horas] e a proposta é que adie mais uma vez? Nós estamos aqui a brincar?", questionou o relator do recurso, Joaquim Barbosa.
Em meio ao debate, a ministra Ellen Gracie pediu que Marco Aurélio Mello concluísse o voto sobre a proposta da defesa. Ele respondeu em tom de ataque. “Vossa Excelência está presidindo este tribunal? Ministra, não me cobre definição. Se há alguém que se posiciona com coerência sou eu. Ou Vossa Excelência tem viagem marcada?”. A ministra rebateu o colega na mesma hora. "Ainda que tivesse, o respeito pelo tempo alheio é algo que se impõe."

Imagens de campanha


Jatene durante carreata em Belém e comício em Capanema.
Ana Júlia em carreatas em Tucumã e Ourilândia.
As fotos são dos comitês de campanha dos candidatos.

Deputados foram melhor nas urnas que senadores

As eleições de 2010 ficarão marcadas pelo fracasso de tradicionais líderes políticos do Senado, como Arthur Virgílio (PSDB-AM), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Embora também tenham ocorrido alguns insucessos na Câmara, a regra não se repetiu da mesma forma entre os deputados. De maneira geral, os deputados tiveram mais sucesso nas urnas do que os senadores. Dos 473 integrantes da Câmara que disputaram a eleição, 310 (65,5%) saíram vitoriosos das urnas. No Senado, o aproveitamento foi menor: 26 dos 51 senadores foram reeleitos ou eleitos para outro cargo. Um senador e outros sete deputados ainda seguem vivos na disputa em segundo turno. Entre os 594 parlamentares, apenas 69 (40 deputados e 29 senadores) não concorreram a algum mandato nestas eleições.
O índice de reeleição na Câmara também foi superior ao do Senado. Dos 406 deputados que tentaram renovar o mandato, 286 (70,4%) foram reeleitos. Somente 17 (60,7%) dos 28 senadores candidatos à reeleição alcançaram o objetivo. Entre os senadores derrotados, figuras que pareciam imbatíveis nas urnas até recentemente, como Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder do partido na Casa há sete anos; o ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati (CE); o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI); seu antecessor no cargo, Efraim Morais (DEM-PB), e o ex-vice-presidente da República Marco Maciel (DEM-PE).

Deputados que viraram senadores
Depois da reeleição, o melhor aproveitamento dos deputados foi na corrida por uma vaga ao Senado. Dos 34 que concorreram, 16 conseguiram trocar o Salão Verde pelo Salão Azul. Os eleitores de três estados entregaram as duas vagas de senador em disputa aos seguintes deputados: Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro, na Bahia; Eunício de Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), no Ceará, e Vital do Rêgo Filho (PMDB) e Wilson Santiago (PMDB), na Paraíba. Santiago ainda corre risco de perder a vaga caso o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), o segundo mais votado, reverta o indeferimento de sua candidatura pela Justiça eleitoral.
O pior desempenho dos deputados foi na disputa para governador. Nenhum dos nove integrantes da Câmara que tentaram o governo de seus estados se elegeu ou avançou ao segundo turno. Quatro senadores se elegeram governadores - Tião Viana (PT), no Acre; Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo; Rosalba Ciarlini (DEM), no Rio Grande do Norte, e Raimundo Colombo (DEM), em Santa Catarina. Mas esse número ainda pode aumentar caso Marconi Perillo (PSDB-GO) vença a disputa em Goiás.
Mais exitosos foram os deputados que concorreram a vice-governador: dos oito que disputaram, cinco estão no segundo turno e um foi eleito (o peemedebista Jackson Barreto, em Sergipe). Os dois deputados que disputaram como candidatos a vice-presidente também seguem na disputa: Michel Temer (PMDB-SP), da chapa de Dilma Rousseff (PT), e Índio da Costa (DEM-RJ), vice de José Serra (PSDB).
Alguns parlamentares se deram mal mesmo tentando voos eleitorais modestos. Apenas quatro dos 12 deputados que concorreram a deputado estadual conseguiram se eleger: Olavo Calheiros (PMDB-AL), Elismar Prado (PT-MG), Wilson Braga (PMDB-PB) e Freire Júnior (PSDB-TO). A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) também conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de seu estado; a mesma sorte não teve o senador José Nery (PSOL-PA).
Um grupo de parlamentares ainda aguarda pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade ou não da Lei da Ficha Limpa nestas eleições. Entre eles, deputados com a candidatura indeferida pela Justiça eleitoral com base na nova lei, mas que tiveram votação suficiente para se reeleger, como Paulo Maluf (PP-SP), Janete Capiberibe (PSB-AP), Pedro Henry (PP-MT), Natan Donadon (PMDB-RO) e João Pizzolatti (PP-SC). A mesma expectativa vive o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), segundo mais votado no Pará na disputa ao Senado. O julgamento do recurso dele contra a aplicação da Ficha Limpa está previsto para a próxima quarta-feira. Outros parlamentares, mesmo conseguindo reverter a decisão na Justiça, não terão chance de alcançar novo mandato porque tiveram baixa votação, como os deputados Zé Gerardo (PMDB-CE) e Tatico (PTB-GO).

Como os deputado se saíram nas urnas
Como os senadores se saíram nas urnas

Charge - Duke


E Sandro, o cara? “Quedê” ele?

E o Sandro, por onde anda?
Sandro, para quem não se liga em futebol, é o cara.
O cara que Luiz Omar, o boquirroto presidente do Paysandu.
Luiz Omar, no caso, é aquele que, quando está sereno, relaxado e tranquilo, lembra-se que, nos momentos em que não estava sereno, relaxado e tranquilo, poderia ter passado a mão num pedaço de pau e sair por aí, distribuindo porretada em vagabundo.
Pois é.
Sandro é o cara acusado por Luiz Omar de ter comandando uma, digamos, rebelião silenciosa na Curuzu, na véspera do jogo contra o Salgueiro, por não concordar com a destinação de apenas 50% da renda líquida da partida para ser rateado entre os atletas bicolores, caso eles ganhassem a parada e levassem o Paysandu de volta à Segunda Divisão.
O que todos viram foi a derrocada do Paysandu.
Luiz Omar não acusou nominalmente Sandro.
Mas todo mundo sabe que ele foi o cara.
Desde então, ou seja, desde o dia mesmo que o Paysandu foi trucidado dentro da Curuzu pelo Carcará do Agreste, Sandro sumiu.
Primeiro, foi para Salinas.
Lá, enclausurou-se.
Não falou mais com ninguém.
Faltou até mesmo a uma audiência na Justiça do Trabalho, onde cobra R$ 2 milhões do Paysandu.
Até agora, ninguém sabe do Sandro.
Ele continua não atender a telefonemas.
A última informação é de que já picou a mula.
Já estaria em Goiânia.
Mas são apenas especulações, porque, em verdade, ninguém sabe, ninguém viu o Sandro.
O cara.
Hehehe.

Em Bragança, um exemplo de tolerância política

De um Anônimo, sobre imagens que mostram a adesão do prefeito de Bragança à candidatura da governadora Ana Júlia Carepa:

O verdadeiro sentido da democracia está muito bem retratado e exemplificado em Bragança. O prefeito Edson Oliveira aderiu à candidata Ana Júlia no 2º turno e a sua secretaria de Educação e ex-deputada Eulina Rabelo, mantendo a coerência de sua trajetória política, continua apoiando Simão Jatene. Prefeito e secretária continuam amigos e parceiros em nível municipal, não misturando as coisas.Isso é o verdadeiro exemplo do exercício pleno da democracia, em que as diferentes convicções são respeitadas mutuamente. Esse fato deveria ser objeto de lição a tantos outros entes que, não respeitando a liberdade de opinião de muitos, passam a perseguir, retaliar e expurgar quem não diz amém aos seus interesses ou às suas decisões unilaterais.

Na rede do seguro-defeso, cabe peixe grande. Ou peixes.

A Polícia Federal avança nas suas investigações sobre as fraudes na concessão do seguro-defeso, que, como vocês sabem, incluiu no cardume dos beneficiários até mesmo flanelinhas.
Incluiu até gente que não distingue um pé de alface de um tucunaré, desses que aparece aí na foto.
Passadas as eleições, as apurações prosseguirão com mais celeridade.
E não se espantem se antes mesmo da diplomação dos eleitos cair peixe grande na rede.
Ou peixes grandes, não se sabe.
As iscas já foram atiradas.
Resta saber quem vai mordê-las.
Hoje de manhã, como vocês sabem, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em vários órgãos, a pedido do Ministério Púbico Federal e por determinação da 3ª Vara da Justiça Federal.
Chegou até a circular a informação, no início da manhã, de que duas Excelências haviam sido presos.
Mas foi rebate falso.
Os mandados foram apenas para apreender material.
Não houve a expedição de mandados de prisão.
Ainda não.

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

Busca do MPF apura fraudes no seguro-defeso

O Ministério Público Federal, a Controladoria Geral da União e a Polícia Rodoviária Federal executam hoje (27) 10 mandados de busca e apreensão em nove endereços na capital paraense. Não há nenhum pedido de prisão. A operação faz parte das investigações sobre fraudes no seguro-defeso. Os mandados foram expedidos pelo juiz Rubens Rollo de Oliveira, da 3ª Vara da Justiça Federal e cumpridos pelos oficiais de Justiça.
As equipes – compostas de procuradores da República, oficiais de Justiça, servidores da CGU e policiais rodoviários – estiveram nas dependências da Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura e da Superintendência Regional do Trabalho, além de casas de servidores públicos e nos escritórios dos deputados estaduais eleitos Paulo Sérgio Souza, o “Chico da Pesca” (PT), e Fernando Coimbra (PDT).
As investigações começaram depois que a CGU descobriu fortes indícios de concessão irregular de benefícios, que deveriam ser destinados a pescadores, com fins eleitorais. Paulo Sérgio Souza foi superintendente da pesca no Pará e Fernando Coimbra, superintendente do trabalho. As duas instituições são responsáveis pela concessão do seguro-defeso.
Ao examinar os números de concessão dos benefícios nos últimos anos, os investigadores perceberam um aumento significativo dos beneficiários, sem que tenha havido significativa mudança na produção pesqueira paraense. Comparando as concessões feitas em agosto de 2008 e as feitas em agosto de 2010, registra-se um crescimento de 1.414% nos benefícios.
Outra descoberta dos investigadores é que, nas últimas duas gestões na Superintendência da Pesca, ao menos 12 pessoas sem nenhum tipo de vínculo com o serviço público tinham senhas e eram autorizadas a fazer os trâmites internos para concessão dos benefícios.
O MPF, que pediu a busca, listou como objetos de apreensão todos os documentos que tenham alguma vinculação com a concessão irregular de seguro-defeso, arquivos sobre o cadastro de pescadores, bem como computadores pessoais e institucionais. O material apreendido – ainda não catalogado – deve ser armazenado na Justiça e no próprio MPF para posterior análise.
Só após análise do material, o trabalho investigativo poderá ser concluído, ou com arquivamento ou com proposição de denúncia criminal contra os envolvidos à Justiça Federal. Até a conclusão, o caso corre em segredo de Justiça.

Fonte: Ministério Público Federal

Eleições e fiscalização. Ou a falta dela.

De uma Anônima, sobre a postagem “Vou telefonar pra dra. Ellen Margareth, pro prefeito...”:

Como eleitora e cidadã comum, gostaria muito de saber por que o Ministério Público ou a Justiça Eleitoral não tomam medidas diante de tantas denúncias de utilização da máquina pública, de pressão sobre categorias e uso do poder econômico nestas eleições? O que mais é preciso para que os que têm a missão de fiscalizar façam o seu trabalho? Todos os dias lemos notas em jornais, como a que deu conta de que a governadora está convocando todos os recém-concursados contratados pelo Estado para uma reunião no Hangar, onde pretende pressionar para que votem nela no dia 31; ou a que informou que os funcionários públicos estaduais estão sendo liberados no expediente da tarde para que façam campanha para a reeleição da governadora petista; agora essa história com os taxistas. E vejam: está tudo registrado nos jornais, em gravações e mesmo assim nada é feito. Não dá para ficar parado assistindo esse espetáculo sem nada fazer. Como cidadãos, esperamos que as autoridades exerçam seu papel!

Deputado representa contra a candidata Ana Júlia

O líder do PMDB na Assembleia Legislativa e deputado estadual reeleito, Parsifal Pontes (na foto), representou ao Ministério Público Eleitoral contra a governadora Ana Júlia Carepa (PT), pedindo que seja instaurado um procedimento administrativo para se apurar se a candidata à reeleição pela “Frente Popular Acelera Pará” cometeu crime eleitoral, configurado em abuso de poder, ao pedir o apoio de dirigentes de cooperativas e associações de taxistas de Belém e Ananindeua.
O parlamentar tomou a iniciativa de encaminhar a representação ao procurador regional eleitoral, Daniel Avelino, ao ouvir o áudio de um encontro entre Ana Júlia e os taxistas, divulgado aqui no Espaço Aberto.
No áudio, a governadora estimula os taxistas a adornarem seus veículos com algum motivo que se relacione ao PT. Ao ouvir ponderação de um dos presentes, alertando que os motoristas de táxi que fizessem isso estariam sujeitos a ser multados, Ana Júlia anuncia, entre aplausos, que iria telefonar para a superintendente da CTBel, Ellen Margareth Souza, e para o prefeito Duciomar Costa, pedindo que não fosse aplicada qualquer punição aos taxistas que fizessem a propaganda de sua candidatura.
“É vedada a propaganda eleitoral em transportes públicos, portanto, quando a governadora requisita tal tipo de propaganda aos concessionários e, fato mais grave, garante aos mesmos que eles poderão cometer o ato, pois ela usará de sua influencia para coibir qualquer tipo de fiscalização, está cometendo crime de abuso de poder”, diz em sua representação o deputado Parsifal Pontes, que em sua representação anexou o áudio que o Espaço Aberto divulgou.
A seguir, a integra da representação do deputado, extraída de seu blog:

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Exmo. Sr. Procurador Regional Eleitoral do Estado do Pará

Parsifal de Jesus Pontes, brasileiro, casado, cidadão brasileiro cadastrado no CPF n° 124.394.442-00, vem perante V. Ex.ª Representar contra Ana Julia de Vasconcelos Carepa, governadora do Estado do Pará, pelos fatos abaixo:

01. Em 19 de outubro próximo passado, a governadora reuniu-se em um hotel de Belém, com dirigentes de cooperativas e de associações de taxistas de Belém e Ananindeua.

02. Segundo noticia disponível no site de campanha da governadora, os dirigentes, “foram à reunião confirmar o voto no 13, no próximo dia 31 de outubro.”

03. Em áudio gravado durante a reunião, a governadora do Estado conclamou os taxistas a fazerem propaganda eleitoral em seus respectivos veículos, adornando-os com “qualquer coisa vermelha”, seja um adesivo um lenço, ou o que o valha para fazer às vezes de propaganda eleitoral petista.

04. Ao ouvir tal conclamação, e sabendo que o pedido da governadora era flagrantemente ilegal, alguém na plateia advertiu que se os taxistas agissem assim, seriam reprimidos pela CTBel, que mandaria tirar a propaganda.

05. A governadora respondeu ao cauteloso interlocutor: “Reginaldo, não tem que mandar tirar nada, tá! A CTBel não vai mandar tirar nada!”.

E prossegue a governadora em tom veementemente autoritário: “Eu vou telefonar pra Dra. Ellen Margareth, pro prefeito. Não vai mandar tirar nada!”.

06. A Dra. Ellen Margareth em questão, é a Superintendente da Companhia de Transportes do Munícipio de Belém, CTBel, que é a entidade gestora do sistema de transporte e trânsito no Município de Belém.

07. O prefeito, in casu, é Duciomar Costa, a quem a CTBel está hierarquicamente subordinada e cujo partido, o PTB, é parte integrante da coligação “Acelera Pará”, que tem como candidata a governadora do Estado, a atual governadora Ana Júlia Carepa.

É vedada a propaganda eleitoral em transportes públicos, portanto, quando a governadora requisita tal tipo de propaganda aos concessionários e, fato mais grave, garante aos mesmos que eles poderão cometer o ato, pois ela usará de sua influencia para coibir qualquer tipo de fiscalização, está cometendo crime de abuso de poder.

Isto posto, requeiro ao Ministério Publico Eleitoral, a abertura do procedimento cabível, para que se apure a noticia do crime eleitoral neste ato denunciada, e as posteriores medidas legais pertinentes.

Anexo a este se embarca, abaixo, o áudio que comprova a veracidade da denuncia, mais precisamente o trecho que vai de 2 minutos e 42 segundos até 3 minutos e 20 segundos.

Belém-PA, 26 de outubro de 2010

Atenciosamente,

Parsifal de Jesus Pontes

Julgamento de hoje não interfere na eleição para o governo

Articuladores políticos – não todos, mas alguns – chegaram a ensaiar a montagem, nos últimos dias, de alguns cenários sobre o julgamento de hoje à tarde, no Supremo Tribunal Federal (STF), que vai decidir se mantém ou não a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou o deputado federal Jader Barbalho (PMDB) inelegível.
Chegou-se à seguinte conclusão: em termos de eleição para o governo do Estado nada muda, perca ou ganhe Jader no Supremo.
Inelegível ou elegível, o deputado não terá mais a menor possibilidade de interferir nas eleições em segundo turno no Pará.
Primeiro, porque a votação será no próximo domingo. Daqui até lá faltam, portanto, apenas quatro dias, tempo exíguo demais para movimentos eleitorais capazes de interferir expressivamente na votação.
Segundo, porque Jader resolveu liberar sua tropa, deixando-a cada um à vontade para apoiar Jatene ou Ana Júlia.
Isso, repita-se, em termos de eleição para o governo do Estado.
Em relação ao pleito para o Senado, no entanto, as repercussões do julgamento de hoje serão das mais relevantes.
Se Jader perder no Supremo, ninguém sabe ainda se vai ser necessária uma nova eleição para o Senado.
Se o deputado ganhar no STF, ele automaticamente terá computados a seu favor os votos que até agora estão em separado. E então passará à condição de eleito como o segundo colocado no pleito, com 1,799 milhão de votos.
Os cenários montados pelos articuladores pararam por aí.
Ninguém se permitiu perder tempo com mais especulações, se até os ministros do Supremo ainda não sabem, segundo se presume, como é que vão desempatar o jogo se a votação terminar em 5 a 5, como no caso Roriz.
Por isso, todos preferiram esperar.
Esperar e acompanhar atentamente o julgamento de hoje.
De olho na TV.

E Rousseau, por que sumiu do Twitter de Jader?

Lembram-se de Rousseau?
Sim, Rousseau, o Jean-Jacques, o filósofo genebrino.
Aquele mesmo, cujas confissões estavam sendo lidas atentamente pelo deputado federal Jader Barbalho (PMDB) até a semana passada.
Pois é.
Quem confessou que estava lendo Confissões foi o próprio Jader, em seu Twitter.
Mas a tuitada do deputado, em que ela confessava estar lendo Confissões, sumiu do pedaço.
Ou melhor, do Titter.
Curiosamente sumiu.
Escafedeu-se.
Evaporou-se.
Esvaiu-se em direção ao invisível.
Olhem aí uma imagem da parte de cima do Twitter de Jader.
Pois é.
A tuitada em que Jader confessava estar lendo Rousseau estava aí nesse lugar onde aparece a linha vermelhada traçada pelo blog.
Por que sumiu?
Sumiu por quê?

O Supremo e a “voz das urnas”

De um Anônimo, sobre a postagem Jader deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa:

Há uma outra hipótese, e desconfio que seja a verdadeira.
Ao abster-se de votar, o presidente do Supremo ganhou tempo e esperou o resultado da eleição. Se o candidato fosse derrotado nas urnas, ele não precisaria desempatar. Com o candidato vitorioso, ele pode alegar a voz das urnas, duvidando em favor do réu - e desempatar a favor do Jader.
Já aconteceu antes, não seria novidade...

Popular sim, grande não

Por RICARDO NOBLAT, em seu blog, de onde também foi capturada a foto.

Bolinha de papel, rolo de fita crepe, pano de bandeira, chumaço de algodão - nada pode ser usado de forma hostil para atingir alguém sob pena de tal ato configurar uma agressão.
O que militantes do PT foram fazer no calçadão de Campo Grande, no Rio de Janeiro, quando o candidato José Serra (PSDB) esteve por lá na tarde da última quarta-feira em busca de votos?
Não foram saudá-lo democraticamente. A tal ponto de civilidade não chegaremos tão cedo.
Aos berros, munidos de bandeiras e dispostos a tudo, tentaram impedir que o candidato e seus correligionários exercessem o direito de ir e de vir, e também o de se manifestar, ambos assegurados pela Constituição.
O PT tem uma longa e suja folha corrida marcada por esse tipo de comportamento violento, autoritário e reprovável, que deita sólidas raízes em suas origens sindicais.
A força bruta foi empregada muitas vezes para garantir a ocupação ou o esvaziamento de fábricas. E também para se contrapor à força bruta aplicada pelo regime militar na época em que o PT era apenas uma generosa idéia.
Para chegar ao poder, o PT sentiu-se obrigado a ficar parecido com os demais partidos – para o bem ou para o mal. Mas parte de sua militância e dos seus líderes não abdicou até hoje de métodos e de práticas que forjaram sua personalidade. É uma pena. E um sinal de atraso.
Uma vez no poder, vale tudo para permanecer ali.
Vale o presidente da República escolher sozinho a candidata do seu partido.
Vale ignorar a Constituição e deflagrar a campanha antes da data prevista.
Vale debochar da Justiça.
Vale socorrer-se sem pudor da máquina pública para fins que contrariam as leis.
Vale intimidar a Polícia Federal para que retarde investigações que possam lhe causar embaraços. E vale orientá-la para que vaze informações manipuladas capazes de provocar danos pesados a adversários.
No ocaso do primeiro turno, pouco antes de Dilma se enrolar na bandeira nacional e posar para a capa de uma revista como presidente eleita, a soberba de Lula extrapolou todos os limites.
Ele foi a Juiz de Fora e advertiu os mineiros: seria melhor para eles elegerem um governador do mesmo grupo político de Dilma.
Foi a Santa Catarina e pregou irado a pura e simples extirpação do DEM.
Foi a São Paulo, investiu contra a imprensa e proclamou com os olhos injetados: "A opinião pública somos nós".
O mais sabujo dos auxiliares de Lula reconhece sob o anonimato que o ataque de fúria do seu chefe contribuiu para forçar a realização do segundo turno.
Não haverá terceiro turno.
Se desta vez as pesquisas estiverem menos erradas, Dilma deverá se eleger no próximo domingo – e até com uma certa folga.
Mas a eleição ainda não acabou, meus senhores. A história está repleta de casos onde um passo em falso, um gesto impensado ou uma surpresa põe tudo a perder.
O que disse Lula a respeito do episódio do Rio protagonizado por Serra e por militantes do PT só confirma uma vez mais o quanto ele é menor - muito menor - do que a cadeira que ocupa há quase oito anos.
Lula foi sarcástico quando deveria ter sido solidário com Serra, de resto seu amigo de longa data.
Foi tolerante e cúmplice da desordem quando deveria tê-la condenado com veemência.
Foi cabo eleitoral de Dilma quando deveria ter sido presidente da República no exercício pleno da função.
Sua popularidade poderá seguir batendo novos recordes - e daí? Não é disso que se trata.
Popularidade é uma coisa passageira. Grandeza, não. É algo perene. Que sobrevive à morte de quem a ostentou.
Tiririca é popular. Nem por isso deve passar à História como um político de grandeza.
No seu tempo, Fernando Collor e José Sarney, aliados de Lula, desfrutaram de curtos períodos de intensa popularidade. Tancredo Neves foi grande, popular, não.
Grandeza tem a ver com caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade. Tudo o que falta a Lula desde que decidiu eleger Dilma a qualquer preço.

O que ele disse

“O que eu devia ter feito e não fiz era pegar um pedaço de pau e sair dano p... num monte de vagabundo. Teve uma hora que eu me levantei pra fazer, mas me seguraram.”
Luiz Omar Pinheiro (foto), presidente do Paysandu, este monumento vivo à ponderação e à serenidade absolutas, relembrando momentos em que ele não estava nada relaxado, nada calmo, nada sereno. As declarações estão no Diário do Pará de ontem.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Imagens de campanha

Ana Júlia em Abaetetuba e Redenção.
Jatene em carreata em Belém e recebendo o apoio do deputado estadual reeleito Martinho Carmona (PMDB).
As fotos são dos comitês de campanha dos candidatos.

Promotor é alvo de reclamação disciplinar no CNMP

Do Consultor Jurídico

O promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes é alvo de uma reclamação disciplinar protocolada no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A medida, apresentada pelo conselheiro Bruno Dantas, questiona a postura de Lopes na ação sobre a validade da candidatura do deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR), o Tiririca, e acusa o promotor de dar declarações “inadequadas, exageradas e preconceituosas” contra o humorista.
Sob a alegação de que Tiririca seria analfabeto, o promotor entrou com duas representações na Procuradoria Regional Eleitoral, propondo a realização de teste para conferir seus conhecimentos, e denunciou o deputado eleito por suposta falsificação de documentos.
Conforme a reclamação disciplinar, depois que a denúncia foi recusada pelo juiz eleitoral e que os pedidos de reexame da candidatura foram negados pelo corregedor regional eleitoral, sob o argumento de que as condições de elegibilidade de Tiririca já haviam sido apuradas pela Justiça Eleitoral, o promotor passou a atacar o candidato na imprensa.
A reclamação protocolada nesta segunda-feira (25/10) tem como base declarações do promotor que tratam o caso como uma "questão de honra" e "estelionato eleitoral". Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, Lopes chegou a afirmar que o “advogado é sórdido”, pois a defesa de Tiririca apresentou seus argumentos nos últimos minutos do prazo.
Para Bruno Dantas, a postura de Lopes é incompatível com princípios elementares do Estado de Direito, como o devido processo legal, a ampla defesa e a impessoalidade. A reclamação será analisada pela Corregedoria Nacional do MP.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o promotor afirmou que a representação é um "exagero". "É uma tentativa de desqualificar o acusador para beneficiar o réu."

Mais aqui.

Charge - Pelicano


Imprensa deixou a desejar na eleição

Por BEZERRA COUTO, no Congresso em Foco

No primeiro turno, o tédio. No segundo, o show de horrores. Antes, a pasmaceira de debates chatérrimos. Agora, o vale-tudo dos e-mails falsos, das manipulações e mentiras. A eleição presidencial de 2010 entrará para a história pela sucessão de exemplos pouco edificantes, vindos a toda hora, de todos os lados, com frequência e dimensão que provavelmente superam até mesmo as baixarias da primeira disputa presidencial realizada desde o fim da ditadura militar.
Em 1989, não custa lembrar, Fernando Collor e sua turma chegaram à vitória com uma retórica, literalmente, das trevas. Contra a ameaça de derrota para Lula, procuraram retratá-lo, a princípio, como perigoso revolucionário, coisa que ele nunca foi. Mas, e daí? Se funcionava como arma eleitoral... e assim dava-se o tom no horário eleitoral para nas ruas se verificar uma versão ainda mais radicalizada daquele discurso. Uma vez eleito, Lula acabaria com a propriedade privada, tomaria fazendas, expulsaria famílias de suas casas, repetiam as tropas de choque colloridas, integradas em boa parte por líderes religiosos e segmentos vinculados no passado à defesa do regime militar.
Houve ainda o tristemente célebre depoimento de Miriam Cordeiro, a ex-namorada do então candidato petista que apareceu no horário eleitoral para contar que, uma vez grávida de Lurian, recebeu de Lula um pedido para que a abortasse. A própria Lurian esclareceria depois sempre ter contado muito mais com o carinho e a assistência do pai, que a assumiu como filha, do que com a mãe, de quem era distante. Mas, até se conhecerem os detalhes da coisa, a candidatura do PT sangrou. Em Brasília, distribuíram-se até panfletos anônimos associando o partido à morte de crianças e a ninguém menos que o capeta.
Tanto a propaganda eleitoral quanto essa militância mais exaltada pró-Collor se dirigiam às zonas mais sombrias do eleitorado e da alma humana. Investiam na desinformação, na ignorância, nos preconceitos. Alimentavam-se do medo e da compulsão de nossa espécie em se afirmar pela identificação de contrários. Identificamo-nos, muitas vezes, determinando aquilo que não queremos ser. Apontando aqueles em relação aos quais desejamos nos contrapor. Pelo caminho, digamos, do antipetismo. Ou, mais recentemente, do antitucanismo. Aquele papo: voto na Dilma para não eleger o Serra, ou vice-versa.
Quem é bom observador já terá identificado, a esta altura, várias semelhanças entre as duas disputas. Uma diferença fundamental, porém, pode ser apontada entre aquela eleição e a atual. Em 1989, bem ou mal, Collor e Lula vieram a público com propostas minimamente claras. Este, com o compromisso de enfrentar as desigualdades sociais pela via democrática. O outro, com a promessa de “reconstruir” o Estado nacional numa perspectiva liberal – eliminando privilégios, reduzindo impostos e burocracia e melhorando a vida dos pobres (ou “descamisados”, conforme a simbologia collorida).
Personagem fundamental naquela eleição foi a imprensa, que teve papel-chave na eleição de Collor, numa história maravilhosamente narrada por Mario Sergio Conti no livro Notícias do Planalto.
Modesto corretor de imóveis, cujo diploma de Jornalismo serve apenas para enfeitar a parede do escritório, sinto-me incapaz de relatar a saga da atuação dos meios de comunicação nestas eleições. Mas não para observar, com toda a ênfase, que a mídia está muito longe de cumprir o seu papel nesta disputa presidencial.
Ambiente melhor para o exercício de bom jornalismo não poderia haver. Com a exceção talvez da revista Época, um dos raros grandes veículos que cobriram esta eleição com razoável equilíbrio, pouca importância se deu às sandices com as quais a “mãe do PAC” e o “candidato do bem” brindaram o distinto público. Num espantoso ataque de demagogia e irresponsabilidade, o economista Serra promete estender o Bolsa Família a 27 milhões de famílias – ou seja, a quase 120 milhões de pessoas, ou 60% da população! E que consistência têm os números mágicos de creches e quadras poliesportivas insistentemente repetidos por Dilma? Em quê, como e por que eles se prestariam a melhorar a educação e a qualidade de vida dos brasileiros?
Desprezada a discussão de programas de governo, pelos candidatos e pela mídia, a eleição “do contra” teve o caminho livre para se nutrir das mais sórdidas baixarias e mistificações. Dilma, certamente, foi a maior vítima das correntes caluniadoras da internet, que ora a descrevem como terrorista, imputando-lhe homicídios que não cometeu ao tempo em que arriscou a vida para lutar contra a ditadura; ora como lésbica, outra clara difamação eleitoreira; ora como fantoche de Lula, imagem em nada ratificada pela personalidade forte – e, inclusive, autoritária – da ex-ministra.
Vexames também abundaram do lado dilmista. As idas e vindas nas declarações sobre o aborto são chocantes. O manifesto divulgado para garantir o apoio dos segmentos religiosos mais conservadores é um monumento ao oportunismo eleitoral mais tosco. Não vou me alongar no assunto, mas as nações mais democráticas e civilizadas do mundo há muito compreenderam a necessidade de aceitar a união civil de pessoas do mesmo sexo ou o direito ao aborto – do qual a própria mulher de Serra, com toda a dor própria de quem passa por experiência semelhante, já lançou mão no passado, conforme depoimento que ela deu a ex-alunas, que confirmaram tudo para a Folha de S. Paulo.
Um pedaço mais complicado da guerra aberta entre dilmistas e serristas é a corrupção. Serra quer fazer crer que é a encarnação “do bem”, em contraposição aos corruptos do PT e do governo Lula. Como se sabe, do mensalão aos atos recentes de Erenice e sua parentalha, não falta material para ilustrar a tese da campanha do PSDB. Mas a súbita notoriedade de Paulo Vieira de Souza, engenheiro ligado ao tucanato paulista sobre o qual pesam numerosas suspeitas, traz à lembrança que, desde o pouco investigado episódio da compra de votos na aprovação da emenda da reeleição, a atual oposição ao governo petista está longe de ser constituída por uma horda de santos.
Chato é que a mídia, que poderia iluminar os fatos e facilitar as decisões dos eleitores, termina às vezes por obscurecê-los. Será que o neofamoso Paulo Preto é o único exemplo possível de vulnerabilidade ética dos longos anos de domínio tucano em São Paulo? Ou o que tem faltado é a imprensa investigar os sucessivos governos do PSDB paulista com o mesmo ímpeto com que se dedica à arte de lancetar os trambiques patrocinados no poder pelo PT? No episódio da bolinha de papel e de um segundo objeto voador, até agora não identificado, arremessados no Rio contra Serra, mil vozes assomaram na imprensa para condenar Lula por ter tratado o episódio como uma farsa à la Rojas. O pito foi merecido, dadas a precipitação do presidente e a condenável atitude dos militantes dilmistas que cercaram Serra. Mas nenhuma dessas vozes se ergueu contra a óbvia supervalorização eleitoreira do caso. A precária imagem gravada por celular não esclarece se Serra foi atingido por um rolo de fita crepe ou por bolinho de adesivos, mas torna patente que foi um objeto de pequena dimensão – jamais a peça “de mais de dois quilos” invocada pelo demo-tucanato para anunciar a interrupção da campanha. De ridículo em ridículo, só nos resta torcer para que os eleitores tenham a sabedoria que até agora faltou aos protagonistas destas eleições.

Almir, suas “bicudas” e os anseios de Jatene

De um leitor, sobre a postagem “Bicudas” de Almir em Jatene têm surtido efeito. Parece.:

Você tem toda razão. Os tucanos criticam o dr. Almir por falta de coerência, mas logo eles, que já satanizaram o Jader à exaustão e nessa eleição querem de qualquer forma o apoio do PMDB de Jader no Pará!
Quem quer muito o apoio de Jader ainda não chegou aos 70 como o Pelé.

Carros, celulares... Refundem a administração do Remo!

E o Conselho Deliberativo do Remo?
Como anunciado, reuniu-se.
E como era de se esperar, nada decidiu.
Porque o Conselho Deliberativo, vocês sabem, nada decide.
Para dizer que não decidiu, tomou uma decisão.
Uma decisãozinha, digamos assim, mas decisão.
Mandou notificar Sua Senhoria o presidente, Amaro Klautau, para que se defenda da acusação de ter destruído o patrimônio do clube.
A destruição, no caso, ocorreu quando Amaro, na calada, no silêncio de uma madrugada, mandou que passassem a mão numa marreta para pôr abaixo o pórtico do estádio Baenão que tinha o escudo do Remo.
No mais, o que fez o Condel.
Fez o mais do mesmo.
Conselheiros bateram boca, reafirmaram acusações, expuseram argumentos já repetidos e nada...
Nada de nada.
Mas teve um detalhe, no bate-boca, que chamou atenção.
O presidente do Remo confirmou – ele mesmo, ele próprio – denúncia do conselheiro Ronaldo Passarinho, de que alugou um carro e contratou os serviços para dez telefones celulares.
Amaro, segundo disse, fez isso em favor dos interesses do Remo.
Olhem só.
Isso é uma brincadeira.
O Remo, na situação em que se encontra, sem dinheiro para pagar humildes funcionários, sem pagar atletas, na iminência de ter seus bens levados a leilão, levados à hasta pública, mas tendo que arcar com despesas que incluem um carro alugado e dez telefones celulares!
Dez.
Um, dois, três, quatro... dez.
E o Conselho Fiscal do Remo, onde está?
Existe?
Monitora as contas?
Monitora as despesas?
Avalia a pertinência delas?
Mensura seus impactos nas finanças globais do clube?
O Remo, fora de brincadeira, precisa ser refundado.
Ou melhor, o Remo não, mas sua administração.
Precisa ser refundada, recriada.
É preciso deletar, apagar procedimentos de gestão que empurraram o clube para a situação em que se encontra.
Fora de brincadeira.

Charge - Waldez

Acesse o Blog do Waldez

Movimento contra hidrelétrica tem novo site

O Movimento Xingu Vivo para Sempre está com site novo.
É o www.xinguvivo.org.br.
Lá você encontrará notícias sobre o movimento em defesa do Xingu, o histórico do projeto de Belo Monte, documentos oficiais, ações civis públicas e outros documentos da batalha jurídica envolvendo a usina.
O site também contém os melhores vídeos ilustrativos e os nossos contatos nas redes sociais, como Twitter, Facebook e Delicious.
Principal coalizão de oposição à construção da hidrelétrica, o Movimento Xingu Vivo para Sempre sustenta que deixará “indígenas, ribeirinhos, pescadores, garimpeiros e todos os demais que utilizam o rio sem meio de locomoção ou sustento.”
De acordo com o projeto inicial da obra, cerca de 20 mil pessoas seriam desalojadas de suas terras e casas, “mas o número pode chegar a 40 mil pessoas, de acordo com especialistas que acompanham o projeto”, diz o Movimento Xingu Vivo para Sempre.

E o artigo 5º? Muitas vezes, vai para o ralo.

Do advogado Walmir Brelaz, sobre a exasperação – deplorável, sob todos os aspectos e sentidos – de Sua Excelência o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ary Pargendler:

Este cidadão simboliza, infelizmente, a maioria dos magistrados. Não sei onde os que fazem parte desse grupo leram ou aprenderam que são superiores aos outros. Não sei, mas imagino: de um mundo ideológico que permite essa relação de “melhores” e “maiores” sobre “menores” e “piores”. Ou seja, essa estória de que todos somos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, prevista no art. 5º da Constituição Federal, não passa de uma grande balela. Em todo lugar, em toda parte, esse tal de art. 5º vai para o ralo.
Eles, os magistrados daquele grupo, deveriam cuidar de fazer cumprir esse princípio da igualdade. Mas, como fazer isso se eles não se sentem iguais?

“Vou telefonar pra dra. Ellen Margareth, pro prefeito...”



Candidata à reeleição pela “Frente Acelera Pará”, a governadora Ana Júlia (PT) acelera.
Desta vez, acelera junto com os taxistas.
No dia 19 deste mês, Sua Excelência encontrou-se num hotel da Capital com mais de 100 dirigentes de cooperativas e de associações de taxistas de Belém e Ananindeua.
Eles representavam 5.500 profissionais da área e, segundo notícia disponível no site de campanha da governadora, “foram à reunião confirmar o voto no 13, no próximo dia 31 de outubro.”
Pois é.
A matéria disponível no site omite um trechinho da reunião.
É pequeno, mas interessante.
Cliquem aí em cima para ouvir o áudio.
Observem o trecho que vai de 2 minutos e 42 segundos até 3 minutos e 20 segundos, mais ou menos.
Aumentem bem o volume para ouvirem.
Prestem atenção quando Sua Excelência conclama os companheiros taxistas a adornarem seus carros com “qualquer coisa vermelha” – seja adesivo, bandeira, lenço etc. – capaz de vincular a preferência deles à candidatura petista.
Alguém da plateia objeta que, se os taxistas fizerem isso, serão reprimidos pele CTBel.
Aí, Ana Júlia deixa de ser candidata e vira governadora.
Mas virando governadora, não deixa de ser candidata (hehehe).
A governadora-candidata diz então que a CTBel não vai fazer nada, não.
“Eu vou telefonar pra dra. Ellen Margareth, pro prefeito...”, diz a governadora.
Ellen Margareth, no caso, é Ellen Margareth Souza, a nova superintendente da CTBel, que já se impôs o desafio de visitar, um por um, todos os pontos de táxis de Belém para tentar pôr ordem no caos.
E o prefeito, a que a governadora se refere?
É ele, o Huno.
Porcino Huno, o devastador, mais conhecido por Ducioimar Costa, aliado fiel – fidelíssimo – da governadora.
Nada contra a candidata Ana Júlia fazer seus proselitismos político-eleitorais.
Nada contra.
Ela é candidata.
E candidato precisa de votos, ora bolas.
Mas convém discutir duas coisas – nada irrelevantes, ressalte-se.
A primeira: se a sugestão da governadora aos taxistas implica de fato uma ilegalidade que, por ser ilegalidade, a CTBel precisa reprimir, é cabível, é admissível ela, a governadora, maior autoridade do Estado, valer-se do relacionamento institucional-político-eleitoral que tem com o Município de Belém para induzi-lo a se eximir do poder de polícia que legalmente possui para reprimir ilegalidades? Pode isso? Isso pode?
A segunda: táxi é uma concessão pública; os taxistas, nesse sentido, podem ser assediados, podem ser cooptados a fazer campanha política para quem quer que seja?
Sabe-se lá.
Mas é provável, muito provável, que o Ministério Público Eleitoral saiba.
Esse áudio ainda vai chegar por lá.
Se é que ainda não chegou.

“Bicudas” prejudicam Ana Júlia, avaliam os tucanos

Pesquisa por pesquisa, cada um tem a sua.
As do PT, conforme o blog informou ontem, mostram que as bicudas do new anajulista, do petista de carteirinha – ou quase – Almir Gabriel em seu ex-pupilo Simão Jatene (PSDB) estariam dando certo.
Estariam surtindo efeito favorável a Ana Júlia.
Pois as pesquisas que o PSDB tem feito nos últimos dias dizem que não.
Os tucanos têm acompanhado os movimentos do doutor Almir antes mesmo dele, digamos, converter-se ao petismo.
As aferições internas monitoram os efeitos do fator Almir (hehehe) desde quando, abjurando e renegando a tucanagem, converteu-se ao jaderismo, ou ao peemedebismo, como queiram.
A conclusão das pesquisas internas dos tucanos é uma só: as aparições de Almir no programa de Ana Júlia e, de um modo geral, sua adesão à candidatura petista têm tirado votos da governadora que tenta a reeleição.
Isso porque a maioria dos eleitores avaliam como esdrúxula essa aliança esdrúxula.
E consideram até que Almir perdeu a credibilidade depois dos apoios que anunciou.
Os leitores, conforme a aferição tucana, percebem que o ex-governador, movido pelo ódio e pelos ressentimentos, tem pulado de galho em galho apenas na tentativa de derrotar Jatene, o que descredenciaria o novo aliado de Ana Júlia.
Em resumo: não há fato novo que tenha alterado o cenário eleitoral.
É o que aponta a avaliação dos tucanos, em contraponto à dos petistas.

Aos “deslumbrados” do Remo: “Desocupem! Saiam!”

De um Anônimo, sobre a postagem O Remo não tem Condel. Tem casta de apaixonados.:

Apreciação quase perfeita.
Discordo quando diz que os membros do Condel são uma "casta de apaixonados".
Só se for paixão por eles mesmos.
E as brigas e picuinhas são pelo poder e por espaços na frente de câmeras e microfones.
Se o amor fosse pela instituição Clube do Remo, eles não deixariam o clube chegar até essa vexatória e desesperadora situação.
Afinal, tiveram grande participação, direta ou indiretamente, na produção do rombo calamitoso que ameaça encerrar o clube. São ex-membros de diretorias, ex-presidentes e/ou conselheiros ausentes, lenientes, coniventes, passivos ou contemplativos das seguidas diretorias tragédias que tem cavado o buraco azulino.
E podemos apostar que a grande maioria nunca sentou a bunda em uma arquibancada quente, sob sol escaldante, para gritar e incentivar os seguidos ajuntamentos de pernas de pau que contrataram para os seguidos vexames no futebol.
Outros tentaram fazer do Clube do Remo trampolim político.
Tudo pelo pessoal, nada pela instituição.
E só aparecem em época de eleições.
Figurinhas carimbadas, os "donos" de sempre.
E nós, torcedores azulinos de verdade, somos os que sofrem e pagam o preço das vaidades pessoais desses tais "apaixonados" que se acham donos do Remo.
Desocupem! Saiam!
O Clube do Remo não merece mais o castigo produzido por vocês, deslumbrados!