domingo, 17 de agosto de 2008

Bala matou mais de 80 entre abril e agosto


No AMAZÔNIA:

Mesmo após a criação do Estatuto do Desarmamento, em 2003, o número de crimes cometidos com arma de fogo na Grande Belém tem se revelado alto nos últimos três meses. Segundo dados dos três principais hospitais que atendem vítimas de crimes violentos - os Prontos-Socorros do Umarizal e do Guamá e Hospital Metropolitano -, foram registrados 124 casos de lesões corporais e 78 homicídios por baleamento no período de 28 de abril a 28 de julho de 2008. Até 4 de agosto, contabilizaram-se mais 8 mortes e 15 casos de lesões corporais causadas por arma de fogo. E esses dados não incluem assassinatos e tentativas de homicídio registradas nas delegacias e seccionais da Região Metropolitana.
A Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Segup) não forneceu qualquer estatística sobre os crimes, alegando que tais números servem somente para o trabalho do Serviço de Inteligência da Segup e não para divulgação pela imprensa à sociedade. As Polícias Civil e Militar não se pronunciaram sobre o assunto oficialmente, apenas dois profissionais falaram com a reportagem, mas sem revelar a identidade por receio de sofrerem punições. Segundo essas fontes, sempre falta efetivo e o criminoso se utiliza de artimanhas que impedem a prisão dele em flagrante com arma de fogo.
Um investigador da PC, cuja identidade será preservada, afirma que não cabe à Civil fazer a revista de suspeitos nas ruas, mas sim à PM, responsável pelo policiamento ostensivo. 'Esse trabalho é dela. A Civil investiga. Para nós entrarmos em casas é necessário termos um mandado judicial ou uma ordem de missão emitida pelo delegado. Temos muitas vezes a informação de locais onde encontraríamos armas e drogas, mas chegando lá não achamos nada e os acusados vão à Corregedoria denunciar o policial. Tem delegado que não quer assumir a responsabilidade junto com a gente', comentou o anônimo.
Segundo o investigador, os ladrões usariam mulheres adultas e idosas e até crianças para esconder as armas após praticarem os delitos, já que os policiais não poderiam revistá-las, o que causaria constrangimento.
Um PM da 10ª Zona de Policiamento Urbano, que também preferiu não ser identificado, acredita que a PM poderia trabalhar melhor na apreensão de armas e na prevenção aos homicídios. Mas a quantidade de criminosos nas ruas seria bem superior à capacidade de ação dos militares. 'Poderia ser melhor, mas tem pouco efetivo. Tem muito bandido por aí. Nós ficamos de mãos atadas', disse o PM.

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