sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Acordos à vista. Mudanças também.

Na coluna "Repórter 70", de O LIBERAL de hoje:

ELEIÇÕES
Acordo

Robustas lideranças políticas vinculadas ao PT, em Brasília, com trânsito fácil pelos gabinetes do terceiro andar do Palácio do Planalto, andam muito assanhadas com a possibilidade de um acordo envolvendo o PSD e o PT para as eleições de outubro no Pará. É um frenesi danado de conversações, algumas delas ocorrendo em paradisíacos cenários do interior do Estado.

Mudanças

Barbas de molho. Têm sido intensos os indícios de que o vice-governador Helenilson Pontes já teria avisado seus interlocutores políticos de que, caso assuma em definitivo a chefia do Executivo estadual, será governador de fato e de direito e dará sua própria feição ao atual arranjo de governabilidade da máquina administrativa. Para isto, de cara, cinco secretarias, tidas como “de perfil técnico”, passariam pela famosa “dança das cadeiras”.

Buraco da Cosanpa já faz 6 dias E avança para o 60º dia.



Espiem só, meus caros.
Deem só uma espiada.
Se vocês querem engenho, arte e estilo no metier de abrir buracos e não fechá-los mais - ou fechá-los sabe-se lá quando -, chamem a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa).
Se vocês querem conhecer a relação entre o que pagamos e a qualidade, presteza e eficiência dos serviços públicos oferecidos, batam um fio para a Cosanpa.
As fotos são do Espaço Aberto.
Mostram esse buracão que a Cosanpa fez bem na esquina da avenida Braz de Aguiar com a travessa Benjamin Constant.
Sabem quando a Cosanpa baixou o seu, digamos assim, ferramental por aqui?
No domingo passado.
Domingo de manhã, chegou um carro com uns três ou quatro trabalhadores da Cosanpa, que começaram a dar marretadas na calçada para consertar um vazamento.
Beleza.
O vazamento, parece, foi reparado.
E porque foi, a Cosanpa, tudo indica, acha que o buraco pode ficar lá, indefinidamente.
Pode?
Não pode.
Mas hoje se completam seis dias que a buraco está por ser calafetado.
Se vocês querem engenho, arte e estilo no metier de abrir buracos e não fechá-los mais, chamem a Cosanpa.
É assim.
Não deveria ser.
Mas é.

TRF1 ordena que Norte Energia corrija problemas em casas

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, atendendo a recurso do Ministério Público Federal (MPF), ordenou que a Norte Energia S.A promova a adequação das casas destinadas ao reassentamento coletivo urbano dos atingidos pela usina de Belo Monte na cidade de Altamira. Estão sendo removidos todos os que moram em áreas de Altamira abaixo da chamada cota 100 (100 metros acima do nível do mar), um número que pode ser de 16 mil a mais de 25 mil pessoas.
Ao apresentar o programa de reassentamento em 2012 a empresa prometeu três opções de casa, com tamanhos variados de acordo com a família. Em 2013 informou sem discussão prévia com os atingidos que só haverá um tamanho de casa, de 63 metros quadrados. Em outubro do ano passado, após um laudo técnico, o MPF entrou com uma ação na Justiça Federal em Altamira pedindo que a Norte Energia cumprisse o prometido, mas a Justiça não concedeu liminar. O MPF recorreu ainda em 2013. Em janeiro de 2014, o reassentamento começou sem que os problemas apontados fossem corrigidos. Com a decisão do dia 29/01/2014, a Norte Energia está obrigada a resolvê-los.
Para a desembargadora federal Selene Almeida, do TRF1, responsável pela decisão, o MPF está correto ao afirmar que “a Norte Energia, ao apresentar publicamente a proposta de três modelos distintos de casa, vinculou-se ao ofertado, não podendo, unilateralmente, após anuência da população ao que lhe foi proposto, reformular a oferta”. O laudo técnico do MPF comprovou que, depois das mudanças promovidas pela Norte Energia, as casas para reassentamento passaram e ser irregulares de acordo com as obrigações previstas no Projeto Básico Ambiental de Belo Monte, documento que faz parte do licenciamento ambiental e deve ser cumprido pela empresa.
Se não cumprir a decisão, a Norte Energia foi condenada a pagar multa diária de R$ 20 mil por dia de descumprimento.
Processo judicial nº 0002464-06.2013.4.01.3903/TRF1

O que ele disse

"O destino da cubana refugiada no Congresso dirá se o Brasil é uma nação democrática ou se já virou sucursal de uma ilha-presídio"
Augusto Nunes, jornalista, sobre o pedido de refúgio da médica cubana Ramona Matos Rodríguez, que fugiu de Pacajá, no Pará, onde atuava no Programa Mais Médicos.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DEM e PSB avisam que não aceitam Helenilson candidato

A decisão do governador Simão Jatene (PSDB) de se desincompatibilizar no dia 8 de abril e as suspeitas de que poderá até mesmo não se candidatar um novo mandato eletivo, abrindo espaço para que o atual vice, Helenilson Pontes (PSD), dispute o governo do Estado está começando a provocar ebulições que nem o melhor radar dos tucanos seria capaz de imaginar.
Ao retornar de suas férias nos Estados Unidos, Jatene recebeu, de boas-vindas, a seguinte informação de lideranças do DEM e do PSB: se realmente for confirmada sua intenção de fugir da raia da disputa eleitoral, apoiando em contrapartida a candidatura de Helenilson, tanto o DEM como o PSB deixarão a base aliada no Pará e vão procurar outros ninhos, outros apriscos, outros rumos.
Não é só isso. Os próprios tucanos também não engolem, não deglutem, não digerem de jeito nenhum, nem por hipótese, a ideia de Jatene em afastar-se da disputa eleitoral. E já fizeram chegar ao governador a informação de que, se for mesmo essa a sua estratégia político-eleitoral, é melhor, de imediato, entregar o governo antecipadamente aos adversários. Ou melhor: ao adversário, que leva o nome de Helder Barbalho (PMDB), aspirante a candidato ao governo do Estado em aliança com o PT.
As informações, obtidas ontem pelo Espaço Aberto de fontes seguras, confirmam outras aqui já postadas, como a que revelou constrangimentos mútuos entre tucanos e Helenilson Pontes e a que revelou resistências no próprio PSDB diante das pretensões do governador Simão Jatene.

"O Brasil é um criatório de bandidos"

Amiga e leitora aqui do Espaço Aberto ficou chocada com a morte - brutal, selvagem, animalesca - de Sônia Suelyde Almeida Campelo, de quem também era amiga.
Seu depoimento, remetido por e-mail de Curitiba (PR) para o blog, enseja reflexões das mais relevantes, nestas horas em que, como já se comentou por aqui, dá vontade de ir embora para algum lugar, sem que tenhamos a menor certeza de que poderemos encontrar menos violência, menos ódios, menos insegurança.
Leiam abaixo:

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Paulo Sérgio, que barbaridade!
Fiquei tão impressionada com essa história que não consegui trabalhar direito ontem [terça-feira] e nem dormir. Fico tentando imaginar o que aconteceu e o quanto ela deve ter sofrido, de dor, de medo, desespero...Meu Deus!
Nada justifica tanta violência.
E nos perguntamos: adiantará agora pedir Justiça? Por que as pessoas só exigem do Estado a Justiça depois de tragédias como essa? Por que nada é feito pra melhorar a segurança nessa cidade e em todas as outras desse país?
Confesso que por muitos anos vivi com medo em Belém, até que não aguentamos mais e fizemos as malas. Não que aqui ou em qualquer outro lugar (mesmo em Pasárgada), estejamos seguros, longe disso, mas pelo menos aqui temos uma sensação de segurança bem maior, menos medo, tensão e aquela horrível sensação de impotência diante de tanta desgraça.
E o que vai mudar? Nada. Nada vai mudar. Muitas Sônias ainda vão perder suas vidas por coisas absolutamente banais. O Brasil é um criatório de bandidos, de marginais da pior espécie. E temos que conviver com eles, estejam mais perto, como em Belém, ou um pouquinho mais longe, como em Curitiba. E ao final de cada dia temos que agradecer a Deus.
No fim só nos resta mesmo é rezar pedindo proteção divida pra nós e pros nossos. Só isso. Só Deus.
E rezar também muito pela Sônia e pelo Bruno.

Força para seguir em frente


De Nazaré, Murilo, Maurão, Sabino, Marília e Márcia, sobre a postagem Sônia Suely de Almeida Campelo:

De uma família amiga, para outra família mais amiga ainda.
Estamos muito sintonizados em orações por vocês e solidários diante da dor que ninguém gostaria de estar passando, ainda mais sendo tão trágica como aconteceu com nossa alegre Sônia.
Que o Espírito de Deus Consolador repouse em vocês, lhes dando força para seguir em frente, apoiando-os uns aos outros, sempre na União e no Amor que percebemos que vocês cultivam, uns pelos outros.
Sejam perseverantes na Fé e sobretudo nos propósitos de cada um, que é sempre serem do BEM. Jesus e Maria Santíssima estejam sempre em vocês.

Roupa Nova e Padre Fábio de Melo - A Paz

Edmilson e Randolfe cobram solução para o Aeroporto de Belém

O deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) vão protocolar nesta quinta-feira, 6, uma representação junto à Procuradoria Geral da República, em Brasília, pedindo que o órgão tome providências contra a Infraero em relação ao caos aéreo instalado no Aeroporto Internacional de Belém, no bairro de Val-de-Cans. A imprensa vem noticiando o prejuízo causado a passageiros, que têm sofrido com atrasos e cancelamentos de voos devido às condições da pista, que, segundo as companhias, não oferece a segurança necessária para a realização de pousos e decolagens durante as constantes chuvas.

Na última quarta-feira, 5, Edmilson apresentou moção na Assembleia Legislativa do Pará a fim de que o Ministério Público Federal apure a responsabilidade da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que realizou recente reforma na pista do Aeroporto Internacional de Belém. O assunto também será levado ao Senado por Randolfe, que pedirá uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente Fiscalização e Controle. 

Diante do problema, passageiros reclamam da falta de informações por parte das companhias, Infraero e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diante dos desvios frequentes de voos para outras localidades, como São Luís e Amapá, da falta de alimentação e acomodação e das longas filas de espera para embarque. Clientes acompanhados de crianças, idosos e pessoas com deficiência são os mais afetados pelos transtornos, que já resultaram em protestos no saguão do aeroporto.

Num desses protestos, no último dia 11, uma senhora de 70 anos, hipertensa e diabética, esperava há mais de 24 horas por um voo da TAM. Para piorar a situação, remédios específicos para seu tratamento já haviam sido despachados em outro voo, demonstrando a desorganização do serviço. A empresa justificou que “lâminas d’água” localizadas na pista não ofereciam condições operacionais de pouso e que as taxas de remarcação ou a diferença de tarifa ao menos deixariam de ser cobrados. Naquele dia, dezenas de voos foram cancelados ou atrasados. A maioria das reclamações foi registrada em relação a essa companhia.

Durante o período chuvoso da Amazônia, que ocorre entre os meses de dezembro e maio, os índices pluviométricos aumentam exponencialmente, ficando entre os mais altos do mundo. Comandantes da TAM alegam que estariam comprometidos os sistemas de escoamento do aeroporto de Belém, mas a Infraero nega, pois as outras companhias operaram normalmente nos dias em que a TAM evitou pousos e decolagens, supostamente atendendo a padrões internacionais de operacionalidade. 

O objetivo dos parlamentares é garantir a solução do alegado problema na pista e, em paralelo, garantir o respeito aos direitos do consumidor no que se refere à estadia e alimentação em casos de alteração no cronograma de voos.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Diária presidencial custa quase 3 anos de trabalho para assalariado

Quem ganha salário mínimo, no Brasil, precisa trabalhar nada menos que dois anos e oito meses para pagar uma única diária da presidente Dilma Rousseff, seja em Nova Iorque ou Portugal. Os gastos abusivos da chefe do Executivo e os desmandos do PT foram os assuntos do pronunciamento desta quarta-feira, 05, do senador Mário Couto (PSDB-PA), líder da Oposição no Senado.

"Como é possível que a presidenta da República peça para parar em Portugal, para jantar num hotel de luxo e hospeda 45 pessoas nesse hotel de luxo? Veja, Brasil, 45 assessores da Presidência foram hospedados nesse hotel de luxo, e a diária da Presidenta custou R$ 26 mil, quando o aposentado morre à míngua, quando o País não tem saúde, quando o assalariado passa fome?", indignou-se Mário Couto.

Para ele, a população brasileira vem sendo sistematicamente "desrespeitada" e "humilhada" pela presidente da República e pelo partido dela, que em outros tempos se colocava acima da ética. "Dilma, quem perde o respeito perde a moral", disse Mário Couto. "Vossa Excelência esnoba. Vossa Excelência abusa. Vossa Excelência humilha o povo brasileiro", arrematou.

A esnobação, citou o senador, pode ser constatada na licitação de R$ 50 mil, aberta pelo Palácio do Planalto, para a compra de papel higiênico. "O papel higiênico que a Dilma quer é aquele de veludo, aveludado; o papel higiênico do pobre é aquele avermelhado, aquele negro; o papel higiênico do mais pobre é o jornal! Ó Dilma, R$ 50 mil de papel higiênico, Dilma, só porque tem de ser macio e aveludado?!", ironizou Mário Couto, para quem não é mais possível conviver "com essa falta de vergonha".

Outra crítica foi para a "campanha de arrecadação" do PT para pagar multas dos condenados no processo do Mensalão, como José Genoíno e José Dirceu, e que agora virou alvo do Ministério Público Federal, que suspeita de lavagem de dinheiro. "Os mensaleiros agora estão fazendo campanha para pagar aquilo que a Justiça mandou devolver aos cofres públicos, aquilo que foi roubado do povo brasileiro. Calculem, brasileiros e brasileiras, o que eles receberam através da internet, os corruptos, os bandidos que foram presos, em doações. Calculem".

Até esta terça-feira, 4, o total de doações aos mensaleiros havia chegado a R$ 1,7 milhão, acima do valor das multas, que é de R$ 1,1 milhão. "Eram os homens sérios do PT. Você acredita que um corrupto condenado, dentro da cadeia, seria capaz de arrecadar, por dia, R$ 700 mil? Você acredita nisso, Brasil? Será que o povo brasileiro ia fazer doações de R$ 700 mil para um corrupto pagar as dívidas que roubou do País, que roubou de você próprio? Isso é seu, é o imposto que você paga", disse Mário Couto.


Fonte: Assessoria de Imprensa

O que ele disse


"Querer saber - o que parece tão difícil - se não é errado, entre tantos seres vivos que praticam a violência, ser o único ou um dos poucos não violentos, não é diferente de querer saber se seria possível ser sóbrio entre tantos embriagados, e se não seria melhor que todos começassem logo a beber."
Leon Tolstoi (1828-1910).

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz!"

Professora da UFPA também foi largada na estrada de Mosqueiro

A servidora pública federal Sônia Campelo, brutalmente assassinada na última segunda-feira, pode não ter sido a primeira vítima de uma quadrilha que, tudo indica, está agindo em Belém e pode ter suas bases fincadas na Região Metropolitana, mas não propriamente na Capital.
Sônia, como de conhecimento público, teve sua vida ceifada em circunstâncias que investigações em andamento ainda haverão, espera-se, de esclarecer completamente. Mas é fato que seu corpo foi encontrado na estrada de Genipaúba, secundária à rodovia do Mosqueiro, com acesso à altura da localidade de Pau D’Arco.
Pois leiam o relato abaixo.
Foi postado no dia 31 de janeiro último, portanto na sexta-feira passada.
Quem dá o testemunho, em seu perfil no Facebook, é a Maria Eulália Sobral Toscano, uma das mais brilhantes professoras da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde é titular da cadeira de Linguística, área na qual tem doutorado.
É viúva do saudoso José Luiz Fragoso Toscano, que foi bancário do Banco do Brasil, vereador e o coordenador da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré. Aos 56 anos, Toscano faleceu subitamente em março de 2010.
Leiam com atenção o relator da professora Maria Eulália e observem um detalhe: ela foi sequestrada em Belém, mas deixada – felizmente com vida – na estrada de Mosqueiro, mesmo rumo tomado pelas bestas humanas que ceifaram a vida de Sônia. Eis um modus operandi, como dizem os nossos investigadores, que precisa ser devidamente anotado, registrado e trabalhado no esforço para desvendarem-se selvagerias como a que ceifou a vida de Sônia e a que deixou a professora Maria Eulália traumatizada.
Abaixo, o depoimento.

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SUPERMERCADO SUPERCENTER NAZARÉ: FALTA DE SEGURANÇA. Você vai ao SUPERMERCADO SUPERCENTER NAZARÉ fazer compras, apesar de não ser um dos mais baratos da cidade, por conta de uma PSEUDO SEGURANÇA que o estabelecimento lhe oferece. ÀS 10H DE ONTEM, FUI ROUBADA E SEQUESTRADA NO ESTACIONAMENTO DO SUPERMERCADO SUPERCENTER NAZARÉ, segundoS depois de o rapaz colocar minhas compras no porta-malas do carro. Fiquei 3 horas nas mãos dos assaltantes, enquanto isso, seus comparsas fizeram a festa em meu cartão de crédito. Fui largada na estrada do Mosqueiro às 13h30m. Além de bens materiais, que não foram poucos (perdi inclusive meu carro), ROUBARAM O QUE ME HÁ DE PRECIOSO, MINHA PAZ, MINHA TRANQUILIDADE. ESTA É A CIDADE EM QUE VIVEMOS, UMA CIDADE SEM SEGURANÇA ALGUMA, isso para não desfocalizar e arrolar as doenças por que BELÉM PADECE.

AVISO: EVITEM DE FAZER COMPRAS NO SUPERMERCADO SUPERCENTER NAZARÉ (ENTRADA PELA 16 DE NOVEMBRO E SÃO FRANCISCO, NA CIDADE VELHA). VOCÊ NÃO SABE O QUE LHE OCORRERÁ NO ESTACIONAMENTO.

Cães de palha


O Espaço Aberto recebeu por e-mail enviado de Brasília, pelo advogado Ismael Moraes, o seguinte artigo, sob o título acima.

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Meu caro amigo Bemerguy, nunca sequer bebemos um vinho ou comemos algo juntos, mas possuímos, acredito, uma empatia e uma sintonia incomum. Sempre que conversamos – a maioria das vezes por telefone – fico impressionado como, ao fim de nossos debates, nos entendemos, ainda que discordando.
Obtive a informação do evento terrível que fulminou a vida da sua amiga Suely aqui em Brasília, conversando com um desembargador que conheço desde quando ele era juiz federal, e que dela se lembrava, sabendo inclusive tratar-se de uma irmã do Dr. Antonio Campelo, que trabalhava também na Justiça Federal. Após a conversa, acessei incontinenti o Espaço Aberto e deparei o seu sofrimento. Liguei e você atendeu, com a voz de quem estava destruído, amputado, sem o chão.
Após nossa conversa a ficha foi caindo. Como podemos nos acostumar com as notícias quotidianas de assaltos, estupros, mortes e toda sorte de violências em Belém? Em que estamos nos transformando? Será que essa será mais uma morte em vão, que após alguns dias será aceita como algo banal, que poderia acontecer com qualquer um, como se fora algo “normal”? A família dessa moça arcará sozinha com esse peso, com esse arrebatamento, para sempre, assim como tantas outras?
Não, meu amigo, não acredito que estejamos discernindo o que está acontecendo entre nós, que vivemos, crescemos, criamos nossos filhos, e tentamos continuar uma “civilização”! Não, meu amigo, não é possível que estejamos deixando que o egoísmo de nossas vidas privadas superem a nossa obrigação coletiva de resolvermos aquilo que nos fustiga como grupo, como sociedade, que, em tese, tem o mesmo objetivo de bem comum!  
Se esquecermos de que forma ocorreu a morte dessa mulher, dessa moça, dessa pessoa que para os irmãos, pais e amigos ainda é a mesma menina doce com quem conviveram e sabem dos seus mais genuínos sentimentos. Se isso ocorrer, se deixarmos isso passar como mais um evento normal da Belém atual, então, meu amigo, sejam quem forem os criminosos que perpetraram a barbárie, não somos tão diferentes deles, porque nos tornamos partícipes dos seus atos enquanto espectadores resignados, espetáculo dos qual passamos a fazer parte, por uma osmose conivente, de uma sociedade que nossa omissão ajudou a formar.
Se isso passar, nos próximos dias, em branco, nossa diferença dos bandidos será apenas na forma da covardia.  
Somos de verdade criaturas de Deus, ou representamos aqui apenas uns meros cães de palha[1], como se estivéssemos num ritual diário, que de vez em quando fará um de nós ser descartado como algo banal?
Acredito que devamos nos reunir, nas escolas, nos locais de trabalho, nas igrejas, nas entidades de classe, e, sem motivação partidária, procurar meios, formas e fins para lutar contra esse estado de coisas a que chegamos.
Como inciaremos?


[1]Jonh Gray no livro “Cachorros de Palha” (p. 50) diz: “Nos antigos rituais chineses, cachorros de palha eram usados como oferendas para os deuses. Durante o ritual, eram tratados com a mais profunda referência. Quando terminava, e não sendo mais necessários, eram pisoteados e jogados fora: “Céu e terra não tem atributos e não estabelecem diferenças: tratam as miríades de criaturas como cachorros de palha.” Se os humanos perturbarem o equilíbrio da Terra, serão pisoteados e jogados fora. O críticos da teoria Gaia dizem que a rejeitam porque não é científica. A verdade é que têm medo e ódio da teoria, porque isso significa que os humanos nunca podem ser nada além de cachorros de palha”

Assassinos precisam ser encontrados. E punidos.

De Francisco Guimarães, servidor federal, sobre a postagem Sônia Suely de Almeida Campelo:

Triste perdermos uma pessoa como a Sônia e da forma tão brutal como foi. Indescritível a revolta que assola nossa mente e coração, ao percebermos a sensação de impotência e sentirmos que a violência está tão perto de nós. Só nos resta torcermos para que este assassino ou assassinos sejam encontrados e punidos, mesmo sabendo que isto não trará de volta a nossa querida colega Sônia Campelo. Meus sentimentos a todos aqueles que fazem parte do seu círculo de amizade e a toda família.

De Leila Eiró, também servidora federal:

Estou chocada com a violência sofrida por nossa colega Sônia. Vai ficar para sempre, em minha mente, aquele sorriso bonito dela quando me dizia: "Oi, tudo bem ?". Sônia, vai com Deus. Ele, com certeza, te recebeu de braços abertos. Meus sinceros sentimentos aos seus familiares.

"A brutalidade insiste em manchar o nosso solo de sangue"

Do deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), em seu site:

Registro com pesar e profundo sentimento de indignação a perda dolorosa da amiga e servidora da Justiça Federal, Sônia Campelo, irmã do amigo e companheiro de lutas e sonhos, Marcos Campelo, produtor cultural e um dos mais talentosos músicos do Pará. O corpo de sua irmã, vítima de sequestro em Belém, foi encontrado dentro de um veículo na estrada de Genipaúba, a 50m do balneário Baiacu em Santa Bárbara, na Região Metropolitana de Belém, na noite desta segunda-feira (3). Segundo a polícia, Sandra morreu asfixiada. Nosso repúdio à brutalidade que insiste em manchar o nosso solo de sangue. Neste momento de profunda dor, para você, Marquinho, e sua família, a minha solidariedade companheira e fraterna.

O que ele disse


"Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia."
John Lennon (1940-1980)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sônia Suely de Almeida Campelo


Selvagerias, bestialidades clamorosas exigem um enorme esforço de quem pretende manter a moderação e o comedimento.
Diante da violência - avassaladora, devastadora e crescente - que ceifa vidas e expõe a bestialidade humana em suas feições mais aterradoras, mais aterrorizantes, é muito, muito difícil mesmo represar as nossas indignações dentro de limites que nos permitam preservar um mínimo de racionalidade, moderação e comedimento.
Vejo-me presa de indignação incontrolável diante da selvageria que grassa em Belém - e, por extensão, em qualquer lugar.
Vejo-me sob os grilhões da indignação incontrolável diante da barbárie que tirou do nosso convívio uma amiga do coração como Sônia.
Sônia Campelo.
Sônia Suley de Almeida Campelo.
Minha amiga Sônia.
Matar é crime.
Matar alguém como Sônia não é só um crime. Mais do que isso, é bárbaro, selvagem, animalesco.
É a negação do mais remoto, do mais imperceptível resquício de humanidade.
É expor a bestialidade humana em sua face mais aterradora.
Sônia foi morta por asfixia.
É inacreditável que alguém como ela tenha sido barbarizada dessa forma.
Sônia arejava, renovava os ares dos ambientes onde se encontrava, seja no trabalho, em reunião com amigos ou no convívio de sua família.
Trabalhávamos juntos, a cinco metros um do outro.
Foi um das pessoas mais generosas que já conheci.
Prestativa e solidária aos extremos, às vezes dava a impressão de que se impunha o dever de carregar, sozinha, deveres e obrigações que poderia compartilhar com os outros.
De irradiante alegria, transmitia a certeza de que, sobretudo nos momentos em que as surpresas da vida desafiavam a sua bravura, rir um pouco - e como ela ria! - ajudava a desanuviar os horizontes que tempestades começavam a turvar.
É inacreditável, é revoltante, intolerável e inadmissível que uma vida como essa tenha sido trucidada pela violência que nos amedronta, desorienta, atordoa, dispersa e desagrega.
Pela violência que mata.
A violência que ceifa vidas é a mesma que nos leva a devaneios.
Quando me deparo com atrocidades como a que tirou a vida de Sônia, meus devaneios me levam para longe daqui, me transportam para muito distante daqui, rumo a outras paragens, sabe-se lá quais.
Mas acabamos ficando por aqui mesmo.
Correr para onde?
Buscar proteção onde?
A quem responsabilizar por inações e omissões que nos forçam fincar os pés atrás das grades de nossas casas, enquanto bandidos estão aí por perto, livres, leves, soltos e prontos para dar o bote no primeiro que se apresentar?
Não adianta correr.
Não adianta nem mesmo ir embora pra Pasárgada, como no poema de Bandeira.
Porque lá, em Pasárgada, podemos ser até amigo do rei; mas quem nos garantirá que o rei estará seguro?
Temos mesmo é que ficar por aqui, pugnando por uma cidade, um país, um mundo que produzam novas Sônias para viver em sua plenitude, e não para serem trucidadas brutalmente. E por nada, absolutamente nada.
Sônia Campelo aparece na foto aí em cima (extraída de seu perfil no Facebook), ao lado de sua mãe, dona Salomé, que também já se foi em agosto do ano passado.
Ambas estão no céu.
É claro que estão.
Lá, certamente, estarão intercedendo para que, em vez de irmos embora pra Pasárgada, perseveremos incansavelmente para não deixar que a violência prevaleça e nos torne reféns do medo, do terror e de barbáries como as que arrancam pessoas queridas do nosso convívio.
Barbáries capazes de matar criaturas como Sônia Campelo, mas que não serão, jamais, capazes de apagá-la da lembrança dos familiares e amigos que tanto a quiseram bem.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PPS aciona a Comissão contra novo ministro

Do Congresso em Foco

O PPS anunciou que vai entrar, nesta segunda-feira (3), com representação na Comissão de Ética Pública da Presidência da República contra o novo ministro da Saúde, Arthr Chioro, momentos após sua posse, prevista para amanhã. “Nunca antes na história deste país um ministro terá sido denunciado em tão pouco tempo após sua posse”, afirmou em nota o líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR).
Segundo o deputado, Chioro praticou fraude para garantir sua nomeação no governo ao se afastar, na semana passada, de uma empresa de consultoria especializada na área da saúde que presta serviços para alguns municípios paulistas. Na representação, o PPS argumentará que o afastamento dos quadros da Consaúde Consultoria, Auditoria e Planejamento Ltda não elimina o conflito de interesses entre a atividade privada e as atribuições do ministério. Para o partido, está caracterizada a violação ao artigo 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal.
No último dia 25, Arthur Chioro informou que transferiu 98% das cotas da consultoria para sua esposa, Roseli Regis dos Reis. Por acumular o cargo de secretário municipal da Saúde em São Bernardo do Campo (SP) e a propriedade da empresa, ele virou alvo de um inquérito civil público em setembro de 2013, conforme revelaram o Correio Braziliense e o Diário do ABC. “Estou saindo formalmente agora da participação. Estou cedendo as minhas cotas para outro sócio”, anunciou o secretário municipal. Ele disse que não vê incompatibilidade entre o cargo e a empresa, que, segundo ele, está praticamente inativa desde 2009.
Para o PPS, o problema não está resolvido. “Ao transferir as quotas da Consaúde para sua própria esposa, fica claro que ele violou os padrões éticos de comportamento exigidos das autoridades públicas”, critica Rubens Bueno. “Sua verdadeira intenção é a de se furtar à aplicação do Código de Conduta. Ele continua sendo o verdadeiro proprietário da Consaúde, sendo essa transferência uma mera simulação”, acrescentou o líder do PPS.
Arthur Chioro será empossado ministro da Saúde nesta segunda-feira, no lugar de Alexandre Padilha (PT), que deixa o ministério para se dedicar à sua pré-candidatura ao governo de São Paulo nas eleições de outubro.

Um olhar pela lente


Mangal das Garças.
Em Belém.
A foto é de Marcos Rodrigues.

Charge - Mário Alberto


Charge para o Lancenet.

A pergunta do dia


Novas cenas de violência, de selvageria dentro de um estádio. Será a TPC - tensão pré-Copa - que está liberando mais energias da puliça? Essa mesma puliça é que vai puliciar as manifestações que, acredita-se, vão bombar durante a Copa?

Helenilson incomoda os tucanos. E os tucanos, Helenilson.

Sabem aquela informação que o Espaço Aberto deu na semana passada, de que a resistência às pretensões - ainda contidas, contidíssimas - do governador Simão Jatene de não se candidatar mais a qualquer cargo eletivo tem nome e sobrenome, quais sejam Zenaldo Coutinho e Manoel Pioneiro, prefeitos tucanos, respectivamente, de Belém e Ananindeua?
Pois é.
O vice-governador Helenilson Pontes está meio incomodado e está incomodando.
Está incomodado com tucanos que, por motivações puramente políticas, não toleram sua sintonia com o governador Simão Jatene.
Está incomodando tucanos que se acham, sabe-se lá por que cargas d'água, ameaçados em suas pretensões político-eleitorais, dada a simpatia e a extrema confiança que Helenilson merece do governador Simão Jatene.
Uma confiança de tal forma elevada que, conforme já revelou o Espaço Aberto, Helenilson consta atualmente do seletíssimo grupo de personagens que são, como se diz, de copa e cozinha com Jatene, um deles Sérgio Leão, iminente conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Helenilson, na medida do possível, tem dito que, na interinidade que exerceu, enquanto Jatene esteve de férias no exterior, não adotou nenhuma medida que não tive o assentimento, a concordância do governador.
Mesmo assim, bem poucos vão dar trela a esse argumento de Helenilson.
Porque os pruridos político-eleitorais, vocês sabem, não provêm necessariamente de motivações racionalmente articuladas, mas de passionalismos à flor da pele.
E de interesses eleitorais também, ora bolas.

A imundície impera na Praça Brasil




Olhem só.
As foto são do leitor do blog Roberto da Paixão Júnior.
Foram feitas na manhã do último sábado.
Mostram um pedaço de Belém - imundo, sujo, com o aspecto de abandono completo.
Trata-se da Praça Brasil.
O lixaral impera, apesar das lixeiras.
A imundície predomina, apesar das lixeiras.
A sujeira transborda porque as lixeiras são pequenas ou por porque os belenenses, todos nós, que moramos aqui, não cuidamos bem desta cidade tão bonita, tão aprazível, mas tão maltratada?
Ou as duas coisas?

Coleguinhas jornalistas em pé de guerra. Parece.

Vish!
Coleguinhas que integram a excelsa Academia de Paraense de Jornalismo parece que estão se estranhando.
Parece.
Leia-se, a propósito, o fundador da entidade, o jornalista e advogado Donato Cardoso.
No artigo que assina em O LIBERAL desta segunda-feira, ele diz coisas assim:

Não se admite prorrogação de mandato nem reeleição para o período imediato, havendo além do corpo diretor, as Comissões de Revista/ou jornal, de Contas e Ética. O mandato da atual diretoria terminou no dia 25 de janeiro corrente, portanto, sábado passado. Todavia, o presidente executivo, Gilberto Danin, que não é cofundador, convocou reunião extraordinária uns quatro dias antes de terminar sua investidura, tratando nessa assembleia de estender seu mandato ate outubro do ano em curso e, também, alterar os estatutos e o regimento interno
Não há reeleição nem prorrogação de mandato na APJ, por considerar-se que a maioria de seus membros perpétuos estão na idade provecta, ou seja, com mais de 60 anos, e mesmo porque a marca predominante na Academia de Jornalismo é dar oportunidade de serem eleitos por temporalidade e rotatividade na presidência do silogeu.

E assim:

A entidade tem por finalidades promover debates, palestras e conferências com seus associados e o público interessado, de temas de natureza político-social, o que na gestão que se encerroue no dia 25 de janeiro não foi feito uma única vez, a não ser um almoço no início de 20l2 e outro em janeiro de 20l3, numa demonstração que desejam liquidar com a APJ pela inércia, desídia, omissão e irresponsabilidade com os temas inerentes ao jornalismo.
Alguns têm se servido da Academia para arranjar bom emprego e atrair as atenções para si mesmo, pelo status que dá a presidência do sodalício.

Vish!

Janela para o rio incentivaria o turismo

De um Anônimo, sobre a postagem Vocês querem turismo? Excluam o Pará.:

É muito mais barato ir a Fortaleza, São Luís, Natal, e por aí vai, do que ir a Salinas.
Tenho parentes de Manaus que quando saem de férias escolhem esses lugares que, além da praia, têm outros atrativos (muito mais!) que Salinas e até mesmo Belém.
Quem sabe se o atual prefeito prolongar a orla até a Universidade... (só fizeram 1 quilômetro). Assim sim, teríamos um diferencial para contrapor aos de outras capitais.
Mas duvido que isso ocorra.

Supostos e suspeitos na ordem do dia

Por DEONÍSIO SILVA, publicado no jornal O Globo
Vários profissionais estão desconcertados com o português de boa parte da mídia, mas não apenas com erros de ortografia, mais leves; ou de sintaxe, mais graves, por ferirem a lógica e confundirem os leitores. Sua perplexidade é com ataques absurdos como o seguinte: o bandido é flagrado com arma na mão, confessa o crime diante de câmeras e microfones, sem nenhum tipo de coação, e, às vezes, reconhece, orgulhosamente, que o sujeito filmado pelos sistemas de vigilância de lojas ou residências é ele, sim, o meliante. E ainda assim boa parte da mídia o denomina “suposto assaltante”, “suspeito de crime” e outras delicadezas.
Escrever bem começa pelo seguinte: dar às coisas o nome que as coisas têm. E não é só em relação a assaltantes e gatunos, não. São assustadoras as indulgências concedidas a esses políticos corruptos. Elas são mais perigosas do que aquelas dadas aos bandidos comuns. Quando vão parar nos presídios, irrompe na cena a cara de pau adicional de simular esmolas recebidas para lhes custear as multas aplicadas pela autoridade competente. Esmolas de meio milhão de reais! O Brasil acaba de criar o mendigo de elite, que é o bandido político.
Gozam dos benefícios dos eufemismos citados também políticos de outros países. “Suposto” e “suspeito” vêm sendo palavras curingas e têm servido para tudo, principalmente para substituir o que significa outra coisa.
Suposto quer dizer admitido por hipótese. Deixamos a palavra ali embaixo de “posto”, aguardando que a verdade seja apurada. Suspeito tem o significado de alguém do qual desconfiamos, que tenha feito algo que ele até pode negar. Porém, quando supostos e suspeitos admitem ou confessam, sem coação nenhuma, que foram os autores do que lhes é atribuído, eles não são mais suspeitos nem supostos.
Podemos fazer pouco, mas podemos ao menos contar ao distinto público as coisas como as coisas são. E para isso as palavras são outras, a sintaxe é outra, a lógica é outra.
É preciso que profissionais da fala e da escrita voltem aos bancos escolares ou ao menos façam algumas oficinas que lhes ensinem a escrever! Eles lidam com uma ferramenta, já caracterizada também como arma, cujos poderes foram reconhecidos por generais que se destacaram em batalhas memoráveis, algumas das quais mudaram o mundo. Eles diziam temer mais a pena do que a espada!
A vida privada não pode ser pauta da mídia, mas, quando está em questão o dinheiro público ou o interesse público, daí é bom lembrar que no passado os políticos tinham ao menos vergonha na cara. Um destes casos resultou no filme Escândalo (1989). Na Inglaterra dos anos 60, John Profumo era ministro da Guerra e namorava a modelo e corista Christine Keeller, que dormia também com o adido militar russo naquele país, Yevgeny Ivanov. Alertado pelo Serviço Secreto Inglês, Profumo deu fim ao caso, escrevendo à amante.
Ela seguiu sua vida. Posou pelada para uma revista e ganhou algum dinheiro. E aconteceu uma coisa curiosa: quem ficou mais famosa e vendeu bastante dali por diante foi a cadeira em que ela foi fotografada, a chaise 3107, do arquiteto e decorador dinamarquês Arne Jacobsen, por esconder seios e baixo ventre da moça e assim respeitar os códigos da censura daquela época. Ele renunciou à política e foi trabalhar de faxineiro em serviços comunitários.
Hoje não seria assim. Depois de receber mesadas vindas do dinheiro público, amantes de políticos influentes, do Executivo e do Legislativo, seguem gozando dos benefícios da impunidade. Delas mesmas e de seus protetores. Eles, quando ameaçados de perder o mandato, renunciam. E depois voltam ao antigo posto ou a um novo, consagrados pelo voto! A culpa é dos eleitores? Não é só deles. É de boa parte da mídia, que em muitos casos não contou as coisas como as coisas foram.
O tempora, o mores (que tempos, que costumes!), exclamou o orador Cícero, de quem no passado todos sabíamos de cor o seguinte trecho de um de seus discursos contra o senador Catilina: “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?).
Resposta: todos os Catilinas do Brasil vão continuar abusando sempre, ao que parece. Mas aparência e essência não são a mesma coisa. Se fossem, a ciência seria desnecessária e nós não precisaríamos saber de nada!

Foto polêmica de Joaquim Barbosa é alvo de mensaleiros


Do UOL
Uma foto do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, de férias em passagem por Miami, o deixa numa involuntária toga-justa. Publicada numa rede social, espalha-se desde a manhã deste domingo e o colocou na mira dos mensaleiros condenados, como Delúbio Soares.
Na foto, publicada no Twitter de Delúbio e no site Brasil 247, Barbosa aparece sorridente ao lado do empresário brasileiro Antonio Mahfuz. Segundo reportagem do portal, Mahfuz é foragido do Brasil e responde a 221 processos. A foto (confira abaixo) foi publicada no perfil do empresário na sua página no Facebook no último dia 22 de Novembro.
Em sua página no Facebook, o empresário brasileiro, questionado por amigos sobre Barbosa, responde: “O próprio. O seu, o meu, o nosso candidato a Presidente do Brasil sem Pedágio!!!'' . A Coluna o procurou pela rede social, mas ainda não obteve resposta.
A Coluna acionou a assessoria de imprensa do Presidente do STF neste domingo, que retornou. Ainda não há uma posição oficial do ministro, que será sondado.
Mahfuz era conhecido empresário do setor de venda de eletrodomésticos no interior paulista, teve mais de 120 lojas em três Estados, mas as fechou e foi condenado a prisão pela Justiça Federal por sonegar impostos (leia aqui). Mudou-se no início dos anos 2000 para a Flórida.
O caso expõe o risco assumido por figuras públicas ao se deixarem fotografar com estranhos. Fato é que Joaquim Barbosa tira fotos todos os dias com pessoas desconhecidas, a pedido delas, no Brasil e no exterior. Até o momento não há provas de que o ministro tenha ciência da vida pregressa do personagem.
Conforme revelou a Coluna em Junho do ano passado, o ministro Barbosa adquiriu um apartamento quarto-e-sala num bairro nobre de Miami, segundo a assessoria, financiado. Foi visto poucas vezes por lá desde então.
Os petistas e os chamados mensaleiros condenados já publicam a foto nas redes sociais, questionando se Barbosa conhece o empresário e em que situação a foto foi tirada. Neste domingo, o deputado federal João Paulo Cunha publicou um artigo titulado 'Carta aberta a Joaquim Barbosa', na qual se diz inocente na ação penal 470 e desafia o ministro a apresentar provas para sua condenação.
No início da noite de Domingo, a Agência Estado publicou matéria e informou que Barbosa não é amigo de Mahfuz: “Assessores do STF informam que Joaquim não é amigo de Mahfuz e que o ministro costuma atender aos pedidos para posar em foto com admiradores. “Ele não pede o RG de ninguém'', disse um assessor''
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Reprodução da foto na página do empresário no Facebook, postada dia 22 de Novembro
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Reprodução do Twitter do condenado Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, detido em regime semiaberto

Uma série de decisões equivocadas


Sempre é assim. Entra ano e sai ano, a política continua se arrastando, sonolenta, letárgica. Os bons políticos de antanho se foram e deixaram saudades. E certamente com a imaginação vazia ficamos a procurar ali e acolá e nada. A grande maioria dos políticos, hoje, não provoca mais nenhum fascínio e nem ficam rodeados até por diminuta plateia, quando acontece, ficam improvisando e mentindo estupidamente. Agora, estão de retorno após o recesso. Esse regresso os coloca diante de um cenário que eles apostam muito: o ano eleitoral. Cautela! As projeções são melancólicas. O eco das ruas ainda se faz ressoante.
Mas a nossa economia preocupa. A mídia mostrou quase em tempo integral, os vários momentos da viagem da presidente Dilma Rousseff a Davos, na Suíça, para sua primeira participação no Fórum Econômico Mundial, movendo com muita dificuldade uma mala pesada. Em três anos de governo, acumulou uma taxa de crescimento do PIB de 6%; taxa de inflação de 19%; e um déficit em conta corrente - o resultado de nossas transações com o exterior de US$ 180 bilhões, 47% superior ao do final do governo Lula. É um resultado medíocre, mesmo levando-se em conta a desaceleração da economia global no período.
Detalhe, esses não são os únicos indicadores a explicar por que, desta vez, Dilma decidiu aceitar o convite para falar em Davos - onde, anualmente, se reúnem empresários, banqueiros, dirigentes de instituições multilaterais, acadêmicos e líderes políticos de todo mundo para discutir os rumos da economia global. Sabe quando colocam água na gasolina e o carro parece a todo o momento que está afogado, esse é um sinal de que os motores da economia brasileira estão engasgando e chegou ao mercado de trabalho, uma das poucas áreas em que o governo pode alardear números positivos.
Ademais, há ainda a desconfiança em relação à solidez fiscal no Brasil, que utiliza artifícios para aperfeiçoar truques e maquiar as contas públicas conhecidas como “contabilidade criativa”. Por fim, a mão pesada do governo tentando controlar preços contribuiu para assustar os investidores e disseminar a percepção - exagerada - de que o Brasil está mais próximo de Argentina e Venezuela, com suas desastradas políticas intervencionistas.
A verdade é que a coisa não anda tão bem. O ano recém-findo, em termos de resultados econômicos, parece apresentar dificuldades e necessita ser mais bem controlado pelo governo. O país precisa, urgentemente, agir contra a inflação e aumentar a transparência econômica e política. Antes que seja tarde demais. Um único discurso não será capaz de desfazer uma percepção que foi construída com uma série de decisões equivocadas, quando a presidente achava que tinha lições a dar ao mundo sobre como gerir a economia.
Com modéstia, na Suíça, Dilma prometeu perseguir o centro da meta de inflação do Banco Central, reforçou o compromisso com o equilíbrio fiscal, disse que a flutuação do câmbio é a primeira linha de defesa do real e se engajou com um ambiente estável para os investidores brasileiros e internacionais. Parecia um retorno aos tempos do governo de Fernando Henrique. E mais, para que o crescimento da economia brasileira siga num ritmo mais rápido, necessário se faz que as reformas estruturais se tornem realidade.
De volta, a presidente precisa agir depressa, o País que está pleno de demandas e carências, muitos erros, falhas gritantes e uma contínua ausência do Estado no exercício de suas funções constitucionais. O grau de presunção e autossuficiência se vê ao longo de diversas frentes da vida constitucional. Por todos esses motivos, Dilma foi a Davos com a intenção de recuperar a credibilidade perdida. Para desfazer a imagem de que seria contra o lucro, o mercado e o capital privado. A ficha caiu. Há que ter humildade, deixar de lado o caldeirão e de ser a maga que fabrica poções com combinações exóticas.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ele disse


"Não são torcedores, são bandidos"
Joaquim Grava, médico do Corinthians, sobre um grupo de torcedores que invadiu, na manhã do último sábado, o CT Joaquim Grava para protestar contra a goleada sofrida no meio da semana diante do Santos, por 5 a 1.