sexta-feira, 22 de outubro de 2010

“Todas as revoluções socialistas fracassaram”

De um Anônimo, sobre a postagem Jader lê Rousseau, que disse: “Pelo menos sou diferente”:

Todas as revoluções socialistas fracassaram (é chato ter que repetir isto, mas alguns insistem em ignorar a realidade).
Na verdade, as revoluções, em sua maioria esmagadora, têm a tendência de ser autofágicas, ou seja, devoram seus próprios filhos ou criadores.
Foi assim com a Revolução Francesa, pois Danton e, depois, Robespierre e Saint-Just morreram pela guilhotina.
Para ti, que (ainda) acredita na força das revoluções (aqui, força pode ser entendida como emprego deliberado da violência e não tem qualquer relação com o uso do discurso e da ação), recomendo a leitura do livro On Revolution (traduzido para o português como "Da Revolução") da filósofa Hannah Arendt.
Nele, HA explica porque todas as revoluções fracassaram, exceto a Revolução Americana de 1776.

9 comentários:

Anônimo disse...

ô meu caro anônimo, Não achas que é pedir demais pra que os esquerdistas leiam HA? Sabes que eles não gostam de ler nada que possa servir ao fim de suas utopias. Além de que eles já bateram a quota anual de leitura ao percorrerem suas palavras nesses poucos paragrafos.

Abraços!

Anônimo disse...

Vida de gado .... Povo analfabeto .... Povo feliz que não sabe votar!

Anônimo disse...

já é uma cafonice intelectual esses ataques contra a esquerda que setores da direita mais sem vergonha desferem, como se fossemos bitolados, sectários e autoritários. Isso é uma falsificação tão sinistra e risível que nem merece, agora, me ater. HA não é grande coisa, na minha modesta opinião, mas a li para dizer isso. Muitos vão tilintar contra essa "heresia", e, provavelmente, partir para adjetivos em vez de conteúdos, que é o que interessa, pelos menos às mentes mais ou menos inteligentes.

Leopoldo Vieira disse...

Bom, caro amigo, como o comentário anônimo foi endereçado a mim, aproveito para responder.
Não defendi a revolução como método de ação política, embora também não a negue. Revolução não é escolha, é um "frenesi da história". Mas, estou mais na linha da intervenção democrática sobre a economia para produzir justiça social.
Se não fossem as revoluções, hoje seríamos um arremedo de humanidade, uma Idade Média eterna. Não reconhecer isso, é ignorar a história e para ignorantes se empresta livros, não palavras.
As revoluções socialistas fracassaram? Frágil argumento. A Rússia pré-bolchevique era um país da Idade Média (de novo ela) e no pós-bolchevismo, uma potência nuclear, democrática industrializada, com grandes indicadores sociais (que se quedaram relativamente pela aplicação do neoliberalismo, que desgraçoua maioria dos países do globo em sua infeliz era). Vê-se bem um "fracasso" tremendo.
Hanah Arendt? É boazinha, de fato.

Abraços

Anônimo disse...

Prezado Leopoldo Vieira,

Estou de volta (desculpe-me, mas tenho gosto pelo debate democrático).

Tenho minhas dúvidas se a Rússia pós-blochevismo (por que o bolchevismo fracassou, amigo?) seja um potência "democrática", pois movimentos gays são reprimidos, opositores são perseguidos pelo governo, que usa a Receita Federal para criar factóides para prendê-los, regras eleitorais são mudadas de modo oportunista, etc. Depois, hás de convir que a atual Rússia surgiu dos escombros do bolchevismo, que não fortaleceu a cultura política do sofrido povo russo.

Quanto ao chamado neoliberalismo, este é um rótulo que se presta para tudo, especialmente para simplificações reducionistas.
Não sei se sabes, mas nem todo liberal é "neoliberal", há alguns - como John Rawls, por exemplo - que são tidos como sociais-democratas e combatidos no campo do próprio liberalismo político.

O certo é chamar os neoliberais de libertarianos (não dá para explicar agora porque, porém fica a dica), mas não creio que tu, mergulhado nos eventos longínquos de 1917, tenha muito interesse nisso, não é? Pois, se alguma coisa deu errado em qualquer canto do planeta, o culpado é sempre ele - o nefasto "neoliberalismo", "que desgraça a maioria dos países do globo em sua infeliz era").

Aliás, com o forte estatismo que ainda persiste na Rússia atual (vide o poder usufruído por Putin), fica um pouco difícil atribuir a queda dos "grandes indicadores sociais" à aplicação do neoliberalismo, não achas?

Leopoldo Vieira disse...

Anônimo,

A Rússia é uma potência democrática porque lá existe sufrágio universal, voto direto em regime de total liberdade de organização, reunião e expressão, aliás, à imagem e semelhança das democracias ocidentais. Essas questões que você cita para desqualificar a democracia lá, podem ser citadas em outros países tidos e havidos como democráticos também, assim como incidentes de outros tipos, mas as regras gerais que temos consensuadas no Ocidente como pressupostos de democracia existem e isso basta para a análise, que é tão formal quanto esse modelo democrático. Quero dizer, para a sua tradição, liberal, não há como desdizer que a Rússia seja hoje democrática.
Neoliberalismo não é nenhuma "costa larga" para os males do mundo, é sim o conjunto de políticas desregulamentadoras do mercado e privatista do sistema público, de privatização da esfera pública, que teve seu ápice nos anos 90 e que promoveu um boom em "mobilidade social" rumo à linha da pobreza e da miséria. Por isso, não concordo que chamar neoiberais de "libertarianos" seja, a priori, correta, pois os confunde com os libertários, gente da melhor estirpe, embora de tradição política plural, que sempre tentou um mundo de liberdades e bem estar social.
Não vivo mergulhado nos "longínquos" acontecimentos de 1917, vc sim os trouxe à baila afirmando, erradamente, que as revoluções socalistas fracassaram.
Um detalhe: a Rússia atual surgiu dos escombros do bolchevismo sim, justamente quando, extremente culto, os principais centros urbanos do povo soviético, passou a não mais admitir uma ditadura política. As revoluções que começaram em 1989 não foram contra as conquistas sociais da revolução, mas, pelo contrário, contra as perdas dessas conquistas...mas isso tem a ver com "por que o bolvchevismo fracassou", outra questão. Aqui, estamos discutindo a importância histórica das revoluções.
Não jogo liberais, neoliberais et caterva no mesmo saco. Por isso, acho uma manifestação grotesca de bitolas políticas que generaliza a esquerda, como vc bem faz.
Saludos!

Leopoldo Vieira disse...

Ah, desculpe: Putin reestruturou parte da intervenção estatal que Yeltsin destruiu por completo. Por isso hoje, o país não tem os mesmos índices da velha URSS, mas os tem bem melhores que os da Era Bóris.

Anônimo disse...

Prezado Leopoldo Vieira,


Quem chama os neoliberais de libertarianos são os melhores teóricos atuais de Filosofia Política, como, por exemplo, Ian Shapiro ("Os Fundamentos Morais da Política") e Will Kymlicka ("Filosofia Política Contemporânea"), dentre outros - como o economista Amartya Sen. Portanto, com todo o respeito, é indiferente para o mundo acadêmico que concordes ou não com o designação libertarianos.

Aliás, são chamados de libertarianos porque preconizam o máximo de liberdades para todos em detrimento de outros ideais, inclusive a igualdade; dentre seus maiores teóricos está Robert Nozick, autor de "Anarquia, Estado e Utopia", livro escrito para refutar as teses redistributivistas de John Rawls contidas em "Uma Teoria da Justiça" (enfim,uma briga entre liberais, coisa que vc, a toda evidência, não entende).

Informe-se mais, por favor. E repare no ranking sobre a imprensa livre que o PB postou lá embaixo. Tua Rússia aparece várias posições abaixo do nosso querido (e sofrido) Brasil.

De qualquer sorte, devo admitir que vc foi elegante no debate, coisa rara hoje em dia, e por isso te parabenizo.

Au revoir, mon ami.

Leopoldo Vieira disse...

Caro, o que a academia diz, pelo menos, em ciências humanas, é, como diz o PB, uma "parada"! Tirando os clássicos, sou bem indiferente de volta ao academacaquismo, que , aliás, pouquíssima utilidade tem tido em elaborar propostas e ideias concretas de transformação social.
Quanto aos liberais, fique à vontade para paquerar com eles. Realmente não são da minha tradição.
E me diga, no ranking da imprensa, tá "rezistrado" a censura dos editores chefes e donos de mídia? Se não tá, falta um elemento essencial de avaliação.
Saludos