quarta-feira, 12 de junho de 2019

Jornalistas, inclusive os dominados por fúrias homofóbicas, deveriam ser apenas jornalistas


É assustador como as revelações das conversas privadas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato têm despertado a fúria de trocentos coleguinhas jornalistas - de Belém, do Pará e país afora.
É assustador como tantos se cingem a preconceitos horrorosos - homofóbicos, inclusive, dada a condição de homossexual de um dos jornalistas que escreveram as reportagens -, em vez de limitarem-se a contestar pontos das matérias que entendam controversos.
Acham que o The Intercept Brasil teria se rendido à, digamos assim, tentação conspiratória de inviabilizar a Lava Jato, sem dúvida a mais vigorosa ação anticorrupção do sistema judiciário brasileiro para punir os responsáveis pela maior roubalheira de dinheiros públicos já praticada neste país, em seus cinco séculos de história.
Os coleguinhas, ao que parece, independentemente de demonstrar que não intuíram e nem acolheram nunca, jamais, em tempo algum o princípio básico de que defender o interesse público é fundamental para a credibilidade da Imprensa num Estado Democrático, pois esses coleguinhas parece que não leram uma espécie de editorial em que o The Intercept Brasil expõe as razões para publicar as conversas secretas.
Não é preciso ler todo o editorial, intitulado Como e por que o Intercept está publicando chats privados sobre a Lava Jato e Sérgio Moro.
Leiam-se apenas os trechos abaixo.
Talvez - repito, talvez - esses trechos sejam suficientes para fazer os coleguinhas lembrarem-se de que, apesar de tudo, são (somos) jornalistas e que, também apesar de tudo, o jornalismo deve estar sempre ao lado do interesse público e da verdade.

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As reportagens de hoje mostram, entre outros elementos, que os procuradores da Lava Jato falavam abertamente sobre seu desejo de impedir a vitória eleitoral do PT e tomaram atitudes para atingir esse objetivo; e que o juiz Sergio Moro colaborou de forma secreta e antiéticacom os procuradores da operação para ajudar a montar a acusação contra Lula. Tudo isso apesar das sérias dúvidas internas sobre as provas que fundamentaram essas acusações e enquanto o juiz continuava a fingir ser o árbitro neutro neste jogo.
O único papel do The Intercept Brasil na obtenção desse material foi seu recebimento por meio de nossa fonte, que nos contatou há diversas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”) e nos informou de que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas.
Informar à sociedade questões de interesse público e expor transgressões foram os princípios que nos guiaram durante essa investigação, e continuarão sendo conforme continuarmos a noticiar a enorme quantidade de dados a que tivemos acesso.
O enorme volume do acervo, assim como o fato de que vários documentos incluem conversas privadas entre agentes públicos, nos obriga a tomar decisões jornalísticas sobre que informações deveriam ser noticiadas e publicadas e quais deveriam permanecer em sigilo.
Ao fazer esses julgamentos, empregamos o padrão usado por jornalistas em democracias ao redor do mundo: as informações que revelam transgressões ou engodos por parte dos poderosos devem ser noticiadas, mas as que são puramente privadas e infringiriam o direito legítimo à privacidade ou outros valores sociais devem ser preservadas.
A bem da verdade, ao produzir reportagens a partir desses arquivos, somos guiados pela mesma argumentação que levou boa parte da sociedade brasileira – aí incluídos alguns jornalistas, comentaristas políticos e ativistas – a aplaudir a publicidade determinada pelo então juiz Moro das conversas telefônicas privadas entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (em que discutiam a possibilidade do ex-presidente se tornar ministro da Casa Civil), logo reproduzidas por inúmeros veículos de mídia. A divulgação dessas ligações privadas foi crucial para virar a opinião do público contra o PT, ajudando a preparar o terreno para o impeachment de Dilma em 2016 e a prisão de Lula em 2018. O princípio invocado para justificar essa divulgação foi o mesmo a que estamos aderindo em nossas reportagens sobre esse acervo: o de que uma democracia é mais saudável quando ações de relevância levadas a cabo em segredo por figuras políticas poderosas são reveladas ao público.
Mas a divulgação feita por Moro e diversos veículos da imprensa dos diálogos privados entre Lula e Dilma incluíam não apenas revelações de interesse público, mas também comunicações privadas de Lula sem qualquer relevância para a sociedade – o que levou muitas pessoas a argumentarem que a divulgação tinha o propósito de constranger pessoalmente o ex-presidente. Ao contrário deles, o Intercept decidiu manter reservada qualquer comunicação ou informação relacionada a Moro, Dallagnol e outros indivíduos que seja de natureza puramente privada e, portanto, desprovida de real interesse público.

Um comentário:

Anônimo disse...

O nosso Presidente deveria deportar este bandido. Raquear qualquer pessoa é crime e inadmissível e que esta pessoa que praticou isto seja estrangeiro que nem na terra dele o querem. Vamos Presidente Capitão Bolsonaro deporte já este bandido.