domingo, 9 de outubro de 2016
sábado, 8 de outubro de 2016
"Naza, Nazarezinha, Nazaré Rainha, Mãe da Terra, Mãezinha"
"Mas este ano tem mais gente, hein?", quase berrou-me uma familiar aos ouvidos, ao ver a multidão passando pela avenida Nazaré, entre as travessas Rui Barbosa e Benjamin Constant, na noite deste sábado.
Ela se referia à Trasladação.
Pois é.
Quantas vezes vocês já ouviram uma especulação como essa?
Eu a ouço umas 300 vezes a cada Círio.
Porque a cada Trasladação, a cada Círio, a cada romaria da festa, a gente tem mesmo a impressão de que tem mais gente do que no ano anterior.
E parece que tem mesmo!
Hoje, por exemplo, a Trasladação era uma multidão.
Uma multidão que se rendeu à emoção de saudar a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré cantando "Nazaré (Zouk da Naza)", de Almirzinho Gabriel.
Confira nas imagens do Espaço Aberto.
Na moto-romaria, louvor e devoção à Virgem de Nazaré
O ronco dos motores na moto-romaria.
Em louvor e devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
Milhares delas ainda se dirigem à Basílica, mais de 40 minutos após a chegada da Imagem Peregrina na escadinha do cais do porto.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
E se a Imprensa suspeitasse do Judiciário?
Vejam só essa, digamos assim, peroração (hehe) de um magistrado do Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo.
Ele tem carradas de razões técnicas para expor suas posições.
Preferiu o terreno movediço, pantanosa das suspeitas atiradas a esmo.
E deu ensejo a que um jornalista qualquer, emprestando as palavras dele, desembargador, escrevesse mais ou menos assim: "Fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte da Justiça...".
Pois é.
E se um jornalista, sem prova alguma, partindo apenas de suas suspeições pessoais, escrevesse assim, o que diria Sua Excelência o desembargador Ivan Sartori?
Movimentos sociais exigem reforma urbana em Belém
Do Blog Ver-o-Fato, do jornalista Carlos Mendes
Belém possui um deficit superior a 100 mil moradias, mas terrenos imensos, abandonados, de gente rica e de influência política - cujos proprietários há décadas sequer pagam o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) -, estão por toda da cidade. Pior do que esse escárnio ao direito à moradia de milhares de famílias que pagam aluguéis e vivem precariamente em quitinetes, é o descaso da prefeitura de Belém, que não cobra essa imensa dívida ou desapropria os latifúndios improdutivos.
Um exemplo disso é o imóvel da empresa Pedro Carneiro S/A Indústria e Comércio, na rodovia Arthur Bernardes. Localizado numa área de 180 mil metros quadrados, ou 18 hectares, o terreno se encontra abandonado há mais de 20 anos, abrigando no local toneladas de lixo, mato, galpões inservíveis, além de constituir-se num berçário do mosquito transmissor da dengue e do zika vírus, de ratos, baratas e outros insetos. Também serve de esconderijo para assaltantes e traficantes de drogas.
A função social da propriedade, prevista em lei, é ignorada pela prefeitura que tem mecanismos legais para declarar o imóvel de interesse público, desapropriá-lo e destiná-lo a famílias carentes. Como o poder público municipal não cumpre o seu papel, as entidades sociais vão à luta.
Em assembleia realizada com a participação de várias entidades associativas que representam dezenas de comunidades da Região Metropolitana da Grande Belém, a Federação Paraense das Entidades dos Movimentos Sociais (Fepem) deliberou em cobrar do prefeito a ser eleito para o próximo mandato medidas de justiça fiscal sobre os bens imóveis de pessoas ricas que ainda mais enriquecem com a omissão da Secretaria Municipal de Finanças (Sefin) em cobrar-lhes o IPTU. Segundo levantamento da Federação, os maiores proprietários de latifúndios urbanos são os que menos pagam, ou simplesmente nada pagam dessa tributação municipal.
Com esse objetivo, a Fepem ajuizou anteontem, segunda-feira, uma ação civil pública exigindo a intervenção do Município de Belém nas terras ociosas ocupadas pela empresa Pedro Carneiro.A entidade argumenta na ação civil pública, assinada pelo advogado socioambiental Ismael Moraes, “que causa mais espécie é que, apesar de tudo isso, a ré proprietária do imóvel não paga o IPTU há quase 30 anos.
Para provar o que diz, o advogado anexou à ação documentos do Sistema de Arrecadação Tributária da Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Belém. Segundo Moraes, chama ainda a atenção "o escandaloso valor irrisório do IPTU cobrado - e não pago - por ano a um bem com a dimensão de 180 mil metros quadrados. "A tributação progressiva pela inutilização socioeconômica deveria alcançar patamares máximos do teto, mormente levando-se em consideração a testada do imóvel - cerca de 300 metros de frente para a rodovia Artur Bernardes", argumenta o advogado.
Impacto social negativo
O impacto social e ambiental do imóvel abandonada da empresa Pedro Carneiro, causa mal estar às comunidades vizinhas e atinge mais de 20 ruas e vias públicas. Ao citar diversos trechos do Código de Processo Civil, que trata da matéria, Moraes detém-se em dois elementos da doutrina jurídica que identificam o abandono do imóvel.
O primeiro é o "despojamento da coisa, deixando o proprietário de utilizar o imóvel e de exercer os atos inerentes ao direito de propriedade", o chamado elemento objetivo. O segundo é o "animus, ou a intenção de ser indiferente ao domínio da coisa, sem transmití-la a outra pessoa", o elemento subjetivo.
"Como podemos depreender da análise acima expendida, o simples abandono material ou físico do bem imóvel pela inexistência do exercício dos atos de posse não caracteriza, de per si, a perda do direito de propriedade. É essencial a intenção, o animus derelinquendi, de se despojar da propriedade", salienta Moraes.
Para ele, na essência, o novo Código Civil (Lei Federal n. 10406 de 2002) manteve o instituto, promovendo modificações em relação ao tempo, e incluindo os municípios como beneficiários dos imóveis urbanos abandonados e arrecadados judicialmente como bens vagos, além do requisito referente aos ônus fiscais.
O advogado sustenta que a prefeitura de Belém já deveria ter tomado as medidas administrativas e ingressado em juízo, munida das informações, documentos e demais evidências comprobatórias do abandono de bem imóvel, visando a obtenção de sentença declaratória de bem vago, sujeita a arrecadação pelo erário, com imediata imissão provisória na posse da ré por parte do poder público, dentro do prazo de três anos ate a incorporação definitiva do bem ao patrimônio publico.
Nesse sentido, diz ele, "comprovado, pela via administrativa ou judicialmente, o abandono, o poder público deve exercer os atos de preparação para adquirir, que são, também, atos de proteção da propriedade imobiliária abandonada".
E mais: "após a decisão (administrativa ou judicial) de vacância do bem abandonado, deverá o Estado ser imitido provisoriamente na posse da coisa arrecadada, dentro do prazo de três anos até a incorporação definitiva em seu patrimônio, por ser a corré proprietária abandonante, e também pelas obrigações tributárias que deixou de cumprir, o que gera a presunção absoluta (juris et de jure) de abandono pela não satisfação dos ônus fiscais (§2° do art. 1276 do Código Civil), sempre mantendo em mira a finalística ou axiológica da norma em comento, que se traduz no uso social da propriedade abandonada".
Cidade sem lei. Trânsito idem.
Olhem só a situação.
O vídeo abaixo está no perfil Belém fala, no Twitter.
Reparem só nessa transgressão.
Motos avançam pela ciclofaixa da avenida Centenário.
"Cidade sem lei, sem fiscalização, sem respeito algum", diz o tuiteiro.
Disse tudo.
O vídeo abaixo está no perfil Belém fala, no Twitter.
Reparem só nessa transgressão.
Motos avançam pela ciclofaixa da avenida Centenário.
"Cidade sem lei, sem fiscalização, sem respeito algum", diz o tuiteiro.
Disse tudo.
Motos na ciclofaixa da Avenida Centenário. Cidade sem lei, sem fiscalização, sem respeito algum. @belemtransito pic.twitter.com/6NvwOHH9fm— Belém fala (@belemfala) 5 de outubro de 2016
A cavalice no meio do cruzamento
E para não sairmos do tema trânsito caótico, está aí essa postagem no Facebook.
"Não feche o cruzamento, seu cavalo", já disse o blog.
É isso.
Tudo isso é a cara de Belém.
"Não feche o cruzamento, seu cavalo", já disse o blog.
É isso.
Tudo isso é a cara de Belém.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Diretor da Doxa faz projeções para o segundo turno em Belém
O cientista política Dornélio Silva,
diretor-geral da Doxa, que acertou as projeções sobre o primeiro turno em
Belém, respondeu à pergunta do Espaço Aberto sobre para quem migrarão os votos
de Úrsula Vidal, Carlos Maneschy e Delegado Éder Mauro.
Confiram abaixo.
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Quando Éder Mauro despontou como o grande
favorito e obtinha, àquela altura, mais de 35% das intenções de voto, fiz um
estudo pra saber de onde estavam vindo esses votos.
Pela análise de dados, descobri que a grande
maioria, em torno de 40%, estava vindo do Zenaldo, tendo em vista que a
avaliação de Zenaldo estava acima de 60% de reprovação; e as intenções de voto
dele giravam em torno de 8%. Quando Zenaldo começou a subir, Eder Mauro começou
a cair. Comprovava minha tese.
Analisando novamente meu banco de dados, fiz um
estudo cruzando intenção de voto pela rejeição dos candidatos. Dos eleitores de
Ursula, em torno de 38% rejeitam Zenaldo; outros 13% rejeitam Edmilson. Isso
significa que grande parte dos votos migraria mais para Edmilson do que para
Zenaldo.
Em se tratando de Eder Mauro, 16% dos que
votaram no delegado rejeitam Edmilson; e 25% rejeitam Zenaldo.
Dos que votaram em Maneschy, 15% rejeitam
Edmilson, enquanto 25% rejeitam Zenaldo.
É uma análise dos dados do primeiro turno.
Sabe-se que o segundo turno é uma outra eleição. Como foi detectado nas últimas
pesquisas e o resultado das urnas, Edmilson está em descendência, enquanto
Zenaldo em ascensão.
Qual a estratégia de Edmilson para estancar a
sangria que vem sofrendo e frear Zenaldo?
Arte, criatividade e preservação ambiental em Algodoal
Espiem só essa sacada.
E que sacada!
A casa, na bela Aldodoal, é de Antonio Athayde.
A árvore que aparece na foto é do vizinho dele.
Um dos galhos invadiu o terreno do lado.
O muro precisava ser construído e a árvore preservada.
Conta o Athayde: "Aí surgiu a criatividade do artista Júnior Hipie, nativo da região. Um buraco no muro e o desenho de um vaso tipo artesanato marajoara: a árvore nascendo do vaso. Não é à toa que Algodoal é área de preservação ambiental".
Confira mais no site Campo Fotográfico.
Cenários eleitorais de uma cidade imaginária
LEOPOLDO VIEIRA
Sócio-Diretor da Trajeto-Inteligência Estratégica
1) Os candidatos de partidos de esquerda se
concentram em atacar o atual prefeito, que vinha de baixo nas pesquisas;
2) O atual prefeito usa seu tempo eleitoral para
mostrar sua gestão e ataca o candidato de extrema direita, daquela tipo
"tiro, porrada e bomba";
3) O atual prefeito, que tem quatro anos de
governo para narrar como quiser no seu generoso espaço de TV e radio, e o apoio
do governador, vira o inimigo número um da oposição, apesar de estar atrás de dois
candidatos: um de extrema esquerda e um de extrema direita;
4) O atual prefeito vira uma opção mais light do que "tiro, porrada e
bomba" para quem não quer a cidade governada pela esquerda, e em quatro
anos se podem corrigir eventuais erros dos primeiros quatro. Pelo menos é uma
afirmação que tende a ser aceita;
5) O candidato de extrema esquerda vai ao
segundo turno, superando em muito a candidata de esquerda. Afinal, o
ex-prefeito, deputado federal, tem o que mostrar e o que prometer;
6) O atual prefeito vai ao segundo turno:
mostrou o que fez, e mais palatável que "tiro, porrada e bomba" foi
escolhido pela esquerda como inimigo número um (leia-se: o que é temido);
7) O candidato de extrema esquerda recebe apoio
da esquerda, autocarimbando-se com as marcas e lideranças do partido dela. Como
ele viera de lá, só passam a estar juntos num balaio do qual ambos,
supostamente, fazem parte;
8) Eleitores que não querem a cidade governada
pelo setor representado pela candidata de esquerda derrotada e pela esquerda
migram para o atual prefeito;
9) O centro racha e o agora único candidato da
oposição, a partir do apoio recebido do partido de centro, é carimbado com as
marcas e lideranças do mesmo, somando-se às marcas e lideranças do de esquerda;
10) Parte da classe média que estava em dúvida
migra para o atual prefeito. Mas, se o candidato de oposição não aceita o apoio
do centro, o partido de centro migra para o atual prefeito, afinal estiveram
juntos até quase a reeleição do governador e compartilham a gestão federal;
11) O candidato de extrema direita apoia o atual
prefeito. O mundo não acaba na eleição da cidade. Ele é deputado, não vai
brigar com o governador à toa e jamais apoiaria (ou teria o apoio aceito) pelo
candidato da oposição;
12) Maioria constituída, o atual prefeito é
reeleito. "Como?! Fez um governo tão ruim?!" A política como ela é;
13) O candidato de extrema esquerda é carimbado
como inviável nos segundos turnos, pois perdeu a segunda vez seguida e para o
mesmo adversário. Já reeleito o prefeito, abre-se um ciclo de renovação.
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O desfecho poderia ser outro caso:
1) Não se tivesse confundido a estratégia
eleitoral com a crença de que a gestão do atual prefeito é ruim;
2) A escolha do principal adversário tivesse
como critério não a ansiedade de queimar o prefeito, mas a racionalidade de
quem teria mais capacidade de ampliar no segundo turno. Do alto da liderança
nas pesquisas, se o candidato da extrema esquerda se concentrasse em bater no
de extrema direita, este seria ungido a alternativa de direita;
3) O de extrema direita passando ao segundo
turno justificaria a União de todos os derrotados com o, agora, único de oposição,
não sob a imagem de ser por ele, mas contra o "tiro, porrada e bomba"
como filosofia e método de governo para a cidade. Os próprios eleitores do
atual prefeito, com exceção dos mais hidrófobos contra o partido da candidata
de esquerda derrotada, migrariam para o de extrema esquerda;
4) Eleito, poderia aproveitar o encerramento do
ciclo do atual governador para a reeleição e ser um forte candidato a comandar
o Estado em 2018. Vida que segue;
5) Como redução de danos, valeria pedir para os
candidatos de esquerda e centro não apoiarem oficialmente o de extrema esquerda
no segundo turno, mas liberar o voto. Resta saber se tais líderes e seus
partidos estarão dispostos a coisa que poderia ser vista como uma grande
humilhação política;
6)
Até porque lhes interessa um ciclo renovador.
O que ele disse
"Não há forma de apoiar este lixo"
Michael
Reagan, filho do ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan (1911-2004), ao
comentar declarações deste fim de semana nas quais, durante comício em Manheim
(Pensilvânia), Donald
Trump, candidato republicano, acusou Hillary de ter sido infiel a seu marido,
o ex-presidente Bill Clinton, que governou o País de 1993-2001.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
E agora: para onde vão os votos de Maneschy, Úrsula e Éder Mauro?
A pergunta que não quer calar desde domingo, quando o último voto foi computado e apontou Zenaldo Coutinho (PSDB) e Edmilson Rodrigues (PSOL) na disputa em segundo turno em Belém: para quem migrarão os 75.401 votos do Professor Maneschy, os 79.968 de Úrsula Vidal e os 128.549 do Delegado Éder Mauro?
O Espaço Aberto ouviu três analistas, dois deles com forte militância partidária.
"Acho que as pessoas que votaram na Úrsula e no Maneschy são votos de mudança majoritariamente. Daí imagino que tudo vai depender da rejeição de um ou de outro", aposta um dos analistas.
"A Úrsula foi voto do 'nem esse, nem aquele, muito menos o outro'. Talvez os eleitores do Maneschy corram para o Edmilson, porque sabem que o Zenaldo é pior para o PMDB do que o candidato do PSOL. Mas a Úrsula provavelmente não deve se posicionar por nenhum, uma vez que ela está se cacifando para ser uma terceira via, igual à Marina em nível nacional. Já o Delegado, se consideramos o perfil na Câmara, Edmilson e ele são absolutamente antagônicos. Acho bem difícil ver um cara que votou no Éder Mauro votar no Edmilson e vice-versa. Mas o voto no Éder Mauro é também a negação do Zenaldo", diz um segundo analista.
O terceiro apresenta sua opinião: "Basicamente, o que teremos é um cenário dividido entre os que não vão votar a favor do Zenaldo e os que vão votar contra o Edmilson. Explico: minha avaliação é de que muitos, senão a maioria, dos que votaram no Zenaldo reconhecem que sua atuação no primeiro mandato foi desastrosa. Mas, mesmo assim, preferem votar nele do que no Edmilson, que ainda não conseguiu superar resistência em vários segmentos por motivações puramente ideológicas. Em outras palavras: quem preferir o Zenaldo em verdade estará com a sensação de estar votando mais contra o candidato do PSOL do que a favor do candidato do PSDB".
Pronto.
São três opiniões.
Agora é sua vez: apresente o seu palpite.
Zenaldo e Edmilson cantam vitória no segundo turno
Zenaldo e Edmilson foram para o Facebook, já em clima de segundo turno.
O tucano mandou uma mensagem ainda no calor, digamos assim, das comemorações da vitória no último domingo, contrariando as projeções de quase todas as expectativas.
O psolista preferiu deixar um texto escrito em que se diz confiante na vitória.
Assista e leia.
O tucano mandou uma mensagem ainda no calor, digamos assim, das comemorações da vitória no último domingo, contrariando as projeções de quase todas as expectativas.
O psolista preferiu deixar um texto escrito em que se diz confiante na vitória.
Assista e leia.
PT já teve 27 prefeituras no Pará. Agora tem apenas sete.
Por mera curiosidade, leitor do Espaço Aberto fez um levantamento sobre o resultados das eleições no Pará.
Um levantamento, como ele ressalta, "para ficar no meu caderno".
Vejam a sua conclusão:
Desde a chegada de Lula ao poder, o PT nunca teve uma votação tão pífia no Estado. Em 2000, o Partido dos Trabalhadores conquistou 5 prefeituras. Em 2004, pulou para 18. Em 2008, já com Ana Julia no Governo do Estado, saltou para 27. Em 2012, com a derrocada no governo estadual, veio o primeiro baque, interrompendo a trajetória de subida, caindo para 23 prefeituras. E, em 2016, com Lava-Jato e a imagem do partido absolutamente desgastada, caiu para apenas 7 prefeituras.
O silêncio ruidoso
Por FRANCISCO SIDOU, jornalista
Passada a euforia da vitória ou o choro da derrota nas eleições municipais de domingo, um dado assustador merece a reflexão dos caciques e "políticos profissionais": cerca de 30% dos eleitores em todo o Brasil deixaram de votar (abstenção) ou votaram em branco ou anularam seu voto.
São cerca de 45 milhões de votos em um contingente de 145 milhões de eleitores aptos a votar. É um "brado retumbante" da sociedade, que revela a "fadiga" do atual modelo político-eleitoral, com 35 partidos que se tornaram cartórios eleitorais ou "capitanias hereditárias", sugando recursos públicos através de um duto chamado Fundo Partidário. Acresce que mais 35 novos partidos estão pleiteando registro para aumentar essa esbórnia.
O recado das urnas, ainda fumegantes, é mais do que eloquente: ou suas "excelências" (atuais parlamentares) mudam o atual modelo de se fazer política no Brasil - através de uma reforma política de verdade - ou quase todos irão perecer nas próximas eleições, num mar de rejeição, afogados em um tsunami de votos brancos e nulos. Como político não tem vocação para o suicídio, há de se esperar que tomem "tento" e votem a tempo (antes das eleições de 2018) uma reforma política que contemple as aspirações da sociedade em transe.
"Quando o ideal não é possível, o possível passa a ser o ideal", já dizia uma sagaz raposa política mineira, Benedito Valadares, em seu livro de memórias "Tempos Idos e Vividos". Logo, uma reforma política se faz absolutamente indispensável, mesmo que não seja a ideal.
Uma reforma que, por exemplo, permita candidatos avulsos em todos os níveis, pois está mais do que comprovado que o eleitor, em sua esmagadora maioria, não vota em partidos , mas em candidatos.
Uma reforma que corrija distorções na distribuição do Horário Eleitoral "Gratuito", que atualmente só favorece os grandes partidos, dominados por oligarcas partidários. Tornar o voto facultativo, não obrigatório, seria outra medida ideal, mas quase impossível de ser adotada, pois ainda é grande a influência do poder econômico dos "coronéis do atraso" e do asfalto na compra de votos em "currais" com eleitores mais carentes.
Uma demonstração da "fadiga" do eleitor de Belém com as manjadas práticas da velha política foi a votação surpreendente e alvissareira da jornalista Úrsula Vidal. Sem apoio de qualquer máquina, de coronéis ou oligarcas políticos, mas articulada e inteligente, ela conseguiu dar o seu recado de maneira firme e consistente, apesar da aparência light, conquistando o voto principalmente dos jovens até então desmotivados para votar na mudança diante do cenário de uma política viciada com práticas nada republicanas ou franciscanas.
Úrsula foi a grata revelação dessas eleições e um sopro de esperança de que a mudança é possível, mesmo diante de todas as dificuldades e manipulações para evitar as surpresas eleitorais. Ficou 5 mil votos à frente do professor Maneschy, que se apresentava como a "novidade" da eleição em Belém, embora apoiado por tradicionais oligarcas partidários.
O sinal de alerta foi dado pelos eleitores em todo o Brasil. A voz das ruas pede mudanças no atual e carcomido sistema político-eleitoral. A equação parece bem simples: ou os políticos mudam o atual modelo de se fazer política no Brasil ou serão todos "mudados" nas próximas eleições.
O que ele disse
"Vocês todos sabem minha opinião sobre o ex-presidente Lula. O presidente Lula sabe que em algum momento eu vou visitá-lo lá em Curitiba, aí eu farei minha homenagem a ele."
João Doria, prefeito eleito de São Paulo, respondendo a Lula, que o chamou de aventureiro.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
No Ver-o-Peso, flanelinhas invadem o estacionamento "gratuito"
Vocês se lembram da postagem intitulada "Ladrões" tomam conta do estacionamento "gratuito" do Ver-o-Peso?, feita aqui na semana passada?
Pois é.
No último sábado de manhã, o repórter foi pessoalmente ao Ver-o-Peso.
E constatou o que dissera o leitor do Espaço Aberto: sim, flanelinhas tomaram conta do pedaço, e o "gratuito" virou apenas uma ficção exposta na placa que está à entrada do estacionamento.
Reparem na foto.
Só pude fazer essa, inclusive correndo o risco de ser flagrado pelos imperadores do lugar.
Mas a imagem é emblemática.
O cara de costas, com a flanelinha nas mãos (detalhe ao lado), manda e desmanda.
Como ele, uns três ou quatro também operavam no mesmo momento.
- Amigo, mas isso aqui não é gratuito? Porque os flanelinhas estão cobrando aí dentro - disse o repórter a um fiscal da Secon, devidamente identificado como servidor da secretaria que cuida do controle do acesso e saída de veículos.
- Senhor, deixe eu lhe explicar. Aqui continua gratuito, sim. O problema é que eles [os flanelinhas] chegam aí, vem a Guarda Municipal e tira todo mundo. Mas eles voltam logo depois - afirmou o servidor da Secon.
É assim.
No estacionamento do Ver-o-Peso, o "gratuito" é pago. E sob ameaças, vale dizer.
No Marco, lavagem a céu aberto e bandidagem
De um leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Lavagem a céu aberto próximo ao PSM do Umarizal:
Há muitos anos no bairro do Marco isso ocorre na cara de todo mundo.
Timbó, Vileta e adjacências próximo à Escola de Educação Física é um lava-jato a céu aberto.
Tem até uma "piscina" numa caixa d'água. Ninguém ali é incomodado. Tem ônibus e até carro da polícia usando o "serviço".
Roubam água da rua e até da escola.
Sem falar na bandidagem que orbita nos locais.
E como eram aqueles tempos antes de 1986?
Vejam aí.
Talvez alguns - ou muitos - de vocês já tenham visto.
Mas se já viram, vale a pena ver de novo.
Se não, vale mais a pena ainda.
O vídeo é ótimo, porque verdadeiríssimo.
Para os nascidos antes e depois de 1986.
Tem muito a ver com nossas infâncias.
Tem muito a ver com estes tempos de hoje.
Confiram a cultivem essas doces lembranças.
Talvez alguns - ou muitos - de vocês já tenham visto.
Mas se já viram, vale a pena ver de novo.
Se não, vale mais a pena ainda.
O vídeo é ótimo, porque verdadeiríssimo.
Para os nascidos antes e depois de 1986.
Tem muito a ver com nossas infâncias.
Tem muito a ver com estes tempos de hoje.
Confiram a cultivem essas doces lembranças.
Amor e ódio com igual intensidade
Dia desses, a certa altura, disse a mim mesmo, que gostaria de ter escrito sobre acontecimentos que povoaram meu imaginário cotidiano, nos anos 1960. Principalmente, por se tratar de uma época de grande convulsão social. Não era para ser. Não sei se teria a malícia exegética encerrada na minha escrita. Afinal de contas, nesses tempos existia a política do tudo ou nada. E um dos políticos que chamava muita atenção era Carlos Lacerda (ao lado), em 1963, quando governador do Estado da Guanabara. Ele tramou golpes para chegar ao poder, mas terminou a carreira de político como um derrotado.
Em 1955, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente da República, Lacerda defendeu a anulação das eleições. JK não havia feito maioria, seu meio milhão de votos sobre Juarez Távora eram votos dos comunistas. Às favas com o jurisdicismo da ala legalista da UDN. O caso era apear JK, e João Goulart, seu vice, do poder. Lacerda tinha pressa. Era o passional da política.
Nos manuais de história, ele é o corvo da Terceira República - o apelido foi dado pelo jornal Última Hora, de Samuel Wainer. Pegou. O corvo é uma ave agourenta. No famoso poema do poeta americano Edgar Allan Poe (1809-1849), ele é o mensageiro da inevitabilidade da morte. Lacerda ganhou o epíteto pela agressividade, quase às bicadas, com que atacava os adversários políticos. O estilo o colocou no centro das mais conturbadas passagens - o suicídio de Getúlio Vargas (1954), a renúncia de Jânio Quadros (1961) e o golpe que derrubou João Goulart (1964) - de um dos mais tumultuados períodos da história brasileira, entre as décadas de 1950 e 1960.
Na verdade, o comunismo, hoje, é um espantalho, e o moralismo católico saiu de moda. À época, dava audiência e um bocado de votos. O mundo andava em transição, nos anos 1950 e 1960. A juventude lia Jack Kerouac e experimentava a liberdade sexual que a pílula oferecia, mas expressões como o "perigo vermelho" e a "destruição do nosso modo de vida" mexiam com a cabeça das senhoras de Copacabana. Lacerda soube ser seu porta-voz. Suas posições, naqueles anos, são bem conhecidas - e não são isentas de contradições.
Em 1964, liderou a mobilização golpista no Rio de Janeiro, com sua metralhadora INA a tiracolo, desde o Palácio Guanabara. O fato é que Lacerda fez do "golpismo democrático" a marca maior de sua personalidade política. Aquela que produziu o "lacerdismo", uma arte, um pecado da política brasileira, que consiste em pôr em xeque as instituições da República quando interessa. Uma arte sem ideologia, frequentemente feita de bons argumentos. Pecado que ninguém mais, felizmente, soube cometer como Lacerda. A vida de Lacerda foi a recusa permanente do acordo. A vocação de seu charme, quem sabe, fez com que conseguisse, a partir de 1966, uma improvável reaproximação com JK e JG, para a formação da Frente Ampla, em oposição ao regime militar. Também foi derrotado. Em 1968, logo após a decretação do AI-5, Lacerda teve seus direitos políticos cassados por dez anos.
Sua paixão definitiva foi o jornalismo de combate, o articulismo enragé, tradição hoje desaparecida, pois nenhum governante perde o sono em função de um artigo de jornal. Escreveu um livro apresentando sua visão sobre o jornalismo, "A missão da imprensa", em que faz uma candente defesa da independência do jornalismo diante dos governos e grupos de poder, a profissionalização do jornalista, o rigor na verificação das fontes. É evidente que esse não foi o caso de seu jornal, a Tribuna da Imprensa.
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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com
O que ele disse
"Como estrangeiro, se eu pudesse ajudar no debate, diria: 'Juízes brasileiros, sejam mais alemães'".
Henner Ehringhaus, doutor em Direito pela Universidade de Freiburg, na Alemanha, em excelente artigo na revista "Veja" desta semana, ao constatar que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com as exceções que confirmam a regra, insistem no espetáculo deprimente de falar muito e criticar uns aos outros fora dos autos, o que pode resultar, em sua opinião, no desprestígio da Corte.
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