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terça-feira, 22 de maio de 2012

Em Auvers, a vida vicejante de Van Gogh



Enquanto viveu, por apenas 37 anos, de 1853 a 1890, Van Gogh vendeu apenas um quadro.
Em 1990, cem anos depois de sua morte, apenas um e somente um de seus quadros, Retrato de Dr. Gachet, foi vendido por nada menos de US$ 82,5 milhões - cerca de R$ 160 milhões em valores de hoje.
Enquanto viveu, Van Gogh deixou de comer - ou comeu o mínimo possível - para economizar dinheiro e mandá-lo para o irmão Théo, que ele adorava, comprar-lhe material de pintura.
Em seus 37 anos de vida, Van Gogh residiu em mais de 30 lugares diferentes.
Seu último domicílio foi em Auvers-sur-Oise, distante cerca de 40 minutos de trem, ao norte de Paris.
Em Auvers, Van Gogh passou os 70 últimos dias de vida.
Residiu numa pensão, o chamado Auberge Ravoux.
O quarto de Van Gogh, o quarto de um gênio, foi de um despojamento, de uma humildade comovente.
Não tinha mais de 5 metros quadrados.
Atualmente, o espaço está lá, preservadíssimo.
Na época, a pensão custava a Van Gogh 3,50 francos à épóca.
O único objeto que se encontra estrategicamente colocado bem no centro do aposento é uma cadeira semelhante à que o pintor retratou no quadro A Cadeira de Van Gogh com Cachimbo.
No curto período de seus últimos 70 dias em Auvers, Van Gogh pintou cerca de 80 quadros, vários deles retratando recantos da vila, como a sede da prefeitura e a Igreja.
Auvers, além de ter sido o recanto que ficou marcado como o último em que Van Gogh viveu, também entrou para a história como o local do repouso eterno para Van Gogh e seu irmão Théo, nos braços de quem ele morreria.
Os corpos de ambos estão sepultados no pequeno cemitério.
Suas sepulturas destoam de todas as outras.
Sãos as únicas que não têm túmulos de mármore, mas plantas.
Por perto, sempre fica um regador. É comovente como os visitantes, por impulso natural, regularmente regam as plantas que se mantêm sempre verdejantes na sepultura de Van Gogh e do irmão.
E como se a vida ainda pulsasse ali, vicejante como as plantas que adornam o local onde ambos foram sepultados.
Quem tiver oportunidade de visitar Paris, não custa nada esticar até Auvers sur Oise.
Basta ir à Gare du Nord, uma das maiores estações de trem da capital francesa, e comprar a passagem.
Atenção: é preciso logo comprar o bilhete de ida e volta, porque não há venda de bilhetes em Auvers.
De Paris até a cidade, há trens em vários horários.
Mas de Auvers até Paris, os horários dos trens na volta são às 18h15 e às 21h30, mais ou menos.
Na ida, é preciso trocar de trem na cidade de Saint-Ouen-l'Aumône e daí seguir até Auvers.
Na volta, a mesma coisa: é preciso sair do trem em Saint-Ouen-l'Aumône e esperar o outro que segue até Paris.
O Espaço Aberto visitou, em Auvers, o Auberge Ravoux, o cemitério onde estão as sepulturas de Van Gogh e Théo e outros locais da cidade - agradável, serena, tranquila - que preserva todo o bucolismo para acolher um pintor da genialidade de Van Gogh.
Vejam no vídeo acima.

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Festa do Pão. Sabores e arte. Arte e sabores.



Ir a Santarém sem conhecer Alter-do-Chão é como ir a Belém e não conhecer o Ver-o-Peso ou deixar de tomar açaí, por exemplo.
Da mesma forma, vir a Paris e não entrar em boulangeries ou deixar de fartar-se de trocentos tipos de pão é como ir a Santarém sem conhecer Alter-do-Chão ou visitar Belém e não tomar açaí.
Talvez nenhum país do mundo ofereça tantos tipos de pão como a França.
Talvez nenhuma capital do mundo tenha tantas boulangeries como Paris.
Há uma melhor que a outra em cada esquina, deixando exalar os melhores odores.
Odores que expressam o melhor da gastronomia francesa.
E franceses, vocês sabem, não apenas se deliciam com pães.
Eles quase os cultuam.
Fazer pão, na França, não é ganha-pão.
É arte.
Comer pão em Paris é saborear uma arté cultivada como os melhores trigais.
De segunda-feira última, dia 14, até o próximo domingo, La Fête du Pain (A Festa do Pão) armou sua tenda, literalmente, em frente à Catedral de Notre Dame.
É uma feira tradicional por aqui.
Na tenda principal, os mestres se exibem, no mais artístico sentido do termo, fazendo pães.
E quem quiser pode entrar na área reservada aos artistas do pão para experimentar, por alguns minutos que sejam, o prazer de meter a mão na massa. Literalmente.
É impressionante o interesse das crianças - e sobretudo delas - em experimentar a sensação do, digamos assim, experimento.
Os pães produzidos na tenda principal da feira saem quentinhos para a venda em barraquinhas que ficam armadas no entorno da Praça de Notre Dame.
Tem de tudo: baguetes, brioches, tartelottes, flans, palmier e mais. Muito mais.
Há pães doces e salgados.
De todas as formas.
Para todos os gostos.
Vejam nas imagens acima, que o Espaço Aberto fez hoje à tarde.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Os Jardins de Monet. Onde Monet se fez Monet.






Um recanto pra lá, muito pra lá de aprazível, os imensos jardins que Claude Monet plantou em sua própria casa, na vila de Giverny, a 70 quilômetros de Paris, serviram-lhe, em boa parte, de inspiração para imprimir novas feições ao Impressionismo e delinear suas novas experiências.
Monet chegou a fazer telas gigantescas, oito ao todo, para expressar uma parte da infinita variação de cores, tons e luminosidades proporcionadas pela luz do Sol, do alvorecer ao crepúsculo do dia.
As telas enormes atualmente se encontram no l'Orangerie, um museu bem pequeno, e por isso mesmo fácil de transitar por dentro dele. Fica bem na extrema direita, de quem fica para frente do Jardim das Tulherias. E quem for lá, ainda poderá degustar de uma centenas de quadros dos impressionistas. O ingresso, atualmente, está ao preço de 7,40 euros.
Nas imagens acima, os jardins de Monet, inclusive a casa onde ele viveu e que guarda uma bela, valiosíssima coleção de louças japonesas.
As duas últimas fotos são do Jardim Japonês, uma delas mostrando o ambiente refletido nas águas do lago.
As fotos são do Espaço Aberto.

O ritmo das águas



Quem for a Versalhes por esta época e não quiser se acotovelar pelos corredores e demais aposentos e dependências do château, que são imensos, mas se tornam minúsculos diante do trânsito de milhares de turistas, basta sair para os jardins e relaxar, apreciando coisas como as que aparecem nessas imagens feitas pelo Espaço Aberto.
É a Dança das Águas.
O palco dos espetáculos são as fontes dos imensos jardins do palácio.
A coreografia das águas é orientada pelo ritmo de músicas clássicas.
O ingresso para quem quiser assistir já está embutido no preço dos acesso aos jardins.
Em julho, a Dança das Águas ocorre durante festival que se realiza à noite.

domingo, 6 de maio de 2012

"Não somos um país qualquer. Somos a França".


"Não somos um país qualquer. Somos a França", proclamou François Hollande, no primeiro discurso como presidente eleito, na disputa em que venceu o atual mandatário francês, Nicolas Sarkozy. A vitória foi apertadíssima: 50,8% dos votos contra 49,2%
A festa foi na Bastilha, local emblemático das comemorações dos franceses. O correspondente internacional, digamos assim, do Espaço Aberto esteve lá para conferir e fez essas imagens aí.
O som do vídeo é o do ambiente, para vocês peceberem as exaltações dos partidários de Hollande comemorando a vitória.
O presidente eleito não votou aqui em Paris. Votou na cidadezinha de Tulle - onde já foi prefeito -, a 400 quilômetros da capital francesa.
Um telão instalado na Bastilha - onde milhares de pessoas ainda se concentram até agora, quando já são 23h30 aqui em Paris - transmitiu ao vivo o primeiro pronunciamento de Hollande.
Ele prometeu governar para todos, inclusive, para os eleitores de Sarkozy.
Disse que juventude e justiça serão os dois pilares de seu governo.
Prometeu que suas decisões sempre serão pautadas para que o governo procure contemplar os anseios de de libertade, igualdade e fraternidade.
Lembrou da importância da França no concerto das nações, ressaltando que o mundo inteiro está de olho nas opções do país para superar as dificuldades sobretudo na área econômica.
Garantiu que empenhará o melhor de seus propósitos e de seus esforços para não decepcionar os franceses e não frustrar-lhes as esperanças.
Vejam algumas imagens tomadas pelo blog na Praça da Bastilha, quando já eram por volta de 20h30, 21h aqui, cerca 15h30, 16h aí no Brasil.
Agora mesmo, quando já transcorrem os primeiros minutos da madrugada de segunda-feira, Hollande, vindo de Tulle, está chegando à Bastilha para comemorar como a multidão.

Parcial aponta Hollande presidente da França

São 20h05 aqui em Paris.
As emissoras de televisão acabam de divulgar uma parcial.
Hollande tem 51,9% dos votos contra 48,1% para Sarkozy.
Os socialistas, reunidos na Praça da Bastilha, já estão comemorando.

Domingo de eleição sem muita cara de dia de eleição

Domingo de eleição em Paris não parece domingo de eleição em Belém, no Pará e no Brasil.
Não parece nem de longe.
São 7 da noite aqui, 2 da tarde aí em Belém.
Estamos a uma hora do anúncio do resultado das eleições presidenciais na França.
E ninguém percebe, na capital francesa, que é dia de eleição. E um dos pleitos de maior comparecimento de votantes nos últimos tempos, o que não deixa de ser surpreendente, num país onde votar não é obrigatório.
Apenas alguns detalhes é que indicam ser este domingo um dia de eleição presidencial.
Vejam nas imagens acima, feitas há cerca de duas horas pelo, digamos, correspondente internacional do Espaço Aberto (rsss).
Observem na movimentação em frente ao Palácio do Eliseu, a sede do governo frances, na rua Saint-Honoré. Além da troca de guarda, a rua está cheia de puliças. Muitos puliças.
Nas imediações do palácios, coleguinhas - muitíssimos - também já se concentram desde o início da manhã. Provavelmente, estão à espera de algum pronunciamentos de Sarkozy, perca ou ganhe.
Mas onde se nota mais uma cenário de eleição é na Champs-Élysées, que está toda cheia de bandeiras -da França, por evidente - de um lado e de outro.
Fora isso, nem parece que o domingo, por aqui, é dia decisivo de eleição presidencial.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Eleição? Mas que eleição? Cadê a sujeira?




Franceses são mesmo, digamos assim, meio contidos.
Há outras qualificações menos nobres, mas esqueçam.
Aqui pela terra do marido de Carla Bruni, que está encostando no adversário depois do debate da última quarta-feira, as ruas não transpiram eleições.
A gente sente falta daquele carro-som.
Sente falta dos militantes com bottons berrando pelas ruas.
Sente falta, oram vejam, de ruas emporcalhadas, cheias de pixações e de propagandas em postes e paredes.
E olhem que, no fundo do fundão, o nível de interesse pela disputa eleitoral de domingo é grande, muito grande. E tanto é assim que o nível de comparecimento às urnas, no primeiro turno, foi de 80%, algo surpreendente num país como a França, onde o voto não é obrigatório.
Mesmo assim, repita-se, as ruas não expressem esse nível de interesse, em decorrência da, digamos assim, introspecção ou da frieza dos franceses.
Olhem aí as fotos acima.
Foram feitas na última terça-feira pelo poster, quando flanava aí pelas ruas.
A primeira foto, lá do alto, foi feita bem pertinho da Ópera. Mostra um panfleto do comunista Jean-Luc Mélenchon pregado, perdido, esquecido, quase escondido num desses obstáculos que protegem pedestres nas calçadas.
A segunda foto, de cima para baixo, foi feita na Rue de la Banque, próximo ao Palais Royal, um dos monumentos mais visitados - porque mais resplandecentes - da cidade. Mostra não propaganda eleitoral de candidatos a presidente, mas de um concorrente às eleições parlamentares, que ocorrerão em junho, depois das eleições presidenciais.
A terceira, feita na região do Porte de Saint-Denis, no 10th arrondissement, exibe também propaganda de Mélenchon, que não está mais na disputa.
E a foto acima foi feita bem pertinho do Canal de Saint-Martin, com um detalhe que não pode passar despercebido: para evitar que a parede fique suja, a estrutura de ferro foi feita apenas para propagandas - inclusive, é claro, a eleitoral. Mas só há dois cartazes lá, um de Hollande, outro de Sarkozy.
Hehehe.
Mas que falta fazem paredes e postes emporcalhados.
Quem falta faz um carro-som.
Que falta trios elétricos.
Que falta faz uma barulheira.
Que falta faz o emporcalhamento de uma cidade em época eleitoral.
Sem brincadeira.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cenas provincianas numa cidade esplendorosa



Au Lapin Agile, em Montmartre: aqui vivia um burro que virou pintor. A foto é do blog.

Olhem só.
Quem vier a Paris até o final de julho não pode deixar de ir ao Museu Carnavalet.
O museu, independentemente de suas exposições permanentes e temporárias, vale por si mesmo.
De uma olhadinha no vídeo acima, feito ontem pelo blog.
Quem for ao museu, que fica na Rue de Sévigné, no Marais, o bairro que reúne a comunidade judaica na capital francesa, pode desfrutar não apenas de seus jardins como das obras de arte que contam a história da cidade até a Revolução Francesa.
Mas a novidade do momento é uma exposição do fotógrafo Eugène Atget, que viveu de 1857-1927.
É fantástica.
Ele captou momentos de uma cidade que, no início da Século XX, já tinha um esplendor crescente, mas ainda exibia cenas provincianas.
Atget captou, por exemplo, os vendedores ambulantes de abajures, de brinquedos e tapetes.
Mostrou crianças reunidas num momento de lazer no Jardim de Luxemburgo, o mais aconhegante de Paris.
Captou um grupo de pessoas - umas 20 - reunidas na Bastilha, olhos postos nas alturas, feições tensas, acompanhando um eclipse do Sol.
Mostrou os cabarés franceses, inclusive um dos mais famosos deles, o Au Lapin Agile.
Aliás, sobre esse cabaré, plantado numa ruazinha em Montmartre, conta-se história das mais curiosas, mas verdadeira.
O caberá deve seu nome atual a um cartaz pintado pelo humorista André Gill.
Seu desenho de um coelho escapando da panela (Le Lapin à Gill) virou coelho ágil (Lapin Agile).
Na virada do Século XX, o Au Lapin Agile era muito frequentado por intelectuais e artistas;
Foi lá que, em 1911, o romancista Roland Dorgelès, crítico feroz da arte moderna praticada por Picasso e outros pintores, fez uma brincadeira com vários freqüentadores do cabaré, entre os quais Guillaume Appolinaire - poeta, crítico de arte e admirador do cubismo.
Dorgelès amarrou um pincel no rabo do burro do dono do café, e os rabiscos resultantes foram expostos no Salon des Indépendents, com o título “Pôr do Sol no Adriático’”...
Assim como Montmartre é indispensável, o Carnavalet também é.