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| As placas na cabeça das pontes da Avenida Liberdade: em vez de proteção, insegurança a condutores de veículos (fotos: Espaço Aberto) |
Há cerca de uma semana, duas capivaras foram mortas por atropelamento na Avenida Liberdade, a recém-inaugurada via expressa de 14 quilômetros, que liga a Avenida Perimentral, às proximidades da Ufra, à Alça Viária.
Se medidas urgentes não forem adotadas pela autoridade de trânsito - seja ela qual for -, para ajustar a sinalização da via a mínimos padrões que garantam segurança aos usuários, é iminente o sério risco da ocorrência de graves acidentes que poderão custar a vida de seres humanos.
Em qualquer rodovia do mundo, seja ela uma via expressa ou não, a sinalização vertical consiste em placas fixadas, no mínimo, a 100 metros uma da outra, para permitir que o condutor possa ler o que está escrito e reagir a tempo de obedecer à orientação indicada. É o caso, por exemplo, das nossas lombadas, que abundam em rodovias aqui no Pará. Em muitas situações, o condutor é avisado pela placa de que encontrará uma lombada 300 metros adiante. Tudo certo!
Na Avenida Liberdade, não.
Ponte + elevado + placas = insegurança
No sentido Perimetral-Alça Viária, há uma ponte e um elevado, que, talvez por execução malfeita durante as obras, ficaram com as cabeças com um aclive muito agudo, ou muito arrebitado - digamos logo no popular. Uma é a ponte sobre o igarapé Ufra. O elevado é o da Ceasa. Em ambos, o condutor deve ter extremo cuidado. Se passar à velocidade de 80 km/h, o limite estabelecido para a via, o veículo, inevitavelmente, vai sofrer um grande tranco, com risco de o motorista perder o controle da direção.
O que fez a autoridade de trânsito para garantir a segurança dos usuários? Fixou no acesso à ponte e ao elevado sinalização que, ora vejam, causa mais insegurança ainda. É que, primeiro, as placas têm dimensões minúscula, sendo visualizadas plenamente apenas quando já estamos perto delas; e segundo, o que é mais grave, estão a alguns metros uma da outra e já se encontram em cima, literalmente bem no início das estruturas, não dando tempo ao motorista de seguir as orientações indicadas.
Vejam nas imagens acima, feitas pelo Espaço Aberto na manhã deste domingo (08). Uma placa avisa: "Atenção: diminua a velocidade". A pouquíssimos metros adiante, outra placa informa: "Trecho velocidade reduzida - 50km". Esta placa, reforce-se, encontra-se já no aclive, em cima da ponte e do elevado. Não existe, portanto, a menor possibilidade de um condutor, trafegando a 80km/h, reduzir a velocidade quando visualizar a informação das placas, em uma cima da outra, e ambas, em cima das estruturas.
Afronta ao manual de sinalização
Não se acredita - mas, como estamos no Pará, deve-se, sim, acreditar - que a autoridade de trânsito não se dê conta da flagrante inadequação entre a sinalização fixada e os parâmetros estabelecidos por regramentos claros. Qual regramento? Este aqui, presente no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito.
Ali está escrito o seguinte:
Observe-se que a recomendação é de uma distância mínima de 100 metros, do que se depreende que, dependendo da situação de insegurança para a qual se pretende alertar , o espaçamento pode ser ainda maior.
Quanto à dimensão das placas, não se acredita - mas, repita-se, como estamos no Pará, deve-se, sim, acreditar - que, para construir uma estrada que custou meio bilhão de reais - ou precisamente R$ 489.506.965,14, de acordo com dados da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Governo do Pará -, o Estado não consiga despender R$ 500 para produzir placas maiores e mais visíveis, condizentes com a intenção de amenizar os riscos para os motoristas.
Até agora, vale ressaltar, a Avenida Liberdade tem atendido a contento ao objetivo primordial que justificou sua construção - em meio a muita polêmica, não esqueçamos: reduzir os gargalos no trânsito na entrada/saída da Região Metropolitana de Belém, oferecendo nova alternativa de deslocamento para os que precisam acessar a BR para entrar ou sair da cidade.
Convém, no entanto, agir a tempo para dotar a vida expressa de sinalização condizente com a intensidade do tráfego, que, aliás, se mostra crescente, à medida que mais usuários vão se dando conta das vantagens de utilizar a nova avenida.




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