domingo, 15 de novembro de 2020

Turma que fazia carreata contra o uso de máscara foi à forra e "descontou sua fúria no candidato do Helder", avalia analista

Bolsonaro e Eguchi: acerto de contas dos bolsonaristas pode ter prejudicado
candidato apoiado pelo governador Helder Barbalho na reta final de campanha em Belém

Analista político, provocado há pouco pelo Espaço Aberto a explicar a escalada meteórica do Delegado Federal Eguchi na reta final de campanha, acha que o candidato tem muito a agradecer aos marketeiros adversários.

"A escalada de críticas a que José Priante foi submetido na reta final de campanha pelo PSDB e PSOL lhe retiraram votos, é claro. Mas quem pensava que isso ajudaria Edmilson a definir no primeiro turno ou que Thiago Araújo fosse o segundo colocado quebrou a cara", avalia o analista.

"O delegado Eguchi é que agradece o trabalho que fizeram para ele os marketeiros adversários. E ainda contou com a ajuda dos bolsonaristas, que estavam divididos. Na undécina hora, a turma que promovia carreata contra o uso de máscara e distanciamento social - e que acabou indo parar na delegacia - resolveu ir à forra e descontou sua fúria no candidato do Helder", reforça.

Em escalada surpreendente, Eguchi supera Priante e vai para o segundo turno contra Edmilson na disputa pela Prefeitura de Belém

Numa escalada surpreendente nas duas últimas semanas de campanha, o Delegado Federal Eguchi (Patriota) ultrapassou o deputado José Priante (MDB), que até este sábado (14) aparecia em segundo em todas as pesquisas, e vai enfrentar em segundo turno Edmilson Rodrigues (PSOL) na disputa pela Prefeitura de Belém.

Edmilson ficou na frente, com 34,22% dos votos. Eguchi obteve 23,06%. Em terceiro, Priante obteve 17,03%. A seguir, Thiago Araújo (8,09%), Cássio Andrade (6,88%), Vavá Martins (6,81%) e Gustavo Sefer (3,16%). Os demais candidatos não chegaram, individualmente, a nem 1%.

O crescimento veloz de Eguchi na reta final de campanha pode indicar, à primeira vista, uma opção dos eleitores de centro-direita, implacáveis na rejeição a candidatos de esquerda, como é o caso de Edmilson, terem despejado à última hora seus votos em Eguchi para evitar que Priante passasse para o segundo turno.

A provável confluência dos votos de centro-direita não propriamente a favor de Eguchi, mas contra o candidato do MDB, deve-se às notórias preferências desse segmento do eleitoral pelo bolsonarismo e às evidências de que bolsonaristas têm no governador Helder Barbalho, parente de Priante, um adversário.

O enfrentamento entre o bolsonarismo e a família Barbalho, que controla o MDB em Belém e no restante do Pará, ficou mais claro a partir de março, quando começou a pandemia e se acirraram os embates entre governadores e Jair Bolsonaro.

Com crescimento rápido, Eguchi avança, empata tecnicamente com Priante e tira o sono dos emedebistas


Pessoas próximas ao deputado José Priante, candidato do MDB a prefeito de Belém, foram dormir - se é que dormiram - neste sábado com os sinais de alerta ligados; ou com os sentidos em alerta, ainda que meio adormecidos.

O motivo da inquietação chama-se Delegado Federal Eguchi, do Patriota, que cresceu cinco pontos percentuais e chega neste domingo (15), dia das eleições, tecnicamente empatado com Priante na segunda posição.

O Ibope, em sua apuração divulgada neste sábado (14), aponta Edmilson Rodrigues (PSOL) garantido no segundo turno, com 38%, seguido por Priante com 17% e Eguchi com 13%. Considerada a margem de erro de quatro pontos, para mais ou para menos, há empate técnico na segunda posição.

As últimas aferições de diferentes institutos de pesquisa já vinham detectando uma discreta subida do candidato do Patriota. Mas nas duas últimas semanas, ele empinou. Empinado, passou numericamente Thiago Araújo (9%) - que no caso também integra integra o pelotão dos tecnicamente empatados em segunda posição - e pode ser uma surpresa que só a verdadeira pesquisa, a das urnas, poderá definir.

O naufrágio eleitoral da ex-pitbull de Bolsonaro

Mas que situação, hein, gente?

Que situação!

Vejam a situação de Joice Hasselmann.

O PSL já teme que ela tenha menos votos pra prefeita de São Paulo do que os votos obtidos quando se elegeu deputada federal.

E pensar que essa mulher já foi uma pitbull de Bolsonaro.

E pensar que, Bolsonaro eleito, ela previa o Brasil como uma espécie de Suíça da direita.

E pensar que posava como a parlamentar que tinha maior intimidade com o poder.

E pensar que proclamava Bolsonaro como o novo farol da humanidade.

Ate que Bolsonaro a chutou pra longe.

E hoje ela sente ne pela os efeitos de ter virado traidora do bolsonarismo.

Joice está arrependida das escolhas que fez em passado recente?

Se estiver, que nunca se esqueça dessa lição e aponte suas bússolas para posições mais moderadas e comedidas.

Se não, que tenha apenas um voto: o dela mesma.

PF flagra transporte irregular de eleitores, com indícios de compra de votos



Sim.

Hoje, como se diz, é a festa da democracia.

Mas a festa da democracia atrai, infelizmente, os criminosos compulsivos.

A Polícia Federal flagrou na manhã deste domingo (15), no município de Belterra, na região oeste do Pará, um veículo fazendo possível transporte irregular de eleitores, com indícios de possível compra de votos. As fotos são da própria PF.

No interior do veículo foram encontrados material de campanha do tipo “santinhos”, dinheiro e um caderno com lista de nomes e pagamentos que indica possível negociação de compra de votos. 

O veículo com o material de campanha, os 1 dos eleitores transportados e 2 suspeitos estão sendo conduzidos para a Delegacia de Polícia Federal em Santarém, para a devida apuração do caso e, se confirmada a suspeitas, será realizada a lavratura do devido procedimento legal.

A PF não informou os nomes dos suspeitos e nem os candidatos e o partido para os quais trabalham.

Cabos eleitorais porcos, a serviço de candidatos idem, emporcalham Belém


Ruas de Belém - muitas, senão todas - estão ainda mais emporcalhadas que de costume neste domingo (15).

Espiem só como está na frente do IFPA, na Avenida Almirante Barroso, entre Barão do Triunfo e Timbó.

Há toneladas de "santinhos" despejados nas áreas próximas às maiores seções eleitorais da cidade.

Os "santinhos" foram despejados durante a madrugada por cabos eleitorais porcos, a serviço de candidatos igualmente porcos.

Vários dos "santinhos" são de candidatos a prefeito.

Se esses caras não conseguem controlar algumas centenas de cabos eleitorais, como poderão ter controle sobre um cidade de 1,5 milhão de habitantes?

E como poderá o candidato porco que se eleger pedir aos munícipes que não emporcalhem a cidade?

Digam aí.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Pandemia, inadimplência e evasão escolar forçam Colégio do Carmo a fechar as portas a partir de 2021

A Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia (ISMA), mantenedora do Colégio Nossa Senhora do Carmo, um dos mais tradicionais de Belém, formador de muitas gerações, divulgou nesta quinta-feira (12) uma nota informando que o estabelecimento vai fechar as portas a partir do próximo ano.

A decisão, segundo a mantenedora, foi tomada após constatar-se, tecnicamente, que os fortes impactos decorrentes da pandemia do coronavírus Covid-19, "sobretudo no mercado particular educacional", inviabilizaram o prosseguimento das atividades do Colégio do Carmo.

"Nesse contexto, fomos prejudicados em função do aumento expressivo no índice de inadimplentes, número de evasão escolar, cancelamentos ou de transferências de matrículas", acrescenta a nota.

Ocupando uma área do antigo convento dos Carmelitas Calçados, que chegaram no Pará em 1626 (data da fundação do convento), vindos de São Luís do Maranhão, o Colégio do Carmo, situado na Cidade Velha, começou a funcionar na década de 1930 e, ao longo de mais de 80 anos, firmou uma reputação de excelência na qualidade do ensino.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Por ordem da Justiça Eleitoral, PF vai à sede de partido que apoia reeleição de Lermen, em Parauapebas, e encontra indícios de crimes

Darci Lermen: campanha à reeleição é alvo de operação da PF ordenada pela Justiça Eleitoral

Na reta final das eleições marcadas para o próximo domingo, o clima eleitoral vai acima dos 100 graus no município de Parauapebas.
A Polícia Federal informou há pouco que uma equipe de nove agentes esteve nesta quarta-feira (11) no QG da campanha de Darci Lermen, o prefeito do MDB que tenta se reeleger, e deu cumprimento a um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral.
A operação, que apura supostos crimes eleitorais, foi até a sede do Partido Progressista (PP), integrante da coligação que apoia a candidatura de Lermen, e apreendeu R$ 2.500,00 em espécie, além de documentos que apontam compra de votos e transporte ilegal de eleitores. Também foram apreendidos celulares e mídias. 
O PP de Parauapebas é presidido por ninguém menos que Keniston Braga, secretário de Finanças da prefeitura e tido no município como homem forte do governo e um dos mais influentes na campanha de Darci.
Segundo a PF, além do cumprimento da busca, também foram realizadas oitivas de testemunhas e suspeitos. As investigações irão continuar até a elucidação completa da hipótese criminal, com a identificação dos participantes do evento delituoso.
Os crimes investigados são corrupção eleitoral (art. 299 do Código Eleitoral) e transporte irregular de eleitores (art. 11, III da Lei 6.091/74), que somados podem resultar em condenação máxima 10 de reclusão.

Promotor formaliza perante a Alepa pedido de impeachment do procurador-geral de Justiça, Gilberto Martins




O promotor de Justiça Alan Pierre Chaves Rocha ingressou na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) com um pedido de impeachment do procurador-geral de Justiça, Gilberto Valente Martins. O pedido (clique aqui para ler a íntegra) foi formulado pelo autor na condição de cidadão.

A Alepa confirmou há pouco, ao Espaço Aberto, que o pedido, assinado pelo autor no dia 16 de outubro, deu entrada na Presidência nesta quarta-feira (11) e posteriormente será remetido à Procuradoria Jurídica da Casa, para análise e demais procedimentos necessários. Rocha atua como promotor de Justiça da Defesa da Probidade e Tutela das Fundações e das Entidades de Interesse Social em Marabá, no sul do Pará.

Para propor o impedimento do chefe do MPPA, Alan Rocha alega que Gilberto Martins estourou o limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal no primeiro quadrimestre do ano passado, além de não ter adotado "medidas hábeis a restabelecer o controle das contas e a redução do gasto com pessoal no patamar abaixo de 95% do limite previsto na legislação". O PGJ, acrescenta o promotor, também "executou a contratação de 12 assessores jurídicos de promotores de Justiça", em ofensa a dispositivo da LRF.

Nas imagens, vejam alguns trechos do pedido.

Pode ou não o PGJ, portanto chefe do MP, propor ação em primeiro grau contra um governador?

Helder Barbalho e Gilberto Martins: ajuizamento de ação de improbidade administrativa é
a continuidade de um enfrentamento contaminado por vieses também de natureza política

O ajuizamento, pelo Ministério Público do Pará, de ação de improbidade que, entre outras medidas, pede o afastamento de Helder Barbalho do cargo de governador do Pará, deveria cingir-se, como de regra, a seus aspectos eminentemente legais, processuais e técnicos, tudo isso consubstanciado no respeito à jurisdição e aos elementos constantes da inicial oferecida para o exame do Poder Judiciário. Mas não será assim neste caso.

Basicamente, a ação pede punições e reparações no caso da compra com dispensa de licitação de 400 ventiladores pulmonares da empresa SKN do Brasil Importadora e Exportadora de Eletrônicos Ltda. Além de Helder, são requeridos na mesma ação Parsifal Pontes (ex-chefe da Casa Civil do Pará), Alberto Beltrame (ex-secretário de Saúde do Pará), Peter Cassol Silveira (ex-secretário adjunto de Gestão Administrativa da Sespa) e outras seis pessoas, que também são investigadas em duas operações contra o governo Helder - a Para Bellum e a SOS. O processo, de número 0866555-71.2020.8.14.0301, tramita na 1ª Vara de Fazenda da Capital.

A iniciativa do MPPA, no entanto, aporta no Judiciário contaminada por especulações de que atenderia a interesses extraprocessuais de natureza eminentemente política. Isso porque o proponente da ação, ninguém menos que o procurador-geral de Justiça, Gilberto Valente Martins, enfrenta pessoalmente fortíssimas hostilidades do governador e sua família, que o acusam de ter ligações com tucanos e de orientar e de instrumentalizar o Ministério Público para servir como aríete contra o governo do estado.

Inimigo político - Além dessas motivações, que são subjetivas obviamente, ocorrência recente forneceu aos opositores de Gilberto Martins elementos de convicção ainda mais sólidas para tratarem-nos não propriamente como chefe do MPPA, mas como um inimigo político.

A ocorrência consumou-se com a Operação Quimera, desfechada pela Polícia Civil no dia 9 de outubro, para apurar supostas fraudes na compra de respiradores pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém. Quem era o secretário à época? Sérgio Amorim, que vem a ser cunhado de Gilberto Martins. E à porta da residência do secretário estava o tenente-coronel da PM Afonso Geomárcio Santos, lotado na gabinete militar do PGJ, que teria tentado intimidar os policiais, inclusive filmando parte da operação.

Pronto. O cenário de enfrentamentos entre o PGJ Gilberto Martins e a família do governador ampliou seu espectro a partir daí, saindo do terreno de meras ilações (que sempre são subjetivas, vale repetir) para fatos que, sendo fatos, podem dar ensejo a especulações mais sólidas, como a de que o MPPA estaria, como se diz, tirando o pé do acelerador no caso de investigações capazes de atingir interesses tucanos, e apertando fundo, no caso de denúncias envolvendo o governo Helder Barbalho.

Pode ou não pode? - Disso tudo, temos objetivamente a seguinte questão: tem o procurador-geral de Justiça - seja ele Gilberto, Manoel, João, Pedro ou Joaquim - competência para postular perante juízo de primeira instância, propondo ação de improbidade contra um governador de estado - seja Helder, Simão, Manoel, Pedro ou Joaquim? Ou só poderia um PGJ postular junto ao segundo grau, ou seja, perante um tribunal?

Pode - Há quem entenda que pode. Alguns juristas, que preferem não se identificar, sustentam que o PGJ está amplamente legitimado também a propor esse tipo de ação no Juízo de primeiro grau. "Quem pode mais pode menos. O procurador-geral de Justiça agiu estritamente no seu dever legal, dentro de suas atribuições. A ação está repleta de elementos para ser apreciada e julgada", diz um dos juristas ao Espaço Aberto.

Invoca-se ainda ao artigo 56, inciso VII da Lei Orgânica do Ministério Público, combinado com o artigo 129, incisos II e III da Constituição.

Diz o artigo 56: "Art. 56 - Além de outras atribuições previstas nas Constituições Federal e Estadual, na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público dos Estados, nesta Lei Complementar e em outros diplomas legais, compete privativamente ao Procurador-Geral de Justiça, como órgão de execução: (...) VII - exercer as atribuições do art. 129, II e III, da Constituição Federal, quando a autoridade reclamada for o Governador do Estado, o Presidente da Assembleia Legislativa ou o Presidente do Tribunal de Justiça, bem como quando contra estes, por ato praticado em razão de suas funções, deva ser ajuizada a competente ação; (...)"

No artigo 129, lê-se: "Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: (...) II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; (...)"

O artigo 29 preceitua: "Art. 29. Além das atribuições previstas nas Constituições Federal e Estadual, na Lei Orgânica e em outras leis, compete ao Procurador-Geral de Justiça: (...) VIII - exercer as atribuições do art. 129, II e III, da Constituição Federal, quando a autoridade reclamada for o Governador do Estado, o Presidente da Assembleia Legislativa ou os Presidentes de Tribunais, bem como quando contra estes, por ato praticado em razão de suas funções, deva ser ajuizada a competente ação; (...)".

Não pode - Há quem entenda que não. "A incapacidade postulatória de procuradores de Justiça perante varas de 1º grau consta de disposição expressa nos arts. 58 e 60 da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado, que estabelece que “os Procuradores de Justiça, respeitada a competência privativa do Procurador-Geral de Justiça, e observados os atos normativos sobre a distribuição interna dos serviços, exercem as atribuições do Ministério Público perante os órgãos fracionários do Tribunal de Justiça do Estado”. E que “os Promotores de Justiça, observados os atos normativos sobre a distribuição interna dos serviços, exercem as atribuições do Ministério Público perante o juízo de primeira instância”, escreve o advogado Ismael Moraes em artigo republicado no Portal OEstadoNET.

Ismael cita até um precedente judicial extinguindo ação promovida por procurador de Justiça em 1º grau de jurisdição em razão de falta de capacidade postulatória. O precedente está em sentença prolatada nos autos da ACP nº 0809254-74.2017.8.14.0301, em 09/09/19, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Belém.

Na sentença, escreve em certo trecho o juiz Raimundo Santana: "Ministério Público do Estado do Pará possui, de fato, ampla legitimidade para ajuizar ações em defesa dos seus interesses institucionais, inclusive contra os seus próprios membros, ou seja, os promotores e procuradores de justiça. Entretanto, isso não significa que, para alcançar essa finalidade, a instituição possa desassossegar certos regramentos de ordem administrativa, processual e, até mesmo, constitucional."

Advogados que compartilham da tese em favor da competência que teria o PGJ para propor ações de improbidade em primeiro grau argumentam que, no caso mencionado, a ação não é de improbidade, e sim uma ação civil pública. Ismael discorda: "A ação de improbidade é uma modalidade de ACP, mas é ACP. E no caso citado como precedente foi em uma ação de improbidade. De todo modo, a previsão da Lei Orgânica do MP não distingue tipos de ação: fala da capacidade de postulação em cada grau de jurisdição", explicou o advogado ao Espaço Aberto.

Resta aguardarmos o próximo lance. E o próximo lance será sabermos se o Juízo da 1ª Vara de Fazenda da Capital, que tem como titular o juiz Magno Guedes Chagas. A Vara é a mesma em que o MPPA ajuizou, em junho, ação para apurar o caso das garrafas pets vazias que custaram R$ 2 milhões aos cofres públicas. E pedia-se o afastamento do então secretário de Saúde, Alberto Beltrame. Mas o juiz negou esse pedido.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

João Carlos Pereira

João Carlos Pereira com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, de quem era devoto:
sem ele entre nós, precisamos acreditar que, sim, ele sempre estará em nossos corações

A morte é uma coisa horrível.

Independentemente de nossas crenças - ou da falta delas -, a morte, sendo a coisa mais certa que existe ao cabo de uma trajetória de vida, é a pior coisa que pode acontecer.

A morte que nos arranca um amigo é algo que, de tão horrível, chega a nos entorpecer. A um ponto em que não conseguimos nem atinar com essa realidade - esperada, certa, implacável e inexorável, mas ao mesmo tempo misteriosa, insondável, incompreensível.

Neste momento, vejo-me com a alma entorpecida, anestesiada, infértil a qualquer formulação racional capaz de me fazer compreender a morte de um amigo.

Um amigo como João Carlos Pereira.

Há 15 dias, seus familiares e tantos de nós, seus amigos, vivíamos em aflição, que seu estado de saúde justificava, depois que contraiu a Covid-19 e foi internado na Beneficente Portuguesa.

Durante esse período, festejamos como pequenas vitórias as batalhas que João, num dado momento, estava conseguindo superar.

Até que uma piora repentina levou a que precisasse ser intubado (ou entubado, como queiram). E daí em diante, irreversível, inexorável e implacavelmente, sua vida foi-se esvaindo aos poucos até extinguir-se de vez, aos 61 anos, nesta terça-feira (10).

Quando recebi, no início da manhã, uma mensagem de Emília, minha amiga, ex-professora e mulher de João, dizendo que ele havia partido, foi como se um turbilhão - de emoções e lembranças - aflorasse à minha alma entorpecida.

João, para mim, não foi o professor.

Nem o escritor.

Nem o acadêmico da Academia Paraense de Letras.

Nem o jornalista.

João Carlos foi o irmão que não tive.

Foi o amigo que brotou do nada, como as boas e inapagáveis amizades.

Conhecemo-nos no final da década de 70, quando ambos começamos a estudar na UFPA.

João cursava Letras e eu, Jornalismo.

Como, naqueles tempos, muitas disciplinas reuniam graduandos dos dois cursos, era comum nos encontrarmos nos mesmos pavilhões.

Essa proximidade estreitou-se ainda mais quando ingressei em O LIBERAL, no início dos anos 80, e já encontrei João como editor do caderno de Cultura.

Daí para frente, a vida foi-nos aproximando mais e mais, até sobrevir uma sintonia que, como dito, transformou-nos, mais que amigos, em irmãos.

Não havia uma semana em que eu não falasse com João. Às vezes, dependendo das novidades, nos falávamos todo dia, várias vezes ao dia.

Era um contato sempre revigorante.

Muito bem informado, João Carlos tinha informações preciosas que extravasavam, de muito, o ambiente de intelectuais em que ele mais assiduamente circulava, até mesmo por sua condição de membro da APL.

No início deste ano, fiz uma revisão preliminar num livro que ele estava escrevendo para recuperar, cronologicamente, as transformações que o Círio de Nazaré (tema que o revelaria como um dos maiores conhecedores no estado do Pará) sofreu ao longo desses dois últimos séculos.

Chegamos a trocar algumas ideias para aperfeiçoar a obra, que estava, ou melhor, que está quase pronta, vazada num texto jornalístico, leve, objetivo, mas preciso e estilisticamente primoroso.

Frequentemente, João me mandava as crônicas que seriam publicadas posteriormente em O LIBERAL, onde tinha uma coluna às segundas-feiras.

Era sempre um enorme prazer lermos o João. Ele era um poeta-prosador - ou um prosador-poeta, sei lá.

"Ele é o nosso Rubem Braga", definiu-me uma vez meu tio Emir Bemerguy, também poeta e escritor, que faleceu em 2012, aos 79 anos, e encontrou-se com João pelo menos uma vez e também lia suas crônicas.

João Carlos era capaz de ver na manga apodrecida, esbagaçada, dessas que a gente encontra à farta nas calçadas de Belém, sinais e significados de delicadeza, singeleza, lirismo e poesia que só uma alma delicada como a dele poderia buscar.

Se o desafiassem a escrever sobre a física quântica, João seria capaz de nos fazer ficar emocionados com átomos e moléculas. E de transformar uma equação em algo tão simples como pegar uma tigela, enchê-la de açaí e beber. Com ou sem farinha de tapioca.

Não à toa, essa arte que lhe foi inata tornou seu curso de Redação um dos mais conceituados de Belém na preparação de estudantes prestes a fazer o vestibular.

Minhas duas filhas, e tantos outros colegas delas, estudaram redação como o João e até hoje conservam gravados - muito bem gravados - os ensinamentos que receberam, num estilo parecido com o próprio jeito do professor: discreto, com uma modulação de voz que às vezes parecia um sussurro e com a segurança de quem domina perfeita e amplamente seu ofício de ensinar. E ensinar bem.

Sem João Carlos entre nós, permanece a certeza de que, sim, ele sempre estará entre nós, em nossa lembranças, em nossos corações.

Precisamos acreditar nisso para que o golpe representado por sua ausência física seja amenizado.

Precisamos acreditar nisso para que nossas almas fiquem menos entorpecidas.

Precisamos acreditar nisso para que, enfim, encontremos na vida motivações bastantes para prosseguir.

Porque a vida precisa seguir.

Infelizmente, sem meu amigo João Carlos Pereira.

Mas precisa seguir.

À Emília e filhas, meu abraço afetuoso.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Torçamos para Bolsonaro! Ele está prestes a protagonizar um feito heroico na política.

Russomano e Crivella: ambos têm o apoio de Bolsonaro. Ambos caminham celeremente
rumo a virar um traço nas pesquisas. Bolsonaro é nossa grande esperança!

Jair Bolsonaro é fonte, ao mesmo tempo, de uma vergonha inominável para todos os brasileiros e de um prazer indelével, indescritível para muitos de nós.
Negacionista compulsivo, Bolsonaro envergonha o Brasil e os brasileiros quando se recusa a reconhecer a vitória do Joe Biden, na contramão do que já fizeram vários outros governos, inclusive direitistas e reacionários.
Em compensação, é um grande prazer, uma indelével e indescritível satisfação vermos Bolsonaro se transformando num Midas às avessas: em quem ele se encosta, a criatura esfarela-se, liquefaz-se, esboroa-se, esfarinha-se.
Vira pó, em suma.
Olhem Crivella, o negacionista que tenta se reeleger (des)prefeito do Rio.
Com o apoio enfático e declarado de Bolsonaro, Crivella despenca em queda livre nas pesquisas. Caminha rumo à rabeira.
Olhem Russomano, bolsonarista que disputa a Prefeitura de São Paulo.
A mesmíssima coisa.
E agora, olhem Trump, esse lunático que acaba de perder uma eleição, mas acha que é o vencedor.
Trump é a inspiração de Bolsonaro. É seu modelo-padrão de governante. É sua referência de negacionismo.
Pois é.
Trump esfarinhou-se.
Esfarelou-se.
Esfarinhou-se.
Esboroou-se.
Virou pó, enfim.
E agora?
Naquele show dos horrores, ele expele seu apoio a bolsonaristas selecionados.
Boa!
Já se sabe qual o destino de cada um deles.
Torçamos para que Bolsonaro continue assim.
Se tudo der certo, ele vai acabar expurgando o mundo da político de vários espécimes repulsivos.
Um feito heroico e histórico.
A conferir!

sábado, 7 de novembro de 2020

A vitória de Biden é a vitória da democracia. Trump vira um fantasma eleitoral. Mas o trumpismo, não duvidem, está vivo.





Vejam essas manchetes históricas, disponíveis nos sites dos principais jornais americanos.
Não é preciso que você saiba inglês para entendê-las.
Basta que você entenda o seguinte: Acabou. Acabou para Trump.
Pronto.
Joe Biden, do Partido Democrata, acaba de ter sua eleição para presidente dos Estados Unidos confirmada, neste sábado (07), depois de projeções que apontam sua vitória no estado da Pensilvânia.
Esse feito conquistado por Biden tem um significado histórico e determinante: o de elevar-se como um freio de contenção - e esperamos que seja assim - na guinada extremista, à direita, pela qual várias democracias, inclusive a nossa, no Brasil, têm enveredado.
Esse extremismo já ensejou a criação de um termo recente - e da moda -, déficit democrático ou recesso democrático, um e outro querendo dizer, em português de Portugal, apenas isto: a utilização, por autocratas declarados ou meio enrustidos, de mecanismos legítimos oferecidos pela democracia para miná-la, fragilizá-la, desfigurá-la, estuprá-la sem parar, até que a transformem numa ditadura. Com todos os requintes de uma ditadura.
Joe Biden era o melhor dos candidatos para derrotar Trump?
Não.
Mas, nas circunstâncias - em que era preciso alguém com um discurso mais moderado para derrotar um lunático -, Biden era, sim, o melhor candidato.
Esperemos para ver como se conduz.
Até porque, como sabemos, Trump é agora um fantasma eleitoral.
Mas o trumpismo está aí, vivíssimo.
Estão aí os 74.478.345 de votos atribuídos a Biden até o momento.
Mas também estão aí os 70.329.970 atribuídos a Trump.
Para mim, já é assustador que dez pessoas votem num elemento como Donald Trump.
Vocês imaginem então o que é ver mais de 70 milhões pessoas terem votado nele, comungando de suas ideias malucas, mentirosas, racistas, xenófobas, misóginas, homofóbicas, supremacistas, excludentes, desconectadas da realidade.
Mas enfrentar o trumpismo é pra depois.
No momento, é celebrar essa vitória, literalmente, como uma vitória da democracia.
E Trump?
No momento, diz-se, está jogando golfe.
Tomara que resista em sair da Casa Branca, em janeiro do próximo.
Se recusar-se, será tirado à força, escoltado pelo Exército, como previsto nas leis americanas.
E se for retirado sob escolta, e além disse metido numa camisa de força, muito melhor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

"Todos os candidatos estavam desrespeitando as normas sanitárias", diz chefe do MP Eleitoral, ao justificar proibição de atos presenciais que causem aglomerações



Em vídeos distribuídos há pouco pelo MPF, o procurador regional eleitoral, Felipe de Moura Palha e Silva, disse que a resolução do TRE, proibindo a partir de hoje, em todo o Pará, atos presenciais de campanha que causem aglomeração, foi editada porque "todos os candidatos estavam desrespeitando as normas sanitárias" de prevenção à Covid-19, decretadas pelo governo do estado, através da Sespa, e pelas secretarias municipais de Saúde.

A resolução, esclareça-se, não foi baixada a partir de uma decisão solitária - ou monocrática, para usar o juridiquês - do presidente da Corte, desembargador Roberto Moura. O magistrado, de fato, assinou-a sozinho, mas a resolução, como deixa claro o procurador, foi aprovada pelo Pleno, ou seja, por todos os integrantes do Tribunal.

Além das aglomerações, diz o procurador, percebeu-se que os participantes dos atos presenciais não estavam observando outras cautelas, como o uso de máscaras e o distanciamento, contribuindo assim para o aumento do número de casos de Covid-19 no estado. "E se percebeu que era impossível fiscalizar isso caso a caso", reforçou Moura Palha.

O procurador acrescenta que a resolução do TRE não fragiliza a democracia: "Pelo contrário, que estava fragilizando a democracia era quem praticava os atos infringindo as normais sanitárias", diz o chefe do MP Eleitoral.

Assista aos vídeos acima.

TRE proíbe em todo o Pará atos presenciais de campanha que causem aglomerações



O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acaba de emitir resolução que proíbe, em todo o estado do Pará, atos presenciais de campanha eleitoral que causem aglomerações, ainda que em espaços abertos, semiabertos ou no formato drive-in.

Assinada no início da tarde desta quinta-feira (5) pelo presidente da Corte, desembargador Roberto Moura, a Resolução nº 5.668 proíbe comícios, bandeiraços, passeatas, caminhadas, carreatas e similares, além de confraternizações ou eventos presenciais, inclusive os de arrecadação de recursos de campanha, ainda que no formato drive-thru.

"O juiz eleitoral, no exercício do poder de polícia, deverá adotar as providências necessárias para coibir atos presenciais de campanha que violem o disposto nesta resolução, fazendo uso, caso necessário, do auxílio da força policial", determina o TRE.

Nesse sentido, o Juízo Eleitoral poderá determinar, de início, a adoção de medidas para a imediata regularização do ato, em conformidade com as regras sanitárias, intimando, de forma pessoal, direta e nominal, o candidato e/ou representante de partido e/ou outro responsável e lavrando o respectivo auto de constatação.

Pedido do MP Eleitoral - A resolução atende a pedido do Ministério Público Eleitoral, formalizado através de ofício assinada pelo procurador regional eleitoral, Felipe de Moura Palha e Silva, como também se ampara em parecer técnico emitido pela Sespa, "contemplando recomendações sanitárias para o período eleitoral".

O TRE considera que as restrições são necessárias diante da "conjuntura de extrema gravidade e incertezas decorrente da pandemia da Covid-19 está por exigir postura responsável de todos e, sobretudo, daqueles que almejam ocupar cargos nos Poderes Legislativo e Executivo, responsáveis pela definição e execução de políticas públicas, bem assim da própria Justiça Eleitoral".

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Uma mulher é estuprada dentro de um recinto do Judiciário, diante de juiz e membro do MP. Isso pode? Seria isso um "estupro legal"?

Mariana Ferrer, 23 anos, a jovem que acusou o empresário André de Camargo Aranha de tê-la estuprado durante uma festa, em 2018, pode até não ter sido estuprada.

A falta de provas foi a alegação nuclear da sentença absolutória prolatada pelo juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, onde o caso tramitou em primeira instância.

Mas, para um outro estupro, há provas - evidentes, clamorosas, fartas, plenas, insofismáveis, incontestáveis.

Mariana, se não foi estuprada durante a festa em 2018, foi estuprada num recinto do Poder Judiciário - no caso, a sala de audiências da 3ª Vara Criminal de Florianópolis. E foi estuprada diante do juiz que presidia a audiência e de um representante do Ministério Público.

Se estamos diante de uma tese que o The Intercept Brasil comparou ao que seria um "estupro culposo" - figura penal que, obviamente, inexiste -, seria demais dizer-se que o estupro cometido contra a moça, numa dependência do Judiciário, diante de juiz e promotor, foi um "estupro legal"?

Chegamos a esse ponto?

O estupro de Mariana foi configurado pela conduta - monstruosa, afrontosa, desumana, infame, nojenta, despudorada, cruel e machista - do advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, que defendia o réu e desqualificou a vítima.

Mariana, pelo que se pode ver no vídeo, foi vítima de um estupro verbal.

Foi vítima de um estupro moral.

Foi vítima de um desavergonhado estupro à sua honra.

O estuprador, no caso o advogado, excitou-se a esse ponto criminoso ao descontrolar-se no pleno exercício de um dos principais deveres que lhe conferem a profissão: o de representar dignamente seu cliente.

Dignamente, repito.

Nos ambientes em que exercem sua profissão - e o Judiciário é o ambiente por excelência onde isso ocorre -, advogados precisam, inelutável e inescapavelmente, observar e exigir que sejam observados seus direitos.

Mas não podem advogados, sob qualquer hipótese, sob qualquer justificativa, em nenhuma circunstância, desbordar para o achincalhe e exceder-se nas prerrogativas que o nobre exercício da advocacia lhes garante.

Está lá, registrado, preto no branco, no artigo 33, III, do Código de Ética e Disciplina (CED) da OAB, que o advogado deve abster-se de "abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o congrega".

Cláudio Gastão da Rosa Filho, ao praticar esse estupro verbal e moral contra uma mulher num recinto do Poder Judiciário, diante de um juiz e de representante do Ministério Público, comprometeu, aviltou, desvirtou, maculou, manchou, agrediu  violentamente a dignidade da profissão que ele exerce e da instituição que o congrega.

Consumado o estupro num recinto do Poder Judiciário, o que fez o juiz?

Avisou à vítima estuprada que poderia, se quisesse, sair dali e tomar um copo d'água para se recompor.

Céus!

A que ponto chegamos nesse show de horrores!

E a que ponto ainda haveremos de chegar?

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Jornalista morre aos 64 anos, em Santarém, vítima de Covid-19. Que sua morte seja uma centelha para tornar o obscurantismo menos cruel.

Celivaldo Carneiro: morte aos 64 anos expõe a letalidade da Covid-19 e nos desafia a reconhecer
a crueldade e selvageria que o obscurantismo tem deflagrado neste momento de pandemia
(foto extraída do portal de Jeso Carneiro)

O jornalista Celivaldo Carneiro morreu no início da madrugada desta terça-feira (03), em Santarém, vítima de Covid-19. Paciente de alto risco, por ser diabético, ele lutava havia cerca de dua semanas contra a doença e estava internado na UTI do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA). A morte foi confirmada em matéria publicada no Portal Jeso Carneiro, de seu irmão Jeso.

A morte de Celivaldo desperta-me uma aguda consternação, não apenas por sermos velhos companheiros de jornalismo, convivência profissional iniciada ainda nos anos 1980, quando fui chefe de reportagem de O LIBERAL, e prolongada por muitos anos mais, quando eu, já editor, travava quase diariamente contatos com ele, que atuava como correspondente do jornal na região oeste do Pará.

Antes dessa fase em que nossas trajetórias se cruzaram a uma distância de dimensões amazônicas, forçando-nos a contatos por telefone ou e-mail, ele em Santarém, eu em Belém, Celivaldo já era um amigo de infância.

Nossa amizade nasceu  na década de 1960, quando eu, ainda moleque, e Celivaldo, já ingressando na adolescência, formávamos na molecada que se juntava quase diariamente, todas as noites, quando eu visitava, com minha família, a casa de meus avós paternos naquela área que os mais antigos de Santarém conheciam como Caisinho - trecho da orla da cidade (hoje uma parte da Avenida Tapajós), nas imediações do Bar Mascote, umas das referências da Pérola do Tapajós.

O Caisinho era caisinho porque dali, daquele pequenos cais, partiam e chegavam, às dezenas, os barcos que faziam linha pelos rios Tapajós e Amazonas. A casa de meus avós ficava a uns 100 metros, se tanto, da casa onde residia a família Carneiro, à frente seu Osvaldo e dona Célia (sempre na lida em seu Mercadinho Abaeté), pais de Celivaldo, Eládio, Jeso e outros filhos.

A partir do final dos anos 1970, quando vim embora para Belém, pouquíssimas vezes - pouquíssimas mesmo, uma três ou quatro, contadas nos dedos -, encontrei-me com Celivaldo, nas minhas idas a Santarém. Mas esses encontros, embora rápidos, foram sempre prazerosos e cheios de gratas recordações.

Não bastasse o enorme sentimento de perda que a morte de Celivaldo Carneiro desperta, ainda temos as circunstâncias de ter sido em decorrência dessa doença tão horrível e letal, mas que, apesar disso, infla o fanatismo de negacionistas e os estimula a continuarem disseminando mentiras e reproduzindo práticas inconcebíveis e inadmitidas por autoridades sanitárias.

Quem sabe a morte de Celivaldo pela Covid-19 - mais uma, entre as mais de 160 mil já ocorridas no Brasil - seja uma centelha capaz de tornar menos cruéis e mais sensíveis e férteis à racionalidade esses segmentos dominados por um obscurantismo atroz, terrível, desumano e irracional. Um obscurantismo selvagem, enfim.

Externo os mais sinceros sentimentos de pesar a todos os familiares de Celivaldo, sobretudo sua esposa, seus dois filhos e uma neta.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Medo de violência, comida estocada, governadores ameaçados, 18 milhões de armas a mais nas mãos de populares. A "maior democracia do mundo" treme diante da democracia.

Trump e Biden: disputa selvagem define os parâmetros toleráveis em disputa democrática
naquela que, diz-se, é a maior democracia do mundo 

Assisti nesta manhã, no Bom Dia Brasil, à imagem de um comboio de Joe Biden, candidato democrata a presidente dos Estados Unidos, sendo perseguido hostilmente por trumpistas, numa estrada do Texas.

Fiquei assustado.

Logo depois, vi imagens em que Trump, num comício, aparecia dizendo que eles não fizeram nada.

Eles, no caso, eram os trumpistas que perseguiam o comboio de Biden.

Fiquei ainda mais assustado.

Trump, a gente sabe, tem não propriamente um parafuso a menos.

Ele tem todos os parafusos a menos.

O grande risco é de que Trump, completamente desparafusado, contamine seus fanáticos a partir para a violência nas eleições desta terça-feira (03).

Um cenário de violência generalizada não é obra de ficção.

Muito pelo contrário, é plenamente possível.

A Folha de S.Paulo desta segunda-feira (02) destaca em reportagem as cautelas que muitos já estão tomando, nos Estados Unidos, para se proteger de atos de violência.

A rede de lojas Walmart retirou armas e munições de suas estantes. Na região central de Washington, as janelas de cafés e restaurantes estão cobertas por tapumes.

A Universidade George Washington, também na capital, pediu a seus alunos que estoquem comida suficiente para uma semana. Patrulhas policiais devem ser incrementadas.

Teme-se que grupos radicais compareçam armados às urnas para intimidar eleitores.

Preocupa também que milícias se recusem a aceitar uma eventual derrota de Trump e marchem nas ruas do país.

Devin Burghart, diretor-executivo do Instituto para Pesquisa e Educação em Direitos Humanos, que monitora grupos radicais de direita, afirma que os estados mais ameaçados são Geórgia e Nevada. Em segundo lugar aparecem Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Arizona e Virgínia.

As autoridades revelaram, recentemente, planos para sequestrar Gretchen Whitmer, governadora de Michigan, e Ralph Northam, governador da Virgínia. Ambos são democratas.

Grupos armados falam abertamente em ir às urnas para fazer o que eles chamam de “monitoramento” e que especialistas dizem ser uma clara tentativa de intimidação. O porte de armas nas urnas é permitido em diversas partes do país, como Michigan.

Desde o começo da pandemia da Covid-19, o país tem inclusive se armado mais e mais. Segundo o jornal The Washington Post, americanos já compraram 18 milhões de armas em 2020. No estado de Michigan, as vendas triplicaram em comparação com 2019.

E pensar que esse cenário aterrorizante se vislumbra naquela que é celebrada como a maior democracia do mundo.

Vocês imaginem, então, o que poderá acontecer na menor.

Número de pesquisas eleitorais aumenta 174% este ano. Até empresa que opera com vans está fazendo. A quem essa farra interessa?

Convencionou-se, de uns tempos para cá, que as fake news, o abuso de poder econômico e o baixo nível de educação de um enorme contingente de eleitores seriam fatores decisivos para desvirtular o regime democrático e contaminar a credibilidade da representação popular.

Esses fatores são, sim, decisivos. Mas não apenas eles.

A farra de pesquisas eleitorais é algo que precisa ser olhado com atenção, por se constituir numa prática danosa, lesiva e criminosa, com potencial de manipular segmentos da opinião pública e, em consequência, interferir na exercício do mais notável direito garantido pelas democracias legítimas - o de votar livremente.

Na última sexta-feira, 30 de outubro, O Globo publicou, como matéria de capa, ótima reportando que lança uma réstia de luz sobre sobre o frenesi de pesquisas que está tomando conta destas eleições.

"Enquanto os olhos do TSE estão voltados para o combate à desinformação, um esquema capaz de influenciar os resultados eleitorais cresce a cada dia no país, principalmente nas pequenas cidades. O número de pesquisas bancadas pela própria empresa que realiza o levantamento praticamente triplicou este ano, segundo dados do próprio tribunal. Até ontem, 3.499 pesquisas foram registradas nesse molde - 174% a mais na comparação com o mesmo período em 2016 (1.279), diz a matéria, assinada pelos repórteres Pedo Capetti e Rayanderson Guerra.

Eles apuraram elementos comprovando acusações de ofertas de resultados fraudulentos, levantamentos feitos a partir de formulários do Google e Facebook e uso de dados falsos de estatísticos. "Ao informarem que realizaram as pesquisas com verba própria, sem contratante externo, os institutos não precisam prestar contas sobre a origem do dinheiro. Há casos de levantamentos feitos por empresas que declararam à Receita Federal ter como atividade o transporte com uso de vans e a filmagem de casamentos", continua a reportagem de O Globo.

Investimento de R$ 650 mil - Um exemplo impressionante é o do Ipop Cidades & Negócios. Em oito meses, segundo o jornal, esse intituto investiu R$ 650 mil em 350 pesquisas, em 192 cidades - todas praticamente com o mesmo custo, de R$ 2 mil, independentemente do tamanho da amostra e do local. Bem mais que o capital social que foi aberta em fevereiro deste ano, de R$ 150 mil. Na última semana, a empresa registrou 114 pesquisas no TSE, com a previsão de ouvir 57 mil pessoas.

O dono do instituto, Márcio Rogério Pereira Gomes, foi o titular de outra empresa, que figurou no topo das pesquisas autofinanciadas em 2016. Ele foi condenado recentemente a sete meses de prisão, em regime aberto, e ao pagamento de R$ 213 mil por divulgação de pesquisas fraudulentas relativas às eleições municipais de quatro cidades no interior de São Paulo.

Pesquisa são meros indicadores, são bússolas que indicam certas tendências, que às vezes se mostram mais agudas, outras vezes nem tanto.

Mesmo assim, e ainda que não disponham de instrumentos para tornar exatos e inapelavelmente imutáveis suas aferições, pesquisas devem obedecer a mínimos, básicos, elementares critérios ou padrões técnicos.

Quando se amparam nesses quesitos, pesquisas eleitorais se credenciam a demonstram uma fotografia do momento em que foram realizadas.

Do contrário, teremos mais e mais criminosos aproveitando-se de disfarces e maquiagens estatísticos para ganhar dinheiro criminosamente, como mostra a reportagem de O Globo.

Dois perdedores se abraçam para perder. Vê-los perderem abraçados é um grande prazer.

Crivella e Bolsonaro: é um prazer indescritível vê-los perderem abraçados

Que alentador!

À falta do que fazer - porque ele pouco faz mesmo -, Bolsonaro se entretém tantando empoderar (hehe) a candidatura de bolsonaristas que ora estão em queda livre nas pesquisas, ora não passam de um traço em aferições que têm sido feitas.

Nos últimos dias, Bolsonaro fez vídeos para ajudar especialmente dois aliados, nas duas maiores capitais do País.

Um deles, Marcelo Crivella, que tenta se reeleger desprefeito do Rio.

O outro é Russomano, em São Paulo.

Crivella está 17 pontos percentuais atrás de Eduardo Paes.

Russomano, que já esteve na liderança, cai rapidamente e já está seis pontos abaixo de Bruno Covas.

É alentador que Bolsonaro cole sua imagem à de dois perdedores.

Isso é ótimo - para a democracia, sobretudo e principalmente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Thiago começa a bater - duro - em Priante e Helder, que acusam os golpes. E agora, quais serão os próximos rounds?

Na campanha do MDB, Priante é Helder, Helder é Priante. Priante-Helder, Helder-Priante
são um só (imagem extraída de um das inserções do programa de Priante no horário gratuito).

Antes mesmo de 16 de setembro, prazo fatal para os partidos definirem seus candidatos, estrategistas políticos (alguns ainda na arena política, outros observando-a atentamente do lado de fora) ouvidos pelo Espaço Aberto eram unânimes - repetindo-se, unânimes - num ponto: se indicasse o deputado emedebista José Priante como candidato a prefeito de Belém, o governador Helder Barbalho (MDB) ficaria à margem da campanha, para não expor sua imagem e a de seu governo a ataques de adversários no horário da propaganda eleitoral gratuita.

Àquela altura, já tínhamos a Operação Para Bellum, deflagrada em 10 junho, por determinação do STJ, para apurar supostas irregularidades na compra de respiradores pelo governo do estado, e a Operação Solércia, no dia 18 do mesmo mês, para investigar fraudes em contratos celebrados pela Seduc.

Nota indica que Helder acusa o golpe dos ataques
do Cidadania. Vai ficar por isso mesmo?
Duas semanas após a convenção do MDB aprovar Priante como candidato do partido a prefeito de Belém, o mesmo STJ autorizou a Operação SOS, realizada no dia 29 de setembro, para apurar um suposto esquema criminoso na construção de hospitais de campanha.

Iniciada a propaganda no rádio e na TV, comprovou-se que todos os estrategistas - todos, sem exceção - estavam equivocados em suas projeções.

Desde o primeiro dia de campanha até agora, Priante é Helder, Helder é Priante. Priante-Helder, Helder-Priante são um só.

O governador é o garoto-propaganda da campanha de Priante.

Não há uma inserção sequer, em suas peças, que a campanha de Priante não se vincule direta, explícita e enfaticamente a Helder - seja mostrando imagens do governador, seja mencionando ações do estado no combate à pandemia, seja ressaltando que, em todas as áreas, o candidato emedebista, se eleito, vai governar Belém de braços dados com Helder. Se quiserem conferir, clique aqui.

Os efeitos da estratégia do governador, de expor-se de alma e corpo inteiros na campanha de Priante, não se fizeram esperar.

Arsenal desovado - Há dois ou três dias, a campanha de Thiago começa a desovar, digamos assim, seu arsenal e apontá-lo em direção a Priante.

O arsenal, como era previsível, exibe reportagens sobre fatos descobertos pelas operações da Polícia Federal e volta a colocar em evidência contra Priante, relacionadas a supostas fraudes relacionadas ao DNPM.

Para veicular sua artilharia na TV, com ataques mais pesados a Priante-Helder, a campanha de Thiago limita-se a obedecer estritamente ao que determina a legislação: veicula as peças com letras em caixa alta que aparecem verticalmente, no lado esquerdo da telinha, informando que a propaganda é de responsabilidade da Coligação Renova Belém, que apoia o candidato do Cidadania.

Com esse recurso, telespectadores menos atentos - que são a maioria, para não dizer a esmagadora maioria - chegam a imaginar, em certos momentos, que as matérias (pinçadas de telejornais) não fazem parte da propaganda de um candidato. Mas fazem, é claro.

Helder-Priante já acusaram o golpe.

Nesta sexta-feira (30), nota publicada no Repórter Diário, a coluna mais importante do jornal da família do governador, considera que os ataques de Thiago Araújo estariam "quebrando o clima de cordialidade e respeito entre os candidatos".

Priante-Helder ou Helder-Priante vão reagir?

Os próximos dias, ou melhor, os próximos rounds dirão.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

MPF cobra medidas para contenção de nova onda da pandemia no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou nesta quinta-feira (29) ao governador do Pará e ao prefeito de Belém informações sobre quais providências estão sendo tomadas para conter novo aumento no número de casos de covid-19 no Estado e na capital. Para ler a íntegra do despacho, clique aqui.

O MPF quer saber quando será reanalisado o bandeiramento de risco dos municípios e quando será implantada a fiscalização efetiva das regras sanitárias e do distanciamento social.

Também foi questionado se os estabelecimentos de saúde estão sendo fiscalizados para cumprirem as regras que obrigam a correta notificação dos casos suspeitos e confirmados da doença.

Ao Estado e ao Município foram requisitadas, ainda, respostas sobre se serão reabertas unidades de saúde específicas para pacientes suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus.

O Município também foi questionado sobre se há previsão de suspensão das aulas na rede municipal, tendo em vista que as escolas podem ser focos de contágio.

Além disso, o MPF cobrou informações sobre quais providências foram tomadas para buscar a punição do proprietário da rede de lojas Havan. A aglomeração na inauguração de loja em Belém, no último dia 10, foi apontada pelo MPF como cena de barbárie.

Tendo em vista o que o MPF considera ser uma aparente inércia da fiscalização, também foram requisitadas informações sobre como as polícias e os agentes de fiscalização têm atuado para coibir grandes aglomerações e para que seja respeitado o uso de máscaras e demais regras sanitárias.

Casos suspeitos mais que dobraram – Nos ofícios o MPF registra notícias de que unidades de saúde da capital paraense tiveram este mês um aumento de 110% no número de casos suspeitos da doença, e que o aumento também foi constatado por hospitais particulares e foi citado pelo prefeito.

O MPF destaca que em hospitais particulares foram reabertas alas exclusivas para tratamento de pacientes com covid-19, e que mesmo com esses e vários outros indicativos de uma segunda onda da pandemia o descumprimento das regras sanitárias virou rotina.

Além da inauguração da loja da Havan na capital, outro exemplo de aglomeração em massa citado pelo MPF foi o de show patrocinado pela prefeitura de Tailândia (PA) no último dia 17.

Rede hospitalar particular – Também nesta quinta-feira (29) o MPF enviou ofícios a empresas responsáveis por hospitais particulares de Belém. Foram requisitadas informações sobre a situação de casos de covid-19 e sobre quais providências vêm sendo tomadas para garantir atendimento a novos pacientes.

O MPF busca saber se houve aumento da demanda e, caso esse aumento tenha ocorrido, em que data começou e em que percentual. Também foram solicitadas informações sobre a taxa de ocupação de UTIs, uso de respiradores, e se já houve a necessidade de ampliação de leitos de UTI ou de Unidade Semi-intensiva com respiradores, e de leitos clínicos.

Também foram solicitados dados sobre a demanda reprimida, ou seja, a quantidade de pessoas diagnosticadas com covid-19 ou suspeitas de terem sido contaminadas que aguardam fila para transferência para leitos de UTI ou Semi-intensivos com respiradores, e a quantidade de pessoas que morreram durante essa espera.

Outras informações requisitadas pelo MPF aos hospitais foram sobre se há previsão de suspensão de cirurgias e procedimentos eletivos não urgentes, qual a capacidade diária dos hospitais para realização de testes para a doença, quantos testes já foram feitos, e se há pretensão de ampliação da oferta.

Por fim, o MPF questiona os hospitais da rede particular se estão realizando a correta notificação de casos ao Estado e ao Município, e se houve aumento de óbitos de pacientes suspeitos para covid-19 neste segundo semestre e, caso tenha ocorrido o aumento, qual o percentual e em que período ocorreu.

O prazo para respostas concedido pelo MPF ao governador, ao prefeito e aos hospitais é de cinco dias.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

"A segunda onda pode ser maior que a primeira"

Olhem aí.

A matéria está em destaque, neste momento, no site do Le Monde.

Quem tiver interesse, leia a íntegra aqui.

A tradução da manchete é a seguinte: "Covid-19: 'A segunda onda pode ser maior que a primeira', segundo Jérôme Salomon".

Salomon é diretor-geral da Saúde da França e uma das autoridades do alto escalão que cuidam da pandemia.

Um trecho da matéria do Le Monde: "A brutal ascensão da segunda onda da Covid-19 na França levará o executivo a anunciar, quarta-feira, 28 de outubro, um endurecimento das medidas de saúde no país, onde dois terços dos habitantes já estão sujeitos ao toque de recolher noturno."

Não se descarta que daqui a pouco, em pronunciamento à Nação, o presidente Emmanuel Macron anuncie um lockdown nacional.

Já por aqui, o pior presidente da República que o Brasil já teve despreza a vacina e, a esta hora, deve estar encatarrando as mãos para cumprimentar seguidores, todos plenos do sentimento negacionista que os impede de reconhecer, sequer, a existência do coronavírus Covid-19.