"A fase da omissao das lideranças e da imposição de nomes 'camuflados' pela diretoria do Banco, com monitoramento e manipulações, está ficando para trás. O resultado do plebiscito para mudanças aleatórias e casuísticas no estatuto da Casf, sem debates com os associados, é um sintoma dessa mudança em busca de um novo modelo de gestão democrática e transparente no Banco da Amazônia e nas entidades Casf, Capaf e Coramazon. A esse movimento que surge das bases pode-se até dizer que é prenúncio de novos tempos, qual 'brado retumbante' dos verdadeiros donos dessas entidades, seus associados contribuintes, que muito justamente desejam influir no seu destino."
Silvio Kanner, presidente da Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (Aeba), em entrevista disponível no site da entidade.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Um olhar pela lente
Em tons dourados, o Lago Verde, em Alter-do-Chão, Santarém, a Pérola do Tapajós.
A foto, de Diego Ramalheiro, foi capturada do Blog do Estado.
OAB trabalha em lei para dar mais verba à saúde
Do Consultor Jurídico
A Ordem dos Advogados do Brasil, ao lado da Associação Médica Brasileira (AMB) e de outras entidades da sociedade civil, trabalha para coletar assinaturas para elaborar uma lei de iniciativa popular que obrigue a União a gastar 10% de suas receitas com saúde. Para que consiga enviar o texto ao Congresso, são necessárias 1,5 milhão de assinaturas.
A OAB toma por base um estudo conduzido pelo Datafolha para dizer que a saúde foi “considerada a pior área do primeiro ano do governo Dilma Rousseff”. Diz o relatório que o Brasil tem 145 milhões de pessoas que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde, o SUS. “"O governo estipulou um percentual de 12% para os estados destinarem à saúde, estipulou o percentual de 15% para os municípios, e, para si, para a própria União, não estipulou percentual nenhum. Ou seja, fica de acordo com o sabor da vontade política de quem estiver no governo. É lamentável que assim seja", afirma o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante.
De acordo com a Constituição Federal, Lei Complementar deve definir os percentuais que União, estados e municípios destinem à saúde, e cabe ao Congresso redigir a lei. A regra está descrita no artigo 168, parágrafo 3º. Em 2000, foi aprovada a Emenda Constitucional 29, consolidando o SUS.
Pela EC, a União deveria, em 2000, repassar à saúde 5% a mais do que havia passado no ano anterior. Nos anos seguintes, esses valores seriam corrigidos de acordo com a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Os estados ficaram obrigados a destinar 12% de seus orçamentos e os municípios, 15%. A norma teve validade até 2004, quando deveria ter sido sancionada a Lei Complementar de que fala a Constituição.
Finalmente, em 2011, o Congresso aprovou lei versando sobre o assunto, e a presidente Dilma Rousseff a sancionou em 15 de janeiro deste ano. Vetou 15 dispositivos, acabando com a necessidade de ajustar o repasse à saúde de acordo com as variações do PIB. O motivo foi impedir “instabilidade na gestão fiscal e orçamentária”.
A ideia do movimento encampado pela OAB e pela AMB é criar uma lei de iniciativa popular que fixe o valor do repasse em 10% das receitas anuais da União para a saúde. Os formulários de assinatura devem começar a circular em março nas principais cidades do Brasil. A expectativa é conseguir cerca de 3 milhões de signatários.
A Ordem dos Advogados do Brasil, ao lado da Associação Médica Brasileira (AMB) e de outras entidades da sociedade civil, trabalha para coletar assinaturas para elaborar uma lei de iniciativa popular que obrigue a União a gastar 10% de suas receitas com saúde. Para que consiga enviar o texto ao Congresso, são necessárias 1,5 milhão de assinaturas.
A OAB toma por base um estudo conduzido pelo Datafolha para dizer que a saúde foi “considerada a pior área do primeiro ano do governo Dilma Rousseff”. Diz o relatório que o Brasil tem 145 milhões de pessoas que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde, o SUS. “"O governo estipulou um percentual de 12% para os estados destinarem à saúde, estipulou o percentual de 15% para os municípios, e, para si, para a própria União, não estipulou percentual nenhum. Ou seja, fica de acordo com o sabor da vontade política de quem estiver no governo. É lamentável que assim seja", afirma o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante.
De acordo com a Constituição Federal, Lei Complementar deve definir os percentuais que União, estados e municípios destinem à saúde, e cabe ao Congresso redigir a lei. A regra está descrita no artigo 168, parágrafo 3º. Em 2000, foi aprovada a Emenda Constitucional 29, consolidando o SUS.
Pela EC, a União deveria, em 2000, repassar à saúde 5% a mais do que havia passado no ano anterior. Nos anos seguintes, esses valores seriam corrigidos de acordo com a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Os estados ficaram obrigados a destinar 12% de seus orçamentos e os municípios, 15%. A norma teve validade até 2004, quando deveria ter sido sancionada a Lei Complementar de que fala a Constituição.
Finalmente, em 2011, o Congresso aprovou lei versando sobre o assunto, e a presidente Dilma Rousseff a sancionou em 15 de janeiro deste ano. Vetou 15 dispositivos, acabando com a necessidade de ajustar o repasse à saúde de acordo com as variações do PIB. O motivo foi impedir “instabilidade na gestão fiscal e orçamentária”.
A ideia do movimento encampado pela OAB e pela AMB é criar uma lei de iniciativa popular que fixe o valor do repasse em 10% das receitas anuais da União para a saúde. Os formulários de assinatura devem começar a circular em março nas principais cidades do Brasil. A expectativa é conseguir cerca de 3 milhões de signatários.
O PSD, aquele que não é nada, não escolhe aliados
Mas que coisa!
Essa PSD, o partido do Kassab, não é nada mesmo.
Nadica de nada.
Em São Paulo, Kassab, para indignação dos petistas, maquina, trama, articula para fazer aliança com o PT, mesmo contra a vontade da legenda.
Como o PT não é o PT, mas Lula, Kassab foi a Lula e propôs: o PSD faz aliança com os petistas nas eleições para a prefeitura paulistana, se puder indicar o candidato a vice.
Até aí, tudo bem.
A questão é que, enquanto negocia com o PT, Kassab também negocia com os tucanos.
Ele quer o apoio do PSDB ao vice-governador Afif Domingos (PSD).
Kassab, vê-se, não escolhe aliado. Ele quer é aliados.
Jarbas contrata o 3º escritório para patrocinar sua defesa
Primeiro foi o Sérgio Bermudes, um dos juristas mais renomados - e caros, portanto - do país, mas que não conseguiu evitar que o Conselho Federal da OAB decretasse a intervenção e, além disso, instaurasse um processo ético-disciplinar contra Jarbas Vasconcelos, por entender que ele incorreu em supostos deslizes éticos no episódio da venda de um terreno da OAB, no município de Altamira, para o também advogado Robério D'Oliveira.
Bermudes foi substituído, como defensor de Jarbas, por um escritório sediado em Brasília que tem à frente o não menos famoso - e igualmente muito caro - jurista Roberto Caldas.
Pois agora entra um terceiro escritório em campo, com a missão de impulsionar favoravelmente os processos de Jarbas Vasconcelos em tramitação na Justiça Federal, em Brasília, todos eles pleiteando seja a anulação do processo interventivo, seja a anulação ou mesmo a transferência, para Belém, do processo ético-disciplinar a que responde.
O terceiro a entrar na parada é o escritório Silveira, Ribeiro e Advogados Associados, que tem como sócios (clique aqui) Eustáquio Nunes Silveira, Vera Carla Nelson Cruz Silveira e Alexandre Cesar Osório Firmiano Ribeiro. Em alguns processos, como no que aparece lá no alto, Vera Carla, mulher de Eustáquio, aparece como defensora de Jarbas.
Ex-desembargador do Tribuna Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília, Eustáquio Silveira foi aposentado compulsoriamente em meados de 2003, pela Corte Especial do TRF, sob acusação de envolvimento num esquema de venda de decisões judiciais para traficantes.
Desde 2008, o ex-desembargador ingressou com uma ação ordinária (veja nas imagens abaixo) perante a Justiça Federal do Distrito Federal, tentando anular a penalidade de aposentadoria compulsória que lhe foi imposta. No momento, o processo está concluso para sentença, na 9ª Vara Federal.
Afonso deixa um grande vazio. Mas também deixa vida.
Amigos, quando nos deixam, não é apenas um vazio - um grande vazio - que fica.
Ficam também estupefações.
Ficam também os porquês.
Fica a certeza de que o fim da vida é tão inexorável quanto inalcançável pela compreensão humana.
Afonso Araken era um amigo aqui do repórter.
Um grande amigo.
Afonso nos deixou ontem, quando a noite chegava.
Ele se foi aos 46 anos. Apenas 46 anos.
Era designer gráfico de O LIBERAL.
Sofria de câncer há vários anos.
Começou primeiro na pele de um dos braços.
Estancou.
Há uns dois anos, voltou. E voltou de forma avassaladora, infelizmente, atingindo outros órgãos.
Mesmo assim, Afonso jamais se entregou.
Quando as forças lhe permitiam, ainda chegou a fazer alguns serviços que o ajudaram a mantê-lo e à sua família - mulher e cinco filhos, quatro deles de um relacionamento anterior.
Uma família que ele sempre amou, cuidou, prezou e respeitou.
Uma família à qual ele foi um eterno devotado.
Afonso vivia para o seu trabalho, para sua mulher e para seus filhos.
Um grande cara.
Muitas vezes, foi nosso carona, nas voltas pra casa, depois de mais uma edição fechada.
No trajeto entre o jornal e sua casa, ali por perto do Yamada Plaza, falávamos de tudo.
Falávamos do Remo.
Do jornal.
De jornalismo.
De Monte Alegre, terra onde nasceu e com a qual sempre manteve vínculos.
Falávamos, enfim, da vida.
Devemos um pedido de desculpas ao Afonso: não tivemos coragem de vê-lo depois que seu estado de saúde entrou num processo quase irreversível de degenaração.
Às desculpas que pedimos, somem-se as lições de vida que Afonso nos deixa.
Lições que ficarão impregnadas em nossos corações.
Sempre e sempre.
Grande exemplos que continuarão vivos.
Eternamente.
Ficam também estupefações.
Ficam também os porquês.
Fica a certeza de que o fim da vida é tão inexorável quanto inalcançável pela compreensão humana.
Afonso Araken era um amigo aqui do repórter.
Um grande amigo.
Afonso nos deixou ontem, quando a noite chegava.
Ele se foi aos 46 anos. Apenas 46 anos.
Era designer gráfico de O LIBERAL.
Sofria de câncer há vários anos.
Começou primeiro na pele de um dos braços.
Estancou.
Há uns dois anos, voltou. E voltou de forma avassaladora, infelizmente, atingindo outros órgãos.
Mesmo assim, Afonso jamais se entregou.
Quando as forças lhe permitiam, ainda chegou a fazer alguns serviços que o ajudaram a mantê-lo e à sua família - mulher e cinco filhos, quatro deles de um relacionamento anterior.
Uma família que ele sempre amou, cuidou, prezou e respeitou.
Uma família à qual ele foi um eterno devotado.
Afonso vivia para o seu trabalho, para sua mulher e para seus filhos.
Um grande cara.
Muitas vezes, foi nosso carona, nas voltas pra casa, depois de mais uma edição fechada.
No trajeto entre o jornal e sua casa, ali por perto do Yamada Plaza, falávamos de tudo.
Falávamos do Remo.
Do jornal.
De jornalismo.
De Monte Alegre, terra onde nasceu e com a qual sempre manteve vínculos.
Falávamos, enfim, da vida.
Devemos um pedido de desculpas ao Afonso: não tivemos coragem de vê-lo depois que seu estado de saúde entrou num processo quase irreversível de degenaração.
Às desculpas que pedimos, somem-se as lições de vida que Afonso nos deixa.
Lições que ficarão impregnadas em nossos corações.
Sempre e sempre.
Grande exemplos que continuarão vivos.
Eternamente.
"Esse negócio de opinião popular é muito arriscado"
De um Anônimo, sobre entendimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes a respeito das decisões da Corte a "opinião popular":
Doa a quem doer, o ministro Gilmar está certo.
Pela maioria, haveria no Brasil a pena de morte, o aborto livre, as drogas liberadas, etc.
Tempos atrás, certa sociedade européia acreditou na ideia criminosa segundo a qual eliminar Judeus era a solução para os problemas da humanidade. E o pior que isto foi criminosamente chancelado pelo seu Poder Judiciário.
No Brasil, o golpe de Estado de 1964 foi tido como revolução e teve as bençãos do Judiciário da época.
Têm sociedades que apedrejam suas mulheres e a condenação, pasmem, sai do seu respectivo poder Judiciário.
Esse negócio de opinião popular é muito arriscado. Aliás, extremamente arriscado.
Doa a quem doer, o ministro Gilmar está certo.
Pela maioria, haveria no Brasil a pena de morte, o aborto livre, as drogas liberadas, etc.
Tempos atrás, certa sociedade européia acreditou na ideia criminosa segundo a qual eliminar Judeus era a solução para os problemas da humanidade. E o pior que isto foi criminosamente chancelado pelo seu Poder Judiciário.
No Brasil, o golpe de Estado de 1964 foi tido como revolução e teve as bençãos do Judiciário da época.
Têm sociedades que apedrejam suas mulheres e a condenação, pasmem, sai do seu respectivo poder Judiciário.
Esse negócio de opinião popular é muito arriscado. Aliás, extremamente arriscado.
MPF denuncia prefeito por atraso em prestação de contas
O prefeito de Belterra (PA), Geraldo Irineu Pastana de Oliveira, foi denunciado pela Procuradoria Regional da República da 1ª Região (PRR1) por atraso na prestação de contas em um convênio com o Ministério da Educação. Recursos oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foram repassados ao município para a compra de um ônibus escolar, mas a documentação comprobatória foi entregue com atraso.
Mesmo após as notificações do Ministério da Educação, o prefeito atrasou a prestação de contas dos R$ 125 mil que recebeu do FNDE. O convênio foi firmado em 27 de maio de 2008 e o prazo máximo para o envio de documentos comprobatórios estava previsto para 20 de fevereiro do ano seguinte. Apenas em 3 de agosto de 2009 a prefeitura entregou a prestação de contas, que foi enviada ao FNDE com a documentação incompleta.
Descumprir as datas de convênios federais, por si só, configura crime de responsabilidade. “O denunciado cometeu o crime de omitir-se de prestar contas no prazo legal, como é dever do titular do mandato de prefeito à data de cada obrigação”, afirma o procurador regional Blal Yassine Dalloul.
Se condenado, Geraldo Irineu Pastana pode pegar pena de detenção de três anos a três meses, além de ficar inabilitado para exercer cargos públicos durante cinco anos.
Fonte: Ministério Público Federal
Mesmo após as notificações do Ministério da Educação, o prefeito atrasou a prestação de contas dos R$ 125 mil que recebeu do FNDE. O convênio foi firmado em 27 de maio de 2008 e o prazo máximo para o envio de documentos comprobatórios estava previsto para 20 de fevereiro do ano seguinte. Apenas em 3 de agosto de 2009 a prefeitura entregou a prestação de contas, que foi enviada ao FNDE com a documentação incompleta.
Descumprir as datas de convênios federais, por si só, configura crime de responsabilidade. “O denunciado cometeu o crime de omitir-se de prestar contas no prazo legal, como é dever do titular do mandato de prefeito à data de cada obrigação”, afirma o procurador regional Blal Yassine Dalloul.
Se condenado, Geraldo Irineu Pastana pode pegar pena de detenção de três anos a três meses, além de ficar inabilitado para exercer cargos públicos durante cinco anos.
Fonte: Ministério Público Federal
Sentimentos trancados num baú emocional
Desnudando um passado misterioso, o livro: “Conversas com Albert Speer”, do historiador Joachim Fest (1926-2006), biógrafo de Adolf Hitler, inquire Speer, então arquiteto-chefe, ministro do Armamento do Terceiro Reich, confidente de Hitler e um dos poucos lideres nazistas a escapar da condenação à morte em Nuremberg. Depois de 20 anos na prisão, por volta de 1966, resolveu publicar suas memórias. O editor Wolf Siedler convidou o historiador Fest, para ajudá-lo na tarefa de editar os desordenados manuscritos. De qualquer forma, é um livro cheio de revelações, com excelente material para calibrar os julgamentos morais do passado.
Situado em posições políticas opostas e vocacionado ao jornalismo, Fest pertenceu a uma competente geração de historiadores alemães, pioneira no uso de métodos das ciências sociais na pesquisa histórica. A diferença é que Fest foi muito mais profundamente marcado na juventude pelos traumas da ascensão do nazismo. Com o pai posto na miséria por causa de sua firme resistência à sedução nazista, no início dos anos 1930, Fest, à época, com 18 anos incompletos, viu-se engajado de maneira compulsória na Wehrmacht, tornando-se, meses depois, prisioneiro dos aliados.
Mas foi no pós-guerra, quando já havia testemunhado grande parte daquele cenário moralmente corroído, que compôs sua bagagem intelectual: estudou História, Direito, Sociologia, Literatura e Arte. Formação variadíssima, afinada com as várias linguagens. Como outros historiadores de sua geração, era um cultor nato da erudição.
Historiador com vocação de repórter, Fest dispara um verdadeiro interrogatório sobre o arquiteto, inquirindo sobre sua passividade e seu silêncio em vários episódios decisivos da Alemanha nazista, como o da Noite dos Cristais, o massacre dos judeus em novembro 1938. O tópico mais incômodo é quando Speer quer provar que não estava presente quando Himmler fez o famoso e apavorante discurso de outubro de 1943, em Poznam, quando o comandante da SS falou publicamente, e com brutal franqueza, sobre o extermínio dos judeus. Speer utiliza-se de duas testemunhas para provar que não estava lá. Mas Fest vai atrás, esmiúça tudo e consegue provar a idoneidade dos dois testemunhos.
Não era chegado a desvendar intrigas de relacionamentos pessoais. Contudo, sempre competente em reunir provas detalhadas. A sugestão de um relacionamento homoerótico entre Hitler e Speer é a mais polêmica delas. Dias antes do suicídio de Hitler, Fest inquire: “Você tomou um avião rumo a Berlim para se despedir de Hitler?” Resposta de Speer: “Ainda hoje me sinto infeliz que Hitler estivesse tão conciliador e não tivesse dado ordem a um pelotão de fuzilamento para me executarem no jardim da chancelaria. Minha vida teria um fim mais digno”.
A parte mais importante é a revelação de detalhes dos projetos arquitetônicos nazistas. O “princípio das ruínas”, explicitado por Speer numa conversa com Hitler, consistia em construir edifícios enormes, monumentais, predestinados à destruição. Formariam, assim, ruínas peculiares e pitorescas. A obtusa teoria do “valor da ruína” seria criar ruínas que durassem mil anos e, com isso, pudessem dominar a transitoriedade e a efeméride do mundo, foi uma elaboração mental que uniu o entusiasmo de Hitler com os planos ambiciosos do jovem arquiteto. Fest acreditava que a corrupção moral de Speer tinha raízes em seu apego emocional por Hitler. .
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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com
O que ele disse
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, sobre as alianças do PT com o partido de Kassab, aquela legenda que é tudo e nada ao mesmo tempo.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Olhares pela lente
Desfile da escola de samba Unidos da Tijuca, campeão do carnaval do Rio, que falou sobre Luiz Gonzaga e fez homenagem ao Nordeste.
Fotos da Folha.com
"Segurar a imprensa é fácil", reclama repórter
Do Comunique-se
O repórter da Rádio Globo, Carlos Maglio, criticou a postura dos policiais que estavam fazendo a segurança do sambódromo do Anhembi, na tarde dessa terça-feira, 21, durante a apuração dos desfiles das escolas de samba de São Paulo. De acordo com o jornalista, os integrantes da corporação não impediram que vândalos acabassem com o carnaval paulistano.
A opinião de Maglio (foto) foi ao ar após ele revelar que depois da paralisação da apuração, os policiais estavam dificultando o trabalho de alguns profissionais da imprensa. Segundo o repórter da Rádio Globo, poucos repórteres tiveram acesso ao local próximo da reunião realizada com os representantes das escolas de samba do grupo especial, enquanto outros foram barrados.
"Segurar a imprensa é fácil, todo mundo educado, ninguém faz confusão. Agora impedir que gente invadisse o local da apuração e rasgasse os votos, ninguém conseguiu. Parte da imprensa conseguiu entrar, mas a polícia está impedindo que demais jornalistas fiquem mais perto da onde está sendo resolvido os últimos detalhes sobre a conclusão do carnaval de 2012”, disse Maglio, que ficou horas no Anhembi para divulgar que a Mocidade Alegre foi eleita campeã.
Hora de distinguir bandidos de carnavalescos no carnaval
É sério demais para ser verdade.
É grave demais.
Sério e grave.
A polícia investiga indícios de que houve uma orquestração entre dirigentes de algumas escolas para acabar no pau, no chute, no rasga-rasga e no fogo a apuração de ontem, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo.
Se isso realmente se comprovar, melhor acabar com os desfiles de escolas de samba em São Paulo.
Pelo menos por uns tempos.
Uns bons tempos.
Até que se distingam bandidos de carnavalescos, carnavalescos de bandidos.
Fora de brincadeira.
De toda a brincadeira.
![]() |
| O helicóptero, após o pouso forçado. A foto é de Bruno Magno, do Portal ORM. |
Do Portal ORM
O helicóptero de patrulhamento do Graer (Grupamento Aéreo do Pará) fez um pouso forçado em um terreno na Rodovia BR-316, próximo à Alça Viária, na manhã desta quarta-feira (22). Segundo a Polícia, quatro pessoas estavam a bordo da aeronave. Uma ficou ferida.
De acordo com o delegado civil Éder Mauro, que estava no aparelho, o helicóptero precisou fazer um pouso forçado, após apresentar uma pane. 'Estávamos há dez minutos no ar, fazendo patrulhamento da Operação Carnaval na Rodovia, quando houve a pane e precisamos pousar. O helicóptero ficou todo quebrado', contou o policial. A aeronave pousou em um terreno atrás de uma empresa, no km 12, em Marituba, próximo à Alça Viária.
Os quatro tripulantes eram o delegado, o major Zel, dos Bombeiros, que pilotava a aeronave, um médico e um enfermeiros. 'Eu tive ferimentos no braço, pernas e no rosto', afirmou Mauro. Os feridos foram atendidos por uma ambulância do SAMU.
A cena foi vista por operários que trabalhavam em uma obra no terreno onde o helicóptero pousou. 'Ouvimos o helicóptero passando em cima da obra e até pensamos que fosse os donos que estavam vindo visitar a obra, mas de repente, ouvimos uns barulhos estranhos e vimos ele pousando e calda quebrando no chão', disse o pedreiro Edilson Reis.
Duciomar faz mais uma encenação. Mais uma "duciomarice".
Como ninguém contém Duciomar, Duciomar vai em frente.
Duciomar, seja bem dito, é o huno que desgoverna Belém nestes entrantes oito anos.
Ele faz o que bem entende.
E o que bem entende de fazer é sempre - ou quase sempre - um desafio, uma afronta, uma bordoada nas leis.
Por isso é que Duciomar, o pior prefeito nos quase 400 anos de história de Belém, é também o prefeito que mais já foi alvo de processos no exercício do cargo. Tanto na esfera estadual como na federal.
E aí?
E aí que Duciomar, que ninguém consegue conter, vai em frente.
Ele não tem um tostão para construir esse tal BRT (Bus Rapid Transit), uma duciomarice sesquipedal (ui!) - sem tamanho, enorme, grandiosa, incomparável.
Mesmo sem um tostão, Duciomar usa uma obra orçada em R$ 430 milhões para quebrar a cidade, numa simulação despropositada, com capacete e tudo (veja nas fotos da própria Prefeitura de Belém).
E faz mais.
Agora, desapropriou a área do Entrocamento para construir uma das estações do tal BRT.
Mais uma encenação.
Se duvidarem, Duciomar vai inventar R$ 430 milhões para fazer a sua invencionice.
E nada se faz para conter essas duciomarices.
Até agora, pelo menos, nada se faz.
Até mesmo o Estado, que até agora não se dignou nem responder a uma recomendação da OAB para interditar ou embargar as obras.
Céus!
Receptividade a Jatene no oeste do Pará alivia o governo
![]() |
| Jatene com empresários em Santarém: promessas viraram dívidas. (Foto Antônio Silva/Agência Pará) |
A primeira viagem do governador à região separatista, que votou praticamente à unanimidade pela criação do Estado do Tapajós, no plebiscito de dezembro passado, foi precedida de avaliações muito comedidas, que procuraram aferir se este era realmente o momento propício para Jatene botar os pés na região ou se seria mais prudente esperar um pouco mais.
Chegou-se à conclusão de que o momento era este, até mesmo para que se pudesse mensurar até que ponto os ressentimentos ainda estão vivos entre os tapajônicos.
E a avaliação, após a viagem, é de que os ressentimentos ainda existem, mas estão longe de ser empecilhos para que o governo lance mão de políticas, digamos assim, compensatórias para demonstrar à população do Tapajós que suas principais demandas ganharão, a partir de agora, atenção especial.
Ao mesmo tempo, todavia, em que a avaliação de círculos próximos ao governador indicam ganhos políticos dos mais relevantes, ninguém deverá perder de vista que promessa é dívida.
E no caso do governo do Estado, em relação ao Tapajós, promessa é dívida redobrada.
Por isso, santarenos e demais habitantes da região oeste do Pará estão com seus caderninhos - virtuais ou não - cheios de anotações sobre tudo o que foi prometido, inclusive o asfaltamento de parte da rodovia Curuá-Una e a construção do estádio Colosso do Tapajós.
As cobranças, em decorrência, serão igualmente redobradas.
E sobre isso, parece, assessores de Jatene também estão certos.
O fanatismo, um mal, alimenta rancores e produz horrores
Olhem as imagens aí em cima.
Mostram um pouco do bafafá, da pancadaria, do quebra-pau de ontem à tarde, na apuração dos votos do desfile de São Paulo.
O fanatismo, vocês sabem, não é bem um sentimento.
É uma deformação.
No carnaval, no futebol, na vida, enfim, o fanatismo é um mal.
O fanatismo faz mal ao fanático e, pior ainda, aos que não são fanáticos, eis que ficam expostos a ações completamente despropositadas, passionais, descontroladas e incontroláveis.
Ontem, todos viram que foram transpostos para o carnaval todos os ardores - e horrores - fanáticos do fanatismo que impera no futebol e acaba afastando muitos torcedores - realmente torcedores - dos estádios.
É uma pena que uma manifestação popular tão forte e tão intensa como o carnaval não possa ser tratada como uma diversão, uma expressa popular genuína - e apenas isso.
É uma pena que o carnaval, cada vez mais glamourizado e dominado por interesses comerciais milionários, tenha se mostrado ontem como um covil em que o vandalismo alimenta seus rancores e produz seus horrores.
O que ele disse
"O Poder Judiciário é, de fato, controlado pelo Ministério Público, pelos advogados, pelo Executivo, pelo Legislativo e pelo Tribunal de Contas. Diz-se que o controle externo do Judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Não penso assim. Se todo poder emana do povo e em seu nome é exercido, o exame do tema deve atender o interesse da sociedade, não às conveniências do Poder.
[...]
"Nenhum juiz que cumpre honestamente sua missão pode temer qualquer sistema de controle sério e transparente, inclusive no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)."
Vicente Malheiros da Fonseca, desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, em artigo publicado em O LIBERAL sobre o controle externno do Judiciário.
[...]
"Nenhum juiz que cumpre honestamente sua missão pode temer qualquer sistema de controle sério e transparente, inclusive no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)."
Vicente Malheiros da Fonseca, desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, em artigo publicado em O LIBERAL sobre o controle externno do Judiciário.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Ibama multa consórcio de Belo Monte em R$ 7 milhões
Da Folha.com
O Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) multou em R$ 7 milhões o Consórcio Norte Energia S.A., responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), por atraso na implementação do Projeto Básico Ambiental da obra.
Além da multa, o Ibama determinou ao consórcio que apresente um plano de ação para regularizar o cronograma dos programas ambientais. A avaliação do Ibama refere-se ao período de junho a outubro de 2011 e foi feita com base no primeiro relatório de andamento do PBA, apresentado pela empresa em novembro.
Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento e, quando estiver pronta, será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW) e geração média de 4.000 MW.
OUTRO LADO
A Norte Energia S.A. informa que recebeu no último dia 15 uma notificação do Ibama contra a empresa, que "adotará os procedimentos administrativos cabíveis, inclusive interpondo recurso".
O consórcio disse ainda, por meio de nota, que "a referida notificação não implica em qualquer suspensão da Licença de Instalação, que continua válida, e que as obras e demais atividades do empreendimento seguem seu curso normal". "Vale ressaltar que o próprio Ibama, na notificação, ressalvou que as desconformidades apontadas não implicam ´reflexos ambientais negativos´", completa o comunicado.
O Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) multou em R$ 7 milhões o Consórcio Norte Energia S.A., responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), por atraso na implementação do Projeto Básico Ambiental da obra.
Além da multa, o Ibama determinou ao consórcio que apresente um plano de ação para regularizar o cronograma dos programas ambientais. A avaliação do Ibama refere-se ao período de junho a outubro de 2011 e foi feita com base no primeiro relatório de andamento do PBA, apresentado pela empresa em novembro.
Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento e, quando estiver pronta, será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW) e geração média de 4.000 MW.
OUTRO LADO
A Norte Energia S.A. informa que recebeu no último dia 15 uma notificação do Ibama contra a empresa, que "adotará os procedimentos administrativos cabíveis, inclusive interpondo recurso".
O consórcio disse ainda, por meio de nota, que "a referida notificação não implica em qualquer suspensão da Licença de Instalação, que continua válida, e que as obras e demais atividades do empreendimento seguem seu curso normal". "Vale ressaltar que o próprio Ibama, na notificação, ressalvou que as desconformidades apontadas não implicam ´reflexos ambientais negativos´", completa o comunicado.
Mulher mostra as nádegas a militares e torna-se ré
Do Consultor Jurídico
O Superior Tribunal Militar rejeitou pedido de Habeas Corpus para trancar ação penal contra mulher acusada de ofender militares da Força de Pacificação do Exército no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. De acordo com os autos, ela abaixou as calças e mostrou as nádegas depois de receber ordem para diminuir o volume do aparelho de som, durante uma festa em sua casa.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar, a civil L.P.S e seus familiares foram abordados, por volta de duas horas da manhã, por soldados do Exército integrantes da tropa federal encarregada da operação no morro carioca.
A família fazia uma festa e o volume do aparelho de som perturbava a ordem pública e o sono da vizinhança, de acordo com a denúncia. Após acatar a ordem para baixar o som, a ré ameaçou abaixar as calçar se os militares continuassem filmando a ação — todas as operações no Morro do Alemão são filmadas.
Conforme narra a denúncia, após a patrulha do Exército voltar para a sede, o volume do aparelho de som novamente foi aumentado e parte da família se dirigiu à base do Exército informando que não iria mais abaixar o volume e que os soldados deveriam usar "fones de ouvidos para dormir". De acordo com a promotoria, foi nesse momento também que o grupo proferiu vários xingamentos à tropa, "com o intuito de ridicularizar e menosprezar a tropa", e a ré mostrou as partes íntimas para os soldados.
A acusada foi presa em flagrante por infringir o artigo 299 do Código Penal Militar (CPM) — desacato a militar no exercício de função de natureza militar ou em razão dela. A ação penal corre na 2ª Auditoria Militar do estado do Rio de Janeiro.
Conflito de competência
A advogada da acusada argumentou que a Justiça Militar não teria competência para julgar o fato, pois as ações de segurança pública realizadas pelas Forças Armadas na capital fluminense são inconstitucionais. Argumenta ainda que, sendo uma atividade ligada à segurança pública, os fatos originados do emprego da tropa teriam que ser julgados na vara de Justiça comum, com a aplicação da Lei 9.099/95, que criou os Juizados Especiais Criminais.
A defesa pediu a anulação do processo e solicitou que o Ministério Público Militar fizesse a transação penal e a suspensão condicional do processo. Pela transação penal, nos crimes considerados de menor potencial ofensivo (pena menor de dois anos), pode o Ministério Público negociar com o acusado a sua pena. Trata-se de um ajuste entre a acusação e a defesa para evitar que o processo corra, poupando o réu e o Estado da tramitação de uma ação penal.
Ao analisar o processo, o ministro relator Luis Carlos Gomes Mattos disse que o emprego das Forças Armadas no estado do Rio de Janeiro é constitucional, pois está amparado na própria Carta Magna e na Lei Complementar 97, de 1999. O ministro afirmou também que, em remédio constitucional de HC, não se discute matéria de índole constitucional, como já bem asseverou o Supremo Tribunal Federal.
O ministro também rejeitou o pedido de transação penal pelo o crime ter sido praticado em operação puramente militar, o que obriga a aplicação específica do Código Penal Militar. Ele não aceitou o HC por falta de amparo legal e manteve o trâmite normal da ação penal. Os ministros da corte acataram o voto do relator por unanimidade.
O Superior Tribunal Militar rejeitou pedido de Habeas Corpus para trancar ação penal contra mulher acusada de ofender militares da Força de Pacificação do Exército no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. De acordo com os autos, ela abaixou as calças e mostrou as nádegas depois de receber ordem para diminuir o volume do aparelho de som, durante uma festa em sua casa.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar, a civil L.P.S e seus familiares foram abordados, por volta de duas horas da manhã, por soldados do Exército integrantes da tropa federal encarregada da operação no morro carioca.
A família fazia uma festa e o volume do aparelho de som perturbava a ordem pública e o sono da vizinhança, de acordo com a denúncia. Após acatar a ordem para baixar o som, a ré ameaçou abaixar as calçar se os militares continuassem filmando a ação — todas as operações no Morro do Alemão são filmadas.
Conforme narra a denúncia, após a patrulha do Exército voltar para a sede, o volume do aparelho de som novamente foi aumentado e parte da família se dirigiu à base do Exército informando que não iria mais abaixar o volume e que os soldados deveriam usar "fones de ouvidos para dormir". De acordo com a promotoria, foi nesse momento também que o grupo proferiu vários xingamentos à tropa, "com o intuito de ridicularizar e menosprezar a tropa", e a ré mostrou as partes íntimas para os soldados.
A acusada foi presa em flagrante por infringir o artigo 299 do Código Penal Militar (CPM) — desacato a militar no exercício de função de natureza militar ou em razão dela. A ação penal corre na 2ª Auditoria Militar do estado do Rio de Janeiro.
Conflito de competência
A advogada da acusada argumentou que a Justiça Militar não teria competência para julgar o fato, pois as ações de segurança pública realizadas pelas Forças Armadas na capital fluminense são inconstitucionais. Argumenta ainda que, sendo uma atividade ligada à segurança pública, os fatos originados do emprego da tropa teriam que ser julgados na vara de Justiça comum, com a aplicação da Lei 9.099/95, que criou os Juizados Especiais Criminais.
A defesa pediu a anulação do processo e solicitou que o Ministério Público Militar fizesse a transação penal e a suspensão condicional do processo. Pela transação penal, nos crimes considerados de menor potencial ofensivo (pena menor de dois anos), pode o Ministério Público negociar com o acusado a sua pena. Trata-se de um ajuste entre a acusação e a defesa para evitar que o processo corra, poupando o réu e o Estado da tramitação de uma ação penal.
Ao analisar o processo, o ministro relator Luis Carlos Gomes Mattos disse que o emprego das Forças Armadas no estado do Rio de Janeiro é constitucional, pois está amparado na própria Carta Magna e na Lei Complementar 97, de 1999. O ministro afirmou também que, em remédio constitucional de HC, não se discute matéria de índole constitucional, como já bem asseverou o Supremo Tribunal Federal.
O ministro também rejeitou o pedido de transação penal pelo o crime ter sido praticado em operação puramente militar, o que obriga a aplicação específica do Código Penal Militar. Ele não aceitou o HC por falta de amparo legal e manteve o trâmite normal da ação penal. Os ministros da corte acataram o voto do relator por unanimidade.
Um escândalo sobre as calçadas. Na Arthur Bernardes.
Olhem só o vídeo acima.
É mais um flagrante imperdível do imperdível Belém das Incivilidades.
Mostra caminhões-tanque das empresas transportadoras de combustíveis estacionados na calçada, na ciclovia, em frente aos grandes depósitos de combustíveis na avenida Arthur Bernardes, em Miramar.
Eo guincho?
Vai ficar só na área da Doca e arredores?
Ou vai passar por lá?
Se passar, vai reforçar-se para rebocar os caminhões para o curral?
"Agora, o que aposto é se estas empresas, nas cidades onde estão suas sedes, fazem isso por lá?! Duvido! Mas, como aqui é Belém, Pará, Norte, "só tem índio" e autoridades e políticos fracos mesmo, estão nem aí!", diz o Belém das Incivilidades.
Que completa: "Belém das incivilidades perenes!"
É mesmo.
MPF defende rejeição de mandado de segurança de Jarbas
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| Jarbas Vasconcelos: mandado de segurança tem oposição do Ministério Público Federal |
Em dezembro do ano passado, a 16ª Vara chegou a conceder a liminar para suspender o processo disciplinar instaurado pelo Conselho Federal da OAB contra o impetrante até posterior pronunciamento judicial. A liminar, no entanto, teve seus efeitos temporariamente suspensos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ao acolher agravo de instrumento interposto pelo vice-presidente nacional da OAB, Alberto de Paula Machado.
Leia aqui a íntegra do parecer do MPF
"Não merece prosperar a alegação de que deveria ser atendido o critério territorial para definição da competência do órgão julgador. Embora o art. 70 da Lei 8906/94 (Estatuto da OAB) seja expresso ao definir a competência exclusiva dos Conselhos Seccionais para a apuração de infrações disciplinares, deve-se recordar que tal disposição tem por escopo principal disciplinar o julgamento de infrações praticadas no exercício da advocacia. Ocorre que a situação dos autos é diversa, pois se trata de ato administrativo cometido na função de Presidente do Conselho Seccional (alienação de imóvel da entidade), e não propriamente ato de advocacia", escreve o procurador Paulo Roberto Carvalho, em parecer datado do dia 13, segunda-feira última.
Para o membro do MPF, inexiste qualquer impedimento do Conselho Federal por já ter julgado processo de intervenção na Seccional paraense, porque também inexiste previsão legal de impedimento ou suspeição para o julgador que tenha apreciado processo conexo relacionado ao mesmo fato. "Aliás, essa circunstância revela, na realidade, a necessidade de atração dos processos para o mesmo foro, por força de conexão, conforme regras processuais aplicáveis aos processos disciplinares da OAB por força do art. 68 de seu Estatuto", diz o procurador da República.
A balbúrdia. Com placas que até confundem.
Olhem só.
Já não bastasse a balbúrdia do trânsito em Belém, ainda temos as placas, que às vezes confundem.
Vejam a foto acima.
Foi mandada por Almir Alves, leitor do blog.
Leiam abaixo o que ele diz.
----------------------------------------
Todo dia passo na Doca pela manhã (9h) e pela tarde (18h).
Sempre vejo as pessoas estacionadas onde é proibido. Sempre que posso, aviso-as para observarem o que está escrito na placa, com as letras pequenas.
Sempre notei algo de diferente naquela placa. Não sei dizer se ela está errada, ou se ela é daquela maneira de propósito. Mas que ela é diferente das outras da cidade, ela é.
Uma pessoa com pressa, olhando de longe e rápido, se engana facilmente com uma placa de "estacionamento regulamentado", ainda mais com um flanelinha ajudando.
Acima, a placa da Doca (do lado esquerdo) e da esquina da Tiradentes com a Rui Barbosa (do lado direito).
Já não bastasse a balbúrdia do trânsito em Belém, ainda temos as placas, que às vezes confundem.
Vejam a foto acima.
Foi mandada por Almir Alves, leitor do blog.
Leiam abaixo o que ele diz.
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Todo dia passo na Doca pela manhã (9h) e pela tarde (18h).
Sempre vejo as pessoas estacionadas onde é proibido. Sempre que posso, aviso-as para observarem o que está escrito na placa, com as letras pequenas.
Sempre notei algo de diferente naquela placa. Não sei dizer se ela está errada, ou se ela é daquela maneira de propósito. Mas que ela é diferente das outras da cidade, ela é.
Uma pessoa com pressa, olhando de longe e rápido, se engana facilmente com uma placa de "estacionamento regulamentado", ainda mais com um flanelinha ajudando.
Acima, a placa da Doca (do lado esquerdo) e da esquina da Tiradentes com a Rui Barbosa (do lado direito).
O jato da morte. No Furlani's, quase ex-Furlani's Bar.
Sabem o Paulo Silber?
Pois é.
Paulo Silber Gama Alves.
Uma testemunha ocular do duelo do século.
Ou de todos os séculos.
Paulo Silber.
Testemunha ocular do confronto, da saga que reuniu Saroquinha x Maciste (clique aqui, aqui e aqui).
Pois é.
O Furlani's Bar, ali da avenida João Paulo II, vai fechar.
Silber, em sua página no Facebook, convocou a galera para contar poucas e boas, boas e poucas ocorridas no Furlani'.
Ele próprio começou a contar.
E contou uma que é impagável.
Intitula-se O jato da morte.
Os personagens são reais, muito embora a história seja quase inacreditável.
O poster já sabia dessa história, real, há muito tempo.
E há muito tempo que a vem contando a várias pessoas.
Quase ninguém acredita.
Mas é verdade.
Silber o confirma.
Leiam.
-------------------------------------------
A mesa da diretoria estava lotada. O Furlani’s Bar, na hora neutra da madrugada, lembrava um ninho de formigas de fogo. O próprio Furlani, sempre sereno, era o mais aceso, o carisma elevado à máxima potência. Dona Emilce, aplicada em distribuir gentilezas, flutuava entre os clientes com a suavidade de sempre.
Apolo parecia vigilante, mas nem tanto. Acho que ele aprendera a deixar as orelhas em pé, como se estivesse alerta, o safadinho, enquanto dormia embaixo da mesa, alheio ao burburinho, sonhando com o Paraíso dos Cachorros, onde hoje repousa.
Na cozinha, Dona Antônia suava mais que menino no fim da febre, para dar conta de tantos quibes, sopas e tiragostos diversos. Quase pusera farofa na tábua de frios e cubos de gelo no caldo de feijão, mas percebera a tempo.
No salão, Raimundinho irritava uns e divertia outros, mas no final agradava a todos com palhaçadas nonsense e a cara de anjo sacana imprópria aos garçons.
- Fazer amor de madrugadaaaaaa...
Uma morena de boca carnuda, até jeitosinha mas sem a menor vocação para o microfone (não aquele!), berrava feito ambulância no engarrafamento, pervertendo a letra, assassinando a melodia e arrependendo Paula Toller de ter nascido.
- Em cima da pia, debaixo da escadaaaaaaa...
Na mesa da diretoria, ninguém prestava atenção à gralha do karaoquê. Ríamos, mas ríamos muito. Saborosas risadas. Essa era a nossa música: solos e coros de gargalhadas. Sonoras vibrações de humor, temperadas por dezenas de cervejas geladíssimas, conservadas “no cu da foca”, como se dizia.
L., com seu jeito afobado, acelerado e inquieto, era uma espécie de maestro nesses encontros. Regia as explosões de risos como ninguém, contando histórias verídicas, mas implausíveis, como aquela em que cansou da aparência desleixada e recebeu o espírito de Vanusa. “Hoje, eu vou mudar”, decidiu. Vestiu a beca domingueira, passou uma camada de Trim nos cabelos e enforcou-se numa gravata para impressionar os amigos no trabalho e sentir-se mais bonito. Mas foi fulminado pela própria mãe, ao pedir-lhe a bênção antes de sair de casa:
- Meu filho, você está ridículo...
A gargalhada explodia em alto e bom som. A gente perdia o fôlego de tanto rir, mas L. ainda completava, quase cruel, com voz de resignado:
- Mamãe não sabe mentir...
A gente se dobrava, sufocava, engasgava, havia até quem caísse, dominado por aquelas histórias que enchiam o Furlani’s de alegria.
Naquela noite, porém, L. estava diferente. Chegou discretamente, não jogou o crachá na mesa, cumprimentou-nos sem o estardalhaço de sempre e juntou-se ao grupo sem cutucar ninguém, como se fôssemos um coral de Igreja e não os tresloucados colegas de bar.
Eu já contara duas mentiras. F. relatara os tropeços da infância. Dr V. recitara as piadas infames de sempre. G. avacalhara-se com picardia. AC desfiara seu rosário de ironias. Até o Furlani já fizera um chiste – e L. apenas sorria, quase forçado, como se a felicidade doesse.
Foi quando chegou JB, com a sexta dose na cabeça, vestiu a roupa do cinismo e nos serviu o hilariante Tratado da Feiúra, que tinha nele o início, o fim e o meio.
- Eu não nasci feio, é sério! – começou JB, já arrancando as primeiras risadas. – Fui piorando com o passar dos anos. Com o passar dos anos por cima de mim. Por cima da minha cara... – completava.
A essa altura, metade do bar já prestava atenção na história dele e nas nossas gargalhadas. JB se animava com a platéia e prosseguia:
– Quando a mamãe me teve, eu era apenas um bebê esquisito. Mas muito esquisito. Tão esquisito, que o médico, quando me deu a palmada, em vez de acertar a bunda, achatou o meu nariz. Aí, sim, eu comecei a ficar feio.
E prosseguia, zombando de si mesmo, para a alegria de todos:
- Até virar esse monstro que vos fala, a reencarnação de Quasímodo, a Peste em forma de gente, o cochilo de Deus – ele delirava, enquanto a gente se contorcia de tanto rir, com todos os efeitos sonoros das boas gargalhadas.
- Huaaaaa huahuahua!
- Eeeehuehuehuehueee!
- Blearuuuurgh!
- Queeeeee cacacacacaaaaaaa!
Epa! Peralá! “Blearuuuurgh”?! Aquela onomatopeia esquisita, gutural, rouca, vindo de alguma profundeza, quase passou despercebida. Que diabo é “blearuuuurgh”?, eu me perguntava.
A explicação veio a jato, abrupta como a lava de um vulcão.
- Bleeeeaaarrrrruuuuaaauuurrrrghhhh!
Durou cinco segundos o intervalo entre o primeiro aviso e a inevitável consequência. Apenas o tempo suficiente para que o estômago indômito assumisse o comando do corpo de L., impondo aos músculos do tórax e do abdômen um esforço supremo que quase rompe o esôfago.
Tempo bastante para a materialização do mal-estar do meu amigo, jorrado sobre a mesa da diretoria, transformado naquele mar de incômodos viscerais que agora emergiam junto a substâncias fecaloides de odor insuportável, tisnadas por ácidos intestinais e corrompidas por uma pasta amarelo-esverdeada. Uma pororoca de secreções que o revoltado estômago cuspiu na forma de um mingau de saliva, bile e sucos gástricos.
Estava explicado, com estrondo, o silencioso sofrimento de L. O vômito jorrou de uma só vez, mas era tanto, mas tanto, que não parou de fluir enquanto L., em agonia, girava a cabeça da esquerda para a direita, quase em 360 graus, distribuindo o produto do seu sofrimento na direção de todos que estávamos sentados à mesa-redonda da diretoria.
Dr. V. recebera a maior porção, com direito a fragmentos não mastigados de comida que grudaram no seu pescoço. Foi dele a única reação enérgica ao terrível acidente. Levantou-se indignado, cuspiu alguns impropérios e foi embora. Nós, os demais, mesmo incomodados e nauseados, perdoamos L. porque sabíamos, por experiências passadas (não tão furiosas como aquela), dos seus problemas agudos de refluxo gastroesofágico que o obrigavam a manter antieméticos sempre ao alcance da mão.
Naquela noite, porém, não deu tempo de impedir, e o vômito jorrou farto, maculando as roupas dos amigos e magoando Dr. V., de tal maneira que, uma semana depois, ele não voltara ao Furlani’s. Na verdade, jamais voltaria. Dr. V. morreu, fulminado por um derrame, três dias depois do episódio.
Por causa disso, durante muito tempo, passamos a tomar mais cuidado ao desfrutarmos da companhia de L., guardando dele alguns centímetros a mais de distância. Qual soluço era motivo de perplexidade. Um engulho poderia causar pânico.
Para nós, com assento na mesa-redonda da diretoria do Furlani’s, era quase certo, praticamente indubitável, embora ninguém ousasse dizer, que a morte de Dr. V. não fora provocada por um Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.) como se supunha. E sim por um V.A.C. (Vômito Abundante e Certeiro), o jato letal vertido pelo rebelde estômago do nosso bom e hilariante amigo L.
Pois é.
Paulo Silber Gama Alves.
Uma testemunha ocular do duelo do século.
Ou de todos os séculos.
Paulo Silber.
Testemunha ocular do confronto, da saga que reuniu Saroquinha x Maciste (clique aqui, aqui e aqui).
Pois é.
O Furlani's Bar, ali da avenida João Paulo II, vai fechar.
Silber, em sua página no Facebook, convocou a galera para contar poucas e boas, boas e poucas ocorridas no Furlani'.
Ele próprio começou a contar.
E contou uma que é impagável.
Intitula-se O jato da morte.
Os personagens são reais, muito embora a história seja quase inacreditável.
O poster já sabia dessa história, real, há muito tempo.
E há muito tempo que a vem contando a várias pessoas.
Quase ninguém acredita.
Mas é verdade.
Silber o confirma.
Leiam.
-------------------------------------------
A mesa da diretoria estava lotada. O Furlani’s Bar, na hora neutra da madrugada, lembrava um ninho de formigas de fogo. O próprio Furlani, sempre sereno, era o mais aceso, o carisma elevado à máxima potência. Dona Emilce, aplicada em distribuir gentilezas, flutuava entre os clientes com a suavidade de sempre.
Apolo parecia vigilante, mas nem tanto. Acho que ele aprendera a deixar as orelhas em pé, como se estivesse alerta, o safadinho, enquanto dormia embaixo da mesa, alheio ao burburinho, sonhando com o Paraíso dos Cachorros, onde hoje repousa.
Na cozinha, Dona Antônia suava mais que menino no fim da febre, para dar conta de tantos quibes, sopas e tiragostos diversos. Quase pusera farofa na tábua de frios e cubos de gelo no caldo de feijão, mas percebera a tempo.
No salão, Raimundinho irritava uns e divertia outros, mas no final agradava a todos com palhaçadas nonsense e a cara de anjo sacana imprópria aos garçons.
- Fazer amor de madrugadaaaaaa...
Uma morena de boca carnuda, até jeitosinha mas sem a menor vocação para o microfone (não aquele!), berrava feito ambulância no engarrafamento, pervertendo a letra, assassinando a melodia e arrependendo Paula Toller de ter nascido.
- Em cima da pia, debaixo da escadaaaaaaa...
Na mesa da diretoria, ninguém prestava atenção à gralha do karaoquê. Ríamos, mas ríamos muito. Saborosas risadas. Essa era a nossa música: solos e coros de gargalhadas. Sonoras vibrações de humor, temperadas por dezenas de cervejas geladíssimas, conservadas “no cu da foca”, como se dizia.
L., com seu jeito afobado, acelerado e inquieto, era uma espécie de maestro nesses encontros. Regia as explosões de risos como ninguém, contando histórias verídicas, mas implausíveis, como aquela em que cansou da aparência desleixada e recebeu o espírito de Vanusa. “Hoje, eu vou mudar”, decidiu. Vestiu a beca domingueira, passou uma camada de Trim nos cabelos e enforcou-se numa gravata para impressionar os amigos no trabalho e sentir-se mais bonito. Mas foi fulminado pela própria mãe, ao pedir-lhe a bênção antes de sair de casa:
- Meu filho, você está ridículo...
A gargalhada explodia em alto e bom som. A gente perdia o fôlego de tanto rir, mas L. ainda completava, quase cruel, com voz de resignado:
- Mamãe não sabe mentir...
A gente se dobrava, sufocava, engasgava, havia até quem caísse, dominado por aquelas histórias que enchiam o Furlani’s de alegria.
Naquela noite, porém, L. estava diferente. Chegou discretamente, não jogou o crachá na mesa, cumprimentou-nos sem o estardalhaço de sempre e juntou-se ao grupo sem cutucar ninguém, como se fôssemos um coral de Igreja e não os tresloucados colegas de bar.
Eu já contara duas mentiras. F. relatara os tropeços da infância. Dr V. recitara as piadas infames de sempre. G. avacalhara-se com picardia. AC desfiara seu rosário de ironias. Até o Furlani já fizera um chiste – e L. apenas sorria, quase forçado, como se a felicidade doesse.
Foi quando chegou JB, com a sexta dose na cabeça, vestiu a roupa do cinismo e nos serviu o hilariante Tratado da Feiúra, que tinha nele o início, o fim e o meio.
- Eu não nasci feio, é sério! – começou JB, já arrancando as primeiras risadas. – Fui piorando com o passar dos anos. Com o passar dos anos por cima de mim. Por cima da minha cara... – completava.
A essa altura, metade do bar já prestava atenção na história dele e nas nossas gargalhadas. JB se animava com a platéia e prosseguia:
– Quando a mamãe me teve, eu era apenas um bebê esquisito. Mas muito esquisito. Tão esquisito, que o médico, quando me deu a palmada, em vez de acertar a bunda, achatou o meu nariz. Aí, sim, eu comecei a ficar feio.
E prosseguia, zombando de si mesmo, para a alegria de todos:
- Até virar esse monstro que vos fala, a reencarnação de Quasímodo, a Peste em forma de gente, o cochilo de Deus – ele delirava, enquanto a gente se contorcia de tanto rir, com todos os efeitos sonoros das boas gargalhadas.
- Huaaaaa huahuahua!
- Eeeehuehuehuehueee!
- Blearuuuurgh!
- Queeeeee cacacacacaaaaaaa!
Epa! Peralá! “Blearuuuurgh”?! Aquela onomatopeia esquisita, gutural, rouca, vindo de alguma profundeza, quase passou despercebida. Que diabo é “blearuuuurgh”?, eu me perguntava.
A explicação veio a jato, abrupta como a lava de um vulcão.
- Bleeeeaaarrrrruuuuaaauuurrrrghhhh!
Durou cinco segundos o intervalo entre o primeiro aviso e a inevitável consequência. Apenas o tempo suficiente para que o estômago indômito assumisse o comando do corpo de L., impondo aos músculos do tórax e do abdômen um esforço supremo que quase rompe o esôfago.
Tempo bastante para a materialização do mal-estar do meu amigo, jorrado sobre a mesa da diretoria, transformado naquele mar de incômodos viscerais que agora emergiam junto a substâncias fecaloides de odor insuportável, tisnadas por ácidos intestinais e corrompidas por uma pasta amarelo-esverdeada. Uma pororoca de secreções que o revoltado estômago cuspiu na forma de um mingau de saliva, bile e sucos gástricos.
Estava explicado, com estrondo, o silencioso sofrimento de L. O vômito jorrou de uma só vez, mas era tanto, mas tanto, que não parou de fluir enquanto L., em agonia, girava a cabeça da esquerda para a direita, quase em 360 graus, distribuindo o produto do seu sofrimento na direção de todos que estávamos sentados à mesa-redonda da diretoria.
Dr. V. recebera a maior porção, com direito a fragmentos não mastigados de comida que grudaram no seu pescoço. Foi dele a única reação enérgica ao terrível acidente. Levantou-se indignado, cuspiu alguns impropérios e foi embora. Nós, os demais, mesmo incomodados e nauseados, perdoamos L. porque sabíamos, por experiências passadas (não tão furiosas como aquela), dos seus problemas agudos de refluxo gastroesofágico que o obrigavam a manter antieméticos sempre ao alcance da mão.
Naquela noite, porém, não deu tempo de impedir, e o vômito jorrou farto, maculando as roupas dos amigos e magoando Dr. V., de tal maneira que, uma semana depois, ele não voltara ao Furlani’s. Na verdade, jamais voltaria. Dr. V. morreu, fulminado por um derrame, três dias depois do episódio.
Por causa disso, durante muito tempo, passamos a tomar mais cuidado ao desfrutarmos da companhia de L., guardando dele alguns centímetros a mais de distância. Qual soluço era motivo de perplexidade. Um engulho poderia causar pânico.
Para nós, com assento na mesa-redonda da diretoria do Furlani’s, era quase certo, praticamente indubitável, embora ninguém ousasse dizer, que a morte de Dr. V. não fora provocada por um Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.) como se supunha. E sim por um V.A.C. (Vômito Abundante e Certeiro), o jato letal vertido pelo rebelde estômago do nosso bom e hilariante amigo L.
O que ele disse
"Quando há esquema político na área da Saúde, não se resolvem os problemas e as pessoas morrem. [...] Não é possível alguém morrer de asma dentro de uma UTI, Agnelo. Esse hospital [de Brasília] matou meu filho. Por que não me mataram? Eu preferia mil vezes estar naquele caixão no lugar dele."
Flávio Dino (foto), ex-deputado federal, juiz federal por 12 anos e atual presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), no sepultamento de seu filho, em desabafo diante de autoridades, inclusive e principalmente o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que a tudo ouviu mudo e quedo, quedo e mudo.
Flávio Dino (foto), ex-deputado federal, juiz federal por 12 anos e atual presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), no sepultamento de seu filho, em desabafo diante de autoridades, inclusive e principalmente o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que a tudo ouviu mudo e quedo, quedo e mudo.
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