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Eduardo Pazuello na CPI: aluno bem treinado, ele foi bem ao não fugir de de nenhuma pergunta. Mas foi ridiculamente inconvincente durante a maior parte do depoimento. |
quinta-feira, 20 de maio de 2021
Pazuello mostrou-se um aluno aplicado e bem treinado. Mas mentiu.
Juiz manda prender preventivamente três homens suspeitos de planejar protestos contra o governador Helder Barbalho em Tucuruí
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Ministro posta vídeo em que o governador Helder Barbalho defende uso de cloroquina no tratamento da Covid
— Fábio Faria 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 (@fabiofaria) May 19, 2021
O governador Helder Barbalho virou garoto-propaganda da tropa bolsonarista, em sua tentativa de mostrar que todo mundo teria embarcado de cabeça na tese de que a hidroxicloroquina é uma alternativa eficaz no tratamento - precoce, inclusive - de pacientes acometidos de Covid.
Há cerca de três horas, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, publicou esse tuíte que está viralizando.
Mostra Helder anunciando o envio, para todos os municípios paraenses, de um lote de hidroxicloroquina e azitromicina.
"Vários estados e dezenas de Países utilizaram a hidroxicloroquina, azitromicina, zinco, etc. qdo vemos a CPI parece que é o remédio apenas do Bolsonaro e qdo respondem a verdade em cima das narrativas parece que não querem aceitar pq não viram os fatos e só as narrativas fakes", escreve Faria.
O vídeo é de maio de 2020, e o envio dos medicamentos foi destaque, inclusive, na Agência Pará, como se pode ler na matéria sob o título Municípios do interior recebem do Estado remédios para tratamento da Covid-19.
Na época, o uso dos remédios fazia parte do protocolo terapêutico do Ministério da Saúde para a doença, mas, em seu tuíte, Fabio Faria omite esse fato deliberadamente, como parte da estratégia de desconstruir o discurso da oposição, sobretudo agora, na CPI da Pandemia, de que apenas o governo federal é que defende a cloroquina para combater a Covid.
A postagem do ministro reforça, porém, outro fato: Helder é um dos governadores mais visados pela tropa bolsonarista, inclusive porque responde a dois inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar a compra de respiradores e de bombas de infusão para o combate à pandemia.
No ano passado, com autorização do Superior Tribunal de Justiça, a PF fez duas operações no Pará, a Para Bellum e a SOS, para investigar as suspeitas de irregularidades.
Gabeira traduz o que Pazuello quis dizer com "missão cumprida"
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Gabeira: viva ele, que conseguiu expressar, precisamente, o sentido oculto do jargão castrense utilizado por Eduardo Pazuello durante depoimento na CPI da Pandemia |
Em seus treinos para depor na CPI, Eduardo Pazuello foi treinado, certamente, para responder de forma objetiva, curta e grossa à pergunta que lhe fizessem sobre por que foi demitido do Ministério da Saúde.
Renan Calheiros, o relator, fez exatamente essa pergunta.
"Missão cumprida", respondeu Pazuello durante sessão da CPI da Pandemia.
O jornalista Fernando Gabeira observa agora, na GloboNews, que Pazuello quis dizer: "Omissão cumprida".
Grande Gabeira.
É isso mesmo.
Pazuello escora-se no seu jargão castrense - no qual missão talvez seja um dos termos mais frequentes - para articular respostas que, acredita ele, revelam-se assertivas e de altíssimo viés patriótico.
Que nada.
Às vezes, esse lugares-comuns só ocultam o real sentido da tragédia.
Ou seja, às vezes, missão cumprida é, na verdade, omissão cumprida.
Simples assim.
Contraditório, impreciso e, algumas vezes, mentiroso. Na CPI, Pazuello foi plenamente Pazuello.
terça-feira, 18 de maio de 2021
Na CPI, o patético depoimento de um patético
segunda-feira, 17 de maio de 2021
PGR manda à CPI o teor de investigações sobre Helder e mais quatro governadores
Helder e mais 17 governadores questionam alcance de informações solicitadas pela CPI da Pandemia
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Helder Barbalho e mais 17 governadores amparam-se em pareceres apontando limitações nos poderes da CPI em relação a estados e municípios |
O governador Helder Barbalho é um dos 18 signatários de ofício enviado à CPI da Covid, no qual governadores questionam o alcance de requerimentos que pedem informações sobre o enfrentamento à pandemia. A informação é do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
Ao ofício, os governadores anexaram dois pareceres que contestam o poder da CPI sobre estados e municípios. Ambos os pareceres foram elaborados pela Consultoria do Senado e pelo Colégio Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal.
"Requeremos que sejam confirmadas ou não as solicitações encaminhadas, apontando-se quais e em que pontos específicos deverão ser efetivamente atendidas. Frisamos que este requerimento não pretende criar qualquer embaraço ao inquérito parlamentar, que tem todo o nosso apoio. Ocorre, contudo, que todos os agentes públicos têm o dever de zelar pela legalidade, daí a imperatividade dos esclarecimentos", afirmam os governadores no ofício.
Além de Helder, assinam o expediente Wellington Dias (Piauí) - coordenador do tema vacina no Fórum dos Governadores -, Ibaneis Rocha (DF), Gladson Cameli (AC), Waldez Góes (AP), Renan Filho (AL), Rui Costa (BA), Renato Casagrande (ES), Ronaldo Caiado (GO), Flávio Dino (MA), Mauro Mendes (MT), Reinaldo Azambuja (MS), João Azevêdo (PB), Ratinho Júnior (PR), Paulo Câmara (PE), Cláudio Castro (RJ), Belivaldo Chagas (SE) e Mauro Carlesse (TO).
Você é um idiota. Exulte!
Mais números, mais fatos mostram a dizimação ambiental sob o governo Bolsonaro
Aí está.
É a manchete de O Globo desta segunda (17).
Nos últimos dois anos, de acordo com levantamento do ISA (Instituto Socioambiental), a área dentro de terras indígenas, parques e estações ecológicas com registros irregulares no CAR (Cadastro Ambiental Rural) aumentou 56%, segundo . O total de registros irregulares que incluem terras em áreas protegidas nestes 2 anos alcança 10,6 milhões de hectares.
Os governos dos Estados amazônicos indicaram que o principal desafio para regularizar os cadastros é a ausência de informações. Apontam que muitos registros não trazem informações hidrográficas, de relevo e uso do solo. O que é mais do que óbvio, porque a estrutura de monitoramento dos órgãos de controle ambiental está destroçada.
Esse é mais um retrato, é mais uma face do governo predatório de Jair Bolsonaro, que tem como ministro do Meio Ambiente seu mais operoso e operante capataz: Ricardo Salles.
Quem se recordar do discurso que Bolsonaro fez recentemente, na Cúpula do Clima, onde exibiu-se pianinho diante das pressões do governo Biden, vai concluir facilmente que tudo o que presidente do Brasil disse naquela ocasião, sobre bons propósitos para a área ambiental, não passou de uma deslavada mentira.
Porque a verdade é que os números indesmentíveis demonstram que a dizimação do meio ambiente, no Brasil e particularmente na Amazônia, cresceu de forma avassaladora desde 1º de janeiro, quando Bolsonaro assumiu.
domingo, 16 de maio de 2021
Wajngarten diz que foi alvo de ataques articulados por paraense, que ele chama de "marqueteiro genial"
Como Wajngarten teve a audácia de negar, na CPI, ter usado o termo incompetência para referir-se à equipe de Pazuello nas negociações para comprar a vacina da Pfizer, Veja não apenas disponibilizou em seu site o trecho da gravação como ainda acrescentou uma revelação.
Na entrevista que concedeu à Veja, segundo mostra o trecho agora desovado, o ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro atribui diretamente ao então ministro da Saúde sua exoneração da Secom. E disse que, para tanto, Pazuello valeu-se dos serviços de seu marqueteiro, o paraense Marcos Eraldo Arnoud Marques, o Markinhos Show, que teria abastecido jornalistas de notas atacando "tudo e todos".
Tão logo foi publicada, no dia 23 de abril, a bombástica entrevista em que Wajngarten denunciava a inação do governo Bolsonaro para comprar vacinas da Pfizer, Markinhos Show publicou no Twitter uma postagem dizendo que não cumpriu uma "ordem desqualificada e inútil" do titular da Secom para discriminar o jornalismo da Globo.
Segue o jogo.
E, no jogo, parece que está valendo tudo.
Até caneladas.
Direito ao silêncio de Pazuello deve ser fonte de turbulências em depoimento na CPI da Pandemia
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Eduardo Pazuello: direito ao silêncio representa forte subjetividade na definição do questões que poderão ou não incriminá-lo, no depoimento da próxima quarta-feira |
A lei não é boa apenas quando nos favorece.
Deve ser considerada boa quando também contraria nossas pretensões e afronta nossas perspectivas e nossos juízos sobre o que for.
Da mesmíssima forma, assim deve ser encarada a jurisprudência dos tribunais.
Nesse sentido, é incontestavelmente correta a decisão do ministro do Supremo Ricardo Lewandowski, de conceder ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello o direito de ficar em silêncio na CPI da Pandemia, onde deverá depor na próxima quarta-feira, 19 de maio.
A decisão do ministro ampara-se em farta - e portanto consolidada - jurisprudência do Supremo.
O HC garante a Pazuello o direito de emudecer apenas diante de perguntas cujas respostas possam levar o ex-ministro a incriminar-se, uma vez que é investigado pelo MPF sobre a tragédia das mortes em Manaus, durante a segunda onda da pandemia.
Se a decisão de Lewandowski é correta nesse sentido, de outra forma é preciso considerar o seguinte: a forte subjetividade na aferição de um juízo sobre o que pode ou não incriminar Pazuello deve ser um combustível para ocorrências altamente turbulentas na sessão da próxima quarta-feira.
Todas as vezes em que o general, diante de uma inquirição, retorquir que não poderá respondê-la porque poderia incriminar-se, veremos ânimos exaltados, tanto por parte de governistas quanto dos opositores que integram a CPI.
Prevendo isso, o relator, senador Renan Calheiros, já está dizendo que, pelo menos de sua parte, deverá questionar o ex-ministro não propriamente sobre o que ele fez ou deixou de fazer, mas sobre o que outros fizeram ou deixaram de fazer, ou seja, sobre ações e omissões de outros personagens que atuaram durante essa gestão desastrosa do governo federal na pandemia.
Confiramos se essa estratégia dará certo.
sexta-feira, 14 de maio de 2021
Subprocuradora não precisará de autorização de ninguém para denunciar - ou não - o governador do Pará
Duas ou três fontes entram em contato com o Espaço Aberto para dizer que a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, teria pedido autorização ao Superior Tribunal de Justiça para indiciar o governador Helder Barbalho e outras pessoas envolvidas em supostas irregularidades na compra de equipamentos e insumos para o combate à pandemia, no ano passado.
Parece estar havendo alguma confusão aí.
Nem promotor, nem procurador da República, enfim, nenhum membro do Ministério Público precisa de autorização prévia de juiz ou Tribunal, em qualquer instância, para indiciar quem quer que seja.
Primeiro, porque os membros do Ministério Público, atuem eles na primeira instância, na segunda instância, nos tribunais superiores ou no Supremo, dispõem de autonomia e independência para o exercício de suas atribuições.
Segundo, porque, no caso específico as investigações envolvendo Helder Barbalho, a subprocuradora não vai indiciar ninguém. Ele pode - ou não - denunciar o governador, ou seja, pode ajuizar uma ação penal ou mesmo uma ação de improbidade contra ele. Tem mais: Lindôra é a subprocuradora que atua justamente no STJ, foro privilegiado para o processamento de governadores.
E por que a subprocuradora não vai indiciar o governador? Porque a Polícia Federal já pediu autorização para indiciá-lo, fato que ocorreu em fevereiro passado, conforme informação difundida amplamente em trocentos sites em todo o País.
O roteiro no caso de Helder é o mesmíssimo do observado no caso do governador Wilson Lima, de do Amazonas.
Ele foi, primeiro, investigado pela Polícia Federal. No curso das investigações, houve operações no Amazonas, estas sim, autorizadas pelo STJ. Em seguida, a PF indiciou o governador. E, finalmente, a subprocuradora Lindôra Araújo o denunciou, juntamente com outras 17 pessoas, pelos crimes de lavagem de peculato e organização criminosa.
Então, o resumo de toda essa ópera é o seguinte: no momento, Lindôra debruça-se sobre os elementos colhidos pela PF sobre as suspeitas de irregularidades no Pará. E aí temos que esperar o próximo ato: se ela denunciará (e não indiciará) o governador e outras pessoas.
Se denunciar, não precisará de autorização de ninguém para fazê-lo.
quinta-feira, 13 de maio de 2021
Reação contundente de Aras é obstáculo para convite de CPI a membros do MP. Inclusive Gilberto Martins.
Eu tenho lado: estou a favor da briga!
Se CPI quiser, já pode encerrar seus trabalhos agora. E indiciar Bolsonaro.
quarta-feira, 12 de maio de 2021
Áudio comprova mentira relatada na CPI pelo ex-chefe da Comunicação de Bolsonaro
Ainda está longe de terminar o catastrófico depoimento do ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten à CPI da Pandemia.
Wajngarten não diz coisa com coisa. Seu depoimento está sendo um desastre!
O depoimento do ex-secretário de Comunicação do Planalto Fábio Wajngarten à CPI da Pandemia ainda não tem nem duas horas, mas já pode ser considerado uma tragédia, um desastre, uma catástrofe.
Descontrolado, Bolsonaro xinga jornalistas. E Abraji repudia!
Na manhã desta terça-feira (11.mai.2021), o presidente Jair Bolsonaro atacou novamente a imprensa. Diante de apoiadores no Palácio da Alvorada, chamou os jornalistas de O Estado de S.Paulo de “canalhas”.
No dia 8.mai.2021, o repórter Breno Pires revelou um suposto esquema montado pelo presidente no fim de 2020 para aumentar sua base de apoio no Congresso. Segundo a reportagem, Bolsonaro criou um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. A maior parte foi destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo.
Após as denúncias, o Ministério Público pediu que o Tribunal de Contas da União apure a liberação de verbas a senadores e deputados. Há também uma mobilização de parlamentares para criar a “CPI do Tratoraço”.
A Abraji repudia mais esse ataque à imprensa por parte da maior autoridade da República. Todo gestor público é objeto de escrutínio da sociedade e deve prestar contas de suas atividades à sociedade. Em nome do interesse público, a imprensa assume o papel de fiscalizar a gestão do Estado.
Atacar o mensageiro tem sido uma manobra recorrente do governo Bolsonaro. A imprensa tem o dever de cobrar o manejo do dinheiro público - sobretudo durante a maior pandemia da história recente. Dever esse que é resguardado pela Constituição por meio de seu art 5º, inciso IX, que garante a livre expressão da atividade de comunicação, e por meio do inciso XIV, que garante o acesso à informação.
Diretoria da Abraji, 11 de maio de 2022.
terça-feira, 11 de maio de 2021
Uma vida se foi aos 57 anos. Mas sua luz continuará a iluminar nossos caminhos!
Estou há cerca de 24 horas meio, como diríamos, nocauteado por um evento desalentador, fatídico, doloroso, tenebroso. E trágico.
Porque a vida, quando é tragada de forma imprevista, inesperada, imprevisível e, de certa forma, precoce, então isso representa, sim, o desalento, o fatídico, o tenebroso, a dor. E o trágico.
Estou, aliás, estamos muitos de nós - seus familiares, colegas e amigos - dominados por aquela reação comum à que temos diante de partidas inesperadas: não consigo acreditar!
Ainda não consigo - não conseguimos - acreditar que uma amiga como ela se foi.
Tinha apenas 57 anos.
Não cito seu nome em homenagem à discrição que sempre cultivou.
Foi uma servidora pública federal exemplar.
De uma integridade ética irretocável.
Dedicada, em nível de excelência incontestável, às atribuições que lhe eram confiadas, daí porque enalteceu a credibilidade do órgão em que ingressou, por concurso público, em 1992, e onde exerceu várias atribuições de chefia.
Tinha um enorme coração.
Um coração que, mesmo enorme, não dava lugar a algo bem maior do que ele: a solidariedade para com todos.
Sua generosidade e o respeito à diversidade a levavam a trabalhar com afinco na organização de atividades que em nada tinham a ver com a fé que professava. E o fazia menos por deveres funcionais, e mais pela vontade de compartilhar, de servir e de fazer os outros se sentirem bem.
Manifestações de colegas nos grupos de zap atestam todas essas qualidades dessa alma luminosa. Porque também foram, em algum momento, destinatários de demonstrações de carinho, afeição, amizade e solidariedade.
Minha amiga contraiu Covid há cerca de três semanas e logo depois precisou ser intubada numa UTI.
No final de semana, ainda chegou a apresentar boa melhora, animando-nos a todos. Nesta segunda-feira (10), porém, não resistiu a um AVC decorrente das complicações da doença e sem ter desfrutado da ventura de ser vacinada nem mesmo com a primeira dose.
E fez-se esse vazio imenso.
Fez-se essa saudade que tem pouco mais de 24 horas, mas já é eterna.
Fez-se esse misto de dor, pela perda, e ao mesmo tempo de revolta, por termos mais de 420 mil vidas ceifadas, em meio a circunstâncias que dão lugar, não raro, ao deboche, ao desprezo e ao menosprezo à letalidade que essa doença atroz representa para todo mundo.
Fez-se essa sensação de que estamos à deriva em meio a procelas que, se não poderiam ser evitadas, poderiam pelo menos ser enfrentadas com mais segurança, mais senso de humanidade e de espírito público por parte de governantes.
Fez-se a sensação, porém, de que a luz de vida, representada por essa amiga do coração, jamais se apagará de nossa vidas.
Ao contrário, será um farol a iluminar nossos caminhos para fazermos o bem e vivermos bem.
Como ela fez e viveu.
Ela será sempre como aquele clarão imenso, que ainda reverbera mesmo quando o Sol vai se pondo.
Requiescat in pace!
Estrebucho de Bolsonaro mostra que, até agora, Barra Torres foi o melhor na CPI
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Barra Torres na CPI: estrebucho de Bolsonaro é o melhor termômetro para medir o grau de comprometimento, para o governo, representado pelas afirmações do presidente da Anvisa |
O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, acaba de depor na CPI da Pandemia.
Foi o melhor dos depoentes até aqui.
Técnico (mas ao mesmo tempo didático), assertivo, objetivo, exaustivo e transparente em todas as respostas - todas, sem qualquer exceção.
Barra Torres confirmou que o governo ensaiou incluir na bula da hidroxicloroquina a menção de que seria eficaz no tratamento da Covid-19, mesmo contra todas as reiteradas evidências científicas.
Citou nominalmente a médica paulista Nise Yamaguchi como tendo defendido a alteração da bula.
Mostrou-se absolutamente contrário ao uso de medicamentos e tratamentos que não os reconhecidos e prescritos pela ciência para o tratamento da doença.
Disse que é absolutamente a favor do uso de máscaras e das demais cautelas indicadas como preventivas à doença.
Considerou um erro seu ter comparecido no ano passado (quando a pandemia estava no início), sem máscara, a uma manifestação de bolsonaristas na Praça dos Três Poderes, presente o próprio Bolsonaro.
Deixou claro que todos os procedimentos da Anvisa para aprovar - ou não - o uso emergencial de vacinas têm sido absolutamente técnicos.
Esse foi Barra Torres na CPI.
A correção e o impacto dos posicionamentos externados estão na reação de Bolsonaro, que, segundo o site O Antagonista, bufou de raiva.
Quando Luiz Henrique Mandetta foi à CPI, Carluxo defendeu que o ex-ministro da Saúde deveria ter saído de lá preso. Essa foi a evidência de que, como Barra Torres, o depoimento comprometeu seriamente o governo Bolsonaro.
Daquela vez, foi o filho; agora, é o pai quem estrebucha.
Nesta quarta-feira (12), teremos Fábio Wajngarten, aquele que, vocês sabem, acusou o Ministério da Saúde de ter atrasado a compra de vacinas da Pfizer em agosto do ano passado.
Segurem-se, fanáticos!
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Liminar suspende contratos firmados entre escritório de advocacia do presidente do Igeprev, o município de São Miguel do Guamá e a Câmara Municipal
O juiz Sávio José Santos, da Comarca de São Miguel do Guamá, determinou liminarmente a imediata suspensão de contratos administrativos firmados entre um escritório de advocacia, o Município e a Câmara Municipal. Ordenou ainda a sustação das ordens de pagamento relativas ao respectivos contratos. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (6). O processo foi autuado sob o número 0800541-33.2021.8.14.0055.
O escritório é o Mendes e Mendes Advocacia, que tem entre seus sócios e administradores Diorgeo Diovanny Stival Mendes da Rocha Lopes da Silva e o atual presidente do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Pará (Igeprev), Ilton Giussepp Stival Mendes da Rocha Lopes da Silva.
O magistrado expediu a liminar ao apreciar ação ajuizada em abril do ano passado, em que o Ministério Público aponta ilegalidades no fato de o escritório ter sido contratado sem licitação, sob a justificativa de que prestaria serviço de natureza singular e possuiria capacidade técnica para tanto.
Para Sávio Santos, há indícios suficientes "para suscitar dúvidas fundadas neste juízo quanto à regularidade da contratação do requerido 'Mendes e Mendes Advocacia', realizado com inexigibilidade de licitação, pelos entes/órgãos públicos requeridos".
"Tráfico de influência" - A decisão reforça ainda que não se pode descartar, mesmo nesta fase em que se encontra o processo, "a real possibilidade da existência do tráfico de influências na celebração dos contratos ora questionados, mormente quando se verifica que o escritório de advocacia requerido foi contratado tanto pelo Município quanto pela Casa Legislativa Municipal, prestando serviços jurídicos a ambos em aparente incongruência técnica aos interesses institucionais postos, se considerarmos que o Poder Legislativo Municipal fiscaliza o Poder Executivo, na forma da lei, mediante seu dever funcional de controle externo".
Na ação, o MP sustenta que o escritório não detém capacidade técnica para prestar serviços especializados para os quais a prefeitura e Câmara o contrataram. "Inclusive, os únicos documentos acostados aos autos são do sócio que está impedido de exercer suas atividades desde o ano de 2019. Além disso, o objeto dos contratos são todos vagos, ou seja, não conseguimos verificar a natureza singular dos serviços que autorizem a contratação sem licitação", diz a Promotoria de São Miguel.
"Todos os documentos juntados em anexo demonstram até uma inexperiência na área pública, pois, se analisados minuciosamente, pode-se verificar que nos certificados apresentados não fica demonstrada a notória especialização destacada nas justificativas dos contratos", fundamenta o MP.
Certificados juntados aos autos demonstram que os certificados estão apenas em nome de Giussepp Mendes, que junho do ano passado está impedido de exercer a advocacia por ter sido designado pelo governo do estado para responder pela presidência do Igeprev.
Jader engrossa a fila do beija-mão do ex-presidente José Sarney, em Brasília
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Lula e Sarney: o petista puxou a fila dos que foram beijar a mão do ex-presidente. Uma fila que teve, entre outros, o senador Jader Barbalho, de olho nas eleições de 2022. (foto de Ricardo Stuckert) |
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Vice acusa o governador do Amazonas da prática de um crime dos mais graves e letais. O que fará a CPI?
"Assessoramento paralelo" de Bolsonaro na pandemia faz viralizar vídeo em que Osmar Terra faz previsões que caíram por terra
terça-feira, 4 de maio de 2021
Carta comprova que Bolsonaro ignorou alerta de Mandetta sobre os riscos da pandemia
Eis uma carta histórica e comprobatória de que não foi por falta de aviso, recomendação e alerta que Bolsonaro minimizou - para não dizer desprezou - os gravíssimos riscos da pandemia.
Já em 28 de março do ano passado, bem no início da crise sanitária de dimensões mundiais, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, escreveu uma carta para o presidente, alertando sobre os riscos da pandemia.
No texto, o ministro recomenda que o Executivo “reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”.
E o que fez Bolsonaro, a partir de então?
Nada.
Ou melhor, fez tudo.
Tudo para agravar a tragédia epidemiológica que àquela altura já se esboçava.
A carta foi revelada há pouco, na CPI da Pandemia (confira, no vídeo, o momento em que Mandetta fala sobre o assunto).
A íntegra do texto é o seguinte:
------------------------------------------------------------------
No dia 03 de janeiro de 2020, este Ministério, por
intermédio de sua Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS), detectou rumores
a respeito de casos de “pneumonia atípica”, oriunda da China, que estaria
infectando diversas pessoas e produzindo significativo número de óbitos. Assim,
com base no Regulamento Sanitário Internacional (RSI), antecipou-se a revisão
de protocolos relativos ao Preparo, Vigilância e Resposta à Influenza no
Brasil.
No dia 22 de janeiro de 2020, em observância a sua missão
institucional de implementar medidas de saúde pública para a proteção da saúde
da população, para a prevenção e controle de riscos, agravos e doenças, o
Ministério da Saúde ativou o Centro de Operações de Emergências em Saúde
Pública para o novo Coronavírus (COE-nCoV). Destacando-se que entre os dias
03 a 27 de janeiro, o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em
Saúde (CIEVS) Nacional já havia analisado 7.063 rumores, sendo que 127 desses
rumores exigiram a verificação de veracidade junto ao Ponto de Contato
Regional da OMS para o RSI.
Ressalte-se ainda que, entre os dias 18 e 27 de janeiro de
2020, a SVS/MS recebeu a notificação de 10 casos para investigação de
possível relação com a Infecção Humana pelo novo Coronavírus – Covid-19.
Todas as notificações foram recebidas, avaliadas e discutidas, caso a caso,
com as autoridades de saúde dos estados e municípios. De 10 casos, somente um
(1) caso notificado em 27/01 se enquadrava na definição de caso suspeito. Os
demais não cumpriram a definição de caso, foram excluídos e apresentaram
resultado laboratorial para outros vírus respiratórios.
Neste mesmo ínterim, até o dia 27 de janeiro de 2020,
segundo a OMS, já estavam confirmados 2.798 casos de Covid-19 no mundo. Destes,
2.761 (98,7%) foram notificados pela China, incluindo as regiões
administrativas especiais de Hong Kong (8 casos confirmados), Macau (5 casos
confirmados) e Taipei (4 casos confirmados).
Em 30 de janeiro de 2020, após reunião com
especialistas, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância
Internacional (ESPII) em razão da disseminação do Covid-19. Naquele momento,
havia 7,7 mil casos confirmados e 170 óbitos na China, principal local de
disseminação do vírus, e 98 casos em outros 18 países. No Brasil, nove
casos estavam sendo investigados.
Em 3 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde
declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em
decorrência da infecção humana pelo Covid-19, por meio da Portaria MS n°
188, e conforme Decreto n° 7.616, de 17 de novembro de 2011.
Em 06 de fevereiro foi aprovada a Lei n° 13.979, de 2020,
que dispõe sobre as medidas de emergência de saúde pública de importância
internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019. Todas
as normas foram editadas antecipadamente ao primeiro caso confirmado do
Covid-19 no Brasil (26/02/2020) e em consonância com o disposto sobre preparo
para emergências no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional.
Para garantir a transparência na comunicação sobre as
ações de vigilância e controle do Covid-19 e no sentido de esclarecer à
população sob medidas de orientação e prevenção, o Ministério da Saúde realizou
um total de 49 coletivas de imprensa nos últimos 65 dias (a primeira em 23 de
janeiro), 109 releases, 1.550 atendimentos a demandas de imprensa, 50 vídeos
produzidos e publicados pela TV Saúde, 8 vídeos-cartões para uso nas redes
sociais, 21 matérias de rádio produzidas pela Web Rádio Saúde, dentre outros, o
que fortaleceu a confiança da população brasileira nas medidas que vem sendo
tomadas pelo Ministério da Saúde, além dos dados e projeções epidemiológicas
realizadas por especialistas, bem como do estudo diário sobre a resposta de
outros países à pandemia.
Em 25 de março, a OMS confirmou um total de 413.467 casos
de Covid-19 e 18.433 óbitos no mundo. Destes, a Região das Américas conta com
60.834 casos confirmados e 813 óbitos. Sendo mantidas pela OMS as recomendações
de medidas de mitigação para estados de Pandemia global. No Brasil, em 26 de
março o total de casos confirmados no Brasil era de 3.498. Cuja distribuição
era de 4,3% na Região Norte, 15,7% na Região Nordeste, 57,1% na Região Sudeste,
9,4% na Região Centro-Oeste e 13,5% na Região Sul.
Cabe dizer ainda que o Ministério da Saúde participou de
sessões informativas da OMS, de reuniões virtuais coordenadas pela Organização
Panamericana da Saúde (OPAS), além de encontros virtuais com representantes de
saúde do MERCOSUL, PROSUL e G20, onde pôde verificar o prognóstico do colapso
dos sistemas de saúde nos próximos meses. O que denota a necessidade de que o
Brasil tome medidas que evitem o aumento exacerbado do número de casos com
necessidades de atenção e cuidado de média e alta complexidade nas redes de
serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Situação já observada nos sistemas de
países como Itália, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, dentre outros, apesar
das diferenças dos respectivos setores de saúde.
Diante desse cenário, eu, como Ministro da Saúde e na
minha missão como gestor do Sistema Único de Saúde busquei promover a
integração entre os Poderes da República para o fortalecimento da resposta à
epidemia nacional. No dia 16 de março, em reunião com com os membros do
Tribunal de Contas da União apresentei a todos os Ministros da Corte de Contas
e ao Ministro da Controladoria Geral da União o cenário nacional da emergência
em saúde, ressaltando a necessidade do estabelecimento de novos paradigmas para
funcionamento da Administração Pública.
Ato contínuo, naquele mesmo dia, em reunião no Supremo
Tribunal Federal, com a presença dos membros da Suprema Corte, dos Presidentes
dos Tribunais Superiores, do Presidente da Câmara dos Deputados, do Presidente
do Senado Federal, do Presidente do Tribunal de Contas da União, do
Procurador-Geral da República, do Ministro da Advocacia-Geral da União,
apresentei o cenário técnico do setor saúde (riscos e agravos sobre a infecção
pelo Covid-19), além de medidas de saúde pública necessárias à prevenção e
controle da resposta à epidemia, para as quais se faz premente o esforço
conjunto dos órgãos superiores da República.
Cabe ressaltar que no mesmo dia 16 de março, sem a
participação desta Pasta, foi editado o Decreto n. 10.277, de 2020, que
instituiu o Comitê de Crise para supervisão e monitoramento dos impactos da
Covid-19, e mais ações de outros setores foram integradas às medidas sanitárias
que vinham sendo tomadas pelo Ministério da Saúde desde fevereiro.
Assim, em que pese todo esforço empreendido por esta Pasta
para proteção da saúde da população e, via de consequência, preservação de
vidas no contexto da resposta à epidemia da Covid-19, as orientações e
recomendações não receberam apoio deste Governo Federal, embora tenham sido
embasadas por especialistas e autoridades em saúde, nacionais e internacionais,
quais sejam, o isolamento social e a necessidade de reconhecimento da
transmissão comunitária.
Acrescente-se ainda o alerta já feito por esta Pasta a
respeito de outras viroses que terão seu ciclo epidêmico agravado em
concomitância coma epidemias do Covid-19. Além do aumento da mortalidade por
doenças diversas, como vem ocorrendo em outros países, devido à sobrecarga dos
sistemas de saúde.
Imperioso, sobretudo, zelar pelos médicos, enfermeiros e
todos os profissionais de saúde, por serem a principal linha de frente do
trabalho em saúde no país, constituindo o grupo de maior risco, uma vez que são
os mais expostos.
Nesse sentido, tendo em conta que a atuação do Ministério
da Saúde no preparo, vigilância e resposta a pandemia pelo Covid-19, em
consonância com o Regulamento Sanitário Internacional (Decreto n. 10.212, de 30
de janeiro de 2020), fundamenta-se nos fatos apurados, nas evidências
científicas e na observância dos princípios e regras que alicerçam os direitos
e garantias fundamentais de todo cidadão brasileiro, recomendamos,
expressamente, que a Presidência da República reveja o posicionamento adotado,
acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de
medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e
gravíssimas consequências à saúde da população.
LUIZ HENRIQUE MANDETTA
Ministro de Estado da Saúde.”
Um raro momento de lucidez de Carlos Bolsonaro
Carluxo tem razão.
— Espaço Aberto (@EspacoAberto) May 4, 2021
O Brasil não é mesmo um País sério.
Se o Brasil fosse mesmo um País sério, a família Bolsonaro - todinha - já estaria presa. https://t.co/M2ADUX8fUG
Pazuello foge de depoimento. E ainda debocha da CPI da Pandemia.
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Pazuello sem máscara num shopping em Manaus. Agora, foge da CPI, alegando que precisa ficar de quarentena porque teve contato com um infectado de Covid. |