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sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Corinthians? Mas que Corinthians?"

Sabem aquele cara que não sabe nada de futebol?
Sabem aquele cara que se inclui entre os torcedores que dão um espetéculo diverdíssimo?
Aquele cara que chama o Botafogo do Rio de "Botafogo normal"?
Que se refere ao XV de Novembro de Piracicaba como Décimo-Quinto de Novembro?
Pois é.
O cara, esse mesmo, protagonizou espetáculo divertíssimo na última quarta-feira.
E quem contou ao poster foi ele próprio.
Aquele dia era dia de decisão. Corinthians x Boca.
Todas as mídias vinham repetindo isso à exaustão, sette vezes, ou melhor, sete vezes cem, todos os dias.
Havia semanas que todas repetiam.
Pois naquela quarta-feira, pela manhã, o cara foi deixar a mulher no trabalho.
Ela, como vocês sabem, é ligadíssima em futebol.
- É. Hoje é dia do jogo do Corinthians... - a madame sussurrou a certa altura do trajeto, ainda no carro.
- Sinceramente, eu não sei nem o que é isso - o cara respondeu, transparência rebrilhando à flor da pele.
- Mas é a final da Libertadores.
- Tu tens certeza que é a Libertadores? - o cara ousou perguntar, meio assim que apenas para não deixar a conversa morrer.
- Mas é claro que eu tenho. É a final da Libertadores. E o Corinthians vai ganhar - respondeu, quase aos berros, a apaixonada-torcedora-mulher-do-cara-que-chama-o-Botafogo-do-Rio-de-Botafogo-normal.
- Vai ganhar...? Mas de quem? - ele voltou.
Aquilo foi o fim do papo.
Até porque o carro, felizmente, chegou a seu destino.

"Chora Boca, chora Boca, chora Boca"

Fora de brincadeira, mas o rádio ainda emociona.
Um gol, ouvido pelo rádio, tem um sabor especial.
Para quem, como o pessoal aqui da redação, teve no rádio praticamente o único  veículo de comunicação, como ocorria em Santarém, na região oeste do Pará, até o final dos anos 70, ouvir a narração, pelo rádio, de uma partida como a decisão em que o Corinthians se sagrou Campeão Invicto da América é uma experiência única.
Se levar os radinhos de pilha para um estádio não é coisa mais tão comum, como antigamente, a internet está aí, para nos transportar de volta no tempo, revivendo muitas emoções de décadas atrás.
Aí embaixo estão dois áudios.
Foram capturados no site da Rádio Jovem Pan, de São Paulo.
O narrador, Nilson César, conta a história - como dizem ainda hoje muitos coleguinhas - dos dois gols do Timão, ambos de Emerson Sheik.
É de arrepiar.
Realmente, de arrepiar.
Escutem só.

O primeiro gol


O segundo gol


Cliquem aqui para ouvir a narração igualmente emocionante pela CBN, que infelizmente não permite ter acesso ao código embed de seus áudios.

Organizado, Corinthians pode ganhar qualquer competição

Por TOSTÃO, na Folha Online

O Corinthians, merecidamente, é campeão invicto da Taça Libertadores. Não sabia que em Belo Horizonte havia tantos corintianos. Os foguetes não paravam de estourar ao fim do confronto.
A partida, no primeiro tempo, foi um retrato da pouca qualidade técnica dos dois melhores times sul-americanos. As duas equipes não criaram uma única jogada ofensiva. No segundo tempo, o Corinthians fez um gol após uma bola que sobrou de uma jogada aérea e outro em um presente do zagueiro Schiavi. Aí, o Boca foi para a frente, o Corinthians passou a trocar passes e quase fez outro.
Escutei 1 milhão de vezes que o Corinthians é um time de operários, sem craques. O único craque no futebol brasileiro é Neymar. Porém o conjunto do Santos é muito inferior ao apresentado pelo Corinthians.
Time de operários só se for em relação a um Real Madrid ou a um Barcelona. Comparado com as melhores equipes brasileiras, o Corinthians está, no mínimo, individualmente, no mesmo nível.
O time tem a melhor dupla de volantes e a melhor dupla de zagueiros do futebol brasileiro, além de Cássio, que pinta como um goleiro para a seleção brasileira. Emerson foi decisivo em vários jogos e é muito melhor do que parece. Nas outras posições, não há nenhum jogador fraco.
O Corinthians não tem só cara de Libertadores, como dizem. Tem cara de time organizado, para ganhar qualquer competição. É a equipe mais disciplinada e compacta e a que melhor marca no Brasil. Méritos para Tite, que já merecia, há muito tempo, estar entre os melhores treinadores brasileiros.
Parabéns, Corinthians!

O que ele disse

“O Corinthians é campeão da Libertadores e o Brasil é vice”
De um ouvinte da Rádio Bandeirantes, de São Paulo, traduzindo à perfeição o que Tite já dissera antes do jogo: que o Corinthians não era o Brasil na Libertadores.
Era o Corinthians.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Loucos por ti, Corinthians



Olhem esse bando de loucos.

Aqui tem um bando de louco
Louco por ti Corinthians
Aqueles que acham que é pouco
Eu vivo por ti Corinthians
Eu canto até ficar rouco
Eu canto para te empurrar
Vamo, vamo, meu timão
O vamo meu timão
Não para de lutar



O vídeo acima e fotos abaixo são exclusivíssimos aqui para o Espaço Aberto.
São de um louco.
O louco Ruy Lessa.
Ele é louco não pelo Corinthians, mas pelo Atlético Goianiense.
Mesmo assim, Ruy foi dominado pela loucura dos corintianos e foi pra rua.
Na avenida Paulista, logo após o Timão ter conquistado a América, fez as imagens que vocês veem aqui.
Conheçam esse cara clicando aqui.
Grande Ruy, obrigado.



Os dois gols. Uma pintura.



Olhem os dois gols do Timão, ontem.
Fora de brincadeira, mas esse passe do Danilo foi alguma coisa.
Alguma coisa de genial.
O cara estava de costas para o Emerson.
De costas.
Mas se percebe que ele dá uma olhadinha pra trás.
Olha meio por baixo, como se diz.
Num átimo de segundo, deve ter percebido alguém de branco.
Era o Sheik.
E deu rede. O primeiro gol.
E o segundo?
A arrancada de Emerson foi impressionante.
A Globo mediu a velocidade que ele desenvolveu, desde que pegou na bola, ao recebê-la de um passe erra de Schiavi: 33 segundos por hora.
Apenas 33 segundos para vencer metade do campo - e com a bola nos pés.
Deixou pra trás o marcador, que correu 28 segundos por hora, e pôs a bola no cantinho.
Grande Danilo.
Grande Sheik.

Emerson, o cara. O herói da America.



Vejam só esse vídeo.
É Emerson, o Sheik, aquele que deu um Sheik-mate no Boca.
Olhem só: Emerson é o cara.
Para o pessoal aqui da redação, com o coração dividido entre São Francisco, o Leão do oeste do Pará; o Remo, o Leão do Pará; o Fluminense, e o Corintians, Emerson desperta boas, ótimas, indeléveis lembranças.
O poster estava no Engenhão, em dezembro de 2010, quando o Flu conquistou o tricampeonato brasileiro.
Gol de quem?
De Emerson.
Ontem, todos viram, Emerson fez dois.
Aliás, fez os dois do Timão.
Os dois decisivos.
Os dois que deram ao Timão o título de Campeão da América.
Pois é.
Emerson é o cara.
Ele não apenas meteu a boca no Boca - literalmente.
O Sheik fez troça dos argentinos, especialistas em irritar adversários.
O Sheik, intrépido, fez do ódio que os argentinos passaram a nutir por ele a motivação para ser o guerreiro dos guerreiros, no jogo de ontem.
Argentinos, apenas os do Boca, é claro, ficaram furiosos com Emerson porque ele, depois do jogo da semana passada, em Buenos Aires, disse que Riquelme falava demais.
Disse que Riquelme queria ganhar no grito.
Queria influenciar o árbitro.
Pronto. Foi o que bastou.
Sites argentinos foram escarafunchar a vida do Sheik.
Deram como novos fatos velhos.
Velhíssimos.
Transformaram-no no herói a ser vencido, humilhado, destratado, cuspido e mordido.
Era a vitamina que Emerson esperava.
O cara, ontem, estava possuído.
Possuído pela garra corintiana.
Possuído pela vontade de vencer.
Possuído pelo dever - moral, inclusive - de ser o campeão da América.
Possuído da missão de passar do vilão em que os argetinos tentaram transformá-lo no herói de metade do Brasil.
E foi o que deu.
Emerson, o cara.
Emerson, o herói.
O herói da América.
O herói do Corinthians, o maior time da América.

Um Timão com faca nos dentes e o coração nas chuteiras



Imagens históricas.
Imagens do conquistador da América.
Olhem só.
É o seguinte: o pessoal aqui da redação, unanimemente corintiano, chegou a temer pela sorte do Corinthians.
É que torcedores têm místicas, não é?
Pois o pessoal aqui da redação não suporta climas de já ganhou.
E era evidente o clima de já ganhou da nação corintiana, ontem, o dia inteiro, antes do jogo.
O poster ainda chegou a dizer para um dos correspondentes, digamos assim, do Espaço Aberto em Santarém.
Disse assim, por volta das 20h, por telefone.
- Esse clima de já ganhou é péssimo. Tomara que não contamine os jogadores. Porque, se não contaminar, o time vai entrar com a faca nos dentes.
Foi o que deu.
O repórter aqui acompanha futebol há 52 anos.
Aliás, talvez acompanhe futebol antes mesmo de ter nascido.
Sinceramente, nunca vi um time entrar tão determinado, tão decidido, com tanta alma e coração em busca de um título.
Aqueles 90 minutos foram uma eternidade.
Aqueles 90 minutos foram os 102 anos do Corinthians.
O Corinthians, sem abrir mão de suas cautelas defensivas, pisou no gramado do Pacaembu como se precisasse ganhar de 10 a zero.
Foi isso que o levou a ganhar de 2 a 0 de um dos maiores times do continente.
Quando Emerson fez o primeiro gol, o pessoal aqui da redação, depois de berrar no ouvido de secadores - alguns com cabeções, outros não, hehehe - também bradou, ou suplicou, se quiserem.
- O Corinthians tem que partir pra cima e fazer o segundo.
Pois o Corinthians partiu pra cima e fez o segundo.
Céus!
Mas que maravilha!

A ex, o idiota e um campeão da América

Inacreditável Futebol Clube.
- A minha ex me trocou por um idiota. Mas eu estou feliz, porque sou campeão. Corinthiannnnnssssss!
É um corintiano, em depoimento há pouco, mostrado ao vivo e em cores, para todo o Brasil, pelo Globo Esporte.
Êta, Timão.

Aqui tem um bando de louco
Louco por ti Corinthians
Aqueles que acham que é pouco
Eu vivo por ti Corinthians
Eu canto até ficar rouco
Eu canto para te empurrar
Vamo, vamo, meu timão
O vamo meu timão
Não para de lutar

Inacreditável.
Agradavelmente inacreditável.

Charge - Fausto

Corinthians campeão. Uma nação campeã.





Senhoras.
Senhores.
Licença aí.
A redação, unanime e passionalmente corintiana, exigiu.
Exigiu que se registre: o Corinthians é campeão da Libertadores.
É campeão da América.
É campeão do Continente.
É campeão invicto.
Com todos os méritos.
Com méritos além dos méritos.
O Timão jogou exatamente como deveria jogar: com a faca nos dentes.
Viram aquela imagem do Emerson, mordendo - literalmente - um argentino?
Pois é.
Aquilo é o espírito corintiano.
A mordida não é violência - desculpem aí, mas não é.
Naquelas circunstâncias, a mordida foi a expressão da vontade de vencer.
Foi a tradução do amor pelo Corinthians.
Um amor, sinceramente, que desperta paixões e ódios.
Paixão dos corintianos pelo Corinthians.
Ódio dos outros que não são corintianos.
Mas faz parte do jogo.
A conquista do Timão confirma uma coisa, porém: digam o que disserem, o Corinthians não é um time.
É uma Nação.
Tite - este comandante predestinado - disse muito bem ontem, antes mesmo do jogo.
O Corinthians, segundo ele, não era e nunca foi o Brasil na Libertadores.
O Corinthians era o Corinthians.
E pronto.
E ponto.
Por isso, logo depois do primeiro gol, uma correspondente, digamos assim, do Espaço Aberto em São Paulo, residente a poucas quadras do estádio do Pacembu, mandou uma mensagem aqui para o poster:

Juro, acho que em toda minha nunca ouvi uma comemoração tão forte. Nem na Copa.

Nem na Copa.
Porque o Corinthians, desse bando de loucos, nos transporta à concretização dos nossos melhores sonhos.

Salve o Corinthians
De tradição e glórias mil.
Tu és orgulho
Dos desportistas do Brasil.

Alguém ainda duvida?