quarta-feira, 17 de maio de 2023

OAB-PA deve inscrever 14 candidatos à vaga de desembargador do TJPA. Cinco são mulheres.

Kelly com a advogada Bruna Araújo e o advogado Sávio Barreto, que vão apoiá-la
na disputa pela vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Pará

A lista sêxtupla da OAB-PA, que habilitará candidatos a ocupar uma vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Pará pelo quinto constitucional, deverá ser formada a partir da escolha de seis, dentre 14 inscritos. Até agora, 12 advogados já formalizaram suas inscrições. Mas a expectativa é de que até o final do prazo, que se encerra nesta quarta (17), mais dois candidatos ainda deverão se inscrever. Se o número de inscritos ficar em 12, haverá uma sabatina para escolher os seis da lista. Se forem mais de 12, haverá a sabatina e uma consulta à categoria, que se manifestará através do voto.
Dentre os habilitados até agora, cinco são mulheres:  Kelly Cristina Garcia Salgado Teixeira, Daniele Ribeiro de Carvalho Lima, Gisele de Souza Cruz da Costa, Kátia Tolentino Gusmão da Silva e Roberta Pires Ferreira Veiga.
Os demais inscritos são os advogados Alex Centeno, Cesar Ramos da Costa, Humberto Feio Bulhosa, João Batista Vieira dos Anjos, José Ronaldo Dias Campos, Odilon Vieira Neto e Marcus Valério Saavedra Guimarães de Souza.
Em abril do ano passado, Kelly Garcia foi a primeira advogada a protocolar requerimento pedindo que a OAB-PA adotasse o critério da paridade na lista sêxtupla a ser imediatamente aplicada à vaga aberta no TJPA pertencente ao quinto. Ela fundamentou, na ocasião, que a participação de três mulheres na lista era uma "maneira justa e democrática, para que o Judiciário de fato se torne um espaço mais plural e representativo".
Em março deste ano, a OAB-PA, seguindo o que já fazem algumas seccionais da Ordem em outros estados do País, anunciou que, já a partir da atual escolha, adotará o critério da paridade de gênero e de cotas na elaboração da lista sêxtupla dos advogados que disputam vagas de desembargador pelo quinto.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

O banditismo premiado do Telegram, um antro de bolsonaristas e outros fascistas

Não tenhamos quaisquer dúvidas: bandido bom é bandido esperto.

Que o diga o Telegram, autor de um explícito, inaceitável e imperdoável ato de banditismo.

Nesta terça (09), o Telegram, antro de bolsonaristas e outros fascistas de maior ou menor estirpe, disseminou massivamente, de forma mentirosa, criminosa e fraudulenta, uma mensagem dizendo, em resumo, que o PL das Fake News representa um ataque à democracia brasileira, eis que, outras coisas, estabelecerá a censura caso venha a ser aprovado pelo Congresso.

Cometido esse ato de banditismo explícito, o Telegram, rendendo-se a determinações do ministro do STF Alexandre de Moraes, publica nesta quarta (10) uma singela, comovente e sincera retratação, nos seguintes termos:

“Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a empresa Telegram comunica: A mensagem anterior do Telegram caracterizou FLAGRANTE e ILÍCITA DESINFORMAÇÃO atentatória ao Congresso Nacional, ao Poder Judiciário, ao Estado de Direito e à Democracia Brasileira, pois, fraudulentamente, distorceu a discussão e os debates sobre a regulação dos provedores de redes sociais e de serviços de mensageria privada (PL 2630), na tentativa de induzir e instigar os usuários a coagir os parlamentares”.

Pronto.

Neste contexto, uma retratação vale por si mesma para reparar o mau feito - ou o malfeito?

Não.

O Telegram agiu, neste caso, com a absoluta convicção de que a divulgação de uma mentira como a que divulgou teria consequências judiciais severas, entre elas a retratação.

E correu conscientemente o risco de mentir.

Correndo esse risco, agiu como aquele bandido que põe a boca no trombone e proclama para o mundo inteiro ouvir: Fulano é um ladrão.

Ao dizer isso, e sabendo que a imputação é absolutamente falsa, o bandido aguarda a decisão que o obriga a se retratar. E quando vem a ordem de retratação, ele diz apenas: Menti. O Fulano não é um ladrão.

Mas basta apenas essa retratação?

E os prejuízos que a pessoa falsamente caluniada vai sofrer?

Uma simples retratação é a punição mais adequada para esse tipo de mentira disseminada por um bandido?

Não acredito.

O Telegram, agindo como um bandido, deveria, além da retratação - que tem pouco efeito prático, convenhamos -, ser penalizado com multa proporcional ao alcance da mentira difundida.

Uma simples retratação, neste contexto específico, acabou se transformando na premiação de um ato de banditismo explícito e consciente do Telegram. 

terça-feira, 9 de maio de 2023

Tenente-coronel da PM apela de sentença que a condenou por disparar tiros de madrugada, no bairro de Nazaré


A tenente-coronel da Polícia Militar do Estado Simone Franceska Pinheiro das Chagas apelou, no último mês de março, de sentença que a condenou, em 26 de outubro de 2022, a dois anos de reclusão por ter disparado tiros, em abril de 2017, em direção a uma mangueira, em frente a um prédio situado na Avenida Nazaré, esquina com a Generalíssimo Deodoro. Próximo à mangueira, encontrava-se estacionado o carro do major PM Bruno Teixeira, com quem ela, à época, mantinha um relacionamento havia aproximadamente um ano, conforme consta dos autos do Processo nº 0002168-63.2018.8.14.0200.

Na sentença, a militar foi enquadrada no crime previsto no artigo 15 do Código Penal: disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime.

Como a pena não é superior a quatro anos, o crime não foi cometido com violência ou grave ameaça e as circunstâncias judiciais são favoráveis, a juíza Clarice Maria de Andrade Rocha converteu a pena em duas medidas restritivas de direitos.

Atualmente, Simone, que foi a primeira mulher a comandar o 14ª Batalhão da PM em Barcarena, é comandante do Batalhão Independente de Polícia Escolar. O major Teixeira, por sua vez, é subcomandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, sediado no município de Parauapebas.

De acordo com a sentença, na ocasião dos disparos, a esposa do major, Evanilda Lins Martins, ao verificar através de sistema de rastreamento do aparelho celular do marido que este estava no edifício, foi até o local e tentou abrir o carro do esposo para que o alarme disparasse, com o barulho do alarme, a acusada desceu e efetuou os disparos, segundo ela, em direção a uma árvore, para conter a mulher que estava forçando a porta do veículo estacionado.

"Provas contudentes" - A magistrada destaca que, ao longo da instrução processual, "foram colhidas provas contundentes e convergentes que dão suporte à condenação da ré" pela prática do crime pelo qual foi denunciada pelo Ministério Público.

"A materialidade delitiva está comprovada por meio do laudo pericial De acordo com o documento, foi feita perícia de comparação e constatação dos estojos de projétil encontrados na cena do crime com a arma de propriedade da acusada, tendo o resultado constatado que um dos estojos foi percutido pela arma da acusada. Já a autoria delitiva, que pesa sobre a denunciada, pode ser constatada nos depoimentos colhidos em juízo", afirma a magistrada.

A juíza não acolheu a tese da defesa da denunciada, de que ela teria agido em legítima defesa ou estrito cumprimento do dever legal. "Os relatos da Sra. Evanilda Lins e do Sr. Bruno Teixeira deixam claro que a acusada tinha ciência de quem era a mulher mexendo no carro que ela alegou ter defendido quando efetuou o disparo. A mera alegação da ré de que desconhecia tal pessoa e achou tratar-se de uma ladra tentando arrombar o carro é inverossímil, portanto, incapaz de comprovar a versão de que a ré agiu pautada em uma excludente de ilicitude", reforça a sentença.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

PGR canoniza Bolsonaro. Para que ele vire santo em vida, basta o aval do Vaticano.

Em meio a mais esse escândalo que põe Jair Bolsonaro sob a suspeita - fortíssima - de ter cometido atos de delinquência assustadores, consistentes em fraudar a inserção de dados no sistema do SUS para a obtenção de certificados de vacinação da Covid-19, temos uma certeza.
Apenas uma.
A certeza é a de que a Procuradoria Geral da República, na pessoa da digna, douta e excelentíssima vice-procuradoria-geral Lindôra Maria Araújo, já canonizou e entronizou no panteão dos mártires nacionais o também digno, excelentíssimo, puríssimo, honestíssimo e inteligentíssimo Jair Bolsonaro, esse exemplo de homem público, cidadão e patriota.
Para que Bolsonaro, exemplar único da espécie humana, vire mesmo um santo em vida, basta apenas a confirmação do Vaticano.
Vejam, abaixo, um trecho do douto parecer da douta vice-procuradora, ao manifestar-se contrariamente à busca e apreensão na residência de Bolsonaro, durante as diligências que a Polícia Federal, sob as ordens do ministro do STF Alexandre de Moraes, empreendeu nesta quarta-feira (03):


Agora, confira abaixo o juízo firmado por Moraes, acerca das doutas afirmações da doutora Lindôra:


Dizer, como disse a doutora Lindôra, em seu digno, fundamentado e antológico parecer, que o braço-direito dele, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, fez tudo o que fez à revelia do ex-presidente, é mais ou menos como dizer que, na hierarquia observada nas estruturas militares, não é o general que manda e os subordinados, sem tugir nem mugir, obedecem.
Significa mais ou menos dizer que, ao contrário, nos quartéis o soldado raso é quem dá as ordens e o general, sem tugir nem mugir, obedece.
Cid, ao que se sabe, não era e nunca foi propriamente um ajudante de ordens de Bolsonaro. Não era e nunca foi um servidor público escalado provisoriamente para o desempenho de um serviço - ou uma missão, como dizem os militares.
Era um devoto.
Cid, informa a GloboNews, chegou a ter um quarto no Palácio da Alvorada, onde dormiu muitas vezes e acordou batendo continência, quando Bolsonaro, insone durante a noite, queria companhia para trocar uma ideia (se é que o ex-presidente tem ou já teve alguma ideia na cabeça).
Bolsonaro, tanto como presidente como ex-presidente, era o superior de Cid, portanto, seu general.
Quem, em sã consciência, haverá de acreditar que num caso como o que se investiga, de fraudes graves e monstruosas, envolvendo até mesmo uma criança inocente de 12 anos, Mauro Cid seria capaz de agir à revelia de Bolsonaro?
Quem?
Ninguém, em sã consciência, seria capaz de acreditar numa coisa dessa.
Mas a doutora Lindôra acredita.
E, se acredita, talvez tenha dado um passo gigante para corroborar a tese, não explicitamente declarada, de que Bolsonaro deve virar um santo em vida.
Basta, repita-se, apenas que o Vaticano confirme.
A ver!

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Um mentiroso compulsivo vai à polícia. E mente compulsivamente.

Jair Bolsonaro: em quatro anos, 6.785 declarações falsas ou distorcidas. E crescendo!

Bolsonaro é um mentiroso compulsivo.
Quem o diz são os números.
Números levantados pelo Aos Fatos, um site de checagem de notícias, mostram que esse personagem expeliu 6.875 declarações falsas ou distorcidas, média de 4,6 por dia.
Mentiroso compulsivo, Bolsonaro foi passar um período sabático de ociosidade nos Estados Unidos.
Passou três meses por lá. Sem fazer nada.
Na volta, mostra-se o mesmo mentiroso compulsivo que sempre foi.
O sujeito foi nesta quarta-feira (26) à Polícia Federal, em Brasília, para prestar depoimento no inquérito que apura responsabilidades pelos atos golpistas de 8 de janeiro, planejado, financiado, apoiado e operado por fascistas bolsonaristas.
Durante o depoimento, que durou duas horas, o personagem admitiu que postou um vídeo com ataques ao sistema eleitoral brasileiro, apenas dois dias após os atos terroristas.
Mas disse que postou por engano.
Então, tá: se acreditarmos em Bolsonaro neste episódio específico, precisamos acreditar que ele proferiu, também por engano, 6.785 mentiras durante os quatro anos de seu desgoverno e continuou a proclamá-las, também por engano, depois que fugiu para os Estados Unidos.
Esse é o mito.
Esse é o cultor da verdadade.
Esse é o democrata.
Ele pensa que somos todos imbecis de acreditar em suas mentiras.
Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é Bolsonaro mentir apenas para alimentar sua compulsão.
Outra coisa é uma investigação policial para apurar suas mentiras.
A investigação terá consequências.
Bolsonaro, portanto, que arrume outras mentiras para se dizer inocente dos crimes de que é suspeito de ter cometido.

terça-feira, 25 de abril de 2023

A extrema direita está de luto. O custo é alto: R$ 4 bilhões.

Tucker Carlson: um ícone do jornalismo de direita está fora da Fox News. Tudo porque
o direitismo da Fox não abriu mão da mentira como a sua principa arma dita "jornalística".

A extrema direita está de luto.

Se você deslizar agora os dedos no seu celular e procurar as redes sociais, vai ver nichos - ou seriam covis? - de direitistas e fascistas de todos os naipes inundados de lágrimas.

Os prantos incontroláveis de fascistas fanáticos se disseminam após ser confirmada a informação de que a Fox News - uma espécie de Jovem Pan da direita americana - demitiu ninguém menos do que Tucker Carlson, o jornalista e âncora mais famoso da emissora e um dos mais radicais entre os jornalistas de direita da Imprensa americana.

Carlson, em seus programas, praticamente definia a agenda dos conservadores e, por extensão, do Partido Republicano. Na Fox, seu programa oferecia uma mistura de abordagens conservadoras populistas em questões como imigração, criminalidade, raça, gênero e sexualidade, com a chamada ideologia woke se tornando um alvo frequente dele.

Mas por que um jornalista direitista desse quilate é afastado da emissora mais direita dos EUA?

Não é por ideologia, vamos logo combinar.

Não é porque a Fox News estaria, digamos assim, revisando sua linha editorial.

Nada disso.

O que está por trás da saída de Tucker é dinheiro. É a punição pecuniária imposta pela Justiça à Fox News pela divulgação de mentiras, de fake news, de ficções conspiracionistas intoleráveis e perniciosas à democracia, mas proveitosas ao trumpismo, é claro.

É que a empresa canadense Dominion Voting Systems, que fabrica urnas eletrônicas, ingressou com um processo por difamação a TV Fox News, acusando-a, com abundância de provas, de prejudicar sua reputação ao espalhar a falsa notícia de que suas urnas haviam sido manipuladas para fraudar o resultado da eleição que Trump perdeu em 2020.

Na fase final do processo, quando os integrantes de um Grande Júri já estavam até escolhidos para apreciar o caso, as duas partes anunciaram um acordo na terça-feira passada: a Dominion embolsou nada menos de US$ 787,5 milhões (cerca de R$ 4 bilhões), metade do que reivindicava a título de indenização, e retirou a denúncia, encerrando o processo, portanto.

No curso do processo, vieram à tona mensagens de texto privadas de produtores. Algumas criticavam o ex-presidente Donald Trump e seus e seus assessores jurídicos após a eleição de 2020 em termos vulgares e sexistas. E-mails de Tucker Carlson, com críticas aos jornalistas da Fox, também foram divulgados e causaram grande constrangimento à emissora.

E assim temos o seguinte: o luto da extrema direita tem um custo alto, para não dizer altíssimo, mesmo para os padrões da Fox.

Está custando US$ 787,5 milhões (cerca de R$ 4 bilhões).

Avante!

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Onde se encontra o estadista Bolsonaro? O que tem feito?

A "apoteose" na recepção a Bolsonaro, no retorno dele ao Brasil: 20 gatos pingados

Após passar três meses nos Estados Unidos sem fazer absolutamente nada, Bolsonaro voltou ao Brasil no dia 30 de março passado. Há quase 30 dias, portanto.
Quando se confirmou o retorno desse personagem, bolsonaristas foram ao êxtase.
"Agora vai", era o que se ouvia entre os direitos - fanáticos ou não.
Esperava-se que o retorno fosse apoteótico.
Esperava-se que o Brasil inteiro fosse ingressar na vibe do "ele voltou pra liderar a oposição ao governo Lula".
Esperava-se, enfim, que teríamos um estadista de direita organizando a tropa para a retomada do poder. Não através de um golpe, mas no voto, porque, como vocês sabem, bolsonaristas odeiam fascistas terroristas.
Pois é.
E o que temos, após a volta de Bolsonaro?
Nada. Nada vezes nada.
E nada vezes nada resulta em nada.
O sujeito voltou sem apoteose alguma. Foi recebido por uns 20 gatos pingados, se muito.
Feito isso, passou rapidinho na sede do PL, em Brasília, contou umas quatro ou cinco mentiras e foi pra casa, num condomínio perto do Jardim Botânico.
E de lá não saiu mais.
E de lá não falou mais nada.
E de lá tem se ocupado de nada fazer, no ócio improdutivo - porque dizem que tem o ócio produtivo, vocês sabem - que sempre marcou sua bisonha carreira política. Por ócio improdutivo, leia-se também vagabundagem. Dá no mesmo.
E de lá já mandou dizer a aliados que de forma alguma vai liderar a oposição, o que demonstra a sua notável e inegável covardia, ao rejeitar a possibilidade de partir para o confronto político democrático, transparente e saudável.
Sua diversão, no momento, é agendar depoimentos sobre sua participação nos atos golpistas de 8 de janeiro e no episódio das joias que a ditadura saudita lhe ofertou e que ele, na caradura, incorporou ao próprio patrimônio.
Esse é o fascista, que muitos têm como um Mito.
Então, tá!

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Os golpistas podem estar ao lado, bem ao lado, do presidente Lula


O que já estava envolto em mistério pode estar envolvo em mistérios maiores ainda do que imaginamos.
Há pouco, o Espaço Aberto mencionou parecer implausível que o Palácio do Planalto não tivesse conhecimento, há mais tempo, das imagens divulgadas nesta quarta-feira (19), mostrando uma atuação suspeita do então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias, durante os atos terroristas de 8 de janeiro.
Pois agora o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Paulo Pimenta, afirmou que o presidente Lula não tinha conhecimento das imagens em que GDias aparece nas dependências do Palácio do Planalto, em atitudes que deixariam transparecer, no mínimo, uma certa complacência com terroristas que haviam acabado de invadir o prédio.
Não tinha conhecimento?
Então, agora mesmo é que o presidente Lula precisa apoiar a instalação da CPI do Golpe.
Porque, certamente, há golpistas que estavam, ou ainda estão, bem ao seu lado. E ele é bem capaz de nem saber disso.

O governo Lula tomou conhecimento da atuação suspeita do general Gonçalves Dias somente agora? Por que não o demitiu há mais tempo?

O general Gonçalves Dias, que pediu demissão do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) após a revelação de imagens que mostram sua atuação durante os atos terroristas de 8 de janeiro, vai precisar de muito português e muito latim para convencer o distinto público de que não foi conivente com golpistas.

Agora, em relação ao vídeo revelado pela CNN (confiram acima), não é preciso ser perito nem nada para que sejam tiradas pelo menos duas conclusões objetivas.

A primeira: as imagens, evidentemente, foram editadas. Com isso, fica prejudicada uma avaliação precisa sobre responsabilidades - inclusive por omissão - de vários envolvidos.

A segunda: a porta que se abre para os golpistas, sob as vistas de Gonçalves Dias e outros integrantes do GSI, não é a porta de saída do Palácio do Planalto, com estão dizendo erroneamente, inclusive, vários jornalistas, entre os quais o repórter da CNN, ao relatar que os invasores "caminham em direção a uma escada, local de saída do prédio". Os golpistas estavam no terceiro andar do palácio. E a porta por onde saem leva ao segundo andar, onde, segundo se informa, vários outros golpistas já estariam detidos. É mais do que crível, nessas circunstâncias, supor-se que os terroristas retirados do terceiro andar também seriam detidos. 

Essas duas certezas, por outro lado, não eximem o governo Lula de explicar duas questões fundamentais.

A primeira: essas imagens - editadas ou não - estão em poder do Palácio do Planalto desde 8 de janeiro. Somente agora é que a atuação do general GDias foi notada? Se foi notada há mais tempo, por que só agora o general foi afastado na condição de ter agido suspeitamente em conivência com os invasores do prédio?

A segunda: por que o governo, até aqui declaradamente, enfaticamente e notoriamente resistente à instalação da CPI do Golpe, passou a orientar seus próprios líderes a apoiá-la? Se tinha, como se imagina que ainda tem, certeza da participação direta até mesmo de remanescentes bolsonaristas nos setores de segurança institucional, por que não apoiou a investigação desde o início para provar justamente isso?

Fatos e versões, quaisquer que sejam, não serão suficientes para afastar a certeza de que os atos terroristas de 8 de janeiro foram promovidos por bolsonaristas fascistas e imbecis.

Mas responder e esclarecer devidamente certas questões essenciais é indispensável, para evitar que prevaleça a mentira criminosa difundida por fascistas, de que o governo Lula é que teria armado os atos terroristas para depois culpar os bolsonaristas.

A FPF libera um charco, um lamaçal para o jogo Cametá x Remo. Mesquita, que produziu o relatório "técnico", jogaria lá?



O Remo está ameaçando não entrar em campo, nesta sexta-feira (20), para enfrentar o Cametá no jogo de ida pelas semifinais do Parazão.
O clube alega que o estádio Parque do Bacurau, local do jogo, não apresenta a menor condição para a prática do futebol.
Por quê?
Porque o gramado do estádio é o que você vê aí, nessas imagens de apenas dez dias atrás, na partida em que o Cametá venceu o São Francisco, de Santarém, ganhou de 5 a 2 e passou às semifinais.
As imagens foram capturadas pelo blog da transmissão ao vivo feita no YouTube pela própria TV Mapará, do Cametá. Se quiserem, vejam as imagens aqui.
Em vez de um gramado, o que temos é um lamaçal, um charco, um lodaçal quando chove. Nenhum jogador profissional, do Pará e d'além fronteiras, pode submeter-se ao risco do jogar num campo como esse. Nem os profissionais de várzea aceitariam jogar aí.
Mas eis que surge no cenário a nossa Federação Paraense de Futebol (FPF), com toda a sua excelência, eficiência, apuro técnico e imparcialidade inigualáveis e inconstrastáveis.
Matéria publicada em O LIBERAL de hoje informa que a FPF liberou o estádio para o jogo de amanhã com amparo em relatório técnico produzido pelo engenheiro agrônomo Raimundo Mesquita.
Mesquita, para quem não sabe, jogou no Remo, onde foi ídolo, e inclui-se entre os maiores jogadores da história do futebol paraense. Magrinho, franzino, de reduzida compleição física, superava o que seria essa desvantagem com uma maestria técnica de fazer inveja.
Foi um craque, em resumo.
A ser verdade a informação da FPF, era o caso de alguém perguntar ao próprio Mesquita se ele, que foi um profissional refinado e de requinte na execução dos fundamentos do futebol, teria coragem de jogar num charco, num lodaçal, num lamaçal como o do Parque do Bacurau.
O presidente do Cametá, Jailson Freitas, por sua vez, faz pouco do que considera mimimi do Remo e diz que, após o último jogo, foram feitas "reformas" que, presume-se, impedirão o charco do Parque do Bacurau de continuar sendo o que é: um charco, um lodaçal, um lamaçal.
Então, pronto.
Tranquilizemo-nos todos.
Amanhã, teremos um gramado compatível com o de Wembley.
Segue o jogo!

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Um general cara a cara com pitbulls fascistas: comissão da Câmara tem tudo para nos oferecer diversão da melhor qualidade

Tem tudo para ser divertidíssima - e botem divertidíssima nisso - a sessão de logo mais, prevista para as 14h, da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

Esse colegiado é integrado pelos pitbulls mais enfurecidos que integram a tropa bolsonarista, formada basicamente por deputados egressos dos meios policiais e militares. É o que vulgamente, mas sabiamente, conhecemos como bancada da bala.

As últimas sessões da comissão nos ofereceram um espetáculo impagável de intolerência e radicalismo, em que tanto bolsonaristas como governistas exibiram absoluta incapacidade de seguir as regras do regimento. O resultado é que o ministro da Justiça, Flávio Dino, por exemplo, teve que abandonar uma sessão porque não conseguiu articular respostas às provocações e ofensas com que foi brindado.

Pois esse é o palco em que estará, logo mais, ninguém menos que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Marco Edson Gonçalves Dias.

Ele terá que explicar sobre sua atuação específica no dia de 8 de janeiro, quando terroristas bolsonaristas deram uma geral na Praça dos Três Poderes e depredaram parcialmente as instalação do Planalto, Supremo e Congresso.

A presença de Gonçalves Dias coincide com um vídeo revelado nesta quarta (19) pela CNN. As gravações mostram  que o general acessou a antessala da Presidência da República às 16h29, no auge da invasão (vejam na imagem). Pouco depois, ele parece se encontrar com manifestantes e os convence a ir embora. As imagens sugerem que o ministro não atuou para deter os manifestantes.

As cenas mostram ainda membros do GSI, responsáveis pela segurança dos equipamentos públicos, acompanhando a destruição de itens históricos e até um capitão do Exército, que integrava a Segurança Institucional, sendo conivente com os invasores, oferecendo água a alguns deles.

Generais, vocês sabem, não são muito dados a debates ditos democráticos. E, na Comissão em que a bancada da bala impera, até um simples bom dia ou boa tarde deflagram um bate-boca danado.

Acompanhemos, pois, o general.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Quem mandou fechar os portões do Mangueirão? Tudo ficará igual ao caso da ponte de Outeiro?


O Remo anunciou nesta sexta (14), em suas redes sociais, os procedimentos que deverão adotar, para fins de ressarcimento, os torcedores que compraram ingressos para o jogo contra o Corinthians, na última quarta-feira, mas não puderaram entrar no Mangueirão porque, antes mesmo de o jogo começar, os portões foram fechados sob a alegação de que a lotação do estádio já havia se esgotado. Um caso de típico de desrespeito e humilhação aos torcedores.
Boa!
O anúncio do Remo já é, pelo menos, um bom começo. Primeiro, porque o clube tenta desincumbir-se de obrigações legais que lhe foram conferidas na relação estabelecida com os consumidores, um vez que o clube foi o promotor do evento. Segundo, porque o Remo implicitamente reconhece que os torcedores foram, sim, lesados, porque foram impedidos de usufruir do produto/serviço que adquiriram.
Mas este bom início não pode ficar por aí. É preciso que tenha uma consequência.
E a consequência está na eludicação de um mistério, no deslinde da questão essencial que provovou a violação dos direitos dos consumidores/torcedores: quem, afinal de contas, deu a ordem, explícita ou implícita, para que os portões do Mangueirão fossem fechados antes do início da partida?
O Remo, por todos os meios possíveis - vídeos, áudios e textos veiculados em suas redes sociais -, já disse que não não mandou fechar os portões. E, para reforçar tal afirmação, informou ter registrado um boletim de ocorrência na polícia para salvaguardar seus direitos.
Outros órgãos, como a FPF e a Seel, também já informaram que nada têm a ver com isso e chegaram até a cobrar o Remo publicamente pela barração de milhares de torcedores.
Afinal de contas, quem foi, então, que mandou fechar os portões?

Silêncios convenientes
Esse fato precisa ser investigado e respondido amplamente à sociedade, de forma pública, para demonstrar a transparência de todos os envolvidos e para prevenir futuras ocorrências em jogos que atraem grandes públicos, como o da última quarta-feira.
A exigência para que se descubra quem deu a ordem para o fechamento dos portões se justifica, ademais, porque esta terra de lindas florestas, fecundadas ao sol do Equador (versos do nosso hino), no caso o Pará, é uma terra de silêncios - quase sempre convenientes para manter nas sombras os que agem com segundas, terceiras, quartas e quintas intenções.
Vocês querem um dos últimos e mais contundentes exemplos desses silêncios ensurdecedores? O desabamento do pilar central da ponte de Outeiro, em 17 de janeiro do ano passado.
Logo após a ocorrência, chegou-se a informar que não houve colisão alguma, e o pilar simplesmente teria desmoronado logo após a passagem de um ônibus pela ponte. Depois, disseram que o desmoronamento ocorreu porque uma balsa teria batido na estrutura.
Instaurou-se o velho e implacável rigoroso inquérito. E aí? Qual o resultado do inquérito?
Uma nova ponte já foi até inaugurada com pompa e circunstância, em fevereiro deste ano. Mas até agora não se sabe qual o resultado a que chegou o velho e implacável rigoroso inquérito.
E no caso dos portões do Mangueirão? Tudo será como no caso da ponte de Outeiro?

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Uma vitória épica do Remo. Uma derrota humilhante do torcedor paraense.


Escrevi isso aqui em 2011. Faz 12 anos, portanto. Doze!
Mas escrevi a mesmíssima coisa outras tantas vezes, antes mesmo de 2011.
Nesta quarta-feira (12) à noite, fui ao Mangueirão ver o Remo, uma de minhas paixões, jogar.
Vivi uma noite épica, extasiante, com a vitória remista por 2 a 0 sobre o Corinthians pela Copa do Brasil, o primeiro gol marcado por Richard Franco e o segundo, por Muriqui, que aparece na foto (Ascom/Remo).
O Leão excedeu-se em suas próprias forças e ganhou. Viva!
Nós - e eu mais 39.999 torcedores -, que comparecemos ao Mangueirão, perdemos. Fomos derrotados. Humilhados. Desprezados. Maltratados.
E sempre somos - derrotados, humilhados, desprezados e maltratados. Só não desistimos porque, ao contrário da sentença euclidiana de que o sertanejo é, antes de tudo, um forte, o torcedor paraense, também ele, é um forte. Fortíssimo.
Segue o fio.

Torcedor castigado no trânsito
O trânsito estava um caos. O caos normal, da hora do rush, foi quadruplicado. Saí de casa, em Nazaré, às 18h10, três horas e meia antes de a partida começar. Ingressei no estacionamento do Mangueirão duas horas e dez minutos depois, às 20h20. No percurso de 14 quilômetros (medidos no Google Maps) entre minha casa e o estádio, não vi um, um sequer, agente de trânsito. Para dizer que não vi nenhum, estavam uns três ou quatro no Elevado Daniel Berg, onde estreitaram uma via para facilitar o trânsito de quem vinha pela Pedro Álvares Cabral para chegar à Júlio César e depois à Centenário.

Torcedor desorientado pela desinformação
Para ingressar no estádio, levei meia hora. Comprei uma cadeia no Setor A. Ninguém sabia me informar qual o portão a que deveriam se dirigir os portadores de ingressos no Setor A.
Depois de ir a quatro portões e me dizerem que não era ali que eu deveria entrar, travei um diálogo excitante, quase orgásmico, com um cidadão que estava entre os 400 mil escalados para orientar, para ensinar aos torcedores o rumo que deveriam tomar para entrarem no estádio.
- Amigo, por onde eu entro? - perguntei-lhe, mostrando o ingresso no celular.
- Não é aqui. Aqui é só quem vai pra arquibancada.
- Então, onde é o meu portão?
- Não sei.
- Mas tu não não estás aqui pra orientar?
- Estou. Mas só oriento este espaço aqui - respondeu, indicando com os dedos para o chão.
Olhem, já assisti a jogos no Parc des Princes, no Maracanã, Morumbi, Itaquerão, Allianz Parque, Vila Belmiro e Brinco de Ouro, entre outros. No Planeta Pará, já estive até no Diogão, em Bragança, sob um sol de 400 graus.
Em qualquer um desses templos do futebol, as pessoas que orientam torcedores sabem tudo. No Parc des Princes, em Paris, se você perguntar - até mesmo em português - onde fica o Diogão, eles vão te dizer. E no Diogão, se você perguntar - até mesmo em francês - como se chega ao Parc des Princes, eles também vão te dizer.
No Mangueirão, neste não.
No Mangueirão, ninguém sabe dizer, ao que parece, nem mesmo onde fica o Mangueirão.

Torcedor barrado nos portões
Felizmente, não passei por esta situação, mas há evidências concretas de que milhares de torcedores, com ingressos na mão, não puderam entrar no Mangueirão porque os portões foram fechados alguns minutos antes de a partida começar. A alegação: o estádio já estaria lotado.
A direção do Remo garante que não vendeu ingressos a mais e que não mandou fechar o portão. Quem mandou, então? A Seel? A PM? Quem? O Remo, a Seel e a PM precisam acertar esse discurso.
E quem vai ressarcir os torcedores lesados? O Remo? A Seel? A PM? Quem, afinal?

Torcedor exposto a violências
Às proximidades, vândalos organizados (que alguns insistem em chamar de torcidas organizadas) se engalfinharam-se às proximidades do Mangueirão. Civilizados, não usaram os punhos, mas bombas e outros objetos contundentes. Um horror! Saldo, segundo se sabe até agora. Pelo menos uma pessoa ferida e um torcedor morto, após ser atingido por um rojão.

Estão aí os troféus ofertados ao torcedor paraense conjuntamente - pelo Remo, pela Segurança Pública, pela Semob e pela Seel -não necessariamente nessa ordem.
Nós, torcedores, merecemos isso?
É claro que merecemos. Se não merecêssemos, não seríamos paraenses. Ou melhor, torcedores paraenses.
Ah, sim. Apenas mais uma coisa.
Sabem aquela música inebriante que a galera remista canta? Aquela: Uma coisa te peço / joga com raça e paixão / honra essa camisa / meu poderoso Leão / ôôôôôôôôôôôôôôôôôô
Pois é.
O Leão honrou a camisa.
E nós, honramos a nossa: a de fortes torcedores paraenses.
Viva nóis!

terça-feira, 11 de abril de 2023

Terrorismo digital gera pânico e milhares de famílias se recusam a mandar crianças para as escolas em vários municípios do Pará

O terrorismo digital, que se vale criminosamente da mentira como sua arma mais perigosa e letal, disseminou o pânico entre milhares de famílias que se recusaram, nesta terça-feira (11), a mandar suas crianças para as escolas em Belém e vários municípios do Pará, sobretudo Ananindeua, Santarém e Marabá (os três maiores do estado, após a Capital), além de Monte Alegre e Castanhal.

Fontes da polícia civil monitoram a disseminação criminosa, em grupos de WhatsApp e redes sociais, de mensagens indicando que facções criminosas estariam preparando, de forma simultânea, ataques a escolas em dezenas de cidades do País, várias delas no Pará.

Algumas mensagens, acompanhadas de áudios, indicam claramente que os mencionados ataques não passam de uma ação combinada de criminosos digitais para criar o pânico em escolas, aproveitando-se de ocorrências recentes em que ataques a estabelecimentos escolares resultaram em mortes de crianças e professores.

Fontes da polícia civil não conseguem precisar o número de crianças que deixaram de frequentar escolas em Belém e outros municípios paraenses, nesta terça-feira, mas garantem que os serviços de inteligência estão acompanhando atentamente a propagação de mensagens nas redes sociais. O objetivo do monitoramente, entre outros, é o de descobrir os autores das mensagens falsas para responsabilizá-los criminalmente.

É melhor continuarem falando mal do Fluminense. O enorme!



Quarenta e oito horas depois de o Fluminense ter conquistado o bicampeonato carioca de forma épica, de virada e com direito a chocolate sobre o maior time do mundo, ainda estou, sinceramente, ressaqueado.

A vitória, redigo, foi épica, histórica, heroica.

Mas faço essa postagem não para marcar a conquista antológica do Tricolor, e sim para confessar minha surpresa, minha estupefação e meu espanto pela forma como o Fluminense vem sendo tratado pela mídia esportiva do País inteiro desde domingo à noite, tão logo encerrou-se o Fla x Flu no Maracanã.

Até então, todos só falavam no outro.

O outro, até então, já tinha perdido, apenas neste ano, quatro títulos: Mundial de Clubes (em que não foi nem para a final), Supercopa do Brasil, Recopa e Sul-Americana. Na estreia pela Libertadores, perdeu de virada para o Aucas, um time do Equador, que pela primeira vez está participando da competição.

Mesmo com esse cartel magistral de triunfos, só se falava no outro: que é o melhor do mundo, que tem um elenco estelar e que iria para a final do Carioca com 40 mãos postas na taça, já que tinha a vantagem alcançada pela vitória por 2 a 0 na primeira partida.

E do Fluminense, o que se dizia? Nada. No máximo, que poderia protagonizar uma, digamos assim, virada impossível.

Mas, afinal, veio a final e o impossível aconteceu: virada, chocolate e título. E o quinto título do ano perdido em sequência pelo outro, o maior do mundo.

Pronto.

Agora, coleguinhas da mídia esportiva vão para as mesas de debate com 40 dicionários em mãos, para buscar adjetivos que possam, na visão deles, definir o Fluminense.

E haja elogios: ao dinizismo (hahaha), ao espírito de equipe, à aplicação tática, aos talentos da garotada de Xerem, enfim, ao momento impecável que o Fluminense vive.

Olhem só.

Sou torcedor. E torcedor supersticioso.

Ouvir elogios de gente que antes tinha pirrique só de falar no Fluminense é algo preocupante. Estou consultando até bolsonaristas fascistas pra me dizerem se isso não é uma conspiração de secadores.

Prefiro mesmo que o meu time seja mantido no esquecimento. E que as exaltações fiquem sempre para o outro. Ou para os outros, se quiserem.

Quando eu quiser exaltação para o Fluminense, recorro ao velho Nelson: "Grandes são os outros, o Fluminense é enorme".

Né?

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Um homem matou uma pessoa numa cidade de uma região. Isso é mesmo jornalismo? Falem sério.


Thiago Brennand e, na foto do alto, Maurício César Filho, o "Hétero Top": alguém
acharia razoável matérias jornalísticas não citarem seus nomes e nem mostrarem seus rostos?

O País inteiro ainda está aturdido com mais um ato de violência - hediondo, cruel, desumano: o massacre de crianças em Blumenau (SC), quatro delas trucidadas com machadinhas e facas, outras quatro gravemente feridas. O assassino é um monstro chamado Luiz Henrique de Lima, 25 anos, com quatro ocorrências policiais anteriores.
Em meio à estupefação, alguns veículos de Imprensa do País anunciaram um ajuste em seus, como dizem, protocolos de divulgação de informações. A partir de agora, em casos semelhantes, passarão a não mais divulgar o nome dos autores dessas mortandades, como também não mais exibirão cenas dos massacres, sejam fotos, sejam vídeos.
A justificativa para a adoção do novo procedimento é o de evitar que assassinos ganhem notoriedade através da intensa exposição midiática a que são submetidos. Com isso, procura-se evitar o que especialistas definem como "efeito contágio", ou seja, o estímulo à repetição de condutas criminosas decorrentes da exaustiva divulgação na mídia.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
É razoável, é mais do que recomendável que veículos de Imprensa restrinjam, nos limites do bom senso, a disseminação de informações capazes de tornar assassinos verdadeiras celebridades. Como é recomendável que não se divulguem imagens de vítimas de violência, sobretudo quando são menores de idade.
Deparar-se, qualquer cidadão, com fotos ou vídeos de pessoas mutiladas, dilaceradas e ensanguentadas é alguma incompreensível, para não dizer que é uma violencia se comete contra o leitor.
O difícil, nesses casos, é encontrar a dose certa da prudência, da moderação e do comedimento, para que a supressão de informações, a título de evitar consequêndias como o "efeito contágio", não venha a prejudicar a completude do fato jornalístico reportado.
Não vejo como razoável, no caso, suprimir-se, em casos como o de Blumenau, nem o nome, nem a foto do maluco que cometeu o ato hedindo. Aceitar as justificativas apontadas pelos veículos que passarão a suprimir o nome de assassinos justifica que se questione: deve-se, então, suprimir os nomes de criminosos envolvidos outros eventos em que seus autores também podem estar buscando a notoriedade e a celebrização de suas imagens?
Vamos a casos recentes, para não dizer recentíssimos.

Atos terroristas de 8 de janeiro, em Brasília
Até agora, são exibidas à farta imagens de bolsonaristas terroristas depredando prédios públicos, defecando em suas dependências, destruindo obras de arte e debochando e insultando autoridades. Seria admissível não mencionar-lhes os nomes, sob o argumento de quem esse ato contagiaria outros fascitas a fazerem o mesmo? Não. Não é admissível.

Thiago Brennand
Ele é empresário, investigado em pelo menos oito crimes, sendo réu em seis deles. É acusado de agredir uma modelo, tatuar e sequestrar uma segunda mulher, estuprar uma jovem e uma miss. Em quatro desses seis casos, a Justiça decretou prisão preventiva. No momento, está nos Emirados Árabes. Só a Globo, o veículo de maior audiência do País, já fez sobre várias reportagens, algumas exibida no "Fantástico", mostrando-o fartamente. Seria admissível que a postura do jornalística fosse outra, que não a de mostrá-lo, a de exibi-lo exaustivamente, para que todos saibem quem ele é e os crimes que cometeu? Não. Não seria admissível. Alguém acharia razoável que não lhe citassem mais o nome, porque isso poderia estimular outras condutas misóginas e racistas? Acho que ninguém acharia razoável.

Hétero top
Assim é - ou era, sei lá - conhecido Maurício César Mendes Rocha Filho, de 25 anos. Ele está preso. Já foi denunciado como o responsável pela morte, em Belém, de uma modelo que teve fotos íntimas expostas pelo criminoso e, abalada emocionalmente por isso, jogou-se de um prédio. O denunciado responde por várias outras ocorrências. É um delinquente. Alguém acharia razoável que seu nome não fosse mais citado em jornais e mencionado em jornalísticos de TV, para evitar que outros jovens que nem ele venham a cometer crimes idênticos? Acho que ninguém acharia isso razoável.

Valmir Maurici Júnior
É um juiz com jurisdição em Guarulhos. Nos últimos dias, todo dia, o dia todo, são exibidas imagens dele batendo na esposa e ameçando-a até de morte. A Corregedoria de Justiça de São Paulo já o afastou provisoriamente das funções. Investigações foram abertas pela polícia e pelo MP. Seria razoável que esse criminoso tivesse sua identidade preservada do distinto público, para evitar que práticas feminicidas sejam disseminada. É claro que não seria rozoável.

Esses são apenas quatro exemplos que, em sã consciência, não eximiriam matérias jornalísticas de mencionar expressamente o nome dos autores de crimes, expondo-os exaustivamente para que todos saibamos quem são, o que fazem, quais são seus pendores ideológicos e suas conexões no mundo do crime.
Não se descarta que a nova postura adotada em relação aos autores de massacres como o de Blumenau venha a ter um efeito contrário, ou seja, o de empoderar esses assassinos, que, no planejamento de seus atos criminosos, já terão a garantia de que não terão suas seus nomes expostos, como também seus métodos e e suas conexões. Isso não seria acobertar suas condutas hediondas?
Aliás, frequentemente nos deparamos, sobretudo em programas jornalísticos de televisão, com notícias mais ou menos assim: Um homem, supostamente integrante de uma facção criminosa, foi preso depois de matar uma pesssoa na manhã de hoje, na frente de um shopping na Região Metropolitana de Belém.
Que informação é essa? Isso não é informação. Isso é nada, porque não sei o nome do matador, não sei a que organização pertence, não sei o nome do shopping e nem sei a cidade onde está o shopping, supondo apenas que é Belém ou Ananindeua.
Os protocolos jornalísticos são necessários, sim. Mas não podem se tornar uma camisa de força que acaba engessando a informação. E informação engessada também ajuda a desinformar.
Ou não?

sábado, 1 de abril de 2023

"Acorda, filho da p... Isso aqui não é Marapanim". Uma aventura com Palmério Dória nos ermos esquecidos de Canapi.

Palmério: morte num 31 de março, a data-referência da ditadura que ele sempre combageu 

A crônica abaixo, remetida ao blog pelo jornalista Paulo Silber, está publicada originalmente no livro Papai, você não tem amigos normais?
Narra uma aventura dele e Palmério, que, aliás, assina o prefácio do livro.
Palmério é o Palmério Dória, o jornalista paraense de Santarém que morreu neste 31 de março, em São Paulo, aos 74 anos.
Para ler a crônica que Silber escreveu após saber da morte do amigo, clique aqui.

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A FERRO E FOGO

Uma das pautas mais deliciosas que recebi foi justamente a que furou.
Fui mandado pela revista Interview, juntamente com o mestre Palmério Dória, para a pequena e nada pacata Canapi, no cu do sertão de Alagoas.
Nossa missão: apurar e revelar um suposto esquema de corrupção, comandado por Rosane Collor, na época mulher do então presidente da República, Fernando Collor de Mello. O embrião do esquema eram as unidades da legião Brasileira de Assistência no interior alagoano, onde mandava e desmandava a primeira-dama mais cafona da história do Brasil.
Depois de 6 horas de viagem por uma estrada com cheiro de rapadura, cruzando imensas plantações de cana, passamos um dia inteiro naquela cidade de poucas ruas e muita desconfiança, experimentando uma sucessão de frustrações e fracassos.
Ninguém nos recebeu. Ninguém falou conosco. Ninguém quis dar entrevista. Ninguém nos deu a menor importância. E não foi por falta de tentativa. A pauta furou, simplesmente. Acontece.
Aborrecido, mas experiente, Palmério se recolheu ao hotel com esperanças no dia seguinte. Inquieto, como convinha a alguém da minha idade (na época, uns 25), dei um rolezinho pela cidade, em busca de outras emoções, se é que você me entende.
Fui abordado na madrugada, no balcão de um bar de última frequentado por gente de penúltima categoria, por um estranho sujeito com chapéu de abas largas e bigode de mexicano em comédia pastelão.
Entre um conhaque e outro, o cara me contou todos os podres de Rosane Collor. Eram tantos, tão graves e tamanhos, que os desvios de dinheiro da LBA, que motivaram nossa pauta, comparados a essas revelações, davam até para beatificá-la.
Laércio Malta, o inconfidente, era irmão de Rosane, a quem não suportava. Ele era meu anjo revelador, eu o anjo ouvidor dele.
Banhado pelo meu primeiro São João da Barra, com os cotovelos apoiados no balcão, tentando decorar as palavras chaves do relato, já que estava desarmado de gravador, registrei na memória, na época eficiente, cada detalhe derramado pelo irmão cheio de mágoas. Histórias de falcatruas, traições e assassinatos. 
Passei o resto da noite eufórico. Ainda tentei catar uma pequena nativa que me sossegasse entre as coxas, mas sem sucesso. Voltei ao Hotel Sol Nascente – o Hilton de Canapi – e me deparei com as portas fechadas e ninguém disposto a abri-las. Resignado, enfiei-me no Gol alugado e adormeci. Deus gostava de mim e me enviara a solução num copo de São João da Barra. Reclamar do quê?
Acordei com o barulho de murros que ameaçavam varar o capô do carro. Era o Palmério, muito puto. Ele acordou no meio da noite, notou que eu não voltara ao hotel e ficou preocupado. Chamou a polícia, o prefeito, o presidente da Câmara. Se em Canapi houvesse SWAT, ele convocaria.
Fui procurado em cada uma das cinco ruas principais e das doze transversais na cidade que pariu Rosane Collor. Em cada esquina, bar, no único puteiro, o pelotão de emergência liderado por Palmério, acreditando que e fora morto ou abduzido, refez meu caminho até achar-me no sono profundo dos que adormecem sem culpa – mesmo sendo culpados.
Enquanto esmurrava o carro, Palmério dizia:
- Acorda, filho da puta! Eu te odeio!
Acordei assustado. Saí do carro pronto pra morrer fatiado.
- Que é isso, bicho?
- Onde você se meteu, cara? Tá querendo morrer de graça? Isso aqui não é Marapanim, porra!
Esperei um lapso de tempo, um momento em que ele puxaria a respiração para me escrotear por mais 300 horas, e nesse frame lhe contei. O mais rapidamente possível, minha porção de sorte. Era preciso ser breve e definitivo como uma boa manchete:
- Eu tenho a história...
Durou apenas um segundo e meio, no máximo dois segundos, a volta de Palmério ao que ele realmente é: o amigo generoso, carinhoso e inusitado de sempre. A frase “Eu tenho a história...” resolveu, com recorde de tempo-resposta, aquele inesperado princípio de incêndio. Num sopro. De Deus, com certeza.
Palmério sorriu como um bebê. Permitiu que os olhinhos azuis apertados faiscassem de amor e amizade. Dispensou a legião convocada para caçar-me (que ao lado do carro só esperava a ordem: “Cortem-lhe a cabeça”). E finalmente me abraçou, como nunca tinha me abraçado.
- Paulo Silber, eu te amo!
Corremos como se fôssemos uma dupla formada pelo Papa Léguas e Coelho Ricochete. Vazamos de Canapi para Maceió, inebriados pelo vapor de rapadura suspenso no caminho, rindo de qualquer coisa, como riem os maconheiros.
Tínhamos a história.
Em dois dias, checamos tudo e escrevemos a matéria bombástica no Pajuçara Hotel, em Maceió. Uma semana depois, com a primorosa edição de Mário Mendes, a Interview estampava na capa – quase um ano antes de Fernando Collor e sua gente serem defenestrados de Brasília: “Malta, uma família forjada a ferro e fogo”.

sexta-feira, 31 de março de 2023

Nunca mais!


Independentemente de ser 31 de março ou não, já me descobri, muitas vezes, revisitando essa oração de Ulysses Guimarães (no vídeo acima).
Sim, pra mim, apenas esse trecho do histórico discurso pronunciado pelo presidente da Câmara no dia 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a atual Constituição, é uma oração.
Uma oração pelas liberdades.
Uma oração pela democracia.
Pelo respeito à Constituição.
Pela dignidade.
Pelo direito, na sua mais ampla acepção do termo.
Neste 31 de março, uma data-referência para muitos fascistas que se travestem de democratas - ou democratas que se travestem de fascistas -, devemos sim, lembrar de 1964.
Devemos lembrar o dia 31 de março de 1964, quando se inaugurou, na história do Brasil, um período de trevas e horrores, com mortes, torturas, desaparecimentos, censura à Imprensa e vilipêndio às liberdades, tudo em nome dos mais nobres, edificantes e patrióticos valores conservadores.
Em 2014, relatório final apontou o nome de pessoas que foram mortas ou desapareceram durante o regime militar no Brasil. Foram 191 assassinados e 243 desaparecidos - ou seja, 434 pessoas no total. Segundo a organização internacional não governamental de direitos humanos, a Human Rights Watch, aproximadamente 20 mil pessoas foram torturadas no período brasileiro.
Com um detalhe imprescindível: a grande maioria, a esmagadora maioria dos alvos da repressão era formada, sim, por democratas e integrantes de partidos e organizações de centro-esquerda, mas que nunca pegaram em armas ou agiram com violência na clandestinidade. Cai por terra, assim, o discurso mentiroso de que só foram reprimidos os guerrilheiros armados.
Pois é.
Acabamos de sair de quatro anos tenebrosos, em que fascistas tentarem incutir e disseminar a ideia de que o golpe de 1964 não foi um golpe, convém proclamarmos.
Acabamos de resistir ao 8 de janeiro, em que bolsonaristas fascistas e bolsonaristas terroristas tentaram, literalmente, depredar e pulverizar as instituições democráticas do Brasil.
Proclamemos, pois: Nunca mais!
Ditadura nunca mais!
Ou então poderemos orar, como o fez Ulysses: "Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo!"

quarta-feira, 29 de março de 2023

Blogueiro obedece à determinação da Justiça e se retrata de incitação ao crime: "Reconheço que realmente eu errei"

O blogueiro Iromarto Sobral Cardoso, mais conhecido na região oeste do Pará como Xaropinho, terá que terá que pagar R$ 2.600, prestar serviços comunitários e se retratar publicamente por ofensas e ameaças a servidores do Ibama em um vídeo gravado há alguns meses e compartilhado em grupos de Whatsapp e nas redes sociais. As informações, do portal OESTADONET, foram divulgadas nesta quarta-feira (29).

As obrigações imputadas a Cardoso são decorrentes de um acordo de não persecução penal, proposto pelo Ministério Público Federal e homologado pela Justiça Federal de Itaituba, durante audiência no último dia 14 de março. Nesse tipo de acordo, o MPF se exime de oferecer denúncia, em troca do compromisso firmado pelo autor do ilícito em cumprir obrigações determinadas pela Justiça.

O item 3, da Ata de Audiência, determina que o blogueiro está obrigado a fazer uma "retratação formal e pública das palavras proferidas, a qual será realizada pelos mesmos meios e forma em que cometido o delito (vídeo e áudio em redes sociais), devendo ser destacado que incitar, publicamente, a prática de crime também é conduta punível criminalmente, estimulando os seus ouvintes a não concretizarem (ou tentarem concretizar) os atos que incentivou".

Nesta quarta-feira, começou a ser veiculado em grupos de WhatsApp o vídeo (veja acima) em que Cardoso reconhece que errou: "Reconheço que realmente eu me excitei nas minhas falas, até mesmo porque eu estava incentivando os garimpeiros a fazerem aquilo que não é correto. Então, eu quero aqui pedir desculpas publicamente e dizer a todos, a toda a sociedade brasileira que incitar publicamente a prática do crime também é conduta criminosa", afirma o blogueiro.

Para ler a matéria completa, no Portal OESTADONET, clique aqui.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Ao suspeitar de Moro, Lula presta um grande, um enorme desserviço ao governo Lula

Lula, no momomento da declaração sobre a "armação" de Moro: a primeira consequência
é desacreditar o trabalho da PF, elogiado inclusive por um ministro do governo Lula.

O presidente Lula tem todos os motivos, tem todas as razões do mundo para alimentar profundas e, talvez, insuperáveis rejeições pessoais a Sergio Moro, ex-juiz e atualmente senador.

O presidente Lula precisa, no entanto, discernir até que ponto suas reações ou suas demonstrações inequívocas de repulsa ao ex-juiz que o condenou poderão chegar a um ponto de desacreditar o próprio governo Lula.

Durante a era fascista de Bolsonaro, aqui se escreveu em várias oportunidades que o maior inimigo do governo Bolsonaro era o próprio Bolsonaro, um maluco mal diagnosticado, que comandou um dos governos mais corruptos e desumanos da história do Brasil.

Deploravelmente, convém reconhecer que Lula está sendo o maior inimigo do governo Lula.

Há uns dez dias, o presidente, acertadamente, reuniu se ministério e deu, publicamente, um puxão de orelha em todos os seus ministros. Basicamente, proibiu-lhes de ter protagonismo individual e exigiu que as iniciativas de cada um sejam, obrigatoriamente, combinadas com o próprio governo, por meio da Casa Civil, antes que sejam divulgadas.

Ou seja: Lula estava exigindo que o governo esteja em sintonia com o próprio governo. Do contrário, é o desgoverno. Mas, ao que tudo indica, o presidente não está seguindo o que ele mesmo cobrou.

Nesta quinta-feira (23), Lula deu a seguinte declaração, ao comentar uma operação da Polícia Federal que desbaratou um esquema para matar várias autoridades, inclusive Moro:

"Eu não vou falar porque eu acho que [a ameaça da organização criminosa] é mais uma armação do Moro. Mas eu quero ser cauteloso, eu vou descobrir o que aconteceu. É visível que é uma armação do Moro. Mas eu vou pesquisar, eu vou saber o porquê da sentença".

Um dia antes, portanto na quarta-feira (22), o governo Lula, pela voz do ministro da Justiça, Flávio Dino, disse o seguinte sobre a mesma operação:

"Fico espantado com o nível de mau-caratismo de quem tenta politizar uma investigação séria, que é tão séria que foi feita em defesa da vida e da integridade de um senador que é oposição ao nosso governo".

Ao fulanizar a operação da PF, centrando-a apenas na figura de Moro, Lula prestou quatro grandes desserviços ao seu próprio governo:

Primeiro, levantou a bola para os lavajatistas matarem no peito, arriarem no terreno e fazerem um gol de placa, resgatando o ex-juiz Sergio Moro para o patamar dos heróis.

Segundo, desacreditou o trabalho da Polícia Federal, cujas investigações, juntamente com o Ministério Público, carrearam para os autos do processo toneladas de provas - vídeos, fotos, interceptação de conversas e outros documentos.

Terceiro, descredenciou seu próprio ministro da Justiça, que classificou de "investigação séria" o trabalho da PF.

Quarto, levantou uma suspeita gravíssima sem dispor de qualquer prova, a mesma postura de Bolsonaro, o mentiroso, o debochado e o despeitado compulsivo. Quem disse que Lula levantou uma suspeita sem prova? O próprio Lula, nesta declaração: "Mas isso, a gente vai esperar. Eu não vou ficar atacando ninguém sem ter prova. Eu acho que é mais uma armação, e se for mais uma armação ele vai ficar mais desmascarado ainda".

Eis aí, configurado, um caso emblemático de uma situação em que os rancores pessoais de Lula não podem contaminar e muito menos desacreditar seu próprio governo.

quinta-feira, 23 de março de 2023

MP Eleitoral está prestes a apresentar parecer em representação que pode resultar na cassação do mandato do presidente da Alepa

Chicão: tentativa frustrada de suspender o processo de cassação que tramita no TRE do Pará

Reverter no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), através de recurso a ser interposto, a decisão do TRE do Pará que rejeitou seus embargos de declaração e manteve a rejeição de suas contas relativas à última campanha eleitoral não é o único desafio imediato do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), Francisco das Chagas Silva Melo Filho, o deputado Chicão.

Se a condenação no TRE tem o efeito apenas de obrigar Chicão a devolver à Justiça Eleitoral mais de R$ 300 mil, uma representação especial (Processo nº 0600005-71.2023.6.14.0000), que está tramitando com rapidez, pode custar-lhe o mandato. As alegações finais foram apresentadas por Chicão na última segunda-feira. O próximo passo será o processo ser enviado à Procuradoria Regional Eleitoral para apresentar parecer.

Trata-se de representação especial ajuizada pelo Partido Liberal contra Chicão, por suposta prática de conduta descrita no art. 30-A da Lei nº 9.504/97. O dispositivo em referência diz o seguinte: Qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça Eleitoral, no prazo de 15 (quinze) dias da diplomação, relatando fatos e indicando provas, e pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo com as normas desta Lei, relativas à arrecadação e gastos de recursos.

O parágrafo 2º do mesmo artigo prevê: Comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou cassado, se já houver sido outorgado.

É essa possibilidade, a de perder o mandato, que está tirando o sono do presidente da Assembleia Legislativa. Em sua contestação, Chicão pediu que o processo fosse suspenso, alegando que a decisão de mérito dependeria do julgamento de outra causa, ou seja, o processo de prestação de contas.

A alegação, no entanto, foi rebatida pelo relator, desembargador José Maria Teixeira do Rosário." No tocante à suspensão do processo, tem-se que a representação especial e a ação de prestação de contas são independentes entre si, sendo que o julgamento de uma não depende da decisão da outra", fundamentou o magistrado, ao indeferir o pedido do parlamentar.

Independentemente de estar exercendo o cargo de presidência da Assembleia, Chicão é tido em alta consideração entre os Barbalho. Na última campanha eleitoral, ele foi o único candidato a deputado estadual do MDB a merecer uma aparição - no programa eleitoral exibido na TV - do senador Jader Barbalho, que enfaticamente pediu votos para o aliado.

A mais recente demonstração de canina fidelidade de Chicão ao governo estadual foi no episódio da aprovação, pela Alepa, do nome da priemeira-dama do Pará, Daniela Barbalho, para exercer o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Em todo o processo, Chicão não apenas foi o grande articulador para que o nome de da primeira-dama foi indicado formalmente por 11 lideranças partidárias, como também também acabou assinando o ato de nomeção da nova conselheira publicado no Diário Oficial. 

A assinatura foi aposta por Chicão como governador em exercício, uma vez que o governador Helder Barbalho, estrategiamente, ausentou-se no Estado, para não dar ensejo de que a nomeação venha a ser configurada como nepotismo.

Mesmo assim, a Procuradoria-Geral da República já está analisando representando formulada por membros do MPF lotados no Pará, por entenderem que a nomeação de Daniela Barbalho para o TCE violou frontalmente preceitos constitucionais.

segunda-feira, 20 de março de 2023

MPF do Pará aciona Aras para avaliar medidas que impeçam Daniela Barbalho de exercer o cargo de conselheira do TCE

Daniela Barbalho, durante arguição na Alepa: membros do MPF no Pará avaliam que
exercício do cargo de conslheira viola preceitos constitucionais

Membros do MPF lotados no Pará enviaram, nesta segunda-feira (20), representação ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para análise de que medidas devem ser tomadas para acionar o STF para impedir o exercício, por Daniela Barbalho, mulher do governador do Pará, Helder Barbalho, do cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A aprovação da primeira-dama ocorreu na semana passada, após sabatina a que ela foi submetida na Assembleia Legislativa. O cargo de conselheiro do TCE é vitalício, e o salário atual é de cerca de R$ 40 mil.

Procuradores e procuradoras lotados no Pará avaliam que a nomeação da primeira-dama para o cargo de conselheira do TCE/PA viola os preceitos constitucionais e a orientação dos tribunais superiores em casos semelhantes, com destaque para a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede o nepotismo.

A escolha de Daniela já está sendo objeto de questionamento judicial apresentado pela Associação dos Auditores de Controle Externo do TCE. A entidade aponta ausência de publicidade do processo de seleção de novo conselheiro para o Tribunal. A indicação de servidor da carreira chegou a ser feita pela entidade, mas foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Pará.

No documento, membros do MPF mencionam aspectos que, segundo eles, invalidam a nomeação de Daniela Barbalho para o TCE.

Incompatibilidade da nomeação com os princípios constitucionais e subversão do mecanismo de freios e contrapesos
Para os signatários da representação, há desrespeito claro ao princípio da moralidade, que impõe aos membros da Administração a separação de seus interesses pessoais dos interesses da Administração. Segundo eles, a nomeação de familiar de chefe do Poder Executivo para um tribunal de contas gera risco de irradiação do poder político para um órgão que se destina ao controle e fiscalização.

Ausência de capacidade técnica
Para os signatários da representação, o currículo da primeira-dama não demonstra que ela tenha qualquer competência ou atuação em área contábil, econômica ou financeira, que constituem a capacitação técnica exigida e elementar ao regular exercício do cargo de conselheira do TCE. São conhecimentos que a Constituição Federal e a Constituição Estadual estabelecem como imprescindíveis para esse tipo de cargo. As Constituições também impõem, como requisito para conselheiros de contas, mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija esses conhecimentos.

sexta-feira, 17 de março de 2023

Após o precedente de Daniela Barbalho no TCE, advogada cobra Helder: "Governador, pelo quinto constitucional já, paridade já"

A nomeação da primeira-dama do Pará, Daniela Barbalho, para ocupar o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE) abriu a porteira para que seu marido, o governador Helder Barbalho, venha a ser alvo de cobrança de outros segmentos femininos que defendem, ativamente, a paridade de gênero em vários órgãos. É o caso das advogadas que aspiram a uma vaga no Tribunal de Justiça do Pará pelo quinto constitucional, na vaga aberta com a aposentadoria compulsória, no final de 2021, do desembargador Milton Nobre.

Nesta quinta-feira (16), a advogada Cláudia Chini postou em seu perfil no Instagram um vídeo em que menciona diretamente a nomeação de Daniela - aprovada por lideranças de 11 partidos e aprovada para conselheira do TCE com os votos de 36 dos 41 deputados estaduais - como precedente para que Helder contemple o anseio das advogadas paraenses que defendem a paridade de gênero.

"Necessitamos que a paridade, que o princípio da isonomia ocorra também em nossos tribunais de justiça. O senhor [Helder] irá satisfazer os interesses de muitas advogadas que até hoje não tiveram essa oportunidade [de serem indicadas para o desembargo pelo quinto]", diz a advogada. Que completa: "Governador, a bola é com o senhor. Pelo quinto constitucional já, paridade já".

Uma das mais conhecidas militantes da advocacia no sul do Pará, Claudia Chini exerce a profissão há cerca de duas décadas, já tendo sido conselheira da Subseção da OAB em Marabá e presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas do Estado do Pará (Atep).

No último dia 8 de março, em sessão ordinária do Conselho Seccional da OAB-PA, o presidente da entidade, Eduardo Imbiriba, anunciou que a Ordem, seguindo o que já fazem algumas seccionais em outros estados do País, passará a adotar o critério da paridade de gênero e de cotas na elaboração da lista sêxtupla dos advogados que disputam vagas de desembargador pelo quinto constitucional. O novo critério já será observado no processo de preenchimento da vaga aberta com a aposentadoria de Milton Nobre.

O novo critério veio ao encontro da pretensão externada em requerimento que a advogada Kelly Garcia protocolou no final de abril do ano passado, pedindo que a OAB-PA adotasse o critério da paridade na lista sêxtupla.

Juntamente com a advogada Brenda Araújo, Kelly Garcia também participou de audiência pública  na Câmara dos Deputados, em Brasília, em que se discutiu a elaboração de políticas públicas voltadas à garantia da paridade de gênero no Poder Judiciário.